Subscribe Twitter Facebook

sábado, 30 de março de 2013

Dérbis: Inter x Juventus

Del Piero e Ronaldo em um dérbi dos anos 90: o chamado Derby d'Italia sempre foi recheado de craques (Allsport.uk)

A rivalidade entre Inter e Juventus não tem precedentes no futebol italiano. Duas das maiores equipes do futebol nacional em termos de título e torcidas, a Beneamata e a Velha Senhora protagonizam o duelo que ficou conhecido a partir de 1967 como Derby d'Italia. A expressão, cunhada pelo importante jornalista Gianni Brera, é curiosa. A palavra "dérbi" é utilizada normalmente para confrontos entre equipes de uma mesma cidade, mas a rivalidade entre Inter e Juventus era tão grande (e crescia naqueles anos), que a expressão ganhou força e é utilizada até hoje. Hoje, sobretudo depois do Calciopoli, os juventinos certamente tem nos interistas os grandes rivais e vice-versa - uma vez que a rivalidade com o Milan é bastante pacífica.
Significado do atual dérbi
Quinta colocada no campeonato, com 47 pontos, a Inter busca uma vaga na Liga dos Campeões e, para isso, somar pontos contra a líder do campeonato seria importantíssimo. Além disso, a vitória contra uma rival pode dar moral para os nove jogos restantes no campeonato. Por sua vez, a Juve vai a Milão com 65 pontos (9 de vantagem para o Napoli, vice-líder), e o resultado do jogo, qualquer que seja, pouco deve influenciar na sua trajetória no campeonato.

A Inter vem em momento de muita irregularidade, mas descansada - uma vez que a partida contra a Sampdoria, na última rodada, duas semanas atrás, foi adiada. Nos últimos três jogos, os nerazzurri conquistaram uma vitória, um empate e uma derrota. A partida mais recente, no entanto, deu gás para a equipe: 4 a 1 sobre o Tottenham. Além disso, a equipe conta com o fato de ter perdido apenas um jogo entre os últimos 18 disputados em casa.

Para este dérbi, que será o primeiro disputado durante o dia desde 1997, a Juventus chega com tranquilidade e buscando não se desgastar muito para enfrentar o Bayern de Munique, pelas quartas de final da Liga dos Campeões, nesta terça. A equipe ainda está invicta há quatro jogos, nos quais sofreu só um gol.

Os dérbis mais recentes
11ª rodada - Juventus 1-3 Inter
Este foi um dos dérbis mais marcantes dos últimos anos, pela quantidade de aspectos envolvidos. Em primeiro lugar, o jogo começou alucinante, com um gol irregular da Juventus com 18 segundos de bola rolando. A Inter, que costumava se descontrolar com erros de arbitragem após o Calciopoli, não reclamou e virou o jogo na bola. A escolha de Stramaccioni, que colocou Palacio para marcar Pirlo, e a entrada de Guarín ajudaram a Inter a virar, com dois de Milito e um do próprio Palacio, e conquistar o 3 a 1. A partida encerrou uma série de 49 jogos de invencibilidade da Juve e ainda decretou a primeira derrota bianconera na Arena Juventus.

29ª rodada da Serie A 2011-12 - Juventus 2-0 Inter
No campeonato anterior, a Juventus teve melhor sorte e venceu a Inter em casa pelo placar de 2 a 0. Contra uma Inter nada brilhante, a Juve fez dois gols no segundo tempo, com Cáceres e Del Piero, para definir o placar e provocar a demissão de Ranieri do comando da Inter e permitindo a Stramaccioni iniciar seu trabalho. No outro jogo da temporada, outra vitória da Juve: 2 a 1 em Milão, com gols de Vucinic e Marchisio; Maicon descontou.

Estatísticas gerais
Os rivais já se enfrentaram 186 vezes no campeonato italiano, com ampla vantagem de resultados para a Juventus. A Velha Senhora venceu 83 vezes, contra 57 da Inter - outros 46 jogos acabaram empatados. São 265 gols a favor dos alvinegros e 236 aqueles favoráveis ao time azul e preto. No total, as estatísticas confirmam 219 partidas oficiais entre os clubes, com 98 vitórias juventinas, 68 interistas e 53 empates; 313 gols turinenses, 274 milaneses.

Platini caçado por Beppe Baresi, nos anos 80 (LaPresse)
A partida com maior número de gols entre os dois times aconteceu em 1961. Naquela ocasião, a Juve bateu uma equipe de juvenis da Inter por 9 a 1, e também conquistou sua maior vitória sobre o time de Milão. A maior vitória da Beneamata sobre a Juventus aconteceu em 1954: 6 a 0.

Personagens históricos
Inter e Juventus sempre tiveram jogadores muito ligados aos clubes e que, naturalmente, sentiam mais os dérbis. Casos de Javier Zanetti, Giuseppe Bergomi ou Giuseppe Baresi pela Inter; Alessandro Del Piero, Gaetano Scirea ou Carlo Parola pela Juve. No entanto, dois deles representam muito mais: o juventino Giampiero Boniperti e o interista Sandro Mazzola. No dia em que o primeiro encerrava sua vitoriosa carreira, o outro iniciava uma era na Inter. A partida, inclusive, foi o já citado 9 a 1 de 1961, sobre o qual falaremos melhor já já. Naquele jogo, o argentino Omar Sivori acabou se tornando o maior goleador em um único dérbi, com seis gols realizados numa mesma partida - no mesmo ano, ele receberia a Bola de Ouro.

Os artilheiros do confronto são dois jogadores que vestiram a camisa de ambos os clubes: Giuseppe Meazza e Roberto Boninsegna, com 12 gols. Meazza marcou 10 vezes pela Inter e outras duas no único ano em que passou em Turim. Já Bonimba marcou nove pela Inter e outros três pela Juve. 

Meazza é um dos três únicos jogadores a terem marcado três gols num mesmo dérbi, chegando ao feito em um 4 a 0 aplicado pela Inter em 1935-36. Os outros jogadores são Franco Causio (de grande história pela Juve, mas também ex-jogador da Inter), e Alessandro Altobelli (de grande carreira na Inter, mas ex-jogador da Juve). Causio liderou a vitória da Velha Senhora sobre a Beneamata em 1971-72, marcando os três gols da vitória, fundamental para o primeiro dos nove scudetti que a equipe conquistou nas décadas de 70 e 80. Já Altobelli deixou sua marca em 1979, dez anos antes de se transferir à Turim, num 4 a 0 da Inter, em temporada que acabou com título nerazzurro.

Entre os artilheiros da atualidade, o destaque é Del Piero, que sempre crescia muito em jogos contra a Inter. Além de fazer excelentes partidas, o principal goleador da história da Juve deixou 10 gols nas redes azuis e pretas. Do lado da Inter, o grande artilheiro dos últimos anos é o argentino Julio Cruz, com sete gols marcados entre 2003 e 2007. Besta negra da Juventus, o útil reserva da Inter crescia muito em partidas decisivas e, por isso, sempre foi muito respeitado pela torcida nerazzurra. Em 2007-08, marcou quatro vezes contra a Juve, e ajudou a equipe a conquistar a Serie A e a Coppa Italia.

Algumas curiosidades: o atacante Pietro Anastasi, ex-Juve, marcou nove gols no confronto, e era madrugador. Destes gols, cinco saíram nos 10 minutos iniciais de jogo. O atual técnico da Juventus, Antonio Conte, foi expulso duas vezes em sua carreira, ambas em partidas realizadas com a Inter em Milão.

Dérbis marcantes
Um dos grandes dérbis da história de Inter e Juventus foi, justamente, o terminado em 9 a 1, vencido pela Juve. Não bastasse ser a última partida de Boniperti e a primeira de Mazzola, as duas equipes disputavam o scudetto cabeça a cabeça e houve um episódio que acendeu as diferenças políticas entre os clubes. O jogo, disputado em Turim, teve a invasão de milhares de torcedores ao gramado, e a vitória foi dada à Inter no tapetão. A Juventus, presidida por Umberto Agnelli (também presidente da Federação Italiana de Futebol - FIGC), entrou com recurso e a partida teve de ser disputada novamente dois meses depois. Em protesto, o presidente Angelo Moratti ordenou que a Inter entrasse em campo com jogadores do time juvenil, o que facilitou a goleada por 9 a 1.

Iuliano faz pênalti em Ronaldo, em lance polêmico (Il Post)
Outras vitórias marcantes da Juventus foram a já citada vitória por 3 a 0, com tripletta de Causio, e outra conseguida em 1977, no auge da grande equipe treinada por Giovanni Trapattoni nos anos 70. Com dois gols de Boninsegna, a equipe bianconera fez 2 a 0 na Inter e acabou se sagrando campeã italiana - no mesmo ano, levou também a Copa Uefa. 

No quesito polêmicas, um outro jogo muito lembrado é o 1 a 0 da Juve sobre a Inter em Turim, em 1998. A quatro rodadas do fim do campeonato, as duas equipes disputavam o título e a Velha Senhora tinha um ponto de vantagem sobre a Beneamata. A Juve vencia por 1 a 0, com gol de Del Piero, até que Ronaldo, contratado junto ao Barcelona naquele ano (acabaria como vice-artilheiro do campeonato, com 25 gols), foi derrubado de maneira irregular por Mark Iuliano. O árbitro Ceccarini não marcou nada e os jogadores da Inter se revoltaram. Taribo West chegou a cometer pênalti, desperdiçado por Del Piero, e a Inter perdeu a cabeça e também o campeonato. Não seria naquele ano que o jejum de títulos (àquela época, de nove anos), seria quebrado. A partida gerou, ainda, problemas políticos no parlamento italiano, já que alguns deputados brigaram por causa de desavenças futebolísticas.

Para os nerazzurri, um dos jogos marcantes foi um 2 a 0 conseguido em Turim em 1983. Pouco antes do jogo, o meia Giampiero Marini foi atingido por um tijolo lançado por um torcedor bianconero e se feriu. Em campo, a partida acabou 3 a 3, mas o júri esportivo concedeu a vitória por 2 a 0 devido ao acontecimento. No ano seguinte, outro dérbi lembrado é o da vitória da Inter por um sonoro 4 a 0,no mesmo ano em que a Juve de Scirea e Platini seria campeã europeia.

Para a Inter, também é lembrada a vitória na Supercoppa Italiana em 2005, com gol de Juan Sebastián Verón nos acréscimos. Após o título da Coppa Italia no ano anterior, a Inter começava seu período de supremacia na Itália e a vitória sobre a Juventus foi importante para a disputa do campeonato (depois da revelação do esquema Calciopoli, dado à Inter), e da Coppa Italia, ambos os campeonatos vencidos pelos nerazzurri. O dérbi vencido nesta temporada, por 3 a 1, com gols de Milito (2) e Palacio, também está na memória dos interistas pela quebra da invencibilidade da grande rival.

Jogadores: Nils Liedholm

Extremamente habilidoso e classudo, meia sueco foi um dos grandes nomes do futebol nos anos 1950 (Uefa)
Leia também: Liedholm eterno

Niels Liedholm ficou conhecido como "O Barão". E não foi sem motivos. O apelido evidencia a liderança, coração e técnica do maior meio-campista da história do Milan antes do ícone Gianni Rivera. Por 12 anos, Liedholm foi tudo isso e mais um pouco pelo clube da Lombardia.

Em 394 partidas e com 89 gols, foi a alma do meio-campo do clube nos anos 1950 e é, até hoje, o segundo estrangeiro com mais partidas pelos rossoneri, atrás de Clarence Seedorf. Dentre os integrantes do trio Gre-No-Li, que formou com os compatriotas Gunnar Gren e Gunnar Nordahl, Liedholm é considerado, por muitos, como o mais importante deles. Afinal, foi quem mais tempo ficou no Milan e foi um dos jogadores que mais contribuiu para tornarem o Milan o que é hoje.

Após as saídas de Gren, primeiro, e de Nordahl, depois, liderou o time depois da dissolução do trio e venceu mais dois scudetti – três a mais que Gren e dois a mais que Nordahl. Definido como um "centrocampista total", o sueco era dono de uma extraordinária visão de jogo e com um toque de bola perfeito, Liedholm raramente errava passes. O próprio contava que, certa vez, todo o estádio se surpreendeu ao vê-lo errar um passe – coisa que não ocorria há dois anos.

Liedholm, ao centro do trio com Nordahl (esq.) e Gren (dir.) (Il Catenaccio)
O classudo meia liderou o Diavolo em doze anos e também preparou o caminho para o surgimento da lenda Rivera, que aparecia para o futebol no último ano do sueco em Milanello. Como jogador, afinal, logo após a aposentadoria, foi auxiliar técnico de Nereo Rocco entre 1961 e 1962 e iniciou sua carreira como técnico justamente lá, quando comandou o clube de 1964 a 1966, em um hiato da passagem de Rocco, que ficou nos rossoneri entre 1961 e 1963 e depois de 1967 a 1972.

Antes da Itália e pela seleção sueca
Liedholm foi um dos grandes jogadores que chegaram à Itália em uma época em que vários jogadores escandinavos aportaram no futebol italiano. O boom que levou jogadores da região ao país começou após a Olimpíada de Londres, em 1948, na qual a Suécia ficou com o ouro e a Dinamarca com o bronze. 

O Barone integrava a equipe nórdica juntamente com Gren e Nordahl, mas assim como os compatriotas, a transferência ao Milan impediu que todos atuassem na Copa de 1950, no Brasil: os suecos levaram apenas atletas que atuavam no país. 

Antes disso tudo acontecer, o meia passou pelo Sleipner e pelo Norrköping – no segundo, fez dupla com Nordahl e garantiu dois títulos nacionais. O destaque no campeonato local e, principalmente, nos Jogos Olímpicos, fez com que o sueco fizesse uma escolha de vida. Quando recebeu a proposta do Milan, Liedholm disse ao pai que passaria apenas dois ou três anos na Itália e depois retornaria. Acabou vivendo no Belpaese por quase 60 anos – e falecendo lá, inclusive.

O Barone se dedicou de forma quase exclusiva ao Milan até se aposentar. A exceção aconteceu por um breve período de tempo: a barreira para estrangeiros na seleção sueca caiu na Copa de 1958, que seria disputada pelos escandinavos em casa, e a estrela da equipe foi convocada. Na ocasião, Liedholm foi capitão do time, e marcou o primeiro gol da final perdida para o Brasil por 5 a 2, em um show de Pelé.

Galliani, Berlusconi e Liedholm: sueco foi o primeiro técnico da gestão rossonera do Cavaliere (Repubblica)
Após a aposentadoria
Como treinador, Liedholm foi um dos mais influentes no auge do futebol italiano e pioneiro na introdução da defesa a zona no Belpaese. Foi tão ou mais importante do que como jogador. Fora das quatro linhas, manteve forte ligação com o Milan, que treinou três vezes, e desenvolveu também carinho especial pela Roma, que treinou quatro. 

Pelos rossoneri, conquistou o décimo scudetto da história do clube, na campanha que marcou a despedida de Rivera e o surgimento de Franco Baresi, e ainda foi o primeiro treinador da Era Berlusconi. Em Roma, venceu o segundo scudetto do clube, tirou da equipe o antigo status de Rometta e implementou uma nova mentalidade no futebol italiano, com um estilo de jogo inspirado nas escolas holandesa e brasileira. Esse tipo de futebol ajudou a renovar o futebol italiano, que anos depois contaria com outros técnicos com futebol ofensivo – embora com suas diferenças filosóficas –, como Arrigo Sacchi e Zdenek Zeman.

O Barone: mito em Roma (Imortais do Futebol)
Outros feitos "menores" incluem benesses à Fiorentina, Varese Verona. Pela Fiorentina, foi o responsável pela contratação de Giancarlo Antognoni, junto ao Asti, da Serie C, e montou um time que seria campeão após sua saída. Quanto a varesinos e veroneses, colocou as equipes na elite, após campanhas vitoriosas. Em sua carreira, ganhou ainda por duas vezes o prêmio Seminatore d'Oro, dado ao melhor técnico da Itália, em 1975 e 1983.

Liedholm deixou a carreira de técnico em 1989, para cuidar de sua vinícola na Alessandria, no Piemonte, mas voltou ao futebol duas vezes na década de 1990, para tentar "apagar incêndios" no Verona e na Roma. O sueco continuava cuidando de sua vinícola juntamente com o filho Carlo, até falecer, em 2007, aos 85 anos. Liedholm foi enterrado no Cemitério Monumental de Turim, na cidade da sua esposa, a condessa Maria Lucia Gabotto di Sangiovanni.

Niels Liedholm
Nascimento: 8 de outubro de 1922, em Valdemarsvik, Suécia
Morte: 5 de novembro de 2007, em Cuccaro Monferrato, Itália
Posição: meio-campista
Clubes como jogador: Sleipner (1942-46), Norrköping (1946-49) e Milan (1949-61)
Títulos como jogador: 2 Campeonatos Suecos (1496-47 e 1947-48), 1 medalha de ouro nos Jogos Olímpicos (1948), 4 Serie A (1950-51, 1954-55, 1956-57 e 1958-59) e 2 Copas Latinas (1951 e 1956)
Carreira como técnico: Milan (1964-66, 1977-79 e 1984-87), Verona (1966-68 e 1992), Monza (1968-69), Varese (1969-71), Fiorentina (1971-73) e Roma (1973-77, 1979-84, 1987-89 e 1997).
Títulos como técnico: 2 Serie A (1978-79 e 1982-83), 3 Coppa Italia (1979-80, 1980-81 e 1983-84) e Serie B (1969-70)
Seleção sueca: 23 jogos e 12 gols.

quarta-feira, 27 de março de 2013

Serie B: Quase lá

Briga entre Verona e Livorno é grande para subir para a Serie A. Os dois clubes conseguirão subir sem a ajuda de play-offs? (La Nazione)

 33 rodadas se passaram e os três clubes que irão integrar a elite do futebol italiano na próxima temporada já parecem bem definidos. Em duas ocasiões o blog destacou a superioridade de Sassuolo, Livorno e Hellas Verona na briga pelo acesso e de lá pra cá, entre a busca por consolidação e a confirmação do domínio, a tríade tem folgado a vantagem para os restantes dos clubes, mesmo após alguns tropeços esperados na virada do ano.

A tríade (quase) imbatível
Até a 10ª rodada o Sassuolo ainda não havia perdido no campeonato. Foram cinco revezes desde então, contudo o time que leva o mesmo nome da pacata cidade localizada a apenas 16km de Modena, principal pólo industrial da Emília-Romanha, mantém uma vantagem de nove pontos para o segundo e terceiro colocados Hellas Verona e Livorno. Os neroverdi tem 72 pontos, enquanto os adversários tem 63 pontos cada.

Aproveitando a base bem montada por Fulvio Pea, hoje no Padova, e Paolo Mandelli, técnico do time Primavera do Sassuolo, Eusebio Di Francesco - campeão italiano com a Roma em 2001 e de passagens pouco expressivas por Virtus Lanciano, Pescara e Lecce - conseguiu dar um padrão tático à equipe. O seu 4-3-3 apresenta grande desenvoltura com o trio de ataque - os jovens Boakye (10), Berardi (9) e Catellani (5) somam 24 gols, e os reservas Pavoletti, Troianello e Masucci, 17 tentos, representando 63% dos gols do time.

O meio de campo técnico e equilibrado também melhorou e deu 17 passes para gols - Missiroli (10), Magnanelli (5) e Bianchi (2), são os destaques. Mais atrás, a defesa é segura e de vez em quando ainda ajuda na frente, seja nos avanços dos laterais Gazzola e Longhi, seja nas cobranças de pênalti e cabeçadas de Terranova. O zagueiro e capitão do time tem nove gols no campeonato.

Ficando um pouco para trás após um momento de instabilidade, o Hellas Verona conseguiu se segurar e voltar a ter o gás de antes. Andrea Mandorlini, contando com alguns reforços trazidos pela diretoria, conseguiu ajeitar a defesa, muito falha e insegura em 2011-12, e agora tem o prestígio de ser a defesa menos vazada da Serie B, com apenas 27 gols sofridos em 33 jogos - logo atrás vem o Sassuolo, que sofreu 29 gols. Um dos destaques do time é o goleiro Rafael, revelado pelo Santos e com muita moral no clube vêneto, onde atua desde 2007.

Na frente, sob o embalo do bomber Cacia (são 18 gols, empatado na artilharia com Zaza, Ardemagni e Sansovini) e do habilidoso Juanito (6 gols e 3 assistências), o clube não tem um ataque tão goleador, mas prima pela eficiência. A equipe tem também em Hallfredsson (7 assistências e 2 gols) e no brasileiro Raphael Martinho (8 gols e 2 assistências) duas boas alternativas pela esquerda. Assim como o time de Di Francesco, Mandorlini também é adepto do 4-3-3, sobretudo valorizando a posse de bola e a marcação pressão e zonal.

Com o mesmo número de pontos do rival ideológico - as torcidas tem profundas diferenças no aspecto político, com os ultràs do Livorno sendo de extrema-esquerda, enquanto os do Hellas de extrema-direita -, os amaranto também passaram por momentos de instabilidade, especialmente pela fragilidade defensiva apresentada no ousado 4-3-3 de Davide Nicola, técnico profissional há pouco mais de dois anos, apenas.

O treinador optou por mudar para o 3-4-1-2 e vem colhendo bons frutos. A defesa já não é tão vazada e o time ficou mais equilibrado, enquanto o ataque continua prolífico, inclusive sendo o segundo time que mais marcou na Serie B, atrás apenas do Sassuolo. O brasileiro Paulinho, principal destaque do time, já marcou 15 gols e distribuiu outras 9 assistências, enquanto Dionisi marcou 10 gols e Siligardi, 13. O meia-atacante revelado pela Inter, no entanto, acabou perdendo um pouco de espaço para o trequartista Belingheri, que tem sido titular e chegou aos 8 gols e 5 assistências. Com a mudança tática, os alas também passaram a ter destaque na frente; Schiattarella tem 3 gols e 3 assistências, Salviato, 2 gols e 3 assistências, e Gemiti, 3 assistências.

Se o campeonato acabasse hoje, além de Sassuolo e Verona, os dois primeiros colocados, o Livorno também seria promovido diretamente, sem ter que passar pelos playoffs contra os 4º, 5º e 6º colocados. Isso porque o time toscano, assim como o Verona, tem 10 pontos de vantagem para o Empoli, atual quarto colocado, o que, conforme o regulamento, garante o acesso direto para a Serie A.

Surpresas
Dado o devido destaque ao trio (quase) imbatível da Serie B, o destaque vai para Empoli e Novara, duas equipes que vêm conseguindo se recuperar do péssimo início de temporada e agora sonham em diminuir a vantagem para Livorno e Verona, buscando uma vaga no play-off e, quem sabe, fazer como a Sampdoria na temporada, que também teve início ruim e conseguiu grande recuperação no final, ficando na 6ª colocação e conseguindo o acesso à Serie A pela repescagem.

Nos nove primeiros jogos, o toscano Empoli não conseguiu sequer uma vitória, perdendo cinco vezes e empatando outras quatro, inclusive ocupando a penúltima colocação (a “lanterna” só não veio graças à perda de seis pontos do Grosseto). Apesar do início desastroso, Maurizio Ferri foi mantido no cargo e conseguiu encontrar em Saponara (incríveis 10 assistências e 9 gols), Tavano (15 gols e 5 assistências) e Maccarone (13 gols e 5 assistências) uma ótima saída da má fase. A excelente forma de Saponara, inclusive, lhe valeu uma transferência ao Milan, que permitiu que ele continuasse no clube azzurro até o fim da temporada.

No 4-3-1-2 que deu liberdade ao trio azzurro, o time também conseguiu maior equilíbrio, com o meio de campo bem ocupado por Moro, Valdifiori (às vezes Signorelli) e Croce, dando suporte à defesa, onde os jovens Laurini, Regini, Romeo e Tonelli ganharam espaço, especialmente os dois primeiros. Regini, inclusive, é constantemente convocado por Devis Mangia à seleção italiana sub-21, da qual participa também Saponara.

Recém-rebaixado da Serie A, o Novara até teve início razoável nos primeiros seis jogos, mas o time de Attilio Tesser não conseguiu repetir o desempenho nos outros seis jogos, somando quatro derrotas, o que acabou culminando na nova demissão do treinador - que comandou o time de 2009 a 2012. Giacomo Gattuso, treinador do time Primavera, assumiu interinamente e o time perdeu mais três vezes, o que fez Alfredo Aglietti ser anunciado. Um dos responsáveis pela salvezza do Empoli na temporada passada, o treinador toscano conseguiu dar um jeito no time.

O início com duas derrotas deu origem a 11 vitórias em 16 jogos, e recolocou o clube piemontês na briga por um lugar no play-off. No seu 4-3-3, Pablo González, destaque com 12 gols e 16 assistências, seguiu desequilibrando, enquanto os jovens Seferovic e Lepiller, ambos oriundos da Fiorentina, ganharam espaço no ataque, colaborando com 5 gols e 3 assistências, cada. Os experientes Pesce e Lazzari também melhoraram, enquanto outro jovem, este vindo da base, Bruno Fernandes, ganhou espaço no meio de campo, inclusive chamando a atenção de clubes da Serie A, a exemplo da Sampdoria.
Decepções
E se Empoli e Novara conseguiram se recuperar, o caminho inverso acontece com o Spezia. Time que acabara que de vir da Lega Pro depois de anos no anonimato, cresceu sob a gerência do empresário Gabriele Volpi e investiu pesado na volta para a Serie B, já sonhando com um acesso direto para a elite do futebol italiano. Sansovini, Di Gennaro, Sammarco, Garofalo, Porcari, Antenucci, Goian, Okaka Chuka, Crisetig... vários foram os contratados, num misto de jogadores experientes e jovens. O time de Michele Serena, contudo, não correspondeu.

Apesar do início razoável, chegando a estar na zona do play-off, a irregularidade e as fracas atuações de vários dos contratados pesaram no meio da temporada e, após 22 rodadas, Serena, desde 2011 no comando técnico do clube, acabou demitido. Gianluca Atzori assumiu, mas o desempenho fraco do time em cinco jogos também resultou em nova demissão. No final de fevereiro, foi a vez do experiente Luigi Cagni - ídolo do Brescia, onde esteve por 14 anos como jogador - assumir. Seis jogos se passaram, e nada de vitórias sob o comando de Cagni. O time marcou apenas três gols neste período.

Por sinal, mesmo tendo um dos artilheiros do campeonato, o time da Ligúria tem o 11º pior ataque da Serie B, com apenas 39 gols em 33 jogos, sendo 18 marcados por Sansovini, responsável por quase 50% dos gols do time. Di Gennaro, trequartista habilidoso oriundo do Milan, teve bom desempenho no início, com 6 gols e 4 assistências, mas caiu consideravelmente desde dezembro. O mesmo acontece com Antenucci, importante no acesso do Torino na temporada passada. Atrás, os jovens Benedetti, Pasini e Iacobucci vão bem, mas não o bastante para evitar que o time tenha a segunda pior defesa do campeonato ao lado do Cesena.

Hoje, os lígures jogariam o play-out com o Ascoli da revelação Simone Zaza (21 anos, 18 gols e interesse de Milan e Juventus), para evitar a volta para a Lega Pro. Cairiam Grosseto (praticamente rebaixado) e os tradicionais Pro Vercelli e Vicenza.

Balanço tático
4-3-3 (8 - Sassuolo, Verona, Novara, Bari, Padova, Juve Stabia, Cittadella, Virtus Lanciano), 4-4-2 (5 - Varese, Modena, Vicenza, Pro Vercelli, Grosseto), 3-5-2 (3 - Ternana, Reggina, Ascoli), 4-3-1-2 (2 - Empoli, Spezia), 4-2-3-1 (2 - Crotone, Cesena), 3-4-1-2 (1 - Livorno) e 4-3-2-1 (1 - Brescia).

Seleção da Serie B até a 33ª rodada
1: Brignoli (Ternana); Laurini (Empoli), Emerson (Livorno), Ceppitelli (Bari), Vitale (Ternana); Jorginho (Verona), Magnanelli (Sassuolo), Saponara (Empoli); Sansovini (Spezia), Zaza (Ascoli), Paulinho (Livorno). Téc.: Di Francesco (Sassuolo).

2: Rafael (Verona); Zambelli (Brescia), Terranova (Sassuolo), Maietta (Verona), Biraghi (Cittadella); Belingheri (Livorno), Moretti (Modena), Missiroli (Sassuolo); P.González (Novara), Cacia (Verona), Tavano (Empoli). Téc.: Davide Nicola (Livorno).

Tabela
Sassuolo 72 pontos, Verona 63; Livorno 63; Empoli 53, Varese 48, Brescia 46, Novara 45, Padova 42, Modena 41, Juve Stabia 41, Cesena 41, Ternana 40, Bari 39, Cittadella 39, Crotone 39, Reggina 38, Virtus Lanciano 38; Ascoli 37, Spezia 36; Vicenza 32, Pro Vercelli 28, Grosseto 23. Mais detalhes

Principais artilheiros
18 gols - Zaza, Sansovini, Cacia e Ardemagni, 15 - Tavano e Paulinho, 13 - Maccarone, Siligardi, Ebagua e Caputo, 12 - P. González, Succi e Corvia, 11 - Comi, 10 - Boakye, Diego Farias, Dionisi e Sforzini, 9 - Saponara e Berardi.

Principais passadores
16 assistências - P. González, 10 - Missiroli e Saponara, 9 - Paulinho, 7 - Feczesin e Hallfredsson, 5 - Magnanelli, Belingheri, Tavano, Bellomo, D’Alessandro, Vítor Saba, Iunco, Scaglia, Vitale, Rizzato, Pasqualini, Maccarone e Catellani.

Sem suar

De Sciglio e Balotelli: a Itália "milanista" também dá certo(LaPresse)
Depois do empate proveitoso diante o Brasil de Felipão por 2 a 2 em jogo amistoso, com gols de De Rossi e Balotelli, a seleção italiana voltou a entrar em campo nesta segunda-feira. Desta vez em jogo válido pelas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2014, contra a seleção de Malta, na pequenina ilha logo ao sul da Península Itálica.

Para este jogo Prandelli não fez maiores mudanças no onze que enfrentou o Brasil, promovendo a entrada de Abate no lugar de Maggio, e de Marchisio e El Shaarawy nos lugares dos suspensos De Rossi e Osvaldo. 4-3-1-2 mantido, com Giaccherini à frente do trio Montolivo-Pirlo-Marchisio. Com o time recheado de juventinos (6) e milanistas (5), Prandelli buscou garantir o entrosamento entre os jogadores, já habituados a atuarem juntos na temporada.

No que tange à toque de bola, manutenção da posse de bola e recomposição, deu certo. Os azzurri tiveram quase 80% da posse de bola nos 90 minutos, tiveram facilidade em trocar passes curtos na intermediária e não houve problemas defensivos - pelo menos erros coletivos, apenas alguns cochilos individuais -, e Buffon pouco trabalhou.

O adversário, há de se convir, também facilitou a vida de Prandelli. Num 4-4-1-1 mal organizado, cheio de espaços entre os setores e com as linhas muito recuadas, Malta pouco produziu na frente, assustando realmente apenas duas vezes, com Mifsud, sempre isolado, acertando o travessão de Buffon, e, antes, sofrendo pênalti cometido pelo goleiro. O juventino defendeu a cobrança, mal executada pelo atacante.

Contudo, apesar de todas as deficiências maltesas, a Itália não teve grande desenvoltura na frente, apresentando-se de uma forma muito estática, com Balotelli sozinho entre os zagueiros, El Shaarawy preso na ponta esquerda, Giaccherini nulo no apoio aos dois atacantes, e o trivote controlando a posse de bola juntamente com os alas, que pouco se projetavam, e os zagueiros, especialmente Bonucci.

Os gols italianos saíram em lances atípicos do primeiro tempo. Aos sete minutos, El Shaarawy sofreu falta de Dimech dentro da área e o pênalti foi assinalado. Com toda sua “marra”, Balotelli converteu a cobrança sem esforço e manteve os 100% de aproveitamento em cobranças de penalidades. Porém, pouco depois Buffon acabou derrubando Schembri na área. Pênalti, amarelo para Gigi e cobrança de Mifsud, no meio do gol, defendida pelo arqueiro azzurro.  

Quando o jogo se encaminhava para os acréscimos, Bonucci viu De Sciglio se projetando nas costas da última linha maltesa e descolou brilhante lançamento para o jovem lateral. A promessa rossonera fez boa jogada em incursão pela área e tocou para seu companheiro de clube, Balotelli, ampliar a vantagem e definir o placar.

No segundo tempo, o jogo ficou ainda mais morno. Com o placar definido a Itália segurou ainda mais a bola, atacando muito esporadicamente. Malta, por sua vez, já desacreditada pelo placar, pouco fez para conseguir reverter a desvantagem. Prandelli ainda deu alguns minutos para Candreva, Cerci e Gilardino, mudando para o 4-3-3, mas o time seguiu apático até o apito final.

Atuação sem brilho da Nazionale, porém três pontos importantes na briga por uma vaga no próximo mundial. Desta forma, o time de Prandelli manteve os três pontos de vantagem para a Bulgária - com quem empatou na primeira rodada fora de casa - e chegou a sua quarta vitória em cinco jogos, com 12 gols marcados e 4 sofridos - para mais detalhes sobre o Grupo B, clique aqui.

Seguindo o cronograma dos jogos marcados, a Itália voltará a atuar somente no dia 1º de junho, contra San Marino, em jogo amistoso, e depois no dia 7, enfrentando a República Tcheca pelas Eliminatórias. No mesmo mês, nos dias 16, 19 e 22, os azzurri irão enfrentar México, Japão e Brasil pela Copa das Confederações, com a possibilidade de mais dois compromissos em caso de classificação.

Ficha do jogo: Malta 0-2 Itália
Malta (4-4-1-1): Haber; Camilleri, Caruana, Dimech, A.Muscat; Herrera, Briffa, Sciberras, Failla (Cohen, 82’); Schembri; Mifsud (Vella, 88’). Reservas: Hogg, Borg, Agius, R.Fenech, P.Fenech, R.Muscat. Téc.: Ghedin.
Itália (4-3-1-2, depois 4-3-3): Buffon; Abate, Barzagli, Bonucci, De Sciglio; Montolivo, Pirlo, Marchisio; Giaccherini (Candreva, 61’); Balotelli (Gilardino, 86’), El Shaarawy (Cerci, 76’). Reservas: Sirigu, De Sanctis, Astori, Maggio, Ranocchia, Diamanti, Florenzi, Poli, Gilardino, Giovinco. Téc.: Prandelli.
Arbitragem: Gozubuyuk; Schaap e Steegstra; Liesveld (Holanda)
Gols: Balotelli 8’ e 45’

quinta-feira, 21 de março de 2013

Ensaio positivo


Maggio, Barzagli, Bonucci e De Rossi comemoram gol de Balotelli. Atacante do Milan empatou o amistoso contra o Brasil (foto: Getty Images)


O empate em 2 a 2, em Genebra, talvez não transmita o que realmente foi o amistoso entre Brasil e Itália. A Squadra Azzurra fez uma de suas melhores atuações recentes mesmo sofrendo dois gols no confronto, de histórico bem complicado. Foi um ótimo ensaio visando o duelo entre as duas campeãs mundiais que acontecerá em 22 de junho, em Salvador, pela Copa das Confederações.

O retrospecto no confronto apontava o Brasil como favorito: sete vitórias da Canarinho contra cinco italianas - e dois empates. Em cinco minutos de jogo, Buffon já havia trabalhado três vezes. No entanto, Júlio César fez quatro intervenções para que a Itália permanecesse zerada no início de jogo. 

A partida, surpreendentemente rápida e aberta, no primeiro quarto de hora, mostrou ninguém com superioridade com a posse de bola. Prandelli respondeu aos três atacantes do Brasil com a mudança tática para quatro zagueiros - Maggio, Barzagli, Bonucci e De Sciglio. O jovem lateral do Milan, de 20 anos - um dos melhores da posição na Serie A -, fez sua estreia na seleção nacional e foi muito bem na marcação de Hulk. 

O adversário teve muita dificuldade para caçar Pirlo. Na verdade, o regista foi pouquíssimo importunado durante o primeiro tempo, uma vez que Oscar não dava combate e Hernanes e Fernando cuidavam de Montolivo e Giaccherini. 

A Itália era mais perigosa quando trabalhava a bola no chão, exatamente o oposto do Brasil. A Canarinho trocou poucos passes na área italiana durante a primeira etapa e o gol só saiu devido à falha defensiva da Squadra Azzurra. Barzagli subiu para primeira trave e puxou Bonucci, De Sciglio cortou para o centro para cobrir Bonucci e Fred, que não tinha a ver com isso, empurrou o cruzamento de Filipe Luís, desviado por Barzagli, para o fundo do gol. Montolivo ficou apenas observando.

O segundo tento brasileiro saiu numa rara jogada trabalhada pelo time: De Sciglio perdeu a bola no meio de campo e cedeu contra-ataque; Neymar tocou para Oscar e o jogador do Chelsea concluiu muito bem na saída de Buffon. De Sciglio também não conseguiu acompanhar o jogador dos Blues.

O técnico da Itália promoveu as entradas de Cerci e El Shaarawy no intervalo, modificando o esquema para o 4-3-3, com as saídas de Pirlo e de um apagado Osvaldo. Em 11 minutos, a Squadra Azzurra chegou ao empate. O primeiro gol saiu com De Rossi, após escanteio cobrado pelo Pequeno Faraó. Na sequência, Balotelli encobriu Júlio César com um lindo chute de fora da área. A partir de então, só deu azul: Bonucci, Poli, Cerci... O atacante do Torino, inclusive, jogou muito bem no segundo tempo e fez Filipe Luís suar. Winger raro no futebol italiano, deve receber mais chances, uma vez que Prandelli gosta do esquema 4-3-3.

O resultado, se não foi favorável a nenhuma das equipes, poderia ter sido de uns 3 ou 4 a 2 para os italianos. Não foi um banho de bola, mas a Itália, cada vez mais renovada, jogou muito bem. Prandelli tem ótimas peças na mão para classificar sua equipe à Copa do Mundo. Na semana que vem tem confronto diante de Malta, pelas Eliminatórias, e De Sciglio, Cerci e Montolivo devem ter agradado o treinador. Pelo menos foram as peças-incógnitas que mais agradaram ao blogueiro que vos fala.

Ficha do jogo: Brasil 2 x 2 Itália

Brasil: Júlio César; Daniel Alves, David Luiz, Dante e Filipe Luís (Marcelo); Fernando, Hernanes (Luiz Gustavo) e Oscar (Kaká); Hulk (Jean), Neymar e Fred (Diego Costa). Técnico: Luiz Felipe Scolari

Itália: (4-3-1-2, depois 4-3-3): Buffon; Maggio, Barzagli, Bonucci e De Sciglio (Antonelli); Pirlo (Cerci), De Rossi (Diamanti) e Montolivo; Giaccherini (Poli); Osvaldo (El Shaarawy) e Balotelli (Gilardino). Técnico: Cesare Prandelli

segunda-feira, 18 de março de 2013

29ª rodada: Os caras

Sob o signo de Balotelli, Milan cresce cada vez mais (Reuters)
O grande crescimento do Milan no campeonato tem nome e sobrenome: Mario Balotelli. Se El Shaarawy está jogando menos do que está, é o seu companheiro de ataque na seleção italiana que está conduzindo o Diavolo a uma arrancada importante na Serie A - que pode acabar valendo ao menos uma vaga direta na Liga dos Campeões, se a equipe conseguir ultrapassar o Napoli. Outro time tem o seu cara: é a Roma, de Totti. Melhorando a cada rodada, a equipe agora tem a honra de contar com o segundo maior artilheiro de toda a história do campeonato, depois que o Pupone chegou aos 226 gols, ultrapassando Nordahl. Para encerrar, a Juventus, por sua vez, sem grandes destaques individuais, continua na sua trajetória rumo ao bicampeonato. Acompanhe o resumo da rodada.

Milan 2-0 Palermo
Apesar da semana complicada, após perder por 4 a 0 para o Barcelona e ser eliminado da Liga dos Campeões, Balotelli recuperou o Milan no fim de semana: 2 a 0 contra o rebaixável Palermo, em casa. Logo no primeiro lance de perigo da partida, El Shaarawy bateu escanteio e Aronica cometeu pênalti bobo em Balo. O atacante converteu. No retorno de Sannino ao comando técnico rosanero, o treinador não teve à disposição Miccoli, Mantovani, Barreto, Dossena e Hernandez; Nelson e Fabbrini perderam vaga no time e começaram o jogo no banco. Os jogadores do Palermo ficaram bravos com a arbitragem pela decisão em lance de Zapata. O zagueiro colocou a mão na bola após o passe de Dybala para Ilicic, que deixaria o meia-atacante livre em direção ao gol. Sebastiano Peruzzo mostrou apenas o cartão amarelo ao defensor milanista.

Dybala tentou empatar a partida, mas Abbiati não deixou. Do outro lado do campo, Sorrentino salvou a finalização de Boateng, em contra-ataque rossonero, e Morganella o chute seguinte do ganês. No entanto, após jogada de Niang pela esquerda, Aronica não aliviou, Sorrentino não defendeu e Balotelli empurrou a bola para o fundo do gol. O atacante já soma sete gols em seis partidas pelo Milan que continua em franca ascensão na Serie A - a última derrota aconteceu em 22 de dezembro, contra a Roma. Desde que Balotelli chegou ao clube, o aproveitamento é superior a 80%, maior que o da Juventus, que chega a pouco menos de 74%. Na próxima rodada, o Milan encara o Chievo; o Palermo recebe a Roma. (Murillo Moret)

Bologna 0-2 Juventus
Sem pompa, mas com muita eficiência, a Juventus continua sua caminhada rumo ao título. Desta vez, contra um bom Bologna, a líder do campeonato fez um jogo morno, mas contou com ótimas atuações e o poder de decisão de Vucinic e Marchisio para sair do Renato Dall'Ara com os três pontos. A equipe fez uma boa partida defensiva, praticamente anulando Gilardino e Diamanti, e só marcou no segundo tempo.

O primeiro gol surgiu depois que Vucinic recebeu um bom passe de Marchisio na área e girou bem sobre o zagueiro Naldo antes de bater com decisão e vencer o goleiro Curci. A parceria se repetiu minutos depois, no segundo gol. O montenegrino saiu da área e descobriu Marchisio com um belo passe, dentro da grande área. O meia tocou com precisão na saída de Curci e partiu para o abraço. No final do jogo, uma cena bonita ainda tomou conta de um estádio com mais de 30% do público tomado por juventinos: Conte interagiu com os torcedores por mais de 2 minutos, se entusiasmando com eles, enquanto a bola ainda rolava.

Napoli 3-2 Atalanta
A fase ruim pode piorar ou melhorar. Na rodada passada, a do Palermo piorou; nesta rodada 39, a do Napoli - e de Cavani - passou (ao menos por enquanto). Os partenopei ganharam da Atalanta por 3 a 2, com dois gols do artilheiro uruguaio. Zúñiga sofreu pênalti discutível de Giorgi logo no terceiro minuto de partida. Cavani chutou e Consigli bateu na bola, que acabou entrando. O Matador não marcava um gol há oito jogos na Serie A. Ainda no primeiro tempo, Giorgi lançou ótima bola para Denis, que foi ao fundo e cruzou. Bonaventura falhou de maneira bizarra e Cannavaro, de forma mais tosca ainda, marcou gol contra. 

Na etapa final, Cavani voltou às redes: Hamsík ajeitou, o atacante driblou Lucchini durante o domínio da bola e chutou cruzado para marcar seu 20º tento no campeonato. Na sequência, em bola longa de Carmona, Denis ganhou de Behrami (que beijou o gramado), driblou De Sanctis e finalizou para empatar o jogo novamente. A partida no San Paolo foi decidida por Pandev. Após boa jogada de Insigne e Armero, o ala tocou para o meio e o macedônio empurrou a bola para o gol vazio. O Napoli permanece na vice-liderança da Serie A, com 56 pontos, e encara o Torino na próxima rodada; a Atalanta, 16º colocada, tem 33 pontos e enfrenta a Sampdoria. (MM)

Roma 2-0 Parma
A torcida da Roma teve um domingo muito positivo. Primeiro, pela vitória do próprio time na partida contra o Parma, por 2 a 0. Depois, pelo fato de Totti ter marcado mais um gol e ter se isolado como segundo maior artilheiro de toda a história da Serie A, com 226 tentos assinalados. Para colocar a cereja no bolo, a rival Lazio perdeu por 1 a 0 para o Torino e agora está empatada em pontos com a própria Roma. A Roma abriu o placar logo no início, aos 7 minutos, depois de uma boa jogada iniciada por Marquinho. De Rossi pegou um belo chute após o cruzamento do brasileiro e Lamela desviou para as redes, chegando ao seu 13º no campeonato. Depois, aos 20 minutos, Perrotta acertou o travessão com um chute forte.

No segundo tempo, um Totti inspiradíssimo, que já havia distribuído passes de calcanhar e acertado o travessão em bela cobrança de falta, definiu o placar. Aos 25 minutos, o capitão bateu falta e viu a bola atravessar a barreira antes de entrar. Foi o gol de número 226 do atacante em toda a sua carreira no campeonato, o que o fez ultrapassar Nordahl como segundo maior artilheiro da Serie A. O Parma ainda tentou diminuir, mas em sua melhor chance, o meia Parolo acertou a trave. Com os resultados, a Roma ocupa a 6ª posição, com 47 pontos, empatada com a Lazio, que pelos critérios de desempate é a 7ª colocada. O empate entre as equipes apimentará ainda mais o clássico romano, que acontecerá em duas rodadas – no mínimo, as equipes estarão muito próximas na tabela. O Parma ocupa a 12ª posição, com 35 pontos.(NO)

Fiorentina 3-2 Genoa
E a Viola não para. Depois do início ruim em 2013, o time de Montella vai se recuperando no campeonato e chegou a três vitórias consecutivas. Mesmo sem grande atuação, com muitas chances desperdiçadas (como sempre, o time criou muito), a Fiorentina conquistou três pontos importantíssimos na briga por uma vaga na Uefa Champions League - o que não acontece desde a temporada 2008-09, quando o time ainda tinha o comando de Prandelli. O Genoa, por sua vez, vê a diferença para o Siena voltar a diminuir depois de um leve suspiro com a chegada de Ballardini. Já são quatro jogos sem vitórias, sendo três derrotas seguidas.

No Artemio Franchi, depois de algumas chances criadas, Aquilani abriu o placar no primeiro tempo, após jogada individual de Ljajic pela linha de fundo. Com o jogo mais equilibrado no segundo tempo, o Genoa conseguiu o empate com Portanova em escanteio cobrado por Jorquera. Contudo, quatro minutos depois Pasqual levantou a bola na área do time lígure e Tzorvas falhou feio, soltando a bola para Cuadrado voltar a colocar a Viola em vantagem. Movimentado e com seguidas falhas nas bolas aéreas, o jogo ainda contou com gols de Antonelli - voltando a ser convocado para a Nazionale após três anos - e Cassani, contra seu próprio time e a favor do time que detém seus direitos. (Arthur Barcelos)

Torino 1-0 Lazio
Jogando fora de casa, sob neve, a Lazio perdeu por 1 a 0 para o Torino no outro jogo da noite de domingo na Itália – Sampdoria e Inter foi adiada por causa de fortes chuvas. O gol da partida foi marcado aos 32 minutos do segundo tempo pelo brasileiro Jonathas, ex-Cruzeiro, que foi contratado pelo Toro na janela de janeiro. A Lazio jogou com um a menos desde os 15 minutos, quando o zagueiro Ciani foi expulso. Kozák, principal jogador do time na Liga Europa, continua sua sina de não marcar na Serie A. São 13 jogos sem gols (na competição europeia, é o artilheiro, com 10).

A fase laziale é muito ruim e preocupa os torcedores. A equipe já foi vice-líder do campeonato, mas entrou em derrocada com o início de 2013. Entre os últimos 10 jogos pela Serie A, a Lazio perdeu 6 – no três últimos, além de sair derrotada, não marcou um gol sequer. A volta de Klose está próxima, mas certamente o atacante não estará no máximo de sua forma. O cenário pré-dérbi romano assusta e muito os torcedores biancocelesti. (NO)

Catania 3-1 Udinese
No confronto dos “sonhadores”, o Catania de Maran provou a melhor solidez frente a jovem Udinese de Guidolin, com média de apenas 22 anos e sem seu artilheiro, Di Natale (lesionado). No contra-ataque e nas bolas paradas, o time siciliano voltou a vencer depois de reveses para Inter e Juventus, chegando aos 45 pontos, agora a três pontos de distância da Inter, última equipe na “zona  Uefa”.

Mais contundente nas suas chances criadas e com muita mobilidade na frente, o Catania só foi abrir o placar no início da segunda etapa, quando após tabela entre Castro e Gómez, envolvendo Danilo e Benatia, o camisa 17 venceu Brkic. Em nova jogada de Castro, o argentino lançou seu compatriota Barrientos na linha de fundo, que cruzou para o cabeceio do também “hermano” Gómez marcar pela segunda vez no jogo. Pouco depois, Lodi chegou ao seu quinto gol de falta no campeonato, (é, juntamente com Pirlo o melhor cobrador da Serie A), quando a bola desviou na barreira, enganando Brkic. A Udinese, que em alguns momentos foi melhor mas não teve contundência na frente, chegou a descontar com Muriel, marcando seu sexto gol em 11 jogos na temporada. (AB)

Siena 0-0 Cagliari
O Siena desperdiçou uma chance incrível de se livrar da zona da degola. Após vencer o Palermo fora de casa na última rodada, recebeu o Cagliari e não aproveitou o tropeço do Genoa, ficando em um insosso zero a zero com o time sardo. Assim, os toscanos diminuíram para um ponto a distância dos genoveses, contra quem fazem um confronto direto no sábado de Páscoa.

Em campo, o resultado foi condizente com o apresentado. Durante todo o primeiro tempo, a melhor chance veio dos pés de Ibarbo que avançou quase meio campo, mas chutou fraco para a defesa de Pegolo. No segundo, o Siena até tentou criar algumas oportunidades com Reginaldo e Emeghara, mas apenas abriu espaços para os contra-ataques rossoblù, com Pinilla e Ibarbo, que fizeram o arqueiro bianconeri suar a camisa para garantir um ponto a mais na luta contra o rebaixamento. (Caio Dellagiustina)

Pescara 0-2 Chievo
No Adriático, o Pescara enfrentou o Chievo se complicou ainda mais em sua busca pela permanência na elite. Não bastasse a derrota, ainda sobraram reclamações com o árbitro Mazzoleni que deixou de marcar dois pênaltis a favor dos abruzzesi. Daniele Sebastiani, presidente do Pescara, chegou a relatar queixa contra o árbitro, ao final da partida com promotores federais. Segundo Daniel, Mazzoleni disse que ele "deveria falar bem durante a semana", em referência as criticas feitas contra o árbitro pela má atuação no jogo Pescara e Torino, no final de janeiro.

Em campo e sem poder contar com D’Agostino, os golfinhos esbarram na falta de qualidade e pouco criaram. Por outro lado, o Chievo criou muitas oportunidades, mas pecou na finalização. Logo aos nove minutos, Paloschi desperdiçou a primeira, Cofie parou na trave aos 25 e Théréau cabeceou com perigo já no final do primeiro tempo. Apesar de ter boas chances, foi só nos minutos finais que os gols saíram. Aos 87, Stoian invadiu a área pela esquerda, fintou Cosic e chutou colocado. Já nos acréscimos, Théréau recebeu de Luciano e chutou no canto de Pelizzoli definindo o placar do jogo e quase definindo a permanência dos gialloblù na Serie A. (CD)

Sampdoria-Inter
Jogo adiado por causa de fortes chuvas em Gênova. Deve ser realizado entre os dias 2 e 3 de abril.

Relembre a 28ª rodada aqui.
Confira estatísticas, escalações, artilharia, além da classificação do campeonato, aqui

Seleção da rodada
Buffon (Juventus); De Sciglio (Milan), Marquinhos (Roma), Cesar (Chievo), Zúñiga (Napoli); Cuadrado (Fiorentina), Brighi (Torino), Gómez (Catania); Balotelli (Milan), Cavani (Napoli), Totti (Roma). Técnico: Rolando Maran (Catania).

quinta-feira, 14 de março de 2013

Com Stramaccioni, pela Inter

Mordendo os calcanhares: Inter se doou contra o Tottenham e, apesar da eliminação, mostrou que Stramaccioni ainda tem a confiança do grupo e da diretoria (Getty Images)
Após as oitavas de final da Liga Europa, a Itália continua viva na competição. Porém, com apenas uma equipe. Depois de praticamente hipotecar a classificação no jogo de ida, a Lazio venceu o Stuttgart novamente e garantiu a passagem às quartas de final. Já a Inter foi brava e não se intimidou com os 3 a 0 sofridos em Londres, na partida de ida contra o Tottenham. A equipe desafiou o improvável e devolveu o placar em tempo regulamentar, mas sofreu um gol na prorrogação e acabou eliminada pelo gol inglês marcado na Itália. Ao menos, o time deu uma prova de que está vivo e que ainda pode crescer na reta final da temporada.
Inter 4-1 Tottenham
Nem sempre uma eliminação é negativa. Esta é a lição que a comunidade interista pode levar da Liga Europa após a ótima vitória por 4 a 1 sobre o Tottenham. Faltou marcar mais um gol (ou não ter sofrido o tento convertido por Adebayor), mas a equipe mostrou grande espírito de luta e qualidade técnica. Apesar de o resultado não ter valido a classificação, a Beneamata fez um dos seus melhores jogos em toda a temporada e, seguramente, o melhor em 2013. Se jogasse assim mais vezes, a equipe poderia estar em melhor situação na Serie A. Não à toa, Stramaccioni sai fortalecido depois de uma semana turbulenta.

Pressionando desde o início, a Inter teve duas chances com Cassano antes dos 15 minutos. Em uma delas, ele chutou em cima de Friedel; na outra, preferiu trombar com Gallas em busca de um pênalti, mas nada foi marcado. Aos 19, Jonathan puxou bom contra-ataque e tocou para Palacio. O argentino cruzou na cabeça de Cassano, que abriu o placar. Pouco depois, Fantantonio descolou lindo lançamento nas costas da zaga dos Spurs, mas Palacio teve azar e sua tentativa de encobrir Friedel parou no travessão.

A Inter jogava de forma inteligente, com um meio-campo muito forte. Se Guarín fez partida abaixo da média e errava muitos passes, Cambiasso e Gargano roubavam muitas bolas e Kovacic, como autêntico regista, postado à frente da zaga, fez sua melhor partida desde que chegou ao clube: além de roubar muitas bolas, era o maestro do meio-campo. O croata distribuía o jogo a partir de seu próprio campo, na maior parte das vezes. 

Com passes e lançamentos longos, a Inter se aproveitava do fato de o Tottenham atuar com uma defesa mais avançada. Cambiasso roubou uma bola de Holtby e, percebendo o espaço nas costas da defesa, lançou Palacio, que deixou o segundo aos 6 do segundo tempo. O terceiro chegou aos 30 minutos, depois que Cassano cobrou falta e Gallas, com infelicidade, desviou contra as próprias redes. O improvável estava consumado. A Inter tirava a vantagem do Tottenham e levava o jogo para o tempo suplementar. E teve chances para definir o jogo ainda no tempo normal, depois que Cassano fez mágica e deixou Cambiasso na cara do gol. O argentino, porém, acabou perdendo a bola do jogo, ao chutar para fora.

Na prorrogação, porém, o Tottenham de André Villas-Boas acordou. O português, que conhece bem os caminhos do Giuseppe Meazza - afinal, era auxiliar de José Mourinho em seus dois anos na Inter -, viu seu time atacar. A última vez em que os Spurs haviam oferecido perigo a Handanovic foi no fim do primeiro tempo, depois que Juan se atrapalhou e permitiu que Adebayor tentasse encobrir o esloveno. Handanovic salvou a Inter após foguete de Naughton e fez milagre em cabeçada de Vertonghen, mas não conseguiu conter o chute de Dembélé, desmarcado por Benassi e Jonathan, e Adebayor deu um banho de água fria na Inter.

Sem desistir, a Inter foi em busca dos dois gols que poderiam garantir a classificação. Aos 4 minutos do segundo tempo suplementar, Álvarez marcou de cabeça e a pressão aumentou. Stramaccioni lançou mão até de Ranocchia, que jogava de máscara por uma cirurgia no septo nasal. O zagueiro entrou para jogar como centroavante e quase marcou o quinto gol. Porém, a eliminação foi consumada e a Inter terá, agora, mais 11 ou 12 jogos na temporada: 10 pela Serie A e o(s) restante(s) pela Coppa Italia.

No campeonato nacional e na semifinal da Coppa Italia contra a Roma, a Inter tem boa possibilidade para aparecer com a mesma força que demonstrou em seus melhores momentos de 2012-13. Depois de meses de crise, a equipe tirou forças de onde parecia não que não mais haviam e pode ter reacendido uma chama-guia para o fim da temporada. A irregularidade tem sido a grande marca da equipe, que vez ou outra emplaca uma grande partida e depois tropeça feio e é a grande inimiga a ser combatida. Desta vez, no entanto, a Inter pareceu definitivamente pronta para dar um basta nisto e foi a campo mordida - a prova está nos calcanhares dos jogadores do Tottenham, perseguidos a todo custo pelos interistas. 

A equipe deu tudo de si até o fim, mostrando que está com Stramaccioni. A semana toda foi marcada por boatos que colocavam o técnico romano fora da Inter (Mazzarri, do Napoli, e Lucescu, do Shakhtar Donetsk, seriam os favoritos para substitui-lo), e o time respondeu em campo, como respondeu na vitória de virada sobre o Catania, duas semanas atrás. Não é só o grupo está com ele: Moratti também. De acordo com o técnico, o presidente nerazzurro telefonou para ele ontem e fez piada (disse "alô, Lucescu está?"), mostrando que a confiança em seu trabalho está em alta. 

Como estão em alta, também, as confianças de Jonathan e Kovacic. O brasileiro fez sua primeira boa partida pelo clube e pode voltar a ser levado em consideração por Stramaccioni em jogos da Serie A (disputou apenas 3, contra 11 de Liga Europa). O mesmo vale para o croata, que pode, enfim, virar titular do time após a ótima prestação de hoje. Ele pode ser o diferencial que o time precisa na criação de jogadas, desafogando Guarín e Cassano. Em 5º lugar na Serie A, há duas rodadas de um embate contra a Juventus, e com a chance de chegar à final da Coppa Italia, é hora de a Inter se submeter a mais uma prova de maturidade: a lição terá sido aprendida?

Lazio 3-1 Stuttgart
Com a classificação já encaminhada, a Lazio mal tomou conhecimento do Stuttgart. As equipes foram a campo em um Olímpico vazio, resultado da punição da Uefa à equipe romana por atos racistas de parte de seus torcedores. Porém, as cadeiras do Olímpico presenciaram um grande Kozák, autor de três gols.

Com menos de 10 minutos, os aquilotti já haviam garantido a classificação. Com dois gols de Kozák, o placar agregado era 4-0 e os alemães precisariam marcar quatro gols para se classificar. Já na segunda etapa, Hajnál diminuiu, após finalização da entrada da área, em rebote da zaga laziale. Mas Kozák fechou o placar e chegou aos 10 gols na competição (8 deles na fase final), e se converteu no artilheiro do torneio. Quem não tem Klose, caça com Kozák. Agora, a equipe enfrentará o Fenerbahçe nas quartas de final.

quarta-feira, 13 de março de 2013

Parou na trave


Não deu para o Milan (Fifa.com)

Trinta e sete minutos do primeiro tempo, Montolivo teve a bola sob pressão dentro da área de defesa, se virou bem e deu um chute para o meio campo. Mascherano tentou cortar mas apenas resvalou e a bola caiu nos pés de Niang que teve meio campo pela frente até encarar Valdés. Talvez o peso de substituir Pazzini e ser o segundo jogador mais novo da história do Milan a jogar uma Champions League tenha sido decisivo na finalização. Apesar de ter deslocado o goleiro blaugrana, viu a bola bater na trave. A trave que foi uma aliada milanista no confronto do San Siro, dessa vez foi não só a vilã como também decisiva para a eliminação do Milan. 

A chance de ouro do Milan apareceu depois que o placar já estava adverso. Aos cinco minutos, Messi recebeu cercado por seis milanistas e arranjou um mínimo espaço para chutar no ângulo, deixando Abbiati vendido. Toda força defensiva apresentada em Milão passou longe dos jogadores milanistas. Nem mesmo o bom futebol apresentado pelo Barcelona justificou a apatia descomunal de jogadores que foram fundamentais como Ambrosini e Montolivo e Boateng.

Com mais de 80% da posse de bola, nada mais natural do que uma pressão culé, que deixou o Milan todo acuado. A chance de Niang deixou claro como o time espanhol se expunha, mas também mostrou como uma bola pode ser crucial. O castigo veio um minuto após a incrível chance desperdiçada. Uma saída de bola errada por Ambrosini e a bola sobrou nos pés de Iniesta que entregou a Messi na entrada da área. Bastou uma ajeitada para a perna esquerda e um chute forte entre as pernas de Mexès para que a virada se consumasse.

Os únicos minutos em que o Milan não sofreu pressão do Barcelona foram os do intervalo, pois bastou a bola voltar a rolar no segundo tempo para que Messi já criasse mais uma chance de perigo. O terceiro gol veio após mais uma saída de bola errada, dessa vez de Zapata, de quem Mascherano roubou a bola. O argentino a mandou nos pés de Xavi, que fez um lindo lançamento para Villa, sozinho dentro da área após erro de marcação de Constant, chutar no canto direito de Abbiati.

Apesar do placar adverso, um gol daria a classificação ao Milan. Assim, Allegri mexeu no time, mas as entradas de Robinho e Muntari pouco deram resultado. Somente após Bojan vir a campo é que o Milan enfim criou algumas chances. Na melhor, o ex-barcelonista cruzou para Robinho, que foi travado por Alba.

Já nos acréscimos, uma trapalhada entre Robinho e Bojan deixou um contra-ataque armado para o Barcelona. Dos pés de Messi, a bola chegou em Sánchez, que lançou Alba. O lateral só teve o trabalho de tocar para o gol e sacramentar a classificação barcelonista e a eliminação do Milan.

Novamente eliminado pelo Barcelona, o Milan, mesmo após o grande resultado da partida de ida, evidenciou a fragilidade da equipe em âmbito europeu e deu nova vida a um Barcelona que tinha a temporada comprometida. Resta aos rossoneri se qualificar à próxima edição do campeonato europeu e armar um time capaz estar a altura das tradições rubro-negras e de ir mais longe na próxima temporada.

segunda-feira, 11 de março de 2013

28ª rodada: Horizonte nada distante

A festa da Juventus é grande. Afinal. o bicampeonato da Serie A já está no horizonte (EFE)
Já são 9 os pontos de vantagem da Juventus para o Napoli, vice-líder da Serie A. Os azzurri, em queda, talvez nem sejam mais os grandes adversários da Velha Senhora ao título. Com 11, um Milan em grande fase é, em potência, o adversário da Juve - porém, 11 pontos atrás. Não é difícil perceber que a equipe de Turim está com uma mão e meia na taça, faltando 10 rodadas para o final do campeonato. Por mais que uma vez, em 1999-2000, a Juventus já tenha desperdiçado esta vantagem e perdido o título para a Lazio, hoje a situação é bem diferente e a equipe é amplamente superior às outras.

Enquanto isso, a briga pela Liga dos Campeões esquenta. A diferença entre Napoli, 2º colocado, e Inter, 6ª, é de apenas 6 pontos. É aí e no fundo da tabela que as emoções devem se concentrar no restante da Serie A. Veja o que aconteceu na 28ª rodada e esquentou a luta por vagas em competições europeias e o desespero de equipes que tentam evitar a Serie B.

Juventus 1-0 Catania
O Catania chegou a Turim com um objetivo claro: não perder. Para isso, encolheu-se na defesa e, com muita organização, praticou um catenaccio como antigamente. A Juventus jogou o tempo todo no campo do adversário e até criava algumas oportunidades de gol, mas não conseguia convertê-las. A dificuldade é a mesma da temporada passada: não conseguir furar os bloqueios de times que se propõem apenas a defender. Nessas horas, fica clara a falta que faz um grande atacante, aquele que decide um jogo truncado.

Mas, nesses momentos, também aparece uma das principais virtudes desse time de Conte, a paciência. A equipe não desistiu em momento algum e foi premiada já nos acréscimos, aos 91 minutos. Pogba dominou bonito pelo lado direito e fez belo cruzamento. Giaccherini matou a bola no peito e a chutou para o fundo das redes. Os três pontos colocam a Juve 9 à frente do Napoli e 11 acima do Milan, principais rivais pelo scudetto. O título está praticamente nas mãos, mas é bom ficar alerta. Na temporada 1999-2000, a Velha Senhora chegou a essa altura do campeonato com os mesmos 9 pontos de vantagem, mas acabou perdendo o título para a Lazio, que se recuperou muito bem nas últimas dez rodadas. (Rodrigo Antonelli)

Genoa 0-2 Milan
Pensando no Barcelona, mas focado na Serie A, o Milan abriu a 28ª rodada encarando o Genoa, no Luigi Ferraris. Com uma sequência invejável de bons resultados, os milanistas se deram até ao luxo de poupar nomes como Boateng e Balotelli e ainda assim não tiveram dificuldades em bater os genoveses. Um placar de 2 a 0 que assegurou por mais uma rodada a terceira colocação ao Milan, que de quebra encostou ainda mais no Napoli, segundo colocado - que novamente tropeçou. Enquanto isso, o Genoa, que soma três jogos sem vitórias, vê a zona de rebaixamento se aproximar novamente, após a vitória do Siena sobre o Palermo.

Embora tenha jogado apenas para o gasto, vale destacar o quanto melhorou a defesa rossonera nos últimos jogos. Ante o Genoa, a dupla formada por Zapata e Mexès (substituído por Yepes após sentir uma lesão) quase não deu chances para Bertolacci, Borriello ou Immobile, fazendo Abbiati ter pouco trabalho. As melhores oportunidades rossoblù apareceram apenas na segunda etapa, primeiro em uma cabeçada de Portanova e em um chute de fora da área de Jorquera. Já o Milan aproveitou as melhores chances que criou. Nelas, Pazzini (que se machucou antes de marcar o gol e não estará no Camp Nou) marcou aos 21, num belo chute da entrada da área e Balotelli aos 15 da segunda etapa, em um toque com categoria após passe de Zapata, garantiram a vitória. (Caio Dellagiustina)

Chievo 2-0 Napoli
O Chievo venceu o Napoli por 2 a 0 e se distanciou ainda mais da zona do rebaixamento. Por outro lado, a derrota desastrosa deixou os partenopei nove pontos atrás da líder Juventus e só deflagrou de vez a crise em Fuorigrotta. Zúñiga levou perigo à meta de Puggioni, mas o tiro saiu ao lado da baliza. Se o ala do Napoli não tinha calibrado o pé, Dramé o fez. O lateral-esquerdo do Chievo soltou um petardo da intermediária e De Sanctis nem teve chance de defesa. O Ceo poderia ter ampliado na sequência, porém, a finalização de Paloschi parou no travessão. Ainda no primeiro tempo, Théréau aumentou a vantagem, após receber lançamento e contar com colaboração do goleiro azzurro.

Desde 2011 no Chievo, Puggioni teve pouquíssimas chances como titular, uma vez que Sorrentino era o número 1 inquestionável. E Puggioni vai crescer para cima do artilheiro do campeonato? Claro. Cavani foi derrubado na área por Dainelli e, na cobrança, o goleiro defendeu. O uruguaio chegou ao oitavo jogo sem conseguir balançar a rede, seu recorde negativo desde que chegou ao clube. No fim da partida, o goleiro da equipe de Verona fez outra defesaça em finalização do Matador (que não tem feito jus ao apelido). O Napoli encara a Atalanta na próxima rodada; também no domingo, o Chievo joga no Adriatico contra o Pescara. (Murillo Moret)

Lazio 0-2 Fiorentina
Outra surpresa em Roma. Depois da boa vitória na Alemanha, deixando encaminhada a vaga nas quartas de final da Europa League, a Lazio voltou a tropeçar na Serie A. É preocupante o desempenho do organizado time de Petkovic desde o início do ano: o futebol apresentado tem caído por causa de problemas físicos em uma série de jogadores do grupo, mas também por causa do elenco escasso. Em 10 jogos, foram cinco derrotas, três nos últimos quatro jogos. A equipe venceu apenas três nesse período, a última contra o vice-lanterna Pescara, há duas semanas.

Já a Fiorentina, apesar do momento irregular em 2013, vem conquistando resultados importantes contra concorrentes na briga por vaga em competições europeias. Depois da goleada frente a Inter, um 2 a 0 tranquilo fora de casa que, além de recolocar a equipe na 4ª colocação, a frente de Inter e Lazio e a 5 e 3 pontos de Napoli e Milan, respectivamente, também serviu para amadurecer o 4-3-3 que Montella vem utilizando ultimamente, fugindo da "febre" do 3-5-2 em terras italianas. Os artilheiros do time, Jovetic e Ljajic, com 12 e 5 gols respectivamente, fizeram os gols da vitória toscana em Roma. (Arthur Barcelos)

Inter 0-1 Bologna
Se o lado vermelho e preto de Milão sorri, o azul e preto está de cara bem fechada. A Inter deu mais um vexame neste domingo e mostrou que a irregularidade continua em alta pelos lados de Appiano Gentile. Depois de virar uma partida complicada contra o Catania e levar uma surra do Tottenham, a Beneamata voltou a tropeçar frente a um Bologna sempre superior em campo. No primeiro tempo, os comandados de Pioli foram mais perigosos e, com Gabbiadini, Gilardino e Diamanti, quase marcaram algumas vezes. Porém, apenas no segundo tempo, com Gilardino, o placar foi aberto.

Depois disso, uma Inter absolutamente sem ideias pouco ameaçou a meta defendida por Curci. No melhor estilo "muricybol", com Ranocchia fazendo às vezes de centroavante nos 15 minutos finais, a equipe cruzou uma infinidade de bolas na área e consagrou a defesa felsinea. Na única chance verdadeiramente clara, já nos acréscimos, Curci espalmou uma cabeçada de Cambiasso, com dificuldade. A crise em Milão é grande e pode sobrar para Stramaccioni e para o diretor esportivo Branca. Moratti esteve na sede do clube e se mostrou bastante insatisfeito - de acordo com a Gazzetta dello Sport, teria havido até um ultimato aos dois. (Nelson Oliveira)

Udinese 1-1 Roma
No Friuli, jogo de poucas emoções entre equipes que, previamente, brigariam por vaga nas competições europeias, mas fazem temporada pra lá de decepcionante. Depois do chute de Di Natale defendido por Stekelenburg logo no início, foram necessários 20 minutos para que alguém voltasse a chutar. Sorte de Lamela, que depois de cruzamento de Totti para o cabeceio do baixinho Florenzi - sempre aparecendo como elemento surpresa na área adversária -, aproveitou o rebote de Brkic para inaugurar o marcador.

A Udinese de Guidolin, mesmo atrás do placar, pouco perigo oferecia à bem postada Roma de Andreazzoli, que ao contrário do time de Zeman, se destaca por ter um sistema defensivo mais seguro, porém ainda sofrendo com a ineficiência do ataque, principalmente porque o tridente ofensivo joga mais recuado em respeito aos tempos do técnico tcheco. Os donos da casa só voltaram a fazer Stekelenburg trabalhar na segunda etapa, quando Maicosuel, após passe de Allan - mais uma vez tendo boa exibição -, teve seu chute defendido. Pouco depois, Maicosuel deu passe em profundidade para Muriel, que driblou dois marcadores e finalizou para marcar bonito gol, empatando a partida. No final, Osvaldo ficou cara a cara com Brkic, mas bateu para fora e desperdiçou a chance para dar a vitória para sua equipe, e confirmou para quem ainda não havia notado: sua fase é péssima. (AB)

Palermo 1-2 Siena
Quantas vezes você já não disse "putz, aquele time tem sorte de campeão!"? Existe isso. A equipe pode ser competente, pode ser a mais qualificada do país, mas às vezes ela recebe aquela pitada extra de sorte durante a temporada - uma bola na trave que entra ao invés de sair, um gol contra do adversário na última partida... Pois o Palermo é exatamente o oposto. A equipe rosanera, com azar de rebaixada, perdeu de virada para o Siena e está bem próxima do descenso. Anselmo deu a vantagem para o Palermo no fim do primeiro tempo, mas foi só, já que o time da casa parou em ótimas defesas de Pegolo.

Sorrentino se saiu muito bem nos 45 minutos iniciais. O goleiro ex-Chievo fez uma defesa absurda em finalização de Rosina. Só que o Siena igualou o marcador aos 6' do segundo tempo: Rosina cruzou, Muñoz e Sorrentino trombaram dentro da área e Emeghara empurrou a bola para a meta vazia. A virada aconteceu aos 27', com pênalti de von Bergen em Emeghara. A cobrança foi convertida por Rosina. Sabe o azar? Pois bem, Múñoz, já no fim da partida, escorou o cruzamento de Ilicic e a bola explodiu no travessão. No último lance do jogo, Nelson chutou de muito longe e... na trave novamente. O revés fez com que Gasperini, que voltou a dirigir o time duas rodadas atrás, fosse demitido novamente - desta vez, rescindiu o contrato. Sannino, que dirigiu a equipe nas três primeiras rodadas da Serie A está de volta para tentar o milagre da permanência - se não for demitido antes, claro. O Palermo continua na lanterna do campeonato, com 21 pontos, e encara o Milan na próxima rodada; o Siena, com 24, recebe o Cagliari. (MM)

Parma 4-1 Torino
Que reviravolta. Com cinco gols marcados no segundo tempo, o Parma virou para cima do Torino e voltou a vencer uma partida - algo que não acontecia desde o início de janeiro. O primeiro tempo foi movimentadíssimo e, se Amauri dava trabalho para Gillet, Bianchi também fazia Mirante trabalhar. O gol que abriu o placar, no entanto, só surgiu aos 11 da segunda etapa, depois que Birsa fez boa jogada e passou para Santana fazer para o Torino.

A partida mudou a favor do Parma apenas aos 27 minutos, quando Donadoni colocou o atacante Sansone em campo. Em 14 minutos, a virada chegou e até se transformou em placar elástico. A mobilidade de Sansone permitiu que Amauri marcasse o primeiro, após receber passe de Palladino, aos 32. Sansone marcou o gol da virada aos 35 e, aos 39, viu Amauri deixar três adversários para trás e marcar outra vez. O terceiro do atacante ítalo-brasileiro veio nos acréscimos, depois de mais um passe de Sansone. Uma vitória para colocar o time, que vinha muito bem até o fim de 2012, nos eixos novamente. (NO)

Cagliari 3-1 Sampdoria
Na Sardenha, o Cagliari jogou com o estádio vazio mais uma vez e a torcida não pôde acompanhar de perto o show de Ibarbo, que fez, provavelmente, sua melhor partida como profissional. Com ótima movimentação, passe apurado e oportunismo, o colombiano foi o protagonista da partida, com três gols, e principal responsável pela vitória que dá um pouco mais de tranquilidade à equipe rossoblù na tabela. Do outro lado, é verdade, estava uma Sampdoria apática e que parece nunca ter entrado em campo.

O primeiro gol saiu ainda aos 18 minutos de jogo, depois que Ibarbo aproveitou rebote do goleiro Romero em boa jogada de Tiago Ribeiro e Ekdal. A equipe da casa continuou pressionando e Ibarbo quase ampliar, aos 42, mas Palombo salvou em cima da linha. Enquanto isso, a Samp apenas assistia ao jogo e em hora nenhuma conseguiu levar perigo ao gol de Agazzi. Aos sete minutos do segundo tempo, então, Ibarbo acertou belo chute e fez 2 a 0. Aos 27, o atacante colombiano completou sua primeira tripletta na Serie A e decidiu o jogo. No fim, Rossettini cometeu pênalti desnecessário, foi expulso e deixou a Samp diminuir, com Maxi López. Agora, o Cagliari chega aos 34 pontos e respira mais aliviado, longe da zona de rebaixamento. (RA)

Atalanta 2-1 Pescara
As esperanças de permanecer na elite da Serie A estão diminuindo a cada rodada para o Pescara. Jogando em Bérgamo, a equipe comandada por Cristian Bucchi até começou bem e chegou ao gol aos 21 minutos, num belo chute de D’Agostino. Mas, nove minutos depois um pênalti cometido por Zanon em Bonaventura, o argentino Denis cobrou e empatou o jogo, anotando seu décimo gol na competição.

Na volta pra a segunda etapa, o ataque bergamasco, formado por Livaja e Denis, deu trabalho à Pelizzoli e aos 22 minutos chegou a virada com mais um gol do tanque argentino. Após cruzamento de Biondini, o artilheiro dominou com categoria e chutou forte para o gol. O Pescara até tentou, na base da vontade, mas não teve qualidade suficiente para chegar ao gol de Consigli. Com os três pontos a Atalanta afasta o perigo do rebaixamento, chegando aos 33 pontos, nove a mais que o Siena, primeiro time rebaixado no momento. (CD)

Relembre a 27ª rodada aqui.
Confira estatísticas, escalações, artilharia, além da classificação do campeonato, aqui

Seleção da rodada
Puggioni (Chievo); Garics (Bologna), Astori (Cagliari), Zapata (Milan), Dramé (Chievo); Ibarbo (Cagliari), Borja Valero (Fiorentina), Della Rocca (Siena), Ljajic (Fiorentina); Denis (Atalanta), Amauri (Parma). Técnico: Stefano Pioli (Bologna).