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quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Coppa Italia: review das quartas de final

Sempre Gervinho: o marfinense é destaque da Roma em 2013-14

Nesta semana e na semana passada, a Coppa Italia teve a fase de quartas de final, na qual alguns duelos importantes aconteceram, e nem sempre os favoritos se deram bem. Na verdade, com exceção da Roma, que tem 9 títulos e é a maior vencedora do torneio, e da Fiorentina, que acumula 6 títulos, alguns times terão a chance de somar uma taça a um currículo pouco brilhante. São os casos do Napoli, que levantou o caneco quatro vezes, e da Udinese, que nunca venceu a competição – tem apenas um vice-campeonato. Nas semifinais, a tarefa será complicada para ambos os times: o time de Údinese enfrenta a Fiorentina, enquanto napolitanos e romanos farão um duro duelo.

Roma 1-0 Juventus
Gervinho 79'

Vingança giallorossa. Contra a Juventus o time de Garcia perdeu sua invencibilidade na temporada, mas no Olímpico os jogadores de Conte não foram páreos para uma Roma pragmática, que controlou o jogo em casa, não apresentou muito volume de jogo, porém não cedeu espaços atrás e garantiu vaga na semifinal em jogada com seus principais destaques na temporada, Strootman e Gervinho. No confronto entre as duas maiores vencedoras da copa, com 9 títulos cada, levou quem valorizou mais o jogo.

Com a bola rolando, a Roma enfrentou novamente uma Juventus marcando mais baixo, recuando os alas e sem oferecer espaços entre linhas e à espera de um contra-ataque que nunca houve, já que o dia ruim de Giovinco e Quagliarella não permitiu. Ainda assim o time da casa conseguiu criar oportunidades e cinco das nove finalizações saíram na primeira etapa, mas todas para fora. No segundo tempo o ritmo de jogo diminuiu com uma Roma mais presa após susto logo no início, quando Peluso balançou as redes, porém de forma inválida, ao aproveitar cruzamento que havia saído pela linha de fundo. Sem um único chute em 70 minutos, a Juventus esboçou reação a partir de então, mas sem fazer De Sanctis sujar a camisa. Quando tudo parecia se encaminhar para a prorrogação, Strootman descolou boa jogada pela esquerda e cruzou para Gervinho escorar e marcar o único gol do jogo.

Roma (4-3-3): De Sanctis; Maicon, Benatia, Leandro Castán, Torosidis; Nainggolan, De Rossi, Strootman; Florenzi (Pjanic 75'), Totti (Ljajic 83'), Gervinho. T: Garcia
Juventus (3-5-2): Storari; Barzagli, Bonucci, Chiellini (Ogbonna 45'); Isla, Vidal, Pirlo, Marchisio, Peluso (Tévez 81'); Quagliarella, Giovinco (Llorente 77'). T: Conte
Árbitro: Paolo Tagliavento

Napoli 1-0 Lazio
Higuaín 82'

No confronto entre os dois últimos campeões da Coppa Italia, melhor para os napolitanos. O time de Benítez, que não poupou titulares, não mostrou seu melhor futebol, mas contou com o oportunismo de Higuaín para garantir uma vaga na semifinal. Em campo, contra uma Lazio cheia de jogadores reservas, o Napoli teve dificuldades para mostrar volume de jogo, apesar da ampla vantagem na posse de bola. Por sua vez, a Lazio iniciou o jogo com alguma agressividade e boa recomposição atrás, mas sem criar uma única jogada, com exibições apáticas dos jovens Onazi, Felipe Anderson, Keita e Perea, além do cansaço da defesa, se tornou suscetível a contra-ataques.

Costumeiramente participativo, Higuaín foi pouco visto em campo, muito por conta da falta de ocasiões criadas e o mau momento de Hamsík, que ainda não encontrou sua melhor forma desde que voltou de lesão. Embora tenha se movimentado bastante, Insigne também foi incapaz de levar perigo e teve muitos erros, irritando o torcedor napolitano e que gerou vaias ao ser substituído – prontamente retrucadas pelo jovem. O melhor do quarteto ofensivo, Callejón, incomodou e foi quem mais deu passes para finalizações – inclusive o do gol de Higuaín, que jogou o corpo na frente da bola para aproveitar chute cruzado, que bateu em sua perna e entrou. O maior destaque foi Jorginho, estreando como titular, e sendo o jogador mais criativo do time enquanto esteve em campo, formando boa dupla com Inler, o jogador com mais passes e toques nos 90 minutos.

Napoli (4-2-3-1): Reina; Maggio, Fernández, Albiol, Réveillère; Jorginho (Dzemaili 91'), Inler; Callejón, Hamsík (Pandev 76'), Insigne (Mertens 68'); Higuaín. T: Benítez
Lazio (3-4-3): Berisha; Ciani, Novaretti, André Dias (Biava 72'); Konko (Cavanda 34'), Onazi (González 45'), Ledesma, Lulic; Felipe Anderson, Perea, Keita. T: Reja
Árbitro: Luca Banti

Milan 1-2 Udinese
Balotelli 6', Muriel 41', López 77'

Na primeira derrota com Seedorf no comando, o Milan repetiu a Inter e caiu para a pior Udinese da era Guidolin. Com muitos problemas defensivos, a exemplo da pouca compactação, insegurança da defesa e problemas com contra-ataques, problemas antigos do time de Allegri que Seedorf ainda tenta corrigir, o Diavolo perdeu a única chance plausível de título no ano. Vestida à caráter, a zebra mais uma vez assombrou Milão e garantiu importante vaga na semifinal para uma Udinese desacreditada e brigando contra rebaixamento na Serie A.

Em campo, o Milan começou com bom ritmo e abriu o placar logo aos seis minutos, quando Kaká lançou Birsa na ponta direita. O esloveno cruzou, Robinho desviou e Balotelli abriu o marcador. O gol que saiu cedo, porém, fez os rossoneri diminuírem o ritmo, com o trio Birsa-Kaká-Robinho muito omisso e isolando Balotelli, que brigava com três zagueiros para ganhar as bolas longas (ao todo foram absurdas 114 bolas longas). A Udinese, por sua vez, fez seu jogo típico, se postando bem atrás e saindo em velocidade nos contra-ataques, especialmente com Gabriel Silva, Badu e Fernandes. Pela direita saiu o lance que originou o gol de empate, quando Badu foi derrubado por Emanuelson na área. Muriel converteu o pênalti. Na segunda etapa, a mesma história: Milan improdutivo com a bola e Udinese contra-atacando. Assim surgiu o gol da virada, em jogada que começou com roubada de bola e passou pela individualidade de Nico López, que limpou os marcadores e chutou no canto. O Milan mexeu e tentou reagir, mas já era tarde para evitar o fracasso.

Milan (4-2-3-1): Abbiati; De Sciglio, Zapata (Mexès 36'), Rami, Emanuelson (Abate 87'); Nocerino (Honda 82'), De Jong; Birsa, Kaká, Robinho; Balotelli. T: Seedorf
Udinese (3-5-1-1): Brkic; Heurtaux, Danilo, Domizzi; Widmer, Badu, Allan, Lazzarri (Pinzi 94'), Gabriel Silva; Bruno Fernandes (Pereyra 69'); Muriel (Nico López 74'). T: Guidolin
Árbitro: Marco Guida

Fiorentina 2-1 Siena
Ilicic 20', Giacomazzi 59', Compper 75'

Se o dérbi toscano não foi possível na Serie A, ao menos os rivais Fiorentina e Siena se enfrentaram na Coppa Italia. Melhor para os florentinos, amplamente superiores nos 90 minutos, com larga vantagem na posse de bola e mais chances criadas. Apesar disso, o time de Montella não apresentou muito volume de jogo e pouco forçou durante a partida. A baixa foram as lesões de Borja Valero e Ilicic, este destaque no jogo, com um gol e uma assistência.

No Artemio Franchi de Florença, os viola mostraram superioridade desde os primeiros minutos e abriram o placar aos 19. Ilicic aproveitou a lentidão de Giacomazzi e o erro bizarro de Dellafiore para ajeitar e vencer Farelli. Tímido no ataque, o Siena não conseguiu repetir as últimas atuações na Coppa, quando já eliminara Livorno, Bologna e Catania, e apenas o jovem Giannetti, destaque na Serie B, levou algum perigo, criando boas jogadas, especialmente no segundo tempo. Na segunda etapa, mais do mesmo, até o Siena empatar em bola aérea, com Giacomazzi aproveitando cruzamento de Valiani no primeiro pau. Mas também na bola aérea veio o gol da vitória da Fiorentina e Compper cabeceou firme em escanteio de Ilicic. Pizarro e Joaquín ainda acertaram a trave e Rosina obrigou Neto a fazer grande defesa, porém o placar não se mexeu. A atuação senese, porém, deve servir de incentivo para a continuidade na Serie B, competição da qual o time luta para sair.

Fiorentina (4-3-3): Neto; Roncaglia, Gonzalo Rodríguez, Compper, Pasqual (Vargas 71'); Matías Fernández, Aquilani, Borja Valero (Pizarro 55'); Cuadrado, Ilicic (Ryder 79'), Joaquín. T: Montella
Siena (3-4-2-1): Farelli; Matheu (Belmonte 82'), Giacomazzi, Dellafiore; Ângelo, Pulzetti, Valiani, Feddal; Rosina, Giannetti (Plasmati 74'); Paolucci (Rossetti 59'). T: Beretta
Árbitro: Piero Giacomelli

Semifinais (ida: 4 e 5/2; volta: 11 e 12/2)
Udinese x Fiorentina
Roma x Napoli

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

21ª rodada: Lazio ajuda e Roma volta a sonhar

Uma das melhores contratações do mercado, Gervinho mantém a Roma viva na briga pelo scudetto (Sky)
Quando pouca gente imaginava que a Juventus iria tropeçar, ela empatou. Avassaladora, a Velha Senhora vinha de sequência de 12 vitórias, mas parou na Lazio, que ajudou a Roma a ter mais esperanças de brigar com a equipe de Turim pelo scudetto desta temporada. Mais atrás, o Napoli começa a perder terreno, e se mantém na terceira posição apenas porque a Fiorentina também não conseguiu vencer seu jogo na rodada. A viola, ao menos, conta com folgada vantagem sobre as outras equipes que estão lutando por uma vaga na Liga Europa, como Inter, Verona, Torino, Parma e Milan, e tem obrigação de ambicionar mais. Acompanhe o resumo da rodada.

Verona 1-3 Roma
De repente, o campeonato se abre. Pelo menos é esse o sentimento do torcedor romanista. Motivada pelo tropeço da líder Juventus no sábado contra sua arquirrival Lazio, a Roma derrotou o Verona fora de casa e cortou para seis pontos a vantagem dos bianconeri. Já são três vitórias seguidas para a vice-líder, que tenta repetir o estonteante começo que teve no primeiro turno para alcançar o scudetto, ainda com um confronto direto a se jogar contra a Juve, na penúltima rodada. Se alcançar algo semelhante às dez vitórias consecutivas com as quais abriu o campeonato, o campeonato se tornará bastante interessante. Sem saber o que é vencer a Roma na Serie A desde 1996, o Verona, que acaba de perder Jorginho, seu principal meio-campista, para o Napoli, se complica na busca por uma vaga na Liga Europa, sendo esta sua terceira derrota seguida. Estacionado nos 32 pontos, os butei caem duas posições com as vitórias de Parma e Torino, ocupando o oitavo lugar. No entanto, como o objetivo primário é permanecer na elite, não há motivos para preocupação.

Mesmo tendo dominado as ações no primeiro tempo, a Roma só conseguiu abrir o placar nos acréscimos. Gervinho fez jogada individual na ponta esquerda e se viu marcado por três adversários; então cruzou para a área, onde Ljajic estava para chutar para o gol. Logo aos 4 do segundo tempo, veio o empate dos anfitriões, com o islandês Hallfredsson, com um chute de esquerda de fora da área. Mas era a tarde de Gervinho. Aos 15, o marfinense dominou uma sobra de escanteio dentro da área, "chamou para dançar" Donati e Rômulo, dos quas se desvencilhou, e bateu rasteiro de direita, no contrapé de Rafael. E aos 37, com o jogo ainda aberto, o árbitro Paolo Mazzoleni marcou pênalti inexistente em Torosidis, que Totti converteu e concluiu a partida. (Thiéres Rabelo)

Lazio 1-1 Juventus
Após a derrota para a Roma, no meio da semana, em jogo válido pela Coppa Italia, a Juve voltou a tropeçar no Estádio Olímpico da capital. Contra a inconstante Lazio, o time de Antonino Conte não fez boa partida e viu sua série de 12 vitórias consecutivas ser interrompida. Buffon foi expulso logo aos 24 minutos do primeiro tempo, depois de derrubar Klose dentro da área, e acabou dificultando as coisas para a Velha Senhora. Candreva abriu o placar na cobrança de pênalti e a Lazio recolheu-se no seu campo para segurar o resultado.

Com um a menos, a Juve passou a jogar em um 4-4-1 que virarva 4-3-2 quando estava com a bola e pouco conseguiu produzir na primeira etapa. Logo no início do segundo tempo, porém, a dupla Tévez-Llorente voltou a aparecer bem e: Tévez recebeu, girou em cima do zagueiro a abriu para Lichtsteiner na direita. O suíço cruzou na área e Llorente cabeceou para o fundo das redes, marcando seu nono gol no campeonato. No restante do tempo, os bianconeri não conseguiram mais agredir e contaram com boas defesas de Storari para segurar o empate, que acabou saindo de bom tamanho para a equipe, depois das lambranças de Buffon. Um tropeço inesperado e que dá mais emoção ao campeonato. A Roma agora está "apenas" seis pontos atrás. (Rodrigo Antonelli)

Napoli 1-1 Chievo
Sem brilho nenhum, o Napoli empatou a segunda partida seguida na Serie A e já vê Juve e Roma ampliarem muito a vantagem na frente, enquanto a Fiorentina se aproxima atrás, de olho na terceira vaga para a Liga dos Campeões. E por pouco o resultado não foi pior para o time de Rafa Benítez. O Chievo foi quem abriu o placar, após boa troca de passes que terminou com gol de Sardo, e conseguiu segurar os napolitanos por quase todo o jogo, mostrando muita organização tática. No Napoli, só Mertens fez partida razoável e procurou espaços para tentar algo.

Higuaín, Hamsik e Callejon não mostraram nem sombra das boas atuações de outros jogos e apenas assistiram o Chievo dominar o jogo no San Paolo. Higuaín, aliás, perdeu chance incrível de empatar o jogo, dentro de pequena área. Mertens cruzou e o argentino isolou. O gol de empate saiu só aos 43 minutos do segundo tempo, na única falha defensiva da equipe de Verona. César permitiu que Albiol girasse em cima dele e chutasse forte. O gol salvador deixa o Napoli com 44 pontos, 12 atrás da Juve e seis distante da Roma. Menos mal que a Fiorentina também empatou e permanece três pontos atrás. O Chievo vai a 18 e ainda sofre com a proximidade da zona de rebaixamento. (RA)

Fiorentina 3-3 Genoa
Jogo movimentado e polêmico no Artemio Franchi. Em rodada cheia de erros da arbitragem, sem dúvidas a atuação de Tommasi e seus assistentes foi a pior e alterou decisivamente no decorrer do jogo. Falando de resultados, o empate é péssimo para o time de Montella, que poderia ter aproveitado o vacilo do Napoli para se igualar aos azzurri. Para o Genoa, ponto que mantém o time no meio da tabela, onde deverá ficar até o fim do campeonato. Contra o 3-4-3 de Gasperini, Montella mostrou a versatilidade tática de seu time, fazendo o primeiro tempo no 3-5-2 e o segundo no 4-3-3, com os mesmos jogadores. Com a bola rolando, como sempre acontece em Florença, o time da casa teve domínio da posse de bola e vantagem territorial, mas não conseguiu transformar isso em superioridade no placar, ainda mais sem seus jogadores mais criativos, Valero (um mês fora) e Rossi (dois meses), e sua principal referência, Gómez (duas semanas).

A contagem abriu aos 25, após jogada de Gilardino. Antonelli tirou de Neto e se jogou, mas Tommasi marcou penalidade, convertida pelo atacante da seleção. Cinco minutos depois nova penalidade inexistente: Ambrosini valorizou puxão de De Maio e caiu na área. Aquilani empatou. Um minuto depois, o Genoa encaixou contra-ataque e Antonini aproveitou a desatenção viola para desempatar. Vantagem que, novamente, não durou muito, já que Aquilani voltou a marcar após confusão na área. Motivada atrás da vitória, a Fiorentina voltou melhor e mais agressiva no segundo tempo com a mudança tática de Montella e chegou ao gol no que seria a tripletta de Aquilani, mas um impedimento inexistente foi marcado. O erro não diminuiu o ritmo dos viola, que seguiram em cima e novamente com Aquilani, em passe de Joaquín, viraram, validando a primeira tripletta na carreira do meia italiano. Com a vantagem, porém, o time da casa tirou o pé e sofreu o empate aos 76, em escanteio que terminou na cabeçada de De Maio. (Arthur Barcelos)

Inter 0-0 Catania
A Inter desta temporada é igual a da última ou ainda pior. Sem tantas lesões quanto as que o antigo técnico Stramaccioni teve de lidar, Mazzarri vai fazendo um trabalho similar ao do antecessor: decepcionante, após um ótimo início. Perdido, o treinador criticou alguns jogadores, como Álvarez e Jonathan, ao dizer que eles não tem experiência para serem líderes técnicos em um time grande. Também criticou a torcida, que pouco compareceu ao estádio, e fez pouco barulho. Disse que era mais fácil jogar fora de casa, porque ao menos. "Parecia uma partida com portões fechados", disse. Porém, como se empolgar com um time que tem Kuzmanovic como armador no meio-campo? Mazzarri está completamente preso a convicções que se mostram pouco efetivas, e se vê: considerando apenas os últimos nove jogos, a Inter seria antepenúltima no campeonato.

Em campo, a Inter criou pouco contra o lanterna do campeonato, que tem o pior ataque e a segunda pior defesa. Nas poucas chances que teve, um Milito e um Palacio irreconhecíveis desperdiçaram. A melancolia e os momentos de tensão se veem dentro de campo, uma vez que mesmo quando tem a bola, a Beneamata não tem poder de penetração, e é previsível. Sem a bola, o time desmancha, e sofre muito. As melhores chances do jogo foram do Catania, com Lodi, Rinaudo e sobretudo com Bergessio, ambas no segundo tempo. Apesar da posição, é nítido que os etnei tem futebol para mais, e estão vivos na briga pela permanência. Por outro lado, isto não justifica a péssima partida nerazzurra. O cenário na semana em que a Inter enfrenta a rival Juventus, em Turim, é um dos piores possíveis. Considerando, ainda, que Cambiasso, machucado, deve desfalcar a equipe. (Nelson Oliveira)

Cagliari 1-2 Milan
Seedorf ainda tem muito o que acertar no Milan, mas ao menos tem conseguido vitórias no comando do Diavolo. Apesar da derrota no meio da semana para a Udinese, que tirou a chance de os milanistas conquistarem o título da Coppa Italia, o início do ex-jogador holandês é positivo. Na Serie A, são duas vitórias, que levaram o Milan para a 9ª posição, com 28 pontos, cinco atrás da Inter, que abre a zona de classificação à Liga Europa. Considerando o atual retrospecto de ambos os times, as chances de os rossoneri ultrapassarem a rival são boas. A virada foi uma prova de que os ventos mudaram em Milanello, e quem foi penalizado foi o Cagliari, que fez boa partida e merecia melhor sorte. Atualmente, os sardos tem 21 pontos, e veem a zona de rebaixamento um pouco mais perto.

A atuação do Milan não foi das melhores. Boa parte dos jogadores rubro-negros atuaram abaixo de suas capacidades, e isso se verificou sobretudo na construção das jogadas, que aconteceram com lentidão, por causa do desempenho negativo de Honda, Kaká, Montolivo, De Jong e Robinho. Balotelli tentava muito sozinho, mas tudo o que havia feito era perder um gol feito, aos 9 do segundo tempo. Antes, Amelia – substituto de um gripado Abbiati –, cometeu erro na saída de bola, e Sau aproveitou para abrir o placar. No final do jogo, quando a vitória cagliaritana parecia próxima, Cabrera colocou a mão na bola fora da área. Balotelli cobrou bem e, contando com a ajuda do forte vento, empatou, aos 42 – porém, se excedeu nas comemorações e levou um cartão que o tira da partida contra o Torino, confronto direto por vaga europeia. Nos acréscimos, um oportunista Pazzini, que havia dado profundidade ao time de Milão, aproveitou escanteio e virou o jogo, dando importantes pontos a seu time. (NO)

Parma 1-0 Udinese
Bastou uma simples vitória, coincidindo com tropeços de rivais diretos, para que o Parma entrasse na zona de briga pela Liga Europa. Graças a um gol de Amauri, a sofrida, mas merecida vitória, foi a quarta seguida dos crociati, que somam dez jogos sem derrotas consecutivos, empolgando a todos no Ennio Tardini, e dessa vez sem tweet polêmico da esposa de Cassano. Por outro lado, a Udinese chegou à sua quarta derrota seguida, se aproximando da zona de rebaixamento, mas seguem vivos na Coppa Italia.

Com Biabiany no banco (devido a propostas do Guangzhou, da China), Donadoni adotou o 4-4-2, com variações para o 3-5-2, tendo Marchionni como um falso defensor. O time do Parma foi melhor durante boa parte da primeira etapa, criando boas chances e obrigando Brkic a fazer grandes defesas. O gol saiu aos 25 minutos, com Amauri apenas escorando cruzamento de Cassano, após falha do goleiro bianconero. Sem Di Natale (que só entrou no final do jogo), a Udinese tentou, mas pouco fez. O Parma ainda teve boas oportunidades para aumentar o marcador, mas penou na hora de finalizar. (Caio Dellagiustina)

Torino 1-0 Atalanta
Embalado por uma boa sequência de resultados (apenas uma derrota nos últimos oito jogos), o Torino recebeu a Atalanta, que, após um pífio final de primeiro turno, vinha de duas vitórias consecutivas na Serie A. Em relação ao último jogo, Ventura fez de El Kaddouri o trequartista, enquanto Colantuono ousou em começar com Denis e Moralez no banco, preteridos por Livaja e Brienza. Mas as alterações parecem não ter surtido efeitos, afinal na primeira etapa, com exceção do gol anulado de Cerci, houve poucas emoções e as defesas se sobressaindo.

Na segunda etapa, um novo jogo. Com Denis entrando na Atalanta e Brighi no Torino, os dois times criaram suas oportunidades. Os bergamascos tentaram primeiro, com Denis, mas quem chegou ao gol foi o time granata, através de pênalti absurdamente mal marcado sobre Cerci. Na cobrança, o próprio Cerci converteu. Os nerazzurri se lançaram ao ataque, mas foi o Toro que teve a chance de ampliar. Nova penalidade, dessa vez perdida por Immobile, que bateu mal e atrasou para Consigli. Com o resultado, o Toro fica a um ponto da zona de Liga Europa, e a Atalanta se mantém no meio da tabela. (CD)

Livorno 3-1 Sassuolo
Início eletrizante de Domenico Di Carlo no comando do Livorno, substituindo Davide Nicola. O Livorno, que conta com vários jogadores emprestados pela Inter, utilizou a força nerazzurra para chegar a seus gols – com um quarto do jogo transcorrido, o time toscano já ganhava por 3 a 0. Em cruzamento de Benassi, Greco abriu o marcador aos 4. Aos 11, jogada de Mbaye e passe para Paulinho chutar de fora da área e marcar seu sétimo gol na Serie A. Aos 26, Emeghara puxou contra-ataque e abriu para Benassi finalizar no canto de Pegolo, que nada pegou nos 90 minutos, já que estas foram as únicas três finalizações no gol dos amaranto, que tiraram o pé após a vantagem.

Ainda no primeiro tempo, o irregular e promissor Bardi derrubou Sansone na área e Berardi converteu penalidade. Mais uma vez observado por Prandelli, presente no estádio, a sensação Berardi, aliás, deu trabalho para o Livorno, e foi responsável por sete finalizações. Quem também jogou uma boa partida foi o estreante Sansone – apenas o outro jovem, Zaza, destoou no trio de ataque neroverde. Prandelli também deve ter admirado as partidas do sub-21 Antei e do sub-19 Benassi. A vitória não tira o Livorno da zona de rebaixamento, mas dá um novo gás após dez jogos (nove derrotas) e dois meses sem vencer, o que valeu uma grande contestação dos torcedores antes do jogo. Resultado ruim para o Sassuolo, também na zona de descenso, e que deve fazer Eusebio Di Francesco sair do comando técnico. (AB)

Sampdoria 1-1 Bologna
Em um resultado que pouco interessou para os dois times, Sampdoria e Bologna empataram por 1 a 1 em Gênova, com o gol de empate dos visitantes vindo aos 45 do segundo tempo. A briga dos dois clubes pela salvezza não teve prejuízos muito grandes, pois apenas um dos últimos sete colocados venceu na rodada. A Samp chega aos 22 pontos e permanece na 13ª posição, cinco pontos à frente da zona de rebaixamento. Na próxima rodada, o time blucerchiato faz o Derby della Lanterna contra o Genoa, em um jogo-chave do segundo turno. O Bologna, que ainda não perdeu com Davide Ballardini no comando técnico, também não teve a posição alterada, chegando aos 18 pontos, na 16ª colocação, o primeiro time fora da zona da degola.

Sem serem incisivos, os dois times gastaram o primeiro tempo apenas se estudando. A Samp, porém, foi quem ficou a maior parte do tempo com a bola e quem mais rondou a área adversária. O Bologna praticamente não conseguiu chegar à meta dos genoveses. No segundo tempo, a Samp começou a se lançar com mais ímpeto à busca do gol e conseguiu furar o bloqueio bolonhês aos 17, após jogada individual do brasileiro Éder na ponta direita, que cruzou para a área, onde Gabbiadini estava para conferir e marcar contra seu ex-clube. Quando tudo parecia decidido, em um lance fortuito, o grego Christodoulopoulos puxou contra-ataque aos 45, com a defesa doriana desarrumada, e foi derrubado por Costa na área: pênalti claro. O capitão Diamanti cobrou no canto direito e empatou. (TR)

Relembre a 20ª rodada aqui.
Confira estatísticas, escalações, artilharia, além da classificação do campeonato, aqui.

Seleção da rodada
Storari (Juventus); Rolín (Catania), Paletta (Parma), Glik (Torino), Antonini (Catania); Biglia (Lazio), Aquilani (Fiorentina), Benassi (Livorno); Gervinho (Roma), Paulinho (Livorno), Pazzini (Milan). Técnico: Rudi Garcia (Roma).

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Como perder a credibilidade em 72 horas

Guarín aponta a direção: queria mudar para Turim, mas Inter voltou atrás e melou negócio (Reuters)
Em seu primeiro grande negócio de mercado, a nova Inter, presidida pelo indonésio Erick Thohir há cerca de três meses, deu um belo exemplo de como assar a própria batata em pouco tempo. O magnata indonésio chegou a Milão falando sobre modelo de negócio, responsabilidade financeira, internacionalização da marca e outras milongas mais. Sua chegada foi tratada, até mesmo por nós, como um salto da Inter rumo a uma direção mais profissional, menos passional e menos propensa a trapalhadas. 

Porém, as tratativas por uma troca com a Juventus, que levariam Fredy Guarín a Vinovo e Mirko Vucinic a Appiano Gentile foram o assunto da semana, e mesmo após o encerramento das conversas entre os clubes, ainda dá o que falar. A credibilidade da Inter saiu chamuscada no episódio, e através de um guia rápido, explicamos o porquê. Saiba como perder sua credibilidade futebolística em menos de três dias.

1) Invente uma troca que beneficie sua maior rival
- Poxa, nosso time era muito criativo, fazia muitos gols, mas estamos em crise com as redes. O que fazer?
- Vamos trocar Guarín, nosso líder de assistências, com a Juventus? Aposto que eles liberam Vucinic, que está encostado lá, com dois gols em oito jogos.
- Hmmm, pode ser uma boa. Acho que ele vai brilhar na Inter. Vou dar uma ligada para Giuseppe Marotta.

Um diálogo do nível deve ter acontecido entre os diretores da Inter, em meados de dezembro, quando as negociações para a troca começaram, segundo declaração de Marotta, diretor esportivo juventino. Embora o mundo só tenha tomado conhecimento do negócio agora, as conversas já vinham acontecendo e, nesta semana, seriam apenas concluídas. Fato é que a Juve ganharia muito com o negócio, caso acontecesse.

Guarín, mesmo irregular, é um dos principais jogadores do elenco da Inter. Aos 27 anos, marcou três gols e deu sete assistências nesta Serie A. Pode atuar na linha de cinco meias do 3-5-1-1 de Walter Mazzarri, ou atuar como enganche, dando suporte ao único atacante que o treinador vinha utilizando. Já Vucinic, 30 anos, fez apenas oito jogos e marcou dois gols pela Serie A. Perseguido por pequenas lesões, perdeu espaço com as chegadas de Tévez e Llorente, uma vez que ele (e Giovinco, Quagliarella e Matri) não resolveram o problema do ataque bianconero nos últimos anos.

Vucinic, segundo atacante, não seria o salvador da pátria da Inter, que tem dois jogadores de ofício para a função – Palacio e Belfodil –, e outros que tem atuado por ali, como Álvarez, Kovacic, Botta e o próprio Guarín. Bom jogador, mas em má fase, seria uma opção a mais para um setor inflado. Já o colombiano seria uma peça muito útil ao meio-campo da Juve. O setor já é o mais forte da equipe. Por causa do estilo de jogo do time de Antonio Conte, Guarín teria seu futebol evidenciado: poderia voltar a jogar no mesmo nível em que atuava no Porto, e poderia até ultrapassar este patamar. Analisando o nível das exibições do colombiano pelo restante da temporada, a Juventus poderia, ainda, optar por se privar de Marchisio, Vidal ou Pogba, no próximo mercado, utilizando o dinheiro para se reforçar ainda mais e, no mínimo, aumentar sua hegemonia na Itália.

2) Queime o valor de mercado do seu jogador
Segundo dados de mercado do respeitado site Transfermarkt, Fredy Guarín é o segundo jogador mais valioso da Inter, com 16 milhões de valor de mercado. Vucinic é apenas o nono da lista juventina, com 13 mi. Além disso, a Inter havia conseguido vender o colombiano ao Chelsea, por 15 mi, mas as negociações não foram em frente porque o jogador havia pedido um salário muito alto. Ao contrário, a Juve tentou empurrar Vucinic ao Arsenal por 10 mi, e a equipe treinada por Arsène Wenger achou muito. 

Ou seja, embora o valor de mercado seja fictício, o de Guarín é notavelmente mais alto, e poderia crescer, uma vez que o jogador ainda pode atingir o auge na carreira, enquanto Vucinic caminha para o ocaso. Outro fator importante: Thohir havia dito que a Inter precisaria vender para comprar. Naturalmente, trocar o seu segundo jogador mais valioso por outro não é uma manobra das mais astutas. Sobretudo quando a troca seria sem dinheiro envolvido, em um primeiro momento, e depois, após renegociação, renderia à Inter menos de 3 milhões de euros.

3) Contrate um jogador mais velho e com salário mais alto
Além de todas as questões envolvendo valores de mercado, o salário de Vucinic é 700 mil euros maior do que o de Guarín. O montenegrino até poderia aceitar reduzir o seu salário, mas isso não estava posto no início da negociação. Além disso, a Inter sairia perdendo porque dificilmente poderia revender o atacante, de 30 anos, por um bom valor. Guarín, 27, poderia levar mais aporte financeiro em caso de venda.

4) Despreze os jovens do seu clube
Pense bem: a gestão anterior autorizou a compra de dois dos melhores jovens atacantes do país, Belfodil e Icardi, gastando quase 20 milhões para isso. No mercado seguinte, com novo dono, mas com os mesmos diretores, a Inter corre atrás de um outro atacante. Ok, é verdade que Belfodil não se adaptou, está fora dos planos imediatos de Mazzarri e pode ser emprestado. Também é verdade que Icardi tem sofrido com paixão, pubalgia e problemas extracampo. Mas ao invés de contratar um atacante experiente, oferecendo-lhe dois anos e meio de contrato, não seria mais lógico pensar em empréstimo?

5) Negocie em um local movimentado, de preferência sob o olhar de jornalistas
Apesar do início da transação ter sido às escondidas, toda a negociação acabou acontecendo em dois hoteis centrais de Milão. Em um deles, reuniam-se os procuradores dos jogadores com os atletas, e em outro, em uma sala com grande janela voltada para a rua, os diretores dos clubes definiam os termos da troca e também acordavam valores de salários com os jogadores. Foram publicadas fotos dos diretores dos dois clubes juntos, aguardando para atravessar a rua, outras de jogadores e diretores deixando os hoteis e até mesmo da sala de reuniões. A falta de discrição foi criticada pelos dois clubes, certamente colocou pressão no negócio e contribuiu para que ele melasse.

6) Subverta a hierarquia do clube e envie um funcionário não autorizado a negociar. Bônus: se assegure de que esse funcionário é torcedor da rival e já tenha trabalhado para ela
Marco Branca é o diretor responsável pela área técnica da Inter, e trabalha juntamente com Piero Ausilio, diretor esportivo. Branca estava na Alemanha, tentando negociar venda de Andrea Ranocchia ao Borussia Dortmund, e não participou desta etapa das tratativas. Em seu lugar, participou Marco Fassone, diretor geral da Inter, mas sem qualquer função voltada à parte esportiva – na Juve, Giuseppe Marotta, diretor geral, atende também pela parte técnica.
Fassone, nascido na província de Turim, é juventino declarado e ingressou no mundo futebolístico em 2003, justamente pela Velha Senhora, onde foi um dos responsáveis pela construção do novo estádio da equipe. Em Milão, sua contratação foi contestada pelas suas origens, e muito mais depois, porque tem realizado um trabalho muito opaco pela Beneamata. Após o cancelamento das negociações, torcedores da Inter que acompanhavam o desfecho em frente à sede do clube entoaram cânticos contra o diretor, que disse que não irá se demitir. É provável que ao fim da temporada, porém, Fassone, Branca e Ausilio deixem La Pinetina.

7) "Queime" seu jogador com a torcida
Tornar a negociação pública foi algo extremamente danoso à imagem de Guarín – mais do que a Vucinic, que não fez qualquer declaração pública ou tem qualquer tipo de problemas com a torcida juventina. Em 2011, o colombiano chegou a declarar que gostaria de se transferir à Juve, mas acabou em Milão. Em todas as temporadas, apesar da qualidade técnica, sempre foi visto pelos torcedores como um jogador egoísta, que gostava de resolver sozinho – de fato, Guarín costuma prender a bola, busca dribles em demasia e chuta, muitas vezes com erros abissais, de fora da área. 

O "Guaro" já saiu vaiado pelo San Siro algumas vezes e também já fez sinais de deboche para a torcida; também já discutiu com Mazzarri. Apesar de tudo, a torcida sabe de sua grande qualidade técnica, e o perdoa quando faz grandes jogadas. A relação de amor e ódio pode ter azedado de vez com a exposição do jogador nas tratativas, que teria dito que "queria só a Juventus", também tera tentado forçar a saída quando as negociações estavam avançadas, e, segundo relatos, teria ameaçado não treinar. Apesar de ter recebido dois dias de folga, o colombiano treinou hoje, mas não deve ser convocado para a partida contra o Catania, domingo, e muito menos para o jogo contra a Juve, daqui a 10 dias.

8) Provoque a ira de sua maior organizada
A indiscrição dos dois clubes fez com que rapidamente os torcedores da Inter ficassem sabendo que a troca era verdadeira. Com todo o peso da balança a favor da Juventus, os torcedores se manifestaram onde podiam: choveram mensagens nas redes sociais contrárias às negociações, e houve manifestações em Milão, na sede e no centro de treinamentos da Inter. A Curva Nord, principal torcida organizada nerazzurra tratou de escrever uma carta aberta a Thohir, a quem não se referiram uma única vez como presidente. Ou seja, a carta foi uma ameaçadora declaração de guerra.

No comunicado, a torcida chama Moratti de presidente e pergunta claramente: "Temos um presidente? Parece que ouvimos dizer que não há Superman. Porém, deixar de ser Superman para ser Superbabaca é questão de segundos", em referência a declaração de Thohir na semana anterior, na qual dizia que era impossível reformular o clube em pouco tempo. 

“A transferência que está acontecendo agora de um dos jogadores mais importantes da Inter para outro time italiano é a gota d’água. Não é aceitável neste momento. Um jogador jovem e bom tecnicamente por um pior? Tudo isso nos deixa confusos. Ao Sr. Thohir, recomendamos que esqueça o beisebol, a NFL, a NBA ou outras coisas que estão a anos luz de nossa realidade. Queremos atos concretos e menos ‘negócios’, menos sorrisos. Estamos na Itália, não na Indonésia ou nos Estados Unidos. Ou o Sr. Thohir se faz mais presente, com um 'homem forte', ou recomendamos fortemente que permaneça em sua casa", lia-se na carta. Thohir havia programado ida a Milão nesta sexta, mas teria adiado a viagem para o domingo e sua presença é incerta.

Para que Thohir recupere o feeling com a torcida, que o aceitou sobretudo porque ele chegava para sanar as finanças do clube e dar um aporte mais internacional à Inter, será necessário que ele mostre que sabe de futebol, tomando atitudes sábias na administração do clube e quanto a política de transferências. Thohir precisará se redimir desta negociação que levou danos não só à Inter, mas a sua própria imagem. Ele terá de mostrar que ter dito que Nicola Ventola e Obafemi Martins eram seus jogadores preferidos foi apenas uma brincadeira. Até agora, há sérias dúvidas.

9) Acerte o negócio
Atenção para o ponto 9. Sim, mesmo com todos os indícios de que o negócio não seria vantajoso, acerte-o. Envie, já no final da noite, um SMS ao presidente do outro clube e dê o aval para o negócio. Faça os jogadores viajarem para fazer exames médicos, para agilizar tudo, afinal ninguém tem tempo a perder.

10) Cancele tudo
Anotou bem o ponto 9 e cumpriu os oito anteriores? Então pronto. Cancele todo o negócio. Irrite a diretoria da equipe rival e faça ela dar uma entrevista coletiva no dia seguinte, explicando como tudo aconteceu, quais eram as bases do acordo, em que período o time deu o ok para a troca e quando voltou atrás. Silencie ou dê respostas vagas sobre o assunto, mostrando como o outro clube provavelmente foi verdadeiro em sua versão. Ao invés de explicar o que aconteceu, a Inter preferiu dizer que "não se deve questionar a organização interna de outra sociedade" e que "a negociação nunca foi fechada".

Tem mais: lembre-se que, em duas semanas, haverá um jogo importantíssimo entre as duas equipes, no caso Inter e Juventus, em Turim. Lembre-se também que a sua equipe está em crise, venceu apenas uma nas últimas oito partidas, não ganha fora de casa desde novembro e está 23 pontos atrás da rival, que venceu os últimos 12 jogos. Lembre-se como isso irá inflamar o técnico do time adversário, que adoraria ter um reforço de qualidade para o meio-campo e do ódio histórico entre as sociedades. Pronto, está feito.

Thohir desistiu do negócio após consultar o presidente honorário Massimo Moratti, que lhe explicou sobre o caráter emotivo que envolvia toda a questão. O próprio Moratti, embora tenha feito negociações surreais quando era presidente (exemplos: Seedorf e Pirlo ao Milan, em troca de Coco e Guly; Cannavaro à Juve em troca de Carini), dificilmente teria tomado a iniciativa para conversar sobre transferências do gênero – em parte porque aprendeu com os erros, em parte porque a relação entre os presidentes dos clubes é ruim. 

De qualquer forma, ter cancelado o negócio mostrou como a diretoria é amadora e não tem convicções. A troca era claramente ruim para a Inter desde que foi pensada e só não aconteceu por causa das pressões da torcida e de Moratti. Uma vitória a curto prazo. Mas quem garantirá que, daqui para frente, outros clubes continuarão levando a nova Inter a sério?

Esse guia em 10 passos foi patrocinado pelo Mahaka Media Tbk™, © Erick Thohir. Apostamos que será um recorde de vendas depois do dia 2 de fevereiro (conhecido como domingo da próxima semana), quando uma Juventus com sangue nos olhos terá a chance de destroçar uma Inter em crise, em Turim.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

20ª rodada: Leveza e tormenta em Milão

Seedorf chegou em Milão e já dá sinais de que mudou o ambiente interno rossonero (AFP)
Outono é época de muita chuva na Itália. E foi assim, debaixo de muita água, que quase todas as partidas da 20ª rodada aconteceram. Na rodada, poucas novidades: Juve e Roma continuam vencendo, e aproveitaram um tropeço do Napoli, que vê suas chances de scudetto se complicarem. A Fiorentina começa a ficar tranquila na zona de Liga Europa e até ambiciona mais, devido a crise da Inter, que se encontra em uma tormenta no mesmo momento em que o rival Milan ensaia engrenar. De cara nova (mas bem conhecida de suas torcidas), o Diavolo, assim como a Lazio, enxerga uma luz no fim do túnel. Acompanhe o resumo da rodada.

Milan 1-0 Verona
"Os jogadores estavam sentindo vontade de mudanças", disse Seedorf em uma de suas primeiras entrevistas como técnico do Milan. E o holandês mudou: como bem explica André Rocha no ótimo Olho Tático, o novato treinador escalou sua equipe em um 4-2-3-1 similar ao do Botafogo, e teve sucesso. Apesar de a partida rossonera contra o Verona não ter sido um primor, o Milan teve 70% de posse de bola contra uma equipe perigosa, e pouco sofreu – o Hellas, é verdade, não tinha Jorginho, negociado com o Napoli, e Toni, gripado.

Na partida que fechou a rodada, um Milan pouco criativo, mas com muita movimentação, colocou o Verona contra as cordas, mas não chegou a finalizar tão bem – foram 18 chutes a gol, mas fora um chute de Robinho que beliscou a trave, Rafael trabalhou com tranquilidade. O jogo só foi decidido nos 15 minutos finais, depois que González cometeu pênalti infantil sobre Kaká, que dificilmente faria jogada perigosa na linha de fundo. Balotelli converteu, saudou Seedorf (e ganhou cumprimentos à distância), e mostrou que o Milan é outro. Na mentalidade, o time parece mais leve e tende a crescer. Já o Verona estaciona nos 32 pontos, mesma quantidade que a Inter, e, em 6º, segue pensando em Liga Europa. (Nelson Oliveira)

Juventus 4-2 Sampdoria
Nem as ausências de Bonucci e Pirlo, poupados, puderam frear a Juventus. Ajudou, sim, no susto que a Velha Senhora levou em certo ponto da partida, mas, no geral, a Juve dominou a Sampdoria e alcançou sua 12ª vitória consecutiva e a décima vitória em dez jogos no Juventus Stadium. São 55 pontos em 20 partidas, um recorde da Serie A, que mantém a Roma ainda a oito pontos de distância. Caso consiga mais cinco vitórias, esta Juventus iguala o recorde  máximo da Inter de Mancini, que na temporada 2006-2007 venceu 17 compromissos em sequência. Freada a reavivada Samp de Mihajlović, que foi apenas o terceiro time nesta temporada a marcar mais de um gol na Juve jogando em Turim – ao menos, a equipe não teve prejuízos pelas derrotas de seis dos sete times que vêm atrás. O time contou com  uma memorável apresentação de Gabbiadini, que ainda tem 50% de seus direitos ligados à própria Juventus.

Vidal abriu o placar aos 18, após uma assistência primorosa de Pogba, achando o chileno no meio da zaga blucerchiata, deixando-o cara a cara com Júnior Costa para tocar no canto. Apenas seis minutos depois, Llorente cabeceou para fazer o segundo. Sem se entregar, porém, a Samp achou um gol aos 38, quando Gabbiadini invadiu a área na ponta esquerda, cruzou e Barzagli fez um gol contra. Na jogada seguinte, o mesmo atacante chutou da esquina da área e a bola desviou na mão de Lichtsteiner, mas o árbitro nada marcou. Aos 41, Vidal sofreu e converteu pênalti para fazer 3 a 1 no primeiro tempo. Alterada no intervalo, a Samp deu trabalho e marcou aos 24, com Gabbiadini pegando uma sobra na pequena área. E o mesmo atacante esteve a centímetros de empatar o jogo no minuto seguinte, com um chutaço no travessão. Mas Pogba tratou de matar o jogo aos 33 com um golaço, chutando uma bomba da entrada da área, no ângulo esquerdo. (Thiéres Rabelo)

Roma 3-0 Livorno
No primeiro jogo da rodada, sábado, o Livorno parece nem ter entrado em campo. Amplamente dominado pela Roma, o time do estreante técnico Perotti só não levou uma goleada maior por causa, de novo, das boas defesas do goleiro Bardi. Mesmo sem Totti e Maicon, poupados para o duelo do meio de semana, contra a Juve, pela Coppa Italia, os donos da casa começaram o jogo em ritmo alto e abriram o placar logo aos seis minutos de jogo, depois de boa jogada na direita que acabou nos pés de Destro, cada vez mais em forma. O gol inaugural do placar, porém, foi motivo de muita reclamação, por conta de posição duvidosa de Gervinho, que participou do lance.

Sem tomar conhecimento do adversário, a Roma continuou atacando e chegou ao segundo gol ainda no primeiro tempo, com Strootman. Ao fim do jogo, as estatísticas mostravam a superioridade giallorossa: foram 22 chutes a gol contra apenas quatro do Livorno - todos para fora. Aos 33 da etapa final, Ljajic conseguiu finalmente superar o goleiro Bardi e acertou belo chute de fora da área, fazendo 3 a 0. Com o empate do Napoli no dia seguinte, a Roma abriu quatro pontos de vantagem para o terceiro colocado e agora respira mais aliviada na briga por vaga na Liga dos Campeões. O Livorno continua em péssima fase - foi a quinta derrota seguida - e na zona de rebaixamento. (Rodrigo Antonelli)

Bologna 2-2 Napoli
Davide Ballardini assumiu o Bologna há pouco mais de uma semana, e sabia que teria duas duras missões de cara para tentar tirar o time emiliano da zona de rebaixamento. Até agora, a equipe não ainda não perdeu com o novo treinador. Nem mesmo contra o poderoso Napoli. Com uma doppietta de Bianchi, incluindo o gol de empate aos 46 do segundo tempo, o time da casa deixou, por fim, a zona de rebaixamento, graças à derrota do Sassuolo. Prejuízo imensurável para o Napoli, que com as vitórias de Juventus e Roma vê o sonho do scudetto ficar ainda mais distante, já que os bianconeri têm agora 12 pontos de vantagem e a Roma abre quatro na vice-liderança. A vitória da Fiorentina coloca alerta laranja na briga dos partenopei pela vaga na Liga dos Campeões: a Viola está, agora apenas três pontos atrás. Nota negativa: a partida registrou cânticos racistas da torcida bolonhesa contra os dez mil napolitanos presentes no estádio, antes de a bola rolar.

Diamanti, bastante assediado pela Juventus e pelo Guangzhou de Marcello Lippi e que pode deixar a equipe da qual é capitão, cruzou da esquerda e Bianchi cabeceou no meio da área, para fazer o único gol do primeiro tempo. Aos 14 do segundo tempo, Dzemaili sofreu pênalti na entrada da área e Higuaín empatou. Depois de muita pressão, o gol da virada veio aos 35, quando Hamsík roubou bola no meio de campo, lançou Higuaín, que tocou curto para Callejón, na ponta direita em velocidade, bater cruzado no canto direito de Curci. Quando um destemperado Kone recebeu o segundo amarelo aos 39, o jogo parecia definido, mas Bianchi, aos 46, puniu a passividade dos napolitanos. Diamanti cobrou escanteio da direita, a zaga furou e o atacante, livre, dominou no peito e mandou uma bomba de perna direita, empatando o jogo. (TR)

Catania 0-3 Fiorentina
Nem os torcedores mais otimistas esperavam uma estreia tão boa de Matri. Contratado em emergência para substituir os lesionados Rossi e Gómez, o ex-atacante do Milan chegou com tudo e, mostrando muita disposição, foi o principal nome do jogo contra o Catania. Com a promessa de mais de 10 gols até o fim da temporada pela viola, o centroavante não quis perder tempo e marcou logo dois gols no seu debute. Além disso, deu a assistência para o primeiro gol, de Fernández. Enquanto isso, o Catania não mostra forças para reagir e parece mesmo fadado a brigar contra o rebaixamento até o fim.

O técnico Maran, de volta ao cargo após demissão de De Canio, parece não ter conseguido mexer com os brios do elenco, tão apático até aqui, e a Fiorentina não demorou para perceber isso. O time de Montella partiu para cima do Catania, mesmo jogando fora de casa, e resolveu o jogo ainda no primeiro tempo. Matri rolou para Fernández abrir o placar aos 25 minutos e três minutos depois mostrou sua presença de área se antecipando a Spolli e marcando 2 a 0. Aos 41, o atacante voltou a aparecer bem: ganhou na corrida da defesa e fez 3 a 0. No segundo tempo, a Fiorentina controlou o jogo e esperou o tempo acabar. Ótimo resultado em dia que o Napoli apenas empatou e permitiu aproximação da viola, que agora vê o sonho de uma vaga na Liga dos Campeões mais perto. O Catania permanece na lanterna da competição, com 13 pontos. (RA)

Genoa 1-0 Inter
Em 2014, a Inter continua sem vencer. Nos últimos oito jogos, a equipe de Mazzarri só conseguiu uma vitória – fora de casa, não vence há dois meses. E desta vez, perdeu uma partida que leva um gosto ainda mais amargo, já que o Genoa, que não vencia a adversária em casa há 20 anos, é dirigido por Gasperini, demitido da equipe milanesa há quase três anos, e desafeto de dirigentes e jogadores. Dessa vez, a Beneamata até jogou melhor, com dois atacantes (curiosamente, ambos ex-Genoa: Palacio e Milito) e um meio-campo mais leve. Porém, Perin teve boa atuação, e a defesa, formada por De Maio, que jogava a Serie B até junho, e dois laterais, Antonini e Marchese, também foi bem. A fase não é boa e a sorte também não ajuda. Agora, a Inter vê a Fiorentina, 4ª colocada, 8 pontos à sua frente. Seis pontos atrás, o Genoa está em 10º.

Em meio ao temporal que caiu em Gênova, a partida do Marassi aconteceu normalmente. Melhor em campo, a Inter criava oportunidades, e teve a melhor chance do primeiro tempo com Jonathan, que foi bem defendida por Perin. O goleiro genovês, inclusive, fez mais duas defesas importantes no jogo, garantindo a imbatibilidade da zaga grifone. No segundo tempo, o jogo caiu um pouco em termos técnicos, e a Inter continuou sem chegar ao gol, mesmo com Milito, Palacio, Kovacic, Guarín e Botta em campo. Aí, aos 37, Antonelli aproveitou uma cobrança de escanteio para cabecear com força, definindo o jogo. No final, Botta tentou empatar, mas Perin defendeu novamente. (NO)

Udinese 2-3 Lazio
Ainda sem vencer fora de casa pela Serie A e sem empolgar desde que Reja assumiu, a Lazio foi até o topo da bota enfrentar a Udinese, motivada pela vitória contra o Parma na Coppa Italia. Os bianconeri por sua vez também se encontram em situação pouco tranquilizadora. Na 15ª colocação e a quatro pontos da zona de rebaixamento, a equipe de Guidolin ao menos contava com o retrospecto favorável contra os laziali. Nos últimos três jogos, três vitórias friulianas. Em campo, tudo parecia se encaminhar para mais uma partida de jejum romano, isso porque logo aos 8 minutos, a Udinese já vencia com um gol de pênalti de Di Natale, marcando depois de mais de dois meses em branco. Com maior posse, a Lazio dominou a primeira etapa, mas foi improdutiva no ataque.

Na segunda etapa, os biancocelesti perderam Onazi, expulso, logo nos primeiros minutos, mas, ainda assim, conseguiram o gol de empate logo na sequência. Domizzi cometeu pênalti em Klose e Candreva igualou o marcador. A Udinese voltou a frente do marcador cinco minutos após levar o gol de empate, graças a um belo chute de Badu, acertando o ângulo de Berisha. Mais perigoso após as entradas de Ederson e Hernanes o time da capital conseguiu uma reação já nos minutos finais. O empate veio com um gol contra de Lazzari, após colaboração de Brkic, e nos instantes finais brilhou a estrela de Hernanes, que acertou um chutaço no último minuto do tempo regulamentar e sacramentou a espetacular vitória da Lazio, que colocou o time novamente próximo do grupo dos que brigam pela Liga Europa. (Caio Dellagiustina)

Sassuolo 0-2 Torino
Depois da sensacional vitória frente ao Milan, o Sassuolo voltou à sua dura realidade. Encarando o Torino, sob os olhares de Cesare Prandelli - que estava no Mapei Stadium para observar Berardi - e debaixo de um dilúvio que caiu ainda no primeiro tempo, os emilianos sucumbiram às chances desperdiçadas e seguem o duro caminho contra o rebaixamento. O Torino, por sua vez mantém a 7ª colocação e Ventura vê a Liga Europa como um sonho possível.

Os donos da casa até começaram bem a partida, melhor ordenados e com maior posse de bola, mas desperdiçaram as boas oportunidades que tiveram. Quando deu vacilo, o Torino não desperdiçou. Immobile aproveitou bobeira de Longhi, roubou a bola ainda no meio campo e deu apenas um toque na saída de Pegolo. Com Berardi muito aquém do esperado, os neroverdi foram pouco produtivos no ataque. Eficiente, o Toro chegou ao segundo gol logo no início da segunda etapa, com Brighi aproveitando rebote de Pegolo, definindo o jogo. Se Prandelli foi ao Mapei ver Berardi, acabou vendo Cerci e Immobile, criando ainda mais dúvidas para um companheiro para Balotelli na Squadra Azzurra. (CD)

Chievo 1-2 Parma
Com um gol a 30 segundos do apito final, o Parma virou para cima do Chievo, em Verona, e conseguiu sua terceira vitória consecutiva na Serie A, além de alcançar a marca de nove partidas seguidas sem perder. Mesmo sem ter subido posições com a vitória, o time emiliano está a apenas três pontos do Verona, primeiro time dentro da zona de classificação para a Liga Europa. Por outro lado, a derrota em casa foi o quinto jogo consecutivo do Chievo sem vitória e a zona de rebaixamento volta a ser uma preocupação. O time de Eugenio Corini, que se animou quando da chegada do técnico e deixou a lanterna, volta a se ver ameaçado. O primeiro time dentro da zona de rebaixamento, o Sassuolo, tem os mesmos 17 pontos que os gialloblù.

Os donos da casa abriram o placar logo aos 15 minutos do primeiro tempo. Após cruzamento da esquerda, Paloschi mandou uma bomba a meia altura de esquerda, para defesa milgrosa de Mirante. No rebote, Bentivoglio cabeceou no travessão, mas o mesmo Paloschi pegou a sobra e estufou as redes. A partir daí, pressão total do Parma. Aos 23, pênalti marcado, quando Hetemaj desviou de mão cruzamento de Parolo. Contudo, o ítalo-brasileiro Amauri desperdiçou a cobrança, defendida por Puggioni. Quatro minutos depois, Cassano fez jogada individual e bateu rasteiro de fora da área, para ver a bola morrer fraca no canto direito. Mandando no jogo, o Parma até acertou o travessão de Puggioni, mas o gol da vitória só veio no minuto final. Após toque de letra magistral de "Fantantonio", o capitão Lucarelli recebeu na lateral da área, bateu rasteiro e contou com a falha de Puggioni, que desviou a bola para o gol. (TR)

Atalanta 1-0 Cagliari
A Atalanta soube aproveitar bem a sequência de jogos no Atleti Azzurri d'Italia. Venceu o Catania na última semana e agora bateu o Cagliari, novamente com um placar apertado, mas que fez com que o time se distanciasse da temida zona de rebaixamento. Do lado rossoblù, o time segue sem vencer fora de casa e acumulou a quinta partida sem vitória. Iguais na tabela no início da rodada, o time de Bérgamo saltou para a 11ª colocação, enquanto o time sardo permaneceu na 14ª e contou com a ineficiência de seus concorrentes que não venceram na rodada para se manter longe dos últimos colocados.

Mas para vencer, foi necessária muita sorte. Com o domínio da partida, o time de Diego López não aproveitou as oportunidades, carimbando a trave em três oportunidades, duas com Ibarbo e uma com Conti. A Atalanta foi mais eficiente e em uma das poucas chances criadas, marcou com Bonaventura e definiu o jogo. O camisa 10 aproveitou cruzamento de Brienza e escorou de primeira, sem chances para Avramov. Nos acréscimos, Ibarbo ainda agrediu Raimondi e acabou expulso. (CD)

Relembre a 19ª rodada aqui.
Confira estatísticas, escalações, artilharia, além da classificação do campeonato, aqui.

Seleção da rodada
Perin (Genoa); Darmian (Torino), Lucarelli (Parma), Zapata (Milan), Pasqual (Fiorentina); Vidal (Juventus), Pogba (Juventus), Strootman (Roma), Pjanic (Roma); Matri (Fiorentina), Bianchi (Bologna). Técnico: Rudi Garcia (Roma).

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Coppa Italia: Roma e Juve se enfrentam e Inter se despede

Torosidis foi o único a vazar o ótimo Fiorillo, no jogo que valeu a classificação da Roma (AP)
Concluiu-se nesta quarta-feira a fase de oitavas-de-final da Coppa Italia. O clássico entre líder e vice-líder da Serie A, Juventus e Roma, será o grande destaque da próxima fase, com estes times eliminando Avellino e Sampdoria, respectivamente. Um brasileiro evitou que o dérbi de Milão acontecesse pela primeira vez na Coppa desde 2000: Maicosuel marcou o único gol da vitória da Udinese, em casa, sobre a Inter. O Milan, na primeira partida sem Allegri, não teve problemas para derrotar o Spezia em Milão, com o primeiro gol do japonês Honda. E um time da Serie B vai às quartas-de-final pela primeira vez em sete anos. Confira como foram os jogos.

Napoli 3-1 Atalanta
Em Nápoles, muita polêmica. O Napoli derrotou por 3 a 1 a Atalanta, com uma dopietta do espanhol Callejón, que marcou seu 12º gol na temporada, em todas as competições. Porém, os nerazzurri deixaram o San Paolo de cabeça quente, em função da irregularidade do segundo gol napolitano. Os partenopei, agora, recebem a campeã Lazio nas quartas-de-final. Vindo de uma vitória que interrompeu um jejum de triunfos de seis jogos, a Atalanta foi quem abriu o placar. Livaja recebeu lançamento longo na ponta esquerda e cruzou rasteiro para a pequena área, onde o jovem Giuseppe De Luca apenas empurrou para o gol. Mas nem houve tempo para comemorar. Na saída de bola, o Napoli trabalhou a jogada e Réveillère fez cruzamento primoroso para Callejón, dentro da área, mandar um "sem pulo" extraordinário e fazer um gol fantástico.

Aos 27 do segundo tempo, a polêmica. Em ataque do Napoli, que já havia muito pressionava bastante pelo segundo gol, incluindo uma bola na trave, a bola é lançada para Higuaín dentro da área, em posição óbvia de impedimento. A defesa nerazzurra parou por completo, mas a bola, pateticamente, bateu nas costas do zagueiro Del Grosso, virado para o auxiliar com o braço alçado. Sem hesitar, Insigne, em condição legal, ficou com a sobra e bateu para o gol sem nenhum empecilho, fazendo o segundo. Pelas novas regras, o gol foi legal. Na veemência das reclamações dos jogadores da Atalanta, o capitão Yepes foi expulso. Callejón ainda faria o terceiro aos 35, recebendo lançamento de Insigne e batendo de primeira dentro da área.

Milan 3-1 Spezia
Na primeira partida após a demissão de Massimiliano Allegri, o Milan passou fácil pelo Spezia, da Serie B, em Milão, vencendo por 3 a 1. Com grande atuação de Pazzini, autor de um gol e uma assistência, os rossoneri avançam para as quartas onde enfrentam a Udinese, que eliminou sua arquirrival Inter. Destaque também para o primeiro gol de Keisuke Honda com a camisa milanista. Robinho foi quem abriu o placar para os donos da casa aos 28 do primeiro tempo, emendando de cabeça cruzamento de Pazzini após jogada individual na ponta direita. Quase que imediatamente, veio o segundo gol. Em jogada veloz na entrada da área, Poli enfiou passe de cavadinha para o meio da área, onde estava Pazzini, que mandou para o gol sem deixar a bola cair, fazendo um belo gol, seu primeiro da temporada. Aos 2 do segundo tempo, Montolivo bateu de fora da área e o goleiro Leali não segurou e Honda aproveitou o rebote e fez o terceiro. Aos 45 da etapa derradeira Ferrari descontou para os visitantes, para delírio dos cerca de sete mil aquilotti presentes no San Siro.

Juventus 3-0 Avellino
No duelo de "Davi e Golias", a Velha Senhora não teve problemas para bater o Avellino em Turim, por 3 a 0. Foi o primeiro encontro dos dois clubes desde 1995, pela mesma Coppa. Em sua primeira partida na competição, a Juve colocou um time reservas que não precisou de mais que o primeiro tempo para matar o jogo. Depois de apenas seis minutos o placar já estava aberto. Após roubada de bola de Quagliarella, Giovinco recebeu na entrada da área e bateu no ângulo, fazendo um golaço. Dez minutos depois, Giovinco cobrou falta da direita e Cáceres desviou o cruzamento na pequena área, fazendo o segundo. Outros dez minutos depois, o mesmo Giovinco cobrou falta da ponta esquerda, na primeira trave, e Quagliarella desviou de cabeça, surpreendendo o goleiro.

Fiorentina 2-0 Chievo
Mesmo com um bom momento na temporada e vindo de uma bela goleada de 4 a 1 aplicada na fase anterior, o Chievo não foi páreo para a Fiorentina, que jogou com time reserva. Em Florença, a Viola precisou apenas do primeiro tempo para fazer 2 a 0 e avançar à próxima fase, onde faz o clássico toscano contra o Siena. O primeiro gol veio aos 28 minutos, quando o jovem polonês Rafal Wolski, de apenas 21 anos, fez jogada individual na ponta esquerda e tocou rasteiro para a meia-lua da área, onde estava o espanhol Joaquín para bater de primeira, rasteiro, sem chances para Silvestri. No último lance do primeiro tempo, Borja Valero cobrou falta frontal ao gol, que explodiu no travessão e subiu, para o croata Ante Rebic cabecear para a meta, com o goleiro Silvestri ainda caído no chão após a cobrança.

Roma 1-0 Sampdoria
Na estreia de Nainggolan com a camisa da Roma, os giallorossi, jogando com time misto, dominaram os reservas da Sampdoria. Apesar do placar mínimo, obtido por um gol irregular, o time da capital teve total supremacia territorial e finalizou três vezes mais que o time genovês, que contou com uma apresentação monstruosa do goleiro suplente Vincenzo Fiorillo. O gol da vitória foi logo aos seis do primeiro tempo, quando Dodô cruzou da esquerda, Destro dividiu com Fiorillo e a bola passou dos dois, sobrando no pé do livre Torosidis, debaixo das traves, que mandou para o gol vazio. O grego estava centímetros à frente do último defensor doriano na hora do passe de Dodô.

Udinese 1-0 Internazionale
Se na fase anterior da Coppa, Walter Mazzarri alegou estar preocupado com os dois gols sofridos para o pequeno Trapani no Meazza, desta vez o desinteresse interista custou caro – além do desinteresse, a equipe teve uma das atuações mais pífias de sua irregular temporada. O time nerazzurro não se aproveitou do momento ruim vivido pela Udinese na Serie A e perdeu por 1 a 0 em Údine, dando adeus à competição. Alento para a temporada dos friulanos, que começam a enxergar a zona de rebaixamento no campeonato e conseguiram pelo menos uma pequena "conquista moral" para lutar contra o descenso. Maicosuel foi o autor do gol que colocou as zebras nas quartas-de-final. O jovem atacante uruguaio Nico Lopez fez jogada individual na ponta direita e cruzou rasteiro para a pequena área, onde estava o "Mago", que apenas empurrou para o gol, no contrapé do goleiro reserva Carrizo. À Inter, que também vem irregular na Serie A, resta o foco total na busca por uma vaga na Liga dos Campeões ou, mais provável, na Liga Europa.

Lazio 2-1 Parma
Em casa, a atual campeã Lazio suou muito, mas, com um gol aos 46 do segundo tempo, os biancocelesti derrotaram o Parma por 2 a 1. O jovem colombiano Brayan Perea foi a estrela do duelo, marcando os dois gols dos laziale. No primeiro tempo, Perea abriu o placar aos 25, pegando rebote dentro da área do goleiro Bajza após chute do brasileiro Felipe Anderson de fora da área. O Parma empatou ainda no primeiro tempo, aos 43, com Biabiany recebendo livre na área cruzamento de Cassani e batendo com tranquilidade. Já nos acréscimos, Candreva cruzou na primeira trave, a zaga furou e Perea recebeu na pequena área para encobrir o goleiro e garantir a classificação.

Catania 1-4 Siena
Mesmo estando longe da briga para voltar à Serie A, o Siena (14º colocado na Serie B, 12 pontos atrás do Empoli, vice-líder que subiria direto hoje) aplicou a maior goleada da rodada, fazendo 4 a 1 fora de casa em cima do Catania, lanterna da Serie A. Foi o único visitante a vencer nesta fase da Coppa e o primeiro time da Serie B a figurar nas quartas-de-final em sete anos, tendo o último sido a Arezzo, na temporada 2006-2007. Quem abriu o placar foram os donos da casa, logo aos 4 minutos, com Leto, que pegou a sobra de uma falta cobrada por Lodi que desviou na barreira e o argentino fuzilou de perna esquerda. Aos 24, o brasileiro Ângelo fez jogada individual e cruzou rasteiro para Paolucci finalizar na falha de Andújar. Aos 15 do segundo tempo Valiani cabeceou cruzamento de Rosina dentro da área e virou o jogo. Nos acréscimos, dois gols originados pela pressão etnea, que acabou virando o feitiço contra o feiticeiro: Pulzetti puxou contra-ataque livre aos 45 e bateu da entrada da área. Aos 48, o mesmo Pulzetti serviu Rossetti, que bateu de primeira na primeira trave, dando números finais à partida.

Atualizado às 3:37 de 16/01/2014

Jogadores: Dejan Stankovic

Stankovic defendeu com muita raça todas as camisas que vestiu, mas, com a Inter, a relação de nove anos recheados de títulos, foi especial (AP)
Meia de muita técnica e ótima finalização de média e longa distância, Dejan Stankovic venceu tudo que um jogador sonha em nível de clubes. Entrou na história do futebol mundial na ótima passagem pela Itália, onde defendeu Lazio e a Inter, camisa que mais vestiu na carreira. No início da trajetória era meia-atacante, mas, com o passar do tempo, se tornou meia-central. Jogando mais atrás, o sérvio também se destacou pela raça. Muitos podem não vê-lo como um jogador importante, mas Stankovic está no hall da fama como um dos estrangeiros mais vencedores na história do futebol da Bota.

Nascido em Belgrado, em uma família muito ligada ao futebol, desde cedo Stankovic começou a praticar o esporte. Com sete anos, atuava pelo Teleoptki, o time do bairro. Foram os desempenhos no clube amador que chamaram a atenção de um treinador da base do Estrela Vermelha e, assim, aos 14 anos, fechou com o grande clube do país. Antes de se profissionalizar, Stankovic foi treinado por Vladimir Petrovic, que, no futuro, o treinaria na seleção, entre 2010 e 2011.

Profissionalmente, Stankovic começou no Estrela Vermelha, onde quebrou recordes de precocidade. Em 1994, aos 16 anos, debutou de forma mais precoce; um ano depois, foi mais novo a marcar e, por fim, em 1997, se tornou o capitão mais jovem da história dos vermelhos e brancos. Como jogador do Estrela Vermelha foi à Copa do Mundo de 1998 com a Iugoslávia e alternou entre a titularidade e o banco de reservas. A seleção foi eliminada nas oitavas de final, contra a Holanda, mas, nesta partida, Deki não participou. Porém, as exibições na equipe de Belgrado e a precoce presença em um Mundial atraíram a atenção de clubes localizados em centros maiores da Europa.

A Lazio venceu a concorrência e trouxe o meia para Roma, por cerca de 10 milhões de euros. À época, a equipe capitolina montava um grande elenco, que viria a ser um dos melhores times da história laziale. Apesar do plantel estrelado, Stankovic conquistou o próprio espaço e marcou nove gols na temporada – inclusive, anotou logo no debute, contra o Vicenza. O ano de estreia trouxe a primeira conquista internacional de Deki, a última edição da Recopa europeia. Porém, em 1998-99, também houve uma grande decepção: a perda do scudetto, na última rodada da Serie A para o Milan.

O grande ano daquela Lazio ocorreu em 1999-00. Stankovic, apelidado de Drago, disputava posição em um meio-campo que tinha ótimas opções: Simeone, Almeyda, Nedved e Verón. Logo no início da temporada, a Supercopa da Uefa foi conquistada, com o 1 a 0 sobre o Manchester United, que tinha Beckham, Roy Keane e Scholes no meio-campo. Depois veio a Coppa Italia, em uma campanha com apenas uma derrota. A final colocou a Inter pela frente e, o 2 a 1 no Olímpico e o 0 a 0 em Milão, deram o título para a Lazio.

Stankovic fez parte de um time vitorioso da Lazio (SSL1900)
Mas a conquista mais saborosa foi a da Serie A, pois veio como redenção ao vice-campeonato do ano anterior. A Juventus liderava até a última rodada, mas tropeçou frente ao Perugia e deu oportunidade à Lazio. Desta vez, os laziali não desperdiçaram a chance, venceram a Reggina por 3 a 0 e conquistaram o segundo scudetto da história biancoceleste, 26 anos depois do primeiro. Stankovic foi peça importante do elenco e mostrou a sina de vencedor, que o acompanhou em toda a trajetória futebolística. Para completar, veio a Supercoppa logo no início da temporada seguinte, conquistada em um 4 a 3 contra a Inter, que contou com gol decisivo de Stankovic.

Após os muitos títulos, a Lazio entrou em crise financeira e muitos dos destaques deixaram Roma. A principal interessada no futebol do sérvio, a Fiorentina, também teve problemas financeiros e não pôde levá-lo para Florença e, por isso, ele seguiu na capital italiana. Com menos investimentos e sem títulos, esta segunda fase em biancoceleste serviu para o Drago se tornar ainda mais ídolo do Estrela Vermelha. Primeiro, em uma competição europeia, marcou um gol contra o grande rival Partizan e declarou que jogava com a camisa vermelha e branca por baixo. Posteriormente, enfrentaria o time do coração na Europa, mas o técnico Roberto Mancini entendeu a dificuldade que Stankovic teria para jogar e o deixou fora da partida – o mesmo ocorreu com o companheiro Mihajlovic.

A crise aumentou e o Drago teve que partir durante a temporada 2003-04. A Juventus esteve muito perto de contratá-lo, mas o sérvio optou pela Inter, naquela que considera a decisão mais acertada da carreira. Afinal, se juntou aos nerazzurri em um dos períodos mais vencedores da história do clube. Stankovic mostrou a que veio logo no primeiro semestre, pois anotou três vezes, sendo uma contra Juventus e outra contra o Milan – pela Inter, foram quatro gols contra os rossoneri, rival que sempre lhe trouxe sorte. Contra a Roma, o sérvio também sempre foi bem, honrando seu passado biancoceleste, e marcou três gols na carreira, além de ter colecionado grandes atuações.

Na Inter, Stankovic sempre foi importante, mesmo, muitas vezes, alternando entre os onze iniciais e a reserva. Em seus primeiros anos em Milão, contou com o aval de Roberto Mancini, que havia jogado com ele e também já havia sido seu treinador na Lazio. Com Mancio, Stankovic jogava como titular como trequartista e chegou até mesmo a deixar o veterano craque Luís Figo no banco.

Em 2006-07, disputou uma de suas principais temporadas pela Inter, marcou seis gols no campeonato (como este golaço contra o Chievo e este contra o Milan) e foi o líder de assistências da equipe que marcou 80 gols e conquistou a Serie A com apenas uma derrota, alcançando diversos recordes: 97 pontos, o maior número da história, além de 17 vitórias consecutivas, invencibilidade fora de casa (15 jogos, com 11 vitórias em sequência), e ainda o feito de conquistar o scudetto com cinco rodadas de antecedência, assim como o Torino em 1948-49 e a Fiorentina em 1955-56. Naquele ano, foi selecionado para a seleção da temporada da European Sports Magazine, uma das mais importantes do continente.

A chegada de Mourinho à equipe em 2008 colocou dúvidas sobre a permanência de Stankovic na Inter, uma vez que o português desejava trazer Lampard, um de seus pupilos, e também queria mudar o esquema de um 4-3-1-2 para um 4-3-3. Aproveitando os rumores que davam conta da saída do sérbio para a Juventus, o comediante Fiorello, torcedor da Inter e exímio imitador, passou um trote para o atleta, se passando pelo presidente da Inter, Massimo Moratti. Ele dizia que o jogador não fazia parte dos planos e acabaria afastado. Stankovic chorou compulsivamente, em uma atitude que o aproximou ainda mais dos torcedores da Inter, que o tinham como ídolo.

Fato é que Deki ficou e continuou sendo peça importante no esquema de Mourinho. Volta e meia, o jogador aparecia com um golaço, como os que marcou frente ao Genoa e contra o Schalke, ambos em arremates improváveis, de primeira e do meio-campo, ou  Porém, o Drago foi um líder em campo e, por isso, tão importante na recente fase vencedora nerazzurra – tinha jeito de campeão, trouxe mentalidade vencedora junto com ele. Aproveitando o momento da Inter, Stankovic multiplicou os títulos conquistados na Lazio e ainda venceu taças inéditas na carreira.

Deki passou quase 10 anos na Internazionale (Weebly)
Ao todo, foram 15 troféus, em nove anos de Internazionale. Mas a temporada 2009-10 foi a mais especial entre todas, e começou em altíssimo nível, com esse golaço que encerrou um 4 a 0 contra o Milan, na segunda rodada da Serie A. No ano foram cinco títulos, dois deles inéditos. O mais importante, sem dúvida, a Liga dos Campeões. Stankovic foi fundamental na trajetória campeã, principalmente, pelos dois gols marcados na claudicante primeira fase interista. Os tentos contra Rubin Kazan e Dynamo Kyiv, em jogos complicadíssimos, garantiram dois pontos que colaboraram na classificação. Na decisão, vencida por 2 a 0, contra o Bayern, o sérvio foi um dos reservas utilizados por José Mourinho. Na outra conquista inédita, o Mundial de Clubes, Stankovic foi titular e marcou no primeiro jogo, contra o Seongnam. Na final, frente ao Mazembe, o sérvio veio do banco de reserva para participar do título, que teve Eto’o como protagonista.

Enquanto foi interista, além de multiplicar as conquistas, o Drago se concretizou como o jogador que mais defendeu a seleção do país natal, com 103 participações. Stankovic participou de três Copas do Mundo e com um fato curioso, cada vez que jogou a máxima competição entre seleções, jogou por um “país” diferente. Além do Mundial de estreia, em que o país ainda era chamado de Iugoslávia, o camisa 5 nerazzurro esteve nas Copas de 2006 e 2010. Na primeira ocasião, a seleção era a de Sérvia e Montenegro e, por fim, no Mundial sul-africano, o time nacional foi a Sérvia.

Pelas águias, Deki não se deu bem e, nas duas últimas copas, vestiu a dez e viu a seleção cair na primeira fase, sempre em último lugar dos respectivos grupos. Por isso, muitas vezes, Stankovic recebeu críticas no país natal, por não repetir pela equipe nacional o que fazia pelos clubes. Reclamações injustas, pois, no período em que esteve na seleção, o jogador nunca teve companheiros do nível em que tinha nos times que defendeu. Mesmo assim, Stankovic foi eleito o jogador sérvio do ano em 2006 e 2010 e ainda foi sondado para dirigir a federação de futebol do país após a aposentadoria.

Nos dois últimos anos da carreira, Stankovic pouco jogou, por causa de uma grave e recorrente lesão no tendão de Aquiles, que o fez entrar em campo apenas três vezes entre 2012 e 2013. No ano passado, chegou a hora de dizer adeus à Inter, em fim de contrato, e antes de finalmente parar de jogar, o Drago foi especulado na Fiorentina, na MLS e no Estrela Vermelha. Porém, preferiu encerrar a carreira.

Desta forma, Stankovic encerrou a carreira como um dos estrangeiros mais vencedores do futebol italiano – em sua passagem, conquistou incríveis 25 títulos, sendo o maior campeão de Supercoppas, com seis conquistas, e um dos estrangeiros com mais campeonatos nacionais, com seis Serie A, assim como Walter Samuel (cinco pela Inter e um pela Roma) e o inglês James Spensley, que venceu seis scudetti pelo Genoa na época do futebol amador italiano, entre 1898 e 1904.

Na despedida da Inter e do futebol, o sérvio, que vestiu a camisa nerazzurra em 326 oportunidades, foi ovacionado pelos torcedores que compareceram ao estádio Giuseppe Meazza e chorou muito. O ex-jogador ainda declarou amor à Inter e ao futebol: “este é um dia emocionante para mim. Eu dei tudo por esta camisa e me tornei parte da história da Inter. Este não é só meu adeus aos nerazzurri, mas sim ao futebol. Eu não sei o que farei no futuro, porém, primeiro, descansarei”.

Veja todos os gols marcados por Stankovic na Serie A italiana nos dois links a seguir. A parte 1, que corresponde aos gols marcados pela Lazio, e a parte 2, correspondente aos gols feitos por ele em seus tempos de Inter.

Dejan Stankovic
Nascimento: 11 de setembro de 1978, em Belgrado, Sérvia
Posição: meia
Clubes: Teleoptik (1985-92), Estrela Vermelha (1992-1998), Lazio (1998-04) e Internazionale (2004-13) Títulos: Campeonato Iugoslavo (1994-95), Copa da Iugoslávia (1994-95, 1995-96 e 1996-97), 6 Serie A (1999-00, 2005-06, 2006-07, 2007-08, 2008-09 e 2009-10), 5 Coppa Italia (1999-00, 2004-05, 2005-06, 2009-10 e 2010-11), 6 Supercoppa Italiana (1998, 2000, 2005, 2006, 2008 e 2010), Recopa (1998-99), Supercopa da Uefa (1999), Liga dos Campeões (2009-10) e Mundial de Clubes (2010)
Seleção (Iugosávia, Sérvia e Montenegro e Sérvia): 103 jogos e 15 gols.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

19ª rodada: O nascimento de uma estrela

O jovem Berardi destruiu o Milan e é mais uma vitória da Juventus, que já o contratou (Sky)
 O futebol italiano sempre foi conhecido por dar poucas chances aos jovens jogadores. O conservadorismo em relação aos futuros craques, porém, tem diminuído sensivelmente, uma vez que o campeonato local está com sérias dificuldades financeiras. Isso tem feito algumas revelações aparecerem mais cedo, e já se transferirem para grandes clubes. É o caso de Domenico Berardi, 19 anos, revelado pelo Cosenza e desde os 16 anos atuando pelo Sassuolo, autor de uma ótima Serie B em 2012-13. O jogador já foi comprado pela Juventus, que o manteve na Emília-Romanha para vê-lo se desenvolver. Em 14 jogos, o atacante já fez 11 gols, e é o terceiro colocado na artilharia do campeonato. Contra o Milan, fez quatro gols e derrubou Massimiliano Allegri. Dentro e fora de campo, a Juventus segue vencendo, e busca se manter no topo por muito tempo.

Na rodada, além da acachapante prestação neroverde, que afundou o Diavolo, e a vitória de força da Juventus, venceram também Roma e Napoli, que começam a ampliar a vantagem para as equipes que estão fora da zona Champions. Inter e Lazio continuam suas fases negativas, e a Fiorentina teve um resultado negativo, que suscita algumas incertezas sobre seu ataque desfalcado. A rodada foi ruim para os brasileiros: três deles foram expulsos (Matuzalém e Allan de maneira boba, e Gabriel Silva, um pouco menos). Ao menos, um canarinho brilhou muito: Éder, responsável inclusive pela expulsão de dois dos citados, é o grande nome de uma Sampdoria que começa uma arrancada interessante no campeonato. Acompanhe o resumo da rodada!

Sassuolo 4-3 Milan
Remontada histórica para o Sassuolo. Em exibição excepcional de Berardi, a nova joia italiana, os neroverdi saíram da zona de rebaixamento em grande estilo e ajudaram a afundar o Milan, que não está mais sob o comando de Allegri. Com o pior início de temporada da era Berlusconi, com cinco vitórias, sete empates, sete derrotas, 31 gols marcados e 30 sofridos, o treinador livornês não conseguiu resistir e acabou demitido no dia seguinte à embaraçosa virada sofrida.

Tudo começou perfeito para o Milan, com 2 a 0 a seu favor já aos 13 minutos. Depois de saída errada do jovem Chibsah, De Jong recuperou e deu passe em profundidade para Robinho bater no canto e abrir o marcador. A vantagem foi ampliada quando em ótima jogada pela direita, a revelação Cristante tocou para Balotelli ampliar. Mas bastou pouco mais de um minuto para a defesa rossonera cometer sua primeira patacoada e Berardi driblar Abbiati antes de fazer seu primeiro gol. Depois do início alucinante, o ritmo da partida diminuiu, mas esqueceram de avisar Berardi, que empatou e virou aos 28 e 41 minutos da primeira etapa. Logo após a volta do intervalo, o garoto de passe da Juventus (em copropriedade com o Sassuolo) aproveitou o segundo passe de Kurtic para anotar seu primeiro poker na carreira. Sem criatividade, o Milan não teve forças para reagir e o máximo que conseguiu foi um chute de longe de Montolivo, no canto de Pegolo. Insuficiente, como vinha sendo. (Arthur Barcelos)

Cagliari 1-4 Juventus
Para um público de menos de 5 mil pessoas - mas entre eles o técnico David Moyes, do Manchester United -, a Juventus fez um dos piores inícios de partida da temporada e chegou a dar esperanças aos rivais de que finalmente tropeçaria na Serie A. A Velha Senhora sofreu um gol do Cagliari ainda aos 21 minutos do primeiro tempo, quando Pinilla aproveitou sobra dentro da área, e mesmo depois de empatar, com Llorente, continuou jogando muito mal. O primeiro tempo terminou com o placar empatado e poucos bons lances para Moyes achar que a viagem valeu a pena.

O treinador inglês foi ao Sant'Elia para observar o zagueiro Astori, do Cagliari, e Marchisio, desejo dos Red Devils para essa janela de inverno. Se o primeiro não foi bem e pode ter perdido a chance de ir para o gigante inglês, Marchisio saiu do banco juventino e deu mostras de que ainda pode ser decisivo. Em baixa na equipe de Turim, após perder a titularidade para Pogba, o meia foi essencial para a virada bianconera no jogo. Ele fez o 2 a 1 com chute forte de fora da área - e ajuda do goleiro Adán - e melhorou o desempenho do meio campo alvinegro. Llorente, muito bem na segunda etapa, fez 3 a 1 e Lichtsteiner, em outra falha de Adán, fechou a goleada da Juve, que agora chega a 11 vitórias seguidas, novo recorde na história do clube. (Rodrigo Antonelli) 

Roma 4-0 Genoa
Na capital, a Roma não teve problemas para superar o Genoa e, ainda no primeiro tempo, já presenteava seu torcedor com um bom 3 a 0. Totti fez bom jogo e continua sendo um dos principais responsáveis pela grande campanha romanista, que nunca antes na história virou um turno do campeonato com aproveitamento tão bom: 77,2%. Se o título continua sendo um sonho distante, por causa do desempenho avassalador da Juve – 91,2% de aproveitamento –, a vaga na Liga dos Campeões parece cada vez mais palpável para a ótima equipe de Rudi Garcia, que ontem mostrou, mais uma vez, ser um bom técnico.

Por conta das ausências de De Rossi, Castán e Ljajic, o treinador optou pelo 4-2-3-1, no lugar do clássico 4-3-3, e viu sua equipe voar em campo. O jovem Florenzi foi quem abriu o placar, após lindo voleio em bola que sobrou dentro da área. Ainda na primeira etapa, Totti e Maicon ampliaram para os donos da casa. Já no segundo tempo, Benatia marcou o quarto e deu números finais ao jogo. Os giallorossi ainda poderiam ter ampliado, mas perderam pelo menos outras duas boas oportunidades. Com a vitória, o time chega a 44 pontos e se mantém dois à frente do Napoli, principal rival na corrida por uma vaga na Liga dos Campeões. O Genoa, por sua vez, fica com 23 e caiu para o décimo lugar. O destaque negativo da partida genoana foi a expulsão de Matuzalém, que ia ser substituído, mas ofendeu o árbitro enquanto deixava o campo. (RA)

Verona 0-3 Napoli
Quase completavam-se exatos 13 anos desde a última visita do Napoli ao Hellas, em Verona (faltavam apenas dois dias). E o histórico clássico de duas torcidas que se odeiam (veja um pouco do clima hostil entre as cidades aqui e aqui) voltou com ambas em ótimas situações, bem diferente do que houve no último encontro entre os dois times na elite, quando ambas lutavam contra o rebaixamento. Quem levou a melhor foram os visitantes (o que não acontecia desde 1992), que com um sonoro 3 a 0 venceram a segunda seguida e ampliaram a série invicta para seis partidas. A caçada à vice-líder Roma, dois pontos à frente, prossegue. O Verona perde depois de quatro jogos, nos quais venceu três, mas não teve grandes prejuízos graças aos rivais citadinos do Chievo, que arrancaram um empate da Inter em Milão, deixando os scaligeri com os mesmos 32 pontos dos interistas.

Assim como em sua partida anterior, contra a Sampdoria, o Napoli mostrou segurança na busca pelo resultado, mesmo encontrando um Verona bastante incisivo na primeira metade do primeiro tempo. Mas, assim como contra os genoveses, era uma questão de tempo para os gols virem. Aos 27, então, Mertens, dono de uma dopietta contra a Samp, abriu o placar com um belo chute colocado no canto esquerdo baixo de Rafael, indefensável. No segundo tempo, ainda com a insistência dos donos da casa nas jogadas para o isolado Toni, quem marcou novamente foi o Napoli. Insigne veio do banco aos 22 e, aos 27, recebeu cruzamento rasteiro de Maggio (em jogada iniciada por Mertens) e fez seu primeiro gol da temporada. Demorou apenas quatro minutos e o jogo foi definido. Callejón lançou Insigne na área; o jogador chutou, Rafael defendeu, mas espalmou nos pés de Dzemaili, que mandou para o gol. (Thiéres Rabelo)

Inter 1-1 Chievo
É custoso acreditar que esta Inter já foi um dos melhores times do campeonato, com o ataque mais positivo da competição. Nas últimas partidas, a equipe de Milão tem tido muitas dificuldades para criar e tem até mesmo chutado pouco a gol – foi assim nas três partidas jogadas em 2014 e também nos dois últimos jogos de 2013, contra Napoli e Milan. Perdida, a equipe treinada por Mazzarri até jogou de forma mais agressiva do que nos jogos citados, mas apenas no primeiro tempo. Na segunda etapa, mesmo com mais de 70% de posse de bola, o time só concluiu duas vezes a gol. Pouquíssimo. Melhor para um Chievo organizado, que até teve chances de vencer a partida em alguns contra-ataques. O ponto fora de casa é valioso para os clivensi. Mesmo com o empate, a Inter (que saiu vaiada de campo) ganhou a 5ª posição do Verona, rival do Chievo, e voltou temporariamente à zona de classificação para a Liga Europa.

Em campo, os gols e os principais lances do jogo aconteceram nos primeiros minutos do jogo. A Inter entrou modificada em relação aos últimos jogos, com Kovacic e Álvarez no suporte a Palacio, em um 3-4-2-1, além de uma postura mais ofensiva. Num contra-ataque aos sete minutos, porém, o Chievo saiu na frente, quando Paloschi aproveitou erro da defesa e de Handanovic. Cinco minutos depois, após jogada de Álvarez, Nagatomo chegou a seu quinto gol no campeonato. Poderia ter chegado a seis, se um erro absurdo da arbitragem não houvesse anulado um gol seu por impedimento – ele estava em posição regular por cerca de dois metros. A Inter ainda reclama, com razão, de pênalti não dado sobre Botta no último minuto. Porém, uma equipe da tradição e do orçamento da Inter tem a obrigação de fazer jogos melhores contra equipes de porte pequeno e médio sem depender de erros ou acertos da arbitragem. (Nelson Oliveira)

Torino 0-0 Fiorentina
Jogo sem gols, mas razoavelmente divertido em Turim. Em uma partida entre dois times que brigam por vagas na Europa e em que Cerci e Borja Valero tiveram boas atuações, não teria sido absurdo que gols tivessem acontecido. O empate não foi desastroso para nenhum dos times, que permaneceram respectivamente na 4ª e na 7ª posições, mas freou boas sequências: o Torino deixou de conquistar os três pontos em casa após três rodadas, e a Fiorentina também não venceu após uma sequência de nove pontos ganhos. Para a equipe florentina, um dado importante, sobretudo pelas críticas à ausência de grandes nomes na defesa: o time não sofre gols há cinco jogos.

A falta de gols faz sentido para um jogo em que as duas equipes estavam sem seus goleadores e sem atacantes de área escalados – o Toro não tinha Immobile, e a Fiorentina precisa se arrumar, já que Gómez e Rossi seguirão afastados por algum tempo. Do lado viola, que testou Ilicic, Joaquín e Cuadrado no comando de ataque, apenas três boas chances, defendidas por Padelli ou que passaram perto. Para os granata, a melhor chance saiu dos pés de Meggiorini, no final da partida, embora Cerci tenha criado muito, sem sucesso. Ao menos a festa nas arquibancadas foi bonita, uma vez que as torcidas das equipes tem uma longa história de amizade. (NO)

Bologna 0-0 Lazio
A Lazio ainda não conseguiu empolgar com Reja. É cedo para fazer qualquer análise, mas a vitória no final contra a Inter não credencia muito, visto que o time teve desempenho ruim em casa. Não diferente do que aconteceu na Emília-Romanha, com péssima atuação laziale diante de um Bologna valente e agressivo na estreia de Ballardini no comando dos felsinei. O resultado não favorece aos donos da casa, na zona de rebaixamento, mas é um bom começo e esperança de tempos melhores.

Com a bola rolando no Dall'Ara, só deu Bologna. Ballardini usou um 3-5-1-1, mas conseguiu se impor com o trio de meias Kone, Christodoulopolos e Diamanti. Somado o bom desempenho defensivo, participação dos alas e o trabalho de pivô de Bianchi, o time conseguiu produzir várias chances no decorrer do jogo. Nada páreo, contudo, para o albanês Berisha, substituindo em grande estilo Marchetti. Em 90 minutos, a Lazio foi incapaz de acertar um chute sequer, totalizando apenas duas finalizações, todas para fora, com destaque para uma chance perdida por Klose, frente ao gol. (AB)

Sampdoria 3-0 Udinese
Naquela que, muito provavelmente, foi a melhor partida do brasileiro Éder com a camisa da Sampdoria, o time genovês reencontrou-se com a vitória após a derrota para o Napoli, com um tranquilo 3 a 0 sobre a Udinese. A vitória no confronto direto representou a ultrapassagem da Samp à própria Udinese na tabela, dando aos blucerchiati 21 pontos e a 12ª posição, enquanto os friulani têm 20 pontos, na 15ª posição. Os zebrette, que sofreram a quarta derrota dos últimos quatro jogos, se vêem a apenas quatro pontos do primeiro time dentro da zona de rebaixamento, o Bologna, que empatou na rodada. Expulso na partida passada, contra o Hellas Verona, o técnico Francesco Guidolin assistiu a partida das tribunas e viu os brasileiros Allan e Gabriel Silva serem expulsos.

Talvez também pela ausência de Guidolin, a Udinese sofreu para se acertar. Éder tomou proveito disso e infernizou a defesa bianconera. No primeiro tempo, as jogadas individuais do catarinense foram responsáveis por quatro cartões amarelos para a Udinese. O primeiro deles no pênalti cometido pelo goleiro Kelava, que o próprio Éder converteu. O brasileiro Allan recebeu dois amarelos ainda no primeiro tempo (um deles por falta em Éder) e foi expulso aos 35. Com menos de dois minutos do segundo tempo, o atacante brasileiro recebeu em posição duvidosa passe de Palombo e saiu na cara do goleiro croata, chutando rasteiro e fazendo o segundo, o nono no campeonato. Com Gabriel Silva também expulso aos 24 (outro que recebeu cartão por falta em Éder), os visitantes pouco puderam fazer e sofreram o terceiro aos 42, com Gastaldello desviando de cabeça falta cobrada por Gabbiadini. (TR)

Livorno 0-3 Parma          
Davide Nicola disse na coletiva de imprensa no dia anterior a partida que o Parma é um time para ficar entre os oito primeiros, enquanto o Livorno mostrava que poderia permanecer na Serie A (em referência a boa partida frente à Fiorentina). Em campo, o Parma realmente apresentou o bom futebol, se aproximando das competições europeias, mas o Livorno, se quer manter-se na elite, precisará mostrar tudo o que não fez no confronto. Com apenas um ponto conquistado e três gols marcados nos últimos sete jogos na Serie A, a equipe toscana se mostrou inócua e facilmente dominada por um Parma que mesmo sem Cassano (gripado e que afirmou permanecer na equipe mesmo cobiçado pela Samp), não teve dificuldades para vencer.

A vitória crociata começou a ser construída logo aos dois minutos, quando Palladino acertou belo voleio, aproveitando cruzamento de Biabiany. Sem Schiatarella, um dos pilares da equipe contra a Fiorentina, a equipe amaranto não conseguiu conter as ofensivas do Parma. O time emiliano, especialmente Lucarelli, segurou bem as investidas do Livorno e definiu o jogo nos minutos finais, com dois gols de Amauri, que vinha mal, mas foi oportunista em uma oportunidade e converteu um pênalti na outra. Com a vitória, o Parma chega ao oitavo jogo seguido sem derrota e embalado para enfrentar a Lazio, pela Copp aItalia. Por outro lado, o Livorno segue na zona de rebaixamento e nesta segunda anunciou a demissão do treinador Nicola. Attilio Perotti, diretor da área técnica livornense, o substitui. (Caio Dellagiustina)

Atalanta 2-1 Catania
Em tarde de muita névoa, a Atalanta teve dificuldades, mas conseguiu bater o Catania, dando um importante passo para a salvezza. Foi a primeira vitória nerazzurra depois de dois meses e seis jogos sem vitória na Serie A. Por outro lado, o Catania segue sua sina fora de casa, acumulando a décima derrota e ainda amargando a lanterna. Na primeira etapa, muita disposição e pouca ofensividade das duas equipes. Na melhor oportunidade, brilhou a estrela do jovem goleiro Sportiello. O estreante do dia, no lugar de Consigli, gripado, salvou boa chance de Bergessio e ainda defendeu o rebote, chutado por Castro.

Na segunda etapa, a Atalanta voltou melhor, tanto que abriu o placar, com Denis, convertendo pênalti, após um mês de jejum. Lodi que marcou logo em sua volta, dessa vez pouco fez e o Catania quase não assustou – além disso, o jogador levou cartão e não joga na próxima rodada. Já no final do jogo, Moralez aproveitou contra ataque, fez bela jogada individual e anotou o segundo gol. Já nos minutos finais, Leto, em impedimento, ainda descontou para o Catania. (CD)

Relembre a 18ª rodada aqui.
Confira estatísticas, escalações, artilharia, além da classificação do campeonato, aqui

Seleção da rodada
Sportiello (Atalanta); Lichtsteiner (Juventus), Lucarelli (Parma), Benatia (Roma), Armero (Napoli); Florenzi (Roma), Nainggolan (Roma), Kurtic (Sassuolo); Berardi (Sassuolo), Llorente (Juventus), Éder (Sampdoria). Técnico: Rafa Benítez (Napoli).