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sexta-feira, 28 de março de 2014

30ª rodada: Com refugada, Inter fica longe da LC

Não adianta reclamar: a Inter perdeu cinco pontos em casa e ficou longe do Napoli, 3º colocado (Eurosport)
As possibilidades existiam. Com o campeonato praticamente hipotecado, graças à forma assombrosa da Juventus, que chegou a 15 vitórias consecutivas em casa, a grande briga nesta edição morna da Serie A poderia ser pela terceira vaga do país à Liga dos Campeões. O Napoli tem grande vantagem há mais de meio certame, mas vem perdendo o ritmo nos últimos jogos. Porém, sem querer aproveitar, a Fiorentina e, ainda mais claudicante, a Inter, tropeçaram mais uma vez e deixaram os azzurri abrirem mais três pontos de vantagem – agora são 10 sobre a viola e 13 sobre a Beneamata. 

Nem mesmo a complicada tabela dos napolitanos, que reservam, nas próximas duas rodadas, compromissos muito complicados diante de Juve e Parma, deve atrapalhar. Todos os vereditos de 2013-14 na Serie A estão muito próximos de serem decretados. Apenas a briga pelo descenso, que envolve Chievo (27 pontos), Bologna (26), Livorno 924), Sassuolo (21) e Catania (20) deve permanecer em aberto nas rodadas finais. A não ser que Atalanta ou Sampdoria continuem sua crescente (ou, quem sabe, alguma equipe classificada até a 13ª posição reaja) e entrem de vez em uma briga pela sexta posição, que pode dar vaga na Liga Europa.

Inter 0-0 Udinese
Desde que a Inter foi ultrapassada pelo Napoli, na 6ª rodada, a caça aos azzurri foi um verdadeiro coito interrompido. Nenhuma equipe refugou tanto quanto a gigante nerazzurra em 2013-14. Fora de todas as competições continentais, a Inter cedeu empates para times menores, deixou pontos escaparem pelo caminho quando partidas pareciam ganhas. E, quando precisou vencer alguns jogos, apesar de muita intensidade e volume de jogo, não foi suficientemente criativa. Suficientemente cínica. E, muito menos, teve sorte. Afinal, a sorte costuma acompanhar apenas os competentes. 

Diante da Udinese, mais uma vez, o time de Mazzarri dominou o jogo completamente, mas não conseguiu marcar um gol sequer; não furou o ferrolho friulano nem superou o ótimo goleiro Scuffet, autor de três defesas fundamentais. Danilo ainda salvou uma cabeçada de Milito em cima da linha, nos minutos finais, quando a Inter de fato produziu alguma coisa, após um primeiro tempo horroroso, sobretudo de Guarín. Mesmo com dois jogos em casa em cinco dias, os nerazzurri só somaram um ponto – houvessem vencido os dois, hoje estariam na 4ª posição, com 53 pontos, oito a menos que o Napoli. Napoli que, nas próximas rodadas, tem Juve em casa, o ótimo Parma fora e um confronto direto contra a Inter em Milão. A Inter, por sua vez, enfrenta os desesperados Bologna e Livorno, e pode tranquilamente somar seis pontos. A chance de voltar à Liga dos Campeões existia e era grande; agora parece um sonho proibidíssimo. (Nelson Oliveira)

Fiorentina 0-2 Milan
Depois de uma vitória importantíssima contra o Napoli e que deu fôlego para a Fiorentina na busca pela terceira colocação - a última que dá uma vaga para a Liga dos Campeões -, a equipe de Montella não conseguiu superar um Milan em pedaços e praticamente pôs fim ao sonho de jogar a competição continental na temporada que vem. Agora, o Napoli volta a ter 10 pontos de frente, com apenas oito rodadas restantes. Do outro lado, o Milan de Seedorf, que estava com a corda no pescoço, ganha uma sobrevida após quatro partidas sem vencer (um empate e três derrotas).  

Méritos do treinador holandês, que montou os rossoneri em um 4-4-1-1 muito eficiente, principalmente sem a posse de bola, e que deu segurança defensiva para o time. Contra uma Fiorentina sem inspiração - Valero, Joaquín e Cuadrado fizeram partida bem abaixo da média -, a aplicação tática fez a diferença para os visitantes. Mexes fez aos 23 minutos do primeiro tempo, depois de rebote em cobrança de falta de Balotelli, e o próprio Supermario ampliou depois, aos 19 da etapa final. Com Giuseppe Rossi e Mario Gómez contundidos, fica difícil para a viola, que tem que se preocupar para não perder também a vaga na Liga Europa (Rodrigo Antonelli)  

Catania 2-4 Napoli
No Angelo Massimino, o Catania levou mais um sacode, desta vez do Napoli: 4 a 2. Os napolitanos conseguiram marcar quatro gols nos rossoazzurri pela primeira vez na história exatamente no primeiro confronto vencido na Sicília. Até então, o Napoli tinha sido derrotado seis vezes em 12 oportunidades - e oito vezes sem um gol sequer. A derrocada para um dos grandes rivais pode ser a mensagem que estava faltando: o Catania é favorito para cair e, mesmo com um elenco razoável, não dá sinais de reação. De um lado, Andújar salvou o Catania usando o pé (após finalização de Insigne) e as mãos (para negar o gol de falta de Dzemaili). Na outra baliza, Reina não entregou por pouco. O goleiro do Napoli se precipitou, foi driblado por Barrientos e Fernandéz salvou o tento de Keko. 

Aos 16 minutos, Zapata fez seu primeiro gol na Serie A após bom passe de Callejón. Depois de Keko acertar o travessão, a resposta: gol do Napoli. Insigne fez o cruzamento, Andújar trombou com Legrottaglie e Callejón aumentou a vantagem. A trave novamente parou o time da casa, desta vez após chute de Barrientos. Henrique, com um belo voleio sem ângulo, e Zapata ampliaram para 4 a 0. Na etapa final, Monzón e Gyömbér marcaram para o Catania, que permanece na lanterna do campeonato e continua vendo o Sassuolo a um ponto de distância. (Murillo Moret)

Juventus 2-1 Parma
Foram quase cinco meses de invencibilidade na Serie A para o Parma, uma sequência de 17 partidas sem perder para o time emiliano. Mas, diante do time responsável por sua última derrota (ainda em novembro, por 1 a 0), o resultado foi o mesmo: vitória dos bianconeri. A Juventus venceu em Turim por 2 a 1, com uma dopietta de Tévez, e estabelece o recorde da Serie A de 15 vitórias consecutivas em casa. Imparável, a Velha Senhora mantém os 14 pontos de frente em relação à vice-líder Roma, que tem um jogo a menos. Em busca da Liga Europa, o Parma visita a Lazio na próxima rodada, enquanto a Juventus, sem o suspenso Tévez, visita o Napoli no San Paolo.  

Porém, o valoroso Parma deu bastante trabalho à líder. Jogando de igual para igual com o time anfitrião, os visitantes tiveram a primeira chance aos 17, com Molinaro em contra-ataque. Chance que acordou a Juve, que contou com uma jogada individual de Tévez aos 25, driblando dois marcadores e batendo rasteiro no canto oposto de Mirante para abrir o placar. Aos 32, após tabela com o argentino, Vidal invadiu a área e bateu forte; Mirante deu rebote e o próprio atacante estava lá para fazer o segundo. No segundo tempo, Molinaro diminuiu com um chutaço na entrada da área, comemorando bastante contra seu ex-clube. Amauri foi expulso aos 20 por uma cotovelada em Chiellini, mas o Parma foi quem pressionou, chegando perto do empate no fim, não fosse uma defesa milagrosa de Buffon aos 44. Nos acréscimos, o Parma ainda reclamou de pênalti de Bonucci sobre Parolo, mas Luca Banti mandou seguir. (Thiéres Rabelo)

Roma 2-1 Torino
No Olímpico, o dia era de festa, pelos 700 jogos de Totti com a camisa da Roma e, porque, no dia seguinte, o presidente James Pallotta apresentaria o projeto do novo estádio giallorosso, que já vem sendo chamado de "Novo Coliseu". Apesar das festividades, Totti passou longe de brilhar em uma das partidas mais agradáveis desta temporada. Bem mesmo foi a nova geração de talentos italianos, para o furor de Cesare Prandelli, que viu Immobile marcar um golaço, Destro mostrar faro de gol e Florenzi ser decisivo – entre os novos, Cerci não foi bem, mas é o motor desta equipe granata. Todos podem pintar na lista azzurra para o Mundial em junho. Antes disso, a Roma deve confirmar a segunda colocação neste campeonato e o Torino, por sua vez, uma honrosa posição na metade de cima da tabela.

Em campo, uma partida movimentada desde o início. Apesar do 0 a 0 em quase toda a primeira etapa, a Roma levou bastante perigo e obrigou, com Destro e Pjanic, o goleiro Padelli a fazer duas grandes defesas em sequência que figuram entre os grandes momentos turineses na temporada. Aos 41, porém, após boa jogada de Gervinho, Destro marcou e chegou a seu 9º gol neste campeonato. No segundo tempo, o Torino tentou equilibrar as forças, e chegou ao gol aos 5 minutos, depois que Vives mandou um lançamento muito longo para Immobile, de primeira, mandar um sem pulo de esquerda para as redes, enquanto o estreante Rafael Tolói apenas assistiu – seu companheiro, Leandro Castán, fez outra excelente partida, coroando sua temporada. O Torino cresceu no jogo e chegou perto do gol algumas vezes, com Glik e Cerci. No final, porém, após mais uma jogada de Gervinho, Florenzi encheu o pé e definiu o placar, nos acréscimos. (NO)

Genoa 2-0 Lazio
Depois de arrancar um empate do Parma, em pleno Ennio Tardini, o Genoa venceu a Lazio e segue comprovando as palavras de seu treinador, de que a equipe genovesa fará um grande final de campeonato. Contra os biancocelesti, a equipe de Gasperini se mostrou muito determinada e ofensiva, com os três atacantes buscando a vitória desde os primeiros minutos. Na primeira chegada rossoblù, Sturaro pecou na finalização e minutos depois, foi a vez de Bertolacci assustar Berisha.

Porém, os gols só saíram na segunda etapa, após as mudanças feitas por Gasp, que promoveu as entradas de Fetfatzidis e Centurión. Após algumas chances, aos 20 minutos Gilardino recebeu de Sculli na entrada da área e tocou no canto baixo do goleiro laziale para abrir o placar. Sem inspiração, o time da capital fazia jogo precário e viu, aos 38 minutos, o Genoa decretar a vitória com Fetfatzidis, que marcou seu primeiro gol na Serie A. O resultado deixa o Genoa ainda no meio da tabela, mas complicou a situação da Lazio na briga por uma vaga na Liga Europa. (Caio Dellagiustina)

Atalanta 2-0 Livorno
Sétima posição, com 43 pontos. Pode não parecer muita coisa mas, há quatro pontos de uma vaga na Liga Europa e vindo de cinco vitórias consecutivas, a Atalanta faz uma de suas melhores campanhas (a melhor foi uma 4ª colocação em 1987-88) em toda sua história na Serie A, igualando o recorde de vitórias consecutivas da temporada 1990-91, quando venceu Lecce, Milan, Lazio, Pisa e Bologna. A vítima da vez foi o Livorno, que se mantém na luta contra o rebaixamento.

Cheios de motivação, os bergamascos deram trabalho para Bardi desde o início do jogo. Denis e De Luca tentaram, mas foi apenas na segunda oportunidade que o camisa 91 conferiu. Após cobrança de escanteio, a bola sobrou dentro da área e o jovem atacante italiano não perdeu a oportunidade de estufar as redes. Mesmo com um pênalti a seu favor não assinalado, a Atalanta não deixou de pressionar – embora tenha levado alguns sustos – e chegou ao segundo gol, no início do segundo tempo. Com um belo chute da entrada da área, Denis tratou de definir o marcador. Para completar a festa, o capitão Bellini ainda foi homenageado por suas 400 partidas pelo clube. (CD)

Sassuolo 1-2 Sampdoria
Sassuolo e Sampdoria colocaram em campo dois momentos extremamente distintos quando se enfrentaram em Reggio Emilia. Vice-lanterna, o Sassuolo trazia apenas duas vitórias em todo o segundo turno, enquanto a Samp, renovada, tinha seis nas dez partidas deste returno. Devolvendo a derrota sofrida para o mesmo adversário em Gênova, a Samp bateu os neroverdi por 2 a 1, empurrando o time da casa cada vez mais fundo no buraco rumo à Serie B. Os blucerchiati, por sua vez, ficam cada vez mais próximos de garantir matematicamente a estadia na Serie A e, pensando ainda mais alto, começam a se candidatar por uma das vagas na Liga Europa, graças aos tropeços de quatro dos cinco times à sua frente na tabela. 

Apesar do placar magro, a Samp foi quem dominou as ações da partida. O time visitante teve mais que o dobro de chutes a gol que o rival, acertou a trave duas vezes e esbarrou nas ótimas defesas de Pegolo, que impediu um prejuízo maior para o Sassuolo. Sansone abriu o placar para a Samp logo no primeiro minuto, recebendo assistência de Bjarnason na entrada da área, "entortando" dois marcadores e batendo da entrada da área, fazendo um belo gol (por ser seu ex-clube, ele não comemorou). O empate veio aos 16, quando o zagueiro Longhi recebeu, em posição irregular, cruzamento de Zaza na pequena área e emendou para a rede. Foi questão de tempo e o gol da vitória blucerchiata saiu aos 21 do segundo tempo, quando o brasileiro Éder deu passe por cima da defesa, achando Okaka dentro da área, que encobriu Pegolo, para a alegria do torcedor visitante, que se fez mais presente que o local. (TR)

Cagliari 1-0 Verona 
O Cagliari conseguiu uma vitória importantíssima: 1 a 0 no Verona, no Sant'Elia. O time da Sardenha não ganhou posições na tabela, porém, aumentou a vantagem ante o Livorno, primeiro time na zona do rebaixamento. Já são oito pontos de distância - e seis do Bologna, o 17º colocado. A história dos confrontos é bem igual. Então com 24 partidas entre os times, o Cagliari venceu nove vitórias contra oito do Hellas. Dentro de campo não foi bem assim.  

Os rossoblù dominaram o Verona. O técnico Diego López fez uma pequena alteração na equipe, movendo Ekdal para o círculo central. O sueco atuou à frente de Conti e Dessena, e atrás de Eriksson e Vecino. Mudança boa? Ele foi o jogador com a maior quantidade de bolas recuperadas - 18, de acordo com o site oficial da liga. O único gol da partida foi feito por Nenê. O atacante aproveitou o cruzamento de Pisano, pela direita, e cabeceou com precisão. Enquanto o Cagliari luta para sair da zona incômoda, o Verona continua caindo. As vitórias de Atalanta e Sampdoria empurram o time do Vêneto para a 10ª colocação. Faz um mês que o Hellas não vence. Desde a vitória contra o Livorno, fora de casa, a equipe soma um empate e quatro derrotas. (MM)

Chievo 3-0 Bologna
Em jogo entre dois desesperados no campeonato, o Chievo se deu melhor sobre o Bologna e ficou um pouco mais distante da zona de rebaixamento, passando o próprio rival para ficar em 16º lugar. Os 27 pontos, porém, deixam a equipe apenas três acima da degola e a luta pela salvezza deve durar até a última rodada. Jogando em casa, o time de Corini tomou as ações da partida e não demorou para abrir o placar: Rubin entrou na área pelo lado esquerdo e foi atingido duramente por Garics. Na marca do pênalti, Paloschi não perdoou e fez 1 a 0 ainda aos sete minutos do primeiro tempo.   

No segundo tempo, o Chievo continuou melhor e criou boas oportunidades com Obinna, um dos melhores jogadores em campo, com muita movimentação no ataque. Depois, o Bologna acordou para o jogo e chegou a pressionar, mas sem chegar ao gol. Quando estava em seu pior momento no jogo, porém, o time de Verona chegou ao segundo gol, de novo com Paloschi, muito oportunista. O gol caiu como um balde de água fria no Bologna, que não fez mais nada em campo e ainda teve que assistir Rigoni fazer bela jogada individual e fechar o placar em 3 a 0. (RA)

Relembre a 29ª rodada aqui.
Confira estatísticas, escalações, artilharia, além da classificação do campeonato, aqui.  

Seleção da rodada
Scuffet (Udinese); Henrique (Napoli), Leandro Castán (Roma), Mexès (Milan), Regini (Sampdoria); Ekdal (Cagliari), Cigarini (Atalanta); Tévez (Juventus), Fetfatzidis (Genoa), Balotelli (Milan); Paloschi (Chievo). Técnico: Stefano Colantuono (Atalanta).

segunda-feira, 24 de março de 2014

29ª rodada: Ainda há briga aberta

Gol de Joaquín, no final, reabriu a briga por uma vaga na Liga dos Campeões; Inter não aproveitou (Sky)
Com os 14 pontos de vantagem da Juventus, as atenções na Serie A estão voltadas para a briga por vagas europeias, e contra o rebaixamento. Nesta rodada, o Napoli tropeçou frente a uma Fiorentina aguerrida, em partida que "antecipava" a final da Coppa Italia, e reabriu de vez a luta por uma vaga na Liga dos Campeões – para a Liga Europa, dificilmente Lazio, Atalanta, Torino, Verona, Sampdoria e Milan ameaçam os seis primeiros, o que deixa claro que três entre Napoli, Fiorentina, Parma e Inter brigam pelas quatro vagas europeias, uma delas na LC. Na parte baixa da tabela, alguns confrontos diretos também movimentaram a rodada. Acompanhe a análise da rodada.

Napoli 0-1 Fiorentina
Na briga que realmente importa nesta reta final de temporada do futebol italiano, o Napoli fraquejou pela segunda vez consecutiva na mesma semana e, contando com os mesmos erros da partida que lhe valeu a eliminação na Liga Europa, também em casa, diante do Porto, sucumbiu à uma Fiorentina que jogou por mais de 50 minutos com um homem a mais, após a expulsão de Ghoulam, ainda no primeiro tempo. Com o resultado, o Napoli (58 pontos) vê a Roma abrir seis pontos na vice-liderança e a própria Fiorentina, quarta colocada, ficar apenas sete pontos atrás. A luta pela terceira posição, que dá vaga na Liga dos Campeões, segue aberta, até pela dificuldade que os azzurri encontrarão em sua tabela.

Em campo, o Napoli demonstrou muito nervosismo para concluir suas jogadas. Hamsík, mais uma vez, decepcionou, e fez todos se perguntarem mais uma vez por onde anda aquele jogador insinuante de anos atrás. Higuaín, nervoso, também não foi bem. Quem jogou muito foi o goleiro Neto, da Fiorentina, que fez sete defesas, algumas delas muito importantes para manter o zero no placar e se confirmar, mais uma vez, como uma ótima aposta de Montella, que foi pressionado a contratar um goleiro mais experiente por toda a temporada. Depois da expulsão de Ghoulam, aos 38, a Fiorentina cresceu (principalmente quando Ilicic entrou em campo), mas só foi marcar aos 88, quando Joaquín aproveitou falha de Réveillère e marcou, de cabeça. Antes, Matri havia perdido gol feito e Gómez havia lesionado o joelho. A viola não poderá contar com o alemão contra Milan e Sampdoria. (Nelson Oliveira)

Inter 1-2 Atalanta
Mais cedo do que o jogo no San Paolo, a inter teve uma boa chance de tentar se aproximar de vez da briga por uma vaga na Champions. Porém, os interistas jogariam diante de uma de suas asas negras históricas, a Atalanta, rival local, sediada em Bérgamo, distante 50 km de Milão. O equilíbrio está nos números: antes do jogo deste domingo, eram 21 vitórias da Beneamata, 19 empates e 15 vitórias atalantinas. A Inter não vence a Atalanta desde abril de 2010 (quando fez 3 a 1), e conquistou apenas duas vitórias nos últimos nove jogos contra o time comandado pelo atacante Denis. Desta vez não foi o argentino, autor de quatro gols sobre a Inter na última temporada, que acabou com o jogo: Bonaventura, meia cotado para a seleção italiana, marcou os dois gols do jogo, no qual a Inter foi melhor.

No primeiro tempo, a Inter mostrou que daria as cartas do jogo. O domínio territorial era todo dos milaneses, que, no entanto, não levavam mais perigo do que os bergamascos, que chegaram a acertar a trave e obrigar Handanovic a duas defesas complicadas. Ainda no primeiro tempo, em um contra-ataque, Bonaventura abriu o placar, mas Icardi, no lance seguinte, respondeu. Na segunda etapa, a Inter se lançou completamente ao ataque, e chegou a ter sete jogadores dedicados quase que exclusivamente a marcar gols. A equipe acertou a trave quatro vezes, a mais incrível delas com Jonathan e, na sequência, com Icardi, que errou o gol, que estava a um metro de si. Na sequência, Jonathan, que havia salvado um lance em cima da linha, não marcou Bonaventura, que fez o gol do 2 a 1. Agora, a Inter continua com 47 pontos, 11 atrás do Napoli, e vê sua vida dificultada – hoje o time é o 6º, com o mesmo número de pontos do Parma. Já a Atalanta, com 40 pontos, já pode relaxar e continuar fazendo o bom campeonato que está realizando. (NO)

Chievo 0-2 Roma
As chances desperdiçadas por Totti (em chute de longa distância) e Gervinho (após cruzamento da direita) não foram um problema para a Roma. Os giallorossi decidiram o jogo contra o Chievo ainda no primeiro tempo. O ponta-direita fez o primeiro antes das jogadas de ataque citadas no início do parágrafo. Cesar vacilou no recuo, Gervinho chegou antes de Agazzi e tocou para o fundo do gol. Dainelli certamente ficou com inveja de seu companheiro de zaga, afinal, deu um passe curto perto da área que Destro não conseguiu aproveitar - com uma ótima defesa do goleiro do Chievo. Minutos depois, o atacante converteu em gol o passe recebido de Taddei, que fez ótima partida atuando como regista, substituindo De Rossi e Strootman e agradando, após meses encostado – o jogador revelou que passou este período se adaptando à nova função.

Enquanto a Roma continua com seis pontos na frente do Napoli, 3º colocado, a equipe de Verona perdeu uma posição. O Ceo caiu para 17º lugar e só não entrou na zona do rebaixamento porque supera o Livorno no saldo de gols. O segundo pior ataque da Serie A passou mais um jogo sem criar perigo ao goleiro adversário e, na próxima rodada, tem um duro confronto contra o Bologna, que luta contra o rebaixamento e vem de vitória. (Murillo Moret)

Catania 0-1 Juventus
Apesar de ter o melhor ataque disparado da Serie A, com 65 gols em 29 jogos, a Juventus tem se mostrado bem econômica nesse quesito nos últimos jogos. A equipe de Antonio Conte encntrou dificuldade para balançar as redes nas quatro últimas partidas que disputou - incluindo aqui o jogo contra a Fiorentina pela Liga Europa - e só conseguiu vencê-las pelo placar magro de 1 a 0. E não foi nessa rodada, contra o lanterninha Catania, que o ataque juventino conseguiu se recuperar. O único gol da partida saiu já na segunda etapa, em chute de Tévez que Andújar não conseguiu segurar.

Antes disso, o Catania não vinha mal na partida e até merecia o empate. O time de Maran não se limitou a defender e, tentando chegar ao ataque, acabou repelindo um pouco a Juve. Em um primeiro tempo sem grandes chances de gol, porém, o destaque ficou para as expulsões dos dois técnicos, após diversas reclamações com o árbitro Damato, muito confuso em campo. Depois do gol, a Juve não teve problemas para controlar o resultado e até teve chances de ampliar. A vitória mantém a Velha Senhora 14 pontos à frente da vice-líder Roma e não tira o Catania da última colocação. (Rodrigo Antonelli) 

Lazio 1-1 Milan
De acordo com a imprensa italiana, Galliani teria dado a Seedorf dois jogos para mostrar que deveria e poderia continuar como treinador rossonero. E o primeiro aconteceu neste domingo, frente à Lazio, no Olímpico, ante outra equipe que vive um momento conturbado, tendo novos protestos da torcida contra Lotito. Apesar do momento ruim da equipe milanista, Balotelli iniciou a partida no banco, aumentando os rumores sobre seu futuro – longe de Milão? E sem o atacante, coube à Pazzini ser o titular, mas quem balançou as redes foi Konko, contra. Kaká fez jogada pela esquerda e tentou o cruzamento, a bola desviou no lateral laziale e enganou Berisha, já no final da primeira etapa.

Após um fraco primeiro tempo, a segunda etapa foi em um ritmo totalmente diferente. As duas equipes buscavam o gol, sobretudo com chutes de longa distância. O gol de empate dos biancocelesti saiu após cruzamento de Candreva, que Biglia desviou e González completou ao gol. Já com Balotelli em campo, o Milan partiu desesperadamente em busca pela vitória e criou chances com Pazzini e com o camisa 45, que acertou a trave da Lazio. O placar, porém, seguiu empatado até o final e complicou as duas equipes na classificação, ficando a Lazio a cinco pontos da zona de Liga Europa e o Milan ainda na parte de baixo da tabela. (Caio Dellagiustina)

Parma 1-1 Genoa
Este resultado e exibição não estava muito bem nos planos de Donadoni, mas o Parma conseguiu mais um ponto, contou com tropeços de Inter, Lazio e Verona, aumentou sua invencibilidade para 17 jogos e subiu uma posição na tabela antes de duro confronto contra a Juventus, nesta quarta. Para o Genoa, agora há quatro pontos da salvezza, importante empate fora de casa contra uma equipe superior na temporada. 

Com a bola rolando, um jogo muito equilibrado e também marcado por excesso de faltas (41, 60% delas por parte dos visitantes, uma marca registrada do time de Gasperini) e bolas laterais (55). Foram poucas oportunidades claras, e boas exibições dos goleiros Mirante e Perin, cotados para a seleção de Prandelli. A despeito da exibição abaixo da média de Cassano, o Parma ainda criou algumas chances, geralmente com Cassani e Schelotto pela direita, buscando Amauri, ou nos chutes de fora da área de Parolo. O gol do Genoa, aos 21, saiu em raro cochilo da defesa crociata, com boa tabela entre Konaté e Cofie, resultando no gol do ganês. A resposta dos donos da casa veio dez minutos depois, quando após cobrança de falta de Cassano e bate-rebate, Schelotto marcou seu terceiro gol no ano. (Arthur Barcelos) 

Sampdoria 5-0 Verona
Uma história não muito romântica envolvendo Verona. Na verdade, vimos um verdadeiro massacre em Gênova. Pelo menos no placar, a superioridade da Sampdoria foi enorme e o time de Mihajlovic deu passo importante para garantir a salvezza, uma vez que terá sequência complicada com Fiorentina, Lazio, Inter, Parma e Napoli. Por isso será importante vencer confrontos diretos contra Sassuolo, Catania, Chievo e Udinese. Já o Verona, bem, parece não se importar mais em fazer resultado, com quatro jogos sem vencer, sendo duas derrotas para adversários diretos por vaga na Liga Europa (hoje praticamente impossível) e um empate e uma derrota contra times que brigam pela salvezza. 

Apesar do placar exagerado, foi uma partida movimentada e até certo ponto equilibrada, mas que evidencia bem a diferença de simplesmente atacar, e atacar e fazer gols. A Samp fez o segundo, e dos dez chutes a gol, cinco passaram por Rafael - longe daquele goleiro do primeiro turno. O Verona, que até finalizou mais vezes, acertou sete vezes o gol, e Da Costa foi muito preciso nas conclusões do trio Iturbe-Toni-Jankovic. O problema do time de Mandorlini foi não ter aproveitado suas chances e exposto a frágil defesa, que Mihajlovic explorou bastante, inclusive mudando seu esquema tático (saiu do 4-2-3-1 e “espelhou” o 4-3-3 gialloblù), sendo que os cinco gols saíram ou de bola parada, ou em rebotes de chutes de longe, ou em tabelas rápidas com participações dos laterais. Marcaram Soriano, duas vezes, Renan, Palombo e Sansone. (AB)

Torino 3-1 Livorno
Em casa, a dupla de ataque do Torino acabou com mais um adversário: 3 a 1 no Livorno, no sábado. A primeira oportunidade de gol do Toro saiu dos pés de Cerci, que recebeu ótimo passe de Kurtic; Bardi defendeu. O goleiro também fez boa intervenção para salvar sua equipe num voleio do esloveno. Com o domínio do jogo, os mandantes saíram na frente aos 25 minutos. Immobile, de cabeça, conseguiu vencer Bardi. O arqueiro do Livorno protagonizou cenas de melhores momentos no Youtube depois de salvar três finalizações num curto espaço de tempo - duas de Glik e uma de Cerci.

Na segunda etapa, Cerci não dobrou a vantagem do Toro porque chutou fraco. Quem balançou a rede novamente foi Immobile, que aproveitou o lançamento de Kurtic para tocar por cima de Bardi. Sete minutos depois o atacante completou a tripletta com um chute potente de longa distância, mostrando seu vasto repertório, na busca por convencer Prandelli a levá-lo para a Copa – com 16 gols, lidera a tábua de artilheiros, ao lado de Tévez. Siligardi, de voleio, descontou para o Livorno, 18º colocado que enfrenta a Atalanta na quarta-feira. Já os turinenses viajam para enfrentar a Roma, e podem ajudar a rival Juventus a ficar mais tranquila na ponta da tabela. (MM)

Udinese 1-0 Sassuolo
No jogo que coroou Di Natale como o jogador que mais vestiu a camisa da Udinese em jogos da Serie A (foram 324 partidas, superando Valerio Bertotto) a Udinese teve tudo para vencer com tranquilidade, mas pecou nos erros e teve de se virar no final para suportar a pressão do Sassuolo e segurar o placar mínimo. O resultado aliviou a situação da equipe friulana, que chegou aos 34 pontos, abrindo dez de diferença para a zona de rebaixamento, mas deixou os emilianos cada vez mais próximos da Serie B.

O jogo não contou com muitas emoções. Aos 26, Di Natale fez o gol decisivo do jogo, aproveitando a sobra do chute de Pinzi, chegando aos 10 na tabela de artilheiros. Dez minutos depois, porém, o atacante bianconero teve um pênalti a seu favor, mas mandou a bola para o “espaço”, se revoltando com o gramado mal colocado do Friuli. Mantendo o placar mínimo e criando pouco, a Udinese sofreu nos minutos finais e só não levou o empate pois Floccari também desperdiçou uma penalidade. O jovem Scuffet também apareceu bem, defendendo um chute forte do atacante Zaza. (CD)

Bologna 1-0 Cagliari
Após uma sequência de cinco jogos sem vencer, o Bologna conseguiu un triunfo importante, contra o Cagliari, nessa rodada, e saiu da zona de rebaixamento. A distância ainda é curta - apenas dois pontos à frente do 18º colocado -, mas pelo menos até quarta-feira os emilianos podem respirar mais aliviados. Em uma partida tensa, com muitas faltas no meio de campo e sem boas chances de gol, foi um pênalti que salvou o Bologna, já no final do segundo tempo.

Méritos exclusivos para Christodoulopoulos, que cavou, conseguiu e converteu a cobrança, aos 33 minutos da etapa final. A vitória marcou também o reencontro da torcida rossoblù com a vitória: o Bologna não vencia no Dall'Ara há três meses. O Cagliari, por sua vez, continua em ritmo ruim e acumula a segunda derrota seguida na competição - são três jogos sem vencer -, que o coloca em perigo. Despreocupado com a degola até pouco tempo, o time de Lopez agora pode começar a se preocupar, com apenas cinco pontos de vantagem. São só três na frente do ameaçado Bologna. (RA)

Relembre a 28ª rodada aqui.
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Seleção da rodada
Neto (Fiorentina); Basta (Udinese), Bovo (Torino), Glik (Torino), Pasqual (Fiorentina); Taddei (Roma), Palombo (Sampdoria), Bonaventura (Atalanta), Soriano (Sampdoria); Christodoulopoulos (Bologna); Immobile (Torino). Técnico: Giampiero Ventura (Torino).

quinta-feira, 20 de março de 2014

Com apenas Juve viva, Portugal pode ultrapassar Itália

Com uma proeza de falta, Pirlo classificou a Juve para as quartas da Liga Europa (Tuttosport)
Melancolicamente, a Itália tem apenas uma equipe viva em todas as competições europeias: a Juventus, que caminha a passos largos para conquistar o tricampeonato nacional e colocar a terceira estrela no peito e que tem boas chances de levantar a Liga Europa. Em termos de coeficiente para vagas na Europa, a coisa é ruim: Portugal, que ainda tem Porto e Benfica vivos, pode ultrapassar a Itália, ao menos na próxima temporada, e deixar o Belpaese com apenas o quinto melhor coeficiente no ranking da Uefa – na prática, as vagas continuam as mesmas (6), e sua distribuição também, mas vale atentar para mais esta queda. Acompanhe a análise das partidas em que italianos estiveram envolvidos: Fiorentina 0-1 Juventus e Napoli 2-2 Porto.


Fiorentina 0-1 Juventus (1-2 no agregado)
Aos 23 minutos do segundo tempo, Llorente dominou a bola e foi atropelado por Gonzalo Rodríguez. O capitão da Fiorentina viu o cartão amarelo novamente e foi expulso de campo. Ele fazia ótima partida, isolando o centroavante da Juventus num jogo à parte. Enquanto Howard Webb conversava com Gonzalo, Pirlo se aproximou de sua zona, na meia-lua. Ajeitou a bola com carinho ao mesmo tempo que o árbitro inglês tentava posicionar a barreira a 9,15 metros da bola. O regista bianconero correu pra bola e refugou. Reclamou, e os outros jogadores da Juve também, que os adversários estavam fora da posição regulamentar. Webb, então, novamente alinhou a barreira. Pirlo, com calma, chegou à bola lentamente e soltou um petardo que invadiu o gol pelo ângulo esquerdo de Neto. Um golaço.

O tento de Pirlo foi simbólico. O primeiro gol do volante pela Juventus em competições internacionais. O gol que deu à Vecchia Signora a vaga nas quartas de final da Liga Europa. Um tento que coroou mais uma boa partida de Tévez. O argentino deu muito trabalho aos zagueiros e meteu o bedelho em todas as jogadas de perigo da Juve. Isla foi outro que teve grande contribuição na vitória; Cáceres e Pogba também. Por outro lado, Asamoah, Chiellini e Vidal... O zagueiro, no primeiro tempo, deu um gol de presente para Ilicic, que não aproveitou; na etapa final, a Fiorentina não aproveitou outro vacilo feio do camisa 3.

Pela Fiorentina, friso novamente a grande partida de Gonzalo Rodríguez até ser expulso - claro. Mario Gómez fez Bonucci e Chiellini suarem demais durante boa parte do jogo até ser substituído por Matri, que nada fez. Certamente o confronto seria diferente se Beppe Rossi tivesse condições de jogo para atuar ao lado do alemão. (Murillo Moret)

Napoli 2-2 Porto (agregado: 2-3)
Resultado dramático para o Napoli. Na semana passada, De Laurentiis exaltou Rafa Benítez por seu trabalho nas competições europeias e mudanças táticas, criticando indiretamente Mazzarri e seu antiquado 3-5-2, que não obteve sucesso além Itália em quatro temporadas. O dirigente, porém, acabou vendo seu time novamente tropeçar na Europa, depois de já ter ficado atrás de Arsenal e Dortmund na fase de grupo da Liga dos Campeões.

Amplamente superior em três-quartos do jogo, o time de Benítez se comportou bem contra o Porto, em má fase na temporada e de treinador novo, abdicando do domínio do jogo, mas controlando-o ao fechar duas linhas de quatro, sem dar espaços na intermediária e chances para o adversário criar perigo. Com a bola, o mesmo time de contragolpe, rápido e envolvente. Nessa tática os napolitanos chegaram a 22 finalizações em quase 70 minutos de jogo, sendo nove em direção gol. Mas gol, o que importava naquele momento, só foi um, aos 21 minutos: Pandev iniciou jogada e lançou Higuaín em profundidade; o argentino limpou o marcador e devolveu para o macedônio finalizar com precisão e abrir o marcador.

Depois de cinco perigosas chances defendidas por Fabiano, em grande noite, e/ou pra fora, bastou um breve cochilo partenopeu para o Porto matar o jogo. Aos 69, três minutos após ter entrado, Ghilas recebeu ótima enfiada de bola de Fernando e igualou o marcador. Aos 72, Defour acertou a trave e o gol da classificação portuguesa veio quatro minutos depois, quando Quaresma fez jogada individual na entrada da área, driblou dois e acertou chutaço de esquerda, no ângulo de Reina, que sequer tinha feito alguma defesa na partida.
Desmotivado pela virada e necessidade de mais três gols, o Napoli não reagiu e levou pouco perigo a partir de então. Fabiano defendeu finalizações de Callejón e Fernández, e só foi superado pela segunda vez aos 91, quando Callejón recebeu na direita e cruzou para o toque de Zapata. Agora, o Napoli se concentra na busca pela vaga na Liga dos Campeões via Serie A. E precisará mesmo de concentração, pois tem tabela complicada nos dez jogos restantes: pega, em ordem alfabética, Fiorentina, Juventus, Inter, Lazio, Parma, Sampdoria, Udinese e Verona. (Arthur Barcelos)

terça-feira, 18 de março de 2014

28ª rodada: Um Parma com direito de sonhar

Mais uma vez renascido, Cassano (esq.) é destaque do excelente Parma de Donadoni (dir.) (AP)
Pela primeira vez em dois anos, nenhum empate aconteceu em uma rodada de Serie A – a última vez que isso havia acontecido foi na 17ª rodada da temporada 2011-12. Nesta rodada de ganha e perde, a equipe que mais impressionou foi o Parma, que já está invicto há 16 jogos e tem um esquema de jogo organizadíssimo. E que nem mesmo sofre quando um Milan com um a menos empata um jogo praticamente ganho. Ciente de suas capacidades, o Parma se reconstrói e volta a tomar o controle da partida. E vence.

Os méritos são de Roberto Donadoni, que assumiu a equipe em janeiro de 2012 e desde então faz seu trabalho mais convincente na carreira, juntamente com o que realizou no pequeno Livorno, em 2004 e 2005. Donadoni fracassou na seleção da Itália e no Napoli, e teve um parêntese positivo no Cagliari entre um bom trabalho e outro, mas já está na mira de grandes equipes. Não à toa: afinal é um feito levar este Parma à zona de classificação europeia, recuperando Cassano, Amauri, Biabiany, Schelotto, Cassani e contando com um elenco mediano, com jogadores que se esforçam muito (casos de Mirante, Paletta, Parolo e Lucarelli). Sonhar com a Liga dos Campeões pode ser muito (inclusive para Fiorentina e Inter, que também perseguem o Napoli, terceiro colocado), mas os parmenses tem o direito de sonhar. Acompanhe o resumo da rodada.

Milan 2-4 Parma
A semana do Milan não foi das melhores: eliminação com goleada na Champions League, entreveros entre Seedorf e Balotelli, cobrança da torcida (antes e depois do jogo), criticando Galliani e alguns jogadores (indiretamente, Balotelli), além da reclamação de Seedorf em relação ao estado físico e mental da equipe deixada por Allegri. Não bastasse tanta confusão, o time ainda encararia o Parma, que não perdia há quinze jogos. E logo aos cinco minutos, para complicar ainda mais, Abbiati saiu atabalhoado, derrubou Schelotto dentro da área e foi expulso. Na cobrança, Cassano não teve dificuldade em deslocar Amelia e abrir o placar.

A disposição de alguns jogadores não foi suficiente para o Milan, que sentiu o homem a menos. No início da segunda etapa, mais um balde de água geladíssima nos rossoneri. Cassano recebeu livre na área e finalizou no canto de Amelia. O Milan mais uma vez conseguiu, com muita garra, reagir na partida. Primeiro com Rami e depois com Balotelli, após um pênalti inexistente em Montolivo. Mas a incrível reação não pode nem ser comemorada, uma vez que no minuto seguinte, Schelotto aproveitou os espaços deixados pelas trocas de Seedorf para cruzar e Amauri completar de letra. Para finalizar, Biabiany, já nos acréscimos, definiu o placar, para protestos da torcida milanista. Com o resultado, o Parma segue próximo da vaga na Liga Europa e o Milan continua agonizando com sua péssima temporada. Seedorf, recém-chegado, estaria ameaçado, segundo setores da imprensa italiana. Seu substituto, em caso de saída, pode ser o ex-milanista Donadoni, que está em seu terceiro ano no Parma e realiza o melhor trabalho na carreira. (Caio Dellagiustina)

Genoa 0-1 Juventus
Os veteranos continuam fazendo diferença em uma Juventus cada vez mais próxima do tricampeonato. Na tarde de domingo, foi a vez de Buffon e Pirlo decidirem a favor da Velha Senhora, que não fez uma grande partida no Marassi e quase voltou para casa apenas com um ponto na mala. O goleiro foi bem durante toda a partida, contra um Genoa muito bem postado e melhor em campo, mas brilhou mesmo aos 19 minutos do segundo tempo, quando espalmou pênalti cobrado por Calaiò. A defesa coroou mais um dia de comemoração para Gigi Buffon: com 476 jogos pela Juve, ele alcança Zoff como quinto jogador que mais vestiu a camisa bianconera.

Até aquele momento, os donos da casa eram superiores e tiveram mais chances de abrir o placar. Após a defesa, porém, o Genoa encolheu e a Juve melhorou um pouco. Pogba cabeceou por cima depois de cobrança de falta e levou perigo ao gol rossoblù depois de mais de 30 minutos sem ameaçar. Sem conseguir superar a marcação genovesa, o gol juventino não poderia vir de outra forma que não em bola parada. Aos 44', Pirlo ajeitou e cobrou falta perfeita, no ângulo superior direito do goleiro Perin. Assim, a Juve mantém 14 pontos à frente da Roma e o Genoa cai para a 12ª posição, com 35 pontos. (Rodrigo Antonelli)

Roma 3-2 Udinese
No primeiro tempo, uma Roma como há muito tempo não se via. No segundo, um pouco mais da instabilidade defensiva que tomou conta da equipe romana nos últimos meses. Mesmo assim, os giallorossi foram melhores em campo e mereceram a vitória na partida que marcou o retorno de Totti aos gramados após mais de um mês afastado – a última partida do capitão havia sido diante da Lazio, no dérbi capitolino. A Roma continua 14 pontos atrás da Juve, mas também três à frente do Napoli, que havia vencido sua partida na rodada e havia empatado na vice-liderança. Já a Udinese, em sua pior temporada desde 2010, segue em 14º, com 31 pontos.

Com o capitão em campo, a Roma já começou voando e dando trabalho para o ótimo goleiro Scuffet, de 17 anos, atual titular em Údine. Aos 21, Totti aproveitou rebote do goleiro em chute de Gervinho e abriu o placar. Aos 30, em uma jogada iniciada pelo Pupone, Gervinho deixou Destro na cara do gol para ampliar. Dali em diante, De Sanctis teve de fazer ótimas defesas contra Di Natale, que no primeiro lance o parabenizou pela defesa, e no segundo o empurrou, com raiva. Mas a Udinese diminuiu mesmo com Pinzi, que roubou bola de Totti e, com seu coração laziale, bateu no canto de De Sanctis. Só que Torosidis resolveu marcar um belo gol com a perna canhota, que não é a boa, e deixou a Roma mais tranquila, embora o gol de Basta, após bola mal afastada por De Sanctis, reabrisse a partida no final. (Nelson Oliveira)

Torino 0-1 Napoli
Dizem por aí que a bola pune. E que pune principalmente aqueles que não marcam gols. O famoso "quem não faz, leva" teve mais uma edição no estádio Olímpico de Turim, onde o Torino, dono da casa, jogou muito melhor do que um Napoli em versão mais cautelosa, e desperdiçou ótimas oportunidades até ser castigado com um gol irregular de Higuaín, nos acréscimos. O resultado deixa o Napoli na caça da vice-liderança, com 48 pontos, três a menos que a Roma, e o Torino na 10ª posição, com 36 pontos.

Antes mesmo do início do jogo, o Toro entrou em campo com surpresas: o técnico Ventura decidiu dar um chá de banco de reservas em Immobile e Cerci, dupla de ataque titular, que junta fez 24 gols, para dar espaço a Meggiorini e Barreto, que não marcaram um gol sequer. Não dá para dizer que a mudança deu certo, porque o Napoli dava espaços e o Torino não aproveitava. Esbarrava em Reina ou na trave (Meggiorini e Bovo a acertaram). Com Cerci e Immobile em campo, no segundo tempo, os granata melhoraram, sobretudo em movimentação, mas, Immobile, sozinho na área, não desfrutou passe de Kurtic e mandou a bola para fora do estádio. Já no último minuto regulamentar, Higuaín recebeu lançamento de Hamsík, derrubou Glik, mas a arbitragem nada marcou. Cara a cara com Padelli, o argentino não perderia o gol. E deixou o técnico Ventura novamente revoltado por um erro da arbitragem que tirou pontos de sua equipe. (NO)

Fiorentina 3-1 Chievo
Depois do empate contra a Juventus pela Liga Europa e visando a classificação às quartas de final no jogo de volta desta quinta-feira, em Florença, o técnico Vincenzo Montella resolveu poupar alguns jogadores contra o Chievo. Tudo bem, afinal a Viola derrotou o adversário de Verona por 3 a 1 e assumiu a 4ª colocação do campeonato, ultrapassando a Inter. A Fiorentina começou a partida com Compper, Diakité, Anderson e Wolski entre os titulares. Cuadrado, outro que não participou do confronto da competição europeia, fez ótima jogada, driblando Rigoni, tabelou com Pizarro e encobriu Agazzi. Um golaço aos 11 minutos de jogo. O colombiano também participou do segundo. Anderson roubou a bola no campo de ataque e lançou em profundidade para Cuadrado, que foi à linha de fundo e cruzou para Matri balançar a rede.

No segundo tempo, Paloschi revigorou o ânimo do Chievo ao diminuir após bom passe de Rigoni. A equipe visitante, é verdade, esboçou uma reação, principalmente porque o atacante estava infernizando o trio de zaga viola, mal na partida. Contudo, as principais chances ainda eram da Fiorentina, com Pizarro, que parou em Agazzi, e Vargas, finalizando pra fora. Aliás, o goleiro não queria que Pizarro saísse do Artemio Franchi com mais um tento. Ele defendeu a cobrança após pênalti de Rubin. Aos 44 minutos, Ilicic e Gómez (assim como contra a Juve) fizeram a jogada que culminou em mais um gol do time de Florença – o alemão estava impedido no lance, mas voltou a marcar pelo campeonato, o que não ocorria desde setembro, quando se lesionou. (Murillo Moret)

Verona 0-2 Inter
Depois de meses de amargura, parece que a Inter encontrou seu caminho. Com a chegada de Hernanes, mas não só, o time de Mazzarri começa a engrenar e dar continuidade aos bons resultados dos primeiros meses de trabalho, que se esvaíram entre novembro, dezembro e janeiro. Desde a derrota para a Juventus, os nerazzurri não sabem o que é perder. São seis jogos de invencibilidade, quatro vitórias, aproveitamento inferior apenas ao da Vecchia Signora e, apesar da economia de gols (foram sete marcados), uma defesa mais firme, confiável e quase impenetrável - em alguns momentos Handanovic garantiu três jogos sem levar gols, mas Rolando, Ranocchia, Samuel e Cambiasso também merecem crédito.

Bem postada na defesa, a Inter de Mazzarri seguiu a tônica dos jogos fora de casa: sem se impor, deu campo, posse e um falso controle do jogo para o Verona. Com boa disposição também dos alas e meias nerazzurri, o time da casa só finalizou a gol pela primeira vez no último quarto, quando Handanovic entrou em ação nos chutes de Iturbe, Sala, Rômulo e Martinho. Mas nesse momento o placar já marcava 2 a 0 para o time milanês. De contrato renovado, Palacio abriu o placar aos 13 após bela jogada individual de Jonathan. O gol da vitória veio no início da segunda etapa, quando os nerazzurri pressionaram até Jonathan marcar na marra, depois de grande passe de Hernanes. O sonho por uma vaga na Liga dos Campeões é apenas um sonho, mas a vaga na Liga Europa parece bem sólida com uma regular Inter. Mas será que essa regularidade se manterá nos últimos dez jogos e dois meses de campeonato? O Verona, bem, parece acomodado após atingir seu objetivo, mas também afetado pela pressão e falta de um elenco forte o bastante para brigar por vaga na Europa. (Arthur Barcelos)

Cagliari 0-2 Lazio
A imprevisível Lazio de Reja aprontou mais uma das suas. Depois de perder da Atalanta em casa, o time romano respondeu bem ao bater o Cagliari na Sardenha. Os últimos resultados credenciam os laziali a brigarem por uma vaga na Liga Europa, mas o Parma promete ser um adversário duro. Já o Cagliari, que se encaminhava para mais uma salvezza, precisa se atentar ao retrovisor, com apenas seis pontos o separando da zona de rebaixamento. Ainda há tempo de sobra para garantir mais uma presença na Serie A, mas o time de López não dá muitas garantias de sequência. 

Com a bola rolando, o que se viu foi uma Lazio superior, ainda que não totalmente dominante. Ainda assim, o time de Reja criou mais e as principais oportunidades, quase todas dos pés de Keita, a revelação da equipe da temporada. O garoto de 19 anos tem assumido uma responsabilidade que nem lhe foi depositada e em poucos jogos se transformou no principal jogador do time. O ponta foi o grande destaque do jogo e autor do gol que garantiu os três pontos logo após pênalti de Pinilla defendido por Marchetti, já no minuto 69. 50 minutos antes, Lulic abrira o placar de uma importante e significativa vitória dos biancocelesti. (AB)

Sassuolo 3-1 Catania
Barrientos deu um bicão pra cima, a zaga do Sassuolo parou e Bergessio chutou cruzado para marcar o primeiro gol da partida, comemorando com a pequena parcela de torcedores rossoazzurri que estavam presentes no Città del Tricolore. Zaza entrou como substituto, no segundo tempo, e aproveitou boa jogada de Floro Flores pela linha de fundo para empatar o jogo. Minutos depois, Floro Flores novamente com uma assistência: após passe curto em escanteio, o atacante cruzou na medida para Missiroli colocar a equipe mandante na frente do marcador. Pouco antes dos acréscimos, o autor do segundo gol roubou a bola no campo de ataque e passou para Sansone, que driblou Bellusci e fuzilou.

A partida, portanto, terminou em 3 a 1 para o Sassuolo, que deixou a lanterna da Serie A, depois de oito jogo sem vitórias – seis deles com Malesani, que substituiu Di Francesco e acumulou cinco derrotas, o que fez com que o presidente Squinzi chamasse o técnico que iniciou a temporada de volta. Com 21 pontos conquistados, os neroverdi empurraram o adversário deste domingo para a última colocação na tabela. O Sassuolo ganhou sobrevida na liga no momento que já era dado como certo o seu descenso à segunda divisão após um segundo tempo maravilhoso. Não somente pelos jogadores, que atuaram com muita vontade e garra, mas também pelo sistema tático modificado por Di Francesco no intervalo, que tirou Brighi para colocar Zaza num 4-2-4. Se não bastasse a nova posição na tabela, o Catania enfrenta, nas próximas quatro rodadas, Juventus, Napoli, Udinese e Torino. Pode ser o fim do sonho etneo na Serie A, na temporada seguinte ao seu recorde histórico de pontos e melhor posição. (MM)

Livorno 2-1 Bologna
Quase irreconhecível em um uniforme verde claro, o Bologna (que historicamente utiliza uniforme verde, mas bem mais escuro, como reserva) fez mais uma partida muito ruim e chegou a sua 13ª derrota no campeonato. Com o resultado negativo diante de um adversário direto na briga pela salvezza, a equipe emiliana fica mais um jogo sem vencer - já são cinco seguidos - e volta à zona de rebaixamento. O Livorno, por sua vez, comemora pelo menos uma rodada fora da degola, um ponto à frente do próprio Bologna, depois de um jogo muito fraco no primeiro tempo, mas que melhorou bastante na etapa complementar.

Se a partida tivesse começado só no segundo tempo, ninguém sentiria falta de nada. Todas as ações que merecem ser lembradas só aconteceram depois que Di Carlo trocou Belfoldil por Emeghara, no intervalo. A substituição colocou o Livorno para frente e, com muita velocidade, a equipe da casa abriu 2 a 0 logo no início do tempo final. Aos 57 segundos, o nigeriano avançou bem pela direita e deu passe perfeito para Benassi abrir o placar. Sete minutos depois, em outra jogada rápida, Greco começou um contra-ataque que passou por Benassi terminou com gol do brasileiro Paulinho. Com a vantagem, o time diminuiu o ritmo, mas pecou nas faltas e teve dois expulsos no final (Mbaye e Emeghara). Aos 41', Christodoulopoulos marcou de pênalti e diminuiu. Mas foi só. (RA)

Atalanta 3-0 Sampdoria
Vindo de duas vitórias seguidas e sem muito com o que se preocupar na temporada, Atalanta e Sampdoria se enfrentaram no Atleti Azzurri d'Italia, com a esperança de ainda conseguir uma improvável vaga na Liga Europa. A presença de Cesare Prandelli nas tribunas parece ter motivado o jogo que tinha tudo para ser com poucas emoções. Quem aproveitou a visita do treinador da seleção foi Consigli que, no primeiro tempo, fez duas grandes defesas, mostrando poder ser uma opção para a sucessão de Buffon. A Atalanta criou pouco, mas foi certeira quando chegou. Carmona acertou belo chute da entrada da área e abriu o placar para os nerazzurri.

Minutos depois, outro jogador aproveitou a chance de aparecer para Prandelli foi Bonaventura. O jovem meio-campista, melhor em campo, mostrou ser uma boa opção para o treinador na criação de jogadas e ainda completou de cabeça a cobrança de escanteio para ampliar a vantagem bergamasca. Na segunda etapa, o jogo voltou morno, mas, logo aos onze minutos, Denis tratou de sacramentar a vitória da Atalanta. Contando com a falha de De Silvestri, o argentino teve calma e tranquilidade para ajeitar, deslocar Da Costa e tocar no canto esquerdo do goleiro para fazer o terceiro gol. Agora com 37 pontos, a Atalanta ainda sonha na temporada, enquanto a Samp já pode agradecer por permanecer na Serie A, depois do início ruim de temporada. (CD)

Relembre a 27ª rodada aqui.
Confira estatísticas, escalações, artilharia, além da classificação do campeonato, aqui

Seleção da rodada
Buffon (Juventus); Jonathan (Inter), Cassani (Parma), Yepes (Atalanta), Torosidis (Roma); Bonaventura (Atalanta), Cambiasso (Inter), Keita (Lazio); Cuadrado (Fiorentina), Cassano (Parma), Floro Flores (Sassuolo). Técnico: Roberto Donadoni (Parma).

quinta-feira, 13 de março de 2014

Ficou para o segundo jogo

Gol de Gómez deixa a Fiorentina mais do que viva no duelo italiano contra a Juve na Liga Europa (Ansa)
Já era esperado que os (bons) duelos das oitavas de final da Liga Europa fossem equilibrados, ao contrário do que aconteceu na maior parte dos jogos da Liga dos Campeões. No que diz respeito a Napoli e Juventus e Fiorentina, equipes italianas vivas na competição, não poderia deixar de ser diferente. Acompanhe as análises das partidas de ida, sabendo que tudo está mais do que aberto para os jogos de volta, que acontecem na próxima quinta, respectivamente em Nápoles e Florença.

Juventus 1-1 Fiorentina
Em Turim, a Fiorentina não permitiu que a Juventus vencesse o confronto de ida das oitavas de final da Liga Europa: 1 a 1, com gols de Vidal e Gomez. Os dois times tiveram seus momentos durante o primeiro tempo.

A Fiorentina começou em cima, pressionando demais o adversário em seu próprio campo. Cáceres, Isla e Pirlo tiveram dificuldade para tirar a bola da zona perigosa nos segundos iniciais de partida. Não tardou muito, porém, para a Juventus sair do campo de defesa e achar o primeiro gol. Foi uma boa jogada tramada por Marchisio e Giovinco, que terminou com a finalização de Vidal. Sem chance para o goleiro Neto.

O time da casa permaneceu com o domínio da partida até os 20 minutos. O meio-campista chileno, neste período, arriscou uma finalização de fora da área, totalmente sem perigo. De fato, o único lance mais surpreendente foi uma discussão entre Pizarro e Vidal, ambos chilenos. A partir da segunda metade da etapa inicial, a Fiorentina foi melhor. A Velha Senhora parecia que não tinha mais fôlego de avançar rapidamente pelas laterais e inverter o jogo para pegar Roncaglia ou Tomovic desprevenidos.

A equipe visitante prendeu a bola na frente e, aos poucos, ameaçou Buffon. Matri desviou de leve um chute rasteiro de Aquilani. A bola passou perto da trave. No travessão ela tocou após finalização de Borja Valero, desviada pela zaga. Antes do intervalo, Vidal também acertou o travessão do gol da Viola, depois de cruzamento de Pirlo. Àquela altura, os dois goleiros também já haviam trabalhado para evitar mais gols.

Os ânimos ficaram quentes na segunda etapa. Aliás, os 45 minutos iniciais tiveram pouca pegada. Nem parecia um das maiores rivalidades do continente. Durante um período, antes das substituições, era falta atrás de falta, pisão atrás de pisão. A Juventus deu o ritmo no tempo e controlou a partida como quis. Os volantes juventinos armavam o jogo e acionavam Llorente, que substituíra Osvaldo. Gómez (que entrou no lugar de Matri), contudo, marcou o gol de empate após bom lançamento de Ilicic. O alemão ganhou na corrida de Cáceres e Ogbonna antes de tocar na saída de Buffon.

Para a Viola, o gol foi ótimo para aumentar a chance de uma vaga na próxima fase da Liga Europa. Para o jogo, a Juventus saiu ao ataque nos últimos dez minutos. Llorente parou em Neto; Pogba finalizou rente à trave, para fora, da entrada da área. Gómez, inspirado, tirou dois da marcação, longe do gol, mas não acertou a baliza juventina. Valero também testou Buffon, que mandou pra escanteio, assim como na finalização fortíssima de Vargas. No final do jogo, a Fiorentina era melhor e teve mais chances de vencer. Antes, Neto havia evitado um placar mais elástico para a Juve, mostrando mais uma vez que vive ótima fase. Do lado violeta, surpreendeu a decisão de Montella de não utilizar Cuadrado, que ficou no banco por opção tática. O mesmo valeu para o capitão Pasqual.

No fim das contas, a primeira partida internacional entre os dois times foi boa. Melhor para a Fiorentina, revigorada com o empate. Pela Juve, Marchisio e Llorente deixaram o jogo com suspeitas de lesões. Espera-se que o confronto da semana que vem seja ainda melhor – assim como a final da Copa Uefa 1989-90.
 

Porto 1-0 Napoli
O Napoli disputa vaga na Liga dos Campeões, através da Serie A, e, no Campeonato Português, o Porto se encontra na mesma luta e, no domingo, ainda tem o confronto direto, no clássico contra o Sporting. Porém as duas equipes foram com força máxima para o jogo no Estádio do Dragão. Jogando fora de casa no tradicional 4-2-3-1, os azzurri jogaram dispostos a marcar e, eventualmente, apostar em contra-ataques. Por isso, no primeiro tempo, os azuis e brancos controlaram a posse de bola (62%) e tiveram duas boas chances. Pepe Reina apareceu e evitou o gol de Jackson Martínez e, quando não deu para o goleiro, a arbitragem tratou de apontar impedimento, após o gol legal de Carlos Eduardo. 

O empate sem gols deu ao Napoli a impressão de que poderia fazer mais na segunda etapa e foi isso que ocorreu. Benítez não mudou o time, mas os partenopei começaram em alta rotação e tiveram duas ótimas oportunidades com Higuaín, que Helton foi bem ao defender. Depois do grande momento na partida, os italianos sofreram o castigo por não terem aproveitado as chances. Quaresma (bem no jogo) bateu escanteio da direita e, após confusão na área, Martínez acertou belo chute de canhota para abrir o placar.

Com o 1 a 0 contra, Benítez fez mudanças, principalmente, na linha de três meias, que funcionou mal. Com Pandev e Mertens, nos lugares de Callejón e Hamsík (especialmente apagado na partida, assim como em toda a temporada) respectivamente, o Napoli equilibrou a posse de bola, mas não conseguiu assustar tanto, como havia feito no início do segundo tempo. A derrota pelo placar mínimo dá aos partenopei a condição de reverter o resultado no San Paolo, como declarou o técnico Rafa Benítez: “nós podemos fazer dois gols em casa”. (Pedro Spiacci)

Nada além do esperado

Nem mesmo com a volta de Balotelli o Milan conseguiu fazer frente ao Atlético (Associated Press)
Dois minutos. Esse foi o tempo que duraram as esperanças milanistas. Elas até eram grandes, mesmo com a derrota em San Siro no jogo de ida, mas após um erro de Essien e mais um vacilo de Rami, Diego Costa se esticou todo para completar para o gol, abrindo o placar para os Colchoneros. Ali, iam-se embora esperanças de milhões de torcedores. Não que o Milan fosse incapaz de conseguir uma simples virada contra o Atlético de Madrid, mas esse Milan certamente seria incapaz de virar o jogo contra esse Atlético.

O Milan, porém, foi aguerrido. Lutou, batalhou, se esforçou. A pressão inicial do time espanhol deu lugar à posse de bola rossonera. Posse e passes. Passes para um lado, passes para o outro. Em uma das raras investidas, o Milan mostrou a força de sua camisa e reagiu. Poli cruzou da direita e Kaká apareceu livre, nas costas de Juanfran para igualar o marcador. A esperanças ressurgiam, mesmo que timidamente. Afinal, era apenas a primeira finalização dos italianos em toda a partida, aos 27 minutos de jogo.

Enquanto o Atleti se retraia, para desespero de Simeone, o Milan aos poucos chegava. As chances eram poucas, mas sempre com muito perigo. Kaká teve a bola da virada – para alguns, até do jogo – em sua cabeça, mas ela passou sobre o travessão. No que era o melhor momento milanista no jogo, o time madrilenho achou o segundo gol. Arda Turan recebeu na entrada da área e chutou, meio que despretensiosamente, mas contou com desvio em Rami para ver a rede balançar, já no final da primeira etapa. Tudo o que o Milan não precisava.

Seedorf tentou colocar o time mais a frente e no intervalo trocou um inoperant Taraabt por Robinho. Mas o brasileiro manteve a “regularidade” e nada produziu. Ainda assim, foi dele a melhor oportunidade do Milan na segunda etapa, quando acertou o travessão. Mas a essa altura, a diferença já havia aumentado graças ao gol de Raúl Garcia, um dos melhores em campo pela equipe espanhola.

Entregue em campo, o Milan já alimentava mais uma desclassificação e “curtia” os últimos minutos da Champions League, já que na próxima temporada os rossoneros só a verão pela TV. Para jogar uma pá de cal no calvário, Diego Costa completou a goleada com um chute rasteiro, indefensável para Abbiati.

Sem Liga, nem Copas, o Milan luta para terminar a temporada dignamente. Na melhor das hipóteses, sobra uma vaga para a Liga Europa, ainda assim, não merecida por todos os erros dessa e de outras temporadas passadas. Cabe a Seedorf colocar a ordem na casa e se tudo der certo, colocar o Milan novamente na Champions em 2015-2016. Resta saber se com um time competitivo ou com mais um desses que chega à fase final e luta para não dar vexame no mata-mata.

Ficha técnica: Atlético de Madrid 4-1 Milan
Atlético de Madrid: Courtois; Juanfran, Godín, Miranda e Filipe Luis; Mario Suárez, Gabi, Koke (Diego) e Arda Turan (Cristian Rodríguez); Raúl Garcia (Sosa); Diego Costa. Técnico: Diego Simeone.

Milan: Abbiati; Abate, Bonera, Rami e Emanuelson; De Jong (Muntari), Essien (Pazzini), Poli, Kaká e Taarabt (Robinho); Balotelli. Técnico: Clarence Seedorf

Árbitro: Mark Clatenburg (ING)
Gols: Diego Costa, aos 3 e aos 85, Kaká, aos 27, Arda Turan, aos 40 e Raul Garcia, aos 71.

segunda-feira, 10 de março de 2014

27ª rodada: A terceira estrela vem aí

Com golaço de Asamoah, Juve bateu a Fiorentina e, com tropeço da Roma, encaminhou scudetto (AFP)
Mais uma rodada altamente positiva para a Juventus. Nos dois últimos finais de semana, a Velha Senhora ampliou sua vantagem sobre a Roma, que já era boa, em mais cinco pontos. Agora,a equipe treinada por Antonio Conte tem enormes 14 pontos à frente dos romanos, que ainda podem reduzir a vantagem para 11, caso vençam jogo atrasado contra o Parma, que vive excelente fase e não perde há 15 rodadas. Vida difícil – e mesmo que consiga reduzir a desvantagem, terá que contar com muitos tropeços juventinos. Sem Strootman, que perderá as 11 rodadas restantes, já dá para dizer que a Juventus está em piloto automático em um céu de brigadeiro rumo ao trigésimo título nacional de sua história.

Juventus 1-0 Fiorentina
Único time a conseguir derrotar a Juve nesse campeonato, a Fiorentina não repetiu o feito na tarde de domingo e já chega a sua quarta partida seguida sem vencer, deixando cada vez mais distante o sonho de disputar a Liga dos Campeões da próxima temporada. Do outro lado, a Velha Senhora continua sua campanha arrasadora e, com a derrota da Roma, já pode praticamente levantar a taça - 14 pontos separam as duas equipes na tabela. Foi a 14ª vitória seguida dos bianconeri dentro de casa, marca que iguala o recorde do Torino, em 1975-76.

A equipe de Antonio Conte foi muito melhor durante a primeira etapa e praticamente não deixou a Fiorentina passar do meio de campo. O zagueiro Barzagli era o homem mais recuado da Juve e jogava na intermediária da viola, iniciando as jogadas ofensivas. Apesar da pressão constante, o gol só saiu aos 41 minutos do primeiro tempo, depois que Asamoah deu lindo drible, entre três jogadores da Fiorentina, e finalizou no ângulo do goleiro Neto. Com a vantagem no placar, a Juve diminuiu o ritmo e o segundo tempo foi fraco, com apenas duas chances de gol para os visitantes. Assim, a Fiorentina continua com 45 pontos, na 4ª colocação e vê o Napoli muito à frente, com 10 pontos de vantagem. (Rodrigo Antonelli)

Napoli 1-0 Roma
Vacilante nos últimos jogos pela Serie A, o Napoli de Benítez deu uma bela resposta e reafirmou sua força no San Paolo contra os “grandes”. Agora com 55 pontos, os napolitanos abriram boa vantagem sobre Fiorentina e Inter, diminuíram a diferença para a Roma e praticamente definiram as disputas até o final do campeonato, a não ser que nada inesperado ocorra. Para a Roma, dura derrota numa partida em que foi superior e ainda perdeu seu principal meio-campista: Strootman, que vinha jogando no sacrifício por dores no joelho direito, rompeu o ligamento cruzado do joelho esquerdo, além de poder ter problemas no menisco, e está fora da temporada. O holandês, peça importante na seleção laranja de Louis van Gaal, também não virá ao Brasil para a disputa do Mundial.

Com a bola rolando, partida muito movimentada em Nápoles. Entre contra-ataques, tabelas rápidas e jogadas individuais, marcas de ambos os times, a Roma criou as chances mais claras com Gervinho e Michel Bastos, que formaram trio de ataque inédito com Florenzi, auxiliados por Pjanic, Nainggolan e Maicon. Já o time da casa encontrou dificuldades para construir oportunidades de gol com um Hamsík novamente fora de sintonia. Dos pés de Mertens saíram as principais chances, com Callejón e Higuaín eventualmente aparecendo pro jogo. Os romanos, que finalizaram 14 vezes e viram Reina garantir o zero no placar, contudo, não foram capazes de impedir a boa descida de Ghoulam pela esquerda e este acertar centro perfeito para a cabeçada de Callejón, vice-artilheiro dos partenopei na temporada, garantir a vitória diante de sua torcida, que retribuiu a homenagem dos produtores de “La Grande Bellezza”, vencedores do Oscar 2014 de melhor filme estrangeiro. (Arthur Barcelos)
Inter 1-0 Torino
Invicta há cinco partidas, a Inter voltou a se encontrar com a vitória após dois empates em um jogo muito seguro contra o bom Torino de Immobile e Cerci. Em casa, a equipe de Milão, que comemorava seu aniversário de 106 anos no dia da peleja, jogou com determinação e muita segurança, não dando chances aos granata, apesar do placar magro, e chegou aos 11 resultados úteis consecutivos no Meazza – a última derrota foi em outubro, para a Roma. O triunfo, sob os olhos do presidente Thohir, mantém a Beneamata na 5ª posição, com 44 pontos, agora apenas um atrás da Fiorentina, 4ª colocada. Já o Torino, com 36 pontos e na 9ª posição, fica mais longe da zona europeia.

A Inter chegou ao seu gol no primeiro tempo, aos 26 minutos, depois de boa tabela entre Palacio e Cambiasso, concluída com bonito passe do volante para que o seu compatriota encobrisse Padelli com uma cabeçada. Antes e depois, praticamente só deu o time da casa, que controlava a posse de bola e tinha o domínio territorial no gramado de San Siro. Nas poucas subidas do Toro, a defesa se comportava bem, mesmo desfalcada – destaque para Ranocchia, que após perder a titularidade por causa de seguidos erros, foi o melhor no setor azul e preto. No segundo tempo, um Torino que também estava com desfalques na defesa (três jogadores) começou a sair mais para o ataque, mas não encontrou seu gol, muito porque Immobile e Cerci foram bem controlados pela zaga interista. (Nelson Oliveira)

Parma 2-0 Verona
Logo atrás da Inter, na 6ª posição, o Parma começa a ver a Europa de mais perto. Em uma partida entre duas das surpresas da temporada, que brigam por uma vaga na Liga Europa – a outra é o Torino –, melhor para o time da casa, que no Tardini chegou a 15 partidas consecutivas sem derrota, um feito louvável para uma equipe com um orçamento bem inferior ao das cinco primeiras colocadas no campeonato, e até mesmo menor que o de times abaixo na tabela, como Milan, Lazio e Bologna. Apenas a Juventus (última equipe a vencê-la) tem retrospecto melhor neste momento da Serie A. Os parmenses tem 43 pontos, três a mais que o próprio Verona, 7º colocado, e dois a menos que a Inter, com quem ainda terá um confronto direto em casa, em abril.

Os emilianos chegaram a vitória de forma incontestável, mas também graças a dois erros do goleiro brasileiro Rafael. No primeiro lance, após cobrança de escanteio, Biabiany desviou chute cruzado, a bola tocou na trave e o goleiro não conseguiu segurá-la, empurrando-a para dentro. Já no segundo tempo, tentou driblar Cassano, perdeu a bola e foi encoberto pelo atacante: a bola caprichosamente tocou no poste, tirou o golaço do jogador, sondado para voltar à seleção italiana, mas não evitou que Schelotto aproveitasse o rebote. No restante do jogo, chamou a atenção a ótima atuação de Marchionni como regista e de Cassano como falso 9. No Verona, não bastou a boa partida de Rômulo. Toni pouco levou perigo, por causa da boa atuação de Paletta, e Jorginho, vendido ao Napoli, ainda faz falta: Cirigliano, ex-River Plate, não tem jogado bem. (NO)

Udinese 1-0 Milan
Genoa, Atalanta e Cagliari. A Udinese não conseguiu vencer seus últimos últimos três jogos do campeonato (e um pela Coppa Italia). O fim da série negativa aconteceu exatamente um mês após a última vitória ao bater o Milan por 1 a 0. No começo da partida, De Sciglio não conseguiu frear Pereyra, pelo corredor esquerdo, que só parou na defesa de Abbiati após vencer Mexès na corrida. A chance seguinte foi do visitante, em cruzamento de De Sciglio. Só que Pazzini não aproveitou a bobeira de Scuffet, que caçou borboletas no lance, e jogou a bola pela linha de fundo. Outro lance de perigo do Milan também saiu da combinação De Sciglio-Pazzini. O lateral cruzou e o atacante conseguiu um bonito chute de primeira para ótima defesa do goleiro da Udinese.

Na etapa final, mais Milan: cruzamento de Emanuelson logo aos 3 minutos para cabeçada de Robinho. Scuffet fez outra linda defesa. Numa excelente trama aos 22 minutos, a Udinese marcou o único gol da partida. Pereyra tocou para Bruno Fernandes, que passou imediatamente para Di Natale, a um passo da pequena área, vencer Abbiati. Mexès não acompanhou a jogada e deixou o capitão friulano livre. A Udinese abriu vantagem para a zona de rebaixamento depois da vitória no sábado. Já são dez pontos - o Livorno é o 18º, com 21. (Murillo Moret)

Lazio 0-1 Atalanta
Com o Estádio Olímpico praticamente vazio, em protesto contra o presidente Lotito (cerca de dois mil ingressos foram vendidos e muitos proprietários de carnês também deixaram de ir), a Lazio mais uma vez não jogou bem e foi derrotada pela Atalanta. Neste domingo, assim como em jogos recentes, os biancocelesti mostraram pouca criatividade e, nem mesmo a boa fase de Klose dessa vez foi suficiente. Sem inspiração, a primeira etapa foi tão vazia quanto o estádio. Candreva criou boas chances e González até chegou ao gol, que foi bem anulado por Peruzzo.

Na segunda etapa a partida melhorou, especialmente para a Atalanta que criou muito mais e passou a dar trabalho para Marchetti. O gol saiu aos 15 minutos, com Moralez. O argentino aproveitou rebote do goleiro laziale, que defendeu cabeçada de Estigarribia, e completou para o gol. O que estava ruim, piorou para a Lazio, que perdeu Candreva expulso minutos depois. Ainda assim, o time ainda criou boas oportunidades, sendo a principal com Biava, mas nada que impedisse a derrota, o distanciamento da zona de Liga Europa e as vaias ao final do jogo. Para a Atalanta o resultado foi excelente pois afasta a equipe da parte de baixo. (Caio Dellagiustina)

Chievo 2-1 Genoa
Lutando contra o rebaixamento, o Chievo conseguiu uma importantíssima vitória ante o Genoa, em casa, no último minuto, por 2 a 1. O primeiro gol saiu logo aos 4 minutos, quando Andrea Gervasoni viu Konaté puxar a camisa de Stoian. Paloschi converteu. Depois, Sturaro e Guarente acertaram a trave, e Gilardino foi flagrado em posição de impedimento após balançar a rede.

A segunda etapa também não foi movimentada. Os grifoni igualaram o marcador com Gilardino, que desviou a cobrança de escanteio em um mínimo espaço. Só que Motta, nos acréscimos, derrubou Lazarevic dentro da área. Paloschi, mais uma vez, bateu sem chances para Perin – no ano anterior, o atacante já havia feito três gols na sua antiga equipe. Em protesto pelo segundo pênalti marcado no jogo, o treinador Gasperini abandonou a área técnica. O Genoa deve lamentar a derrota no último minuto de jogo, uma vez que Lazio e Torino também perderam na rodada. (MM)

Sampdoria 4-2 Livorno
No jogo mais movimentado da rodada, não foi fácil para a Sampdoria vencer o Livorno. Lutando contra o rebaixamento, o time visitante deu muito trabalho, principalmente na primeira etapa, e conseguiu abrir 2 a 0, com uma doppietta do senegalês Mbaye. Muito atento ao jogo, o zagueiro apareceu bem na frente duas vezes e nas duas marcou para o Livorno, que comemorava sua saída da zona de rebaixamento com esse resultado. Mas a tranquilidade não duraria muito.

Já no fim do primeiro tempo, o técnico Mihajlovic mudou a Samp para um 4-3-3 e a equipe começou a melhorar. No intervalo, trocou De Silvestri e Obiang por Fornasier e Krsticic e o time voltou outro para o segundo tempo. Com mais disposição e organização, os donos da casa não demoraram para começar a reação: aos quatro minutos, Krsticic diminuiu. Aos 8', Fornasier cruzou e Ceccherini desviou para o próprio gol, empatando a partida. A virada veio com Okaka, em boa tarde. Ele marcou o gol do 3 a 2 e depois lançou Gabbiadini para fazer o quarto gol, que praticamente garante a salvezza. Já o Livorno, com 21 pontos - dois atrás do Bologna, primeiro time fora da zona -, continuará sua guerra contra o rebaixamento. (RA)
Catania 1-1 Cagliari
No confronto entre os dois representantes das ilhas Sicília e Sardenha, desvantagem para ambos. Os donos da casa não transformaram a superioridade em vitória e perderam a oportunidade de empatar com o Bologna fora da zona de rebaixamento. Já os visitantes, que abriram o placar, poderiam ter aumentado a vantagem de oito pontos para garantir com maior tranquilidade a salvezza, ainda que esta pareça bem garantida, restando 11 rodadas.
A partida foi de baixo nível técnico, poucas oportunidades, muitas faltas, escanteios e laterais. Em situação mais incômoda, os donos da casa buscaram mais o gol em jogadas rápidas com os laterais, pontas e Bergessio, mas só chegaram ao empate mesmo na bola parada de Lodi, que contou com desvio de Bergessio. Por sua vez, o Cagliari pouco incomodou num bom dia da defesa siciliana, a segunda mais vazada do campeonato, e abriu o placar depois de bate-rebate que terminou em boa finalização de Vecino, mostrando evolução e marcando seu segundo gol seguido. (AB)

Bologna 0-0 Sassuolo
O confronto era crucial para ambos, mais até para o Sassuolo, que precisa desesperadamente de pontos para fugir da última colocação. Porém, o derbi emiliano no Renato Dall’Ara foi de dar sono. O que se viu foram dois times com futebol muito pobre, refletindo suas posições na tabela. Ainda assim, Ballardini saiu contente, considerando o empate um bom resultado, mesmo seu time vencendo apenas uma partida nos últimos nove jogos. Com o empate, o rossoblù mantém-se fora da zona de rebaixamento, com dois pontos a mais que o Livorno.

Com Ibson pela primeira vez entre os titulares, o Bologna criou as primeiras chances, mas foi o Sassuolo quem chegou com mais perigo, com Sansone acertando o travessão de Curci. Mesmo após as vaias ao final do primeiro tempo, o Bologna continuou apático para a segunda etapa. Sansone teve mais uma boa chance para os neroverdi, mas pecou na hora da finalização. Christodoulopoulos criou as melhores oportunidades para o Bologna, sobretudo na bola parada, porém nada de o gol acontecer. A preocupação bolonhesa ficou por conta de Bianchi, que saiu lesionado e pode desfalcar a equipe nas rodadas finais. (CD) 
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Confira estatísticas, escalações, artilharia, além da classificação do campeonato, aqui.  

Seleção da rodada
Reina (Napoli); Paletta (Parma), Ranocchia (Inter), Mbaye (Livorno); Pereyra (Udinese), Marchionni (Parma), Cambiasso (Inter), Asamoah (Juventus), Brivio (Atalanta); Okaka (Sampdoria), Paloschi (Chievo). Técnico: Sinisa Mihajlovic (Sampdoria).

quinta-feira, 6 de março de 2014

Indefinição na zaga de Prandelli resolvida?

Paletta poderia ter sido testado antes, mas ganhou chance no final da trajetória azzurra e leva vantagem sobre rivais (AP)
O bom futebol ficou de lado no último amistoso da Itália antes da convocação de Cesare Prandelli para a Copa do Mundo de 2014. Em campo sem Balotelli, Rossi, Bonucci, Chiellini e sem Pirlo desde o início, a Nazionale foi a Madrid para fazer algumas experiências e não jogou bem contra a Espanha, no Vicente Calderón. A Fúria, por outro lado, também não fez grande partida, e contou com a superioridade física e boas atuações de Iniesta e Silva para passar pelos italianos. No final das contas, o único fator positivo para o técnico azzurro foi a possibilidade de ter resolvido uma indefinição na defesa. 

Porém, ainda há vagas em aberto e Prandelli não esconde. Uma amostra disso é que o técnico convocou 31 jovens jogadores para um estágio em Roma, entre os dias 10 e 12 de março – veja a lista completa aqui. Será a oportunidade que ele terá para observar alguns nomes não apenas para 2014, mas para o futuro – várias promessas que atuam em equipes da Serie B foram convocadas, visando um trabalho a longo prazo.

Ontem, contra a Espanha, Gabriel Paletta, zagueiro com cabeleira particular (vide foto que abre o post), que atua pelo Parma e é argentino de nascimento, mas tem bisavô e passaporte italianos, foi o grande destaque da Itália no jogo. O jogador de 28 anos, que teve passagem negativa pelo Liverpool e ganhou sobrevida no Boca Juniors, chegou a ser campeão mundial sub-20 no time de Messi e Agüero em 2005, e foi convocado pela primeira vez à seleção italiana, mesmo após já ter declarado no início de 2013 que aceitaria um chamado de Prandelli. 

No bom Parma de Donadoni, é titular desde 2010 e destaque desde 2011, mas nunca havia sido chamado porque enfrentava uma forte concorrência: além do trio juventino formado por Barzagli, Bonucci e Chiellini, que irá à Copa do Mundo, enfrentava as concorrências de Astori (Cagliari), Ranocchia (Inter) e Ogbonna (antes Torino, agora Juventus). Como os três estão longe da melhor fase, acabou convocado e foi o melhor italiano em campo. 

Contra a Espanha, foi responsável por anular Diego Costa, que, é verdade, teve apenas dois dias para se adaptar a um estilo de jogo muito diferente do que pratica no Atlético de Madrid. Apesar do atenuante, sem dúvidas Paletta ganhou pontos com o treinador, que pode levar apenas quatro zagueiros ao Mundial – De Rossi é visto como alternativa válida, em caso de improviso, e Prandelli não pensa em "queimar" vagas chamando um jogador em fase negativa.

Contra a Espanha, os quatro laterais tiveram atuação negativa, o que incomoda Prandelli, visto que ele ainda não tem os nomes certos para a posição – nem mesmo sabe se levará quatro ou três nomes; no segundo caso, considerando Chiellini como opção para o flanco esquerdo. Maggio, longe da melhor fase há mais de um ano, teve vida dura contra Jordi Alba, enquanto Criscito levou um baile de Pedro (assim como de Reus, no duelo entre Zenit e Borussia Dortmund, na Liga dos Campeões). No segundo tempo, Abate e De Sciglio ofereceram mais cobertura, mas sem brilho. 

Uma prova de que as laterais preocupam é que na lista de 31 jovens convocados para a concentração em Roma, sete atuam por ali – três na direita e quatro na esquerda. Pela destra, jogam De Silvestri (Sampdoria), Ceccherini (Livorno) e Darmian (Torino), enquanto na canhota atuam Biraghi (Catania), Brivio (Atalanta), Murru (Cagliari) e Romagnoli (Roma). 

Outros nomes mais velhos continuam sob avaliação e são favoritos em relação aos supracitados: casos dos laterais esquerdos Pasqual (Fiorentina) e Antonelli (Genoa). Pelo pouco tempo de treinamento, seria uma surpresa que algum dos jovens figure na convocação para a Copa, formada por 23 jogadores e uma lista de espera, com sete nomes. Como há tempo para treinar antes da lista final, Prandelli pode optar por uma escolha contingente, mesmo que o amistoso contra Luxemburgo, que acontece no dia 4 de junho, aconteça após a entrega dos 23 nomes, que ocorrerá no dia 2.

No gol, Buffon também não foi bem e falhou no tento espanhol, marcado por Pedro, mas é titular garantido no Brasil. Seu reserva imediato deve ser Sirigu, do PSG, e Marchetti, com falhas frequentes e o ostracismo na Lazio, deve perder a posição para o promissor Perin, do Genoa, que viajou para o amistoso na Espanha. Mirante (Parma), Bardi (Livorno) e Scuffet (Udinese) correm por fora.

O meio-campo foi o setor mais criticado pela imprensa italiana após o jogo no Vicente Calderón. Foi ali que a condição física italiana se mostrou mais crítica em relação a dos espanhois e fez Prandelli se preocupar, uma vez que a competição ocorrerá no fim da temporada e em condições climáticas potencialmente adversas para os azzurri. Muito por questões físicas, os italianos não conseguiram equilibrar a partida, e em momento algum tiveram o controle do jogo, o que mesmo contra a Espanha, que pratica um futebol com pressão e toque de bola, preocupou Prandelli, adepto de uma filosofia futebolística similar à roja. 

Apesar da partida negativa, Pirlo, Montolivo, Marchisio e Candreva são nomes certos no Brasil – Giaccherini, mesmo mal em seu clube, agrada Prandelli pela versatilidade e pode aportar por aqui. As outras dúvidas se dão primeiro pela possibilidade de Prandelli levar um entre Thiago Motta e Verratti: o segundo, constantemente envolvido em polêmicas e não utilizado em Madrid, parece um pouco fora de rota, o que abre caminho para Aquilani (Fiorentina), Parolo (Parma), Florenzi (Roma) e mesmo para Bonaventura e Cigarini (ambos da Atalanta). A escolha de Diamanti, que preferir ir fazer seu pé de meia na China, onde atua pelo Guangzhou Evergrande, também deve abrir uma vaga, no meio-campo ou mesmo no ataque.

O próprio ataque é um dos setores com mais indefinições. Primeiro, não se sabe se Rossi estará em forma para o Mundial _se estiver, será titular ao lado de Balotelli – e vários atacantes do país vivem fase negativa: Pazzini (Milan), El Shaarawy (Milan), Matri (Fiorentina), Osvaldo (Juventus). No amistoso desta quarta, Insigne (Napoli) nem chegou a ser utilizado, o que compromete suas chances de vir ao Brasil. 

Gilardino também não foi utilizado, mas é muito conhecido por Prandelli, que gosta do seu futebol, e não precisa ser testado. Em seus lugares, jogaram Destro (Roma) e Immobile (Torino), mas surpreendeu a escolha de Prandelli de não utilizar este segundo, que vive ótima fase, ao lado de Cerci, seu companheiro de clube. Certamente, os treinamentos foram mais úteis do que o jogo para os convocados desta vez.

A dificuldade de nomes se firmarem – hoje, apenas Balotelli, Cerci e Rossi, caso esteja em forma, parecem unânimes para Prandelli – faz com que nomes experientes, como os de Totti e Toni, que fazem ótima Serie A, possam ser considerados de última hora. O treinador já avisou que poderá convocá-los caso ache adequado, mas caso isso aconteça, será apenas na lista de 30 jogadores que sai no final de maio. 

Uma boa opção seria Berardi (Sassuolo), jovem de 19 anos que tem 12 gols na Serie A – entre os italianos, só Rossi (14), Toni e Immobile (13) tem mais –, mas como o jogador feriu o código de ética de Prandelli ao ser expulso por dar uma cotovelada em Molinaro com 20 segundos em campo, as chances se esvaíram – ele não foi convocado nem mesmo para o período de treinos da próxima semana. Gabbiadini (Sampdoria) e Sau (Cagliari), chamados para as sessões em Roma, agradecem. A corrida continua, as dúvidas também.

Ficha técnica: Espanha 1-0 Itália
Espanha: Casillas (Valdés); Azpilicueta, Javi Martínez, Sergio Ramos (Albiol), Jordi Alba; Busquets (Xabi Alonso), Thiago Alcântara, Fàbregas (Silva), Iniesta (Navas); Pedro (Cazorla), Diego Costa. Técnico: Vicente Del Bosque

Itália: Buffon; Maggio (Abate), Paletta, Barzagli, Criscito (De Sciglio); Thiago Motta (Giaccherini), Marchisio, Riccardo Montolivo; Candreva (Pirlo), Cerci (Immobile), Osvaldo (Destro). Técnico: Cesare Prandelli

Local: Estádio Vicente Calderón, em Madri (ESP)
Árbitro: Yevgen Aranovskyn (UCR)
Gols: Pedro, 18’/2T (Espanha)
Cartões Amarelos: Criscito, Destro (Itália) 
Cartões Vermelhos: Nenhum