Subscribe Twitter Facebook

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Serie B: entre surpresas e decepções

Lanciano, líder da segundona, surpreende no campeonato (Virtus Magazine)

Não é só a Roma de Rudi Garcia que vem surpreendendo na Itália. O time da capital segue soberano na Serie A, mas a segundona do futebol italiano também tem reservado surpresas neste começo. Um quarto da temporada já se passou e agora trazemos um review do que de melhor, ou pior, aconteceu em mais uma emocionante e disputada Serie B.

Lanciano
O líder da Serie B é o (quase) novato Virtus Lanciano. O time rossonero da região do Abruzzo, fundado em 1919 e refundado em 1997, passou por maus bocados até a chegada da família Maio, em 2008. Quase rebaixado para a quarta divisão, Franco Maio, empresário notório no ramo de reciclagem, comprou o clube e passou o comando para seus filhos. Quem está à frente é a bela Valentina, como presidente, enquanto Guglielmo é diretor-executivo. Foram duas temporadas lutando pela salvezza na terceirona, até que em 2011-12 veio a promoção inédita para a segunda divisão.

Na temporada de estreia na segundona, o clube não teve uma campanha boa (9v, 21e, 12d), contudo o suficiente para manter uma vantagem de cinco pontos para o Vicenza, primeiro na zona de rebaixamento. Mais estabilizado financeiramente hoje, o time não fez um grande calciomercato para a temporada 2013-14 (segundo o Transfermarkt, é o quinto time de menor valor de mercado), mas com Marco Baroni, ex-treinador da Primavera de Siena e Juventus, buscou uma fórmula que tem dado resultado na Serie B: uma combinação certa entre experiência (Troest, Amenta, Mammarella, Di Cecco e Plasmati) e a juventude de jovens jogadores emprestados por outros clubes, como Sepe (Napoli), De Col (Verona), Minotti (Atalanta), Gatto (Atalanta), Casarini (Bologna), Büchel (Juventus), Thiam (Inter) e Falcinelli (Sassuolo).

Em 11 jogos, os rossoneri ainda não sabem o que é perder (e se contarmos a última Serie B, são 17 jogos de invencibilidade): foram 7 vitórias e 4 empates, com 25 pontos conquistados em 33 possíveis. O time de Baroni não tem muita criatividade e nem dá show como o Livorno da última temporada, mas é eficiente como o Verona, com 14 gols marcados, mas apenas 5 sofridos (a melhor defesa). O time do ex-companheiro de Antonio Conte é mais um adepto do 4-3-3, que marca por zona, compacta bem atrás e tem uma transição ofensiva rápida. Para se ter ideia, o time do Abruzzo só teve o domínio da posse de bola em apenas três ocasiões, contra Cesena, Ternana e Padova. Outro destaque é a bola parada, que tem como principal nome o lateral-esquerdo Mammarella, responsável direto por sete gols – ele é o jogador com maior número de assistências na B. O artilheiro do time é o zagueiro Amenta.

Empoli
Logo atrás da surpresa do campeonato vem o já veterano Empoli. O acesso do clube toscano bateu na trave na última temporada, quando o time perdeu para o Livorno no play-off, mas a esquadra toscana segue determinada a voltar para a Serie A, que não disputa desde a temporada 2007-08. O time comandado por Maurizio Sarri segue praticamente o mesmo da última temporada, com exceção dos jovens Riccardo Saponara (Milan), Vasco Regini (Sampdoria) e Daniele Mori (Novara).

O módulo continua o 4-3-1-2, emulando por vezes um 4-3-2-1, e a equipe também tem uma mistura entre veteranos (Bassi, Moro, Croce, Tavano e Maccarone) e jovens (Laurini, Tonelli, Rugani, Hisaj, Pucciarelli, Verdi, Barba, Signorelli e Mch'edlidze). Os azzurri lideraram o campeonato até a sexta rodada, e agora estão a dois pontos atrás do Lanciano. São 23 pontos conquistados por meio de 7 vitórias e 2 empates, com 2 derrotas. O time tem o terceiro melhor ataque (18 gols), a segunda melhor defesa (8) e o melhor saldo (+10). A perspectiva do Empoli é que siga em cima da tabela, mas o equilíbrio e a duração do campeonato podem pesar.

Cesena e Avellino
Logo atrás do Empoli vêm Cesena e Avellino, ambos com 21 pontos. O time da Emília-Romanha teve uma temporada difícil em 2012-13 (12v, 14e, 16d) após o rebaixamento na Serie A, mas o bom início em 2013-14 motiva os “cavalos-marinhos” a sonharem com a promoção de categoria. Agora sob o comando de Pierpaolo Bisoli, de passagens por Cagliari, Bologna e no próprio clube (entre 2008 e 2010), os emilianos colecionam 6 vitórias, 3 empates e 2 derrotas, com 16 gols a favor e 9 contra (terceira melhor defesa, junto ao novato Latina). Entre 4-3-3, 4-3-1-2 e 3-5-2, o time tem como destaques os veteranos Succi, De Feudis e Campagnolo e os jovens Defrel, D'Alessandro e Garritano.

Com campanha semelhante (6v, 3e, 2d), mas saldo pior (14 gols marcados e 10 sofridos), o Avellino busca reeditar o Verona. O clube da Campânia é conhecido dos que acompanhavam o futebol italiano na década de 80, quando ficou na Serie A por 10 anos (entre 1978 e 1988), sempre com campanhas intermediárias, e até surpreendendo em duas temporadas com a oitava colocação (1981-82 e 1986-87). Depois de muitos problemas financeiros, o clube finalmente conseguiu retornar para a Serie B ao ganhar a Lega Pro Prima Divisione e vem surpreendendo até aqui, mesmo tendo o elenco de menor valor de mercado. O time treinado por Massimo Rastelli joga no 3-5-2 e tem como destaque a revelação Zappacosta (em co-propriedade com a Atalanta), os veteranos Schiavon, Castaldo e D'Angelo e os emprestados Galabinov (Livorno) e Terracciano (Catania).

Palermo, Siena e Pescara
Times de maiores folhas salariais e recém-rebaixados da Serie A, Palermo, Siena e Pescara vêm decepcionando no campeonato. Mesmo com mais recursos financeiros e melhor estrutura, os clubes não correspondem às expectativas e hoje ocupam, respectivamente, a 6ª, a 13ª e a 16ª posição na tabela.

O time siciliano, que já não conta com Gennaro Gattuso, demitido por Maurizio Zamparini na sexta rodada (após 2 vitórias, 1 empate e 3 derrotas, num mal sucedido 4-2-3-1), hoje conta com o bom Giuseppe Iachini. Por sinal, desde a mudança no comando, os rosanero venceram três e empataram outras duas, o que permitiu a ascensão na tabela. Dada a qualidade do elenco, que é mais caro, inclusive, que os de Torino, Livorno, Verona e Chievo, da Serie A, a perspectiva é que siga crescendo e brigue pelo título.

O Siena, por sua vez, não faz exatamente uma campanha desastrosa, com 4 vitórias, 5 empates e 2 derrotas, além de 22 gols marcados (melhor ataque) e 16 sofridos (quinta pior defesa), o que deveria lhe dar 17 pontos, um a menos que o Palermo. Porém, o time da Toscana foi mais uma vez penalizado pela FIGC, agora em 5 pontos, por problemas com o imposto de renda, previdência social e salários não pagos. Hoje comandado por Mario Beretta, de passagem pelo clube toscano entre 2006 e 2008, joga no 4-3-3 e vem contando com boas atuações dos já conhecidos Rosina, Paolucci, D'Agostino, Giacomazzi, Vergassola e Pulzetti, além do jovem Giannetti.

Com 11 pontos, 2 vitórias, 5 empates, 4 derrotas, 15 gols pró e 15 contra vem o decepcionante Pescara. Nas mãos de Pasquale Marino, o clube do Adriático começou bem o campeonato com um 3 a 0 em casa sobre a Juve Stabia, porém não venceu mais até a última rodada, voltando a conquistar três pontos ao bater a Reggina por 3 a 2 fora de casa. Primeiro com um 4-3-3, e hoje no 3-4-3, o time de Marino não vem rendendo aquilo que se esperava, mesmo com bons jogadores, a exemplo de Mascara, Maniero, Pelizzoli e Ragusa, e jovens promessas como Viviani, Vukusic, Politano, Piscitella, Frascatore, Capuano, Brugman e Zuparic.

Seleção da Serie B (até a 11ª rodada)
Sepe (Lanciano); Laurini (Empoli), Troest (Lanciano), Rugani (Empoli), Mammarella (Lanciano); Mazzarani (Modena), Valdifiori (Empoli), Rosina (Siena); Hernández (Palermo), Pavoletti (Varese), Antenucci (Ternana). Técnico: Baroni (Lanciano)

Perfil tático da Serie B
4-3-3 (7 - Lanciano, Cesena, Crotone, Siena, Novara, Ternana, Bari)
3-5-2 (7- Avellino, Modena, Brescia, Latina, Cittadella, Reggina, Juve Stabia)
4-4-2 (5 - Spezia, Varese, Trapani, Carpi, Padova)
4-3-1-2 (2 - Empoli, Palermo)
3-4-3 (1 - Pescara)

Classificação da Serie B aqui

Principais estatísticas da Serie B aqui

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

9ª rodada: A Roma dos recordes

Com 9 vitórias nos 9 primeiros jogos, Roma alcança recorde histórico com melhor início de temporada (AP)
Na 9ª rodada, o destaque vai novamente para a Roma, que não cansa de vencer e alcança um recorde histórico na Serie A. Mais abaixo na tabela, Napoli, Juventus, Inter e Lazio reencontraram as vitórias, enquanto a Fiorentina teve dificuldades para bater o lanterna e o Milan decepcionou mais uma vez. Acompanhe o resumo do fim de semana.

Udinese 0-1 Roma
Foi por pouco, mas a Roma conseguiu igualar o recorde histórico de vitórias no início de uma Serie A e, com 9 vitórias em 9 jogos, o time de Rudi Garcia se igualou à Juventus de 2005-06 – que teve o título cassado, é bom lembrar. A tarefa deste domingo era complicada, já que a Udinese não perdia no Friuli pela Serie A desde setembro de 2012. Porém, como a sequência romana é mais tranquila daqui para frente – a equipe joga contra Chievo (casa), Torino (fora), Sassuolo (casa), Cagliari (casa) e Atalanta (fora) –, há grandes chances de a marca ser aumentada e a liderança ser mantida. Hoje, o time tem o melhor ataque da competição, com 23 gols, e a melhor defesa, com um gol sofrido. A marca defensiva é a melhor da Itália em 50 anos, as de Cagliari e Inter em 1966-67.

Neste domingo, foi a Udinese quem chegou perto do gol mais cedo, quando Muriel acertou a trave e quando Leandro Castán precisou cortar uma cavadinha do colombiano quase em cima da linha. Tudo ficou pior quando Maicon foi expulso, aos 21 do segundo tempo, por levar um segundo amarelo bobo. Porém, uma mexida de Garcia mudou a história do jogo: o francês colocou o volante Bradley para segurar o empate, mas o norte-americano apareceu como elemento-surpresa e deslocou Kelava, aos 37, fazendo o gol que decidiu a partida. O alarme fica por conta do ataque: sem Totti e Gervinho, a Roma mostrou que sofre muito e não é o mesmo time, e apresenta dificuldades para criar chances. (Nelson Oliveira)
Juventus 2-0 Genoa
Após a virada histórica sofrida contra a Fiorentina na última rodada, a Juve voltou à campo pela Serie A diante do Genoa e se recuperou com propriedade, fazendo sua melhor apresentação da temporada. Ligado no jogo e bem organizado taticamente desde o início, o time de Conte não deu a menor chance para a equipe visitante e decidiu o jogo ainda no primeiro tempo. Vidal e Tévez assumiram papéis de líderes e comandaram a vitória, marcando os dois gols da partida. Lá atrás, Buffon não precisou trabalhar.  

Escalado por Gasperini no 5-3-1-1, o Genoa jamais se encontrou em campo e deu muito espaço para a Juve. O primeiro gol saiu após pênalti de Biondini em Asamoah. Vidal cobrou e fez, aos 23 minutos. Pouco mais tarde, Tévez recebeu dentro da área, driblou Vrsaljko bonito e mandou para as redes. O placar só não foi maior porque o goleiro Perin estava em noite inspirada e evitou pelo menos mais três gols da Velha Senhora. No segundo tempo, as duas equipes diminuiram o ritmo, pensando já na rodada do meio de semana. (Rodrigo Antonelli)

Napoli 2-0 Torino 
Em casa, o Napoli não teve problemas para superar o Torino e também decidiu o jogo ainda no primeiro tempo. Apesar de não estar em sua melhor tarde, a equipe de Rafa Benítez contou com um Martens muito inspirado. Com boa movimentação, o belga foi o jogador mais perigoso do Napoli durante a partida e sofreu o primeiro pênalti, aos 13 minutos da etapa incial. Higuaín cobrou e abriu o placar. Aos 31, o atacante argentino voltou à marca do 11 metros e ampliou a vantagem, em pênalti mal marcado pelo juiz.  

Fora esses lances, a partida não reservou muitos momentos de emoção para a torcida presente no San Paolo. O Torino não conseguia sair do seu campo de defesa, mas o Napoli também não criava grandes oportunidades. Espectador de luxo do jogo na maior parte do tempo, o goleiro Reina só trabalhou uma vez, já no segundo tempo, em belo chute de Meggiorini. No fim, Basha ainda foi expulso por falta em Pandev. Com 22 pontos, o Napoli continua à caça da líder Roma, enquanto o Torino permanece com 10, na 12ª colocação. (RA)

Inter 4-2 Verona
No jogo mais aberto da rodada, a Inter recebeu o Verona e definiu sua vitória ainda no primeiro tempo, reencontrando os três pontos após dois empates e uma derrota. Com o resultado, a equipe de Milão retoma a 4ª posição, que tinha perdido justamente para os veroneses, na última rodada – já o Hellas cai para a 6ª colocação. Insatisfeito com algumas falhas durante o jogo, o técnico da Inter, Walter Mazzarri, comentou que a equipe poderia ter sido mais segura e também ter mais pontos no campeonato. Porém, o ataque é o melhor, ao lado da Roma (23 gols marcados), e 10 jogadores foram às redes (mesmo número de Roma e Fiorentina). A defesa é que não vai muito bem: já sofreu 11 gols. Campagnaro faz falta.

Em campo, o desequilíbrio entre ataque e defesa foi claramente visto. Enquanto o time marcava de todas as formas, a defesa sofria com o experiente Toni. Três dos quatro gols, de Jonathan, Palacio e Rolando, saíram em jogadas de bola parada, enquanto o outro, marcado por Cambiasso, aconteceu após boa jogada criada por Nagatomo. Do outro lado, Toni realizava um bom trabalho de pivô, e os meias e laterais acompanharam mal quem vinha de trás – foi assim que Raphael Martinho e Rômulo deixaram os seus gols. Algo a se corrigir, de acordo com Mazzarri. O Verona, por sua vez, precisa retrabalhar o posicionamento da defesa nas bolas aéreas e também melhorar seu retrospecto fora de casa. No entanto, o time consegue ameaçar mesmo os grandes, e se mantiver o ritmo, fará um campeonato sem riscos de cair. (NO)

Chievo 1-2 Fiorentina
Depois de duas ótimas partidas, contra Juventus e Pandurii, a Fiorentina jogou abaixo do esperado, mas contou com uma ótima atuação de Cuadrado para superar o Chievo, lanterna da Serie A, de virada. O resultado mantém a equipe florentina na zona europeia, em 5º, com 18 pontos, e o Chievo do ameaçado Giuseppe Sannino na lanterna da competição, com 4 pontos. Depois de cinco anos consecutivos na elite, os clivensi podem retornar à Serie B?

Apesar da derrota, o primeiro tempo do Chievo foi bom. A equipe marcou bem no meio-campo e aproveitou um dia pouco brilhante de Pizarro e Valero para anular Rossi. Pelas pontas, Dramé e Estigarribia colocavam os laterais da viola em dificuldades. E foi justamente em uma jogada criada por Dramé, na lateral, que surgiu o cruzamento para Cesar abrir o placar. Para sua sorte, a Fiorentina achou uma oportunidade com Cuadrado, que arrancou e driblou um zagueiro para empatar e levar a partida igual para o intervalo. Em outro lance de sorte, o colombiano aproveitou o bate-rebate e virou o jogo, já após o intervalo. Com a vantagem no placar, a Fiorentina soube comandar a partida e garantiu o resultado. (NO)

Parma 3-2 Milan
A imprensa italiana não poupou elogios ao Milan após a partida contra o Barcelona, especialmente pelo trabalho defensivo, que anulou Neymar e segurou Messi, Iniesta, Sánchez e Xavi. Mera ilusão. Cinco dias depois, a realidade rossonera voltou à tona. A realidade de um time de dois talentos (Kaká e Balotelli), alguns poucos bons e diversos jogadores que não condizem com a tradição da equipe. Frente a um modesto Parma, a equipe em poucos momentos conseguiu se impor e na maioria do tempo foi dominado pela equipe crociata. Se Biabiany fez o que quis em cima de Constant, Parolo e Cassano tomaram conta da área e fizeram nela o que bem entenderam. Assim nasceram os dois primeiros gols.

No primeiro, o francês ganhou na velocidade de Constant e cruzou, Parolo aproveitou a sobra e chutou para o gol. Já no final da primeira etapa, o segundo gol aconteceu após nova jogada de Biabiany, que deixou Silvestre para trás e cruzou para Parolo, que ajeitou para Cassano se livrar de Montolivo e chutar no canto rasteiro de Gabriel. O Parma seguiu melhor no segundo tempo e teve grande chance com Gargano, mas foi o Milan quem diminuiu, com Matri, que havia entrado no lugar de Balotelli. Surpreendentemente, o gol de empate saiu na sequência, com Silvestre, de cabeça. Kaká teve a chance da virada e Rosi, a chance de pôr o Parma novamente na frente, mas ambos foram parados por Mirante e Gabriel, respectivamente. Já nos acréscimos, Gabriel não conseguiu segurar a cobrança de falta de Parolo que deu a vitória para a equipe de Donadoni, que ultrapassou o Milan na classificação e sonha com vaga na Liga Europa, enquanto os milanistas se afastam ainda mais do topo. (Caio Dellagiustina)

Lazio 2-0 Cagliari
A vitória laziale foi construída por um binômio que há tempos dá as cartas na capital: Candreva e Klose. Após um mês sem vitórias, o time romano voltou a ganhar, e subiu para a 7ª posição, com 12 pontos, mas precisou da participação do italiano e, sobretudo, da entrada do alemão no segundo tempo para bater os sardos, que se mantém no meio da tabela.

Após um horrível primeiro tempo, que acabou com muitas vaias da torcida da casa, Petkovic mandou Klose ao gramado do Olímpico. Com apenas sete minutos em campo, o atacante cabeceou para as redes um cruzamento de Candreva e abriu o placar. Três minutos depois, driblou Pisano e fez o defensor colocar a mão na bola, enquanto deslizava na área, em carrinho. Candreva bateu forte e ampliou. O colombiano Perea ainda perdeu um gol incrível, e Marchetti quase frangou no final, mas o placar seguiu inalterado. (NO)

Sampdoria 1-0 Atalanta
Mais de cinco meses de jejum para a Sampdoria finalmente voltar a vencer em casa pela Serie A. Nesta temporada, depois de três derrotas e um empate jogando no Marassi, a equipe blucerchiata derrotou a Atalanta por 1 a 0, interrompendo a sequência de três vitórias seguidas da equipe bergamasca e vencendo sua segunda partida consecutiva. A vitória - que não vinha desde 19 de maio, quando a Samp carimbou a faixa da então campeã Juventus - eleva a equipe doriana duas posições, e coloca o time na 14ª posição, três pontos acima da zona de rebaixamento. A Atalanta perde a chance de colar na zona de Liga Europa, caindo duas posições com a derrota.

Mesmo com o resultado adverso, os nerazzurri foram os donos do primeiro tempo. Mesmo que as tramas ofensivas da dupla Denis e Moralez não tenham ameaçado com contundência a meta do brasileiro Júnior Costa, a supremacia territorial e de posse de bola ficou evidente. O torcedor local vaiou sua Samp ao fim da primeira etapa, levando o capitão Palombo a mandar a torcida calar-se (o mesmo se desculpou após a partida). Fato é que a Samp foi outra no segundo tempo, após mudança de esquema, e o gol não demorou a sair. Aos 11, Mustafi cabeceou escanteio para o gol e Cigarini tentou tirar com a mão, sem sucesso. Mais tarde, aos 17, Nica foi expulso e, com um a menos, a Atalanta não teve forças para reagir. (Thiéres Rabelo)

Bologna 1-0 Livorno
Três minutos de partida bastaram para o Bologna desenhar a sua primeira vitória no campeonato. Depois de cinco derrotas e três empates até então, o time emiliano, jogando em seus domínios, derrotou o Livorno por 1 a 0 e deixou a lanterna da competição. Agora com seis pontos, o Bologna iguala-se ao Catania, primeiro time fora da zona de rebaixamento. O Livorno sofre sua quarta derrota consecutiva e já não sabe o que é vencer há seis rodadas. A surpreendente campanha inicial que colocava o time toscano próximo à Liga Europa, começa a virar um pesadelo da luta contra o descenso, algo que se imaginava antes de a temporada começar.

Quem teve a primeira chance de perigo da partida foi o Livorno, quando logo aos 2 minutos o atacante brasileiro Paulinho tentou emendar cabeçada após cobrança de escanteio, mas a bola passou por cima da meta de Curci. No minuto seguinte, quando efetuava seu primeiro ataque, o Bologna marcou o gol da vitória. O ala-esquerdo Marek Cech, um dos destaques da equipe da casa no campeonato, cruzou da ponta esquerda e achou o espanhol José Crespo, que se antecipou à zaga e cabeceou, marcando seu primeiro gol na Serie A. Até o fim do jogo, os dois times tiveram chances claras de marcar, porém nenhuma foi aproveitada e o time da casa soube aproveitar-se disso para conseguir o triunfo.

Catania 0-0 Sassuolo
No Angelo Massimino, um duelo de técnicos. Luigi De Canio estreava no Catania (que faz sua pior campanha na Serie A desde a temporada 1965-66), enquanto Di Francesco ganhou sobrevida no Sassuolo com a vitória na última rodada, mas ainda assim faria na Sicília uma partida que poderia ser crucial para sua continuidade no comando dos neroverdi. Porém, com mais medo de perder do que vontade e necessidade de ganhar, o empate foi justo pelo que não fizeram os times.

Repleto de desfalques, sobretudo na defesa, Di Canio precisou improvisar. Mesmo assim, anulou o ataque do Sassuolo na primeira etapa e ainda criou mais oportunidades, porém, nenhuma com real perigo. Na segunda etapa, poucas oportunidades criadas. Na melhor delas, Zaza driblou Andújar, mas pecou na finalização, deixando o jogo no 0 a 0. Se Di Canio considerou o empate dentro de casa um bom resultado, Di Francesco lamentou as chances perdidas pelo ataque, mas valorizou a postura da defesa que terminou o primeiro jogo sem levar gols na temporada. (CD)

Relembre a 8ª rodada aqui.
Confira estatísticas, escalações, artilharia, além da classificação do campeonato, aqui.

Seleção da rodada
Perin (Genoa); Leandro Castán (Roma), Albiol (Napoli), Mustafi (Sampdoria); Biabiany (Parma), Candreva (Lazio), Cambiasso (Inter), Parolo (Parma), Cuadrado (Fiorentina); Palacio (Inter), Tévez (Juventus). Técnico: Antonio Conte (Juventus).

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Jogadores: Pietro Anastasi

De origem humilde, Anastasi brilhou na Juventus, virando o "atacante dos operários" (Massimo Rapisarda)
Nascido em Catania, no sul da Itália, Pietro Anastasi fez história no futebol italiano entre o final dos anos 60 e os anos 70, principalmente vestindo o preto e branco da Juventus. O bomber, além de marcar gols de todas as formas, tinha duas características peculiares: a incrível velocidade e os dribles. Por ter a pele mais amorenada e ter sido um dos primeiros jogadores sicilianos a brilharem no futebol italiano, justamente na Juve da industrial Turim, acabou sendo um ponto de referência para muitos imigrantes e operários. Sobretudo entre os trabalhadores de origem sulista da Fiat, comandada, assim como a equipe turinense, pela família Agnelli.

Antes de virar jogador, sua vida na Sicília era modesta, e a família, composta por sete pessoas, se dividia em dois quartos. O futuro craque parecia não prestar atenção nisso e, quando não estava na escola, estava na praça jogando o futebol. Nesta época, foi chamado de Pietruzzu, apelido de origem siciliana que o acompanhou durante a vida. 

Sua trajetória começa ainda na Sicília, na Massiminiana, onde, em seu segundo ano, com menos de 18 anos, marcou 18 gols e ajudou o clube fundado no final dos anos 50 por Giuseppe Massimino, irmão do presidente do Catania, Angelo, a alcançar a Serie C. Porém, após dois anos jogando em sua cidade natal, o menino do sul foi ganhar a parte de cima da Bota. A porta de entrada no norte italiano foi o Varese, à época, integrante da Serie B.

Com Anastasi no elenco, os Leopardi foram promovidos à primeira divisão. No ano seguinte, os 11 gols do atacante foram fundamentais para clube terminar o campeonato na oitava posição. Naquele campeonato, o jogador de menos de 20 anos chamou a atenção da Juventus ao realizar uma tripletta contra a própria Velha Senhora, em uma goleada por 5 a 0. Na época, o Varese brigava com o Milan e era vice-líder, mas acabou tendo um fim de temporada ruim e caiu para o meio da tabela.

O destaque por um clube pequeno na elite o colocou na seleção principal e logo na Eurocopa 1968 disputada em casa – à época, apenas quatro times participavam da fase final da competição, que durava somente cinco dias. Nas duas finais, frente à Iugoslávia, Anastasi foi titular e marcou o segundo no 2 a 0 decisivo. Além da participação de Pietruzzu, o título teve gols de Domenghini (no empate, em 1 a 1, no primeiro jogo) e de Riva (o primeiro do segundo jogo).

Este desempenho chamou a atenção de dois gigantes. A Internazionale foi a primeira a se aproximar de Anastasi, que chegou a ser fotografado como interista, mas a alegria não foi dos nerazzurri. A Juventus atravessou o negócio no dia em que foi goleada pelo Varese e teve um acerto verbal com o presidente da equipe varesina – reza a lenda que Gianni Agnelli, então presidente do clube, foi aos vestiários e acertou tudo com o dirigente Giovanni Borghi.

Pelo negócio, a Juve desembolsou cerca de 650 milhões de liras (valor recorde para a época) pelo jogador, mas nunca se arrependeu de gastar esta quantia. A partir dali, Anastasi começaria a escrever sua história como um "atacante do povo", já que havia saído de uma vida pobre e, sozinho, estava começando a ser importante. Era como Anastasi que muitos queriam ser.

Anastasi, em pausa de treino da Juve, ao lado dos companheiros Haller e Bettega (Wikipedia)
Anastasi se tornou ídolo bianconero rapidamente, e já na primeira temporada fez 15 gols na Serie A, se consagrando como o vice-artilheiro da disputa. Em 1969-70, o atacante repetiu o número de gols no campeonato. Apesar de ir bem em campo, o jogador constantemente entrava em atrito com o técnico Heriberto Herrera, que tinha obsessão pela organização tática, enquanto Anastasi preferia jogar um futebol mais solto, dado ao improviso.

Como o técnico da Squadra Azzurra, Ferruccio Valcareggi, gostava de seu futebol, não ligava para isso, tudo levava a crer que o juventino estaria na Copa do México. E ele foi convocado, mas uma estranha lesão na concentração da Itália para o Mundial de 1970, já em solo mexicano, o deixou de fora da disputa.

Anastasi estava importunando o massagista Tresoldi, para se divertir, e apesar de ter sido advertido pelo terapeuta, continuou. Acabou levando um soco em seu baixo ventre, e teve de operar os testículos. Acabou sendo cortado da seleção juntamente ao meia Giovanni Lodetti – Pierino Prati e Roberto Boninsegna os substituíram, já que Valcareggi optou por preencher a lacuna chamando dois atacantes para substitui-lo. Esta é uma das maiores decepção de sua carreira, e Anastasi até hoje lembra do caso com um sorriso amargo no rosto.

Após se recuperar, Anastasi voltou a ser destaque e, no vice-campeonato da antiga Copa das Feiras, marcou dez vezes, terminando como artilheiro do torneio. Para o jogador, ao menos ficou o dado estatístico: foi ele que marcou o último gol da história do torneio que daria lugar à Copa Uefa. Faltavam títulos por clubes na carreira, lacuna que foi preenchida na temporada 1971-72, quando a Juventus venceu a Serie A, com 11 gols seus – naquele ano, ele foi o artilheiro da equipe no campeonato. No ano seguinte, a Juventus conquistou o bicampeonato, mas Anastasi não teve destaque na tabela de goleadores.

O grande ano da carreira veio após participação discreta na Copa de 1974, quando a Itália vacilou e foi eliminada na primeira fase, e o atacante marcou só um gol, frente ao Haiti. Após o vexame, Anastasi acabou sendo um dos poucos poupados pela torcida, que esperou a seleção italiana com ovos podres no aeroporto de Malpensa, em Milão, obrigando os azzurri a saírem por uma porta de emergência, e escoltados pela polícia.

Na temporada que viria, ele foi campeão italiano, em campanha em que marcou nove vezes. Três desses gols foram marcados em uma goleada por 4 a 0 sobre a Lazio campeã italiana no ano seguinte, conduzida dentro de campo por Giorgio Chinaglia e Bruno Giordano e, fora dele, por Roberto Lovati, que substituía temporariamente treinada por Tommaso Maestrelli, operado por câncer no fígado. Além disso, o atacante ajudou a Vecchia Signora a chegar à última fase de grupos da Coppa Italia. Os bianconeri não foram finalistas, mas Anastasi terminou como artilheiro, com nove gols – até hoje, Anastasi é o maior artilheiro da Juventus na competição, com 30 tentos.


O ano seguinte, porém, seria de mudanças para o jogador. Após ser afastado pelo técnico Carlo Parola, com quem teve alguns atritos, Pietruzzu se despediu da Juventus, meio chateado por não ter sido tido a solidariedade de velhos companheiros, como Giuseppe Furino, Francesco Morini e Roberto Bettega. Porém, o atacante ficou marcado no coração dos torcedores, que, em algumas fases, o apelidaram como “Superpietro” e até mesmo como “Pelé branco”. 

Pietruzzu, entre os amigos Mazzola e Rivera, em um Dérbi de Milão (Wikipedia)
Em 1976, Anastasi finalmente foi jogar na Inter e Boninsegna fez o caminho inverso. Mas, vestindo nerazzurro, o atacante não repetiu as atuações que lhe renderam as comparações com Pelé. Em duas temporadas em Milão, foram 66 partidas, 13 gols e apenas um título, o da Coppa Italia, em 1977-78.

Antes de encerrar a carreira, Pietruzzu jogou mais três temporadas na Serie A, pelo Ascoli, novamente sem tanto brilho individual. No entanto, em 1979-80, fez parte do elenco treinado pelo eficiente técnico Gibì Fabbri, que levou os ascolanos à quarta posição, a melhor na história do clube. Anastasi foi titular naquele time, jogando um pouco mais afastado da meta adversária, e marcou cinco gols na campanha. Pelo Ascoli, o atacante também faturou um torneio internacional, a Red Leaf Cup, e o Torneio de Capodanno, organizado pela Federação Italiana.

Anastasi pendurou as chuteiras jogando pelo Lugano, da Suíça, pelo qual atuou 14 vezes e marcou 10 gols. Depois de encerrar a carreira, o ex-jogador chegou a atuar como comentarista de algumas redes de televisão italianas, e volta e meia é chamado para dar a sua opinião sobre algum tema relacionado ao futebol.

Pietro Anastasi 
Nascimento: 7 de abril de 1948, em Catania, Itália
Posição: atacante 
Clubes: Massiminiana (1964-66), Varese (1966-1968), Juventus (1968-76), Internazionale (1976-78), Ascoli (1978-81) e Lugano (1981-82) 
Títulos: 3 Serie A (1971-72, 1972-73 e 1974-75), Coppa Italia (1977-78), Eurocopa (1968), Red Leaf Cup (1980) e Torneio de Capodanno (1981)
Seleção italiana: 25 jogos e oito gols.

Liga Europa: Fiorentina voa e Lazio tropeça

Destaque da Fiorentina, colombiano Cuadrado incendiou o jogo contra o Pandurii (Ansa)
Mais uma vez, a Fiorentina entrou em campo com muita seriedade, na Liga Europa. A Lazio também, mas faltou pontaria, e o resultado diante do Apollon, time mais fraco do seu grupo, não foi satisfatório. Acompanhe o resumo dos jogos das equipes italianas.

Fiorentina 3-0 Pandurii
Embalada após a grande vitória contra a Juventus na Serie A, a Fiorentina enfrentou o Pandurii, da Romênia, em busca da consolidação da liderança do grupo E da Liga Europa. Com o Artemio Franchi quase vazio e sem contar com alguns de seus principais jogadores, preservados devido ao cansaço, a equipe violeta entrou em campo novamente com jovens jogadores, que tiveram sua oportunidade, como o brasileiro Ryder, que já havia feito um bom jogo contra o Dnipro, e Bakic, esperança montenegrina.

Embora enfrentasse o adversário mais fraco do grupo, a Fiorentina teve muito trabalho nos minutos iniciais. Primeiro o brasileiro Eric carimbou o travessão e, na sequência, Ungurusanu obrigou Neto a fazer uma difícil defesa. A Viola demorou, mas quando chegou, foi para marcar. Joaquín, que recupera o bom futebol aos poucos, recebeu na intermediária, fintou dois zagueiros em um espaço curto e ainda driblou o goleiro antes de marcar um verdadeiro golaço. Depois, Ryder foi esperto ao roubar uma bola, e também tentou driblar o goleiro – mas sem sucesso. Sorte dele que o rebote caiu em seus pés. O camisa 30 só tocou por baixo do goleiro para ampliar, aos 33.

Com o placar praticamente definido e o adversário entregue, o jogo caiu de rendimento e Montella se deu ao luxo de revezar seus titulares na segunda etapa. Mas Cuadrado entrou voando e com apenas oito minutos em campo, já deixou seu gol, em um chute forte, da lateral da área. O colombiano deu outro ritmo ao ataque da Fiorentina, que criou diversas chances e só não ampliou o placar graças às traves, que pararam as oportunidades de Yakovenko e do próprio Cuadrado, que quis coroar seu poucos minutos em campo com um golaço. Com 9 pontos, a equipe viola tem tudo para confirmar sua vaga já no próximo jogo, novamente contra o Pandurii. (Caio Dellagiustina)
 
Apollon 0-0 Lazio
Sem vencer há quatro partidas, a Lazio visitou o Apollon Limassol, em jogo válido pela terceira rodada da fase de grupos da Liga Europa. O time de Vladimir Petkovic, que cada vez mais balança no cargo, dominou totalmente a partida, mas não conseguiu sair do 0 a 0 e amargou o quinto resultado negativo consecutivo.   

Contra um adversário muito mais fraco tecnicamente e que jogou quase 90 minutos na defesa, a Lazio criou pouco e, as finalizações, a maioria delas de fora da área, não encontraram o caminho do gol. O Apollon estava muito bem postado defensivamente e conseguia bloquear as jogadas de ataque dos italianos, tanto que, dos impressionantes 23 chutes da Lazio na partida, só oito acertaram o alvo; muitos deles esbarraram na forte marcação que os cipriotas montaram à frente da área. A equipe biancoceleste encontrava as suas oportunidades na maioria das vezes nas jogadas individuais, principalmente com Ederson, Hernanes ou Keita. Floccari, o único atacante de área escalado por Petkovic, participou pouco do jogo.   

O domínio laziale, porém, não foi transformada em jogadas incisivas, e o goleiro Bruno Vale quase não teve trabalho. Não bastasse a apatia ofensiva, a defesa da Lazio ainda deu alguns sustos, deixando o Apollon ter as oportunidades de gol que não conseguia criar. Em uma delas, no finalzinho da partida, Meriem quase marcou de fora da área após vacilo esdrúxulo de Cavanda. Mas não seriam os cipriotas, que acertaram apenas um chute a gol, que tirariam o zero do placar.   

Com o empate, a Lazio agora é segunda colocada no Grupo J da Liga Europa, com cinco pontos, dois atrás do líder Trabzonspor, que venceu o Legia Varsóvia, e apenas um à frente do próprio Apollon. Os dois times voltam a se enfrentar no dia 7 de novembro, dessa vez em Roma. (Cleber Gordiano)

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Ainda há chance

Quatro zagueiros, gols de Ronaldo e arbitragem ridícula: Juventus, mesmo assim, ganhou sobrevida na Liga (Foto: La Presse)
Está enganado quem pensa que o Real Madrid jogou muita bola, Ronaldo destruiu a partida e a Juventus mal entrou em campo; que o “futebol italiano é muito ruim” ao ver o resultado da partida ao navegar na internet ou ao ver, de relance, o 2 a 1 no placar da TV da padaria. Os espanhóis, invictos, fizeram uma partida para o gasto, não convenceram e a Vecchia Signora – para não dizer que teve uma vitória moral, pois essa expressão é deveras cafona – mudou completamente seu estilo de jogo, foi superior em momentos da partida e ainda tem chance de classificação à próxima fase da Liga dos Campeões.

O editor Nelson Oliveira escreveu sobre a temporada juventina, na última terça-feira: a equipe teve dois jogos fáceis desde agosto e tem apresentado um futebol morno. A Juve apresentou o esquema 3-5-2 em todos os confrontos de 2013-14, com poucas variações. Ao defrontar o Real Madrid de Carlo Ancelotti, Conte deu indícios, durante a semana, e usou, em Madri, um 4-3-1-2. De fato, o esquema mais parecia com dois meio-campistas de ligação e um centroavante por ser facilmente mutável. Quando estava com a bola, Marchisio abria pela direita, Pogba se movimentava por todo o meio, Vidal e Pirlo guardavam posição e Tevez fechava como atacante; na defesa, o argentino cobria o setor esquerdo e Marchisio tinha como única obrigação marcar Marcelo.

As duas bolas perdidas de maneira bisonha por Ogbonna, improvisado como lateral-esquerdo, logo no começo da partida foram exatamente o que o Real Madrid precisava para organizar seu ataque. Foi pela direita, com Di María, que os donos da casa saíram na frente – gol de Cristiano Ronaldo. Essa finalização, a de Khedira, ainda no primeiro tempo, e de Benzema foram as únicas chances claras de balançar a rede que os Blancos tiveram nos 90 minutos. Uma bola entrou, Buffon defendeu a segunda e Benzema tratou de errar seu arremate.

O segundo gol do Real Madrid saiu apenas pelo pênalti concedido por Chiellini. A arbitragem, dizem, viu que o zagueiro da Juve puxou Sergio Ramos, que nunca chegaria na bola para desviar o cruzamento da esquerda, dentro da área. Falando em cobranças de penalidade, Vidal pediu infração de Illarramendi no segundo tempo, mas o chileno chutou o chão e caiu – apesar de ter sido tocado pelo volante madrilenho; também não houve pênalti nesse lance.

Mesmo perdendo, a Juventus jogou muito bem no primeiro tempo. A defesa, aos poucos (e com grandes méritos de Cáceres), deu uma ajeitada, Vidal liderou o meio de campo, Marchisio teve lampejos de grande futebol e Llorente, oportunista, fez mais um gol com a camisa bianconera.

O problema foi que Manuel Gräfe queria ser o protagonista do jogo. A expulsão de Chiellini no começo da etapa complementar foi inaceitável. Falta? Possível. Ronaldo se jogou? Também plausível. Cotovelada de Chiellini para cartão vermelho? De jeito nenhum. “Estou triste pelo episódio do cartão vermelho de Chiellini. Foi uma expulsão absurda”, disse Pogba, ao fim do jogo. Já Conte... “Chiellini me disse que ele foi expulso por ser o último jogador. Eu dei risada”.

Três ou quatro defensores?
A Juventus conseguiu bater de frente com o Real Madrid, um dos favoritos ao título europeu. A manutenção dos quatro defensores é fundamental para que a equipe consiga não somente alcançar a segunda fase da Liga dos Campeões como buscar a Roma, líder invicta da Serie A. O 3-5-2 bianconero, bicampeão consecutivo nacional, parece ultrapassado.

O sonho de conquistar a Orelhuda é difícil, contudo ainda há chance. É possível bater Real Madrid e Kobenhavn em Turim, com essa mesma pegada vista no Santiago Bernabéu, e torcer (mas torcer muito) contra o Galatasaray.

Ficha do jogo

Real Madrid 2-1 Juventus
Real Madrid (4-3-3): Casillas; Arbeloa, Pepe, Sergio Ramos e Marcelo; Khedira e Illarramendi (Isco, 27’/2T); Di María (Morata, 36′/2T), Modric e Cristiano Ronaldo; Benzema (Bale, 21’/2T). T: Carlo Ancelotti
Juventus (4-3-1-2): Buffon; Cáceres, Barzagli, Chiellini e Ogbonna (Giovinco, 23’/2T); Vidal, Pirlo (Asamoah, 14’/2T), Pogba e Marchisio; Tevez e Llorente (Bonucci, 5’/2T). T: Antonio Conte
Árbitro: Manuel Gräfe (ALE)

Gols: Cristiano Ronaldo (4’ 1T), Llorente (22’ 1T), Cristiano Ronaldo (29’ 1T) - veja os gols aqui

Kaká é a esperança

Com lampejos do “velho Kaká”, o brasileiro pode ser o diferencial que faltava ao Milan (AP)
A campanha no início de temporada não é boa, mas ainda assim o Milan dá mostras de recuperação. Nesta terça-feira, ante o sempre temido Barcelona, o time rossonero veio cheio de desfalques como De Sciglio, El Shaarawy e outras peças menos importantes no momento atual do time. O time ainda teve Balotelli iniciando o jogo no banco e Kaká sem ter atuado sequer um jogo completo. Mesmo com tantos problemas, Allegri armou uma equipe compacta que atuou quase que de maneira impecável, mas deixou a vitória escapar em um vacilo da zaga.

A 14ª partida entre as equipes na Champions League, um recorde na competição ao lado dos confrontos entre Real Madrid e Bayern Munique, marcou o retorno de Kaká como titular no San Siro, onde o Milan não levou gols do Barcelona nos últimos dois jogos, nas temporadas 2011-12 e 2012-13. Ainda assim, o time espanhol era claro favorito.

Para conter o poderoso ataque espanhol, Allegri armou o Milan de forma diferente do habitual, com dois meias (Kaká e Birsa) à frente dos três volantes e apenas Robinho na frente, apesar de ter a responsabilidade de voltar e ajudar a marcar. Não foram raras as oportunidades que Kaká e Birsa faziam companhias aos laterais rossoneri, ajudando a conter os ofensivos laterais do Barcelona.

Kaká, aliás, foi um personagem à parte. Muito se duvidava do seu potencial técnico e físico. Mas o que se viu foi um jogador altamente comprometido e demonstrando um pouco da categoria que desfilou durante tanto tempo. Mesmo com a idade chegando, Kaká é a peça que faltou ao Milan nas últimas temporadas, especialmente após as saídas de Pirlo e Seedorf. Não à toa, a cada lance do brasileiro, a torcida o aplaudia. E foi dos pés dele que saiu o gol de Robinho. Após trapalhada de Mascherano, o camisa 7 roubou a bola, ganhou na força de Piqué e entregou a Kaká, que viu a movimentação de Robinho e devolveu para o companheiro, que, na frente de Valdés, não teve dificuldades para marcar.

O Milan pressionou muito a saída de bola barcelonista no início, mas após o gol se retraiu e o o time catalão se lançou ao jogo. A característica posse de bola blaugrana deu as caras. Foram mais de 60%, mantendo a média da equipe na Champions League. Ainda assim, o gol de empate não veio após troca de passes, mas sim de um vacilo de Zapata. O colombiano errou o passe para Montolivo, Busquets roubou e deixou para Iniesta, que achou Messi sozinho na entrada da área. O argentino fintou Mexès, se protegeu de Constant, que voltava para cobrir o espaço, e chutou no canto rasteiro de Amelia.

O gol embalou o Barça, que ainda no primeiro tempo criou diversas chances, especialmente com Neymar e Messi. Zapata travou chance clara do argentino, e um chute perigoso do brasileiro raspou a trave de Amelia. Na volta do segundo tempo, o Milan não tinha a mesma energia da primeira etapa, mas seguiu se defendendo com prioridade e tentando explorar o contra-ataque. Mas na oportunidade mais clara, Robinho, sozinho dentro da área, não conseguiu dominar o passe certeiro de Muntari.

Já com mostras de cansaço e pensando no clássico contra o Real Madrid no final de semana, o Barcelona diminuiu o ímpeto, mas seguiu criando chances perante a sólida defesa milanista. Iniesta e Adriano ficaram frente a frente com Amelia, mas ambos pecaram na hora da finalização. Balotelli entrou, mas ainda retornando de lesão, pouco fez.

No fim das contas, o empate não foi ruim para o Milan, que saiu satisfeito de campo e mesmo com um eventual tropeço na Catalunha, tem a vaga nas mãos, desde que vença o Celtic, em Glasgow, e sobretudo, o Ajax, em casa. Se para o Barça, sobraram dúvidas sobre sua defesa, no Milan, só há certezas da evolução da equipe com Kaká no time. E isso serve de alento ao torcedores, que veem o time melhorando e mesmo sem os principais jogadores conseguiu fazer frente a um dos principais times do mundo, dando esperanças de uma recuperação na Serie A e também para eventuais confrontos de mata-mata da Champions League.

Confira os gols do jogo aqui.

Ficha técnica
Milan: Amelia; Abate, Mexès, Zapata, Constant; De Jong, Muntari, Montolivo; Birsa (79’ Poli), Kaká (70’ Emanuelson); Robinho (63’ Balotelli). Técnico: Massimiliano Allegri

Barcelona: Valdés; Daniel Alves, Piqué, Mascherano, Adriano; Busquets, Xavi, Iniesta; Sánchez (73’ Fábregas), Neymar (80’ Pedro), Messi. Técnico: Gerardo Martino

Árbitro: Felix Bricht (ALE)
Gols: Robinho (MIL, 9’) e Messi (BAR, 23’)

Dever feito fora de casa

Colombiano Zapata entrou e marcou o gol que garantiu a vitória napolitana na França e a sobrevivência no grupo (AP)
No equilibrado grupo F da Liga dos Campeões, todos os times venceram o Olympique Marseille, não importando o local da partida. Por isso, a visita ao Estádio Vélodrome, na França, só seria boa para o Napoli se o clube voltasse com os três pontos. Para o bem dos partenopei, foi isso que ocorreu. Além de grupo da morte, a chave pode ser chamada de grupo do 4-2-3-1, pois todas as equipes são armadas primordialmente desta forma. Nesta terça, o encontro entre italianos e franceses não foi diferente, mas Rafa Benítez contava com uma arma especial: a volta do centroavante Higuaín.
Ter o argentino fez diferença, mas o ponta-esquerda Mertens foi o principal nome partenopeo. Normalmente reserva no time de Benítez, o belga fez valer a opção do treinador: recuperou bolas, fez passes, finalizou duas vezes de fora da área e cedeu a assistência para o gol que acabou decidindo a partida. O jogo foi equilibrado, mas no primeiro tempo foi o Napoli que conseguiu finalizar mais. O 1 a 0 saiu quase no intervalo, quando Higuaín – mesmo longe das condições ideais – apareceu no meio-campo para lançar Callejón, nas costas da zaga. O espanhol cortou Fanni e marcou.
O jogo não mudou, embora o OM conseguisse finalizar mais, porém sem pontaria. Já o Napoli foi bem neste quesito e teve mais precisão. Em um dos chutes que acertou o alvo dos franceses, Mandanda nada pôde fazer. A jogada começou com Callejón na direita, passou por Mertens, que deu um toque rápido e achou Zapata. O colombiano, que substituíra Higuaín, cortou um marcador e bateu colocado no ângulo esquerdo do goleiro francês, que estava adiantado e acabou tomando por cobertura. Golaço. Os franceses ainda descontaram, com belo chute de fora da área de Ayew, mas já era tarde.
A vitória fora de casa mantém o Napoli na terceira colocação do grupo F, empatado com os dois times que estão na frente, o líder Arsenal e o vice-líder Borussia Dortmund, todos com seis pontos, o que confirma o equilíbrio da disputa. Neste sentido, os azzurri têm uma grande oportunidade para garantirem outros três pontos na Liga dos Campeões, quando enfrentarão o Olympique no San Paolo. O autor do primeiro gol hoje ressaltou a importância de vencer em casa: “agora temos um jogo no San Paolo contra o Marseille, onde outros três pontos são importantes. Temos que vencer em casa, não há alternativa”.
Ficha técnica
Olympique Marseille 1-2 Napoli

Olympique Marseille (4-2-3-1): Mandanda; Fanni (53’ Abdallah), N'Koulou, Diawara e Morel; Romao, Cheyrou; Payet (71’ Thauvin), Valbuena e André Ayew; Gignac (77’ Jordan Ayew). Técnico: Élie Baup
Napoli (4-2-3-1): Reina; Maggio, Fernández, Albiol e Armero; Behrami, Inler; Callejón, Hamsik (83’ Insigne) e Mertens (76’ Mesto); Higuaín (58’ Zapata). Técnico: Rafael Benítez

Árbitro: Cuneyt Çakir, da Turquia
Cartões amarelos: Cheyrou, Payet e Jordan Ayew (OM)
Gols: Callejón (NAP, 42’), Zapata (NAP, 67’) e André Ayew (OM, 86’)

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

8ª rodada: Virada para lavar a alma

Artilheiro do campeonato, Pepito Rossi detonou a Juventus com três gols (AP)
Em uma rodada movimentada, o jogaço do ano aconteceu, e foi decidido com rapidez. Antes de Fiorentina-Juventus, a torcida já fazia um belo mosaico, que anteciparia a partida, vencida pela equipe da casa após um segundo tempo mortal, no qual uma bela virada sobre a atual bicampeã foi construída. Bom para a Roma, que na sexta-feira havia conseguido sua 8ª vitória consecutiva e já abre cinco pontos para Napoli e Juve, que vem atrás, ocupando as vagas para a Liga dos Campeões.

Nesta rodada, tivemos ainda uma boa média de gols (3,5 por partida), embalada pelo recorde de penalidades máximas em uma só rodada em toda a história da Serie A: foram 11, assim como na 13ª rodada de 1950-51. Acompanhe o resumo da rodada.

Fiorentina 4-2 Juventus
Mais de 40 mil pessoas lotaram o estádio Artemio Franchi para ver, provavelmente, o jogo mais emocionante da temporada até agora. Depois de sair perdendo por 2 a 0 para a Juventus, a Viola conseguiu uma reação surpreendente e virou a partida em apenas 15 minutos, com três gols de Giuseppe Rossi, artilheiro da Serie A, com oito gols em oito jogos. Mais do que os três pontos, a vitória vale para dar confiança à equipe de Montella - que começou o campeonato com a expectativa lá em cima, mas decepcionou em alguns jogos - e aproximar ainda mais o time da torcida. Torcida essa que já estava se conformando com mais uma derrota para a Velha Senhora, depois que Tévez, de pênalti, e Pogba marcaram para a Juve, ainda no primeiro tempo. Destaque para a comemoração do argentino, que imitou o gesto de metralhadora de Batistuta. O mesmo Batistuta que tinha marcado o gol da última vitória viola no Franchi sobre a rival Juventus, há 15 anos.

O time da casa foi muito apático na etapa inicial e quase não chegou com perigo ao gol de Buffon. Para compensar, foi avassalador dos 21 aos 36 do segundo tempo, furando o bloqueio do goleiro bianconero quatro vezes. Montella apareceu bem novamente e mudou o ritmo do time colocando Joaquín no lugar de Aquilani. Em um 4-3-2-1 que às vezes mudava para 4-3-3, Rossi mostrou porque foi uma das principais transferências do último mercado e empatou o jogo. Joaquín virou e Rossi ainda marcou novamente, levando a torcida ao delírio. Após o jogo, os fãs do time encheram as ruas para festejar a festa sobre a rival, mostrando a importância da vitória, já que há 10 jogos os florentinos não batiam a sua maior rival. (Rodrigo Antonelli)

Roma 2-0 Napoli
Sob o olhar de Maradona, Pandev perdeu um gol que o Pibe certamente não perderia. Aos 35 do primeiro tempo, o macedônio – substituto de Higuaín, que também não perderia tal gol – foi hipnotizado por De Sanctis, que poucos meses atrás era seu colega de clube, e chutou em cima dele, no lance que poderia mudar a história do jogo. Maradona, que a convite da Roma assistia o primeiro jogo do Napoli, seu time de coração, após deixar a Itália, em 1991, acabou vendo Pjanic brilhar e marcar dois gols – o primeiro, em uma cobrança de falta magnífica, o segundo após penalidade cometida por Cannavaro, que a cada dia perde mais pontos com Benítez. Em campo, a partida foi aberta e muito igual, decidida por detalhes – foi o Napoli que teve as melhores chances, inclusive. Melhor para a equipe capitolina, que teve um Pjanic decisivo, e foi mais eficiente no ataque e, em maior parte do tempo, na defesa. Com isso, o time, que vive estado de graça, manteve a liderança e sua invencibilidade quebrando a do rival, vice-líder.

Os romanos chegaram a oito vitórias consecutivas desde que o campeonato começou, e igualaram o início da Juventus em 1930-31 e 1985-86 – o que fez o técnico Rudi Garcia lembrar que a Roma de Totti igualou a Juve de Platini. A equipe começa a estabelecer marcas históricas, também: com uma defesa que em nada lembra a de Zeman, em 2012-13, a Loba é o primeiro time na história da Serie A a ter sofrido apenas um gol nos primeiros oito jogos de uma temporada. Detalhe: nunca uma equipe deixou de ganhar o scudetto após vencer suas oito primeiras partidas. E, com mais um triunfo, os giallorossi se igualam à Juventus de 2005-06 como únicas a terem vencido seus primeiros nove jogos no certame. Como dizem os italianos, a Roma c'è. E como c'è. (Nelson Oliveira)

Torino 3-3 Inter
No lotado Olimpico de Turim, um jogo bizarro entre Torino e Inter fechou a movimentada oitava rodada. A partida foi marcada por uma arbitragem confusa, uma Inter nervosa e um Torino dominante, e o empate acabou não servindo muito para ambos – deixou os anfitriões no meio da tabela e os visitantes na 5ª posição. Se impondo desde o início, o time granata pressionou os nerazzurri até abrir o placar. Antes disso, os comandados de Ventura levaram perigo em contra-ataque com Cerci, e logo depois o mesmo Cerci dividiu bola com Handanovic na área, e a penalidade foi marcada. O arqueiro esloveno foi expulso e Kovacic teve que ser substituído por Carrizo, jogando o plano de Mazzarri por água abaixo. Na cobrança, o goleiro argentino acertou o canto e garantiu o zero no placar. Aos 21, a boa trama dos anfitriões resultou no gol de Farnerud. Com um a menos, a Inter "recebeu" a posse de bola do Torino, mas com um a menos teve dificuldades em passar pelo bloqueio adversário, o que só ocorreu na bola parada. Aos 46, após escanteio de Cambiasso, a bola sobrou para Guarín emendar bonita bicicleta e acabar com um jejum de oito meses sem marcar um gol.

Na volta do intervalo, o Torino cresceu quando Immobile entrou no lugar do lesionado Farnerud, reposicionando o time no 3-4-3. A equipe da casa partiu para o ataque e conseguiu o gol após jogada individual de Cerci: na sobra, Immobile recolocou os granata na frente. O que não durou muito, já que no lance seguinte Taïder lançou Guarín em profundidade, Padelli afastou mal e deu rebote para Palacio empatar novamente. Os anfitriões seguiram em cima, mas foi a Inter que marcou. O argelino Belfodil, que entrara no lugar do compatriota Taïder, passou como quis pelo lado esquerda da defesa e centrou para Palacio marcar sua segunda doppietta e o sétimo gol na temporada; cinco deles na Serie A. Posteriormente, a Inter do estressado Mazzarri (ele nem deu entrevista após o jogo) recuou as linhas com a entrada de Wallace no lugar do exausto Palacio, mas falhou. O brasileiro cometeu falta desnecessária aos 90 minutos. Na cobrança, o promissor Bellomo viu Carrizo mal posicionado e o encobriu, igualando e fechando o placar. (Arthur Barcelos)

Milan 1-0 Udinese
Jogo tecnicamente muito fraco em San Siro, mas que valeu pontos importantes para o time de Allegri, que contou com a volta de Kaká, (bem) em campo por pouco mais de 15 minutos. O coadjuvante Birsa se mostrou importante mais uma vez e garantiu a vitória que colocou o Milan na oitava colocação, a quatro pontos da "zona europeia". Para a Udinese, outra vez apática, um resultado aceitável por ser fora de casa, mas preocupante porque o time coleciona a quarta derrota em quatro jogos (todos fora do Friuli, é verdade), tendo vencido apenas três vezes e empatado outra.

Com a bola rolando, foram 20 minutos tediosos - três finalizações, apenas uma no gol, defendida sem muito perigo por Kelava - até Birsa tabelar com Robinho em jogada rápida e acertar chutaço de fora da área, no ângulo esquerdo do gol bianconero. Os times se dispuseram mais ao ataque, e até exageraram nas faltas, como na entrada violenta de Pinzi em Birsa (levou apenas amarelo, mas poderia ter sido expulso), ou o jogo perigoso de Montolivo (também amarelado), mas o placar seguiu inalterado por todo o jogo. A partida só ganhou uma apimentada nas finalizações certeiras de Di Natale, defendidas pelo estreante Gabriel, em novo bom desempenho substituindo o lesionado Abbiati – a 12ª com lesão muscular na temporada rossonera. Com Niang e Kaká, o Milan ganhou gás na frente e ainda finalizou seis vezes nos últimos 20 minutos, mas sem sucesso. (AB)

Verona 3-2 Parma
Na semana do adeus a seu vice-presidente Giovanni Martinelli, o Hellas Verona “jogou por ele”, como o presidene Maurizio Setti declarou no decorrer da semana, e conseguiu sua quinta vitória nas oito partidas disputadas até aqui na Serie A. Os gialloblù derrotaram, em casa, o Parma, por 3 a 2, em um jogo com duas viradas e com uma dopietta do brasileiro Jorginho, grande destaque da equipe veronesa. Foi a vitória de número 200 dos scaligeri na Serie A, e agora a equipe ocupa o 4º lugar na classificação, com 16 pontos, três a menos que a Juventus, primeiro time dentro da zona Champions. Já o Parma interrompe uma série de quatro partidas invicto e, com nove pontos na 13ª posição, se vê ameaçado após as vitórias de Sampdoria, Genoa e Cagliari – este último ultrapassando-o. O primeiro time dentro da zona de rebaixamento, o Sassuolo, tem cinco pontos.

E o Parma, que havia vencido duas das suas últimas três partidas, mostrou que poderia ter saído vencedor logo no primeiro tempo. Quem abriu o placar foram os donos da casa, aos 9 minutos, quando Iturbe cobrou escanteio, Toni desviou de cabeça no primeiro pau e Cacciatore chutou a queima roupa, sem chances para Bajza. Exatos dez minutos mais atarde, após pressão, o empate. González perdeu uma bola fácil na entrada da área e Parolo bateu de fora, no canto direito baixo de Rafael, sem chances. Aos 25, o mesmo Parolo mandou bola açucarada para Cassano, que aproveitou a falta de ritmo do zagueiro estreante Rafael Marques e bateu na diagonal, virando o jogo. Os visitantes quase “mataram” o jogo quatro minutos depois, quando Lucarelli mandou uma bola na trave. Mas, no segundo tempo, um Hellas totalmente diferente lutou pela vitória e conseguiu, com dois pênaltis, convertidos por Jorginho. Aos 16, Toni foi calçado quando penetrava na área e o brasileiro bateu no canto esquerdo, com Bajza acertando o canto. E aos 42, o próprio Jorginho invadiu a área, deu um giro “à lá Zidane” e foi derrubado por Marchionni. Ele cobrou no mesmo canto, oposto ao escolhido por Bajza e deu a vitória ao Verona. (Thiéres Rabelo)

Atalanta 2-1 Lazio
Germán Denis continua sendo o principal homem da Atalanta e principal esperança para o time fazer uma temporada tranquila. No domingo, o argentino foi importante mais uma vez e ajudou os nerazzurri a chegarem à terceira vitória consecutiva no campeonato, sequência que os coloca na confortável 7ª colocação. O gol que garantiu a vitória saiu a cinco minutos do fim, em bom lance de Denis, que driblou o goleiro Marchetti antes de empurrar para as redes.

O primeiro tempo começou muito truncado e jogado nas intermediárias dos dois times. Ninguém chegou com perigo ao gol do adversário até os 25 minutos de partida. Depois, os donos da casa começaram a pressionar e conseguiram boa sequência de ataques. Aos 41, Cigarini abriu o placar com belo chute, em erro de marcação de Hernanes. No segundo tempo, Candreva entrou e melhorou o time da Lazio. Perea marcou aos oito minutos. Mas, no fim, Denis mostrou qualidade e garantiu a vitória merecida da Atalanta, que empurra a Lazio para a 9ª colocação. (RA)

Livorno 1-2 Sampdoria
Demorou, mas a Sampdoria finalmente conseguiu sua primeira vitória no campeonato – e foi contra um adversário direto na zona de rebaixamento. Mas engana-se quem acha que o resultado teve qualquer traço de tranquilidade. O gol da vitória saiu apenas aos 51 do segundo tempo. Com o resultado, a Samp deixa a zona do descenso, aproveitando-se das derrotas de Chievo e Catania, para subir duas posições. O time genovês ocupa a 16ª colocação, com seis pontos. O Livorno, com oito pontos, perde a chance de ficar pelo menos mais próximo da zona de classificação à Liga Europa e, pelo contrário, cai uma posição com a vitória do Cagliari e fica três pontos apenas acima do primeiro time dentro da zona de rebaixamento, o Sassuolo.

Logo na primeira metade da etapa inicial, a Samp abriu o placar. De Silvestri, lateral da Nazionale e um dos poucos destaques da Samp na temporada, foi à linha de fundo pela ponta direita e foi derrubado pelo volante Duncan no limite da grande área. O brasileiro Éder converteu. A partir daí, o que se presenciou foi um massacre do time amaranto, que buscou intensamente o gol de empate, mas esbarrou nas próprias más finalizações, na tarde inspirada do goleiro brasileiro Júnior da Costa e no travessão, em um chute de Greco, aos 34. O atacante brasileiro Paulinho até que tentava, mas estava em uma tarde ruim. A Samp voltou ao segundo tempo com a proposta de administrar a vantagem e o fez quase todo o tempo, mas sucumbiu aos 47 do segundo tempo, quando Siligardi, vindo do banco, bateu da entrada da área em um raro momento de liberdade, no canto esquerdo de Da Costa. O mesmo Siligardi quase virou aos 49, com um chute de dentro da área, defendido pelo brasileiro. Mas a sorte resolveu sorrir para a Samp: aos 51 Regini pegou um rebote de cruzamento dentro da área, driblou o defensor e foi derrubado. Pênalti que Pozzi cobrou e marcou. (TR)

Genoa 2-1 Chievo
Na volta de Gasperini ao Marassi, o técnico pode comemorar: a vitória foi conquistada e ajudou a equipe a se afastar um pouco da zona de rebaixamento, e a complicar um concorrente direto, que se afunda na penúltima posição. Em uma partida morna, não é nenhum exagero dizer que Gilardino deu a cara a bater pela vitória rossoblù. É que o atacante, autor de uma doppietta, marcou seu segundo gol no jogo, logo após o empate clivense, sem querer, depois que Bentivoglio tentou afastar um voleio de Marchese, mas acabou chutando a bola no rosto do atacante.

Antes disso, o Genoa encontrou muitos espaços para atacar pelos flancos, mas Lodi ficou apertado no meio, por causa da forte marcação do aguerrido meio-campo do Chievo. Foi justamente em uma jogada iniciada pelo lateral Marchese que saiu o primeiro de Gilardino, que mandou para as redes ótima cabeçada. Na volta do intervalo, como estava atrás, o time de Verona tentou pressionar, e conseguiu empatar com Bentivoglio, após contra-ataque mortal – bom lembrar que tanto Bentivolgio quanto Marchese retornam nesta temporada após suspensão por não haverem denunciado manipulação de resultados. Um minuto depois, Gilardino marcou o gol que comentamos e deu a segunda vitória à equipe na Serie A. (NO)

Cagliari 2-1 Catania
Abrindo a rodada, o Catania foi até a Sardenha enfrentar o Cagliari. Depois de 538 dias longe de casa (último jogo em 28 de abril de 2012, um empate sem gols contra o Chievo), o Cagliari enfim voltou a atuar no Sant’Elia. Embora ainda passe por alguns ajustes e sua capacidade tenha sido limitada a 5 mil pessoas, o estádio estava cheio de torcedores esperançosos, apesar da 14ª colocação da equipe, com apenas uma vitória na temporada. O Catania também não vinha bem. Duas posições abaixo, a equipe da Sicília estava a um ponto da zona rebaixamento.

Em campo, quem saiu na frente foram os elefantini, logo nos primeiros minutos, com Bergessio. O empate rossoblù só veio aos 26 com Ibarbo, num belo chute de dentro da área. Na segunda etapa, já com um jogador a mais (Legrottaglie foi expulso após cometer pênalti em Ibarbo, mas o colombiano teve sua cobrança defendida por Frison) o Cagliari pressionou, mas o gol só saiu aos 38, com Pinilla. O chileno, autor do último gol do Sant’Elia, precisou de pouco tempo em campo para definir a vitória sarda, aproveitando cruzamento de Ibarbo. Com o triunfo, o Cagliari chegou aos 10 pontos, enquanto o Catania continua com 5, agora na 17ª colocação, mas agora sem Rolando Maran, demitido após o fraco início de temporada. Faltou valorizar mais o trabalho do treinador, que na última temporada alcançou o recorde de pontos na história do clube, mas tem tido dificuldades de ajustar a equipe, que perdeu peças importantes no mercado, como Lodi, Gómez e Marchese. Ao menos Luigi De Canio, seu substituto, é um bom nome. (Caio Dellagiustina)

Sassuolo 2-1 Bologna
No dérbi da Emília-Romanha, o duelo dos dois piores times e das duas piores defesas da Serie A. Sassuolo e Bologna ainda não haviam vencido na atual temporada e se enfrentaram no Mapei Stadium. O jogo teve um gosto a mais para Stefano Pioli que além de ter completado 48 anos, reencontrou a equipe que treinou na temporada 2009-10, em uma temporada que valeu a ascensão de ambos. Mas os neroverdi estragaram a festa do ex-treinador e conseguiram sua primeira vitória na história da Serie A – porém, o triunfo ainda não tira a equipe da zona de rebaixamento. O Bologna por sua vez ficou com a lanterna na mão e já começa a se preocupar com a segunda divisão.

O Sassuolo saiu na frente do placar, aos 12, após um pênalti de Mantovani em Berardi, que o próprio Berardi cobrou com categoria e abriu o placar. No ataque seguinte, Floro Flores arriscou de longe, contou com desvio na zaga para ampliar a vantagem. O Bologna então se lançou ao ataque  e criou diversas chances, mas só diminuiu com Diamanti, cobrando pênalti. Mesmo debaixo de muita chuva, os rossoblù continuaram em busca do segundo gol, mas o empate só não saiu porque Antei salvou quase em cima da linha o chute de Cech. Apesar de diversas oportunidades criadas, o time de Pioli não aproveitou e acumulou sua quinta derrota, fato preocupante para quem já vem brigando há anos para não cair. Pesa o fato de a equipe ter perdido peças importantíssimas no mercado, como Gilardino, Gabbiadini e Taïder. (CD)

Relembre a 7ª rodada aqui.
Confira estatísticas, escalações, artilharia, além da classificação do campeonato, aqui.
Seleção da rodada
Rafael (Verona); Antei (Sassuolo), De Rossi (Roma), Costa (Sampdoria); Pjanic (Roma), Borja Valero (Fiorentina), Cigarini (Atalanta), Jorginho (Verona), Marchese (Genoa); Birsa (Milan); Rossi (Fiorentina). Técnico: Vincenzo Montella (Fiorentina).

domingo, 20 de outubro de 2013

A morte do mártir veronês

Giovanni Martinelli, ex-presidente do Hellas que faleceu essa semana (Divulgação)
Como vimos na primeira parte deste especial, o Hellas Verona vive um momento de bonança como há anos (décadas?) não se via. Estabilidade econômica, projeções animadoras, bons resultados dentro de campo, ainda que momentâneos – o melhor início de campeonato desde que o clube foi campeão, em 1985. O retorno à Serie A depois de 11 anos e a boa campanha são motivos de constante festa para a curva sul de Verona. Mas a curva sofreu um duríssimo golpe na semana que se passou.

Na última terça-feira (15), às 14h do horário local, foi anunciado o falecimento do vice-presidente em cargo e presidente do clube por três temporadas, Giovanni Martinelli, aos 62 anos. Pouca repercussão para um fato considerado de importância local. Porém, a instituição Hellas Verona chora a perda de “um dos presidentes mais importantes da história gialloblù”, como afirma o jornalista Raffaele Tomerelli, do jornal L'Arena, de Verona, o qual nós entrevistamos para este especial.

“Com o presidente Martinelli, o Verona perdeu o homem que no momento mais difícil de sua história assumiu a responsabilidade de salvá-lo da falência e de recomeçar seu processo de ascensão. Então, olhando os resultados em suas mãos, ele se torna um dos presidentes mais importantes da história gialloblù. Se não fosse por Martinelli, provavelmente o Verona estaria falido pela segunda vez em sua história e, naquele momento, esse acontecimento poderia significar a extinção dessa instituição”, explicou o jornalista.

Na temporada 2006-2007 o Verona foi rebaixado à Serie C (renomeada Lega Pro dois anos depois) pela primeira vez em 64 anos. À beira da falência, o clube esperaria duras quatro temporadas para sair do inferno em que se encontrava. E foi exatamente aí que o fator Martinelli entrou em ação. Em janeiro de 2009, Martinelli, empreendedor veronês de nascença, torna-se o proprietário da totalidade do Hellas, após a morte do então presidente Pietro Arvedi, que sofreu um acidente automobilístico semanas antes.

Celebrando o acesso à Serie B com a curva
Foram anos de reestruturação financeira e de montagem de elenco. Dois fracassos consecutivos nos play-offs da Lega Pro e um início ruim na temporada 2010-2011. Mas o torcedor abraçou o projeto, angariando recordes de público da divisão. Na dita temporada, houve a troca de treinadores que, no fim, resultaria no acesso: Andrea Mandorlini, assumiu o cargo e de lá não mais saiu, até os dias atuais. Uma marca da gestão Martinelli: a confiança.

“Martinelli assumiu as rédeas do Verona e conseguiu conquistar o acesso à Serie B, antes de cedê-lo ao atual presidente Maurizio Setti, garantindo a ele continuidade, seriedade e segurança econômica. A sua importância, todavia, vai além dos números e dos resultados. Ele conseguiu trazer de volta ao Hellas aquele patrimônio de paixão e de entusiasmo depois de anos de ilusões”, disse Tomerelli.

Episódio marcante da caminhada rossoblù foi quando Martinelli se fez presente, mesmo extremamente enfraquecido por sua doença, na comemoração em campo do acesso à Serie B, quando o Hellas caiu por 1 a 0 para a Salernitana, em Salerno, mas classificou-se. Após o apito final, houve confrontos campais entre alguns jogadores e até Mandorlini, mas o presidente não perdeu a festa sob a curva de seus torcedores, naquele hostil ambiente.

Faixaem homenagem ao ex-presidente
Sua grave doença, porém, começou a consumi-lo. Após a temporada 2011-2012 em que o Hellas ficou a apenas cinco pontos do acesso direto à Serie A e caiu no play-off para o Varese, Martinelli se viu obrigado a vender 80% de suas ações do clube e abrir mão da presidência, passando-a a Maurizio Setti, ex-vice-presidente do Bologna. No decorrer da temporada, ele vendeu o restante das ações a Setti. Mesmo afastado do dia a dia do clube, quando o Verona confirmou o retorno à Serie A na temporada passada, a torcida reconheceu a figura de Martinelli com a faixa à direita: “Obrigado, Presidente Martinelli”.

“A perda de Martinelli é um golpe duro, mas ele será sentido somente a nível moral. Do ponto de vista econômico, Martinelli havia cedido inteiramente suas ações a Setti e, portanto, elas não poderão ser contestadas por ninguém nesse aspecto. Com certeza fica a dor pela perda de um homem apaixonado, grande dirigente e um grande torcedor. Mas talvez este será um motivo a mais para continuar a honrar sua memória com um grande campeonato”, completou Tomerelli.

O enterro de Martinelli
Setti demonstrou sua gratidão a seu mentor. “Foi ele quem me trouxe para cá. Depois, infelizmente, a doença acabou interrompendo tudo, pois o afastou pouco a pouco. É uma pessoa positiva, uma coisa belíssima para Verona, não existem muitos presidentes assim. Quando ele veio ao estádio em precárias condições de saúde, na partida contra o Livorno, na Serie A, foi belíssimo, eu o disse que a Serie A era mérito dele. Ele buscou seu sucessor com cuidado, procurando pessoas com a mesma paixão que ele, sem olhar o lado econômico. Quando conseguimos o acesso, nos abraçamos. É minha lembrança mais bonita ligada a ele. No domingo, jogaremos por ele. Era uma imagem positiva, sempre o mantive como membro do conselho administrativo e ele sempre respeitou nossas operações. Fará falta a todos”.

sábado, 19 de outubro de 2013

Verona mais brasileiro da história voa na Serie A

Jorginho, considerado como 'novo Pirlo', é o coração da surpreendente campanha do Hellas (Divulgação)
O primeiro turno da Serie A não chegou sequer à metade. Não há quem possa apontar com completa segurança um favorito ao título e os times que irão à próxima Liga dos Campeões, com pelo menos sete clubes na condição de fazê-lo. Ou apontar quem são os favoritos ao descenso, uma vez que o lanterna pode subir até cinco posições se vencer hoje. Tudo pode, portanto, mudar. Mas de uma coisa pouquíssimas pessoas podem discordar: ninguém imaginava o Verona na posição em que está.

Quatro vitórias em sete partidas e uma quinta colocação que lhe daria vaga na Liga Europa da temporada que vem. Acima de equipes aclamadas como Fiorentina, Lazio, Udinese e Milan. Não seria nada anormal, se não estivéssemos falando de um clube que retorna à Serie A pela primeira vez em 11 anos e que, há três, se encontrava na antiga Serie C, atual Lega Pro Prima Divisione. Uma ascensão relâmpago e uma campanha, por hora, sólida no retorno à elite, com o melhor início de campanha na história do clube logo após a de 1984-85, que acabou resultando no único scudetto veronês. Quais os ingredientes dessa receita veronesa de sucesso? Nós tentamos descobrir.

Toni, o artilheiro da equipe na temporada, com quatro gols (Divulgação)
Raffaele Tomerelli, editor-chefe do departamento de esportes do jornal L'Arena, de Verona, conversou conosco a respeito do surpreendente Hellas. Entre os vários motivos, ele apontou alguns dos vários brasileiros presentes no plantel como peças-chave no desempenho veronês.

“Os resultados do Verona, na realidade, são realmente surpreendentes, sobretudo porque era uma legenda que não figurava na Serie A há 11 anos e que há três anos ainda estava na Serie C. É justo dizer, contudo, que o clube trabalhou muito bem no mercado, como demonstra a chegada de Luca Toni, um campeão do mundo em 2006 com a seleção de Lippi. Toni ainda está inteiro, é um jogador que poderia ainda se encaixar em vários clubes grandes e até mesmo na seleção de Prandelli. Até agora, ele tem sido o 'homem a mais' de um time que pode ser realmente a grande surpresa do campeonato”, explicou.

Toni assinou com o Verona na inter-temporada, após seu contrato com a Fiorentina chegar ao fim. Com quatro gols em seis jogos, sendo dois em uma dopietta que deu a vitória por 2 a 1 sobre o Milan no primeiro jogo do campeonato. Toni é a cereja do bolo de um time bem treinado e com um padrão de jogo. E, nessa engrenagem que vem funcionando até o momento, vários brasileiros vêm desempenhando papéis importantes.

Rafael, um dos melhores goleiros da história do clube
Ao todo, são seis jogadores brasileiros: o goleiro Rafael Bittencourt, de 31 anos, formado nas categorias de base do Santos, mas que nunca teve chances e seguiu para o clube veronês em 2007, quando este disputava a Serie C1. Foram mais cinco temporadas com a camisa dos butei, três na Lega Pro e dois na Serie B, antes de voltar à elite este ano, todas como titular absoluto; o também goleiro Nicolas Andrade, de 25 anos, formado nas categorias de base do Atlético-MG e no clube desde 2011; o zagueiro Rafael Marques, contratado há poucos meses junto ao mesmo Atlético-MG, e que ocupa a reserva; o volante Raphael Martinho, das categorias de base do Atlético-PR, que joga na Itália desde 2010 e chegou ao Verona na temporada passada e assumiu a titularidade; o lateral Rômulo, ex-Cruzeiro e Atlético-PR, que se destacou nas duas últimas temporadas pela Fiorentina; e o volante Jorginho. Mas, deste, falaremos em separado.

“No Verona mais sul-americano de todos os tempos, os jogadores brasileiros têm uma grande importância. Excelente, acima de tudo, a chegada de Rafael, que já começa a ser considerado um dos melhores goleiros da história do Verona. Rafael fez toda a escalada, da Serie C à Serie A, e vem demonstrando também na elite que é um dos pontos fortes da equipe. Outro que entrou muito bem foi Rômulo, um coringa preciosíssimo para Mandorlini, que até já está presente na lista dos artilheiros do time. Outra presença fundamental é a de (Raphael) Martinho, que estourou no ano passado na B e já é um dos mais destacados nesta temporada. Falta vermos apenas (Rafael) Marques, que acaba de chegar do Atlético Mineiro e ainda não estreou. De Jorginho, obviamente, falemos à parte”, disse Tomerelli.

Percebe-se o preciosismo com o qual se fala de Jorginho até no discurso do jornalista. Tratado como uma verdadeira jóia, o brasileiro não tem história no futebol brasileiro, pois sua família mudou-se para a Itália quando ele ainda era muito jovem, de Imbituba, no litoral catarinense. Sua carreira como jogador foi inteira construída nas categorias de base do Verona e sua chegada ao time principal do clube se deu na temporada 2009-2010, ainda na Lega Pro, quando o mesmo tinha 18 anos. Após uma temporada de empréstimo ao Sambonifacese, da Serie D italiana, ele retornou ao Hellas para jamais sair novamente.

Jorginho (dir.), regista da equipe, e Rômulo (esq.), peça importante
Após duas temporadas na Serie B, como titular, Jorginho se tornou um dos pilares da equipe e passou a chamar atenção de vários grandes clubes e da seleção italiana sub-21, pela qual já foi convocado. A diretoria veronesa optou por manter o jovem mesmo quando se confirmou o acesso à Serie A e agradece aos céus pela aposta. Jorginho é o décimo jogador da Serie A com mais passes certos, com 361, e já é alvo de uma disputa majoritária entre Fiorentina, que tem uma boa via de negócios com o clube veronês e Juventus que, acreditem ou não, estaria apostando em sua contratação para repor uma provável saída de Pirlo, na janela de janeiro. Clubes ingleses também teriam interesse no brasileiro.

Seria prepotência demais chamar o brasileiro de um “novo Pirlo” no atual momento, mas Tomerelli crê que o atleta reúne características que o colocam como um dos jogadores mais promissores do futebol italiano. “Jorginho tem todas as qualidades, a técnica, a tática e a moral para se tornar um grande jogador, e, portanto, tem calibre também para chegar a um clube gigantesco como a Juve. Sua experiência com a camisa do Verona tem demonstrado que ele é capaz de executar todas as funções do meio-campo, sem acusar dificuldades e com a mesma segurança sempre. Sinal de uma grande personalidade, a mesma que o colocou no alvo de várias outros grandes clubes europeus. Certamente que colocá-lo hoje no mesmo nível que Pirlo é arriscado, mas, entre os jovens meio-campistas do campeonato italiano, ele é, seguramente, o mais maduro. E o desenrolar do campeonato tem demonstrado claramente isso”, disse.

Luciano Bruni, treinador da equipe primavera da Juventus, em entrevista ao mesmo jornal L'Arena, confidenciou que persegue Jorginho há tempos. “Eu sinalizei para os nossos diretores sobre esse jogador, pois sempre acreditei nele com uma perspectiva segura. Mas não tive influência o bastante para concretizar sua contratação. Um pecado... Novo Pirlo? Não sei se podemos compará-lo a Pirlo, propriamente, pois Andrea é um jogador único. Mas sem dúvida alguma ele seria muito útil à Juventus”, disse o treinador.

Na nossa conversa com Tomerelli, ele ainda nos falou sobre a recente perda do vice-presidente Giovanni Martinelli, que faleceu na última terça-feira e que abalou o clube. Martinelli foi o presidente que resgatou o Hellas no pior momento de sua história, evitando sua falência, e estruturando a volta à Serie A. Trataremos disso na próxima parte deste especial.