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sábado, 4 de outubro de 2014

Os 10 maiores escandinavos do futebol italiano

Nordahl, Liedholm e Gren, o Gre-No-Li: precursores de tantos escandinavos que brilharam na Itália
Ah, a Escandinávia! Boa saúde, educação, nada de violência e muita qualidade de vida em países gelados e com paisagem cheia de gelos e pinheiros, onde os descendentes dos vikings escutam bastante punk rock, gothic, trash e heavy metal. É assim que conhecemos essa parte do mundo, formada por países do norte da Europa. Originalmente, o termo "Escandinávia" é utilizado apenas para se referir a Suécia, Dinamarca e Noruega, enquanto no senso comum os outros países nórdicos – Finlândia, Islândia e Ilhas Faroé – também são considerados parte dela.

Para nós, essa pequena aula de geopolítica não faz tanta diferença. Afinal, jogadores feroeses nunca atuaram na Itália, e noruegueses, finlandeses e islandeses não tiveram tanto sucesso em suas experiências no país. Então, ficamos apenas com dinamarqueses e suecos em nosso Top 10, embora dois noruegueses apareçam entre os 30 maiores craques da região a passarem pela Serie A.

O boom que levou jogadores escandinavos à Itália começou após a Olimpíada de Londres, em 1948, na qual a Suécia ficou com o ouro e a Dinamarca com o bronze. A partir daí, boa parte dos jogadores das duas seleções desembarcaram na Serie A: foram oito daneses e nove suecos, incluindo John Hansen e Gunnar Nordahl, artilheiros da competição. Uma tendência que levou o Milan a ter um trio de sucesso: muito antes do "Milan dos holandeses" na década de 1980, houve o "Milan dos suecos", no qual Nordahl, Gunnar Gren e Nils Liedholm brilharam, com o trio Gre-No-Li.

A quantidade de jogadores escandinavos aumentou após grandes campanhas suecas: terceiro lugar na Copa de 1950, bronze olímpico em 1952 e o vice mundial em 1958. Também vale lembrar a prata nos Jogos conquistada pela Dinamarca em 1960, em Roma, que levou mais atletas daneses à Itália. Nesses tempos, principalmente nos anos 1950, jogadores italianos eram coadjuvantes em seu próprio campeonato, e os destaques vinham de fora – eram brasileiros, argentinos e uruguaios oriundi ou eram escandinavos, em sua maioria.

Em tempos nos quais o futebol começava a se globalizar, jogadores deixavam o semiamadorismo na Suécia e na Dinamarca e iam direto para um dos campeonatos mais fortes da Europa na época. E se saíam bem. Dois deles, os suecos Gunnar Nordahl e Kurt Hamrin, estão entre os 20 maiores artilheiros da Serie A. Entre 1950 e 1955, todos os goleadores da Serie A foram nórdicos – Nordahl, quatro vezes, e Hansen, uma. Ao todo, nórdicos foram artilheiros em 10 edições do Italiano.

Escandinavos na Itália figuraram como as contratações mais caras do futebol em sua época. Foi assim com o sueco Hasse Jeppson, quando ele trocou a Atalanta pelo Napoli em 1952, por 105 milhões de liras, o que lhe valeu o apelido de "O Banco de Napoli". E o mesmo com o dinamarquês Harald Nielsen, que trocou o Bologna pela Inter em 1967, sendo o mais caro do mundo naquele ano. Mais recentemente, Zlatan Ibrahimovic também apareceu como um dos maiores artilheiros e um dos jogadores mais caros do mundo, atuando na Itália.

O resultado das boas atuações de suecos e dinamarqueses no futebol italiano acabou rendendo uma forte ligação entre o futebol destes países, especialmente com os suecos. Historicamente, há mais jogadores naturais desses países na Serie A do que de países com mais tradição e títulos no futebol, como Holanda e Inglaterra. Os suecos, com 71 jogadores, são o quinto país mais representado na história da Serie A, enquanto a Dinamarca, com 53, é o nono.

Outros nórdicos
Em 1948, depois da tendência de se contratar suecos e dinamarqueses, também desembarcou na Itália o islandês Albert Guðmundsson, primeiro jogador profissional da Islândia em sua história. O atacante atuou pelo Milan por uma temporada e quase teve de abandonar a carreira após romper ligamentos do joelho. Foi salvo por um médico da Inter, que decidiu operá-lo. Após Guðmundsson, o islandês seguinte a atuar na Itália foi Emil Hallfreðsson, que chegou à Reggina em 2007. Há quatro anos é titular do Verona.

Após suecos, dinamarqueses e islandeses, os próximos a chegarem à Serie A foram os noruegueses. Dentre eles, os maiores destaques foram Per Bredesen, de bons anos pelo Milan nos anos 1950, e John Arne Riise, que passou pela Roma recentemente. Os finlandeses foram os últimos a aportarem na Itália. O primeiro deles foi o meia Mika Aaltonen, contratado pela Inter depois de fazer um golaço contra o clube, em uma Copa Uefa, quando jogava pelo Turun. Porém, nunca vestiu a camisa azul e preta, e sim a do Bologna, onde jogou emprestado e sem sucesso. Como quase todos os seus conterrâneos – o mais ilustre deles é Perparim Hetemaj, atualmente no Chievo. Ou seja...

Quadro rápido: número de jogadores nórdicos na Serie A
Suécia: 71
Dinamarca: 53
Noruega: 11
Finlândia: 8
Islândia: 3
Ilhas Faroé: nenhum

Critérios
Para montar as listas, o Quattro Tratti levou em consideração a importância de determinado jogador na história dos clubes que defendeu, qualidade técnica do atleta versus expectativa, identificação com as torcidas e o dia a dia do clube (mesmo após o fim da carreira), grau de participação nas conquistas, respaldo atingido através da equipe, desempenho por seleções nacionais e prêmios individuais. Listas são sempre discutíveis, é claro, e você pode deixar a sua nos comentários!

Além do "top 10", com detalhes sobre os jogadores, suas conquistas e motivos que os credenciam a figurar em nossa listagem, damos espaço para mais alguns jogadores de destaque. Quem não atingiu o índice necessário para entrar no top 10 é mostrado no ranking a seguir.

Observações: Para saber mais sobre os jogadores, os links levam a seus perfis no site. Os títulos e prêmios individuais citados são apenas aqueles conquistados pelos jogadores em seu período na Itália. Também foram computadas premiações pelas seleções nacionais, desde que ocorressem durante a passagem dos jogadores no período em questão.

Top 30 Nórdicos na Itália
11. Arne Selmosson; 12. Hasse Jeppson; 13. Tomas Brolin; 14. Martin Jorgensen; 15. Glenn Strömberg; 16. Bengt Gustavsson; 17. Thomas Helveg; 18. Jon Dahl Tomasson; 19. Karl Aage Præst; 20. Jørgen Leschly Sørensen; 21. Karl Aage Hansen; 22. Glenn Hysén; 23. Axel Pilmark; 24. Kennet Andersson; 25. Per Bredesen; 26. Tore André Flo; 27. Kjell Rosén; 28. John Arne Riise; 29. Jonas Thern; 30. Stefan Schwarz.

10º - John Hansen


Posição: atacante
Clubes em que atuou: Juventus (1948-54) e Lazio (1954-55)
Títulos: 2 Serie A (1949-50 e 1951-52)
Prêmios individuais: Artilheiro da Serie A (1951-52)

A leva olímpica escandinava que chegou à Itália no fim dos anos 40 e início dos 50 teve no atacante John Hansen um de seus principais nomes. Hansen chegava com os créditos de ter marcado 81 gols em 86 jogos pelo Frem, na amadora liga dinamarquesa, e também por ter sido artilheiro dos Jogos Olímpicos, ao lado do sueco Gunnar Nordahl, com sete gols – quatro deles sobre a Itália treinada por Vittorio Pozzo, nas quartas de final. O sucesso foi tanto que Hansen chegou a ser procurado para reforçar o Grande Torino, que já tinha Valentino Mazzola e Guglielmo Gabetto. Acabou fechando com a rival Juventus, que buscava quebrar a hegemonia granata e escapou de falecer na Tragédia de Superga. Hansen atuou em seis temporadas pela Juventus e foi um dos grande responsáveis por fazer a Velha Senhora encerrar um jejum de 15 anos sem o título da Serie A. Marcando gols de todas as formas, sagrou-se artilheiro em seu segundo scudetto e recebeu prêmio de ordem ao mérito concedido pela República Italiana.

Entre os estrangeiros, Hansen é o terceiro maior goleador da história da Juventus, atrás apenas de David Trézéguet e do ítalo-argentino Omar Sívori. Contando apenas gols na Juve pela Serie A, fica atrás só de Sivori: marcou 124 gols, todos eles na elite. Hansen se encontra ainda, entre os 10 maiores goleadores gringos da história da Serie A, com 139 gols realizados. Após deixar a Juventus, Hansen ainda atuou outro ano na Itália, e marcou 15 tentos pela Lazio, em um ano que teve vários destaques escandinavos: o maior foi Nordahl, que marcou 27 gols e se sagrou artilheiro por um Milan que ainda tinha o sueco Niels Liedholm e o dinamarquês Jørgen Leschly Sørensen, de 6 e 13 gols marcados, respectivamente. Entre os suecos, Ivar Eidefjäll (Novara), Arne Selmosson (Udinese, 14 gols) e Hasse Jeppson (Napoli, 10 gols) se destacaram, e entre os daneses, os melhores foram Poul Rasmussen (Atalanta, 16 gols), Helge Bronée (Juventus, 11 gols) e Karl Aage Præst (Juve).

9º - Michael Laudrup


Posição: meia-atacante
Clubes em que atuou: Juventus (1983 e 1985-89) e Lazio (1983-85)
Títulos: Serie A (1985-86) e Copa Intercontinental (1986)
Prêmios individuais: Jogador dinamarquês do ano (1985), Uefa Golden Player, Inserido na lista Fifa 100 e membro do Hall da Fama do futebol dinamarquês

Michael Laudrup foi, sem dúvidas, um dos melhores jogadores dinamarqueses da história. O meia-atacante chegou a Juventus em 1983, depois de ter sido eleito o melhor jogador de seu país no ano. Com uma cifre recorde para um danês na história, naquele momento, Laudrup não teria espaço na fortíssima Juve, que já tinha Michel Platini e Zbigniew Boniek no ataque, e foi imediatamente emprestado à Lazio, onde ficou entre 1983 e 1985. Na capital, foi importante em duas temporadas nas quais os biancocelesti estavam na parte baixa da tabela: salvezza na última rodada em 1984 e rebaixamento no ano seguinte.

Laudrup voltou à Juventus em 1985, assumindo a titularidade no lugar de Boniek e ajudando a Juve a conquistar o Mundial Interclubes de 1985. Na partida, contra o Argentinos Juniors, marcou o gol que levou à decisão por pênaltis, vencida pela Velha Senhora. O desempenho levou o habilidoso e veloz jogador a se tornar novamente o melhor jogador do país naquele ano. Na Juventus, Laudrup ainda venceu o Campeonato Italiano de 1986, mas acabou convivendo com muitas lesões, que atrapalharam bastante o seu rendimento. No seu período italiano, viveu alguns de seus melhores momentos com a camisa da seleção dinamarquesa, atuando em duas Eurocopas (1984 e 1988) e em um Mundial, o de 1986, no qual se destacou com a Dinamáquina. Deixou o clube em 1989 para fazer história no Barcelona e, da Espanha, viu seu irmão Brian Laudrup fracassar na Serie A, onde defendeu Fiorentina e Milan, entre 1992 e 1994.

8º - Preben Elkjaer Larsen


Posição: atacante
Clube em que atuou: Verona (1984-88)
Títulos: Serie A (1984-85)
Prêmios individuais: Jogador dinamarquês do ano (1984), Bronze na Bola de Ouro (1984), Prata na Bola de Ouro (1985) e Bola de Bronze da Copa do Mundo (1986)

O Cavalo Doido. Apelidado assim, Elkjaer foi um dos atacantes mais perigosos dos anos 1980 no futebol italiano. O atacante chegou ao Verona após boa passagem pelo Lokeren e boa Euro 1984 com a Dinamarca para ser o grande destaque na conquista do único scudetto na história do clube – e também o único de um clube vindo de uma cidade não-capital regional desde o nascimento do campeonato de pontos corridos em grupo único. A façanha foi ainda maior porque a Serie A era, de longe, o campeonato mais forte do mundo na época, e os adversários eram nada mais nada menos que a Juventus de Paolo Rossi, Michel Platini, Antonio Cabrini e Gaetano Scirea; a Inter de Walter Zenga, Giuseppe Bergomi, Alessandro Altobelli e Karl-Heinz Rummenigge; o Milan de Pietro Paolo Virdis e Franco Baresi; a Roma de Paulo Roberto Falcão, Carlo Ancelotti e Roberto Pruzzo e o Napoli de Diego Maradona. Ainda haviam o Torino de Aldo Serena, a Fiorentina de Sócrates, a Udinese de Zico, a Atalanta de Roberto Donadoni e a Sampdoria de Roberto Mancini. Nada mal, hein?

Pois Elkjaer Larsen foi um dos principais donos do scudetto do Verona. Ele foi o terceiro artilheiro do time, atrás de Giuseppe Galderisi e Hans-Peter Briegel, mas marcou alguns dos gols mais importantes da equipe. O segundo de seus gols pelos butei foi o mais antológico: na vitória sobre a Juventus, arrancou pela esquerda, fugiu de dois carrinhos, perdeu sua chuteira e, mesmo assim, marcou com o pé descalço – o que lhe valeu o apelido de "Cinderelo". Elkjaer ainda marcou um em vitória contra a Roma, o gol do título, no empate contra a Atalanta, e o último gol gialloblù na temporada, frente ao Avellino. Por suas atuações, ficou em terceiro e segundo no prêmio Bola de Ouro (respectivamente, em 1984 e 1985), vencido por Platini. Após a temporada sensacional de estreia, Elkjaer continuou jogando com regularidade, embora o Verona não tenha mantido o mesmo nível. Quando ainda era jogador do Hellas, Elkjaer fez parte da Dinamáquina na Copa de 1986, e marcou quatro gols, ficando entre os melhores jogadores do Mundial.



Posição: atacante
Clubes em que atuou: Bologna (1961-67), Inter (1967-68), Napoli (1968-69) e Sampdoria (1969-70)
Títulos: Serie A (1963-64)
Prêmios individuais: Artilheiro da Serie A (1962-63 e 1963-64), Jogador dinamarquês do ano (1961), Ordem ao mérito da República Italiana e membro do Hall da Fama do futebol dinamarquês

Nielsen e a Itália tiveram relação fortíssima no futebol. O atacante apareceu para o futebol mundial nos Jogos Olímpicos de Roma, quando levou a amadora seleção dinamarquesa à prata. Na competição, fez seis gols e foi vice-artilheiro, chegando aos 14 jogos e 15 gols com a camisa vermelha e branca. Camisa à qual teve de renunciar aos 20 anos, por se transferir ao Bologna – a seleção aceitava apenas jogadores amadores. Vestindo azul e vermelho, Nielsen se tornou um dos maiores atacantes da história bolonhesa e foi o protagonista do último scudetto felsineo, vencido em 1964.

Em seu segundo ano na Emília-Romanha, foi artilheiro da Serie A, algo que se repetiu no ano seguinte, o melhor de sua carreira. Apoiado por craques como Giacomo Bulgarelli e Helmut Haller, marcou 21 gols nas 31 partidas da Serie A, sendo que um deles foi anotado na vitória por 2 a 0 sobre a Grande Inter do técnico Helenio Herrera e de tantos craques, que venceu a Copa dos Campeões e o Mundial Interclubes naquela temporada. Os times ficaram empatados no campeonato e, no play-off, Nielsen marcou gol que valeu título para o Bologna e confirmou sua artilharia, empatado com o romanista Pedro Manfredini. O dinamarquês permaneceu mais alguns anos em Bolonha, e ao todo fez 104 gols em 182 partidas nos seis anos que defendeu o clube, número que o coloca como sexto maior artilheiro da história felsinea. Nielsen ainda teve transferência recorde à Inter, em 1967, mas decepcionou em Milão. Ainda passou por Napoli e Sampdoria, mas sofreu com lesões que não deixaram-no manter o nível dos tempos em rossoblù. Encerrou a carreira precocemente, aos 29 anos.


Posição: meia
Clubes em que atuou: Milan (1949-1952), Fiorentina (1952-1955) e Genoa (1955-1956)
Títulos: Serie A (1951) e Copa Latina (1951)
Prêmios individuais: nenhum

Gren chegou à Itália bem acompanhado. Após o ouro olímpico da Suécia, em 1948, o Milan contratou o meia, que chegou junto com seus compatriotas Niels Liedholm e Gunnar Nordahl ara formar o trio Gre-No-Li, que mudou a história rossonera. Antes da chegada do trio, o Milan tinha três scudetti, contra sete da Juventus e cinco da Inter, e não vencia um título italiano desde 1907, quando a Serie A era disputada em mata-matas. No primeiro ano, o título não veio, mas Gren, atuando mais avançado, anotou nada menos do que 18 gols em sua primeira Serie A.

No ano seguinte, retornou ao meio-campo, algo que seria a chave para o sucesso rossonero na temporada seguinte. Em 1951, no segundo ano em Milão, Gren ajudou o Diavolo a sair de uma incômoda fila que durava 44 anos, a maior de um gigante italiano em toda a história. Foi o primeiro scudetto rossonero na fase moderna da Serie A. Nos anos em que o Milan teve o trio sueco inteiro à sua disposição, foi conquistado apenas um scudetto (além de uma Copa Latina), mas os rossoneri sempre ficaram entre os três primeiros lugares do campeonato – na verdade, a equipe ficou 10 anos alternando nesse patamar, entre 1947 e 1957. A saída de Gren não fez o Milan deixar de ganhar, mas após deixar o time da Lombardia, o sueco nunca mais teve grande sucesso na Itália. Com a idade avançada e o sobrepeso – Gren sempre foi robusto –, perdeu velocidade e jogou mais recuado. Já de volta à Suécia, foi vice-campeão mundial em 1958, quando atuou na final da Copa perdida para o Brasil.

5º - Lennart Skoglund


Posição: meia-atacante
Clubes em que atuou: Inter (1950-59), Sampdoria (1959-62) e Palermo (1962-63)
Títulos: 2 Serie A (1952-53 e 1953-54)
Prêmios individuais: nenhum

Nos anos 1950, nos quais a maior parte dos jogadores italianos eram ofuscados na Serie A, por estrangeiros, a Inter conquistou por duas vezes o scudetto. E, nas duas oportunidades, contou com dois talentos estrangeiros para chegar lá: o húngaro István Nyers e o sueco Lennart Skoglund, dois dos maiores jogadores da história do clube. A equipe nerazzurra não conquistava um título desde 1940, quando, mesmo sem Giuseppe Meazza, machucado, ficou com a Serie A. Dali para frente viu Bologna, Roma, Juventus e Milan ganharem, além da hegemonia do Torino. Até que Skoglund achou em Nyers o seu parceiro ideal e tirou a equipe da fila de 14 anos.

Nacka, como era conhecido, em referência ao bairro em que nasceu em Estocolmo, era um canhoto muito habilidoso, que jogava como meia e chegava muito bem ao ataque. Chegou à Inter após disputar a Copa do Mundo de 1950 e ser terceiro colocado no Brasil – interessou ao São Paulo, mas a Inter ofereceu quatro vezes mais e levou o jogador. Skoglund logo se adaptou ao Belpaese e mostrou logo suas credenciais marcando seu primeiro gol em um dérbi contra o Milan, vencido pela Inter por 3 a 2. Como meia de suporte à dupla de ataque formada por Nyers e Benito Lorenzi, Nacka se destacou principalmente no título de 1954, quando fez dois gols na goleada por 6 a 0 sobre a Juventus. Com a saída de Nyers depois do seu último scudetto, continuou a ser importante juntamente a Lorenzi, e viveu os primeiros anos da presidência de Angelo Moratti. Pela seleção, foi destaque na campanha do vice no Mundial de 1958, jogando em casa. Ainda atuou por Sampdoria e Palermo no final da carreira, mas conviveu com muitas lesões, que já o haviam feito deixar a Inter.

4º - Kurt Hamrin


Posição: atacante
Clubes em que atuou: Juventus (1956-57), Padova (1957-58), Fiorentina (1958-67), Milan (1967-69) e Napoli (1969-71)
Títulos: Serie A (1968), 2 Coppa Italia (1961, 1966), Copa dos Campeões (1969), 2 Recopas Europeias (1961, 1968), Copa Mitropa (1966) e Copa dos Alpes (1961)
Prêmios individuais: Artilheiro da Coppa Italia (1963-64 e 1964-65), Artilheiro da Copa da Amizade ítalo-francesa (1959), Artilheiro da Recopa europeia (1960-61), Artilheiro da Copa Piano Karl Rappan (1963-64) e Artilheiro da Copa Mitropa (1962 e 1966-67)

Falou em gol, falou em Hamrin. "O Passarinho" era um atacante completo. Rápido, ambidestro, habilidoso, bom nas jogadas aéreas e veloz. Caía pelo lado direito e jogava pelo centro, região na qual, pelo oportunismo, era um matador. Com uma carreira quase totalmente desenvolvida na Itália, o atacante se tornou um dos principais nomes da história da Serie A. Até hoje, o sueco é o oitavo maior artilheiro do campeonato e o terceiro entre os estrangeiros. Foram oito gols pela Juventus, 20 pelo Padova, nove pelo Milan, três pelo Napoli e 150 pela Fiorentina, onde se destacou mais.

O sueco foi contratado pela Fiorentina após um belíssimo campeonato pelo Padova – seus 20 gols levaram os biancoscudati à 3ª posição – e também por ter sido o artilheiro sueco na Copa de 1958, com quatro gols. Em Florença, chegou para substituir Julinho Botelho, principal nome  do primeiro scudetto viola, e conquistou cinco títulos com a equipe, apesar de nunca ter chegado ao título nacional – tendo em Hamrin seu principal nome, a Fiorentina ficou seis vezes entre os quatro primeiros colocados, conquistando dois vices. É um dos maiores artilheiros do clube, com 150 gols em 289 partidas e é o quarto jogador com mais jogos na história do clube violeta, pelo qual ainda anotou cinco gols contra a Atalanta em um único jogo – até hoje, é o único jogador da Serie A que marcou tantas vezes jogando fora de casa. Trocou a Fiorentina para conquistar seus maiores títulos no Milan, onde, no entanto, não tornou-se ídolo da mesma magnitude. Ainda passou pelo Napoli antes de encerrar a carreira profissional.



Posição: meio-campista
Clube em que atuou: Milan (1949-61)
Títulos: 4 Serie A (1950-51, 1954-55, 1956-57 e 1958-59) e 2 Copas Latinas (1951 e 1956)
Prêmios individuais: nenhum

Niels Liedholm ficou conhecido como "O Barão". E não foi sem motivos. O apelido evidencia a liderança, coração e técnica do maior meio-campista da história do Milan antes do ícone Gianni Rivera. Por 12 anos, Liedholm foi tudo isso e mais um pouco pelo clube de Milão. Em 394 partidas e com 89 gols, foi a alma do meio-campo do clube nos anos 50 e é, até hoje, o segundo estrangeiro com mais partidas pelos rossoneri, atrás de Clarence Seedorf. Dentre os integrantes do trio Gre-No-Li, que formou com os compatriotas Gren e Nordahl, Liedholm é considerado, por muitos, como o mais importante deles. Afinal, foi quem mais tempo ficou no Milan e foi um dos jogadores que mais contribuiu para tornarem o Milan o que é hoje. Após as saídas de Gren, primeiro, e de Nordahl, depois, liderou o time depois da dissolução do trio e venceu mais dois scudetti – três a mais que Gren e dois a mais que Nordahl.

Definido como um "centrocampista total", o sueco era dono de uma extraordinária visão de jogo e com um toque de bola perfeito, Liedholm raramente errava passes. Liedholm liderou o Diavolo em doze anos e também preparou o caminho para o surgimento da lenda Rivera. Pela seleção sueca, conquistou o ouro olímpico junto a Gren e Nordahl, mas assim como os compatriotas, não atuou na Copa de 1950 porque os suecos levaram apenas atletas que atuavam no país. Em 1958, capitão, marcou o primeiro gol da final perdida para o Brasil. Como treinador, Liedholm foi um dos mais influentes no auge do futebol italiano e pioneiro na introdução da defesa a zona no Belpaese. Pelo Milan, conquistou o décimo scudetto da história do clube, na campanha que marcou a despedida de Rivera e o surgimento de Franco Baresi. Pela Fiorentina, foi o responsável pela contratação de Giancarlo Antognoni, junto ao Asti, da Serie C, e montou um time que seria campeão após sua saída, quando já estava em sua primeira de muitas passagens pela Roma. Lá, venceu o segundo scudetto do clube e implementou uma nova mentalidade no futebol italiano.

2º - Zlatan Ibrahimovic


Posição: atacante
Clubes em que atuou: Juventus (2004-06), Inter (2006-09) e Milan (2010-12)
Títulos: 4 Serie A (2006-07, 2007-08, 2008-09 e 2010-11) e 3 Supercopas italianas (2006, 2008 e 2011)
Prêmios individuais: Guldbollen (2005, 2007, 2008, 2009, 2010, 2011 e 2012), Esportista sueco do ano (2007), Artilheiro da Serie A (2008-09 e 2011-12), Oscar do futebol italiano (Melhor jogador estrangeiro – 2005, 2008 e 2009; Jogador mais querido pela torcida – 2005; Gol mais bonito – 2008; Time do ano – 2011 e 2012 e Melhor jogador da Serie A – 2008, 2009 e 2011), Time do ano L'Équipe (2008) e Time do ano Uefa (2007 e 2009)

Um dos maiores craques dos tempos recentes do futebol, assistir a Ibrahimovic jogar sempre causou a expectativa de que um golaço poderia pintar a qualquer momento. Especialista em pinturas e jogadas de gênio, o acrobático, habilidoso e forte atacante é um dos mais completos do futebol europeu e é o único jogador em atividade a constar em nosso Top 10. Motivos não faltam, e basta ver os seis títulos e prêmios individuais para saber o quanto o jogador teve impacto no futebol italiano. E no sueco, afinal, ele ganhou o prêmio de melhor futebolista do país por oito vezes, sete delas de forma consecutiva – um recorde. Ibrahimovic também é um dos 10 atletas que jogaram por Inter, Juventus e Milan em toda a história. Na Juve, atuou por dois anos, marcou alguns golaços e foi titular, brilhando mais na primeira das temporadas, quando guardou 16 gols na Serie A. Ao todo, marcou 26 gols, cedeu 17 assistências e ganhou dois scudetti, depois revogados por ilícito esportivo.

Após o rebaixamento da Juventus por causa do Calciopoli, se transferiu para a Inter, para onde levou as expulsões bobas dos tempos de Juve, mas também um grande futebol. Pela Beneamata se tornou protagonista, viveu seu auge no futebol e se transformou em um dos atacantes mais temidos da Europa, embora sua equipe não tivesse grande desempenho fora da Itália. Liderou a equipe em três scudetti, tendo Adriano, Crespo, Figo, Stankovic e Cruz como coadjuvantes no setor ofensivo, e chegou a ser artilheiro do Italiano até se despedir com um gol de calcanhar. Depois de um ano apagado no Barcelona, retornou ao Milan no final do mercado de 2010 onde voltou a ser protagonista. Liderou o time na conquista de um scudetto que não chegava há sete anos e, na temporada seguinte, quase faturou o bi – seu time ficou quatro pontos atrás da Juve, campeã. Ibra ficou com a artilharia do campeonato, porém, com incríveis 28 gols, que o colocaram entre os 50 maiores goleadores da história da Serie A, com 122 gols marcados – veja todos aqui.



Posição: atacante
Clubes em que atuou: Milan (1949-56) e Roma (1956-58)
Títulos: 2 Serie A (1950-51 e 1954-55) e 2 Copas Latinas (1950-51 e 1955-56)
Prêmios individuais: artilheiro da Serie A (1949-50, 1950-51, 1952-53, 1953-54 e 1954-55)

Havíamos citado o nome de Nordahl por exatas doze vezes e apenas agora chegamos no perfil do maior jogador escandinavo a ter atuado na Itália em todos os tempos. Ninguém fez tantos gols quanto o atacante sueco com a camisa rossonera do Milan. Com uma média absurda de 0,88 gols/jogo, ele balançou as redes adversárias por 221 vezes em 268 jogos. Na Serie A, ninguém tem média melhor que seus 0,77 gols/jogo e, enquanto Silvio Piola e Francesco Totti precisaram de 537 e 561 jogos para chegar a 274 e 235 gols, respectivamente, Nordahl fez 225 em 291 – 210 deles pelo Milan e 15 pela Roma, onde jogou por apenas duas temporadas antes de encerrar a carreira. Com essa marca, o sueco é o maior goleador estrangeiro da Serie A, e terceiro da lista geral, superado apenas por Totti e Piola. Uma máquina de fazer gols, que detém esses e outros números absurdos, como o de mais gols numa edição da Serie A (35, em 1949-50) e de artilharias na máxima divisão do futebol italiano: cinco vezes, três consecutivas; e poderiam ter sido seis em sequência, caso ele marcasse mais quatro gols, igualasse o dinamarquês John Hansen, em 1951-52, e não tivesse tido a hegemonia interrompida.

Em sete temporadas e meia atuando pelo Milan, sempre registrou mais de dois dígitos em termos de gols, não fazendo mais de 20 tentos apenas em 1948-49. Nordahl ainda superou os 30 gols por duas ocasiões. Terminal do trio Gre-No-Li nos primeiros anos de Milan, depois da saída de Gren teve ainda no dinamarquês Jørgen Leschly Sørensen um companheiro e coadjuvante de luxo no ataque – em dois anos, Sørensen anotou 28 gols pelo Diavolo, e conquistou juntamente com Nordahl o último de seus scudetti. Gunnar ainda viu os seus irmãos meio-campistas Knut e Bertil (que, juntamente com ele, ganharam o ouro na Olimpíada de 1948 e o prêmio Guldbollen quando atuavam na Suécia) terem uma oportunidade na Itália, respectivamente por Roma e Atalanta. Apesar de bons jogadores, seguramente não brilharam tanto como uma das maiores lendas do futebol mundial.

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