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quinta-feira, 25 de julho de 2013

Muda, brasãozinho, muda: parte IV

Nesta última parte do especial dos brasões dos clubes italianos trazemos as regiões da Sicília e Toscana. Contamos a história do elefante do Catania, da águia rosanero, da flor-de-lis da Fiorentina, da loba do Siena e o chato emblema do Livorno. 

Além disso, o Quattro Tratti também separou alguns outros escudos, diferentes e inusitados, como o do Benevento, que tem a Bruxa do Pica-Pau, e o brasão direto do mundo do Harry Potter.

Catania


A história do Catania é inédita. Brincadeira, não é. É sempre a mesma coisa: clube cria um brasão que faz referência à sua cidade natal e blá-blá-blá. O elefante está no emblema de Catania desde o tempo anterior ao Guaraná com rolha. O mesmo animal está presente na praça Duomo, a principal da cidade siciliana, desde 1736. O clube de futebol – fundado Associazione Sportiva Pro Patria e renomeado Unione Sportiva Catanese dois anos depois -, então, adotou o elefante e as cores da cidade natal (azul e vermelho) em seu logo. Na década de 1950, a diretoria dos etnei trocaram o brasão: formato de escudo, dividido exatamente ao meio, com as cores da equipe à esquerda e o elefante com a bola de capotão à direita. Além disso, foi colocado o ano de fundação do Calcio Club Catania, 1946 – indica a fusão dos clubes Virtus Catania e Catanese Elefante. Este foi utilizado até 1970, quando a agremiação mudou totalmente o estilo de seu emblema. 

Renomeado para Calcio Catania, o elefante desapareceu e permaneceram apenas as cores habituais. No entanto, a referência à cidade siciliana retornou anos depois. Os escudos, na metade dos anos 70, já eram confeccionados com o elefante. O outro brasão estampado na camisa rossoazzurra é o atual, com elefante, bola e o nome da equipe. Ele está na ativa desde 2006. Para mais informações, o site Club Calcio Catania disponibilizou uma coleção de figurinhas da agremiação desde 1928.
  
Palermo


O rosa estava bem longe do primeiro escudo do Palermo. Um emblema bicolor, de azul e branco, foi o primeiro a ser designado ao clube siciliano, em 1898. Antes, uma explicação: a fundação oficial do Palermo foi em 1900, mas o inglês Joseph Whitaker já havia montado as bases da agremiação dois anos antes, ao chegar à cidade italiana. 

Na década seguinte, ao mudar a cor da equipe para preto e rosa, o escudo também foi modificado, atendendo a nova coloração. Ao chegar à presidência do clube, em 1929, o barão Luigi Bordonaro di Gebbiarossa convidou o pintor Giuseppe Rizzo para criar um novo brasão rosanero. Futurista para a época, o novo logo consistia em um losango sobreposto a uma bola de capotão, com as cores do Palermo, e o nome do time. O sucessor do mandatário, Francesco Barresi, dois anos depois, mudou o emblema novamente. Após o acesso à Serie A, a águia, símbolo da cidade de Palermo, foi gravada no brasão rosanero. No entanto, o logo oficial dos sicilianos voltou a ser o de losango na temporada seguinte.

A Águia de Palermo voltou a ser estampada no escudo da agremiação no pós-Guerra. Em 1947, a alusão à cidade natal também aparecia sobre as cores preto e rosa; a diferença para o símbolo de 1932 era o nome da equipe, agora estampado acima de tudo (“Unione Sportiva Palermo”). A única mudança significativa até os anos 80 foi a troca do título da agremiação para S.S. Calcio Palermo. Durante a presidência de Roberto Parisi, a partir de 1982, apenas a águia era vista na camisa dos atletas. O animal, preto com colarinho rosa, foi incluído dentro de um losango.  Por motivos econômicos, o escudo foi modificado cinco anos depois: a águia se tornou branca – para significar pureza – e foi desenhado sobre faixas nas cores preto e rosa.

Em 1995, o escudo foi modificado novamente. E drasticamente, até. A águia, antes incluída dentro dos brasões, foi colocada em cima de tudo. Era um baita desenho grande. Na Era Zamparini, já no século 21, foi criado o logo atual da agremiação: águia dourada dentro de um escudo rosa e preto, com o nome do clube.

Fiorentina


Fundada em 1926, a Fiorentina teve mais de 30 escudos, contudo, todos eles tiveram pouquíssimas alterações entre si. Isso se deve a principal característica permanecer em todos: a flor-de-lis, na cor vermelha, que representa Florença. O emblema circular, um dos que mais marcaram a memória do torcedor, apareceu estampado em tamanho grande, na camisa viola nos anos 80.

Siena


Conta a história que Senio e Ascânio, descendentes de Remo – irmão de Rômulo -, fugiram de Roma devido ao seu tio. Eles foram para o norte, na direção da Etruria (antiga região que compreendia a Toscana), se instalaram e fundaram a cidade de Siena. Assim, o Siena incorporou a figura dos irmãos, também amamentados pela lupa capitolina, no brasão preto-e-branco.


Livorno


Quisera o último clube, da última região, não fazer referência alguma à sua cidade. De fato, nos idos de 1920, o Livorno até usou o castelo que aparece no escudo da urbe em seu próprio emblema, mas o deixou de lado bem cedo. Até 1991, quando os labronici foram à falência, o logo não passava das iniciais da agremiações, na cor grená, dentro de um círculo; atualmente, o Livorno utiliza as letras ASL dentro do mesmo estilo de brasão.

Diferentes, excêntricos e inusitados

Bari (fundado em 1908, Serie B): o galo em estilo geométrico já foi até votado como um dos cem escudos mais bonitos da história do futebol, em enquete da revista Guerin Sportivo.


Foggia (fundado em 1920, Terza Categoria – 10ª divisão): os diabos foram adotados oficialmente no brasão a partir da década de 1990.


Taranto (fundado em 1927, Serie D – 5ª divisão): em 2009, o diretor geral do Taranto, Giuseppe Iodice, criou o logo da equipe, que mostra Taras, símbolo da cidade, montado em um golfinho.


Bassano Virtus (fundado em 1920, Lega Pro Seconda Divisione – 4ª divisão): um jogador metendo um bicicleio (mistura de bicicleta com voleio)? Tá.


Latina (fundado em 1945, Serie B): religiosamente, o Leão com Asas de Águia, descrito por Daniel, na Bíblia, junta a força do Rei da Floresta com o alcance dos voos da Rainha das Aves. Ainda assim, é um leão com asas pisando numa bola.


Benevento (fundado em 1929, Lega Pro Prima Divisione – 3ª divisão): os jogadores do Benevento são conhecidos como “feiticeiros”; o mascote da equipe é uma bruxa. Mas o que tem no brasão nada mais é que a Bruxa do Pica-Pau. Ziriguidum.


Santarcangelo (fundado em 1926, Lega Pro Seconda Divisione): o que dizer de um galo antropomórfico carregando um cetro?


San Marino (fundado em 1959, Lega Pro Prima Divisione): o único clube samarinês a jogar no campeonato italiano tem um titã em seu emblema. Curioso, considerando que a força do futebol do micropaís é quase nula.


Monterotondo (fundado em 1935 e disputou seu último torneio – Serie D – em 2011 antes de deixar de existir): a cidade de Monterotondo, em Roma, fica em cima de uma colina; no entanto, o Valle del Tevere parece que foi desenhado no Paintbrush. 


Cynthia (fundado em 1920, Serie D): os caras têm Artemis no brasão!


Real Poseidon (-, Eccellenza – 6ª divisão): vejam a felicidade do Deus supremo do mar, na Grécia Antiga.  


Serino (fundado em 1928, Promozione – 7ª divisão): em Serino, as águas são sempre límpidas e o símbolo da cidade da Campânia é uma sereia. Pronto.  


Villa Cidro (-, última competição disputada foi o Eccellenza de 2012 antes de ir à falência): não entendi o que tem a ver a bandeira da Coreia do Sul nesse logo. 


Ippogrifo Sarno (fundado em 1989, Serie D): em Edimburgo, J. K. Rowling sorri. Hogwarts vive.


Mezzolara (fundado em 1965, Serie D): fonte Comic Sans. Adeus.

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