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segunda-feira, 30 de setembro de 2013

6ª rodada: Liderança eterna na Cidade Eterna?

Roma mostra força com novo técnico e reforços: seis vitórias não são por acaso (AP)
É uma Roma dos sonhos. Em seis partidas, a equipe treinada por Rudi Garcia emplacou seis vitórias convincentes, com placares de dois ou mais gols a favor em todas as ocasiões. Soberana, a equipe romana é líder da Serie A com méritos e sem discussão. E já entrou para a história, igualando um feito que apenas a Inter havia atingido, em 1967.

Acompanhe o resumo da 6ª rodada, mas lembre-se: na próxima rodada, as duas maiores surpresas do campeonato, Roma e inter, se enfrentam em Milão, e a Beneamata terá sede para quebrar os 100% de aproveitamento dos romanos. Juventus e Milan fazem um jogo de dois times em baixa, mas muito aguardado, e Lazio e Fiorentina também entram em campo com as atenções voltadas para um duelo de times em busca de recuperação.

Roma 5-0 Bologna
A Roma de Rudi Garcia continua encantando. Com mais uma boa vitória, dessa vez sobre o Bologna, a equipe da capital mantém os 100% de aproveitamento na Serie A, além de ostentar o melhor ataque (17 gols marcados) e a melhor defesa (apenas um sofrido) do campeonato. Antes da Roma, somente a Inter de Milão de 1967 havia conseguido vencer os seis primeiros jogos tendo levado só um gol. A equipe do técnico francês já está na história e se firma, cada vez mais, como candidata ao scudetto, com futebol bonito e equilibrado.

A dupla de zaga Benatia-Castán inspira tanta confiança que o goleiro De Sanctis quase não precisou trabalhar ainda. Foram apenas oito chutes contra sua meta nos seus primeiros jogos. No meio, De Rossi e Strootman desequilibram, enquanto Florenzi, Totti e Gervinho resolvem na frente. Este último foi o melhor contra o Bologna, autor de dois gols e movimentação incansável. Totti deu duas assistências e é notável sua disposição por estar atuando com um time competitivo de novo. Florenzi, Benatia e Ljajic (que sempre entra bem, mostrando força também no banco giallorosso) foram os outros que ajudaram a acabar com a equipe da Emília-Romanha, que agora ocupa a 18ª colocação. Vale destacar, ainda, o bom mercado dos romanos: 10 dos 17 gols do time foram marcados por novos reforços. (Rodrigo Antonelli)

Torino 0-1 Juventus
Mais um jogo da Juventus, mais uma vitória com a ajuda da arbitragem. Contra o Chievo, na rodada passada, o bandeira marcou impedimento inexistente de Paloschi em gol legal. Ante o Torino, no Olímpico, o tento solitário de Pogba tinha de ser invalidado. No primeiro tempo só deu Torino - mas Buffon sequer trabalhou. O time da casa se defendeu muito bem ao colocar El Kaddouri grudado em Vidal, Brighi em Marchisio e recuar Immobile para marcar Pogba. Assim, a Juventus ofereceu nenhum perigo em jogadas pelo meio, com exceção de um tiro fraco de longa distância realizado pelo francês. Os zagueiros bianconeri precisavam avançar até a linha central para fazer o passe - errado - ou lançar diretamente para o goleiro Padelli.  

Na segunda etapa, no entanto, a Juventus conseguiu jogar. Logo nos primeiros minutos, Tévez tirou tinta do travessão ao chutar de fora da área. Giovinco não marcou porque Padelli fez excelente defesa em jogada trabalhada pelo argentino e Marchisio. Eis que o gol ilegal vem à tona: cruzamento para a área, Tévez, em posição de impedimento, desvia, a bola bate no travessão e sobra para Pogba balançar a rede. O assistente que cansou de marcar impedimentos de Cerci na primeira etapa deixou o jogo seguir. Padelli ainda conseguiu realizar mais uma excelente defesa em um voleio de Vucinic, e o Torino seguiu sem levar perigo a Buffon. Pouco demais para um clássico. (Murilo Moret)

Genoa 0-2 Napoli
Após o vacilo na quarta-feira contra o lanterna do campeonato, o Napoli de Benítez mostrou a força de seu elenco, mesmo sem Hamsík e Higuaín (este entrou no segundo tempo e não estará disponível contra o Arsenal, nesta terça). Após bater o Genoa na Ligúria, subiu para o segundo posto, com melhor saldo de gols do que a Juventus, e não deixou a Roma abrir vantagem, que permanece em 2 pontos. Quanto aos anfitriões, a aventura de Fabio Liverani em seu primeiro trabalho como treinador profissional não durou mais do que três meses – para seu lugar foi contratado Gian Piero Gasperini, que volta para “casa”. O piemontês trabalhou por quatro anos no clube do inconstante Enrico Preziosi e retorna depois de três anos.

No Marassi, um jogo equilibrado e com poucas emoções. Foram apenas 5 chutes “no alvo”, dois do time da casa e três dos visitantes. Dois destes pararam no fundo das redes de Perin, todos no primeiro tempo. Aos 14 minutos, Insigne arrancou pela esquerda e buscou Pandev com passe em profundidade, porém Kucka chegou antes e facilitou ainda mais a vida do macedônio, que ainda limpou o marcador e finalizou firme, abrindo o placar. Aos 25, a boa trama entre o quarteto ofensivo partenopeu resultou na doppietta de Pandev: Callejón passou para Insigne, este esperou o estreante Zapata puxar a marcação e abrir espaço para a infiltração de Pandev, e o camisa 19 fechou o placar. (Arthur Barcelos)

Cagliari 1-1 Inter
Poupando alguns titulares, a Inter viu seu futebol cair frente ao Cagliari, e dois importantes pontos na disputa por vagas europeias (ou, se ambições se confirmarem, o título), ficarem pelo caminho. Jogando em Trieste, a equipe de Milão entrou em campo 64 horas depois da vitória sobre a Fiorentina, na quinta, o que provocou a ira de Walter Mazzarri, pela falta de descanso aos seus comandados. Seja por falta de descanso, falta de entrosamento ou apenas um dia ruim, a Inter jogou mal, apesar de pressionar na maior parte da partida.

No primeiro tempo, a Inter ficou refém de uma partida abaixo das expectativas de Álvarez, que esteve muito bem nos outros jogos de 2013-14. Pelo lado direito, Nagatomo o auxiliava bem, mas Pereira não aparecia bem no lado oposto. No comando do ataque, Belfodil até tentou, mas encontrou dificuldades. Na segunda etapa, Álvarez deu lugar a Icardi, e o time mudou pouco. Na base do abafa, Pereira marcou, mas uma falta de Belfodil já havia sido marcada – e nem se pode falar de gol anulado. A entrada de Palacio no lugar do atacante argelino deu nova força à Inter, que pressionou e marcou, com Icardi, aos 30. Oito minutos depois, Nainggolan chutou e, com desvio em Rolando, empatou, em uma das poucas chances sardas na partida. Até o fim do jogo, a Inter buscou o segundo, mas saiu de mãos abanando. Melhor para os rossoblù, que conseguiram atrapalhar a vida de outra equipe grande, após arrancar um pontinho também contra a Fiorentina. (Nelson Oliveira)

Milan 1-0 Sampdoria     
Em noite que teve Robinho como protagonista e o menor público da “era Berlusconi” (apenas 23.372 pessoas), o Milan conseguiu uma apertada vitória contra a Sampdoria. Tendo a responsabilidade de ser a grande estrela do time, uma vez que Kaká, Balotelli, Montolivo e El Shaarawy estavam de fora, o brasileiro fez uma de suas melhores partidas com a camisa rossonera criando as melhores jogadas, dando assistência para Birsa, que fez o gol no começo da segunda etapa, e perdendo um gol incrível. Com os três pontos, o Milan além de saltar para a 9ª colocação, ganhou moral para encarar a dura sequência contra Ajax, pela Champions League, e o clássico contra a Juventus, na próxima rodada.

Em campo, um primeiro tempo fraquíssimo, com a melhor chance milanista criada por Robinho, que fez um belo cruzamento para Constant arrematar de primeira, com perigo para o gol do brasileiro Júnior Costa. O gol saiu no início da segunda etapa. Birsa recebeu de Robinho e da entrada da área, acertou um chute rasteiro no canto esquerdo do goleiro blucherchiato. Na sequência, Robinho perdeu um gol incrível, mesmo estando a poucos centímetros da linha do gol. Tendo dado um mísero chute a gol durante todo o jogo, a Samp pouco fez para merecer sequer um empate e segue na zona de rebaixamento. Com apenas uma vitória nos últimos 17 jogos, o trabalho de Dellio Rossi é colocado em xeque, enquanto Massimiliano Allegri teve um fim de semana de tranquilidade. (Caio Dellagiustina)

Fiorentina 2-2 Parma
Em um jogo movimentado, a Fiorentina deixou mais pontos escapulirem nos últimos minutos. Depois de vacilar e ceder o empate em casa, contra o Cagliari, na 3ª rodada, desta vez o time virou o placar contra o Parma e, nos acréscimos, por causa de um erro primário do goleiro Neto e do zagueiro Rodríguez, teve de se contentar com o empate. A não contratação de um goleiro mais experiente e confiável, e também de um zagueiro com mais qualidade já custaram cinco pontos à equipe. Pode fazer falta.

Já deu para notar que a Fiorentina confia demais no seu poderoso ataque, mas, além de Gómez, Rossi também se machucou e deve ficar de fora ao menos do próximo jogo, em Roma, contra a Lazio. Por outro lado, o jovem Rebic entrou bem no jogo e Vargas, que ganha nova chance em Florença, também – o peruano até fez um gol, com assistência do croata. Rodríguez, que nem sempre é impecável na defesa (falhou no primeiro gol, também), ao menos é um zagueiro-goleador, e deixou o seu. Mas o Parma, aplicado taticamente, aproveitou a fragilidade do lateral Alonso, e viu Biabiany ser letal nas subidas pelo flanco direito, de onde surgiu o segundo gol. No meio-campo, um incansável Gargano recuperou diversas bolas, ganhou o duelo com Borja Valero, e ainda marcou um gol. Com mais dias assim, os parmiggianos podem sonhar com uma vaga na Liga Europa. Se jogar assim mais vezes, a Fiorentina pode amargar um fim de temporada com mãos abanando. (NO)

Sassuolo 2-2 Lazio
Pela segunda rodada seguida, o modesto Sassuolo tira pontos importantes dos principais times do campeonato. Depois de tomar uma saraivada da Inter, a equipe de Di Francesco arrancou empate contra o Napoli, no San Paolo, no meio da semana, e voltou a surpreender, alcançando grande empate contra a Lazio, depois de estar perdendo por 2 a 0. No primeiro tempo, a equipe da casa conseguiu manter a posse de bola, mas chegou com perigo apenas duas vezes. A Lazio, pouco ativa na partida, também não incomodou muito e os times saíram para o intervalo com o placar zerado.

Na volta para o segundo tempo, o jogo subiu de ritmo e saíram três gols nos primeiros dez minutos. André Dias e Candreva fizeram para a Lazio, mas Schelotto logo diminuiu. Melhor no jogo, o Sassuolo foi para cima e alcançou o empate aos 32 minutos, com Floro Flores, em bomba de fora da área, mas com colaboração de Marchetti. O time ainda teve a chance da virada, pouco mais tarde, mas Marchetti se redimiu e fez grande defesa em chute do próprio Floro Flores. Gosto amargo para a Lazio e doce para o Sassuolo. O segundo ponto na temporada, porém, não é suficiente para tirar o time da lanterna da Serie A. A Lazio, por sua vez, chega a seu primeiro ponto conquistado fora de casa, mas pouco tem a comemorar, uma vez que poderia ter se aproximado mais dos quatro primeiros colocados. (RA)

Verona 2-1 Livorno

Confronto entre os recém-promovidos da Serie B. E um bom jogo em Verona, com pouco mais de 30 finalizações (13 no alvo, sendo três gols, é verdade). O time da casa mais uma vez contou com outro ótimo desempenho do arqueiro Rafael, além dos jovens Rômulo e Jorginho, juntamente com Iturbe, em grande tarde no Bentegodi. A vitória coloca o surpreendente Hellas na sétima colocação com 10 pontos, a apenas um da zona de classificação para a Liga Europa. Já para o Livorno, nada muito prejudicial, uma vez que o time vem rendendo bem e, mesmo com a derrota, vem logo atrás dos gialloblù, com 8 pontos.

O jogo teve um começo eletrizante, indo de acordo com as diferenças políticas das equipes, especialmente entre os ultrà – os veroneses, de extrema-direita, os livorneses, esquerdistas. No início, o Verona buscou mais o gol, e o Livorno teve o controle na segunda parte dos primeiro 45 minutos. Toni, Coda, Paulinho e Siligardi perderam ótimas chances de abrir o placar, o que só veio a acontecer na cobrança de falta maravilhosa de Iturbe, aos 40 minutos. O empate, contudo, veio ainda nos acréscimos, com Rinaudo completando escanteio de Greco. Apesar de os rivais terem voltado com fome pela vitória, o gol do desempate demorou a sair. Na experiência, Toni conseguiu outro pênalti depois do que salvara o time no empate com o Torino na quarta. Na cobrança, novamente Jorginho garantiu pontos preciosos para o time de Andrea Mandorlini. (AB)

Atalanta 2-0 Udinese
Em Bérgamo, a Atalanta venceu seu segundo jogo na Serie A graças à Denis, que reencontrou o caminho do gol. O argentino, que ficou dez jogos sem marcar (cinco nessa temporada e cinco na última), desencantou na última rodada frente ao Parma, e dessa vez marcou os dois gols da vitória ante a Udinese, sua ex-equipe. A polêmica do jogo ficou por conta de um pênalti assinalado e depois anulado corretamente por Piero Giacomelli, auxiliado pelo bandeira Renato Faverani, que anotou impedimento de Danilo antes da infração, logo no início do segundo tempo.

O jogo se resumiu em ataque da Atalanta e defesa da Udinese. Desde os primeiros minutos, os comandados de Colantuono partiram para o ataque, embora nem sempre com tanta eficiência. Com boa movimentação de Bonaventura e Moralez, a equipe criou as melhores oportunidades, mas parou no consistente sistema defensivo armado por Guidolin. O gol só saiu no minutos final da primeira etapa, com Denis, que completou desvio de cabeça de Bonaventura. O mesmo Denis, aos 63, deu um toque na saída de Kelava para definir o marcador. Com a vitória, os bergamascos se distanciaram da zona de rebaixamento, enquanto a Udinese, acostumada com a parte de cima da classificação nas últimas temporadas, continua na metade da tabela. (CD)

Catania 2-0 Chievo
Em um jogo de poucas chances, o Catania venceu o Chievo por 2 a 0 e conseguiu sua primeira vitória nesta Serie A. O goleiro do Ceo, Puggioni, salvou sua equipe logo no começo da partida após finalizações de Bergessio e Barrientos. Contudo, Plasil marcou seu primeiro gol no Campeonato Italiano - um chute de fora da área; o primeiro tento do Catania no Angelo Massimino na temporada. O tcheco contratado junto ao Bordeaux quase ampliou a vantagem, mas o cabeceio passou perto da trave. No outro gol, Andújar trabalhou na finalização de longa distância de Radovanovic.

No segundo tempo, Castro recebeu de Tachtsidis, pela esquerda. O argentino, ex-Racing, cruzou, Bergessio tentou o toque na bola, mas não conseguiu. Puggioni também não defendeu, e o Catania marcou seu segundo gol no jogo. Os defensores do Chievo pediram o impedimento de Bergessio, mas nada foi marcado. Com a partida já decidida, o time mandante poderia ter feito mais um, com Barrientos, mas o meio-campista jogou a bola pra fora ao sair na frente do goleiro adversário. (MM)

Relembre a 5ª rodada aqui.
Confira estatísticas, escalações, artilharia, além da classificação do campeonato, aqui

Seleção da rodada
Rafael (Verona); Nagatomo (Inter), Legrottaglie (Catania), Benatia (Roma), Balzaretti (Roma); Strootman (Roma), Inler (Napoli); Pandev (Napoli), Iturbe (Verona), Gervinho (Roma); Denis (Atalanta). Técnico: Rudi Garcia (Roma).

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

5ª rodada: A metamorfose de dois times

Um dos símbolos da transformação da Inter, brasileiro Jonathan tem tido destaque no time (LaPresse)
O Napoli contratou um time novo e um atacante de nível mundial. A Juventus mexeu pouco, mas trouxe um craque incontestável. Porém, os destaques da Serie A até agora são dois times que, até poucos meses atrás, estavam completamente desacreditados, quase no fundo do poço. A Roma, vice-campeã da Coppa Italia, 6ª colocada no campeonato, e terceira pior defesa do campeonato, e a Inter, 9ª colocada, e segunda pior defesa. Ambas fora de qualquer competição europeia. Hoje, os romanistas estão com 100% de aproveitamento e sofreram apenas um gol, marcando 12. A Inter vem logo atrás, com 13 pontos, dois gols sofridos, mas 15 marcados. Os números, friamente, poderiam até dizer pouco, mas eles estão sendo construídos por duas equipes que tem uma postura claramente diferente – dois times com vontade de apagar o vexame de 2012-13. E que não dão sinais de que irão arrefecer.

Inter 2-1 Fiorentina
A Inter vem embalada. São quatro vitórias e um empate, uma goleada histórica no caminho, e a invencibilidade no papel, mesmo enfrentando Juventus e Fiorentina. Com uma tabela complicada na reta inicial do campeonato, a equipe de Walter Mazzarri pode comemorar: a forma segura de jogar deste time só se compara, nos tempos recentes, à do time comandado por José Mourinho. Com Leonardo e Stramaccioni, o time viveu bons momentos, mas pecava demais na defesa e não oferecia regularidade. O time de Leonardo tinha um excelente ataque, e se valia de Sneijder e Eto'o, embora fosse inseguro na defesa; e a equipe de Stramaccioni, mesmo quando chegou na 11ª rodada do último campeonato e venceu a Juventus, já havia sofrido derrotas em casa para Siena e Roma. Desta vez, a defesa está bem montada, o ataque é mortal, e a vontade é outra. O time cresce em grandes jogos e se impõe nos menores. Fisicamente, está inteiro: até agora, não houve qualquer lesão.

Contra a Fiorentina, a Inter fez um ótimo primeiro tempo, em que Álvarez foi destaque. A Fiorentina buscava os contra-golpes, e Joaquín e Rossi davam algum trabalho para o trio de zagueiros e Handanovic. Em um momento em que a Inter estagnou, já que Guarín e Taïder assumiram mais responsabilidades, mas estavam mal no jogo, Juan cometeu pênalti bobo sobre Joaquín. Handanovic adivinhou o canto, mas não defendeu a cobrança de Rossi, que chegou ao sexto gol em seis jogos com a camisa viola – 5 no campeonato, do qual é artilheiro. Mas Mazzarri tirou Guarín (que ironizou a torcida, mas se desculpou após o jogo), e Taïder, inserindo Kovacic e Icardi. A profundidade que faltava com Palacio apareceu e o time empatou, após cobrança de escanteio, com voleio de Cambiasso. Pouco depois, uma jogada simbólica do momento metamorfoseado da Inter: Álvarez fez ótima jogada e passou para Jonathan, que se livrou de Fernández e encheu o pé para virar. Dois dos mais criticados jogadores do elenco, que cresceram muito com o novo técnico, viraram o jogo. Ainda havia espaço para mais, mas a Beneamata perdeu outras três chances, em seguida. (Nelson Oliveira)

Sampdoria 0-2 Roma
Depois de anos, a Roma reencontra a liderança isolada da Serie A. Em uma dura batalha no Marassi, os comandados de Rudi Garcia derrotaram a Sampdoria por 2 a 0, estabelecendo o recorde do clube de cinco vitórias na abertura do campeonato – é o melhor início de campeonato desde a temporada 2005-2006, quando a Juventus venceu nove partidas seguidas. É a primeira vez desde a temporada 2009-2010 que os giallorossi estão isolados na liderança, sendo a última vez quando derrotaram a Lazio por 2 a 1 em um dérbi válido pela 33ª rodada daquele campeonato. A Samp segue sem vencer e já chega à zona de rebaixamento, com apenas dois pontos em cinco partidas. O trabalho de Delio Rossi começa a ser contestado e a crise apenas cresce. Como de costume, voltam a surgir boatos da volta de Cassano ao clube, na janela de inverno.    

Querendo dar uma resposta a seu fiel público, a Samp foi à carga na primeira metade da partida. Os blucerchiati criaram boas chances no primeiro tempo, mas esbarraram no firme sistema defensivo romanista. A melhor chance foi do jovem talento Gabbiadini, um dos poucos brios da equipe na temporada, que chutou rasteiro forte aos 31, mas De Sanctis conseguiu mandar para escanteio. Para a Roma, as coisas pareciam perdidas aos 10 do segundo tempo, quando Garcia foi expulso por aplaudir ironicamente a arbitragem. Mas, logo depois, Benatia e Strootman fizeram uma tabela genial e o zagueiro conseguiu invadir a área no meio da zaga. Ele foi derrubado por Gastaldello – pênalti –, mas, caído no chão, chutou no canto de Júnior Costa e abriu o placar. Com o adversário ferido, os visitantes ampliaram aos 43, quando Gervinho recebeu dentro da área passe de Totti em contra-ataque e, tranquilamente, mandou para as redes, sem chance para o goleiro brasileiro. (Thiéres Rabelo)

Chievo 1-2 Juventus
A Juventus não é mais a mesma. Se na temproada passada, as vitórias vinham com facilidade e o caminho até o scudetto era apenas uma questão de tempo, neste campeonato a Velha Senhora não inspira tanta confiança. Pela quarta vez seguida, o time de Antonio Conte saiu atrás no placar e teve que se recuperar. A equipe continua invicta (13 pontos, na 3ª colocação), é verdade, mas passa por dificuldades em quase todo jogo. De novo com time misto, a Juve fez um péssimo primeiro tempo contra o Chievo e saiu atrás no placar, após gol de Théréau.  

No segundo tempo, os bianconeri voltaram mais atentos e empataram logo no início: Pogba cruzou e Quagliarella tentou três vezes antes de conseguir balançar as redes. Pouco depois, o bandeirinha Preti anulou um gol legítimo dos donos da casa, assinalando impedimento inexistente de Paloschi. O erro crasso indignou e tirou um pouco da atenção dos jogadores do Chievo, que, aos 20 minutos, levaram o gol da virada. Pogba, o melhor jogador em campo, cruzou e Bernardini empurrou para o próprio gol. A vitória deixa a Juve na terceira colocação e mantém o Chievo em situação delicada, com apenas quatro pontos. Ao final do jogo, o presidente do Chievo, Igor Campedelli (interista declarado), foi aos vestiários consolar o bandeira e o árbitro pelo erro. A atitude foi amplamente elogiada pelo presidente da Associação Italiana de Árbitros. (Rodrigo Antonelli)

Napoli-Sassuolo 1-1
San Paolo lotado, sequência de cinco vitórias na temporada e confronto entre o melhor ataque e a pior defesa do campeonato. O Napoli tinha tudo para, assim como a Inter, massacrar o Sassuolo, porém não passou de um xoxo empate com o lanterna, não conseguiu superar a defesa neroverde e ainda levou sufoco atrás, o que pareceu ter deixado Benítez bastante irritado. Foram 72% de posse de bola, 19 finalizações e 21 dribles certos contra 6. O time da casa realmente foi superior, mas o dia ruim de Higuaín e Hamsík prejudicou todo o desempenho do time.

Dos 19 chutes, apenas 8 foram no alvo - de se destacar o desempenho de Pegolo, muito mais confiável que Pomini e Rosati -, sendo que 5 foram efetuados por Inler e o único gol foi marcado por Dzemaili, em potente chute de fora da área. Convém lembrar que os suíços são os volantes do 4-2-3-1 de Rafa, que efetuou um grande rodízio e mexeu muito no time. O gol cedo não abateu o time visitante, que apelava para o 3-5-2 (5-3-2 na pratica) após os 15 gols sofridos em 4 jogos. O time emiliano logo empatou com belo gol de Zaza, em assistência de Kurtic. Na base de contra-ataques, o Sassuolo também colocou Reina para trabalhar e teve número próximo de finalizações (17 ao todo, 6 no alvo). Com um mês movimentado com dois jogos pela Champions, o time de Benítez enfrentará o Genoa na Ligúria, enquanto o Sassuolo receberá a Lazio em Reggio Emilia. (Arthur Barcelos)

Bologna 3-3 Milan
Já sem Kaká, lesionado, e agora sem Balotelli (suspenso por três jogos devido a expulsão após o final do jogo ante o Napoli), o Milan foi até o Renato Dall’Ara para encarar o Bologna. Vivendo mais um péssimo início de temporada, com apenas 3 vitórias em oito jogos (sendo duas pela Champions League), os três pontos eram necessários para melhorar a situação no campeonato. Para o time bolonhês, a vitória era mais que fundamental, afinal com apenas dois pontos, a equipe de Stefano Pioli beira a zona de rebaixamento. O empate acabou sendo ruim para os dois times, uma vez que o Bologna se manteve na parte baixa e o Milan fica cada vez mais longe do topo da tabela, com míseros 5 pontos, na 12ª colocação.

Com Robinho na vaga de Balotelli, o Milan conseguiu ter um ritmo de jogo diferente do apresentado em confrontos anteriores e o gol não demorou a sair, com Poli, aos 12. Mas, se o ataque funcionou mesmo sem o camisa 45, não se pode dizer o mesmo da defesa, que continua o ponto fraco da equipe. Após lançamento longo da defesa, Cristaldo, com um sutil toque de cabeça, desestruturou toda a defesa milanista e deixou Laxalt com caminho livre para avançar e empatar o jogo. E o jogador emprestado pela Inter marcou também o segundo, no início da etapa final, aproveitando cruzamento de Lazaros. Atordoado, o Milan não se achou mais na partida e acabou levando o terceiro. Cristaldo se infiltrou entre Zapata e Méxes e completou cruzamento de Diamanti. A derrota já era dada como certa, mas em nos minutos finais o Milan igualou o placar, com Robinho e Abate. Não fossem os gols desperdiçados por Matri... (Caio Dellagiustina)

Lazio 3-1 Catania
Mesmo desfalcada, a Lazio conseguiu bater o Catania, por 3 a 1, após a derrota no clássico em Roma. Sem Klose, Radu, Biava, Konko, Biglia, Novaretti, Dias e Mauri (suspensos, os dois últimos), a equipe treinada por Vladimir Petkovic mostrou aos seus torcedores, no Olímpico, que faria bonito na tarde da última quarta-feira - com uma ajuda do goleiro adversário. Logo aos 4 minutos, Andújar cochilou na falta de Candreva e Ederson estufou a rede. No lance seguinte, Cana rebateu e a bola sobrou para Barrientos passar por Marchetti e empatar o jogo. Ainda no primeiro tempo, Lulic marcou o segundo gol da Lazio na partida ao aproveitar um passe errado do volante Guarente.

O Catania quase empatou o confronto novamente com uma bicicleta de Almirón, mas para a tristeza do meio-campista, a bola explodiu na trave. O jogo praticamente foi decidido com a expulsão de Bellusci, que recebeu o segundo cartão amarelo ao cometer falta em Onazi. Hernanes, raivoso por ter perdido a titularidade para Ederson, entrou bem em campo e ainda deixou sua marca antes do minuto final. Na próxima rodada, o Catania recebe o Chievo, que ainda não venceu fora de casa; a Lazio joga contra o Sassuolo.  (Murillo Moret)

Parma 4-3 Atalanta 
Parma e Atalanta fizeram um dos melhores jogos da rodada, no Ennio Tardini, com belas jogadas, muitos gols, boa qualidade técnica e até um expulso. Os donos da casa saíram na frente, com gol de Mesbah, mas deixaram a Atalanta empatar menos de um minuto depois, com Bonaventura. Nos 15 minutos seguintes, foi um festival de gols: Parolo balançou as redes duas vezes e Rosi uma para fazer 4 a 1 para o Parma, e Denis deixou o dele para diminuir para 4 a 2. Destaque para os dois belos gols de Parolo e a boa partida de Antonio Cassano. 

Na volta do intervalo, Amauri foi expulso logo no início e o time de Roberto Donadoni teve que se portar de maneira mais cautelosa. A Atalanta foi para cima, mas não conseguia furar o bloqueio dos crociati. O gol só saiu aos 35 minutos da etapa final, com Livaja. Donadoni respira um pouco com a primeira vitória do Parma no campeonato, mas já começa a pensar no difícil jogo contra a Fiorentina, no fim de semana. A Atalanta, por sua vez, chega à terceira derrota consecutiva e está cada vez mais perto da zona de rebaixamento. (RA)
 
Udinese 1-0 Genoa
Deve ser muito complicado ser goleiro de time desfavorecido técnica e taticamente. Não importa ser bom se, ao final da partida, você vê o telão e lá consta que sua equipe perdeu novamente. É a situação de Perin, que mais uma vez viu o Genoa perder um jogo. Desta vez, seu time foi engolido pela Udinese, no Friuli, e foi derrotado por 1 a 0 - a terceira derrota em cinco partidas da Serie A 2013-14. A equipe visitante teve uma chance de gol no primeiro tempo inteiro, com Konaté, que parou em defesa de Kelava. Enquanto isso, no outro gol, Perin se virava para bloquear os remates de Maicosuel, Di Natale, Pereyra e Heurtaux. Allan, no meio-campo, comandava as ações.

Calaiò, na etapa final, desviou cobrança de falta de Di Natale de cabeça, enganando o goleiro do seu time. Perin, desta vez, nada pode fazer. O Genoa até melhorou após a desvantagem no placar, com um chute potente, mas pra fora, de Antonini; na sequência, nos acréscimos, o arqueiro ainda pegou a finalização de Muriel. A Udinese chegou a 20 jogos de invencibilidade em casa, mas ainda precisa jogar mais se quiser repetir as temporadas anteriores. (MM)

Torino-Verona 2-2
Quatro gols em Turim, porém um jogo não muito movimentado entre Torino e Verona, que deverão ficar no meio da tabela, mas que prometem serem pedra no sapato dos grandes - o Milan que o diga. Foram pouco mais de 15 finalizações ao todo, com 9 defesas dos goleiros e gols que saíram em falhas das defesas – dois em pênaltis bobos. De destaque apenas o desempenho de Bellomo como regista e outro bom desempenho de Jorginho e Rômulo no time de Mandorlini, o que não serviu de muito para dar emoção ao jogo.

Cerci colocou o time de Ventura na frente do placar em boa cobrança de pênalti, após o estreante González colocar a mão na bola. Pouco antes do primeiro tempo acabar, Toni recebeu, livre, dentro da área e ajeitou para Juanito (ou Gomez Taleb, como preferir) igualar o placar. Seguindo a tônica de falhas defensivas, a defesa gialloblù se embolou logo após a volta do intervalo e Cerci (sempre ele) marcou seu quinto gol no campeonato. 15 minutos depois, contudo, novo pênalti, agora cometido por Rodríguez sobre Toni. Na cobrança, Jorginho converteu e definiu o placar final. (AB)
Livorno 1-1 Cagliari
Um tempo para cada time e um resultado que foi bem digerido pelos dois lados. Livorno e Cagliari fizeram pouco para vencer, mas conseguiram um pontinho que ajuda os dois times na caminhada para a salvezza.

No primeiro tempo, o Livorno foi melhor e chegou ao gol após uma jogada bem trabalhada no ataque. Uma triangulação entre Paulinho, Emeghara e Luci acabou resultando no gol do meio-campista, capitão da equipe. Emeghara até poderia ter feito mais um, mas teve gol bem anulado. Ibarbo, que errou tudo no primeiro tempo, acertou no segundo e até fez gol, após passe do brasileiro Nenê. Após o intervalo, a defesa do Livorno teve trabalho contra os sardos, mas jogou bem de novo, com destaque para Bardi, melhor goleiro da competição até o momento.

Relembre a 4ª rodada aqui.
Confira estatísticas, escalações, artilharia, além da classificação do campeonato, aqui.

Seleção da rodada
Handanovic (Inter); Jonathan (Inter), Acerbi (Sassuolo), Benatia (Roma), Allan (Udinese); Laxalt (Bologna), Parolo (Parma), Pjanic (Roma); Álvarez (Inter); Cerci (Torino), Cassano (Parma). Técnico: Walter Mazzarri (Inter).

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

4ª rodada: Pegando fogo

Roma, após chegada de Rudi Garcia, está embalada para disputar a Serie A com força até o fim. O primeiro "título" já foi conquistado, na vitória no dérbi sobre a Lazio (AFP)
Em uma rodada com dois jogos muito importantes, como o dérbi de Roma e um quente Milan-Napoli, dá para dizer que a Itália pegou fogo. Não só pelo calor que continua assolando algumas regiões, mas pelo futebol bem jogado, e resultados arrancados a fórceps por algumas equipes. Hoje, a ponta da tabela da Serie A tem, entre os cinco primeiros colocados, cinco times que já eram cotados para brigar pela ponta: Napoli, Roma, Inter, Juventus e Fiorentina, nesta ordem de classificação. Milan e Lazio, pelo pouco que vem jogando, vão ter que batalhar muito para não deixarem o grupo disparar: hoje, os laziali estão distantes 6 pontos da liderança, enquanto o Milan está a 8. Fiquem com o resumo da rodada.

Roma 2-0 Lazio
Normalmente, o dérbi da capital é quente e muito tenso. Desta vez, nesse domingo, a partida foi muito travada, em alguns momentos, e, sobretudo no primeiro tempo, as duas equipes pensaram mais em não sofrer gols do que em atacar. No segundo tempo, a ousada mexida de Rudi Garcia, que colocou Ljajic no lugar de Florenzi, muito mal em campo, mudou o jogo. O sérvio chamou a responsabilidade, passou a atuar nas costas de Konko, e levantou os ânimos na partida. Com a vitória, a Roma derrubou um tabu: desde 2011 não vencia a maior rival. E, líder invicta do campeonato, pela primeira vez desde 1960 conseguiu vencer os quatro primeiros jogos de uma temporada.

Apesar da entrada de Ljajic, a Lazio teve duas chances claras, com uma cabeçada de Ciani, que acertou a trave, e uma outra chance, com Klose. Hernanes, que havia marcado em três dos quatro últimos dérbis, deixou o campo na segunda etapa, após péssima atuação. Em uma jogada de Totti, aos 17 minutos, Balzaretti acertou o travessão e Ciani tirou o gol que Ljajic faria no rebote, mandando a escanteio. Na rápida cobrança, a defesa laziale continuava em afã, e deixou o mesmo Balzaretti livre para marcar, com um sem pulo. Superior após o gol, Totti ainda cavou expulsão de André Dias: o brasileiro, com apenas três minutos em campo, nem merecia o vermelho – no máximo, um amarelo. Já nos acréscimos, após lance de pressão, Ljajic sofreu e converteu o pênalti que deu números finais ao placar. (Nelson Oliveira)

Milan 1-2 Napoli
Há 27 anos, o Napoli não vencia o Milan em San Siro. Consciente de que essa pode ser uma temporada dos sonhos, a equipe do sul da Itália entrou em campo com vontade de detonar o tabu, e em pouco mais de 5 minutos, a equipe teve duas chances claras e marcou um gol, com Britos. A superioridade se viu no restante da partida, em uma boa atuação dos meio-campistas e de Higuaín, muito eficiente em segurar a bola no campo ofensivo e em criar jogadas perigosas. No segundo tempo, aos 8 minutos, uma ação individual dele, contando com falha de Abbiati, foi suficiente para os napolitanos abrirem 2 a 0 e encaminharem a primeira derrota do Milan em casa em 13 partidas.

Pelo lado do Milan, apenas Balotelli foi perigoso e, todas as melhores chances do Diavolo saíram de seus pés  – a não ser um pênalti não marcado, de Zúñiga sobre Poli. De resto, Balotelli tentou de todos os jeitos, com chutes de fora da área, mas viu quase todos serem defendidos por Reina ou baterem no travessão. Em um pênalti sofrido por ele seis minutos após o segundo do Napoli, o goleiro espanhol voou, e também evitou o gol, e fez Balotelli errar uma cobrança pela primeira vez como profissional. O italiano não se abalou e continuou tentando, mas Reina estava bem. Nos acréscimos, Balotelli conseguiu, enfim, marcar um gol (um golaço, aliás), mas foi só. O atacante ainda ofendeu o árbitro Luca Banti após o apito final, e foi expulso. Suspenso por três jogos, o jogador aguarda decisão de recurso impetrado pelo Milan. (NO)

Sassuolo 0-7 Inter
Uma vitória histórica em Reggio Emilia. Neste domingo, o time de Mazzarri conseguiu repetir os feitos de Juventus, em 1950, e Udinese, em 2011, e construiu a maior goleada de um visitante na Serie A; a maior interista no nacional. Embalada por Álvarez, novamente o melhor em campo, e Milito, voltando após sete meses no estaleiro, a equipe afundou novato o Sassuolo, no pior início de campeonato desde o do Treviso, em 2005-06, colecionando 15 gols contra e nenhum ponto em quatro jogos. Muito superiores nos 90 minutos, os comandados de Mazzarri jogaram quando e como quiseram, tendo calma e paciência para construir o placar, sem fazer grande esforço e sem expor Handanovic – em outra boa atuação da defesa. 

A surra começou aos 7, em cruzamento de Nagatomo, completado por Palacio (seu 50º na Serie A). Aos 23, Juan arrancou pelo centro e lançou Palacio, que teve seu chute defendido parcialmente por Pomini, quando Taïder foi mais rápido e ampliou a vantagem. Dez minutos depois, Guarín cruzou para Taïder, novamente infiltrando, mas Pucino se antecipou e fez contra. Na volta do intervalo, Álvarez puxou contra-ataque aos 53 minutos e aproveitou novo rebote de Pomini, em outro chute de Palacio. Milito entrou logo na sequência e de seus pés saíram os outros três gols, para a festa de Massimo Moratti, que acompanhou o jogo in loco. Aos 63, Álvarez fez o que quis na área neroverde e passou para Milito fazer o quinto. Aos 75, pivô do camisa 22 e passe para Cambiasso acertar belo chute colocado de fora da área. Fechando a conta, aos 83, Guarín centrou para o Príncipe marcar uma doppietta logo em seu retorno aos campos. (Arthur Barcelos)

Juventus 2-1 Hellas Verona 
Em jogo duro contra o Verona, em Turim, foram os recém-contratados Tévez e Llorente que resolveram para a Juventus. Após 39 minutos totalmente apáticos da Velha Senhora, que saiu atrás no placar depois de gol de Cacciatore, aos 36, o atacante argentino tratou de acordar seus companheiros com um belo lance. Ele recebeu boa bola em profundidade de Pirlo, ganhou do zagueiro na velocidade e bateu cruzado, superando Rafael. Antes do fim do primeiro tempo, Llorente, que fazia sua primeira partida como titular (por causa do turnover de Conte), marcou seu primeiro gol com a camisa da Juve, aproveitando cruzamento de Vidal. 

No segundo tempo, o Verona teve que esquecer o catenaccio e se abrir mais, o que deixou o jogo um pouco melhor. Fraca tecnicamente, porém, a equipe do técnico Mandorlini nada conseguiu produzir e a Juventus levou o jogo até o final no piloto automático. Em uma ou duas oportunidades teve a chance de ampliar, mas não o fez. Destaque para a insatisfação de Pirlo ao ser substituído por Marchisio, aos 20 da etapa final. O veterano parece não ter gostado da decisão e saiu de campo sem cumprimentar Antonio Conte. Com a vitória, a Juve se mantém a dois pontos dos líderes Napoli e Roma. O Verona permanece com seis pontos, na 9ª colocação. (Rodrigo Antonelli) 

Balotelli perdeu primeiro pênalti na carreira e o Milan perdeu para o Napoli, líder, em casa após 27 anos (Getty Images)
Atalanta 0-2 Fiorentina
No encalço da Juventus, também com 10 pontos, vem a Fiorentina, que fecha o grupo de forças do campeonato. A equipe de Montella foi a Bérgamo e, mesmo muito desfalcada (sem Pizarro, Cuadrado e Mario Gomez), mostrou que lutará pelas primeiras posições até o final da temporada. Sem alguns jogadores-chave, o time conseguiu fazer boa partida e conquistou importante vitória contra a Atalanta. Mais uma vez, Montella se mostrou ótimo técnico ao mudar o esquema por causa das ausências. O 4-3-2-1, com Rossi isolado no ataque, e Mati Fernandéz e Wolski no apoio a ele, funcionou bem.  O jovem polaco, de 21 anos, fez boa estreia e participou decisivamente do lance do primeiro gol: Borja Valero cruzou, Wolski cabeceou na trave e Fernandéz empurrou para as redes no rebote, aos 41 do primeiro tempo.

Do lado da Atalanta, as mudanças não fizeram tão bem. Colantuono optou por realizar um turnover por conta do jogo da Coppa Italia na semana passada, mas seus comandados não foram bem. A equipe até correu bastante e tentou o gol até o fim, mas faltou técnica. Aos 25 minutos do segundo tempo, Rossi girou bonito dentro da área e fez 2 a 0, matando o jogo. Com apenas três pontos (uma vitória e três derrotas), a Atalanta está à porta da zona de rebaixamento e precisa de mudanças se quiser fazer um campeonato mais tranquilo. (RA)

Bologna 1-2 Torino
Na principal cidade da Emília-Romanha, confronto entre duas equipes históricas e campeãs, mas de realidades diferentes hoje. Melhor para o Torino, que alcançou a sua segunda vitória na temporada, a sétima colocação na tabela, e ainda quebrou um tabu de 32 anos sem vencer no Renato Dall’Ara. Para o Bologna, outra decepção: o time tem apenas dois pontos no campeonato e a situação só não é pior porque o Parma fez menos gols e é o primeiro time na zona de rebaixamento.

O placar da partida foi todo construído no primeiro tempo, e começou logo aos 2 minutos, em jogada e cruzamento de Cerci, finalizado por D’Ambrosio após o desvio do goleiro Curci. Em busca do empate, o Bologna tentou de todas as maneiras, mas quem levou perigo foi o time de Ventura com Glik, Vives e Cerci. Ainda assim, os rossoblù igualaram o marcador com Natali, em bate-rebate após cobrança de falta. Cerci acertou o travessão em chute de fora da área, mas pouco depois, El Kaddouri foi derrubado na área, e na cobrança o jogador da seleção italiana marcou seu terceiro gol na temporada e decretou o placar final. Com um a menos com a expulsão de Natali, no túnel para os vestiários, o Bologna não teve forças para buscar o empate e só levou susto com Kone, que, impedido, teve o gol invalidado. (AB)
Chievo 2-1 Udinese
O retrospecto recente em casa não era bom (apenas uma vitória nos últimos dez jogos), mesmo assim, o Chievo recebeu, confiante, a Udinese, em busca de sua primeira vitória na atual temporada. E nem mesmo o gol sofrido a menos de um minuto desmotivou os comandados por Sannino, que reagiram rápido e poderiam ter feito muito mais que os dois a um, tantas foram as chances criadas e desperdiçadas.

O gol bianconero aconteceu após bobeira de Bernardini, que não percebeu a aproximação de Maicosuel após recuou de Cesar. O brasileiro aproveitou para marcar o gol mais rápido da atual edição da Serie A, com exatos 50 segundos – e logo depois protagonizou uma das piores cobranças de escanteio da história. Não demorou para que o Chievo reagisse e Pellissier empatasse o confronto aos 12. O segundo gol só não saiu na sequência porque o goleiro Kelava brilhou e salvou a equipe da Udinese. A virada se concretizou aos 39, com um belo gol de Rigoni, da entrada da área, que após desvio na defesa friulana, encobriu o goleiro croata. Guidolin apostou na entrada de Di Natale na segunda etapa mas, embora tenha melhorado o poder ofensivo da equipe, poucas foram as chances de perigo contra Puggioni. Com o resultado, o Chievo subiu para 14º, com 4 pontos, enquanto a Udinese caiu para 12º, com a mesma pontuação. (Caio Dellagiustina)

Em sua volta aos gramados, Milito marcou dois no massacre da Inter sobre o Sassuolo: 7 a 0 (Image Sport)
Cagliari 2-2 Sampdoria 
Foram apenas cerca de 2 mil torcedores - com aproximadamente um terço deles do time visitante - no Nereo Rocco, em Trieste, para ver o incomum empate por 2 a 2 entre Cagliari e Sampdoria. Incomum pois três dos quatro gols da partida aconteceram nos quatro minutos finais de partida. A Samp, apesar de ainda não ter conseguido sua primeira vitória no campeonato e ainda estar namorando a zona de rebaixamento, mostrou melhora no futebol apresentado, após a fatídica goleada sofrida no dérbi contra o Genoa. Já o torcedor sardo lamenta os erros coletivos que custaram os dois pontos e uma aproximação do grupo que luta por vagas nas competições europeias, após uma grande apresentação do time contra a Fiorentina, quando arrancou um empate em Florença. 

Os donos da casa abriram o placar aos 26 do primeiro tempo, quando Ekdal tabelou com Pinilla na entrada da área e fuzilou para o gol da marca do pênalti, sem dar nenhuma chance a Júnior Costa. A Samp chegou ao gol aos 36, com Wszolek, mas o auxiliar apontou um impedimento inexistente, anulando o  gol. Quando tudo parecia decidido, já no segundo tempo, Pozzi escorou cruzamento da direita para Gabbiadini, na entrada da área, bater rasteiro forte e Agazzi deixar a bola passar por entre suas pernas, aos 44. Aos 46, capitão sardo, Conti, cobrou falta com maestria e desempatou o jogo. Mas, aos 48, Gastaldello cobrou falta do campo de defesa, Sansone escorou para trás e De Silvestri chutou forte. A bola desviou em Gabbiadini e entrou (mas a Serie A assinalou gol para o lateral), com novo erro de Agazzi, concluindo a epopeia. (Thiéres Rabelo)

Genoa 0-0 Livorno
O confronto no Luigi Ferraris reuniu os dois melhores goleiros sub-21 da Itália: Mattia Perin e Francesco Bardi. Ambos salvaram suas equipes que, ao contrário de Catania e Parma, criam diversas oportunidades de gol. Vamos começar com Perin. Ele defendeu um chutaço de Luci, de longa distância, e Emeghara, na primeira etapa. No segundo tempo, ele ainda salvou o Genoa ao segurar uma cabeçada de Paulinho. 

Por sua vez, Bardi foi mais exigido, até. O arqueiro do Livorno segurou o ímpeto do Genoa ao defender as oportunidades criadas por Matuzalém, Stoian e Calaiò – quando não conseguiu, o zagueiro Coda apareceu na cobertura e evitou gol do mesmo Calaiò. O jogo só terminou empatado sem gols porque Mbaye foi flagrado em impedimento ao tocar o rebote da finalização de Schiattarella e Bardi fez uma defesa impressionante, nos acréscimos, no cabeceio de Calaiò. Em campo, porém, sólida apresentação do Livorno, que dominou o jogo, embora fosse visitante, e até poderia ter saído com a vitória. Hoje, o time é o 6º colocado no campeonato, com 7 pontos. (Murillo Moret)

Catania 0-0 Parma
Antonio Mirante e Mariano Andújar fizeram uma defesa cada. Uma em cada um dos tempos. Cá está o resumo de um empate fraquíssimo entre Catania e Parma, no horroroso gramado do Angelo Massimino. O time da casa estava sem Galloppa; os visitantes não puderam contar com Izco e Leto. A tempestade que atingiu a região da Sicília no período da manhã castigou o gramado e ajudou no fraco desempenho das duas equipes. 

De fato, Catania e Parma precisam se mexer rapidamente. Em quatro rodadas, os elefantes conquistaram o primeiro ponto exatamente hoje. Os crociati, derrotados pela Roma na terceira rodada, estão na 18ª colocação, melhores posicionados apenas que o próprio Catania e o promovido Sassuolo. Enquanto o Parma recebe a Atalanta neste meio de semana, o time siciliano visita a Lazio, em Roma. (MM)

Relembre a 3ª rodada aqui.
Confira estatísticas, escalações, artilharia, além da classificação do campeonato, aqui.

Seleção da rodada
Reina (Napoli); Behrami (Napoli), Coda (Livorno), Bonucci (Juventus), Balzaretti (Roma); Ljajic (Roma), Borja Valero (Fiorentina), Álvarez (Inter); Tévez (Juventus), Milito (Inter), Higuaín (Napoli). Técnico: Rudi Garcia (Roma).

sábado, 21 de setembro de 2013

Times Históricos: Cagliari 1968-1970

Comandado por um espetacular Gigi Riva, o Cagliari chegou ao único scudetto de sua história

Grandes feitos: Campeão do Campeonato Italiano de 1969-1970. Foi o primeiro (e até hoje único) clube de uma região insular da Itália a se sagrar campeão nacional.

Time base: Albertosi; Tomasini; Martiradonna, Niccolai e Zignoli; Cera; Domenghini, Nenê (Brugnera), Greatti, Gori e Riva. Técnico: Manlio Scopigno.

Atum, sardinha, scudetto e Riva
Na Itália da virada dos anos 60, a região da Sardenha era praticamente irrelevante quando o assunto era futebol. A ilha só era conhecida internacionalmente pelo clima quente e pelos peixes sardinha e atum. Por lá, existia um clube pequenino, o Cagliari, que jamais conseguia brigar com os grandes do norte no Campeonato Italiano e vivia nas divisões inferiores do futebol nacional. No entanto, a região do atum e da sardinha começou a virar a região da bola na temporada 1969-1970 graças, principalmente, a um homem: Luigi Riva

O excepcional atacante que só tinha o gol como único e principal objetivo dentro de campo foi o principal responsável por fazer do Cagliari o grande e indiscutível campeão italiano de 1969-1970 com uma campanha recheada de recordes e feitos inacreditáveis. O título foi o primeiro e até hoje único conquistado por um clube da região insular da Itália e colocou a Sardenha no mapa do futebol em definitivo. Se antes os moradores de lá eram motivo de chacota e piadas da turma do norte, Riva e companhia calaram a boca de todos jogando um futebol competitivo, inteligente e irrepreensível. 

Logo após a conquista, importantes jogadores daquele esquadrão como Albertosi, Cera, Niccolai, Domenghini, Gori e Riva ajudaram a seleção italiana a chegar à final da Copa do Mundo de 1970, no México. É hora de relembrar as façanhas de um dos mais icônicos times do futebol italiano em todos os tempos.

Com a força de um Mustang
A história mais incrível do Cagliari começou a ser desenhada no começo dos anos 60, mais precisamente em 1963. Foi naquele ano que o clube da Sardenha contratou um jovem atacante que jogava no Legnano, da terceira divisão italiana, e que tinha uma história de vida marcada por momentos tristes e difíceis: Luigi Riva. Com nove anos, o jovem perdeu o pai e, aos 16, a mãe. Cuidando das duas irmãs mais novas, viu uma delas falecer de leucemia e a outra ficar paralítica após um acidente de carro. Tudo isso já poderia abalar qualquer um, menos Riva. 

Luigi Riva: atacante foi um divisor de águas no Cagliari.
Ele começou a jogar futebol e aprender a valorizar as vitórias dentro de campo quando ganhava três dólares por partida ganha no Laverno, um clube amador. Se não ganhasse, não recebia nada. Por causa disso, Riva preferia marcar gols e jogar mal a jogar o fino e não vencer. O Cagliari percebeu isso e via a introspecção do atacante após partidas perdidas nas divisões inferiores nas quais jogava naquela década. Porém, tudo mudou a partir da temporada 1964-1965, quando o clube sardo disputou pela primeira vez a Série A e alcançou uma honrosa sétima posição.

Os anos foram se passando e Riva foi crescendo de produção a cada jogo, se tornando peça de destaque, também, da seleção italiana, pela qual se tornaria o maior artilheiro da história. Na temporada 1966-1967, o atacante foi o artilheiro da Série A com 18 gols e, ao lado do companheiro Roberto Boninsegna, colocou o Cagliari na sexta posição do campeonato. 

O time sardo teria um destaque ainda maior no verão de 1967 ao viajar até os EUA para a disputa da United Soccer Association, uma competição disputada no Canadá e nos EUA com equipes “importadas” de países da Europa e da América do Sul, que serviu para plantar a semente do Soccer na terra do Tio Sam. O Cagliari participou do torneio com o nome Chicago Mustangs e teve a companhia de equipes como Cleveland Stokers (Stoke City), Houston Stars (Bangu), Los Angeles Wolves (Wolverhampton), San Francisco Golden Gate Gales (ADO Den Haag), Washington Whips (Aberdeen), entre outros. 

O Chicago Mustangs ficou na terceira posição da divisão oeste com três vitórias, sete empates e duas derrotas em 12 jogos, com 20 gols marcados e 14 sofridos. Boninsegna foi o artilheiro do time e da competição com 10 gols em nove jogos. O campeão acabou sendo o Los Angeles Wolves, que derrotou o Washington Whips com um alucinante 6 a 5 na final. Mesmo sem o título, o Chicago, ou melhor, o Cagliari, voltou para a Itália com bons fluidos e ótimas perspectivas para as temporadas seguintes.

Choque nos rivais e reforços
Depois de ficar na 9ª posição da Serie A na temporada 1966-1967, o Cagliari mostrou sua força no campeonato seguinte ao raspar a mão no scudetto e alcançar um incrível segundo lugar. Luigi Riva (artilheiro do ano) e Roberto Boninsegna foram outra vez fundamentais ao marcarem 20 e 9 gols, respectivamente, dos 41 anotados pelo clube da Sardenha na competição. Foram 14 vitórias, 13 empates e três derrotas em 30 jogos e apenas quatro pontos de diferença para a campeã, Fiorentina. O desempenho do time foi notável, também, graças ao trabalho do técnico Manlio Scopigno, conhecido como “O Filósofo”. O treinador tinha reconhecido talento para conversar com os jogadores, enfatizar o lado psicológico e ter profundos conhecimentos do futebol.

O vice-campeonato e a artilharia de Riva despertaram o interesse da Internazionale, que ofereceu dois milhões de dólares para contratar o atacante. Além do montante exorbitante para a época, a equipe de Milão, que tinha como homem forte o empresário Angelo Moratti, e dominava o futebol italiano naquela época, ao lado do Milan, ainda tinha a proposta de erguer na Sardenha um moderno hospital para amenizar a provável ira dos torcedores do Cagliari. 

No entanto, o clube não concordou e acabou negociando apenas o companheiro de Riva, Boninsegna, que partiu para a equipe nerazzurra em troca de Angelo Domenghini e Sergio Gori, que cairiam como luvas no esquema do técnico Scopigno. Com a mesma base dos anos anteriores, uma defesa segura e bem consistente e o ótimo Riva no ataque, era possível sonhar alto na temporada 1969-1970.

Disparada de campeão e momentos difíceis
Domenghini: vigiado por Trapattoni
Nas oito primeiras rodadas do Campeonato Italiano de 1969-1970, o Cagliari mostrou entrosamento e muita força defensiva tanto em casa quanto fora. Depois de empatar sem gols contra a Sampdoria, longe de casa, a equipe emendou quatro vitórias seguidas contra o Vicenza (2 a 1, gols de Domenghini e Riva), Brescia (2 a 0, gols de Domenghini e Riva), Lazio (1 a 0, gol de Brugnera) e a campeã do ano anterior, Fiorentina, por 1 a 0 (gol de Riva) em plena Florença. 

Na sexta rodada, e já líder, a equipe sarda empatou em casa contra a Internazionale em 1 a 1 (gol de Nenê), mas voltou a triunfar com uma vitória sobre o Napoli (2 a 0, fora, com dois gols de Riva, que jogou extremamente baleado e com febre de 40 graus) e outra sobre a Roma (1 a 0, em casa, gol do brasileiro Nenê).

Porém, a equipe de Riva, que mantinha quatro pontos de diferença sobre os concorrentes Fiorentina e Inter, começou a cair de rendimento ao empatar, em casa, contra a Juventus em 1 a 1 (gol de Domenghini) e empatar também em 1 a 1 (gol de Greatti) contra o Verona, fora. 

A vitória na 11ª rodada sobre o Bologna por 1 a 0 (gol de Riva) voltou a alegrar o time, mas uma partida desastrosa contra o Palermo, fora de casa, custou caro aos rossoblù. Além de perder por 1 a 0, o Cagliari viu seu treinador, Scopigno, ser expulso e suspenso pelo resto da temporada após ofender um bandeirinha. Para a sorte do time, os empates nas partidas seguintes contra Bari (0 a 0) e Milan (1 a 1, gol de Riva) não tiraram a liderança dos sardos, que mantiveram uma boa vantagem de três pontos sobre Fiorentina, Inter, Juventus e Milan em uma época de vitórias valendo dois pontos – e não três, como nos dias atuais. Para encerrar o turno no topo, Gori e Riva fizeram os gols da vitória por 2 a 0, em casa, sobre o Torino e garantiram a festa de inverno na Sardenha. Mas será que a toada seguiria até o verão?

Nos pés do craque
Riva e sua obra de arte contra o Vicenza
Assim como no início do turno, o Cagliari venceu quatro dos cinco primeiros jogos do returno. A estreia foi com um 4 a 0 pra cima da Sampdoria (dois gols de Domenghini, um de Riva e um de Gori) e foi seguida de um 2 a 1 contra o Vicenza com direito a dois gols de Riva, sendo um deles um magistral gol de bicicleta, tido como um dos mais belos da história do Campeonato Italiano, e capaz de arrancar aplausos de todos os torcedores do estádio Romeo Menti. 

Embalados, os sardos fizeram 4 a 0 no Brescia (dois gols de Brugnera, um de Gori e outro de Riva) e bateram a Lazio em Roma por 2 a 0 (um gol de Domenghini e outro de Riva). Na 20ª rodada, empate sem gols contra a Fiorentina e, em seguida, a segunda e última derrota da equipe no torneio – 1 a 0 para a Internazionale, em Milão, com o gol nerazzurro marcado pelo ex-rossoblù Boninsegna. 

O revés ligou o alerta em todos na Sardenha pelo fato de a Juventus encostar na classificação e ficar apenas um ponto atrás. Porém, na rodada seguinte, o Cagliari venceu o Napoli por 2 a 0 (gols de Gori e Riva) e viu a equipe de Turim empatar com a Inter. Àquela altura, a torcida do Cagliari via a possibilidade do título cada vez maior e fez aumentar de maneira considerável a demanda por rádios e TVs para acompanhar os jogos, obrigando as autoridades locais a instalar postes de eletricidade em diversas regiões da Sardenha.

Um dos gols de Riva sobre a Juventus, vice-campeã
Depois de empatar em 1 a 1 contra a Roma (gol de Domenghini), o Cagliari enfrentou a Juventus para o duelo mais aguardado daquela reta final de campeonato. Mesmo jogando fora de casa, os sardos não se intimidaram e partiram pra cima da Juve, que abriu o placar graças a um gol contra de Niccolai. Riva empatou no final do primeiro tempo e deixou o confronto aberto para a segunda etapa.

Nela, a Juventus chegou ao segundo gol num pênalti cobrado por Anastasi, após o juiz mandar voltar uma cobrança defendida por Albertosi. A torcida da Juve já cantava a vitória quando, aos 37, o Cagliari teve um pênalti a seu favor. Na cobrança, o craque Riva. Ele precisava marcar para manter o time na liderança isolada do torneio e deixar o scudetto cada vez mais próximo da Sardenha. O camisa 11 bateu e marcou um gol chorado, que decretou o empate em 2 a 2 e a manutenção dos dois pontos de vantagem.

Felizes ao extremo com o ótimo resultado e líderes, os sardos venceram o Verona por 1 a 0 (gol de Riva) na 25ª rodada, empataram sem gols contra o Bologna e derrotaram o Palermo, em casa, por 2 a 0 (gols de Nenê e Riva). Na 28ª rodada, o Cagliari viu a Juventus perder para a Lazio por 2 a 0 e fazer com que os sardos dependessem apenas de si para garantir o histórico título nacional já naquela dia 12 de abril de 1970. Jogando em casa contra um quase rebaixado Bari, o time rossoblù fez 2 a 0 com Riva e Gori e celebrou, por antecipação, seu inédito título de campeão da Itália.

Nas duas rodadas finais, o empate sem gols contra o Milan, em Milão, passou despercebido após a goleada por 4 a 0 (dois gols de Riva, um de Domenghini e outro de Gori) sobre o Torino, fora de casa, que encerrou com chave de ouro uma campanha inesquecível e histórica do Cagliari: 30 jogos, 17 vitórias, 11 empates e duas derrotas, com 42 gols marcados e apenas 11 sofridos, melhor defesa da competição e melhor de toda a história do Campeonato Italiano de futebol – para se ter uma ideia, o Cagliari não levou gols em 20 dos 30 jogos disputados.

Riva foi o artilheiro do torneio e do Cagliari, com 21 gols marcados em 28 jogos disputados, e se consagrou como o maior jogador da história do clube e responsável direto pela façanha incrível do time no campeonato local. Angelo Domenghini foi outro destaque no setor ofensivo ao anotar oito gols.

Do time titular, apenas três jogadores disputaram todos os jogos do título de 1969-1970: o goleiro Albertosi e os atacantes Domenghini e Gori. Meses depois, o Cagliari mostrou seu valor e sua força ao fornecer nada mais nada menos do que seis jogadores à seleção italiana que seria vice-campeã da Copa do Mundo de 1970, disputada no México: Domenghini, Albertosi, Riva, Cera, Niccolai e Gori, sendo os quatro primeiros titulares no time de Ferruccio Valcareggi.

Os reflexos da conquista
Riva, um dos mais respeitados jogadores da história italiana
Se antes a Sardenha era motivo de piadas e reconhecida apenas pelo pescado, naquele ano de 1970 foi a vez da desforra dos moradores da ilha. Durante uma semana, a população local comemorou sem moderação a conquista do Cagliari, com falsos funerais dos rivais de Turim e Milão, festas cheias de comidas e bebidas e um inédito orgulho de ser e viver na região insular.

Segundo o historiador Franco Brescio, antes da conquista do Cagliari, “bastava olhar para o mapa da Itália para saber o que realmente os italianos pensavam da Sardenha” – a bota chutando a ilha e a Sicília, outra grande ilha do país, localizada mais ao sul. O preconceito atingia o moral da população sarda, que se via no limbo do país ao conviver com estruturas precárias e sem os avanços do norte. Após o scudetto, a região começou a crescer graças ao turismo e nunca mais foi tratada com o desrespeito de antes. O título, segundo o protagonista principal daquela façanha – Luigi Riva – foi “algo para os sardos se orgulharem”.

No coração da Sardenha
Após o inédito e histórico título de 1970, o Cagliari jamais conseguiu repetir tal façanha e não foi bem na Copa dos Campeões de 1970-1971, sendo eliminado já na segunda fase após perder para o Atlético de Madrid, por 4 a 2 no placar agregado. O time, que já disputou por 35 vezes a elite do futebol italiano, passou por uma fase em que vivia subindo e caindo de divisões e, desde 2004, disputa a Serie A sem ter voltado à segundona. Enquanto o clube rossoblù tenta recuperar o prestígio de outrora, ainda dá para gastar os créditos adquiridos graças a um time histórico, competitivo e que transformou para sempre uma ilha inteira. Uma região que passou de mal falada a patrimônio de toda a Itália, como se tornou patrimônio da Sardenha o Cagliari, seus campeões e Luigi Riva, genial, visceral e imortal.

Os personagens:

Enrico Albertosi: goleiro extremamente ágil e capaz de fazer defesas acrobáticas, Albertosi foi um grande nome do Cagliari entre 1968 e 1974 e manteve sua ótima fase como goleiro depois de brilhar na Fiorentina. Teve um notável destaque na campanha do título com grandes defesas e a honra de levar apenas 11 gols em 30 jogos. Brilhou com a camisa da Itália e venceu a Eurocopa de 1968, além de disputar a Copa do Mundo de 1970 e ficar com o vice-campeonato.

Giuseppe Tomasini: defensor seguro e muito bom na sobra, Tomasini jogava como líbero no esquema tático do técnico Scopigno e foi um dos destaques da incrível zaga do Cagliari naquele título de 1969-1970. Jogou de 1968 até 1977 no clube da Sardenha e encerrou a carreira na própria ilha.

Mario Martiradonna: não era tão alto para um defensor (tinha 1,70m), mas compensava a falta de altura com muita raça, velocidade e ótimos passes pelo setor direito da zaga da equipe. Disputou mais de 230 jogos na Série A com a camisa do Cagliari entre 1962 e 1973.

Comunardo Niccolai: era um zagueiro que fazia o simples e não inventava, mas tinha uma particularidade curiosa: marcava vários golaços... contra! Mesmo com essa “qualidade”, Niccolai teve seu papel nos 29 jogos em que atuou pelo Cagliari naquele título nacional de 1969-1970, desempenho que lhe rendeu a convocação para a Copa do Mundo de 1970.

Giulio Zignoli: atuava pelo setor esquerdo da defesa do Cagliari e era muito combativo na marcação, além de ajudar na construção das jogadas de meio de campo e ataque. Chegou ao Cagliari em 1968 e permaneceu até 1970, quando deixou a Sardenha e foi jogar no Milan.

Pierluigi Cera: como volante ou líbero, Cera era o líder e capitão do time e jogava sempre de cabeça erguida, com muita disposição e qualidade nos passes, além de ser exímio na marcação e em coordenar os companheiros em campo. Jogou no Cagliari de 1964 até 1973 e aprendeu a atuar como líbero graças ao técnico Scopigno. Cera disputou a Copa do Mundo de 1970 como titular da Itália vice-campeã mundial.

Angelo Domenghini: legítimo ala pela direita do ataque do Cagliari, Domenghini veio com estrela e bagagem da Internazionale e formou, ao lado de Luigi Riva, um ataque sensacional na Sardenha. Com muita velocidade, precisos arremates com a perna esquerda e ótimas tabelinhas, Domenghini foi essencial para o título sardo na temporada 1969-1970 ao marcar oito gols e atuar em todos os 30 jogos do Cagliari. Disputou a Copa do Mundo de 1970 como titular da seleção italiana e jogou de 1969 até 1973 pelo Cagliari. Muito querido pela torcida.

Claudio Olinto de Carvalho (Nenê): o atacante brasileiro chegou ao Cagliari em 1964 depois de passar pelo Santos e pela Juventus. Com muita velocidade, dribles curtos, e ótimos cabeceios, Nenê brilhou no ataque do time sardo até 1976, ano em que encerrou a carreira pelo próprio Cagliari. Jogava mais para o time ao invés de ser goleador, o que provam seus números com a camisa do clube rossoblù: 311 jogos pela Serie A e apenas 23 gols marcados. Depois de pendurar as chuteiras, Nenê virou treinador e seguiu no futebol italiano.

Mario Brugnera: atuava como meia ou atacante e disputou 19 dos 30 jogos do Cagliari no Campeonato Italiano de 1969-1970. Marcou três gols na campanha que foram fundamentais: o da vitória por 1 a 0 sobre a Lazio, na 4ª rodada, e dois na goleada de 4 a 0 sobre o Brescia, na 18ª rodada.

Ricciotti Greatti: foi um dos principais articuladores de jogadas do Cagliari na campanha do scudetto com boa visão de jogo, ótimos passes e importante papel no esquema do técnico Scopigno. Jogou na Sardenha de 1963 até 1972 e disputou 213 jogos de Série A com a camisa do clube.

Sergio Gori: era o centroavante do Cagliari na campanha do título, mas viu os companheiros Riva e Domenghini tomarem para si o protagonismo dos gols. Mesmo assim, Gori disputou todos os jogos do time na campanha do título e marcou seis gols, apenas dois a menos que Domenghini. Era muito forte nas jogadas aéreas e fazia o pivô para Riva vir de trás e trucidar as defesas rivais. Jogou de 1969 até 1975 pelo Cagliari e também integrou a seleção italiana na Copa do Mundo de 1970.

Luigi Riva: combativo, decisivo, goleador, dono de um chute potente, altamente técnico, veloz, correto e leal. Luigi Riva foi tudo isso e muito mais nos 13 anos em que esteve defendendo as cores do Cagliari. Antes dele, o clube e a região da Sardenha não eram nada no futebol italiano. Com ele e depois dele, a Itália inteira passou a respeitar o Cagliari e a venerar de todas as maneiras possíveis o talento do artilheiro da camisa 11. Com Riva em campo, o futebol ficava mais plástico, mais competitivo e mais artístico. Com Riva em campo, o Cagliari teve metade dos seus 42 gols marcados na campanha do scudetto, e a Sardenha podia vibrar e ter a certeza de que pelo menos um golzinho seu time iria marcar. Riva foi um dos maiores mitos do futebol mundial e permanece até hoje como o maior artilheiro da história da seleção italiana com 35 gols em 42 jogos. Pelo Cagliari, marcou 164 gols em 312 partidas de Serie A. Ao se aposentar, o atacante viu sua camisa 11 também se retirar dos jogos de uniformes do Cagliari. Riva se tornou, inclusive, presidente do clube na década de 80. Um craque imortal. E a mais pura personificação do scudetto da Sardenha.

Manlio Scopigno (Técnico): o “Filósofo” quase complicou a vida do Cagliari na temporada 1969-1970 quando foi suspenso por criticar um bandeirinha no primeiro turno do campeonato, mas conseguiu manter seu time firme e forte rumo ao título nacional. Scopigno armou uma equipe extremamente competitiva e que se baseava estritamente no talento de seu camisa 11 e do seu ótimo sistema defensivo. Com isso, o Cagliari marcou gols pontuais e precisos, goleou quando o adversário dava brecha e não levou gols em 20 dos 30 jogos disputados – uma enormidade surreal. Amigo dos atletas e querido por jogadores e torcedores, o técnico marcou seu nome na história do futebol local ao vencer “um título que equivalia a cinco por clubes de Milão ou de Turim”, em suas próprias palavras.

Conteúdo do blog Imortais do Futebol. Leia mais sobre times, seleções, jogadores, técnicos e jogos que marcaram época no futebol mundial aqui.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Simplicidade e eficácia

Ex-Bahia, brasileiro Ryder Matos marcou seu primeiro gol pela Fiorentina (Ansa)
Ninguém esperava que as equipes italianas envolvidas nos jogos de hoje da Liga Europa tropeçassem. Porém, nada mais "Itália na Liga Europa" do que tropeçar em times fracos. Fiorentina e Lazio, porém, jogaram com seriedade e boa parte dos titulares em campo. E, por isso, passaram com tranquilidade por Paços de Ferreira e Legia Varsóvia, respectivamente. Os gols dos brasileiros Ryder Matos e Hernanes foram importantes. Acompanhe o resumo.

Fiorentina 3-0 Paços de Ferreira
Seria muita cara de pau se a viola perdesse em casa para o Paços, último colocado do Campeonato Português, jogando com boa parte dos titulares ou com jogadores que facilmente estariam entre os onze, caso o elenco não fosse tão forte. Embora os castores tivessem alcançado a gloriosa terceira posição na última Liga Sagres, o feito está longe de se repetir agora. Sabendo disso, o time comandado por Vincenzo Montella levou a partida a sério, e se impôs. Apesar de criar pouco no primeiro tempo, o time ia vencendo o jogo "por pontos", até chegar ao gol marcado pelo zagueiro Gonzalo Rodríguez, de cabeça.

No segundo tempo, uma Fiorentina mais objetiva não se furtou ao ataque e viu os portugueses chutarem uma vez ao gol: Tony, de fora da área, obrigou Neto a uma boa defesa. Porém, o segundo gol saiu aos 22 da segunda etapa: Borja Valero (o melhor em campo) fez ótima jogada pela esquerda, onde um desatento Joaquín não fez grande partida, e cruzou para Ryder Matos, de apenas 20 anos, desviar e marcar. 

Com menos de um minuto em campo, o ex-jogador do Bahia mostrou que tem estrela. Ele voltou a Florença após um período ruim em Salvador e, embora o técnico Cristóvão Borges desejasse contar com o jogador (que até havia sido colocado na lista de dispensas anteriormente), a Fiorentina fez jogo duro para mantê-lo. Dez minutos depois, Giuseppe Rossi ainda marcou o terceiro, fechando a conta e abrindo a sessão de dribles desconcertantes à qual os jogadores da Fiorentina submeteram os do Paços até o fim do jogo.

Lazio 1-0 Legia Varsóvia
Mais preguiçosa, a Lazio se contentou apenas com os pontos diante do Legia, campeão polonês da última temporada. Afinal, o mais importante para a temporada laziale não é a Liga Europa, e sim a Serie A. E, tão importante quanto o campeonato nacional, é o campeonato à parte disputado com a Roma: domingo, a partir das 10 horas, horário de Brasília, será disputado o dérbi romano. Melhor se poupar, então.

Bem postada em campo, a Lazio praticamente não sofreu com os ataques da equipe polonesa, que parava no fechadinho 4-1-4-1 montado pelo técnico Vladimír Petkovic e bem executado pelos seus jogadores. Neste esquema, o gol só poderia surgir mesmo em uma jogada pelos lados: Keita Baldé, uma das grandes promessas da equipe romana, fez boa jogada pelo lado esquerdo e cruzou para que Hernanes aparecesse como uma flecha e testasse bem, para o fundo das redes. O brasileiro, que não vem em grande fase técnica e física, jogou bem, e até poderia ter ampliado, em bela jogada individual, minutos depois, mas acertou a trave. O treino para o dérbi valeu a pena. Melhor para a torcida biancoceleste.

Vitória sofrida, mas muito importante

Jogadores celebram com a torcida, que não lotou San Siro, a suada vitória. (Uefa.com)
Kaká fez um dos gols mais importantes de sua carreira justamente contra o Celtic, na prorrogação das oitavas de finais da temporada 2006-07 da Champions League, que culminaria com o título rossonero. O brasileiro poderia retornar à um jogo de Champions pelo Milan justamente contra os escoceses, mas, lesionado, teve de ficar nas tribunas, torcendo. Junto dele, outros onze lesionados, e alguns muito importantes como El Shaarawy, De Sciglio e Montolivo.

À favor do Milan, o retrospecto positivo contra times escoceses jogando no San Siro. Foram sete jogos e nenhuma derrota. Além disso, o time de Glasgow tem uma sequência nada favorável quando joga fora de casa pela Champions League. Dos últimos 24 jogos, os escoceses venceram apenas um. Ainda assim, Massimiliano Allegri foi conservador e surpreendeu com Birsa, na função de trequartista, ao invés de Robinho que já atuou diversas vezes na ligação entre meio-campo e ataque. Na lateral direita, o técnico optou por Zaccardo, apesar da má partida contra o Torino, e, na frente, Matri fez companhia a Balotelli.

Birsa bem que tentou, criando algumas oportunidades. Porém, o meia esloveno está longe de ser o líder do meio campo milanista. Sem qualidade, restava apostar nos chutes de longe, com Muntari e Nocerino, e nos cruzamentos para os atacantes. As melhores oportunidades do Celtic vieram em vacilos da zaga do Milan. Primeiro em um contestado tiro livre indireto após uma recuada proposital de Zapata para Abbiati, que só o árbitro Wolfgang Stark viu e depois em uma recuada mal feita por Birsa, que Stokes concluiu para fora.

O time escocês acreditou que poderia conseguir a vitória e pressionou o Milan na segunda etapa. Em arrancada desde o meio campo, Samaras finalizou com muito perigo. Aos poucos, o Milan foi se reestabelecendo no jogo e criando chances. Constant deixou Muntari sozinho na entrada da pequena área, mas o ganês cabeceou para fora. Com espaço, o Celtic criou mais oportunidades, com Brown, travado em cima da hora por De Jong e em cobrança de falta de Stokes, que bateu no travessão.

Apesar da superioridade escocesa, tudo indicava que o jogo não sairia do zero. Até que, já nos minutos finais, Balotelli achou Zapata na intermediária e o colombiano, em um lance de Kaká, avançou, fintou Pukki e chutou. A bola não teria o endereço do gol, mas desviou em Izaguirre e deixou Forster sem qualquer chance. Na sequência, Muntari aproveitou sobra de bela cobrança de falta de Balotelli e sacramentou a vitória do Milan. O resultado mantém a invencibilidade contra escoceses no San Siro e garante uma importante vantagem para a classificação.

O resultado agradou, mas o futebol não. Allegri contará com os retornos dos lesionados para tentar fazer o time apresentar um futebol à altura do Milan afinal, o time tem muito o que melhorar para a Serie A, já que tem apenas uma vitória, e principalmente para tentar fazer frente ao Barcelona dentro do grupo.

Confira aqui os gols do jogo.

Ficha técnica
Milan 2-0 Celtic

Milan: Abbiati; Zaccardo, Zapata, Mexès, Constant (76’ Robinho); De Jong, Nocerino, Muntari; Birsa (63’ Emanuelson); Matri (87’ Poli), Balotelli. Técnico: Massimiliano Allegri.

Celtic: Forster; Van Dijk, Lustig, Ambrose, Izaguirre; Mathews (75’ Boerrigter), Mulgrew (89’ Biton), Commons (77’ Pukki), Brown; Samaras, Stokes. Técnico: Neil Lennon.

Árbitro: Wolfgang Stark, da Alemanha

Gols: Izaguirre, contra, (MIL, 82’) e Muntari (MIL, 86’)

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

A fortaleza San Paolo

Higuaín abriu o placar, mas o nome do jogo foi Insigne (LaPresse)
A atmosfera no estádio San Paolo era impressionante: espaços ocupados e uma festa incrível dos napolitanos. O jogo colocava em campo os líderes da Serie A e da Bundesliga, ambos com 100% de aproveitamento nos respectivos campeonatos. Porém existiam mais semelhanças entre Napoli e Borussia Dortmund, pois os dois times vinham armados no 4-2-3-1 pelos técnicos. Em campo, porém, as equipes executavam o esquema de forma diferente.

Enquanto os donos da casa esperavam os borussianos para sair em velocidade no contra-ataque, os alemães seguiam a fórmula do ano passado e pressionavam a saída de bola. O nervosismo da estreia pegou os dois times, que iniciaram a partida cometendo muitas faltas, com a colaboração do árbitro Pedro Proença, que marcou algumas infrações no mínimo duvidosas.

Apesar de tentar roubar a bola no ataque, o Borussia foi menos eficiente no campo ofensivo e trocou apenas 14 passes certos no setor, na primeira etapa. Por outro lado, o Napoli teve sucesso no ataque, procurando as opções pelas pontas, inclusive com o meia-central, Hamsík (um pouco abaixo em relação ao que já apresentou no ano) aparecendo pelos lados. Quem finalizava mais eram os aurinegros, porém sem eficiência – dos oito chutes, dois acertaram a baliza de Reina.

O gol apareceu em um lance com uma combinação de fatores pouco comum. Subotic, que voltava ao campo, após ser atendido, até conseguiu ocupar a sua posição, mas chegou com a bola já sendo levantada na área por Zúñiga. Porém, a falha que definiu o lance foi de um dos melhores zagueiros do mundo, Hummels. 

Ao invés de encostar em Higuaín no meio da área, o defensor alemão não estava marcando ninguém no segundo poste. Por isso, o Pipita sobrou com Schmelzer, ganhou no alto do lateral-esquerdo, e cabeceou para marcar. No lance, o técnico Jürgen Klopp esbravejou com o assistente, aplaudiu ironicamente o árbitro Proença, e acabou expulso.

Quase no final do primeiro tempo, uma sequência de acontecimentos mudou o rumo da partida. Hummels saiu machucado e, em seu lugar, o expulso técnico Klopp optou por Aubameyang, recuando Bender para a defesa. No primeiro lance na nova posição, o volante foi batido por Higuaín e o gol só foi evitado pelo toque de mão de Weidenfeller fora da área. A jogada acabou com a expulsão do goleiro alemão.

Com um jogador a mais, os azzurri deixaram o equilíbrio do primeiro tempo para trás e passaram a dominar a posse de bola (terminaram com 59% da redonda) na intermediária ofensiva (75 passes acertados no último terço do campo). O Borussia se protegia em um 4-4-1, apostando na possibilidade de contra-ataques puxados por Reus e Aubameyang – o jogador do Gabão chegou a acertar a trave, em chute de fora da área. A postura napolitana resultou uma grande pressão sobre o goleiro Langerak: foram 11 finalizações dos partenopei – seis delas no baliza dos visitantes.

Para garantir o jogo, o ponta-esquerda Insigne teve de aparecer. O jovem italiano causou estragos na defesa alemã, contando com boa colaboração do lateral Zúñiga. A bola da partida veio em cobrança de falta milimétrica. O 2 a 0 que deu tranquilidade aos azzurri, também pareceu deixar o Borussia mais à vontade para se expor e, eventualmente, conseguir um empate. O resultado do relaxamento napolitano foi um gol do Borussia, após um cruzamento de Reus pela esquerda e toque contra, de chaleira, de Zúñiga. E os aurinegros poderiam ter feito mais e complicado uma vitória, que parecia tranquila aos partenopei.

Em um grupo já descrito como muito complicado, fazer o dever de casa será fundamental para se classificar. Ao final da partida, o técnico Rafa Benítez: “temos que conter a euforia da torcida, mas estamos trabalhando bem. Vencemos, mas ainda há um monte de trabalho”. Vencer o atual vice-campeão da Liga dos Campeões foi um ótimo primeiro passo para os azzurri.

Ficha técnica
Napoli 2-1 Borussia Dortmund
Napoli (4-2-3-1): Reina, Maggio, Britos, Albiol e Zúniga; Behrami e Inler; Callejón, Hamsik (90+1’ Mesto) e Insigne (73’ Mertens); Higuaín (77’ Pandev). Técnico: Rafa Benítez

Borussia Dortmund (4-2-3-1): Weidenfeller, Grosskreutz, Subotic, Hummels (45+1’ Aubameyang) e Schmelzer; Bender e Sahin; Blaszcykowski (45+2’ Langerak), Mkhitaryan (76’, Hofmann) e Reus; Lewandowski. Técnico: Jürgen Klopp

Árbitro: Pedro Proença, de Portugal

Gols: Higuaín (NAP, 29’) e Insigne (NAP, 67’); Zúñiga, contra, (BOR, 87’).