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segunda-feira, 29 de outubro de 2012

9ª rodada: Ah, a arbitragem

Vidal marca gol irregular para a Juventus. Erros crassos da arbitragem contra o Catania determinaram o resultado (Reuters)

Em uma rodada de poucos gols - apenas 19 -, acabou se sobressaindo a arbitragem. Claro, de forma negativa. Os erros em Catania-Juventus foram grotescos e acabaram influenciando diretamente no resultado da partida. Em Fiorentina-Lazio, um erro semelhante (um impedimento mal marcado), também manchou a vitória viola. Os responsáveis pela comissão de arbitragem, diferentemente do que acontece no Brasil, tiveram de ir à TV dar explicações. Arbitragem à parte, a rodada teve a continuidade da Juve no topo da tabela, e o crescimento da Inter, que agora é terceira, um ponto a menos que o Napoli. A Fiorentina, por sua vez, começa a se aproximar um pouco mais do pelotão de cima, e ocupa a quinta colocação.

Catania 0-1 Juventus
Em partida na qual a arbitragem influiu diretamente no resultado, a Juventus manteve a liderança. Nos últimos anos, o Catania tem sido um adversário complicado para a Velha Senhora e mostrou isso mais uma vez, frente às 25 mil pessoas que lotaram o estádio Angelo Massimino. Logo nos primeiros minutos, os sicilianos tiveram gol muito mal anulado de Bergessio, por pressão do banco da Juventus sobre o bandeira - quase três minutos se passaram até a decisão do árbitro Paolo Gervasoni. O mesmo bandeira que errou, em lance semelhante na segunda etapa, e não marcou impedimento de Bendtner no lance que deu origem ao gol decisivo de Vidal.

Depois do gol, a Juventus cresceu e obrigou Andújar a fazer uma série de defesas que mantinham o Catania no jogo. Porém, depois de ficar atrás no placar, os rossoazzurri pouco assustaram a Juve, que dominou até o fim e poderia ter até ampliado. Com o resultado, a Juve vai forte para enfrentar a Inter, em Turim - antes, na quarta, recebe o Bologna, que está em má fase e não terá Diamanti. Já o Catania segue com 11 pontos, no meio da tabela.

Bologna 1-3 Inter
Na semana anterior ao jogo-chave contra a Juventus, a Inter mais sólida da temporada foi vista no Renato Dall'Ara, neste domingo chuvoso em Bolonha. Contra os felsinei, a equipe de Milão chegou a oito vitórias consecutivas fora de casa, recorde histórico, e viu Andrea Stramaccioni igualar a série de sete sucessos consecutivos do ídolo Helenio Herrera, que conseguiu o feito 40 anos atrás, justamente na cidade em que ele apareceu para o futebol.

Os destaques da partida foram Cambiasso, que mostrou uma forma não vista nos últimos tempos, e Palacio, que tem se mostrado uma contratação cirúrgica. O primeiro fez um bonito gol, após receber assistência do ex-Genoa, deu assistência para gol de Ranocchia, e comandou o meio-campo, na ausência de um armador de origem. Palacio também deu outra assistência, para o gol de Milito, e se movimentou bastante no ataque. A nota negativa na Inter foi o gol sofrido após jogada de bola parada - o primeiro gol sofrido fora de casa na temporada -, marcado por Cherubin após cruzamento de Diamanti. O Bologna, inclusive, não contará com seu capitão, que jogou mal neste domingo, para o jogo da quarta, contra a Juve.

Napoli 1-0 Chievo
Com uma vitória magra, o Napoli continua a perseguição à Juve pela liderança do campeonato. Apesar do placar curto, os três pontos valem muito porque o time jogou sem seu artilheiro Cavani, machucado, e cometeu muitos erros. No primeiro tempo, os donos da casa até criaram algumas boas oportundiades, mas sentiram falta exatamente de um matador, para finalizar melhor a jogada. O gol de Hamsík saiu logo no início da etapa final e depois disso o time diminuiu o ritmo. Antes, a melhor chance havia sido com um chute de Inler que explodiu na trave, nas costas de Sorrentino e por pouco não entrou.

Ainda assim, o resultado foi justo, uma vez que o Chievo não conseguiu se aproveitar dos erros napolitanos e permaneceu apático em boa parte do jogo. No meio da semana, o Napol tem difícil compromisso contra a Atalanta, para tentar permanecer na cola da Juve. Já o Chievo joga com o Pescara, em seus domínios, precisando da vitória para sair da zona de rebaixamento. (Rodrigo Antonelli)

Milan 1-0 Genoa
Na estreia de Luigi Del Neri no comando do Genoa, a equipe rossoblù não conseguiu manter a série negativa do Milan, que não ganhava havia três partidas, e garantiu uma sobrevida ao técnico Allegri. E o grande responsável pelo resultado positivo da equipe de Milão, como tem sido rotina, foi El Shaarawy. Em jogo que o Milan teve maior posse e amplo domínio territorial, mas não conseguia chegar com perigo, Il Faraone apareceu de novo para resolver, marcando o único gol da partida. Foi a sexta vez que o egípcio balançou as redes no campeonato, marca que o coloca como artilheiro, ao lado de Cavani e Klose. Outra prova da importância de El Shaarawy para o Milan é que ele é responsável por 60% dos gol da equipe até aqui (fez seis dos 10 gol marcados pelo time). 

No sábado, ele jogou ao lado de Pato, que voltou a iniciar uma partida após oito meses. O brasileiro sofreu com a falta de ritmo e errou jogadas simples, mas mostrou vontade e pode ser importante para a equipe, caso não volte a se machucar. Do lado genovês, o jogo foi marcado por muita defesa. Del Neri escalou a equipe em um 4-5-1 que às vezes virava um 6-3-1, com o objetivo de anular todas as jogadas do adversário. E foi bem sucedida até o momento do gol. Com os três pontos, o Milan chega a 10 e Allegri conquista alguns dias de paz. Mas poucos, porque amanhã já tem duelo contra o Palermo, na Sicília. (RA)

Roma 2-3 Udinese
Mais uma vez, a Roma proporcionou um grande jogo para quem gosta de assistir futebol. Os torcedores giallorossi, porém, com certeza não estão satisfeitos com isso. Após estar vencendo por 2 a 0, a equipe de Zdenek Zeman, que cada vez mais mostra ter a sua cara, tomou a virada. Foi a segunda vez na temporada que isso aconteceu. Na 3ª rodada, contra o Bologna, a equipe também vencia por 2 a 0 e saiu derrotada de campo. Com placares assim, os jogos da equipe da capital têm média de 4,125 gols por partida. Em seu blog, Leonardo Bertozzi lembra bem das montanhas russas que foram os times de Zeman. Neste campeonato, a Roma já tem o melhor ataque e a pior defesa da competição.

O que falta é regularidade. Nos primeiros trinta minutos, os donos da casa foram muito superiores e jogaram ótimo futebol, digno de quem almeja o título. Lamela marcou duas vezes e poderia ter deixado a equipe em situação tranquila. Logo depois, porém, a equipe caiu muito de rendimento e deu espaço para que a Udinese atacar. Domizzi, ainda no primeiro tempo, diminuiu. Di Natale, aos cinco e aos 42 do segundo tempo, virou. O segundo gol foi em cobrança de pênalti cometido por Leandro Castán. O capitão bateu de cavadinha, da maneira que Totti gosta de bater. Com a derrota, a Roma deixa a zona de classificação para ligas europeias. A Udinese conquista a segunda vitória seguida e tenta engatar na competição. (RA)

Fiorentina 2-0 Lazio
Em um dos melhores jogos da rodada, a Fiorentina foi superior, mas contou com erros de arbitragem para vencer a Lazio. No início do primeiro tempo, Pasqual obrigou Bizzarri a fazer uma defesaça, em cobrança de falta, e pouco depois sofreu pênalti de Konko. Na cobrança, Matías Fernández acertou a trave, e, no rebote, Ljajic converteu. Porém o gol foi bem anulado, já que o chileno tocou novamente na bola antes de o sérvio completar. Ljajic, no entanto, marcaria um golaço de fora da área pouco depois.

No segundo tempo, Klose perdeu chance clara e, depois, Mauri teve gol anulado por impedimento mal marcado. A Lazio sucumbiu pouco depois, quando Ledesma foi expulso por fazer falta em Cuadrado e levar o segundo amarelo. O mesmo Cuadrado acabou agredido por Hernanes, e Bergonzi expulsou bem o Profeta, deixando os aquilotti com 9 em campo. Sem poder de reação, a Lazio apenas observou Aquilani cruzar bem para Toni girar sobre Biava e dar números finais ao jogo, com seu segundo gol na temporada. Com o resultado a Lazio perdeu a terceira posição para a Inter, permanecendo com 18 pontos. A Fiorentina chegou à quinta posição, com 15, e se aproxima.

Sampdoria 0-1 Cagliari
Após um início excelente de campeonato, a Sampdoria empacou. Desde as três vitórias e dois empates nas primeiras cinco rodadas, a equipe só faz perder e chegou à quarta derrota consecutiva, se mantendo com 10 pontos. O Cagliari, por sua vez, vive situação oposta e, ao chegar aos 11 pontos, com três vitórias em sequência, ultrapassou a equipe de Gênova. Tudo mudou depois da chegada da dupla Ivo Pulga e Diego López à equipe, o que fez a defesa se arrumar e a equipe jogar com mais tranquilidade. Cínico, o Cagliari aproveitou uma das poucas chances que teve para, no início do segundo tempo, definir o resultado com um gol de cabeça de Desenna. Curiosamente, todas as vitórias sardas aconteceram com placar magro: sempre 1 a 0.

Torino 1-3 Parma
Apesar do alto número de gols, a partida em Turim não foi primorosa e se decidiu apenas no segundo tempo, quando o Parma ficou com um a mais, graças à expulsão de Sansone. Os parmenses, que também tinham seu Sansone, abriram o placar justamente com ele, após boa incursão de Parolo, e chegaram com terceiro com velocidade, graças a dois cruzamentos e gols de Amauri e Rosi. O Torino ainda diminuiu, pouco depois, com Basha, mas acabaram sentindo os fortes golpes. As duas equipes estavam empatadas, com 9 pontos, mas agora o Parma subiu para 12, na oitava colocação.

Pescara 0-0 Atalanta
Apesar do 0 a 0, a partida no estádio Adriatico foi bem movimentada. Precisando vencer sua primeira partida fora de casa, a Atalanta foi para cima e desperdiçou algumas chances, seja por falta de pontaria ou por boa atuação do goleiro Perin, que fez boas defesas frente a Bonaventura - melhor em campo - e Cigarini. No segundo tempo, Peluso acabou sendo expulso e colocou o Pescara no jogo. Com Abbruscato e Quintero, os biancoazzurri tiveram as melhores chances, mas levaram azar. Primeiro, Manfredini desarmou o atacante na cara do gol, e, em seguida, a cobrança de falta do colombiano tirou tinta da trave. Consigli ainda fez defesaça frente a Abbruscato e a Atalanta acertou a trave, com Brivio. Apesar de o jogo ter terminado sem gols, o empate ficou de bom tamanho, e manteve as equipes na parte de baixo da tabela, com 8 e 9 pontos, respectivamente.

Siena 0-0 Palermo
Provavelmente no pior duelo do fim de semana, Siena e Palermo empataram sem gols, resultado ruim para os dois, que continuam na zona de rebaixamento. A primeira etapa não reservou nada de bom. Em jogo feio, as equipes pouco produziram e nenhum dos goleiros teve que trabalhar. No segundo tempo, o jogo melhorou e o Palermo se mostrou um pouco melhor que o adverário. Na melhor chance do jogo, porém, Miccoli não conseguiu superar Pegolo e o placar permaneceu mesmo no 0 a 0. O resultado só não é pior para o Siena, último colocado, porque havia três jogos que o time não pontuava. Mas a situação continua crítica e o técnico Cosmi já começa a se desesperar: com apenas três pontos marcados, a equipe está quatro distante do primeiro time fora da zona da degola. Na próxima rodada, o time vai ao Sant'Elia enfrentar o Cagliari. O Palermo, por sua vez, recebe o Milan, em difícil jogo. (RA)

Relembre a 8ª rodada aqui
Confira estatísticas, escalações, artilharia, além da classificação do campeonato, aqui.

Seleção da rodada
Andújar (Catania); Zanetti (Inter), Barzagli (Juventus), Paletta (Parma), Pasqual (Fiorentina); Inler (Napoli), Cambiasso (Inter), Dessena (Cagliari); Ljajic (Fiorentina), Di Natale (Udinese), Palacio (Inter). Técnico: Andrea Stramaccioni (Inter).

sábado, 27 de outubro de 2012

Liga Europa: Inter e Lazio ok, Napoli e Udinese não

Napoli perde a segunda na Liga Europa e tem altas chances de eleiminação (Ansa)
Mais uma vez, a rodada da Liga Europa foi de emoções mistas para as equipes italianas. O Napoli vacilou mais uma vez e só não complicou muito suas chances no grupo porque o PSV tropeçou contra o AIK e não abriu vantagem. Com dois jogos em casa no returno, a equipe tem que aproveitar o mando de campo para seguir em frente.

A Udinese também perdeu, mas está em um grupo muito embolado. Apenas dois pontos separam Liverpool e Young Boys de Anzhi e Udinese. Com dois jogos em casa, também dá para crer na classificação bianconera. Lazio e Inter, por sua vez, lideram seus grupos, e conseguiram resultados positivos nesta quinta. A equipe de Milão, inclusive, já pode garantir sua vaga no mata-mata na próxima rodada.

Dnipro 3-1 Napoli
Walter Mazzarri disse um dia após a derrota para o Dnipro, na Ucrânia: “temos de fazer escolhas”. Para ele, é simples: ou o Napoli prioriza a Liga Europa, ou vai com tudo na Serie A. A escolha napolitana é a competição nacional, pois levou outra surra no jogo em Dnipropetrovsk: 3 a 1, pelo Grupo F do torneio europeu.
 
A equipe titular parecia demais com aquela que perdeu para o PSV, na Holanda, há duas semanas. Rosati assumia o gol, enquanto De Sanctis foi poupado; Férnandez pegou a posição de Cannavaro; Dzemaili ganhou vaga no meio de campo; e Pandev e Cavani cederam espaço para Insigne e Vargas. Contra a Juventus, no fim de semana, o Napoli sofreu o primeiro tento em jogada de bola parada, definida por Cáceres na etapa complementar. Em Dnipropetrovsk, Fedetskiy deu vantagem aos ucranianos ao escorar cruzamento do ambidestro Rotan, logo após o apito inicial. Os partenopei sofrem demais com este tipo de jogada. Minutos depois, quase Seleznyov aumentou a vantagem quando o Napoli, ainda, mal havia conseguido trocar muitos passes. No segundo tempo, Fernández foi driblado por Matheus e observou todo o lance que resultou na rede napolitana balançando, em chute de Giuliano.
 
O Napoli só mudou com a entrada de Cavani. Cabeçada potente, após cruzamento de Aronica, que Lastuvka defendeu e a bola bateu na trave; o pênalti convertido dos 3 a 1 – em lance que Mazuch derrubou o uruguaio dentro da área –; e uma falta perigosíssima cobrada nos minutos finais. Os partenopei jogaram de forma extremamente diferente, e positivamente, com Cavani. Com três pontos conquistados na Liga Europa, o Napoli vê o Dnipro bem afastado aos demais, com 9, e o PSV na vice-liderança, com 4. Ainda há três confrontos para ser disputados. O desafio não é difícil. Mas a rotação do elenco nos jogos continentais e o pensamento “ah, dane-se a Uefa, pois o que importa é a Serie A” pode culminar com o vexatório e prematuro abandono dos azzurri no campeonato. (Murillo Moret)

Inter 1-0 Partizan
No Giuseppe Meazza, a Inter enfim venceu pela primeira vez em seus domínios pela Europa League, porém com uma apresentação abaixo da média, marcada pelo excesso de cautela na postura dos nerazzurri, frente a uma equipe bem postada.

Como de costume, Andrea Stramaccioni mandou a campo um time em boa parte formado por reservas - casos de Silvestre, Mudingayi, Jonathan, Pereira, Coutinho e Livaja -, contudo, mantendo o esquema tático já habitual, o 3-4-1-2. Diante o Partizan, a equipe sofreu com os mesmos problemas apresentados no último domingo, na vitória sobre o Catania: minoria numérica pelos flancos, fazendo os "zagueiros-laterais" e volantes se desdobrarem no auxílio aos alas, prejudicando o combate pelo centro e a saída de bola.

Pereira e Coutinho foram os principais destaques ofensivos da equipe na primeira etapa, contudo, suas jogadas não se transformaram em gols. Com a saída do brasileiro por lesão aos 31', e a efetivação do 4-4-2, a Inter se acomodou, assim como o Partizan, que já não pressionava com a mesma intensidade dos 10 primeiros minutos, e parecia conformado com o resultado.

A tônica do segundo tempo não mudou muito, a não ser pela postura inicial que a Beneamata teve até a entrada de Zanetti, que deu equilíbrio ao 4-4-2. No entanto, a equipe voltou à acomodação de antes. Somente a partir da entrada de Milito aos 76', que os donos da casa voltaram a buscar mais o ataque, agora, porém, na base do "abafa". Ao menos, isso mostrou mais uma vez que os nerazzurri dão atenção ao torneio.

O gol reflete bem isso: aos 86', Lazar Markovic perdeu boa chance frente a Handanovic, que saiu bem do gol e o desarmou. Na sequência, já com a equipe postada no ataque, Milito abriu na direita puxando a marcação consigo e, após passe de Guarín, levantou a bola na área para o cabeceio de Palacio, livre entre dois defensores sérvios, que garantiu os três pontos.

Com a vitória, a Inter passou o Rubin Kazan, com os mesmos 7 pontos, na liderança devido à vantagem no número de gols marcados. Com apenas 1 ponto, Neftchi e Partizan ocupam as últimas colocações. A Beneamata, que nos últimos 6 jogos (desde que o 3-5-2 foi efetivado) venceu todos seus compromissos, e não sofre gols há 3 jogos, voltará a jogar no domingo, contra o Bologna, na Emília-Romanha. Pela Europa League, joga novamente com o Partizan no dia 8 de novembro, em Belgrado, Sérvia, podendo garantir sua classificação com grande antecedência. (Arthur Barcelos)

Panathinaikos 1-1 Lazio
Jogando fora de casa, a Lazio deixou escapar uma vitória importante contra o Panathinaikos. O time de Petkovic mostrou pouco futebol, e pagou pela falta de agressividade no segundo tempo, sofrendo o empate no final do jogo. O resultado, porém, mantém a equipe romana na liderança do grupo.

O clima antes do jogo foi de muita tensão. Alguns ônibus da Lazio foram apedrejados por torcedores gregos. Houve confronto entre os ultras das duas equipes, e a polícia teve que ser acionada. Dentro de campo, o que se viu foi um jogo morno, com poucas chances de gol. Tanto que o gol da Lazio saiu num lance bizarro, quando Seitaridis tentou recuar para o goleiro, que estava fora do gol, e acabou marcando um gol contra inacreditável.

Depois do gol, a Lazio, que já era melhor, passou a controlar a partida, até o final do primeiro tempo. Na segunda etapa, a equipe biancoceleste foi despretensiosa, mostrando satisfação com o 1 a 0. O Panathinaikos pressionava, mas os italianos se defendiam bem. A Lazio abriu mão de atacar e, como aconeceu contra o Milan, pôs o resultando em risco. Só que, ao contrário da partida de domingo, o time de Petkovic tinha apenas um gol de vantagem e, aos 45 do segundo tempo, Toché, meio desajeitado, empatou para os gregos, após confusão na área.

O resultado não foi tão ruim para a Lazio, já que, no outro jogo do Grupo J, Maribor e Tottenham também empataram. O clube romano segue na liderança do grupo, com cinco pontos, um a mais que os eslovenos, que surpreendem e estão na segunda colocação. Os Spurs estão em terceiro, com três pontos ganhos, e o Panathinaikos tem dois. (Cleber Gordiano)

Young Boys 3-1 Udinese
Depois de vencer o Pescara na última rodada da Serie A, a Udinese entrava em campo pela Liga Europa com a possibilidade de assumir a ponta de um grupo complicado, afinal, enfrentava o lanterna Young Boys, equipe mais frágil da chave. A chance da primeira doppietta da temporada era mais que clara e poderia ajudar o time bianconeri a engrenar de vez.

Quando se esperava força máxima como na épica vitória ante o Liverpool, Guidolin, que já não podia contar com Basta, Pinzi, Pasquale e Muriel, ainda deixou Di Natale e Pereyra no banco, resolvendo dar mais uma oportunidade para a promissora dupla Fabbrini e Ranegie.

Porém, bastaram quatro minutos para o planejamento ir por água abaixo. Bobadilla não desperdiçou a chance deixou os suíços na frente. Como vem sendo em quase toda a temporada, ainda mais quando não conta com Di Natale, o time friuliano não joga bem. Sem qualidade e criatividade, dependeu demais de alguma jogada isolada, que não aconteceu.

Para o segundo tempo, Di Natale e Pereyra vieram a campo, mas pouco mudou. Desesperada em busca do resultado, a Udinese deixou a defesa aberta, e Bobadilla aproveitou novamente. Recebeu em profundidade, ganhou de Danilo no corpo e não deu chances à Brkic. Minutos depois, Coda ainda deu um pouco de esperança com um gol de cabeça, mas já no final novamente Bobadilla sacramentou a derrota italiana, com seu terceiro gol.

O resultado ainda deixa a Udinese com reais chances com a vitória do Liverpool, mas ressucitou o Young Boys que já estava condenado e terá de brigar com o Anzhi para não dar mais um vexame europeu nessa temporada. (Caio Dellagiustina)

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

O dia em que o Málaga foi maior que o Milan


A realidade é essa: O Málaga é capaz de deixar o Milan para trás (Associated Press)

Quando Málaga e Milan entram em campo por alguma competição o natural seria definir o favoritismo para o time rossonero. Tradição, história e camisa pesam a favor dos italianos, mas no principal quesito, o futebol, é inegável que, hoje, o time espanhol tem muito mais (e nem tem tanto assim) que os milanistas. Apostar nos italianos foi realmente esperar uma zebra.

O pior Milan desde a temporada 1981-82, na qual foi rebaixado na Serie A, entrava em La Rosaleda sem derrotas na competição europeia, mas em compensação, vivendo um drama na liga local, em que ocupa a 15 colocação, com apenas sete pontos em sete rodadas, a mesma do Chievo, primeiro time na zona de rebaixamento. Pelo outro lado, o Málaga, mesmo tendo perdido o grande aporte financeiro oriundo do xeque Al Mansour, conseguiu se ajeitar em meio a consideráveis perdas e reforços modestos, tanto que ocupa a terceira colocação na Liga Espanhola, à frente até do Real Madrid.

Precisando de mudanças e sabendo do potencial ofensivo do Málaga, o técnico Allegri mudou radicalmente a equipe. Primeiro com o esquema e depois com alguns jogadores que pouco jogavam. O antigo 4-3-1-2 deu lugar ao 3-4-3, no melhor estilo Zaccheroni. Porém, com pouquíssimo treino, na semana em que a equipe passou concentrada em Milanello. Na zaga, Acerbi, ganhou uma chance ao lado de Bonera e Méxes. De Sciglio e Constant, outra surpresa, faziam as alas, e invariavelmente compunham a zaga formando uma linha de cinco defensores. Ambrosini formava o meio com Montolivo e na frente, Emanuelson e El Shaarawy jogavam abertos e tentavam servir Pazzini, no centro.

Mas o esquema tático não pareceu ser o problema do Milan. Jogando mal, o time deixou-se dominar pelo Málaga. Quem via o jogo imaginava que o time grande era o azul e branco. Porém, apesar do domínio, os malaguenhos pouco assustavam o goleiro Amelia, até que Pedro Proença marcou pênalti inexistente de Constant sobre Gámez, já no final do primeiro tempo. A responsabilidade ficou nos pés de Joaquín, mas o camisa sete chutou por cima, fazendo Allegri respirar aliviado.

A conversa de vestiário não ajudou em nada o time milanista que continuou sem produzir. Mas, antes que tentasse algo em busca de uma improvável vitória, Joaquín, o mesmo do pênalti, recebeu um belo passe de Iturra, em profundidade, dentro da área e só tirou de Amelia para marcar o gol.

Mesmo atrás do placar, as únicas chances claras de gol do rossonero foram nos minutos finais, primeiro com El Shaarawy e na sequência com Mexès. As entradas de Pato e Bojan pouco acrescentaram e não evitaram mais uma derrota na conta rubronegra. Serve de consolo que a equipe ainda mantém a segunda colocação do grupo, com 4 pontos. No entanto, a equipe vê o Málaga se distanciando, com 9 pontos, e o Zenit se aproximando, com 3.

Ainda não se sabe o futuro de Allegri. Houve quem dissesse que independentemente do resultado sua saída era certa. A derrota pode apenas apressar o processo, embora Adriano Galliani diga que o técnico continua. A única certeza é que o time precisa de uma chacoalhada ou, antes de pensar em algo do tamanho da grandeza rossonera, terá que brigar para fugir de uma situação incômoda na Serie A e se classificar em seu grupo na LC.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Time de fim de semana

A bela cobrança de falta de Beckmann colocou mais uma pedra no caminho da Juve: com três empates em três jogos, classificação para próxima fase fica mais complicada (Getty Images)

O título do post é uma brincadeira com mais uma das estatísticas bizarras que assombram essa Juventus: o time não vence uma partida de meio de semana há seis meses. Só nessa temporada, já foram quatro empates em jogos que não foram disputados em sábados ou domingos. Três deles aconteceram na Liga dos Campeões, resultados que deixam a equipe em situação desconfortável no Grupo E, apenas na terceira colocação, atrás de Shakhtar e Chelsea. Para piorar, a Juve ampliou o recorde de empates consecutivos em competições europeias, que já era seu: são nove em sequência.

O jogo de ontem, contra o Nordsjaelland, na Dinamarca, era visto como a melhor chance de a Juve voltar a vencer em competições europeias (já são nove partidas sem vitória) e recuperar a moral para os últimos jogos da fase de grupos. Porém, mais uma vez, a equipe se mostrou medrosa fora da Itália. Mesmo com time muito melhor que o dos donos da casa, a Velha Senhora recuou e deixou que o Nordsjaelland tivesse o domínio de bola. Durante boa parte do primeiro tempo, os dinamarqueses tiveram posse e domínio territorial superior ao da Juve, que também não conseguia se impor nos contra-ataques.

Para piorar, quando a equipe de Turim tinha a bola, não conseguia incomodar o adversário. Pirlo, Vidal e Marchisio fizeram partidas bem abaixo da média e os alas Isla e De Ceglie não conseguiram nem de longe ser incisivos como Lichtsteiner e Asamoah. No ataque, a dupla formada por Giovinco e Matri em momento algum funcionou. Matri, sempre muito lento, atrapalhou também com sua desatenção, que o deixou em impedimento diversas vezes. Já Giovinco, que reclamou por um lugar entre as estrelas da Juve por tantos anos, não conseguiu mostrar (de novo) porque merece esse posto.

Com tanta apatia, o resultado não podia ser diferente: mais um empate para a coleção juventina. A invencibilidade, agora de 48 jogos, continua intacta, mas o futebol mostrado em terrenos europeus não assusta ninguém. E Antonio Conte é responsável por grande parte disso. Além de ter escalado o time mal, o treinador, que na temporada passada surpreendeu por suas variações táticas, parece refém do 3-5-2 atualmente. Para que escalar três zagueiros centrais contra um time de poder ofensivo tão fraco quanto o Nordsjaelland? 

Apostar no 4-4-2, tão usado na temporada passada, poderia ser uma opção melhor para pressionar o adversário e ficar no campo de ataque. O 4-3-3, usado no fim da partida de ontem, depois que Giaccherini e Vucinic entraram, foi prova de que uma formação mais ofensiva poderia ter funcionado melhor. Só nos 10 minutos finais parecia que a Juventus estava mesmo em campo. E é aí que entra a parte da culpa de Alessio (substituo de Conte o banco de reservas, enquanto o titular cumpre suspensão), que demorou muito para mudar o time. O inoperante Matri, por exemplo, ficou em campo até os 22 minutos do segundo tempo.

Se quiser passar de fase, nesse grupo difícil, a mudança de postura tem que ser imediata. No dia 7 de novembro, contra o próprio Nordsjaelland, mas em Turim, os bianconeri vão ter que entrar em campo sem medo e partir para cima. Ainda é possível classificar, mas para isso as vitórias têm que vir. Não adianta continuar invicta, se não consegue vencer. E é para isso que esse vexame contra o Nordsjaelland pode servir: para abrir os olhos da Velha Senhora.

Para ver os gols e ler resumo com lances da partida, clique aqui.

Nordsjaelland 1-1 Juventus
NORDSJAELLAND (4-2-3-1): Hansen; Okore, Mtiliga, Parkhurst e Runje; Adu e Stokholm; John, Lorentzen (Christiansen) e Laudrup (Christensen); Beckmann (Nordstrand). Técnico: Kasper Hjulmand
JUVE (3-5-2): Bufon; Bonucci, Lúcio (Bendtner) e Chiellini; Isla, Vidal (Giaccherini), Pirlo, Marchisio e De Ceglie; Matri (Vucinic) e Giovinco. Técnico: Angelo Alessio
Gols: Beckmann (N), aos cinco minutos do segundo tempo, e Vucinic (J), aos 35 minutos do segundo tempo.
Local: Estádio Parken, em Copenhague, na Dinamarca
Árbitro: Deniz Aytekin (Alemanha)
Cartões amarelos: Runje e Mtiliga (N); Chiellini e Marchisio (J)

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

8ª rodada: Tem lugar na briga?

No primeiro gol, Cambiasso tocou para Cassano marcar pela quinta vez em oito jogos. Poder de decisão de Fantantonio pode pesar positivamente para a Inter incomodar o primeiro escalão (AP)
Depois de dois bons jogos no sábado, entre os primeiros colocados do campeonato, foi a vez de Inter e Roma mostrarem que também querem entrar nessa briga. Em Milão, a equipe de Stramaccioni mostrou organização para vencer o Catania e se aproximar do vice-líder Napoli. Mais tarde, no jogo que encerrou a rodada, a Roma voltou a expor os defeitos da sua linha defensiva e saiu perdendo por 2 a 0 para o Genoa. Mas a equipe não decepcionou seu treinador e se recuperou de maneira bem Zemaniana, com posse de bola e muito ataque, e consegui a virada. Mais sobre esses e os outros jogos da rodada abaixo:

Inter 2x0 Catania
Em um jogo sem fortes emoções, a Inter conseguiu segurar os rápidos e habilidosos ponteiros argentinos Alejandro Gómez e Pablo Barrientos e venceu o Catania, chegando a sua quarta vitória seguida no campeonato. O resultado coloca a Inter, que começou o campeonato desacreditada, como possível adversária de Juve e Napoli na briga pelo título. Com domínio territorial durante grande parte do jogo, a equipe nerazzurra chegou ao primeiro gol aos 28 minutos, quando Cambiasso cruzou na área para Cassano completar, de cabeça. Foi o quinto gol do atacante, que vem se mostrando muito decisivo nesse início de temporada.

Após abrir o placar, a Inter diminuiu um pouco o ritmo e levou o segundo tempo praticamente em banho-maria, a não ser por uma bola na trave de Ranocchia e algumas chances criadas por Ricky Álvarez. O segundo gol, que definiu o jogo, aconteceu aos 40 minutos, depois que Palacio recebeu passe de Diego Milito, matou bonito no peito e, sem deixar a bola cair, acertou o canto de Andújar. O resultado mantém a Inter na terceira colocação, ao lado da Lazio. Ambas as equipes têm 18 pontos, um a menos que o Napoli e quatro a menos que a líder Juventus. O Catania segue na parte de cima da tabela, e ocupa a 7ª posição, com 11 pontos.

Genoa 2x4 Roma
No encerramento da rodada, Genoa e Roma fizeram um dos melhores jogos do fim de semana. A equipe da casa começou jogando muito bem, marcando no campo de ataque a aproveitando as laterais para chegar com perigo, e não demorou para abrir o placar. Aos sete minutos, Borriello tocou de calcanhar para Kucka, que acertou ótimo chute. A boa movimentação de Borriello tirou a referência dos zagueiros romanistas e foi importante também no segundo gol, quando o atacante cruzou para Jankovic, que acertou voleio no travessão, mas no rebote não perdoou e fez 2 a 0.

Com a vantagem no placar, o Genoa recuou a marcação e deu espaço para a Roma jogar. E o erro de estratégia custou caro: ainda no primeiro tempo, Totti e Osvaldo empataram o jogo. Na etapa final, a Roma continuou melhor, pressionando, e aproveitou o apagão genovês para fazer mais dois gols, com Osvaldo de novo e Lamela. O resultado deixa a Roma na quinta colocação, quatro pontos atrás dos primeiros quatro colocados. O Genoa permanece na 10ª posição, com nove pontos.

Udinese 1x0 Pescara
Em Údine, o autor do gol solitário na vitória sobre o Pescara foi de Maicosuel, que vinha sendo deixado de lado pelo técnico Francesco Guidolin desde que perdeu pênalti decisivo, na terceira fase preliminar da Liga dos Campeões, contra o Braga. O ex-atacante do Botafogo marcou aos sete minutos do segundo tempo, quando sua equipe já estava com um a menos em campo. O zagueiro Danilo, ex-Palmeiras, foi exupulso ainda aos 31 minutos do primeiro tempo.Na comemoração, Maicosuel fez gesto como se pedisse desculpas à torcida, pelo erro na Liga dos Campeões. A vitória leva a Udinese a nove pontos e deixa o time um pouco mais tranquilo. O Pescara, por sua vez, continua com vida difícil, na zona de rebaixamento.

Parma 2x1 Sampdoria
No estádio Ennio Tardini, o Parma voltou vencer após cinco rodadas de jejum graças aos dois gols do atacante ítalo-brasileiro Amauri. O primeiro veio após pênalti cometido por Sergio Romero sobre Jonathan Biabiany, e o segundo, em forte cabeçada, na segunda etapa. Graças também à mudança tática efetuada pelo técnico Donadoni. Depois de treinar a semana toda com os portões fechados, o treinador optou por escalar a zaga em uma linha de quatro, no 4-3-3, com Biabiany, Amauri e Belfodil na frente. Após a vitória, a diretoria do clube confirmou a renovação do contrato de Donadoni. A Sampdoria, que jogou com um a menos desde a expulsão de seu goleiro, aos 34 minutos da etapa inicial, até conseguiu descontar, com gol do brasileiro Éder, ex-Criciúma, mas não foi suficiente. O Parma ocupa a 11ª colocação, com 9 pontos, e a Sampdoria a 8ª posição, com um ponto a mais.

Atalanta 2x1 Siena
Em duelo direto dos ocupantes da parte baixa da tabela, a Atalanta conseguiu boa vitória de virada sobre o Siena. Depois de um primeiro tempo com poucas emoções, Reginaldo abriu o placar para os visitantes aos 14 minutos da segunda etapa, a fim de estragar a festa de 105 anos do clube bergamasco. Mas Cigarini não deixou que isso acontecesse. Aos 19', acertou bela cobrança de falta e empatou a partida. Bonaventura deu números finais ao placar a sete minutos do fim. Apesar da posição incômoda na tabela, o time nerazzurro não deve lutar contra o rebaixamento até o fim. O Siena sofrerá mais por causa dos pontos descontados no tribunal do que por conta do seu futebol, que também não é lá essas coisas.


Palermo 0x0 Torino
Apesar do 0 a 0, o jogo entre Palemo e Torino não foi ruim. O placar, inclusive, é mérito das boas atuações dos goleiros Gillet e Ujkani. No final, Ilicic poderia ter resolvido para os donos da casa, em chance clara, mas aí o placar não seria justo, por conta do equilíbrio do jogo. Na primeira etapa, os rosanero dominaram e estiveram mais perto de marcar, mas esbarraram em Gillet. No segundo tempo, porém, foi a vez do Torino mostrar maior volume de jogo e pressionar mais. Não adiantou: Ujkani também estava em grande dia e evitou que a bola entrasse. No fim, o empate foi bom para o Torino, que chega a nove pontos e se mantém firme na parte intermediária da tabela. Para o Palermo, contudo, o resultado foi péssimo. Com apenas seis pontos, a equipe é a penúltima colocada do campeonato, somando apenas uma vitória e três empates. 

Chievo 1x1 Fiorentina
Em Verona, Chievo e Fiorentina fizeram partida de muita força física e velocidade, mas deixaram a desejar no quesito chances de perigo. Os gols aconteceram ainda no início do primeiro tempo e depois disso os cerca de 12 mil torcedores que pagaram ingresso ficaram sonolentos. Thereau fez para os donos da casa ainda aos 17 minutos, mas Rodríguez empatou menos de um minuto depois. Mais tarde, Luca Toni ainda acertaria uma bola na trave, mas o placar não mudaria. O problema na Fiorentina permanece o mesmo: não ter um centroavante decisivo, que coloque bolas para dentro. A zaga vem se comportando bem e o meio tem boa movimentação. Ainda assom, o time já tem 12 pontos e está na 6ª colocação. O Chievo, com sete pontos, permanece muito perto da zona do perigo.

Cagliari 1x0 Bologna
Pouco mais de quatro mil torcedores assistiram à primeira vitória do Cagliari dentro de casa nesse campeonato. Mas é bem verdade que os que não foram ao estádio e preferiram aproveitar o domingo de outra maneira não perderam muita coisa. Em jogo bem fraco tecnicamente, Nainggolan foi quem fez o gol da vitória, já na etapa final. O Bologna pouco produziu e chegou à segunda derrota consecutiva, ficando estagnado com sete pontos, cada vez mais próximo da zona da degola. O Cagliari somou três pontos importantes e se distanciou um pouco do perigo.

*Colaborou Rodrigo Antonelli

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Relembre a 7ª rodada aqui
Confira estatísticas, escalações, artilharia, além da classificação do campeonato, aqui.

Seleção da rodada
Gillet (Torino); Allan (Udinese), Ranocchia (Inter), Barzagli (Juventus), Leandro Castán (Roma); Hernanes (Lazio), Pogba (Juventus), Valdés (Parma); Cassano (Inter), Osvaldo (Roma), Amauri (Parma). Técnico: Vladimir Petkovic (Lazio).

domingo, 21 de outubro de 2012

8ª rodada: Mostrando quem manda

O jovem Pogba saiu do banco de reservas para fazer 2 a 0 e decidir o jogo para a Juve. Com elenco reforçado, time mostra que pode sim jogar em alto nível na Serie A e na LC (Reuters)

Sábado reservou dois bons jogos para os apreciadores do futebol italiano. Para começar a rodada, o duelo entre os líderes Juventus e Napoli não decepcionou. Em jogo muito equilibrado, a Velha Senhora só conseguiu decidir no fim, com gols de dois jogadores saídos do banco de reservas. Agora, tem três pontos a mais que o Napoli e continua sendo o time a ser batido na Bota. 

Mais tarde, a Lazio foi melhor que o Milan durante boa parte do jogo e chegou a estar vencendo por 3 a 0. O time de Milão conseguiu diminuir a diferença, mas somou sua quinta derrota no campeonato. A zona da degola já é preocupação real e Galliani, diretor esportivo do time, mandou a equipe ficar concentrada durante toda a semana. Vamos aos resumos dos jogos:

Juventus 2x0 Napoli
No principal confronto do final de semana, a Juventus mostrou porque é a favorita ao título e venceu seu maior rival na corrida pelo scudetto. Agora, é líder isolada do campeonato, com três pontos a mais que o Napoli (22 a 19), e única equipe ainda invicta na competição. O time de Turim sai do duelo com a cabeça erguida: para os que duvidavam que a Velha Senhora seria capaz de manter o alto nível no nacional mesmo disputando a Liga dos Campeões, veio a prova de que, com elenco amplo, é possível sim. Cáceres e Pogba mostraram que os reservas também são decisivos.

A partida começou em ritmo intenso, mas com poucas chances claras de gol. O Napoli foi um pouco melhor no primeiro tempo e até teve posse de bola um pouco superior a dos donos da casa: 51%. Na melhor ocasião, Cavani acertou cobrança de falta no travessão de Storari. A Juve sofria com a ausência de Vucinic (gripado) e não levava perigo ao gol de De Sanctis, com Giovinco e Quagliarella. Pirlo, muito marcado, pouco aparecia para o jogo. Na segunda etapa, o jogo continuou equilibrado, mas o Napoli parece ter aceitado o empate cedo demais. A equipe  de Mazzarri deixou de ser vertical como no primeito tempo e deu espaço para a Juve. 

A entrada de Matri no lugar de Quagliarella deu profundidade ao time bianconero, que melhorou também com as entradas de Cáceres e Pogba, nos lugares de Asamoah e Vidal, respctivamente. E os substitutos logo decidiram: Cáceres completou cobrança de escanteio de Pirlo para fazer 1 a 0, a dez minutos do fim, e Pogba fechou o placar em grande chute de fora da área. O Napoli continua sendo o principal concorrente da Juve ao título, mas a Velha Senhora mostrou que ainda é a equipe a ser batida na Itália. Agora, já soma 47 jogos de invencibilidade na Serie A.

Clique aqui para ver os gols do jogo.

Lazio 3x2 Milan
Enquanto isso, o Milan, quem diria, começa a temer a zona de rebaixamento. O time de Allegri não se encontra e já soma cinco derrotas na competição (no campeonato passado, foram seis derrotas ao longo das 38 rodadas). Na 15ª colocação, os rossoneri têm apenas sete pontos conquistados, mesma quantidade que o Pescara, primeiro time na zona da degola. Desde a temporada 1941-42, não tinha cinco derrotas em oito partidas. Para piorar, o time não consegue fazer gols: foram só 10 marcados até aqui, por apenas três jogadores (Pazzini, El Shaarawy e De Jong).

O time bem montado de Petkovic, que nada tem a ver com os problemas do Milan, aproveitou para somar mais três pontos e continuar a perseguição à Juve e Napoli. Escalada no usual 4-5-1, a equipe mostrou a força do seu meio de campo, principalmente por causa de Hernanes e Mauri, e já na primeira etapa abriu 2 a 0, com gols de Hernanes e Candreva. Logo no início do segundo tempo, Klose ampliou.

E só a partir daí o Milan começou a jogar. Allegri colocou Pato no lugar de Nocerino e Emanuelson no posto de Boateng. A equipe melhorou e, com De Jong e, claro, El Shaarawy, diminuiu para 3 a 2. Mas já era tarde demais. Apesar da pressão nos minutos finais, o Milan não conseguiu empatar o jogo e amargou mais uma derrota. A volta de Pato deu maio mobilidade ao ataque rossonero e é uma das poucas coisas a se destacar do Milan. Do lado da Lazio, preocupa a queda de rendimento (em grande parte, físico), no segundo tempo.

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quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Nas caixas de som de Trigoria

Uma das maiores preocupações dos americanos que compraram a Roma foi renovar o marketing do clube. O site oficial, por exemplo, clamava por atualizações desde quando o ICQ saiu de moda - e não é exagero. Desenvolvido por Rômulo quando assassinou Remo, não tinha nada para fazer e decidiu aprender diagramação, a página foi restaurada e busca manter uma interação maior com torcedores e curiosos. Daí surgiu o As Roma Music Playlist, seção em que comissão técnica e atletas romanistas compartilham suas músicas preferidas, compráveis via iTunes. Basicamente, é isso que os jogadores colocam no fone auricular quando Zdenek Zeman acende um cigarro e começa a discorrer sobre suas ideias de jogo e futebol utópico.

Pablo Daniel Osvaldo, o Johnny Depp, deu pontapé inicial na brincadeira: com esse visual de já fui fotografado no Sartorialist, o mais provável seria uma lista de bandas que ainda nem existem, conjuntos lembrados pelo "esforço conceitual", mixtapes da Warp Records e uma b-side que o David Byrne nem lembra de ter gravado com um grupo de percussionistas malaios. Mas que decepção!, O ítalo-argentino é somente aquele tio simpático que quando perguntam "de que tipo de música você gosta?", responde rock; e quando perguntam "que tipo de rock?", responde roll.

Osvaldo: "Joguei no Espanyol porque o Barcelona era muito mainstream" (TheOffside.com)

Interessantes as inclusões de Joaquín Sabina, o Bob Dylan espanhol, e Leonard Cohen, o Leonard Cohen canadense. A escolha criativa certamente ficou nesse cover de Los Chunguitos executado ao vivo por Manu Chao. De resto, só músicas mais iconizadas que o Totti. Se a Roma organizasse uma festa com os jogadores discotecando, Nico López seria o cara com camisa dobrada quase no ombro e óculos escuros, xingando Osvaldo gratuitamente e dizendo "isso não é música de festa!", logo após aumentar o volume com 'Danza kuduro' e uma música do Gusttavo Lima, quem eu não conhecia e sinto ter batido minha alma na quina da mesa.

Enquanto Osvaldo ainda simularia o solo de 'Nothing else matters' com olhos semicerrados, López já estaria sobre a mesa, dançando, claro, 'Ai se eu te pego'. Por incrível que pareça, até que as outras músicas não são ruins - ou são, mas não desenvolvo esse tragicômico preconceito por proximidade. 'Celeste' é um tributo à Seleção Uruguaia, e 'Cielo de un solo color', do No Te Va a Gustar, é particularmente bonita. Por sua vez, Alessandro Florenzi, sensação da Roma nesta temporada, lidera a comissão "vamo valorizzare", soltando o melhor do pop italiano contemporâneo. Luciano Ligabue, Jovanotti, Negramaro e Renato Zero estão lá, acompanhados por Robbie Williams, Michael Bublé e um deslocado porém valorizável Public Enemy.

Mattia Destro desembarcou em Roma no verão e, com ele, um summer hits mundial. Em sua lista figuram um single do último disco do Coldplay, Rihanna com Calvis Harris, Jennifer Lopez e Modà, que liderou as paradas na Itália com seu álbum mais recente. Curiosamente, 'Endless summer', tema da Euro 2012, também está lá. E Destro foi cortado da lista final da Euro. Por isso dizem que a melhor maneira de encarar traumas é falar abertamente sobre eles!

Não queria ser o cara que relaciona Amsterdã com drogas e ainda acha isso engraçado, mas a playlist de Maarten Stekelenburg poderia tranquilamente ser classificada como eletro-metanfetamina. Enquanto redijo este texto, balanço a cabeça desenfreadamente, rasgo minha camiseta, grito com minha mãe e não tiro os olhos do teto do meu quarto, sem piscar. Quando me dou conta, estou dando em cima da televisão e já liguei para minha ex-namorada 74 vezes. Se acha que estou exagerando, dê o play aqui e aumente o volume até alguém te mandar trabalhar. 'Free fallin', cover do Tom Petty, é tão somente aquilo que o goleiro holandês ouve em ressaca.

Para tranquilizar tudo, chega Nicolás Burdisso, o pop consciente, o argentino indie y me voy, com Foo Fighters, o primeiro disco do Radiohead, o último do Verve, Red Hot Chili Peppers e Audioslave: nada puxado demais, nada tão óbvio assim. 'Jeremy' para lembrar a adolescência grunge em Córdoba; My Morning Jacket e Pink Floyd surgem em momentos de introspecção, ao passo que The Kooks lhe serve para puxar assunto com garotas mais novas. Não há nada hispânico, embora 'Shadow of the day' provavelmente tenha chegado a seus ouvidos por intermédio de algum primo adolescente que passou férias em sua casa. Aquela atitude ríspida em campo, aquela seriedade truculenta, nada disso reflete no iPod (preto, sem capinha, "sóbrio", com tela de proteção) do zagueiro romanista.

Boa parte do staff já divulgou suas listas, incluindo Walter Sabatini, Franco Baldini e o novo presidente James Pallotta, mas a brincadeira segue outro dia, porque Zeman já parou de falar.

Em Milão, volta triunfal

Pirlo e De Rossi comemoram: o meio-campo é a alma da seleção italiana (AP Photo)
Cesare Prandelli continua trocando as peças da seleção. Os testes, nas Eliminatórias para a Copa do Mundo, seguem dando certo: a Itália venceu a Dinamarca por 3 a 1, em jogo que marcou o retorno da seleção ao San Siro. A Squadra Azzurra não jogava no estádio de Milão desde 2007.

Sobrou apenas Barzagli da zaga que encarou a Armênia, no fim da semana anterior. Buffon não se recuperou de lesão e deu lugar a De Sanctis; Abate, Chiellini e Balzaretti ganharam as vagas de Maggio, Bonucci e Criscito, respectivamente. Tamanha quantidade de trocas defensivas fizeram com o time sofresse nos minutos iniciais - sobretudo nos contra-ataques, com Bendtner, Eriksen e Krohn-Delhi.

Mas a Itália mostrou, também, parte daquele futebol envolvente da Euro 2012. Aos poucos, Pirlo e Montolivo tomaram conta do meio-campo. O meia do Milan acertou um chutaço de fora da área para abrir os trabalhos. Minutos depois, Pirlo fez ótima jogada pela direita e cruzou na cabeça de De Rossi, que escorou para a rede - foi o terceiro gol de cabeça do romanista pela seleção desde o fim da Euro. Em ambos os lances, Andersen nem tentou espalmar. Antes do intervalo, Kvist, com um ótimo voleio, diminuiu o resultado, dando um pouco mais de justiça ao placar.

Aos 16 segundos da etapa final, Osvaldo foi expulso após atingir Stokholm com um soco, mostrando que muitas vezes se descontrola por bobagem. Com um jogador a menos, a Itália procurou matar o jogo num contragolpe. E conseguiu antes dos dez minutos: com grande lançamento de Pirlo, Balotelli dividiu com Andersen, que saiu mal do gol, e marcou o terceiro. A Dinamarca, no restante da partida, apenas procurou Bendtner com chuveirinho, porém, nada conseguiu.


Quem perdeu muita moral com Prandelli foi Giovinco. O atacante perdeu a vaga na equipe após atuação fraquíssima contra a Armênia e, provavelmente, não deve voltar para o time tão cedo, a não ser que alguém se lesione. O técnico acha que não é certo colocá-lo ao lado de Osvaldo, e Balotelli, com uma boa apresentação, ratificou sua titularidade. O atacante do Manchester City fez, inclusive, uma partida muito tática e guerreira, marcando muito bem em cobranças de escanteio e ajudando a recompor a zaga.

A Nazionale chegou a 10 pontos em quatro jogos, permanecendo invicta. De quebra, abriu quatro pontos de vantagem para a vice-líder Bulgária, no Grupo B. A seleção volta a jogar pelas Eliminatórias em março, contra Malta, lanterna. Antes, a Squadra Azzurra tem dois amistosos de peso, contra França e Holanda.

Ficha do jogo: Itália 3-1 Dinamarca
Itália (4-3-1-2): De Sanctis; Abate, Barzagli, Chiellini, Balzaretti; De Rossi, Pirlo, Marchisio (Candreva); Montolivo (Giaccherini); Balotelli (Destro), Osvaldo. A disposição: Viviano, Sirigu, Bonucci, Ranocchia, Criscito, Maggio, Verratti, Diamanti, Gilardino, Giovinco.
Técnico: Cesare Prandelli

Dinamarca (4-2-3-1): Andersen; Jacobsen, Kjaer, Agger, Silberbauer (Lorentzen); Stokholm, Kvist (Kahlenberg); Rommedahl, Eriksen, Krohn-Dehli (J Poulsen); Bendtner.
Técnico: Morten Olsen

sábado, 13 de outubro de 2012

Evolução, apesar dos sustos

Pirlo voltou a ser o destaque da Azzurra, ditando o ritmo da equipe. Bom para os italianos, bom para Prandelli, bom para si mesmo e bom para os juventini (Getty Images/Claudio Villa)
Na última sexta-feira (12), a seleção italiana voltou a entrar em campo, novamente em jogo válido pelas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2014, no Brasil. Num misto de dificuldades e imposição, a equipe de Cesare Prandelli bateu, fora de casa, a Armênia por 3 a 1.

Um mês após ter batido a Malta em Modena, por 2 a 0, sem apresentar um bom futebol, a Squadra Azzurra mostrou boa evolução em relação aos dois jogos anteriores, especialmente no setor de meio-campo, que não conseguira se impor contra a Bulgária e os malteses.

Andrea Pirlo, de um começo de temporada fraco – provavelmente devido ao cansaço –, finalmente voltou a ditar o ritmo e organizar as principais jogadas – e foram várias. Prandelli repetiu o quarteto de meio-campistas da Euro, e mais uma vez Riccardo Montolivo mostrou que pode ser esse jogador versátil que faltava ao setor, dando equilíbrio, proteção à Pirlo e qualidade no passe.

Daniele De Rossi, que sofreu com alguns problemas no início da temporada e, aparentemente, vem tendo alguns conflitos com Zdenek Zeman, também teve apresentação digna, fazendo aquilo que se espera de alguém tão valorizado. Claudio Marchisio, porém, voltou a ser apático, mesmo após boa exibição contra Malta e também nos últimos jogos pela Juventus.

O setor de defesa também teve evolução, e mesmo sofrendo certa pressão dos armênios, se saiu bem e também teve importância no jogo ofensivo, tanto na saída de bola com Andrea Barzagli e Leonardo Bonucci, este especialmente, como nas jogadas laterais com Christian Maggio e Domenico Criscito, que foram bastante acionados.

No ataque, sem Mario Balotelli (febre), Pablo Osvaldo e Sebastian Giovinco (posteriormente El Shaarawy) ficaram devendo o esperado, apesar de terem participado de algumas boas chances. E não foi por que a bola não chegou, pelo contrário. A dupla acabou sendo displicente em alguns momentos da partida, o que também ajudou a dar alguns sustos na defesa italiana, uma vez que a Armênia contragolpeava com eficiência e rapidez, fazendo Gigi Buffon trabalhar.

Desde o primeiro minuto, a Itália já conseguia se impor, quase sempre em jogadas pelo centro, enquanto os laterais davam boas opções de passe pelos flancos. Osvaldo ficava mais fixo entre os zagueiros, e Giovinco encostava nos meio-campistas.

Porém, foi na bola parada que Roman Berezovski fez sua primeira grande defesa, logo aos 5 minutos, em cobrança de falta precisa de Pirlo, na meia-lua da entrada da área. Pouco depois, Criscito foi acionado por Giovinco na ponta esquerda e centrou para Montolivo, que, de calcanhar quase marcou, mas, atento, o arqueiro armênio defendeu. No rebote, contudo, Montolivo chutou e a bola bateu no braço de Mkoyan. Verdadeiramente pênalti ou não, o árbitro assinalou a penalidade e, na cobrança, Pirlo inaugurou o placar em batida perfeita, no canto direito.

A Nazionale seguiu tendo o controle da partida, controlando a posse de bola e esporadicamente criando oportunidades de gol. Os anfitriões, por sua vez, passaram a apertar na marcação e sair em rápidos contragolpes. Dessa forma, após Maggio ter batido cabeça com Yura Movsisyan, a defesa parou e o craque armênio, Henrik Mkhitaryan, recuperou a bola, passou por Barzagli e finalizou na saída de Buffon, igualando o placar.

Após o empate e ainda no segundo tempo, o ritmo do jogo não se alterou: a Itália continuava controlando a posse e criava a maioria das jogadas, enquanto a Armênia se postava bem atrás e saía em contra-ataques com Mkhitaryan, principalmente, Aras Özbiliz e Davit Manoyan.

Aos 64 minutos, no entanto, em descida de Maggio pela direita, Pirlo o acompanhou e, pouco antes da entrada da área, recebeu do ala do Napoli. O regista levantou a bola na área com precisão (novamente e, enquanto a defesa de preocupou com Osvaldo, De Rossi se infiltrou nas costas dos defensores adversários, acertando bom cabeceio e colocando a Itália em vantagem novamente.

O gol de alívio, porém, só foi sair aos 81 minutos. Em cobrança de falta pela esquerda, De Rossi colocou a bola na cabeça de Osvaldo, que, desta vez, venceu Berezovski, ampliando o placar em favor da seleção de Prandelli.

Com os três pontos garantidos, a Itália se manteve na primeira colocação do Grupo B, agora isolada na liderança com 7 pontos em 3 jogos, à frente de Bulgária (5pts, 3j), República Tcheca (4pts, 2j), Armênia (3pts, 3j), Dinamarca (2pts, 2j) e Malta (0pts, 3j), e com o melhor ataque (7 gols marcados) e a melhor defesa (3 gols sofridos), ao lado da Bulgária, entre os selecionados que fizeram 3 jogos.

O próximo jogo será nesta terça-feira (16), contra a Dinamarca. Um detalhe interessante é que a Squadra Azzurra voltará a jogar em Milão, no Giuseppe Meazza, o que não acontece desde setembro de 2007, quando a equipe de Roberto Donadoni ficou no zero com a França, pelas eliminatórias para a Euro 2008.

Ficha do jogo: Armênia 1-3 Itália

Armênia (4-4-1-1): Berezovski; Aleksanyan, Mkoyan, Arzumanyan, Artak Edigaryan; Özbiliz, Mkrtchyan, Artur Edigaryan (Manucharyan), Manoyan (Sarkisov); Mkhitaryan; Movsisyan.
Técnico: Vardan Minasyan.

Itália (4-3-1-2): Buffon; Maggio, Barzagli, Bonucci, Criscito; De Rossi, Pirlo (Giaccherini), Marchisio; Montolivo (Candreva); Osvaldo, Giovinco (El Shaarawy).
A disposição: De Sanctis, Viviano, Sirigu, Chiellini, Ranocchia, Balzaretti, Abate, Verratti, Diamanti, Gilardino, Destro.
Técnico: Cesare Prandelli.

Gols do jogo, aqui. Classificação e outros jogos do Grupo B, aqui.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

7ª rodada: Vitória no primeiro turno

Samuel cumprimenta Juan: o argentino venceu todos os dérbis de Milão que disputou e, neste domingo, marcou o gol da vitória, além de ter sido muito sólido na defesa (Reuters)
Em um domingo de eleições por todo o Brasil, a Serie A poderia até estar ofuscada. Não fosse, claro, o dérbi de Milão, entre Milan e Inter, um dos principais clássicos do futebol mundial. Tal qual um candidato que começou bem nas pesquisas e sofreu alguns baques no meio da campanha, mas não o suficiente para fazê-lo perder, a Inter venceu o Milan neste primeiro turno. Uma vitória importante, pelo modo como o jogo se desenvolveu, e porque deixa a Inter ainda próxima de Juventus e Napoli. Confira o resumo do dérbi e das outras partidas da rodada.

Milan 0-1 Inter
Logo no início do jogo, o placar acabou por se definir. Aos 3 minutos, após uma cobrança de falta, Abbiati saiu mal e Samuel, de cabeça, abriu uma tarde de bons presságios para os torcedores nerazzurri. Sempre que jogou o dérbi de Milão, o zagueiro argentino venceu - com esta, do domingo, foram 10 partidas. Abbiati, que fez uma partidaça na quarta, contra o Zenit, entregou o ouro mais uma vez, aos 6, quando errou passe e deixou Milito cara a cara com ele. O Príncipe, que já tem seis gols contra os rossoneri, desperdiçou a chance, de maneira incrível. Depois, sobretudo com Montolivo, o Milan melhorou, e Paolo Valeri apareceu de forma negativa.

Primeiro, o árbitro marcou falta inexistente de Emauelson sobre Handanovic, em lance no qual Montolivo marcaria um golaço, na sequência. E, no segundo tempo, aplicou um segundo cartão amarelo muito rigoroso por toque de mão de Nagatomo, deixando a Inter com 10 por 43 minutos. Desde então, Stramaccioni fechou a Inter, taticamente perfeita no jogo, e viu Handanovic, Ranocchia e Samuel terem uma ótima atuação, suficiente para segurar o resultado. Na próxima rodada, a Inter recebe o Catania, 8º colocado, e o Milan visita a Lazio, 3ª, frente à Inter por critérios de desempate.

Siena 1-2 Juventus
O que mais chamou a atenção na partida realizada no Artemio Franchi foi a atuação de Paolo Mazzoleni. O árbitro, confuso, inverteu algumas faltas, beneficiou a Juventus em algumas decisões e não expulsou Chiellini. Pirlo, no começo do jogo, deu a vantagem aos bianconeri de Turim. Os jogadores do Siena provavelmente não assistiram o jogo contra a Roma, pois o gol do volante foi idêntico: falta na entrada da área e cobrança por debaixo da barreira. Na sequência, Giovinco errou o alvo por duas vezes. Ainda no primeiro tempo, Chiellin deveria ter sido expulso. Com a arbitragem confusa, Serse Cosmi ficou irritado e ele acabou levando o cartão vermelho.

De Ceglie saiu no intervalo, pois deixou um corredor na ala esquerda. Corredor, esse, pelo qual saiu o gol de empate de Calaiò, após cruzamento de Ângelo, minutos antes. Com Asamoah, a Juventus fez pressão a segunda etapa inteira, mas a rede só balançou quando Marchisio, sem marcação na grande área, chutou forte para vencer Pegolo. Giovinco errou finalizações, mas apresentou um futebol melhor do que nos últimos jogos, se movimentando bastante e dando trabalho para Neto, Felipe e Paci. Na próxima rodada, o Siena viaja para jogar contra a Atalanta; a equipe de Turim recebe o também invicto Napoli, na Arena.  (Murillo Moret)

Napoli 2-1 Udinese
O Napoli mais uma vez não foi brilhante, mas contou com um Hamsík inspirado para continuar na empatado n liderança com a Juventus. Na próxima rodada, em duas semanas, as duas equipes entram em campo para o confronto direto que pode valer a liderança isolada. Neste domingo, a partida acabou decidida em favor dos azzurri no primeiro tempo. Aos 30, após boa triangulação entre Maggio e Cavani, Hamsík completou para as redes.

A Udinese, que não demonstrou cansaço após a ótima vitória de quinta, na Liga Europa, contra o Liverpool, mostrou seu grande poder de reação e empatou, aos 43, mas Pandev respondeu em seguida, dando números finais ao jogo. No segundo tempo, o duelo tático levou a uma partida equilibrada, mas sem grandes chances para ambas as equipes. Na próxima rodada, se os napolitanos tem vida difícil contra a Juve, a Udinese, 14ª colocada, pode se redimir em casa diante do Pescara, 13º.

Pescara 0-3 Lazio
Contra um Pescara mais uma vez confuso, a Lazio precisou de muito pouco para vencer. Logo no início, com uma excelente cobrança de falta de Hernanes, a equipe celeste abriu o placar, podendo se impor. Nem mesmo o ódio dos torcedores pescareses frente à Lazio, sua maior rival - que não enfrentava há 20 anos -, conseguiu deter os visitantes. Muito desorganizado, o Pescara viu Klose decidir a partida, com um gol após infilitração de Candreva e outro após cobrança de escanteio, na qual Terlizzi o deixou desmarcado. No segundo tempo, a Lazio apenas administrou, e o Pescara, embora tenha melhorado, não conseguiu diminuir o placar.

Muito bem na tabela, na terceira colocação, por critérios de desempate em relação à Inter, a Lazio até agora enfrentou apenas adversários bastante acessíveis. O primeiro jogo mais complicado será em duas semanas, contra o Milan, 11º colocado, no Olímpico. Um bom resultado pode dar mais suporte para entender até onde essa Lazio pode chegar. Já o Pescara, 13º, com 7 pontos, visitará a Udinese, em mais uma tarefa complicada. Ao menos, desta vez, Giovanni Stroppa poderá contar com Weiss, que estava suspenso.

Roma 2-0 Atalanta
Desta vez, a sorte estava com a Roma - se é que existe sorte no futebol. Nos primeiros 20 minutos, a Atalanta soube como parar os giallorossi de Zdenek Zeman: esperando por uma chance para contra-atacar. Só que o caminhão de gols perdidos pela equipe visitante sacramentou o resultado ainda na etapa inicial. Há de ser dito, também, que Stekelenburg salvou outras várias oportunidades que a Atalanta criou neste período de tempo, com Denis, Moralez e Schelotto. Quando Cigarini e Cazzola deram um pouquinho de espaço para Totti, o capitão colocou Lamela na cara de Consigli. A bola bateu na canela do argentino e entrou? Sim, gol feio também vale, como diz o ditado.

Na etapa complementar, a Atalanta mal ameaçou Stekelenburg, Castán e Marquinhos, emulando o segundo tempo da derrota para o Torino na última rodada. Destro, com um balaço de fora da área, acertou o travessão. No lance seguinte, o camisa 22 chutou novamente de longe, Consigli deu rebote e Bradley, que fez boa partida ao lado de Tachtsidis - De Rossi foi barrado -, completou para o gol. Na próxima rodada, a Atalanta enfrenta o Siena; a Roma vai ao Marassi encarar o Genoa. (MM)

Fiorentina 1-0 Bologna 
O outro dérbi da rodada não tem nem de perto o glamour daquele milanês. E, também, não teve a mesma qualidade, embora o placar tenha sido o mesmo. A Fiorentina foi a dona do jogo e o Bologna levou perigo a Viviano, ex-goleiro do clube, uma vez sequer, em cobrança de falta de Diamanti. "Autoritária", a equipe viola marcou logo no primeiro tempo, depois que um cobrança de escanteio desviou em Roger Carvalho e sobrou para Jovetic marcar seu primeiro gol após três rodadas.

Dali para frente, a Fiorentina teve um volume de jogo muito alto, mas muitas chances desperdiçadas, seja pela boa partida de Agliardi, seja pela falta de mira de seus jogadores. Toni também teve um gol bem anulado, na segunda etapa. Na próxima rodada, a Fiorentina, 5ª colocada, com 11 pontos, visitará o Chievo, ciente de que terá de ser mais objetiva em suas finalizações, para não desperdiçar pontos. Já o Bologna, 12º, visita o Cagliari, 17º.

Chievo 2-1 Sampdoria
Na estreia de Eugenio Corini à frente do time, o Chievo voltou a vencer, após cinco derrotas seguidas, e conquistou três pontos importantes para sair da zona de rebaixamento. Mas os méritos não são todos do técnico, claro. Aliás, sequer são do conjunto do Chievo. Afinal, a Sampdoria jogou muito mal, em ritmo lento e sem criatividade, não podendo servir de comparação para avaliar a evolução do futebol do Chievo.

O time da casa, inclusive, poderia nem ter vencido a partida se não fosse a falha de Romero no final do jogo, que deu um gol de presente para Di Michele, em chute de longe. Théréau havia aberto o placar e Maresca empatado a partida, antes. De qulquer forma, a vitória serve para elevar o moral do time, que agora marca 6 pontos e está um à frente da zona da degola. Pelo lado da Samp, o momento é outro. A equipe perdeu a segunda partida seguida e já está a quatro sem vencer. (Rodrigo Antonelli)

Genoa 1-1 Palermo
Em bom jogo no Marassi, o empate foi o resultado mais justo. As duas equipes foram ao ataque e procuraram o gol durante todo o tempo. Mesmo jogando em casa, o Genoa começou a partida muito recuado e deu espaço para o Palermo produzir, tentando evitar a vitória de Gian Piero Gasperini, hoje no Palermo, em sua primeira visita ao Marassi desde que deixou o Genoa, dois anos atrás. Não demorou para os visitantes abrirem o placar, então: Ilicic curzou da esquerda e Giorgi cabeceou para os fundos da rede de Frey.

Na segunda etapa, o Genoa voltou melhor e logo no início alcançou o empate, com Borriello, também de cabeça. O empate, porém, não foi bom para o time genovês, que chega a sua terceira rodada sem vencer (foram três empates) e fica estagnado na parte do meio da tabela. O Palermo, por outro lado, pode comemorar. Depois de péssimas partidas fora de casa, o time finalmente conseguiu jogar bem longe de seus domínios e marcou o primeiro ponto e o primeiro gol longe no Barbera. (RA)

Catania 2-0 Parma
Jogando em casa, o Catania é letal: já são três vitórias no Massimino. Desta vez, sobre o Parma, o resultado começou a ser definido desde cedo, quando, aos 2 minutos, Barrientos fez boa jogada e tocou para Gómez abrir o placar. Com a vantagem, os etnei se recolheram, apostando em contra-ataques puxados pela veloz dupla argentina e pelo capitão Izco. Os parmiggianos conseguiram oito escanteios na primeira etapa, mas em nenhum deles levaram perigo a Andújar. No segundo tempo, Benalouane foi expulso por uma falta boba em Gómez e, logo depois, o Catania chegou ao segundo, com Bergessio, decretando a vitória siciliana. Na próxima rodada, o Catania, 7º colocado, com 11 pontos, visita a Inter, enquanto o Parma, 15º, com 6 pontos, recebe a Sampdoria, 8ª colocada.

Torino 0-1 Cagliari
Na primeira partida de Diego López e Ivo Pulga no comando do Cagliari, a equipe enfim conseguiu vencer. A primeira vitória da temporada chegou graças a pênalti polêmico, e convertido pelo brasileiro Nenê. Contra um Torino ultraofensivo, a equipe sarda pode comemorar o fato de a defesa ter contido muito bem o 4-2-4 de Gian Piero Ventura e, pela primeira vez na temporada, não ter sofrido gols - nas outras rodadas, foram oito sofridos. Um recomeço importante, que coloca o time com 5 pontos, uma posição acima da zona de rebaixamento, duas semanas antes de um importante jogo, contra o Bologna, 12º colocado. Já o Torino segue com 8 pontos, na 10ª posição, e na próxima rodada visita o Palermo, 17º.

Relembre a 6ª rodada aqui.
Confira estatísticas, escalações, artilharia, além da classificação do campeonato, aqui.

Seleção da rodada
Handanovic (Inter); Astori (Cagliari), Ranocchia (Inter), Samuel (Inter); Izco (Catania), Hernanes (Lazio), Borja Valero (Fiorentina), Hamsík (Napoli); Totti (Roma), Klose (Lazio), Théréau (Chievo). Técnico: Andrea Stramaccioni (Inter).

sábado, 6 de outubro de 2012

Jogadores: Rudi Völler

Völler chegou à Itália consagrado e vestiu por cinco anos a camisa da Roma, se tornando bandeira da equipe e conquistando a Copa do Mundo no Belpaese (Tiscali)
Rudolf Völler, mais conhecido como Rudi, era um atacante que ia a campo com um único objetivo: balançar as redes adversárias. A precisão sempre foi grande, de cabeça, arrematando com a perna direita ou a canhota. À sua capacidade finalizadora, o alemão combinava bons dribles também uma postura incansável em campo, jamais desistindo das jogadas ofensivas. Com todas essas qualidades, Völler se tornou ídolo da Roma, também se notabilizando por ser um dos líderes da equipe, o que lhe rendeu o posto de capitão em algumas ocasiões.

Völler descobriu o futebol muito cedo e, aos seis anos, já jogava pelo clube de sua cidade natal, o TSV 1860 Hanau. Depois de ter passado nove anos no setor juvenil do clube, ele se transferiu para o Kickers, de Offenbach, cidade muito próxima a Hanau. Foi lá que ele se profissionalizou, em 1977, e ficou por três anos, nos quais jogou na segunda divisão do campeonato alemão e marcou 19 gols. Aos 20 anos, o Munique 1860 o contratou.

No primeiro ano em Munique, Völler fez apenas 9 gols e os Löwen acabaram rebaixados. Na segunda divisão, em 1981-82, o clube bávaro não retornou para a Bundesliga, mas o atacante foi artilheiro da competição, marcando 37 gols em 37 jogos. Os tentos chamaram a atenção do Werder Bremen, que o contratou para liderar o ataque do time na elite. Em sua primeira temporada, Völler marcou 23 gols e quase levou o time ao título da Bundesliga - o Hamburgo acabou campeão pelo saldo de gols. Ainda em 1983, o atacante passou a ser regularmente convocado à seleção da Alemanha Ocidental, o que lhe deu notoriedade mundial.

Na Eurocopa de 1984, Völler jogou três partidas e marcou duas vezes, na curta campanha germânica. Dois anos depois, na Copa do Mundo de 1986, o atacante marcou três vezes com destaque para o gol marcado na final contra a Argentina: Völler saiu do banco para empatar a partida aos 80 minutos, somando seu gol ao do interista Rummenigge, e levar o jogo para a prorrogação, vencida pela albiceleste.

Após o Mundial mexicano, Rudi Völler retornou à Alemanha para jogar sua última temporada pelo Werder Bremen, quando marcou 22 gols e levou o time a mais um vice-campeonato, obtido pelo déficit no saldo de gols em relação ao Bayern Munique. Ao todo, Völler permaneceu cinco temporadas na equipe alviverde e ajudou o time a conquistar três vice-campeonatos com 97 gols marcados. O atacante foi eleito ainda o melhor jogador da Alemanha em 1983 e se sagrou artilheiro da Bundesliga na temporada 1983-84.

Seu futuro estava na capital italiana: a Roma, através do presidente Dino Viola, contratou o atacante. Rudi Völler chegou à Itália já consagrado, mas não teve um período inicial marcado por facilidades. Uma lesão impediu que ele jogasse mais do que 21 vezes e marcasse apenas três gols, coadjuvante em uma temporada em que a Roma chegou à terceira posição, comandada por Giuseppe Giannini. Nos anos seguintes, as lesões não o atrapalharam e, embora não tenha feito tantos gols quanto na Alemanha, Völler ganhou a torcida giallorossa, que lhe apelidou de “Alemão voador”. Na Euro 1988, sediada pela Alemanha Ocidental, Völler marcou uma doppietta contra a Espanha, que definiu a classificação germânica para as semifinais, quando a seleção saiu derrotada contra a Holanda dos milanistas Marco van Basten, Ruud Gullit e Frank Rijkaard.

Em 1989-90, os 14 gols do atacante alemão ajudaram a equipe chegar na sexta colocação da Serie A, dando o direito de disputar a Copa Uefa seguinte. Antes de conquistar seu primeiro título pela Roma, Völler foi convocado à Copa do Mundo de 1990, disputada na Itália. O atacante vestiu a camisa nove, ficou de fora de apenas uma partida - por suspensão, depois de uma confusão armada depois de cusparada de Rijkaard, nas quartas de final - e marcou três gols.

Na revanche contra a Argentina, na final, Völler foi decisivo: sofreu o pênalti decisivo nos últimos minutos, convertido pelo interista Andreas Brehme. O título, já emocionante em si, por causa da unificação alemã, foi ainda mais marcante para o "Alemão voador", já que a conquista foi alcançada na casa da sua Roma, o estádio Olimpico.

Após a Copa, o atacante continuou em grande fase e, enfim, ganhou seu primeiro título por clubes. Na temporada 1990-91, Völler voltava aos trabalhos com o título mundial e teve sua temporada de ouro com a Roma, chegando a 25 gols em todas as competições, em 52 partidas disputadas. Seu único título com o clube giallorosso foi a Coppa Italia, conquistada frente à Sampdoria, campeã italiana. Völler com um gol em cada jogo das finais, foi fundamental para a conquista.

Atacante alemão teve atuação destacada contra a Samp (Eurosport)
A equipe capitolina ainda poderia ter terminado a temporada com uma taça europeia. Até chegar à final da Copa Uefa contra a Inter, a campanha beirava a perfeição: dez jogos, oito vitórias e apenas dois empates. Völler também empolgava, tinha dez gols e era o artilheiro. Nas finais contra a Inter, o camisa nove romanista não balançou as redes e viu seus compatriotas Matthäus, Klimsmann e Brehme levantarem a taça. Na Serie A, a campanha não foi boa e os giallorossi terminaram apenas com o nono lugar.

O “Alemão voador” ainda defendeu os giallorossi por mais uma temporada, quando foi negociado com o Olympique de Marseille, permitindo que a Roma contratasse outro estrangeiro, Claudio Caniggia, que estava na Atalanta. Na França, ele chegou para substituir Jean-Pierre Papin, que fazia o caminho inverso e defenderia o Milan na Itália. Defendendo o OM, venceu a Liga dos Campeões e o Campeonato Francês - este último, posteriormente revogado pelo envolvimento do clube com um escândalo de combinação de resultados. A equipe acabou rebaixada à Ligue 2 e impedida de disputar competições europeias.

Pela seleção alemã, Völler, lesionado, foi ainda cortado de última hora do grupo que foi vice-campeão da Euro 1992, mas chegou a disputar sua terceira Copa do Mundo, em 1994. Nos Estados Unidos, foi reserva da seleção e marcou apenas dois gols, nas oitavas de final contra a Bélgica. Após o Mundial, Völler se aposentou da seleção com 90 partidas disputadas e 47 gols realizados, o que o coloca no posto de segundo maior atacante da história da Nationalelf, apenas atrás de Gerd Müller.

A vida fora do campo
O escândalo em Marselha fez Völler deixar a França e finalmente voltar à Alemanha, onde defendeu por dois anos o Bayer Leverkusen e marcou 26 gols antes de encerrar sua carreira. Na equipe das aspirinas, o ex-atacante iniciou seu trabalho fora de campo, logo após a aposentadoria. Primeiro ficou até 2000 como diretor de futebol, ano em que se tornou treinador da equipe. Após o fracasso da Alemanha na Euro 2000, foi apontado como novo técnico da seleção.

Völler comandou a Nationalelf na Copa de 2002 e conseguiu levar uma equipe desacreditada, pelos maus resultados nas Eliminatórias, ao vice-campeonato. Após seu grande trabalho, o grande desafio seria a Eurocopa de 2004. Porém, sem conseguir definir um esquema tático, a Alemanha caiu na primeira fase sem nenhuma vitória. Os resultados também derrubaram o treinador.

No mesmo ano, Rudi Völler teve a chance ideal de se recuperar como técnico. A Roma, clube em que é ídolo e afirma que sempre estará em seu coração, o contratou para substituir Cesare Prandelli por um ano, enquanto o ex-treinador cuidaria da esposa doente. Porém, o alemão não conseguiu nem passar perto de repetir o sucesso que teve dentro de campo. Ficou no comando por apenas quatro jogos e entre 12 pontos possíveis, só alcançou quatro. Além disso, Völler não conseguiu conquistar o grupo e Cassano foi um dos que mais incomodou o treinador. Em 26 de setembro de 2004, após a derrota de 3 a 1 para o Bologna, o ídolo acabou se demitindo.

Depois do fracasso romanista, ele voltou ao Bayer Leverkusen, onde comandou a equipe como interino em 2005. Hoje, Völler segue na diretoria do time da cidade e mantém forte popularidade entre a população alemã, que não perdeu mesmo com o fracasso treinando a seleção nacional.

Rudi Völler
Nascimento: 13 de abril de 1960, em Hanau, Alemanha
Posição: atacante
Clubes como jogador: TSV 1860 Hanau (1966-75), Kickers Offenbach (1975-80), Munique 1860 (1980-82), Werder Bremen (1982-87), Roma (1987-92), Olympique Marseille (1992-94) e Bayer Leverkusen (1994-96)
Carreira como treinador: Bayer Leverkusen (2000), Seleção alemã (2000-04), Roma (2004) e Bayer Leverkusen (2005)
Títulos: Copa do Mundo (1990), Liga dos Campeões (1992-93), Campeonato Francês (1992-93; revogado pela Federação Francesa por fraude) e Coppa Italia (1990-91).
Seleção alemã: 90 partidas e 47 gols

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Serie B: Em busca da consolidação

Pelo conjunto montado por Fulvio Pea e aprimorado por Eusebio Di Francesco, o Sassuolo é a grande sensação deste início da Serie B (LaPresse)
Duas equipes em especial vêm chamando a atenção desde a temporada passada na Serie B: Sassuolo e Hellas Verona. De boas campanhas em 2011/12, as equipes acabaram parando nos play-offs para Sampdoria e Varese. Neste início da segundona italiana, contudo, os clubes de Emília-Romanha e Vêneto vêm mostrando bom desempenho.

Após 7 rodadas, o surpreendente Sassuolo lidera o campeonato com 19 pontos – 6 vitórias e 1 empate –, fruto do crescimento dos neroverdi nos últimos 5 anos. Desde 2007/08, quando conquistou o acesso inédito para a Serie B sob o comando de um ainda mais jovem Massimiliano Allegri, a equipe tem feito campanhas sólidas, à exceção de 2010/11, mas destacando-se nas temporadas anterior e posterior, com os técnicos Stefano Pioli e Fulvio Pea.

Nesta temporada, o ex-Lecce e também jovem Eusebio Di Francesco assumiu o comando técnico e, mantendo a base montada por Pea, vem gozando da boa situação da equipe. Num 4-3-3 eficiente no ataque e bem postado na defesa, o Sassuolo tem o segundo melhor ataque da Serie B com 13 gols marcados, tendo sofrido apenas 2, sendo a melhor defesa nessas 7 rodadas.

Com um elenco recheado de jovens, o clube busca se consolidar no futebol italiano após o franco crescimento, e a subida para a Serie A, caso mantenha o elenco, a administração e consiga conciliar tudo isso na elite nacional, tem tudo para se desenvolver ainda mais. Principalmente porque a equipe tem uma política de valorizar a base e apostar num futebol agradável, apostando em técnicos promissores.

Logo atrás, na 3ª colocação, aparece o ex-invicto Hellas Verona, com 15 pontos – 4 vitórias, 3 empates e 1 derrota, justamente nesta sexta, em virada sofrida no último segundo ante o Padova de Fulvio Pea, ex-Sassuolo. Campeão italiano em 1984/85, o clube, refundado em 1991, passou por problemas financeiros recentemente e viu seu principal rival, o Chievo Verona, se consolidar na Serie A. Todavia, com um projeto interessante da diretoria, os gialloblù vêm conseguindo se reerguer rapidamente.

Depois de bater na porta por duas vezes, o ex-líbero interista Andrea Mandorlini assumiu o comando técnico do time em 2011, ainda na temporada 2010/11, conseguindo, assim, heroica volta para a Serie B, o que não acontecia desde 2007. Mandorlini conseguiu dar um padrão tático à equipe e, também no 4-3-3, se tornou um dos principais destaques em 2011/12, com uma equipe muito criativa e vertical, ainda que vacilante na defesa. A irregularidade pesou e a os Mastini acabaram caindo de rendimento no final da temporada, caindo nos play-offs.

Veio 2012/13 e a diretoria, também buscando se reconsolidar no cenário italiano, investiu pesado na janela de transferências, reforçando muito bem a já boa equipe montada por Mandorlini. Ainda um pouco irregular, o Verona mostrou boa evolução defensiva – 5 gols sofridos até o presente momento – e continua se destacando no ataque, com 12 gols marcados.

Revelado pela Inter, Siligardi finalmente consegue mostrar seu valor. Nesta temporada, como ponta-direita do 4-3-3 amaranto, é o artilheiro da Serie B com seis gols. (LaPresse)
Entre Sassuolo e Verona, aparece o impetuoso Livorno. Rebaixado na Serie A em 2009/10 e vindo de uma campanha fraca em 2011/12, o time amaranto parece ter superado a perda traumática de Piermario Morosini e sob novo comando, do quase estreante Davide Nicola, o clube toscano vem sendo uma das sensações desta Serie B, com um futebol primando pelo jogo ofensivo, sendo bem agressivo no ataque. É outro que atua no 4-3-3.

Não obstante, tem o melhor ataque do campeonato com 16 gols em rodadas, também sofrendo um alto número de gols: 10. Com 5 vitórias, 1 empate e 1 derrota, a equipe tem tudo para se consolidar como uma espécie de sucessor do Pescara de Zdenek Zeman, com seu “futebol-espetáculo”. Apesar disso, terá que procurar reforçar seu sistema defensivo, algo essencial numa competição com mais de 42 jogos, na qual a irregularidade sempre procura atrapalhar.

Falamos das principais equipes que vêm se destacando neste início da Serie B – e vale mencionar também equipes como Bari, Padova e Varese, superando a perda de pontuação devido ao envolvimento no mais novo escândalo de manipulação de jogos, e dos “novatos” Ternana e Spezia –, mas também há os que merecem destaque negativo.

Quase rebaixado para a Lega Pro Prima Divisione na temporada passada, o Empoli, após temporadas regulares nos últimos três anos desde o rebaixamento, parece não ter aprendido com o baque de 2012. Com míseros 2 pontos em 7 jogos – e vale lembrar que também foi punido na perda de 1 ponto; 3 empates e 4 derrotas – os azzurri só não ocupam a última colocação devido à perda de pontos do Grosseto.

E não são apenas os resultados que deixam os torcedores toscanos alerta, mas também pelo futebol (não) apresentado pelo time. Com um plantel razoável em mãos, Maurizio Sarri não vem conseguindo fazer o time jogar, ainda que tenha um padrão tático. Sem seu principal jogador, o veterano Francesco Tavano, Riccardo Saponara - meia-atacante da seleção sub-21 italiana, treinada por Devis Mangia - é um dos poucos (senão o único) destaques do clube na temporada.

A Lega Pro Prima Divisione está mais próxima do que imaginam, e pensar numa reação da equipe pelas atuais circunstâncias é um tanto complicado. Outra equipe que precisa se ligar é o Cesena, que esboçou uma reação ao vencer na última rodada em casa. Porém, necessita de mais caso não queira ser mais um exemplo de clubes mal-preparados que sobem para a Serie A e que retrocedem duas vezes, em seguida.

Emprestado pela Roma ao Padova, o jovem Viviani, da seleção de Mangia, chegou e já mostrou ao que veio, tomando conta do meio-campo dos biancoscudati. Tem tudo para ser a revelação do campeonato (LaPresse)
Entre os destaques individuais aparecem o ex-interista Siligardi (Livorno), artilheiro do campeonato com 6 gols, seguido por Cacia (Verona), Malonga (Vicenza), Pavoletti (Sassuolo), González (Novara) e Sansovini (Spezia), todos com 5 gols cada.

Confira estatísticas, escalações, artilharia, além da classificação do campeonato, aqui. Para os gols e melhores momentos, aqui.

Seleção da Serie B até aqui
Pomini (Sassuolo); Terranova (Sassuolo), Maietta (Verona), Polenta (Bari), Longhi (Sassuolo); Koné (Varese), Jorginho (Verona), Viviani (Padova); Siligardi (Livorno), González (Novara), Sansovini (Spezia). Técnico: Eusebio Di Francesco (Sassuolo).

Balanço tático das 7 rodadas
4-3-3 (Sassuolo, Livorno, Verona, Bari, Virtus Lanciano), 3-5-2 (Vicenza, Brescia, Ascoli, Cesena, Reggina), 3-4-3 (Cittadella, Ternana, Padova, Modena), 4-3-1-2 (Spezia, Novara, Pro Vercelli), 4-4-2 (Varese, Juve Stabia), 4-2-3-1 (Grosseto, Crotone) e 4-4-1-1 (Empoli).