Subscribe Twitter Facebook

terça-feira, 30 de abril de 2013

Times Históricos: Sampdoria 1986-1992

A grande Sampdoria da história: quase todos os títulos do clube foram faturados neste período. Apenas um foi conquistado em 1984, mas a base do time era a mesma, com Vialli e Mancini
Grandes feitos: Campeã da Recopa Europeia (1989-1990), Campeã do Campeonato Italiano (1990-1991), Bicampeã da Coppa Italia (1987-1988 e 1988-1989) e Campeã da Supercopa da Itália (1991).

Time base: Pagliuca; Mannini, Pellegrini (Lanna), Vierchowod e Bonetti; Cerezo e Pari (Invernizzi); Lombardo (Muñoz, Salsano), Katanec (Dossena) e Vialli; Mancini. Técnico: Vujadin Boskov.

Sob a batuta dos Gêmeos do Gol
Já relembramos histórias marcantes de grandes equipes italianas que brilharam no final dos anos 80 e início da década de 90. Inter, Juventus, Milan, Napoli e Roma foram alguns dos esquadrões que colecionaram títulos tanto em casa quanto fora dela, consolidando uma era de ouro da Serie A, que tinha o status de liga mais estrelada e disputada do planeta, muito a frente de Espanha, Alemanha e Inglaterra, as vedetes neste século XXI. 

E foi naquela época que outra equipe, caçulinha perto dos gigantes italianos, também brilhou ao praticar um futebol competitivo, brilhante e talentoso: a Sampdoria. A equipe de Gênova possuía um notável equilíbrio entre defesa e ataque, muito graças ao técnico Vujadin Boskov, ao goleiro Pagliuca, ao zagueiro Vierchowod, ao volante Cerezo e aos “irmãos gêmeos” do ataque Mancini e Vialli, uma das duplas mais letais e entrosadas de toda a história da Itália. Entre 1986 e 1992 a Samp deixou de ser uma equipe pequena e sem títulos para se tornar uma potência que levantou taças na Itália e na Europa. Por muito pouco, o time não levantou uma incrível Copa dos Campeões na temporada 1991-1992, quando foi derrotado na prorrogação pelo Barcelona do técnico Johan Cruyff. É hora de relembrar.

Geração de ouro

Mancini e Vialli, os gêmeos do gol
Em 1985, a Sampdoria conquistou sua primeira Coppa Italia ao derrotar o Milan nos dois jogos finais (1 a 0 em Milão e 2 a 1 em Gênova). Aquela equipe ficou marcada pela revelação de grandes talentos, entre eles Roberto Mancini e Gianluca Vialli, que rapidamente ganhariam o apelido de “Gêmeos do Gol” tamanho entrosamento e facilidade para armarem jogadas entre si. Depois do título e de um vice em 1986, o então treinador Eugenio Bersellini deu lugar ao iugoslavo Vujadin Boskov, que já tinha feito um bom trabalho no comando do Real Madrid no final dos anos 70 e início da década de 80, ao conduzir o time merengue ao título do Campeonato Espanhol de 1980 e a duas Copas do Rei em 1980 e 1982, além de um vice-campeonato da Copa dos Campeões da Uefa em 1981, frente ao super Liverpool de Kenny Dalglish e Bob Paisley. 

Logo em sua chegada, Boskov ganhou o reforço de Toninho Cerezo, célebre volante brasileiro estrela do Atlético Mineiro, e depois da Roma, por muitos anos. Em sua primeira temporada, o treinador já mostraria que aquele time daria muito trabalho aos gigantes da Itália, principalmente pela maneira de jogar. A Sampdoria explorava muito a velocidade de seus meias e atacantes e o talento de Cerezo, que surgia como um elemento surpresa no ataque, além de seus habituais lançamentos precisos. No campeonato nacional, o time ficou na sexta colocação, mas conseguiu bons resultados, como um 4 a 1 para cima da Juventus de Platini, vice-campeã da temporada 1986-1987 (o campeão foi o Napoli de Maradona). Sem taças naquele ano, o time daria alegrias para a torcida já na temporada 1987-1988.

O técnico Boskov: divisor de águas em Gênova
Taças e o primeiro encontro com o Barcelona
Reforçada por um talentoso e novato goleiro chamado Gianluca Pagliuca (aquele mesmo da Copa de 1994), a Sampdoria levantou na temporada 1987-1988 o título da Coppa Italia, depois de vencer o Torino na grande final. No Campeonato Italiano, o time ficou na quarta colocação e Vialli foi o artilheiro da equipe com 10 gols. 

A conquista da copa nacional deu à equipe uma vaga na Recopa Europeia da temporada seguinte, de 1988-89. Nela, os italianos despacharam Norrköping, da Suécia, Carl Zeiss Jena, da Alemanha, além do romeno Dínamo Bucareste e o belga Mechelen (este com um show na partida de volta, em Gênova: 3 a 0, gols de Cerezo, Dossena e Salsano) até chegarem à final, disputada na Suíça. A equipe de Mancini e Vialli teve pela frente o Barcelona, comandado à época por Johan Cruyff e com jogadores como Zubizarreta, Amor, Salinas, Lineker e Beguiristain. Com um gol no começo do jogo e outro no final, o time catalão ficou com a Recopa, e a Sampdoria sucumbiu em sua primeira final continental.

Porém, nem tudo foi drama naquela temporada. O time venceu o bicampeonato da Coppa Italia de maneira inesquecível. Gianluca Vialli esteve infernal e marcou 13 gols, recorde em uma só edição do torneio que permanece até hoje. Na final, o time perdeu o primeiro jogo para o Napoli por 1 a 0. No entanto, a volta foi uma festa homérica: 4 a 0, gols de Vialli, Cerezo, Vierchowod e Mancini. A vitória mostrou a todos que aquela equipe já era, sim, uma das potências da Itália, a ponto de poder brigar de igual para igual contra o próprio Napoli de Maradona, a Internazionale de Matthäus e o Milan de van Basten.

Cada vez mais forte
Prester a ser campeã: a base da Samp que marcaria época
Na temporada 1989-1990 a Sampdoria reforçou ainda mais seu elenco com dois jogadores que seriam fundamentais para dar ainda mais qualidade e pegada no meio de campo: o iugoslavo Srecko Katanec, que vinha de uma boa passagem pelo Stuttgart, e o italiano Attilio Lombardo, ótimo meia e ponta-direita que brilhou anteriormente na Cremonese. Na Serie A, a equipe outra vez ficou na parte de cima da tabela, mas não conseguiu brigar pelo título e terminou na quinta posição. Na Coppa Italia, a equipe chegou até as fases finais, mas foi eliminada. O grande foco do time na temporada era, na verdade, a Recopa Europeia, perdida no ano anterior. Vialli, Mancini e companhia tinham a certeza de que era possível brigar pelo título novamente.

Saga europeia
Adversários no chão e a Samp comemorando: cena normal naquela época
Na Recopa de 1989-1990, a Sampdoria começou sua caminhada contra o Brann, da Noruega, e venceu os dois jogos: 2 a 0 fora de casa (gols de Vialli e Mancini) e 1 a 0 em casa (gol de Katanec). Nas oitavas de final, duelo contra o Borussia Dortmund foi equilibrado. Na primeira partida, na Alemanha, empate em 1 a 1 (gol de Mancini). Na volta, Vialli marcou duas vezes, no segundo tempo, e deu a vitória por 2 a 0 aos italianos. 

Nas quartas de final, mais duas vitórias contra os suíços do Grasshopper: 2 a 0 em casa (gols de Vierchowod e Meier, contra) e 2 a 1 fora de casa (gols de Cerezo e Lombardo). O passaporte para a segunda final seguida foi carimbado contra o Monaco de George Weah na semifinal. No primeiro jogo, na França, empate em 2 a 2 (dois gols de Vialli) na volta, Vierchowod e Lombardo fizeram os gols da vitória por 2 a 0. A Sampdoria estava na decisão.

Campeões continentais

Festa em Gênova: o título da Samp é o único continental da cidade em toda a história

A decisão da Recopa de 1989-1990 foi entre a Sampdoria e os belgas do Anderlecht, que lutaram pelo título continental na cidade de Gotemburgo, na Suécia. Depois de 90 minutos em que as duas equipes se anularam, coube ao artilheiro da Recopa decidir a partida a favor dos italianos: Vialli. O craque marcou duas vezes na prorrogação, aos 105 e 108, e deu o primeiro e histórico título continental à Sampdoria. Era a consagração daquele time que merecia há anos uma taça como aquela. Vialli terminou como artilheiro da competição com sete gols. O desempenho da equipe naquela temporada resultou na convocação de cinco atletas do time para a Copa do Mundo da Itália de 1990: Pagliuca, Vierchowod, Mancini e Vialli (seleção da Itália) e Katanec (seleção da Iugoslávia).

Entre outubro e novembro de 1990, a Sampdoria teve a chance de conquistar mais um título internacional, mas perdeu para o Milan de Arrigo Sacchi na final da Supercopa Europeia. No entanto, os comandados de Boskov teriam o canto do cisne na temporada 1990-1991: a Serie A.

A Itália à Gênova pertence!

Mancini e Vialli comemoram: ídolos de qualquer torcedor da Samp
Campeã da copa nacional e da Recopa, a Sampdoria precisava aproveitar a ótima fase de seu elenco (e o início da queda do Napoli de Maradona) e brigar definitivamente pelo título do Campeonato Italiano. E foi o que ela fez. Forte, dinâmica e dificílima de ser batida, a equipe não deu chances aos rivais e conquistou seu primeiro scudetto da história com uma campanha magnífica: 20 vitórias, 11 empates e apenas três derrotas em 34 partidas, com 57 gols marcados (melhor ataque) e 24 sofridos. Vialli deu show outra vez ao ser o artilheiro do torneio com 19 gols. Mancini, seu “irmão gêmeo”, marcou 12. 

Na campanha do título, a Sampdoria mostrou força em casa ao vencer as maiores potências do torneio: 1 a 0 na Juventus, 4 a 1 no Napoli, 3 a 1 na Internazionale e 2 a 0 no Milan. Fora de casa, a equipe também mostrou sua artilharia pesada ao golear o Napoli por 4 a 1 e bater a Inter por 2 a 0 e o Milan por 1 a 0.

Festa no Marassi: a Itália era blucerchiata
Na mesma temporada, a equipe foi finalista de mais uma Coppa Italia, mas perdeu o título para a Roma. A vingança, no entanto, veio tempo depois na final da Supercopa Italiana, quando a Sampdoria derrotou a Roma por 1 a 0, gol de Mancini. A conquista da Serie A credenciou a equipe de Gênova a uma inédita participação na Copa dos Campeões, em 1991-1992. Será que aquele time faria um bom papel em sua estreia na principal competição do continente?

Que debute!
A inédita participação na Copa dos Campeões consumiu todas as energias da Sampdoria, por isso, a equipe ficou apenas na sexta posição no Campeonato Italiano de 1991-1992. Na Copa, o time massacrou o Rosenborg, da Noruega, na fase preliminar ao fazer 5 a 0 na partida de ida, na Itália, com gols de Lombardo (2), Dossena (2) e do brasileiro Silas. Na volta, na Noruega, outra vitória, dessa vez por 2 a 1 (gols de Vialli e Mancini). Na etapa seguinte, um sufoco diante do Budapeste Honvéd. No primeiro jogo, na Hungria, derrota por 2 a 1. Na volta, Lombardo e Vialli (2) garantiram a virada e a classificação para a fase de grupos, uma novidade na disputa daquele ano. Os primeiros colocados de cada um dos dois grupos fariam a final.

A Sampdoria disputou um lugar na final com o forte Estrela Vermelha (os iugoslavos eram, naquele momento, campeões continentais), Anderlecht e Panathinaikos. Os italianos derrotaram o Estrela em casa (2 a 0) e na Iugoslávia (3 a 1), empataram sem gols com o Panathinaikos na Grécia e em 1 a 1 em casa e perderam na Bélgica para o Anderlecht (3 a 2), vencendo a volta por 2 a 0. Com três vitórias, dois empates e uma derrota, a equipe conseguiu, logo em sua primeira participação na Copa dos Campeões, um lugar na badalada decisão, que seria disputada no estádio de Wembley, na Inglaterra. Mas, por ironia do destino, a equipe italiana teria que encarar o mesmo fantasma de três anos antes: o Barcelona.

O fim do sonho
Não adiantou reclamar...
A decisão entre Sampdoria e Barcelona tinha tudo para ser emocionante. Ambas as equipes tinham times muito bem organizados taticamente e possuíam talentos em todos os setores do campo. No papel, o Barcelona levava vantagem, mas a Sampdoria não poderia ser deixada de lado principalmente por seu meio de campo rápido e criativo, bem como o extraordinário Vialli, que faria exatamente naquele jogo sua última partida com a camisa da equipe de Gênova - dali, ele partiria para mais títulos e sucessos na Juventus. 

O jogo foi aberto e com chances claras de gols para os dois times. Do lado do Barça, Guardiola, Ferrer, Laudrup e Stoichkov atormentavam constantemente a zaga italiana. Já na Samp, a movimentação de Mancini, Vialli, Lombardo e Cerezo originava boas oportunidades de gol, mas a falta de pontaria e as defesas de Zubizarreta prejudicavam o time. Depois de 90 minutos e 0 a 0 no placar, o jogo foi para a prorrogação. 

Koeman marca e acaba com o sonho da Sampdoria
Nela, aos 6 do segundo tempo, uma falta na entrada da área da Samp parecia o último momento de perigo no jogo, que estava se encaminhando para os pênaltis. Foi então que o holandês Ronald Koeman acertou um de seus fabulosos chutes e marcou o primeiro e único gol daquela final: 1 a 0. Os catalães conquistavam seu primeiro título da Copa dos Campeões e a Sampdoria sucumbia pela segunda vez diante do clube azul e grená. Ali, terminaria a fase de ouro da equipe de Gênova.

Eternos 
A derrota na final europeia custou o fim de um ciclo de ouro na equipe da Sampdoria. O técnico Boskov partiu para a Roma, Vialli foi para a Juventus, Cerezo se encaminhou para o São Paulo e a espinha dorsal daquele esquadrão encantador e competitivo era desmantelada. O time ainda venceria uma Coppa Italia em 1994, mas campanhas ruins na Serie A culminariam com o descenso da Samp para a segunda divisão em 1999. 

Desde então, a equipe nunca mais voltou a conquistar títulos e tem a esperança de voltar a brilhar na Itália depois de boas temporadas que levaram a equipe à disputa dos play-offs da Liga dos Campeões. Enquanto isso, a torcida que lotava o estádio Luigi Ferrari para presenciar os espetáculos de Mancini, Vialli e Cerezo segue nas lembranças dos feitos históricos de um time que peitava sem medo os maiores esquadrões europeus entre 1986 e 1992. Uma Sampdoria histórica.

Os personagens:

Gianluca Pagliuca: cria das categorias de base do Bologna, Pagliuca chegou cedo em Gênova, se tornou em pouco tempo titular absoluto da meta do time e foi uma das maiores revelações do futebol italiano na virada da década de 80 e início dos anos 90. Ágil, sortudo, seguro e capaz de fazer defesas espetaculares (além de pegador de pênaltis), Pagliuca foi convocado para a Copa de 1990 e em 1994 foi o goleiro titular da Squadra Azurra, que chegou ao vice-campeonato mundial depois de perder para o Brasil. Pagliuca deixou a Sampdoria em 1994 e ainda brilhou na Internazionale e no Bologna, até encerrar a carreira no Ascoli em 2007.

Moreno Mannini: depois de passar por equipes de pouca expressão no começo dos anos 80, o lateral-direito Moreno Mannini escreveu sua história de sucesso na Sampdoria, para onde migrou em 1984. O jogador foi titular em todas as grandes conquistas da equipe naquele final de anos 80 e inicio dos anos 90 e se tornou um dos jogadores com mais participações com a camisa da Samp, com 417 jogos disputados.

Luca Pellegrini: defensor muito forte na marcação que vestiu a camisa da Sampdoria entre 1980 e 1991, Pellegrini é outro que fez história em Gênova ao jogar mais de 360 partidas com a camisa azul. Ganhou três Coppa Italia, um scudetto e uma Recopa com a equipe entre 1985 e 1991. Perdeu espaço no time no final dos anos 80 com a ascensão de Lanna. Encerrou a carreira no Torino, em 1995.

Marco Lanna: começou a carreira na Sampdoria em 1987 e fez, ao lado de Vierchowod, uma das melhores duplas de zaga da história do clube. Alto e rápido, Marco Lanna jogou até 1993 na equipe e venceu cinco taças pelo clube. Tomou a vaga de Pellegrini na equipe titular e não saiu mais, atuando muitas vezes como líbero.

Pietro Vierchowod: foi um dos maiores zagueiros da história da Itália e um dos mais temidos pelos atacantes também. Forte, marcador implacável e extremamente competitivo, o zagueiro marcou época na Sampdoria, clube que defendeu entre 1983 e 1995 e pelo qual marcou 39 gols. Vierchowod jogou mais de 490 partidas pela Sampdoria, o segundo na lista dos que mais vezes vestiram a camisa da equipe, além de ter disputado as Copas de 1982, 1986 e 1990. Ídolo imortal da equipe até hoje.

Ivano Bonetti: meio campista muito eficiente na marcação e no passe, Bonetti jogava também como lateral naquela equipe da Sampdoria. Ajudava no apoio ao ataque e foi uma das peças de destaque na conquista do Campeonato Italiano de 1991. Jogou na Samp entre 1990 e 1993.

Toninho Cerezo: craque de estilo clássico, passadas largas, lançamentos precisos e muita elegância, Toninho Cerezo foi um dos pilares do mágico meio de campo da Sampdoria naqueles anos de ouro. Além de marcar, apoiar o ataque e dar assistências primorosas, o brasileiro anotou vários gols e foi um dos maiores craques do Campeonato Italiano no final da década de 80 e início dos anos 90. Cerezo, ao lado de seus companheiros, enchia o estádio Luigi Ferraris a cada apresentação da Sampdoria por aquelas bandas. Foi ídolo e um dos grandes do futebol mundial em todos os tempos. Deixou Gênova em 1992 para continuar a brilhar no São Paulo.

Fausto Pari: entre 1983 e 1992, Fausto Pari foi um dos motores do meio de campo da Sampdoria, sendo essencial para o brilho do setor no período. Marcava muito e ajudava a zaga principalmente quando Cerezo se mandava para o ataque. Mesmo com relativo destaque no time, não teve chances na seleção italiana.

Giovanni Invernizzi: outro que compôs o meio de campo da Sampdoria entre 1989 e 1997. Participou de todas as glórias da equipe no período. Encerrou a carreira na própria Samp e foi técnico da equipe a partir de 1997.

Attilio Lombardo: o “carequinha” chegou em 1989 à Sampdoria e se tornou um dos maiores craques da equipe até 1995. Rápido, goleador e muito técnico, Lombardo compôs um ataque inesquecível ao lado de Mancini e Vialli. Pela ponta-direita, o italiano armava várias jogadas e deixava os companheiros na cara do gol, além de marcar os dele também. Virou grande companheiro de Roberto Mancini tanto dentro quanto fora de campo, e segue no mundo esportivo até hoje como auxiliar técnico de Mancio no Manchester City. Disputou 306 partidas pela Samp e marcou 54 gols.

Víctor Muñoz: depois de passar por Zaragoza e Barcelona, o meio-campista espanhol com cara de poucos amigos chegou à Sampdoria em 1988 e permaneceu até 1990, sendo um dos jogadores que ajudaram nas conquistas da Recopa Europeia de 1990 e da Coppa Italia de 1989.

Fausto Salsano: hoje auxiliar técnico de Mancini, o meia Salsano brilhou na Sampdoria entre 1984 e 1990 e 1993 e 1998, marcando gols importantes e ajudando na construção de jogadas de ataque do time. Salsano foi revelado pela própria Sampdoria em 1979 e teve a honra de vencer todas as Coppa Italia que a equipe já conquistou em sua história: 1985, 1988, 1989 e 1994.

Srecko Katanec: outro craque que chegou no final dos anos 80 à Samp para brilhar no meio de campo, o iugoslavo Katanec foi um dos pilares do setor defensivo e ofensivo da equipe naqueles anos de ouro. Jogou de 1989 até 1995 em Gênova, até encerrar a carreira pelo clube com quatro títulos conquistados e atuações de gala recheadas de passes, gols e muito talento. Foi uma das estrelas da forte seleção iugoslava do início dos anos 90 e também atuou pela Eslovênia após a separação do país.

Giuseppe Dossena: depois de brilhar pelo Torino e ser campeão do mundo com a seleção da Itália em 1982, Giuseppe Dossena foi para a Sampdoria em 1988 e por lá permaneceu até 1991, período em que conquistou seus primeiros e únicos títulos por clube. Foram quatro taças: Serie A, Copa da Itália, Recopa e Supercopa da Itália, além de atuações de muita qualidade no meio de campo e ataque. Deixou a equipe para encerrar a carreira no Perugia, em 1992.

Gianluca Vialli: foram 141 gols em 321 jogos, títulos históricos, atuações impecáveis e a consagração como um dos mais prolíficos e perigosos atacantes do futebol italiano em todos os tempos. Gianluca Vialli chegou à Sampdoria em 1984, depois de despontar no Cremonese. Na equipe de Gênova, ao lado de Roberto Mancini, fez aquela que é considerada uma das maiores duplas de ataque do Calcio na história. Ambos foram apelidados de os “Gêmeos do Gol” e levaram a Sampdoria às glórias entre 1985 e 1992. Foram três Copppa Italia, uma Recopa Europeia, uma Supercopa Italiana e um Campeonato Italiano, este com Vialli como artilheiro máximo com 19 gols. Foi com a camisa da Samp que o atacante alcançou o recorde de 13 gols marcados numa só edição de Coppa Italia, em 1989, quando levantou a taça. No ano seguinte, foi o artilheiro e herói da primeira e única conquista continental do clube italiano, a Recopa, quando marcou os dois gols da final contra o Anderlecht. Rápido, inteligente, preciso e letal, Vialli foi um dos maiores ídolos do clube em todos os tempos e integrou a seleção italiana na Copa de 1990. Deixou a Samp em 1992, para defender a Juventus.

Roberto Mancini: genioso, polêmico, temperamental, e ao mesmo tempo brilhante, craque e líder. Roberto Mancini foi e é o maior ídolo da Sampdoria em todos os tempos e fez com que a história do clube passasse a ser dividida em a.M. e d.M. (antes e depois de Mancini). Antes dele, o clube não era nada, não tinha títulos e vivia na segunda divisão. Depois de Mancini, a Samp se tornou uma força na Itália, levantou taças e fez história. Mancini é o jogador que mais vezes vestiu a camisa da equipe (566 partidas) e também o maior artilheiro (173 gols). Mas, o que tinha de craque, matador e genial, Mancini tinha de bravo e explosivo, a ponto de arrumar confusões, brigas e expulsões, o que prejudicava sua equipe e, claro, sua presença na seleção. Mancini disputou apenas uma Copa do Mundo, em 1990. Ao lado de Vialli, Mancini fez uma dupla de ataque histórica, que se entendia por telepatia e era responsável por mais de 50% dos gols do time. Ficou na Sampdoria entre 1982 e 1997, para depois atuar por Lazio e Leicester antes de encerrar a carreira em 2001. Virou um técnico de sucesso na Inter e no Manchester City.

Vujadin Boskov (Técnico): o iugoslavo já havia brilhado no Real Madrid se consagrou em definitivo quando comandou a Sampdoria entre 1986 e 1992. Beneficiado por talentosos jogadores no elenco, Boskov se tornou um mito dentro do clube ao levar a Samp a glórias jamais imaginadas pela torcida. Foram duas Coppa Italia, uma Recopa, um Campeonato Italiano e uma Supercopa Italiana, além dos shows protagonizados por um time que era forte e equilibrado em todos os setores do campo, além de perigosíssimo em qualquer estádio por conta de seu criativo meio de campo e um prolífico ataque. Depois de perder o título da Copa dos Campeões de 1992, Boskov deixou a Samp e nunca mais foi o mesmo. Comandou Roma, Napoli, Servette, a Samp novamente e o Perugia, mas não ganhou títulos. Afinal, sua história já havia sido escrita: ser o treinador da mais dourada e marcante fase da Unione Calcio Sampdoria em todos os tempos.

Conteúdo do blog Imortais do Futebol. Leia mais sobre times, seleções, jogadores, técnicos e jogos que marcaram época no futebol mundial clicando aqui.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

34ª rodada: Grito preso na garganta

Vidal pode comemorar: título da Juve está próximo (AP)
Sem muitas surpresas, a 34ª rodada apenas confirmou que a Juventus deve confirmar o título e o Napoli o vice. Nas brigas por vagas europeias, Milan e Fiorentina seguem disputa ponto a ponto e, por enquanto, o Milan leva a melhor. Para a Liga Europa, a Udinese resolveu se intrometer de vez no grupo de times que brigam por uma vaga e aproveitou os tropeços de Inter e Lazio para assumir a 6ª posição, logo atrás da Roma, 5ª colocada. E, na zona de rebaixamento, o Pescara, praticamente na Serie B, continua acompanhado do Genoa, e ganhou a companhia do Siena, que foi ultrapassado pelos grifoni e também pelo Palermo, que respira. Acompanhe o resumo da rodada.

Torino 0-2 Juventus 
Em um dérbi bem mais equilibrado que o do primeiro turno, a Juventus conseguiu a vitória só no final, depois de jogo muito intenso, e agora precisa de apenas mais um ponto nos próximos quatro jogos para se sagrar bicampeã italiana. Contra o Torino, o time de Conte deixou evidente sua maior qualidade: o meio de campo. Vidal e Marchisio marcaram os gols que decidiram a partida, e Pogba foi o melhor em campo, apresentando ótima marcação e boas chegadas ao ataque.  

Para conter o 4-2-4 de Ventura, Conte escalou a Velha Senhora com quatro defensores, recuando Lichtsteiner e deixando Chiellini aberto na esquerda, para evitar aproximação de Cerci. A tática deu certo e a líder começou o jogo melhor, criando boas chances com Vucinic e Pogba. No segundo tempo, o Torino voltou melhor, mas ainda sem conseguir agredir os visitantes. Aos 41 minutos da etapa final, então, Vidal acertou belo chute de fora da área e abriu o placar. Marchisio fez o segundo já nos acréscimos. A semana será de preparação para a festa do scudetto, que deve vir contra o Palermo, no Juventus Stadium, domingo que vem. (Rodrigo Antonelli)

Pescara 0-3 Napoli
De forma esperada, o Napoli atropelou o Pescara fora de casa e evitou que a Juventus comemorasse o título ainda nesta rodada. Em jogo morno, dominado sempre pela equipe visitante, foi fácil verificar como andam os ânimos dos dois times: os pescareses já estão moralmente rebaixados e devem ter seu retorno à Serie B confirmado no próximo fim de semana. Já os napolitanos estão muito próximos de garantir sua vaga na fase de grupos da Liga dos Campeões.

Cavani não fez a menor falta para os napolitanos, que escalaram Pandev e Insigne - o último é um ex-Pescara - e foram incisivos no ataque. Na primeira etapa, Insigne teve gol bem anulado e acabou passando em branco contra seu ex-clube. Pandev, não. Depois que Inler abriu o placar, no início do segundo tempo, o atacante macedônio deixou belo gol, após excelente girada sobre um marcador e praticamente sacramentou a vitória. Dzemaili, que coordenou o meio-campo ao lado de Hamsík, ainda guardou o seu, com chutaço de fora da área. (Nelson Oliveira)

Milan 4-2 Catania
Num jogo complicado, o Milan venceu o Catania por a 4 a 2, no San Siro, e retomou a 3ª colocação. No primeiro tempo, Legrottaglie desviou a cobrança de falta de Lodi para colocar o time visitante na frente do marcador. Isso porque o Milan já tinha perdido chances com El Shaarawy e Balotelli. Na sequência, Amelia defendeu um chute perigoso de Bergessio. Aos 32 minutos, El Shaarawy foi ao fundo e cruzou. Nocerino, Flamini e Boateng chutaram na tentativa de marcar o gol, porém, se não o goleiro Frison, a defesa do Catania bloqueou todos os remates. O empate chegou no fim do primeiro tempo: Abate cruzou, Boateng ajeitou e Flamini, de primeira, bateu no contra-pé de Frison.   

Bergessio marcou o primeiro gol da etapa final, recolocando o Catania na frente da partida. No entanto, Pazzini, o super-reserva, saiu do banco para balançar a rede por duas vezes (no intervalo de dois minutos). Após virar o jogo, o Milan ainda teve um pênalti a favor, convertido por Balotelli já nos acréscimos. Com 62 pontos, o rossonero recebe o Torino no próximo domingo; pela próxima rodada, o Catania, 9º colocado, pega o Siena. Atrás, a Fiorentina segue nos calcanhares; já o Catania ainda busca seu recorde histórico de pontos. (Murillo Moret)

Sampdoria 0-3 Fiorentina
Esperança em Florença. Restando quatro partidas para o final do campeonato, o time toscano conta com o bom momento após os sustos em janeiro e fevereiro para conseguir uma vaga na próxima Champions League, que não vem desde a era Prandelli. Um ponto apenas separa o time do terceiro colocado, Milan, de quem tem vantagem no confronto direto (3-1 e 2-2) e no saldo de gols - a equipe de Montella tem o terceiro melhor ataque do campeonato (65 gols), atrás de Juventus (66) e Roma (68). Números que podem fazer diferença se a disputa se mantiver acirrada até a última rodada. Em franco descenso depois de alguns momentos de tranquilidade com a chegada de Delio Rossi, a Sampdoria não vence há quase dois meses e perdeu os três últimos jogos em casa. Apesar disso, os blucerchiati não têm muito com o que se preocupar: o time está a dois pontos da salvezza - considerando a média dos últimos 17º colocados.

Neste domingo, o time teve relativo controle do jogo até os 30 minutos, mas bastou um gol toscano para tudo desandar. Cuadrado acertou forte chute fora da área, abrindo o placar. Pouco depois, Ljajic marcou bonito gol, “vingando” Delio Rossi - saiba mais sobre o assunto aqui. Com a vantagem adquirida em cinco minutos, restou à Viola fazer o que sabe de melhor: controlar a posse de bola. Com uma ou outra chance desperdiçada, os visitantes ainda ampliaram com Aquilani, após jogada de Ljajic. O sonho está vivo. (Arthur Barcelos)

Roma 4-0 Siena
Como brincou o jornalista Gian Oddi, no Twitter, "fosse o Zeman no banco, a gente já saberia o placar final: 3 x 2 Siena". Isso porque aos 16 minutos do primeiro tempo, a Roma já batia o Siena por 2 a 0. A equipe da capital, no entanto, não romou: os giallorossi venceram os bianconeri por 4 a 0, empurrando o rival para a zona do rebaixamento. Osvaldo abriu os trabalhos com um toque por cima do goleiro Pegolo, após passe de Lamela, aos 15. Menos de um minuto depois, Totti lançou Lamela, que acertou um belo sem-pulo para ampliar a vantagem da Roma. Antes do intervalo, Florenzi roubou a bola de Ângelo e rolou para Osvaldo marcar novamente.  

Para o segundo tempo, a Roma voltou com Pjanic, que ainda não está 100% fisicamente, no lugar de De Rossi, machucado. Osvaldo marcou seu terceiro gol, o quarto romano, para dar números finais ao jogo. O Siena de Emeghara, único jogador que deu trabalho a Lobont na partida, estacionou nos 30 pontos e está na penúltima colocação. As vitórias de Genoa e Palermo fizeram com que os bianconeri entrassem na zona do rebaixamento. Na próxima rodada, o Siena encara o Catania, fora de casa. A Roma, por sua vez, subiu à 5ª colocação, com 55 pontos. Os giallorossi encaram a Fiorentina, no sábado, em pleno Artemio Franchi. (MM)

Cagliari 0-1 Udinese
Quatro vitórias. Ainda sonhando com uma vaga na próxima Europa League, a Udinese de Guidolin mostra grande recuperação na reta final do campeonato. Com a vitória em Trieste, a poucos quilômetros de sua casa - Údine, no nordeste italiano -, o time bianconero chegou a quatro vitórias consecutivas na Serie A e está a apenas um ponto da zona de classificação para a Liga Europa. Com uma tabela relativamente tranquila (Sampdoria, Palermo, Atalanta e Inter), o clube do Friuli tem boas condições de se garantir pela terceira vez consecutiva em competições europeias.

No Nereo Rocco, o Cagliari parecia jogar na casa do adversário. E, em campo, as equipes fizeram jogo sem muitas oportunidades de gols e com excesso de faltas - foram 39 ao todo, oito cartões amarelos e uma expulsão. Sem maiores pretensões depois de ter garantido a salvezza e uma de suas melhores temporadas na elite do futebol italiano, o time rossoblù só foi reagir depois dos visitantes terem aberto o placar aos 56 minutos. Domizzi fez boa jogada individual e passou para Pereyra chutar colocado no ângulo de Agazzi. (AB)

Palermo 1-0 Inter
O grande destaque negativo da rodada aconteceu em Palermo. Não que tenha havido algum lance violento, polêmica e arbitragem ou qualquer lance grotesco. Para qualquer amante do futebol, será uma tristeza não contar com o futebol de Javier Zanetti por um período de 6 a 8 meses. O argentino, com quase 40 anos, terá de comemorar a chegada da nova década, em agosto, no departamento médico, após romper o tendão de Aquiles. Uma lástima para a Inter, que perde sua grande referência de liderança e uma das maiores referências técnicas não só para a reta final desta temporada mas também para os primeiros meses de 2013-14. Outro problema para a renovação do elenco.

Em campo, o Palermo foi superior e marcou em poucos minutos. Silvestre, ex-Palermo, deu um presente para seus ex-companheiros, em falha bisonha. Ilicic aproveitou e não deu chances a Handanovic. Em outros momentos do jogo, Miccoli e Hernández poderiam ter ampliado. A Inter só respondeu com Álvarez, em chutes que assustaram Sorrentino. O resultado, no entanto, foi suficiente para que o time rosanero deixasse a zona de rebaixamento, aproveitando derrota do Siena. Ah, além de Zanetti a Beneamata ainda perdeu Silvestre, que também se machucou. Este, para o alívio dos interistas, não deve mais voltar a vestir o manto azul e preto do clube. (NO)

Parma 0-0 Lazio
O placar do jogo exemplifica bem a má fase pela qual passam Parma e Lazio. Os emilianos não marcam um gol sequer já há quatro partidas. E olha que Amauri está em forma, sem lesões. A Lazio, por sua vez, não sabe o que é vencer fora de casa desde 22 de dezembro do ano passado. Por isso, a equipe biancoceleste, que já esteve entre os líderes do campeonato, vê cada vez mais distante a possibilidade de disputar uma competição europeia na próxima temporada. 

O jogo no Ennio Tardini não ofereceu grandes momentos aos espectadores, mas contou com pelo menos três grandes oportunidades de gol. Quem desperdiçou primeiro foi o ítalo-brasileiro Amauri, que girou dentro da área e chutou na trave. Depois, Kozák viu Mirante fazer grande defesa e evitar o gol da Lazio. Perto do fim, foi Radu quem recebeu livre na área, mas cabeceou para cima. No último lance do jogo, a Lazio chegou a marcar, mas o gol de Kozák foi bem anulado. Com o 0 a 0, a Lazio fica com 52 pontos, três atrás da Roma, primeira classificada para a Liga Europa. O Parma chega a 40 e já não tem pretensões no campeonato. (RA)

Atalanta 1-1 Bologna
De ponto em ponto o Bologna vai alcançando o objetivo principal da temporada, a salvação. O quinto empate seguido da equipe rossoblù veio fora de casa, contra a Atalanta, que tem objetivo idêntico e uma campanha recente parecida, com três empates nos últimos cinco jogos. E o primeiro tempo mostrou porque está tão difícil ver uma vitória de ambas equipes. Apesar da movimentação e do empenho de Denis e Gilardino, poucas foram as chances de perigo.

O time da casa voltou melhor para a segunda etapa, criando boas oportunidades com Livaja e Brivio, ambas paradas com boas defesas de Curci. De tanto pressionar, o gol bergamasco não demorou a sair. Após cruzamento de Brivio, o goleiro Curci espalmou para o alto e a bola sobrou nos pés de Giorgi, que não teve trabalho para estufar as redes. Mas, em menos de dez minutos o Bologna empatou. Após belo passe de Diamanti, o sempre esperto Gilardino dominou, fintou Lucchini e deu um leve toque na saída do goleiro, empatando o jogo. Com seus 39 pontos, a Atalanta fica a sete da zona de rebaixamento e o Bologna, agora com 40, alcançou a meta estabelecida no começo da temporada, por Stefano Pioli, mas que ainda não garante a permanência matemática. Está perto para os dois times. (Caio Dellagiustina)

Chievo 0-1 Genoa
Depois de mais de dois meses sem vencer (a última vitória foi no dia 17 de fevereiro), o Genoa se reabilitou na competição. Venceu o Chievo, em Verona, e só não saiu da zona de rebaixamento devido a vitória do Palermo. Se o resultado foi ótimo, em campo, o time demorou a se acertar. Ficou quase todo primeiro tempo acuado e proporcionando chances de gol ao Chievo, que não soube aproveitar. A dupla Stoian e Paloschi, inventada por Corini na véspera do jogo, não deu resultado.

O Genoa voltou melhor para a segunda etapa e criou boas chances de gol logo no início, mas as finalizações de Floro Flores e Marco Rigoni deram pouco trabalho à Puggioni. Somente aos 27 da segunda etapa que o gol enfim saiu. Borriello aproveitou cruzamento de Moretti e cabeceou despretensiosamente no canto do goleiro gialloblù que se esticou todo mas não alcançou. O Chievo ainda tentou, mas nada que evitasse mais uma derrota, o que deixou o time mais perto do perigo do rebaixamento. Por outro lado, o Genoa, embora ainda frequente a parte de baixo, terá pela frente o Pescara, lanterna do campeonato. Para tentar se salvar, a equipe de Gênova pode rebaixar os golfinhos já na próxima rodada. (CD)

Relembre a 33ª rodada aqui.
Confira estatísticas, escalações, artilharia, além da classificação do campeonato, aqui.

Seleção da rodada
Viviano (Fiorentina); Burdisso (Roma), Benatia (Udinese), Chiellini (Juventus); Cuadrado (Fiorentina), Ilicic (Palermo), Dzemaili (Napoli), Flamini (Milan), Ljajic (Fiorentina); Osvaldo (Roma), Pazzini (Milan). Técnico: Vincenzo Montella (Fiorentina).

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Times Históricos: Napoli 1986-1990

O maior Napoli da história teve nada mais nada menos que Maradona (centro)
Grandes feitos: Campeão da Copa Uefa (1988-1989), Bicampeão Italiano (1986-1987 e 1989-1990), Campeão da Copa da Itália (1986-1987) e Campeão da Supercopa da Itália (1990).

Time base: Giuliani; Renica, Ferrara, Corradini (Baroni) e Francini; Alemão, De Napoli, Fusi (Crippa / Romano) e Maradona; Carnevale (Giordano) e Careca. Técnicos: Ottavio Bianchi (1986-1989) e Alberto Bigon (1989-1990).

Maradona comanda o espetáculo
A Itália foi o grande centro das estrelas do futebol na segunda metade da década de 80 e início da de 90. Equipes como Juventus, de Platini, e Milan, de Baresi, Maldini e o trio holandês Rijkaard, Gullit e van Basten davam shows de bola não só no país da bota, mas também no continente (e até no Japão…). Porém, uma equipe pequenina, se comparada a estes gigantes europeus, oriunda do sul da Itália teimou em fazer parte do rol das potências a partir de 1986 com ninguém mais ninguém menos que Maradona

O argentino, que já era uma estrela em ascensão no futebol, ganhou o status de gênio do esporte com as épicas apresentações vestindo a camisa celeste do clube napolitano. Maradona levou uma equipe de pouca expressão na Itália ao topo com conquistas fantásticas como a Copa Uefa de 1989, dois Campeonatos Italianos (1987 e 1990) e uma Coppa Italia. Mas não foi apenas Dieguito que brilhou. Ele esteve muito bem assessorado com craques do naipe de Ferrara, De Napoli, Alemão e o gênio da grande área Careca. As exibições do Napoli daquela época tornaram o time conhecido mundialmente, além de gerar milhares de novos torcedores à equipe. Também pudera: ver aos finais de semana os shows de Maradona e Careca era mesmo incrível. É hora de relembrar.

A chegada do craque

Maradona chega ao San Paolo: a história do Napoli jamais seria a  mesma a partir daquele dia.

Maradona estava em baixa no ano de 1984. O jogador protagonizou uma briga generalizada na final da Copa do Rei daquele ano, contra o Athletic Bilbao, enquanto ainda era jogador do Barcelona. O episódio rendeu três meses de suspensão a Maradona, o que culminou com o descrédito da diretoria, que logo aceitou uma oferta do Napoli, da Itália, para onde Maradona iria naquele ano. O argentino se revoltou pela falta de apoio da diretoria nos tribunais para amenizar sua pena, e percebeu que seus dias na Espanha estavam terminados. Porém, o episódio foi bom para o Napoli. Afinal, Maradona queria provar seu valor de uma vez por todas. A chegada de Maradona ao estádio San Paolo, em Nápoles, foi em grande estilo, de helicóptero, em estádio lotado. Logo foi tido como rei. Na cidade italiana, Maradona viveria os melhores anos de sua vida como jogador.

Franca ascensão
Tudo passava por Maradona
Nos dois primeiros anos com Maradona no time, o Napoli não conquistou títulos, mas passou a ser mais respeitado e a frequentar o pelotão de frente do Campeonato Italiano. A equipe encarava de igual para igual as potências Juventus, Inter, Milan e Roma realizando boas partidas. O time formado pelo técnico Ottavio Bianchi ainda não era brilhante, mas já dava mostras que seria um dos grandes muito em breve com ótimos jogadores como Ferrara e De Napoli, até que na temporada 1986-1987 começaria uma incrível era de conquistas.

O primeiro scudetto e a dobradinha

Platini e Maradona: choque de reis
Com uma equipe entrosada e muito bem arrumada, capitaneada, claro, por Maradona, o Napoli surpreendeu a Itália e conquistou seu primeiro título nacional, deixando para trás a Juventus, a Inter e o Verona, respectivamente. A equipe azzurra terminou a competição com 42 pontos, com 15 vitórias, 12 empates e apenas 3 derrotas. Os destaques ficaram para as vitórias sobre a Juventus (2 a 1 em Nápoles e 3 a 1 em Turim) e Milan (2 a 1 em Nápoles). A equipe fez valeu seu domínio no estádio San Paolo e ficou invicta na competição jogando em casa.

Para coroar uma temporada mágica, o time ainda venceu a Coppa Italia ao bater a Atalanta nos dois jogos da final: 3 a 0 em casa, gols de Renica, Muro e Bagni e 1 a 0 em Bérgamo (gol de Giordano). Porém, a equipe passaria a ser realmente “mágica” com a chegada de um jogador: Careca.

Agora sim, uma equipe Ma-Gi-Ca
Giordano, Careca e Maradona: trio de ouro de Nápoles
No verão de 1987 o artilheiro brasileiro Careca deixou o São Paulo (então campeão brasileiro) para realizar o sonho de jogar ao lado do argentino Maradona. O craque passaria a integrar um trio de ouro da equipe que ganharia o apelido de Ma-Gi-Ca, com as iniciais de Maradona, Giordano e Careca. Ambos foram cruciais para as exibições magníficas do Napoli e garantia de casa cheia no estádio San Paolo. Mesmo assim, o trio não conseguiu dar o bicampeonato em 1987-1988 para a equipe, que viu o Milan (que começava a construir seu épico esquadrão) levantar a taça. Maradona anotou 15 gols e mostrava cada vez mais ser a alma do time. O vice-campeonato garantiu o Napoli na Copa Uefa de 1988-1989.

Tinindo e com tudo
Com outro reforço brasileiro (o volante brasileiro Alemão) o Napoli estava em seu auge na temporada 1988-1989. O time era, ao lado do Milan, a principal equipe da Itália. Nos jogos entre os dois times simplesmente saía faísca. Eram recordes de público e audiência em toda a Europa. 

Antes dos embates no Campeonato Italiano, o Napoli partiu em busca de sua maior glória na Copa Uefa. A equipe passou pelo PAOK, da Grécia, por 1 a 0 e 1 a 1 na primeira fase, eliminou o Lokomotive Leipzig, da Alemanha, ao empatar o primeiro jogo em 1 a 1 e vencer o segundo por 2 a 0, e deixou para trás o Bordeaux ao vencer por 1 a 0 os franceses fora de casa e empatar sem gols em Nápoles.

Se nem Baresi conseguia parar Dieguito, e os pobres mortais?
Nas quartas de final, um duelo de tirar o fôlego contra a Juventus. No primeiro jogo, em Turim, vitória da Juve por 2 a 0.  O Napoli precisava derrotar a equipe alvinegra por três gols de diferença se quisesse chegar à semifinal. Foi então que o time azul sufocou o rival e marcou com Maradona e Carnevale, levando a partida para a prorrogação. Quando tudo encaminhava para os pênaltis, Renica fez o terceiro gol do Napoli, garantindo a vaga para a semifinal.

Para ser grande e fazer história uma equipe precisa encarar (e vencer) titãs do futebol. E o Napoli teve outro páreo duro nas semifinais: o Bayern Munique. No primeiro jogo, em Nápoles, Careca e Carnevale fizeram os gols da vitória da equipe napolitana por 2 a 0. Na volta, em Munique, Careca abriu o placar para os italianos, aos 61, mas Wohlfarth empatou dois minutos depois. Aos 76, Careca marcou mais um e Reuter, aos 81, empatou o jogo: 2 a 2. O Napoli, quem diria, era finalista da segunda maior competição da Europa.

Para fazer história

Capitães alinhados antes da final
A Copa Uefa de 1988-1989 foi decidida entre Napoli e Stuttgart, o terceiro time alemão no caminho dos partenopei. Naquela época, a final era composta por dois jogos e não apenas um como hoje. O Napoli fez o primeiro jogo em casa, no estádio San Paolo tomado de gente. As estrelas do time marcaram (Maradona e Careca) e os italianos venceram por 2 a 1. Um empate bastava para o Napoli conquistar seu primeiro título europeu.

No segundo jogo, na Alemanha, Alemão abriu o placar aos 18 para o Napoli. O jovem Klinsmann empatou para o Stuttgart aos 27. Aos 39, o zagueiro Ferrara deixou o Napoli em vantagem novamente. Aos 62, Careca mostrou seu faro matador e decisivo e marcou o terceiro: 3 a 1. O Stuttgart parecia vencido, mas ainda encontrou forças para diminuir (gol contra de De Napoli) e empatar (Schmäler), mas era tarde.

Maradona com a taça nas mãos
O Napoli era campeão da Copa Uefa e conquistava seu primeiro título continental, algo que nem os rivais Roma ou Lazio haviam conseguido. Era a consagração de uma equipe que jogava sob os dotes do gênio Maradona e contribuições precisas e exuberantes de Careca, Ferrara e companhia. O que poderia ser melhor?

Bicampeões nacionais
Além do título da Copa Uefa, o Napoli faturou o bicampeonato italiano na temporada 1989-1990. O time ficou apenas dois pontos a frente do vice-campeão Milan. Nesse campeonato, o Napoli venceu o time rossonero por sonoros 3 a 0 em uma de suas grandes exibições. Maradona anotou 16 gols na competição.

Ainda em 1990, o craque ajudou o Napoli na conquista da Supercopa da Itália com um show pra cima da Juventus de Roberto Baggio: 5 a 1, com dois gols de Silenzi, dois de Careca e um de Crippa. Ali, porém, seria o último grande momento do clube celeste.

O fim do melhor Napoli de todos
Maradona foi pego em um exame antidoping por uso de cocaína em 1991 e suspenso por 15 meses, além de ter o nome ligado à Camorra, a máfia napolitana. Tempos depois, o jogador deixou o Napoli e a equipe passou a cair consideravelmente de produção. Sem seu maior astro, o time napolitano não foi nem sombra do esquadrão que encantou a Itália e o mundo com exibições tão grandiosas e bonitas. 

Terminava ali a saga do melhor Napoli de todos os tempos, responsável por fazer vibrar como nunca uma apaixonada torcida que, de uma hora para outra, teve de se acostumar a gritar “é campeão” quase que anualmente. Era uma maravilha torcer para o Napoli que entrou em campo entre 1986 e 1990. Como era maravilhoso ver Maradona e Careca deixando zagueiros, volantes e goleiros estupefatos no chão. Um time histórico.

Os personagens:

Giuliano Giuliani: não chegava perto de outros ótimos goleiros que a Itália tinha no período, mas não comprometeu e esteve presente nas conquistas da Copa Uefa e do Campeonato Italiano. Deixou o clube em 1990 para jogar na Udinese, onde encerraria a carreira.

Alessandro Renica: um dos grandes defensores daquele time, Alessandro Renica jogou de 1985 até 1991 no Napoli e participou de todas as grandes conquistas da equipe no período. Marcava gols de vez em quando e esteve presente em mais de 135 jogos com a camisa azul.

Ciro Ferrara: um dos maiores zagueiros da história da Itália, Ferrara vestiu apenas duas camisas de clubes em sua carreira: a do Napoli, de 1984 até 1994, e a da Juventus, de 1994 até 2005. É o quarto jogador que mais vestiu a camisa partenopea na história (323 vezes) e também um dos maiores ídolos do clube. Referência máxima na zaga da equipe no período.

Giancarlo Corradini: outro bom defensor, Corradini encerrou a carreira no Napoli como campeão da Copa Uefa e da Itália nos anos de 1989 e 1990. Atuou em 173 jogos pelo clube.

Marco Baroni: jogou apenas 54 partidas pelo Napoli, o bastante para ajudar a equipe nas conquistas do Campeonato Italiano e da Supercopa da Itália em 1990. Ficou marcado por jogar em diversas equipes da Itália. Hoje é técnico de futebol.

Giovanni Francini: de 1987 até 1994 foram mais de 184 jogos com a camisa do Napoli e ótimas atuações na zaga e no apoio do esquadrão de Maradona. Vestiu a camisa da Squadra Azzurra em 8 oportunidades.

Ricardo Rogério de Brito, o Alemão: o volante brasileiro que brilhou no Botafogo foi uma das peças essenciais no meio de campo do Napoli campeão da Copa Uefa em 1989 e da Itália em 1990. Marcou um dos gols da finalíssima contra o Stuttgart.

Fernando De Napoli: o jogador italiano tinha até o Napoli no nome e se identificou demais com o time e com a torcida. O meio campista atuou em mais de 176 partidas no time celeste, entre e 1986 e 1992, e foi uma das peças essenciais que ajudaram Maradona a ter a liberdade no ataque que tanto o consagrou. Vestiu a camisa da Itália em 54 partidas.

Luca Fusi: outro bom meio campista do Napoli, Fusi ajudou a equipe nas conquistas de 1989 e 1990. Não brilhou como Alemão e De Napoli, mas teve sua importância na equipe.

Massimo Crippa: determinado e muito competitivo, Crippa jogou mais de 150 partidas pelo Napoli e teve sua participação nas conquistas da equipe de 1988 até 1990. Fez um gol na goleada de 5 a 1 sobre a Juventus na final da Supercopa da Itália.

Francesco Romano: o Napoli adorou ter ótimos meio campistas em seu timaço, e Romano foi mais um deles. Compôs ao lado de Alemão, De Napoli e Crippa uma linha de respeito e alternava na titularidade com outros jogadores (como Fusi). Jogou na equipe de 1986 até 1989, a tempo de faturar a Copa Uefa.

Diego Armando Maradona: o que dizer do melhor jogador da história da Argentina, que fez um time mediano virar um dos esquadrões mais temidos do planeta? O que “Dieguito” jogou com a camisa do Napoli não está escrito. Fez golaços, protagonizou lances fantásticos, driblou tudo e todos, foi capitão, deu passes açucarados, marcou muitos gols e foi referência máxima do time. Sua importância foi tão grande que demorou 22 anos para o Napoli vencer outro campeonato sem ele (a Coppa Italia de 2012). Ídolo máximo e um verdadeiro deus na cidade de Nápoles, Maradona teve sua camisa 10 aposentada para sempre na equipe italiana. É, também, o maior artilheiro da história do clube, com 115 gols. Está marcado para sempre na história do futebol como um dos melhores que o mundo já viu. Foi gênio.

Andrea Carnevale: o atacante italiano esteve presente exatamente na era de ouro do Napoli, fazendo dupla de ataque com Careca. Em 105 jogos marcou 31 gols. Venceu quase tudo com o time azzurro e foi titular da seleção italiana nos primeiros jogos da Copa do Mundo de 1990.

Bruno Giordano: era o “Gi” do trio “Ma-Gi-Ca” do Napoli campeão italiano de 1987. Muito habilidoso, Giordano marcou 23 gols em 78 jogos com a camisa celeste. Uma pena, para ele, ter deixado a equipe justo em 1988, ficando de fora da conquista mais importante do período de ouro do time: a Copa Uefa de 1989.

Antônio de Oliveira Filho (Careca): um dos maiores atacantes do futebol brasileiro, Careca já havia feito história no Guarani e no São Paulo antes de desembarcar em Nápoles e jogar ao lado de Maradona. Com o argentino, Careca continuou a ser decisivo e genial, sendo a segunda estrela da equipe. É o sexto maior artilheiro da história do clube com 96 gols e um dos heróis na conquista da Copa Uefa de 1989.

Ottavio Bianchi e Alberto Bigon (Técnicos): foi Bianchi quem construiu e armou o melhor Napoli de todos os tempos e deu à Maradona a liberdade que ele tanto queria para deslumbrar tudo e todos. O treinador ganhou três títulos com o clube: Copa Uefa, Campeonato Italiano e Coppa Italia. Com sua saída, coube a Bigon manter a vocação vitoriosa da equipe e conquistar o Campeonato Italiano de 1990 e a Supercopa da Itália quando o grande time do país era o Milan de van Basten. Ambos foram brilhantes em suas funções e estão para sempre no coração do torcedor napolitano.

Conteúdo do blog Imortais do Futebol. Leia mais sobre times, seleções, jogadores, técnicos e jogos que marcaram época no futebol mundial clicando aqui.

terça-feira, 23 de abril de 2013

Times Históricos: Torino 1942-1949

Um dos grandes times do futebol italiano, o Grande Torino acabou desaparecendo num desastre aéreo

Grandes feitos: Pentacampeão italiano consecutivo* (1942-1943, 1945-1946, 1946-1947, 1947-1948 e 1948–1949) e campeão da Copa da Itália (1942-1943).  
*Em 1943-1944 e 1944-1945 não houve disputa por conta da II Guerra Mundial.

Time base: Valerio Bacigalupo; Aldo Ballarin e Virgilio Maroso; Giuseppe Grezar, Mario Rigamonti e Eusebio Castigliano; Romeo Menti, Ezio Loik, Guglielmo Gabetto, Valentino Mazzola e Franco Ossola. Técnicos: András Kuttik (1942-1943), Luigi Ferrero (1945-1947), Mario Sperone (1947-1948), Roberto Copernico (1947-1948), e Leslie Lievesley e Ernest Erbstein (1948-1949).

O Touro indomável e eterno
A Itália já teve diversos esquadrões de respeito, clubes que ganharam diversos títulos, e que encantaram o mundo, mas nenhum foi como o Torino da década de 40. Nunca uma equipe jogou tanta bola e encantou tanta gente numa época em que o mundo vivia anos tenebrosos, com o auge da Segunda Guerra Mundial. A própria guerra foi a única capaz de parar aquela equipe, que não jogou nas temporadas 1943-1944 e 1944-1945. O hiato não foi o bastante para frear o ímpeto vencedor de um time mágico, que conquistou cinco títulos italianos consecutivos, feito igualado apenas por Juventus e Internazionale até hoje. 

E esse time só não venceu mais e não fez ainda mais história por conta da guerra e por não existir à época competições continentais europeias. Ninguém podia com o “Grande Torino”, apelido que ganhou aquele time de Mazzola, Gabetto, Menti, Loik, Ballarin e Rigamonti. Porém, no ano de 1949, uma tragédia colocaria ponto final no maior esquadrão que o clube conseguiu formar. Foi uma fatalidade tão grande que nunca mais o Torino voltou a brilhar como antes. Nunca mais a Itália teria equipes genuinamente italianas tão ofensivas e vistosas como aquela. O futebol perderia um de seus mais fantásticos esquadrões. Vamos relembrar esse capítulo fascinante (e ao mesmo tempo triste) do futebol.

O início do maior esquadrão da Europa

Depois do predomínio absoluto da Juventus na década de 30, bem como dos anos dourados da seleção italiana, bicampeã mundial em 1934 e 1938, a década de 40 tinha tudo para ser novamente dos italianos. Eles eram donos dos melhores jogadores do planeta, haviam vencido as duas últimas Copas, e apenas o Uruguai era capaz de peitar a Squadra Azzurra. O Brasil corria por fora, mas também tinha respeito. Porém, a eclosão da II Guerra Mundial, justo nessa época, provocou o cancelamento das Copas de 1942 e 1946. 

O futebol italiano continuou, e Internazionale (chamada de Ambrosiana-Inter, à época), Bologna e Roma venceriam os campeonatos de 40, 41 e 42, respectivamente. Porém, a partir daquele mesmo ano de 1942 nasceria o maior esquadrão da europa naquela década: o AC Torino - hoje, o clube se chama Torino Football Club. O time grená havia vencido apenas um campeonato italiano, em 19271928, e uma Coppa Italia, em 1935-1936, e via sua rival da cidade, a Juventus, se tornar um gigante na década de 30. 

Com uma verdadeira constelação de craques, orquestrada com maestria por Valentino Mazzola, o time inverteu os papéis, e conquistou a dobradinha Coppa Italia e Campeonato Italiano na temporada 1942-1943. O ponto alto foram as vitórias sobre a rival Juventus em ambos os turnos (2 a 0 e 5 a 2) e a conquista inapelável da copa, em que o time não sofreu um gol sequer e marcou 20 tentos em apenas cinco jogos, com direito a goleada de 4 a 0 sobre o Venezia na final, além da vitória por 2 a 0 sobre a Roma nas semifinais. As conquistas chamaram a atenção de todos pela qualidade de jogo daquele time treinado pelo húngaro András Kuttik e comandado em campo por uma dupla que faria história: Mazzola e Gabetto. Ambos começavam uma sincronia perfeita no time, e faziam estragos sérios nas defesas rivais. O torcedor do “Toro” começava a sorrir novamente.

Logo após a conquista, porém, o campeonato passou por um hiato, visto que a guerra se intensificava, sobretudo no norte e no centro da Itália. Obivamente, as temporadas de 1943-1944 e 1944-1945 foram canceladas devido aos acontecimentos críticos da guerra. Houve apenas um campeonato disputado no norte da Itália, chamado de Campeonato da Alta Itália. 

A competição foi disputada de maneira imprevista: por exemplo, devido à guerra, muitos jogadores não podiam deixar suas cidades natais e tiveram de jogar emprestados a outros times. Foi o caso de Menti, que jogou emprestado ao Milan e Grezar, que jogou no Ampelea; no Torino jogaram o goleiro Griffanti (Fiorentina) e o mítico Piola (Lazio). O campeonato foi tão estranho que o Toro foi patrocinado pela Fiat, da família Agnelli, anterior e atual dona da rival Juventus, e vencido pelo time do corpo de bombeiros de Spezia, que utilizou os jogadores da equipe da cidade. Até hoje, por causa dessas questões, o campeonato não é reconhecido pela Federação Italiana de Futebol.

O tempo perdido poderia colocar em risco a maestria do Grande Torino do ano anterior? Que nada! Aquilo seria apenas o começo…

O retorno absoluto
Em 1945 a Europa comemorava o fim da Guerra, mas começaria a sua reconstrução. Porém, no futebol, o Torino não precisaria de nenhum reparo. Estava perfeito e tinindo para recomeçar a brilhar. Dito e feito. O time disputou um confuso campeonato italiano na temporada 1945-1946, com apenas 14 times na “primeira fase” do torneio. A segunda reuniu os melhores colocados na primeira fase junto com os melhores das séries B e C. Em ambas, o Torino foi soberano e conquistou o título, com 19 vitórias, 4 empates e apenas 3 derrotas em 26 jogos na primeira fase e 11 vitórias e 3 derrotas na segunda e última fase. Esse modo de disputa foi muito parecido com a Copa João Havelange aqui do Brasil, em 2000, com a diferença de não ter existido fase mata-mata como aqui, mas sim pontos corridos. Vale lembrar que ao longo da década de 40, bem como em grande parte da de 50, não seria disputada a Coppa Italia. O torneio voltaria apenas em 1958. Com isso, o Campeonato Italiano seria a única vedete do país por mais de 10 anos.

Sem ninguém por perto

Mazzola: o craque maior do time era a própria encarnação do Toro
A nova temporada começou, e o Torino continuou a dar show. O time venceu 28 jogos e perdeu apenas 3 em 38 partidas, conquistando o título com 10 pontos de vantagem com relação ao vice-campeão, sua “querida” rival Juventus. A equipe marcou absurdos 104 gols e teve um saldo positivo de 69 tentos, um recorde que seria quebrado pelo próprio Torino no ano seguinte. Nos dérbis contra a Juve, vitória por 1 a 0 e empate sem gols. O artilheiro daquele campeonato foi Mazzola, com 29 gols. Outro matador da equipe, Gabetto, faria 19 tentos naquele ano. A imprensa começava a destacar o time e ficava claro que ninguém jogava como o Torino naquela época. A Juventus, então o grande clube do país, deixava de ser a protagonista. O "Toro" estava mesmo indomável.

A temporada 1947-1948 foi uma das melhores daquele esquadrão. O time obteve proezas incríveis e assombrou a Itália. Foram 29 vitórias, 7 empates e 4 derrotas em 40 jogos, com 125 gols marcados e 33 sofridos. o time conseguia quebrar seu próprio recorde e cravaria a façanha para sempre na Serie A. Nunca outro time conseguiu marcar tantos gols em um campeonato como aquele Torino. Um show. 

Outros feitos foram os seguintes: maior pontuação em uma temporada (antes dos três pontos por vitória, naquela época vitória valia dois pontos): 65 pontos; maior vitória em casa na história: 10 a 0 contra o Alessandria; maior goleada fora de casa: 7 a 0 contra a Roma; maior número de vitórias em uma temporada: 29; maior número de vitórias em casa em uma temporada: 19 vitórias em 20 jogos; menor número de gols sofridos em uma temporada: 33 gols sofridos em 40 jogos; maior média de gols em uma temporada: 3,13 gols por jogo, além das cinco rodadas de antecedência para conquistar a Serie A – feito igualado apenas pela Fiorentina, em 1958-59, e pela Inter, em 2006-07. Foi um absurdo o que aquele time jogou em 1947-48. Mazzola e Gabetto fizeram, juntos, 48 dos 125 gols do time. Com 25 tentos, Mazzola ficou apenas a dois gols do artilheiro do campeonato, Boniperti, da Juve, que anotou 27. Qual era o limite para aquele time?

A tragédia que chocou o mundo

Restos do avião que caiu em Superga
O campeonato italiano de 1948-1949 começou com o Torino como grande favorito, obviamente. O time seguia sua caminhada a passos galopantes rumo ao pentacampeonato italiano, até que uma tragédia colocaria ponto final no time mais brilhante que a Itália já havia visto. Com quatro pontos à frente da Internazionale, o time voou para Lisboa para participar de um amistoso contra o Benfica. No dia 4 de maio de 1949, às 17:05, o avião Fiat G.212 que levava todo o time do Torino e sua comissão técnica se chocou contra a basílica de Superga, perto de Turim. Ninguém sobreviveu à chamada Tragédia de Superga.

 A Itália e o mundo entravam em estado de choque com o ocorrido. Um time incrível, que encantava e jogava sempre no ataque, e com estrelas que poderiam levar a Itália ao quase certo tricampeonato mundial em 1950, no Brasil, estava acabado. Não havia palavras. Não havia explicações. Era uma fatalidade que levou mais de 500 mil pessoas ao triste funeral de todos os jogadores, auxiliares, dirigentes e técnicos. No mesmo dia 4 de maio 1949, a Federação Italiana e os clubes declararam o Torino campeão daquele ano, confirmando o pentacampeonato. Depois da comoção, a equipe juvenil do time substituiu por completo a equipe profissional para jogar as quatro partidas restantes do campeonato. E o time mostrou que a mística e a alma de seus falecidos jogadores ainda estavam presentes, levando os garotos a vencerem todos os jogos, contra Genova (4 a 0), Palermo (3 a 0), Sampdoria (3 a 2) e uma emocionante e disputada partida final contra a Fiorentina (2 a 0). Num gesto bravo e de respeito sem igual, os quatro rivais do “Toro” também escalaram juvenis.
Funeral das vítimas teve milhares

O fim de uma lenda
Nunca mais a Itália teve uma equipe como o Grande Torino. Houve outros times repletos de craques, mas nenhum foi genuíno, artístico e brilhante como o Torino. Se uma tragédia não tivesse acabado com todo aquele esquadrão grená, o time com certeza faria chover na década seguinte, e prometeria embates históricos contra o futuro esquadrão que surgiria em breve: o Real Madrid de Puskás e Di Stéfano. Após a tragédia o Torino nunca mais foi o mesmo: só venceu um título italiano, em 1975-76, e três Coppa Italia.

A seleção italiana também foi profundamente afetada pelo trágico acidente. Os bicampeões mundiais na época seriam os favoritos plenos na primeira Copa do Mundo pós guerra, em 50, pois tinham como base o próprio Torino. Para se ter uma ideia, em um amistoso que a Squadra Azzurra disputou em 1947 contra a Hungria, com vitória italiana por 3 a 2, 10 dos 11 titulares eram do Torino. Apenas o goleiro era de outra equipe - da Juventus. Por conta disso, a Itália disputou a Copa com uma equipe praticamente reserva e juvenil, sucumbindo rapidamente no mundial. Esse foi, sem dúvida, o capítulo mais trágico da história do futebol. Porém, a mais doce lembrança fica por conta das maravilhas que aquele time fazia, marcadas para sempre na memória de todos. Bendito seja o Grande Torino. Um time para a eternidade.

Os personagens (todos faleceram no desastre de Superga):

Valerio Bacigalupo: era o paredão no gol do Grande Torino. Jogou 137 jogos pelo clube grená, além de ter sido convocado pela Azzurra em cinco oportunidades. Tinha 25 anos.

Aldo Ballarin: defensor no Toro, jogou 148 partidas pelo clube e marcou 4 gols. Tinha dois irmãos também futebolistas, Dino Balarin (que também faleceu no acidente) e Sergio Balarin. Tinha 27 anos.

Virgilio Maroso: outra lenda do time, participou de 103 jogos pelo Toro, e atuou pela Azzurra em sete partidas. O estádio de futebol de sua cidade natal, Marostica, é dedicado a ele. Tinha 24 anos.

Giuseppe Grezar: meio campista, era um dos grandes nomes do time. Atuou em 154 jogos pelo clube e em oito pela seleção italiana. Tinha 31 anos.

Mario Rigamonti: chegou com apenas 19 anos ao Torino, vindo do Brescia, mas só começou a jogar depois da II Guerra. Foi essencial no clube, e atuou em 140 jogos. Tinha 27 anos.

Eusebio Castigliano: meio campista que ia ao ataque, Castigliano marcou 36 gols em 115 partidas pelo Toro. Tinha 28 anos.

Romeo Menti: foi o autor do último gol do Grande Torino, no amistoso contra o Benfica, antes da tragédia. Tinha 30 anos.

Ezio Loik: ágil, eficiente e técnico, fez uma ótima dupla com Mazzola no meio campo do Torino. Marcou 70 gols em 176 jogos pelo Toro. Tinha 30 anos.

Guglielmo Gabetto: era um dos matadores do time e o segundo principal jogador. Marcou 122 gols em 219 jogos pelo Torino. Foi chamado para a guerra e conciliou atividades militares com futebolísticas. Pela Itália, marcou 4 gols em 9 jogos. Era um dos mais experientes do time, com 33 anos.

Valentino Mazzola: era o craque da equipe, e foi um dos maiores jogadores da história do futebol italiano e também mundial. A não realização de Copas na década de 40 prejudicou demais a carreira desse gênio, que poderia ter ganho os dois títulos facilmente com a camisa azzurra, sem contar a Copa de 50. Técnico, driblador, com ótima visão de jogo e goleador, era o jogador perfeito e líder do time. Mazzola tinha 30 anos. As melhores definições para o craque vieram de dois italianos: “Valentino jogava no Torino, juntava o Torino e era o próprio Toro”, disse Gianpaolo Ormezzano, escritor. Enzo Bearzot, técnico campeão do mundo com a Itália em 1982, foi mais enfático: “O maior jogador italiano de todos os tempos foi Valentino Mazzola. Ele era um homem que podia carregar um time todo em suas costas".

Franco Ossola: outro grande goleador do Torino, marcou 85 gols em 175 jogos pelo clube. Nascido em Varese, o estádio da cidade leva seu nome, como homenagem. Tinha 28 anos.

Técnicos: O Torino teve distintos treinadores no período em que brilhou. Muitos diziam que aquele time era tão fantástico que nem de treinador precisava… Mas tudo bem, os responsáveis por “distribuir os coletes” na equipe foram András Kuttik (1942-1943), Luigi Ferrero (1945-1947), Mario Sperone (1947-1948), Roberto Copernico (1947-1948), e a dupla Leslie Lievesley e Ernest Erbstein (1948-1949), estes também vítimas da tragédia de Superga.

Conteúdo do blog Imortais do Futebol. Leia mais sobre times, seleções, jogadores, técnicos e jogos que marcaram época no futebol mundial aqui.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

33ª rodada: Como uma rodada deve ser

Napolitano, Insigne comemora com a torcida. Anos antes, estava no lugar deles (AP)
Para quem gosta de futebol, esta rodada da Serie A foi um prato cheio. Teve jogo com muitos gols, mais de um jogo definido nos acréscimos, muita tensão dentro e fora de campo. Também teve golaços, recuperação de time que vinha mal nas últimas rodadas, brigas homéricas entre jogadores... e até jogaço entre Juventus e Milan. Se o jogo entre os gigantes não foi dos melhores, ao menos o resto da 33ª rodada valeu a pena. O campeão e o vice estão praticamente definidos, mas ainda há bastante emoção na briga por vagas europeias e sufoco no fundo da tabela. Confira o resumo da rodada.

Napoli 3-2 Cagliari
Napolitanos e sardos faziam um jogo de equipes que já podem se considerar campeãs. O melhor Napoli desde o de Maradona e Careca jogava contra um Cagliari que disputou um campeonato quase todo fora de casa e que, mesmo assim, faz sua melhor campanha desde 2008-09, quando Max Allegri era o treinador - e pode superar o feito. Não à toa, o jogo foi cheio de lances polêmicos e rendeu, literalmente, fortes emoções até o fim. Logo no primeiro tempo, o Cagliari saiu na frente depois que Ibarbo aproveitou bola mal afastada por Cavani e acertou forte chute no canto de Rosati, que substituía o suspenso De Sanctis. Pouco depois, o Matador partenopeo foi derrubado na área, mas o árbitro De Marco mandou seguir, erradamente. Cavani reclamou e levou amarelo, o que o deixa de fora da partida contra o Pescara. 

No segundo tempo, o Napoli empatou logo no início, graças a gol contra de Astori - dessa vez, De Marco acertou em voltar atrás e não anular o gol. Ivo Pulga, técnico do Cagliari, acabou expulso por reclamação e soube, dos vestiários, que a virada, com Cavani, veio em novo lance complicado. O uruguaio estava impedido e o bandeira não notou, validando seu 23º gol na Serie A. Para colocar mais fogo no jogo, Sau marcou belo gol de fora da área, chegando ao seu 12º no campeonato - ótimo número para um estreante na elite. Apenas aos 49 minutos, o Napoli conseguiu chegar à vitória que lhe deu tranquilidade na vice-liderança e que, provavelmente, selou seu ingresso direto à fase de grupos da Liga dos Campeões. E o gol veio de um produto da base, de um torcedor do clube que nunca viu Maradona atuando pelo clube: Insigne. Antes de o jogo terminar, ainda deu tempo de haver uma pequena briga entre os jogadores, sem graves danos. (Nelson Oliveira)

Fiorentina 4-3 Torino
Quem foi ao Artemio Franchi neste domingo presenciou golaços e erros defensivos num dos jogos mais emocionantes da rodada. A Fiorentina bateu o Torino por 4 a 3, com gol de Rômulo nos minutos finais. O resultado deixou a Viola na quarta colocação, com 58 pontos, um atrás do Milan, primeiro integrante da zona de classificação à próxima Liga dos Campeões. Cuadrado, apressadinho, colocou o time da casa na frente do marcador aos 8 minutos, com um lindo drible em Santana e uma cavadinha de fora da área. Aquilani dobrou a vantagem aos 16 minutos: Borja Valero cruzou e o meio-campista cabeceou com força, mas em bola defensável que Gillet deixou passar. Ljajic, de falta, marcou um golaço. Barreto, antes do intervalo, descontou.  

Na etapa final, o Torino voltou melhor e contou com o poder da lei do ex. Primeiro, com uma falha de Viviano: Santana, após excelente jogada tramada pelo Toro, chutou no meio do gol e o goleiro da Fiorentina aceitou. Cerci, ex-viola como Santana, calou o Artemio Franchi ao acertar uma finalização improvável da intermediária, no ângulo. Porém, Rômulo, que saiu do banco, entrou bem e aproveitou a troca de passes entre El Hamdaoui e Fernández para, de bico, anotar o quarto gol dos mandantes. Na próxima rodada, a Fiorentina enfrenta a Sampdoria. O Torino vai fazer o clássico contra a Juventus, como mandante, e não tem Darmian, suspenso. (Murillo Moret)

Juventus 1-0 Milan 
Arturo Vidal não se cansa de mostrar porque é um dos melhores meio-campistas em atividade na Europa atualmente. Mais uma vez, o chileno fez grande partida e ajudou a Juve a conquistar mais uma vitória - a 24ª - na Serie A, colocando uma mão e mais três ou quatro dedos no scudetto. Foi dele o gol solitário da partida, em cobrança de pênalti. Mas não é só por causa da sua eficiência ofensiva (já marcou oito gols na competição, apenas um a menos que o artilheiro da equipe, Vucinic) que ele se destaca: Vidal é essencial para o bom funcionamento do meio-campo da Velha Senhora. Contra o Milan, ele anulou qualquer ação de Boateng e Muntari.

Em um 3-5-2 mais compacto, Conte colocou a equipe para jogar nos contra-ataques, principalmente. Dessa forma, o Milan teve maior posse de bola durante todo o jogo, mas sem conseguir incomodar de fato a retaguarda bianconera. Ainda assim, o Milan de Allegri se mostra uma equipe em evolução e já vai pintando como a principal adversário da Juve para a próxima temporada. Com 77 pontos, a Juventus pode ser campeã já na próxima rodada, caso vença o clássico contra o Torino e o Napoli tropece (empate ou perca) diante do Pescara. Já o Milan, tem 59 pontos e vê a Fiorentina se aproximando de forma perigosa, de olho na vaga para a Liga dos Campeões. (Rodrigo Antonelli)

Inter 1-0 Parma
Sem vencer em casa pela Serie A desde fevereiro, a Inter enfim voltou a comemorar no Giuseppe Meazza. Em atuação pouco inspirada, o time de Stramaccioni conquistou três pontos importantes na briga por uma vaga em competições europeias - os nerazzurri voltam a entrar na “zona Uefa”, na quinta colocação. A Inter teve o controle dos primeiros 20 minutos, porém esbarrou na retranca montada por Donadoni. Dali em diante, os visitantes adiantaram a marcação e passaram a explorar as deficiências defensivas da Beneamata, que, como sempre, contou com Handanovic para manter o zero no placar. Com o meio-campo bem cercado, Álvarez apagado - anulado pela marcação dupla, ora com Gobbi-Lucarelli, ora Gobbi-Parolo - e Schelotto inoperante (mais uma vez, o ítalo-argentino foi muito vaiado), quem apareceu novamente foi Jonathan.

Foi através do brasileiro, melhor opção ofensiva da Inter no jogo, que saiu o único gol. Kovacic abriu para o lateral na direita, que passou para Rocchi marcar aos 82 minutos o seu segundo gol pela Inter, o 101º na Serie A. Aliás, falando em números, Handanovic completou 300 jogos em clubes italianos, enquanto Javier Zanetti chegou a 1100 partidas oficiais em sua carreira - é o quarto jogador com mais partidas na história do futebol, atrás de Peter Shilton (1390), Roberto Carlos (1127) e Ray Clamence (1118). (Arthur Barcelos)

Roma 1-1 Pescara
Ao enfrentar o lanterna do campeonato, a vitória não poderia ser mais fácil. Se fosse para qualquer uma das outras 18 equipes da competição, talvez. Não para a Roma. O time romano ficou no empate em 1 a 1 com o Pescara, no Olímpico, e permaneceu fora da zona de classificação para competições europeias. Os golfinhos, sem Sculli, suspenso, e sete jogadores de fora por lesão, começaram melhor e tomaram a liderança da partida aos 14 minutos. Cascione arriscou de longe, Stekelenburg deu rebote e Marquinhos observou Caprari escorar para a rede. O meio-campista, negociado em co-propriedade com o Pescara, não comemorou o gol.

Destro entrou no intervalo, substituindo Florenzi, para empatar o jogo. Logo em seu primeiro lance, a Roma pediu pênalti no atacante, que trombou com Zanon dentro da área. Era a segunda penalidade contestada pela equipe da casa; na primeira etapa, a bola tocou na mão de Capuano e o árbitro, Davide Massa, deixou o jogo seguir. Aos 6 minutos, após escanteio, Cosic levou um couro da bola, De Rossi tocou cruzado e Destro finalizou, igualando o marcador. Pelizzoli salvou o Pescara logo na sequência, em tentativas de Totti e De Rossi. No outro gol, Stelekenburg fez uma grande defesa em chute de Di Francesco. A Roma, na próxima rodada, recebe o Siena, na capital; o Pescara, que acabou com a série de oito derrotas consecutivas, joga no Adriatico contra o Napoli. (MM)

Catania 1-1 Palermo
No dérbi siciliano, nada de muito espetacular até o 94º minuto de jogo. Em uma partida truncada, o Catania estava conseguindo chegar a seu recorde de pontos numa temporada da Serie A (precisa superar os atuais 48) e, de quebra, estava ajudando o grande rival Palermo a cair para a segundona. O gol de Barrientos, na metade da segunda etapa, deixava o clima tenso no estádio favorável aos cataneses. As faixas que diziam que o próximo dérbi que o Palermo jogaria seria contra o pequeno Trapani, time siciliano que pode subir à Serie B.

Porém, no último minuto dos acréscimos, Hernández desviou lançamento à área e Ilicic apareceu para empatar o jogo. No montinho de jogadores que celebravam o gol do esloveno, apareceu o goleiro Andújar, do Catania. Ele havia sido atingido na cabeça pelo paraguaio Barreto e resolveu revidar, derrubando-lhe no chão e lhe esmurrando na barriga. Expulso, o goleiro terá de cumprir três jogos de suspensão, assim como o zagueiro Bellusci, que também participou da confusão (veja vídeos aqui e aqui). Com isso e o desfalque de Spolli, os etnei estarão bem desfalcados contra o Milan, que terá o retorno de Balotelli. Já para o Palermo, o empate no finzinho deve ajudar na moral da equipe para o resto do campeonato. Terá injetado ânimo suficiente para evitar o rebaixamento? (NO)

Udinese 1-0 Lazio
Em Údine, a equipe de Guidolin venceu a Lazio e chegou a sua terceira vitória seguida, comprovando o bom momento. O autor do único gol do jogo, claro, foi Di Natale, 35 anos, que já soma 18 na competição e vê apenas o uruguaio Cavani à sua frente, com 23 gols marcados. O resultado credencia a Udinese a sonhar com uma vaga em competição europeia, algo que parecia impossível no início do ano. Com a mesma pontuação, os torcedores da Lazio não estão tão otimistas: a crise do time romano só aumenta e, com a derrota, a equipe foi ultrapassada pela rival Roma e caiu para a sétima colocação na tabela. Foram apenas duas vitórias nas últimas 13 partidas.

No jogo de sábado,  o primeiro tempo foi equilibrado, mas os donos da casa contaram com a boa forma de Di Natale para abrir o placar, mesmo sem mostrar superioridade. O atacante aproveitou bom cruzamento de Gabriel Silva, ex-Palmeiras, e mandou para o fundo das redes de Marchetti. Na segunda etapa, a Lazio se deixou ser comandada pela Udinese e viu os mandantes dominarem todo o tempo, mesmo não precisando do resultado. Nem a entrada de Hernanes e Ederson, no meio da etapa final, ajudaram e a Lazio ainda viu Di Natale quase ampliar em pelo menos duas oportunidades. (RA)

Bologna 1-1 Sampdoria
Jogando com uniforme verde, em homenagem ao Dia da Terra (mas também relembrando as cores usadas na temporada do seu primeiro scudetto, em 1925), o Bologna recebeu a Sampdoria e não passou de um empate. Foi o quarto consecutivo dos rossoblù e apenas o segundo ponto conquistado pela Samp nos últimos cinco jogos, mas o ponto conquistado agradou ambos, pois deixou-os mais próximos da salvezza. Mas em campo, o empate não foi o que as equipes buscaram. Com boas oportunidades dos dois lados, o jogo foi muito movimentado e exigiu trabalho dos goleiros Curci e Romero.

Na primeira etapa, quem começou melhor foi o dono da casa, que abriu o placar aos 23 minutos, com Gilardino. Sozinho dentro da área, ele só teve o trabalho de cabecear para o gol - um gol que ficará marcado na história da Serie A por ser o de número 3000 do clube na história da competição. Apesar de se manter melhor, o Bologna acabou levando o empate. Em contra-ataque, a bola sobrou nos pés de Sansone, que chutou cruzado e rasteiro, indefensável para Curci. Com 39 e 38 pontos, respectivamente, bologneses e blucerchiati estão muito perto da salvação. (Caio Dellagiustina)

Genoa 1-1 Atalanta
No Marassi, jogo fraco e péssimo resultado para o Genoa. Sem vencer faz nove rodadas (dois meses), o time de Ballardini não parece realmente reagir. Mesmo sob o apoio dos grifone, os anfitriões não passaram de um empate contra uma Atalanta já praticamente entregue no campeonato, com a salvezza próxima, restando cinco jogos pro fim do campeonato. Enquanto os lombardos se mantêm na 14ª posição, com 38 pontos, os lígures ocupam a vice-lanterna, nove pontos atrás - mesma pontuação do Palermo, e um ponto atrás do Siena.

As principais jogadas deste jogo saíram através de bola parada. Logo aos cinco minutos, Matuzalém levantou a bola na área e Floro Flores subiu mais alto para abrir o placar. Dois minutos depois, foi a vez de Cigarini colocar a bola na cabeça de Lucchini, obrigando Frey espalmar pro escanteio. Na cobrança, Cigarini viu bem Del Grosso progredindo desde o meio de campo e deixou o lateral em boas condições para acertar chute preciso da entrada da área. Posteriormente, o Genoa bem que tentou, mas esbarrou nas suas próprias deficiências - foram 17 finalizações e apenas quatro no alvo - três, logicamente, defendidas por Consigli. (AB)

Siena 0-1 Chievo
Com risco de rebaixamento, o Siena entrou em campo precisando da vitória contra o Chievo. Mas a pressão pelo resultado positivo atrapalhou os comandados de Iachini, que pouco conseguiam produzir. As melhores chances vieram dos pés de Rosina, primeiro em falta cobrada de falta defendida magistralmente por Puggioni e depois em chute de longe em que novamente o goleiro gialloblù teve trabalho. Já no final da primeira etapa, um duro golpe para os bianconeri: em uma de suas raras chances, o Chievo abriu o placar com Pellisier. Após contra-ataque, o atacante recebeu na área e deu um leve toque na saída de Pegolo para colocar os veroneses em vantagem.

O Siena voltou melhor na segunda etapa e com menos de um minuto, teve grande chance desperdiçada por Vergassola. Minutos depois, o gol de empate saiu. Após cruzamento de Rosina, o defensor Paci subiu mais e cabeceou para o gol. Em um primeiro momento o árbitro Paolo Valeri confirmou o gol, mas após informação do árbitro de fundo, anulou o tento erroneamente, alegando falta do zagueiro do Siena. O Chievo ficou perto do segundo gol, mas parou em Pegolo, enquanto o Siena entrou em desespero e pouco criou. A vitória praticamente garantiu o Chievo na elite italiana e complicou o Siena, que contou com os empate de Palermo (1-1 Catania) e Genoa (1-1 Atalanta) para se manter fora da zona de rebaixamento, mas com a diferença diminuindo para apenas um ponto. (CD)
Relembre a 32ª rodada aqui.
Confira estatísticas, escalações, artilharia, além da classificação do campeonato, aqui.

Seleção da 33ª rodada
Handanovic (Inter), Benatia (Udinese), Capuano (Pescara), Chiellini (Juventus); Cuadrado (Fiorentina), Behrami (Napoli), Kovacic (Inter), Santana (Torino), Armero (Napoli); Di Natale (Udinese), Pandev (Napoli). Técnico: Francesco Guidolin (Udinese).