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quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Parada de inverno, parte 1

Calar os críticos? Vai ser difícil para algumas equipes, como o Genoa de Immobile (AFP)
Publicado também na Trivela.

A Serie A está em recesso até o dia 5 de janeiro, em virtude das festividades de fim de ano e da parte mais rigorosa do inverno europeu, mas a coluna não para. Enquanto a bola não rola nos campos da Itália, trazemos a análise das primeiras 18 rodadas do campeonato e uma projeção do que pode acontecer nos próximos meses, em um especial dividido em duas partes, por ordem de classificação na tabela. Fique, agora, com o que de mais importante marcou a primeira parte do campeonato para as equipes classificadas entre a 20ª e 11ª colocações.

Siena
20ª posição. 18 jogos, 11 pontos, penalização de 6. 4 vitórias, 5 empates, 9 derrotas. 16 gols marcados, 26 sofridos.
Time-base: Pegolo; Felipe, Neto, Paci; Ângelo, Valiani, Vergassola, Bolzoni, Sestu (Del Grosso); Rosina; Calaiò.
Treinadores: Serse Cosmi, até a 17ª rodada, e Giuseppe Iachini a partir de então
Destaque: Gianluca Pegolo, goleiro
Artilheiro: Emanuele Calaiò, com 4 gols
Garçom: Francesco Valiani, com 4 assistências
Decepção: Zé Eduardo, atacante
Maior sequência de vitórias: 2 jogos, na 4ª e na 5ª rodada
Maior sequência de derrotas: 4, da 15ª à 18ª rodada
Maior sequência de invencibilidade: 4, da 11ª à 14ª rodada
Maior sequência sem vencer: 5, da 6 à 10ª rodadas e da 14 à 18ª rodada
Fair play: 46 cartões amarelos, 3 vermelhos
Expectativa: Não ser rebaixado

O Siena começaria o campeonato com -6 pontos e ainda fez um mercado contestável. As expectativas eram as piores possíveis e, embora, a equipe ocupe a lanterna, com 11 pontos, o trabalho não é ruim. Serse Cosmi vinha fazendo o que podia, com um elenco extremamente limitado, e ainda conseguiu somar um bom número de pontos, que seriam suficientes para deixar os senese fora da zona de rebaixamento, não fosse a punição. O 3-5-2 do treinador romano era sólido e, com um contra-ataque muito forte pelos lados do campo, conseguiu dar algumas esperanças para a torcida, com vitórias importantes sobre Inter, Bologna e Genoa, além de ajudar a ganhar pontos sobre quase todas as adversárias diretas ao rebaixamento.

Na defesa, que não é das piores, o goleiro Pegolo tem feito grande campeonato, e se tivesse a sua frente um ou dois zagueiros mais gabaritados que os instáveis Paci, Felipe e Neto (e, pior, no banco, Dellafiore e Contini), teria trabalho ainda mais facilitado. No ataque, as opções a Calaiò são Zé Eduardo e Bogdani, que juntos tem apenas 6 gols desde junho de 2011 - não é à toa que a equipe tem o pior ataque do campeonato em jogos dentro de casa. Sem Cosmi, demitido de maneira muito injusta, o Siena contará com Giuseppe Iachini, que dirigiu a equipe apenas na derrota contra o Napoli, na última rodada de 2012. Para continuar vendendo caro as derrotas, reforçar a defesa e contratar um reserva à altura do capitão Calaiò será fundamental. Para tornar a equipe mais atrativa, o novo técnico já estuda a volta de D'Agostino ao time titular, formando, com Rosina, uma dupla de jogadores que prometiam muito, mas não chegaram a explodir. Pode ser suficiente para o Siena reagir e escapar da degola.

Genoa
19ª posição. 18 jogos, 14 pontos. 3 vitórias, 5 empates, 10 derrotas. 18 gols marcados, 30 sofridos.
Time-base: Frey; Sampirisi, Granqvist, Canini, Antonelli (Moretti); Jankovic, Kucka, Bertolacci (Seymour), Tózser (Vargas); Borriello, Immobile.
Treinadores: Luigi De Canio, até a 8ª rodada, e Luigi Delneri a partir de então
Destaque: Andreas Granqvist, zagueiro
Artilheiro: Ciro Immobile, com 5 gols
Garçom: Luca Antonelli, com 3 assistências
Decepção: Juan Vargas, meio-campista
Maior sequência de vitórias: -
Maior sequência de derrotas: 6, da 8ª à 13ª rodada
Maior sequência de invencibilidade: 4, da 4ª à 7ª rodada
Maior sequência sem vencer: 9, da 5ª à 13ª rodada
Fair play: 44 cartões amarelos, 1 vermelho
Expectativa: Não ser rebaixado

Quando o Genoa deu o maior sufoco na Juventus e até ameaçou quebrar a invencibilidade da Velha Senhora, na 3ª rodada, a impressão é que o time então treinado por Luigi De Canio tinha ampla margem de evolução e poderia incomodar. Porém, depois de deixar escapar os três pontos contra a Juve, a maré virou e a equipe voltou a viver os momentos ruins da última temporada, quando o risco de rebaixamento permaneceu vivo até a última rodada. Com a crise, o destemperado presidente Enrico Preziosi achou por bem demitir De Canio, especialista em fazer bons trabalhos com material humano limitado, e efetivar Luigi Delneri, que fez grande trabalho na rival Sampdoria, três anos atrás. Em 10 jogos, o treinador friulano conseguiu apenas uma vitória, e já corre riscos de ser demitido. Até o estádio Marassi se tornou hostil e virou adversário: a equipe sofreu 19 gols em casa e tem apenas uma vitória em seus domínios.

No final das contas, o Genoa sofre com as consequências de sua grande desorganização interna e do fato de o clube ser um grande trampolim para os negócios de Preziosi. Nos últimos cinco anos, o Genoa foi o clube mais ativo nas janelas de transferências - foram incríveis 359 transações envolvendo, em sua maioria, jogadores que nem vestiram o azul e vermelho genoano. As quase completas reformulações de elenco e o fato de nenhum treinador esquentar uma cadeira no banco de reservas desde Gian Piero Gasperini deixam o ambiente completamente desorganizado e quase sem perspectivas. Grupos de torcedores já protestaram contra a política do clube e exigiram que Preziosi venda o clube para investidores mais interessados em fazer o clube progredir dentro de campo. Para o presidente, que permanece no cargo, o consolo é que Bertolacci e Immobile são dois dos jovens mais promissores do país, estão jogando bem e podem render uma boa grana - assim como o zagueiro sueco Granqvist, líder de desarmes no campeonato. Independentemente de o clube voltar para a Serie B, como parece provável, ou não.

Palermo
18ª posição. 18 jogos, 15 pontos. 3 vitórias, 6 empates, 9 derrotas. 15 gols marcados, 27 sofridos.
Time-base: Ujkani; Múñoz, Donati, Von Bergen; Morganella, Barretto, Arévalo Ríos (Kurtic), García; Ilicic, Miccoli, Brienza.
Treinadores: Giuseppe Sannino, até a 3ª rodada, e Gian Piero Gasperini a partir de então
Destaque: Fabrizio Miccoli, atacante
Artilheiro: Fabrizio Miccoli, com 5 gols
Garçom: Franco Brienza, com 5 assistências
Decepção: Samir Ujkani, goleiro
Maior sequência de vitórias: -
Maior sequência de derrotas: 2, quatro vezes
Maior sequência de invencibilidade: 5, da 6ª à 10ª rodada
Maior sequência sem vencer: 5, duas vezes. Da 1ª à 5ª rodada e da 6ª à 11ª rodada
Fair play: 33 cartões amarelos, 6 vermelhos
Expectativa: Não ser rebaixado

A história do Palermo é muito parecida com a do Genoa, o que mostra como um ambiente atribulado pode atrapalhar mesmo equipes que tem potencial para estarem em um lugar mais alto da tabela. Genoveses e palermitanos tem elencos razoáveis e, no papel, não deveriam esperar uma briga pelo rebaixamento, mas o acúmulo de desorganização está fazendo o horizonte mudar. No caso do Palermo, o clube tem entrado menos no mercado e o presidente Zamparini até se afastou um pouco do dia a dia do clube. Porém, falta filosofia de futebol: o clube trocou de diretor técnico com a temporada em andamento e, com apenas três rodadas o planejamento da pré-temporada havia ido para o lixo. No banco, após três derrotas em três jogos, saiu o defensivismo de Sannino e entrou o ofensivismo de Gasperini. Não poderia dar certo.

Gasperini tem feito a equipe jogar de uma forma muito mais agradável e eficiente que a do seu antecessor, mas ainda falta consistência. Gasp tem tentado ajustar as peças que tem em mãos a seu esquema tático e até improvisou o meia Donati como líbero de seu 3-4-3 - muitas vezes, tem aberto mão de seu esquema para utilizar um 3-5-2, em virtude das características do elenco. A falta de consistência se deve, sobretudo, a uma defesa com peças muito questionáveis, como Múñoz, e também ao inseguro goleiro Ujkani, que voltou à Sicília com créditos, após boa passagem pelo Novara, mas tem falhado demais. Os números dizem que o ataque é o menos efetivo do campeonato, mas Brienza e Miccoli tem distribuído qualidade e Ilicic voltou a jogar bem - até agora, o maior mérito do treinador, que achou seu melhor posicionamento em campo, um pouco mais avançado. A volta de Hernández, machucado, pode ajudar o time, que às vezes se ressente da falta de um jogador mais de área.

Cagliari
17ª posição. 18 jogos, 16 pontos. 4 vitórias, 4 empates, 10 derrotas. 16 gols marcados, 33 sofridos.
Time-base: Agazzi; Pisano, Astori, Rossettini (Ariaudo), Danilo Avelar; Dessena, Conti, Nainngolan; Ekdal (Cossu, Ibarbo); Sau (Thiago Ribeiro), Nenê (Pinilla).
Treinadores: Massimo Ficcadenti, até a 6ª rodada, e Ivo Pulga a partir de então
Destaque: Daniele Conti, meio-campista
Artilheiro: Marco Sau, com 5 gols
Garçom: Nenê e Andrea Cossu, ambos com 3 assistências
Decepção: Radja Nainggolan, meio-campista
Maior sequência de vitórias: 4, da 7ª à 10ª rodada
Maior sequência de derrotas: 5, da 14ª à 18ª rodada
Maior sequência de invencibilidade: 4, da 7ª à 10ª rodada
Maior sequência sem vencer: 6, da 1ª à 6ª rodada
Fair play: 53 amarelos, 2 vermelhos
Expectativa: Não ser rebaixado

Sem fugir do esperado, o Cagliari vai levando sua temporada como se previa: com dificuldades, mas alguns lampejos que mantém o time fora da zona de rebaixamento. Na primeira parte da temporada, a equipe teve de superar os problemas estruturais do seu estádio improvisado, e sofreu com isso, conseguindo a primeira vitória em casa apenas na oitava rodada. Jogando na Is Arenas, o Cagliari perdeu cinco partidas e sofreu quinze gols, sendo um dos piores mandantes do campeonato. A temporada começou em baixa, com Ficcadenti, e a troca de treinador acabou dando certo em um primeiro momento, já que nos primeiros quatro jogos sob o comando de Ivo Pulga - que divide as responsabilidades com Diego López - o time somou 12 de seus 16 pontos. O que preocupa os torcedores é que a cura para a má fase parece ter chegado ao fim: com cinco derrotas nos últimos jogos do ano.

O que também preocupa a torcida cagliaritana é que alguns jogadores importantes não tem ido bem. Casos de Cossu, que caiu muito desde grande fase em 2010, e Nainggolan, que decidia partidas para os sardos e, depois de entrar na mira de equipes maiores e permanecer vestindo rossoblù, está apagado. O mesmo acontece com o habilidoso Ibarbo, que não tem conseguido se firmar no time titular, depois de ótimas apresentações na última temporada. Na defesa, Astori e Agazzi alternam apresentações de alto nível com erros infantis. Ao menos, Conti mantém a regularidade no meio-campo e o atacante Sau, vice-artilheiro da última Serie B pela Juve Stabia, tem jogado bem. Seus gols podem ajudar a equipe a se afastar da zona da degola.

Pescara
16ª posição. 18 jogos, 17 pontos. 5 vitórias, 2 empates, 11 derrotas. 15 gols marcados, 35 sofridos.
Time-base: Perin; Zanon (Balzano), Bocchetti (Terlizzi), Capuano, Modesto; Nielsen, Cascione, Bjarnasson (Colucci); Weiss, Quintero; Abbruscato (Vukusic).
Treinadores: Giovanni Stroppa, até a 13ª rodada, e Cristiano Bergodi a partir de então
Destaque: Mattia Perin, goleiro
Artilheiro: Vladimír Weiss, com 3 gols
Garçom: Cinco jogadores, com 2 assistências
Decepção: Marco Capuano, zagueiro
Maior sequência de vitórias: 2, na 5ª e 6ª rodada
Maior sequência de derrotas: 4, da 12ª à 15ª rodada
Maior sequência de invencibilidade: 3, da 4ª à 6ª rodada
Maior sequência sem vencer: 4, três vezes
Fair play: 48 cartões amarelos, 6 vermelhos
Expectativa: Não ser rebaixado

Na raça: mesmo com um elenco cheio de jogadores sem experiência prévia na Serie A, o Pescara tem surpreendido e, neste momento, está fora da zona de rebaixamento. Depois de três derrotas nas primeiras rodadas, em jogos nos quais a equipe mal ofereceu dificuldades às rivais, e com sonoras goleadas como o 5 a 1 sofrido ante o Napoli ou o 6 a 1 aplicado pela Juventus em pleno estádio Adriatico, muitos pensaram que os golfinhos repetiriam os pífios desempenhos de equipes como Ancona e Treviso, que deram vexame na elite. Porém, mesmo com muitos números negativos (a equipe tem o pior ataque, a pior defesa e o maior número de derrotas do campeonato), a equipe tem sobrevivido graças a alguns jovens.

Primeiramente, quem tem salvado a pátria é o goleiro Perin, evitando resultados ainda piores. Mesmo com os números jogando contra, o jovem de 20 anos é um dos melhores arqueiros da temporada e chegou a ser considerado na renovação proposta pelo Milan. No setor de criação, destacam-se Weiss (23 anos) e Quintero (19), dois jogadores habilidosos que, para o desespero da torcida, não tem um atacante mais eficiente para abastecerem. A aposta na juventude nem sempre traz resultados imediatos (casos dos zagueiros Capuano e Romagnoli, que fizeram grande Serie B, mas tem ido mal na elite), mas é a prova de que mais vale dar espaço a gente que quer mostrar potencial do que para jogadores experientes e meia-boca, como Blasi, Colucci ou Abbruscato, que não rendem o bastante. Essa aposta pode render ao Pescara mais uma temporada de sonho.

Sampdoria
15ª posição. 18 jogos, 17 pontos, penalização de 1. 5 vitórias, 3 empates, 10 derrotas. 20 gols marcados, 27 sofridos.
Time-base: Romero; Berardi, Rossini, Gastaldello, Costa; Poli (Munari), Maresca, Obiang; Éder (Kristicic), Maxi López (Icardi), Estigarribia (Soriano).
Treinadores: Ciro Ferrara, até a 17ª rodada, e Delio Rossi a partir de então
Destaque: Jonathan Rossini, zagueiro
Artilheiro: Enzo Maresca e Maxi López, com 3 gols
Garçom: Éder e Fernando Tissone, com 2 assistências
Decepção: Simon Poulsen, lateral esquerdo
Maior sequência de vitórias: 3, da 1ª à 3ª rodada
Maior sequência de derrotas: 7, da 6ª à 12ª rodada
Maior sequência de invencibilidade: 5, da 1ª à 5ª rodada
Maior sequência sem vencer: 9, da 4ª à 12ª rodada
Fair play: 44 cartões amarelos, 6 vermelhos
Expectativa: Não ser rebaixada

A temporada doriana não poderia ter começado melhor: o time venceu seus três primeiros jogos e chegou até a liderar o campeonato. Depois de cinco jogos sem perder, no entanto, o fôlego acabou e a equipe engatou sete derrotas seguidas, que abalaram o ambiente e a puxaram para a zona perigosa da tabela. O técnico Ferrara, que havia chegado após grande trabalho com a seleção italiana sub-21, parecia se garantir no cargo depois de deixar o pior para trás com uma vitória sobre o Genoa no dérbi da cidade, outra contra o Bologna e um empate em Florença, contra a Fiorentina. Porém, duas derrotas fizeram a diretoria demiti-lo após a 17ª rodada  e trazer Delio Rossi, que já teve passagem pelo Genoa. Em tese, o estilo de jogo da equipe deve mudar pouco. Com Ferrara, a Samp atuava no 4-3-3, e agora o time deve atuar de forma mais centralizada, em um 4-3-1-2.

Sem grandes destaques individuais e sem muitos defeitos, a Sampdoria tem sido um dos times mais sem sal da temporada italiana e tem tudo para continuar no mesmo ritmo. De positivo, merecem elogios o espaço dado a alguns jogadores novos, como os suíços Berardi (que barrou o antigamente badalado De Silvestri na lateral direita) e Rossini ou o volante Obiang, da seleção sub-21 espanhola. No meio-campo, quem reconquistou a titularidade e deve ser ainda mais importante após a chegada de Rossi é Poli, que teve passagem mediana pela Inter. Por outro lado, Estigarribia, prestes a perder espaço no esquema do novo técnico, e o dinamarquês Poulsen, são candidatos a flops da temporada.

Bologna
14ª posição. 18 jogos, 18 pontos. 5 vitórias, 3 empates, 10 derrotas. 21 gols marcados, 25 sofridos.
Time-base: Agliardi; Sorensen, Antonsson, Cherubin; Garics, Kone (Pérez), Guarente (Pazienza), Morleo; Diamanti, Taïder; Gilardino.
Treinador: Stefano Pioli
Destaque: Alberto Gilardino, atacante
Artilheiro: Alberto Gilardino, com 6 gols
Garçom: Alessandro Diamanti e Györgi Garics, com 2 assistências
Decepção: Gianluca Curci, goleiro
Maior sequência de vitórias: -
Maior sequência de derrotas: 4, da 7ª à 10ª rodada
Maior sequência de invencibilidade: 3, da 15ª à 17ª rodada
Maior sequência sem vencer: 6, da 7ª à 12ª rodada
Fair play: 45 cartões amarelos, 3 vermelhos
Expectativa: Meio da tabela

O elenco do Bologna já era razoável na última temporada, e ganhou alguns ótimos reforços para 2012-13, como Guarente, Pazienza, Gabbiadini e Gilardino. A expectativa era, portanto, de que o time crescesse ainda mais e lutasse para superar a 9ª posição conseguida no fim do último campeonato. Porém, o time demorou a engrenar e chegou a frequentar a zona de rebaixamento até meados de outubro, quando começou a entrar nos eixos e somar pontos. O maior problema da equipe de Pioli é o desempenho fora de casa: são sete derrotas e uma vitória em oito jogos. Outro problema, um pouco menor, é que Diamanti tem sido menos decisivo. Marcou cinco gols e deu duas assistências, mas não tem encantado.

Se o trequartista não tem jogado no máximo de sua forma, o Bologna ao menos pode se gabar de estar vendo Gilardino ressucitar no estádio Renato Dall'Ara. Depois de cerca de dois anos jogando mal, o artilheiro voltou a jogar bem e já tem seis gols no campeonato. Seu reserva, Gabbiadini, também tem aparecido bem e já deixou três gols. Como a equipe está crescendo e terá a volta de Portanova, que estava suspenso, à defesa, e a provável contratação do goleiro Sorrentino, do Chievo, o cenário para 2013 é muito bom. Suficiente para um campeonato sem sustos e, quem sabe, surpreender na Coppa Italia: a equipe eliminou o Napoli, no San Paolo, e pelas quartas de final, enfrentará a Inter.

Torino
13ª posição. 18 jogos, 19 pontos, penalização de 1. 4 vitórias, 8 empates, 6 derrotas. 20 gols marcados, 22 sofridos.
Time-base: Gillet; Darmian, Glik, Ogbonna (Rodríguez), D'Ambrosio; Cerci, Vives (Basha, Brighi), Gazzi, Santana (Stevanovic); Bianchi, Meggiorini.
Treinador: Giampiero Ventura
Destaque: Alessio Cerci, meio-campista
Artilheiro: Rolando Bianchi, com 6 gols
Garçom: Alessio Cerci, com 4 assistências
Decepção: Gianluca Sansone, atacante
Maior sequência de vitórias: -
Maior sequência de derrotas: 2, duas vezes. Na 3ª e 4ª rodadas, e na 15ª e 16ª rodadas
Maior sequência de invencibilidade: 3, duas vezes. da 4ª à 6ª rodada e da 10ª à 12ª rodada
Maior sequência sem vencer: 5, duas vezes. Da 7ª à 11ª rodada e da 13ª à 17ª rodada
Fair play: 39 cartões amarelos, 2 vermelhos
Expectativa: Meio da tabela

Depois de subir com alguma folga na última temporada, o Torino manteve quase toda a sua base e fechou com alguns reforços importantes. No ofensivo 4-4-2 de Ventura, chamado por muitos de 4-2-4, a melhor defesa é o ataque, uma vez que o time mantém muito a posse de bola no seu próprio campo de ataque. Curiosamente, o ataque não é dos mais fortes, mas a defesa (6ª mais eficiente do campeonato) é a que menos sofreu gols entre os times que estão abaixo dos cinco primeiros. Méritos de jogadores pouco badalados, como Glik e D'Ambrosio, mas também do trabalho de posse de bola desenvolvido por Gazzi no meio-campo. A defesa ainda pode evoluir muito, se o goleiro Gillet voltar a seus melhores dias e quando Ogbonna estiver plenamente livre dos problemas físicos que o tem atrapalhado.

No ataque, Cerci caiu como uma luva na ponta-direita do time e até mesmo o argentino Santana, que vinha jogando apenas graças a sua reputação desde meados de 2010, voltou a apresentar um bom futebol. O capitão Bianchi, que não vinha marcando muitos gols, também passou a ter mais participação na produção ofensiva do time e já tem 6 gols na temporada. Falta agora que Sansone, autor de 20 gols pelo Sassuolo na última Serie B, comece a mostrar serviço - marcou apenas um gol até agora. Graças a solidez e o entrosamento do elenco, dificilmente o Toro passará da 10ª posição, mas também não terminará o campeonato correndo riscos. Mas sem problemas: o importante para os turinenses, agora, é se firmar novamente na elite.

Chievo
12ª posição. 18 jogos, 21 pontos. 6 vitórias, 3 empates, 9 derrotas. 20 gols marcados, 29 sofridos.
Time-base: Sorrentino; Sardo, Dainelli, Andreolli (Cesar), Dramé; Guana, Rigoni, Luciano (Cofie); Hetemaj; Théréau, Pellissier.
Treinadores: Domenico Di Carlo, até a 6ª rodada, e Eugenio Corini a partir de então
Destaque: Stefano Sorrentino, goleiro
Artilheiro: Alberto Paloschi, com 5 gols
Garçom: Luciano, com 3 assistências
Decepção: Marco Rigoni, meio-campista
Maior sequência de vitórias: 3, da 15ª à 17ª rodada
Maior sequência de derrotas: 5, da 2ª à 6ª rodada
Maior sequência de invencibilidade: 3, da 15ª à 17ª rodada
Maior sequência sem vencer: 5, da 2ª à 6ª rodada
Fair play: 44 cartões amarelos, 3 vermelhos
Expectativa: Não ser rebaixado

Depois de realizar um bom trabalho pelo Chievo pela segunda vez, durou pouco o segundo ano de contrato do técnico Di Carlo. Na 6ª rodada, após cinco derrotas em sequência, o comandante deu espaço a outro calvo com história no clube: o ex-regista Corini. Até o momento, a mudança vem dando certo e Corini está emplacando seu primeiro bom trabalho na curta carreira de treinador. Ele manteve a mesma estrutura tática que tem movido o futebol clivense desde meados da década passada, e apenas adiantou o finalndês Hetemaj para ocupar a função de trequartista. Participativo, Hetemaj tem contribuído com a armação do jogo, ao contrário de Théréau, Luciano e Cruzado, que também atuaram por ali. No ataque, porém, Pellissier não tem sido tão importante quanto já foi, sobretudo porque a idade está chegando e os problemas físicos também.

Neste cenário, uma possível saída do goleiro Sorrentino para o Bologna pode acabar sendo muito sentida, já que nos últimos tempos, os dois eram os grandes responsáveis pela manutenção do Chievo na elite. Para isso, é importante que Paloschi, reserva de Pellissier, tenha mais chances, mesmo que ao lado do próprio capitão. Paloschi é o artilheiro da equipe até o momento, com 5 gols - um a mais que o ídolo gialloblù -, e tem margem de crescimento. Corini precisa corrigir dois grandes problemas: fazer sua equipe ficar mais ligada no início das partidas e na volta ao segundo tempo, já que o Chievo marcou apenas um gol nos primeiros 15 minutos dos tempos, em todo o campeonato - por outro lado, sofreu sete. Isso tem sido fundamental sobretudo em jogos fora de casa, nos quais o aproveitamento da equipe é muito baixo. Foram sete derrotas e duas vitórias, 20 gols sofridos. A salvação passará pela solução destes problemas.

Atalanta
11ª posição. 18 jogos, 22 pontos, penalização de 2. 7 vitórias, 3 empates, 8 derrotas. 18 gols marcados, 27 sofridos.
Time-base: Consigli; Raimondi, Manfredini, Stendardo (Lucchini), Peluso; Schelotto, Cigarini, Carmona (Biondini), Bonaventura; Moralez; Denis.
Treinador: Stefano Colantuono
Destaque: Germán Denis, atacante
Artilheiro: Germán Denis, com 7 gols
Garçom: Germán Denis, com 4 assistências
Decepção: Ezequiel Schelotto, meio-campista
Maior sequência de vitórias: 3, da 10ª à 12ª rodada
Maior sequência de derrotas: 3, duas vezes. Da 5ª à 7ª rodada e da 13ª à 15ª rodada
Maior sequência de invencibilidade: 5, da 8ª à 12ª rodada
Maior sequência sem vencer: 3, duas vezes. Da 5ª à 7ª rodada e da 13ª à 15ª rodada
Fair play: 46 cartões amarelos, 6 vermelhos
Expectativa: Meio da tabela

Mais uma equipe que demorou de engrenar no campeonato, a Atalanta também não deve ter muitas dificuldades para assegurar sua permanência. Os bergamascos só começaram a jogar bem na Serie A quando Denis voltou a ser o mesmo da última temporada. Pelo segundo ano consecutivo, o argentino é o dono do time, com sete gols e quatro assistências. Quem tem sido seu grande coadjuvante, desta vez, não é Moralez, mas sim Bonaventura, jogador de 24 anos formado nas ótimas categorias de base atalantinas. O meia já tem quatro gols na atual edição da Serie A. Se do lado esquerdo do 4-4-1-1 Bonaventura tem se destacado, no lado oposto do campo, Schelotto caiu muito de produção e tem ajudado menos a equipe do que Raimondi, lateral que sobe muito e o auxilia no ataque.

Valeu a pena a confiança da direção no trabalho de Colantuono, um dos técnicos com mais tempo no cargo na Itália - já são dois anos e meio de sucesso na equipe nerazzurra. Nos momentos mais difíceis, a diretoria bancou a sua continuidade e colheu os frutos. A equipe evoluiu e conseguiu ótimas vitórias sobre grandes adversárias, como Roma, Inter e Napoli - sem contar na vitória sobre o Milan, mesmo antes de a equipe se acertar. Tirando pontos dos grandes e também vencendo a maior parte dos seus confrontos diretos, a Atalanta deve ter um resto de certame bem tranquilo.

domingo, 23 de dezembro de 2012

18ª rodada: A mais forte

Jogando mal e aos trancos e barrancos, a Juve vence. Vai ser difícil desbancá-la (Caught Offside)
Cada vez mais parece difícil que o scudetto fique longe de Turim. Mais uma vez, a Juventus se demonstra absolutamente superior a seus adversários e, mesmo sem jogar bem, tem vencido suas partidas, como o complicado embate contra o Cagliari.  A campeã ainda bate recordes e amplia sua vantagem na liderança. É, sem dúvidas, a mais forte equipe da Itália. O que não quer dizer que será campeã, mas assegura enorme vantagem.
O blog trará as análises das equipes na parada de inverno, mas diminuirá sua frequência de postagens até a retomada da Serie A, no dia 5 de janeiro. Enquanto isso, acompanhe o resumo da rodada e, depois, continue acompanhando nossas atualizações nas redes sociais.

Cagliari 1-3 Juventus
Não foi fácil, mas a Juventus conseguiu derrotar o Cagliari por 3 a 1 no campo neutro de Parma, na sexta-feira, e conseguiu bater o próprio recorde de pontos em um único ano: em 2005, a Juve de Capello somou 93 pontos; já a de Conte, com esta vitória, chegou aos 94 pontos no ano de 2012 e tem a melhor marca da história da Serie A. Quarta vitória seguida, oito pontos de vantagem para o vice-líder, mas não foi tão simples como parece. O Cagliari, que teve sua Is Arena interditada e não teve a boa vontade dos juventinos para jogar na Sardenha, vendeu caro o resultado, que só se tornou favorável aos bianconeri a quatro minutos do apito final.

Pois quem abriu o marcador foi o Cagliari, logo aos 16 do primeiro tempo, com Pinilla cobrando pênalti erroneamente marcado pela arbitragem. Sem criatividade, a Velha Senhora teve dificuldades para superar a bem postada defesa rossoblù. E assim foi até aos 20 do segundo tempo, quando o capitão sardo Astori foi expulso - e os cagliaritanos poderiam ter tido mais outros jogadores expulsos. Não demorou muito e Matri, ex-jogador do Cagliari vindo do banco, empatou a partida aos 30 minutos, aproveitando rebote do goleiro Agazzi na pequena área (Vidal havia errado um pênalti, também mal marcado, dois minutos antes). Com um homem a mais, a Juve pressionou os sardos e esbarrava em Agazzi, até chegar à virada aos 47, quando o mesmo Matri aproveitou-se de um erro clamoroso do brasileiro Nenê na área e fez o segundo. A um minuto do fim, Giovinco ainda fez boa jogada individual e Vucinic, debaixo da trave, "tirou"o gol do baixinho para fechar o placar. (Thiéres Rabelo)

Sampdoria 0-1 Lazio
Gênova proporcionou boas coisas à Lazio nesta última rodada de 2012. O empate que o Genoa arrancou da Inter em Milão foi uma motivação a mais para a equipe biancoceleste que visitou o Marassi e derrotou a Samp por 1 a 0. Com o resultado, os biancocelesti assumem a vice-liderança da Serie A, com 36 pontos. A Samp, que teve a estreia de Delio Rossi como novo treinador, perde a terceira seguida e cai mais uma posição, agora 15ª, dois pontos à frente do Palermo, primeiro time dentro da zona de rebaixamento.

Rossi escalou a Samp com dois atacantes, Éder e Icardi, diferentemente do esquema que Ciro Ferrara vinha utilizando, com Icardi isolado. Isso resultou em uma postura agressiva dos donos da casa na primeira metade do primeiro tempo, com várias chances claras de gols. Mas, aos 31, em uma bola mal afastada na área blucerchiata, Hernanes aproveitou o rebote e fuzilou rasteiro para abrir o placar. A partir daí, a Samp não mais se encontrou e viu a Lazio dominar a posse de bola e se fechar na defesa, para assegurar a vitória e fechar 2012 com um sorriso no rosto. O técnico Vladimir petkovic vai caindo nas graças da torcida: apenas Sven-Göran Eriksson e Tommaso Maestrelli (que foram campeões com os laziali) tiveram melhor aproveitamento. (TR)

Inter 1-1 Genoa
Fechando o desastroso ano de 2012, Inter e Genoa repetiram aquilo que mais fizeram no ano: tropeçaram. Enquanto o Genoa perdeu a chance de aliviar a barra do grupo para a segunda parte da temporada, a Inter caiu em seus próprios erros e viu a rival Juventus disparar na liderança e ainda ser ultrapassada por Lazio e Fiorentina. No Giuseppe Meazza, um primeiro tempo de poucas chances e superioridade da Inter, que variou entre o 3-4-3, o 4-3-3 e o 4-4-2, dominava a posse de bola e a vantagem territorial, mas não conseguia criar e, consequentemente, finalizar. O Genoa, por sua vez, se portava bem atrás e saía em contra-ataques. 

Na segunda etapa, Stramaccioni mudou, a Beneamata pressionava e a falta de qualidade na criação ainda era empecilho. E como quem não faz, leva, o Genoa soube aproveitar um dos poucos vacilos defensivos nerazzurri: saída de bola errada com Gargano, lançamento de Antonelli para Immobile nas costas de Zanetti, vencendo Ranocchia na velocidade e se antecipando a Samuel para finalizar contra Handanovic, que também falhou no lance. Somente na base do abafa a Inter empatou, quando após levantamento na área despretensioso de Cassano, Cambiasso, livre, impediu o vexame interista e a quebra de um tabu de 18 anos sem vitórias dos grifoni em Milão.

Palermo 0-3 Fiorentina
E a Fiorentina de Montella segue fazendo suas vítimas na Serie A. Sem a pressão de uma equipe grande, os toscanos passearam diante do Palermo de Gasperini e subiram na tabela. O técnico palermitano ao menos comeu o panetone, como se diz no Belpaese, mas está cada vez mais em rota de colisão com o presidente Maurizio Zamparini.

Com Jovetic de volta ao onze inicial após um mês parado por lesão, foram através dos pés do montenegrino que as principais chances saíram, contando com a boa participação de Cuadrado, Aquilani, Valero, Pasqual e do velho Toni. Em ritmo mais baixo, os gols saíram apenas na etapa final, com Jovetic, duas vezes: um após passe em profundidade de Cuadrado, outro após pênalti sofrido por Toni, com direito a “cavadinha”. Também de pênalti, Gonzalo Rodríguez fechou a conta. (AB)

Siena 0-2 Napoli
A partida realizada no Artemio Franchi foi decidida apenas nos minutos finais. Siena e Napoli viviam situações bem parecidas, apesar da distância na tabela de classificação. Sob comando do novo treinador, Giuseppe Iachini, a equipe bianconera foi eliminada da Coppa Italia pela Lazio, nos pênaltis; o Napoli vinha de quatro derrotas seguidas (campeonato, Coppa e Liga Europa). Também foi a primeira partida pelo torneio nacional após a suspensão de Cannavaro e Grava por manipulação de resultados. Em campo, os partenopei perderam muitas chances durante os dois tempos e os gols só vieram no fim da etapa complementar.

Aos 40 minutos, Maggio desviou cruzamento de Hamsík para fazer a festa da torcida azul na Toscana. Momentos depois, Felipe derrubou Pandev dentro da área e, de pênalti, Cavani deu números finais ao jogo. O uruguaio chegou ao gol de número 13 na atual temporada. O Napoli permanece na 5ª colocação após a vitória. Com 11 pontos, o Siena continua na lanterna e tem desfalque importante para o primeiro jogo do returno, contra o Milan, em janeiro: Calaiò foi expulso e está de fora. (Murillo Moret)

Roma 4-2 Milan
Mais uma vez, a Roma de Zeman deu espetáculo. No Olímpico, a equipe giallorossa chegou a abrir 4 a 0 sobre o Milan, e só sofreu dois gols porque, com um a menos desde a injusta expulsão de Marquinhos, se abriu ainda mais. Mesmo assim, no confronto direto da rodada, os romanistas ampliaram a vantagem sobre os rossoneri de dois para cinco pontos, e mantiveram a 6ª posição, com 32 pontos, contra 27 do Milan.

No primeiro tempo, a Roma praticamente matou o jogo, marcando 3 a 0: primeiro Burdisso, de cabeça, depois com Osvaldo, em mais uma assistência de Totti (melhor em campo) e, outra vez, com Lamela, que marcou depois de lindo passe de De Rossi. De volta ao time titular, o vice-capitão romano jogou muito bem, e foi elogiado por Zeman depois do jogo. Provavelmente voltará ao time titular, barrando Tachtsidis. Na segunda etapa, Lamela marcou mais um, saindo do jejum que durava desde outubro com estilo - chegou aos 10 gols no campeonato. Pazzini e Bojan ainda diminuíram, mas o ano do Milan termina em baixa, depois de uma alta nas últimas rodadas.

Bologna 1-2 Parma
O Parma voltou a vencer o dérbi da Emília-Romanha ao derrotar o Bologna por 2 a 1. A última vitória, até então, tinha sido em 1998. Após o primeiro tempo sem chances, Sorensen, após confusão dentro da área, acertou um bonito chute com a perna direita para marcar o primeiro gol da partida. Porém, o time da casa mal teve tempo de comemorar. Valdés arriscou um chute da intermediária e acertou o ângulo direito, marcando um golaço no Renato Dall’Ara. Sansone virou a partida e levou o cartão amarelo ao comemorar na frente do capitão adversário, Diamanti. Roberto Donadoni substituiu o atacante por Acquah e brigou com Sansone, pela atitude irônica.

Os rossoblù tentaram uma reação em cobrança de falta de Diamanti, mas Pavarini conseguiu fazer a defesa. Sem Paletta, suspenso, a defesa palermitana se portou muito bem com Benalouane, Santacroce, Lucarelli e Gobbi. O lateral-esquerdo, aliás, salvou o Parma ao travar Gabbiadini dentro da área, durante o primeiro tempo. Na parada de inverno, o Parma arrancou a 8ª posição do Catania, subindo aos 26 pontos; o Bologna caiu para a 14ª colocação, permanecendo com 18 pontos. (MM)

Atalanta 1-1 Udinese
Depois de eliminada pela Fiorentina na Coppa Italia em um jogo no qual o time foi desastroso, a Udinese viajou até Bergamo com a missão de encarar a sempre complicada Atalanta. Com Di Natale de fora, Francesco Guidolin apostou novamente em Muriel, que parece estar reencontrando o bom futebol com o qual se destacou na temporada passada.

Apesar de sufocado pelo time nerazzurro, Brkic pouco trabalhou. Na primeira – e única – oportunidade, Muriel em uma acrobacia no melhor estilo Ibrahimovic, sem chances para Consigli, abriu o placar para os friulanos. Mas nem deu para saborear a vantagem e minutos depois, o árbitro Marco Guida aponta um pênalti muito controverso de Angella em Peluso. Na cobrança, Denis empatou a partida. Na segunda etapa, a pressão do time bergamasco continuou e Denis bem que tentou marcar o segundo, mas Badu tirou em cima da linha, salvando a Udinese de mais uma derrota e conseguindo um ponto importantíssimo, embora não mude a situação de nenhuma das duas equipes, que continuam no meio da tabela. (Caio Dellagiustina)

Torino 2-0 Chievo
Bastaram 26 minutos para que os torcedores do Torino tivessem a certeza de que o Natal seria tranquilo, como há muito não acontecia. A missão de bater o Chievo, que vinha de três vitórias consecutivas, inclusive a última sobre a Roma no Olímpico, parecia difícil, mas bastou a bola rolar para que os comandados de Eugenio Corini se mostrassem irreconhecíveis no jogo.

Primeiro Glik, de cabeça e depois Gazzi, num chute de fora da área, desviado por Andreolli, marcaram os gols do Toro, que pouco viram os gialloblù chegarem perto do gol de Gillet. Nas poucas oportunidades, o arqueiro belga fez belas intervenções que ajudaram o time a se distanciar da zona do rebaixamento. O jogo estava tão calmo que a torcida granada já pensava em 2013, especialmente no mercado de transferências, e a possível perda de seu capitão, Rolando Bianchi, especulado em times como Fiorentina, Napoli e Parma, além de times do futebol australiano. (CD)

Pescara 2-1 Catania
No jogo que abriu a rodada, o Pescara conseguiu sua primeira vitória desde que o técnico Cristiano Bergodi assumiu a equipe, no início do mês. Frente a um organizado Catania, a equipe do Abruzzo conseguiu somar três pontos preciosíssimos, que valeram o término de 2012 fora da zona de rebaixamento. Com 17 pontos, dois a mais que o Palermo, primeiro que cairia, os golfinhos ocupam a 16ª posição. Já o Catania fica em 9º, com 25 pontos.

Os sicilianos tomaram a iniciativa do jogo, mas acabaram saindi atrás, depois que Celik teve chute desviado na zaga e viu a bola passar por Andújar. Depois de um erro da defesa pescaresa, Izco cruzou para Barrientos, que bateu bonito e deixou tudo igual. Mas, nos acréscimos, o brasileiro Rômulo Togni, de 30 anos e carreira toda construída nas divisões inferiores da Itália, bateu falta e contou com o atraso de Andújar para fechar o placar.

Relembre a 17ª rodada aqui.
Confira estatísticas, escalações, artilharia, além da classificação do campeonato, aqui.

Seleção da rodada
Agazzi (Cagliari); Biava (Lazio), Granqvist (Genoa), Rodríguez (Fiorentina), Burdisso (Roma); Valdés (Parma), De Rossi (Roma), Lamela (Roma); Jovetic (Fiorentina), Matri (Juventus), Totti (Roma). Técnico: Zdenek Zeman (Roma)

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Coppa Italia: Nova surpresa no San Paolo

Kone, o carrasco: com outro gol do grego, Bologna bate o Napoli e segue vivo na Coppa (La Repubblica)
As oitavas de final da Coppa Italia foram definidas e, praticamente, tiveram mais do mesmo. As equipes que eram favoritas a passarem às quartas de competição conseguiram manter sua supremacia, com exceção do Napoli, que perdeu pela segunda vez em casa para o Bologna em três dias e deu adeus à competição. Relembre os outros jogos desta fase aqui e boa leitura.

Napoli 1-2 Bologna
Não deu. De novo. O Napoli foi derrotado pelo Bologna, por 2 a 1, e está fora da Coppa Italia. Na primeira partida sem Cannavaro e Grava, suspensos por seis meses por não denunciarem tentativa de manipulação de resultados, os partenopei começaram com tudo e logo após os 10 minutos o time da casa já vencia por 1 a 0, com gol de Cavani. O uruguaio, na comemoração, segurou uma camiseta com os nomes dos zagueiros. De falta, Cavani quase ampliou a vantagem dos mandantes, no San Paolo. Mas...

O problema do Napoli é que o Bologna tem Kone. O meio-campista que marcou um golaço de voleio, na última rodada do campeonato nacional, fez o que quis com Britos e só não marcou gol porque Campagnaro salvou a equipe de Nápoles. Pasquato, antes do fim do primeiro tempo, deu a igualdade ao Bologna. Walter Mazzarri colocou seus principais jogadores na etapa final. O Napoli, com Cavani, Insigne, Hamsík e Pandev, perdia gols a rodo. Eis que no último minuto da partida, ele, Kone, em bela cobrança de falta, virou a partida e deu a classificação aos bolonheses, que enfrentam a Inter na próxima fase da copa. (Murillo Moret)

Lazio 1-1 Siena  (4-1 nos pênaltis)
Com um time misto, a Lazio só passou pelo Siena nos pênaltis, graças a um gol salvador que empatou a partida aos 50 minutos do segundo tempo. O técnico Vladimir Petkovic voltou a usar uma formação com três zagueiros protegendo Carrizo – Diakité, Cana e Ciani. Do outro lado, Giuseppe Iachini teve dois dias para trabalhar com os jogadores do Siena. O sucessor de Serse Cosmi também optou por um esquema com um trio de defensores. Durante a primeira etapa, apenas Farelli trabalhou. E foi apenas uma vez, em chute sem perigo de Floccari. As emoções ficaram mesmo para a etapa final. Ciani tentou cortar um cruzamento e acertou a bola em Cana, aos 11 minutos. A bola acabou parando no fundo do gol da Lazio.

Com a desvantagem no marcador, os biancocelesti pressionaram em busca da igualdade. Hernanes não teve sorte em finalização de fora da área; Neto conseguiu salvar em cima da linha, em confusão dentro da área bianconera. O Siena quase matou o jogo em chance desperdiçada por Larrondo, que falhou no um-contra-um com Carrizo, já nos acréscimos. Aliás, foi no tempo de desconto que Ciani, desmarcado, anotou o gol de empate aos 50 minutos. Na prorrogação, duas chances: Vergassola tentou driblar Carrizo, que fechou bem o ângulo e o meio-campista não conseguiu o remate certeiro; na Lazio, Farelli salvou a cabeçada de Mauri. Nos pênaltis, o goleiro laziale cresceu nas cobranças de Vergassola e Larrondo – Belmonte converteu o primeiro. Mauri, Ledesma, Floccari e Kozák marcaram, e a Lazio avançou às quartas de final para enfrentar o Catania. (MM)

Inter 2-0 Verona
Com um time misto, e sem boa parte de seus principais “líderes” (inclusive Cambiasso, que havia perdido apenas um jogo pela Europa League), a Inter sofreu, desperdiçou várias chances, mas conseguiu passar para as quartas de final da Coppa. Diante o Verona, tradicional “rival”, num Giuseppe Meazza vazio (apenas 11.840 pagantes), que mais contava com os ultrà gialloblù (cerca de 8 mil) que os nerazzurri da Curva Nord, Guarín deu outra amostra de que é a melhor contratação nas últimas duas temporadas e o melhor interista em 2012-13: roubada de bola decisiva e assistência para Cassano e o sexto gol em 2012-13 – só fica atrás de Palacio (10), Milito (8) e empatado com Fantantonio.

Do banco, o colombiano viu o Hellas pressionar a Inter por cerca de 20 minutos, mais ou menos até a paralisação devido a fumaça causada pela torcida. Stramaccioni fez seus devidos ajustes e mesmo com um meio-campo falho e a saída de bola prejudicada, o trio Álvarez, Palacio e Cassano passou a ditar o ritmo do jogo, auxiliado pelas descidas de Nagatomo, em outra boa exibição. Depois de muitas chances desperdiçadas e somente com a entrada de Guarín e Zanetti na segunda etapa a equipe, de fato, conseguiu o equilíbrio e a falta de pontaria que faltavam. Restando 16 minutos, Castellazzi voltou a sentir o ombro esquerdo (foi diagnosticado uma luxação) e com todas as substituições efetuadas, Palacio foi para o gol. O argentino, que fora goleiro na infância, ainda salvou boa cabeçada de Carrozza. (Arthur Barcelos)

Udinese 0-1 Fiorentina
A Udinese bem que tentou, mas a Fiorentina de Montella mais uma vez se sobressaiu defensivamente e mesmo com a dupla de ataque inoperante, teve em Borja Valero, sempre regular, o fator decisivo. Num dos raros buracos cedidos pela defesa bianconera, Matías Fernández lançou Valero nas costas de Dusan Basta e o espanhol teve calma e categoria para dominar, limpar e chutar contra o gol de Padelli, refém do desvio de Heurtaux.

Atuando em casa, na gelada Údine, a equipe de Guidolin, que vive mau momento, foi quem dominou a partida, negando espaços para a Viola e forçando bastante Di Natale e Fabbrini. Contudo, o trio defensivo de Montella, além do goleiro brasileiro Neto, garantiram a classificação da equipe toscana, que enfrentará a Roma no dia 9 de janeiro, em casa. Como a Lazio também passou de fase e os jogos são no mesmo dia, o regulamento prevê que a Roma, que ficou abaixo da rival na última Serie A, não tenha o direito de mandar sua partida em casa. Melhor para a Fiorentina, que jogará contra os giallorrossi no Artemio Franchi. (AB)

Confrontos das quartas de final, que acontecem em jogos de ida, a serem realizads no dia 9 de janeiro:
Inter-Bologna
Fiorentina-Roma
Lazio-Catania
Juventus-Milan

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Jogadores: Andrea Mandorlini

Andrea Mandorlini, hoje técnico do Verona, teve grande passagem pela Inter, nos anos 1980 (Getty Images)
Tímido, técnico e inteligente. Essas eram as características de Andrea Mandorlini, líbero da famosa Internazionale de Giovanni Trapattoni no “Scudetto dos recordes”. Hoje comanda o Hellas Verona na incessante busca de voltar para a elite italiana.

O garoto franzino de Ravenna, nascido em julho de 1960 na histórica cidade emiliana, chamou a atenção do Torino, sendo contratado em 1978. Em sua primeira temporada no clube de Piemonte, participou de cinco jogos na boa campanha no campeonato, no qual o Toro alcançou a terceira colocação. 

Como titular, mostrou amadurecimento e foi importante em outra boa temporada do time de Luigi Radice, que terminou na quarta posição e foi vice-campeão da Coppa Italia, perdendo nos pênaltis para a Roma – Mandorlini, aliás, que havia desperdiçado uma cobrança contra a rival Juventus nas semifinais, marcou contra os giallorossi, mas quatro de seus companheiros erraram e a equipe grená perdeu.

Em 1980, acabou sendo contratado pela Atalanta para disputar a Serie B, e apesar de suas boas apresentações em 34 dos 38 jogos disputados, a equipe bergamesca acabou rebaixada para a Serie C1 no campeonato em que o Milan fora campeão e voltava para a elite italiana após o rebaixamento causado pelo escândalo de 1980, conhecido como Totonero.

O Ascoli acabou contratando Mandorlini para a disputa da Serie A, vendo no jogador uma promessa para a elite e não para a terceirona. Em sua primeira temporada, foi titular da segunda melhor campanha na história dos bianconeri na primeira divisão, terminando na sexta colocação. Andrea ainda ficou mais duas temporadas pelo clube do Marche, em modestas campanhas da equipe. Contudo, seguia mostrando bom futebol.

Então, em 1984, acabou contratado pela Inter, seu clube do coração. Treinado por Ilario Castagner, que passou a utilizá-lo no meio-campo para explorar sua capacidade técnica e inteligência, jogou em boa parte como titular na passagem do treinador. Para a temporada de 1986-87, o presidente nerazzurro Ernesto Pellegrini decidiu tirar o já renomado técnico Giovanni Trapattoni de sua maior rival, a Juventus. 

Na Zona mista de Trapattoni, um 4-4-2 que se confundia com 3-5-2 ou 5-3-2, Mandorlini seguiu sendo utilizado no meio-campo, como médio-defensivo ou médio-central, ao lado de Matteoli, Tardelli (em 1986-87) e Scifo (em 1987-88). Mas com a saída de Passarella, então líbero do time, o treinador milanês confiou em Andrea para exercer a função, já que não teria espaço no meio-campo com as chegadas de Bianchi, Berti e Matthäus, que formariam o quarteto do meio com Matteoli.

Mandorlini foi importante na vencedora temporada de 1988-89, que até hoje é conhecida como temporada do “Scudetto dei record”. A pragmática Inter de Trapattoni foi campeã italiana com nunca antes atingidos 58 pontos - na época, uma vitória valia dois pontos, ou seja, com 26 vitórias em 34 jogos, além de seis empates, a Inter teria chegado a 84 pontos na fórmula atual, feito batido apenas pela Juventus em 2004-05 (título revogado devido ao Calciopoli) e pela Inter de Mancini em 2006-07 e 2007-08. Mandorlini foi um dos líderes da defesa que sofreu apenas 19 gols e também foi peça importante na saída de bola, dando suporte ao inspirado Serena, ao veloz Díaz e aos “alas” Bianchi e Brehme.

Xerife Mandorlini orienta o posicionamento dos companheiros (Juha Tamminen)
Em 1989-90 e 1990-91 acabou perdendo espaço para os jovens Battistini e Paganin devido a problemas físicos, mas ainda assim esteve presente em quase todas as partidas na conquista da Copa Uefa de 1991, seu terceiro e último título em sete anos de Inter. Depois, deixou o clube rumo à Udinese.

Em Údine, jogou pouco mais de 40 partidas em mais duas temporadas antes de se aposentar com 33 anos, jogando ao lado do argentino Sensini, que já despontava no futebol italiano como uma das referências defensivas da década de 90 e início de 2000.

Logo depois da aposentadoria como jogador, começou sua carreira de treinador no amador Manzanese, da província de Údine. Por lá não conseguiu fazer bom trabalho, e então passou a ser o assistente técnico do clube que havia iniciado seus passos no futebol, a Ravenna, por onde ficou por quatro anos ganhando experiência e ainda participou do acesso do time para a Serie B em 1996.

Somente na temporada de 1998-99 assumiu pela primeira vez o comando de uma equipe profissional, a Triestina, onde quase conseguiu o acesso para a Serie C1, mas perdeu a final dos play-offs. Pelo Spezia, onde ficou por três anos, foi campeão invicto da Serie C2, a quarta divisão do futebol italiano, em 1999-00.
Agora comandando um time da Serie B, o Vicenza, começava a mostrar melhor sua filosofia de jogo, primando a troca de passes, a marcação por zona e ofensividade. Com a Atalanta, em 2003-04, garantiu o acesso para a elite italiana, terminando na 5ª colocação. Na Serie A, porém, o jogo ofensivo expôs a fragilidade mental e defensiva da equipe, ocasionando na sua demissão, sendo substituído por Delio Rossi - que não conseguiu impedir o rebaixamento dos nerazzurri.

Após a passagem pela equipe de Bérgamo, não conseguiu fazer bons trabalhos por Bologna, Padova e Siena, e somente em 2008-09, no comando do modesto Sassuolo, conseguiu encaixar outro bom serviço, terminando na sétima colocação na Serie B. Entretanto, por divergências, acabou sendo demitido ao final da temporada. 

Contratado pelo romeno Cluj, conquistou na primeira temporada o campeonato (o segundo na história do clube), a copa e a supercopa do futebol nacional. E em mais uma demonstração de instabilidade, acabou demitido devido aos maus resultados na temporada seguinte.

Em novembro de 2010, Mandorlini voltou a trabalhar na Itália, agora no comando do Hellas Verona, na Lega Pro Prima Divisione. Ainda pela temporada 2010-11, o Verona conseguiu se classificar para os play-offs, onde, de forma emocionante, acabou vencendo e conquistando o acesso para a Serie B, enquanto Mandorlini caiu no gosto da torcida gialloblù.

Mantido, Mandorlini conduziu o recém-promovido Verona a uma ótima campanha na segunda divisão, com sua equipe demonstrando um futebol ofensivo, conquistando uma vaga nos play-offs. Porém, a derrota diante o Varese eliminou as chances do tão sonhado acesso. Com contrato até 2014, o ex-líbero da Inter vem dando sequência ao bom trabalho na Serie B 2012-13, onde o Hellas é o terceiro colocado e, com o mesmo futebol de toque de bola e marcação por zona, tem boas condições de garantir o acesso direto, sem ter que passar pelos play-offs.

Hoje, em Milão, terá um dos seus jogos mais importantes como treinador. Contra sua Inter, poderá fazer história com o Verona, que volta a grandes palcos, nas oitavas de final da Coppa Italia.

Andrea Mandorlini
Nascimento: 17 de julho de 1960, Ravenna, Itália
Posição: defensor e meio-campista
Carreira como jogador: Torino (1978-80), Atalanta (1980-81), Ascoli (1981-84), Inter (1984-91) e Udinese (1991-93)
Carreira como técnico: Manzanese (1993-94), Ravenna (assistente, 1994-1998), Triestina (1998-99), Spezia (1999-02), Vicenza (2002-03), Atalanta (2003-04), Bologna (2006), Padova (2006-07), Siena (2007), Sassuolo (2008-09), Cluj (2009-2010) e Hellas Verona (2010-atualmente)
Títulos: Serie A (1988-89), Supercoppa Italiana (1989), UEFA Cup (1990-91), Serie C1 (1995-96), Serie C2 (1999-00), Liga I (Campeonato romeno, 2009-10), Cupa României (Copa romena, 2009-10) e Supercupa României (Supercopa romena, 2010)
Seleção italiana: nenhuma convocação. Jogou pela Seleção sub-21

Para voltar a ser história

Nas divisões menores desde 2002-03, o Hellas Verona tem revivido na Coppa Italia os seus tempos de Serie A: hoje, contra a Inter, será o quinto jogo "grande" dos últimos dois anos (desconhecido) 


Arrastando-se em meio a um desinteresse quase geral, a Coppa Italia tem tudo para ser notícia hoje, em Milão. Vindos diretamente de Verona, mais de 8 mil auto-intitulados "loucos" - veronesi tutti matti, diz um antigo ditado vêneto - tomarão parte do Giuseppe Meazza para apoiar o Hellas Verona contra a Internazionale, pela oitavas de final do torneio. 

Confronto que, embora o handicap amplamente desfavorável, traz boas lembranças ao clube scaligero. Na temporada 1975-76, por exemplo, foi contra a Inter que o Hellas conquistou, pela primeira vez, o direito de ir à decisão da copa nacional - em que perderia para o Napoli, por 4 a 0. Menos de dez anos mais tarde, em 1984-85, ambos chegaram a ser adversários diretos pelo scudetto; com uma vitória e um empate, o Verona levou a melhor, consolidando o caminho para o título italiano. 

De Primeira - ou quase
Na tarde-noite de hoje, porém, o Hellas Verona deixa de lado esse histórico com a pretensão, não de fazer história, mas voltar a fazer parte da história. Reencontrar-se, ainda que por apenas 90 minutos, com a Serie A, que não frequenta há uma década. Ou, por outra: frequenta, de vez em quando - justamente na Coppa Italia. 

Para chegar até a Inter, a equipe comandada pelo ex-interista Andrea Mandorlini precisou tirar de seu caminho, além da modesta Virtus Entella (Lega Pro Prima Divisione), Genoa e Palermo. Campanha semelhante à da última temporada, na qual, para se "presentear" com um confronto contra a Lazio, também nas oitavas, os gialloblù tiveram de se impor sobre o Parma. Sempre jogando fora de casa - como prevê o regulamento arrivista da FIGC, formatado em prol dos grandes. 

Unidos e distantes
Fosse apenas por isso, Internazionale x Hellas Verona já seria um belo acontecimento. Mas ainda há outros dois atrativos: um que aproxima e outro que distancia as equipes. 

O primeiro, que aproxima, estará entre as quatro linhas, onde veremos duas autênticas "Torres de Babel". Na mesma temporada em que deixou de ser estritamente veronês - o clube foi adquirido recentemente por Maurizio Setti, empresário de Ravenna, e ex-Bologna e Carpi - o Hellas, a exemplo da Inter, nunca foi tão pouco italiano: no gol, quem reina, desde os tempos recentes de Terceira Divisão, é o brasileiro Rafael; na defesa, Ceccarelli e Maietta se alternam ao lado do insubstituível grego Moras; no meio, os talentosos brazucas Jorginho e Martinho (ex-Catania) jogam quase sempre com o islandês Hallfredsson e esloveno Bacinovic (ex-Palermo); e no ataque, o centro-avante Cacia (ex-Lecce) tem sempre como companheiros ou argentino Gomez, ou o búlgaro Bojinov (ex-Sporting Lisboa), quando não ambos. 

Já o segundo atrativo, aquele que distancia os clubes, estará nas arquibancadas: amigas no passado, as torcidas de Hellas Verona e Internazionale se reencontrarão pela primeira vez desde o fim de seu gemellaggio, na temporada 2001-02 (justamente a última dos scaligeri na elite). Aproximação e rompimento se deram por razões políticas, com ambas as curvas orientadas à direita - e com os butei ainda plenos defensores de sua ideologia, ainda que, dentro dos estádios, os símbolos e coros extremistas apareçam cada vez menos. Se as previsões veladas se confirmarem, o Meazza tem tudo para viver mais uma jornada de alerta, como foi aquela contra o Partizan, pela Liga Europa deste ano. 

(Re)Marco-zero
Será, enfim, uma tarde histórica para muitos torcedores: os do Verona esperam que este encontro seja somente a van premiere do retorno à elite, que o clube persegue loucamente - come matto, diriam - nesta temporada. E os neroazzurri, donos da casa - e de Milito, Cassano, Palácio, Guarín etc - têm a chance de reverter um pouco do histórico desfavorável em decisões ante o "novo rival". Qual lado dessa nova história vai prevalecer?

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

17ª rodada: A primeira grande fuga

Juventus já é campeã de inverno: com sete pontos de vantagem, equipe de Turim começa a escapar na liderança (AP)
A Juventus já perdeu dois jogos nesta temporada, mas nunca esteve tão tranquila nos últimos dois anos. Nem mesmo na conquista do título invicto a equipe de Turim teve vantagem tão grande na liderança da Serie A - atualmente são sete pontos. Os tropeços de Inter e Napoli favorecem a Juve, que já pode se dar ao luxo de, com uma rodada de antecedência à pausa de fim de ano e duas antes do fim do primeiro turno, "comemorar" o título de campeã de inverno. Acompanhe a análise da rodada.

Juventus 3-0 Atalanta
Em sua segunda visita ao Juventus Stadium, a Atalanta manteve seu papel de ótima convidada. Se a partida do ano passado ficou marcada por ser a da festa do título da Juve e da despedida de Del Piero, a dessa temporada será lembrada pela goleada por 3 a 0 que garantiu à Velha Senhora o título antecipado do 1º turno da Serie A. E o fato ganha mais importância para os juventinos quando olhamos os números: das 25 vezes em que o time terminou o 1º turno na liderança, só perdeu o scudetto em seis ocasiões.

Ontem, a equipe de Antonio Conte fez talvez seu melhor jogo no campeonato e não deu chances para a Atalanta. Muito disso por conta da grande atuação de Pirlo, que se aproveitou do espaço deixado pelo 3-4-2-1 de Colantuono no meio de campo para ditar o ritmo da partida. Com 31 minutos de jogo, já estava tudo decidido: Vucinic, Pirlo (em bela cobrança de falta) e Marchisio fizeram 3 a 0 e Manfredini foi expulso, deixando os visitantes com um a menos em campo. Assim, a Juve abre sete pontos de vantagem para o vice-líder e mostra que não será fácil destroná-la. (Rodrigo Antonelli) 
 
Napoli 2-3 Bologna
A vingança não veio. Depois de ser derrotado por este mesmo Bologna na 37ª rodada da última Serie A e por este ter sido o resultado que praticamente tirou o time napolitano da Liga dos Campeões, hoje os azzurri queriam se vingar. Mas não deu. O Bologna, de maneira heroica, saiu de Nápoles com uma histórica vitória por 3 a 2 e impediu que o adversário alcançasse a vice-liderança do campeonato. O Bologna sobe duas posições, com 18 pontos, e o Napoli segue em terceiro lugar, com 33 pontos. Stefano Pioli segue invicto contra o Napoli, com quatro vitórias em cinco jogos.

O Bologna abriu o placar logo aos 10 do primeiro tempo quando Cherubin cruzou da esquerda, a bola atravessou toda a área e Gabbiadini emendou para o gol com a coxa. O Napoli não se encontrou na primeira etapa, que poderia ter terminado com mais gols bolonheses. Mazzari colocou o Napoli para frente na segunda etapa, com Pandev no lugar de Britos, passando ao 4-3-3. E deu resultado: logo aos 5 minutos, e depois aos 25, Insigne fez duas jogadas que terminaram nos gols de Gamberini e Cavani. Tudo parecia resolvido para o Napoli, que teve até Pandev desperdiçando chance clara dentro da área, em uma jogada individual. Mas, aos 41 minutos, Garics cruzou da direita e achou o grego Kone na área, para emendar um voleio perfeito e fazer o gol mais bonito da rodada. E três minutos depois, Diamanti cobrou falta da intermediária esquerda e o capitão Portanova, que voltava ao time após quatro meses de suspensão por envolvimento no escândalo de apostas ilegais, testou para dar a vitória ao Bologna. (Thiéres Rabelo)

Lazio 1-0 Inter
Brilhantismo é um termo que passou longe do que aconteceu no estádio Olímpico, neste sábado. Em um jogo que ficou muito abaixo das expectativas, a Lazio ganhou com um gol de Klose, que garantiu a terceira vitória consecutiva dos laziali sobre a Inter, em casa, pela primeira vez em toda a história. Com o resultado, a equipe de Vladimir Petkovic subiu aos 33 pontos, e ocupa a quarta colocação empatada com o Napoli e apenas um ponto a menos em relação à Inter, vice-líder com 34.

Depois de um primeiro tempo muito equilibrado e sem grandes chances para os dois times, mas no qual a Lazio teve vantagem territorial, no segundo tempo as duas equipes passaram a jogar mais futebol. E a Inter foi melhor, colocando duas bolas na trave, com Guarín e Cassano, e esbarrando em Marchetti, que fez três defesas que garantiram o resultado. A Inter reclamou de um pênalti não dado sobre Ranocchia em um cruzamento para a área, mas preferiu não polemizar e aceitar a derrota. Já a Lazio chegou três vezes ao ataque, mas em duas Klose falhou e não marcou. Na terceira, não perdoou e chegou aos 10 gols no campeonato.

Milan 4-1 Pescara
“Uma importante vitória”. Assim resumiu Allegri o quinto triunfo consecutivo dos rossonera na Serie A. A segunda goleada seguida, dessa vez ante o Pescara, no San Siro, no dia em que o clube completava 113 anos de existência, coloca o time milanista ao menos pela briga nas vagas europeias e o mais importante, trás de volta um pouco do futebol esperado pela torcida. Atual sétimo colocado, o Milan encontra-se a dois pontos da Roma, justamente seu próximo adversário e uma concorrente direta. Se vencer, além de ter um Natal tranquilo, Allegri já pode começar a vislumbrar metas um pouco mais condizentes com a história do time rossonero.

Porém, contra o antepenúltimo colocado, a goleada não refletiu o que foi o jogo. Mesmo saindo na frente do marcador com 35 segundos, após um tento de Nocerino, o Milan não mostrou futebol para o placar, tanto que o segundo gol veio através de uma cabeçada contra a própria meta do atacante Abbruscato apenas no segundo tempo. Minutos depois o Pescara diminuiu e ai veio a pressão. O gol de Terlizi motivou os golfinhos, que por pouco não chegaram ao empate. Mas em uma infelicidade do brasileiro Jonathas, o Milan chegou ao terceiro gol. Em jogada parecida com o segundo gol, o avante do Pescara desviou cobrança de escanteio e tirou qualquer chance ao goleiro Perin. Já no final, El Shaarawy marcou e sacramentou a vitória e aumentou sua marca na artilharia para 14 gols. (Caio Dellagiustina)

Fiorentina 4-1 Siena
Disseram que ele não vinha, mas olha ele aí. Muita gente não acreditava que Toni pudesse ser útil para a Fiorentina e questionou a sua contratação, no último dia da janela de transferências. Mas o bomber está calando os críticos e fazendo um excelente campeonato. Ao lado de Jovetic, é o artilheiro viola, com 6 gols marcados. Dois deles foram realizados no dérbi toscano contra o Siena, com cabeçadas decididas, um dos carros-chefes do seu repertório realizativo. Toni ainda sofreu pênalti que seria convertido por Pizarro, que também fez boa partida.

Sem muitas dificuldades, a Viola já vencia por 2 a 0 com menos de 25 minutos de jogo, e ainda marcou o terceiro gol na primeira etapa, com Aquilani. Reginaldo, ex-Fiorentina, ainda diminuiu para os senese, mas Toni decretou a vitória. Aquilani ainda poderia ter feito mais um, mas isolou cobrança de pênalti. A Fiorentina continua em quinto, com 32 pontos, e visita o Palermo na semana que vem, podendo virar vice-líder. Já o Siena segura a lanterna, com 11 pontos, e achou melhor demitir Serse Cosmi, que vinha fazendo o que podia. Giuseppe Iachini, que subiu com a Sampdoria, assume, e estreia já contra a Lazio, na Coppa Italia. Pela Serie A, próximo compromisso é em casa contra o Napoli.

Chievo 1-0 Roma
O Chievo nunca tinha vencido a Roma, em casa, pela Serie A. O gol solitário do capitão Pellissier quebrou o tabu no Marc’Antonio Bentegodi e arruinou a série invicta dos giallorossi. A partida em Verona, sob intensa neblina, não teve tantas chances para cada lado. Durante o primeiro tempo, Sorrentino salvou o time da casa com defesas em finalizações de Osvaldo e Totti; ele também levou sorte já que o voleio de Florenzi passou ao lado da meta. Sem De Rossi e Pjanic para esta partida, o técnico Zdenek Zeman repetiu a formação vencedora da rodada passada. No entanto, perdeu Leandro Castan para o jogo contra o Milan, no Olímpico, por suspensão.

Na segunda etapa, com os refletores ligados durante o período vespertino em Verona, Goicoechea fez linda defesa em cabeçada de Rigoni, após escanteio cobrado por Théréau. Retornando de lesão, Lamela entrou no lugar de Pjanic e quase marcou gol em seu primeiro lance. Porém, Sorrentino saiu rapidamente debaixo das traves para encaixar a bola. Aos 43 minutos do tempo complementar, Pellissier recebeu ótimo lançamento, se aproveitou da linha de impedimento que não deu certo, driblou Goicoechea e marcou o gol da vitória do Chievo. Como a Fiorentina venceu, a Roma perdeu uma posição na tabela. Os giallorossi estão em 6º lugar, com 29 pontos. Na próxima rodada, o Ceo, 11º colocado após vencer três partidas consecutivas (o que não acontcia desde 2009), encara o Torino fora de casa.

Catania 3-1 Sampdoria
Depois da virada fora de casa para cima do Siena na rodada passada, o Catania recebeu a Sampdoria em casa neste domingo e conseguiu uma virada idêntica: bateu o time genovês por 3 a 1 e sobe para a oitava posição, a sete pontos da zona de classificação para a Liga Europa. Já a Samp perde a segunda seguida e vê o Bologna tomar-lhe a 13ª posição. Os blucerchiati mantêm-se com 17 pontos, três a mais que o Pescara, primeiro time dentro da zona de rebaixamento. O resultado determinou a queda de Ciro Ferrara, que foi substituído por Delio Rossi.

Assim como a vitória na Toscana na semana passada, os etnei tiveram como protagonista o argentino Bergessio. Contra o Siena, ele fez uma doppieta e deu uma assistência. Contra a Samp, ele marcou o seu sexto gol na Serie A e deu a assistência para os outros gols, dos compatriotas Castro, que também marcou na semana passada, e Paglialunga, que enfim mostrou a que veio na equipe. A Samp, que jogou melhor na primeira etapa, marcou aos 29 do primeiro tempo, em um pênalti cobrado por Maresca. Mas quando Ferrara sacou um volante para colocar um atacante - Maresca por Éder -, a Samp se abriu e a virada rossoazzurra foi questão de tempo. Paglialunga bateu de fora da área aos 10 do segundo tempo e, aos 20, Marchese cruzou da esquerda e Bergessio cabeceou a queima-roupa, virando o jogo. Aos 47, Bergessio deu um passe despretensioso para Castro e contou com a falha grotesca de Rossini. O argentino não perdoou e aumentou. (Thiéres Rabelo)

Udinese 1-1 Palermo
No Friuli, 15 mil pessoas enfrentaram o frio intenso para ver o empate entre o time da casa e o Palermo, em confronto que marca a segunda maior distância da Serie A (cerca de 1200 quilômetros). Só a viagem entre Catania e Údine é maior (1400 quilômetros). Dentro de campo, o juiz chamou mais a atenção do que os jogadores e fez o clima esquentar, com marcações duvidosas. Primeiro, não marcou um pênalti claro de Danilo em Ilicic. Depois, foi muito duro ao expulsar o zagueiro Herteaux e deixar a Udinese com um a menos durante boa parte do segundo tempo.

Dessa forma, o resultado foi mais comemorado pela Udinese, que esteve muito mais perto da derrota o tempo inteiro e conseguiu se salvar com um gol já no final do jogo. O Palermo lamenta porque essa seria sua primeira vitória fora de casa no campeonato e os três pontos o tirariam da boca da zona de rebaixamento, posição que ocupa agora. Os gols de Ilicic e Di Natale saíram depois de duas falhas dos goleiros. Destaque positivo apenas para Ilicic, que acumula uma série de boas partida e mais uma vez foi decisivo, e Luis Muriel, que voltou aos campos e já mostrou que pode ser decisivo para a Udinese daqui para frente. (RA)
 
Genoa 1-1 Torino
No Marassi, os “desesperados” Genoa, 19º colocado, e Torino, 14º, a dois pontos da zona de rebaixamento, respectivamente, fizeram um jogo fraco tecnicamente, porém movimentado, com várias chances desperdiçadas por ambos os lados, o que evidencia o momento das equipes. O momento do Genoa é tão complicado que o técnico Luigi Delneri abriu mão de seu 4-4-2 para usar o 3-4-3, único esquema tático que deu certo e deu resultados a médio prazo para a equipe nos últimos anos.

Ambos os gols saíram na bola aérea. Aos 19, Birsa cruzou e o artilheiro e capitão Bianchi cabeceou, de nuca, contra o gol de Frey. Aos 29, escanteio para o Genoa e foi a vez de Granqvist, um dos poucos destaques do time lígure na temporada, aproveitar o vacilo adversário e bater Gillet, que depois de falhas contra Juventus e Milan teve boa exibição. Na segunda etapa, Rossi chegou a marcar para o Genoa, porém, impedido, teve seu gol bem anulado, enquanto Sgrigna e Vives perderam duas chances claras. (Arthur Barcelos)

Parma 4-1 Cagliari
E o Parma de Donadoni voltou a aprontar de novo no Ennio Tardini. Com resultados irregulares, a equipe emiliana mais uma vez mostrou bom futebol e venceu com autoridade o Cagliari de Ivo Pulga, cada vez mais em retrocesso, após o início prolífico, com quatro vitórias no mês de outubro - não vence desde então. Valdés regeu o time, que contou com boas exibições de Parolo, Marchionni, Biabiany e Belfodil, a estrela do jogo.

Nos primeiros 45 minutos, empate, com gols de Sau - numa de suas maiores virtudes, sendo lançado em velocidade nas costas da última linha adversária - e Belfodil, assistidos por Nenê e Valdés, respectivamente. A vitória gialloblù saiu na segunda etapa, graças a Biabiany, Valdés (de pênalti) e Belfodil (num golaço em jogada individual), que garantiram a goleada dos anfitriões. Belfodil, inclusive, tem apenas 20 anos e é um dos jovens mais subestimados do futebol italiano. Formado na base do Lyon, teve passagem pelo Bologna e, no Parma, já tem 5 gols em 13 jogos no campeonato. Pode estourar. (Arthur Barcelos)

Relembre a 16ª rodada aqui.
Confira estatísticas, escalações, artilharia, além da classificação do campeonato, aqui.

Seleção da rodada
Marchetti (Lazio); Portanova (Bologna), Yepes (Milan), Chiellini (Juventus); Kone (Bologna), Pirlo (Juventus), Pizarro (Fiorentina), Pasqual (Fiorentina); Bergessio (Catania), Toni (Fiorentina), Belfodil (Parma). Técnico: Antonio Conte (Juventus).

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Coppa Italia: começando a esquentar

Juve segue em frente na Coppa, mas perdeu Vidal (foto), Giaccherini e Bendtner por lesão (Juventiknows)
Nesta semana, começaram as oitavas de final da Coppa Italia, tradicional competição que dá uma vaga na Liga Europa. Embora desvalorizada pela grande parte dos clubes, uns por a considerarem supérflua e ter jogos que só atrapalham objetivos de títulos em outras competições, outros porque não veem chance de abocanhá-la e preferem se concentrar em não ser rebaixado. Mesmo assim, a partir desta fase, a competição começa a ganhar alguma importância, porque, de uma forma ou de outra, é uma chance de título para equipes que já começam a imaginar seu próprio futuro na Serie A. Acompanhe os resumos.

Juventus 1-0 Cagliari
Difícil começar o texto sem citar que, no dia 12/12/12, Giovinco, o camisa 12 da Juve, marcou seu 12º gol vestindo bianconero, aos 12 minutos do segundo tempo, e colocou a Velha Senhora nas quartas de final da Coppa Italia. E essas coincidências foram as únicas coisas que deixaram o jogo interessante, acredite. Atuando com time misto, a equipe de Antonio Conte dominou toda a partida sem muitas dificuldades, mas sem conseguir chances claras de gol, e derrotou pelo placar mínimo um Cagliari também recheado de reservas.

No inverno congelante de Turim, a Juve ainda ficou no prejuízo: perdeu Giaccherini, Vidal e Bendtner, todos lesionados. De positivo, a Juve pode anotar a marca de quatro jogos consecutivos sem levar gol. A mais grave é a do atacante dinamarquês, que deve ficar parado pelos próximos três meses. Pelas quartas, a Juve enfrentará o Milan. (Rodrigo Antonelli) 

Milan 3-0 Reggina
Tal como os outros gigantes da Serie A, o Milan não teve dificuldades em avançar na Coppa Italia e, assim como Juventus e Roma, não deu chance para o azar e escalou boa parte do time titular para encarar a modesta Reggina, no San Siro. As únicas novidades foram as presenças do jovem Strasser, que agora terá mais chances na equipe com a lesão de De Jong, Antonini, que volta aos poucos de lesão e de Pazzini, que tem nova chance entre os titulares.

O jogo em si foi muito fraco,  como muitos da equipe milanista durante a temporada. Sabendo da fragilidade do time amaranto nem Robinho, nem Pazzini e muito menos Bojan se esforçaram tanto para marcar, tanto que a melhor chance veio de uma cabeçada à queima-roupa de Yepes, defendida pelo bom goleiro Facchin, cria milanista.

A volta para o segundo tempo deu outro ritmo ao jogo e logo nos primeiros minutos, Yepes acertou nova cabeçada e abriu o placar. Daí em diante, os milanistas controlaram o jogo e não viram a Reggina assustar, tamanha a falta de qualidade do 17º colocado da segunda divisão. Já no final da partida, Niang, jovem promessa de 17 anos que é tratado como um “novo Balotelli” (no estilo e no temperamento) marcou seu primeiro gol pelo time do Milan, aproveitando bela jogada de Emanuelson. Dois minutos depois, Pazzini completou o placar em uma jogada oportunista, para definir a classificação para as quartas de finais, na qual o Milan terá de encarar ninguém menos que a Juventus. E terá de jogar muito mais do que apresentou até aqui se ainda quiser sonhar com o título. (Caio Dellagiustina)

Roma 3-0 Atalanta
Menos de dez mil pagantes presenciaram a quinta vitória consecutiva da Roma na temporada, incluídas partidas da Serie A e da Coppa Italia. Na terça-feira, no Estádio Olímpico, os giallorossi derrotaram, tranqüilamente, a Atalanta por 3 a 0 e avançaram às quartas-de-final da Copa, aguardando o vencedor do confronto entre Udinese e Fiorentina, que se enfrentam na quarta-feira que vem, em Údine.

Zeman se deu ao luxo de deixar no banco de reservas alguns de seus titulares, como Goicochea, Marquinhos, Leandro Castán, Tachtsidis e o capitão Totti. O time da casa dominou os primeiros minutos de jogo, com a Atalanta levando perigo em poucos contra-ataques. Aos 21 minutos, a insistência romanista deu resultado e Pjanic, com um chute de fora da área e uma falha de Consigli, abriu o placar. Dez minutos mais tarde, em outra falha de Consigli, que saiu errado nos pés de Osvaldo, o argentino ficou com a bola e empurrou para o gol. Aos 6 do segundo tempo, Pjanic lançou Destro dentro da área, que abteu rasteiro e fechou a contagem. (Thiéres Rabelo)

Parma 1 (3)-(4) 1 Catania
No outro jogo de quarta-feira, um pouco mais de emoção: depois de um empate com boas ocasiões no tempo regulamentar, os times decidiram a vaga nas cobranças de pênaltis. O colombiano Dorlan Pabón foi o destaque do jogo, em sua primeira grande atuação em solo italiano, mas não foi suficiente para o Parma sair com a vitória. Menos de 10 minutos após seu gol, o Catania já havia conseguido empatar a partida, com Lodi.

Depois dos dois gols, porém, a partida perdeu muito em qualidade e foi jogada sempre em ritmo baixo. O segundo tempo não reservou nenhuma jogada mais perigosa e até o juiz quis acabar logo com aquilo, terminando a partida exatamente aos 45 minutos. Na prorrogação, uma bela defesa do goleiro Frison entrou para os melhores momentos. Nas penalidades, Barrientos errou para o Catania e Parolo e Paletta para o Parma. Com o resultado, o Catania garante uma vaga nas quartas de final contra Lazio ou Siena, que se enfrentam no próximo dia 19. (RA)

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Jogadores: Arne Selmosson

Selmosson (esquerda) ao lado do seu parceiro nos tempos de Udinese e Lazio, Bettini (Wikimedia)
Nascido no sul da Suécia, no longínquo ano de 1931, Arne Bengt Selmosson tem seu nome escrito num dos principais dérbis do futebol italiano, o Derby della Capitale. Único jogador a marcar gols por Lazio e Roma no clássico, o sueco fez sucesso na Terra da Bota na década de 50, se destacando também pela Udinese.

No modesto Jönköpings Södra IF, que fora vice-campeão sueco na temporada 1949-50, o jovem Selmosson começava a se destacar como atacante, resultando em algumas convocações para a seleção nacional. Em 1952 foi contratado pelo presidente da Udinese, Dino Bruseschi - um dos principais dirigentes esportivos italianos na época -, mas devido ao decreto que limitava a presença de estrangeiros no elenco, só pode jogar pelos bianconeri na temporada de 1954-55.

Ao lado de Lorenzo Bettini - atacante com passagens por Brescia, Roma, Lazio, Inter e segundo maior artilheiro da Udinese, superado recentemente por Antonio Di Natale -, formou uma das duplas de ataque mais prolíficas da Itália, sendo responsáveis direto por 34 gols - 20 de Bettini, vice-artilheiro, atrás apenas do rossonero Gunnar Nordahl (27), seu compatriota. Selmosson fez 14, e participou de todas as partidas na temporada. Em 1954-55, o time friulano se consagraria vice-campeão italiano, numa ótima campanha sob o comando de Giuseppe Bigogno. Contudo, por envolvimento em atividades ilícitas, a Udinese acabou rebaixada junto ao Catania para a Serie B.

Com isso, Selmosson e Bettini foram contratados pela Lazio, onde repetiram a parceria na temporada 1955-56, colaborando com 22 gols (10 e 12 tentos, respectivamente) e garantindo a terceira colocação para a equipe romana. Ainda na capital, enquanto Bettini não deu continuidade a seus gols, jogando apenas nove vezes, o sueco se tornou o artilheiro dos laziale em 1956-57, marcando 12 gols na outra boa campanha do time na Serie A, conquistando a terceira colocação novamente.

Campeã da Coppa Italia de 1958, a Lazio de Selmosson não repetiu as boas campanhas na Serie A 1957-58, ficando na 12ª colocação. Ainda assim, Arne foi importante para a equipe, sendo o artilheiro, com 9 gols. Nessa época, o sueco já havia marcado dois gols no Derby della Capitale, em março de 57, no empate em 2 a 2, em março de 58, na vitória laziale por 2 a 1, valendo a convocação para defender o forte selecionado sueco no Mundial de 58, disputado no próprio país escandinavo.

Camisa 10, mas reserva, o atacante viu seu país conquistar o vice-campeonato mundial, perdendo para o Brasil na final. Aquele time tinha vários jogadores que jogaram na Itália, como os próprios Selmosson e Nordahl, mas também Gunnar Gren (ex-Milan, Fiorentina e Genoa), Kurt Hamrin (Padova), Nils Liedholm (Milan), Lennart Skoglund (Inter) e Bengt Gustavsson (Atalanta).

Após três temporadas de sucesso na equipe laziale, Selmosson acabou transferido para a rival Roma. Lá, sob o comando de Gunnar Nordahl, até pouco tempo atrás rival na artilharia, chegou a sua melhor marca de gols na temporada na carreira, com 16 tentos, na campanha mediana da equipe giallorossa, que terminou na 6ª colocação da Serie A 1958-59. Agora, em 1959-60, comandado por Alfredo Foni e ao lado do argentino Pedro Manfredini (um dos principais artilheiros da história da Roma) no ataque, marcou 13 gols, enquanto a Roma ocupou a 9ª posição.

Nesse período, Selmosson marcou mais três gols no Derby della Capitale, desta vez pelo lado amarelo e vermelho. Em novembro de 58, nos 3 a 1 da Roma sobre a Lazio, e em abril e outubro de 59, nas vitórias da Roma por 3 a 0. Em 1960-61, na temporada em que a rival Lazio foi rebaixada, o atacante sueco não teve grande desempenho, enquanto Manfredini foi importante na boa campanha do time da capital, que finalizou o campeonato na 5ª colocação. Nesta temporada, a Roma também se sagrou campeã da Copa das Feiras, antecessora da Copa da Uefa como competição de segundo escalão na Europa.

Foi então que Selmosson novamente se mudou após três temporadas, voltando para a cidade de Údine. Agora com 30 anos, o sueco não voltaria a marcar gols como antes, mas conquistou o carinho da torcida friulana, mesmo que tenha se aposentado com o clube na Serie B. Em três temporadas, foram 18 gols em pouco mais de 70 partidas.

Ao todo, Arne Selmosson marcou cinco gols no Derby della Capitale, dois pela Lazio e três pela Roma. O "Raio de Lua", como era chamado por causa de seus cabelos loiros, quase brancos, ficou eternamente gravado na história do dérbi capitolino, e também é muito querido pelos bianconeri da Udinese. Faleceu em fevereiro de 2002, com 70 anos.

Arne Bengt Selmosson
Nascimento: 29 de março de 1931, em Götene, Suécia
Falecimento: 19 de fevereiro de 2002, em Estocolmo, Suécia
Posição: atacante
Carreira como jogador: Jönköpings Södra IF (1950-54), Udinese (1954-55), Lazio (1955-58), Roma (1958-61), Udinese (1961-64)
Títulos: Coppa Italia (1958), Copa das Feiras (1960-61, ou Inter-Cities Fairs Cup, que deu lugar à UEFA Cup, atual UEFA Europa League)
Seleção sueca: 4 jogos e 1 gol