Subscribe Twitter Facebook

sábado, 31 de agosto de 2013

Times Históricos: Fiorentina 1953-1962

Grande time da Fiorentina na história, esta geração teve o brasileiro Julinho Botelho como destaque
Grandes feitos: Campeã da Recopa da Uefa (1960-1961), Campeã do Campeonato Italiano (1955-1956), Campeã da Coppa Italia (1960-1961) e Vice-campeã da Copa dos Campeões (1956-1957). Foi o primeiro clube a vencer a Recopa da Uefa e o primeiro da Itália a vencer uma competição da Uefa na história. Detém o recorde de antecedência na conquista do scudetto, com cinco rodadas antes do fim da Serie A.

Time base: Giuliano Sarti (Enrico Albertosi); Ardico Magnini (Enzo Robotti) e Sergio Cervato (Sergio Castelletti); Giuseppe Chiappella (Piero Gonfiantini), Francesco Rosetta (Alberto Orzan) e Armando Segato (Aldo Scaramucci / Claudio Rimbaldo); Julinho Botelho (Kurt Hamrin), Miguel Montuori (Dante Micheli / Antoninho), Giuseppe Virgili (Dino da Costa / Aurelio Milani), Guido Gratton (Luigi Milan) e Maurilio Prini (Gianfranco Petris). Técnicos: Fulvio Bernardini (1953-1958), Lajos Czeizler (1958-1959), Luigi Ferrero (1959), Luis Carniglia (1959-1960), Giuseppe Chiappella (1960), Nándor Hidegkuti (1960-1962) e Ferrucio Valcarreggi (1962-1963).

“Viola eterna”
Se tornar um grande clube é uma tarefa complicada, ainda mais quando falamos de futebol italiano. Juventus, Internazionale e Milan dificilmente deixam algum intruso fazer a festa e levantar o almejado scudetto. Porém, nos anos 50, a equipe de Florença conseguiu não só interromper a hegemonia do trio – e de outros clubes que na época eram gigantes da Bota, como Torino, Bologna e Genoa – como encantar a todos no país com um futebol eficiente, rápido, goleador e com uma dose de juventude e sangue latino-americano. 

A Fiorentina, popularmente conhecida como “Viola” por causa de sua cor, o violeta, marcou época entre 1953 e 1962 ao levantar seu primeiro título italiano, celebrar uma Coppa Italia, vencer a primeira Recopa da Uefa e raspar a mão no troféu da Copa dos Campeões, em 1957, quando o time se tornou o primeiro da Itália a disputar uma decisão da principal competição do continente. Se Sarti, Magnini, Cervato, Rosetta, Segato, Julinho Botelho, Montuori, Virgili e Gratton não foram páreos para o Real Madrid de Di Stéfano, a turma de Florença destroçou rivais domésticos e também europeus em partidas marcantes. É hora de relembrar as façanhas da melhor Fiorentina de todos os tempos.

Apostando nos garotos – e nos latinos
Julinho e Montuori: apostas da Viola para conquistar a Itália
Com apenas uma taça conquistada em sua história (a Coppa Italia de 1939-1940), a Fiorentina planejava tempos melhores naquele início de anos 50. Após o predomínio, auge e queda do Grande Torino nos anos 40 (que faturou cinco títulos consecutivos do Campeonato Italiano), a disputa na Itália havia voltado aos tempos de igualdade e várias equipes poderiam brigar novamente pelo scudetto. Mas, para variar, Juventus, Internazionale e Milan monopolizaram as conquistas com duas taças para cada um entre 1949-1950 até 1954-1955. 

Sem medo de pensar alto, a equipe de Florença tratou de investir na contratação de jovens talentos acessíveis e de profissionalizar seu quadro diretivo, com uma pontual ajuda de Artemio Franchi, mítico dirigente italiano que mais tarde emprestaria seu nome ao estádio da Viola. 

Em 1952, Enrico Befani, homem com muita visão e cheio da grana, assumiu a presidência do clube e começou a trazer nomes promissores para o elenco do time como o defensor Sergio Cervato (das categorias de base), o goleiro Giuliano Sarti, o meia-atacante Guido Gratton, o atacante Giuseppe Virgili, entre outros. Para dar ainda mais força ao elenco e reforçar um setor que andava bastante carente na equipe à época (o ataque), o presidente foi buscar na América do Sul dois jogadores habilidosos e diferenciados. Da Universidad Católica, veio o atacante argentino Miguel Montuori. Do Brasil, a Fiorentina trouxe um exímio ponta-direita que jogava o fino da bola na Portuguesa: Julinho Botelho. Com a dupla latina e os jovens reforços italianos, a Fiorentina poderia, enfim, brigar pelo título nacional.

Futebol inteligente
Desde 1953 que a Fiorentina era comandada pelo técnico Fulvio Bernardini, que armou sua equipe num WM aberto e ofensivo em que os jogadores anteviam as passagens dos companheiros pelo campo e ganhavam na velocidade a disputa pela bola contra o rival. Mesmo com um esquema bastante ofensivo, a zaga tinha os reforços dos médios Rosetta e Chiappella, que ficavam não apenas no meio de campo, mas também recuavam para a zaga oferecendo o suporte para Cervato e Magnini não se sobrecarregarem. 

Além disso, Bernardini queria que seu time tocasse muito bem a bola, sem chutões ou jogadas mais ríspidas, e confiava plenamente na inteligência e “nos pés” de seus comandados. A mentalidade tática e prática do treinador surtiu efeito, primeiramente, no setor defensivo da Viola, que teve a melhor defesa do Campeonato Italiano de 1953-1954 com 27 gols sofridos em 34 jogos, desempenho que deu à equipe a quarta posição do torneio. Depois de cair de produção na temporada seguinte (quinto lugar), o esquadrão de Florença daria a volta por cima em 1955-1956 da melhor maneira possível.

Deu liga!
Julinho, Gratton, Virgili, Montuori e Prini:  ataque campeão
Mesmo com tantos reforços caros (principalmente o brasileiro Julinho) e nomes promissores, a Fiorentina não era favorita ao título do Campeonato Italiano e não despertava entusiasmo nem mesmo em sua torcida. No entanto, após algumas rodadas, a turma de Florença percebeu que o sonho antes inatingível poderia, sim, se tornar realidade. Depois de empatar em 2 a 2 contra o Pro Patria, fora de casa, e vencer o Padova por 1 a 0, em casa, a equipe goleou a Juventus em plena cidade de Turim por 4 a 0, com gols de Montuori, Virgili (2) e Magnini. Curiosamente, o nome do goleiro da rival Juventus naquela partida foi Giovanni Viola...

Na sequência, a equipe empatou sem gols contra a Internazionale, derrotou o Bologna por 2 a 0, fora de casa, goleou a Atalanta por 4 a 1, empatou com o Vicenza em 1 a 1, venceu o Torino por 2 a 0, empatou com o Novara em 1 a 1 e bateu o Milan de Liedholm e Schiaffino por 2 a 0 em pleno San Siro, com gols de Montuori e Virgili. Embalada, a Fiorentina seguiu invicta até o final do primeiro turno depois de vencer a Roma por 2 a 0, a Triestina por 1 a 0, o Napoli por 4 a 2, empatar sem gols com a SPAL e a Sampdoria, empatar em 2 a 2 com a Lazio e vencer o Genoa por 3 a 1. 

Levando poucos gols e mostrando um futebol muito eficiente e competitivo, a Viola parecia não ter rivais na Itália depois do término do primeiro turno do campeonato. Muitos, claro, duvidavam que o time conseguisse manter o embalo até o final da temporada, mas a equipe provou que não estava nem um pouco a fim de morrer na praia e emendou quatro vitórias seguidas no returno: 4 a 1 no Pro Patria, 1 a 0 no Padova, 2 a 0 na Juventus e 3 a 1 na Internazionale em pleno estádio Giuseppe Meazza. A sequência de triunfos foi interrompida após dois empates sem gols contra Bologna e Atalanta, mas os comandados de Bernardini voltaram ao ciclo de vitórias com um 2 a 0 sobre o Vicenza, 1 a 0 no Torino, 4 a 2 no Novara e 3 a 0 no Milan, rival direto na disputa pelo título. Imbatível e quebrando recordes, a equipe estava muito perto de celebrar o scudetto por antecipação e, após empatar em 1 a 1 com a Roma, o caneco poderia vir já na 29ª rodada, com cinco rodadas de antecipação.

O scudetto eterno
Formação da equipe campeã em 1955-56
Jogando fora de casa contra a Triestina, a Fiorentina fez o básico para empatar em 1 a 1 (o gol da Viola foi marcado por Julinho) e conseguiu, com cinco rodadas de antecipação, o inédito título do Campeonato Italiano. A festa em Florença foi enorme e a torcida parecia viver um sonho com a conquista do maior troféu da Itália. Mesmo campeã, a Viola seguiu invicta até a última rodada depois de empatar com o Napoli (0 a 0) e a Sampdoria (0 a 0) e vencer o SPAL (1 a 0) e a Lazio (4 a 1). 

Há 33 jogos sem conhecer a derrota, quis o destino que a campanha da equipe tivesse uma ligeira mancha justo na última rodada, contra o Genoa, fora de casa, com uma vitória por 3 a 1 dos mandantes. Mesmo assim, a campanha da Fiorentina foi uma das melhores e mais nobres da era de 18 clubes no Campeonato Italiano em todos os tempos: 34 jogos, 20 vitórias, 13 empates e apenas uma derrota, com 59 gols marcados e 20 sofridos – melhor defesa. Foram 12 pontos de vantagem sobre o vice-campeão, Milan, e nenhuma derrota jogando em casa (12 vitórias e cinco empates), além de ter sido líder absoluta do torneio da 8ª rodada até o fim. A equipe era tão boa que conquistou o campeonato com cinco rodadas de antecedência, igualando o Grande Torino de 1947-48 – o feito foi igualado pela Inter, em 2006-07.

O atacante Virgili foi o grande artilheiro da equipe na competição com 21 gols marcados, seguido de Montuori (13), Julinho e Prini (seis cada), Cervato (5) e Gratton (3). De todos os jogadores, apenas Gratton e Segato disputaram todas as 34 partidas. Cervato, com 33, Chiappella, Magnini, Montuori e Virgili, com 32, e Julinho, com 31, foram os outros recordistas de jogos com a camisa da Viola no torneio. A taça deu à Fiorentina uma vaga na Copa dos Campeões de 1956-1957.

Um Real no meio do caminho...
Di Stéfano fuzila a Fiorentina na Copa dos Campeões de 1956-1957
Ainda novata, a Copa dos Campeões começava a ganhar a simpatia do público europeu na temporada 1956-1957. A primeira edição do torneio, realizada em 1955-1956, vinha para se tornar a principal copa interclubes do continente e para tomar o lugar de torneios como a Copa Mitropa e outros tantos que foram realizados antes e depois da II Guerra Mundial. A Fiorentina estreou nas oitavas de final contra o Norrköping, da Suécia, e empatou a primeira partida, na Itália, em 1 a 1, vencendo a volta na Suécia por 1 a 0 (gol de Virgili). Nas quartas de final, os italianos venceram o Grasshopper por 3 a 1 na ida (dois gols de Taccola e um de Segato) e empataram em 2 a 2 na volta, na Suíça (gols de Julinho e Montuori). Na semifinal, a Viola não se intimidou com os 40 mil torcedores contra no estádio nacional, em Belgrado, para a partida de ida diante do Estrela Vermelha. Prini marcou o único gol do jogo e deu a vitória por 1 a 0 aos italianos. Na volta, o empate sem gols colocou a Fiorentina na decisão da Copa dos Campeões.
Julinho, um dos maiores ídolos da história viola

Na grande final, a Fiorentina teve que encarar um adversário triplo: o Real Madrid, o general Franco e as mais de 120 mil pessoas no estádio Santiago Bernabéu, em Madrid, palco da partida. Mesmo jogando com Sarti, Magnini, Cervato, Segato, Julinho, Virgili e Montuori, os italianos não resistiriam ao ambiente hostil e totalmente favorável aos espanhóis, que foram beneficiados pelo árbitro Leo Horn, que marcou um pênalti inexistente em Mateos mesmo após o bandeirinha marcar impedimento do próprio Mateos bem antes da falta, que foi fora da área. 

Di Stéfano, astro de um time que contava com nomes como Miguel Muñoz, Zárraga, Kopa e Gento, marcou o gol e embalou os espanhóis rumo à vitória por 2 a 0. Aplaudida após o fim do jogo, a Fiorentina deixou o gramado de cabeça erguida, mas bastante ferida pelo favorecimento descarado da arbitragem, que foi extremamente benéfico ao time da casa e, principalmente, ao general Franco, que acompanhava o jogo bem, mas bem de perto...

A única boa notícia para a torcida da Viola naquela temporada foi o título da Copa Grasshoppers, torneio internacional que era disputado desde 1952 pela equipe italiana e que foi um dos que ajudaram ao desenvolvimento de competições internacionais a nível continental. O torneio foi realizado nos moldes “todos contra todos” e tinha como participantes equipes da Europa Ocidental: Nice (França), Dinamo Zagreb (antiga Iugoslávia), Austria Wien (Áustria), Schalke 04 (Alemanha), Grasshopper (Suíça), além da própria Fiorentina. A Viola foi campeã com sete vitórias, um empate e duas derrotas em 10 jogos, com 24 gols marcados e 15 sofridos.

Profusão de gols e seca de títulos
Hamrin: goleador e maior artilheiro nos anos 60
Depois do vice na Copa dos Campeões, a Fiorentina entrou em uma fase curiosa. A equipe tinha um elenco formidável, havia conseguido aumentar consideravelmente sua média de gols marcados sem cair de produção na defesa, mas não transformou tudo isso em títulos. Nos Campeonatos Italianos de 1956-1957 até 1959-1960, a Viola foi quatro vezes vice-campeã, ficando atrás de Milan, Juventus, Milan e Juventus, respectivamente. 

Nesse período, a torcida celebrou vitórias inesquecíveis (como um alucinante 4 a 3 no Milan, em maio de 1958, e um 4 a 0 na Internazionale, em outubro de 1958), viu sua equipe alcançar o recorde de 95 gols marcados em apenas 34 jogos na temporada 1958-1959, mas nada de o scudetto voltar para Florença.

Em 1958, a Viola sofreu uma grande baixa no elenco com a saída de Julinho Botelho, que não aguentou de saudades do Brasil e voltou para São Paulo, onde jogaria no Palmeiras como parte da Primeira Academia de Futebol do clube alviverde. 

Para o seu lugar, a equipe italiana contratou o sueco Kurt Hamrin, habilidoso atacante que supriu a ausência do brasileiro com muitos gols e grandes jogadas já no Campeonato Italiano de 1958-1959, no qual ele foi artilheiro do time com 26 gols em 32 jogos. Além de Hamrin, outros jogadores que começariam a brilhar com a camisa da Fiorentina em 1958 seriam o goleiro Albertosi, conhecido mundialmente por sua participação na Eurocopa de 1968 (campeão pela Itália) e na Copa do Mundo de 1970 (vice-campeão), o atacante Gianfranco Petris e o defensor Sergio Castelletti, alguns dos nomes que simbolizariam uma nova era de ouro em Florença naquele começo de anos 60.

Nova safra e pioneirismo europeu
Modificada, Fiorentina viveu fase de incertezas
Mesmo com as várias mudanças de técnicos desde a saída de Fulvio Bernardini, em 1958, a Fiorentina conseguiu se reorganizar em campo e começou a década de 1960 com boas perspectivas. Já sem vários nomes do título nacional de 1956 e com um plantel reduzido, a equipe apostava nos torneios de tiro curto para voltar a celebrar títulos e no poder de fogo de seu novo ataque, formado por Hamrin, Petris, Dino Da Costa, Luigi Milan e Dante Micheli, além do agora capitão Miguel Montuori. Sem brilhar na Serie A 1960-1961 (a equipe ficou apenas na sétima posição), a Viola celebrou o título da Coppa Italia daquela temporada após eliminar Messina (2 a 0), Roma (6 a 4), Juventus (3 a 1) e bater a Lazio na final por 2 a 0, com gols de Petris e Milan.

Além do título da Copa nacional, a Fiorentina teve a honra de participar de uma nova competição continental na temporada de 1960-1961: a Recopa Europeia. O torneio foi organizado por vários jornalistas esportivos do continente e pelos organizadores da Copa Mitropa, antiga competição criada em 1927 e disputada apenas por clubes da Europa Central. O objetivo do torneio era reunir os clubes vencedores das copas nacionais dos principais países da Europa, a fim de conseguir um prestígio equivalente a da já badalada Copa dos Campeões, restrita apenas aos campeões dos campeonatos nacionais. 

A primeira Recopa teve apenas 10 clubes na disputa e a Fiorentina ganhou a vaga por ser a vice-campeã da Coppa Italia de 1959-1960, já que a Juventus venceu tanto a copa quanto o Campeonato Italiano, se classificando automaticamente para a Copa dos Campeões e dando a vaga na Recopa de bandeja para a Viola.

A estreia da Fiorentina foi contra o suíço Lucerne, derrotado nos dois jogos: 3 a 0 na ida, com dois gols de Hamrin e um de Petris, e 6 a 2 na volta (três gols do brasileiro Antoninho, dois de Hamrin e um de Milan). Na semifinal, os italianos garantiram uma boa vantagem na partida de ida contra os croatas do Dinamo Zagreb ao vencer por 3 a 0 (gols de Antoninho, Dino Da Costa e Petris). Na volta, a derrota por 2 a 1 não tirou a Viola da final. Era hora de fazer história e conquistar a primeira Recopa Europeia.

Europa violeta
Cartaz da final contra o Rangers
A primeira decisão da história da Recopa foi também a única a ser disputada com um jogo na casa de cada clube finalista. A Fiorentina teve pela frente o Rangers, que havia despachado os húngaros do Ferencvaros, os alemães do Borussia Mönchengladbach e o inglês Wolverhampton  antes da final. No primeiro jogo, em 17 de maio de 1961, os escoceses contaram com o apoio maciço de 80 mil pessoas no estádio Ibrox Park, em Glasgow, mas viram Luigi Milan marcar duas vezes e dar a vitória à Fiorentina, que mostrou muita organização e frieza graças ao estilo do técnico húngaro Nándor Hidegkuti, simplesmente um mito do futebol nos tempos de jogador da seleção da Hungria dos anos 50. 

Na volta, em Florença, 50 mil pessoas empurraram uma Viola jogando de branco rumo ao título inédito e histórico da Recopa Europeia, conquistado após o triunfo por 2 a 1 sobre o Rangers, com gols de Hamrin e Milan. A taça fez justiça à dolorosa derrota na Copa dos Campeões de 1957 e encerrava de maneira brilhante um ciclo fantástico iniciado lá nos anos 50, que começou sem grandes pretensões, mas que atingia um patamar jamais sonhado pelos torcedores da Viola: o topo da Europa, para inveja dos rivais italianos, que jamais haviam vencido um torneio da Uefa (vale lembrar que a entidade passou a organizar a Recopa a partir da temporada 1961-1962 e reconheceu o titulo da Fiorentina em 1963, após corretas e justas reivindicações da Federação Italiana de Futebol).

A última festa daquela geração viola foi na Recopa
Últimos lampejos e o fim
Na temporada 1961-1962, a Fiorentina fez um bom Campeonato Italiano, mas não conseguiu conquistar o título e ficou na terceira posição. Mesmo assim, o time sapecou os rivais de Milão jogando em casa e enfiou 4 a 1 na Internazionale e 5 a 2 no campeão Milan, em atuações de gala do ataque comandado por Hamrin, Aurelio Milani e Petris. Na Recopa Europeia, a Viola correu em busca do bicampeonato e eliminou Rapid Wien (9 a 3 no agregado), Dynamo Zilina (4 a 3 no agregado) e Újpest (3 a 0 no agregado) até alcançar a final da competição. Nela, os italianos tiveram pela frente o Atlético de Madrid de Joaquín Peiró, Enrique Collar e do brasileiro Ramiro. Depois de empatarem em 1 a 1 no jogo decisivo, em Glasgow, os times tiveram que disputar uma nova partida também em campo neutro, dessa vez em Stuttgart, na Alemanha, em setembro de 1962 – três meses depois do primeiro jogo. Sem o embalo de antes, a Fiorentina perdeu por 3 a 0 para os espanhóis e amargou o vice-campeonato continental, o segundo perdido para um rival de Madrid.

A derrota em 1962 simbolizou o fim de uma era de ouro da Fiorentina, que só voltaria a brilhar em território italiano em 1968-1969 com a conquista de seu segundo scudetto graças a uma nova safra de talentos como Franco Superchi, Claudio Merlo, Luciano Chiarughi e o brasileiro Amarildo, além de vários jovens que deram àquela Fiorentina o apelido de “Fiorentina Ye-Ye”. Mesmo com o título, aquele esquadrão não conseguiu se equiparar aos feitos extraordinários e históricos da Viola dos anos 50 e início dos anos 60, tida até hoje como a melhor já formada pelas bandas de Florença. Uma equipe vencedora, pioneira e inesquecível para qualquer amante do futebol e, claro, para todos os torcedores da Fiorentina. Um time histórico.

Os personagens:

Giuliano Sarti: mesmo baixo para a posição (tinha 1,78m), foi um dos grandes goleiros do futebol italiano nos anos 50 e 60 e integrante de dois times históricos do país. Primeiro, defendeu com maestria, agilidade e muito reflexo a Fiorentina entre 1954 e 1963. Depois, foi brilhar com a camisa da Internazionale, pela qual venceu uma baciada de títulos, incluindo dois Mundiais Interclubes e duas Copas dos Campeões. Disputou 256 jogos com a camisa da Viola.

Enrico Albertosi: goleiro extremamente ágil e capaz de fazer defesas acrobáticas, Albertosi foi um grande nome da Fiorentina, clube onde começou a carreira profissional, entre 1958 até 1968. Assumiu a titularidade aos poucos e conseguiu se sobressair ao antes titular Sarti com eficiência e dedicação. Brilhou com a camisa da Itália e venceu a Eurocopa de 1968, além de disputar a Copa do Mundo de 1970 e ficar com o vice-campeonato. No mesmo ano, Albertosi fez história ao conquistar seu primeiro e único scudetto pelo pequenino Cagliari.

Ardico Magnini: defensor de muita segurança e com ótimo senso de posicionamento e antecipação, Magnini foi um dos poucos craques que tiveram destaque vestindo a camisa da seleção italiana na difícil década de 50 para a Nazionale. Pela Fiorentina, o jogador foi essencial para o setor defensivo ao realizar grandes partidas, neutralizar atacantes com notável precisão e ser exemplo de regularidade entre 1950 até 1958, período em que disputou 241 partidas pela Viola.

Enzo Robotti: depois de uma curta passagem pela Juventus, o defensor encontrou na Fiorentina o lugar ideal para se desenvolver como jogador e mostrar seu talento na marcação, nos passes e na organização da defesa. Robotti jogou de 1957 até 1965 pelo clube de Florença e foi crucial para os títulos do começo dos anos 60, incluindo a Recopa Europeia. Com grande senso de liderança, Robotti foi, inclusive, capitão da Viola em dezenas das 273 partidas que disputou com a camisa do clube.

Sergio Cervato: rápido, incansável, líder e soberano da zaga violeta, Cervato foi um ícone da Fiorentina entre 1948 e 1959 e comandou a equipe na conquista histórica do scudetto de 1955-1956. Com um legítimo canhão nos pés, era comum para o capitão cobrar faltas e pênaltis indefensáveis que foram responsáveis por muitos dos 31 gols que marcou em 340 partidas pela equipe de Florença. Foi um ídolo incontestável na história da Fiorentina.

Sergio Castelletti: formou, ao lado de Robotti, uma temida dupla de zaga que garantiu a eficiência defensiva da Fiorentina entre 1959 e 1966. Forte na marcação e incapaz de brincar em serviço, Castelletti disputou 262 partidas pela Viola e conseguiu destaque no futebol italiano da época, ganhando sete convocações para a seleção.

Giuseppe Chiappella: era um volante combativo, daqueles que chegavam junto mesmo, sem trégua ou corpo mole. Por isso, ganhou a simpatia da torcida por seu futebol vibrante, raçudo e extremamente competitivo. Jogou de 1949 até 1960 pela Fiorentina e foi parte integrante do time campeão italiano de 1955-1956. Disputou 357 jogos pelo clube (quinto na lista dos que mais vestiram a camisa violeta) e fez parte do comando técnico da equipe em boa parte dos anos 60 após pendurar as chuteiras.

Piero Gonfiantini: jogava como zagueiro ou líbero e teve destaque nas conquistas da Coppa Italia de 1960-1961 e da Recopa da mesma temporada.

Francesco Rosetta: foi o grande “senhor” do meio de campo da Fiorentina entre 1948 até 1957, sendo fundamental para o brilho da equipe no período. Duro na marcação e com grande visão de jogo, Rosetta ajudava a defesa com muita segurança e vigor físico. Teve o privilégio de jogar no Grande Torino campeão da Itália de 1946-1947, até partir para a Alessandria na temporada seguinte. Disputou 255 jogos pela Viola.

Alberto Orzan: era o 12º jogador da Fiorentina campeã italiana de 1955-1956 e um dos principais meio-campistas do time entre 1954 e 1963. Foi um jogador de muito talento na marcação e na proteção à zaga, além de saber sair jogando. Disputou 246 partidas pela Fiorentina na história.

Armando Segato: era um virtuose pela esquerda do meio de campo da Fiorentina e um dos principais craques do time naquela era de ouro. Com uma precisão extrema na perna esquerda, Segato dava passes preciosos para os atacantes do time destroçarem as defesas rivais. Jogou de 1952 até 1960 pela Viola e disputou 255 jogos pelo clube, além de ser um dos dois jogadores a disputar todas as partidas do scudetto de 1955-1956, ao lado de Gratton.

Aldo Scaramucci: volante, não teve muitas oportunidades com a camisa da Fiorentina naqueles anos 50, mas teve seu grande momento na carreira ao disputar a final da Copa dos Campeões de 1957.

Claudio Rimbaldo: meio campista, Rimbaldo começou a ganhar espaço na Fiorentina no começo dos anos 60, principalmente na temporada 1960-1961, quando ajudou a equipe a conquistar os títulos da Coppa Italia e da Recopa Europeia. Jogou de 1959 até 1963 pela Viola.

Julinho Botelho: foi um dos maiores pontas da história do futebol brasileiro e só não foi o maior pelo simples fato de por aqui ter nascido um tal de Garrincha. Veloz, driblador nato, extremamente técnico e dono de um chute potente e preciso, Julinho encantava plateias por onde passava com um futebol à frente de seu tempo e digno da magia futebolística que aflorava no Brasil naquela década de 50, quando jogava pela Portuguesa. O craque jogou tanto que despertou a atenção da Fiorentina, que o levou para a Itália em 1955. Julinho conduziu a equipe de Florença ao título italiano de 1956 e disputou a Copa de 1954. Não foi para o mundial da Suécia por não achar justo ir no lugar de algum jogador que atuasse no Brasil. Pela Viola, Julinho disputou pouco mais de 85 jogos e marcou 23 gols, além de dar inúmeras assistências para os companheiros. Foi um ídolo gigantesco para a torcida de Florença e só deixou a equipe italiana, em 1959, por causa da saudade do Brasil. Mas saudade mesmo ele deixou nos italianos, que jamais se esqueceram de suas exibições dignas da mais pura arte futebolística.

Kurt Hamrin: extremamente veloz, oportunista, goleador, baixinho, driblador e craque. O sueco Hamrin conseguiu suprir a ausência de Julinho na Fiorentina com atuações de gala e que o eternizaram como um dos maiores craques da história da Viola. Hamrin foi o principal artilheiro da Fiorentina entre 1959 e 1967 e responsável pela manutenção vencedora da equipe nos anos 60. O sueco detém o recorde de cinco gols marcados em uma mesma partida fora de casa, nos 7 a 1 sobre a Atalanta em 1964, além de ser o maior artilheiro da história da Viola com 208 gols em 362 jogos. Em partidas pela Serie A, porém, o craque perde para o argentino Gabriel Batistuta, que tem 152 gols, contra 150 de Hamrin.

Miguel Montuori: ao lado de Julinho, o argentino Montuori foi um dos principais responsáveis pelo brilho da Viola campeã da Itália em 1956, além de ser leal à equipe de Florença de 1955 até 1961. Com faro de gol apurado, grande visão de jogo e excelente técnica, o atacante marcou 83 gols em 188 partidas pela Fiorentina, fazendo parte dos melhores anos do clube. O atacante jogou, também, 12 partidas pela seleção italiana após se naturalizar em 1956.

Dante Micheli: jogou apenas entre 1960 e 1961 pela Fiorentina, mas o suficiente para ajudar a equipe nas conquistas da Coppa Italia e da Recopa, atuando como meia ou mesmo como atacante. Teve mais destaque jogando pelo SPAL entre 1959-1960 e 1961-1964.

Antoninho: o atacante brasileiro teve algum destaque na Fiorentina entre 1960 e 1961, marcando vários gols importantes durante a campanha do título da Recopa Europeia. Começou no Palmeiras, passou pelo Botafogo-SP e ainda por equipes do interior de São Paulo.

Giuseppe Virgili: era um centroavante nato e foi fundamental para o título italiano da Fiorentina em 1955-1956. Com enorme faro de gol, muita técnica e beneficiado pela presença de craques como Julinho e Montuori, o italiano foi o homem-gol da Viola naquela temporada com 21 gols marcados. Disputou mais de 100 partidas pela Fiorentina e marcou 62 gols com a camisa violeta entre 1954 e 1958.

Dino da Costa: muito oportunista, com enorme presença de área e goleador, o atacante brasileiro jogou bem pouco no Brasil (no Botafogo, no comecinho dos anos 50) até viajar para a Itália e construir sua carreira no país europeu. Pela Fiorentina, Dino da Costa jogou emprestado pela Roma de 1960 até 1961 e teve tempo de conquistar a Coppa Italia e a Recopa Europeia, marcando gols decisivos para o time de Florença.

Aurelio Milani: atacante com boa técnica e presença de área, foi o segundo na história da Fiorentina a se tornar artilheiro da Serie A, na temporada 1961-1962, com 22 gols. Antes dele, apenas o uruguaio Pedro Petrone havia conseguido tal façanha com a camisa violeta, lá na temporada 1931-1932 (25 gols). Milani disputou 51 jogos do Campeonato Italiano com a camisa violeta e marcou 23 gols entre 1961 até 1963.

Guido Gratton: meia de excelente técnica, muito vigor físico e enorme visão de jogo, Gratton foi outro jogador símbolo da Fiorentina campeã italiana de 1955-1956 ao disputar todos os jogos da campanha do título. Jogou de 1953 até 1960 em Florença e disputou 215 jogos com a camisa violeta, marcando 31 gols.

Luigi Milan: o atacante jogou apenas de 1960 até 1962 pela Fiorentina, mas o bastante para se tornar o grande herói da conquista do título da Recopa Europeia ao marcar gols nos dois jogos das finais contra o Rangers.

Maurilio Prini: podia jogar tanto como meio-campista ou atacante e dava conta do recado em ambas as posições com muita técnica e boa qualidade nos passes. Teve destaque nas campanhas do scudetto de 1955-1956 e no vice-campeonato da Copa dos Campeões de 1956-1957.

Gianfranco Petris: foi outro atacante que brilhou pela Fiorentina a partir dos anos 60, principalmente na temporada 1960-1961, quando ajudou a Viola a conquistar a Coppa Italia e a Recopa. Disputou 200 partidas pelo clube e marcou 64 gols. Petris foi, também, artilheiro da Coppa Italia por duas temporadas seguidas: 1959-1960 (4 gols) e 1960-1961 (4 gols).

Fulvio Bernardini, Lajos Czeizler, Luigi Ferrero, Luis Carniglia, Giuseppe Chiappella, Nándor Hidegkuti e Ferrucio Valcarreggi (Técnicos): Bernardini foi, sem dúvida, o principal técnico daquela Fiorentina imortal por construir uma equipe competitiva, consistente e muito sóbria em todos os setores do campo. Com o scudetto de 1955-1956, o treinador abriu caminho para vários outros treinadores tentarem repetir o feito, mas apenas Nándor Hidegkuti e Giuseppe Chiappella obtiveram sucesso com os títulos vencidos pela Viola nas temporadas de 1960-1961 (Coppa Italia e Recopa Europeia) e 1965-1966 (Coppa Italia).

Conteúdo do blog Imortais do Futebol. Leia mais sobre times, seleções, jogadores, técnicos e jogos que marcaram época no futebol mundial aqui.

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

“Seremos perfeitos”

Com grande atuação, Milan se garante na Champions League (Getty Images)

Foi o que disse Balotelli ao final do jogo. O atacante milanista, mesmo com poucas palavras enalteceu a grande partida que o clube rossonero fez nessa quarta-feira, frente ao PSV e já projetou uma grande temporada. Depois de empatar na Holanda e chegar pressionado para a partida de volta, ainda mais após o resultado do fim de semana (derrota para o Verona), o Milan realmente fez um jogo imponente e quase não deu chances ao time holandês.

Mesmo precisando do resultado favorável, o PSV não aplicou a pressão inicial como fez em Eindhoven. Ainda assim, a equipe comandada por Phillip Cocu teve a primeira grande chance, em uma cabeçada de Matavz, bem defendida por Abbiati. Mas na jogada seguinte, o Milan abriu o placar com Boateng. De fora da área, o ganês acertou um chute certeiro no canto de Zoet.

Com a vantagem no placar e no confronto, o Milan se fechou na defesa, obrigando o PSV a apostar nos chutes de longa distância. Nas melhores oportunidades, Maher fez Abbiati trabalhar, enquanto Willems acertou o travessão rossonero. O Milan também criou ótimas chances, primeiro com Montolivo, que finalizou mal após receber passe brilhante de Boateng e em seguida com El Shaarawy, que concluiu cruzamento de De Sciglio no travessão.

O PSV voltou para o segundo tempo disposto a mudar o placar e logo nos minutos iniciais Wijnaldum parou em Abbiati. Entretanto a pressão holandesa deixou espaços na defesa e o Milan se aproveitou. El Shaarawy desperdiçou frente a frente com o goleiro, mas na sequência, Balotelli ampliou. O atacante que estava sumido, aproveitou o desvio de Méxes após cobrança de escanteio e só esticou o pé para fazer o segundo gol. Com mínimas esperanças, o time holandês seguiu buscando o gol, mas se desordenou cada vez mais no sistema defensivo. Em um contra-ataque, Poli cruzou para Boateng, que se enrolou, mas conseguiu fintar Depay e concluir na saída de Zoet para definir o resultado.

Além da vitória e da classificação, o Milan pôs fim a um jejum de três temporadas seguidas sem que um clube italiano conseguisse a classificação através do play-off eliminatório. Foram duas eliminações da Udinese (para Arsenal e Braga) e uma da Sampdoria (para o Werder Bremen). Agora, resta saber se as previsões de Balo se concretizarão. Ser perfeito é quase impossível, não só para o Milan, mas se o Diavolo fizer uma temporada melhor do que foi a passada, certamente os torcedores ficarão bem felizes.

Confira os gols do jogo aqui.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Jogadores: Giuseppe Baresi

Um Baresi para cada lado de Milão. Franco teve mais sucesso, jogando pelo Milan, mas Giuseppe também foi ídolo, vestindo o azul e preto da Inter (Theinsideleft.com)
No mundo quando se fala em Baresi, defensor e com relevância em um time de Milão, o nome de Franco Baresi é o primeiro a ser lembrado. Porém, o irmão mais velho, Giuseppe Baresi, também atuou em alto de nível, como lateral, tanto na direita quanto na esquerda. Com seriedade, esforço, sacrifício em campo e alguns gols, Beppe se tornou ídolo da Inter. A solidez na defesa também rendeu o apelido The Wall, em português, "O Muro".

Nascido em Travagliato, a 90 quilômetros de Milão, Baresi passou pelo amador clube da cidade natal, onde foi treinado por Guido Settembrino, que é lembrado até hoje por Beppe. Em entrevista ao diário Il Giornale, em 2008, ele disse que o primeiro comandante foi uma das cinco pessoas mais importantes para a construção da carreira.

Mesmo sendo fã do ídolo rossonero, Gianni Rivera, o mais velho dos Baresi era interista e, por isso, escolheu os nerazzurri para tentar iniciar a trajetória de profissional. Beppe foi aprovado no teste que realizou na Internazionale, mas Franco foi rejeitado, por não reunir condições físicas. Depois disso, todos sabem o restante da história.

Baresi estreou no time principal nerazzurro no dia 1° de junho de 1977, em uma vitória sobre o Vicenza por 3 a 0, em partida válida pela Coppa Italia. Na temporada 1997-78, Baresi jogou pela primeira vez na Serie A e, a partir daí, se tornou titular no time comandado por Eugenio Bersellini. No mesmo ano, a Inter conquistou a Coppa Italia, o primeiro título da carreira de Beppe.

O primeiro gol como profissional veio em 1978-79, mas a grande alegria chegou uma temporada depois, com a conquista do primeiro scudetto. Beppe era titular na lateral-direita do time que tinha Altobelli como grande destaque ofensivo. O raçudo Oriali também fazia parte dos 11 iniciais do time campeão. Baresi ganhou mais uma Coppa Italia, em 1981-82. Com os bons desempenhos na Inter, Beppe iniciou cedo a história na Nazionale. A estreia ocorreu em 1977, na equipe sub-21.

A primeira grande competição com a seleção veio três depois do primeiro chamado e foi a Eurocopa de 1980, quando a Itália contava com um grande time: Zoff, Scirea, Tardelli, Franco Causio, Altobelli e Bettega. Porém, mesmo com ótimos jogadores e jogando em casa, a Squadra Azzurra acabou não se classificando à final e, na disputa do terceiro lugar, perdeu para a Tchecoslováquia nos pênaltis – Beppe converteu a terceira cobrança. 

A grande decepção da carreira ocorreu em 1982, por ficar fora da Copa do Mundo. Na mesma entrevista já citada, Beppe afirma isso, mas reconhece que a culpa da ausência na lista de Enzo Bearzot para Mundial foi dele mesmo: “Antes da Copa eu me sentia forte, um pouco demais. Por isso, relaxei um pouco: ia dormir mais tarde, não estava atento à dieta e não treinava no meu 100%”.

Quatro anos depois, Beppe fez parte do elenco azzurro no Mundial do México. O defensor foi um dos 23 de Bearzot e, na primeira fase, veio do banco nas duas partidas em que participou. No jogo das quartas de final, contra a França de Platini, Baresi, já como volante (posição em que também passou a atuar no final da carreira), foi titular e tentou parar o craque francês. Ele não teve sucesso e a Itália acabou eliminada, com um gol do camisa dez dos Bleus.

Mais um dos muitos confrontos entre os irmãos no dérbi citadino (Interleaning)
Bearzot deixou a Nazionale após o Mundial e, com a chegada de Azeglio Vicini, Beppe Baresi nunca mais foi chamado à seleção italiana, totalizando 18 presenças com a camisa azul. Desta forma, aos 28 anos, o defensor pôde se dedicar apenas ao futebol de clubes nos últimos anos de carreira.

O segundo scudetto de sua trajetória futebolística chegou em 1988-89 e de forma impressionante, com 26 vitórias, seis empates e apenas duas derrotas em 34 jogos, com 67 gols marcados e 19 sofridos. A Inter contava com um esquadrão, sob o comando de Trapattoni e foi campeã com Zenga, Bergomi, Berti, Ramon Diáz, Aldo Serena e a dupla alemã, Brehme e Matthaus. Baresi era um dos líderes do grupo e, eventualmente, capitaneava a equipe.

No ano seguinte, a Inter receberia Klinsmann e venceria a Supercoppa italiana, contra a Sampdoria, de Cerezo, Roberto Mancini e Vialli. Em 1989-90, a Inter não venceu a Serie A e viu o Napoli, de Maradona, levantar o scudetto. O camisa dez argentino é descrito por Beppe com um dos adversários mais difíceis que encontrou na carreira. Para Baresi, o ano valeu pelo golaço anotado, na vitória por 7 a 2, contra a Atalanta.

Baresi conseguiu mais uma conquista na trajetória nerazzurra, a primeira em âmbito europeu. A Copa Uefa de 1990-91 foi vencida com apenas duas derrotas na campanha. A final colocou outro clube italiano pela frente, a Roma, liderada pelo artilheiro da competição, Rudi Völler. A Beneamata não tomou conhecimento dos giallorossi e venceu as duas partidas, uma por 2 a 0 e a outra por 1 a 0. O veterano Baresi só participou, como reserva utilizado, do primeiro jogo.

Ao final da temporada de 1991-92, Baresi, sem espaço na Inter por causa da ascensão de Bergomi, seu herdeiro na posição e também como capitão, se despediu de Milão. Ao todo foram 559 partidas e 13 gols vestindo azul e preto. Baresi é o quinto jogador que mais vestiu a camisa da Inter em jogos oficiais, ficando atrás apenas de Zanetti, Bergomi, Facchetti e Sandro Mazzola. Baresi jogou duas temporadas na Serie B pelo Modena e, finalmente, pendurou as chuteiras aos 36 anos, na temporada 1993-94.

Três anos depois do final da carreira dentro de campo, Beppe Baresi reapareceu em Appiano Gentile para comandar o time sub-16 da Inter. Entre 2001-2008, comandou a equipe Primavera nerazzurra. Além de treinar as equipes, o ex-jogador foi diretor das categorias de base e participou ativamente daquilo que o site oficial da Inter chamou neste ano de, “categorias de base: um decênio de domínio interista”. Foram dois títulos do campeonato nacional da categoria, além de duas Coppa Italia e dois Torneios de Viareggio.

Com a chegada de Mourinho à Inter em 2008-09, Baresi foi promovido ao cargo de assistente técnico principal da equipe, atuando como vice-treinador. A função foi exercida até a última temporada na comissão técnica nerazzurra e, com as constantes mudanças de técnicos na Beneamata, a importância do ex-ídolo muda, pois muitos treinadores trazem um auxiliar próprio assim que são contratados. Hoje, Baresi continua a integrar o quadro de colaboradores técnicos de Mazzarri, mas não é mais o vice.

Giuseppe Baresi

Nascimento: 7 de fevereiro de 1958, em Travagliato, Itália
Posição: lateral/volante
Clubes como jogador: Internazionale (1971-1992) e Modena (1992-94)
Clubes como treinador: Internazionale Allievi (1997-98), Internazionale Primavera (2001-08) e Assistente Técnico Internazionale (2008-até hoje)
Títulos como jogador: Copa Uefa (1990-91), 2 Serie A (1979-80 e 1988-89), 2 Supercoppa (1988-89), e 2 Coppa Italia (1977-78 e 1981-82).
Seleção italiana: 17 jogos.

1ª rodada: Vencer ou morrer

Novo pilar da Juventus, Tévez estreou fazendo gol na Serie A (Reuters)
A primeira rodada da Serie A passou no teste. No início do campeonato os times ainda estão se acertando e é raro ver bom futebol. Porém, desta vez as equipes foram a campo determinadas a ganhar e o resultado disso é que apenas um jogo terminou empatado – e, mesmo assim, com 0 a 0, teve boas chances de gol para as duas equipes. Nesta 1ª rodada, os destaques ficam para a bicampeã Juventus, que estreou com vitória, e também para Napoli, Inter, Lazio, Fiorentina, Roma e Verona. Acompanhe o resumo da abertura do campeonato.

Sampdoria 0-1 Juventus
Depois do gol na estreia oficial, na Supercoppa contra a Lazio, poucos roteiros poderiam cair melhor para a estreia oficial de Tévez na Serie A: fazer  o gol da vitória. Contra uma fosca, mas valorosa Sampdoria, a Juventus fez o necessário para conseguir uma vitória que não conseguiu nas duas partidas da temporada passada, vencendo por 1 a 0 em Gênova. Como vem acontecendo desde a chegada de Conte ao comando juventino, a Juve não teve dificuldades para dominar a partida. A (esperada) diferença é que, agora, aparentemente, a cereja está no topo do bolo.

No primeiro tempo, as chances foram escassas para as duas formações. O preciso meio-de-campo juventino, como de praxe, funcionou extremamente bem e até criou algumas oportunidades, mas a também bem postada defesa blucerchiata se segurou na primeira etapa. Mas a barreira doriana não suportou por muito tempo. Bastaram 13 minutos da etapa complementar para o ótimo Pogba fazer uma excelente trama com Vidal, receber em profundidade na área e, na saída do goleiro brasileiro Júnior Costa, dar meio gol para o argentino, que só empurrou para as redes. A Samp até que conseguiu criar, seis minutos depois, uma chance e fazer um gol de empate, porém, Costa estava em impedimento, na cobrança de falta. Treinador e capitão da Samp deixaram a partida falando em otimismo para a temporada. O torcedor bianconero, que vê no novo camisa 10 uma grande esperança, também. (Thiéres Rabelo)

Napoli 3-0 Bologna
A estreia oficial de Benítez no comando do Napoli não poderia ser melhor. O técnico viu seu time atropelar o Bologna e, ainda por cima, a boa participação de novos contratados, que foram titulares no lugar de jogadores nascidos em Nápoles – Albiol e Callejón nos lugares de Cannavaro e Insigne. O grande craque do jogo foi Hamsík, elevado à condição de capitão com o fato de o real líder do time, Cannavaro, ter sido barrado por Benítez. O eslovaco, que assumiu o comando técnico do time após a saída de Cavani marcou dois gols, participou de outro, e ainda criou muitas jogadas. Higuaín, por sua vez, não se mostrou adaptado ao time e pouco foi visto.

O primeiro gol do Napoli nesta Serie A não teve novidades em relação ao da temporada anterior: jogada de Hamsík e conclusão do camisa 7, que agora é Callejón, e não Cavani. O espanhol ainda acertou a trave e fez um ótimo primeiro tempo. Ainda antes do intervalo, Hamsík fez o segundo, após receber passe de Zúñiga e driblar Curci. No segundo tempo, Callejón e Higuaín tiveram chances, mas foi Hamsík que guardou o terceiro, com um chute forte. Com o 3 a 0 no placar, os napolitanos até chegaram a marcar novamente, com Mertens, mas o gol foi bem anulado por impedimento. A defesa azzurra teve destaque, pela solidez, e passou sem problemas por Diamanti e Bianchi. (Nelson Oliveira)

Inter-Genoa 2-0
Na despedida de Stankovic, uma Inter consistente como a muito tempo não se via no Meazza, lembrando até mesmo a sobriedade daquela com o sérvio no losango do meio-campo de Mancini e Mourinho. Bem, o fato é que a Inter de Mazzarri apresentou uma superioridade e equilíbrio que não se esperavam já na estreia (o próprio técnico ficou surpreso), e bateu o Genoa do debutante Liverani. O resultado só foi construído no segundo tempo, isso porque no primeiro tempo a Inter teve o domínio da posse de bola e "espremeu" o Genoa em seu campo, porém não conseguiu ter amplitude com os alas e os meio-campistas. De positivo ficou a atuação da defesa, muito segura e firme: Campagnaro saia à caça e Ranocchia se sobressaía na cobertura, não permitindo um contra-ataque do Genoa - Handanovic sequer fez uma defesa nos 90 minutos.

No segundo tempo, com a mudança de atitude e a entrada de Icardi no lugar de Kuzmanovic, a equipe de Mazzarri passou a chutar mais no gol, finalizando cinco vezes em dez minutos. Afoito em busca do gol, o time cresceu e teve mais paciência com a entrada de Kovacic, com este ajudando a organizar as jogadas criada por Álvarez e Guarín. Mas foi com os alas que o time chegou ao gol: um cruzamento de Jonathan foi escorado por Nagatomo no segundo pau. Depois de uma bola na trave e duas defesas de Perin - sempre evitando o pior, como nos tempos de Pescara -, a Inter fechou o placar em mais uma jogada de Guarín, uma enfiada de bola para Palacio mostrar seu poder de decisão e marcar o terceiro gol em dois jogos na temporada. Uma estreia que empolga pela consistência e as entradas de Icardi, Kovacic e Taïder. Segundo Mazzarri, o time ainda está com 60% de desenvolvimento. O que deixa margem para que os interistas pensem em um bom futuro. O Genoa ainda tem o que evoluir, e perder o medo de ir para cima. (Arthur Barcelos)

Verona 2-1 Milan
Em um jogo que começava com possibilidade de polêmicas, já que Verona e Milan tem alguma rivalidade e por uma parte da torcida veronesa ser ligada a movimentos de ultra-direita e racistas e poder atacar Balotelli, nada de grave aconteceu fora de campo. Dentro dele, o Milan saiu na frente, mas Luca Toni foi lá e, zás!, meteu dois gols para virar o jogo e somar três pontos ao Verona, que retornou à elite após passagem pela segunda divisão.

Logo no início do jogo, Rafael conseguiu salvar o Hellas com boa defesa em chute de Balotelli, após finalização por cima do gol de Montolivo. Porém, aos 14 minutos, Poli recebeu de Super Mario e chutou fora do alcance do goleiro, abrindo o placar. Ainda na primeira etapa, Toni subiu atrás de Constant para empatar o jogo. Foi o 15º gol em aberturas de temporada do veterano artilheiro de 36 anos. Na segunda etapa, o Verona permaneceu melhor, nos 15 minutos iniciais, e conseguiu marcar o gol da vitória: cruzamento da direita, Zapata ficou perdidão e Toni, soberano, subiu sozinho para cabecear longe de Abbiati. Pelo lado do Verona, destaque para os brasileiros Rômulo e Raphael Martinho, que correram em dobro e fizeram ótima partida. (Murillo Moret)

Fiorentina 2-1 Catania
Em uma das partidas mais aguardadas da primeira rodada, Fiorentina e Catania fizeram o esperado: um bom e intenso jogo de futebol. Com estilos parecidos, os dois times tentavam impor um jogo de técnica e velocidade, baseado na posse de bola. Melhor para a Fiorentina, que jogou em casa e viu Cuadrado desequilibrar a partida, ganhando quase todas de Monzón. No 2 a 1, destaque também para Rossi, que voltou a marcar um gol depois de quase dois anos – o último havia sido em outubro de 2011.

Logo no início, Rossi marcou um gol difícil, com muitos adversários sobre a linha do gol, após bela jogada de Cuadrado. Pouco depois, os etnei empataram com Barrientos, após falha de Pizarro. O chileno se redimiu com um golaço ainda na primeira etapa, decidindo o jogo. Gómez ainda teve a chance de deixar o seu, mas acertou a trave, mesmo com o gol aberto. Para a Fiorentina, que teve uma partida burocrática do seu trio de meias, ficou a lição: Cuadrado está chamando mais a responsabilidade e é por ali que o time pode ganhar jogos difíceis, apelando para a velocidade e a técnica do colombiano, que desestabilizam as defesas. E, claro, com os cruzamentos para Gómez. (NO)

Livorno 0-2 Roma
A estreia da Roma no campeonato animou os torcedores do clube da capital. O time de Rudi Garcia mostrou personalidade e conquistou boa vitória, por 2 x 0, contra o Livorno, fora de casa. Redesenhada pelo treinador francês em um 4-3-3, a equipe mostrou solidez defensiva e bom toque de bola do meio para frente. Destaque positivo para a grande partida de De Rossi, que deixou a desejar na última temporada. Quem também foi Florenzi, que deve ganhar vaga de titular após a venda de Lamela ao Tottenham. Maicon, estreando pela equipe romana, também merece menção positiva.

Os gols saíram no segundo tempo, depois que o técnico trocou Borriello por Gervinho. Com o marfinense em campo, Totti ficou centralizado na linha de três do ataque e a equipe ganhou em velocidade pelas pontas. De Rossi fez o primeiro gol em belo chute de fora da área, aos 20 minutos do segundo tempo, e Florenzi ampliou um minuto depois em outro bonito chute, de primeira, após lançamento longo. No Livorno, o jovem goleiro Bardi foi destaque, com ótimas defesas. A curiosidade do jogo ficou para o técnico Garcia usando o telefone no banco de reservas, durante um primeiro tempo. Ele costuma fazer isso para consultar seu auxiliar técnico, Bompard, mas vai ter que mudar de hábito, porque a atitude é proibida na Itália. (Rodrigo Antonelli)

Lazio 2-1 Udinese
Um bom início de temporada nacional seria ótimo para os dois times: a Lazio vinha de derrota por 4 a 0 para a Juventus na Supercoppa; a Udinese, por sua vez, tinha sido vencida pelo Slovan Liberec no Friuli por 3 a 1. No fim da partida disputada no Olímpico, melhor para os donos da casa. Candreva começou infernal e criou duas chances de gol nos primeiros 10 minutos. Ele quase acertou o gol, na primeira, e cruzou para González cabecear pra fora quase na sequência. Sem Brkic até novembro por conta de uma lesão no ombro, a Udinese tinha Kelava no gol. Primeiro, ele não conseguiu salvar o chute poderoso de Hernanes, que marcou 1-0 para o time da casa. Depois, cometeu pênalti bobo sobre Klose, convertido por Candreva.

No tempo complementar, a Udinese foi melhor que a Lazio e conseguiu descontar com Muriel, mas não foi suficiente. A Lazio se fechou bem na defesa, Lazzari não conseguiu armar os friulanos com eficiência e Novaretti fez uma partida bem aceitável em sua estreia no campeonato, ao lado de Cana. Quem foi mal foi André Dias, que substituiu o meia albanês, improvisado na zaga, após o intervalo e entregou a rapadura para Maicosuel. A sorte da Lazio é que, com o gol quase vazio, Zielisnki isolou, por causa de um montinho artilheiro, que desviou a trajetória da bola na hora em que ele concluía a gol. (MM)

Torino 2-0 Sassuolo
Após o vexame da eliminação da Coppa Italia para o Pescara, o Torino estreou na Serie A com uma importante vitória contra o novato Sassuolo. Renovado após a saída de Bianchi, Ventura apostou em um ataque mais rápido, formado pela dupla Cerci e Immobile. No meio-campo, o veterano Vives deixou no banco o jovem Bellomo, tido como uma das boas promessas do país. Por outro lado, Di Francesco não se acanhou a escalou os neroverdi com três atacantes, tendo Farias e Masucci fazendo companhia à Zaza.

Em campo, porém, faltou ofensividade. Foram poucas chances até o gol de Brighi, já no final do primeiro tempo. O ex-romanista recebeu de Immobile e acertou um chute rasteiro no canto de Rosati. Na segunda etapa, o jogo pouco mudou. Poucas chances, quase sempre de longa distância, mas em um lance de inspiração, Cerci acertou um belo chute no canto direito do goleiro neroverde para definir. Passada a ansiedade da estreia, o Sassuolo se soltou e mostrou que tem potencial para fazer bons jogos, embora já tenha perdido pontos contra um concorrente direto pela salvezza. (Caio Dellagiustina)

Cagliari 2-1 Atalanta
O acordo para o Cagliari voltar a atuar no Sant’Elia já está pronto, mas o retorno ao estádio será apenas em outubro. Enquanto as reformas não ficam prontas, os sardos, seguem atravessando a Itália para jogar no Nereo Rocco, em Trieste. Mas, mesmo longe de casa, os rossoblù obtiveram um importante triunfo contra a Atalanta. O Cagliari não tinha reforço expressivo, mas ia com uma novidade: o técnico Diego López enfim foi liberado para assumir o comando do time, que já exercia na última temporada, embora a falta de licença colocasse seu auxiliar, Ivo Pulga, como treinador do time no papel. Em campo, o time sardo começou melhor, criando oportunidades com Sau e Conti, mas foi a Atalanta que abriu o placar, com Stendardo de cabeça. A torcida bergamasca nem teve tempo de comemorar pois no minuto seguinte, o cobiçado Nainggolan empatou com um certeiro chute da entrada da área, após passe açucarado de Sau.

Daí para frente, a equipe de Colantuono pouco agredia e o tridente ofensivo formado por Denis, Livaja e Bonaventura foi improdutivo. Por outro lado a dupla do Cagliari, Pinilla e Sau, infernizou a zaga da Atalanta. E a promessa italiana teve a chance da virada após deixar para trás Stendardo, mas finalizou por cima da meta de Consigli. O gol da vitória saiu pouco depois, após grande passe de Pinilla, Murru recebeu na área e cruzou para Cabrera que só teve o trabalho de escolher o canto e virar o jogo para o Cagliari. A Atalanta buscou o empate, mas na melhor chance, Livaja parou na trave. (CD)

Parma-Chievo 0-0
Ao contrário do que o placar indica, jogo bem movimentado no Ennio Tardini. No seu 3-5-2 que mais parece 4-3-3 para liberar os atacantes Biabiany, Amauri e Cassano, Donadoni viu sua equipe ter o domínio da posse de bola - o que não significou muito, já que na maior parte a bola ficou nos pés dos defensores Cassani, Felipe, Lucarelli e Gobbi. O time parmiggiano foi muito dependente de Cassano para criar alguma chance realmente perigosa, e até conseguiram. Bem em sua estreia na Serie A com a camisa dos crociati, FantAntonio foi quem mais driblou e deu passes para finalizações: duas para Amauri, uma para Biabiany e outra para Lucarelli, todas esbarrando nas defesas de Puggioni – a sobre o meia francês, no final do jogo, garantiu o empate.

Por sua vez, o Chievo de Sannino fez bem o que se propunha: jogar com as duas de quatro linhas recuadas, contra-atacar pelos lados e centrar para os atacantes e, nas únicas três oportunidades que Paloschi (duas) e Théréau (uma) tiveram, lá esteve Mirante para manter o zero no placar dos anfitriões. Sem grandes perspectivas no campeonato, um resultado normal para o jogo do qual menos se esperava na rodada de abertura desta Serie A 2013-14. Com o empate, Parma e Chievo ocupam o meio da tabela, onde deverão ficar até o fim do campeonato se nada "sobrenatural" acontecer. Na 2ª rodada, os times enfrentam duas paradas duras: os vênetos recebem o Napoli, enquanto os emilianos vão enfrentar uma Udinese engasgada. (AB)

Confira estatísticas, escalações, artilharia, além da classificação do campeonato, aqui.

Seleção da rodada
Bardi (Livorno); Rômulo (Verona), Campagnaro (Inter), Albiol (Napoli), Zúñiga (Napoli); Cuadrado (Fiorentina), Candreva (Lazio), Pogba (Juventus), Hamsík (Napoli), Florenzi (Roma); Toni (Verona). Técnico: Andrea Mandorlini (Verona).

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Guia da Serie A 2013-14

Juventus já começou a temporada com título, e pretende levantar mais taças (AP)

Neste fim de semana, a partir das 13 horas de sábado, 24 de agosto, tem início a temporada 2013-14 do Campeonato Italiano. O jogo de abertura lembrará muito os anos 80, quando o futebol do Belpaese ganhou destaque no Brasil com transmissões na TV aberta: em campo, estarão Verona e Milan. A bicampeã Juventus joga em seguida, às 15h45, fora de casa, contra a Sampdoria.

A Juve começa o campeonato como franca favorita ao título, mas o Napoli promete incomodar. Mais atrás, Milan, Roma e Fiorentina, com Inter, Lazio e Udinese correndo por fora, aparecem como outras forças de um campeonato que tem perdido craques, mas que tem lançado jovens e que, contrariando expectativas, conseguiu atrair alguns jogadores de renome para esta edição.

A 82ª temporada da Serie A como a conhecemos tem 46 jogadores brasileiros, quatro a menos que na última temporada. Os jogadores "verdeoro", como se diz na Itália, estão presentes em 17 das 20 equipes do campeonato, e é a Roma a responsável pelo maior número: seis, ao todo. Lazio, Udinese e Verona vem em seguida, com cinco.

Nesta temporada, os direitos de transmissão da Serie A para o Brasil continuam com exclusividade do Fox Sports, mas o fã do futebol italiano também pode assistir ao campeonato caso tenha em seu pacote de TV por assinatura o canal RAI International, que retransmite a programação da Itália para o mundo. Os canais ESPN continuarão a transmitir um jogo da rodada em VT, às segundas-feiras, e o Esporte Interativo, através do Milan Channel, transmitirá as partidas dos rossoneri, também com algum delay, sendo o único canal aberto a ter jogos do campeonato transmitidos. A Coppa Italia, por sua vez, é dos canais ESPN.

Ontem, iniciamos nosso especial da Serie A com o perfil tático das 20 equipes que disputam o campeonato, que você pode ler aqui. Hoje, em parceria com a Trivela, ampliamos a análise com o guia do campeonato, com uma análise do que cada equipe pode aprontar em 2013-14. E, sem mais delongas, acompanhe o especial que preparamos. Boa leitura!
Atalanta  
Cidade: Bérgamo (Lombardia)
Estádio: Atleti Azzurri D’Italia (24.642 lugares)
Fundação: 1907
Apelidos: Nerazzurri, La Dea, Orobici
Principais rivais: Brescia, Inter e Milan
Títulos da Serie A: nenhum (melhor desempenho: 5ª colocação)
Na última temporada: 15ª posição  
Objetivo: Meio da tabela
Brasileiros no elenco: nenhum
Técnico: Stefano Colantuono (4ª temporada)
Destaque: Germán Denis  
Fique de olho: Daniele Baselli
Principais chegadas: Constantin Nica (d, Dinamo Bucareste), Giulio Migliaccio (m, Palermo) e Mario Yepes (z, Milan)  
Principais saídas: Davide Biondini (m, Genoa), Ivan Radovanovic (m, Chievo) e Facundo Parra (a, Independiente) 
Time-base (4-3-3): Consigli; Nica, Stendardo, Yepes, Brivio; Migliaccio, Cigarini, Carmona; Livaja (Moralez), Denis, Bonaventura.

Com a filosofia de que a satisfação está nas pequenas coisas, a Atalanta entra na Serie A com o mesmo objetivo de sempre: fazer um campeonato sem sustos. A tradicional equipe lombarda mantém o técnico Colantuono (que só perde para Guidolin, da Udinese, em termos de tempo de trabalho) e confia nele e no atacante Denis para mais uma temporada de tranquilidade. Colantuono decidiu adotar o esquema 4-3-3, ao invés do 4-4-1-1 do ano anterior, mas o modo de jogar da equipe deve continuar muito parecido, privilegiando o jogo pelas pontas, buscando Denis, que marcou 34 gols nos últimos dois campeonatos. As chegadas dos experientes Yepes e Migliaccio, além do promissor romeno Nica, são interessantes devem fortalecer o setor defensivo, que já teve destaque em 2012-13. Olho ainda no meia Baselli, que faz parte da seleção sub-21 italiana e é cria da base atalantina, que já revelou nomes como Montolivo e Pazzini, além de Consigli, Cigarini e Bonaventura, que hoje são titulares na própria equipe.

Bologna
Cidade: Bolonha (Emília-Romanha)
Estádio: Renato Dall’Ara (39.444 lugares)
Fundação: 1909
Apelidos: Rossoblù, Felsinei, Petroniani
Principais rivais: Cesena e Fiorentina
Títulos da Serie A: sete
Na última temporada: 13ª posição  
Objetivo: Meio da tabela
Brasileiros no elenco: nenhum
Técnico: Stefano Pioli (3ª temporada)
Destaque: Alessandro Diamanti
Fique de olho: Diego Laxalt
Principais chegadas: Rolando Bianchi (a, Torino), Francesco Della Rocca (m, Palermo) e Diego Laxalt (m, Inter)
Principais saídas: Alberto Gilardino (a, Genoa), Manolo Gabbiadini (a, Sampdoria) e Saphir Taïder (m, Inter)
Time-base (4-2-3-1): Curci; Garics, Antonsson, Cherubin, Morleo; Pérez, Krhin (Laxalt); Christodopoulos, Diamanti, Kone; Bianchi.

O grande feito do Bologna na pré-temporada foi manter Diamanti, destaque da equipe nos últimos dois anos. O meia da seleção italiana continuará como estrela do time, auxiliado pelo bom coadjuvante Kone, e terá o terceiro companheiro diferente como referência de ataque: depois de Di Vaio e Gilardino, é a vez de Bianchi, que foi ídolo no Torino em cinco anos de passagem pelo clube. A dúvida é se ele terá cacife para substituir Gilardino, que voltou a ser um atacante letal na Emília e, por isso, voltou ao Genoa, que o havia emprestado. Os números mostram que o novo centroavante marcou apenas dois gols a menos que Gilardino na última temporada, e os bolonheses estão apostando nisso. Outra aposta é Alibec, que terá sua primeira chance na Serie A, e espera trilhar o mesmo caminho de Gabbiadini, jovem atacante que teve boa passagem pelo time do Renato Dall'Ara.

Cagliari
Cidade: Cagliari (Sardenha)
Estádio: Nereo Rocco (28.565 lugares)
Fundação: 1920
Apelidos: Rossoblù, Isolani e Casteddu
Principal rival: Napoli
Títulos da Serie A: um
Na última temporada: 11ª colocação
Objetivo: Meio da tabela
Brasileiros no elenco: Danilo Avelar e Nenê
Técnico: Diego López (2ª temporada)
Destaque: Marco Sau
Fique de olho: Nicola Murru
Principais chegadas: Rui Sampaio (m, Beira-Mar) e Marios Oikonomou (d, PAS Giannina)
Principais saídas: Thiago Ribeiro (a, Santos)
Time-base (4-3-1-2): Agazzi; Pisano (Dessena), Astori, Rossetini, Murru; Ekdal, Conti, Nainggolan; Cossu; Ibarbo, Sau.

Mais uma vez, o Cagliari poderá fazer um campeonato sem jogos em casa. Isso porque terá de mandar seus jogos inicialmente em Trieste, a mais de 1.000 km da sede do time, na Sardenha. Em busca da regularização do Sant'Elia, que pode acontecer ainda neste mês, a equipe aposta novamente na manutenção de uma boa base, que tem levado o time a boas campanhas. O time tem muitos talentos individuais, mas se vale pelo conjunto, que é muito forte – hoje, o elenco tem 25 jogadores, mas raramente mais de 18 rodam entre o campo e o banco de reservas. Nos últimos dias da janela, os sardos ainda tentarão segurar quatro de seus principais jogadores: Agazzi, Astori, Nainggolan e Ibarbo, líderes do elenco ao lado de Cossu, Conti e do artilheiro Sau, interessam bastante ao grupo dos mais fortes times italianos. Mesmo perdendo uma ou duas peças, o Cagliari continua forte, e pode sonhar em repetir a temporada 2012-13.

Catania

Cidade: Catania (Sicília)
Estádio: Angelo Massimino (20.266 lugares)
Fundação: 1908 
Apelidos: Rossoazzurri, Etnei, Elefanti

Principais rivais: Palermo e Messina

Títulos da Serie A: nenhum (melhor desempenho: 8ª colocação)
Na última temporada: 8ª colocação
Objetivo: Liga Europa
Brasileiros no elenco: nenhum

Técnico: Rolando Maran (2ª temporada)
Destaque: Pablo Barrientos
Fique de olho: Norbert Gyömbér
Principais chegadas: Sebastián Leto (m, Panathinaikos), Panagiotis Tachtsidis (m, Roma) e Gino Peruzzi (d, Vélez Sarsfield)
Principais saídas: Francesco Lodi (m, Genoa), Alejandro Gómez (m, Metalist Kharkiv) e Giovanni Marchese (d, Genoa)
Time-base (4-3-3): Andújar; Peruzzi, Spolli, Legrottaglie, Monzón; Izco, Tachtsidis, Almirón; Castro (Leto), Bergessio, Barrientos.

O Catania chega a 2013-14 no auge de sua história. O clube vem crescendo gradativamente e, na última temporada, alcançou seu recorde de pontos e sua melhor classificação na história da Serie A. Para esta temporada, o grande desafio será superar as saídas de Lodi, Gómez e Marchese, titularíssimos – os dois primeiros quase donos do time. O primeiro grande desafio do técnico Maran é implantar um novo estilo de jogo para a equipe, que não terá mais a habilidade de Lodi na meia cancha, mas sim mais voluntarismo, com o grego Tachtsidis e, por isso, dependerá mais de Barrientos. Outra mudança é o fato de o flanco esquerdo perder importância com a saída de Marchese e o foco mudar para o direito, que ganha muita força ofensiva e defensiva com a chegada do ótimo Peruzzi  – ele já anulou Neymar quando atuava pelo Vélez. Com nove argentinos entre os titulares e um ataque rápido e habilidoso, que trabalhará em prol de gols de Bergessio, os etnei podem dar mais um passo para se estabelecerem como uma equipe de médio porte no futebol italiano.

Chievo
Cidade: Verona (Vêneto)
Estádio: Stadio Marc’Antonio Bentegodi (38.402 lugares)
Fundação: 1929
Apelidos: Gialloblù, Ceo, Burros Alados
Principal rival: Verona
Títulos da Serie A: nenhum (melhor desempenho: 4ª colocação)
Na última temporada: 12ª posição  
Objetivo: Salvar-se do rebaixamento
Brasileiros no elenco: Claiton
Técnico: Giuseppe Sannino (1ª temporada)
Destaque: Cyril Théréau
Fique de olho: Maxwell Acosty
Principais chegadas: Maxwell Acosty (m, Fiorentina), Dejan Lazarevic (m, Genoa) e Ivan Radovanovic (m, Atalanta)
Principais saídas: Isaac Cofie (m, Genoa), Marco Andreolli (z, Internazionale) e Luciano (m, Mantova)
Time-base (4-4-2): Puggioni; Sardo, Dainelli, Cesar, Dramé; Acosty, Rigoni, Radovanovic, Lazarevic (Improta); Théréau, Paloschi.

A grande novidade que o Chievo traz para esta temporada é o fato de ser a única das 20 equipes da Serie A a utilizar um 4-4-2 clássico, em linha. A chegada do técnico Sannino deve deixar a equipe mais arrumada taticamente e também proporcionar mais cobertura a uma das equipes que, tradicionalmente, mais se utilizam de um futebol burocrático na Itália. Como contraponto, os jovens pontas Acosty e Lazarevic, de boa experiência na última Serie B, são dois jogadores habilidosos e que podem despontar em sua primeira oportunidade real na elite – por Fiorentina e Genoa, nunca chegaram a serem considerados opções reais. O esquema pode favorecer a Paloschi, cada vez mais referência no ataque, já que o capitão Pellissier está envelhecendo, e também a Théréau, artilheiro do time em 2012-13. A saída do promissor Cofie pode ser sentida, uma vez que Radovanovic é apenas regular, mas não deve atrapalhar.

Fiorentina
Cidade: Florença (Toscana)
Estádio: Artemio Franchi (46.389 lugares)
Fundação: 1926
Apelidos: Viola, Gigliatti
Principais rivais: Juventus, Roma e Bologna
Títulos da Serie A: dois
Na última temporada: 4ª posição
Objetivo: Liga dos Campeões
Brasileiros no elenco: Neto e Ryder Matos
Técnico: Vincenzo Montella (2ª temporada)
Destaque: Mario Gómez
Fique de olho: Marko Bakic
Principais chegadas: Mario Gómez (a, Bayern Munique), Josip Ilicic (m, Palermo) e Joaquín (m, Málaga)
Principais saídas: Stefan Jovetic (a, Manchester City), Emiliano Viviano (g, Palermo) e Luca Toni (a, Verona)
Time-base (3-5-2): Neto; Tomovic (Roncaglia), Rodríguez, Savic; Cuadrado, Borja Valero, Pizarro, Aquilani, Pasqual; Gómez, Rossi.

Ainda é cedo para saber se a Fiorentina vai poder chorar a saída do ídolo Jovetic para o Manchester City, mas não dá para criticar a atitude dos florentinos. A venda do montenegrino financiou a chegada de Gómez e Ilicic, e ainda deve servir para contratar um goleiro titular, uma vez que o brasileiro Neto ainda não pareceu convencer a comissão técnica – a indefinição pode acabar custando caro. No ataque, Giuseppe Rossi tomará o lugar de Jovetic (Ilicic e Ljajic, se não for vendido, também podem executar bem a função) e Gómez deve se converter no goleador que faltou à equipe na última temporada, por mais que Toni tenha feito um papel muito digno. Muito bem montada por Montella, a Fiorentina almeja a classificação para a Champions, que bateu na trave em 2012-13, mas pode surpreender e acabar até lutando pelo título. Com poucas mudanças e Valero, Cuadrado e Pasqual em grande fase, se Rossi e Gómez se adaptarem rapidamente ao time, teremos diversão na ponta da tabela.

Genoa
Cidade: Gênova (Ligúria)
Estádio: Stadio Luigi Ferraris (36.536 lugares)
Fundação: 1893
Apelidos: Grifone, Grifo, Rossoblù, Vecchio Balordo
Principal rival: Sampdoria
Títulos da Serie A: nove
Na última temporada: 17ª posição
Objetivo: Salvar-se do rebaixamento
Brasileiros no elenco: Matuzalém e Zé Eduardo
Técnico: Fabio Liverani (1ª temporada)
Destaque: Francesco Lodi
Fique de olho: Šime Vrsaljko
Principais chegadas: Francesco Lodi (m, Catania), Alberto Gilardino (a, Bologna) e Mattia Perin (g, Pescara)
Principais saídas: Marco Borriello (a, Roma), Andreas Granqvist (d, Krasnodar) e Sébastien Frey (g, Bursaspor)
Time-base (4-3-3): Perin; Vrsaljko, Portanova, Gamberini, Antonelli; Kucka, Lodi, Cofie; Bertolacci, Gilardino, Santana.

Por dois anos consecutivos, os investimentos não tiveram bom retorno e o Genoa quase caiu – ficou em 17º em 2011-12 e 2012-13. Nesta temporada, a expectativa é diferente: os investimentos foram reduzidos, as inúmeras negociatas a que o presidente Preziosi associa os jogadores também, e os lígures terão um time jovem e um técnico estreante. Liverani, ex-jogador (e primeiro negro a vestir a camisa da seleção da Itália) aplicará um ofensivo 4-3-3, com quatro jogadores de menos de 22 anos entre os titulares (Perin, Vrsaljko, Cofie e Bertolacci), que serão guiados por outros experientes e de muita qualidade. Força física e qualidade técnica estão garantidas no meio-campo, e Gilardino tem tudo para marcar uma pá de gols, servido pelos ótimos Lodi e Bertolacci, além do eficiente Santana. Potencial para uma campanha acima da média dos últimos anos não vai faltar.

Inter
Cidade: Milão (Lombardia)
Estádio: Giuseppe Meazza (80.018 lugares)
Fundação: 1908
Apelidos: Nerazzurri, Beneamata, Biscione
Principais rivais: Milan e Juventus
Títulos da Serie A: 18
Na última temporada: 9ª posição
Objetivo: Liga dos Campeões
Brasileiros no elenco: Jonathan, Juan Jesus e Wallace
Técnico: Walter Mazzarri (1ª temporada)
Destaque: Samir Handanovic
Fique de olho: Patrick Olsen
Principais chegadas: Mauro Icardi (a, Sampdoria), Ishak Belfodil (a, Parma) e Hugo Campagnaro (d, Napoli)
Principais saídas: Antonio Cassano (a, Parma), Walter Gargano (m, Napoli) e Dejan Stankovic (m, sem clube)
Time-base (3-5-2): Handanovic; Campagnaro, Ranocchia (Samuel), Juan); Nagatomo, Guarín, Cambiasso, Kovacic, Pereira; Palacio, Icardi (Milito).

O segundo ano consecutivo fora da LC fez a Inter passar por uma revolução. Sem dinheiro para grandes contratações, o time investiu principalmente em jovens promissores (Icardi, Belfodil, Taïder, Laxalt), peças de reposição a custo zero (Andreolli) e jogadores experientes e baratos, com lenha para queimar (Capagnaro). A grande contratação da temporada foi o técnico Mazzarri, que teve quatro ótimos anos no Napoli e pode fazer o time render em um bom nível. O grande desafio inicial é arrumar a defesa, que tem sofrido muitos gols nos últimos anos, mas também implantar um futebol veloz e combativo – em suas equipes, além disso, atacantes costumam brilhar, marcando muitos gols. Entre os novos contratados, Campagnaro e Icardi chegam para ser titulares de um time sem muitas estrelas, mas que pode atingir seu objetivo primário – voltar à "Europa que conta". A venda de parte do clube para o magnata indonésio Thohir, quase concretizada, pode fazer a equipe mudar de patamar, com contratações mais ousadas. Resta saber se dará tempo de fazer isso nessa janela.

Juventus
Cidade: Turim (Piemonte)
Estádio: Juventus Arena (41.000 lugares)
Fundação: 1897
Apelidos: Bianconeri e Velha Senhora
Principais rivais: Torino e Inter
Títulos da Serie A: 29 
Na última temporada: campeã
Objetivo: Título
Brasileiros no elenco: Rubinho
Técnico: Antonio Conte (3ª temporada)
Destaque: Andrea Pirlo
Fique de olho: Fausto Rossi
Principais chegadas: Carlos Tévez (a, Manchester City), Fernando Llorente (a, Athletic Bilbao) e Angelo Ogbonna (z, Torino)
Principais saídas: Emanuele Giaccherini (m, Sunderland), Nicholas Anelka (a, West Bromwich) e Nicklas Bendtner (a, Arsenal)
Time-base (3-5-2): Buffon; Barzagli, Bonucci, Chiellini; Lichtsteiner, Vidal, Pirlo, Marchisio (Pogba), Asamoah; Tévez, Vucinic (Llorente).

A bicampeã italiana começa a temporada mais uma vez como o time a ser batido, e com ampla superioridade sobre os rivais – embora Napoli, Fiorentina e Roma tenha se reforçado bem. A Velha Senhora já passou o trator sobre a Lazio na Supercopa da Itália e deixou claro que pode brincar em solo nacional. O verdadeiro objetivo é fazer uma ótima campanha na LC, e as contratações de Tévez e Llorente agregam valor a um time que já era forte, mas que carecia de atacantes mais gabaritados. Com a 10 que era de Boniperti, Platini e Del Piero, o argentino já mostrou a que veio na partida contra a Lazio e será a referência juventina. Mais atrás, Pirlo provavelmente deve jogar um pouco menos, uma vez que tem 34 anos e quer estar bem para a disputa da Copa de 2014, e quem deve aparecer mais é Pogba, em vias de se tornar um craque de nível mundial. O francês deve ganhar ainda mais destaque e será um dos grandes nomes desta forte Juve.

Lazio
Cidade: Roma (Lácio)
Estádio: Olímpico de Roma (73.481 lugares)
Fundação: 1900
Apelidos: Biancocelesti, Biancazzurri, Aquilotti
Principais rivais: Roma, Napoli, Livorno, Pescara, Milan, Juventus e Atalanta
Títulos da Serie A: dois
Na última temporada: 7ª posição, campeã da Coppa Italia
Objetivo: Liga dos Campeões
Brasileiros no elenco: André Dias, Vinícius, Ederson, Hernanes e Felipe Anderson
Técnico: Vladimir Petkovic (2ª temporada)
Destaque: Miroslav Klose
Fique de olho: Brayan Perea
Principais chegadas: Felipe Anderson (m, Santos), Lucas Biglia (m, Anderlecht) e Diego Novaretti (d, Toluca)
Principais saídas: Mobido Diakité (d, Sunderland)
Time-base (4-5-1): Marchetti; Konko, Biava, André Dias (Novaretti), Radu; Candreva, Biglia, Ledesma, Hernanes, Lulic; Klose.

A goleada sofrida ante a Juventus na Supercopa da Itália não deve influenciar a temporada da Lazio. Os aquilotti já sabiam que o abismo em relação à Juve havia aumentado, e apesar de quererem um título, a preocupação para 2013-14 é voltar à LC após seis anos. A briga será grande e, apesar de ter se reforçado bem e não ter perdido peças importantes, a Lazio parte atrás de Napoli, Fiorentina, Milan e Roma (e da Juve, evidentemente), e em paridade com a Inter, por uma das três vagas italianas na competição. Klose, Hernanes, Candreva e Marchetti seguem como principais jogadores de uma equipe que tem mais opções em cada setor e que pode evoluir ao longo do campeonato. A grande contratação foi o argentino Biglia, que chega para auxiliar Ledesma a manter o equilíbrio e a posse de bola no meio-campo. Felipe Anderson começa a temporada como uma espécie de 12º jogador do time e pode se destacar na primeira temporada no futebol europeu.

Livorno
Cidade: Livorno (Toscana)
Estádio: Armando Picchi (19.238 lugares)
Fundação: 1915
Apelidos: Amaranto, Labronici
Principal rival: Pisa
Títulos da Serie A: nenhum (melhor desempenho: 2ª posição)
Na última temporada: 3º colocado na Serie B
Objetivo: Salvar-se do rebaixamento
Brasileiros no elenco: Emerson e Paulinho
Técnico: Davide Nicola (2ª temporada)
Destaque: Paulinho
Fique de olho: Francesco Bardi
Principais chegadas: Francesco Bardi (g, Inter), Leandro Greco (m, Olympiacos) e Nahuel Valentini (d, Rosario Central)
Principais saídas: Vincenzo Fiorillo (g, Sampdoria) e Savvas Gentsoglou (m, Sampdoria)
Time-base (3-4-3): Bardi; Bernardini, Emerson, Valentini; Piccini, Duncan, Greco, Gemiti; Siligardi, Paulinho, Dionisi.

O time de segundo melhor ataque da última Serie B chega à elite podendo dar trabalho a qualquer equipe. Bem montada por Nicola, a equipe livornense tem um futebol ofensivo e tem no brasileiro Paulinho, autor de 20 gols e 18 assistências na segundona, o seu maior destaque. Revelado no Juventude, o ex-jogador da seleção sub-20 continuará como referência da equipe, apesar do grande jogo de equipe – dos 77 gols marcados na segundona, 60 foram marcados por quatro jogadores: além de Paulinho, Belingheri, Siligardi e Dionisi. A Inter acabará dando uma ajudinha ao campeonato dos toscanos: quatro dos jogadores contratados são da equipe, e todos eles são jovens promissores. Destaque para Bardi, considerado herdeiro de Buffon na seleção italiana, e para Duncan, jovem volante ganês que foi reemprestado para ganhar experiência na elite após bela metade de campeonato atuando no Livorno. Um problema pode ser o elenco curto: hoje, são apenas 22 jogadores à disposição.

Milan
Cidade: Milão (Lombardia)
Estádio: San Siro (80.018 lugares)
Fundação: 1899
Apelidos: Rossoneri, Diavolo
Principais rivais: Inter e Juventus
Títulos da Serie A: 18
Na última temporada: 3ª posição
Objetivo: Liga dos Campeões
Brasileiros no elenco: Gabriel e Robinho
Técnico: Massimiliano Allegri (4ª temporada)
Destaque: Mario Balotelli
Fique de olho: Riccardo Saponara
Principais chegadas: Riccardo Saponara (m, Empoli), Andrea Poli (m, Sampdoria) e Jherson Vergara (d, Deportes Quindio)
Principais saídas: Massimo Ambrosini (m, Fiorentina), Mathieu Flamini (m, sem clube) e Mario Yepes (d, Atalanta)
Time-base (4-3-1-2): Abbiati; Abate, Zapata, Mexes, De Sciglio; Poli, De Jong, Montolivo; Boateng; Balotelli, El Shaarawy.

A contratação de Balotelli em janeiro parecia indicar que o Milan iria com sede ao pote também no mercado de verão. Ledo engano: Balotelli foi uma exceção à regra e a grande contratação também para esta temporada, uma vez que fez a pré-temporada sob o comando de Allegri. O time é praticamente o mesmo em relação ao ano passado, e ganha dois reforços jovens e de muita qualidade no meio-campo, que chegam para brigar por posição: Poli, de bons anos na Sampdoria e uma passagem regular pela Inter, e Saponara, que brilhou no Empoli e é visto como um novo Kaká. A antes questionada defesa se ajeitou no segundo turno da última Serie A, foi melhor até que a da Juventus, e um reforço de peso para o setor, tido como certo até antes de janeiro, não foi contratado – chegou apenas Vergara, uma boa aposta para o futuro. Outra novidade é o retorno de De Jong, que sofreu grave lesão. Brigar pelo título parece difícil, mas o time competirá com força por uma vaga na LC.

Napoli
Cidade: Nápoles (Campânia)
Estádio: San Paolo (60.240 lugares)
Fundação: 1926
Apelidos: Azzurri, Partenopei
Principais rivais: Verona, Juventus, Inter e Milan
Títulos da Serie A: dois
Na última temporada: vice-campeão
Objetivo: título
Brasileiros no elenco: Rafael e Bruno Uvini
Técnico: Rafa Benítez (1ª temporada)
Destaque: Marek Hamsík
Fique de olho: Josip Radošević
Principais chegadas: Gonzalo Higuaín (a, Real Madrid), Pepe Reina (g, Liverpool) e Dries Mertens (a, PSV)
Principais saídas: Edinson Cavani (a, Paris Saint-Germain), Morgan De Sanctis (g, Roma) e Hugo Campagnaro (d, Inter)
Time-base (4-2-3-1): Reina; Maggio, Cannavaro, Albiol, Zúñiga; Behrami, Dzemaili (Inler); Callejón (Pandev), Hamsík, Mertens; Higuaín.

O Napoli é o time que mais mudou entre aqueles da linha de frente da Serie A. Primeiro, trocou de técnico, e agora jogará de forma totalmente diferente: nada mais do 3-5-2 mazzarriano, mas sim um 4-2-3-1 com Benítez, que volta à Itália para dar a volta por cima, após fracasso na Inter. Benítez está reconstruindo o time e terá que lidar com a forte sombra de Mazzarri, que teve quatro ótimos anos em Fuorigrotta – mas é justamente em trabalhos quase do zero em que o espanhol brilha. A equipe também precisará superar a saída dos veteranos De Sanctis e Campagnaro e, principalmente, a do ídolo Cavani. Para isso, o clube trouxe dois bons goleiros (Rafael e Reina) e um dos melhores atacantes disponíveis no mercado, Higuaín. Mais reforçado em todos os setores, o time azzurro é o candidato a brigar com a Juventus pelo título e pode até ir longe na Champions. A grande referência agora é Hamsík, que terá Higuaín como novo parceiro, mas também a ajuda de Mertens, Callejón, Pandev e um Insigne pronto para explodir de vez, em um dos ataques mais insinuantes do campeonato. Um problema está nas laterais, já que Maggio, Zúñiga e Armero são muito ofensivos e vinham atuando como alas.

Parma
Cidade: Parma (Emília-Romanha)
Estádio: Ennio Tardini (23.486 lugares)
Fundação: 1913
Apelidos: Gialloblù, Crociati e Ducali
Principais rivais: Bologna e Reggiana
Títulos da Serie A: nenhum (melhor desempenho: 2ª posição)
Na última temporada: 10ª posição
Objetivo: Liga Europa
Brasileiros no elenco: Felipe e Amauri
Técnico: Roberto Donadoni (3ª temporada)
Destaque: Antonio Cassano
Fique de olho: Filip Janković
Principais chegadas: Antonio Cassano (a, Inter), Afriyie Acquah (m, Hoffenheim) e Mattia Cassani (d, Fiorentina)
Principais saídas: Ishak Belfodil (a, Inter), Andrea Coda (d, Udinese) e McDonald Mariga (m, Inter)
Time-base (3-5-2): Mirante; Benalouane (Cassani), Paletta, Lucarelli; Biabiany, Marchionni (Acquah), Valdés, Parolo, Gobbi; Amauri, Cassano.

Com poucas mudanças, o Parma chega nesta temporada com a expectativa de fazer um campeonato sem sustos e, quem sabe, com uma surpresa no final. A saída de Belfodil para a Inter é uma perda, pensando no futuro, mas foi muito bem sanada no presente com a contratação de Cassano, que chegou com status de estrela da companhia – e, quando Fantantonio é dono do time, normalmente não arranja confusões. Com Amauri como companheiro de ataque, as chances de que o Parma tenha dois nomes entre os principais artilheiros da Serie A é grande – relembrando a Sampdoria que Cassano e Pazzini comandavam, com muitos gols e assistências. Donadoni, que emplaca mais um ótimo trabalho em equipe mediana, ainda contará com um meio-campo muito forte e bem distribuído tática e tecnicamente. Além de Cassano, quem também pode voltar a brilhar é seu quase homônimo Cassani, bom jogador que já teve chances na seleção italiana, mas viu sua carreira perder o rumo há pouco mais de dois anos.

Roma
Cidade: Roma (Lácio)
Estádio: Olímpico de Roma (72.481 lugares)
Fundação: 1927
Apelidos: Giallorossi, Lupi, A Maggica
Principais rivais: Lazio e Juventus
Títulos da Serie A: três
Na última temporada: 6ª posição, vice da Coppa Italia
Objetivo: Liga dos Campeões
Brasileiros no elenco: Julio Sérgio, Leandro Castán, Maicon, Dodô, Marquinho e Taddei
Técnico: Rudi Garcia (1ª temporada)
Destaque: Francesco Totti
Fique de olho: Tin Jedvaj
Principais chegadas: Kevin Strootman (m, PSV), Maicon (d, Manchester City) e Morgan De Sanctis (g, Napoli)
Principais saídas: Marquinhos (d, Paris Saint-Germain), Erik Lamela (a, Tottenham) e Pablo Osvaldo (a, Southampton)
Time-base (4-3-3): De Sanctis; Maicon, Benatia, Leandro Castán, Balzaretti; Florenzi, De Rossi, Strootman; Pjanic, Totti (Destro), Gervinho.

A nova gestão da Roma inicia seu terceiro ano com mais certezas do que nos dois anteriores. A equipe aposta novamente em um técnico estrangeiro: depois de Luis Enrique e Zeman, vem Garcia, de ótima passagem pelo Lille, da França, onde chegou a ser campeão francês e da copa local em 2011. Além disso, a equipe trocou muitas peças, e bem. A começar por Stekelenburg, que não teve sucesso em Roma e deixou espaço para o experiente De Sanctis. Outra boa venda foi a de Osvaldo, que é goleador, mas tumultua o ambiente – além disso, Totti e Destro podem fazer sua função. Lamela e Marquinhos, duas das jovens estrelas da companhia, receberam propostas de valor muito alto e a equipe optou por vendê-los e reinvestir. Com esse aporte financeiro, a Roma trouxe bons nomes, como Maicon, Benatia, Strootman e Gervinho (pupilo de Garcia no Le Mans e no Lille), todos prováveis titulares. Os últimos dias do mercado ainda podem reservas surpresas, e podem dizer se a Roma terá cacife para dar um passo a frente: lutar pelo título é demais, mas o time parte com força para retornar à LC.

Sampdoria
Cidade: Gênova (Ligúria)
Estádio: Marassi (36.703 lugares)
Fundação: 1946
Apelidos: Blucerchiati, Doria, Samp
Principal rival: Genoa
Títulos da Serie A: um
Na última temporada: 14ª posição
Objetivo: meio da tabela
Brasileiros no elenco: Júnior Costa, Renan e Éder
Técnico: Delio Rossi (2ª temporada)
Destaque: Angelo Palombo
Fique de olho: Michele Fornasier
Principais chegadas: Manolo Gabbiadini (a, Atalanta), Vasco Regini (d, Empoli) e Bartosz Salamon (d, Milan)
Principais saídas: Mauro Icardi (a, Inter), Sergio Romero (g, Monaco) e Andrea Poli (m, Milan)
Time-base (3-5-2): Júnior Costa; Gastaldello, Palombo, Regini; De Silvestri, Obiang, Krsticic, Renan, Costa; Éder, Gabbiadini.

Delio Rossi terá muito trabalho nesta temporada. A Sampdoria é um time claramente enfraquecido em relação à última temporada. As saídas de peças fundamentais ao time, como Icardi, Romero e Poli (além de Maxi López, Munari, Maresca e Estigarribia) não foi bem reposta e, se o time titular é bom, o reserva não tem grandes nomes. Até mesmo entre os titulares há lacunas: por exemplo, dois brasileiros de nível questionável, como Júnior Costa, ex-Santo André, e Renan, ex-Atlético Mineiro, devem ter vaga – o outro brasileiro da companhia, Éder, também será titular, mas depois de realizar ótima Serie A. Com isso, a responsabilidade recai sobre os ombros dos bons e experientes Palombo e Gastaldello, mas podem acabar respingando em Obiang, Krsticic, Salamon, Soriano, Mustafi, Berardi e nos recém-chegados Gentosglou, Regini e Gabbiadini. Todos os citados são jovens jogadores que terão uma prova de fogo para amadurecer, sem saírem chamuscados. Fazer um campeonato sem sustos será lucro para este elenco modesto.

Sassuolo
Cidade: Sassuolo (Emília-Romanha)
Estádio: Città del Tricolore (20.084 lugares)
Fundação: 1920
Apelidos: Neroverdi, Sasòl
Principal rival: Modena
Títulos da Serie A: nenhum (estreante)
Na última temporada: campeão da Serie B
Objetivo: salvar-se do rebaixamento
Brasileiros no elenco: Diego Farias
Técnico: Eusebio Di Francesco (2ª temporada)
Destaque: Jasmin Kurtic
Fique de olho: Domenico Berardi
Principais chegadas: Simone Zaza (a, Juventus), Jasmin Kurtic (m, Palermo) e Jonathan Rossini (d, Sampdoria)
Principais saídas: Richmond Boakye (a, Juventus), Andrea Catellani (a, Catania) e Gennaro Troianiello (a, Palermo)
Time-base (4-3-3): Rosati; Gazzola, Rossini, Terranova, Ziegler; Kurtic, Magnanelli (Chibsah), Missiroli; Berardi, Zaza, Alexe.

Campeão da última Serie B, o pequeno Sassuolo é o único estreante desta temporada do Campeonato Italiano. A equipe que tem a peculiar combinação entre verde e preto como cores sociais, se dará por satisfeita se permanecer na elite. O clube, cujo dono é presidente de uma multinacional de adesivos e impermeabilizantes, tem um bom aporte financeiro, mas também responsabilidade nas ações de mercado. Tanto é que a diretoria valorizou o trabalho do grupo que subiu à elite e manteve o técnico Di Francesco (que chegou a ser cotado na Roma), e quase todo o grupo, afinal o conjunto foi o maior responsável pelo título: mesmo com a terceira melhor defesa e o melhor ataque da competição, não houve grandes destaques individuais. A equipe perdeu apenas jogadores que saíam por empréstimo, além de Troianiello, vendido ao Palermo, e entre as contratações, destaque para Rosati e Ziegler, que voltam a ter chances em uma equipe da Serie A como titulares, e para Kurtic e Zaza, prováveis referências da equipe, ao lado de Berardi. Kurtic fez ótima pré-temporada e Zaza vem gabaritado por 18 gols na última Serie B.

Torino

Cidade: Turim (Piemonte)
Estádio: Olimpico di Torino (28.140 lugares) 

Fundação: 1906
Apelidos: Toro, Granata
Principais rivais: Juventus, Sampdoria, Roma
Títulos da Serie A: sete
Na última temporada: 16ª posição
Objetivo: salvar-se do rebaixamento
Brasileiros no elenco: Barreto
Técnico: Giampiero Ventura (3ª temporada)
Destaque: Alessio Cerci
Fique de olho: Nikola Maksimović
Principais chegadas: Nikola Maksimović (d, Estrela Vermelha), Ciro Immobile (a, Genoa) e Nicola Bellomo (m, Bari)
Principais saídas: Rolando Bianchi (a, Bologna), Angelo Ogbonna (d, Juventus) e Mario Santana (m, Genoa)
Time-base (3-5-2): Padelli; Glik, Maksimović, Moretti (Bovo); Darmian, Basha, Farnerud, El Kaddouri (Bellomo), D'Ambrosio; Cerci, Immobile.

O Torino perdeu dois de seus principais jogadores, mas não mudou de status: se reforçou dignamente e continuará trabalhando para ter um campeonato sem sustos, embora o objetivo seja a permanência na elite. O bom Immobile terá o trabalho de substituir o experiente Bianchi e será o novo companheiro de Cerci no ataque, que ainda tem Barreto, Meggiorini e o novo reforço Larrondo como opções. Na defesa, Ogbonna não vinha jogando, por problemas físicos, e o promissor Maksimovic é uma ótima aposta para suprir a sua saída para a rival Juventus. Outros dois jovens que foram contratados pela direção grená e podem brilhar nesta Serie A são El Kaddouri, que surgiu no Brescia mas estava encostado no Napoli, e Bellomo, um dos principais jogadores da última Serie B, competição que disputou pelo Bari, de sua cidade natal. Ainda falta contratar um goleiro, visto que Padelli não é garantia de nada e Gillet foi suspenso por envolvimento em manipulação de jogos. Um arqueiro seguro e experiente será fundamental para uma equipe em que as grandes referências tem menos de 25 anos.

Udinese

Cidade: Údine (Friuli)

Estádio: Friuli (41.652 lugares)

Fundação: 1896

Apelidos: Bianconeri e Zebrette

Principais rivais: Venezia
 e Triestina
Títulos da Serie A: nenhum (melhor colocação: vice-campeã)
Na última temporada: 5ª posição
Objetivo: Liga Europa
Brasileiros no elenco: Allan, Naldo, Danilo, Gabriel Silva e Maicosuel
Técnico: Francesco Guidolin (4ª temporada)
Destaque: Antonio Di Natale
Fique de olho: Nico López
Principais chegadas: Ivan Kelava (g, Dinamo Zagreb), Nico López (a, Roma) e Igor Bubnijc (d, Slaven Belupo)
Principais saídas: Mehdi Benatia (d, Roma), Davide Faraoni (m, Watford) e Gabrielle Angella (d, Watford)
Time-base (3-5-1-1): Kelava (Brkic); Heurtaux, Danilo, Domizzi; Basta, Pereyra, Pinzi, Allan, Gabriel Silva; Muriel; Di Natale.

Desde 2008-09, a Udinese não inicia um campeonato com uma equipe tão similar a da temporada anterior. Na verdade, à exceção do goleiro, e apenas por lesão de Brkic, todo o restante do time friulano é formado por jogadores que já estavam em Údine no último certame. A única perda considerável é a do ótimo Benatia, que foi para a Roma, mas não jogou muito em 2012-13 por questões físicas. Entre os contratados, muitos jovens atletas que podem despontar nos próximos anos e apenas dois jogadores com mais rodagem, os goleiros Kelava e Benussi – o que já aponta para uma cessão de Brkic num futuro próximo. Com isso, o time aposta novamente em Di Natale, que renovou até 2015, e é certeza de muitos gols para os alvinegros. Ele terá Muriel como companheiro mais uma vez: na última temporada, os dois foram responsáveis por 34 dos 59 gols da equipe, e o ótimo colombiano só fez uma temporada regular, a partir de janeiro. Guidolin, o "Ferguson de Údine", começa com o mesmo discurso: primeiro, 40 pontos para evitar o rebaixamento, e depois, pensar em algo mais. Um "algo mais" bem possível.

Verona
Cidade: Verona (Vêneto)
Estádio: Stadio Marc’Antonio Bentegodi (38.402 lugares)
Fundação: 1903
Apelidos: Mastini, Scaligeri, Butei
Principais rivais: Vicenza, Brescia e Napoli
Títulos da Serie A: um
Na última temporada: vice-campeão da Serie B
Objetivo: salvar-se do rebaixamento
Brasileiros no elenco: Rafael, Raphael Martinho, Nicolas, Rômulo e Jorginho
Técnico: Andrea Mandorlini (4ª temporada)
Destaque: Jorginho
Fique de olho: Jorginho
Principais chegadas: Luca Toni (a, Fiorentina), Nikolay Mihaylov (g, Twente) e Ezequiel Cirigliano (m, River Plate)
Principais saídas: José Crespo (d, Bologna), Luca Ceccarelli (d, Spezia) e Armin Bacinovic (m, Palermo)
Time-base (4-3-3): Mihaylov (Rafael); Rômulo (Cacciattore), Maietta, González, Agostini; Jorginho, Donati (Cirigliano), Hallfredsson; Sala, Toni (Cacia), Raphael Martinho.

Fora da Serie A há 11 anos, o tradicional Verona volta à elite pensando em ficar. A equipe, comandada há três anos pelo ex-zagueiro Mandorlini, mantém a estrutura tática e muitas das peças que levaram a equipe da terceira à primeira divisão neste período, e ainda montaram o melhor ferrolho da Serie B – como, por exemplo, o brasileiro Rafael. Porém, os veroneses ainda se reforçaram bem, e trouxeram o goleiro titular da seleção búlgara, Mihaylov, além de jogadores que tiveram status de titular em equipes de primeira linha, como Rômulo e Toni. Duas grandes apostas são as contratações de Cirigliano e Sala: o primeiro, herdeiro de Mascherano no quesito disciplina tática e marcação forte, e o segundo, um raro ponta no futebol italiano, devem ganhar vaga como titulares no 4-3-3 de Mandorlini. Titular absoluto e destaque do time, o meia central Jorginho terá a chance de ser visto no país em que nasceu: revelado pelo Imbituba-SC, foi cedo para a Itália e já joga pela seleção sub-21 azzurra. Olho nele e nos surpreendentes butei.