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quinta-feira, 27 de setembro de 2012

5ª rodada: A fúria do matador

Cavani destroçou a Lazio e faz o Napoli começar a ensaiar um voo à caça da Juventus (Image Photo)
A primeira rodada de meio de semana da Serie A não decepcionou àqueles que foram aos estádios ou se sentaram em frente à televisão para assistirem aos jogos. A começar pela terça-feira, quando uma ótima Fiorentina jogou muito bem contra a Juventus, mas não conseguiu quebrar a invencibilidade de 44 jogos da equipe campeã da Itália. No dia seguinte, em meio a vários jogos medianos, Napoli e Lazio fizeram o jogo mais aguardado do dia, e mantiveram o nível da terça. Cavani, em estado de graça, liderou os partenopei a uma acachapante vitória, que reitera o potencial da equipe napolitana de brigar pelo scudetto. A rodada teve, ainda, a primeira vitória do Milan em casa, a recuperação da Inter depois de mais uma derrota no Giuseppe Meazza e um tropeço da Roma frente a uma boa Sampdoria. Acompanhe as análises.

Napoli 3-0 Lazio 
Jogando muito bem, o Napoli aplicou uma verdadeira surra futebolística na Lazio e se igualou à Juventus, com 13 pontos, na liderança da Serie A. O dono da festa foi Cavani, que marcou três gols - e poderiam ter sido quatro, caso tivesse convertido um pênalti - e, com cinco gols, tornou-se artilheiro isolado da Serie A. A partida entre o vice-líder e a terceira colocada começou bem para a Lazio, que deu trabalho a De Sanctis com um chute de Konko, e acabou marcando com Klose. O atacante alemão, porém, admitiu que havia marcado com a mão e o árbitro anulou o gol, que já havia considerado válido. A sorte, depois disso, mudou de lado e um chute de Cavani desviou em Ciani, enganando Marchetti e abrindo o placar. O goleiro laziale, pouco depois, não conseguiu espalmar outro chute do Matador e, ao fim do primeiro tempo, o Napoli vencia por 2 a 0.

Na segunda etapa, Hernanes quase diminuiu, com ótima cabeçada defendida por De Sanctis. A Lazio buscava encostar, mas era o Napoli quem dominava o jogo, com excelentes atuações de Hamsík e Behrami, no meio-campo. O terceiro gol não demorou a sair, depois que Campagnaro surpreendeu uma desatenta defesa biancoceleste, com um belo lançamento para Cavani marcar o terceiro. A atuação, muito convincente, logo após um tropeço contra o Catania, credencia os azzurri a brigarem pelo título com a Juventus, e uma nova atuação convincente, diante da Sampdoria, é esperada para o domingo. Já do lado da Lazio, a impressão que ficou é que o time não tem força suficiente para brigar com as equipes que disputam o título. No entanto, Petkovic tem uma boa base e pode trabalhá-la. Uma boa resposta é esperada nesse fim de semana, frente ao Siena.

Fiorentina 0-0 Juventus
O placar foi 0 a 0, mas a partida, cercada por muita rivalidade, foi das melhores na Serie A. Com futebol muito envolvente, a Fiorentina foi muito melhor que a Juventus e, por muito pouco, não encerrou a sequência de 44 jogos de invencibilidade bianconera. Chances, com Jovetic, Ljajic, Pasqual, Roncaglia e Cuadrado, não faltaram, mas a bola insistia em raspar a trave ou até mesmo em explodir nela. No meio-campo, um cansado Pirlo perdeu, por muito, a batalha de registas contra Pizarro, enquanto Montella engoliu Conte e Carrera nas decisões táticas.

No entanto, o 0 a 0 deixa duas lições: a primeira é que a Juventus, mesmo longe de seus melhores dias, dá enorme prova de força a não perder um jogo como esses e, é por isso que segue invicta e é favorita ao título; a segunda é que a Viola pode mesmo brigar no topo da tabela. A falta de um fazedor de gols se faz sentir - um matador poderia ter decidido o jogo a favor, na terça -, mas a equipe tem jogado muito bem. No fim de semana, testes difíceis para Juventus e Fiorentina: no sábado, a Velha Senhora recebe a Roma de Zeman, em um jogo que traz à tona as acusações do técnico a casos de doping da Juve nos anos 90, e deve ser muito quente; a equipe de Montella, por sua vez, visita a Inter, em Milão.

Milan 2-0 Cagliari
Acabou a maldição do San Siro. Um Milan guiado pelos jovens finalmente conseguiu vencer em casa pela primeira vez na temporada, afastando fantasmas do gramado do Giuseppe Meazza e, principalmente, dando uma sobrevida ao cargo de Massimiliano Allegri - desta vez suspenso, substituído por Mauro Tassotti. O nome do jogo foi El Shaarawy, que pela primeira vez marcou dois gols em um jogo da Serie A e ainda poderia ter feito três, caso um chute seu não fosse desviado e tocasse no travessão. Quem também foi bem, na lateral direita, foi De Sciglio, de 20 anos.

A partida, no entanto, passou longe do brilhantismo. Para um San Siro cheio de cadeiras vazias (nem 30 mil lugares ocupados; mais de 50 mil vagos), o Milan encontrou um adversário tecnicamente muito inferior, mas ainda passou algum sufoco, duas vezes com Ibarbo e outra com Thiago Ribeiro. Cínicos, porém, os rossoneri aproveitaram as chances que criaram e ficaram com os três pontos, que o colocam no meio da tabela, com 6 conquistados. A expulsão de Conti, quando o jogo já estava 2 a 0, facilitou ainda mais a vida do Diavolo, que enfrentará o Parma, no Ennio Tardini, neste sábado. Já o Cagliari busca sair da zona de rebaixamento jogando em casa contra o Pescara. Desta vez, a Is Arenas poderá receber público - apenas aqueles que tem carnê anual do clube e são detentores do registro nacional de torcedor.

Chievo 0-2 Inter
Mesmo sem jogar tão bem, a Inter conseguiu a terceira vitória no campeonato, a terceira fora de casa. Contra o Chievo, Stramaccioni inovou e lançou a equipe em um 3-5-1-1, mesmo sem Chivu, considerado por ele o zagueiro ideal para uma defesa a três, e, de forma pragmática, a Beneamata conseguiu se recuperar da derrota contra o Siena. Sneijder saiu machucado aos 25 minutos (deve voltar apenas em duas semanas)  e a entrada de Cassano melhorou o futebol do time, que chegou ao primeiro gol no fim da etapa inicial, com Álvaro Pereira - milimetricamente impedido. No segundo tempo, um contra-ataque que terminou com o gol de Cassano, o terceiro no campeonato, acabou dando números finais ao jogo.

O Chievo até jogou bem, mas encontrou em Handanovic, por duas vezes, um dificultador. O goleiro interista fez uma grande defesa no segundo tempo, em cobrança de falta de Rigoni, e contou com a sorte, no fim do jogo, quando uma cobrança de falta de Cruzado explodiu na trave. Ainda assim foi pouco e mostrou que a Inter, em versão pragmática e com três defensores, embora não perfeita - a equipe produziu pouco ofensivamente -, pode voltar a aparecer outras vezes. Talvez contra a Fiorentina, que também joga com três zagueiros e cinco no meio-campo, já neste domingo. Já o Chievo visita um Palermo em crise.

Roma 1-1 Sampdoria
A Roma saiu na frente no placar, jogou melhor o primeiro tempo inteiro, teve um jogador a mais durante boa parte da segunda etapa, mas ainda assim deixou o gramado do Estádio Olímpico com apenas um ponto. Mais uma vez, a equipe foi vítima de seus próprios erros. O gol romanista saiu aos 35 minutos do primeiro tempo: Totti marcou seu 216º gol na Serie A e se igualou a José Altafini como quarto maior artilheiro da competição na história.

No início do primeiro tempo, Maresca recebeu o segundo amarelo e foi expulso. E, quando tudo parecia tranquilo para a Roma, Stekelenburg falhou e Munari não desperdiçou, fazendo 1 a 1. Se quiser que seu time lute na parte de cima da tabela, Zeman precisa consertar essa queda de rendimento que vem atingindo o time na segunda etapa, principalmente quando já está ganhando. (Rodrigo Antonelli)

Genoa 1-1 Parma
Em Gênova, a torcida local passou por fortes emoções e só viu seu time empatar a partida nos últimos minutos de jogo. A equipe rossoblù começou bem e logo teve oportunidade de abrir o placar: Immobile, no entanto, perdeu chance inacreditável. Minutos depois, Lucarelli aproveitou escanteio e colocou os visitantes na frente, jogando um balde de água fria no Genoa, que mandava no jogo. A equipe de De Canio (que completava 55 anos e 200 jogos na Serie A, ontem), só voltou a jogar bem no segundo tempo.

De novo, porém, a torcida teve suas expectativas devoradas. Primeiro, Borriello errou pênalti. Em seguida, Immobile perdeu outra oportunidade de ouro, defendida por um Mirante em grande noite. A dois minutos do fim, contudo, Borriello se redimiu e deixou a torcida sorrir pelo menos uma vez: entrou na área, sofreu o pênalti e dessa vez acertou. O empate deixa o Genoa com 7 pontos e o Parma com 5. (RA)

Catania 2-1 Atalanta
Na partida entre duas das boas surpresas da última temporada da Serie A, que continuam bem neste campeonato, melhor para a equipe da casa. Tanto Catania quanto Atalanta entraram em campo com cinco pontos na tabela, e com força argentina para tentar decidir a partida. No primeiro tempo, o goleiro Consigli fez ótimas defesas, parando Lodi e Gómez, e dando uma sobrevida à equipe visitante. No início do segundo tempo, os argentinos nerazzurri tiveram ótima chance para se darem melhor no confronto: o goleiro Andújar fez lambança e entregou a bola nos pés de Moralez, que só teve o trabalho de driblá-lo e empurrar para as redes, abrindo o placar para a Atalanta.

No entanto, o Catania soube reagir logo depois. Aproveitando um lance de bola parada, especialidade da equipe, já que Lodi é um grande cobrador de faltas e escanteios, Spolli apareceu bem para cabecear para as redes um ótimo cruzamento do capitão. E, quando o jogo já se encaminhava para o fim, Papu Gómez fez ótima jogada, em velocidade, e ajeitou para que Barrientos fechasse o "festival argentino" em favor da equipe mais argentina da Serie A - com oito platenses. No fim de semana, o Catania visita o Bologna e a Atalanta, que não tem jogado bem fora de seus domínios, recebe o Torino.

Pescara 1-0 Palermo
Ainda não foi dessa vez que Gasperini venceu com seu Palermo. Nem mesmo contra uma das equipes mais fracas do campeonato o rosanero aproveitou a oportunidade e, mais uma vez, mostrou a seu torcedor que o campeonato será sofrido. Os visitantes jogaram melhor - tiveram um gol bem anulado a Hernandez e Pelizzoli fez ótimas defesas sobre o uruguaio e também sobre Giorgi e Barreto -, mas a tola expulsão de Von Bergen, aos 35 minutos de jogo, atrapalhou os planos da equipe. Mesmo assim, Gasperini arrumou bem o time taticamente, de modo a sofrer pouco.

Só que, aos 43 do segundo tempo, os volantes ficaram observando Weiss conduzir a bola, com tranquilidade, na etrada da área, e acertar um petardo no ângulo de Ujkani. Foi a primeira vitória pescaresa na Serie A desde que o clube retornou após sua última participação, 20 anos atrás. Já o Palermo está na zona de rebaixamento e contratou Pietro Lo Monaco como diretor executivo da equipe. Maurizio Zamparini, presidente, se afasta.

Siena 1-0 Bologna
O Siena embalou. Depois de vencer a Inter de Milão, em pleno Giuseppe Meazza, no fim de semana, a equipe bianconera conquistou sua segunda vitória no campeonato, nesta quinta, contra o Bologna. Com apenas uma derrota, o time do técnico Cosmi teria oito pontos e ocuparia a sexta colocação, ao lado da Roma, caso não tivesse começado o campeonato com seis pontos negativos. Com o desconto, porém, a situação dos bianconeri ainda é ruim: ocupa a zona de rebaixamento, com apenas dois pontos.

Contra o Bologna, o destaque da equipe, de novo, foi o atacante Calaiò, que marcou o único gol da partida. O goleiro Pegolo também merece menção honrosa, pelas diversas defesas que fez para ajudar seu time a sair com a vitória. O Bologna jogou de igual para igual e saiu de campo reclamando de um possível pênalti em cima de Gilardino. O treinador Pioli, inclusive, foi expulso. O Bologna chega à segunda partida sem vitória e permanece com quatro pontos, na 15ª colocação. (RA)

Torino 0-0 Udinese
Que a Udinese já não é mais a mesma todo mundo sabe. Sem Di Natale, então, a equipe de Údine se torna apenas mais uma no bando. O capitão bianconero ficou 90 minutos no banco de reservas e os friuli tiveram dificuldade contra o Torino, que jogou melhor e poderia até ter saído com a vitória. Não que os donos da casa merecessem vencer, mas, apesar do baixo nível técnico apresentado, levou mais perigo ao gol adversário e mostrou mais iniciativa. Destaque para Biachi e Santana, que participaram das principais jogadas do Toro. Mas o empate sem gols e a fraca partida não enganam: o campeonato será difícil para torcedores de ambos os times, que somam apenas cinco pontos em cinco jogos. (RA)


Relembre a 4ª rodada aqui.
Confira estatísticas, escalações, artilharia e da 3ª rodada, além da classificação do campeonato, aqui.

Seleção da rodada
Pegolo (Siena); De Sciglio (Milan), Roncaglia (Fiorentina), Cannavaro (Napoli), Pasqual (Fiorentina); Barrientos (Catania), Pizarro (Fiorentina), Hamsík (Napoli), Álvaro Pereira (Inter); Cavani (Napoli), El Shaarawy (Milan). Técnico: Vincenzo Montella (Fiorentina).

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Futebol importa?


Este cara foi responsável por 359 negociações nas últimas temporadas do Genoa. Eis Enrico Preziosi, o homem de negócios (Sky Sport)

Conversei com um parceiro profissional de Wagner Ribeiro na semana passada. O advogado cuida da carreira do menino Jean Chera. Aproveitei a oportunidade para dizer que, se fosse jogador, o último clube que jogaria na Itália era o Genoa devido ao alto número de transferências que faz por janela. O profissional já havia se reunido com Enrico Preziosi em sua casa, na Suíça, e, na ocasião, o presidente do clube afirmou que os rossoblù é nada mais que um clube trampolim. Caso o Genoa lute por competição europeia, ele dá um jeito de vender alguns jogadores. Eis o panorama do Grifone: time com recursos financeiros que trabalha com resultados individuais a curto prazo e, talvez – apenas talvez -, mude seu status num futuro próximo.

Esta temporada, a de 2012-13, é a sexta consecutiva do Genoa na Serie A. Todas elas com Preziosi na cadeira estofada da presidência. Dono do grupo Giochi Preziosi, do ramo de brinquedos, ele assumiu o Genoa em 2003, logo após o clube ter sido rebaixado à Serie C e acabar salvo pela polêmica decisão da FIGC, que expandiu a segunda divisão para 24 clubes – o Caso Catania. Dois anos depois, quando o Grifone conseguiu o título da Serie B, foi relegado à terceira divisão, pois, em julgamento, declararam-no culpado ao manipular o resultado da partida final contra o Venezia.

O Genoa é o clube mais vitorioso da Itália no pré-Primeira Guerra Mundial. São sete títulos nacionais até 1915 – outros dois foram conquistados entre 1922 e 24. Mais um scudetto conquistado daria o direito ao clube de ter uma estrela no peito. Eis que as glórias ficaram mesmo no passado. Desde que retornou à primeira divisão, o meio da tabela é praticamente moradia rossoblù. 

Foram apenas duas exceções: em 2008-09, o Genoa quase alcançou a Liga dos Campeões se não fosse as duas vitórias a mais que a Fiorentina conquistou no torneio e, com os mesmos 58 pontos da viola, acabou na Liga Europa. Diego Milito e Thiago Motta foram incluídos na seleção do campeonato. Na última temporada, o Genoa teve a pior defesa da competição e lutou contra o rebaixamento; cenas lamentáveis ocorreram no Marassi e o técnico Alberto Malesani foi demitido duas vezes.

Mas é para tanto? Por que o multicampeão do início do século XX não luta pelo título? Sonhando um pouco mais baixo, por uma Liga Europa? Simples: porque o presidente não quer. Enrico Preziosi, empresário riquíssimo, não quer seu time batalhando contra os grandes. Scudetto é ilusão, utopia. O Rei do Mercado, como é conhecido, não se interessa como o time é no papel. O Genoa não passa de um clube trampolim, que fornece jogadores para Milan - Preziosi é amiguíssimo de Berlusconi e tem boas relações com Moratti - e Inter, nos últimos anos: por exemplo, Constant, Acerbi e Boateng para os rossoneri e Ranocchia, Motta, Milito e Palacio, aos nerazurri

As mudanças no elenco são muitas e não há técnico que consiga entrosar um bando de jogadores. Se o grifone consegue melhorar um pouco no campeonato, o presidente vai lá e vende algumas peças; se o jogador não emplaca de primeira, acaba emprestado ou negociado com clubes menores. Raros jogadores, como Marco Rossi, conseguem permanecer no clube por mais de duas, três temporadas. Se por um lado é ruim dentro de campo, é ótimo fora. As transferências de posses mantêm as finanças em dia. Todo jogador está à venda pelo preço certo, e este valor será reinvestido em alternativas baratas.

O constante entra-e-sai de atletas foi um dos motivos da saída do diretor Pietro Lo Monaco, antes do começo da temporada. No Catania, o dirigente sanou as dívidas do clube, balanceou o caixa e foi responsável pelas chegadas de bons jogadores como Pablo Barrientos, Mariano Izco, Maxi López e Alejandro Gómez. O seu pensamento sempre foi o trabalho a longo prazo; exatamente o oposto das ideias centralizadas de Preziosi. Lo Monaco não durou dois meses na Ligúria e saiu ouvindo do presidente que, se quisesse trabalho a longo prazo, fizesse suas malas e procurasse outro clube. Sabe qual foi a primeira transação após a saída do diretor? O Genoa mandou Gilardino para o Bologna e trouxe Borriello de volta.

O que incomoda os torcedores são as campanhas de meio de tabela. Quando voltou à Serie A com a 3ª posição em 2006-07, conseguiu, em ordem, 10°, 5°, 9°, 10° e 17° lugares na primeira divisão. É bom lembrar o que aconteceu no estádio Luigi Ferraris, no dia 23 de abril. Na ocasião, o Genoa era massacrado pelo ótimo Siena de Giuseppe Sannino. Era batalha contra o rebaixamento. 

Quando o jogo estava 4 a 0 para a equipe bianconera, aos 8 minutos do segundo tempo, o árbitro Paolo Tagliavento interrompeu a partida porque os torcedores ultrà do Genoa atiraram sinalizadores em campo. Eles exigiam, pendurados no gradil, que os jogadores tirassem suas camisas e as entregassem. Os atletas não seriam dignos de vesti-las. Este foi um ato isolado de uma parcela radical da torcida, mas que provoca a reflexão sobre os sucateados estádios da Bota e seu campeonato, sem credibilidade mediante as manipulações de resultados.

Mas o intuito do texto nem é falar sobre futebol. Até porque isso é o que menos importa para Preziosi. Dinheiro, dinheiro e dinheiro. Disso ele entende. Nos últimos cinco anos, o clube gastou 272 milhões de euros - e 264 mi entraram nos cofres. E se os torcedores quiserem um time que luta lá em cima, juntamente com Juventus, Napoli, Milan, que venha um sheik do Oriente Médio, oras. "Comigo, o Genoa estará sempre na Serie A e se isso não for o suficiente para alguns torcedores, eles que procurem um sheik catari", disse o presidente, citado nesta boa análise financeira feita pelo Swiss Ramble (em inglês). 

No entanto, Preziosi diz uma meia-verdade. Usando um modelo de negócio semelhante, a Udinese também é sempre muito ativa nos mercados, negocia muitos jogadores e está sempre de elenco renovado. Desde que Giampaolo Pozzo assumiu a presidência do clube, em 1986, a Udinese chegou à Liga dos Campeões três vezes, além de outras nove à Copa da Uefa ou Liga Europa.

Para crescer, o Genoa precisa aumentar suas receitas com um novo ou reformado estádio (aqui, nem cogito a hipótese de uma arena multiuso) e diminuir o piso salarial - o que as equipes de Milão têm feito nesta época. A entrada e saída de jogadores é o que mantém o clube estável, sem dívidas, mas o esporte é muito mais do que isso. É emoção. É amor. É paixão. E o que Preziosi e seu trabalho a curto prazo têm feito fere as chances do grifone progredir dentro das quatro linhas.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

4ª rodada: San Zero

Allegri e Stramaccioni, técnicos de Milan e Inter, amargam maus resultados em casa. Mais ameaças de demissão para o milanista que para o nerazzurro (Telenova.it)
Oito jogos em casa e nenhuma vitória para as equipes de Milão no novo gramado de San Siro. Ou San Zero, como já se aprontam a ladrar os piadistas? Fato é que, jogando em casa, tanto Inter quanto Milan tem decepcionado seus torcedores com uma falta de consistência absurda. No caso do Milan, o problema não é só San Siro. Fora de casa, a equipe não tem jogado bem. Neste domingo, teve 10 minutos de bom futebol contra a Udinese, mas uma mudança tática de Francesco Guidolin transformou o rumo do jogo. Ivan Zazzaroni, comentarista da Rai e do GQ Italia, levantou uma boa questão: a dupla de Milão parece incapaz de conquistar títulos sem gastar muito na montagem de super esquadrões ou no pagamento de salários polpudos a estrelas do futebol mundial. Ou seja, Inter e Milan não estão acostumados aos tempos de vacas magras e precisam se reinventar.

Quem agradece é a Juventus, cada vez mais regular. Sem forçar a barra, a equipe venceu o Chievo e ainda viu Lazio, Napoli e Sampdoria, que também tinham 100% de aproveitamento, tropeçarem e a deixarem isolada na liderança. As equipes que se deram mal, a propósito, terão pouco tempo para se recuperarem: tem rodada no meio da semana, já a partir da terça, quando Fiorentina e Juve abrem a 5ª jornada. Antes, acompanhe as análises da rodada.

Udinese 2-1 Milan
10 minutos de bom futebol e um golaço de El Shaarawy não foram suficientes para que o Milan batesse a Udinese. Allegri escalou seu time em um 4-3-3 atraente, visando surpreender o 3-5-1-1 de Guidolin e ia conseguindo, até que o treinador da equipe friulana, ciente dos riscos, mudou seu esquema tático para um 4-3-1-2. A partir de então, a Udinese passou a mandar no jogo, ganhou o combate no meio-campo e, ainda no primeiro tempo, chegou ao gol, com Ranégie. Muito bem em campo, o sueco de 28 anos ainda sofreu pênalti na segunda etapa, logo após o gol de empate de El Shaarawy, com uma bomba de fora da área. Na cobrança, Di Natale deu números finais ao jogo.

Surpreendeu, na partida do Friuli, a tensão do Milan em campo. Zapata acabou expulso depois que cometeu o pênalti e, nervoso, Boateng também acabou indo para o chuveiro mais cedo, deixando os rossoneri com 9 em campo. O destempero, claramente, vem do fato de Allegri estar ameaçadíssimo. Muitos dizem que o técnico não tem o comando do vestiário e que, na verdade, nunca o teve, nem mesmo quando foi campeão italiano, dois anos atrás. Sempre teve conflitos com os senadores do elenco e, agora que Thiago Silva e Ibrahimovic, além de Seedorf, van Bommel e Gattuso deixaram o time, perdeu de vez o controle. Melhor para a Udinese, que venceu pela primeira vez na temporada e, na quarta, poderá fazer o bis contra o Torino, no Piemonte. Já o Milan, que decidiu manter o treinador, recebe o Cagliari, justamente a equipe que projetou Allegri.

Inter 0-2 Siena
A crise de San Siro é tão grande que dá margem até a precedentes históricos. Foi a primeira vez que o Siena venceu a Inter em toda a história do confronto. No jogo deste domingo, a Inter poderia ter construído uma boa vantagem ainda no primeiro tempo, em boas jogadas de Cassano e Sneijder, além de outras chances com Cambiasso e ranocchia, defendidas por Pegolo. O primeiro gol do Siena surgiu em um contra-ataque, em uma das poucas chances que os bianconeri tiveram no jogo. Rosina fez boa jogada e, na triangulação, Juan Jesus marcou apenas a bola, deixando Vergassola livre para entrar na área e fazer. No segundo, novo erro do brasileiro, e também de Nagatomo, que não marcou Valiani. 

O resultado é preocupante, primeiro por ter acontecido ante ao fraco Siena, e, depois pelas dificuldades defensivas do time, originadas não só da vocação ofensiva dos laterais, mas de erros da zaga. Stramaccioni parece ainda estar acostumado com a Primavera: experimenta demais nas escalações ao invés de achar um time-base, o que, quando se está falando de formação de jogadores, é perfeitamente plausível. Em nível proifssional, porém, mais vale amadurecer uma filosofia de jogo e montar uma equipe fixa, com boas alternativas no banco. Neste domingo, por exemplo, Stramaccioni experimentou deixar Zanetti no banco, escalando os ultra-ofensivos Nagatomo e Álvaro Pereira nas laterais, com Juan Jesus na zaga, ao lado de Ranocchia. O resultado se viu em campo. O Siena aproveitou e está, enfim, próximo de zerar sua punição de 6 pontos. Agora, a Robur tem -1 ponto, enquanto a Inter fica estacionada com 6. Na próxima rodada, a Inter busca recuperação em Verona, contra o Chievo, enquanto o Siena recebe o Bologna.

Juventus 2-0 Chievo
Com a vitória sobre o Chievo, a Juventus é a única que mantém os 100% de aproveitamento no campeonato. São 12 pontos em quatro jogos e a liderança isolada da competição. E isso tudo só é possível graças a (quem diria) Fabio Quagliarella. O atacante foi decisivo pela segunda vez na semana, após importante gol contra o Chelsea, na estreia da Juve na Liga dos Campeões, e marcou os dois gols do triunfo sobre o Chievo, no sábado. Giovinco tem que abrir o olho, pois sua titularidade está cada vez mais ameaçada.

Por conta da rodada no meio de semana, que reserva um duelo muito esperado contra a Fiorentina, Conte preferiu poupar alguns jogadores no sábado, mas não teve problemas. O time da casa dominou o Chievo durante toda a partida e só não teve vitória mais tranquila porque o goleiro Sorrentino fez um primeiro tempo impecável. Os gols saíram na segunda etapa, em dois bonitos lances de Quagliarella: primeiro, acertou ótimo vôleio após cobrança de escanteio; depois, conseguiu bonito drible sobre o zagueiro e mandou no canto do goleiro. O Chievo permanece com três pontos e ocupa a 16ª colocação. (Rodrigo Antonelli)

Lazio 0-1 Genoa
Entrando em campo na partida que fechava a rodada, a Lazio tinha a oportunidade de vencer e se igualar à Juventus como únicas equipes a manter os 100% de aproveitamento, na liderença do cameonato. Porém, a equipe biancoceleste desperdiçou muitas oportunidades e, frente a um Genoa cínico, caiu de joelhos. As duas equipes já pensavam nos jogos de quarta e foram a campo com muitos reservas, o que, de forma alguma prejudicou a qualidade do jogo. Melhor em campo, a Lazio criava com Candreva e Hernanes, e teve chances tanto com o brasileiro quanto com o tanque Kozák. Frey, porém, estava seguro, e contava com uma dose de falta de pontaria dos laziali.

No segundo tempo a Lazio cresceu e quase chegou ao gol em três oportunidades. Primeiro, Hernanes acertou o travessão, depois Candreva tirou tinta da trave e, por último, Klose, que havia acabado de entrar no lugar do próprio Candreva, driblou dois defensores rossoblù mas, na hora de concluir, chutou para fora. O castigo veio em seguida, quando uma bola lançada por Frey acabou nos pés de Borriello. Sozinho, frente a Marchetti, o atacante não titubeou e decidiu a partida. Na quarta, a Lazio enfrenta o Napoli, no San Paolo, enquanto o surpreendente Genoa de Luigi De Canio, que quase havia vencido a Juventus, recebe o Parma.

Catania 0-0 Napoli 
O tempo passa e o Napoli continua sem conseguir vencer o Catania na Sicília. Neste domingo, mesmo com um a mais desde 1 minuto e meio (sim!) de jogo, pela expulsão de Álvarez, a equipe azzurra não conseguiu bater os etnei fora de casa, pela primeira vez na história. Com dez titulares descansados, por não haverem entrado em campo na quinta, contra o AIK, pela Liga Europa, o Napoli tinha obrigação de buscar o jogo, mas o fez de maneira muito lenta e previsível, como se achasse que o fato de ter superioridade numérica fosse suficiente para vencer o jogo. Nem mesmo o fato de a melhor chance do primeiro tempo ter sido do Catania fez com que os partenopei acordassem.

No segundo tempo, o Napoli até melhorou um pouco, nos minutos iniciais, mas logo diminuiu o ritmo, novamente, muito por conta do forte calor e da boa marcação do Catania. No fim do jogo, as melhores chances foram do Catania: Gómez obrigou De Sanctis e fazer ótima defesa e, depois, acertou a trave, quase dando uma heroica vitória aos donos da casa. No jogo de número 100 de Cavani com a camisa azzurra, nada a comemorar: o Napoli perdeu os 100% de aproveitamento e, apesar da invencibilidade, desperdiçou uma chance de seguir empatada com a regular Juventus, sobretudo porque, na quarta, a equipe tem jogo difícil contra a Lazio, que estava invicta, no San Paolo. O Catania, com 5 pontos, enfrenta a Atalanta.

Parma 1-1 Fiorentina
Em um dos jogos mais emocionantes da rodada, teve de tudo: bola na trave, expulsão,  pênaltis e gol nos acréscimos. No fim, o primeiro empate da temporada para ambas as equipes. A Fiorentina de Montella não se intimidou por estar jogando fora de casa e fez ótimo primeiro tempo, pressionando o Parma e mostrando forte jogo de equipe, como poucas equipes no campeonato. O gol saiu em chute de fora da área de Roncaglia, aos 20 minutos de jogo.

Atrás no placar, o Parma partiu para cima e, aos 10 da segunda etapa, teve pênalti a seu favor. Valdés cobrou, mas Viviano salvou. Aos 42, foi a vez de Rosi fazer pênalti e ser expulso. Porém, Jovetic, muito discplicente (e, além disso, muito egoísta no jogo todo), também desperdiçou sua cobrança e perdeu a chance de garantir a vitória viola. Já nos acréscimos, então, Toni colocou a mão na bola de forma estranha e deu a última chance ao Parma. Dessa vez, Valdés não errou e o Parma conquistou um dos pontos mais custosos da campanha. A Fiorentina ocupa a 5ª colocação (7 pontos) e o Parma a 12ª (4 pontos). (RA)

Sampdoria 1-1 Torino
Um dos confrontos mais aguardados em Sampdoria-Torino era o do meia Maresca com o Toro. Em 2002, o jogador formado na Juventus, marcou o gol do empate em 2 a 2 em um dérbi de Turim, aos 43 do segundo tempo, e comemorou imitando um touro, ironizando os jogadores e torcedores do Torino. Teve de sair escoltado, corrido dos vestiários. No domingo, na partida do Marassi, Maresca quase voltou a marcar contra os granata, em uma cobrança de falta quase perfeita, que explodiu no traessão. Foi a melhor de uma série de boas chances que uma Sampdoria de futebol bem jogado teve no primeiro tempo. Gillet, muito bem em campo, foi o destaque, com ótimas defesas.

Após o intervalo, porém, o ritmo caiu e, em uma jogada de Cerci, Rossini fez pênalti. Na cobrança, Bianchi abriu o placar para o Toro. Buscando manter a invencibilidade, a Samp partiu para cima e, com as entradas de Pozzi e Éder, cresceu muito. O brasileiro, inclusive, sofreu pênalti claro de Glik, que Pozzi foi responsável por converter, não obstante Gillet tenha ido muito bem ba bola. Gillet ainda fez uma ótima defesa no final, em chute de Éder, para garantir o quarto ponto do Torino no campeonato e o nono da Sampdoria. Na próxima rodada, a Samp visita a Roma e o Toro visita a Udinese, em jogos que acontecem na quarta.

Atalanta 1-0 Palermo
O Palermo trocou de técnico, mas ainda não conseguiu vencer uma vez sequer na Serie A. Desta vez a equipe ofereceu mais dificuldades e só sofreu o gol que definiria o confronto nos minutos finais, graças a uma forte testada de Raimondi, sem chances para Ujkani. Gasperini chegou logo implantando seu famoso 3-4-3, recuando o volante Donati para a defesa, e colocando o capitão Miccoli no banco. A tática vinha bem no primeiro tempo, quando os rosanero foram melhores, graças a alguns lampejos de Ilicic. Múñoz até marcou um gol, mas bem anulado por impedimento. o segundo tempo, porém, foi dos donos da casa.

Após o intervalo, e com a entrada do promissor De Luca, a Atalanta cresceu muito. Em dia apagado de Bonaventura e de Moralez, o atacante apareceu bem, fazendo muitas jogadas individuais, aliando sua alta velocidade com muita técnica. Porém, faltou passar um pouco mais a bola, como em um lance no qual Denis estava sozinho dentro da área, em ótima posição para concluir a gol. De qualquer forma, a equipe cresceu, com a aproximação de Cigarini, e o placar foi justo. Na quarta, a Atalanta visita o Catania, em duelo de duas equipes que começaram bem  ocampeonato, com 5 pontos, enquanto o Palermo visita o Pescara.

Bologna 1-1 Pescara
O primeiro ponto do Pescara na Serie A desta temporada teve dois grandes fatores responsáveis. Primeiro, o goleiro Pelizzoli, que entrou no segundo tempo, no lugar do expulso (rigorosamente) Perin, para defender penalidade de Diamanti e segurar o resultado, e também o meio-campo abbruzzese, que fez ótima partida, superando os meio-campistas da equipe dona da casa. No início do primeiro tempo, Gilardino confirmou a boa fase e abriu o placar, após cruzamento de Garics. Depois, o Bologna bombardeou Perin, que se saiu bem com algumas boas defesas.

O Pescara chegava pouco, mas em uma ótima cobrança de falta do jovem colombiano Quintero, candidato a revelação da temporada, os golfinhos deixaram tudo igual. Em 10 desde os 15 do segundo tempo, o Pescara conseguiu segurar bem o jogo, praticamente impedindo que os bolonheses criassem jogadas e levaram o valioso pontinho para casa. Na quarta, a equipe do Abbruzzo recebe o Palermo, que perdeu todos os seus jogos, e, na quinta, o Bologna visita o siena.

Cagliari-Roma
A partida não aconteceu por motivos de segurança. O presidente do Cagliari, Massimo Cellino, desrespeitou a decisão do conselho de segurança da prefeitura da cidade e, não obstante o jogo tivesse de ser disputado com portões fechados, pelo fato de a Is Arenas ainda estar em obras, convidou aqueles que tivessem comprado os carnês para a temporada - os chamados abbonamenti -, para assistir o jogo. Assim, a Lega Serie A decidiu adiar o jogo e a equipe romana entrou com recurso para conseguir os três pontos. No julgamento, foi levado em conta o regulamento, que atesta que o clube considerado responsável por um adiamento ou cancelamento é declarado perdedor. Portanto, a Roma venceu, no "tapetão", por 3 a 0. Merecido, uma vez que o presidente folclórico da equipe sarda desssa vez brincou com fogo e foi longe demais.

Relembre a 3ª rodada aqui.
Confira estatísticas, escalações, artilharia e da 3ª rodada, além da classificação do campeonato, aqui.

Seleção da rodada
Pegolo (Siena); Allan (Udinese), Benatia (Udinese), Legrottaglie (Catania), Marchese (Catania); Kucka (Genoa), Maresca (Sampdoria); Éder (Sampdoria), Rosina (Siena), Quagliarella (Juventus); Ranégie (Udinese). Técnico: Francesco Guidolin (Udinese).

sábado, 22 de setembro de 2012

Sem impressionar

No White Hart Lane, a Lazio, de Ledesma, conseguiu segurar um empate importante contra o Tottenham, maior adversário no grupo J (Getty Images)
A estreia das equipes italianas na fase de grupos da Liga Europa não foi impactante. Inter, Lazio, Napoli e Udinese não perderam, mas não impressionaram. Nem mesmo o Napoli, que aplicou um 4 a 0 sobre o mdesto AIK, da Suécia, fez algo que dele não se esperava. O restante das equipes empatou, mantendo a invencibilidade "azzurra" na primeira rodada, mas apenas a igualdade laziale é de se comemorar. Vamos às análises.

Tottenham 0-0 Lazio
Estreando contra a principal adversária no grupo J, a Lazio passou bem no teste em Londres e terá mais tranquildade nos outros jogos. A equipe de Vladmir Petkovic, que havia vencido os cinco jogos oficiais que disputou na temporada, não saiu do White Hart Lane com os três pontos, mas teve atuação consistente. Os dois times foram a campo com quase todos os titulares à disposição, o que, tanto para Spurs quanto para laziali, na Liga Europa, é fato raro: para o jogo do fim de semana, contra o Genoa, a Lazio deve até poupar titulares, mostrando que ao menos no início, dá importância à competição continental. A escolha pelos titulares, no entanto, não resultou em grande jogo. A partida, em ritmo lento, não teve grandes ocasiões.

A Lazio soube se defender bem, apesar de ter sofrido três gols, todos eles anulados pelo árbitro romeno Hategan. O primeiro, de Dempsey, em impedimento, e o terceiro, de Caulker, por falta sobre Mauri, geraram polêmicas (o segundo, com Defoe, aconteceu com ação já interrompida, por impedimento anterior), já que foram lances muito duvidosos. A sensação é de que apenas o do jogador norte-americano foi válido, já que Caulker pareceu se apoiar no capitão biancoceleste para cabecear para as redes. A principal chance da Lazio aconteceu no primeiro tempo, quando González acertou o travessão. Com um ponto na bagagem, a equipe romana agora enfrenta, no dia 4 de outubro, o Maribor, que surpreendeu o Panathinaikos com um sono 3 a 0.

Inter 2-2 Rubin Kazan
A equipe de Andrea Stramaccioni também estreou contra o adversário mais forte do seu grupo, o H, mas não comemorou o empate. A Inter fez um jogo muito ruim, foi inferior ao Rubin, oitavo colocado no campeonato russo, durante os 90 minutos, e segue sem comemorar uma vitória em casa na atual temporada, assim como o Milan. Já são sete jogos no Giuseppe Meazza sem vitória dos donos da casa, o que não acontecia há 25 anos. Nesta quinta, a Inter precisou empatar duas vezes - a última, definitiva, apenas nos acréscimos - para não ver o seu maior adversário no grupo pular à frente logo na estreia.

Logo no início, os nerazzurri saíram atrás, depois de pênalti infantil de Jonathan, um dos poucos reservas em campo - descansaram, na Inter, Milito, Sneijder, Guarín e Álvaro Pereira. Handanovic, especialista em pegar pênaltis, ainda defendeu a cobrança de Natkho, mas Ryazantsev conferiu, no rebote. Não demorou muito para que Livaja, substituto de Milito, aproveitasse boa trama entre Cassano e Cambiasso para empatar. O segundo tempo, após a entrada de Guarín na Inter, foi um pouco mais parelho, embora os russos tivessem as melhores ocasiões, com Rondón, Eremenko e Karadeniz. O venezuelano, que veio do Málaga, aproveitou erro de posicionamento da zaga nerazzurra e, mesmo com a pressão de Ranocchia, marcou o segundo, a 10 minutos do fim. Apenas nos acréscimos, depois de cruzamento de Milito, Nagatomo, com belo voleio, deixou tudo igual, e evitou o vexame. O tropeço só não foi pior porque os fracos Neftchi Baku e Partizan empataram em 0 a 0. No dia 4 de outubro, a Inter faz longa viagem ao Azerbaijão, para enfrentar o Neftchi.

Napoli 4-0 AIK
Devidamente aproveitado, o teste contra o AIK, da cidade sueca de Solna, foi muito tranquilo para o Napoli. O jogo serviu, principalmente, para dar rodagem aos reservas (dos que começaram jogando, apenas apenas Gamberini e Behrami são titulares) e para dar moral a um jogador que chegou à Campânia em janeiro e só agora tem feito bons jogos. Vargas, grande destaque no time da Universidad de Chile campeã da Copa Sul-Americana, fez uma boa estreia na Serie A, contra o Palermo, mas só contra a equipe escandinava apareceu, de fato. O chileno foi o grande destaque do jogo, com três gols, todos em jogadas velozes. Dzemaili, no final, fez o quarto gol napolitano.

Se Vargas, atuando mais próximo ao gol, surge como boa opção para mudar o jogo, sobretudo quando Cavani, a referência, não está bem, o jovem Insigne aparece como grande referência na criação de jogadas. Encantando muito desde quando estava no Pescara, na Serie B, já mostrou ter muita visão de jogo. Na quinta, deu duas asssitências para Vargas marcar, além de ter feito uma partida muito boa. Dos três tenores (Cavani, Pandev e Hamsík), apenas o último jogou. Entrou no segundo tempo e acabou expulso, por revidar uma falta sofrida. Não jogará no próximo dia 4 de outubro, quando o Napoli terá um duro jogo contra o PSV, em Eindhoven. Os holandeses estrearam mal e perderam, na Ucrânia, para o Dnipro, do ótimo Konoplyanka. Um resultado que, desde já, embola o grupo F. Para o Napoli ter mais segurança, conseguir ao menos um pontinho no Philips Stadion será fundamental, uma vez que os ucranianos são favoritos contra os suecos, no outro jogo do dia.

Udinese 1-1 Anzhi
No outro duelo entre italianos e russos do dia, a Udinese precisou de Di Natale para garantir um pontinho. Em plena crise, a Udinese segue sem vencer na temporada, e acabou salva da derrota apenas no finzinho, pelo seu capitão que saiu do banco para marcar. Novamente, assim como no último ano, Francesco Guidolin prefere optar por um time repleto de reservas na Liga Europa, e paga o preço pela escolha. Neste caso, em um grupo difícil, como o A, que tem, além do Anzhi, o tradicionalíssimo - embora em má fase - Liverpool, e o traiçoeiro Young Boys, perder pontos em casa pode resultar em eliminação.

A Udinese saiu atrás, depois de um erro incrível do goleiro Padelli, que substituía o lesionado Brkic e, ao tentar cortar chute cruzado de Traoré, desviou a bola para as próprias redes, e teve de ir em busca do resultado. Jogando melhor que seu adversário estrelado, a equipe friulana poderia ter feito melhor, caso estivesse com os titulares. Depois da entrada de Di Natale, o time cresceu e jogou bem até com dez jogadores, depois que Domizzi se lesionou e as três substituições haviam sido feitas. Foi em um rebote bobo do goleiro Pomazan que o capitão deixou tudo igual, em um merecido empate. Mas, caso Eto'o ainda estivesse jogando no mesmo nível que tinha no Barcelona ou na Inter, ou mesmo que Guus Hiddink estivesse em seus melhores tempos, como treinador, a história poderia ter sido outra. Contra o Liverpool, em Anfield Road, no dia 4, a Udinese não poderá dar sopa ao azar. O time terá a oportunidade de aproveitar a má fase dos Reds, que vem mal na Premier League e também na Liga Europa. Na quinta, venceram o Young Boys, em Zürich, por 5 a 3, mas deram mostras de que tem muitas fragilidades defensivas.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

A esperança italiana

Após vexame do Milan, Juventus exibe bom futebol contra o Chelsea e mostra que pode representar bem a Itália na Liga dos Campeões (Action Images)

O retorno da Juventus à principal competição de clubes do mundo, após dois anos de ausência, aconteceu em grande estilo. Contra o Chelsea, atual campeão da Liga, a equipe italiana não se intimidou, fez grande partida e conseguiu arrancar um empate de fibra, na casa do adversário. Os bianconeri chegaram a ficar com dois gols de desvantagem no placar, mas mostraram raça e qualidade para buscar o empate. Aliás, foi apenas a terceira vez na história que a Juventus conseguiu se recuperar na LC após estar perdendo por dois gols de diferença. Em suma, a equipe teve a cara de Antonio Conte, mesmo que esse não estivesse à beira do campo gritando e dando suas orientações. E isso é um ponto muito positivo para o time, que em diversos momentos foi questionado se teria a mesma força sem seu treinador no banco de reservas.

Escalada no já habitual 3-5-2, a Juve entrou em campo com tudo que tinha de melhor e chegou com perigo antes mesmo dos donos da casa. O Chelsea tinha maior posse de bola e tentava pressionar, mas não conseguia infiltrar na defesa juventina. A Velha Senhora, por sua vez, era sólida e se preparava para dar o bote. As chances surgiram ainda na primeira metade da etapa inicial, com Marchisio e Vucinic. O primeiro viu Cech fazer boa defesa e o segundo se lamentou por ter desperdiçado uma chance clara de abrir o placar, em ótimo lançamento de Vidal.

Com o jogo mais equilibrado, no entanto, veio o balde de água fria: Oscar arriscou de fora da área, a bola desviou em Bonucci e balnaçou as redes de Buffon, que completava seu jogo de número 400 pela equipe de Turim. Para piorar, o brasileiro ainda ampliou o placar logo em seguida. De costas para o gol, o ex-colorado recebeu passe de Ashley Cole, deu uma meia-lua em Pirlo e acertou um chute que a Gazzetta dello Sport definiu como "alla Del Piero", no ângulo esquerdo de Buffon. Mantendo a estratégia, a Juve não se deixou abalar e alcançou o empate cinco minutos depois, com o chileno Vidal, que teve (outra) bela atuação coroada. Forte na marcação e com ótimas investidas ao ataque, é provável que o sul-americano seja uma das principais armas do time italiano na competição, uma vez que Pirlo deverá sofrer com forte marcação em todos os jogos.

No segundo tempo, o jogo ficou mais equilibrado e foi o Chelsea quem assustou primeiro. Ivanovic acertou bom chute e Buffon foi obrigado a fazer grande defesa. Com o tempo, os bianconeri ganharam territõrio, mas não tinham a dupla de ataque inspirada. Após atuação decisiva no fim de semana, Vucinic não apareceu bem no jogo e ficou refém da marcação. Giovinco (para variar) não conseguiu jogar bem e já começa a perder os créditos com a torcida. Até aqui, o formiga atômica só fez uma boa partida com a camisa alvinegra, contra a Udinese. Para mudar isso e dar maior velocidade ao time, Carrera mexeu bem na equipe e colocou Quagliarella no lugar de Giovinco e Isla no posto de Lichtsteiner, para se aproveitar da defesa pesada do Chelsea.

As alterações surtiram efeito rapidamente e Quagliarella empatou o jogo apenas quatro minutos após sua entrada. Marchisio acertou ótimo passe em profundidade e o atacante chutou por baixo do goleiro Peter Cech. Gol importante para dar moral ao atacante, que chegou a ser envolvido em especulações de transferência em julho, e ao time, que esteve sob desconfiança antes de estrear na competição europeia. Antes do fim, o próprio Quagliarella ainda fez boa jogada individual e por pouco não virou o jogo: acertou o travessão dos blues. Está provado que a equipe é cascuda e pode fazer frente aos grandes clubes do continente. Bom para o futebol, melhor ainda para a Itália.

Clique aqui para ver os gols do jogo.

Estreia para esquecer

O jogo foi disputado e... só (Uefa.com)

Foram três jogos pelo campeonato italiano e apenas uma vitória. Duas derrotas em casa, sendo que nenhuma delas foi para algum time realmente expressivo (Sampdoria e Atalanta). A única vitória foi contra o Bologna (3-1), mas ainda assim teve lá sua dose de dificuldade. É o pior início de campeonato rossonero em 15 anos e a primeira vez desde 1920 que o time perde as duas primeiras partidas em casa. A Champions League apareceu para amenizar o clima em Milanello, afinal o time rossonero enfrentava apenas o Anderlecht, terceiro colocado no campeonato belga, jogando em casa e, depois de ver o que o sorteio lhe reservou, tinha esperanças de uma sorte melhor na competição europeia.

Mas, 90 minutos depois, o que se viu não foi nada de diferente do que aconteceu nas primeiras partidas da temporada. E a torcida notou isso, tanto que os pouco mais de 30 mil torcedores (média baixíssima) vaiaram o time, que foi apático e pouco ambicioso desde os primeiros minutos e mostrou que pouco tinha para apresentar. Sem os brasileiros Robinho e Alexandre Pato, ambos machucados e contando apenas com Pazzini no ataque (além de Bojan e El Shaarawy, mas que estavam no banco), o Milan dependeu demais da chegada de Emanuelson e Boateng, porém ambos estavam apagados no jogo. Ainda assim, o holandês teve a melhor chance da primeira etapa, na qual finalizou de primeira, após lançamento de Nocerino. O goleiro Proto defendeu com segurança.

As chances do Milan foram poucas, embora o Anderlecht pouco tenha atacado. A posse de bola, no entanto, foi maior para os belgas - um sintoma de que o Milan jogou ainda pior, em relação às partidas anteriores, quando teve mais posse. Nas raras oportunidades dos Mauves, geralmente em chutes de longe, Abbiati estava bem colocado para fazer a defesa. No segundo tempo, o Milan até começou melhor, pressionando um pouco mais os belgas, mas não conseguia converter as boas chances em gol. Aos 15 da segunda etapa, Boateng foi substituído por El Shaarawy. Irritado, o ganês saiu jogando garrafas d’água por todos os lados, em claro sinal de irritação pela substituição, mas em poucos minutos sentados, viu que Massimiliano Allegri estava certo na troca, afinal, o faraó, além de dar mais agilidade ao time, criou a melhor chance de gol ao Milan, em uma bela cabeçada, novamente defendida por Proto.

Sem desenvolver bom futebol, o time italiano foi se cansando. As oportunidades ficaram cada vez mais escassas e o jogo se encaminhando para seu final. Os noventa minutos foram pouco para o Milan chegar ao gol, mas duraram uma eternidade para quem viu o confronto. Sem empolgar e principalmente sem conseguir vencer, o time do Milan já precisa começar a se preocupar não só em buscar a vaga na Champions League como também no campeonato italiano, do qual o próprio treinador já não espera nada além de um terceiro lugar, que hoje já começa a ser um sonho distante. 

Allegri, inclusive, tem começado a ser criticado e seu cargo subiu no telhado. Convenhamos, fazer algo notável com o elenco atual seria tarefa hercúlea e, continuar no comando do Milan, pode até queimá-lo. Pelo visto, ele acredita em seu potencial de reação, assim como no elenco. Os torcedores, não tanto: pouco mais de 18 mil carnês para a Liga dos Campeões foram vendidos este ano. Ano passado, foram quase 57 mil. Também nesse quesito, os rossoneri estão redimensionados.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

3ª rodada: Virada de campeã

Vucinic, fundamental para a virada da Juventus sobre o Genoa, dança (AP Photo)
Na terceira rodada, uma Juventus que poupava titulares para a estreia na Liga dos Campeoões, frente ao atual detentor do título, o Chelsea, teve seu poder de campeã italiana afrontado pelo Genoa. Jogando bem, a equipe genovesa quase colocou fim à hegemonia juventina (a equipe continua invicta, desde o último campeonato), e por incompetência no ataque, desperdiçou chances que poderiam ter definido a partida em seu favor. Fortíssima, a Juve cresceu no segundo tempo e virou um dos jogos mais aparentemente perdidos de sua sequência de 42 partidas de invencibilidade na Serie A. A rodada ainda confirmou os 100% de aproveitamento também para Lazio, Napoli e Sampdoria, e teve mais uma autêntica romada da Roma, um bom sinal de recuperação da Inter e uma Udinese que continua a preocupar seus torcedores. Confira a análise.

Genoa 1-3 Juventus

Seja por sorte ou competência, Carrera foi fundamental para a vitória da Juventus neste domingo. O placar, com certeza, não reflete o que foi o jogo. O Genoa surpreendeu a atual campeã e fez uma ótima partida, principalmente a dupla de volantes, mas perdeu muitas chances de garantir a vitória no Marassi. Incubido de marcar Pirlo, Bertolacci desempenhou muito bem o seu papel, e, um pouco mais recuado, Seymour jogou praticamente como um zagueiro e também foi bem. Sendo assim, a Juve teve que esquecer um pouco as jogadas centralizadas e insistiu bastante pelo lado esquerdo, com a dupla De Ceglie e Giaccherini, mas os cruzamentos não foram muito aproveitados.

Quem deu muito trabalho à defesa comandada por Buffon foi o atacante Immobile, revelado na base do time piemontês e autor do gol que abriu o placar. Antes, ele já havia perdido chances incríveis - tônica do jogo, inclusive. Matri e Giovinco tiveram duas excelentes chances para a Juve, enquanto Borriello, Bertolacci e o próprio Immobile também desperdiçaram para o Genoa. Foi um jogo muito corrido. No início da segunda etapa, Carrara trocou De Ceglie e Matri por Asamoah e Vucinic, e não poderia ter sido mais feliz em suas alterações. O montenegrino colocou fogo no jogo e participou dos três gols da Velha Senhora. Deu um passe açuacarado para Giaccherini bater de primeira e empatar o jogo, marcou ele mesmo o segundo gol, convertendo pênalti discutivel, sofrido por Asamoah, e cruzou para o mesmo Asamoah fechar o placar, com um gol de carrinho. Com isso, a Juve segue com cem por cento de aproveitamento, com três vitórias e três jogos. (Anderson Moura)

Napoli 3-1 Parma

O Napoli é outro que se mantém com 100% de aproveitamento nesse campeonato. No 300º jogo de Mazzarri no comando do time, os atacantes napolitanos foram muito bem e decidiram. Pandev foi o melhor do dia no San Paolo (que já está com a grama em boas condições novamente), com um pênalti sofrido, um gol marcado e uma assistência na sua conta. Cavani, claro, também deixou o seu. E o garoto Insigne mostrou estrela e também balançou as redes após sair do banco de reservas. Parolo descontou para o Parma, ainda no primeiro tempo, mas não foi suficiente. A equipe gialloblù mostra sentir muita falta de Giovinco, motorzinho do clube na temporada passada, e precisa se adaptar.
 
O Napoli ainda teve outras chances de ampliar o placar na etapa final, mas esbarrou em boas defesas do goleiro Mirante, que já havia cometido um pênalti antes. Mazzarri gostou da atuação do time, mas ressaltou que seus jogadores desperdiçaram muitas chances quando o jogo ainda estava 2 a 1. Contra um time mais forte, isso pode significara perda de pontos. Apesar disso, a equipe da casa mereceu o resultado e agora começa a se preparar para a estreia na Liga Europa, que será na sexta-feira, contra o AIK. (Rodrigo Antonelli)

Torino 0-2 Inter

No jogo que fechava a rodada, uma Inter preguiçosa precisou de pouco para vencer o Torino, no Olímpico de Turim. Logo no início, Milito acertou uma bomba de fora da área, colocando a Inter na frente e tornando a partida muito morna. Os nerazzurri, postados em um 4-4-1-1, montado por Stramaccioni para espelhar e tentar marcar melhor o 4-4-2 de Ventura, jogaram de maneira prudente - e receberam muitas críticas pela escolha: de acordo com os detratores, a Inter jogou como time pequeno diante do Torino, um dos caçulas desta Serie A. De fato, o Torino mandou no jogo, e teve boas chances, mas Handanovic, e, principalmente, Ranocchia fizeram boa partida, afastando os riscos. Surpreendeu, também, a solidez do brasileiro Juan, em sua primeira partida como titular no campeonato - havia jogado como titular na Liga Europa, contra o Vaslui.

Com força na defesa, e um jogo quase controlado, a Inter pouco fez ofensivamente. Até porque Sneijder foi o único armador do time e teve dificuldades de jogar sozinho, já que os outros meias apoiaram pouco. Substituído por Cassano, no segundo tempo, o holandês saiu nervoso, diretamente para os vestiários. Álvarez, que retornava de lesão após quatro meses sem jogar, assumiu a armação de jogadas, após a saída do holandês, e, no fim do jogo, começou a jogada que terminaria no decisivo gol de Cassano. Contra o Rubin Kazan, pela Liga Europa, na quinta-feira, e contra o Siena, no domingo, a Inter precisará mostrar mais. Já o Torino visitará a invicta Sampdoria também no domingo, e terá vida dura. Ao menos, o time tem sido adversário duro (esta foi sua primeira derrota) e pode sonhar com pontos. (Nelson Oliveira)

Chievo 1-3 Lazio

Os puxados treinos táticos de Domenico Di Carlo após a derrota para o Parma não foram suficientes para vencer a organizada Lazio. Sob comando de Vladimir Petkovic, o time da capital ainda não perdeu nesta temporada e, no Marc'Antonio Bentegodi, bateu os gialloblù por 3 a 1. Logo no início, Hernanes colocou a equipe laziale na frente com um belo chute de fora da área, que bateu na trave e entrou. Com a vitória parcial, a Lazio recuou o suficiente para o Chievo procurar o empate. Em uma das investidas que não resultou em gol, Hernanes, em contra-ataque, saiu da marcação e chutou forte; Sorrentino deu rebote e Klose, sempre ele, conferiu.

Na segunda etapa, Petkovic tirou Konko e Candreva para as entradas de Scaloni e Ederson. O Chievo melhorou ainda mais, sobretudo após a entrada de Moscardelli, mas sofreu o terceiro - de Hernanes, em ótima jogada. Os donos da casa conseguiram marcar o primeiro após pênalti de Biava, bem batido por Pellissier. Na próxima rodada, os gialloblù tem confronto difícil contra a Juventus, em Turim. Já a Lazio, surpreendentemente com 100% de aproveitamento, retorna a Roma para confrontar o Genoa. Antes, estreia na Liga Europa, quinta-feira, contra o Tottenham. O poder de fogo da equipe (Hernanes e Klose já tem, cada um, três gols no campeonato), funcionará contra os ingleses? (Murillo Moret)

Roma 2-3 Bologna

Após uma excelente vitória sobre a Inter, a Roma conseguiu perder para o Bologna em meia hora, no Olímpico, de virada. O primeiro tempo foi excelente. A defesa, sólida, não deu espaço para Gilardino, isolado entre os zagueiros. Tachtsidis, na cabeça de área, conseguia frear ora Diamanti, ora Kone - que fez primeira etapa horrorosa. O ataque, então... Totti achou um chutaço na trave que resultou em gol de Florenzi, logo aos 6 minutos. Aos 15', Lamela finalizou colocado da entrada da área, a bola novamente explodiu na trave e entrou. No lance seguinte, Totti assustou Agliardi com um balaço de longe. A Roma jogava bem, bonito e com eficiência. Tudo o que Zeman queria.

O segundo tempo veio, assim como a já tradicional "romada". Nos 30 minutos finais, os giallorossi já eram pressionados. Kone cruzou e Piris só observou Gilardino cabecear no contrapé de Stekelenburg. Na sequência, pouco mais de um minuto depois, Gila fez o pivô e tocou para Diamanti empatar. Zeman tirou Piris, colocou Marquinhos e continua no seu ofensivo 4-3-3. Foi punido. Em cruzamento de Kone, Burdisso trombou com Stekelenburg e Gilardino aproveitou a sobra para, com o gol aberto, balançar a rede. Pela quarta rodada, a Roma visita o Cagliari na Is Arenas e o Bologna encara o fraco Pescara, em casa. (Murillo Moret)

Fiorentina 2-0 Catania
Com um Jovetic em grande forma, a Fiorentina parece cada vez mais pronta para lutar por posições na parte de cima da tabela. Na partida deste domingo, contra o Catania, o montenegrino foi decisivo mais uma vez, com um gol e uma assistência, e ajudou o time a chegar aos seis pontos na competição. Diferentemente da temporada passada, porém, Jovetic não é o exclusivo salvador do time. E sim a cereja no bolo. Sob o comando de Montella e construído em um 3-5-2 bem postado, o time de Florença mostra força em todos os setores do campo e ocupa bem os espaços.

Quando o jogo estava mais difícil, com o Catania marcando bem e deixando pouco espaço para a Fiorentina produzir, a velocidade e o talento da dupla Ljajic-Jovetic resolveu: o primeiro ganhou jogada na linha de fundo e tocou bem para o segundo acertar chute colocado no canto do goleiro Andújar. Já no segundo tempo, com um Catania mais aberto, Jovetic fez outra boa jogada e cruzou para Luca Toni (ele mesmo!) fazer 2 a 0, em sua reestreia com a camisa viola. A organização tática da Fiorentina mostra mais um bom trabalho de Montella, que já teve ótima passagem pelo próprio Catania, na temporada passada. O fato de ter trabalhado no clube siciliano, e de a base etena ter sido mantida, facilitou muito a leitura do jogo por parte do treinador. O Catania perdeu sua primeira no campeonato e permanece com quatro pontos, na oitava colocação. (Rodrigo Antonelli)

Pescara 2-3 Sampdoria

O Pescara foi a campo cheio de mudanças, mas o resultado foi o mesmo: derrota. E já são três consecutivas, sem muitas esperanças de recuperação - até porque a equipe biancazzurra já enfrentou as outras duas equipes que subiram da Serie B juntamente a ela e acabou dominada. O técnico Stroppa, de acordo com a diretoria, não corre risco de ser demitido, mas urge uma mudança de postura na equipe. Desta vez, o time até jogou melhor, em um 4-2-3-1 que teve no colombiano Quintero a referência na armação das jogadas. Porém, a Sampdoria precisou de apenas duas chances para quase matar o jogo. Na primeira, Éder teve boa participação no gol de Maxi López, enquanto na segunda Krsticic deu passe açucarado para Estigarribia marcar o segundo.

Após a entrada de Celik no lugar de Weiss, o Pescara cresceu um pouco e diminuiu, com o p'roprio atacante sueco. Mas não demorou muito para que Maxi López fizesse o terceiro da Samp no jogo e seu terceiro no campeonato. Caprari diminuiu novamente, no fim, mas não evitou que a equipe de Gênova chegasse à terceira vitória consecutiva e mantivesse os 100% de aproveitamento. os blucerchiati não lideram o campeonato ao lado de Juve, Lazio e Napoli por causa da penalização por envolvimento no escândalo de apostas. O Pescara, por sua vez, continua com -1 ponto. (Nelson Oliveira)

Siena 2-2 Udinese

Aos 8 minutos, a Udinese já vencia por 2 a 0 e parecia encaminhar uma vitória simples contra o lanterna Siena. Porém, depois da expulsão de Lazzari, o Siena cresceu e, com um jogador a mais, conseguiu empatar a partida. O ótimo início da equipe de Údine tem uma causa: Basta, lateral que marcou um golaço e depois cruzou na cabeça de Di Natale, que marcou seu primeiro na temporada. Mal em campo, o Siena se chacoalhou após a saída de D'Agostino para a entrada de Zé Eduardo, ainda no primeiro tempo. Pouco depois, o técnico Guidolin, da Udinese, foi expulso por reclamação e nem imaginaria que, no início da segunda etapa, uma outra expulsão, desta vez de Lazzari, mudaria o rumo do jogo.

Inesperada, também, a participação de Zé Eduardo (e também do limitado Sestu) no crescimento senese a partir do segundo tempo. Primeiro, o brasileiro mandou uma bola na trave e, depois, o italiano cruzou na cabeça de Calaiò, que descontava. Zé Eduardo ainda achou Ângelo na grande área, e viu o compatriota ser derrubado e sofrer o pênalti que ele, Zé Love, converteria. Primeiro gol dele na Itália, o que pode ser um alento para o Siena. Afinal, a equipe tem jogado mal e continua com -4 pontos, por causa da penalização pelo envolvimento no escândalo de apostas ilegais. Devagar como a Udinese, que terá duas partidas no Friuli, em sequência: primeiro, estreia na Liga Europa contra o Anzhi, de Eto'o, quinta-feira, e depois, no domingo, enfrenta o Milan. Jogos difíeis, mas boas oportunidades para colocar a equipe nos eixos. (Nelson Oliveira)

Relembre a 2ª rodada aqui.
Relembre os jogos do sábado aqui.
Confira estatísticas, escalações, artilharia e da 3ª rodada, além da classificação do campeonato, aqui.

Seleção da rodada
Agliardi (Bologna); Basta (Udinese), Biava (Lazio), Ranocchia (Inter), Juan (Inter); Hernanes (Lazio), Pizarro (Fiorentina); Vucinic (Juventus), Pandev (Napoli), Maxi López (Sampdoria); Gilardino (Bologna). Técnico: Vladimir Petkovic (Lazio).

domingo, 16 de setembro de 2012

3ª rodada: Não está fácil para ninguém

Milan jogou mal de novo e caiu diante da torcida pela segunda vez no campeonato (Getty Images)
O sábado foi de jogos tecnicamente bem fracos na Serie A. Às 13h (de Brasília), 12.625 torcedores sofreram com o empate por 1 a 1 entre Palermo e Cagliari, no Renzo Barbera. Pior para Giuseppe Sannino, que perdeu seu emprego no time siciliano apenas três partidas após o início do campeonato, e deu lugar a Gian Piero Gasperini. Mais tarde, foi a vez de o Milan decepcionar sua torcida. Com futebol ruim, a equipe deu espaços para a Atalanta e perdeu o segundo jogo seguido dentro de casa. Veja mais detalhes:

Milan 0x1 Atalanta
A três dias de sua estreia na Liga dos Campeões, o Milan perdeu a segunda partida consecutiva no San Siro e aprofundou a crise vivida pelo time. Dessa vez, o algoz foi a Atalanta, que, postada em um 4-4-1-1 compacto, conseguiu marcar bem e levar perigo ao gol adversário. Cigarini fez o único gol do jogo, aos 20 minutos da segunda etapa, mas a equipe visitante poderia ter marcado pelo menos mais uma vez, se não fosse um Abbiati inspirado. É a primeira vez desde 1920 que a equipe rubro-negra perde as duas primeiras partidas disputadas dentro de casa.

Sem Pato e Robinho, que podem voltar na próxima rodada, Allegri escalou o ataque com Pazzini e El Shaarawy, mas pouco viu a dupla em ação. Isso porque o meio de campo montado com De Jong, Ambrosini, Emanuelson e Boateng se mostrou muito pouco criativo e travou o jogo dos mandantes. Apesar dos 63% de posse de bola, o time não conseguiu finalizar com perigo e viu uma Atalanta mais eficiente. Assim, o time de Milão permanece com três pontos e cai para a décima colocação. A Atalanta, por sua vez, conquista sua primeira vitória e desnegativa sua pontuação.

Palermo 1x1 Cagliari
Como disse o ídolo palermitano Fabrizio Miccoli, "o Palermo está mais fraco do que no ano passado e tem que pensar em se salvar". E foi isso que a partida de sábado, contra o Cagliari, mostrou à torcida rosanera. Em jogo feio e com poucas emoções, Sannino escalou seu time mal, principalmente por ter deslocado Ilicic do meio para a ponta, e viu uma equipe muito pouco produtiva. O time até saiu na frente, com gol do uruguaio Arévalo Ríos, mas não soube controlar a partida e deixou o Cagliari jogar. A equipe visitante, inclusive, terminou com 61% da posse de bola.

O estreante Sau, que entrou no lugar de Thiago Ribeiro aos 17 do segundo tempo, marcou o (merecido) gol de empate do Cagliari. O desempenho bem abaixo da média não agradou a diretoria do Palermo, que após a derrota demitiu Sannino, primeiro técnico a cair na Serie A 2012-13. Ele dirigiu o time por apenas três jogos, conquistou só um ponto e viu seus comandados marcarem um único gol. Gian Piero Gasperini, que estava sem clube desde sua demissão da Inter, em setembro de 2011, assume o time siciliano. Mais uma amostra de que não existe projeto algum no Palermo, pois Sannino e Gasperini tem filosofias de jogo absolutamente distintas.

Clique aqui para ver os gols dos jogos.

Relembre a 2ª rodada aqui.
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quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Apatia e indefinição

Pouco satisfeito com a atuação de seu time, apesar da vitória, Prandelli segue na busca do "time ideal". Enquanto isso, a Itália é líder em seu grupo nas eliminatórias. (Getty Images)
Se contra a Bulgária, em Sofia, a Itália sofreu com alguns problemas defensivos e alternou bons e maus momentos na partida, nessa terça-feira, 11, a Azzurra venceu Malta, por 2 a 0, em Modena uma das cidades mais afetadas dos terremotos ocorridos na Emília-Romanha. A vitória, magra, aponta que a atuação foi tão decepcionante quanto a contra os búlgaros.

Promovendo, de fato, a volta de seu 4-3-1-2, Cesare Prandelli buscou, através do sistema tático e dos jogadores escolhidos, fazer o meio de campo se impor novamente, como na Euro 2012. Porém, diante da modesta equipe de Malta, isso não veio a acontecer. De novo. E se o meio de campo não funciona como deveria, todo o resto do time também não.

Contra o 4-4-1-1 montado pelo treinador italiano Pietro Ghedin - ex-treinador da seleção italiana feminina -, o meio de campo azzurro poderia facilmente se impor, mas com um Pirlo um tanto despretensioso, um Diamanti sumido e apenas Marchisio e Nocerino buscando criar algo, o jogo italiano não fluiu, ainda mais com dois laterais (Cassani e Peluso) que, apesar de avançarem bastante, eram nulos no apoio. À frente, Destro e Osvaldo, dois centroavantes giallorossi, poderiam render juntos, mas por causa de todos os fatores citados, acabaram falhando em seu objetivo.

Como exemplo de como é importante a imposição do meio de campo, foi exatamente através dos pés de meio-campistas que saíram os gols. Primeiro, com Marchisio, que, do círculo central, lançou Destro nas costas dos defensores malteses. O atacante inaugurava o placar - e sua contagem de gols pela Squadra Azzurra - logo aos 5 minutos. Segundo, em escanteio cobrado por Pirlo, no qual Peluso soube aproveitar a desatenção do adversário, já aos 92 minutos.

Há de relevar que a Itália também teve alguns pontos interessantes e que merecem lembrança: a boa partida de Marchisio, que costuma ter tímidas atuações na seleção; a presença ofensiva de Destro, que apesar de nem sempre ter recebido a bola em boas condições, batalhou, se movimentou e ainda marcou o primeiro gol, e a entrada de Insigne, comprovando que merece uma vaga no time, talvez como alternativa, imprimindo boa velocidade e profundidade pelo flanco esquerdo, quando Prandelli alterou o esquema tático para o 4-3-3.

Depois de ter estreado no último mês, Destro conseguiu marcar seu primeiro gol com a  Seleção principal. Os italianos esperam que esse seja o primeiro de muitos. Potencial para isso acontecer, Mattia tem de sobra. (Getty Images)
Após o seu 29º jogo no comando técnico da Itália - 14 vitórias, 8 empates e 7 derrotas -, Cesare Prandelli destacou que o mês de setembro não costuma ser proveitoso para a Seleção, uma vez que os jogadores não estão em sua melhor forma. Historicamente, de fato, a seleção italiana demora um pouco para engrenar. Além disso, o bresciano ainda não encontrou a forma de montar o “time ideal”. Até aqui percebe-se que o treinador tem três “bases” claras: o 4-3-1-2, o 4-3-3 e o 3-1-4-2.

Quanto à primeira opção, Cassani e Peluso parecem não serem as melhores opções, e a expectativa é que Balzaretti volte para ocupar a faixa canhota. Também não podemos esquecer de Criscito, que foi inocentado das acusações de envolvimento com o escândalo de manipulação de resultados, quando jogava no Genoa. Na direita, permanece a indefinição, mas aparentemente, os rossoneri Abate e De Sciglio são alternativas. Maggio, que também costuma frequentar as convocações de Prandelli, pode perder espaço, já que atua mais como ala e tem dificuldades na marcação.

O outro problema para Prandelli no 4-3-1-2 se deve ao trequartista, já que Diamanti novamente não correspondeu. Nomes que poderiam ser avaliados? Verratti e Montolivo, ambos registas, mas que têm capacidade para atuar ali e o principal, fazer o meio de campo funcionar. No ataque, com Destro e Osvaldo, ainda que o primeiro se movimentasse bem, sentiu-se a falta de alguém que realmente tenha qualidade para encostar no “9” e auxiliar o trequartista. Um legítimo fantasista (ou seconda punta). E Prandelli tem em mãos Cassano, Giovinco, Insigne e Rossi. O ataque, aliás, é um dos setores mais fortes no futuro azzurro, já que além desses nomes, Prandelli ainda tem opções de bom nível, como Matri, Immobile, Borini, e, claro, Balotelli, que é titular e só não jogou porque fez uma cirurgia no olho.

Em relação ao 4-3-3, é importante ressaltar que o esquema exige uma maior aplicação e entrega dos meio-campistas, o que não vem ocorrendo no 4-3-1-2. Mas o principal ponto no sistema se deve ao trio ofensivo. Hoje, há uma nítida falta de pontas, ou outros que saibam jogar por ali, na atual geração italiana, fruto da consolidação do 4-4-2 (losango ou em linha) nas últimas três décadas. Aparentemente, teríamos como opções para as pontas Borini, Insigne, Giovinco, Destro, Pepe, El Shaarawy e Fabbrini. Todos jovens (exceto Pepe) e ainda buscando espaço com Prandelli.

Por sua vez, seria melhor definir o 3-5-2 como uma alternativa ao 4-3-1-2 e 4-3-3, e não propriamente o sistema principal. E Prandelli em recente coletiva, deu a entender que pensa assim. Desta maneira, e já sabendo do bom entendimento do trio defensivo - Barzagli, Bonucci e Chiellini, enquanto Ogbonna, Astori, Acerbi e Ranocchia são opções -, além do ataque bem definido - um centroavante e um fantasista, como no 4-3-1-2 -, resta o setor de meio de campo. Sempre que atuou no 3-5-2, a Itália teve pouca profundidade, muito por causa da falha participação dos alas na construção das jogadas, ficando muito fixos à faixa lateral. No mais, nada muito a acrescentar quanto ao trio central, uma vez que a base montada por Prandelli é a mesma para os três sistemas referidos.

Líder do Grupo B com 4 pontos e +2 no saldo de gols, a Itália só voltará a entrar em campo no dia 12 de outubro, contra a Armênia, em Ierevan, capital da ex-república soviética. Em casa, joga somente no dia 16 do mesmo mês, diante da Dinamarca, em Milão - que não recebe um jogo da Azzurra desde setembro de 2007. Na ocasião, a Itália empatou com a França pelas eliminatórias da Euro 2008. Resta saber como a Itália entrará em campo nos dois jogos, que prometem ser mais duros que os dois desta semana.

Ficha do jogo: Itália 2-0 Malta
Gols: 5’ Destro, 92’ Peluso

Itália (4-3-1-2/4-3-3): Buffon; Cassani, Barzagli, Bonucci, Peluso; Nocerino, Pirlo, Marchisio; Diamanti (Insigne); Destro (Giovinco), Osvaldo (Pazzini).
Banco: De Sanctis, Sirigu, Acerbi, Maggio, Ogbonna, Giaccherini, Poli, Verratti e Borini.
Treinador: Cesare Prandelli.

Malta (4-4-1-1): Hogg; Borg, Dimech, Agius, Muscat; Bogdanovic (Cohen), Briffa, Sciberras, Herrera; Schembri; Mifsud.
Treinador: Pietro Ghedin.

Para mais detalhes do Grupo B, clique aqui.
Gols do jogo, aqui.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Jogadores: Giancarlo Antognoni




Um dos maiores ídolos da história da Fiorentina, Antognoni conquistou a torcida com sua técnica e elegância. Títulos foram apenas dois (Juha Tamminen)
Quantos jogadores você conhece que já tiveram um dia no calendário só para si? Em Florença, Giancarlo Antognoni conseguiu alcançar o feito. No dia 4 de março de 2011, o maior jogador da história da Fiorentina lotou o Ginásio Mandela Forum, no centro da cidade, para o Antognoni Day. Em meio à uma grande festa, ex-jogadores viola, técnicos, diretores, imprensa e fãs prestaram inúmeras homenagens ao ídolo.

Este evento mostra um pouco da grandeza de Antognoni diante da torcida da Fiorentina. Mas só um pouco. A idolatria dos torcedores pelo meio-campista ultrapassa os padrões. Os mais desavisados questionam como um jogador que tem apenas dois títulos pelo clube (Coppa Italia e Copa Anglo-italiana de 1975) pode ser tão amado. Os mais fervorosos respondem que ele representava, dentro de campo, toda a arte da cidade, que já foi casa de gênios como Leonardo Da Vinci, Michelangelo e Donatello.

Logo em sua partida de estreia com a camisa viola, no dia 15 de outubro de 1972, Antognoni mostrou toda a sua classe e saiu de campo elogiado. Lançado por Nils Liedholm na segunda etapa do jogo e com apenas 18 anos, ele encantou quem estava presente naquele Verona 1-2 Fiorentina. O jornalista Vladimiro Caminti o descreveu como "il ragazzo che corre guardando le stelle" (o menino que corre olhando para as estrelas, em português), se referindo ao estilo de jogo do novato: com a cabeça sempre erguida, de olho nos companheiros e preparado para tocar a bola com precisão. Antognoni tinha ainda um pé calibrado, que lhe fazia dificultar a vida dos goleiros com chutes de fora da área.

São vários os fatores que contribuem para o status de Antognoni, mas a fidelidade do meio-campista ao clube talvez seja um dos principais. Durante seus 15 anos no time, ele recusou propostas de Juventus, Inter, Milan e Roma diversas vezes, alegando que a Fiorentina era sua casa. O capitão e camisa 10, recordista de presenças com a camisa do clube na Serie A, só deixou a Fiorentina em sua penúltima temporada como profissional, quando optou pelo suiço Lausanne, em busca de tranquilidade financeira.

Antognoni x Falcão: duelo de gigantes do meio-campo. Nessa, o viola levou a melhor (Almanacco Giallorosso)
Em contrapartida, Antognoni nunca integrou uma equipe que pudesse ajudá-lo a vencer grandes títulos. Exceto uma vez: na Copa do Mundo de 1982, na Espanha. Se na Fiorentina os melhores resultados do "menino que joga olhando para as estrelas" foram os títulos da Coppa Italia e da Copa Anglo-Italiana de 1975 e um vice-campeonato da Serie A em 1982, com a seleção italiana ele fez história. Quase sempre titular, foi essencial na campanha do tricampeonato mundial azzurro. O jogador só não jogou a finalíssima, contra a Alemanha Ocidental, porque havia se machucado no jogo anterior, após entrada dura do polonês Zmuda.

As lesões, aliás, acompanharam Antognoni em sua carreira. A primeira aconteceu em novembro de 1981, quando chocou-se com o goleiro Silvano Martina, do Genoa, sofreu uma fratura no crânio e por um tempo achou-se que ele poderia, inclusive, ficar de fora da Copa de 82. Porém, ele se recuperou rápido e ainda conseguiu ajudar o time a conquistar o vice-campeonato da Serie A daquele ano, antes de embarcar para a Espanha com a seleção. A segunda, e mais grave, foi durante a temporada 1983-84, quando ele se deu mal em uma dividida com Luca Pellegrini e ficou fora dos gramados por um ano e meio. Nenhuma das contusões mais sérias de Antognoni, no entanto, conseguiu manchar sua grande carreira.

O antes e o depois
Durante sua juventude, Antognoni treinou no Asti-Ma.co.bi, pequeno clube da cidade de Turim, já sonhando em ser jogador de futebol. Pelo time, jogou a Serie D, na temporada de 1970-71, com apenas 16 anos. As boas apresentações lhe renderam uma vaga na equipe titular. Em 1971-72, então, Antognoni jogou quase todas as partidas e exibiu seu bom futebol, chamando a atenção da Fiorentina, mesmo atuando em uma divisão ainda não-profissional (a Serie D é a primeira divisão do futebol amador, atrás da Lega Pro Seconda Divisione, quarta divisão nacional). A partir daí sua carreira decolou. Em sua primeira temporada vistindo viola já foram 20 presenças e dois gols.

Em 1989, então, após pendurar as chuteiras, tentou uma carreira como dirigente, mas nunca foi muito bem sucedido. Em seu primeiro ano como diretor-geral da Fiorentina (1992-93), viu a equipe ser rebaixada para a Serie B e deixou o cargo. Atuou em outras funções administrativas do clube até 2001, quando pediu demissão para assumir um posto na diretoria das seleções de base da Itália.

Giancarlo Antognoni
Nascimento: 1º de abril de 1954, em Marsciano, Itália
Posição: meio-campista
Clubes: Asti-Ma.co.bi (1970-72), Fiorentina (1972-87) e Lausanne (1987-89)
Títulos: Coppa Italia (1975), Copa Anglo-Italiana (1975) e Copa do Mundo (1982)
Seleção italiana: 73 jogos, 7 gols

domingo, 9 de setembro de 2012

Sem medo de investir

Abramovich italiano? Gabriele Volpi assumiu o falido Spezia e deu suporte financeiro para o clube voltar à Serie B em quatro anos (Foto: reprodução)

Você já deve ter lido aqui no Quattro Tratti que o futebol é um espelho da sociedade em que se desenvolve. A Itália vive uma baita crise; o desporto, também: clubes endividados, estádios sucateados e falta de público nas arquibancadas. Além disso, o futebol não tem mais o apelo de anos atrás – falamos sobre isso no post sobre as saídas de Thiago Silva e Ibrahimovic do Milan ao PSG. Se os clubes provincianos custam a sobreviver na Serie A, o que pensar, então, sobre as agremiações que estão na segunda divisão ou na Lega Pro? 

No Belpaese, hoje, há pouquíssimo investimento estrangeiro no futebol se comparado a outras ligas. Na Serie A, a Roma é uma exceção: 60% das ações do clube foram adquiridas por uma empresa estadunidense de Thomas DiBenedetto – o restante pertence ao consórcio Unicredit. A Inter, recentemente, teve cerca de 20% de suas ações compradas por investidores chineses, que prometeram construir o novo estádio. A multinacional Pirelli, com sede em Milão, também tem participação no clube, que é gerido majoritariamente por Massimo Moratti, dono do conglomerado petrolífero Saras.

Há, ainda, alguns outros investidores italianos que chegaram para mudar o patamar econômico de suas equipes: a Exor, dona de 63,77% das ações da Juventus; a Filmauro, de Aurelio De Laurentiis, no Napoli; a família Della Valle, acionista majoritária da Fiorentina; e a Fininvest de Silvio Berlusconi, chefão do modelo de sociedade anônima do Milan. Quem aparece nos últimos anos é Gabriele Volpi, do Spezia. 

Spezia? Quem? Quê? 
O time da Ligúria foi fundado em 1906 sob nome de Sport Club Spezia. Apesar de o clube não participar da Serie A desde 1925, tem um scudetto simbólico. Em 1943-44, durante a II Guerra Mundial, enquanto metade da Itália havia sido conquistada pelas tropas aliadas, o norte continuava sob domínio nazifascista. Foi organizado, então, o Campeonato da Alta Italia, vencido por uma equipe mista, formada por jogadores do Spezia e completada por membros do corpo de bombeiros da cidade. O heroico título foi em cima do Torino, que tinha Vittorio Pozzo e Silvio Piola e já começava a formar as bases para se tornar o Grande Torino do pós-guerra.

Desde a década passada, quando a FIGC reconheceu o título honorário, a equipe usa um scudetto na camisa. O time da década de 1940 ficou conhecido pelo cinque C, já que tinha cinco jogadores com sobrenomes iniciados pela letra C: Coltella, Carapellese, Castigliano, Costa e Costanzo, artilheiro da Serie B 1942-43. 

Após o parêntese histórico, voltemos aos dias atuais. Gabriele Volpi entrou na vida dos aquilloti quando o Spezia foi à falência e relegado à Serie D (futebol amador), no verão de 2008. Em apenas quatro anos, o clube está na Serie B e tem um elenco razoável, qualificado para brigar pelo acesso. 

Volpi é um dos homens mais ricos do Belpaese e dono da Intels Oilfield. A empresa petrolífera rende aproximadamente 1,5 bilhões de dólares por ano. Daí vem uma parte para da explicação do seu apelido: é chamado de “Abramovich italiano”, já que o dono do Chelsea também investe na extração do óleo e investe em esportes.

Antes de gastar dinheiro no esporte mais popular da Itália, o milionário dava suas cartas no polo aquático. Ex-jogador do Pro Recco nos anos 60, ele virou presidente do clube em 2004 e começou o investimento que rendeu sete campeonatos nacionais, seis copas da Itália e oito títulos internacionais. A gestão de Volpi no polo terminou neste ano e as algumas consequências já são vistas: o time feminino, que também já havia sido campeão nacional, foi desmanchado, por exemplo. 

Futuro promissor 
Nas últimas duas temporadas, o Spezia tem feito ações para angariar receita que tem dado certo. Ainda na Lega Pro, o clube conseguiu aumentar a quantidade de torcedores presentes no estádio. A média de torcedores, naquele ano (2010), era de menos de 2 mil por partida – o que não é tão diferente assim do Atlético-GO no Campeonato Brasileiro de 2012, convenhamos. 

O marketing dos aquilloti também tem trabalhado em prol dos consumidores do clube. O site em versão mobile, com notícias, galerias de fotos e tempo real das partidas, foi lançado durante a última temporada. Para esta época, o Spezia fechou contrato com a Lotto, que vai assinar os uniformes oficiais e materiais de jogo e treinamento. Outra boa ação é feita desde que o “novo rico” retornou à segundona: o Spezia Box Experience. Os pacotes consistem em apresentar ao consumidor muito mais do que apenas o clube. Cada um deles – gourmet, gourmet luxo, vinho, rafting, passeio de barco, tour pela cidade, etc. – terminam com a visita ao Stadio Alberto Picco. 

Antes da parada do campeonato por conta da data Fifa, o Spezia conquistou quatro dos seis pontos disputados: uma vitória, na estreia, contra o Vicenza por 2 a 1 e um empate contra o Hellas Verona em 1 a 1, no Marcantonio Bentegodi. Um ótimo início, ao contrário daquele de 2011-12. Em outubro, Volpi chamou Michele Serena (ex-zagueiro de Fiorentina, Atlético de Madrid e Inter, entre outros) paa tirar a equipe da zona de rebaixamento. E ele tirou a equipe da antepenúltima posição, levando-a ao título da Lega Pro. Além disso, o Spezia foi campeão da Supercoppa da terceirona.

Para esta temporada, a equipe bianconera é forte e tem elenco para brigar pela promoção. Além de manter o artilheiro da equipe na última temporada, Evacuo, com 20 gols, os aquilloti contrataram Di Gennaro, jovem atacante que tenta repetir as boas atuações pelo Modena no último ano; Okaka, ex-atacante da Roma; Goian, bom zagueiro ex-Steaua Bucareste e Rangers, mas que foi mal no Palermo; Porcari e Sammarco, meio-campistas experientes que vêm de Novara e Chievo, respectivamente; Antenucci, atacante que tenta repetir a temporada regular na campanha do Ascoli em 2010; Sansovini, rápido atacante que fez ótima Serie B e 16 gols pelo Pescara; e Crisetig, jovem do vivaio da Inter. Na equilibrada segundona, pode ser suficiente.

Se subir, o Spezia terá um grande desafio: o de ser uma equipe nanica a vingar na Serie A. Nos últimos anos, o campeonato tem entrado em crise técnica e financeira, se desorganizando bastante. O resultado da desorganização é a queda de equipes tradicionais e o surgimento de equipes pequenas que, muitas vezes, não tem possibilidade de se manterem na elite. 

Nos últimos anos, passaram pela elite equipes como Ancona, Messina, Treviso, Reggina, Empoli e mesmo Livorno, Modena, Lecce, Ascoli e Cesena. Atualmente, estão na primeira divisão Catania e Pescara, que tiveram muitas participações décadas atrás - fora Chievo e Siena, que estrearam na Serie A apenas nos anos 2000. Dessas equipes, apenas Reggina, Empoli, Lecce, Livorno, Siena, Catania e Chievo conseguiram a regularidade de participarem de, ao menos cinco edições (consecutivas ou alternadas com quedas), firmando-se, de alguma forma, na "crême de la crême" italiana. Haverá espaço para mais uma equipe socialite?