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quarta-feira, 31 de julho de 2013

Com que roupa eles vão

Entra ano, sai ano, e as equipes mudam seus uniformes para buscar vendas e incremento nos lucros. Alguns times fazem isso radicalmente e outros de forma conservadora, e na Itália não poderia ser diferente: tem equipe que mal mexeu nos uniformes e outras que ousaram completamente. Aproveitamos o ensejo para apresentar, aqui, os uniformes das equipes que disputarão a Serie A 2013-14. Confira!

*Atualizado no dia 16 de agosto.

Atalanta
Ainda com os mesmos patrocinadores e fornecedor esportivo, os uniformes da Atalanta mudaram bastante. A começar pelas listras do primeiro uniforme, que ficaram mais finas, com três azuis e quatro pretas, ao invés de apenas duas azuis e uma preta ao centro, como na temporada passada. Mais, novidade maior é o segundo uniforme, que será amarelo e preto. A terceira camisa segue praticamente idêntica.

Bologna
O primeiro uniforme permanece como o da temporada passada, com mudanças apenas em alguns detalhes na altura dos ombros. O segundo, porém, será bem diferente, com a cor predominante sendo ainda o branco, mas os detalhes vermelhos e azuis deixam de ficar na altura dos ombros e passam a formar uma linha diagonal do ombro esquerdo até a cintura. O terceiro uniforme deixa de ser cinza e passa a ser verde florescente. O fornecedor esportivo e o patrocinador master seguem os mesmos.

Cagliari
  
Quase nenhuma mudança significativa em três dos quatro uniformes do clube sardo. Os uniformes um, três e quatro são praticamente idênticos ao da temporada passada, com alterações em pequenos detalhes como a gola. Mas o uniforme dois ganhou duas listras paralelas diagonais atravessando o tronco do ombro esquerdo à cintura, uma azul e outra vermelha.

Catania
Na apresentação oficial, a camisa rossoazzurra não mostrou patrocinador master, apenas o fornecedor esportivo, mesmo da temporada passada. A primeira camisa apresenta o escudo um pouco mais alto, próximo ao ombro esquerdo. As listras permanecem na mesma largura, mas a listra na qual está o escudo é mais larga e segue até o calção. A segunda, branca, tem os detalhes azuis e vermelhos à altura do peito e não mais as duas listras em formato de cruz. A terceira é toda vermelha, sem maiores detalhes.

Chievo Verona
A primeira camisa, apresentada sem patrocinadores, segue praticamente a mesma. O segundo uniforme, porém, deixa de ser branco, para ser cinza. O terceiro uniforme, ao invés de verde e amarelo, será verde e preto. Os dois uniformes de visitantes seguem carregando a Escada de Prata, símbolo da cidade de Verona, ao invés do escudo do clube. As três versões carregam ilustrações históricas referentes a CanGrande I della Scala, senhor de Verona no século XIV e figura que mais representa a comunidade – é ele montado no cavalo, na figura da primeira camisa.

Fiorentina
Poucas mudanças. O patrocinador master e o fornecedor esportivo são os mesmos. O escudo muda de lugar: sai do centro do peito para o lado esquerdo do peito. O terceiro uniforme, que mal chegou a ser usado na última temporada, deixa de ser dividido ao meio com as cores vermelho e branco e volta a ser cinza.

Genoa
No uniforme titular, praticamente nenhuma mudança. A camisa visitante, porém, perde as duas listras horizontais azul e vermelha que atravessavam o peito, e será completamente branca. Ambas as vestimentas ainda carregam abaixo do escudo do Grifone a célebre frase de “O clube mais antigo da Itália”, no ano em que completa seus 120 anos de existência.

Hellas Verona
Retornando à Serie A depois de 12 anos, o Verona volta em grande estilo. Após seis anos com a Asics como fornecedora esportiva, o clube veronês retorna à elite com uma das mais prestigiadas marcas esportivas do mundo: a Nike. O tradicional clube terá o primeiro uniforme com uma tom de azul mais escuro do que o habitual e com uma faixa vertical amarela do lado esquerdo do peito, do ombro à cintura. O segundo é o tradicional conjunto todo amarelo, com poucos detalhes. A novidade é um terceiro uniforme, todo preto e com detalhes em amarelo.

Internazionale
Outro que teve poucas alterações. A camisa titular tem as listras um pouco mais estreitas e um tom de azul mais escuro. O patrocinador master segue o mesmo, assim como o fornecedor esportivo. A camisa visitante, porém, deixa de ser vermelha e volta a ser branca, muito similar à utilizada em 2009-10. A bandeira de Milão será carregada como detalhe na parte de trás, no interior da camisa.

Juventus
A campeã traz listras bastante estreitas na camisa titular, como as camisas do início da década passada, e quase idêntica à camisa com a qual disputou a Serie B. O scudetto segue no centro do peito, mas o escudo vem sem detalhes como a inscrição “30 em campo” e as duas estrelas. Já a camisa visitante muda drasticamente. De preto, ela passará para amarelo e bermudas azuis, fazendo menção ao uniforme da última conquista da Liga dos Campeões do clube, em 1996. O scudetto passa ao lado direito do peito.

Lazio
A única mudança da camisa titular é a adição da roseta de campeã da Copa da Itália. Já a segunda camisa deixa de ser preta com a listra horizontal azul clara atravessando o peito, para uma camisa azul marinho com linhas azul claro atravessando a camisa de cima a baixo. A terceira camisa, ao invés de branca, será amarela, sem maiores detalhes.


Livorno

Retornando à elite depois de três temporadas na Serie B, o Livorno fez uma grande festa para apresentação da equipe e de seus novos uniformes. Na cerimônia em que 4 mil torcedores jantaram e festejaram com o elenco, os novos uniformes amarantos foram revelados. A primeira e a segunda camisa seguem iguais às da temproada passado, com a primeira no tradicional grená e a segunda branca, com mais detalhes em grená. Mas a terceira, que mais mudou, deixa de ser amarela e será cinza, com detalhes grená.


Milan
A primeira camisa tem as listras mais estreitas, lembrando um pouco a camisa da última conquista da Liga dos Campeões do clube, em 2007. As listras características do fornecedor esportivo que atravessam os ombros deixam de ser brancas e serão douradas. A camisa visitante abandona as listras vermelho e preto que atravessavam o peito e terá apenas duas linhas em formato de “V” descendo dos ombros. A terceira camisa, ao invés de preta, será dourada e novamente carregando uma menção à bandeira da Itália no lado direito do peito.

Napoli
Na primeira camisa, poucas mudanças, apenas detalhes na gola e nas mangas e a saída da roseta da Copa da Itália. A segunda deixa de ser o branco com as duas listras azuis verticais da gola até a cintura, e volta a ser predominantemente amarela, como foi em 2012, mas com uma faixa azul clara diagonal, atravessando do ombro esquerdo até a cintura. Mas a maior mudança é na camisa três. O discreto azul marinho com detalhes em azul claro, dá lugar a um estilo camuflado, como um uniforme militar. Ela foi batizada “Camo Fight” (as outras são Azzurro Force e Yellow Power) e espera-se que seja o sucesso de vendas do clube na temporada, classificada como uma “novidade histórica absoluta”. Com menos de 24 horas após o lançamento, todos os exemplares da mesma colocados à venda se esgotaram e pouquíssimos exemplares dos outros dois modelos foram vendidos.

Parma
No ano do centenário, a principal mudança é a estilização feita com o número 100 acima do escudo. A camisa visitante permanece preta, mas, ao invés da característica cruz branca, ela trará duas listras em diagonal, do ombro esquerdo até a parte direito do quadril, nas cores azul e amarela. A terceira também tem as mesmas cores, azul e amarela, mas ao invés das listras horizontais se alternando, ela terá o desenho xadrez com quatro quadrados ocupando todo o espaço frontal da camisa.

Roma
Talvez o uniforme mais inusitado da temporada. Sem patrocinador e sem fornecedor esportivo, os giallorossi contrataram a Asics para fazer os uniformes, sem contrato de patrocínio. Os romanos usarão uma camisa simples na tradicional cor vinho, com detalhes amarelos na gola e na manga. Nada mais. O escudo também é novo, está remodelado. A camisa visitante deverá ser idêntica, mas na cor branca.

Sampdoria
Assim como fez na temporada passada, o uniforme blucerchiato busca resgatar a memória de anos de conquistas do clube. Depois de reviver, na temporada passada, o uniforme do fim da década de 80, que tinha o escudo no ombro esquerdo, o time resgata um uniforme semelhante ao da temporada 94-95, após a conquista do último título do clube, a Copa da Itália de 94. O escudo volta ao lado esquerdo do peito e o patrocinador master permanece acima das listras horizontais blucerchiate que atravessam o tórax.

Sassuolo

Em sua estreia na Serie A, o time emiliano apresentou poucas alterações no design das novas camisas. As camisas um - listrada em verde e preto - e dois - branca - tiveram poucas alterações, como a passagem do escudo, que era no meio do peito, para o lado esquerdo, em ambos os modelos. A novidade, porém, fica com um terceiro conjunto, na cor azul, com o qual o time venceu o Trofeo Tim na pré-temporada.

Torino
Talvez os conjuntos de uniformes que menos mudaram. A única mudança majoritariamente perceptível é na gola da camisa titular. Esta traz uma gola branca bem destacada no uniforme grená.

Udinese
A camisa titular é praticamente a mesma. Já a camisa visitante deixa o azul celeste e volta a ser laranja, como foi na temporada 2011-2012. O terceiro uniforme abandona o preto com detalhes em verde e passa a ser listrado verticalmente em cinza e preto. O fornecedor esportivo deixa de ser a Legea e passa a ser a HS Football. O patrocinador master segue o mesmo. Acima do número, os dizeres “A paixão é a nossa força”.

Cagliari, Livorno e Sassuolo ainda estão por divulgar suas camisas.

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Fique de olho: eles explodirão na Serie A 2013-14

O futebol italiano está rejuvenescendo. Por aqui já falamos várias vezes dos tantos jovens que ganharam espaço no Belpaese, seja na Serie A, seja na Serie B, além do bom desempenho nas categorias de base com um projeto interessante delegado por Demetrio Albertini, Gianni Rivera, Cesare Prandelli, Arrigo Sacchi, Maurizio Viscidi, Luigi Di Biagio, Alberigo Evani e entre outras figuras.

Bonaventura e Livaja na Atalanta, Krhin e Taïder no Bologna, Ekdal no Cagliari, Bellusci no Catania, Paloschi e Stoian no Chievo, Savic e Ljajic na Fiorentina, Perin, Cofie e Bertolacci no Genoa, Kovacic, Juan Jesus, Icardi, Belfodil e Álvarez na Inter, Pogba, Ogbonna e Marrone na Juventus, Onazi, Felipe Anderson e Kozák na Lazio, Balotelli, El Shaarawy e De Sciglio no Milan, Insigne no Napoli, Biabiany e Sansone no Parma, Strootman, Lamela, Florenzi e Destro na Roma, Obiang, Krsticic, Mustafi e Gabbiadini na Sampdoria, Darmian e Immobile no Torino, Muriel, Allan e Pereyra na Udinese, enfim, todos estes são bons exemplos de jovens jogadores que hoje são realidade e, em alguns casos, fundamentais em seus clubes.

E como não poderia deixar de ser diferente, uma gama de garotos começa a aparecer para a próxima temporada. A Serie A 2013-14 promete ser ainda mais disputada, voltando a ter qualidade e grandes jogadores, mas, sobretudo, mais jovem. Sendo assim, selecionamos 11 jogadores que irão disputar esta Serie A e que podem figurar entre os destaques e revelações do campeonato.

Chegando ao Milan, Saponara terá a chance de ser o dono da bola no meio-campo
Riccardo Saponara
Idade: 21 anos (21.12.1991)
Posição: meia-atacante
Clube: Milan

Adriano Galliani parece realmente disposto a dar espaço aos jovens em Milanello. Depois de anos investindo pesado em grandes nomes, o dinheiro agora é escasso e as normas do Fair Play Financeiro da Uefa são mais uma dor de cabeça para o Diavolo. Dessa forma, reconhecer a boa base e investir nos garotos é uma ótima saída para o tradicional clube milanês. Hoje o elenco conta com Balotelli, El Shaarawy, Poli, De Sciglio, Niang, Gabriel, Vergara, Cristante e Petagna (estes últimos, pratas da casa) e a grande aposta do clube milanês após Balotelli e El Shaarawy é o romanholo Saponara. Comparado a Kaká, o meia-atacante se desenvolveu em três clubes de sua região até chamar a atenção do Empoli em 2009, sendo promovido ao elenco principal em 2010, quando já começou a mostrar bom futebol sempre entrando no decorrer dos jogos. Na temporada 2011-12 se tornou titular e peça importante na seleção sub-21 de Ferrara.

Mas foi em 2012-13 que o garoto passou a chamar atenção no Belpaese. Sob o comando de Maurizio Ferri, o meia/ponta-direita passou a jogar como trequartista no 4-3-1-2 atrás dos veteranos Maccarone e Tavano e encantou na Serie B. Em 40 jogos pelos azzurri na temporada, foram 13 gols e 15 assistências, além de boa participação na Itália de Mangia no Europeu sub-21 – embora como reserva. Tal desempenho fez o Milan adquiri-lo em co-propriedade com o Empoli em janeiro deste ano por 4 milhões de euros, e agora Saponara foi integrado ao grupo de Allegri. Vestirá a camisa 8 de Dino Sani, Bigon, Capello, Rijkaard, Desailly e Gattuso. No projeto de voltar ao 4-3-1-2, os rossoneri depositam muita fé no garoto da Emília-Romanha, mesmo com a concorrência de Boateng, Robinho e, provavelmente, Honda a partir de janeiro. Veja vídeo.
Denis Alibec
Idade: 22 anos (05.01.1991)
Posição: atacante
Clube: Bologna

Contratado pela Inter em julho de 2009, ainda com 18 anos, Alibec terá no Bologna a oportunidade de enfim fazer seu nome na Itália. O romeno teve destaque em 2010 com o time Primavera ao marcar dez gols no campeonato da categoria e fazer uma doppietta na Champions Challenge sub-18 contra o Bayern Munich – como Milito faria dias depois na final da Champions League –, mas teve poucas chances com José Mourinho e Rafa Benítez.

Emprestado a Mechelen e Viitorul Constanta entre 2011 e 2013, o atacante também não recebeu muitos minutos para evoluir. Agora de volta a Itália, terá com Stefano Pioli um bom professor para crescer e mostrar suas qualidades – uma canhota poderosa, força física e ousadia. No 4-2-3-1 de Pioli, Alibec vem treinando na pré-temporada, e mostrando bom futebol, como ponta-esquerda (no lugar de Manolo Gabbiadini, agora na Sampdoria).

Dejan Lazarevic
Idade: 23 anos (15.02.1990)
Posição: ponta-direita/esquerda
Clube: Chievo

Veloz e habilidoso, Lazarevic tem características peculiares para o futebol italiano e por isso chama a atenção, menos do Genoa, ao que parece. O esloveno desembarcou em Gênova ainda com 17 anos, teve bom desempenho com os times Berretti e Primavera, porém só teve míseros 16 minutos na Serie A. Hoje já é quase um veterano da Serie B, com quase 100 partidas realizadas, onde atuou por Torino em 2010-11, Padova em 2011-12 e Modena em 2012-13, sempre com destaque e rendendo convocações para a seleção principal da Eslovênia.

Antes estava em co-propriedade entre Genoa e Padova, mas o clube da Ligúria o readquiriu em 2012 e nesta janela o Chievo comprou metade de seu passe, assinando um contrato até 2017. Em Verona será treinado por Giuseppe Sannino, um “sacchiano” convicto e que sempre trabalha com o 4-4-2. Assim, aberto pelo flanco esquerdo, se espera que o esloveno finalmente tenha a merecida oportunidade de aparecer na Serie A. Veja vídeo.

Sime Vrsaljko
Idade: 21 anos (10.01.1992)
Posição: lateral-direito
Clube: Genoa

Você provavelmente deve conhecê-lo do game Football Manager. Vrsaljko é mais uma promessa da nova safra do futebol croata – que vem ganhando cada vez mais espaço na Itália, especialmente agora que o ex-país iugoslavo faz parte da União Europeia e, consequentemente, os jogadores são comunitários. Criado no Dinamo Zagreb, o lateral era titular do clube desde 2011 e conquistou passagens por todas as seleções de base de seu país, sendo convocado para o selecionado principal também desde 2011 - fez parte do grupo que disputou a Euro 2012, inclusive.

Comparado ao veterano Darijo Srna, tem boa desenvoltura no flanco direito com consecutivos avanços pelo setor, se destacando pelos cruzamentos precisos e boa batida na bola. Contratado por 4 milhões de euros pelo Genoa, o jogador, admirado pelo scout da Inter, já treina no time titular de Fabio Liverani (sim, ele mesmo, o ex-jogador virou técnico) na pré-temporada e tem tudo para ser o lateral-direito titular do time rossoblù.

Futuro da Inter e da seleção italiana, Bardi terá espaço nesta Serie A, atuando pelo Livorno
Francesco Bardi
Idade: 21 anos (18.01.1992)
Posição: goleiro
Clube: Livorno

O garoto livornense é a grande promessa para o gol da Nazionale no pós-Buffon. Na boa safra de goleiros que vem sendo produzida no Belpaese, Bardi ganhou espaço com Ciro Ferrara e Devis Mangia na seleção sub-21 e hoje é unanimidade na posição, ficando à frente do excelente Perin, que foi titular do Pescara na última temporada e, de volta ao Genoa, fez a equipe negociar Sébastien Frey. Com 18 anos, fez sua estreia pelo Livorno na Serie A na temporada 2009-10 e na temporada seguinte pelo time Primavera chamou a atenção da Inter, que o contratou em co-propriedade em janeiro de 2011. No clube de Milão, foi titular do time Primavera e campeão de Viareggio em 2011, sendo considerado o melhor goleiro do torneio.

Na volta ao Livorno para a disputa da Serie B 2011-12, desbancou os veteranos De Lucia e Mazzoni como titular e jogou 34 das 42 partidas no campeonato. Em 2012-13, a Inter comprou a outra metade de seu passe e o emprestou novamente, desta vez para o Novara. No clube piemontês, Bardi teve ainda maior destaque na boa campanha do time, com 38 partidas e o prêmio de melhor goleiro da Serie B 2012-13. Sem espaço devido a presença de Handanovic, Carrizo e Castellazzi, a promessa volta para o Livorno em empréstimo para ganhar amadurecimento na sua quase estreia na Serie A, agora como goleiro titular do time que o revelou, e de olho numa vaga no grupo de Mazzarri para a próxima temporada e, claro, a primeira convocação para a seleção de Prandelli. Veja vídeo.

Vasco Regini
Idade: 22 anos (09.09.1990)
Posição: zagueiro e lateral-esquerdo
Clube: Sampdoria

“Novo Chiellini”, Regini cresceu jogando ao lado do também romanholo Saponara no Empoli entre 2011 e 2013. Canhoto, forte fisicamente e ainda assim de boa agilidade, lembra muito o zagueiro da Juventus, especialmente pelas funções que desempenha em campo. Quando mais novo, Chiellini foi o ala de Mazzarri na temporada 2003-04, quando levou o Livorno de volta a Serie A. Regini nasceu como lateral-esquerdo no Cesena, chamando a atenção da Sampdoria que o adquiriu em co-propriedade em 2009 – naquele ano, ele chegou a fazer sua estreia na Serie A. Sem espaço, porém, foi emprestado ao Foggia de Zeman e novamente se destacou na lateral esquerda na temporada 2010-11, o que fez o Empoli comprar sua outra metade junto ao Cesena, o levando para a Toscana.

Sob o comando de Alfredo Aglietti, se tornou peça importante no decorrer da temporada fraca do time, quase rebaixado para a terceira divisão. Com a chegada de Maurizio Sarri, Regini se tornou zagueiro e principal homem da defesa na campanha que quase levou o time toscano para a Serie A, parando na final do play-off contra o Livorno - na seleção de Mangia no Europeu sub-21 se tornou titular com a lesão de Biraghi. Com a co-proriedade entre Empoli e Sampdoria renovada, teve seu contrato com a Samp ampliado até 2017 e foi integrado ao grupo de Delio Rossi. Mais experiente, espera-se que o defensor seja uma peça interessante por sua versatilidade no 3-5-2 de Rossi - vem treinando como ala-esquerdo na pré-temporada, diga-se de passagem -, ainda que o clube não tenha mostrado tanta confiança no seu potencial.

Domenico Berardi
Idade: 18 anos (01.08.1994)
Posição: ponta-direita
Clube: Sassuolo

Da Calábria para o mundo? Nascido na pequena cidade de Cariati Marina (no “pé da bota”), Berardi é considerado uma das maiores promessas, senão a maior, de sua geração. Comparado a Robin van Persie por sua canhota habilidosa e precisa, além da visão de jogo e versatilidade nas funções de frente, o garoto da Calábria já chama a atenção de olheiros de grandes clubes do futebol, como Manchester City e Juventus. Desenvolvido bem longe de sua casa, o atacante cresceu no Sassuolo e hoje é um dos principais nomes do clube novato na Serie A. Com apenas 16 anos já aparecia no time Primavera do clube emiliano, o que fez o treinador Eusebio Di Francesco integrá-lo ao time principal na temporada 2012-13.

Inicialmente reserva, Berardi logo se tornou titular absoluto na ponta direita do 4-3-3 e assumiu a posição de principal cobrador de faltas da equipe (foram cinco gols dessa forma), formando trio interessante com os também jovens Boakye e Catellani. Atuou em 37 dos 42 jogos (26 como titular) pelo time campeão da Serie B, marcando 11 gols e contribuindo com 6 assistências. O bom desempenho também aconteceu na seleção sub-19 comandada por Alberigo Evani e logo o garoto de 18 anos deve ser promovido por Luigi Di Biagio para os times sub-20 e 21. Nesta temporada terá a oportunidade de mostrar seu potencial para o principal público do futebol italiano - e já deve ter chamado a atenção de quem assistiu ao Trofeo TIM. Veja vídeo.

Após grande ano na Serie B, Zaza tentará manter o Sassuolo na elite
Simone Zaza
Idade: 22 anos (25.06.1991)
Posição: atacante
Clube: Sassuolo

Se Berardi é comparado a Van Persie, Regini a Chiellini, Saponara a Kaká, Bardi a Buffon, Vrsaljko a Srna, Alibec a Adriano, Zaza é o Ibrahimovic da nossa lista. Forte fisicamente, mas habilidoso e “acrobático” (veja aqui e aqui), além de polêmico, o centroavante do Sassuolo é outro com uma canhota poderosa e que deverá dar muitas dores de cabeça para os treinadores e zagueiros desta Serie A. Nascido na região de Basilicata, Zaza foi revelado na Atalanta, formando ataque ao lado de Gabbiadini na base. Pelo clube da Lombardia, o atacante jogou três vezes na Serie A na temporada 2008-09, porém em 2009-10 não recebeu nenhuma chance, o que o fez se negar a ampliar o contrato e assinar com a Sampdoria. Na Ligúria a história não foi muito diferente já que jogou apenas 14 minutos no time principal, apesar do destaque em algumas partidas com o time Primavera. Sem espaço, Zaza foi emprestado a Juve Stabia na temporada 2011-12, onde também quase não jogou, levando-o a outro empréstimo, agora para o Viareggio em janeiro de 2012.

Desta vez o atacante recebeu a devida chance e não decepcionou ao marcar 11 gols em 18 jogos, sendo fundamental na permanência do clube na terceira divisão. Ainda assim, Zaza novamente foi emprestado. No Ascoli o centroavante rapidamente conquistou o seu espaço e se formou uma entrosada dupla de ataque com Feczesin. Apesar da má campanha do time - rebaixado para a Lega Pro Prima Divisione -, o camisa 10 foi um dos principais artilheiros da Serie B ao marcar 18 gols em 30 partidas como titular. Após a boa temporada no Marche, a Juventus comprou seu passe junto a Sampdoria por 3,5 milhões de euros, repassando-o ao Sassuolo em co-propriedade por 2,5 milhões de euros. Pouco lembrado nas seleções de base da Itália e renegado por Atalanta e Sampdoria, Zaza terá no novato Sassuolo a chance de se vingar e, quem sabe, ganhar sua primeira convocação para a Squadra Azzurra. Veja vídeo.

Nicola Bellomo
Idade: 22 anos (18.02.1991)
Posição: meia-central
Clube: Torino

Visão de jogo, boa batida na bola, driblador e barês. Poderíamos estar falando de Antonio Cassano, mas estas também são as características de Nicola Bellomo, a última joia do Bari. Nascido na capital da região de Apúlia e desenvolvido na base do principal time da cidade, o meia, que tem o mesmo nome de um dos principais generais do regime fascista de Mussolini, fez sua estreia pelo clube na Serie B com 18 anos na temporada 2008-09. Na temporada seguinte foi titular do time Primavera, mas não voltou a receber oportunidades no time de cima, o que o fez ser emprestado ao Lucchese em julho de 2010, retornando ainda em agosto, sendo novamente cedido, desta vez para o Barletta. Na Lega Pro Prima Divisione, Bellomo passou a jogar como trequartista pela primeira vez - na base do Bari jogava mais atrás, como regista muitas vezes - sob o comando de Arcangelo Sciannimanico.

Após 33 jogos, 6 gols e 5 assistências, o meia voltou com moral para o Bari e foi agregado ao elenco principal. Mesmo sem ser titular, recebeu boas oportunidades para evoluir com Vincenzo Torrente, seu treinador nas temporadas 2011-12 e 2012-13. No 4-3-1-2 ou 4-2-3-1, foi o principal jogador do time da Apúlia na temporada seguinte como trequartista ao jogar 35 partidas, marcar 6 vezes e dar 6 passes para gols, o que chamou a atenção de Roma e Inter. Em co-propriedade entre Bari e Chievo, Bellomo não chegou a assinar com nenhum dos clubes citados, mas nesta janela teve metade de seu passe adquirido pelo Torino por 1,4 milhões de euros. Em sua primeira experiência na Serie A, será um dos principais homens do meio-campo de Gian Piero Ventura que irá abandonar o 4-2-4, passando para o 3-5-2, se encaixando melhor nas características do jovem valor barês, que deve fazer barulho ao lado de Cerci e Immobile. Veja vídeo.

Bruno Fernandes
Idade: 18 anos (08.09.1994)
Posição: meia-central
Clube: Udinese

O mais novo dos listados também é um dos mais promissores. Desconhecido até pouco tempo, o português crescido no tradicional Boavista desembarcou no final de 2012 no Piemonte para jogar pelo time Primavera do Novara. Em apenas dois meses já tinha se tornado titular do time principal e fez parte da boa campanha de recuperação do clube do mito Silvio Piola, que por pouco não voltou para a Serie A. Ágil e habilidoso com a bola no pé, além de ter boa leitura do jogo e disposição tática, o português logo encontrou um lugar no time de Aglietti, ora como mezz’ala, ora como trequartista (no 4-3-1-2), e às vezes como ponta num 4-3-3. No Piemonte, foram 29 partidas pelos times principal e Primavera, contabilizando 7 gols e 5 assistências.

O repentino sucesso o levou agora para a outra ponta do norte italiano, para Údine. Comprado pelo clube, que tem como treinador Francesco Guidolin, por 2,5 milhões de euros, Fernandes terá o melhor comandante para evoluir e fazer seu nome no Belpaese. Com apenas 18 anos, é precipitado dizer que será titular do time, mas tem potencial para tal. Assim como o ala-direito suíço Silvan Widmer, que vem fazendo pré-temporada fantástica e pode cavar um lugar no time. Veja vídeo.

Ítalo-brasileiro Jorginho já chamou a atenção de Milan e Liverpool, atuando pelo Verona
Jorginho
Idade: 21 anos (20.12.1991)
Posição: meia-central
Clube: Verona

Jorge Luiz Frello Filho, brasileiro de Imbituba-SC. Provavelmente você não o conhece, e dificilmente o verá com a camisa amarelinha – a não ser a do Verona. Este é Jorginho, que hoje compõe o grupo da seleção sub-21 italiana. De família paterna oriunda da pequena cidade de Lusiana, em Vêneto, Jorginho está no Hellas Verona desde os 18 anos e é o principal nome do meio-campo do tradicional time veronês que voltou para a elite do futebol italiano após 11 anos no drama das divisões inferiores. Em duas temporadas como titular absoluto no 4-3-3 de Mandorlini, foram 77 partidas, 4 gols e 6 assistências.

Observado por Milan e Liverpool, o ítalo-brasileiro é um meio-campista completo, com a capacidade cumprir todas as funções do setor com boa desenvoltura, mas é como interno que ele se sai melhor. De bom passe e leitura de jogo, o camisa 19 gialloblù tem a capacidade de ser um dos responsáveis pela saída de bola, pela transição entre os setores e por sempre se apresentar na entrada da área para o “último passe” ou a finalização. Na Serie A pela primeira vez, vem como “dono” do time e terá a oportunidade de seguir o processo de evolução e aprendizado, com a chegada de veteranos como Donati, Jankovic e Toni, além dos que já faziam parte do grupo, e as orientações do mister Mandorlini. Veja vídeo.

Fique de olho
Além dos onze citados, outros jovens podem, claro, despontar nesta Serie A. E como já falamos por várias vezes no blog, os clubes cada vez mais dão espaço para o futuro e investem para o desenvolvimento desses garotos. Abaixo segue uma lista de outros jovens que merecem a atenção durante a temporada.

Atalanta
Constantin Nica (lateral-direito), Daniele Baselli (meia-central) e Moussa Koné (meia-atacante)

Bologna
Uros Radakovic (zagueiro), Martí Riverola (meia-central) e Abdallah Yaisien (meia-atacante)

Cagliari
Marios Ikonomou (zagueiro)

Catania
Norbert Gyömbér (zagueiro) e Federico Freire (meio-campista)

Chievo
Riccardo Improta (meia-atacante)

Fiorentina
Ahmed Hegazy (zagueiro), Daniel Agyei (meia-lateral), Matías Vecino (meio-campista), Rafal Wolski (meia-atacante), Marko Bakic (meia-atacante), Kenneth Zohore (atacante) e Ryder (atacante)
Genoa
Diego Polenta (zagueiro) e Moussa Konaté (atacante)

Inter
Ibrahima Mbaye (zagueiro e lateral), Alfred Duncan (volante), Diego Laxalt (meia-esquerda) e Samuele Longo (atacante); todos, provavelmente, serão emprestados a clubes da Serie A

Juventus
Fausto Rossi (meio-campista), Marcel Büchel (meio-campista) e Richmond Boakye (atacante); será emprestado

Lazio
Josip Elez (zagueiro), Vinícius (lateral-esquerdo), Luca Crecco (meio-campista), Danilo Cataldi (meio-campista), Brayan Perea (atacante), Antonio Rozzi (atacante) e Mamadou Tounkara (atacante)

Livorno
Saulo Decarli (zagueiro) e Marco Benassi (meia central)

Milan
Jherson Vergara (zagueiro), Bryan Cristante (volante) e Andrea Petagna (atacante)

Napoli
Josip Radosevic (meio-campista)

Parma
Pedro Mendes (zagueiro), Raman Chibsah (volante), Nicolas Šumský (meio-campista), Filip Jankovic (meio-campista), Terry Antonis (meia-atacante) e Gonzalo Mastriani (atacante)

Roma
Łukasz Skorupski (goleiro, Tin Jedvaj (zagueiro) e Alessio Romagnoli (zagueiro)

Sampdoria
Bartosz Salamon (zagueiro), Michele Fornasier (zagueiro) e Pawel Wszolek (meia-atacante)

Sassuolo
Luca Antei (zagueiro), Karim Laribi (meia-central), Marius Alexe (ponta-esquerda) e Aladje Gomes (atacante)

Torino
Nikola Maksimovic (zagueiro) e Omar El Kaddouri (meia-atacante)

Udinese
Silvan Widmer (lateral-direito), Igor Bubnjić (zagueiro), Jadson (volante), Frano Mlinar (meio-campista), Piotr Zielinski (meia-atacante) e Nico López (atacante)

Verona
Matteo Bianchetti (zagueiro), Ezequiel Cirigliano (volante) e Jacopo Sala (meio-campista)

sexta-feira, 26 de julho de 2013

O Italiano Comedor: um choque de realidade

Delpi, Vieri e Totti em plano americano e câmera lenta: época de ouro (Corriere.it)

Dez anos e alguns meses atrás, Milan e Juventus faziam a final da Liga dos Campeões. Hoje, este contexto é inimaginável: nota-se facilmente como o futebol italiano decaiu e se descaracterizou. Minha teoria absolutamente científica propõe que tamanha derrocada não ocorreu graças à falta de estrutura, estádios vazios, desorganização, violência urbana, escândalos, Berlusconização, displicência técnico-tática, comodismo e o design geral da Rai, mas sim pela safra ruim de novos italianos comedores, incapaz de substituir a geração imponente das duas últimas décadas. Por isso, apenas por isso, a Serie A, hoje, é um produto inferior à Premier League; menos lucrativo que as 38 rodadas de Superliga Real Madrid-Barcelona; mais sem graça que a Liga Bauhaus, Francesão e até Eredivisie, onde é comum notar placares semelhantes a jogos de tênis.

Situemo-nos, pois: o Italiano Comedor (doravante I.C) é o atleta cabeludo e marrento que joga de gel (opcional) e tiara ou elástico capilar (essencial), provavelmente mangas longas e outros utensílios. Desenvolveu-se após o marcante período do Milan holandês, Inter alemão e Napoli maradonista, no início do futebol moderno, notabilizando-se na ascensão de Parma, Lazio e Roma no fim do século XX. Aperfeiçoou-se ao longo da década passada, principalmente em Milan e Juventus, para performar o que parece ser seu canto do cisne na Copa do Mundo de 2006, mórula do futebol pós-moderno. Hoje, o I.C corre perigo - ele se aposentou, engordou, casou-se ou foi preso.

Fora dos gramados, o Italiano Comedor nunca é visto sem óculos escuros, roupas de grife e namoradas famosas. Não disfarça o trejeito de quem corteja as esposas de todo o mundo. Afirma compromisso com três mulheres ao mesmo tempo, mas ao invés de levar a culpa, elas brigam entre si. Arranja pretextos para aparecer de cueca. Não tem mera cara de mau, mas a cara do mal. Seu nome no Google encontra mulheres que ele já scudettou. A história da Serie A desde a década de noventa manteve nos I.Cs seu pilar gradiloquente, tanto nos mais brilhantes em campo, como Buffon e Nesta, quanto nos irrelevantes porém importantíssimos à função sócio-mercadológica, como Stefano Mauri e Paolo Castellini.

Vejamos na imagem a seguir, por exemplo, Luigi Sartor, ex-lateral meramente inexpressivo, sendo preso por, óbvio, apostas irregulares. A jaqueta parece inacessível ao seu salário anual? O cabelo é mais bonito que o seu? Você consegue sentir, pela foto, que ele havia passado um perfume com cheiro de nuvens, prostitutas e ouro? Quem parece mais preocupado, Luigi Sartor ou os dois guardas? Pode segurar os raciocínios consigo, eles serão usados daqui em diante para uma melhor ilustração da teoria.

Fiu fiu fiu fiu, u friscaletto. E tipiti tipiti ta. (IlGiorno.It)

Mártires
Pouco após o fim da carreira, Francesco Coco, um Heidegger da ideologia Futebol e Cocaína, foi flagrado em fotos comprometedoras num barco, acompanhado de outros homens, todos despidos como a careca de Adriano Galliani. Ao contrário das acusações sexuais impulsivas a que foi submetido, o fato apenas comprova sua audácia enquanto I.C: quando um ser humano come todas as maçãs de um cesto, ele parte para outras frutas.

Trata-se de um ex-atleta com mais modelos milionárias no currículo do que gols, e isso não é hipérbole alguma, pois segundo a Wikipedia ele coleta apenas três gols em ligas nacionais. Numa possível confusão espiritual com Francisco Cuoco, Coco tentou carreira de ator logo aos trinta anos. Ele, que aparentemente nunca gostou de jogar bola, conseguiu ser dispensado do Manchester City pré-dinheiro infinito antes mesmo de assinar, por ter fumado na concentração. Herói.

Certa vez, o programa de pegadinhas Scherzi a Parte testou Francesco Totti ao levá-lo a um restaurante e deixá-lo a sós com uma notável donna. Sem devaneios, ele estava prestes a FAZER AMOR com ela em plena mesa de refeições, até a brincadeira ser revelada. Você imagina a mesma atitude partindo do Giovinco, do Giaccherini, ou mesmo do Aquilani? Eis a única razão pela qual o futebol italiano perdeu sua famosa mentalità vincente. Você acha que o Montolivo, um jogador ateu, passa pelo ritual corriqueiro ao I.C de jurar à mulher em nome de Deus que tudo que ela andou lendo na imprensa sobre supostos affairs são apenas invenções?

O próprio Totti, diga-se, perdeu seus poderes em 2006, pois - observe -, ficaria de fora da Copa do Mundo por lesão, não fosse um pacto que o obrigou a cortar os longos cabelos para curá-lo até o torneio. Não por acaso, a segunda parte do acordo veio com a Chuteira de Ouro da temporada seguinte. Mesmo pacto realizou Fabio Cannavaro: para ser monstruoso na copa e melhor do mundo, o zagueiro ex-I.C abriu mão de seu corte Italiano DOC. Só não vê quem não quer.

Por que Panucci, voando em campo, não foi à Copa, e Zaccardo, que até fez gol contra, estava lá? Esqueça a conspiratória teoria de que o lateral veterano havia brigado com Marcello Lippi; é fato inegável que Zaccardo foi à Alemanha graças ao gel e tiara, enquanto Panucci, um caxias, sempre usou camisa por dentro dos calções. E Simone Barone? Alguém lembra de Simone Barone? Ele também foi campeão mundial, e diga-me, apenas diga-me, seria ou não seria um baita companheiro de Robert De Niro e Joe Pesci num filme mafioso de Martin Scorsese? Sem eles, não haveria tetracampeonato algum.

Lembremos então de Christian Vieri. Ah, o grande Vieri. Se Coco decidiu ampliar horizontes, o ex-atacante teve uma recaída e chegou a abandonar o estrelato do safadorismo. Mesmo: o bicho ficou careca e pançudo como o tio que joga bola de raider, mas logo se reabilitou. Goleador e revezador de namoradas, é uma referência. Seu herdeiro contemporâneo é o comedor Marco Borriello, entretanto, talvez pela falta de elástico no cabelo, Borriello não é tão eficiente nos gramados quanto Bobo Vieri. É esse gap entre as gerações que afeta a qualidade do futebol italiano.

Além disso, ficou evidente a relação entre o nível dos ragazzi com a permissão de acessórios em campo (brincos, aneis, colares, fitas sem qualquer razão de ser, etc.) e a liberdade de tirar a camisa após um gol. Quando a Fifa cortou tudo isso, acertou um tiro de raspão no braço forte da Itália. Se um I.C não pode mais mostrar seu corpo descamisado na televisão, por que mesmo marcar um gol? O próprio Maradona já ensinou sobre a importância dos brincos para a Serie A.

É preciso, portanto, ouvir o artilheiro Vieri e ex-atletas medianíssimos como Bernardo Corradi, Alessandro Lucarelli e Fabio Galante, pois eles têm muito a ensinar aos jovens. Se depender do cabelo à Jolteon de El Shaarawy ou da falta de swag do inocente Florenzi, a bota está em mãos piores que as de Dolce e Gabbana preenchendo impostos.

Análise


Rolando Bianchi:
1. Cabelo desfiado e, claro, tiara/elástico. O primeiro permite agilidade e técnica; o segundo traz aderência entre inteligência emocional e inteligência cinética. Alguns teóricos procuram estudar a relação entre cabelo, tiara e desempenho com os conceitos de id, ego e superego.
2. Não está frio o suficiente para usar mangas longas? O I.C jamais fardará sua camisa da maneira comum. Basta uma dobra indefensavelmente cem por cento estética.
3. É bom ter um elástico reserva, caso algum zagueiro maldoso arrebente o primeiro. O I.C é, acima de tudo, um cuidadoso.
4. Braçadeira de capitão, porque não há marra maior do que dizer que manda em todo o mundo.
5. Fitas e pulseiras. É preciso preencher os dois braços.
Índice comedorismo/talento: 10-5.


Christian Vieri:
1. Se você ainda não compreendeu o valor do elástico capilar até aqui, sugiro rever todos os seus conceitos sobre futebol italiano. Estima-se que este corte tenha custado mais que Cinema Paradiso.
2. Camisa rasgada. Pode ter sido sem querer? Pode. Vieri pode ter rasgado por conta própria, buscando customização? Pode. Se foi sem querer, Vieri ficou feliz ao ver que sua camisa era, agora, customizada? Certamente. Perguntas retóricas a si mesmo irritam? Irritam. Me desculpo? Me desculpo.
3. Pulseira, vide Bianchi.
4. Tatuagem ridícula. E quem disse que Vieri se importa? Ninguém teve coragem de questioná-lo. Aliás, se Vieri tatuou "Friends For Ever" com fonte cursiva e maiúscula no antebraço, então é perfeitamente aceitável tatuar, no antebraço, com fonte cursiva e maiúscula, "Friends For Ever" - se você for Vieri.
Índice comedorismo/talento: 10-9.


Cristiano Doni:
1. vide Bianchi e Vieri.
2. vide Bianchi e Vieri.
3. vide Bianchi.
4. Anel protegido por fita, tal qual a lei permitia. Não por acaso, Doni jogou uma Copa do Mundo assim. (Para quem não lembra, esse também foi estilosamente preso no escândalo de apostas. Sentimos falta.)
5. Comemoração própria. "Customização" está para o I.C ordinário tal qual "E-qui-lí-brio" está para Tite, e "Cau-te-la", para Celso Roth.
Índice comedorismo-talento: 7-7.


Moreno Torricelli:
0. Um cara de nome Moreno e sobrenome Torricelli é automaticamente legal.
1. Dono de um dos cabelos mais espetaculares da Itália, Torricelli poderia facilmente ter entrado para o The Verve. A tiara está lá, claro.
2. Caro leitor, você está diante de um dos poucos cavanhaques respeitáves já registrados.
3. Manga dobrada a 3/4. Cus-to-mi-za-ção.
4. Anel protegido, vide Doni.
Índice comedorismo-talento: 9-7.


Francesco Totti:
0. A última Roma campeã de alguma coisa relevante tinha Delvecchio, Batistuta, Montella e Totti no elenco atacante. Todos cabeludos; ao menos três com tiara, elástico ou bandana. Coincidência? Não seja ingênuo, caro leitor.
1. Estava faltando a munhequeira.
2. No auge dos ICs, elásticos gritantes eram comuns.
3. O capitano sempre usou sua tarja de cabeça para baixo: customização.
4. Dois segundos após a foto, ele já estava sem camisa.
Índice comedorismo-talento: 10-10. (Atualmente, 5-9.)

Esperanças
Andrea Pirlo passou por duas grandes transformações na carreira: a primeira, quando Carlo Ancelotti o recuou no meio-campo e fez dele regista; a segunda, tão importante quanto, no momento em que deixou a barba crescer. Pirlo, sabemos, nunca se caracterizou como um I.C, mas sua sobrevivência à mudança de gerações se deve exclusivamente à evocação voluntária de um dos maiores comedores da história: Al Pacino. Para repassar aos novos todo o conhecimento adquirido na convivência com a antiga safra de I.Cs, Pirlo virou Serpico, não por acaso um policial honesto em meio à corrupção de seu setor. Tornou-se um mestre, um guia. Por isso, também, refinou sua técnica em campo, mesmo em idade avançada.

(Whoateallthepies.tv)

Aliado a Gianluigi Buffon, único futebolista adepto de PRESILHAS, Pirlo orienta nomes ainda indefinidos quanto à possível vocação comedorista. Montolivo e Aquilani, por exemplo, têm vocação para o cargo, mas parecem sonolentos demais, enquanto Osvaldo exagera na tentativa de ser o filho do Batistuta com o Johnny Depp. É necessário equilibrá-los. Já Borriello precisa de definição capilar para pôr sua carreira nos trilhos, e Marchisio, por sua vez, raramente aproveita sua estética privilegiada para parecer um Corleone. Citados acima, El Shaarawy deve ser anexado a um cortador de grama, e Florenzi, a um El Shaarawy. No futebol italiano atual, o único a não demandar reajuste no índice comedorismo/talento é o hors concours Mario Balotelli.

Poucos I.Cs se arriscam enquanto treinadores. Uma exceção é Roberto Mancini, pioneiro no ramo, tão galã que conseguiu se passar por grande técnico durante quatro temporadas em Manchester - cidade das novas bandas que conseguem se passar por grandes bandas durante um disco. Um Robert Downey Jr. sem filmes redundantes, ele é a sobrevivência do comedorismo em cargos de tutela. Na Nazionale, notamos que o grupo está em boas mãos com o astuto e classudo Cesare Prandelli, famoso pela semelhança a um pote de gel engravatado. Quem sabe um eventual colpo di scena lhe ofereça novos nomes para a Copa do Mundo, e, a médio prazo, devolva a Serie A ao seu merecido lugar.

Devo me despedir, leitor, mas não antes de conclamar que este assunto ainda dará pano para mangas 3/4.

Alguns representantes
Marchetti, Buffon, Storari, Stendardo, Biava, Maldini, Sartor, Legrottaglie, Torricelli, A. Lucarelli, Galante, Castellini, Oddo, Coco, Nesta, Cannavaro (até 2006), Montolivo, D. Conti, Bombardini, Marchisio, Mauri, C. Doni, Borriello, Totti (até 2006), FioreBianchi, Baggio (pós-Budismo), Delvecchio, Del Piero (com cabelo), Ventola, Corradi, Matri.

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Chega de ciência por hoje. Se você apreciou essa baboseira fundamentada, confira também o gosto musical dos jogadores da Roma.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Muda, brasãozinho, muda: parte IV

Nesta última parte do especial dos brasões dos clubes italianos trazemos as regiões da Sicília e Toscana. Contamos a história do elefante do Catania, da águia rosanero, da flor-de-lis da Fiorentina, da loba do Siena e o chato emblema do Livorno. 

Além disso, o Quattro Tratti também separou alguns outros escudos, diferentes e inusitados, como o do Benevento, que tem a Bruxa do Pica-Pau, e o brasão direto do mundo do Harry Potter.

Catania


A história do Catania é inédita. Brincadeira, não é. É sempre a mesma coisa: clube cria um brasão que faz referência à sua cidade natal e blá-blá-blá. O elefante está no emblema de Catania desde o tempo anterior ao Guaraná com rolha. O mesmo animal está presente na praça Duomo, a principal da cidade siciliana, desde 1736. O clube de futebol – fundado Associazione Sportiva Pro Patria e renomeado Unione Sportiva Catanese dois anos depois -, então, adotou o elefante e as cores da cidade natal (azul e vermelho) em seu logo. Na década de 1950, a diretoria dos etnei trocaram o brasão: formato de escudo, dividido exatamente ao meio, com as cores da equipe à esquerda e o elefante com a bola de capotão à direita. Além disso, foi colocado o ano de fundação do Calcio Club Catania, 1946 – indica a fusão dos clubes Virtus Catania e Catanese Elefante. Este foi utilizado até 1970, quando a agremiação mudou totalmente o estilo de seu emblema. 

Renomeado para Calcio Catania, o elefante desapareceu e permaneceram apenas as cores habituais. No entanto, a referência à cidade siciliana retornou anos depois. Os escudos, na metade dos anos 70, já eram confeccionados com o elefante. O outro brasão estampado na camisa rossoazzurra é o atual, com elefante, bola e o nome da equipe. Ele está na ativa desde 2006. Para mais informações, o site Club Calcio Catania disponibilizou uma coleção de figurinhas da agremiação desde 1928.
  
Palermo


O rosa estava bem longe do primeiro escudo do Palermo. Um emblema bicolor, de azul e branco, foi o primeiro a ser designado ao clube siciliano, em 1898. Antes, uma explicação: a fundação oficial do Palermo foi em 1900, mas o inglês Joseph Whitaker já havia montado as bases da agremiação dois anos antes, ao chegar à cidade italiana. 

Na década seguinte, ao mudar a cor da equipe para preto e rosa, o escudo também foi modificado, atendendo a nova coloração. Ao chegar à presidência do clube, em 1929, o barão Luigi Bordonaro di Gebbiarossa convidou o pintor Giuseppe Rizzo para criar um novo brasão rosanero. Futurista para a época, o novo logo consistia em um losango sobreposto a uma bola de capotão, com as cores do Palermo, e o nome do time. O sucessor do mandatário, Francesco Barresi, dois anos depois, mudou o emblema novamente. Após o acesso à Serie A, a águia, símbolo da cidade de Palermo, foi gravada no brasão rosanero. No entanto, o logo oficial dos sicilianos voltou a ser o de losango na temporada seguinte.

A Águia de Palermo voltou a ser estampada no escudo da agremiação no pós-Guerra. Em 1947, a alusão à cidade natal também aparecia sobre as cores preto e rosa; a diferença para o símbolo de 1932 era o nome da equipe, agora estampado acima de tudo (“Unione Sportiva Palermo”). A única mudança significativa até os anos 80 foi a troca do título da agremiação para S.S. Calcio Palermo. Durante a presidência de Roberto Parisi, a partir de 1982, apenas a águia era vista na camisa dos atletas. O animal, preto com colarinho rosa, foi incluído dentro de um losango.  Por motivos econômicos, o escudo foi modificado cinco anos depois: a águia se tornou branca – para significar pureza – e foi desenhado sobre faixas nas cores preto e rosa.

Em 1995, o escudo foi modificado novamente. E drasticamente, até. A águia, antes incluída dentro dos brasões, foi colocada em cima de tudo. Era um baita desenho grande. Na Era Zamparini, já no século 21, foi criado o logo atual da agremiação: águia dourada dentro de um escudo rosa e preto, com o nome do clube.

Fiorentina


Fundada em 1926, a Fiorentina teve mais de 30 escudos, contudo, todos eles tiveram pouquíssimas alterações entre si. Isso se deve a principal característica permanecer em todos: a flor-de-lis, na cor vermelha, que representa Florença. O emblema circular, um dos que mais marcaram a memória do torcedor, apareceu estampado em tamanho grande, na camisa viola nos anos 80.

Siena


Conta a história que Senio e Ascânio, descendentes de Remo – irmão de Rômulo -, fugiram de Roma devido ao seu tio. Eles foram para o norte, na direção da Etruria (antiga região que compreendia a Toscana), se instalaram e fundaram a cidade de Siena. Assim, o Siena incorporou a figura dos irmãos, também amamentados pela lupa capitolina, no brasão preto-e-branco.


Livorno


Quisera o último clube, da última região, não fazer referência alguma à sua cidade. De fato, nos idos de 1920, o Livorno até usou o castelo que aparece no escudo da urbe em seu próprio emblema, mas o deixou de lado bem cedo. Até 1991, quando os labronici foram à falência, o logo não passava das iniciais da agremiações, na cor grená, dentro de um círculo; atualmente, o Livorno utiliza as letras ASL dentro do mesmo estilo de brasão.

Diferentes, excêntricos e inusitados

Bari (fundado em 1908, Serie B): o galo em estilo geométrico já foi até votado como um dos cem escudos mais bonitos da história do futebol, em enquete da revista Guerin Sportivo.


Foggia (fundado em 1920, Terza Categoria – 10ª divisão): os diabos foram adotados oficialmente no brasão a partir da década de 1990.


Taranto (fundado em 1927, Serie D – 5ª divisão): em 2009, o diretor geral do Taranto, Giuseppe Iodice, criou o logo da equipe, que mostra Taras, símbolo da cidade, montado em um golfinho.


Bassano Virtus (fundado em 1920, Lega Pro Seconda Divisione – 4ª divisão): um jogador metendo um bicicleio (mistura de bicicleta com voleio)? Tá.


Latina (fundado em 1945, Serie B): religiosamente, o Leão com Asas de Águia, descrito por Daniel, na Bíblia, junta a força do Rei da Floresta com o alcance dos voos da Rainha das Aves. Ainda assim, é um leão com asas pisando numa bola.


Benevento (fundado em 1929, Lega Pro Prima Divisione – 3ª divisão): os jogadores do Benevento são conhecidos como “feiticeiros”; o mascote da equipe é uma bruxa. Mas o que tem no brasão nada mais é que a Bruxa do Pica-Pau. Ziriguidum.


Santarcangelo (fundado em 1926, Lega Pro Seconda Divisione): o que dizer de um galo antropomórfico carregando um cetro?


San Marino (fundado em 1959, Lega Pro Prima Divisione): o único clube samarinês a jogar no campeonato italiano tem um titã em seu emblema. Curioso, considerando que a força do futebol do micropaís é quase nula.


Monterotondo (fundado em 1935 e disputou seu último torneio – Serie D – em 2011 antes de deixar de existir): a cidade de Monterotondo, em Roma, fica em cima de uma colina; no entanto, o Valle del Tevere parece que foi desenhado no Paintbrush. 


Cynthia (fundado em 1920, Serie D): os caras têm Artemis no brasão!


Real Poseidon (-, Eccellenza – 6ª divisão): vejam a felicidade do Deus supremo do mar, na Grécia Antiga.  


Serino (fundado em 1928, Promozione – 7ª divisão): em Serino, as águas são sempre límpidas e o símbolo da cidade da Campânia é uma sereia. Pronto.  


Villa Cidro (-, última competição disputada foi o Eccellenza de 2012 antes de ir à falência): não entendi o que tem a ver a bandeira da Coreia do Sul nesse logo. 


Ippogrifo Sarno (fundado em 1989, Serie D): em Edimburgo, J. K. Rowling sorri. Hogwarts vive.


Mezzolara (fundado em 1965, Serie D): fonte Comic Sans. Adeus.