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sábado, 29 de junho de 2013

Esse cara sou eu

Tévez chega à Juve com status de salvador do ataque, assume a 10 de Del Piero
e não se intimida: "No Boca, vesti a 10 de Maradona" (Foto: Alessandro Falzone/AP)

Foram pelo menos três temporadas de tentativas frustradas, antes que a Juventus finalmente conseguisse contratar o tão falado "Top Player". Nomes como Falcão Garcia e Van Persie circularam nos bastidores do clube nos últimos anos, mas nunca saíram do papel. Ao fim de cada janela de transferências, os torcedores ficavam com aquele gostinho amargo na boca, de que faltava algo.

Dessa vez, mal abriu a janela de transferências e a Velha Senhora já apresentou um reforço e tanto. Tévez é o jogador que a Juve procurava e precisava para dar um salto de qualidade e bater de frente com os maiores clubes da Europa. Sob o comando de Antonio Conte, a equipe voltou a se impor em solo italiano, com defesa e meio de campo sólidos. Faltava um ataque decisivo, que fizesse diferença também fora da bota, jogando Liga dos Campeões. 

Não falta mais. O argentino de 29 anos tem boas passagens por todos os clubes em que já jogou e está acostumado a disputar grandes torneios. Mais do que experiência, Tévez agrega qualidade técnica e tática ao grupo bianconero. Ele se encaixa perfeitamente no 3-5-2 em que a Juve joga atualmente, fazendo as vezes de segundo atacante, que sai da área para buscar a bola, com Llorente (ou Vucinic) centralizado.

Mas agora Conte ganha mais opções táticas. Com Tévez, fica mais fácil para o técnico mudar de esquema até durante as partidas. Provavelmente, o 4-2-3-1 será mais frequente na Juventus nesta temporada. O argentino ocuparia o lado esquerdo da linha de três atrás de um atacante isolado (Llorente). O problema deste esquema é que Pirlo perderia espaço. Vidal e Pogba ficariam à frente da zaga, para dar maior proteção ao time, que teria sempre quatro homens na frente.

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Outra alternativa é o 4-3-3. Nesse caso, Pirlo continuaria posicionado como regista e teria à sua frente Vidal e Marchisio (ou Pogba). Tévez e Vucinic jogariam abertos pelos lados, municiando Llorente no centro da área. De um jeito ou de outro, o torcedor bianconero pode ter uma certeza: fazer gols não será mais um problema, como foi nas últimas temporadas. Tévez e Llorente são dois goleadores e com estilos diferentes. Porém, o período de transferências está apenas começando e Jovetic e Diamanti ainda são sonhos da diretoria juventina. Muita coisa deve mudar até o início do campeonato.

Custo-benefício
Mais do que uma boa aquisição em termos técnicos e táticos, Tévez é também uma solução para o bolso da Juventus. Especula-se que o ex-atacante do Manchester City tenha custado "apenas" 12 milhões de euros aos cofres da Juve. O valor é menor que a metade do que Fiorentina e Real Madrid queriam por Jovetic e Higuaín, respectivamente: € 30 milhões.

O temperamento e mudanças de humor do atacante é que devem preocupar a comissão técnica juventina. Por onde passou, Carlitos acumulou discussões e afastamentos por mau comportamento. Pedido pessoal de Antonio Conte, Tévez já deve ter tido uma conversa com seu novo comandante, que já mostrou em outras ocasiões ter pulso firme e não aturar insubordinações. Na temporada 2011-12, por exemplo, jogadores caros como Milos Krasic e Amauri caíram no ostracismo porque Conte não confiava neles.

Para se resguardar de ter prejuízo com os problemas pessoais do atacante argentino, a Juve firmou um contrato curto, de apenas duas temporadas. Em 30 de junho de 2016, acaba o compromisso entre as partes e Tévez vai embora, se não estiver agradando. Conta a favor do jogador que suas primeiras temporadas em um novo clube normalmente são suas melhores. É quando ele ainda está motivado e focado, sem preocupações de mudar de ares. 

Os números de Tévez
Boca Juniors (2001-04)
38 gols em 110 jogos

Corinthians (2004-06)
46 gols em 76 jogos

West Ham (2006-07)
sete gols em 29 jogos

Manchester United (2007-09)
34 gols em 99 jogos

Manchester City (2009-13)
73 gols em 138 jogos

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Enfim, Itália

Itália fez grande jogo, mas Bonucci mandou na lua a chance de a Squadra Azzurra chegar à final (Uol)

Após uma estreia relativamente boa, porém dois jogos horríveis em sequência, a Squadra Azzurra pode mostrar seu futebol na Terra Brasilis. E como mostrou. Como no primeiro jogo da fase de grupos da Euro 2012, o time de Prandelli dominou e acuou a campeã mundial e europeia Espanha.

A superioridade foi ainda maior na primeira etapa. A Nazionale soube jogar sem o domínio da posse de bola, compensando com ocupação inteligente dos espaços, marcação forte e eficaz, e muita coletividade, característica muito comum da equipe de Prandelli, mas que até então não havia apresentado na Copa das Confederações – o time demonstrou uma certa dependência a Pirlo e Balotelli.

Sem catenaccio, sem zona mista, mas logicamente inspirado por algumas ideias desses sistemas, Prandelli voltou a utilizar uma formação com três beques. Assim, o treinador italiano praticamente manteve os jogadores utilizados nos empates com Espanha e Croácia na Euro 2012, porém postados no 3-4-2-1. O trio de zaga juventino, Maggio e Giaccherini como alas, De Rossi cobrindo Pirlo no meio de campo, e Candreva e Marchisio mais à frente, encostando no centroavante Gilardino.

Em 45 minutos, a Itália teve 36% de posse de bola, mas finalizou (e com perigo) nove vezes, sete a mais que a Espanha. Prandelli deu um nó tático em Del Bosque ao neutralizar a troca de passes espanhola, tornando-a pouco eficiente. E ainda soube explorar os espaços concedidos pelos flancos, especialmente pela direita. Por ali, Maggio e Candreva foram as principais opções ofensivas da Nazionale, aproveitando os buracos às costas de Iniesta e Jordi Alba.

Na segunda etapa, Prandelli já previa o cansaço de seus jogadores e promoveu a entrada de Montolivo no lugar de um irreconhecível Barzagli (mal fisicamente), abrindo Bonucci pela direita e passando De Rossi para o centro da zaga. O ritmo italiano caiu, contudo a Nazionale conseguiu cadenciar o jogo, sem abdicar de atacar. Foram 61% de posse de bola do time do Belpaese, domando uma Fúria mansa. O time de Del Bosque, por sinal, abdicou de seu jogo para apostar na velocidade de Navas e Mata procurando Torres, mas o gol não saiu. A defesa italiana se portou bem atrás e, apesar dos sustos, se manteve firme durante todo o jogo.

Até na pressão espanhola na prorrogação, na base do chuveirinho. Quando Maggio, Bonucci, De Rossi e Chiellini não ganhavam, Buffon estava lá para manter o zero no placar, operando seis defesas e três cortes em cruzamentos, a principal alternativa encontrada pela Espanha em busca do gol – que não veio. Na única chance italiana na prorrogação, o chute forte de Giaccherini logo aos três minutos parou na trave.

Na disputa por pênaltis, os goleiros não viram a cor da bola. Boas cobranças por parte de Xavi, Iniesta, Piqué, Ramos, Mata, Busquets e Navas. Candreva, Aquilani, De Rossi, Giovinco, Pirlo e Montolivo, pela Itália... mas não Bonucci. O zagueiro da Juventus finalizou muito longe do gol de Casillas, e Navas colocou a Espanha na sua inédita decisão pela Copa das Confederações.

Apesar do resultado final, o desempenho da Itália deixa boas esperanças para o futuro do time de Prandelli, que ainda fará mais um jogo no Brasil, no calor das 13 horas de Salvador. Contra o Uruguai, na disputa pelo terceiro lugar. Já a Espanha pega o Brasil, no Maracanã, às 19h.

Confira os melhores momentos da partida aqui.

Ficha Técnica

COPA DAS CONFEDERAÇÕES - ESPANHA 0x0 (7x6) ITÁLIA
Estádio: Castelão, Fortaleza (CE)
Data/Hora: 27/06/2013 - 16h (de Brasília)
Árbitro: Howard Webb (ING)
Cartões Amarelos: Piqué (ESP), De Rossi (ITA)
Penalidades: Candreva, Xavi, Aquilani, Iniesta, De Rossi, Piqué, Giovinco, Ramos, Pirlo, Mata, Montolivo, Busquets, Bonucci (errou), Jesus Navas

Espanha (4-3-3): Casillas; Arbeloa, Piqué, Ramos, Alba; Xavi, Busquets, Iniesta; Pedro (Mata), Torres (Javi Martínez), David Silva (Navas). Técnico: Vicente Del Bosque.

Itália (3-4-2-1): Buffon; Barzagli (Montolivo), Bonucci, Chiellini; Maggio, De Rossi, Pirlo, Giaccherini; Candreva, Marchisio (Aquilani); Gilardino (Giovinco). Técnico: Cesare Prandelli.

terça-feira, 25 de junho de 2013

Times Históricos: Milan 1991-95

Comandado por Capello, Milan manteve a sina vencedora dos tempos de Sacchi
Grandes feitos: Campeão Invicto da Copa dos Campeões (1993-1994), Campeão da Supercopa da Uefa (1994), Tricampeão Italiano (1991-1992 invicto, 1992-1993 e 1993-1994) e Tricampeão da Supercopa da Itália (1992, 1993 e 1994).

Time base: Rossi; Maldini, Baresi, Costacurta (Galli) e Tassotti (Panucci); Albertini (Rijkaard), Donadoni (Evani; Desailly), Gullit (Simone) e Boban (Eranio); van Basten (Savicevic; Papin) e Massaro. Técnico: Fabio Capello.

Milanshow – parte 2: Itália à milanesa
Depois de encantar o planeta com apresentações incríveis, gols fantásticos e títulos exuberantes, incluindo dois bicampeonatos – um mundial e outro europeu – o Milan decidiu mudar o seu foco em 1991. Sem o técnico Arrigo Sacchi, que partiu para treinar a seleção da Itália, a equipe rossonera trouxe Fabio Capello para manter a sina vencedora daquele esquadrão para os anos seguintes. 

O novo treinador tinha uma missão: retomar o posto de soberano, também, na Itália. Coube a Capello fazer do time de Baresi, Maldini, TassottiDonadoni, Rijkaard, Gullit, van Basten e Massaro o primeiro campeão italiano invicto da história do futebol italiano exatamente em sua primeira temporada como técnico. Foram 22 vitórias e 12 empates em 34 jogos, com van Basten tinindo na artilharia com 25 gols. 

Não contente, o time emendou mais dois canecos nacionais, várias supercopas e voltou a frequentar decisões de Liga dos Campeões, culminando com a taça em 1994. Exemplo de uma das equipes mais encantadoras de todos os tempos, aquele Milan provou que mesmo com técnico diferente poderia continuar a fazer estragos. E, acima de tudo, conquistar títulos. Depois de falarmos do primeiro capítulo do melhor Milan da história, é hora de relembrar o segundo.

Itália, voltei!
Ser o rei da Europa e do mundo custou caro ao Milan entre 1988 e 1990. O time teve de usar todas as suas forças nas competições internacionais e travar batalhas épicas para ser coroado o último bicampeão consecutivo do continente e, também, do planeta. O sucesso da equipe foi tanto que a federação italiana de futebol não resistiu e tratou de “roubar” o técnico Arrigo Sacchi de Milão. Sem o comandante dos canecos daqueles anos de ouro, muitos pensaram que ali terminava uma era. 

Ledo engano. A diretoria do clube trouxe Fabio Capello, ex-jogador que havia iniciado a carreira de treinador exatamente no Milan, em 1987, mas por pouco tempo. Naquele ano de 1991 ele tinha a grande chance de mostrar seu valor e manter o Milan entre os primeiros, a começar pelo Campeonato Italiano, que era dominado nas duas últimas temporadas pelas forças crescentes da época: Napoli (1989-1990) e Sampdoria (1990-1991). Com quase todos os jogadores das conquistas dos anos anteriores, a tarefa de Capello até que não era tão difícil…

Os Invencíveis
O trabalho de Capello começou logo depois de o Milan ser eliminado da Copa dos Campeões de 1990-1991 para o Olympique de Marselha nas quartas de final. O treinador começou a adaptar o time sem Sacchi e a rever os pontos frágeis (existiam?!) para fazer aquele Milan escrever sua história com caneta de ouro 24k já na temporada 1991-1992. 
 
Com um futebol pleno, letal nos contra-ataques e com uma zaga quase intransponível, o time foi derrotando os adversários um a um, sem ser agredido ou levar sustos. Nem mesmo o Napoli podia com os rossoneri, a ponto de levar uma surra de 5 a 0 jogando no San Siro. A equipe de Milão foi exuberante, venceu partidas marcantes em casa (1 a 0 na Inter, 2 a 0 na Lazio, 5 a 0 no Napoli, 2 a 0 no Parma, 5 a 1 na então campeã Sampdoria e 4 a 1 na Roma), além de massacrar adversários longe de casa como no 4 a 1 sobre o Cagliari e no 8 a 2 sobre o Foggia de Zeman, além de um 2 a 0 na Sampdoria, ficando com o scudetto pela 12ª vez, mas, pela primeira vez na história da competição, invicto. 
 
van Basten: atacante mais espetacular da história do Milan.
Nem a Juventus de Platini, nem a Internazionale de Herrera, nem o próprio Milan dos anos 60, nem o Torino de Mazzola. Nenhum time jamais havia vencido o tão disputado Campeonato Italiano sem perder uma partida sequer. Pois aquele Milan, do genial van Basten (artilheiro com 25 gols), conseguiu. Foram 22 vitórias e 12 empates em 34 jogos, com 74 gols marcados (melhor ataque) e apenas 21 sofridos (segunda melhor defesa, atrás do Torino, que sofreu 20).

Ainda em 1992 o time venceu o Parma por 2 a 1 (gols de van Basten e Massaro) e conquistou a Supercoppa Italia, e viu o atacante Marco van Basten levar mais uma vez o título de melhor jogador da Europa e, pela primeira vez, o de Melhor Jogador do Mundo pela Fifa. Naquele ano, o time que ficou marcado como Os Imortais entre 1989 e 1990 ganhava um novo apelido: Os Invencíveis.

Novo caneco e nova final europeia
Na temporada 1992-1993 a equipe seguiu forte e sem rivais na Itália. O time conseguiu atingir uma marca fantástica de 58 partidas sem perder na Serie A, iniciada em 19 de maio de 1991 e encerrada em 21 de março de 1993, numa derrota em casa para o Parma por 1 a 0, gol do colombiano Asprilla. Mesmo perdendo esse jogo, o time fez outro campeonato impecável e com várias goleadas: 5 a 3 na Lazio, 4 a 0 no Pescara e 4 a 0 na Sampdoria, todas em casa; e 7 a 3 na Fiorentina, 5 a 1 no Napoli (com quatro gols de van Basten) e 5 a 4 no Pescara, todas fora de Milão. Foram 18 vitórias, 14 empates e duas derrotas em 34 partidas. Infelizmente, naquela temporada, começaria o drama de van Basten, que sofreu uma grave lesão no tornozelo na 13ª rodada do campeonato, que o tirou da competição e das partidas seguintes do Milan. O craque só voltaria mais tarde e ainda longe do ideal.

Na Liga dos Campeões, o Milan foi com tudo para mais uma final. Na primeira fase, passeio contra o Olimpija Ljubljana, da Eslovênia, com vitória por 4 a 0 no primeiro jogo (dois gols de van Basten, um de Albertini e um de Papin) e 3 a 0 no segundo (gols de Massaro, Rijkaard e Tassotti). Na fase seguinte, mais um passeio, contra o eslovaco Slovan Bratislava: 1 a 0 fora de casa, gol de Maldini, e 4 a 0 no San Siro, gols de Boban, Rijkaard, Simone e Papin. Na sequência, o Milan foi para a fase de grupos. Naquele ano, os classificados foram divididos em dois grupos. Os campeões de cada grupo fariam a final. O Milan caiu no grupo B e deu mais um show vencendo todos os seis jogos. Em casa: 4 a 0 no Göteborg, com quatro gols de van Basten, 1 a 0 no Porto, com gol de Eranio e 2 a 0 no PSV, com dois gols de Simone. Fora de casa: 2 a 1 no PSV, com gols de Rijkaard e Simone, 1 a 0 no Porto, com gol de Papin e 1 a 0 no Göteborg, com gol de Massaro. Invicto e 100%, o Milan estava na final da Copa. O adversário, porém, seria dificílimo: o Olympique de Marselille.

A derrota no adeus de van Basten
O confronto entre franceses e italianos colocava frente a frente as duas melhores equipes europeias da época, sem dúvida alguma. Do lado do Olympique, os craques Barthez, Angloma, Boli, Desailly, Di Meco, Deschamps, Abedi Pelé, Völler e Boksic. Do lado do Milan, as estrelas já consagradas e temidas: Baresi, Maldini, Tassotti, Costacurta, Albertini, Rijkaard, Donadoni e van Basten – já sem Gullit, que foi jogar na Sampdoria. 

O estádio Olímpico de Munique, na Alemanha, iria presenciar um embate histórico. Os franceses não se intimidaram com a força dos italianos, aproveitaram a fraqueza de van Basten (muito baleado e longe de estar 100% fisicamente) e marcaram o gol da vitória por 1 a 0 ainda no primeiro tempo, com o zagueiro Boli, de cabeça. Ao apito final, a festa foi enorme: pela primeira vez um clube francês conquistava o maior dos títulos europeus. E o Milan perdia sua primeira final depois do bicampeonato de 1989-90. Aquele jogo foi ainda mais simbólico por ser o último de Marco van Basten em sua carreira. O craque ficaria dois anos sem jogar até anunciar sua aposentadoria precoce com apenas 30 anos. A gravidade das lesões em seus tornozelos era tão grande que nem mesmo uma partida de despedida foi possível ser realizada. 

Müller provoca Costacurta após marcar o gol no Mundial
O adeus foi no San Siro lotado de gente e emoção, com van Basten vestido à paisana e se segurando para não chorar, dando uma volta olímpica para os torcedores. O adeus comoveu até o sisudo Fabio Capello, que chorou na ocasião. Adriano Galliani, dirigente do Milan à época (e até hoje no clube) disse que “perdera seu Leonardo da Vinci”. Na verdade, não foi só ele. Todo o futebol perderia uma das maiores lendas do esporte, fatal na grande área, genial com a bola nos pés e decisivo.


Em dezembro de 1993, o Milan ainda disputou o Mundial Interclubes contra o São Paulo, por conta da punição imposta ao Olympique por um esquema de manipulação de resultados no Campeonato Francês. Com isso, coube ao vice-campeão europeu (Milan) disputar o torneio.

No Japão, os comandados de Capello não foram páreo para o super time brasileiro comandado por Telê Santana e perderam por 3 a 2, num jogo disputadíssimo e decidido nos minutos finais, com um gol sem querer de Müller.

A transformação de Capello
Passados os vices e as conquistas do bicampeonato nacional e da Supercoppa Italia (vencida sobre o Torino por 1 a 0), o Milan perdeu a essência “imortal” de seus anos de ouro com as saídas de Gullit, Rijkaard, van Basten e Evani. Mesmo sem os talentosos jogadores, a equipe conseguiu manter a pegada vencedora graças a Fabio Capello, que soube reparar as perdas com peças precisas: Marco Simone, que entrou no time e conseguiu dar força ao ataque com muita habilidade e gols; Marcel Desailly, um dos algozes da final europeia de 1993 que partiria para o estrelato com força defensiva no meio de campo e elemento surpresa no ataque; Boban, croata que passou a ser figura mais constante no time titular depois de um período emprestado ao Bari; e Savicevic, renegado em grande parte da temporada 1992-1993 por Capello e peça essencial nos jogos que viriam pela frente. Com o quarteto, mais a base dos anos anteriores, a esperança era de mais conquistas. E elas vieram.

No Campeonato Italiano, a equipe começou mal, ainda se adaptando sem o trio holandês, mas depois “pegou no breu” e embalou nove vitórias seguidas da 20ª até a 29ª rodada, com triunfos marcantes fora de casa sobre Roma (2 a 0), Lazio (1 a 0) e Juventus (1 a 0) e um 2 a 1 no clássico contra a Inter. O time só foi derrotado na rodada 29, para o Napoli, por 1 a 0. O goleiro Rossi fez história naquela temporada ficando 929 minutos sem levar gols, ajudando a sólida defesa rossonera a contabilizar apenas 16 gols sofridos em 34 jogos. 

O time foi econômico, também, nos gols marcados: 36 em 34 jogos, mas o suficiente para garantir o tricampeonato consecutivo com 19 vitórias, 12 empates e três derrotas. Capello conseguia aliar a mais pura essência do futebol italiano e mudar um pouco a cara daquele Milan ao transformar o time num paredão defensivo, mas com qualidade ofensiva na medida certa, sem as habituais goleadas dos anos anteriores. Marcar um gol naquele time era tarefa para poucos, pouquíssimos. Não era bonito de se ver, mas o que importava era o resultado e, claro, o título. Sem rivais na Itália, era hora de tentar retomar o trono na Europa.

Rumo à Atenas
O Milan estreou na Liga dos Campeões de 1993-1994 derrotando o Aarau por 1 a 0 na Suíça, gol de Papin, e empatando sem gols em Milão. Na segunda fase um vareio sobre o Copenhagen: 6 a 0 na Dinamarca – gols de Papin (2), Simone (2), Brian Laudrup e Orlando – e 1 a 0 na Itália, gol de Papin. Em seguida veio a fase de grupos, quase no mesmo estilo que em 1993, com a diferença de que os dois primeiros de cada grupo avançariam para as semifinais para aí sim chegar a final. 

O Milan caiu no grupo B novamente e não teve problemas. Empatou sem gols com o Anderlecht fora de casa, venceu o Porto por 3 a 0 em Milão (gols de Raducioiu, Panucci e Massaro) e bateu o Werder Bremen por 2 a 1 em casa (gols de Maldini e Savicevic). No returno do grupo, empate em 1 a 1 com o Werder Bremen na Alemanha (gol de Savicevic), empate sem gols com o Anderlecht em Milão e novo empate sem gols com o Porto, em Portugal. Econômico, invicto e “chato”, o Milan conseguiu a primeira colocação do grupo e a vaga na semifinal, que seria disputada em jogo único, com o Diavolo tendo a vantagem de jogar em casa.

Diante de 80 mil pessoas no San Siro, Capello decidiu abrir a porteira de gols do time e a torcida pôde ver sua equipe vencer por 3 a 0 o Monaco, com gols de Desailly, Albertini e Massaro. Porém, o Milan “ganhou” duas baixas para a final: Baresi e Costacurta, os pilares da defesa, estavam suspensos por cartões. Além disso, a Uefa ampliou as restrições para jogadores estrangeiros nos times, o que forçou Capello a não contar com os gringos Raducioiu, Papin e Brian Laudrup. Para piorar, o adversário do Milan na decisão de Atenas seria o Barcelona, comandado por Cruyff e estrelado em campo com Zubizarreta, Ferrer, Guardiola, Koeman, Stoichkov e Romário. Como o time italiano conseguiria parar um ataque tão infernal sem seus principais jogadores de defesa?

Vareio do mais copeiro time do mundo
Desailly comemora: mais uma goleada do Milan em final europeia.
Historicamente, o Milan sempre adorou golear adversários em finais de competições europeias. Foi assim em 1969, no 4 a 1 sobre o Ajax de Rinus Michels, e em 1989, no 4 a 0 sobre o Steaua Bucareste. Mas, naquele ano de 1994, ninguém, absolutamente ninguém apostava num placar elástico pelo lado italiano, a não ser do lado espanhol, que tinha todo o favoritismo e badalação. Mesmo com sua força, o Milan foi para aquela decisão de 18 de maio de 1994, no Estádio Olímpico de Atenas, na Grécia, como zebra. 

Tassotti foi o capitão na final e levantou a taça
Porém, a zebra italiana aplicou nos catalães um sonoro 4 a 0 num dos maiores chocolates da história da competição. O Barcelona não viu a cor da bola, praticamente. Capello armou seu time de uma maneira sublime, disciplinada e eficiente. O Milan soube como nunca aproveitar as chances que teve e a jogar no erro do adversário, que sentiu a pressão do favoritismo e pareceu achar que venceria a qualquer momento. Coitados… Massaro abriu o placar aos 22 e ampliou aos 45, após ótima jogada de Donadoni. Na segunda etapa, Savicevic marcou um golaço por cobertura após aproveitar um vacilo de Nadal. Para fechar o espetáculo, Desailly aproveitou outra bobeada da zaga do Barça e tocou com categoria para fazer 4 a 0.

O resultado tão elástico foi chocante para todos na época e culminaria para o fim do ciclo de Cruyff como treinador do time espanhol. Para Capello, era a coroação definitiva de um trabalho brilhante à frente de um Milan que havia mudado tanto desde 1989, mas que continuou forte e, acima de tudo, com seu característico sangue copeiro.

Novo vice mundial
Em agosto de 1994, o Milan faturou mais uma Supercoppa Italia ao bater a Sampdoria nos pênaltis por 4 a 3 (depois de empate em 1 a 1 no tempo normal). Em dezembro, o time italiano foi de novo para o Japão disputar o Mundial Interclubes, dessa vez contra o Vélez Sarsfield de Carlos Bianchi. E, de novo, ficou com o vice. Chilavert e companhia foram impecáveis, deram uma aula de aplicação tática e emocional, usaram bem a velocidade nos contragolpes e venceram por 2 a 0, gols de Trotta e Asad.

Os últimos lampejos e o derrota na Copa
Na temporada 1994-1995 o Milan viu sua hegemonia ser quebrada no Campeonato Italiano pela Juventus, que conquistou seu 23º título. A equipe rossonera ficou apenas na quarta colocação. Na Europa, o time venceu a Supercopa da Uefa de 1994 derrotando o Arsenal após empate sem gols no primeiro jogo e vitória por 2 a 0 em Milão, com gols de Boban e Massaro. Na Liga dos Campeões, o time ficou na segunda colocação do grupo D, atrás do Ajax, mas se classificou para o mata-mata. Nele, despachou Benfica e Paris Saint-Germain, alcançando a terceira final consecutiva de Liga dos Campeões.

No Ernst-Happel-Stadion, na cidade de Viena, na Áustria, o talentoso Ajax recheado de jovens estrelas (que davam ao time uma média de idade de 23 anos) como van der Sar, Reiziger, os irmãos de Boer, Davids, Seedorf, Overmars e Kluivert (além de Blind, Rijkaard e Litmanen) foram superiores ao já envelhecido Milan e venceram por 1 a 0, gol do atacante Patrick Kluivert aos 40 do segundo tempo. Era o bastante para que o time holandês fizesse história e se tornasse tetracampeão europeu, vencendo o torneio de maneira invicta, assim como o Milan venceu em 1994. Ali, terminava o brilho do gigante italiano.

Eterno
Depois da derrota na final europeia o Milan envelheceu e foi se enfraquecendo ao longo dos anos, tendo apenas um rápido destaque nas temporadas 1995-1996 e 1998-1999. O time só voltaria a brilhar mesmo a partir de 2003, quando levantaria uma nova Liga dos Campeões. Mas nem mesmo as façanhas de Shevchenko, Dida, Inzaghi, Maldini, Pirlo e Kaká foram capazes de igualar os feitos do maior Milan de todos os tempos, aquele de Sacchi entre 1989-1990 e o de Capello entre 1991-1994. 

O time italiano conquistou tudo e mais um pouco, deu aula de futebol, lotou estádios e virou sinônimo de sucesso, arte e conquistas. Jogar contra o Milan naqueles anos era terrível. Desde então, nunca uma equipe conseguiu ter tanto tempo de hegemonia como aquele Milan. Foram seis anos mágicos, divididos em dois capítulos majestosos. Os feitos daqueles esquadrões jamais serão apagados e são, como o mais copeiro time do mundo, imortais.

Os personagens:

Sebastiano Rossi: cá entre nós, ter Baresi e Maldini como companheiros de defesa era um baita reforço para qualquer goleiro. Mas Sebastiano Rossi não se acomodou com a eficiência de seu “muro” e se tornou um dos grandes goleiros da história do Milan, ficando 929 minutos sem levar gol na campanha do tricampeonato italiano de 1993-1994, além de mostrar muita elasticidade e segurança. Jogou 330 partidas com a camisa do time.

Paolo Maldini: um dos maiores símbolos da história do Milan e do futebol italiano, só vestiu a camisa rossonera (e a da seleção italiana, claro) durante toda a sua carreira, de 1984 até 2009. Jogou como lateral, tanto esquerdo como direito, tinha exímia técnica, e sabia defender e atacar com maestria. Anos depois, foi zagueiro, e esbanjou qualidade na grande área. Conquistou todos os títulos possíveis no Milan, com destaque para as 5 Ligas dos Campeões, 3 Mundiais, 7 Campeonatos Italianos, 5 Supercopas europeias, e muitos outros. Fez 902 jogos pelo Milan e anotou 33 gols. Sua importância foi tamanha que a camisa número 3 do clube está aposentada.

Franco Baresi: um dos maiores líberos do futebol mundial, Franco foi exemplo de lealdade, sutileza e técnica como defensor. Romário, artilheiro do tetra, classificou o italiano como o maior marcador que teve na carreira, tamanha era sua qualidade. Nunca apelava para faltas, desarmava os atacantes de maneira precisa e sabia cadenciar o jogo quando era necessário. Assim como Maldini, só jogou no Milan durante toda a sua carreira, de 1977 a 1997. O grande capitão vestia a camisa 6, que foi aposentada para sempre do time italiano. Reverência total ao líder de um time mágico. Venceu 6 campeonatos italianos, 3 Ligas dos Campeões, 2 Mundiais, 3 Supercopas da Uefa e 4 Supercopas da Itália. Pela seleção, atuou em 81 partidas, e venceu a Copa do Mundo de 1982, como reserva, já que no time titular o trio de zaga era nada mais nada menos que Cabrini, Gentile e o mito Scirea.

Alessandro Costacurta: outro eterno zagueiro rossonero, começou a carreira emprestado ao pequeno Monza, para ganhar experiência. E ganhou! Foi titular da equipe e só jogou no Milan, de 1985 a 2007. Tinha raça e às vezes apelava para as faltas para parar os adversários. Mesmo assim, era extremamente eficiente. Pela seleção, jogou 59 jogos.

Filippo Galli: com a ascensão de Costacurta, o zagueiro teve de se contentar com o banco de reservas por longas temporadas no Milan. Porém, sempre que entrava, dava conta do recado com muita eficiência e segurança. Foi perfeito na final da Liga dos Campeões de 1994.

Mauro Tassotti: iniciou a carreira na Lazio, mas logo em seguida partiu para o Milan, onde jogou de 1980 até 1997. Lateral marcador, que também apoiava o ataque, Tassotti jogou 429 partidas pelo Milan e conquistou 17 títulos com o clube. Pela seleção, não teve o mesmo brilho, e disputou apenas 7 partidas.

Christian Panucci: lateral muito forte no apoio ao ataque e também na marcação. Panucci jogou muito bem durante três anos no Milan até conseguir chegar ao estrelato no Real Madrid, onde venceu sua segunda Copa dos Campeões em apenas quatro anos.

Frank Rijkaard: uma das maiores estrelas da equipe, autor do gol do título europeu de 90, o holandês Frank Rijkaard foi um dos maiores craques da história do futebol, e atuava como volante, meia, ponta e até zagueiro. Formado no Ajax, foi para o Milan em 88 (mesmo ano em que venceu com a sua seleção, a Holanda, a Eurocopa), onde viveu o ápice de sua carreira. Com muita técnica, visão de jogo aguçada e elegância, Rijkaard ditava o ritmo da equipe no meio, e ajudava os compatriotas Gullit e Van Basten a fazerem estragos nas defesas adversárias. Disputou 201 jogos pelo Milan e marcou 26 gols. Deixou o time em 1993 e encerrou a carreira vencendo uma Liga dos Campeões, por outra geração de ouro, a do Ajax, em 95, justamente contra seu ex-time. Pela Holanda, disputou 73 jogos. É um dos jogadores mais vitoriosos da história, com 25 títulos conquistados por Milan, Ajax e Holanda.

Demetrio Albertini: cria das categorias de base do Milan, Albertini se tornou um dos mais completos e talentosos volantes da década de 90. Armava jogadas, desarmava com extrema facilidade e chutava muito bem. Ditava o ritmo do meio de campo do Milan e foi essencial para o sucesso da equipe principalmente depois da saída de Rijkaard. Disputou 406 jogos pelo Milan e marcou 28 gols, além de ter jogado duas Copas do Mundo, em 1994 e 1998.

Alberigo Evani: outro que nasceu no Milan, Alberigo Evani era um dos donos do meio de campo da equipe na virada dos anos 80 e início dos 90. Tinha um pé esquerdo poderoso e marcava alguns gols de fora da área e de bola parada, como o do título mundial de 1989. Foram 393 jogos pelo clube e 19 gols.

Marcel Desailly: com a camisa do Milan, Marcel Desailly se tornou um dos maiores meio campistas do mundo, além de ir bem como zagueiro. Foi revelado pelo Olympique de Marseille campeão da Europa justamente em cima do Milan, em 1993. Na temporada 1993-1994, ganhou sua segunda Liga dos Campeões de maneira consecutiva, pelo Milan, e marcou um dos gols na final. Depois de brilhar com seu futebol eficiente, técnico e seguro, foi encerrar a carreira jogando pelo Chelsea.

Marco Simone: foi uma das gratas revelações do Milan a partir de 1993, marcando vários gols e sendo peça chave no ataque do Milan. Seu grande momento foi na temporada 1994-1995, quando marcou 17 gols na Serie A. Foram mais de 200 jogos pelo Milan e 75 gols.

Roberto Donadoni: exímio ponta esquerda, daquele que infernizava a defesa adversária, Roberto Donadoni era o grande driblador do Milan supercampeão. Tinha um fôlego absurdo e muita raça, aliada à técnica apurada. Não era de marcar gols, prova disso é seu histórico: 261 partidas e apenas 18 gols. Venceu 13 canecos com o Milan. Pela seleção, atuou em 63 partidas.

Ruud Gullit: não era só a cabeleira de Ruud Gullit que chamava a atenção em campo. O seu futebol também. O holandês foi um dos símbolos do grande Milan supercampeão, ao ser peça fundamental no ataque da equipe, ao lado de van Basten. Gullit podia jogar, também, como meia e até líbero. Iniciou a carreira no modesto Haarlem, da Holanda. De lá, partiu para o Feyenoord e PSV, onde conquistou vários títulos. Mas, seria no Milan o seu momento de ouro. Ganhou tudo, fez gols decisivos, e transformou a equipe na mais temida do planeta. Disputou 171 jogos pelo Milan e marcou 56 gols. Fez parte da grande Holanda campeã da Eurocopa de 88.

Zvonimir Boban: o croata chegou ao Milan na temporada 1992-1993 e logo foi adaptado à equipe por Capello, que utilizava o craque em várias posições do meio de campo. Com ótima visão de jogo e capacidade de criar grandes jogadas, Boban fez história na equipe e conquistou quase todos os títulos possíveis, incluindo quatro italianos, uma Liga dos Campeões, três supercopas da Itália e uma Supercopa da Uefa.

Stefano Eranio: jogava no meio de campo e no ataque do Milan e até foi titular em várias partidas, mas acabava no banco por causa da intensa concorrência do time naqueles tempos. Jogou de 1992 até 1997 no clube até se transferir para o Derby County, da Inglaterra.

Marco van Basten: foi, sem dúvida alguma, um dos maiores atacantes da história do futebol. Era o verdadeiro matador, daqueles que fazia gols de tudo quanto é jeito. Fazia, também, golaços épicos, como na final da Euro de 88. Ele foi um dos maiores ídolos do grande Milan e a principal estrela daquela equipe. Em 201 jogos, marcou 124 gols. Está entre os 10 maiores artilheiros na história do clube e entre os mais vitoriosos também. Ganhou 15 títulos no rossonero, onde jogou de 1987 a 1995. Foi obrigado a encerra a carreira de maneira precoce, aos 30 anos, devido a inúmeras lesões nos tornozelos, acabados de tanta pancada que levou dos zagueiros. Despediu-se com uma volta olímpica no San Siro, provocando choro até mesmo no durão Fabio Capello, técnico do Milan em 95. Pela seleção, venceu a Eurocopa de 88 e, em 58 jogos, marcou 24 gols. Marco van Basten foi um mito. E deixou muita saudade.

Dejan Savicevic: meia clássico, Savicevic não teve muitas chances quando chegou ao Milan e pensou até em sair da equipe na temporada 1992-1993, mas ficou e brilhou com a camisa da equipe, marcando gols decisivos na campanha do título europeu de 1994, inclusive um na final, por cobertura. Disputou 144 jogos pelo Milan e marcou 34 gols.

Jean-Pierre Papin: um dos maiores artilheiros da Europa entre 1988 a 1992, Jean-Pierre Papin não conseguiu repetir o sucesso que teve no Olympique de Marseille no Milan, mesmo anotando alguns gols importantes. O francês não se adaptou ao futebol italiano e sofreu com a concorrência no ataque, ficando boa parte de seu estágio no clube na reserva. Sua fase de ouro, infelizmente, já havia passado. Foi Bola de Ouro em 1990 e eleito segundo melhor jogador do mundo em 1991, perdendo para o alemão Matthäus.

Daniele Massaro: de volante para ala até chegar a centroavante. Massaro foi um polivalente da bola antes de encontrar sua vocação verdadeira com Fabio Capello: fazer gols. Na ausência de van Basten, o italiano era a maior referência do Milan e foi um dos maiores artilheiros do time naquele período, marcando dois gols na final da Liga dos Campeões de 1994. Costumava jogar muito em partidas decisivas.

Fabio Capello (Técnico): o italiano disciplinador e sisudo Fabio Capello virou estrela mundial e um dos mais conceituados técnicos da história do futebol no Milan, seu primeiro clube na carreira de treinador. Capello conseguiu manter a pegada vencedora do time de Milão com muito trabalho, foco em resultados e dando mais força defensiva ao time. Com isso, a equipe levantou um tricampeonato italiano consecutivo, ficou 58 jogos sem perder na Itália (recorde), chegou a três finais seguidas de Liga dos Campeões e aplicou uma goleada de 4 a 0 no badalado Barcelona em 1994, o ponto alto daquele trabalho virtuoso que tinha como fator chave um grupo concentrado e ótimos jogadores para cada posição, além, claro, de inúmeros craques.

Conteúdo do blog Imortais do Futebol. Leia mais sobre times, seleções, jogadores, técnicos e jogos que marcaram época no futebol mundial aqui.

domingo, 23 de junho de 2013

Itália testa e decepciona contra o Brasil

Mal em campo, Itália levou quatro gols pela primeira vez desde a final da Euro 2012
Na movimentada e quente Salvador, envolta em protestos, a Itália voltou a sofrer. Prandelli aproveitou o jogo sem grande importância para fazer alguns testes, mas não poupou nenhum titular. No fim das contas, o Brasil de Felipão foi melhor e aproveitou as oportunidades, explorando bem as deficiências de uma Squadra Azzurra irreconhecível, em todos os aspectos possíveis. Também foi um desastre a exigência da Fifa de colocar o Brasil para jogar com camisa verde e amarela e calções brancos, enquanto a Itália jogava toda de azul. Um atentado a um dos maiores clássicos do futebol.

Se os tímidos 392 passes trocados pela seleção italiana contra o Japão já estranhavam ao torcedor italiano, os 306 desse sábado assustam. Mesmo com mais roubadas de bola em relação aos outros dois jogos, o time de Prandelli mais uma vez esteve mal na defesa, o que explica o maior número nas faltas e gols contra. No ataque, também menor número nas finalizações, nos impedimentos e mesmo nos dribles corretos. Balotelli foi mal acionado, com um meio-campo que pouco ou nada encostava no camisa 9, que ainda deu cinco chutes.

Sem duas peças fundamentais no meio de campo, os senadores De Rossi e Pirlo, Prandelli buscou diminuir os problemas no setor com compactação e dinamismo; aproximou Montolivo e Aquilani, de perfis semelhantes ao de Pirlo; e promoveu a entrada do trequartista Diamanti e do meia-lateral Candreva. Nesse quesito, o treinador italiano teve sucesso, já que os cinco meio-campistas atuaram bem próximos, e também juntos do quarteto defensivo. Com a bola, porém, foi um fracasso retumbante.

Sob a forte marcação por pressão do time de Felipão, que em certos momentos até exagerava nas faltas – que acabaram culminando nas lesões de Abate e Montolivo –, a Nazionale não tinha uma saída de bola com qualidade, nem pelo meio nem pelos lados. Com posicionamento alto, a defesa brasileira dava espaço para os azzurri explorarem espaços, porém isto não ocorreu, principalmente após a saída de Montolivo, com um Aquilani fora de ritmo, Diamanti apagado e alas que não se projetavam.

Na saída dos lesionados, Prandelli tentou reverter o quadro ao colocar Maggio e Giaccherini, mantendo o 4-2-3-1, mas de nada adiantou. 45 minutos para esquecer, com apenas uma finalização (e longe do gol), 37% da posse de bola e, no último lance, o esperado gol brasileiro. Na bola alçada à área, Fred cabeceou firme para a defesa de Buffon, porém no rebote Dante abriu o placar, mesmo em posição irregular.

Só após o intervalo a Itália mostrou algum sinal de melhora. Melhor postado taticamente, ganhando uma variação para o 4-3-2-1, o time logo conseguiu o empate. Aos 51, Maggio desviou lançamento de Buffon e Balotelli descolou lindo passe de calcanhar para Giaccherini, nas costas de Marcelo. O jogador da Juventus passou por Thiago Silva e chutou cruzado contra Júlio César, igualando o marcador. Marcador este que viria a ser mudado quatro minutos depois, em golaço de falta de Neymar.

Entre faltas e mais faltas, a Itália seguiu melhor no jogo, equilibrando a posse de bola e buscando mais o campo de ataque. Diamanti e Balotelli assustaram Júlio César, mas nada conseguiram. Até que a defesa azzurra falhou. Na saída de Buffon, o Brasil recuperou rápido a bola e Marcelo lançou Fred entre os perdidos e lentos Bonucci e Chiellini (vencendo este na força e velocidade), que chutou contra o gol de um desatento Buffon.

Ainda assim, o novo gol não afetou o melhor momento da Itália. Tanto que o time de Prandelli descontou o placar e ainda finalizou outras quatro vezes, sem sucesso. O segundo gol italiano saiu em lance polêmico. Na cobrança de escanteio, dois italianos foram puxados claramente e o árbitro assinalou a penalidade, mas logo em sequência Aquilani ajeitou para Chiellini descontar, fazendo o apitador uzbeque validar o gol e revoltar os brasileiros.

Antes, os azzurri reclamaram de um pênalti não marcado em Balotelli. E lamentaram quando, aos 80, a cabeçada de Maggio em cruzamento de Candreva acertou a trave de Júlio César. Oito minutos depois, os anfitriões ainda ampliariam novamente com Fred, em nova falha defensiva. Na saída de bola errada, Marcelo chutou com liberdade da entrada da área e Buffon soltou a bola nos pés do camisa 9 brasileiro, dando fim a qualquer reação italiana. A Itália não levava quatro gols desde os 4 a 0 da Espanha na final da Euro 2012.

Com a semifinal garantida, a Itália fica em segunda no grupo, com 6 pontos, oito gols pró e oito contra. À espera da Espanha, a Nazionale voltará a jogar somente na quinta-feira 27, em Fortaleza. Tempo para recuperar a condição física ruim dos jogadores e pensar numa forma de passar pelos algozes espanhois.

Confira os gols da partida aqui.

Ficha Técnica

COPA DAS CONFEDERAÇÕES - ITÁLIA 2x4 BRASIL
Estádio: Fonte Nova, Salvador (BA)
Data/Hora: 22/06/2013 - 16h (de Brasília)
Árbitro: Ravshan Irmatov (UZB)
Cartões Amarelos: Marchisio (ITA), David Luiz, Neymar, Luiz Gustavo (BRA)
Gols: Dante (45’+1), Giaccherini (51'), Neymar (55'), Fred (66'), Chiellini (71'), Fred (88')

Itália (4-2-3-1): Buffon; Abate (Maggio), Bonucci, Chiellini, De Sciglio; Montolivo (Giaccherini), Aquilani (Giovinco); Candreva, Diamanti (El Shaarawy), Marchisio; Balotelli. Técnico: Cesare Prandelli.
Brasil (4-3-3): Júlio César; Daniel Alves, Thiago Silva, David Luiz (Dante), Marcelo; Oscar, Luiz Gustavo, Hernanes; Hulk (Fernando), Fred, Neymar (Bernard). Técnico: Luiz Felipe Scolari.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

No sufoco e no cansaço

Gol salvador de Giovinco classificou a Itália para as semifinais da Copa das Confederações (Reuters)

Na segunda rodada da Copa das Confederações, Recife presenciou uma irreconhecível Itália de Prandelli, mas uma legítima Squadra Azzurra. Fazendo valer o velho clichê de que camisa pesa em momentos decisivos, o manto azzurro pareceu ter inspirado os comandados de Prandelli a buscarem um resultado quase impossível, numa das piores atuações coletivas desde a chegada do ex-treinador da Fiorentina após a Copa do Mundo de 2010.

Posse de bola de apenas 42%, quase 300 passes trocados a menos que na última partida, nove finalizações a menos que o Japão, adversário da vez, menos roubadas de bola e vários outros números que mostram bem a fraca atuação da Nazionale. Apesar disso, bastaram 20 minutos de cochilo japonês e despertar italiano para a partida dessa quarta-feira tomar rumo completamente diferente.

Em condição física longe do ideal e sofrendo com o clima quente e úmido do nordeste brasileiro, a Itália viu um Japão confortável e mais ligado que em relação à estreia. Marcando por pressão, neutralizando as principais peças italianas, trocando passes curtos em velocidade e com verticalidade, o time comandado pelo compatriota Zaccheroni teve o domínio de 75% do jogo, desmontando a equipe de Prandelli, que, sem muitas alternativas, se deu bem nas mudanças após uma escalação esquisita, com Maggio e Aquilani, dominados por Kagawa, Nagatomo e quem mais aparecesse pelo setor direito.

Com 37 minutos do primeiro tempo, os japoneses já estavam com 2 a 0 no placar e finalizado oito vezes contra o gol de Buffon, que fez quatro importantes defesas. Apesar disso, o gol que abriu o placar veio numa marcação questionável do árbitro ao marcar penalidade de Buffon sobre Okazaki, após erro do jovem De Sciglio na recomposição. Sempre na mira de clubes italianos, Honda, o destaque da partida, cobrou bem. Posteriormente, a defesa italiana voltou a cometer erros, quando Chiellini e Montolivo bateram cabeça e Kagawa aproveitou o vacilo acertando bonito chute de esquerda.

A reação italiana começou quando Prandelli, ainda no primeiro tempo, trocou Aquilani por Giovinco. Cansados, os japoneses deram o espaço que faltava aos italianos para buscar o resultado. Após o primeiro chute contra a meta de Kawashima, em cobrança de falta de Pirlo – o principal finalizador italiano, com cinco chutes, o que reflete bem a atuação italiana –, o próprio jogador da Juventus cobrou escanteio na medida para o preciso e forte cabeceio de De Rossi, que fez seu sexto gol na era Prandelli, todos na bola aérea. Aos 41 minutos, a Itália reacendia o jogo.

Logo depois, Giaccherini enfim deu às caras ao aproveitar o passe de Balotelli e acertou a trave japonesa, aos 46, assustando os nipônicos e quase dando o empate à Itália antes do fim do primeiro tempo. Melhor ajustado, o time do Belpaese seguiu com dominando na volta do intervalo. Aos 50, Giaccherini aproveitou o cochilo de Yoshida e tocou para Balotelli, livre, porém Uchida entrou no meio e marcou contra o próprio gol, empatando a partida. Tendo igualado o número de finalizações, o gol da virada veio em novo pênalti mal marcado, agora a favor da Itália, depois que o árbitro viu toque de mão de Hasebe. Na cobrança, Balotelli converteu e chegou ao décimo gol com a seleção principal, tornando-se o jogador mais jovem a chegar a tal marca ao lado do mítico Giuseppe Meazza.

Posteriormente, a Itália ainda chegou a obrigar Kawashima a defender as finalizações de Giovinco e Maggio pouco depois da virada. Porém, o time de Prandelli não voltaria a finalizar mais, até o gol da vitória, aos 86. Até lá, uma longa caminhada sob a pressão nipônica, que em cerca de 40 minutos finalizou mais 12 vezes, acertando a trave de Buffon em três ocasiões e vencendo o goleiro e capitão juventinos mais uma, com Okazaki. Na boa cobrança de falta de Endo, o baixinho se antecipou à Montolivo e subiu alto para cabecear e empatar o jogo aos 69. O Japão quase chegou à virada com Okazaki e Kagawa, que acertaram a trave em duas finalizações em sequência.

Prandelli havia mexido mais duas vezes, promovendo as entradas de Abate e Marchisio nos lugares de Maggio, mal pela direita, e Giaccherini, bem apenas nos 20 minutos de domínio italiano. Quando parecia que a Itália, totalmente pregada em campo, ia ceder aos japoneses, De Rossi deu passe em profundidade para Marchisio nas costas de Nagatomo e o camisa 8 passou para Giovinco, livre na pequena área, decretar a vitória que assegurou a Squadra Azzurra nas semifinais da Copa das Confederações, feito inédito para a Nazionale – esta é somente a segunda participação italiana na competição criada pela FIFA em 1992; em 2009, na África do Sul, a seleção acabou caindo na fase de grupos que também contava com o Brasil, ficando atrás do Estados Unidos.

Apesar do baixo rendimento na partida, especialmente na parte coletiva, num confuso 4-3-2-1 com Aquilani, que na fase defensiva virava 4-4-1-1, alguns merecem destaque individual. Certamente não são Prandelli, que dessa vez armou o time, e Aquilani, que recompunha mal a linha de marcação. O 4-4-1-1 foi desastroso, porque aumentava ainda mais o espaço para Okazaki, Honda e Kagawa aproveitarem, já que as duas linhas não tinham compactação, principalmente pelos zagueiros (muito confusos nessa quarta) estarem muito “afundados” no setor. 

Quem foi bem foi De Rossi, que vem de temporadas muito fracas pela Roma. Em campo, ele lembrou um pouco o jogador que esteve em Polônia e Ucrânia na Euro 2012 e foi o principal nome italiano na partida, dando ao menos um pouco de equilíbrio no meio de campo. Apesar de estar poucos minutos em campo, Marchisio entrou bem, deu o passe para o gol da vitória e pede por um lugar de volta ao time titular – provavelmente, voltará ao time no lugar de De Rossi, que estará suspenso contra o Brasil. Autor do quarto gol, Giovinco também entrou bem e pode vir a ser uma opção para Prandelli no próximo jogo.

Em contrapartida, muitos caíram de desempenho. A começar por Chiellini, que apesar de ter tido o maior número de desarmes e afastadas de bola (juntamente a De Sciglio), se posicionou mal e não lembrou o zagueiro firme e de boa leitura da Juventus. É a mesma situação de Barzagli, que também jogou mal contra os mexicanos. Pirlo foi quem mais tocou na bola entre os azzurri, e o que mais finalizou, porém criou poucas condições para seus companheiros finalizarem. Assim como Montolivo, muito bem contra o México, mas pouco participativo contra o Japão, mesmo com espaço para jogar. Balotelli tocou apenas 30 vezes na partida, cometeu três faltas, finalizou em apenas três oportunidades e pouco utilizou o pivô, mas compreende-se que o atacante foi pouco acionado.

De qualquer forma, ficou claro que a preparação física não foi ideal e o time sentiu bastante isto em Recife. Com a classificação encaminhada, a Nazionale enfrentará os anfitriões comandados por Felipão na terceira rodada no calor de Salvador no sábado, talvez pensando na liderança e em escapar da Espanha (caso estes confirmem o favoritismo), mas principalmente pensando na questão física nas semifinais – que serão realizadas na próxima semana, nos dias 26 e 27. Caso seja líder, a Itália jogará em Belo Horizonte, com clima mais ameno, diferentemente de Fortaleza, local da semifinal caso os italianos sejam vice-líderes do grupo.

Veja os sete gols da partida aqui.

Ficha Técnica
COPA DAS CONFEDERAÇÕES - ITÁLIA 4x3 JAPÃO
Estádio: Arena Pernambuco, Recife (PE)
Data/Hora: 19/06/2013 - 19h (de Brasília)
Árbitro: Diego Abal (ARG)
Cartões Amarelos: Buffon, De Rossi (suspenso) (ITA), Hasebe, Konno (JAP)
Gols: Honda (21’), Kagawa (33’), De Rossi (41’), Uchida (contra, 50’), Balotelli (52’), Okazaki (69’), Giovinco (86’)
Itália (4-3-2-1): Buffon; Maggio (Abate), Barzagli, Chiellini, De Sciglio; De Rossi, Pirlo, Montolivo; Aquilani (Giovinco), Giaccherini (Marchisio); Balotelli. Técnico: Cesare Prandelli.
Japão (4-2-3-1): Kawashima; Uchida (Hiroki Sakai), Yoshida, Konno, Nagatomo; Hasebe (Nakamura), Endo; Okazaki, Honda, Kagawa; Maeda (Havenaar). Técnico: Alberto Zaccheroni.

A clara evolução da sub-21 italiana

Insigne e Immobile, destaques do grande time da sub-21 italiana (Who Ate All The Pies)

Clubes dando maior atenção ao setor juvenil, jovens ganhando espaço no plantel principal na Serie A, uma segundona recheada de jovens talentos, e agora o vice-campeonato europeu sub-21. Depois de anos no ostracismo, com gerações pouco desenvolvidas ou simplesmente desvalorizadas, o futebol italiano parece entrar no caminho certo. Assim, os clubes ganham, os jogadores ganham, enfim, o futebol do Belpaese, no fim das contas, sai vitorioso.

O vice em Israel empolga, sim. Apesar da dramática derrota na final, o time de Mangia merece todos os créditos. Mesmo após a tranquila classificação para a Euro sub-21, os azzurrini desembarcaram na “Terra Santa” sem favoritismo, mas não desacreditados. Um time idealizado e coordenado pelo mítico Arrigo Sacchi, coordenador técnico das seleções de base italianas, montado por Ciro Ferrara e aprimorado por Devis Mangia. Ambos da nova safra de jovens treinadores de Coverciano - outro passo importante na reestruturação do futebol nacional.

Com um 4-4-2 (a base) ao melhor estilo Sacchi, com valorização da posse de bola, mas, fundamentalmente, marcando em zona e por pressão, apresentando também verticalidade e eficiência, a Itália encantou. Faltou eficiência na estreia, contra os poucos criativos ingleses, mas o time italiano teve uma atuação equilibrada, com o domínio de todos os setores. A defesa toda formada por jogadores formados na Inter atuou corretamente, enquanto o talentoso meio-campo mesclado ditou o ritmo do jogo, fornecendo boas condições para os atacantes marcarem. O gol da vitória, porém, só veio em bela cobrança de falta de Insigne, aos 79.

No confronto contra os anfitriões israelenses, atuação de gala dos comandados de Mangia, com um convincente 4 a 0. Sem Marrone, machucado, o versátil Florenzi foi para o centro e foi o principal italiano em campo ao lado do maestro Verratti e do reserva Gabbiadini, que aproveitou bem as qualidades de seu parceiro de ataque, Immobile, e marcou uma doppietta. Com a vaga na semifinal garantida, oportunidade para os “reservas” contra uma Noruega também quase garantida. Outra boa atuação, e mais uma vez a dificuldade em converter o domínio e as oportunidades em gols. E por pouco a liderança não veio, já que os noruegueses abriram o placar aos 90, em cobrança de pênalti, mas Bertolacci empatou aos 94, garantindo o primeiro lugar no grupo.

Na semifinal em Petah Tikva, a Itália teve a oportunidade de confirmar a boa campanha realizada em Tel Aviv. Contra os talentosos holandeses, um interessante duelo entre duas escolas diferentes. Os garotos da Oranje neutralizaram as principais virtudes italianas, bloqueando Verratti e as saídas laterais, com Insigne e Florenzi. Sem o domínio da posse de bola, o time de Mangia soube controlar o domínio territorial e contou com outra boa atuação da defesa. No centro da zaga, Bianchetti e Caldirola foram firmes, enquanto Donati e Regini (no lugar de Biraghi devido ao “contexto”) tiveram vitória nas constantes diagonais holandeses, e o goleiro Bardi foi feliz nas defesas. No contra-ataque, os azzurrini chegaram a criar algumas chances, até o gol decisivo de Borini, até então sumido no torneio. A Itália enfrentaria a Espanha na final, reeditando a final da Euro principal.

Em Jerusalém, porém, a grande superioridade espanhola prevaleceu. O talento individual e coletivo de uma base muito bem administrada por mais tempo e com mais qualidade fez a diferença. Sem dispor uma variação tática ou alternativa, o time de Mangia acabou neutralizado pelo tiki-taka espanhol, que abriu o placar logo aos 3 minutos, com Thiago Alcântara, em jogada individual de Morata pela esquerda. Sem saída pelo centro com Rossi (Marrone, machucado, fez falta) e Verratti, apagado na fase final, nem pelos lados com Donati, Regini, Florenzi e Insigne, o beque Bianchetti descolou bonito lançamento para Immobile nas costas da defesa espanhola aos 10. O centroavante azzurro dominou e venceu De Gea, empatando uma partida dominada pela Espanha.

Os ibéricos seguiram no controle e voltaram a ampliar 20 minutos depois. Novamente com Thiago, em outro equívoco do capitão Caldirola, após enfiada de bola de Koke. Pouco depois, um pênalti mal marcado decretou o triunfo espanhol ainda na primeira etapa – o ótimo desarme de Donati foi considerado pelo árbitro como faltoso. Na cobrança, o hispano-brasileiro Thiago, filho de Mazinho, marcou sua tripletta na final.

A melhora italiana na volta do intervalo de pouco adiantou, quando aos 66 outro pênalti foi marcado, após Regini atropelar Montoya. O craque e principal dor de cabeça para a marcação azzurra, Isco, ampliando a vantagem. A Itália até reagiu, mas tarde demais: aos 79, Borini marcou bonito gol após (raro) lance individual de Insigne. Apesar da pressão no final, o placar não se alterou e a Espanha se sagrou tetracampeã da Euro sub-21, justamente sobre a maior campeã do torneio, a pentacampeã Itália, que caiu de pé. E que deve continuar seu ótimo trabalho nos próximos anos.

Notas

Goleiros: Bardi (8, Inter), Colombi (-, Atalanta) e Leali (-, Juventus);
Defensores: Donati (9, Inter), Biraghi (7, Inter), Capuano (6, Pescara), Caldirola (7, Cesena), Bianchetti (8, Inter e Verona) e Regini (6, Empoli);
Meio-campistas: Verratti (7, PSG), Florenzi (9, Roma), Marrone (8, Juventus), Insigne (8, Napoli), Bertolacci (6, Genoa), Saponara (7, Empoli), Rossi (6, Brescia) e Crimi (7, Grosseto);
Atacantes: Immobile (8, Genoa), Gabbiadini (8, Bologna), Destro (6, Roma), Sansone (6, Parma), Paloschi (-, Chievo) e Borini (7, Liverpool).

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Levando a sério

Decisivo, Balotelli brilhou no Maracanã (O Povo)
Muitas vezes as seleções que disputam a Copa das Confederações entram em campo pensando mais em fazer testes do que em conseguir resultados. Afinal, do ponto de vista futebolístico, o título da competição não vale muito. Porém, a Itália chegou ao Brasil mostrando que, além de fazer testes, quer ganhar alguma coisa.

Na estreia, contra o México, a Squadra Azzurra jogou com muita seriedade. Como tem sido praxe com Cesare Prandelli em jogos oficiais, a equipe entra em campo pensando em conseguir um bom resultado, sem a sonolência e desinteresse dos amistosos – como foi no 4 a 0 ante San Marino e no 2 a 2 frente ao Haiti. A seriedade foi tanta que Prandelli modificou o time taticamente para acomodar os jogadores mais bem preparados, protegendo também a defesa.

Com a mudança tática de Prandelli, a Itália deixou o 3-5-2 que vinha utilizando e enfrentou El Tri no 4-3-2-1. Balotelli era o único atacante, apoiado por Marchisio e Giaccherini. Mais atrás, De Rossi, Montolivo e Pirlo completavam um trio de habilidade técnica e tática. Pirlo, inclusive, atingia uma marca histórica: 100 jogos com a camisa da seleção. Justamente em um estádio de tantas histórias como o Maracanã.

Frente a um estádio lotado, mas dividido meio a meio entre apoiadores da Itália e do México, a equipe azzurra deu o tom do jogo no início, mantendo a posse de bola no campo adversário e ameaçando sempre com Balotelli. Guardado respondeu, acertando a trave. 

O primeiro gol, no entanto, aconteceu aos 26 minutos. Baloteli sofreu falta na intermediária e Pirlo cobrou magistralmente, sem dar chance a Corona, que até pulou, mas quando percebeu que não chegaria na bola, recolheu os braços para evitar o impacto com a trave. Pirlo ainda havia sofrido pênalti claro, minutos antes, mas o árbitro Enrique Osses não marcou. O chileno, no entanto, marcou pênalti claro de Barzagli sobre Giovani dos Santos, depois que o defensor se atrapalhou na saída de bola e perdeu para o atacante. Na cobrança, Chicharito Hernández converteu, batendo bem.

No final da primeira etapa, os mexicanos cresceram no jogo, muito porque estavam fisicamente mais inteiros que os italianos, mas Buffon não chegou a trabalhar. No segundo tempo, o jogo ficou mais igual, embora Montolivo e De Rossi participassem um pouco mais do jogo ao lado de Pirlo. Marchisio e Giaccherini produziam pouco e a Itália não chegava com perigo. A entrada de Cerci no lugar de Marchisio não mudou o esquema, mas deu um pouco mais de mobilidade ao time. Até que, em bola lançada à área, Balotelli ganhou de Rodríguez no corpo e definiu a partida, aos 32 do segundo tempo. 

Após o jogo, Prandelli criticou a comemoração de Balotelli, que tirou a camisa e levou um bobo cartão amarelo – na Copa das Confederações, apenas dois cartões suspendem um atleta. Uma crítica válida e aceita pelo atacante (que deixou o campo ovacionado), uma vez que ele e Pirlo são os dois principais jogadores da seleção. Decisivos e indispensáveis para Prandelli.

Confira os gols do jogo aqui.

Ficha Técnica
COPA DAS CONFEDERAÇÕES
MÉXICO 1x2 ITÁLIA
Estádio: Maracanã, Rio de Janeiro (RJ)
Data/Hora: 16/06/2013 - 16h (de Brasília)
Árbitro: Enrique Osses (CHI)
Cartões Amarelos: Barzagli, Balotelli. De Rossi (ITA), Moreno (MEX)
Gols: Pirlo (26), Chicharito (33) e Balotelli (77)
México: Corona; Flores, Rodríguez, Moreno, Salcido; Aquino (Mier), Zavala (Jiménez), Torrado, Guardado; Giovani dos Santos, Chicharito. Técnico: José Manuel de la Torre.
Itália: Buffon; Abate, Barzagli, Chiellini, De Sciglio; De Rossi, Pirlo, Montolivo; Marchisio (Cerci), Giaccherini (Aquilani); Balotelli (Gilardino). Técnico: Cesare Prandelli.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Os melhores da Serie A 2012-13

Ao longo das últimas semanas, analisamos a temporada dos 20 clubes que disputaram a Serie A em um especial dividido em duas partes (parte 1 aqui e parte 2 aqui), destacando os principais pontos de cada equipe, além dos destaques e fracassos individuais dos elencos. Falamos também sobre as principais revelações do campeonato. Encerrando este review da temporada, só nos resta montar a seleção dos melhores do campeonato e também atribuir prêmios por desempenhos individuais.

As equipes do Quattro Tratti e da Trivela votaram, juntamente com alguns dos mais prestigiados jornalistas especialistas brasileiros e estrangeiros para escolher a seleção da temporada recém-finalizada da Serie A, e foram escolhidos também os melhores da temporada em seis categorias. Agradecemos a cada um dos participantes desta votação e também a você, leitor, que nos acompanha diariamente. O blog continua ativo durante a Copa das Confederações e também acompanha o mercado de transferências, que está perto de reabrir. Agradecemos a todos os que votaram e a todos os leitores que nos acompanharam ao longo da temporada. Vamos, agora, ao que interessa!

Publicado também na Trivela.
Em grande fase, chileno Vidal quer até a 10 de Del Piero (AFP)
Arturo Vidal
Prêmios: Melhor jogador e Melhor meio-campista

Vidal chegou à Juventus em 2011 para ser titular e não largou o posto desde então, tornando-se cada vez mais e mais fundamental à equipe. Jogando na centro-direita do fortíssimo meio-campo juventino, o chileno assumiu duas responsabilidades. A primeira, foi brilhar no lugar de Pirlo, que ainda fez um bom campeonato, mas sem a mesma intensidade da última temporada. A segunda foi ser o artilheiro da equipe, mesmo jogando mais atrás. 

Com isso, Vidal se tornou o principal jogador da equipe, em campo e também nos números: foram 10 gols e 8 assistências em 31 partidas pela Serie A, além de outros três gols na Liga dos Campeões e um na Supercoppa Italiana. Ao todo, foram 45 partidas e 15 gols (média de um a cada três jogos), números que o fizeram ser eleito pela torcida como o Jogador do Ano. E que, além de valorizá-lo, fazem-no pedir pela camisa 10 que era de Del Piero. Será que conseguirá?

Jovem, mas maduro, Marquinhos foi uma das sensações do futebol italiano (Getty Images)
Marquinhos
Prêmio: Melhor jogador brasileiro

Brasileiros não andam muito em alta na Itália, é verdade. Mas a eleição de Marquinhos foi incontestável, embora Hernanes também tenha feito uma boa temporada. Com apenas 18 anos, o ex-jogador do Corinthians chegou à Roma por empréstimo e, caso fizesse oito partidas, deveria ser contratado em definitivo. Isso não demorou a acontecer, porque já a partir de outubro, nas primeiras rodadas do campeonato, ele conseguiu um posto de titular.

Ao todo, Marquinhos fez 26 partidas no campeonato – passou um período machucado e chegou a ser considerado grave desfalque para o dérbi contra a Lazio, mas se recuperou e foi para o jogo – e foi tido como fundamental para a Roma, que não liberou o jogador para o Mundial sub-20. Embora tenha feito parte de uma das piores defesas do campeonato, sempre foi muito bem individualmente, jogando com muita habilidade na antecipação aos adversários e também em recuperações, muito por causa de seu posicionamento tático privilegiado. Comprado por uma pechincha, vale mais de 20 milhões de euros, pode se valorizar mais e é zagueiro para anos de titularidade na Roma e para integrar o grupo da Seleção.

Paredão da Inter, Handanovic evitou vexame pior na temporada azul e preta (Getty Images)
Samir Handanovic
Prêmio: Melhor goleiro

Na categoria goleiro, a disputa entre Handanovic e Marchetti foi dura. Ambos foram mais responsáveis pela "redução de danos" em suas equipes do que propriamente garantidores de objetivos. Marchetti conseguiu vencer a Coppa Italia com a Lazio, mas Handanovic acabou sendo mais exigido e foi mais espetacular ao longo da temporada. Enquanto o jogador da equipe romana teve uma boa defesa à disposição, o interista teve seu trabalho dificultado por uma zaga mal postada taticamente, com muitas falhas individuais. O esloveno foi um dos cinco goleiros mais exigidos do campeonato, de acordo com estatísticas do jornal Corriere dello Sport.

Handanovic chegou à Inter após cinco grande temporadas como titular da Udinese, para sua primeira chance em um gigante europeu – já havia passado por um grande clube, a Lazio, mas era reserva. Na Inter, se colocou em evidência em 48 jogos (35 deles na Serie A), fazendo grandes defesas e liderando uma defesa confusa. Teve como atuações de destaque duas grandes partidas contra o Milan, uma contra a Roma e duas contra o Tottenham na Liga Europa. Hoje, está no grupo dos melhores goleiros do mundo e vale mais de 20 milhões de euros.

Depois de passagem ruim no Wolfsburg, Barzagli evoluiu na Juve (Image Sport)
Andrea Barzagli
Prêmio: Melhor zagueiro 

É difícil ver jogadores com mais de 30 anos evoluírem no futebol e Barzagli é um desses raros exemplos. O zagueiro se transferiu para o Wolfsburg, da Alemanha, em 2008, depois de ótimos anos no Palermo, que lhe garantiram convocações para a seleção italiana – inclusive, fez parte do grupo que foi tetracampeão mundial, em 2006. Pelos Lobos, apesar de ter conquistado uma Bundesliga, seu futebol caiu muito e ele acabou perdendo seu lugar na seleção. 

Tanto é que retornou para a Itália em janeiro de 2011, em um período no qual a Juventus passava por muitas dificuldades e fazia contratações pouco badaladas – ele custou apenas 300 mil euros . Pouco mais de dois anos depois, ele é titularíssimo da Velha Senhora e da seleção. Jogando pelo lado direito da linha de três zagueiros da equipe de Conte, Barzagli se transformou no coordenador do setor. Foi um dos líderes de roubadas de bola e interceptações na Serie A e ainda se destacou muito pela eficiência no posicionamento e nas jogadas aéreas, além de ser um bom passador. Aos 32 anos, se tornou um zagueiro completo.

Apoiado por Hamsík, Cavani marcou muitos gols e se sagrou artilheiro da Serie A (Caught Offside)
Edinson Cavani
Prêmio: Melhor atacante

São três temporadas consecutivas marcando mais de 30 gols por temporada, sempre mais de 20 na Serie A. Com essa média, Cavani vai se aproximando com muita rapidez ao recorde estabelecido por Maradona em Nápoles. Só isso faz do uruguaio um dos maiores jogadores da história do clube partenopeo, e também um dos grandes matadores da história da Serie A. Neste campeonato, o que impressionou foi o fato de que Cavani nem jogou tanto o quanto poderia. Mal fisicamente em boa parte da primeira metade da temporada, ele não deixou de marcar gols em momento algum. Talvez, se estivesse 100% por mais tempo, teria se juntado a Toni como o único atacante a fazer 30 ou mais gols na Serie A desde a década de 1950. Parou nos 29.

Claro, o trabalho de Cavani, que além de fazer gols de todas as formas, ainda ajuda na defesa e na construção das manobras ofensivas do Napoli foi facilitado pelo grande entrosamento do time e pelo fato de os outros jogadores jogarem para ele. Hamsík foi, mais uma vez, o grande protagonista entre os coadjuvantes, e também merece parte dos méritos pelo desempenho do Matador. Agora, com Rafa Benítez, Cavani continuará no San Paolo? Se não ficar, ao menos o Napoli ficará com mais de 60 milhões de euros em caixa.

Sem cerimônias, Pogba obrigou Conte a modificar esquema do time e ameaçou titularidade de Marchisio (AP)
Paul Pogba
Prêmio: Revelação do campeonato

Todos ouviam falar bem de Pogba desde que Sir Alex Ferguson pediu o jovem do Le Havre para seu Manchester United e gerou polêmica por suposto aliciamento do jogador. Esperta, a Juventus também viu potencial no jogador e o contratou a custo zero, após fim de contrato com os Red Devils. O custo-benefício já foi grande e tende a aumentar cada vez mais, porque Pogba provou que pode ser um dos melhores meio-campistas do futebol europeu por anos.

O francês foi contratado para ser reserva de Pirlo, mas logo achou outro espaço no meio-campo bianconero. Após sua estreia, contra o Chievo, na qual foi muito bem, começou a atuar mais na centro-esquerda da linha de cinco da Juventus, relegando um apagado Marchisio a um posto de coadjuvante. Com muita personalidade e um físico privilegiado, Pogba corre durante uma partida inteira com facilidade, marcando e criando jogadas. Além disso, é um meia que faz gols: é bom pelo alto e nos chutes à distância – marcou dois golaços chutando de fora da área. No fim da temporada, devido ao mau rendimento dos atacantes, Conte preferiu alterar o esquema para um 3-5-1-1, adiantando Marchisio, e acomodando Pogba mais recuado. Ao todo, fez 27 partidas e marcou cinco gols. Números que tendem a aumentar.

Seleção da Serie A 2012-13
Handanovic (Inter); Barzagli (Juventus), Marquinhos (Roma), Chiellini (Juventus); Cuadrado (Fiorentina), Vidal (Juventus), Pirlo (Juventus), Valero (Fiorentina), Hamsík (Napoli); Di Natale (Udinese), Cavani (Napoli). Técnico: Montella (Fiorentina).

Menções honrosas
Goleiros: Marchetti (Lazio) e Buffon (Juventus)
Defensores: Campagnaro (Napoli), De Sciglio (Milan) e Pasqual (Fiorentina)
Meias: Montolivo (Milan), Cerci (Torino) e Lamela (Roma)
Atacantes: Balotelli (Milan) e Totti (Roma)
Técnicos: Conte (Juventus) e Guidolin (Udinese)

Votantes da seleção da temporada
Anderson Moura (Quattro Tratti)
André Rocha (ESPN)
Antonio Labbate (Football Italia)
Arthur Barcelos (Quattro Tratti)
Braitner Moreira (Correio Braziliense)
Caio Dellagiustina (Quattro Tratti)
Cleber Gordiano (Quattro Tratti)
Cristiano Acconci (Who Scored?)
Daniel Leite (God Save The Ball/iG)
Daniele Monti (Sportv/SkySport Itália)
Felipe Lobo (Trivela)
Felipe Rolim (Esporte Interativo)
Gian Oddi (ESPN)
Giancarlo Rinaldi (Football Italia)
Ivan Zazzaroni (RAI/ZazzaGol)
Julian De Martinis (ESPN FC)
Leandro Stein (Trivela)
Ledio Carmona (Sportv)
Leonardo Bertozzi (ESPN)
Mauro Cezar Pereira (ESPN)
Michel Costa (Além das 4 Linhas)
Murillo Moret (Quattro Tratti)
Nelson Oliveira (Quattro Tratti)
Paolo Bandini (Guardian)
Pedro Spiacci (Quattro Tratti)
Rafael Almeida (ESPN)
Rafael Oliveira (Esporte Interativo)
Rodrigo Antonelli (Quattro Tratti)
Serafino Ingardia (Football Italia) e
Vitor Sergio Rodrigues (Esporte Interativo).