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quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Jogadores: Edgar Davids

Davids e Seedorf: dois holandeses que fizeram história no Ajax e no futebol italiano (esdavids.com)
Edgar Davids ficou marcado na história do futebol por ser um marcador agressivo e implacável, mas também com ótima saída de bola e uma característica pouco comum para um volante: a habilidade para executar os mais variados dribles. O holandês foi multicampeão durante a carreira e é um dos dez jogadores da história que defendeu os três times mais vitoriosos da Itália: Milan, Juventus e Internazionale.

Porém, além da grande qualidade em campo, o holandês ficou famoso pela imagem. Os longos dreadlocks o acompanham por quase toda a sua trajetória futebolística, assim como os óculos, que são utilizados por conta de um glaucoma, descoberto no final dos anos 90 e que o fez pensar em encerrar a carreira muito cedo.

Nascido no Suriname, filho de pai africano e mãe judia, Davids se mudou para a Holanda na infância e muito jovem foi treinar no Ajax. Em entrevista para a revista inglesa FourFourTwo, no final de 2010, destacou a importância deste tempo na escola de futebol dos Godenzonen: “Depois de identificar o talento, eles trabalhavam para nos ensinar como ampliar o nível da nossa habilidade, nos forçando a jogar em dois toques”. E completa: “Jogávamos muitas partidas, mas trabalhávamos muito o posicionamento”.

No Ajax, Louis van Gaal foi muito mais que apenas um treinador. O recuo de Davids para a volância foi obra do técnico, pois Overmars pedia passagem na ponta-esquerda, posição em que o agora volante ocupava anteriormente. Além disso, o comandante criou o apelido de Pitbull, pelo estilo agressivo na marcação.

Aos 18 anos, no dia 8 de setembro de 1991, frente ao RKC Waalwijk realizou a estreia no time principal. Em uma temporada em que atuou 13 vezes e marcou dois gols, Davids participou da campanha campeã da Copa Uefa, na qual seu clube bateu o Torino, de Casagrande, na decisão. Mas foi a partir de 1992-93 que o Pitbull passou a ser personagem importante do grande Ajax, ganhando a vaga entre os 11 iniciais de um dos melhores times da história.

Depois do primeiro título, o holandês passou a colecionar conquistas – a mais importante delas, a Liga dos Campeões, em 1994-95. Armados no 3-4-3, os Godenzonen bateram o Milan, por 1 a 0 na final, com gol de Kluviert. O Ajax ainda contava com Van der Sar, Reiziger, Blind, Frank de Boer, Rijkaard, Seedorf, Ronald de Boer, Litamanen, Finidi George e Overmars.

O início da temporada seguinte trouxe as conquistas da Supercopa da Holanda, frente ao Feyenoord, e, a Supercopa da Europa, contra o Zaragoza. Sem Rijkaard, aposentado, e Seedorf vendido para a Sampdoria, Davids ganhou mais relevância no meio-campo do Ajax. Foi a grande temporada do volante: 28 jogos e sete gols no título da Eredivisie 1995-96. Internacionalmente, o clube venceu a Copa Intercontinental, frente ao Grêmio, na disputa de pênaltis, após um empate em 0 a 0 no tempo normal. Naquele 28 de novembro de 1995, Davids não foi um dos escolhidos para realizar as cobranças pelos lados do Ajax.

Os Godenzonen haviam alcançado o bicampeonato nacional. Porém era o outro título consecutivo que o clube buscava. Liderados pelo artilheiro da LC, Litmanen, o Ajax chegou à segunda final consecutiva na Europa. O volante vinha bem e fez um gol nas quartas de final da competição, contra o Borussia Dortmund. O ano, que era de sonho para Davids, acabou com um decepcionante vice-campeonato europeu frente à Juventus capitaneada por Vialli. No tempo normal, no Olímpico de Roma, 1 a 1, com gols de Litmanen e Ravanelli. Nos pênaltis, brilhou a estrela do goleiro bianconero, Peruzzi, que pegou duas cobranças, inclusive a primeira delas foi realizada por Davids. Com isto, vitória italiana por 4 a 2.

O vice-campeonato encerrou a primeira passagem pelos Godenzonen e o Pitbull foi contratado pelo Milan a custo zero, uma vez que o clube se valeu da recém-aprovada Lei Bosman. Os rossoneri tinham tido sucesso no investimento de jogadores vindos da Holanda recentemente e apostaram de uma só vez nas contratações de Michael Reiziger e Edgar Davids. Porém, ambos fracassaram. No caso de Davids, ter quebrado a perna logo depois de assinar com o clube, ajudou com que ele não pudesse repetir o sucesso de Rijkaard, Gullit e Van Basten. Em uma temporada e meia em Milão, o volante não conseguiu repetir o futebol do Ajax e jogou apenas 19 jogos na Serie A.

Galliani sorri na apresentação dos holandeses Reiziger e Davids: mas ambos decepcionaram (AP)
A Juventus foi o seu destino em dezembro de 1997. Foram gastos apenas o equivalente a atuais 6 milhões de euros investidos para ter o futebol do holandês – valor baixo se comparado ao enorme potencial. Em campo, o Pitbull, primeiro jogador do seu país a atuar pela Juve, devolveu muito mais do que foi gasto para tê-lo, fazendo, pelo menos, 20 partidas na Serie A, em seis das sete temporadas que vestiu bianconero. O técnico Marcello Lippi, responsável pela contratação, definiu o volante assim: “minha sala de máquinas de um homem só”.

O meio-campo da Juventus também tinha Zidane, e na já citada entrevista à FourFourTwo, Davids explicou o motivo do sucesso da parceria com o francês: confiança. "Nós entendíamos futebol no mesmo nível”, disse. Com Zizou, o holandês conquistou o scudetto de 1997-98 e a Copa Intertoto de 1999. Mas foi sem o francês e, ao lado de Buffon, Thuram, Ferrara, Zambrotta, Camoranesi e Nedved, que Davids acumulou a maior parte das conquistas: a Supercoppa e a Serie A, em 2002 e 2003. No meio das conquistas, em 2001, Davids sofreu ao ser envolvido em problemas relacionado à doping, mas a sanção durou apenas cinco meses.

Na Vecchia Signora, o Pitbull perdeu a segunda final de Liga dos Campeões da carreira e, mais uma vez, para um time italiano, em 2002-03, o Milan. Davids era titular dos bianconeri e marcou um gol na campanha, em que o clube eliminou o Barcelona e o Real Madrid, nas quartas e semifinais, respectivamente. Porém, o 0 a 0 no tempo normal, levou o jogo para os pênaltis. Desta vez, o holandês não foi escalado para cobrar, porque sofreu uma lesão muscular durante a partida. Também não foi o goleiro da Juventus que brilhou e, sim, Dida, o milanista, que parou três biaconeri e deu o título à antiga equipe de Davids.

Davids e Seedorf jogaram juntos no Ajax e na seleção, mas se enfrentaram bastante por clubes (Ajax.nl)
Após aquela derrota, a Juventus só venceu a Supercoppa e não retornou a conquistar taças enquanto o Pitbull esteve por lá. Mas vestindo a camisa bianconera, Davids se concretizou na seleção holandesa, pela qual estreou em 1994, em derrota frente à Irlanda. Na Eurocopa de 1996, o volante vinha sendo utilizado pelo treinador Guus Hiddink. Porém, após o último jogo da primeira fase, a derrota por 4 a 1 frente à Inglaterra, o jogador criticou o treinador publicamente e foi dispensado do torneio.

Os grandes momentos do agressivo volante com a camisa laranja foram mesmo enquanto esteve na Vecchia Signora. Na Copa de 1998, Davids entrou no time no segundo jogo da fase de grupos e não saiu mais. Contra a Iugoslávia, nas oitavas de final, o Pitbull marcou o gol da vitória nos acréscimos do jogo e classificou a equipe às quartas de final. Nas quartas, a Holanda deixou para trás uma Argentina recheada de jogadores, que ou brilhavam no futebol italiano: Zanetti, Sensini, Simeone, Verón, Balbo e Batistuta.

A semifinal colocou a forte geração holandesa frente ao Brasil, que contava com Ronaldo e Rivaldo, além de Edmundo, Leonardo, Cafu, Aldair e André Cruz, que atuavam no futebol italiano. O jogo muito tático e muito marcado teve dois gols, um de cada camisa nove: o fenômeno para os canarinhos e Kluivert para a Oranje. A partida permaneceu 1 a 1 na prorrogação e, mais uma decisão da carreira de Davids foi para os pênaltis. O volante novamente não cobrou e viu o time ser eliminado com grande participação do goleiro adversário, Taffarel. Apesar do quarto lugar, o Pitbull apareceu na seleção do torneio escolhida pela Fifa.

A história praticamente se repetiu na Euro 2000: o holandês foi selecionado para a seleção que disputava o torneio em casa; viu o time perder a semifinal nos pênaltis (mais uma vez sem cobrar) e a Itália, que eliminou a Oranje nesta fase, acabou sendo vencida pela França de Zidane na decisão. Davids ainda jogou a Euro de 2004 e ficou na seleção até 2005.

Com pouco espaço na Juventus, após diferenças com o treinador Lippi, Davids perdeu lugar no time para Conte, Tacchinardi e Appiah. Assim, o holandês acertou um empréstimo de seis meses com o Barcelona. E a forma como a contratação foi fechada chamou a atenção. O treinador e ex-companheiro Frank Rijkaard pediu ao presidente, Joan Laporta e, em menos de uma semana, o Pitbull se apresentava no Camp Nou. Nos seis meses em que vestiu blaugrana, o volante atuou 18 vezes, fez um gol e, com sua liderança, foi importante na recuperação incrível na Liga Espanhola, que resultou na classificação à Liga dos Campeões do ano seguinte.

Mesmo com o bom desempenho, o Barça não teve interesse em continuar com o jogador, pois passava por uma reformulação do elenco. Por isso, Davids voltou à Itália para defender a Internazionale. Em Milão, jogou apenas 23 vezes e não marcou nenhum gol na temporada. Porém, o holandês participou do primeiro título nerazzurro em sete anos, a Coppa Italia de 2004-05. Mesmo assim, a Inter pensou em rescindir o contrato do jogador, que não agradou na nova passagem pelo Giuseppe Meazza.

Sem brilho em Milão: o Pitbull também não teve grandes momentos na Inter (Picpix)
Após refletir, a diretoria da Inter decidiu ceder o jogador gratuitamente ao Tottenham. Em White Hart Lane, em um ano e meio, Davids atuou 40 vezes, marcou um gol e se tornou o jogador favorito dos fãs, em duas temporadas nas quais o clube concluiu a Premier League na quinta colocação. Em janeiro de 2008, o holandês se transferiu ao Ajax, clube para o qual retornava após dez anos. O holandês reestreou, em 5 de janeiro, frente ao antigo time, a Internazionale e, no dia 13 de janeiro, pela primeira vez capitaneou os Godenzonen.

O volante conseguiu uma redenção no ano em que esteve no Ajax. A vitória na final da Copa da Holanda, contra o AZ veio em disputa de pênaltis e foi de Davids a cobrança que definiu a conquista. Antes de pendurar as chuteiras, o Pitbull venceu a Supercopa da Holanda e jogou mais meia temporada com a primeira camisa que vestiu profissionalmente.

Porém, a paixão pelo esporte ao qual se dedicou toda a vida falou mais alto e, dois anos depois, em 2010, Davids retornou ao futebol para jogar a segunda divisão inglesa pelo Crystal Palace. Mas ficou apenas de agosto a novembro no clube e, mesmo assim, avaliou que foi uma das melhores experiências de sua vida. A carreira foi novamente interrompida, e outra vez por dois anos. Nesse meio tempo, Davids chegou a ocupar um cargo de supervisão na diretoria do Ajax.

O segundo retorno ao futebol também foi na Inglaterra, desta vez, na League Two (quarta divisão) pelo Barnet. Davids morava próximo ao clube, em Hadley Wood, e treinava uma equipe amadora de futebol de rua. Porém, recebeu convite para jogar e ser auxiliar Mark Robson no comando do time laranja e preto. A ideia foi bem aceita pelo holandês e, em pouco tempo, se tornou o treinador principal do Barnet. Em 2012-13, o time foi rebaixado à quinta divisão e terá o holandês em campo e no comando no próximo ano.

O presidente do seu atual clube, Tony Kleanthous, afirmou ao jornal britânico, Daily Mail, que Davids atua de graça pelos Bees: “Nós não pagamos para ele ser nosso jogador e também não o pagamos para ser nosso treinador”. A dedicação do volante fica ainda mais clara em outra frase do dirigente, “Edgar está fazendo tudo isso voluntariamente. Ele sabe que o Barnet é um clube pequeno, que não poderia pagar o que ele vale, em circunstâncias normais”. No próprio Barnet, o holandês quer lançar uma tendência: usará a camisa número 1, mesmo sendo jogador de linha.

Paralelamente ao trabalho dentro de campo, a partir de 2005, Davids é proprietário de um marca, chamada MONTA, dedicada ao futebol de rua. Modalidade da qual o volante é um dos embaixadores e, sempre que pode, está viajando para divulga-la. Na época de base no Ajax, o holandês seguiu jogando na ruas e recebeu o apelido de “o prefeito das ruas”. O pitbull também realiza trabalhos para a sociedade. Desde 2009, mantém uma fundação para identificar e desenvolver qualidades de crianças. Um projeto de apoio ao país natal é a Fundação Suriname de Conservação, direcionada à manutenção das florestas tropicais surinamesas.

Edgar Davids
Nascimento: 13 de março de 1973, em Paramaribo, Suriname (Holanda)
Posição: volante
Clubes como jogador: Ajax (1991-96 e 2007-08), Milan (1996-97), Juventus (1997-04), Barcelona (2004), Internazionale (2004-05), Tottenham (2005-07), Crystal Palace (2010) e Barnet (2012-até hoje)
Clubes como treinador: Barnet (2012-até hoje)
Títulos como jogador: 3 Ligas Holandesas (1993-94, 1994-95 e 1995-96), Copa da Holanda (1992-93 e 2006-07), 4 Supercopas da Holanda (1993, 1994, 1995 e 2007), Liga dos Campeões (1994-95), Copa Uefa (1991-92), Supercopa da Uefa (1995), Copa Intercontinental (1995), 3 Serie A (1997-98, 2001-02 e 2002-03), 2 Supercoppa (2002 e 2003), Copa Intertoto (1999) e Coppa Italia (2004-05).
Seleção holandesa: 74 jogos e seis gols

2 Comentários:

Anônimo disse...

Não foram apenas 7 os jogadores que representaram Juventus, Inter e Milan?

10 foram os jogadores que representaram Juventus e Milan.

Tou errado?

Nelson Oliveira disse...

Está. Foram 10: Cevenini, Meazza, Candiani, Serena, Baggio, Vieira, Davids, Vieri, Ibrahimovic e Pirlo.

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