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sábado, 30 de novembro de 2013

Desprestígio de Galliani é reflexo de Milan perdido

Depois de pedir demissão, Galliani perde poderes em um Milan com ambiente atribulado (Getty Images)
Em quase trinta anos de serviços prestados, Galliani tem como marca a sua elegância e influência nos bastidores do futebol. E, também, sua inigualável careca, combinada com sua gravata amarela, que desfilava em todos os cantos do mundo, inclusive no Brasil, quando veio negociar Seedorf. Porém, nem tudo é eterno, ainda mais quando falamos em negócios. O casamento entre Adriano Galliani e o Milan quase acabou, e está estremecido.

Após divergências com a filha do chefe, Barbara Berlusconi, o vice-presidente (que também era administrador-delegado e diretor esportivo) decidiu pedir demissão. “Vou embora com ou sem acordo. Sofri um dano pessoal muito sério, esse não é o caminho para levar a cabo a reestruturação do clube. Tudo deve ser feito com elegância. Pedi demissão por justa causa”, disse o mandatário à agência Ansa.

Galiani não gostou nada das declarações de Barbara sobre sua gestão no clube. Após ouvir que o Milan não tem uma rede de observadores como Roma e Fiorentina, o ex-vice presidene foi enfático ao responder que nos últimos cinco anos, a Roma disputou a Champions League uma única vez, enquanto a Fiorentina, nenhuma. O Milan só não foi à LC uma vez nesse período. Vencedor de cinco Liga dos Campeões enquanto gestor do clube, ele também citou o orçamento equilibrado que conseguiu deixar no clube nos últimos anos, diferentemente de muitos outros clubes.

Sua relação com o clube começou a estremecer após a chegada de Barbara no Conselho Administrativo, passando a assumir posições políticas importantes no clube e criticando a gestão de Galliani, que daria fim à sua história no Milan após o derby contra a Inter no dia 22. 

Porém, após um jantar com Berlusconi, Galliani fica, ao menos por enquanto, mas com menos poderes. Em comunicado à imprensa, Silvio Berlusconi anunciou que o Milan terá dois administradores-delegados: Galliani fica com a parte esportiva, e sua filha Barbara fica com o restante. Um claro sinal de que o casamento pode acabar em breve e que esse momento é de transição.

História
Adriano Galliani, inicialmente torcedor da Juventus, chegou ao Milan em 1986, logo que Sílvio Berlusconi assumiu o controle da equipe. Com experiência de dois anos gerindo o Monza, o braço direito do ex-primeiro ministro já era sócio do político no Canale 5, canal de tv fundado pelos dois. Galliani, antes funcionário público, chegou a se candidatar a prefeito de Monza, mas começou a trabalhar no ramo de meios de comunicação, onde conheceu Berlusconi.

No Milan, Galliani fez por muito tempo as vezes de mandatário da equipe, enquanto o chefe conciliava a presidência do rossonero com a política nacional ou enquanto Berlusconi se acertava com a justiça local, devido aos inúmeros casos de suborno ou prostituição. Sempre coube a Galliani o conduzir a administração do Milan, mesmo quando Berlusconi estava mais à frente do clube. Além de administrador-delegado, Galliani é um faz-tudo, e acumula também funções como diretor esportivo, elo entre diretoria e elenco, e até como homem forte nas relações com a imprensa.

Em 1991 ficou marcado pelo episódio em que tirou o time do Milan de campo, após a queda de energia em partida contra o Olympique Marseille, pela Champions League. A atitude do mandatário custou a perca do duelo, que culminou com a eliminação da equipe da competição, além da exclusão da competição no ano seguinte.

Em 2002, tornou-se presidente da Lega Calcio. Na ocasião, foi levantada a polêmica de que haveria um conflito de interesses, já que ele ocupava o cargo correspondente ao de presidente do Milan e Berlusconi era o primeiro-ministro do país. Em 2006, se demitiu da presidência da liga após acusações no envolvimento no escândalo do Calciopoli. Julgado pela Justiça Federal, foi suspenso por 9 meses, conseguindo, logo depois, redução da pena para 5 meses.

Em 2007, foi acusado de inflacionar o preço de alguns jogadores, entre 1999 e 2003, juntamente com o ex-vice-presidente da Inter, Rinaldo Ghelfi, e do ex-diretor Mauro Gambaro. Julgado no início de 2008, foi absolvido. Recebeu prêmios por sua carreira e em 2011 chegou ao Hall da Fama do futebol italiano, na categoria gerente.

Ao todo, até agora, Galliani conquistou 28 troféus como dirigente rossonero. São oito Serie A, cinco Ligas dos Campeões, seis Supercopas Italianas, cinco Supercopas Europeias, três Mundiais Interclubes e uma Coppa Italia. Um dos dirigentes mais vencedores de toda a história do futebol mundial.

Contratações
Galliani ficará marcado pelas diversas contratações de sucesso que fez no Milan, desde as que formaram os esquadrões do fim da década de 80 e início dos anos 90, com partiipação de alguns dos melhores jogadores do mundo à época, até os times mais recentes, que conquistaram a Champions nos anos 2000. Contratações de jogadores como Rijkaard, Gullit, van Basten, Donadoni, Weah, Desailly, Shevchenko, Serginho, Leonardo e Dida.

Influente no mercado europeu, trouxe grandes nomes para o time, como recentemente Balotelli, Ibrahimovic e sobretudo Kaká, que retornou ao clube. “Eu fui à Madrid para trazer Kaká sem nenhum agendamento e abri os escritórios do Real. Quando fui contratar Ibrahimovic junto ao Barcelona, Rosell me encontrou, mesmo de férias com sua família”, disse, mostrando toda sua influência.

Sem dinheiro e daqui para frente sem um nome forte no comando, o Milan precisa ir às compras em janeiro. Galliani já acertou com Rami, que virá por empréstimo e deixou tudo encaminhado por Honda. Resta saber o desfecho da negociação após sua tentativa de demissão e como o time seguirá negociando, ainda mais após o imbróglio com Mino Raiola, que podem fazer com que o clube aceite ofertas por diversos jogadores, entre eles Balotelli, Abate e Niang.

Futuro
Depois de receber manifestações de apoio de diversos treinadores, entre eles Carlo Ancelotti e José Mourinho, Galliani não pretendia se empenhar em um novo projeto tão rápido. Tido por muitos como um dos grandes gestores e respeitado por toda a Europa, ele continuará trajando sua gravata amarela nos estádios, mas em breve pode se dedicar à carreira política.

Enquanto isso, o Milan projeta sua renovação. Para assumir os postos que poderiam ser deixados por Galliani, diversos nomes foram cotados, entre eles ex-jogadores e ídolos do clube como Paolo Maldini e Demetrio Albertini e outros bem avaliados na Itália, como Michele Uva (ex-dirigente de Lazio e Parma), Sean Sogliano (Verona) e Claudio Fenucci (ex-Roma). Nada impede que esses nomes voltem a ser especulados no Milan outra vez, e que substituam Galliani em futuro próximo.

Com a perda de podres de Galliani, nem mesmo Allegri tem mais sua segurança no comando, já que era o dirigente quem o garantia como treinador. Seedorf é um dos favoritos de Barbara, que continuará pressionando internamente pela troca de técnico, embora a parte esportiva esteja sob a responsabilidade de Galliani. A existência de dois executivos-chefe, inclusive, pode amargar o ambiente interno do Milan.

Com ou sem Galliani, o Milan seguirá respeitado. Resta saber se Barbara, projetando-se cada vez mais como figura forte no Diavolo, colocará o clube de volta ao patamar dos gigantes europeus ou o levará para um buraco ainda mais fundo.

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Liga Europa: classificação garantida e pouco esforço

Uma Lazio em formato "bebê" foi bem na Polônia e garantiu a classificação à próxima fase (Corriere dello Sport)
Com pouco esforço, a Itália colocou dois representantes na fase de mata-mata da Liga Europa. Na última rodada, a Fiorentina carimbou a vaga, e entrou muito relaxada diante do Paços de Ferreira, tropeçando. Mais focada, a Lazio, com muitos jogadores jovens, jogou bem contra o Legia e garantiu presença nos 16 avos de final. Confira o resumo da rodada.

Legia 0-2 Lazio
No frio da Polônia, a Lazio conseguiu uma importante vitória contra o Legia Varsóvia e liquidou a passagem para a próxima fase da Liga Europa, graças aos gols de Perea e Felipe Anderson, que teve ótima atuação e desencantou com a camisa laziale. A equipe, inclusive, foi a campo recheada de jovens promessas e conseguiu dominar a partida contra os poloneses, últimos colocados no grupo J, sem gols marcados.

Vladimir Petkovic escalou a Lazio com três jovens promessas no ataque: Felipe Anderson jogou pela direita, Keita pela esquerda e Perea ao centro. O primeiro teve boa chance de marcar no início do jogo, ao limpar a marcação e finalizar pra fora. O segundo recebeu bom passe de Hernanes em contra-ataque, mas chutou em cima do goleiro. Foi somente o colombiano que abriu o placar, quando recebeu bola alçada de Biglia e dominou esquisito de cabeça, mas consertou a jogada com outra cabeçada, que surpreendeu o arqueiro rival.

Voltando a ser escalado como titular, Felipe Anderson jogou bem e criou boas jogadas pelo lado direito. No segundo tempo, o camisa 7 recebeu passe de Hernanes e chutou forte no cantinho, marcando seu primeiro gol com a camisa da Lazio. Após o segundo gol, os biancocelesti ainda tiveram várias oportunidades para ampliar, mas pararam no goleiro Kuciak. O Legia, por sua vez, praticamente não ofereceu perigo à defesa italiana, a não ser em um lance no final do jogo, quando Berisha saiu mal do gol e deixou Ojamaa cabecear. Biglia estava atento e evitou o gol, tirando a bola quase em cima da linha.

Com a vitória, a Lazio assegurou a classificação para a fase de mata-mata da Liga Europa, indo a 11 pontos. O Trabzonspor venceu o Apollon Limassol e continua na liderança, dois pontos a frente dos romanos. A primeira posição do grupo J, porém, será decidida no dia 12 de dezembro, no estádio Olímpico de Roma, quando os dois líderes se enfrentam, com a Lazio jogando por uma vitória para assumir a liderança. (Cleber Gordiano)

Paços de Ferreira 0-0 Fiorentina
Em um jogo fraco, a Fiorentina, já classificada, deixou quase todos os titulares descansando, e ficou no zero contra os portugueses, que não tem mais chances de seguir adiante na Liga Europa. Com 13 pontos, a equipe italiana perdeu os 100% na competição, mas continua liderando o grupo E, com um ponto a mais que o Dnipro, que fez 4 a 1 no Pandurii. Os times definem a ordem de classificação em Florença, em duas semanas.

Jogando em Guimarães e pensando apenas em garantir uma premiação de 100 mil euros, os portugueses ficaram mais próximos ao gol em duas oportunidades: no primeiro tempo, Bebé recebeu livre, mas perdeu um gol nível 9 na "escala Deivid" e apenas recuou para Munúa, que estava fora do gol; e na segunda etapa, Manuel José tentou encobrir o goleiro uruguaio com um chute forte, obrigando-o a fazer uma difícil defesa de mão trocada.

Por sua vez, a Fiorentina cresceu apenas no final do jogo, quando tentou definir tudo em 15 minutos. A entrada de Pizarro no segundo tempo melhorou o toque de bola do time, mas a viola só ganhou dinamismo mesmo a partir da entrada de Cuadrado, que criou as melhores chances, fazendo António Filipe trabalhar. Outra boa chance foi criada depois que Alonso tentou um voleio, mas bateu por cima do gol. Foi só. A nota negativa do jogo fica por conta dos apagados Ryder Matos e Fernández, que tiveram noite para esquecer.

O show do "Rei Arturo"

Não teve jeito: Vidal marcou três gols e levou a bola pra casa, de presente (Foto: Reuters)

Antonio Conte tem um ótimo defeito: viver demais o presente. Vidal estava pendurado e entrou em campo, na Arena, com possibilidade de ficar de fora do, até então, principal jogo da Juventus na temporada – a decisão da fase de grupos contra o Galatasaray, na Turquia. Mas o chileno jogou. E jogou muito. Três gols em uma vitória regeneradora diante do Kobenhavn por 3 a 1, na última quarta-feira.

A Velha Senhora voltou a atuar com três zagueiros na Liga dos Campeões. Ainda sem Lichtsteiner, Padoin ocupou a ala direita, com Asamoah pela esquerda e Cáceres, Bonucci e Chiellini na defesa. A Juventus já pressionava muito antes de Jacobsen cometer pênalti.

A equipe treinada por Ståle Solbakken dava liberdade a Pirlo, que controlava a partida do jeito que queria. No entanto, faltava pontaria aos comandados por Conte. Pogba não conseguia ajudar Asamoah, que corria uma barbaridade pela esquerda, nem Tévez cooperava com o pivô realizado por Llorente. A infração (e a mão) boba do lateral-direito dinamarquês, então, ajudou Vidal a marcar o primeiro gol do jogo.

Como aconteceu no empate em 1 a 1 na Escandinávia, na segunda rodada da competição, a Juve voltou a sofrer com bolas alçadas em sua área. Numa delas, Mellberg empatou – há de se considerar jogada faltada do ex-zagueiro da Juventus no lance que originou o gol de empate.

Os bianconeri aumentaram a velocidade e voltaram a pressionar o campeão danês. Mesmo sem ter chances claras de gol, Llorente fez uma excelente partida. Sempre de costas para a baliza, ele bloqueou as tentativas de desarmes ou rebatidas da zaga adversária para colocar seus companheiros em condições de fazer Wiland trabalhar. 

Vidal recolocou a Juve na frente do marcador depois que Mellberg cometeu novo pênalti, pouquíssimo tempo de ele ter feito o seu. Na sequência, o chileno marcou pela primeira vez três gols com a camisa da Juventus: Pogba cruzou na área e o "Rei Arturo", como é chamado pela torcida da Juve, cabeceou mansamente para cima, encobrindo Wiland.

Com o resultado obtido em Turim e a vitória do Real Madrid, a Juventus precisa apenas de um empate contra o Galatasaray, na Telekom Arena, para avançar de fase. A situação já foi mais complicada.

Ficha técnica
Juventus 3-1 Kobenhavn

Juventus: Buffon; Cáceres, Bonucci e Chiellini; Padoin (69’ Marchisio), Vidal (83’ Ogbonna), Pirlo, Pogba e Asamoah; Tévez (81’ Vucinic) e Llorente. T: Antonio Conte

Copenhagen: Wiland; Jacobsen, Bengtsson, Mellberg e Sigurdsson; Bolaños (61’ Kristensen), Claudemir, Delaney (76’ Amankwaa), Jorgensen e Toutouh (81’ Pourie); Gislason. T: Ståle Solbakken


Gols: Vidal (29’, 61’, 63’); Mellberg (56’) – veja os gols aqui

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Napoli peca e fica em situação difícil

O Napoli caiu frente ao Dortmund e, a partir desta derrota, dificulta a sua continuidade na Liga dos Campeões (Associated Press)
O Napoli tinha dois resultados que o favoreceriam nesta terça no Signal Iduna Park. Porém, nenhum deles aconteceu: o time amargou a derrota, que dificultará muito a classificação dos italianos na última rodada. Na Alemanha, ficou claro que o Dortmund jogava uma decisão e os azzurri faziam apenas mais um jogo, sem a mesma intensidade dos alemães. Rafa Benítez discorda disso: “o pênalti mudou tudo, pois nós fizemos uma grande partida, uma boa apresentação, contra um dos melhores times da Europa”. Ambas as equipes entraram no 4-2-3-1, mas enquanto os aurinegros jogavam com marcação avançada, os partenopei esperavam no campo defensivo.

A postura napolitana deu espaço para as chegadas do Dortmund. Em um escanteio cobrado por Reus, Fernández agarrou acintosamente Lewandowski, pênalti que o camisa onze borussiano bateu e converteu. Já dominado, não ajudou em nada para o Napoli ter sofrido o gol cedo. A equipe contou com defesas de Pepe Reina para segurar o placar desta forma até conseguir entrar no jogo.

Os partenopei equilibraram as ações, mas com o armador central Pandev (Hamsík foi desfalque) muito apagado, foi em um lance de Higuaín na armação que o time teve a melhor jogada. O argentino saiu da área, fez ótimo passe na ponta-direita para Callejón, que invadiu a área, e bateu na trave. Com muitos atacantes na linha de três atrás de Higuaín (Pandev, Mertens e Callejón), a decisão de Benítez por deixar Insigne no banco foi muito questionada por torcedores e jornalistas.

O Dortmund tinha velocidade, movimentação entre os meias e o jogo fluía tanto pelo centro quanto pelas pontas, onde os ofensivos laterais Maggio e Armero sofriam bastante. Por isso, mesmo dominado, o Napoli não saiu perdendo por mais por conta de Reina, que, ao todo, fez três defesas dentro da grande área no primeiro tempo. Benítez pareceu satisfeito com o rendimento dos partenopei, pois não voltou com nenhuma mexida para os últimos 45 minutos. 

Os azzurri recomeçaram melhor e o jogo seguiu aberto. Mas, um lance representativo disso, mudou a partida. Callejón descobriu Higuaín dentro da área, porém o atacante parou em Weidenfeller. No contra-ataque, Lewandowski fez um passe que deixou Reus livre nas costas da defesa. O camisa onze rolou para Błaszczykowski marcar o 2 a 0. A defesa napolitana não conseguiu acompanhar a velocidade do ataque aurinegro. O segundo gol fez Benítez mudar o time, e o inconstante Callejón deu lugar a Insigne. O jovem italiano entrou e incomodou bastante o lado direito da defesa do Dortmund. 

Mais avançado no campo, o Napoli aproveitou um erro na saída de bola de Kehl e Higuaín apareceu mais uma vez para armar o jogo. O passe do argentino encontrou Insigne que bateu por cima de Weidenfeller e colocou os napolitanos de volta à partida. Porém, se no gol, foi bom ter a equipe posicionada bem à frente, desta forma, os partenopei deram espaço para o mortal contra-ataque dos aurinegros. Na primeira vez, Reina salvou, mas depois Aubameyang recebeu novamente na frente do goleiro napolitano e não falhou, jogou por cima dele e marcou. Faltando praticamente dez minutos para o fim da partida, o Napoli não teve forças para buscar o segundo gol, que mudaria um pouco a situação dos azzurri na última rodada. 

Agora, na última rodada, para não depender de um improvável tropeço do Borussia Dortmund contra o Olympique de Marselha, o Napoli terá que vencer o Arsenal por 3 a 0. A missão no dia 11 de dezembro não é impossível, mas será muito difícil e, por isso, o San Paolo poderá ser o diferencial. Em casa, o time venceu as duas partidas que fez na Liga dos Campeões. Porém, até aqui, nenhuma das vitórias foi pela diferença que precisará na partida derradeira para se classificar. 

Borussia Dortmund 3-1 Napoli 

Borussia Dortmund (4-2-3-1): Weidenfeller; Großkreutz, Sokratis, Bender, Durm; Sahin, Kehl (C); Błaszczykowski (68’ Aubameyang), Mkhitaryan, Reus (80’ Piszczek); Lewandowski (89’ Schieber). Técnico: Jurgen Klopp. 

Napoli (4-2-3-1): Reina; Maggio, Fernández, Albiol, Armero; Dzemaili (62’ Inler), Behrami; Callejón (66’ Insigne), Pandev (75’ Zapata), Mertens; Higuaín. Técnico: Rafa Benítez. 

Árbitro: Carlos Velasco Carballo (ESP) 

Gols: Reus (9'), Błaszczykowski (60'), Insigne (71’) e Aubameyang (78’).

O outro Milan

Kaká lembrou o jogador que conquistou o mundo em 2007 e se mostra fundamental na recuperação do Milan (AFP)

Se fosse uma pessoa, o Milan poderia ser definido como bipolar – ou como volúvel, no mínimo. Só assim para explicar um time que na Serie A soma apenas 14 pontos em 13 jogos, fazendo partidas pífias, apáticas e irreconhecíveis, e na Champions League tem um ânimo renovado, um espírito aguerrido, com vontade de vencer e que consegue fazer frente ao Barcelona e não toma conhecimento do Celtic, em pleno Celtic Park.

Com apenas uma diferença em relação à escalação do empate contra o Genoa (Birsa no lugar de Matri), o time foi a campo contra os escoceses pressionado pelas fracas apresentações. Allegri seguia na corda bamba e a derrota poderia ser crucial para sua continuação no comando dos rossoneros. Assim, o Milan foi ao gramado escocês com muita determinação, contendo os avanços do Celtic e apostando em uma bola certeira no ataque, que chegou logo aos 12 minutos, com Kaká. Após cobrança de escanteio de Birsa, o brasileiro, sozinho na pequena área, só teve o trabalho de desviar ao gol, encerrando um jejum de quase um ano sem marcar pela Champions.

O gol tranquilizou o Milan, que se fortaleceu na defesa e apostou nos contra ataques, especialmente com Kaká, que protagonizou lances que lembraram sua primeira passagem no clube. Aos 24 minutos, ele arrancou espetacularmente desde o campo de defesa e deixou Balotelli livre na área, mas o atacante hesitou e chutou por cima do gol. Na sequência, Kaká quase marcou o segundo, mas a bola passou rente à trave.

Na segunda etapa, o Celtic assustou no início e obrigou Abbiati a trabalhar. Mas instantes depois, o clube verde e branco levou o segundo gol, novamente após uma bobeira defensiva. Birsa cobrou escanteio, Nocerino desviou e Zapata, sozinho dentro da área completou para fazer o segundo gol. Balotelli, que parece ter incorporado o espírito de Kaká, participando mais assiduamente do jogo, fez o terceiro gol. O camisa 45 recebeu lançamento de Poli e chutou no canto baixo de Forster, definindo o resultado da partida.

A vitória levantou a moral do Milan e deu um respiro à Allegri, que dificilmente será demitido caso a equipe se classifique ao mata-mata da competição.  O rossonero agora só precisa de um empate em pleno San Siro contra o Ajax para avançar à próxima fase. Mas, além de pensar na competição europeia, será preciso pôr em prática, com o mesmo ímpeto, o futebol apresentado nesta terça-feira para reagir na competição nacional.

Celtic 0-3 Milan
Local: Celtic Park, em Glasgow (ESC)
Árbitro: Cüneyt Çakır (TUR)
Cartões amarelos: Van Dijk, Commons (CEL)
Gols: Kaká, 12'/1ºT; Zapata, 4'/2ºT; Balotelli, 14'/2ºT

Celtic: Forster, Ambrose, Izaguirre, Van Dijk e Mulgrew; Lustig, Commons (Stokes, 20'/2ºT), Kayal (Ledley, 31'/2ºT), Forrest (Rodic, 28'/2ºT) e Boerrigter; Samaras. Técnico: Neil Lennon
Milan: Abbiati, Abate (Nocerino, 3'/2ºT), Zapata, Bonera e Emanuelson; De Jong, Montolivo, Birsa (Constant, 25'/2ºT), Poli e Kaká (Robinho, 29'/2ºT); Balotelli. Técnico: Massimiliano Allegri

terça-feira, 26 de novembro de 2013

13ª rodada: O retorno da Velha Senhora

Pela primeira vez no campeonato, Juventus assume liderança isolada da Serie A. Para não largar mais? (Skysports)
Após 13 rodadas, temos uma nova líder na Serie A. A Roma, que encabeçou a tabela do campeonato até o momento, e de forma consecutiva desde a 5ª rodada, cedeu terreno e, após três tropeços, viu a Juventus ultrapassá-la, com um ponto a mais. Agora, pela primeira vez neste campeonato, a Roma terá de assumir o modo de perseguição, enquanto uma Juve que viveu momentos de descrédito nesta temporada, volta à posição que ocupou quase sem distúrbios ao longo dos dois últimos anos. 

A rodada foi excelente para a Velha Senhora, uma vez que só ela conquistou os três pontos entre os melhores oito colocados na tabela. Napoli, Inter e Fiorentina, perseguidores em potencial, também vacilaram nesta rodada. E o Milan, cada vez mais longe da ponta, está a apenas quatro pontos da zona de rebaixamento, e já sofre questionamentos mais duros por parte de seus torcedores. Acompanhe o resumo da 13ª, que pode ter marcado uma guinada nos rumos do campeonato.

Livorno 0-2 Juventus
A nova dupla de ataque contratada para essa temporada parece cada vez mais entrosada e, mais uma vez, resolveu o jogo para a Juventus. Destaque maior para Llorente, que começou o campeonato em ritmo muito baixo, mas já se encontrou em campo e fez outro bom jogo neste domingo. Foi dele o primeiro gol, após bom cruzamento de Pogba, e também foi de seus pés que saiu a assistência para o gol de Tévez, que ajudaram a Velha Senhora a chegar a sua quinta vitória consecutiva - e sem tomar gols. O argentino já tem sete gols na Serie A, enquanto o espanhol marcou seu terceiro. 

A defesa desfalcada não foi um problema para a equipe de Conte, que jogou com Vidal improvisado no miolo da zaga, Cáceres na direita e Chiellini na esquerda do 3-5-2. Muito recuado em seu campo, o Livorno jamais agrediu a Juve e deu espaço para o time visitante jogar. No primeiro tempo, os bianconeri pouco conseguiram produzir, mas, na segunda etapa, o time explorou mais os lados do campo e conseguiu alcançar os gols. A vitória coloca a Juve na ponta da tabela, lugar ao qual se acostumou nas últimas temporadas, e deixa o Livorno em 16º, apenas dois pontos acima da zona de rebaixamento. (Rodrigo Antonelli)

Roma 0-0 Cagliari
Depois de dez vitórias consecutivas, três empates em sequência. A vida da Roma sem Totti é dura, mas no jogo desta segunda, diante do Cagliari, não dá para acusar a equipe capitolina de omissão. Os romanos criaram muitas jogadas e finalizaram 19 vezes ao gol. Porém, esbarraram em uma grande atuação do experiente goleiro Avramov, que só jogou porque Agazzi, o titular, está machucado. O sérvio de 34 anos fez apenas 15 partidas oficiais nos últimos seis anos, entre sua passagem por Fiorentina e Cagliari, e surpreendeu pelo tempo de jogo e pelas defesas complicadas.

Pela Roma, Maicon, Strootman e Gervinho criaram as principais oportunidades, enquanto mais uma vez Ljajic, Pjanic e Florenzi tiveram atuação discreta. Avramov fez duas ótimas defesas em chutes do lateral brasileiro, e evitou também o gol do meia holandês. Porém, apenas pode observar a cabeçada de Gervinho explodir contra a trave. O Cagliari, porém, não apenas se defendeu, e até teve um gol bem anulado, de Sau. Em outras duas oportunidades, De Sanctis também precisou trabalhar, afastando chute de Eriksson e perigosíssima cabeçada de Ibarbo. O meia colombiano, inclusive, se dedicou muito durante toda a partida, e foi um dos melhores em campo, se multiplicando na marcação e na criação das jogadas dos sardos. Pela boa fase, pode aparecer na Copa. A Roma, por sua vez, precisará reavaliar o seu campeonato, e provar que o excelente futebol do início de temporada pode voltar a aparecer também na condição de perseguidora da Juventus. (Nelson Oliveira)

Napoli 0-1 Parma
Preocuopado com a partida de hoje diante do Borussia Dortmund, na Alemanha, Rafa Benítez preferiu poupar Hamsik e Mertens no jogo de sábado, contra o Parma, e viu sua equipe ser dominada pelo adversário em pleno estádio San Paolo. Jogando em um 4-1-4-1 com Cassano de falso centroavante, o time de Roberto Donadoni criou as melhores chances do jogo e mereceu sair de Nápoles com os três pontos. O primeiro tempo foi mais equilibrado, mas, na segunda etapa, os crociati se impuseram e chegaram à vitória, principalmente por causa de uma grande partida de Antonio Cassano. 

O Napoli até marcou primeiro, com Higuaín, após cobrança de escanteio, mas o argentino estava impedido. Em poucos minutos, a torcida napolitana foi da euforia à decepção: oito minutos após o impedimento de Higuaín, Cassano avançou e acertou belo chute em diagonal no gol de Pepe Reina. Benítez ainda tentou uma reação colocando Hamsik e Mertens em campo no final, mas não havia mais tempo. O gol do melhor homem em campo distancia o Napoli da briga pelo scudetto - já são seis pontos atrás da Juve - e tira uma invencibilidade dentro do San Paolo que durava desde 14 de fevereiro. Com a vitória, o Parma chega a 16 pontos, na 11ª colocação. (RA)

Bologna 1-1 Inter
Uma mistura entre cansaço físico, falta de qualidade e apatia tem prejudicado o desempenho da Inter. Mazzarri ainda está implementando sua filosofia e são esperados alguns deslizes para esta temporada, porém a postura do time nerazzurro tem sido um incômodo para o treinador, que mais uma vez falou em muita ingenuidade no ataque e na defesa, mesmo com a volta de Campagnaro após dois meses. A Inter mais uma vez falha fora de casa: em jogos que se esperava vitórias, contra Cagliari, Torino e Bologna, a equipe empatou – também foram três empates em jogos pós-data Fifa. Com as derrotas de Fiorentina e Napoli, a Inter tinha a oportunidade de empatar com o time partonopeo e se distanciar dos viola, porém o tropeço manteve o time na 4ª posição. De "bom", apenas a invencibilidade fora de casa na temporada e o tabu de 11 anos sem perder em Bolonha. Para o time da casa, resultado bom, considerando o nível do adversário, mas que não o deixa em posição confortável.

Com a bola rolando, a apatia interista foi punida por um Bologna bem compacto atrás e perigoso com Diamanti, Kone e Bianchi, que obrigaram Handanovic a trabalhar e a defesa a suar. O arqueiro esloveno, contudo, falhou na primeira finalização do jogo, quando Cristaldo puxou contra-ataque pela direita e centrou para um Kone livre mostrar porque é um carrasco para os times de Mazzarri. Chegando a ter mais de 70% de posse de bola, o triplo de dribles, escanteios e chutes, a Inter até tentou reverter a situação no final do primeiro tempo e até a metade da segunda etapa, mas teve um Guarín em má fase, um Álvarez em dia apagado, um Palacio com a pontaria ruim e, de quebra, esbarrou na trave rossoblù, que impediu três gols. A Beneamata só alcançou o empate quando Jonathan chutou da entrada da área e contou com o desvio de Sorensen para empatar a partida. Pouco. (Arthur Barcelos)

Udinese 1-0 Fiorentina
Com apenas uma vitória nos últimos cinco jogos, a Udinese recebeu em casa a Fiorentina, dona de uma das melhores campanhas como visitante. Guidolin, que completou sua 200ª partida no comando bianconero, aproveitou a data Fifa para armar a equipe no não usual 4-2-3-1, com Heurtaux fazendo ora a ala direita, ora o terceiro zagueiro e Domizzi formando a dupla de zaga com Danilo. Por outro lado, Montella seguiu sem poder contar com Gómez, e continuou utilizando Joaquín e Cuadrado para formar o ataque com Rossi.

Em campo, o quarteto defensivo da Udinese anulou o trio de ataque viola. Rossi não conseguiu encontrar espaços e Cuadrado precisou voltar e compor a linha de meio campo para conter as oportunidades de Pereyra e Fernandes. A Udinese aproveitou os espaços deixados pela perdida zaga da Fiorentina para criar boas chances de gol, obrigando Neto a fazer boas defesas. Mas foi após uma bola parada que conseguiu o gol da vitória. Aos 34, Di Natale cruzou, Pereyra desviou e Heurtaux completou na segunda trave. Com a vitória, a Udinese subiu para a 10ª colocação, enquanto a Fiorentina se distanciou da ponta da tabela, ficando 10 pontos atrás da Juventus. (Caio Dellagiustina)

Verona 0-1 Chievo
Uma história daquelas que os poetas do futebol amam. O Davi contra Golias. E a vitória de Davi. O então lanterna do campeonato, o Chievo, derrotou o rival Verona, na briga pela zona Champions, por 1 a 0, com um gol aos 48 do segundo tempo. Naquele que foi apenas o terceiro dérbi da cidade de Verona na história da Serie A e o 11º de toda a história, os clivensi venceram pela segunda vez no campeonato, e deixaram a lanterna, coroando a coragem do técnico estreante Eugenio Corini, figura importante da história deste dérbi em sua carreira como jogador (leia aqui). E alerta ligado para o Hellas, que perde contato com a zona Champions, ainda que esteja próximo à zona de classificação para a Liga Europa.

Para a surpresa de muitos (todos?), o Verona não viu a cor da bola. Corini escalou um híbrido 4-5-1, que se tornava 4-3-3 no ataque, com Estigarribia e Sestu pressionando no primeiro combate e alimentando o isolado Théréau no ataque – o francês infernizou a defesa do Hellas durante todo o jogo. Logo aos 4 minutos de jogo, Cesar abriria o placar para o Chievo, mas o gol legal foi mal anulado. Era o cartão de visitas do time que finalizaria quase o dobro de vezes que seu adversário durante todo o jogo. Inclusive, o Verona, que era implacável em casa, jogou mal, e de suas sete finalizações, simplesmente não acertou nenhuma no gol. Corini trocou o trio de frente por outros atacantes, ao invés de colocar defensores e segurar o empate: ele queria a vitória. E um destes atacantes, Lazarevic, premiou o treinador  e marcou o gol da vitória após tabela com Hetemaj. Todos os jogadores do Chievo partiram para fazer um montinho em cima do atacante. Parecia que toda uma cidade estava ali. (Thiéres Rabelo)

Milan 1-1 Genoa
14 pontos em 13 jogos. Max Allegri está mais do que ameaçado no Milan e terá um verdadeiro teste diante do Celtic, neste meio de semana, pela Liga dos Campeões. Na Serie A, o seu Milan é muito pouco eficiente, e mesmo quando cria não parece ter força de vontade de arrancar as vitórias à força. Neste sábado, a equipe voltou a jogar mal, e apesar de ter dominado quase toda a partida, não conseguiu vencer o Genoa, que jogou com um a menos a partir dos 35 minutos do primeiro tempo, quando Manfredini foi expulso por cometer pênalti em Balotelli. O jogo estava empatado em 1 a 1 e o atacante poderia tranquilizar San Siro, mas sua cobrança foi o retrato da equipe: displicente, pouco focada, e nem um pouco ajustada. O segundo pênalti perdido na carreira (de forma consecutiva, vale dizer) é um grande indício da má fase pela qual Super Mario passa no Milan.

Antes de tudo isso acontecer, Kaká abriu o placar aos três minutos de jogo, após receber belo lançamento de De Jong e bater na saída de Perin. Só que o Genoa de Gasperini não sentiu o gol e empatou cinco minutos depois, quando Gilardino converteu penalidade sofrida por Vrsaljko. Colocou a bola nas redes o que Balotelli, seu companheiro de seleção, não fez. E foi ativo no jogo, ao contrário do milanista, disperso e fora do jogo quando sua equipe mais precisava dele. No segundo tempo, com Antonelli improvisado na defesa, o Genoa se doou e se defendeu bem, mas contou com a complacência de um Milan lento, previsível e pouco brilhante. Perin fez boas defesas quando requisitado e, na bola do jogo, no quarto minuto de acréscimo, Zapata chutou para fora, mesmo estando livre na marca do pênalti. Ao fim do jogo, os ultrà do Milan, que já haviam levado faixas agressivas ao estádio, bloquearam a saída do ônibus rossonero do estádio. Kaká e Abbiati tiveram de sair para conversar com os torcedores, e ao fim do papo, acabaram aplaudidos. Mas o clima é muito tenso em Milanello. (NO)

Sampdoria 1-1 Lazio
Todos os esforços da diretoria da Sampdoria em tirar Sinisa Miahjlovic do comando técnico da sua seleção sérvia estavam sendo recompensados na partida contra a Lazio, no Marassi, a qual a Samp vencia pelo placar mínimo até os 49 do segundo tempo. Mas a equipe treinada pelo suíço de origem bósnia Petkovic tratou de estragar a estreia do ex-doriano (e ex-laziale, também) com o albanês Cana, que empatou a 10 segundos do fim. O gol evitou nova derrota, mas não interrompeu o jejum de vitórias que já chega a quatro jogos – apenas um triunfo nas últimas oito partidas. O instante de desatenção da Samp custou-lhe mais alguns dias na zona de rebaixamento, a qual deixaria caso vencesse. O time, porém, mostrou que está mais aguerrido que com Delio Rossi, e está a apenas dois pontos de deixar a zona incômoda.

Em pouco mais de uma semana no time, Mihajlovic conseguiu dar uma nova cara à Samp, a começar pela mudança de esquema tático, abandonando o 3-5-2 e passando ao 4-5-1. Os donos da casa, então, aproveitando-se também da grande lista de desfalques dos laziali, conseguiram mandar nas ações do primeiro tempo, apesar de não marcar. No segundo tempo, porém, Krsticic recebeu vermelho direto por entrada violenta em Ledesma e tudo parecia em risco. Mas, pelo contrário, a Samp foi quem continuou buscando o jogo e abriu o placar aos 23, quando Soriano cabeceou para o gol uma bola que pererecou na pequena área em um bate-rebate sem fim, seu primeiro gol na Serie A. Mas a Lazio não se entregou: no último suspiro, em um chutão da defesa que Floccari escorou com o peito para Cana, o jovem Petagna falhou na cobertura e permitiu que o albanês penetrasse a área e fuzilasse o canto direito de Júnior Costa. (TR)

Torino 4-1 Catania
Apesar de ter aprontado contra Inter e Roma e ter tido bom desempenho em outros jogos, o Torino não vencia há dois meses. Neste domingo, a equipe tirou toda zica que a rondava ao massacrar o desesperado Catania. A vitória garante posição mais confortável ao time de Ventura no meio da tabela, a cinco pontos da zona de rebaixamento e três do sétimo colocado. Derrotado pela oitava vez no campeonato (junto com o Chievo, o Catania é o time com mais derrotas), o time de De Canio parece sem reação, mesmo com a vitória sobre a Udinese, e agora ocupa o último lugar da tabela.

Antes com um 4-2-4 bem definido, Ventura tem apostado em não dar referências aos adversários e buscar um módulo para cada jogo. O comportamento, contudo, é o mesmo: bem compactado atrás, rápido na transição ofensiva, direto nos ataques e com treinamentos específicos para as bolas paradas. Foi assim que os quatro gols contra o Catania saíram. Primeiro, com Immobile roubando a bola de um cada vez mais fora de forma Legrottaglie e arrematando colocado para marcar seu quinto gol em menos de dois meses, logo aos 10 minutos. Pouco mais de vinte minutos depois veio o segundo, em contra-ataque finalizado por El Kaddouri, em grande tarde. Após a volta do intervalo, o time siciliano tentou uma reação com gol de Leto de fora da área, porém logo depois o time da casa liquidou o jogo com dois gols em dois minutos: em escanteio cobrado por Cerci, Moretti cabeceou firme coroando uma ótima partida, e El Kaddouri fechou o placar ao aproveitar rebote do goleiro após grande jogada de Immobile. (AB)

Sassuolo 2-0 Atalanta
Reagindo após o fraco início, o Sassuolo chegou ao terceiro jogo consecutivo somando pontos. Depois de vencer com propriedade a Sampdoria e ter arrancado um empate inesperado contra a Roma, ambos fora de casa, a equipe fez a lição de casa, venceu a Atalanta, e se distanciou da zona de rebaixamento. A equipe de Bérgamo segue em 9º, mas longe de brigar por alguma competição europeia.

Di Francesco deixou de lado a cautela para apostar no esquema que consagrou os neroverdi na segunda divisão, o 4-3-3. Mesmo com toda ofensividade, o primeiro tempo foi muito monótono, com poucas chances dos dois lados e com Colantuono tendo de mexer duas vezes na Atalanta, ambas por motivo de lesão. Na segunda etapa, a aposta ofensiva de Di Francesco deu resultado. Aos 22, Zaza, que recebia mais uma chance como titular, aproveitou a sobra de falta cobrada por Berardi e abriu o placar contra o time que o lançou profissionalmente. E três minutos depois, o jovem artilheiro Berardi ficou frente a frente com Consigli e tocou no canto baixo do arqueiro, definindo o jogo. O nome da partida foi o meia Marrone, emprestado pela Juventus, autor de duas assistências. (CD)

Relembre a 12ª rodada aqui.
Confira estatísticas, escalações, artilharia, além da classificação do campeonato, aqui.  

Seleção da rodada
Avramov (Cagliari); Vrsaljko (Genoa), Heurtaux (Udinese), Marrone (Sassuolo), Moretti (Torino); El Kaddouri (Torino), Pogba (Juventus), Ibarbo (Cagliari); Cassano (Parma), Llorente (Juventus), Immobile (Torino). Técnico: Roberto Donadoni (Parma).

domingo, 24 de novembro de 2013

Jogadores: Alessandro Nesta

Nesta se consagrou como um dos melhores zagueiros do mundo com a camisa do Milan, mas também teve muito sucesso com a Lazio e a seleção (acmilan.com)
Nesta foi um dos melhores zagueiros das últimas décadas, combinando força e técnica. Nos carrinhos para desarmar os adversários estava presente a potência e o ótimo tempo para recuperar a redonda. Mas Nesta não era apenas um destruidor, também facilitava a saída de bola do time, com muita qualidade nos fundamentos. Além disso, era um jogador veloz.

Nascido em Roma, em família de laziali, Nesta também escolheu os biancocelesti, mas teve uma oportunidade de jogar pelo maior rival do clube do coração. O U.S. Cinecittà, time infantil do jogador tinha um dos olheiros, Francesco Rocca, ligado à Roma. A diretoria do setor juvenil romanista fez uma proposta para Nesta ingressar na base giallorossa, mas seu pai impediu que o negócio fosse feito.

Naquela época, o garoto prodígio Alessandro Nesta era meio-campista. Uma semana depois da proposta da Roma, o romano realizou o sonho de jogar pela Lazio, onde, na categoria sub-12, protagonizou um dérbi com Totti. Em sua trajetória na base laziale, começou como meia, e jogou até mesmo como atacante antes de ser efetivado como zagueiro por Domenico Caso, já em 1992, coincidentemente o ano da chegada de Sergio Cragnotti ao clube. Sua formação também foi recheada de convocações para seleções juvenis da Squadra Azzurra.

A estreia na Lazio veio através do técnico Dino Zoff. O jovem já participava de treinamentos com os profissionais, e chegou até a se lesionar seriamente ao dividir uma bola com Paul Gascoigne em uma atividade. A passagem aos profissionais se concretizou mesmo com Zdenek Zeman, em 1994-95. Um ano depois, em 1996, Nesta venceu o Europeu sub-21, tendo ao seu lado Cannavaro na defesa. A Uefa escolheu seu companheiro como melhor jogador do torneio, mas o romano converteu o último pênalti, que valeu o título, na final frente à dona da casa Espanha.

Pelo desempenho, o zagueiro ganhou, uma semana depois, vaga no grupo que disputou a Eurocopa de 1996 (por conta de uma lesão de Ciro Ferrara). O laziale não jogou nenhuma partida pela Itália, que caiu na primeira fase. Na Olimpíada do mesmo ano, mais uma eliminação dos azzurri nos grupos. De volta à Lazio, já como titular, viu Zeman cair e Zoff retornar. Continuou como titular, sendo peça fundamental à zaga.

O primeiro dos muitos títulos da carreira profissional veio com mais uma participação decisiva. O zagueiro marcou o terceiro gol laziale no Olímpico de Roma, que garantiu a conquista da Coppa Italia, contra o Milan. Campeão, o romano foi ao Mundial de 1998 como titular de Cesare Maldini, aos 22 anos, ao lado de Cannavaro, Costacurta e Maldini, os dois últimos futuros companheiros no Milan. Porém, aos quatro minutos do último jogo da primeira fase, contra a Áustria, Nesta lesionou o ligamento e ficou afastado do futebol por seis meses.

Lesões pela Itália foram habituais na carreira de Nesta. Em 1998 (foto), e 2006 também (Interleaning)
Na volta aos gramados, com Sven-Göran Eriksson, Nesta se tornou capitão de um time que estava se preparando para se tornar um esquadrão. Até o ápice, em 1999-00, a Lazio foi se reforçando e, entre os nomes que chegaram ou já estavam no clube, se destacam: Sinisa Mihajlovic, Matías Almeyda, Diego Simeone, Fernando Couto, Dejan Stankovic, Pavel Nedved, Juan Sebastián Verón, Roberto Mancini e Marcelo Salas.

Após o retorno de Nesta ao time, a Lazio engatou uma seqüência de nove vitórias que colocaram a equipe na liderança isolada da Serie A. Porém, uma derrota no dérbi capitolino (na qual Nesta acabou expulso) iniciou a queda que culminou na perda de um scudetto que parecia simples. No entanto, a temporada que começou com o título da Supercopa Italiana (1998), terminou com o título da Recopa (1998-99). Logo no início da temporada seguinte, a Lazio venceu a Supercopa da Uefa (1999), contra o Manchester United, de Beckham, Giggs, Scholes e cia.

O título diante do United iniciou a temporada da consagração laziale: 1999-00. Naquela ocasião, a equipe capitolina venceu três taças no centenário. O scudetto veio apesar de alguns momentos de baixa na disputa. A Lazio largou na frente, mas deixou a Juventus de Carlo Ancelotti e Zinédine Zidane ultrapassá-la. Após nove jogos de invencibilidade, outra vez o dérbi desmoronou a casa laziale, que perdeu o título simbólico de inverno para a Juve. A dupla Nesta-Mihajlovic era fundamental à Lazio. Quando algum dos dois não estava em campo, o time não conseguia segurança defensiva. Um exemplo foi a partida contra a Fiorentina, no Artemio Franchi, um empate por 3-3. Paolo Negro deixou o campo desolado após falhar nos três gols viola.

Porém, com uma arrancada incrível, a Lazio conseguiu tirar nove pontos de vantagem conquistados pela Juventus e conquistou o título na última rodada, com um tropeço da Velha Senhora diante do Perugia acontecendo ao mesmo tempo que um atropelo sobre a Reggina – Nesta, suspenso, assistiu a conquista de camarote, mas levantou o troféu. A equipe capitolina ganhou também a Coppa Italia. Na decisão frente à Inter, a vitória por 2 a 1, no Estádio Olimpico, garantiu mais uma taça.

Nesta foi o xerife de uma Lazio estelar (Interleaning)
Na temporada seguinte, os laziali ainda venceriam mais uma vez os nerazzurri, desta vez, pela Supercoppa. O 4 a 3 teve gols de Claudio López (duas vezes), Mihajlovic e Stankovic e, para a Beneamata, descontaram jogadores que não fizeram sucesso na Itália, Robbie Keane, Farinós e Vampeta.

As conquistas pela Lazio fizeram com que Nesta chegasse com moral na seleção, que disputaria a Eurocopa de 2000. Titular, o romano ajudou a Itália chegar à final, mas, do outro lado, estava a França, com vários jogadores que fizeram sucesso no futebol italiano: Desailly, Vieira, Djorkaeff e, principalmente, Zidane. Assim, os Bleus venceram a Euro na prorrogação, com o gol de ouro de Trézéguet.

Nesta ainda jogou a Copa do Mundo de 2002 como laziale. O defensor foi titular na primeira fase, porém, na controversa eliminação para a Coreia do Sul nas oitavas de final, não participou da partida. Com a frustração na bagagem, o romano teve uma notícia ruim: seria negociado, pois o clube coração não teria condições para manter o elenco estrelado, e teria de desmanchar o time, por conta de irresponsabilidades dos dirigentes.

Apesar do interesse da Inter, foi o Milan que garantiu sua contratação, no último dia da janela do verão de 2002. O clube rossonero pagou 30,2 milhões de euros e ele foi apresentado sem sorrisos na nova equipe. Posteriormente, esclareceu o motivo da cara fechada: “Eu me vi em uma realidade que não era minha. Na coletiva com Adriano Galliani, eu estava com um rosto que seria visto em um funeral, porque era como eu me sentia”.

Apesar do descontentamento inicial, Nesta foi feliz vestindo rossonero. No time de Silvio Berlusconi, foi reverenciado como um dos melhores zagueiros do mundo e se tornou um multi-campeão. Isto foi previsto por Franco Baresi assim que o laziale desembarcou em Milão: “Não há ninguém melhor que Nesta na Itália atualmente. O clube pode descansar, pois esta posição estará coberta por muito tempo”. Logo na primeira temporada, veio um título inédito, a Liga dos Campeões, com ótima participação do romano, titular na campanha participou da boa defesa milanista. Na final, contra a Juventus, Nesta garantiu a vantagem rossonera na quarta cobrança. Shevchenko selou a conquista.

Assim como na Lazio, nos rossoneri, o zagueiro ganhou títulos, mas teve um momento especial. Ao final da temporada 2005-06, o Milan não havia vencido nada, mas o futuro prometia muito. Para alguns milanistas, a Copa de 2006 foi um aquecimento para as conquistas que viriam. Depois de cair na primeira fase na Euro 2004 com Giovanni Trapattoni, com grupo semelhante, sob a batuta de Marcello Lippi os italianos deram a volta por cima.

Nesta era titular de uma defesa que só tinha sido vazada uma vez, porém, uma lesão o afastou da fase final da competição. Mesmo com a ausência, a Itália foi campeã sofrendo apenas dois gols nos sete jogos. O romano era campeão mundial, ao lado do ex-rival da base, Totti, também nascido na capital em 1976. Após a Copa, fez o que seria seu jogo de despedida da Nazionale diante da Geórgia, em Tblisi. No início de 2007, anunciou que deixaria a seleção para poder se recuperar fisicamente. Dessa forma, encerrou sua carreira vestindo azzurro com 78 partidas e nenhum gol marcado.

No Milan, após a Copa do Mundo, sob o comando de Ancelotti teve uma grande temporada, e conquistou a segunda Liga dos Campeões da carreira – apesar de uma lesão num ombro ter impedido que o zagueiro atuasse por boa parte da temporada. A defesa rossonera novamente funcionou bem, sofreu dez gols nos 13 jogos e o clube contou com bons desempenhos de Kaká, o melhor do mundo naquele ano. Mas o sabor especial ficou por conta da vitória sobre o adversário na final – o Liverpool, que duas temporadas antes havia conquistado a LC, após estar perdendo para o Milan, por 3 a 0 na decisão. Desta vez, os milanistas não deram chances para os Reds: 2 a 1, com dois gols de Inzaghi, e a taça das grandes orelhas novamente foi para Milão.

Nesta ainda foi tricampeão da Supercopa da Uefa, batendo o Sevilla, por 3 a 1 na final. Mas a especial temporada ainda reservava um título inédito na carreira do romano, o Mundial Interclubes. Novamente um reencontro: em 2007, o adversário do Diavolo foi o Boca, que em 2003 havia sido campeão contra o Milan, que não teve o camisa 13. Quatro anos depois, nada de chances para os sul-americanos: Inzaghi marcou duas vezes e Nesta e Kaká completaram a vitória por 4 a 2.

Em 10 anos no Milan, Nesta se transformou em um ícone da posição (Correio do Estado)
Após o título mundial, Nesta viveu um período de baixa na carreira, cercado por ainda mais lesões que já haviam o acompanhado até aquele momento de sua carreira. Em 2008, sofreu uma lesão nas costas e nem mesmo foi inserido na lista de jogadores do Milan para a LC. Em fevereiro de 2009, acabou incluído, mas precisou ser operado, porque as dores eram fortes. Atuou apenas nos minutos finais do último jogo da temporada, contra a Fiorentina. Sob o comando de Leonardo, em 2009-10, voltou a atuar em alto nível e marcou até sua única doppietta na carreira (com dois gols, virou uma partida contra o Chievo). Pelas atuações, chegou até a ter sua volta à seleção especulada.

Nesta seguiu até 2012 em Milão e ainda venceu uma Supercoppa e uma Serie A, completando três scudetti. O romano parecia estar decidido a parar no final da temporada 2010-11, mas seguiu por mais um ano. Porém, ao final deste período, optou por jogar em uma liga que exigisse menos de seu físico. Na saída do Milan, anunciada em maio de 2011, Thiago Silva exaltou o ex-companheiro: “'É um grande homem e me ajudou muito nesses últimos anos em que atuamos juntos. Ele é muito bom para o time e também por manter um ótimo ambiente no vestiário. O Milan perde duas vezes com sua saída”.

O zagueiro foi para a MLS jogar com o ex-companheiro de base laziale, Marco Di Vaio (mais um jogador romano nascido em 1976), no Montréal Impact. No Canadá, Nesta atuou 31 vezes, deu uma assistência, foi algumas vezes eleito para o time da semana da MLS e venceu Campeonato Canadense de 2013. No final desta temporada, em que o Impact foi até a primeira fase dos play-offs, o romano decidiu pendurar as chuteiras por não conseguir mais atuar em alto nível sem ficar com muito cansaço físico. Segundo Roberto Mancini, se aposentou o “Ronaldo da defesa”.

Nesta pendura as chuteiras já pensando na próxima carreira, “eu, com certeza, tentarei ser treinador no futuro”. O objetivo do romano é descansar por seis meses e, depois, começar a estudar para se tornar técnico. Sem dúvida quem irá ganhar é o futebol.

Leia também: Garotos prodígios: Alessandro Nesta.

Alessandro Nesta
Nascimento: 19 de março de 1976, em Roma, Itália
Posição: zagueiro
Clubes: Lazio (1985-2002), Milan (2002-12) e Montréal Impact (2012-13)
Títulos: 3 Serie A (1999-00, 2003-04 e 2010-11), 3 Coppa Italia (1997-98, 1999-00 e 2002-03), 4 Supercooppa (1998, 2000, 2004 e 2011), 2 Liga dos Campeões (2002-03 e 2006-07), 3 Supercopas da Uefa (1999, 2003 e 2007), Recopa Europeia (1998-99), Mundial Interclubes (2007), Campeonato Canadense (2013), Europeu sub-21(1996) e Copa do Mundo (2006)
Seleção italiana: 78 jogos e nenhum gol.

sábado, 23 de novembro de 2013

Dérbis: Verona x Chievo

Verona e Chievo se enfrentam na Serie A apenas pela terceira vez (Fotomontagem L'Arena)
Apenas pela segunda vez na história a cidade de Verona terá o seu dérbi local, o Derby della Scala ou Derby dell'Arena, disputado na Serie A do futebol italiano. Onze temporadas depois, o Verona e o Chievo voltam a se enfrentar na elite e o Marcantonio Bentegodi promete ferver com seus cerca de 30 mil pagantes que possivelmente estarão presenciando o momento histórico.

Nesta temporada, assim como na de 2001-2002, o italiano é, dos grandes campeonatos, o único com cinco dérbis citadinos – ou seja, com clubes da mesma cidade. Com o acesso do Hellas à Serie A, a máxima divisão do país passou a possuir cinco dérbis municipais no total: o de Verona; o de Turim, com Juventus e Torino; o de Milão, com Milan e Internazionale; o de Roma, com Lazio e Roma;  e o de Gênova, com Sampdoria e Genoa. Mas, dentre eles, o clássico veronês é o de história mais curta.

Assim como o Dérbi da Sicília, entre Palermo e Catania, o confronto entre os dois clubes scaligeri sequer chegou ao número de 20 partidas disputadas. Hellas e Chievo duelaram apenas dez vezes nos mais de 80 anos de existência mútua dos dois times (o Hellas foi fundado 26 anos antes do Chievo). E a primeira delas foi disputada apenas em 1994, na Serie B, que também seria palco dos sete dérbis seguintes, com os dois últimos sendo os disputados na Serie A.

Curiosamente, até pelo baixo número de partidas disputadas entre os clubes, a rivalidade entre os dois times nem é a mais intensa, ao menos para o Verona, que tem mais rivalidade contra o Vicenza – exatamente o time contra o qual atuou mais vezes na história, com 93 duelos. Como o Chievo era um time de bairro, que apenas em 1975 começou a disputar campeonatos nacionais, a rivalidade demorou a existir, até por razões da quase ausência de torcida clivense.

Em 2007, quando o Chievo vivia boa fase e o Verona estava na terceira divisão, comerciantes e políticos locais tiveram a ideia de fundir os times, hipótese prontamente recusada pelas torcidas e pelos presidentes à época – Luca Campedelli, atual presidente do Chievo, e Giovanni Martinelli, falecido ex-presidente dos butei, eram até amigos. Porém, a melhor fase dos clivensi nos últimos anos, a utilização das mesmas cores sociais (antes, o Chievo vestia azul e branco), a inclusão de símbolos da cidade e do próprio nome Verona à denominação oficial do Chievo acendeu uma centelha de rivalidade.

Significado do atual dérbi
O eterno chavão amplamente utilizado Brasil afora, que diz que “clássico não tem favorito” pode até ser uma verdade para a maioria dos clássicos do planeta, inclusive este. Mas ninguém há de culpar quem coloque o Hellas como claro favorito para este primeiro encontro da temporada. Não apenas pela boa e surpreendente temporada que Toni e os brasileiros vêm arquitetando para o clube, mas, principalmente, pelo péssimo momento que vive o Chievo, lanterna da competição, dono de apenas uma vitória em 12 partidas disputadas. Torna-se difícil não apostar no Hellas, ainda que, com o perdão da repetição do conceito, tudo pode acontecer em um dérbi.

Toni é a esperança do Verona no dérbi
Quando da temporada 2001-2002, que foi a primeira da história do Chievo na Serie A, o time comandado por Luigi Delneri fez uma campanha brilhante em sua estreia, alcançando a quinta colocação na tabela e a estonteante classificação para disputar a Copa Uefa da temporada seguinte. Nos onze anos seguintes, foram dez participações na primeira divisão, enquanto o Verona esteve sempre ausente, tramitando entre Serie B e Serie C. Exatamente por isso, a surpresa se torna ainda maior na atual temporada: poucos apostariam, há três meses, que o Hellas fosse o time de Verona lutando por vaga em competições continentais e o Chievo o time lutando para manter-se na primeira divisão.

Então, mesmo que ainda no primeiro turno, o dérbi de hoje pode ser um ponto-chave nas ambições antagônicas de ambas as equipes e, acima de tudo, uma chance do Hellas de arquitetar uma “vingança”: a vitória do Chievo no dérbi do segundo turno da temporada 2001-2002 foi preponderante para a afirmação do vitorioso no pelotão de frente e ainda mais para o perdedor, rebaixado seis rodadas mais tarde, com apenas uma vitória nesse período.

O Verona hoje pode beliscar uma vaga em uma competição europeia, caso tenha sorte e competência extremas. O Chievo, com apenas seis pontos, acabou de trocar de técnico, e se mostra a cada rodada o principal candidato a rebaixamento antecipado quando chegarmos às rodadas finais. Um grande indicador será o jogo de hoje, onde tudo pode avançar para a confirmação do óbvio ou tudo pode mudar radicalmente.

Hoje técnico do Chievo, Corini atuou pelos dois times


Os últimos dérbis
11ª rodada da Serie A 2001-02 (18/11/2001) – Verona 3x2 Chievo
Em uma atuação empolgante, o Verona conseguiu virar a partida que o Chievo vencia por 2 a 0, graças a gols de Luciano (ex-Eriberto) e Corini. Aos 40 minutos, Oddo, de pênalti, respondeu à penalidade cobrada por Corini três minutos antes, e deu vida aos butei antes do intervalo. Depois, aos 25 minutos do segundo tempo, Lanna marcou contra, e três minutos depois, Camoranesi marcou o gol da vitória, que levou o time mandante à quarta posição na tabela. Pelo Verona, jogaram três futuros campeões mundiais com a Itália (Oddo, Camoranesi e Gilardino), além de Seric, Dossena, Frick e Mutu, que também defenderam as seleções de seus países. Pelo Chievo, jogaram Perrotta, tetracampeão com a Itália, além de Legrottaglie, Manfredini, Marazzina, Corradi e Mayélé.

28ª rodada da Serie A 2001-02 (24/03/2002) – Chievo 2x1 Verona
Na partida de volta, o Chievo ainda sentia a morte de Mayélé, que havia falecido três semanas antes, por conta de um acidente automobilístico. Os clivensi vinham de uma sequência de cinco empates e também acabaram vencendo de virada. Mutu abriu o placar, aos 13, e Federico Cossato empatou um minuto antes do intervalo. O mesmo Cossato acabou virando o jogo no segundo tempo. Curiosamente, seu irmão Michele atuou pelo derrotado Verona nesta partida. O Hellas vinha em péssima fase no segundo turno, e acabou sendo rebaixado depois, com apenas duas vitórias no returno; já o Chievo seguiu invicto por mais cinco rodadas (com quatro empates), e acabou o campeonato na 5ª colocação, um ponto atrás da zona de classificação à Liga dos Campeões.
 
Estatísticas gerais
São apenas dez jogos entre Verona e Chievo em toda a história, e apenas duas partidas disputadas na Serie A. O equilíbrio é a tônica do duelo, que tem quatro triunfos para cada equipe e dois empates. Os times também tem o mesmo número de gols marcados: 13 cada. Entre 1995 e 1997, o Verona conseguiu a única sequência de vitórias do clássico, vencendo três partidas consecutivas, e estendendo a invencibilidade por mais um jogo (empate). O tabu caiu em maio de 1999, quando o Chievo encerrou os quatro anos de festa do Hellas.

Personagens históricos
Quando o assunto é o dérbi veronês, nenhum outro personagem tem notoriedade maior do que Lorenzo D'Anna, lateral que defendeu a camisa do Chievo por 13 anos, entre 1994 e 2007, até se aposentar, sendo, inclusive, seu capitão entre 2002 e 2007. D'Anna disputou nove dos dez dérbis, fato que, de acordo com ele próprio, nunca será atingido. Ele esteve presente nos momentos ruins da história do confronto, como na vitória do Hellas por 4 a 0, a maior goleada do duelo, na temporada 1997-98; e nos melhores momentos, com a vitória do segundo turno da Serie A de 2001-02. O zagueiro Maurizio D'Angelo vem logo depois de D'Anna no quesito de dérbis disputados (7), todos também com a camisa do Chievo.

Cossato celebra contra o Verona
Como destaque entre os treinadores, Alberto Malesani foi o técnico que mais vezes comandou uma das equipes do dérbi, sendo quatro delas pelo Chievo, os quatro primeiros da série, e dois pelo Hellas, os dois disputados na Serie A, totalizando seis dérbis. E outro personagem importante da história do confronto e que também vestiu a camisa dos clivensi é Federico Cossato, artilheiro do duelo, com três tentos. Dois destes três foram os mais comemorados de todos: na vitória de 2 a 1 do Chievo no segundo turno da temporada 2001-02, a doppietta que selou o ano mágico de estreia do clube na Serie A, com a vitória sobre o rival. Peculiaridade: seu irmão, o também atacante Michele, atuou em cinco dérbis, quatro deles pelo Chievo e um pelo Verona.

Eugenio Corini foi o único jogador a marcar pelos dois clubes. Na goleada do Hellas em 1997 por 4 a 0, ele marcou o terceiro gol. Quatro anos mais tarde, porém, ele marcaria de pênalti o segundo gol do Chievo no dérbi de estreia na Serie A, mas, para alegria de sua ex-torcida, ele saiu derrotado por 3 a 2 daquele confronto. Atualmente, Corini é o técnico do Chievo, e ainda mantém status de ídolo no clube, por sua passagem como jogador.

Dérbis marcantes
A curta história do duelo e o fato de apenas dois jogos terem sido disputados na elite do Campeonato Italiano não deixam dúvidas sobre quais são os principais jogos entre os times. Além das duas partidas que já descrevemos mais acima, entraram para a história outros dois jogos: o segundo dérbi entre os times, vencido pelo pequeno Chievo em sua primeira temporada na Serie B, e uma goleada por 4 a 0 do Verona em 1997, na campanha que valeu o acesso à Serie A.

A vitória do Chievo em 1994-95 foi crucial na campanha clivensi na série cadetta. Buscando permanecer na segundona, o time treinado por um ainda jovem Alberto Malesani, em seu primeiro trabalho como técnico de um time profissional, conseguiu vencer a maior equipe de Verona por 3 a 1, na reta final da Serie B. No final das contas, o Chievo escapou da queda por causa de três pontinhos.

Dois anos depois, o Verona pode dar o troco na equipe da mesma cidade. A goleada por 4 a 0 não teve efeito em termos de classificação, já que as duas equipes ficaram no meio da tabela, mas é até hoje a única goleada do clássico. No ano seguinte, o Verona retornou à Serie A como campeão da segundona, mesmo sem ter vencido o clássico citadino (0 a 0 e derrota por 2 a 0).

Colaborou Nelson Oliveira

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Teste para intercambistas

Alunos que passaram de ano eram apenas risos ao fim do teste, em Londres (Foto: Getty Images)

A temperatura estava baixa, sim, em Londres. A sala de aula da escola Craven Cottage recebia 26 alunos intercambistas. Eram italianos, que almejavam passar no teste teórico de Cesare Prandelli, um dos professores mais respeitados da instituição. A prova final tinha um peso tão grande que deixaria de recuperação o aluno que não obtivesse média 7. A máxima de que os alunos mais aplicados são aqueles que sentam na frente... Bom, a turma do fundão terá de estudar nas férias.

Ranocchia é o típico pagalanxe da turma. Ele acredita que está no grupo dos populares só porque joga numa equipe boa, mas sempre comete asneiras e fica de castigo. Quantas vezes o mongolão de 1,95 m teve de se encontrar com a diretora Cecilia durante seus anos de estudo em Arezzo? No ensino médio, então, minha nossa. Todo mundo zoava, ele levava a culpa e ainda se sentia o maioral. Inclusive, nesta segunda-feira, na prova, tentou escrever Dike, mas não conseguiu. Na sequência, também não teve sucesso ao fazer uma redação com o tema “Shola Ameobi”. Não conseguiu sair da primeira linha, na qual grafou “Shola è più veloce di te, Shola è più veloce di te...*”.

E o que dizer de Ogbonna, capitão da equipe de luta? Truculento, também da trupe dos populares. Cresceu à beira da fama até que, por algum motivo desconhecido, trocou de escola e começou a lutar pela equipe rival. Ficou mal visto onde usava grená, mas pouco se importou. Queria mais era lutar, lutar e lutar. Até fora de posição, ele lutava. Esporte era a meta, e deixou os livros de lado. Angelo se sentou ao lado de Ranocchia e tentou colar. Não é necessário dizer que também não conseguiu nota suficiente para passar de ano.

Sirigu, não. Sirigu, mesmo sentando no fundão, sabe que os estudos são importantes para formar caráter e torná-lo “algo na vida”, como dizem por aí. Não teve pressa em fazer a prova; errou algumas questões (estava bem complicado mesmo, o teste), mas conseguiu o Teorema de Onazi e levou meio ponto na Fórmula de Ogu-Bháskara. Ele nunca esqueceu a fórmula. Inclusive criou um verso: “bê ao quadrado menos quatro a-cê, é a Nigéria! Menos bê mais ou menos raiz da Nigéria para a bola não passar”. Porém, escorregou a caneta e rasurou na parte d’a bola passar.

Pasqual, Motta, Maggio, Parolo e Montolivo tiveram nota suficiente para passar de ano. Foi aquele 7 que tu até respira mais aliviado ao receber o teste corrigido pelo professor. O espanto de Prandelli foi mesmo Candreva, aluno aplicado. Tirou 10 em todas as outras provas no ano, mas fez o teste final nas coxas e, por pouco, não recebeu nota vermelha.

A galera da frente fez bonito. Se Montolivo tentou colar de Candreva e foi retirado da sala, Giaccherini, péssimo nas questões da primeira metade na prova, foi aprovado com louvor porque as questões da segunda metade tinham peso maior. Ele levou um lanche de atum com Guarapower para revitalizar suas energias durante a prova. A segunda parte foi impecável. Balotelli, moleque zoeira, fez a prova para passar. Só que diferente de Candreva, o feijão-com-arroz de Mario basta para uma nota 8.

Giuseppe Rossi perdeu a primeira saída da viagem porque estava com febre. Ficou no hotel, bebeu um chá e estava a ponto de bala ao fazer a prova. “Qual a velocidade da bola ao bater na rede”? Correto. “Se a equipe adversária tem quatro jogadores na defesa, qual é a probabilidade de conseguir me livrar da marcação e marcar gol"? Também acertou.

Na 50ª prova realizada por Cesare Prandelli, poucos foram os que ficaram de recuperação. Uma pena. É muito chato estudar nas férias. Destes, alguns realmente vão passar para fazer uma excursão ao Brasil no meio do ano de 2014. Certamente, outros, preguiçosos, não terão tempo de se debruçar sobre os livros. Afinal, como em toda escola, em qualquer lugar do mundo, é só uma prova. “Tenho outra chance mais pra frente”, afirmam. “O professor me dá meio ponto”.

Atualização: a assessoria de imprensa da escola disse ao blog que Pirlo, Diamanti e Cerci chegaram depois do horário, fizeram um teste alternativo e foram aprovados.  

Ficha técnica
Itália 2-2 Nigéria
Local: Estádio Craven Cottage (Londres, ING)
Árbitro: Martin Atkinson (ING)

Itália: Sirigu, Maggio, Ranocchia, Ogbonna e Pasqual; Montolivo (Pirlo 54'), Thiago Motta (Parolo 53') e Giaccherini (Poli 76'); Candreva (Cerci 65'); Balotelli e Rossi (Diamanti 53'). T: Cesare Prandelli

Nigéria: Ejide (Enyeama 66'), Kwambe, Egwuekwe, Oboabona e Benjamin; Onazi e Mikel; Oduamadi (Ogu 46'), Dike (Musa 65') e Moses (Brown 76'); Ameobi (Emenike 65'). T: Stephen Keshi

Gols: Rossi (12'), Dike (35'), Ameobi (39') e Giaccherini (47') – Assista os gols aqui.

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*Referência a "Fernando está mais rápido que você, (Massa)"

sábado, 16 de novembro de 2013

Um amistoso gelado em San Siro

Em amistoso sem grandíssimas emoções, Balotelli foi bem marcado por Hummels (AFP)
Amistoso e Itália realmente não se combinam. Independente do que esteja em campo ou contra quem seja, a Squadra Azzurra não tem sucesso em amistosos e não poderia deixar de ser diferente nessa sexta-feira na gelada Milão, que deve ter contagiado os jogadores com toda a frieza. 1 a 1, pouco domínio, muita preguiça e uma mãozada de Motta em Kroos marcaram o jogo que teve gols de Hummels e Abate.

Nem mesmo um tabu de 18 anos (desde 1995, 7 jogos, 4 vitórias e 3 empates) sem perder para a Alemanha motivou italianos ou alemães em busca de uma vitória no Giuseppe Meazza. Por sinal, outro tabu mantido com o frio 1 a 1: a Itália jamais perdeu em San Siro, com 31 triunfos, 8 empates e 22 jogos sem sofrer gols.

Imaginando um certo time da Alemanha, Prandelli (que já parece definido o módulo tático entre 4-3-1-2 e 4-3-2-1, com o 3-4-2-1 como alternativa) optou pelo losango a fim de ter maior vantagem numérica no meio-campo, mas o 4-3-3 alemão com falso 9 deu trabalho nos primeiros minutos até o time italiano acertar a marcação, o que também não garantiu controle do setor (não à toa, terminou o primeiro tempo com menos de 40% de posse de bola) nem profundidade na frente com os desentrosados Balotelli e Osvaldo e um pouco inspirado Montolivo.

No que se propôs a fazer depois de acertar o time, Prandelli teve sucesso com bom desempenho defensivo dos meias, porém as jogadas ofensivas dependeram demasiadamente de Pirlo e das ultrapassagens dos laterais, ambos bem no jogo. De negativo, além do que já foi apontado, mais uma vez as bolas paradas defensivas foram um pesadelo, especialmente sem Chiellini e De Rossi, e o time teve apenas 39% de sucesso no jogo aéreo. Os rebotes defensivos também deram trabalho para Buffon, que viu sua trave ser acertada quatro vezes, três através de rebotes – um dos efeitos Pirlo, que dá genialidade na organização e construção das jogadas, mas deixa espaços na intermediária. Mais uma vez, o essencial De Rossi fez falta.

Ofensivamente, o time italiano teve bons momentos a partir da entrada de Candreva no lugar de Osvaldo, o que levou o time para o 4-3-2-1. Aí, a Itália teve domínio do jogo por mais ou menos 20 minutos, porém sem sucesso nos arremates (a má fase de Balotelli, aliada a seu nervosismo, parece não ter fim). O único gol azzurro saiu numa jogada individual de Abate após escanteio de Pirlo. O lateral tabelou com Bonucci antes de chutar de esquerda, para marcar seu primeiro gol pela seleção e empatar a partida. Um desmarcado Hummels tinha aberto o placar, subindo alto e mandando de cabeça após cruzamento de Kroos.

Preguiçosa como sempre, a Nazionale voltará a entrar em campo nesta terça-feira para enfrentar a Nigéria em novo amistoso, no Craven Cottage, estádio do Fulham em Londres.

Veja os melhores momentos de Itália 1-1 Alemanha aqui.

Ficha técnica: Itália-Alemanha 1-1

Gols: Hummels 8', Abate 28'. 

Itália (4-3-1-2): Buffon; Abate, Barzagli (Ogbonna 70'), Bonucci, Criscito; Marchisio, Pirlo (Cerci 82'), Thiago Motta; Montolivo; Balotelli, Osvaldo (Candreva 52'). T: Cesare Prandelli

Alemanha (4-3-3): Neuer; Höwedes, Boateng, Hummels, Jansen; Khedira (S. Bender 67'), Lahm, Kroos; Müller (L. Bender 86'), Götze (Reus 59'), Schürrle (Özil 59'). T: Joachim Löw

Árbitro: Olegário Benquerença (POR)