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sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Dérbis: Juventus x Torino

No clássico mais antigo da Itália, já aconteceu de tudo: goleadas inesquecíveis, brigas que criaram ídolos e reviravoltas memoráveis. Na foto, Scirea e Benetti combatem Graziani (Calcioblog.it)
Depois de três anos e nove meses de jejum, volta a ser disputado, amanhã, o Derby della Mole, nomeado em homenagem ao monumento símbolo da cidade de Turim, a Mole Antonelliana. A primeira partida entre os rivais da cidade no Juventus Stadium acontece com as equipes em situações bem distintas na tabela, diferentemente do que ocorria na primeira metade do século XX, quando os dois times configuraram o primeiro grande clássico do país e lutavam constantemente por títulos. 

Com 32 pontos somados, a Juve joga para manter a liderança do campeonato e se recuperar da derrota diante do Milan, na última rodada. O Torino, por sua vez, ocupa só a 14ª colocação e luta para continuar longe da zona de rebaixamento (no momento, a distância para a zona da degola é de apenas quatro pontos). A expectativa é de estádio lotado. 

Significado do atual dérbi
Sem muitas pretensões no campeonato (pelo que mostrou até aqui, não tem time para brigar em cima, mas também não parece candidato forte ao rebaixamento), os clássicos contra a Juventus podem ser os momentos mais interessantes para o Torino na competição. Com bom trabalho do técnico Gian Piero Ventura, que chega a seu segundo ano com os granata, o time reconquistou seu lugar na Serie A e já mostra forças para ficar por mais tempo.

Jogando em um 4-4-2 bastante ofensivo até, o time tem feito bons jogos (como o da última rodada, contra a Fiorentina) e, curiosamente, se destaca pela solidez defensiva. Até aqui, a equipe sofreu apenas 14 gols, número superior apenas aos de três dos quatro primeiros colocados do campeonato - Juventus, Napoli e Fiorentina. Na frente, a perda de Antenucci (artilheiro da temporada passada) não tem feito muita falta. Bianchi reencontrou o caminho dos gols e já balançou as redes quatro vezes nessa Serie A.

Para o jogo de amanhã, o time vai completo e aposta no bom momento de Cerci e Santana, que apóiam muito pelas alas, para surpreender a retaguarda juventina. O ótimo Gillet no gol e a boa dupla de zaga formada por Glik e Ogbonna prometem dar trabalho ao ataque da Velha Senhora, que ainda não se encontrou nessa temporada e deve entrar em campo com Vucinic e Giovinco.

Antonio Conte: seus dois primeiros gols na Serie A foram exatamente
contra o Torino, em 1993. Amanhã, vai ter que assistir tudo de longe
Do lado da Juve, pesa a favor o bom trabalho de Antonio Conte, que assumiu um time moralmente devastado no início da temporada passada e o transformou na melhor equipe do país - o dérbi, inclusive, será a última partida do campeonato em que Conte cumprirá suspensão. O destaque é o meio de campo, considerado um dos melhores da Europa atualmente, com Pirlo em grande forma, Marchisio e Vidal atuando como motores do time e alas bastante ofensivos. Bonucci, Barzagli e Chiellini também se entrosaram e dão bastante segurança a Buffon.

O principal problema da equipe continua sendo lá na frente. Vucinic é nome certo entre os titulares, mas seu companheiro ainda não foi definido. Giovinco ainda não conseguiu mostrar o que se espera dele, Matri já teve seu momento, mas não aproveitou, e Quagliarella, apesar de ter os melhores números entre os atacantes, parece não ser o preferido do comandante. Dessa forma, é difícil prever um jogo com muitos gols amanhã. 

Os últimos dérbis
8ª rodada da Serie A 2008-09 (25/10/2008) - Juventus 1x0 Torino
Naquele distante 25 de outubro de 2008, Amauri ainda era o atacante e um dos principais jogadores da Juve. Foi ele quem marcou o único gol da partida e chegou ao ótimo número de sete gols em oito partidas no campeonato. A partida foi marcada por jogo muito físico e sem muita qualidade técnica. 

27ª rodada da Serie A 2008-09 (7/3/2009) - Torino 0x1 Juventus
Na partida de volta daquele campeonato, o goleiro granata Sereni fez ótima partida e conseguiu evitar a vitória juventina até os 36 minutos do segundo tempo, quando Chiellini conseguiu finalmente furar o bloqueio do Toro e marcou o gol da vitória. O resultado ajudou a afundar o Torino, que acabou rebaixado naquela temporada. A aventura na Serie B durou três anos.

Estatísticas gerais
Pela Serie A, os rivais de Turim já se enfrentaram 134 vezes, com 59 vitórias da Juve, 34 do Torino e 41 empates. A Juve marcou 200 gols e os granata balançaram as redes 143 vezes. Nos números totais, o duelo fica um pouco mais equilibrado: 225 jogos, 91 vitórias juventinas e 72 do Torino, com 341 gols marcados para o lado bianconero e 309 para o granata. O maior artilheiro do dérbi é Giampiero Boniperti, com 14 gols.

A Juve não perde um clássico para o Torino há 12 partidas (oito vitórias e quatro empates). A última viória do Torino aconteceu no dia 9 de abril de 1995. Nos últimos seis jogos, o Torino sequer conseguiu marcar um gol na Velha Senhora. Ou seja, o Torino não balança as redes contra a Juve desde 2002. Em compensação, o time granata é responsável pela maior derrota da história da Juve: 8 a 0, em 1912.

Personagens históricos
Além de Boniperti, maior artilheiro do dérbi e um dos maiores ídolos da história da Juve, nomes como Felice Borel, Michel Platini, Gianluca Vialli e Omar Sivori se destacaram no clássico vestindo bianconero. Borel foi um dos maiores artilheiros da Juve na década de 30 e é sempre lembrado por ter estabelecido um recorde que durou mais de 70 anos na Itália: com apenas 18 anos de idade, na sua estreia como profissional, marcou 29 gols em 28 jogos da Serie A, média que só foi superada por Vieri. Ele é vice-artilheiro da Juve no clássico, com oito gols.

Do lado do Torino, Paolino Pulici é o nome de maior destaque, com nove gols marcados, seguido por Francesco Graziani e Eugenio Mosso, com sete. Outros nomes lembrados pelos torcedores do Torino são os do meia-atcante Valentino Mazzola, autor de cinco gols, e do atacante Ruggiero Rizzitelli, que marcou cinco gols no confronto e foi o autor de uma doppietta na última vitória do Toro, em 1995.

Há também aqueles que entraram para a história do duelo por terem jogado pelos dois lados. Guglielmo Gabetto é um deles. Atacante de muita técnica e ótima presença de área, é um dos três únicos jogadores (ao lado de Alfredo Bodoira e Eugenio Staccione) que venceram o scudetto por Juve e Torino. Gabbeto totaliza 127 gols com a camisa granata, sendo o quarto maior artilheiro da história do time. No dérbi, ele assinalou nada menos que 12 gols (sete pela Juve e cinco pelo Toro). Na lista dos que vestiram as cores das duas equipes, também se destaca Silvio Piola, com três tentos pelo Torino e dois pela Juve.

Homenagem ao brasileiro Júnior, no centenário do Torino (Daylife)
Entre os brasileiros que disputaram o dérbi, José Altafini, pela Juve, e Walter Casagrande e Júnior, pelo Torino, são os mais lembrados. Os três foram ídolos de seu tempo e guardam na memória grandes momentos do clássico. Casagrande, em entrevista recente à Globo, escolheu o Derby della Mole como o mais importante de sua carreira. Em um dos jogos, em 1992, marcou os dois gols que garantiram a vitória granata em pleno Delle Alpi.

Dérbis marcantes
O clássico memorável mais recente ocorreu em 2001, no antigo Dell Alpi. A Juve vinha do vice-campeonato em 2000-01 e montou grande time para conquistar a Serie A de 2001-02. No primeiro tempo, a Velha Senhora abriu 3 a 0 no placar, com dois gols de Del Piero e um de Igor Tudor. "Nós fomos para o vestiário temendo uma goleada histórica", relembrou Cristiano Lucarelli em entrevista ao Tuttosport. No segundo tempo, porém, o próprio Lucarelli fez um gol que começou a reação do Torino. Marco Ferrante e Riccardo Maspero empataram a partida, que contou ainda com um pênalti perdido por Salas, do lado da Juve. Atualmente, pela grande queda técnica do Torino, as partidas tem sido muito previsíveis, com amplo domínio juventino.

Os torcedores do Torino guardam como boas recordações as décadas anteriores ao desastre de Superga, que matou o Grande Torino, em 1949, e 1970, porque a equipe granata foi superior - entre 1973 e 1979, a Juve não venceu um dérbi sequer e, entre 1975 e 1976, o Torino venceu quatro em sequência. Nestas épocas, sobretudo, a torcida granata se orgulhava de, em sua opinião, representar a vitória das mais as classes mais baixas, de origem operária, sobre os "burgueses" juventinos. Por isso, a reação do Toro em 1983, na centésima partida oficial entre os times, sobre uma Juventus treinada por Giovanni Trapattoni e que tinha um timaço - Dino Zoff, Antonio Cabrini, Claudio Gentile, Gaetano Scirea, Marco Tardelli, Roberto Bettega, Zbigniew Boniek, Paolo Rossi e, nada mais nada menos que Michel Platini -, com três gols marcados em quatro minutos, consagrando a vitória grana por 3 a 2, é tão lembrada até hoje.

As goleadas de 1912 e 1952 também ficaram na história. Na primeira, o Torino aplicou a maior derrota já sofrida pela Juve na história, com três gols de Eugenio Mosso III, dois gols de Francesco Mosso I, dois de Enrico Ruffa e um de Enrico Debenardi. Quarenta anos depois, a Juve deu o troco com uma goleada de 6 a 0, com bela atuação de Boniperti, que marcou duas vezes. Johan Hansen também marcou dois gols e Karl Aage Hansen e Pasquale Vivolo completaram o placar. Outros placares elásticos também não saem da memória dos torcedores mais antigos, como Torino 8-6 Juve (1913), Juve 2-7 Torino (1914) e Juve 4-3 Torino (1950).

Fora das quatro linhas, o dérbi reserva algumas histórias tristes. Em 1973, a Juve vencia a partida e Causio se aproximou do banco de reservas do Torino para comemorar o resultado e tripudiar dos adversários. O técnico granata, então, deu-lhe um soco na cara e a confusão começou. Giagnoni virou ídolo do Toro por causa daquela porrada. Outra partida marcada por confusões foi o dérbi de volta da temporada 2001-02. Trezeguet abrira o placar para a Juve, mas Ferrante e Benoît Cauet viraram para o Toro. Até que, aos 44 do segundo tempo, Maresca marcou um lindo gol de fora da área e saiu comemorando, em direção à torcida do Torino, como se fosse um touro - em referência ao símbolo do rival e à comemoração do capitão Ferrante. O jogador foi perseguido pelos adversários no vestiário e o ônibus da Juventus teve de ser escoltado na saída do Delle Alpi.

*Colaborou Nelson Oliveira.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Jogadores: Paul Gascoigne

Dentro e fora das quatro linhas, Gazza foi destaque por onde passou (foto: dailymail.co.uk)
Uma das figuras mais irreverentes do futebol, Paul Gascoigne era um gênio dentro de campo. Com seus dribles desconcertantes, remates certeiros, jogadas fantásticas e sempre muita vontade, ele foi um ícone de sua geração e ainda é amado por onde passou. Muito polêmico e irreverente dentro e fora de campo, descrito como "um hooligan que jogava futebol", o inglês sofreu com problemas sérios como o alcoolismo, que impediu que a sua carreira fosse mais vitoriosa. Muitos acreditam que ele poderia ser o melhor jogador do mundo.

Revelado nas categorias de base do Newcastle, onde ganhou uma Copa da Inglaterra sub-18, marcando dois gols na final, Gazza, como é conhecido, subiu rapidamente para o time principal, estreando na Premier League com menos de 18 anos. As boas atuações pelos Magpies fizeram Gascoigne despertar o interesse do Manchester United, mas o meio-campista acabou indo para o Tottenham. Nos Spurs, venceu uma Copa da Inglaterra - a última do clube. Mas o clube passava por problemas financeiros e decidiu vender seu craque. Houve muita especulação para que, em 1991, o fantasista fosse vendido à Lazio por cerca de 5,5 milhões de libras.

Sua chegada à Roma causou muito tumulto no aeroporto Fiumicino-Leonardo Da Vinci. Vários torcedores foram receber o novo craque do time biancoceleste. Foi amor à primeira vista. Devido a uma lesão, Gazza só pôde estrear pela Lazio em 1992, em um jogo contra o Genoa.

Alternando boas e más atuações, o meia só foi marcar seu primeiro com com a camisa azul e branca no final de novembro de 92. E o tento não poderia vir em uma ocasião melhor. A Lazio perdia o dérbi contra a Roma - o primeiro de Gascoigne - até o último minuto, com um gol de Giuseppe Giannini, pupilo da torcida giallorossa. Foi quando Giuseppe Signori cobrou falta que encontrou Gazza que, com uma cabeçada impiedosa, empatou a partida, correu em direção à Curva Nord e retornou ao gramado aos prantos; ele havia entrando para a história do Derby della Capitale.

Inglês sempre esteve no centro das atenções, onde quer que passasse (Interleaning)
Apenas uma semana depois, Gascoigne marcou um fantástico gol contra o Pescara - um dos mais belos já marcados por um laziale -, driblando quatro adversários até entrar na área e vencer o goleiro Marchioro. Sua genialidade e, muitas vezes, insanidade, fez a torcida da Lazio o idolatrar.

Em um jogo contra a Sampdoria, Gazza foi derrubado por Vladimir Jugovic e foi reclamar com o árbitro, que não marcou a falta. O juiz, ao invés de tirar do bolso um cartão, sacou uma goma de mascar e ofereceu ao jogador. O inglês, sem titubear, agradeceu e começou a mastigar o chiclete, esquecendo da falta. Em um dos mais famosos restaurantes de Roma, enfiou a mão em um aquário para escolher ele mesmo qual lagosta queria comer. Em entrevista a uma TV norueguesa, pouco antes de partida entre Inglaterra e Noruega, o repórter lhe pediu para dizer algumas palavras ao povo do seu país. Gazza respondeu com um simples "Claro. Foda-se, Noruega", e saiu rindo.

As já conhecidas noitadas em bares de Roma e o consumo excessivo de álcool atrapalharam sua estadia na Itália, e o fizeram ter um grande destaque na imprensa italiana. As seguidas lesões também não deixaram que o craque tivesse uma grande sequência com a Lazio. Uma dessas lesões que teve o obrigou a usar uma máscara durante as partidas. O primeiro jogo com o adereço foi contra o Ancona, em que a equipe romana venceu por 5 a 0 e Gascoigne jogou tão bem que, ao final do confronto, declarou, sorrindo, que nunca mais tiraria a máscara. Em sua primeira temporada em Roma, Gazza marcou quatro gols em 22 atuações.

Na época seguinte, o meio-campista colecionou 17 presenças e dois gols, o primeiro contra a Juventus, em uma vitória por 3 a 1. Seu sexto e último gol com a camisa biancoceleste foi um golaço de falta contra o Cagliari, em um jogo que contou com uma tripletta de Signori. Quando Gazza parecia estar se acertando, tanto em campo como fora dele, veio mais uma contusão: durante um treinamento, o inglês tentou dividir uma bola com a jovem promessa Alessandro Nesta e levou a pior, caindo no gramado berrando de dor. A lesão o deixou mais de um ano longe dos campos.

Em sua última temporada na Lazio, Gascoigne atuou em apenas quatro partidas, o que o fez retornar ao Reino Unido para jogar no Rangers, da Escócia. Depois, passou por Middlesbrough, Everton, Burnley, Gansu Tianma da China e encerrou a carreira no Boston United, em 2004. Ele também foi treinador durante algum tempo, mas sem sucesso.

Irreverência do meia foi marca registrada em toda sua carreira (Interleaning)
Com a seleção inglesa, chegou às semifinais da Copa do Mundo de 1990, na Itália. Em uma das cenas mais marcantes do torneio, o jogador chorou ao receber um cartão amarelo que o deixaria de fora da grande final. Chegou também às semifinais da Eurocopa de 1996 - e marcou um golaço contra a Escócia tão antológico quanto sua comemoração. Gascoigne ficou entre os melhores jogadores de ambas as competições.

Depois da aposentadoria, seus problemas com drogas e saúde cresceram. Ele admitiu que entre 1996 e 1999 espancava sua ex-esposa quando bêbado e também se afundou ainda mais nos vícios. Foi preso por porte de cocaína, processado por agredir repórteres e fãs, operado por uma úlcera causada pelo álcool.

Também foi internado para se livrar do stress e da dependência de álcool e drogas e até tentou o suicídio, em 2008. Fugiu de clínicas de reabilitação, ficou sumido por vários dias da família e mesmo das autoridades, quando foi expulso de um show do Iron Maiden, na Hungria. Em 2010, depois de gastar toda a sua fortuna e virar sem teto, teve de pedir ajuda ao sindicato dos jogadores de futebol ingleses para tentar sobreviver. Uma verdadeira montanha-russa, da qual Gazza ainda está tentando se livrar, continuando seu tratamento.
Há duas semanas, recebeu o convite da Lazio para retornar à Roma e ao estádio Olímpico após 17 anos. Com o consentimento de seus médicos, Gascoigne chegou à capital italiana no dia do jogo contra o Tottenham, válido pela Liga Europa. Foi novamente recebido calorosamente no aeroporto e homenageado pela Lazio com um belo vídeo.

No estádio, deu volta olímpica, cumprimentou os torcedores e se mostrou bastante emocionado com o carinho da torcida laziale. "A Curva Nord e a Lazio sempre estarão no meu coração", disse. Certamente Gazza também estará eternamente na memória do amante do futebol, como o craque, o louco, o palhaço, o herói, mas, sobretudo, como um gênio dos gramados, que poderia ter sido ainda maior, não fossem os seus vícios. Mas, se não cometesse excessos, dificilmente seria o Gazza tão amado por onde passou.

Paul John Gascoigne
Nascimento: 27 de maio de 1967, em Gateshead, Reino Unido
Posição: meia-atacante
Carreira como jogador: Newcastle (1985-88), Tottenham (1988-92), Lazio (1992-95), Rangers (1995-98), Middlesbrough (1998-2000), Everton (2000-02), Burnley (2002), Gansu Tianma (2003), Bolton United (2004)
Carreira como técnico: Kettering Town
Títulos: Copa da Inglaterra (1991), Campeonato Escocês (1995-96), Copa da Escócia (1996), Copa da Liga Escocesa (1996)
Seleção inglesa: 57 jogos e 10 gols

terça-feira, 27 de novembro de 2012

14ª rodada: De volta ao rumo certo?

Robinho marca o gol, de pênalti, que definiu a vitória do Milan sobre a Juve. Rumo certo? (Juventiknows)
Poucos gols (apenas 17) foram a tônica de uma rodada fria, quase morna, com pouquíssimas alterações na tabela. A mais significativa foi a volta do Napoli à vice-liderança, após o tropeço da Inter, e a diminuição da vantagem juventina. Antes, de quatro pontos, caiu para dois. Tudo isso porque o Milan fez sua melhor partida na temporada até agora e venceu a partidaça da rodada, contra a Juventus, por 1 a 0. Parece que a equipe de Allegri voltou a entrar nos eixos. Jogando no 4-3-3,  ainda não desempenha um futebol primoroso, mas está encontrando um rumo. Contra a Juventus, fez sua melhor partida no ano e chegou a três partidas sem perder. Acompanhe o resumo da rodada.

Milan 1-0 Juventus
A Gazzetta dello Sport classificou a vitória do Milan como "merecida, conquistada com metalidade operária, quase provinciana". E, apesar de o pênalti que decidiu a partida ter sido mal marcado, é isso mesmo. O time de Allegri praticou um futebol coletivo muito eficiente e deu poucos espaços para a Juve ameaçar efetivamente. O desgaste da Liga dos Campeões pesou para o lado bianconero, que esteve muito mais sob pressão do que o Milan na competição continental. A entrada de Robinho para formar o tridente ofensivo com Boateng e El Shaarawy deu boa mobilidade ao ataque rossonero, que foi bem mais perigoso na primeira etapa.

Com ótima marcação, que congelou a criação juventina, o Milan pôde chegar mais ao ataque e logo fez boa jogada, que acabou com cabeçada de Nocerino interceptada por Isla. A bola bateu nas costas do chileno, mas o juiz viu mão e marcou a penalidade. Robinho bateu e abriu o placar, aos 31 minutos da etapa inicial. No segundo tempo, o Milan se encolheu e se preocupou mais em não deixar a Juve chegar com perigo. Trabalho muito bem executado, que levou a Velha Senhora a sua segunda derrota na temporada. A vitória contra a líder pode dar novo ânimo ao Milan, que ainda não engatou boa sequência no campeonato, mas já acumula três jogos sem perder. Pode ser o início da recuperação. (Rodrigo Antonelli)

Cagliari 0-1 Napoli
Apesar do placar baixo, um bom jogo na finalmente lotada Is Arenas. Cagliari e Napoli fizeram um confronto muito equilibrado e em que ambas as equipes desperdiçaram várias chances - a efeito de comparação, foram 18 chutes dos anfitriões e 13 dos visitantes, sendo 3 a 4 "no alvo". O único gol do jogo saiu após cochilo da defesa rossoblù, e Hamsík, esperto, aproveitou a sobra de bola  para tocar no canto de Agazzi, garantindo a vitória napolitana aos 72 minutos de jogo.

Mesmo sem Cavani e Pandev, fazendo Mazzari voltar ao 3-5-1-1, com o baixinho Insigne no ataque amparado por Hamsík, o Napoli conquistou uma vitória importante fora de casa, garantindo assim a invencibilidade no mês de novembro - enquanto o Cagliari não venceu uma, depois das quatro vitórias seguidas no mês de outubro - e a vice-liderança, graças a tropeços de Fiorentina e Inter. Desta forma, a equipe do empresário Aurelio De Laurentiis volta a diminuir a diferença para a Juventus, que também tropeçou, para apenas dois pontos. (Artur Barcelos)

Parma 1-0 Inter
Mais uma vez a Inter jogou um futebol abaixo da crítica e perdeu a chance de encostar na Juventus. Desde que venceu a líder, quatro rodadas atrás, a equipe de Milão não vence, e já acumula três tropeços consecutivos na Serie A. Com os pontos desperdiçados nas duas últimas rodadas, em que a Velha Senhora também tropeçou, a Inter poderia ter um ponto de vantagem sobre a Juve. No entanto, continua quatro pontos atrás e viu o Napoli assumir a vice-liderança. No entanto, nesta segunda o Parma de Donadoni teve muitos méritos. Muito bem postado taticamente, ofereceu pouquíssimos espaços à Inter e confirmou sua solidez. Donadoni, muito criticado por passagens ruins no Napoli e na seleção italiana, vai emplacando mais um bom trabalho, depois daquele no Cagliari. Para equipes de menores pretensões, tem se mostrado uma ótima aposta.

Limitada pela ótima prestação tática dos ducali, a Inter foi presa fácil. Nas chances que teve, em cabeçadas ou chutes de fora da área, esbarrou em Mirante, que fez boas defesas. Faltou profundidade e ligação entre meio-campo e ataque, muito por causa de um Álvarez completamente desconexo do jogo. Stramaccioni demorou para mudar peças (sua lentidão em ler o jogo e fazer mudanças é seu grande ponto fraco até então) e viu sua defesa entrar em colapso quando Sansone avançou, praticamente livre, por cerca de 40 metros, antes de chutar no canto de Handanovic. Um recado para Stramaccioni: talvez seja a hora de rever algumas decisões, como a de manter a titularidade de Juan, que falhou neste gol e nos últimos jogos.

Torino 2-2 Fiorentina
Os 15 mil torcedores que estiveram no Olímpico de Turim domingo provavelmente assistiram ao melhor jogo da rodada. Foram quatro gols, emoção do início ao fim e belas jogadas dos dois lados. Montella mostrou porque é um dos técnicos mais badalados do país atualmente logo na escalação: tirou Ljajic dos onze iniciais para dar lugar a Matías Fernández, a fim de povoar o meio de campo, que teria o desfalque de outro chileno, Pizarro. A estratégia deu certo e o chileno foi um dos melhores jogadores viola na partida, ajudando seu time a manter a posse de bola e chegar com perigo à frente.

Do lado do Torino, as investidas pelos lados eram o ponto forte, com um 4-4-2 que mais parecia um 4-2-4, com Cerci e Santana sempre muito avançados e incomodando muito. E foi por ali que saiu o primeiro gol, depois que D'Ambrosio cruzou para Cerci marcar seu primeiro gol com a camisa granata. O empate aconteceu aos 29 da segunda etapa, em pênalti cobrado por Rodriguez. O Torino passou à frente um minuto depois, com Birsa. No final, El Hamdaoui deu números finais ao movimentadíssimo jogo, pela segunda vez com participação de Cuadrado. Destaque negativo para as lesões de Toni, Aquilani e Glik. Com o resultado, a Fiorentina não chegou á sétima vitória seguida, mas continua ótima sequência sem perder, se fortalecendo como candidata ao topo. (RA)
Lazio 3-0 Udinese
Em partida que começou movimentada, a Lazio praticamente definiu a vitória sobre a Udinese com gols que surgiram na primeira etapa. Com 11 minutos de jogo, Brkic já havia defendido um pênalti, mal cobrado por Ledesma. Na sequência, Di Natale acertou o travessão, na única vez em que a Udinese assustou a Lazio por seus próprios méritos - em outro lance, Marchetti quase entregou o ouro sozinho. Só que, aos 17 minutos, Mauri começou a aparecer. Primeiro, deu assistência primorosa para González abrir o placar. Aos 32, com outro passe esperto que saiu dos pés do capitão, Klose ampliou o placar. E poderia ter sido mais, caso Brkic não tivesse crescido para cima de Candreva, em outro lance.

No segundo tempo, a Lazio passou a administrar o jogo e chegava menos ao ataque. Em uma dessas chegadas, Klose acabou sendo derrubado próximo a área e ofereceu a chance para Hernanes, recém-entrado, marcar seu gol. Em bela cobrança, o brasileiro deu números finais à partida e manteve a Lazio na quinta colocação, com 26 pontos. Já a Udinese segue em sua temporada melancólica, em que nada decola. De protagonista-surpresa, a equipe de Francesco Guidolin passou a insossa coadjuvante. Ao fim da temporada, o ciclo pode terminar.

Palermo 3-1 Catania
O dérbi siciliano não decepcionou. No Renzo Barbera, Palermo e Catania fizeram um jogo digno de um dérbi recheado de rivalidade. A surpresa ficou por conta da apresentação de alto nível de Ilicic e de toda a equipe de Gian Piero Gasperini, que, merecidamente, saiu com a vitória em casa - mais uma: desde que Gasp assumiu, são três triunfos (Chievo, Sampdoria e Catania) e dois empates (com Milan e Torino). Com os três pontos, os rosanero se distanciam por três pontos da zona de rebaixamento, na 15ª colocação, enquanto o Catania caiu para a 8ª posição. O destaque do jogo foi Ilicic: voltando a jogar bem depois de mais de um ano, se mantiver a regularidade, ele pode fazer ótimo trio juntamente a Brienza e Miccoli, ajudando o Palermo a escapar das zonas baixas da tabela.

O 3-4-2-1 de Gasperini dominou por completo o 4-3-3 de Maran, desde os primeiros minutos. Tinha a posse de bola (cerca de 60% no primeiro tempo) e criava boa parte das oportunidades de gol. Aos 10 minutos, o ala-direito Morganella, em grande noite, cruzou para a área e Miccoli aproveitou o cochilo rossoazzurro para abrir o placar e chegar ao seu 100º gol na Serie A, com bela girada. Já no começo da segunda etapa, aos 49, Ilicic recebeu após jogada do veterano Brienza, que alcançou a marca de 200 jogos na elite italiana, e ampliou a vantagem com chute de fora da área. Aos 60, Ilicic recebeu novamente de Brienza e arrancou em rápido contra-ataque, e teve calma e habilidade para cortar Spolli duas vezes e finalizar no contra-pé de Andújar. (AB)

Pescara 0-1 Roma
A promessa de muitos gols entre o melhor ataque da Serie A contra a segunda pior defesa terminou não cumprida. A Roma chegou a sua sétima vitória ao derrotar o Pescara, no Adriatico, com gol solitário de Destro. Sem De Rossi, que continua cumprindo suspensão pela expulsão contra a Lazio, e Lamela, Zdenek Zeman promoveu as entradas de Pjanic e Destro como titulares. Os giallorossi saíram na frente – e definiram o marcador final – aos 5 minutos: Totti cobrou falta na direção do gol, Perin espalmou e Destro teve apenas o trabalho de empurrar a bola para o fundo da rede. Do outro lado, Goicoechea quase entregou ao interpretar mal um cruzamento realizado por Modesto, mas conseguiu praticar a defesa.

O resultado só não foi maior porque Perin – assim como já tinha feito contra a Juventus – foi o destaque da equipe da casa. Destro, depois de cruzamento de Totti, finalizou para defesa do jovem arqueiro do Pescara, ainda no primeiro tempo; na etapa final, o atacante da Roma entrou na área e chutou com força, fazendo com que Perin desviasse a bola para longe. O Pescara chegou com perigo ao ataque apenas uma vez e quase marcou: já no momento derradeiro da partida, Weiss puxou o contra-ataque e rolou para Abbruscato, que finalizou prensado a Piris. Na estreia do técnico Cristiano Bergodi no banco dos golfinhos, o Pescara foi vencido pela nona vez na Serie A. A equipe do Abruzzo tem os mesmos 11 pontos de Bologna e Siena, mas perde no saldo de gols (-16). Na próxima rodada, o Pescara enfrenta o Napoli, no San Paolo; a Roma, no Artemio Franchi, encara o Siena. (Murillo Moret)

Sampdoria 1-0 Bologna
Depois de vencer o dérbi contra o Genoa e se livrar da mais que incômoda série de sete derrotas, a Sampdoria voltou a somar pontos no Marassi e agora ocupa a 12ª posição, com 16 pontos. O Bologna também tinha voltado a vencer, mas acabou penalizado pela prematura expulsão de Morleo, que com apenas 6 minutos de jogo parou um Icardi que ia em direção ao gol. Com a derrota, a equipe emiliana segue na zona de rebaixamento, com 11 pontos ganhos.

O jogo não foi nada brilhante. Depois de perder um defensor, os felsinei recuaram bastante, e pouco foram ao ataque com perigo. Como atuava contra um time bem fechado e, como não tem o meio-campo mais criativo do mundo, a Samp sofreu. A solução era alçar bolas na área, e assim Gastaldello e Éder assustaram Agliardi. Quando Poli resolveu arriscar e tabelar com Éder, o gol acabou saindo - foi o segundo do meia italiano, que nunca havia marcado na Serie A, nos últimos dois jogos. Kone e Pasquato ainda tentaram buscar o empate para os bolonheses, mas não deu.

Atalanta 0-1 Genoa

A Atalanta conseguiu dar folêgo novo ao Genoa, ao ser derrotada, em casa, por 1 a 0. A partida tinha tudo para ser de mais uma vitória da Atalanta, que tinha vencido quatro de seus últimos seis jogos. No entanto, o Genoa, mais organizado – e com sorte -, anulou as principais ações ofensivas da equipe da casa para vencer a primeira partida sob comando de Luigi Del Neri. Borriello, logo no começo do jogo, fez Consigli trabalhar duas vezes. O clube do Marassi chegou à liderança do marcador com Bertolacci, aos 40 minutos: o meia-atacante aproveitou o cruzamento de Sampirisi para vencer o goleiro da Atalanta.

Ainda na primeira etapa, Bonaventura reclamou de um pênalti de Sampirisi – um empurrão por trás – após cruzamento de Schelotto, que o árbitro nada sinalizou. No segundo tempo, Frey defendeu um potente chute de dentro da área realizado por Maxi Moralez, e Raimondi, sozinho e com Frey já batido, chutou desequilibrado e perdeu ótima chance de empatar. No final, Frey fez quatro ótimas defesas em sequência e segurou o resultado. A vitória fora de casa dá novo ânimo ao Grifone, que venceu após nove partidas (sendo seis derrotas consecutivas) e saiu da zona do rebaixamento. Para o próximo jogo, contra o Chievo, no Luigi Ferraris, Borriello e Moretti estão suspensos. A Atalanta tenta a recuperação diante do Bologna, vice-lanterna do campeonato, fora de casa. (MM)

Chievo 0-0 Siena
Um resultado que resumiu bem o que foi o jogo. Chievo e Siena lutaram para se distanciar da zona de perigo, mas o medo de perder fez com que a preocupação defensiva dos treinadores Corini e Serse Cosmi fosse maior que a vontade de vencer o jogo. Ainda assim, os visitantes até começaram melhor, com três boas oportunidades de Calaiò, mas que pouco assustaram o goleiro Sorrentino. Na única chegada em que o camisa 11 bianconero levou perigo, foi parado pelo travessão da equipe veronesa.

O Chievo, completamente improdutivo, só conseguiu chegar com perigo em um cruzamento desviado de Dramé, com a bola batendo na trave. De resto, os três atacantes, Théréau, Pellissier e Paloschi foram nulos e nada produziram. Olhando pela classificação, melhor para o Siena, que soma mais um ponto fora de casa e encaminha sua saída da zona de rebaixamento, tendo pela frente, com apenas um ponto a mais, justamente o Chievo, porém, levando em conta o próximo adversário de ambos os times (Genoa, fora de casa, para o Chievo, e Roma, em casa, para o Siena), eles desperdiçaram um ótima chance de pontuar mais. (Caio Dellagiustina)

Relembre a 12ª rodada aqui
Confira estatísticas, escalações, artilharia, além da classificação do campeonato, aqui.

Seleção da rodada
Frey (Genoa); De Sciglio (Milan), Paletta (Parma), Britos (Napoli), Constant (Milan); Cerci (Torino), Mauri (Lazio), Ilicic (Palermo), Biabiany (Parma); Miccoli (Palermo), Klose (Lazio). Técnico: Roberto Donadoni (Parma).

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Jogadores: Rodolfo Volk

Em giallorosso, Volf foi o primeiro em tudo: a marcar no Campo Testaccio, a marcar em dérbis contra a Lazio e a chegar aos 100 gols com a camisa da Roma (foto: blogistuta)

Chuta!, chuta!, eles gritavam. A torcida visitante era maioria no estádio do rival. Era impressionante como aquele atacante, que chegou no ano anterior, caíra nas graças dos torcedores. Muito por conta, é claro, do gol marcado no mês anterior, na abertura do Campo Testaccio. Chuta!, chuta! E ele chutou. Rodolfo Volf marcou o tento solitário da primeira vitória romanista ante a Lazio, no Rondinella. Os pedidos da torcida combinavam com a máxima do goleador, que dizia "Eu não penso, eu chuto". E como chutava.

O jogador de Fiume (Rijeka, atualmente cidade da Croácia, mas antes de posse italiana) começou a jogar em clubes pequenos, na região de sua cidade natal. Ele passou por Juventus-Enea, Savoia Fiume e Gloria Fiume antes de chegar na Fiorentina. Uma vez na Itália fascista, teve de italianizar seu sobrenome, uma prática obrigatória instituída do governo ultranacionalista de Benito Mussolini. Tornou-se "Folchi". 

Em Florença, em 1926, ele teve de usar um pseudônimo (Bolteni) para jogar pela viola na Prima Divisione (segunda divisão), em uma partida contra a Sampierdarenese, agremiação que se tornaria a Sampdoria, anos depois. De forma contrária a seus colegas, Volk não havia entrado no serviço militar obrigatório na Itália e queria evitar problemas com o Exército – à época, qualquer atividade extramilitar era proibida e mesmo os jogadores tinham a dupla função esportiva e bélica. Marcou 11 gols em 14 jogos pela equipe florentina e retornou à sua cidade para defender a Fiumana, que também jogava a segunda divisão. Fez 16 gols em 16 jogos, ajudando a equipe a atingir a máxima série do futebol italiano.

Volk chegou ao grande desafio de sua carreira no ano seguinte, 1928. Contratado pela Roma, recém-formada (a equipe nasceu em 1927, após a fusão entre Alba Audace, Fortitudo Pro Roma e Roman), mal poderia esperar que viraria ídolo. Aquela temporada, a de 1928-29, não poderia começar de forma melhor tanto para o jogador como para a equipe: vitória na estreia contra o Legnano por 4 a 1, com gol de Volk. A sua primeira tripletta veio contra o Prato, em partida finalizada em 4 a 0. No fim da temporada, após 24 gols de Volk, a Roma terminou o campeonato na 3ª posição, sua melhor colocação em um campeonato nacional até o momento. Já nas graças da torcida, acabou apelidado de Sigghefrido, variação romanesca para fazer a alusão a Siegrifed, herói lendário da mitologia nórdica.

A Serie A foi inaugurada na época seguinte. Sob comando de Herbert Burgess, sucessor de Guido Baccani, a Roma marcou 73 gols na temporada, e Volk foi o autor de 21 deles. Dois jogos marcaram aquele ano. O primeiro foi em novembro: a vitória por 2 a 1, também com Volk entre os marcadores, foi na partida que abriu o Campo Testaccio, estádio utilizado pelo time da capital até junho de 1940. No mês seguinte, Lazio e Roma se enfrentaram pela primeira vez na história. No Rondinella, casa laziale, Volk deu a vitória aos giallorossi, muito comemorada pela resistência socialista ante às camadas mais ricas (representada pela Lazio, na Itália fascista). Na época, Volk recebeu cinco convocações para a seleção B da Itália e marcou cinco gols. Porém, nunca atuou pela Nazionale principal.

Em 1930-31, a Roma conseguiu ser vice-campeã da Serie A. Volk, exímio goleador mesmo com pífia técnica com a bola nos pés, foi o artilheiro do campeonato, com 29 gols, tornando-se o primeiro romanista a obter a glória em toda a história. A equipe viu à sua frente apenas a Juventus de Combi, Caligaris, Orsi e Cesarini. Um de seus gols na competição, contra o Bologna, em casa, foi gravado em vídeo, algo incomum para a época. Enquanto o staff técnico mudava durante as temporadas – Janos Barr entrou no lugar de Burgess, na época seguinte -, a Roma permanecia em posições intermediárias na tabela. Isso, no entanto, não deixava Volk menos motivado nem menos artilheiro: foram 17 gols marcados entre 1931 e 1932.

Sua pior participação individual pela Roma aconteceu em 1932-33. Volk marcou somente 12 tentos em 30 partidas. Janos Barr se tornou o primeiro treinador a cair após o Derby della Capitale. A vitória laziale, com gols dos brasileiros De Maria e Castelli, ambos ex-Corinthians, derrubou o comandante da Roma. Para seu lugar veio o compatriota húngaro Lajos Nems Kovács, que conseguiu a promoção à primeira divisão do Padova, no ano anterior, e venceu uma Coppa Mitropa com o Bologna. Ao fim da temporada, a Roma se viu na 5ª colocação geral da Serie A.

Volk deu adeus a Roma em 1933, com 103 gols marcados em 157 partidas, e até hoje é o terceiro maior artilheiro da história da equipe e o quinto romanista com mais gols na Serie A (75). Sua nova casa seria o Pisa, que jogava a terceira divisão. Volk levou o time da cidade à segundona, após ótima participação na Prima Divisione. Sigghefrido, no entanto, se manteve nas categorias de futebol mais baixas da Itália. Ele trocou o Pisa pela Triestina e retornou à Serie A para fazer apenas cinco jogos. 

Na sequência, voltou a sua cidade natal para defender a Fiumana por sete anos. Continuou marcando gols e viu nascer no vivaio da equipe o futebol de Ezio Loik, habilidoso meio-campista que brilharia pelo Grande Torino da década de 1940. Antes de encerrar a carreira, Volk ainda jogou por ROMSA, Proleter Fiume e Montevarchi.

O terceiro maior artilheiro da história da Roma ainda trabalhou como porteiro em uma casa lotérica e morreu em 1983, vítima de problemas no coração, em uma casa de repouso em Nemi, terra de castelos medievais próximo à capital. Ele faleceu como um qualquer, na miséria. Pouquíssimas pessoas foram ao seu funeral. Em sua pequena casa, Volk guardava com carinho – e mostrava com brilho nos olhos – a quem lhe perguntasse sobre as histórias daqueles recortes de jornal em preto-e-branco grudados na parede. Imagens de tantos de seus gols, pois foram quase 200 na carreira.

Rodolfo Volk
Nascimento: 14 de janeiro de 1906, em Fiume (atualmente Rijeka, na Croácia)
Morte: 2 de outubro de 1983, em Nemi
Posição: atacante
Clubes: Juventus-Enea (1924), Savoia Fiume (1925), Gloria Fiume (1925-26), Fiorentina (1926-27), Fiumana (1927-28 e 1935-42), Roma (1928-33), Pisa (1933-34), Triestina (1934-35), ROMSA (1945-46), Proleter Fiume (1946-48) e Montevarchi (1948-49)
Seleção: Cinco partidas e cinco gols pela Itália B

sábado, 24 de novembro de 2012

Dérbis: Palermo x Catania

Dérbi entre equipes sem muita expressão, o confronto da Sicília entre Palermo e Catania é o maior da região e um dos que mais mexe com a rivalidade local (Getty Images)

Neste sábado, Palermo e Catania se enfrentarão no Renzo Barbera, na capital siciliana Palermo. Mais que um simples confronto entre equipes da mesma região, o dérbi local representa muito para duas equipes sem muita expressão na Terra da Bota.

Na atual temporada, mais uma vez o Catania leva vantagem. Ocupando a sétima colocação, o time está a quatro pontos de distância da Lazio, primeira equipe na zona de classificação para a Uefa Europa League, e vive bom momento no campeonato. Oito pontos atrás, e sem muita perspectiva de dias melhores, está o Palermo, com 11 pontos em 13 jogos, ocupando a 16ª colocação, se livrando da zona devido ao saldo de gols.

Significado do atual dérbi
Mesmo com as saídas de Pietro La Monaco (que está exatamente no Palermo, após rápida passagem pelo Genoa), competente dirigente, e Vincenzo Montella, responsável por comandar a equipe com a melhor pontuação na Serie A em sua história, o time do empresário Antonino Pulvirenti, presidente da empresa aérea Wind Jet, manteve a base da equipe da temporada passada, contratou Rolando Maran, de bom trabalho em Vicenza e Varese, para a vaga de Montella e agora goza de mais um bom desempenho na Serie A.

Passadas 13 rodadas, o time de Maran, que procurou não modificar muito do que Montella já havia montado, soma 19 pontos, pontuação essa melhor que a da temporada passada. A sétima colocação também tem deixado o torcedor rossoazzurro contente. Depois das derrotas para Inter e Juventus, o Catania venceu dois de seus últimos quatro jogos, inclusive uma goleada significativa sobre a Lazio (4-0).

Vencer o dérbi deste sábado não significa apenas bater seu maior rival, mas também encostar nas equipes que disputam por vaga europeia. Para coroar o ótimo trabalho que vem sendo feito pelos etnei, nada mais justo que uma vaga na Europa League. Para isso, além de ter que bater o Palermo, terá que manter uma regularidade que nunca foi o ponto forte da equipe na Serie A, como, por exemplo, na temporada passada sofreu três derrotas e dois empates nos últimos cinco jogos.

A situação na principal cidade siciliana, mais uma vez, é complicada. O impaciente presidente Maurizio Zamparini havia prometido dar tempo para o competente Giuseppe Sannino trabalhar, contudo, após duas derrotas por 3 a 0 para Napoli e Lazio, além de um empate em 1 a 1 com o Cagliari, o ex-técnico do Siena foi demitido. Para seu lugar foi contratado ninguém menos que Gian Piero Gasperini, de um péssimo trabalho na Inter e que até então demonstrava (e ainda demonstra) sua mágoa com Massimo Moratti e companhia nos jornais esportivos.

10 jogos já se passaram desde a chegada do treinador com ideias ofensivas, e que geralmente monta equipes desequilibradas, e o retrospecto da equipe não é lá muito condizente com o que é gasto por Zamparini e com o que se espera de um time que até pouco tempo atrás brigava por vaga na Europa League. Foram quatro derrotas, quatro empates consecutivos e duas vitórias, a última, aliás, que tirou o time da zona de rebaixamento e deu um pouco de alívio.

Entretanto, bastou sofrer uma derrota por 3 a 0 do Bologna para Gasperini estar ameaçado e Zamparini dar algumas "chamadas". Uma vitória contra o Catania viria em ótimo momento tanto para Gasp como para o moral do elenco, que é razoável e não deveria estar ocupando uma posição tão inferior.

Os últimos dérbis
16ª rodada (18/12/2011) - Catania 2 x 0 Palermo
A derrota por 2 a 0 no dérbi culminou a demissão de Devis Mangia no Palermo, que até então vinha fazendo bom trabalho. O Catania, que em meio a irregularidade da equipe de Montella, já ocupava uma colocação melhor na tabela e afundou ainda mais seu rival numa vitória que contou com os gols de Lodi (melhor em campo) e Maxi López.

35ª rodada (28/04/2012) - Palermo 1 x 1 Catania
Em situações opostas, o empate acabou não ajudando ninguém no dérbi. Após a derrota para Cagliari, o empate deu continuidade a uma sequência de cinco jogos sem vitórias do Catania, impedindo que a equipe tivesse uma colocação e uma pontuação ainda melhor. O Palermo de Bortolo Mutti, por sua vez, que vinha de quatro jogos sem vitórias, não conseguiu se distanciar da zona de rebaixamento, mas graças à grande diferença em relação ao Lecce, Novara e Cesena, conseguiu se manter na elite italiana. Os gols foram marcados pelos experientes Legrottaglie e Miccoli.

Vale registrar que, nos últimos seis dérbis, o Catania levou vantagem em três oportunidades, enquanto o Palermo apenas uma; no mais, dois empates.

Estatísticas gerais
O Dérbi da Sicília é marcado por uma grande rivalidade, entretanto, foram poucos confrontos disputados na elite italiana: apenas 16 partidas, em 76 anos de rivalidade - em 1936 foi disputado o primeiro jogo oficial entre os times. O Catania leva vantagem na Serie A, com seis vitórias contra quatro do Palermo, sendo que outros seis jogos terminaram em empate. 

Contabilizando todos os jogos oficiais, são datados 82 confrontos, e, dessa vez, quem leva vantagem são os rosanero, com 24 vitórias, contra 20 dos etnei, sendo ao todo 38 empates. O baixo número de partidas na elite italiana se explica pelo fato de ambas as equipes nunca terem tido uma grande regularidade na Serie A. Nos últimos anos, contudo, Palermo e Catania tem conseguido se firmar na elite e o dérbi tem ganhado maior importância.

O time de Zamparini, presidente desde 2002, tem 31 participações na primeira divisão, sendo que não disputa a segunda desde a temporada 2003-04. O Catania, por sua vez, tem conseguido se erguer de forma "sustentável" e inteligente, desde a chegada de Pulvirenti à presidência, em 2004. A equipe subiu na temporada 2005-06 e desde já são 20 participações na Serie A.

Personagens históricos
Como o dérbi começou a viver seu "auge" a partir da metade da última década, a maior parte dos personagens históricos são recentes. Javier Pastore é responsável pela única tripletta no Dérbi da Sicília. Na temporada 2010-11, o argentino foi o personagem da vitória por 3 a 1 do Palermo sobre o Catania. Outro que já se destacou no confronto é Giuseppe Mascara, que já quatro gols no dérbi. Desses, um golaço na temporada 2008-09, num chute do meio do campo que encobriu Amelia.

Outros personagens são Luca Lugnan e Fabio Caserta, que já marcaram por ambos os clubes. Lugnan contribuiu com um gol nos 2 a 0 do Catania pela Coppa Italia Lega Pro (na época Coppa Italia di C), em 1998; e pelo Palermo marcou duas vezes em 1999, pela Coppa Italia di C e pela Serie C1, nos empates em 2 a 2 e 1 a 1. Caserta, por sua vez, marcou o único gol do Catania em casa na derrota por 2 a 1 em 2007; ainda no mesmo ano, agora pelos rosanero, também fez o gol de honra em outra derrota, agora do Palermo, que perdeu por 3 a 1 - ambos os confrontos pela Serie A.

Para os palermitanos, outros nomes que sempre foram bem quistos pela torcida em dérbis são Fabrizio Miccoli, Eugenio Corini e Luca Toni (que marcou dois gols em um 5 a 0 no início dos anos 2000). Para o Catania, além de Mascara, quem significou muito em dérbis foi o atacante Gionatha Spinesi, que fez dupla com o ex-capitão.

Dérbis marcantes
Em 2001, um jogo ficou marcado não por ter sido uma partida aguerrida, emocionante, mas por um fato curioso: em jogo válido pela Coppa Italia da antiga Serie C, realizado em Catania, o Palermo teve seus uniformes roubados do ônibus da equipe. Para não ficar sem entrar em campo, os rosanero tiveram de jogar com o uniforme de treino, sendo que foram utilizadas fitas adesivas para colocar a numeração dos jogadores. O jogo terminou em 1 a 1.

Outros dois dérbis também ficaram marcados não pelo futebol, mas pela violência. Na temporada 1981-82, pela Serie B, o Palermo venceu o Catania por 2 a 0 no Renzo Barbera com doppietta de Giampaolo Montesano, entretanto, antes da partida iniciar, o zagueiro Renato Miele, do Catania, foi atingido por uma garrafa arremessada por um torcedor rosanero, e o defensor acabou por não entrar em campo. Em um caso mais recente, e de proporção maior, em 2007, torcedores do Catania entraram em confronto com a polícia e o oficial Filippo Raciti acabou falecendo, obrigando a FIGC tomar duras atitudes em represália ao ocorrido.

Com a bola rolando, destaque para as recentes goleadas do Catania por 4 a 0, uma no Angelo Massimino, em 2011, e outra no Renzo Barbera, em 2009. Nas temporadas 2003-04 e 2000-01, contudo, o Palermo venceu por 5 a 0 e 5 a 1, todos em casa. Finalmente, em 2006-07, a primeira temporada do Catania desde sua volta para a Serie A, um jogo com oito gols, em que o Palermo saiu vencedor em casa, batendo o rival por 5 a 3, com gols de Tedesco, Fábio Simplício, Corini, Amauri e Barzagli, enquanto Corona, Mascara e Spinesi fizeram para o Catania.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Destinos definidos

Em cobrança de pênalti no último minuto, Cavani colocou o Napoli na próxima fase da Liga Europa (AFP)
Ainda falta uma rodada para o fim da fase de grupos da Liga Europa, mas todas as equipes italianas já estão com futuro definido e apenas cumprirão tabela na próxima rodada. Três delas se classificaram - Inter, Lazio e Napoli -, e apenas a Udinese está fora. Em quinze dias, Lazio e Napoli tentarão garantir a liderança de seus grupos, na tentativa de evitar adversários mais complicados. A Inter, por sua vez, já tem a segunda posição definida. Veja o que aconteceu nos jogos.

AIK 1-2 Napoli
No primeiro jogo entre os times, no San Paolo, o Napoli massacrou o AIK por 4 a 0, com direito a tripletta de Eduardo Vargas. Na Suécia a partida foi completamente diversa. Os partenopei converteram em gol a primeira chance que tiveram, com Dzemaili, de voleio. O AIK empatou ainda na etapa inicial. A defesa napolitana ficou perdida, após cruzamento de Lundberg, e Danielsson não teve dificuldade para vencer um Rosati fora de forma e deixar a partida igualada. Para não fazer igual a Udinese, que foi eliminada mais cedo ante o Anzhi, o Napoli precisava da vitória no Rasunda.

No segundo tempo, Mazzarri promoveu as entradas de Zúñiga, Inler e Hamsík nos lugares, respectivamente, de Mesto, Donadel e Dzemaili. A partir de então, os partenopei pressionaram demais o adversário. Aos 20 minutos, Turina salvou o AIK em duas oportunidades – com Cavani e Vargas – antes da rebatida do quarto-zagueiro Backman. Bangura, do outro lado, acertou a trave do gol defendido por Rosati. Para dar mais drama ao jogo, o fraco Aronica foi expulso após parar contra-ataque dos suecos, com falta em Bangura. O zagueiro era o último jogador, mesmo que o lance tenha acontecido no meio de campo.

Pouco antes dos acréscimos, Lorentzson acertou um bonito voleio, mas a bola foi para fora; Rosati ainda salvou o Napoli após finalização perigosa de Danielsson. No apagar das luzes, aos 48 minutos, Cavani foi derrubado na área por Karlsson. Ele mesmo converteu o pênalti. O gol, último marcado no Rasunda, que será demolido nos próximos dias, classificou a equipe italiana à próxima fase da Liga Europa. Na próxima rodada, o Napoli recebe o eliminado PSV, no San Paolo, e espera que o Dnipro perca para o AIK, em casa, para que fique com a liderança do grupo. O panorama mais real é que os azzurri fiquem com a segunda vaga. (Murillo Moret)

Rubin Kazan 3-0 Inter
Com a vaga garantida para a próxima fase da Uefa Europa League, e procurando preservar alguns jogadores, Andrea Stramaccioni mandou a campo novamente uma Inter "alternativa" na competição, dessa vez na gelada Kazan, na Rússia. Com um time formado em sua maioria por reservas e jovens do time Primavera, a equipe milanesa sofreu com o desentrosamento de seu 11 e perdeu a liderança do Grupo H para o Rubin Kazan e agora terá de se contentar com a segunda colocação. O destino está selado: mesmo que vença o Neftchi em Milão na próxima rodada e o Rubin perca para o Partizan, a Inter fica com a segunda posição, uma vez que os russos levam vantagem no confronto direto (2-2 e 3-0).

O time da casa começou o jogo com tudo e, logo aos 2 minutos, chegou ao primeiro gol em falha de dois brasileiros: primeiro Jonathan, que não deu trabalho para Kasaev fazer jogada pela esquerda e centrar; e depois Juan, que na hora de cortar se embolou e quase fez contra acertando a trave. Na sobra, o experiente Karadeniz aproveitou o gol livre e abriu o placar. Com o gol logo cedo, o Rubin se acomodou e a Inter nada criou. No segundo tempo, contudo, o time de Stramaccioni voltou melhor com Zanetti e Palacio, sendo que o artilheiro do time na temporada chegou a acertar a trave após ótimo passe em profundidade de Ranocchia. Não faltaram oportunidades para a Beneamata, que não as aproveitou e viu Rondón explorar os espaços cedidos no final do jogo por duas vezes, levando vantagem sobre Silvestre (novamente mal), o jovem Donkor ('95) e o arqueiro Belec. (Arthur Barcelos)

Lazio 0-0 Tottenham
Em uma partida com o ambiente muito tenso - torcedores ingleses foram agredidos na noite anterior ao jogo por um grupo de fascistas -, Lazio e Tottenham novamente não saíram do 0 a 0. Fora de campo, um grupo de torcedores da Lazio, da parcela de extrema-direita que apoia o clube, entoou cânticos anti-semitas contra os torcedores dos Spurs - o clube tem fortes raízes judaicas. Os incidentes devem fazer com que a Lazio sofra sanções da Uefa e obrigou o presidente da FIGC, Giancarlo Abete, a pedir desculpas aos ingleses.
 
Em campo, o placar não afirma o que foi o confronto, que teve boas oportunidades de gol, principalmente do lado biancoceleste. Logo nos primeiros minutos, Bale teve um gol anulado em um lance que causou bastante discussão. Só que a Lazio jogava melhor e trocava bons passes, dominando o meio-campo. Em uma dessas trocas de passe a bola sobrou para Ledesma, que chutou com efeito e obrigou Lloris a fazer uma ótima defesa; a bola ainda tocou na trave. 
 
Depois, Kozák aproveitou falha da defesa inglesa e, livre, desperdiçou uma grande chance. O tcheco ainda levou perigo em uma cabeça e em um lançamento que o deixou de frente com Lloris, que saiu bem da área. A torcida perdeu a paciência e chegou a vaiar o atacante. Na segunda etapa, a Lazio continuou dominando, só que agora sem levar perigo ao adversário. A grande oportunidade veio com a cabeçada para o chão de Ciani após cobrança de escanteio, que Lloris - o nome do jogo -, defendeu em cima da linha.  Com o empate contra os Spurs e a vitória do Panathinaikos, o time romano conseguiu a classificação para o mata-mata da competição. Na última rodada da fase de grupos, a Lazio enfrenta o Maribor para tentar garantir a primeira colocação. (Cleber Gordiano)
 
Anzhi 2-0 Udinese
A Udinese parece mesmo não se importar nem um pouco com a Europa League. Mas, se na temporada passada caiu com os reservas, dessa vez jogou quase toda competição com o time titular, mas que não demonstravam vontade alguma de seguir em frente. Nessa toada, o time friuliano foi à Rússia encarar o Anzhi, líder e mais qualificado time do grupo.

Com chances de classificação e em busca da recuperação na Serie A, Guidolin colocou a campo o que tinha de melhor, inclusive Di Natale. Mas nos 45 minutos iniciais, o melhor jogador bianconero foi Brkic, salvando o time nas poucas oportunidades do time russo, em especial no chute frontal de Shatov. No segundo tempo, mais desmotivação do time italiano, porém, Di Natale teve a chance com uma cabeçada parada pelo arqueiro Gabulov.

O Anzhi que joga a competição para despontar no cenário europeu, aproveitou as boas chances que teve. Aos 25 da segunda etapa Samba subiu sozinho para completar a cobrança de escanteio e abriu o placar. Minutos depois, Eto’o recebeu na área, driblou Danilo e marcou o segundo gol, sacramentando a vitória do time de Makhachkala e a eliminação friulana. O tipo de resultado que continua prejudicando o coeficiente europeu do Belpaese. (Caio Dellagiustina)

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Vaga garantida

Alegria e alívio pela vaga assegurada (Ansa)

Entrar em campo sabendo que o melhor dos cenários para a classificação do Milan já havia acontecido era tudo que Allegri precisava. Horas antes, o Zenit ficou no empate com o Málaga, na Rússia e bastava uma vitória dos rossoneri, ante o Anderlecht, na Bélgica, para que a vaga na fase final se confirmasse.

Assim, o treinador milanista apostou no mesmo 4-3-3 com o qual o time reagiu bem ante o Napoli na última rodada da Serie A. A diferença ficou na zaga, com Mexès no lugar de Acerbi. Pato disputou até minutos antes a vaga com Bojan, mas Allegri preferiu a velocidade do espanhol à força física do brasileiro. O ex-barcelonista jogou mais centralizado com Boateng e El Shaarawy dos lados.

Porém, no primeiro tempo, nem mesmo os três atacantes conseguiram sequer assustar a zaga belga. Se não conseguiu produzir nada ofensivamente, pelo menos não sofreu na defesa. O empate ainda trazia riscos de uma eliminação precoce, mas logo aos dois minutos da segunda etapa, o perigoso El Shaarawy recebeu um belo cruzamento de De Sciglio e com a tranquilidade de um veterano, dominou já tirando do zagueiro e concluiu sem chance alguma para o goleiro Proto. Mais uma vez, o Pequeno Faraó - autor de mais da metade dos gols do Diavolo na temporada - foi fundamental para abrir os caminhos do Milan.

Os belgas precisavam da vitória, mas esbarravam na falta de qualidade de seus jogadores. Vendo que poderia definir o jogo, Allegri trocou Bojan por Pato e logo com três minutos em campo, o brasileiro provocou a expulsão do zagueiro Nuytinck. Na falta cobrada, bem longe da área, a bola sobrou no peito de Mexès que virou em incrível bicicleta, fazendo um golaço tão belo quanto o de Ibrahimovic na última semana. Veja abaixo.


Vantagem de dois gols a 20 minutos do fim. A classificação se encaminhava, mas uma bobeira da zaga milanista deixou De Sutter livre na pequena área para diminuir e deixar os torcedors com o coração na boca. Porém, já nos acréscimos, depois de uma bela arrancada de El Shaarawy, Pato apareceu livre para apenas completar e confirmar vaga nas oitavas de finais. Após o jogo, o brasileiro ainda reclamou da reserva e gerou mal estar. Ele também se lesionou, sem muita gravidade, mas pode estar indisponível para a partida contra a Juventus, no domingo. Como exigir titularidade com tantos problemas físicos?

No fim das contas e por tudo que vem passando nos últimos meses, a classificação rossonera, como segundo colocado - atrás do Málaga -, dá certo alívio aos rossoneri que já se contentam com a vaga, sem se importar com a colocação. Agora, até domingo, a equipe se concentra para o jogaço contra a Juve.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Aula de organização

Decisivo: no jogo de ida, Quagliarella já tinha feito importante gol contra o Chelsea. Ontem, fez o primeiro e abriu caminho para a Juve (Reuters)


No jogo mais importante do ano para a Juventus, justamente contra o atual campeão europeu, o que se viu foi uma inesperada superioridade do time italiano sobre o Chelsea. Muito bem postada em um 3-5-2 flexível, a equipe da casa deu poquíssimos espaços aos ingleses e não teve problemas para controlar a partida e contruir o placar. Quagliarella, Vidal e Giovinco fizeram os gols que deixam a equipe bianconera em situação bem confortável na competição: um empate contra o Shakhtar, na última rodada, garante a classificação para as oitavas.

Sabendo da necessidade de vencer, a Juve começou o jogo com tudo e não demorou para assustar Cech. Aos três minutos, Vucinic cruzou e Lichtsteiner desviu bola que acertou a trave. Pouco depois, o Chelsea respondeu em boa jogada de Oscar e chute de Hazard, que terminou com defesa de Buffon. Mas os visitantes não fizeram muito mais que isso. Di Matteo montou o time no 4-2-3-1, com Hazard de centroavante e o lateral-direito Azpilicueta na linha ofensiva de meio-campo, para evitar as descidas de Asamoah, e viu seu esquema ser engolido pelo da Juve.

Nessa formação, os blues perderam força ofensiva e facilitaram a marcação juventina: Bonucci e Chiellini cuidavam de Hazard, Barzagli deslocou-se para a lateral a fim de parar Juan Mata e Marchisio e Vidal evitavam as investidas de Mikel e Ramires, respectivamente. Dessa forma, os visitantes forçavam a ligação direta e perdiam a posse com facilidade. Com a bola, a Juve trabalhou bem o jogo pelos lados e, principalmente, com o bom toque de Pirlo.

O primeiro gol saiu depois que o regista arriscou chute de fora da área e Quagliarella desviou para tirar Cech da jogada. Em seguida, Lichtsteiner apareceu na área com perigo de novo e quase fez 2 a 0, mas Ashley Cole salvou em cima da linha. No segundo tempo, Conte avançou as linhas para pressionar mais e ampliou o placar ainda aos 16 minutos: com a saída de Azpilicueta para a entrada de Torres, Asamoah teve liberdade pelo lado esquerdo e avançou até a linha de fundo. No cruzamento para trás, Vidal apareceu para marcar seu quinto gol nos últimos seis jogos.

Com boa vantagem no placar, a Velha Senhora recuou para um 5-3-2, com Cáceres (que entrou no lugar de Lichtsteiner) e Asamoah voltando para ajudar a linha defensiva, e se preparou para o contra-ataque. E foi assim que saiu o terceiro gol do jogo, já no final, com Giovinco. No fim, a Juve acumulou 25 chutes a gol, contra apenas 12 do Chelsea. Para aqueles que duvidavam que a Juventus poderia fazer bonito fora da Itália, o jogo de ontem serviu como prova que pode sim.

Taticamente, poucos times na Europa estão tão bem resolvidos como a Juve. E essa organização pode fazer a diferença. Se ainda falta um atacante mais decisivo, o fortíssimo meio de campo compensa. Pirlo continua em grande forma, Vidal e Marchisio são os pulmões do time e Lichtsteiner e Asamoah mostram muita qualidade para chegar ao ataque. A vitória culminou na demissão de Di Matteo no Chelsea e pode consolidar, na última rodada, a eliminação de um campeão na fase de grupos pela primeira vez na história. Falta só um ponto.

Clique aqui para ver os gols da partida.

Juventus 3-0 Chelsea
JUVE (3-5-2): Buffon; Barzagli, Bonucci, Chiellini; Lichtsteiner (Cáceres), Vidal, Pirlo, Marchisio, Asamoah; Quagliarella (Pogba), Vucinic (Giovinco). Técnico: Conte (Alessio no banco)
CHELSEA (4-2-3-1): Cech; Ivanovic, Cahill, David Luiz, Cole; Mikel (Torres), Ramires; Azpilicueta (Moses), Oscar, Mata; Hazard. Técnico: Di Matteo
Gols: Quagliarella, aos 38' do 1º tempo; Vidal, aos 16' do 2º tempo; e Giovinco, aos 46' do 2º tempo.
Árbitro: Cakir (Turquia)
Cartões amarelos: Bonucci (J), Ramires (C), Marchisio (J) e Giovinco (J).
Público: 41.000

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

13ª rodada: Menos arbitragem, mais futebol

Quando Toni e Aquilani voltam a jogar futebol, significa que tudo está de vento em popa. É este cenário improvável que vive a Fiorentina treinada por Montella (Sky)
O apelo do título é mais do que direto. Enquanto Inter e Juventus discutem resquícios do Calciopoli e perturbam os ânimos da Itália, com brigas históricas, a Fiorentina faz o que todos querem ver: joga um bom futebol. Terceira colocada na tabela, a equipe de Vincenzo Montella tem feito o que dela já se esperava, mas com personagens desacreditados. Desde Pizarro, que vinha em má fase e se reencontrou, a Toni e Aquilani, que estavam mal há pelo menos três temporadas - o primeiro praticamente já estava encerrando a carreira, e agora já tem quatro gols no campeonato. O futebol bem jogado, sim, faz bem ao futebol italiano. A luta por uma arbitragem melhor também, desde que legítima e sem cair em antagonismos pouco produtivos. Acompanhe o resumo da rodada.

Fiorentina 4-1 Atalanta
13 jogos, 8 vitórias, 3 empates, 2 derrotas e 27 pontos. Esse é o retrospecto da Fiorentina de Vicenzo Montella. A "hipnotizante" viola não perde há 7 jogos, sendo que venceu os últimos 5 confrontos - números que se repetiram pela última vez apenas quando Cesare Prandelli treinava a equipe. Não bastasse, ainda tem a segunda melhor defesa do campeonato (10 gols sofridos), atrás somente da líder Juventus - da qual tem 5 pontos de diferença -, e o quarto melhor ataque, com 23 gols marcados. Em Florença, mesmo sem Jovetic, a equipe teve uma atuação irretocável - exceto pelo gol sofrido, em falha da defesa - sobre uma irregular Atalanta, que vinha melhorando.

Aparentemente recuperado de seu último problema físico, Aquilani foi o principal destaque da goleada, com dois gols (um em uma bela cobrança de falta) e uma assistência para Toni anotar seu 4º gol na temporada. Destacaram-se também Gonzalo Rodríguez, autor do primeiro gol, o montenegrino Savic, que "roubou" a titularidade do sérvio Tomovic, Borja Valero, com mais uma assistência (a 5ª na Serie A), e Pasqual, soberano sobre Schelotto e Raimondi. Agora, a equipe toscana irá até o Piemonte enfrentar o Torino, confronto complicado pelo estilo de jogo da equipe de Gian Piero Ventura e seu aplicado 4-2-4. A Atalanta, que vinha numa sequência de 4 vitórias em 5 jogos, receberá o cada vez mais decadente Genoa, que, além da derrota no dérbi, não vence há 9 jogos e perdeu 6 confrontos consecutivos. (Arthur Barcelos)

Juventus 0-0 Lazio
Como na temporada passada, Juve e Lazio fizeram jogo muito disputado em Turim. Dessa vez, porém, Del Piero não estava em campo, para furar o bloqueio laziale em ótima cobrança de falta, e o placar não saiu do 0 a 0. De resto, foi tudo muito parecido. Os donos da casa pressionaram bastante desde o início da partida, mas esbarraram em boas defesas de Marchetti e na falta de pontaria dos atacantes. No fim do jogo, a Velha Senhora somava 16 chutes a gol (a maioria sem perigo), contra apenas três da Lazio.

Pogba, que substituiu Pirlo, fez mais uma boa partida e a ausência do maestro não pesou. Do lado direito do campo, porém, Isla foi muito mal no lugar de Lichtsteiner e comprometeu as investidas do time por ali. Quando Pepe entrou, no segundo tempo, as coisas melhoraram. No ataque, Giovinco mostrou (mais uma vez) que não é o goleador que a Juve precisa e Quagliarella não conseguiu manter o bom momento. Do lado da Lazio, destaca-se a ótima disciplina tática e poder de marcação. Petkovic agradece. Com o empate, a Juve permanece líder, quatro pontos à frente da Inter, e a Lazio continua na quinta posição. (Rodrigo Antonelli)

Inter 2-2 Cagliari

Um erro absurdo da arbitragem no final do jogo (pênalti não marcado sobre Ranocchia) não pode esconder o fato de que a Inter foi mal contra o Cagliari, em pleno Meazza. Desordem tática, erros infantis na defesa (cometidos principalmente pelo brasileiro Juan), e demora na leitura do jogo, por parte de Stramaccioni, são alguns dos motivos do tropeço interista frente aos sardos. O time da casa saiu na frente, com boa cabeçada de Palacio, mas depois o Cagliari ganhou o meio-campo e pressionou. Handanovic trabalhou muito, fez duas boas defesas, mas não conseguiu evitar o empate e a virada, com dois gols de Sau.

Depois de sofrer a virada, a Inter foi para frente de maneira desordenada. Um gol muito fácil perdido por Milito, praticamente debaixo das traves, quando a partida estava empatada em 1 a 1, parece ter baixado o moral da equipe. Depois da chance desperdiçada e da virada sofrida, Agazzi fez excelentes defesas, e só não esperava que Astori marcasse um gol contra bobo, cortando um cruzamento que iria para suas mãos. Na próxima semana, a Inter visita o Parma, enquanto o Cagliari recebe o Napoli.

Napoli 2-2 Milan

Um duelo que colocava frente a frente duas grandes promessas do futebol italiano. Enquanto Insigne, do Napoli, ainda não explodiu, de fato, o milanista El Shaarawy começa a comprovar toda a aposta que a direção rossonera fez nele. Depois de marcar seu primeiro gol pela Squadra Azzurra no jogo ante a França, na quarta-feira, salvou o Milan da derrota, com dois gols, em um jogo que poderia deixar o Napoli ainda mais perto da Juventus. Porém, enquanto o atacante cumpria seu papel e se isolava na artilharia do campeonato, com 10 gols, Abbiati comprometeu a partida. O arqueiro falhou no primeiro gol da equipe sulista, marcado por Inler logo nos minutos iniciais (e há quem credite falha sua no segundo, marcado por Insigne) e Galliani, das tribunas não perdoou. Soltou o verbo ("goleiro de m...") contra o goleiro justamente na semana que mesmo após ter elogiado o camisa 32, admitiu já pensar em outros goleiros para a meta do clube de Milão, entre eles, Perin, do Pescara.

A reação do Milan, a bem da verdade, foi possível porque o Napoli não matou o jogo. No primeiro tempo, após erro de Constant, Insigne poderia ter feito o terceiro, mas preferiu tocar (mal) para Cavani. Quando o jogo estava 2 a 1, Hamsík chutou para fora a bola que poderia definir o placar. Mas não dá para tirar os méritos do Milan. Apesar de ainda estar longe da parte de cima, a equipe vem tendo atuações melhores nos últimos jogos, dando esperanças de crescimento para sua torcida. Agora, o rubro-negro vai para um importantíssimo duelo na Champions League, quando o Milan visita o Anderlecht para tentar sacramentar a classificação. (Caio Delagiustina)

Sampdoria 3-1 Genoa

Quando entraram em campo, na última partida do domingo, Sampdoria e Genoa ocupavam, respectivamente, a penúltima e a última posições da tabela. Do lado da mandante, sete derrotas seguidas. Do outro, nove jogos sem vencer. Ou seja, quem perdesse, se afundaria de vez. E foi o que aconteceu com o Genoa. No início, a Samp tinha uma organização tática melhor, porém era o Genoa que chegava com mais perigo. Mas uma falha do sistema defensivo genoano pôs tudo a perder aos 16 minutos, quando Maresca tentou um chute de fora da área e a bola parou em Poli, que, completamente livre na área, marcou o primeiro gol doriano. Em nova falha defensiva rossoblù, Icardi puxou contra-ataque pela direita e chutou. Frey defendeu parcialmente, mas o lateral Bovo não conseguiu parar e acabou desviando uma bola simples para o fundo do gol. A Samp, com Icardi e Munari, poderia ter aberto 4 a 0 ainda no primeiro tempo.

Com uma postura diferente na volta do vestiário, o Grifone tomou conta do jogo no segundo tempo. Acuou a Samp em praticamente todo tempo, até que chegou ao gol aos 27 minutos, quando Immobile ficou com uma bola mal afastada pela defesa blucerchiata após chute mascado de Vargas. A partir daí, a pressão aumentou ainda mais, mas o golpe de misericórdia da Samp veio aos 43, quando Tissone fez excelente lançamento para Icardi, que bateu na saída de Frey e liquidou a partida. Foi o primeiro gol do jovem, estreante na Serie A. Com o resultado, o Genoa caiu para a lanterna, e a Samp, com o reencontro com as vitórias, subiu quatro posições, ficando no meio da tabela. (Thiéres Rabelo)

Roma 2-0 Torino

Sem brilhantismo, a Roma bateu o Torino, em um jogo muito morno, que fechou a rodada da Serie A nesta segunda. Depois da derrota no dérbi, e sem contar com De Rossi, os romanos se recuperaram bem e, pela primeira vez no ano, saíram de campo sem sofrer gols. Pudera: enfrentaram o Torino, que tem um estilo de jogo ofensivo, mas pouco conclusivo. No entanto, os romanos tiveram dificuldades contra a forte defesa turinense e só conseguiram abrir o placar graças a um pênalti muito mal marcado pelo árbitro de linha, que estava a menos de três metros do lance e errou.

Após a penalidade sofrida por Marquinho, convertida por Osvaldo, o jogo acabou ficando ainda mais lento. Gian Piero Ventura, técnico do Toro, acabou expulso por reclamação, e a equipe perdeu o norte dentro de campo. A Roma ainda marcou o segundo, depois que um chute de Pjanic acabou desviado para as redes, mas foi só. Na próxima rodada, o Torino recebe a forte Fiorentina, enquanto Zdenek Zeman retornará a Pescara, no confronto da sua Roma contra a equipe que levou à Serie A.

Udinese 2-2 Parma

O Parma arrancou um empate de 2 a 2 no fim da partida contra a Udinese, no Friuli. Sem seis jogadores afastados por lesão (Benatia, Pinzi, Gabriel Silva, Willians, Lazzari e Muriel), além de Danilo, suspenso, o técnico Francesco Guidolin estava longe de ter uma equipe forte para o confronto. No entanto, o retrospecto bancava a vitória bianconera: o Parma só tinha vencido a Udinese no Friuli uma vez, na década. Di Natale abriu a contagem com um bonito gol: após lançamento de Domizzi, o capitão dominou e encobriu Mirante. Brkic, ainda no primeiro tempo, salvou a Udinese numa forte cabeçada de Amauri.

Na etapa final, logo no começo, um redivivo Marchionni empatou. Na sequência, Mirante deu rebote em finalização de Basta e Pereyra estufou a rede, fazendo o segundo para a Udinese. Aos 35 minutos, Palladino entrou no lugar de Sansone para mudar o panorama da partida. Num gol bem parecido com o de Di Natale, o atacante do Parma definiu o resultado final no Friuli. Na próxima rodada, a Udinese tenta se reestabelecer no campeonato ao confrontar a Lazio, em Roma; por sua vez, o Parma joga em casa contra a Inter. (Murillo Moret)

Bologna 3-0 Palermo
O Bologna comprovou o que havíamos dito na crônica da última rodada e mostrou que realmente não tem um time tão fraco como a tabela nos faz querer acreditar. Diante do Palermo, a defesa funcionou mais uma vez e o ataque voltou a marcar, mesmo que dois dos três gols tenham sido de pênalti. O jogo foi bastante quente e, além dos dois pênaltis, oito cartões amarelos e quatro vermelhos foram mostrados (Taïder, do Bologna, e Ujkani, Barreto e Labrín, do Palermo, foram os expulsos). Recorde na temporada europeia até o momento.

Gilardino abriu o placar com um lindo chute de fora da área e chegou a seis gols nessa Serie A. Vale lembrar que Gila já passou dos 150 tentos na história da competição e, atrás de Totti e Di Natale, é o jogador que mais vezes marcou, entre aqueles ainda em atividade. Ainda na primeira etapa, o árbitro viu mão na bola de Donati e assinalou pênalti que Gabbiadini cobrou e ampliou. Também de pênalti, dessa vez sofrido por Gilardino, Diamanti fechou o placar no início da segunda etapa. Apesar da vitória, o Bologna respirou um pouco, mas não ficou longe da zona de descenso. Também com 11 pontos, mas logo atrás, vêm o próprio Palermo, Chievo e Pescara. (Anderson Moura)

Catania 2-1 Chievo

Há pouco a dizer sobre Catania e Chievo que não fuja do óbvio. Se, por um lado, o Chievo continua com problemas ofensivos e só ameaçou no final, quando perdia por 2 a 0, acertando a trave com Pellissier e marcando com Andreolli, o Catania mantém o ritmo da última temporada. Sétimo colocado, o time siciliano mantém o estilo de jogo de quando Montella era o técnico, e tem colhido os frutos. Um protagonista pouco falado é o novo técnico, Rolando Maran, que vem fazendo bom trabalho, preservando o melhor da equipe.

Neste domingo, a força do Catania no meio-campo apareceu na vitória. Lodi jogou bem, mais uma vez, e Almirón marcou os dois gols da vitória, dedicados a um filho que irá nascer nos próximos meses. Uma partida com pouco esforço, mas bom resultado, o que é, sem dúvidas, muito positivo na semana do dérbi siciliano, ante um Palermo desesperado, que estará cheio de desfalques. Já o Chievo enfrenta o Siena, em um jogo de equipes ameaçadas pelo rebaixamento.

Siena 1-0 Pescara

No jogo dos desesperados, o Siena conseguiu manter sua recuperação (eram quatro pontos em dois jogos) e conquistou mais três importantes pontos pela salvezza. A vitória contra um rival direto aproximou os bianconeri da saída da zona de rebaixamento, que agora está apenas um ponto distante. Do outro lado, a derrota culminou no pedido de demissão do técnico Stroppa, que acumulou oito derrotas em 13 partidas à frente do Pescara. O favorito para assumir o cargo é Franco Colomba, ex-treinador do Parma.

Os visitantes começaram o jogo em ritmo forte e surpreenderam o Siena, que parecia não esperar pela pressão. A tática funcionou nos primeiros minutos e o gol estava mais próximo do Pescara. Perto dos 20 minutos, contudo, os donos da casa conseguiram se equilibrar e ter o jogo nas mãos. Defendendo bem, aproveitava-se de contra-ataques para assustas o adversário. Aos 31 minutos, deu certo e Valiani fez o único gol do jogo. Em vantagem, o Siena melhorou e viu o goleiro Perin fazer boas defesas para evitar um placar maior. No fim da primeira etapa, o Pescara ainda teve chance de empatar, em cobrança de pênalti, mas não aproveitou: Pegolo rebateu cobrança de Vukusic. (RA)

Relembre a 12ª rodada aqui
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Seleção da rodada
Marchetti (Lazio); Konko (Lazio), Sorensen (Bologna), Rodríguez (Fiorentina), Morleo (Bologna); Nainggolan (Cagliari), Aquilani (Fiorentina), Poli (Sampdoria); El Shaarawy (Milan), Gilardino (Bologna), Sau (Cagliari). Técnico: Vincenzo Montella (Fiorentina).