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domingo, 24 de novembro de 2013

Jogadores: Alessandro Nesta

Nesta se consagrou como um dos melhores zagueiros do mundo com a camisa do Milan, mas também teve muito sucesso com a Lazio e a seleção (acmilan.com)
Nesta foi um dos melhores zagueiros das últimas décadas, combinando força e técnica. Nos carrinhos para desarmar os adversários estava presente a potência e o ótimo tempo para recuperar a redonda. Mas Nesta não era apenas um destruidor, também facilitava a saída de bola do time, com muita qualidade nos fundamentos. Além disso, era um jogador veloz.

Nascido em Roma, em família de laziali, Nesta também escolheu os biancocelesti, mas teve uma oportunidade de jogar pelo maior rival do clube do coração. O U.S. Cinecittà, time infantil do jogador tinha um dos olheiros, Francesco Rocca, ligado à Roma. A diretoria do setor juvenil romanista fez uma proposta para Nesta ingressar na base giallorossa, mas seu pai impediu que o negócio fosse feito.

Naquela época, o garoto prodígio Alessandro Nesta era meio-campista. Uma semana depois da proposta da Roma, o romano realizou o sonho de jogar pela Lazio, onde, na categoria sub-12, protagonizou um dérbi com Totti. Em sua trajetória na base laziale, começou como meia, e jogou até mesmo como atacante antes de ser efetivado como zagueiro por Domenico Caso, já em 1992, coincidentemente o ano da chegada de Sergio Cragnotti ao clube. Sua formação também foi recheada de convocações para seleções juvenis da Squadra Azzurra.

A estreia na Lazio veio através do técnico Dino Zoff. O jovem já participava de treinamentos com os profissionais, e chegou até a se lesionar seriamente ao dividir uma bola com Paul Gascoigne em uma atividade. A passagem aos profissionais se concretizou mesmo com Zdenek Zeman, em 1994-95. Um ano depois, em 1996, Nesta venceu o Europeu sub-21, tendo ao seu lado Cannavaro na defesa. A Uefa escolheu seu companheiro como melhor jogador do torneio, mas o romano converteu o último pênalti, que valeu o título, na final frente à dona da casa Espanha.

Pelo desempenho, o zagueiro ganhou, uma semana depois, vaga no grupo que disputou a Eurocopa de 1996 (por conta de uma lesão de Ciro Ferrara). O laziale não jogou nenhuma partida pela Itália, que caiu na primeira fase. Na Olimpíada do mesmo ano, mais uma eliminação dos azzurri nos grupos. De volta à Lazio, já como titular, viu Zeman cair e Zoff retornar. Continuou como titular, sendo peça fundamental à zaga.

O primeiro dos muitos títulos da carreira profissional veio com mais uma participação decisiva. O zagueiro marcou o terceiro gol laziale no Olímpico de Roma, que garantiu a conquista da Coppa Italia, contra o Milan. Campeão, o romano foi ao Mundial de 1998 como titular de Cesare Maldini, aos 22 anos, ao lado de Cannavaro, Costacurta e Maldini, os dois últimos futuros companheiros no Milan. Porém, aos quatro minutos do último jogo da primeira fase, contra a Áustria, Nesta lesionou o ligamento e ficou afastado do futebol por seis meses.

Lesões pela Itália foram habituais na carreira de Nesta. Em 1998 (foto), e 2006 também (Interleaning)
Na volta aos gramados, com Sven-Göran Eriksson, Nesta se tornou capitão de um time que estava se preparando para se tornar um esquadrão. Até o ápice, em 1999-00, a Lazio foi se reforçando e, entre os nomes que chegaram ou já estavam no clube, se destacam: Sinisa Mihajlovic, Matías Almeyda, Diego Simeone, Fernando Couto, Dejan Stankovic, Pavel Nedved, Juan Sebastián Verón, Roberto Mancini e Marcelo Salas.

Após o retorno de Nesta ao time, a Lazio engatou uma seqüência de nove vitórias que colocaram a equipe na liderança isolada da Serie A. Porém, uma derrota no dérbi capitolino (na qual Nesta acabou expulso) iniciou a queda que culminou na perda de um scudetto que parecia simples. No entanto, a temporada que começou com o título da Supercopa Italiana (1998), terminou com o título da Recopa (1998-99). Logo no início da temporada seguinte, a Lazio venceu a Supercopa da Uefa (1999), contra o Manchester United, de Beckham, Giggs, Scholes e cia.

O título diante do United iniciou a temporada da consagração laziale: 1999-00. Naquela ocasião, a equipe capitolina venceu três taças no centenário. O scudetto veio apesar de alguns momentos de baixa na disputa. A Lazio largou na frente, mas deixou a Juventus de Carlo Ancelotti e Zinédine Zidane ultrapassá-la. Após nove jogos de invencibilidade, outra vez o dérbi desmoronou a casa laziale, que perdeu o título simbólico de inverno para a Juve. A dupla Nesta-Mihajlovic era fundamental à Lazio. Quando algum dos dois não estava em campo, o time não conseguia segurança defensiva. Um exemplo foi a partida contra a Fiorentina, no Artemio Franchi, um empate por 3-3. Paolo Negro deixou o campo desolado após falhar nos três gols viola.

Porém, com uma arrancada incrível, a Lazio conseguiu tirar nove pontos de vantagem conquistados pela Juventus e conquistou o título na última rodada, com um tropeço da Velha Senhora diante do Perugia acontecendo ao mesmo tempo que um atropelo sobre a Reggina – Nesta, suspenso, assistiu a conquista de camarote, mas levantou o troféu. A equipe capitolina ganhou também a Coppa Italia. Na decisão frente à Inter, a vitória por 2 a 1, no Estádio Olimpico, garantiu mais uma taça.

Nesta foi o xerife de uma Lazio estelar (Interleaning)
Na temporada seguinte, os laziali ainda venceriam mais uma vez os nerazzurri, desta vez, pela Supercoppa. O 4 a 3 teve gols de Claudio López (duas vezes), Mihajlovic e Stankovic e, para a Beneamata, descontaram jogadores que não fizeram sucesso na Itália, Robbie Keane, Farinós e Vampeta.

As conquistas pela Lazio fizeram com que Nesta chegasse com moral na seleção, que disputaria a Eurocopa de 2000. Titular, o romano ajudou a Itália chegar à final, mas, do outro lado, estava a França, com vários jogadores que fizeram sucesso no futebol italiano: Desailly, Vieira, Djorkaeff e, principalmente, Zidane. Assim, os Bleus venceram a Euro na prorrogação, com o gol de ouro de Trézéguet.

Nesta ainda jogou a Copa do Mundo de 2002 como laziale. O defensor foi titular na primeira fase, porém, na controversa eliminação para a Coreia do Sul nas oitavas de final, não participou da partida. Com a frustração na bagagem, o romano teve uma notícia ruim: seria negociado, pois o clube coração não teria condições para manter o elenco estrelado, e teria de desmanchar o time, por conta de irresponsabilidades dos dirigentes.

Apesar do interesse da Inter, foi o Milan que garantiu sua contratação, no último dia da janela do verão de 2002. O clube rossonero pagou 30,2 milhões de euros e ele foi apresentado sem sorrisos na nova equipe. Posteriormente, esclareceu o motivo da cara fechada: “Eu me vi em uma realidade que não era minha. Na coletiva com Adriano Galliani, eu estava com um rosto que seria visto em um funeral, porque era como eu me sentia”.

Apesar do descontentamento inicial, Nesta foi feliz vestindo rossonero. No time de Silvio Berlusconi, foi reverenciado como um dos melhores zagueiros do mundo e se tornou um multi-campeão. Isto foi previsto por Franco Baresi assim que o laziale desembarcou em Milão: “Não há ninguém melhor que Nesta na Itália atualmente. O clube pode descansar, pois esta posição estará coberta por muito tempo”. Logo na primeira temporada, veio um título inédito, a Liga dos Campeões, com ótima participação do romano, titular na campanha participou da boa defesa milanista. Na final, contra a Juventus, Nesta garantiu a vantagem rossonera na quarta cobrança. Shevchenko selou a conquista.

Assim como na Lazio, nos rossoneri, o zagueiro ganhou títulos, mas teve um momento especial. Ao final da temporada 2005-06, o Milan não havia vencido nada, mas o futuro prometia muito. Para alguns milanistas, a Copa de 2006 foi um aquecimento para as conquistas que viriam. Depois de cair na primeira fase na Euro 2004 com Giovanni Trapattoni, com grupo semelhante, sob a batuta de Marcello Lippi os italianos deram a volta por cima.

Nesta era titular de uma defesa que só tinha sido vazada uma vez, porém, uma lesão o afastou da fase final da competição. Mesmo com a ausência, a Itália foi campeã sofrendo apenas dois gols nos sete jogos. O romano era campeão mundial, ao lado do ex-rival da base, Totti, também nascido na capital em 1976. Após a Copa, fez o que seria seu jogo de despedida da Nazionale diante da Geórgia, em Tblisi. No início de 2007, anunciou que deixaria a seleção para poder se recuperar fisicamente. Dessa forma, encerrou sua carreira vestindo azzurro com 78 partidas e nenhum gol marcado.

No Milan, após a Copa do Mundo, sob o comando de Ancelotti teve uma grande temporada, e conquistou a segunda Liga dos Campeões da carreira – apesar de uma lesão num ombro ter impedido que o zagueiro atuasse por boa parte da temporada. A defesa rossonera novamente funcionou bem, sofreu dez gols nos 13 jogos e o clube contou com bons desempenhos de Kaká, o melhor do mundo naquele ano. Mas o sabor especial ficou por conta da vitória sobre o adversário na final – o Liverpool, que duas temporadas antes havia conquistado a LC, após estar perdendo para o Milan, por 3 a 0 na decisão. Desta vez, os milanistas não deram chances para os Reds: 2 a 1, com dois gols de Inzaghi, e a taça das grandes orelhas novamente foi para Milão.

Nesta ainda foi tricampeão da Supercopa da Uefa, batendo o Sevilla, por 3 a 1 na final. Mas a especial temporada ainda reservava um título inédito na carreira do romano, o Mundial Interclubes. Novamente um reencontro: em 2007, o adversário do Diavolo foi o Boca, que em 2003 havia sido campeão contra o Milan, que não teve o camisa 13. Quatro anos depois, nada de chances para os sul-americanos: Inzaghi marcou duas vezes e Nesta e Kaká completaram a vitória por 4 a 2.

Em 10 anos no Milan, Nesta se transformou em um ícone da posição (Correio do Estado)
Após o título mundial, Nesta viveu um período de baixa na carreira, cercado por ainda mais lesões que já haviam o acompanhado até aquele momento de sua carreira. Em 2008, sofreu uma lesão nas costas e nem mesmo foi inserido na lista de jogadores do Milan para a LC. Em fevereiro de 2009, acabou incluído, mas precisou ser operado, porque as dores eram fortes. Atuou apenas nos minutos finais do último jogo da temporada, contra a Fiorentina. Sob o comando de Leonardo, em 2009-10, voltou a atuar em alto nível e marcou até sua única doppietta na carreira (com dois gols, virou uma partida contra o Chievo). Pelas atuações, chegou até a ter sua volta à seleção especulada.

Nesta seguiu até 2012 em Milão e ainda venceu uma Supercoppa e uma Serie A, completando três scudetti. O romano parecia estar decidido a parar no final da temporada 2010-11, mas seguiu por mais um ano. Porém, ao final deste período, optou por jogar em uma liga que exigisse menos de seu físico. Na saída do Milan, anunciada em maio de 2011, Thiago Silva exaltou o ex-companheiro: “'É um grande homem e me ajudou muito nesses últimos anos em que atuamos juntos. Ele é muito bom para o time e também por manter um ótimo ambiente no vestiário. O Milan perde duas vezes com sua saída”.

O zagueiro foi para a MLS jogar com o ex-companheiro de base laziale, Marco Di Vaio (mais um jogador romano nascido em 1976), no Montréal Impact. No Canadá, Nesta atuou 31 vezes, deu uma assistência, foi algumas vezes eleito para o time da semana da MLS e venceu Campeonato Canadense de 2013. No final desta temporada, em que o Impact foi até a primeira fase dos play-offs, o romano decidiu pendurar as chuteiras por não conseguir mais atuar em alto nível sem ficar com muito cansaço físico. Segundo Roberto Mancini, se aposentou o “Ronaldo da defesa”.

Nesta pendura as chuteiras já pensando na próxima carreira, “eu, com certeza, tentarei ser treinador no futuro”. O objetivo do romano é descansar por seis meses e, depois, começar a estudar para se tornar técnico. Sem dúvida quem irá ganhar é o futebol.

Leia também: Garotos prodígios: Alessandro Nesta.

Alessandro Nesta
Nascimento: 19 de março de 1976, em Roma, Itália
Posição: zagueiro
Clubes: Lazio (1985-2002), Milan (2002-12) e Montréal Impact (2012-13)
Títulos: 3 Serie A (1999-00, 2003-04 e 2010-11), 3 Coppa Italia (1997-98, 1999-00 e 2002-03), 4 Supercooppa (1998, 2000, 2004 e 2011), 2 Liga dos Campeões (2002-03 e 2006-07), 3 Supercopas da Uefa (1999, 2003 e 2007), Recopa Europeia (1998-99), Mundial Interclubes (2007), Campeonato Canadense (2013), Europeu sub-21(1996) e Copa do Mundo (2006)
Seleção italiana: 78 jogos e nenhum gol.

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