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sexta-feira, 30 de maio de 2014

Retrospectiva da Serie A, parte 2

Contratação de peso no verão, Tévez era a peça que faltava à Juventus e foi o líder da equipe (AP)
Nesta semana, começamos a relembrar como foi a temporada no futebol italiano em nossa retrospectiva 2013-14. Começamos analisando as campanhas das dez equipes colocadas entre a 11ª e a 20ª posições no torneio, deixando para a segunda parte os melhores da Serie A. É hora de relembrar como os dez primeiros colocados viveram a temporada, em um campeonato que teve equipes médias praticando bom futebol, algumas grandes rateando, outros grandes jogando muita bola, mas a campeã de sempre dos últimos três anos: a Juventus. Boa leitura!

Confira a parte 1 da retrospectiva. Especial publicado também na Trivela.

Verona
A campanha: 10ª colocação, 54 pontos. 16 vitórias, 6 empates e 16 derrotas.
Ao final de 2013:
6ª colocação
Fora da Serie A:
Eliminado na quarta fase da Coppa Italia pela Sampdoria
Ataque: 62 gols, o quinto melhor
Defesa:
68 gols, a terceira pior
Time-base:
Rafael; Cacciattore, Moras (Albertazzi), Maietta (Rafael Marques, González), Agostini; Rômulo, Hallfredsson, Marquinho (Jorginho); Iturbe, Toni, Juanito (Jankovic).
Artilheiros: Luca Toni (20 gols), Juan Iturbe (8) e Jorginho (7)
Onipresentes:
Rafael (37 partidas) e Luca Toni (34)
Técnico:
Andrea Mandorlini
Craque:
Luca Toni
Decepção:
Ezequiel Cirigliano
Revelação:
Jacopo Sala
Sumido:
Daniele Cacia
Melhor contratação:
Luca Toni
Pior contratação:
Alejandro González
Nota da temporada:
7

Uma das grades surpresas da temporada, o Verona começou acertando a mão antes mesmo de a temporada começar. De cara, a equipe vêneta emplacou três contratações a baixo custo que se revelariam como algumas das melhores de 2013-14: Toni e Rômulo, oriundos da Fiorentina, e Iturbe, do Porto. Juntos, os três formaram um dos trios mais infernais do campeonato, e chegaram a números interessantes na temporada. Rômulo fechou o campeonato com 6 gols e 8 assistências, o que lhe deu um lugar na pré-lista de Prandelli para a Copa; enquanto Iturbe fez 8 gols e deu 4 passes para gol, o que fez o Verona pagar 15 milhões para contratá-lo junto ao Porto em definitivo – e, certamente, para revendê-lo a um preço ainda maior. O veterano Toni, meio desacreditado, marcou 20 gols, foi vice-artilheiro do campeonato, e ainda participou diretamente de outros sete gols dos butei.

Os scaligeri caíram de produção após a virada do ano, por causa da venda de Jorginho ao Napoli – Cirigliano, seu substituto, rendeu pouco, e Marquinho e Hallfredsson ficaram sobrecarregados. O Verona lutou até o fim por uma improvável paga na Liga Europa logo depois de retornar à elite, muito graças a seu bom retrospecto em casa. Também vale destacar a manutenção de uma boa base que está na equipe há um bom tempo, sentindo o drama das divisões inferiores, que tanto mexeu com a torcida. Mandorlini, técnico da equipe desde 2010, pode comemorar o bom retrospecto e o bom futebol de uma equipe ofensiva mas compacta, que complicou a vida dos grandes. Merece destaque também a temporada do goleiro Rafael, que está no clube há sete anos e, em sua primeira oportunidade na elite, foi um dos melhores do campeonato em sua posição, realizando o maior número de defesas entre todos os arqueiros da Serie A.

Lazio
A campanha: 9ª colocação, 56 pontos. 15 vitórias, 11 empates e 12 derrotas.
Ao final de 2013:
10ª colocação
Fora da Serie A:
Eliminada nas quartas de final da Coppa Italia pelo Napoli, nos 16 avos de final da Liga Europa pelo Ludogorets e vice-campeã da Supercopa da Itália
Ataque: 54 gols
Defesa:
54 gols
Time-base:
Berisha (Marchetti); Konko (Cavanda), Biava (André Dias, Ciani), Cana, Radu; Ledesma (Onazi, González), Biglia; Candreva, Mauri, Lulic (Keita); Klose.
Artilheiros: Antonio Candreva (12 gols), Miroslav Klose (7) e Senad Lulic (7)
Onipresentes:
Antonio Candreva (37 jogos), Senad Lulic (30) e Ogenyi Onazi (29)
Técnicos: Vladimir Petkovic (até a 17ª rodada) e Edoardo Reja (a partir de então)
Craque:
Antonio Candreva
Decepção:
Federico Marchetti
Revelação:
Keita Baldé
Sumido:
Gaël Kakuta
Melhor contratação:
Lucas Biglia
Pior contratação:
Gaël Kakuta
Nota da temporada:
4,5

Acabou a paz, acabou o amor. Em uma temporada turbulenta, a Lazio viveu muitos problemas fora de campo, que se intensificaram com o futebol ruim praticado pelo time na primeira parte da temporada, sob o comando de Petkovic (que acertou com a Suíça para o pós-Copa sem avisar à diretoria e foi demitido por justa causa), e, principalmente, com a venda de Hernanes para a Inter sem a chegada de um substituto à altura. Kakuta, que foi contratado por empréstimo para atuar na mesma função, atuou apenas 9 minutos em seis meses. Hélder Postiga, que foi contratado para dar opção a um Klose envelhecido e muito tempo de fora por problemas físicos, também mal entrou em campo. Por isso, torcedores fizeram protestos pela venda do clube, presidido por Claudio Lotito, e esvaziaram o Olímpico em grande parte do campeonato.

Em uma temporada cheia de decepções, vale citar que, além do atacante alemão, quem também foi muito mal foi o goleiro Marchetti, que perdeu a titularidade e a vaga na Copa do Mundo. Felipe Anderson, por sua vez, não aproveitou o momento negativo de titulares para ganhar oportunidades nem sob o comando de Petkovic nem sob o comando de Reja. Entre os destaques positivos, Candreva conseguiu levar o time nas costas e foi um dos melhores meias em toda a temporada italiana, garantindo seu lugar na Nazionale italiana. Onazi e Keita, fizeram um ótimo campeonato – sobretudo o atacante espanhol de origem senegalesa, que mostrou muita personalidade, habilidade e bom poder de finalização; marcando cinco gols. O clima de mudança que permeou a temporada biancoceleste deve aumentar, visto que a Lazio precisará de muita competência própria e tropeços dos outros times para voltar a disputar competições europeias no curto prazo. Afinal, competir com os orçamentos das gigantes Inter, Juventus e Milan e com as boas administrações e bons elencos de Roma, Napoli e Fiorentina não será fácil.

Um sai e o outro também? Milan termina 2013-14 indefinido
Milan
A campanha: 8ª colocação, 57 pontos. 16 vitórias, 9 empates e 13 derrotas.
Ao final de 2013:
13ª colocação
Fora da Serie A:
Eliminado nas quartas de final da Coppa Italia pelo Napoli e nas oitavas da Liga dos Campeões pelo Atlético de Madrid
Ataque: 57 gols
Defesa:
49 gols
Time-base:
Abbiati; Abate (De Sciglio), Mexès (Bonera), Rami (Zapata), Emanuelson (Constant); De Jong; Montolivo, Muntari (Poli); Taarabt (Honda, Robinho); Kaká, Balotelli.
Artilheiros: Mario Balotelli (14 gols), Kaká (7) e Sulley Muntari (5)
Onipresentes: Nigel De Jong (33 jogos), Mario Balotelli (30) e Kaká (30)
Técnicos:
Massimiliano Allegri (até a 19ª rodada) e Clarence Seedorf (a partir de então)
Craque:
Mario Balotelli
Decepção:
Keisuke Honda
Revelação:
Bryan Cristante
Sumido:
Stephan El Shaarawy
Melhor contratação:
Kaká
Pior contratação:
Matías Silvestre
Nota da temporada:
5,5

Por onde anda o estilo do Milan? Com uma direção dividida e com o rumo perdido, os rossoneri tem visto atitudes estranhas nos bastidores, mais demissões e declarações ríspidas que o normal. Nem mesmo ídolos estão garantidos e prova disso é que as permanências de Kaká e Balotelli não são unanimidade e Seedorf está sendo praticamente escorraçado mesmo depois de fazer a terceira melhor campanha do returno do campeonato. O holandês se aposentou como jogador e fez um bom trabalho, sobretudo se comparado aos últimos meses de um Allegri em fim de ciclo, que não conseguia motivar a equipe e que teve o pior início de temporada da era Berlusconi, com cinco vitórias, sete empates, sete derrotas, 31 gols marcados e 30 sofridos. Seedorf, sabemos, é um pouco arrogante e muito convicto de suas ideias, o que o fez se desentender com membros da diretoria e do time. Mas é suficiente para trocá-lo por Inzaghi?

Apesar dos bons momentos, o Milan de Seedorf nem chegou a ter os protagonistas esperados. Balotelli e Kaká lideram em gols e assistências, mas poderiam produzir mais – ambos tiveram momentos de marasmo em grande parte da temporada, especialmente o italiano. Honda, contratado para ajudar os dois, não se adaptou e fez seis meses abaixo da crítica. Dessa forma, quem brilhou foi Taarabt, contratado com alguma desconfiança junto ao Queens Park Rangers, e, pasmem, Muntari, que fez um bom campeonato no meio-campo do time, ao lado de De Jong e Montolivo. Na defesa, Mexès e Rami caminham para serem efetivados como dupla titular, depois de Seedorf ter bancado os dois entre os onze. O holandês, porém, teria dito nos bastidores que gostaria de trocar dois terços do elenco. Resta saber se Inzaghi pensa parecido...

Torino
A campanha: 7ª colocação, 57 pontos. 15 vitórias, 12 empates e 11 derrotas.
Ao final de 2013:
7ª colocação
Fora da Serie A:
Eliminado na terceira fase da Coppa Italia pelo Pescara
Ataque: 58 gols
Defesa:
48 gols
Time-base:
Padelli; Bovo (Maksimovic, Darmian), Glik, Moretti; Maksimovic (Darmian), Kurtic, Vives, El Kaddouri, Darmian (Pasquale); Cerci, Immobile.
Artilheiros: Ciro Immobile (22 gols), Alessio Cerci (13) e Omar El Kaddouri (5)
Onipresentes:
Daniele Padelli (38 partidas), Matteo Darmian (37) e Alessio Cerci (37)
Técnico: Gian Piero Ventura
Craque:
Ciro Immobile
Decepção:
Nicola Bellomo
Revelação:
Omar El Kaddouri
Sumido:
Marcelo Larrondo
Melhor contratação:
Ciro Immobile
Pior contratação:
Panagiotis Tachtsidis
Nota da temporada:
7,5

Por pouco, a temporada dos sonhos do Torino não terminou com voos mais altos. Ou ainda terminará? Foi a melhor campanha granata na elite desde 1991-92, quando ficou na terceira posição, mas com um pontinho a mais, a equipe teria conquistado uma vaga na Liga Europa dentro de campo. Pontinho (dois, na verdade), que poderiam ter chegado caso Cerci tivesse convertido pênalti nos acréscimos da última partida, que terminou empatada, contra a Fiorentina. Dramático, como quase tudo o que acontece com o Torino desde a tragédia de Superga, em 1949. Porém, a Federação Italiana puniu o Parma pela falta de um pagamento e o Torino, por enquanto, herda a vaga na Europa – cabe recurso ao TAS, o Tribunal Arbitral do Esporte, embora os precedentes favoreçam o Toro. Com ou sem imbróglio, a torcida só tem a aplaudir a trajetória do time, que começou o campeonato pensando em lutar contra o rebaixamento, mas, graças a cinco pilares fundamentais, encaixou e desempenhou um futebol agradável de se ver, dos mais ofensivos da Serie A.

Ventura, no terceiro ano sob o comando do Toro, já contava com dois de seus bruxinhos, o xerifão Glik e o veloz e habilidoso Cerci. Os dois continuaram sendo destaques na equipe (Cerci, por exemplo, marcou 13 gols e contribuiu com 9 assistências), que ganhou a adição de El Kaddouri, que, com 5 gols e 7 assistências, enfim despontou, após bom início no Brescia. Mas, principalmente, o Torino deve muito ao artilheiro Immobile, que marcou 22 gols na temporada, sagrando-se "capocannoniere" da Serie A. O atacante, formado na Juventus, marcou gols de todos os jeitos (menos de pênalti) e mostrou vasto repertório, merecendo a atenção de Prandelli. Outras boas surpresas foram Darmian, versátil defensor (joga nas duas laterais e até como zagueiro), que evoluiu muito na temporada, e o mediano Padelli, que fez temporada muito acima das expectativas na meta grená.

Cassano foi o diferencial em um Parma sólido
Parma
A campanha: 6ª colocação, 58 pontos. 15 vitórias, 13 empates e 10 derrotas.
Ao final de 2013:
8ª colocação
Fora da Serie A:
Eliminado nas oitavas de final da Coppa Italia pela Lazio
Ataque: 58 gols
Defesa:
46 gols
Time-base:
Mirante; Cassani, Paletta (Felipe), Lucarelli, Molinaro (Gobbi); Acquah (Gargano), Marchionni, Parolo; Biabiany, Amauri (Palladino, Schelotto), Cassano.
Artilheiros: Antonio Cassano (12 gols), Amauri (8) e Marco Parolo (8)
Onipresentes: Antonio Mirante, Marco Parolo, Mattia Cassani e Jonathan Biabiany (36 partidas)
Técnico:
Roberto Donadoni
Craque:
Antonio Cassano
Decepção:
Joel Obi
Revelação:
Pavol Bajza
Sumido:
Daniele Galloppa
Melhor contratação:
Antonio Cassano
Pior contratação:
Gianni Munari
Nota da temporada:
7,5

Delícia e amargor. Na segunda temporada completa de Donadoni à frente do Parma, a equipe emiliana alcançou o que tanto sonhava desde os tempos de Cesare Prandelli: uma vaga em competição europeia, o que não acontecia desde 2004-05, quando a equipe foi semifinalista da Copa Uefa. A conquista dentro de campo, conseguida apenas na última rodada, foi um prêmio a um dos times mais sólidos de todo o campeonato, e que já vinha fazendo boas campanhas nos últimos anos. A chegada de Cassano para esta temporada foi o impulso que faltava à equipe parmense para chegar aonde queria. Porém, a falta de um pagamento de 300 mil euros, em março, fez com que a Federação Italiana punisse a equipe com a perda da licença Uefa. Por enquanto, a vaga na Europa é do Torino, mas o Parma fará recurso ao TAS, o Tribunal Arbitral do Esporte. O que aconteceu, no entanto, foi que o presidente Ghirardi, irritado e frustrado com a decisão, colocou o time à venda, e a boa temporada vai ficando com ares melancólicos aos 45 do segundo tempo.

Dentro de campo, Donadoni teve um time titular bem definido e que variava do 4-3-3 para o 3-5-2, com futebol compacto, de muita marcação e vigor físico, mas boa qualidade técnica. Para o Parma tanto fazia jogar em casa ou fora – o desempenho da equipe era sempre satisfatório. Ademais, Donadoni merece os méritos por ter reabilitado diversos jogadores, como Cassani, Amauri, Biabiany, Schelotto, Marchionni, Palladino e o próprio Cassano, que, apesar de talentosíssimo, não vivia os melhores momentos de sua carreira. Fantantonio fez 12 gols no campeonato e foi o jogador que mais criou chances de gol no campeonato. Merecem destaque, ainda, o zagueiro Paletta, o goleiro Mirante e o meia Parolo, todos, assim como Cassano, pré-convocados por Prandelli para a Copa do Mundo.
Despedida de Zanetti marcou temporada de entressafra da Inter
Inter
A campanha: 5ª colocação, 60 pontos. 15 vitórias, 15 empates e 8 derrotas.
Ao final de 2013:
5ª colocação
Fora da Serie A:
Eliminada nas oitavas de final da Coppa Italia pela Udinese
Ataque: 62 gols, o quinto melhor
Defesa:
39 gols, a terceira melhor
Time-base:
Handanovic; Rolando, Ranocchia (Campagnaro), Juan (Samuel); Jonathan, Guarín (Hernanes), Cambiasso, Hernanes (Kovacic), Nagatomo; Álvarez (Icardi), Palacio.
Artilheiros: Rodrigo Palacio (17 gols), Mauro Icardi (9) e Yuto Nagatomo (5)
Onipresentes:
Rodrigo Palacio (37 partidas), Samir Handanovic (36) e Yuto Nagatomo (34)
Técnico:
Walter Mazzarri
Craque:
Samir Handanovic
Decepção:
Diego Milito
Revelação:
ninguém
Sumido:
Wallace
Melhor contratação: Mauro Icardi
Pior contratação:
Ishak Belfodil
Nota da temporada:
6,5

Comparando com a parada do campeonato para o inverno, todas as cinco posições da primeira Serie A ficaram inalteradas. Não houve qualquer mudança na colocação dos times e muito disso se deve à Inter – que, na verdade, até se esforçou para perder a 5ª posição, especialmente no segundo turno, tropeçando demais e sendo ultrapassada pelo Verona. Fato é que o campeonato da equipe de Milão foi altamente esbanjona. Nenhuma equipe refugou tanto quanto a gigante nerazzurra em 2013-14. Fora de todas as competições continentais, a Inter cedeu empates para times menores, deixou pontos escaparem pelo caminho quando partidas pareciam ganhas. E, quando precisou vencer alguns jogos, apesar de muita intensidade e volume de jogo, não foi suficientemente criativa. Suficientemente cínica. E, muito menos, teve sorte. Afinal, a sorte costuma acompanhar apenas os competentes. Foram quase 25 pontos perdidos assim. O suficiente para, de fato, brigar pela Liga dos Campeões. Fora da LC por mais um ano, Mazzarri permanece no cargo por ao menos ter colocado a equipe na Europa novamente. Também, por em alguns jogos, a equipe ter jogado bem. E, por mais que a defesa tenha errado, os números estão do seu lado: a Inter teve a terceira melhor retaguarda do campeonato.

Do ponto de vista individual, dá para dizer que a Inter teve bons valores. Handanovic até falhou em algumas oportunidades, mas foi monstruoso em outras, garantindo resultados. Ranocchia e Rolando tiveram momentos de irregularidade, mas fecharam a temporada em alta – ao contrário de Álvarez e Guarín, que percorrerm caminho inverso. Palacio continuou sendo certeza de gols e os brasileiros Jonathan e Hernanes foram peças-chave na campanha. Entre os jovens, Icardi e Kovacic tiveram atuações que os credenciaram a assumir papeis mais importantes no ano que virá. A temporada marcou, ainda, uma série de mudanças para a Beneamata: Moratti cedeu a maior parte das ações para Thohir e deixou de ser presidente do clube. Com ele, ao final da temporada, os últimos remanescentes da Tríplice Coroa deixaram o clube, em despedidas muito sentidas. O clã argentino, formado por Samuel, Cambiasso, Zanetti e Milito deixará saudades. Os dois primeiros, muito, porque demonstraram que ainda podiam atuar em alto nível; os dois últimos, menos. Zanetti ainda mostrou bons momentos, mas seguirá no clube, em cargo diretivo, e Milito teve uma temporada altamente negativa, mas permanece na memória dos interistas como o goleador de 2009-10.

Fiorentina
A campanha: 4ª colocação, 65 pontos. 19 vitórias, 8 empates e 11 derrotas.
Ao final de 2013:
4ª colocação
Fora da Serie A:
Vice-campeã da Coppa Italia e eliminada nas oitavas de final da Liga Europa pela Juventus
Ataque: 65 gols, o quarto melhor
Defesa:
45 gols, a quinta melhor
Time-base:
Neto; Tomovic (Roncaglia), Rodríguez, Savic, Pasqual; Aquilani, Pizarro, Borja Valero; Cuadrado, Rossi (Ilicic), Joaquín (Vargas).
Artilheiros: Giuseppe Rossi (16 gols), Juan Cuadrado (11) e Borja Valero (6)
Onipresentes:
Neto (35 partidas) e Gonzalo Rodríguez (33)
Técnico:
Vincenzo Montella
Craque:
Juan Cuadrado
Decepção:
Josip Ilicic
Revelação:
Ryder Matos
Sumido:
Mario Gómez
Melhor contratação:
Joaquín
Pior contratação:
Marcos Alonso
Nota da temporada:
7

É consenso: sem as lesões de Mario Gómez e Giuseppe Rossi, a Fiorentina poderia ter feito um papel ainda melhor em 2013-14. O alemão atuou em apenas 9 partidas do campeonato, e marcou três gols; enquanto o italiano teve um primeiro turno glorioso: 18 partidas e 15 gols marcados. Porém, na 18ª rodada, quando o Napoli tinha apenas três pontos a mais que a Fiorentina, uma entrada dura de Rinaudo o tirou de ação até a final da Coppa Italia. Ryder, Ilicic, Rebic e Joaquín, que não são goleadores, e Matri, que não vinha em boa fase, não conseguiram substitui-los à altura e a Fiorentina teve de se virar sem os dois por mais tempo do que o que seria confortável – mesmo assim, ainda ficou com o quarto ataque mais positivo. A Viola termina a temporada satisfeita por terminar à frente de Inter e Milan e com mais uma classificação à Liga Europa – faltou apenas o gosto do título da Coppa Italia, perdida frente ao Napoli. Na própria Europa League, a Fiorentina fez um bom papel, e por pouco não eliminou a Juventus, sua maior rival, nas oitavas. Contra a própria Juve, num 4 a 2 com tripletta de Rossi, no primeiro turno, a Fiorentina teve o seu ponto mais alto na temporada.

Sem os dois principais jogadores do time em campo, a responsabilidade ficou nos pés de dois outros grandes jogadores, que já tinham mostrado seu valor pelos gigliatti na temporada anterior: Cuadrado e Borja Valero, um primando pela habilidade, velocidade e chutes de fora da área – 11 gols marcados –, e o outro pelos passes açucarados – nove deles acabaram originando gols. Em alto nível, os dois estiveram entre os melhores em suas posições no campeonato. Assim como o goleiro Neto, que começou a temporada cheio de desconfianças, mas com ótimas defesas e atuações seguras, não só calou os críticos, mas também os rumores de contratações para o seu lugar. Hoje, titular absoluto, é um dos jogadores mais importantes de uma Fiorentina que continuará brigando no topo nos próximos anos.

Napoli
A campanha: 3ª colocação, 78 pontos. 23 vitórias, 9 empates e 6 derrotas.
Ao final de 2013:
3ª colocação
Fora da Serie A:
Campeão da Coppa Italia, eliminado na fase de grupos da Liga dos Campeões e nas oitavas da Liga Europa pelo Porto
Ataque: 77 gols, o segundo melhor
Defesa:
39 gols, a terceira melhor
Time-base:
Reina; Maggio (Henrique, Réveillère), Fernández, Albiol, Ghoulam (Réveillère); Dzemaili (Jorginho, Behrami), Inler; Callejón, Hamsík (Mertens), Insigne; Higuaín.
Artilheiros: Gonzalo Higuaín (17 gols), José Callejón (15) e Dries Mertens (11)
Onipresentes:
José Callejón (37 partidas), Lorenzo Insigne (36) e Dries Mertens (33)
Técnico:
Rafael Benítez
Craque:
Gonzalo Higuaín
Decepção:
Marek Hamsík
Revelação:
ninguém
Sumido:
Juan Camilo Zúñiga
Melhor contratação:
Gonzalo Higuaín
Pior contratação:
Anthony Réveillère
Nota da temporada:
6,5

Terceira posição, mais uma vez classificado à Liga dos Campeões e campeão da Coppa Italia. Ao final da temporada, dá para dizer que o Napoli teve temporada satisfatória? Na nossa opinião, não. Os azzurri investiram cerca de 100 milhões de euros nesta temporada, um dinheiro proveniente em grande parte da venda de Cavani ao PSG, e fizeram algumas ótimas contratações. Contratações que faziam o time brigar forte pelo título da Serie A, algo que foi ensaiado apenas nas primeiras rodadas. O fato de o Napoli ter caído no grupo mais difícil da Liga dos Campeões, ao lado de Arsenal, Dortmund e Marseille, e a desclassificação mais do que honrosa, com 12 pontos, amenizaria a situação, mas o fato de a equipe ter sido eliminada pelo Porto na Liga Europa, sobretudo após ter feito partidas ruins, não deixou boa impressão. Assim como a diferença final de pontos para a Roma (8). O número já é grande, e foi ainda maior durante o campeonato (chegou aos 16), e só ficou assim por causa de 9 pontos tirados nas três últimas (e inúteis) rodadas.

Vendo pelo lado positivo, os grandes investimentos ainda devem render frutos. Cavani era muito dedicado ao time como um todo e fazia muitos gols, mas Higuaín também é matador e fez ótima temporada (17 gols e 7 assistências), dando o peso necessário ao ataque em jogos complicados. Mertens e Callejón foram duas outras ótimas contratações e brilharam nesta temporada com a camisa azul, mostrando uma verve goleadora até inesperada. Reina também fez ótima temporada e nem deu chances para que Rafael lutasse pela titularidade, antes que o brasileiro se lesionasse – ainda assim, chegou a fazer oito partidas no campeonato, ou por lesão ou porque o espanhol estava sendo poupado. Entre os brasileiros, Henrique teve ótimos meses na lateral direita e ganhou uma vaga no grupo de Felipão para a Copa, enquanto Jorginho não chegou a jogar tão bem quanto no Verona. Entre os irregulares, ficaram os ídolos da torcida, logo perdoados. Insigne teve ótimos momentos no início e no final de 2013-14, mas teve queda acentuada no meio da trajetória napolitana. E Hamsík, apesar dos 7 gols, esteve muito aquém das suas próprias capacidades. Benítez, em bom ano à frente do Napoli após o fracasso com a Inter, ao menos pode esperar que o time renda mais nos anos seguintes e a equipe, de fato, brigue por mais conquistas.

Reforços como Benatia fizeram Roma brigar pelo título
Roma
A campanha: 2ª colocação, 85 pontos. 26 vitórias, 7 empates e 5 derrotas.
Ao final de 2013:
2ª colocação
Fora da Serie A:
Eliminada nas semifinais da Coppa Italia pelo Napoli
Ataque: 72 gols, o terceiro melhor
Defesa:
25 gols, a segunda melhor
Time-base:
De Sanctis; Maicon, Benatia, Leandro Castán, Dodô (Balzaretti); Pjanic, De Rossi, Strootman (Nainggolan); Gervinho, Destro (Ljajic), Totti (Florenzi).
Artilheiros: Mattia Destro (13 gols), Gervinho (9) e Francesco Totti (8)
Onipresentes:
Alessandro Florenzi (37 partidas), Morgan De Sanctis (36) e Leandro Castán (36)
Técnico: Rudi Garcia
Craque:
Mehdi Benatia
Decepção:
Michel Bastos
Revelação:
Alessio Romagnoli
Sumido:
Federico Balzaretti
Melhor contratação:
Mehdi Benatia
Pior contratação:
Michel Bastos
Nota da temporada:
8,5

No nosso guia para o início desta temporada, dizíamos: a Roma havia se reforçado muito bem, a partir das vendas de Marquinhos, Lamela e Osvaldo, e brigaria por uma vaga na Liga dos Campeões. Lutar pelo título seria exagero. Porém, Rudi Garcia e seus comandados surpreenderam a todos e deram um grande calor na Juventus, que mesmo atingindo mais de 100 pontos, só conseguiu comemorar o 30º scudetto na antepenúltima rodada. Uma prova de força dos romanos, que mesmo com um elenco inferior, se doaram muito em campo e mantiveram a disputa aberta – ajudou, também, o fato de a Roma não estar jogando competições europeias.

Com o mesmo 4-3-3 de Luis Enrique e Zeman, com com outra abordagem dentro de campo, Garcia fez o time jogar um futebol compacto, agressivo e de muita velocidade pelas pontas. Não foi à toa que a equipe venceu os 10 primeiros jogos e passou as 17 primeiras rodadas invicta, além de conseguir outras oito vitórias seguidas na reta final do campeonato. De Sanctis foi pouco exigido, até porque Maicon, Castán e Benatia (o melhor zagueiro do campeonato) fizeram uma linha defensiva implacável, auxiliada por Strootman (e Nainggolan), além de De Rossi. Na frente, Totti brilhou com 8 gols e 10 assistências, mas foi ofuscado pelas temporadas brilhantes de Gervinho (9 gols e 10 assistências), Destro (13 gols em 20 jogos) e Pjanic (6 assistências, 6 golaços e muita participação). A Roma entrou nos eixos, está endinheirada, construindo um novo e moderníssimo estádio e esta temporada pode ter sido, de vez, a porta de entrada da equipe no seleto grupo das gigantes italianas, formado por Inter, Juventus e Milan.

Juventus
A campanha: Campeã, 102 pontos. 33 vitórias, 3 empates e 2 derrotas.
Ao final de 2013:
1ª colocação
Fora da Serie A:
Campeã da Supercopa da Itália, eliminada nas quartas de final da Coppa Italia pela Roma, na fase de grupos da Liga dos Campeões e nas semifinais da Liga Europa pelo Benfica
Ataque: 80 gols, o melhor
Defesa:
23 gols, a melhor
Time-base:
Buffon; Barzagli (Cáceres, Ogbonna), Bonucci, Chiellini; Lichtsteiner, Vidal (Marchisio), Pirlo, Pogba, Asamoah; Tévez, Llorente.
Artilheiros: Carlos Tévez (19 gols), Fernando Llorente (16) e Arturo Vidal (11)
Onipresentes:
Paul Pogba (36 partidas), Kwadwo Asamoah (34), Carlos Tévez (34) e Fernando Llorente (34)
Técnico:
Antonio Conte
Craque: Carlos Tévez
Decepção:
Pablo Osvaldo
Revelação:
ninguém
Sumido:
Mirko Vucinic
Melhor contratação:
Carlos Tévez
Pior contratação:
Angelo Ogbonna
Nota da temporada:
9

Melhor em tudo: maior número de vitórias, menor número de derrotas, melhor ataque, melhor defesa, invicta em casa. Recorde histórico de pontos numa única edição da Serie A. A equipe treinada por Antonio Conte foi dominante no campeonato, apesar de um início claudicante, em que vencia, mas não convencia. Depois de seu time sofrer, pela única vez, quatro gols em uma única partida, diante da Fiorentina, na 8ª rodada, a história mudou e a equipe voltou a ser tão implacável quanto antes – perdeu apenas mais uma vez, para o Napoli. Para isso, contribuíram a garra e o ótimo futebol de Tévez, Vidal e Pogba, três dos craques do campeonato, cada vez mais no rol dos melhores do mundo em suas funções. Na frente, Llorente demorou a engrenar, mas foi o goleador que todos esperavam. Mais discretos, Asamoah, Buffon e Pirlo continuaram decisivos, enquanto Chiellini e Bonucci regeram a defesa, em uma temporada marcada pelos problemas físicos de Barzagli.

A Juventus só não leva 10 pela temporada porque, apesar de perfeita em solo nacional, não foi bem fora da Itália. A equipe caiu na Liga dos Campeões em um grupo bastante abordável (a nevasca e o "jeitinho turco" do Galatasaray, que danificou o gramado do seu estádio não justificam) e também não conseguiu chegar à final da Liga Europa, disputada em casa, mesmo com o melhor elenco da competição. Por isso, na próxima temporada, a Velha Senhora irá se dedicar mais à "Europa que conta". Outros pontos negativos foram as más temporadas de Osvaldo e Ogbonna.

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Retrospectiva da Serie A, parte 1

Berardi (ao centro) comandou o forte trio de ataque do Sassuolo, que garantiu a equipe na elite (AP)
A Serie A acabou faz pouco mais de uma semana, mas ainda temos o que falar dela. Nesta semana, faremos uma análise completa sobre como foi a temporada das 20 equipes que passaram pelos gramados da primeira divisão da Itália. Na primeira parte, falamos sobre as equipe que terminaram a temporada entre a 20ª e a 11ª colocação. Boa leitura!

Especial publicado também na Trivela.

Livorno
A campanha: 20ª colocação, 25 pontos. 6 vitórias, 7 empates e 25 derrotas.
Ao final de 2013:
19ª colocação
Fora da Serie A:
Eliminado na terceira fase da Coppa Italia pelo Siena 
Ataque: 39 gols, o quinto pior
Defesa:
77 gols, a pior
Time-base:
Bardi; Coda (Rinaudo), Emerson, Ceccherini; Mbaye (Schiattarella), Luci, Biagianti (Duncan), Greco (Benassi), Mesbah (Castellini); Emeghara (Siligardi), Paulinho.
Artilheiros: Paulinho (15 gols) e Luca Siligardi (5)
Onipresentes:
Francesco Bardi e Paulinho (ambos com 35 partidas)
Técnicos:
Davide Nicola (até a 19ª e da 35ª a 38ª rodadas), Attilio Perotti (20ª) e Domenico Di Carlo (21ª a 34ª rodadas)
Craque:
Paulinho
Decepção:
Ishak Belfodil
Revelação:
Francesco Bardi
Sumido:
Giuseppe Gemiti
Melhor contratação: Francesco Bardi
Pior contratação:
Ishak Belfodil
Nota da temporada:
4

Se algo salva a temporada do Livorno, foi o espaço dado a muitos jovens ao longo do campeonato. De volta à elite após três anos, a equipe voltou com poucas expectativas de permanecer na Serie A e, com a folha salarial mais baixa do campeonato, apostou. Em parceria com a Inter, contratou vários jogadores por empréstimo, que se desenvolveram bastante em sua primeira experiência real na primeira divisão – casos de Bardi e Mbaye, especialmente, e um pouco menos de Benassi e Duncan. 

Apesar de os jovens jogadores terem aparecido bem (a exceção foi Belfodil, que decepcionou tanto que ficou de fora da lista da Argélia pra Copa do Mundo), o time não suportou a presença de tanta gente inexperiente no elenco: dentre os jogadores mais utilizados, apenas quatro já haviam disputado mais de 20 jogos pela elite italiana antes de o campeonato começar, e o próprio técnico Nicola, que dirigiu a equipe na maior parte do campeonato, vinha apenas em seu segundo trabalho como treinador. Os labronici endureceram muitas partidas contra equipe do topo da tabela, mas cometeram erros bobos em demasia e, não à toa, fecharam o campeonato com a pior defesa e com o maior número de derrotas dentre os 20 times do certame. Apesar disso, três dos destaques do time atuam na parte de trás: Bardi, Emerson e Mbaye, além, claro, do brasileiro Paulinho, dono de bom repertório e um dos melhores atacantes da temporada.

Kone reage ao golpe: tradicional Bologna caiu
Bologna
A campanha: 19ª colocação, 29 pontos. 5 vitórias, 14 empates e 19 derrotas.
Ao final de 2013:
17ª colocação
Fora da Serie A:
Eliminado na quarta fase da Coppa Italia pelo Siena 
Ataque: 28 gols, o pior
Defesa:
58 gols
Time-base:
Curci; Antonsson, Natali, Mantovani (Cherubin, Sorensen); Garics, Krhin, Pérez (Pazienza), Kone, Morleo; Christodoulopoulos (Diamanti); Cristaldo (Bianchi).
Artilheiros: Panagiotis Kone (5 gols), Alessandro Diamanti (5) e Jonathan Cristaldo (4)
Onipresentes: Gianluca Curci (37 partidas), György Garics (34) e Mikael Antonsson (34)
Técnicos: Stefano Pioli (até a 18ª rodada) e Davide Ballardini (19ª em diante)
Craque:
Panagiotis Kone
Decepção:
Rolando Bianchi
Revelação:
Diego Laxalt
Sumido:
Daniele Paponi
Melhor contratação:
Diego Laxalt
Pior contratação:
Rolando Bianchi
Nota da temporada:
0

Após seis anos seguidos na Serie A, o tradicionalíssimo Bologna voltará à segundona. Não é exagero nenhum dizer que a diretoria pediu para isso. Uma sucessão de erros levou a equipe ao abismo e, por isso, o presidente Albano Guaraldi é o homem mais odiado da Emília-Romanha atualmente. A equipe, que tem o nono maior orçamento dentre as equipes que participaram do campeonato passado, vinha de dois campeonatos dignos, mas fez contratações estapafúrdias já no mercado de verão, e viu apostas complicadas darem errado – como Bianchi e Cristaldo (e, em janeiro, Acquafresca) para substituírem Gilardino e Gabbiadini, que estavam emprestados. A dupla anterior marcou 20 gols, enquanto os cinco atacantes bolonheses desta temporada (além dos três citados, os pífios Paponi e Moscardelli integravam o grupo) guardaram apenas quatro tentos. 

Não bastasse isso, Guaraldi ainda liberou Diamanti para o futebol chinês depois que o mercado de janeiro havia se fechado e teve de depender de Ibson e do fraco Friberg para tentar suprir a perda do trequartista, que, não precisa nem dizer, jogou no lixo a chance de jogar a Copa do Mundo com tal escolha. Com tantas opções esquisitas, não surpreendeu o fato de que o Bologna, time de pior futebol nesta temporada da Serie A, acabasse o campeonato com o menor número de vitórias e o pior ataque da competição. Nem adiantou que a dupla grega Kone e Christodoulopoulos tentasse iluminar os caminhos, porque não havia muita qualidade lá na frente. Outro grande problema foi demitir Pioli, que fazia bom trabalho, e deixar o time sob o comando de Ballardini, um dos mais tétricos treinadores do futebol italiano – que, sabe-se lá porquê, continua recebendo chances na Serie A. Sob seu comando, um dos melhores jovens da temporada, o uruguaio Laxalt, autor de dois gols sobre o Milan, quase não jogou, e foi preterido por Ibson e Friberg. É...

Catania
A campanha: 18ª colocação, 32 pontos. 8 vitórias, 8 empates e 22 derrotas.
Ao final de 2013:
20ª colocação
Fora da Serie A:
Eliminado nas oitavas de final da Coppa Italia pelo Siena 
Ataque: 34 gols, o segundo pior
Defesa:
66 gols, a terceira pior
Time-base:
Andújar (Frison); Peruzzi (Álvarez), Spolli (Bellusci), Rolín (Legrottaglie, Gyömbér), Biraghi (Monzón); Izco, Lodi (Rinaudo), Plasil; Barrientos, Bergessio, Castro (Leto).
Artilheiros: Gonzalo Bergessio (10 gols) e Pablo Barrientos (5)
Onipresentes:
Gonzalo Bergessio (30 partidas), Mariano Izco (30) e Lucas Castro (29)
Técnicos: Rolando Maran (até a 8ª e da 20ª a 32ª rodadas) Luigi De Canio (9ª a 19ª rodadas) e Maurizio Pellegrino (33ª em diante)
Craque:
Gonzalo Bergessio
Decepção:
Nicola Legrottaglie
Revelação:
Norbert Gyömbér
Sumido:
Sergio Almirón
Melhor contratação:
Francesco Lodi
Pior contratação:
Panagiotis Tachtsidis
Nota da temporada:
3,5

Catania descendo, Palermo subindo. Por pelo menos mais um ano, a Serie A continuará sem o quente dérbi siciliano e a causa disso é a incompetência do Catania, que caiu mesmo tendo um elenco capacitado para manter a equipe na elite com alguma folga. Os etnei sentiram muito a saída de três titulares (Marchese, Gómez e Lodi; o último retornou em janeiro) e fizeram um primeiro turno muito ruim, no qual a equipe jogou de forma diferente do que nos últimos anos e, sem jogadas ensaiadas e uma referência no ataque (Bergessio, com problemas físicos, e Maxi López, com problemas pessoais, foram mal até janeiro. Isso claramente derrubou a confiança de uma equipe que vinha quebrando recordes próprios ano após ano e que, em 2013-13, ficou na 8ª posição. Contribuiu para a queda, também, a prematura demissão do técnico Maran, que não recebeu o respaldo necessário para defender o recorde conquistado por ele. Quando o careca retornou, na metade do campeonato, havia pouco a ser feito, uma vez que De Canio não conseguiu arrumar a casa.

As muitas trocas de técnicos acabaram gerando uma grande indefinição na zaga e nem mesmo havia um goleiro titular definido. Mais à frente, Legrottaglie não foi nem sombra do bom zagueiro dos anos anteriores, e Spolli se lesionou demais. Isso abriu espaço para revelações, como Rolín e Gyömbér, mas também deixou o time menos experiente, sobretudo sem a garra de Almirón na volância. No final das contas, nem mesmo as quatro vitórias nas últimas cinco partidas, conquistadas pelo inexperiente Pellegrino serviram para salvar um time que foi muito mal fora de casa (conquistou apenas cinco de seus pontos longe do Massimino) e que demonstrou muita dificuldade de marcar gols.

Sassuolo
A campanha: 17ª colocação, 34 pontos. 9 vitórias, 7 empates e 22 derrotas.
Ao final de 2013:
18ª colocação
Fora da Serie A:
Eliminado na quarta fase da Coppa Italia pela Atalanta 
Ataque: 43 gols
Defesa:
72 gols, a segunda pior
Time-base:
Pegolo; Gazzolla, Antei, Cannavaro (Bianco, Acerbi), Longhi; Biondini (Marrone), Magnanelli, Missiroli (Chibsah); Berardi, Zaza, Floro Flores (Sansone, Floccari).
Artilheiros: Domenico Berardi (16 gols), Simone Zaza (10) e Antonio Floro Flores (7)
Onipresentes:
Simone Zaza e Gianluca Pegolo (ambos com 33 partidas)
Técnicos:
Eusebio Di Francesco (até a 21ª rodada e da 27ª em diante) e Alberto Malesani (22ª a 26ª)
Craque:
Domenico Berardi
Decepção: Jonathan Rossini
Revelação:
Domenico Berardi
Sumido:
Emanuele Terranova
Melhor contratação: Simone Zaza
Pior contratação:
Antonio Rosati
Nota da temporada:
7,5 

Grata surpresa desta temporada, o Sassuolo é um grande exemplo ao futebol italiano. O pequenino time da cidade homônima, de apenas 40 mil habitantes, jogou a Serie B pela primeira vez em 2008 e estreou na elite nesta temporada, conseguindo uma heroica salvação. Os neroverdi, inexperientes, começaram tomando uma série de cacetadas – incluindo um 7 a 0 em casa contra a Inter, maior goleada da competição –, mas evoluíram muito e conseguiram vitórias importantes contra Fiorentina, Milan, Sampdoria, Genoa e Atalanta, além de engrossarem o caldo contra diversos times da parte de cima da tabela. Não fosse a estreia do time na elite, o ótimo trabalho de Di Francesco poderia ser premiado com uma campanha mais confortável. Ainda assim, é uma temporada que merece aplausos. Em sua segunda participação na elite, o time irá em busca de outro milagre.

O modelo de negócio da equipe também merece ser olhado de perto. Um dos poucos times com estádio próprio na Itália (os outros são Juventus e Udinese, além da Roma, que iniciará a construção do seu), o Sassuolo é financiado por Giorgio Squinzi, dono de uma multinacional de materiais de construção. A equipe investe em prospecção de talentos e muito em jogadores italianos – todos os gols da equipe foram marcados por nascidos no país. Entre os jovens, o Sassuolo pode se orgulhar de ter no seu plantel o melhor trio de atacantes de menos de 23 anos do país, formado pelos infernais Sansone, Zaza e Berardi – os dois últimos, já da Juve –, que demonstraram futebol de gente grande, sobretudo na segunda metade da temporada. Berardi, o que mais se destacou, fechou a temporada com quatro gols contra o Milan, três contra a Sampdoria e 16 tentos e 9 assistências no total. Outros bons jovens na equipe são Marrone, outro da Juventus, Antei, emprestado pela Roma, e Chibsah, de propriedade do Parma. Vale ressaltar, ainda, que a equipe foi buscar nomes pouco badalados mas de bons números no campeonato, como Pegolo, Biodini, Floro Flores e Rossini – o último não deu certo, porém. Vale, ainda, o reconhecimento ao bom número de sócios-torcedores (8 mil) e a média de espectadores do estádio, superior à do tradicional e vizinho Parma.

Chievo
A campanha: 16ª colocação, 36 pontos. 10 vitórias, 6 empates e 22 derrotas.
Ao final de 2013:
16ª colocação
Fora da Serie A:
Eliminado nas oitavas de final da Coppa Italia pela Fiorentina 
Ataque: 34 gols, o segundo pior
Defesa:
54 gols
Time-base:
Puggioni (Agazzi); Frey, Dainelli, Cesar; Sardo, Rigoni, Radovanovic, Hetemaj, Dramé; Théréau, Paloschi.
Artilheiros: Alberto Paloschi (13 gols), Cyril Théréau (7) e Luca Rigoni (4)
Onipresentes:
Alberto Paloschi (34 partidas), Ivan Radovanovic (33) e Luca Rigoni (33)
Técnicos:
Giuseppe Sannino (até a 12ª rodada) e Eugenio Corini (da 13ª em diante)
Craque:
Alberto Paloschi
Decepção:
Sergio Pellissier
Revelação:
ninguém
Sumido:
Michele Canini
Melhor contratação:
Ivan Radovanovic
Pior contratação:
Alessandro Bernardini
Nota da temporada:
5

Observe um jogador como Radovanovic. Ele, provavelmente, não te diz muita coisa, e é isso mesmo. É a cara do Chievo: um volante sem muita técnica, mas de futebol combativo e aguerrido, que não desiste nunca. É tão cara do Chievo quanto um treinador careca sentado no banco de reservas e que orienta seu elenco a praticar um futebol compacto e defensivo. Não muda nunca e essa tem sido a fórmula dos clivensi há alguns anos. E, por mais percalços que apresente, ela tem sido suficiente para manter a equipe na elite da Serie A.

O Chievo começou o campeonato tropeçando muito, o que fez com que Sannino acabasse demitido. Corini, que já havia trabalhado na equipe na temporada passada, foi chamado de volta para controlar o incêndio e deixou a equipe fora da zona de rebaixamento durante todo o campeonato, garantindo a permanência na penúltima rodada. Para isso, contou com os 13 gols de Paloschi, que há tempos pede espaço em equipes mais competitivas e as boas atuações do experiente Dainelli, que foi bem na defesa e também marcou gols importantes. Entre as decepções, Théréau fez um campeonato abaixo do esperado e ainda conseguiu brigar com a pequena torcida gialloblù. O capitão Pellissier, por sua vez, marcou apenas um gol e caminha para um fim de carreira melancólico. Na próxima temporada, dificilmente veremos um Chievo diferente dos últimos anos.

Cagliari
A campanha: 15ª colocação, 39 pontos. 9 vitórias, 12 empates e 17 derrotas.
Ao final de 2013:
12ª colocação
Fora da Serie A:
Eliminado na terceira fase da Coppa Italia pelo Frosinone
Ataque: 34 gols, o segundo pior
Defesa:
53 gols
Time-base:
Avramov; Dessena (Pisano), Rossettini, Astori, Murru (Danilo Avelar); Eriksson (Nainggolan), Conti, Ekdal; Cossu; Ibarbo, Sau (Pinilla).
Artilheiros: Mauricio Pinilla (7 gols), Marco Sau (6) e Nenê (5)
Onipresentes:
Luca Rossettini (36 partidas), Davide Astori (34) e Daniele Dessena (33)
Técnicos:
Diego López (até a 32ª rodada) e Ivo Pulga (33ª em diante)
Craque:
Luca Rossettini
Decepção:
Davide Astori
Revelação: Marco Silvestri
Sumido:
Adryan
Melhor contratação:
Agim Ibraimi
Pior contratação:
Adryan
Nota da temporada:
6

Fora das quatro linhas, o Cagliari tem vivido em constante turbulência há alguns anos. Porém, mais uma vez a equipe sarda conseguiu garantir a permanência na Serie A, totalizando dez temporadas na elite italiana. Assim como no ano passado, a equipe teve sérios problemas envolvendo o seu estádio, e teve que jogar na distante Trieste por parte do campeonato e, a partir da 8ª rodada, no estádio Sant’Elia, com capacidade reduzida a menos de 5 mil torcedores. Em toda a temporada, os cagliaritanos colocaram menos gente em seu estádio em 19 partidas do que Inter e Milan em seu jogo de maior lotação. Além disso, o presidente Massimo Cellino comprou o Leeds United, da Inglaterra, e passou boa parte da temporada sem investir em sua equipe e buscando um comprador.

Valentes e alheios ao que acontecia fora de campo, os jogadores honraram a camisa e, em nenhum momento, a equipe chegou a estar realmente ameaçada de cair para a segundona. O bom desempenho no primeiro turno garantiu que a equipe pudesse diminuir o ritmo e mesmo assim continuar bem posicionada. A demissão do técnico López aconteceu muito mais por motivos de preferências – Pulga, seu assistente, iria se demitir, mas acabou ganhando o cargo –, do que por resultados negativos. Dentro de campo, a perda de Nainggolan foi pouco sentida, e mais uma vez a equipe viu Ibarbo, Sau, Pinilla, Conti, Ekdal e Rossettini fazerem bom campeonato. Abaixo da média foram Astori, que até perdeu sua vaga na Copa do Mundo, e Adryan, que deixou o Flamengo e não emplacou no futebol europeu.

Genoa
A campanha: 14ª colocação, 44 pontos. 11 vitórias, 11 empates e 16 derrotas.
Ao final de 2013:
9ª colocação
Fora da Serie A:
Eliminado na terceira fase da Coppa Italia pelo Spezia 
Ataque: 41 gols
Defesa:
50 gols
Time-base:
Perin; Antonini, Portanova (De Maio), Marchese (Burdisso, Manfredini); Vrsaljko, Sturaro (Biondini), Matuzalém, Bertolacci, Antonelli; Fetfatzidis (Konaté); Gilardino.
Artilheiros: Alberto Gilardino (15 gols), Luca Antonelli (3) e Emanuele Calaiò (3)
Onipresentes:
Mattia Perin (37 partidas) e Alberto Gilardino (36)
Técnicos: Fabio Liverani (até a 6ª rodada) e Gian Piero Gasperini (a partir de então)
Craque:
Mattia Perin
Decepção:
Adrian Stoian
Revelação:
Stefano Sturaro
Sumido:
Alessandro Gamberini
Melhor contratação:
Sime Vrsaljko
Pior contratação:
Mario Santana
Nota da temporada:
5,5 

O Genoa começou a temporada com investimentos menores do que em anos anteriores e apostando em Liverani como técnico, no seu primeiro trabalho como profissional. Porém, o trabalho do treinador não decolou e nem mesmo a ótima vitória no dérbi contra a Sampdoria salvou sua pele. Gasperini retornou ao clube em que teve sucesso e logo deu tranquilidade à equipe, que chegou a passar boa parte da temporada na metade de cima da tabela, mesmo com muitas mudanças no elenco, a lesão de Kucka, que o tirou da temporada na 11ª rodada, e o não aproveitamento de Lodi.

Utilizando um jogo forte pelas laterais e tendo Gilardino como referência, Gasperini abriu mão de seu 3-4-3 em grande parte da temporada, e também mostrou um lado mais conservador. Nem parecia um de seus times, que costumam marcar e sofrer muitos gols. Mais equilibrado, o Genoa desta temporada dependeu demais de Gilardino, que marcou mais de um terço dos tentos rossoblù. Atrás, Perin, que assim como Gila, retornava de empréstimo, assumiu a titularidade e foi um dos melhores goleiros do campeonato, com ótimas defesas e, muitas vezes, salvando resultados. À frente, surpreendeu o emprego de Marchese e Antonini, laterais, como zagueiros na maior parte da temporada. Até porque, nas alas, Vrsaljko e Antonelli fizeram boa temporada e seria difícil barrá-los. Não à toa, por depender tanto de uma única peça para fazer os gols e de poucas para evitá-los, os grifoni ficaram no meio da tabela.

Hora do adeus: fim de ciclo na Udinese
Udinese
A campanha: 13ª colocação, 44 pontos. 12 vitórias, 8 empates e 18 derrotas.
Ao final de 2013:
11ª colocação
Fora da Serie A:
Eliminada nas semifinais da Coppa Italia pela Fiorentina e nos play-offs da Liga Europa pelo Slovan Liberec
Ataque: 46 gols
Defesa:
57 gols
Time-base:
Scuffet (Brkic, Kelava); Heurtaux, Danilo, Domizzi; Basta, Allan, Badu (Lazzari, Pinzi), Pereyra, Gabriel Silva; Bruno Fernandes (Muriel); Di Natale.
Artilheiros: Antonio Di Natale (17 gols) e Emmanuel Badu (5)
Onipresentes:
Roberto Pereyra (36 partidas), Danilo (36) e Allan (33)
Técnico: Francesco Guidolin
Craque:
Antonio Di Natale
Decepção:
Luis Muriel
Revelação:
Simone Scuffet
Sumido:
Douglas Santos
Melhor contratação: Bruno Fernandes
Pior contratação:
Ivan Kelava
Nota da temporada:
4,5 

A pior Udinese dos últimos anos já apresentava sinais de que estava em fim de ciclo. Poucas contratações certeiras, o dono do clube, Giampaolo Pozzo, voltando atenções para outras agremiações, desgaste de Guidolin no comando da equipe e fim de carreira de Di Natale. Tudo isso permeou a temporada da equipe friulana, que não desempenhou bom futebol e acabou ficando apenas no meio da tabela, ao contrário dos últimos anos, que tiveram a classificação à Liga dos Campeões por duas vezes. No final das contas, a equipe teve um campeonato mediano, condizente com o futebol apresentado.

Olhando pelo lado positivo, a Udinese conseguiu valorizar alguns jogadores, como os razoáveis Gabriel Silva, Heurtaux, Widmer e os ótimos Bruno Fernandes e Scuffet – o último, já convocado para a seleção italiana, com apenas 17 anos. De bom, também, foi a recuperação do artilheiro Di Natale, que fazia temporada ruim, mas em 2014 marcou 13 gols, chegando aos 17 e a oito temporadas seguidas com mais de 10 tentos. Fora da Serie A, valeu ainda a boa campanha na Coppa Italia, competição em que a equipe eliminou Inter e Milan e caiu apenas nas semifinais, contra a Fiorentina. De ruim, o vexame que abriu a temporada: eliminação nas fases preliminares da Liga Europa, frente aos checos do Liberec. Resta saber como vai ser na próxima temporada, com novo técnico – Guidolin se tornou supervisor técnico dos times da família Pozzo (Udinese, Granada e Watford) – e provavelmente sem Di Natale, que tem mais um ano de contrato, mas anunciou, em janeiro, que pararia.

Sampdoria
A campanha: 12ª colocação, 45 pontos. 12 vitórias, 9 empates e 17 derrotas.
Ao final de 2013:
14ª colocação
Fora da Serie A:
Eliminada nas oitavas de final da Coppa Italia pela Roma 
Ataque: 48 gols
Defesa:
62 gols, a quinta pior
Time-base:
Júnior Costa; De Silvestri, Mustafi, Gastaldello, Regini (Costa); Palombo, Krsticic, Obiang; Gabbiadini, Soriano; Éder.
Artilheiros: Éder (12 gols) e Manolo Gabbiadini (8)
Onipresentes:
Lorenzo De Silvestri (35 partidas) e Manolo Gabbiadini (34)
Técnicos:
Delio Rossi (até a 12ª rodada) e Sinisa Mihajlovic (a partir de então)
Craque:
Éder
Decepção:
Gaetano Berardi
Revelação:
Vasco Regini
Sumido:
Bartósz Salamon
Melhor contratação:
Stefano Okaka
Pior contratação:
Bartósz Salamon
Nota da temporada:
6

A temporada doriana é claramente dividida entre antes e depois de Mihajlovic. Antes da chegada do treinador, a equipe treinada por Delio Rossi não jogava compactada e sofria gols demais, além de depender muito de Éder. Porém, o técnico, que foi ídolo na Samp como jogador, assumiu o comando blucerchiato e fez a equipe subir muito de produção, jogando de forma vigorosa e ofensiva – ao mesmo passo, chegou a acertar a defesa, que depois acabou sofrendo muitos gols, na reta final do campeonato. Foi, inclusive, na reta final da temporada que a equipe caiu de produção e não conseguiu entrar na briga por uma vaga europeia. Bom, ao menos para uma primeira temporada, o trabalho do sérvio foi positivo e, por isso, chegou a ter o contrato renovado após rumores de que Inter, Lazio e Juventus estariam interessadas em seus préstimos.

Dentro de campo, o brasileiro Éder foi o destaque do time, enquanto os outros brasileiros, Júnior Costa e Renan, foram coadjuvantes. O atacante, que chegou a negociar com o Vasco, viveu a sua melhor temporada na Serie A e não teve a titularidade ameaçada, mesmo não sendo um jogador de área. Entre os mais jovens, Okaka enfim conseguiu ter uma boa temporada, enquanto Gabbiadini não chegou a explodir e teve temporada levemente abaixo daquela feita em 2012-13, quando foi muito bem. Olho também em Mustafi, zagueiro muito físico que, apesar dos números negativos da defesa blucerchiata, entrou no radar da seleção alemã.

Denis foi destaque em uma Atalanta de recordes
Atalanta
A campanha: 11ª colocação, 50 pontos. 15 vitórias, 5 empates e 18 derrotas.
Ao final de 2013:
15ª colocação
Fora da Serie A:
Eliminada nas oitavas de final da Coppa Italia pelo Napoli
Ataque: 43 gols
Defesa:
51 gols
Time-base:
Consigli; Benalouane, Stendardo, Yepes (Lucchini), Brivio (Del Grosso); Raimondi, Carmona, Cigarini, Bonaventura; Moralez; Denis
Artilheiros: Germán Denis (13 gols), Maxi Moralez (5) e Giacomo Bonaventura (5)
Onipresentes:
Germán Denis (37 partidas), Andrea Consigli (35) e Luca Cigarini (33)
Técnico:
Stefano Colantuono
Craque:
Germán Denis
Decepção:
Marko Livaja
Revelação:
Daniele Baselli
Sumido:
Luigi Giorgi
Melhor contratação:
Mario Yepes
Pior contratação:
Constantin Nica
Nota da temporada:
7

Entre os times médios e pequenos, a Atalanta foi a campeã no quesito jogar em casa – a quinta melhor no campeonato. 36 dos 50 pontos da equipe nerazzurra foram conquistados no Atleti Azzurri d'Italia, um dos maiores caldeirões do país, com torcida inflamada – que, infelizmente, passa dos limites, às vezes, como quando atirou bananas sobre Constant, do Milan. Dentro de campo, porém, os bergamascos honraram os seus verdadeiros torcedores e fizeram uma campanha muito sólida, na qual a possibilidade de chegar a uma competição europeia, algo que não acontecia há mais de 20 anos, foi realidade até as últimas rodadas. Em 2013-14, a Atalanta pode se orgulhar de um feito histórico: pela primeira vez, conseguiu seis vitórias consecutivas na competição.

Mais uma vez, a Atalanta mostrou a força de um trabalho de continuidade no comando técnico do clube, na manutenção de suas principais estrelas e formação de jogadores. Stefano Colantuono é técnico há da equipe quatro anos e tem em mãos um grupo com atletas que atuam junto há tempos, como Denis, Moralez, Cigarini e Carmona, além de Consigli e Bonaventura, formados no clube. Baselli, pequena estrela também formada no CT de Zingonia, ganhou muito espaço neste ano e atuou em 28 jogos – olho nele, que pode ser o herdeiro de Cigarini, líder em assistências do time, com 7. Destacaram-se, ainda, os dois experientes zagueiros do time, contratados a custo zero – outra bela sacada dos orobici. Por outro lado, a equipe lamenta que Livaja, contratado sob boas expectativas, não tenha decolado – já foi até negociado com o Rubin Kazan. Dificilmente a Atalanta conseguirá avançar, mas terminar um campeonato sempre num cenário desses é como um scudetto para sua tifoseria.

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Jogadores: Claudio Caniggia

Nem Baresi conseguiu parar Caniggia na Copa de 1990 (Fifa)

Em todas as Copas não vencidas pelo Brasil, a torcida verde e amarelo tem a necessidade de colocar a culpa em alguém. Barbosa e Paolo Rossi provavelmente são os maiores vilões da seleção canarinho, mas um argentino também já fez muita gente chorar por nossas terras. Claudio Caniggia marcou o gol que sacramentou a eliminação da Copa de 1990, na Itália. E esse com certeza não foi o único bom momento de Cani no Belpaese.

Revelado nas categorias de base do River Plate, Claudio Caniggia jogou por três anos nos Milionários como profissional, deixando a Argentina para jogar no Verona, em 1988, por 3 bilhões de liras. No clube gialloblù, o cabeludo até teve bons momentos, mas marcou apenas três gols e uma fratura na perna tirou o atacante de ação por quatro meses. O Hellas, que havia vencido seu único scudetto há três temporadas, já começava a mostrar sinais de queda e Caniggia abandonou o barco antes do naufrágio, que seria o rebaixamento na temporada seguinte. E parece que o atacante gostou do norte italiano, porque quando ele deixou Verona, andou apenas cerca de 100 km, rumo a vizinha Bérgamo, onde atuaria por um time rival.

Antes de chegar à Lombardia, Caniggia jogou a Copa América no Brasil e viu a Argentina ficar com o terceiro lugar. Jogando pela Atalanta, Caniggia enfim começou a embalar. É verdade que ele não foi de grande serventia na primeira Copa Uefa disputada pela equipe na história, mas formando boa parceria com o sueco Glenn Strömberg e com o brasileiro Evair, Cani fez uma ótima Serie A. O argentino começou a cair nas graças do povo quando marcou o gol que garantiu uma vitória sobre a Juventus, mas o pavio curto do jogador ainda deixava a torcida com um pé atrás. Só na primeira temporada foram oito cartões amarelos.

Amigos, Maradona e Caniggia se encontraram na Itália (Interleaning)
A Copa de 1990 chegou e Caniggia não estava garantido na convocatória argentina, mas como diz o ditado: 'quem tem amigos não morre pagão'. E esse amigo que garantiu Claudio no Mundial foi ninguém menos que Diego Maradona. Dieguito confessou posteriormente que ameaçou o técnico Carlos Bilardo ao dizer que só iria para a Copa se Caniggia também fosse. Santa chantagem.

Após uma primeira fase modorrenta, a Argentina passou apenas como uma das melhores terceiras colocadas, enfrentando então o Brasil. Já no fim do jogo - que foi dominado pelo Brasil -, toda a marcação do time treinado por Sebastião Lazaroni partiu para cima de Maradona e deixou Caniggia livre. O atacante partiu em contra-ataque, driblou Taffarel e bateu para o gol vazio com a perna esquerda. Na semifinal, contra a forte Itália, dona da casa, Caniggia tirou o recorde de invencibilidade do goleiro Zenga, marcou mais um tento decisivo, e a Argentina acabaria por passar na disputa de pênaltis. A participação de Caniggia no Mundial só não foi perfeita porque em um lance infantil o cabeludo colocou a mão na bola, recebeu um cartão amarelo e ficou fora da final, jogo que a Argentina perdeu para a Alemanha.

De volta à Atalanta, Cani disputou a Copa Uefa mais uma vez e dessa vez o time avançou até as quartas de final, quando caiu diante da Internazionale, que ficaria com o caneco. Novamente o atacante não foi bem na competição continental, mas a exemplo do ano anterior, fez um ótimo campeonato nacional, marcando dez gols. Um número para lá de relevante principalmente porque Caniggia não tinha a função de ser o matador da equipe. O forte do atacante era a velocidade e nisso ele nunca decepcionou, chegando a correr 100 metros em pouco mais de 11 segundos. Graças a isso, Caniggia recebeu o apelido de "filho do vento" (pois é, Euller...).

Em 1991, o atacante sagrou-se campeão da Copa América, disputada no Chile, que deu à Argentina o direito de disputar a Copa do Rei Fahd, depois reconhecida pela Fifa como a primeira Copa das Confederações – a Argentina também foi campeã. Antes, na temporada 1991-92, o argentino já era ídolo e manteve sua média de gols, mas o meio-campo perdeu Fortunato e Bonacina, e a Atalanta acabou apenas na 11ª colocação. Na reta final, Caniggia ainda marcou em três jogos seguidos, contra Bari, Verona e Torino, mas isso só serviu para que sua saída fosse ainda mais sentida: o atacante estava de malas prontas para defender a Roma.

O atacante chegou à capital por 13 bilhões de liras e tinha como companheiros de setor Muzzi, Rizzitelli, Carnevale e um garoto recém-promovido das categorias de base chamado Francesco Totti. Caniggia foi titular na maior parte da temporada, mas na 24ª rodada da Serie A, no jogo contra o Napoli, o "Pássaro" foi pego no exame antidoping por uso de cocaína e recebeu uma pena de 13 meses fora dos gramados. O episódio deixou a imagem do argentino mais do que manchada e uma mudança de ares era necessária.

Pouco antes do final da suspensão, Caniggia foi para o Benfica, mas antes de chegar em Lisboa o atacante passou pelos Estados Unidos para disputar a Copa do Mundo de 1994. Contra a Grécia, o camisa 7 apenas assistiu o show de Batistuta, autor de uma tripletta, mas contra a Nigéria foi Cani quem deu as cartas, marcando os dois gols na vitória por 2 a 1. Após ser substituído no jogo diante da Bulgária, por lesão, Caniggia não esteve em campo na eliminação albiceleste para a Romênia.

Saindo do Benfica, o argentino voltou para casa para defender o Boca Juniors, onde ficou até 1998. Enquanto defendia o clube argentino, o loiro sofreu um duro golpe que quase colocou um ponto final em sua carreira: sua mãe cometeu suicídio se jogando do quinto andar de um prédio. Esse episódio fez com que Cani ficasse um ano sem jogar, entre 1996 e 1997, e foi decisivo para que o jogador ficasse fora da Copa de 1998. Também foi decisivo o fato de o jogador não querer cortar as suas longas e características madeixas, algo exigido pelo técnico Daniel Passarella.

Argentino foi ídolo da Atalanta (Tumblr)
Em 1999, a Atalanta amargou uma temporada na Serie B sem conseguir o acesso e depois disso não mediu esforços para subir à Serie A na temporada 1999-2000. Um ótimo time foi montado com Fontana, Siviglia, Cristian Zenoni, Bellini, Donati, Zauri, Damiano Zenoni, Cristiano Doni, Fausto Rossini e ele: Caniggia. O atacante topou voltar ao clube onde vivera seus melhores dias na Itália e a ótima campanha levou o time nerazzurro à vice-liderança e de volta à elite. Foi apenas uma temporada, com dois míseros gols marcados, mas sua disposição em voltar ao clube em um momento de dificuldades reforçou ainda mais o seu status de ídolo em Bérgamo. Mesmo que sua saída tenha sido ocasionada por uma briga com o técnico Giovanni Vavassori.

Caniggia foi então para a Escócia, onde defendeu o Dundee por uma temporada e o Rangers por dois anos. Chegou a ser convocado por Marcelo Bielsa para a Copa de 2002, aos 35 anos, mas além de não atuar em jogo nenhum, chegou a ser expulso estando no banco, na vexatória campanha argentina, com direito a eliminação na primeira fase, no grupo da morte, no qual se classificaram Suécia e Inglaterra. E depois disso partiu rumo ao Catar, onde jogou até encerrar sua carreira em 2004. Quer dizer... Mais ou menos...

Em 2012, aos 45 anos, Caniggia aceitou jogar pelo Wembley FC na Copa da Inglaterra. O argentino entrou em campo contra o Langford e abriu o placar na vitória por 3 a 2.

Claudio Paul Caniggia

Nascimento: 9 de janeiro de 1967, em Henderson, Argentina
Posição: atacante
Clubes: River Plate (1985-88), Hellas Verona (1988-89), Atalanta (1989-92 e 1999-2000), Roma (1992-94), Benfica (1994-95), Boca Juniors (1995-98), Dundee (2000-01), Rangers (2001-03), Qatar SC (2003-04), Wembley FC (2012).
Títulos: 1 Campeonato Argentino (85/86), 1 Copa Libertadores (1986), 1 Copa Intercontinental (1986), 1 Copa Interamericana (1986), 1 Campeonato Escocês (2002/03), 2 Copas da Liga Escocesa (2002 e 2003), 1 Copa da Escócia (2002), 1 Copa do Príncipe (2003/04).
Seleção argentina: 50 jogos e 16 gols.

segunda-feira, 19 de maio de 2014

38ª rodada: Ritmo de festa

Campeã, recordista e melhores números da Serie A. Esta Juve era mesmo insuperável (AP)

Na última rodada da Serie A 2013-14, o ritmo era de pré-temporada em quase todos os jogos. Quase todos os vereditos da temporada já haviam sido definidos e apenas a última vaga na Liga Europa permanecia em aberto, e a disputavam Torino, Parma, Milan e, com ínfimas chances, o Verona, que foi realista e entrou em campo sabendo que dificilmente superaria o Napoli e contaria com uma combinação de resultados. O ritmo, claro, acabou sendo de festa – mesmo que melancólica para alguns. Festa para a Juventus, para o Napoli, para quatro importantes personagens da história da Inter e para o Parma – ou para o Torino? Acompanhe o resumo. 

Juventus 3-0 Cagliari 
102 pontos, 33 vitórias, 89,5% de aproveitamento, 80 gols marcados. A campanha cheia de recordes da Juventus não podia terminar de outro jeito que não com uma vitória de respeito e festa da torcida bianconera. Os 3 a 0 sobre o Cagliari, com gols de Silvestri (contra, após bela cobrança de falta de Pirlo), Llorente e Marchisio, encerram mais uma temporada perfeita da Juve em solos italianos, mas com problemas sérios em campos continentais. A eliminação ainda na fase de grupos da Liga dos Campeões fez o próprio técnico Antonio Conte cogitar não ficar no clube para a próxima temporada.

Na tarde dessa segunda-feira, porém, o clube anunciou pelo Twitter acordo para Conte ficar e alegrou os torcedores, que continuam sonhando com uma conquista em nível europeu. O presidente Andrea Agnelli prometeu ao treinador condições de disputar o título da Liga dos Campeões. Para isso, Pogba talvez não permaneça no clube. O francês de futebol físico e requintado ao mesmo tempo pode virar dinheiro para que o clube invista em outras posições. Conte fará questão de acompanhar o trabalho dos dirigentes de perto para, finalmente, colocar seu nome entre os grandes da Europa. (Rodrigo Antonelli)

Parma 2-0 Livorno
Ainda com chances de chegar à Liga Europa, o Parma entrou na última rodada do campeonato na 7ª posição e precisando fazer sua parte contra o Livorno, além de torcer por um tropeço do Torino. Felizmente, para os torcedores da equipe crociata, que lotaram o estádio Tardini, tudo correu bem e os parmenses conseguiram, no campo, a classificação ao torneio continental. Porém, a licença Uefa do clube foi cassada pela Federação Italiana de Futebol e, por enquanto, a vaga é do Torino. O clube já anunciou que irá recorrer da decisão, julgando a decisão incondizente com os "esforços financeiros e futebolísticos da equipe, que lutou no campo e conseguiu sua vaga após anos de tentativas".

Dentro das quatro linhas, a partida não foi das mais agradáveis do ponto de vista do espetáculo. Bem postado taticamente, o Parma não chegou a ser, de fato, importunado pelo ataque livornês, que fechou 2013-14 em branco e agora só poderá balançar as redes novamente na Serie B. Porém, o Parma só foi chegar aos gols que decidiram a partida no segundo tempo, depois da entrada de Amauri. O atacante ítalo-brasileiro apareceu com tudo na pequena área e, de cabeça, abriu o placar, depois de bela cobrança de escanteio de Cassano. Já nos minutos finais, após outra bola alçada na área, o atacante testou firme, Anania não segurou e, no rebote, outro gol. Apesar do 2 a 0, o Parma só foi comemorar de verdade alguns minutos após o apito final, porque Torino e Fiorentina ainda jogavam. E algo incrível quase tirou a vaga gialloblù... (Nelson Oliveira)

Fiorentina 2-2 Torino
Faltavam dois minutos para o fim da partida em Florença e o Torino, 20 anos fora de competições europeias, tinha um pênalti a seu favor. A equipe precisava deste gol para garantir a 6ª colocação e comemorar a volta ao cenário continental. Seria a coroação de uma grande temporada, de muitos esforços para uma equipe apenas regular, mas bem treinada e com alguns ótimos jogadores. Coroar até mesmo os esforços do time naquela partida, na qual havia ficado em desvantagem no placar por duas vezes. Cerci, porém, chutou a bola nas mãos de Rosati e viu a vaga escorrer por entre seus dedos e ficar com o Parma de Donadoni e Cassano. Ou não, já que a Uefa cassou a licença parmense. Cenas dos próximos capítulos.

O empate em 0 a 0 no primeiro tempo servia ao Torino, que jogava contra uma Fiorentina sem objetivos na Serie A, mas se despedindo em um estádio que teve ingressos esgotados para celebrar a boa campanha violeta. Porém, no segundo tempo, Vives cometeu pênalti em Cuadrado, convertido por Rossi, que chegou aos 18 gols na Serie A. Ao mesmo tempo, o Milan vencia o Sassuolo e ia carimbando uma improvável vaga à competição, até que Amauri deixou o Parma com a vaga. Larrondo empatou o jogo para o Toro, mas pouco depois, Cuadrado puxou contra-ataque mortal e o croata Rebic virou, já no minutos finais. Moretti marcou para o Torino, mas teve gol anulado por falta de Larrondo sobre Roncaglia. Kurtic, com um tirambaço, deu novas esperanças para o Torino, que até teve o pênalti a seu favor, depois que Barreto se atirou na área. Cerci desperdiçou e a melancolia se abateu sobre o time grená. (NO)

Milan 2-1 Sassuolo
E o Milan está fora de competições europeias desde 1998-99. Não que seja surpresa, muito graças aos míseros 22 pontos do time de Allegri no primeiro turno, que nem mesmo um bom returno com Seedorf, a terceira melhor campanha (35 pontos, contra 41 da Roma e 50 da Juventus), conseguiu recuperar o estrago. Muito também porque o time do holandês, embora tenha melhorado consideravelmente, no 4-2-3-1 de início ou no 4-3-1-2 de final, perdeu pontos bobos e ficou atrás de Parma e Torino na tabela.

A partida no San Siro foi movimentada nas ocasiões de gol e ambos levaram perigo, porém os goleiros estavam em bom dia. O Sassuolo incomodou com seu trio Berardi-Zaza-Sansone, que soma 29 gols (67,7% dos marcados pelos neroverdi na Serie A) e 11 assistências, mas só passou por Abbiati no último minuto, quando Sansone sofreu pênalti de De Sciglio e Zaza converteu, diminuindo a vantagem construída pelos volantes Muntari e De Jong. A partida ainda teve três expulsos - Mexès, De Sciglio e Cannavaro, este suspenso por três jogos - e a volta de Terranova, capitão e rigorista original do Sassuolo, que sofreu gravíssima lesão em setembro e não entrava em campo desde então.(Arthur Barcelos)

Quarteto argentino se despede da Inter e encerra era na Pinetina (Inter.it)
Chievo 2-1 Inter
A partida não valia nada em termos de tabela para um Chievo já garantido na próxima Serie A e uma Inter com a 5ª posição e a vaga na Liga Europa garantidas. Por isso, muitos reservas no gramado do Bentegodi e uma partida morníssima, que só serviria para que a torcida interista se despedisse do clã argentino formado por Samuel, Cambiasso, Milito e Zanetti, um dos mais importantes da história nerazzurra, que deixam o clube – o capitão Zanetti permanece, mas como diretor; os outros jogarão em outras equipes. Samuel seria titular, mas teve problema muscular e não conseguiu entrar em campo. Nas tribunas, Massimo Moratti, presidente honorário da Inter, assistia o jogo. Nada mais simbólico para um fim de era.

Em campo, o Chievo foi melhor e chutou mais vezes ao gol defendido por Carrizo, chegando até a acertar a trave duas vezes na primeira etapa. No meio-campo, Lazarevic deu bastante trabalho aos milaneses, mas foi a Inter quem saiu em vantagem, com um gol de Andreolli, ex-Chievo. No segundo tempo, porém, outro ex do jogo, Obinna, entrou no Chievo e infernizou a defesa do seu antigo clube. Com um gol de fora da área e outro após infiltração, virou a partida e deu um fim de temporada feliz aos clivensi e melancólico aos interistas. (NO)

Udinese 3-3 Sampdoria
Pouco importava quem venceria o duelo da tarde no Friuli. Udinese e Samp ocupavam o meio da tabela, não corriam risco de rebaixamento e havia apenas um motivo para o estádio estar cheio: a despedida de Antonio Di Natale. Ídolo máximo da Udinese, o atacante de 36 anos entrou em campo para fazer sua última partida como jogador profissional - é verdade que ao fim do jogo ele pareceu balançado e afirmou que vai reavaliar a decisão da aposentadoria, mas até aquele momento tudo fora preparado para ver o adeus do goleador - e encheu de orgulho e alegria os torcedores bianconeri.

Com três gols, Totò, como é chamado carinhosamente pelos torcedores, se despediu mostrando que terá ausência sentida. Primeiro, ele marcou de falta. Depois, mostrou oportunismo duas vezes: completando cruzamento da esquerda e aproveitando falha da zaga adversária. A frieza à frente do goleiro fez de Di Natale um dos maiores artilheiros recentes da Série A. Ele fez 17 gols nessa temporada; 23 nas duas útimas, 28 em 2010-11; e 29 em 2009-10. Ao todo, foram 193 na elite do Campeonato Italiano e oito temporadas consecutivas marcando mais de 10 gols; em sete delas, mais de 20. A atuação de gala ofuscou a boa partida de Okaka pela Samp. Decisivo, ele fez um e participou dos outros dois gols dos visitantes, marcados por Éder e Soriano. (RA)  

Genoa 1-0 Roma 
Em outro jogo que não valia nada na rodada, Rudi Garcia mandou a Roma a campo com alguns jovens - Ricci e Jedvaj começaram o jogo e Mazztelli entrou depois para fazer sua estreia - e perdeu a terceira consecutiva. A sequência negativa, porém, não mancha o grande campeonato dos giallorossi, que fizeram campanha digna de campeão e garantiram a volta do clube à Liga dos Campeões. Foram incríveis 85 pontos em 38 jogos, com 26 vitóerias e 72 gols marcados.  

Do lado do Genoa, que fez partida ruim, mas achou um gol aos 38 minutos do segundo tempo - com Fetfatzidis -, a vitória serve como esperança para os torcedores que temiam dias difíceis. A equipe terminou na 12ª colocação, com 47 pontos, e ganhou aplausos da torcida pela dedicação. Resultado pra lá de bom para quem foi vaiado pelos apoiadores em alguns momentos do campeonato. (RA)
Napoli 5-1 Verona
Descompromissado, o Napoli entrou como um jogo qualquer: bastante ligado, buscando a vantagem cedo e não dando oportunidades pro oponente. O time de Benítez é o que mais fez gols no primeiro tempo nesta Serie A, e nesse domingo foram três em 25 minutos, massacrando o rival Verona e tirando qualquer chance do clube de Vêneto brigar pela última vaga na Liga Europa. Terminou ainda com o segundo melhor ataque (77, um recorde na história do clube) e a terceira melhor defesa, e também repetiu a mesma campanha da temporada passada, sob o comando de Mazzarri: 23 vitórias, nove empates e seis derrotas.

O jogo teve mais um show de Mertens, o napolitano com a melhor média no WhoScored junto a Inler, autor de dois gols e duas assistências diretas, e também doppietta de Zapata, atacante que chegou por um preço salgado, não mostrou muito serviço ao entrar no segundo tempo, mas aproveitou as oportunidades como titular: seis partidas, cinco gols e duas assistências. Insgine, com boa atuação e uma assistência, e Callejón, com um gol e uma assistência, completaram os 5 a 1 no San Paolo. O Verona, que ainda levou algum perigo para Doblas, só marcou com Iturbe. (AB)

Di Natale se despediu em grande estilo (Vavel)
Lazio 1-0 Bologna
Num jogo sem importância para as duas equipes, foi preciso esperar o último minuto para ver a rede balançar. Coube a Biglia o último gol da temporada italiana, convertendo  pênalti sofrido pelo brasileiro Felipe Anderson, e garantir a vitória que de nada ajudou a Lazio, terminando na nona colocação.

Os biancocelesti tiveram as primeiras chances, e Candreva até acertou o travessão. Na segunda etapa, a Lazio abdicou do jogo e viu o Bologna tomar as ações do jogo e criar boas chances com Ibson e Crespo, mas o gol sofrido no final apenas refletiu a deprimente temporada do Bologna, que terá de encarar a segunda divisão. (Caio Dellagiustina)

Catania 2-1 Atalanta
Na despedida da primeira divisão, o Catania deu ao menos um pouco de orgulho para sua torcida. Venceu a Atalanta e conseguiu sua terceira vitória seguida mas, insuficiente, devido ao pífio início de campeonato. Ainda assim, o time siciliano conseguiu subir mais um posto na classificação, amenizando a dor da queda e ainda impediu os bergamascos de alcançaram o recorde de 53 pontos na Serie A.

Após um primeiro tempo compatível com as posições de cada time, os gols apareceram na segunda etapa. O predominio dos elefantini se fez valer ao 20 minutos, quando Lodi abriu o placar. A Atalanta conseguiu o empate com Koné, que marcou seu primeiro gol com a camisa nerazzurra, mas já nos acréscimos, Bergessio aproveitou o pênalti e definiu a vitória. (CD)

Relembre a 37ª rodada aqui.
Confira estatísticas, escalações, artilharia, além da classificação do campeonato, aqui.
 

Seleção da rodadaBuffon (Juventus); Cuadrado (Fiorentina), Bonucci (Juventus), Paletta (Parma), Ghoulam (Napoli); Marchisio (Juventus), Jorginho (Napoli); Okaka (Sampdoria), Mertens (Napoli), Di Natale (Udinese); Amauri (Parma). Técnico: Roberto Donadoni (Parma).

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Considerações sobre os pré-convocados de Prandelli

Prandelli visita o estádio Tardini, de Parma. Parmenses tem quatro atletas na lista (Getty Images)

Mais uma convocação, mais surpresas entre os chamados por Cesare Prandelli. Nessa terça-feira, a Federação Italiana de Futebol enviou e divulgou a lista com os 30 nomes pré-convocados para a Copa do Mundo. Entre obviedades, algumas presenças e ausências inesperadas, o que deixa o mistério ainda maior com o “silêncio” de Prandelli. Ao todo, o técnico convocou 16 jogadores que estiveram com a seleção na Copa das Confederações.

O treinador não deu coletiva acerca da seleção e o fará apenas nos dias 20, 26 e 30, de acordo com o cronograma de Coverciano. Os treinamentos serão entre 19 a 30, até o amistoso contra a Irlanda no dia 31, em Londres. Depois volta para a Itália, em Perugia, onde enfrenta o Luxemburgo no dia 4, já com os 23 definidos. No dia 8, o amistoso final será contra o Fluminense, já em terras brasileiras, em Volta Redonda.

Mas, falando sobre os convocados, que é o que interessa, comecemos pelos goleiros. Aqui nenhuma surpresa, a não ser que alguém esperasse que o garoto Scuffet, da Udinese, estivesse ao menos no período de treinamento. Prandelli, contudo, preferiu chamar Mirante, uma opção mais experiente para substituir alguém entre Buffon (o capitão, que vai para a sua quinta Copa, igualando recorde de Carbajal e Matthäus), Sirigu (o jogador com mais convocações da era Prandelli) e Perin (o jovem mais indicado para receber chances). O goleiro do Parma, vale frisar, não está entre os 30. Foi apenas chamado para compor o grupo em Coverciano, em uma brecha do regulamento feito pela Fifa.

Entre os zagueiros, as escolhas de Chiellini, Barzagli e Bonucci eram óbvias. Paletta foi bem na única partida que fez com a camisa da Nazionale, contra a Espanha, e já era dado como nome certo após elogios de Prandelli. Ranocchia é a novidade, ganhando a vaga de Astori. O zagueiro da Inter, depois de início modesto com Mazzarri e dois meses sem entrar em campo, voltou em grande forma e talvez tenha sido o melhor zagueiro da Serie A desde março, com atuações sólidas. Sua presença é incerta, mas pela possibilidade de Prandelli optar por uma defesa a três e a má forma física recente de Barzagli, pode ser que venha para o Brasil.

Nas laterais, mais do mesmo com Abate e De Sciglio. Os dois laterais do Milan, que revezam na direita da defesa rossonera, têm o gosto de Prandelli e são nomes quase certos na Copa. Maggio é o lateral-direito natural da Itália, porém sofreu com pneumotórax nesta temporada e ficou fora de campo entre março e maio, mas retornou na semana passada e já foi titular. Se estiver 100%, estará no Brasil e muito provavelmente será o camisa 2 azzurro.

Pasqual não chega a ser novidade, mas sua preferência por Criscito sim. O capitão da Fiorentina vem em boa fase há algumas temporadas e correspondeu quando testado, ao contrário do ex-jogador do Genoa, que perdeu espaço com más atuações. Pode estar entre os 23 pela falta de laterais (na esquerda há De Sciglio e Chiellini, que seriam improvisações) e por ser muito bom como ala num sistema com três zagueiros. Darmian é uma opção segura para caso Maggio não esteja ok e Abate seja descartado, mas é difícil crer que o jogador do Torino esteja na lista final, mesmo que tenha sido o melhor lateral do campeonato e saber jogar em ambos os lados e, ainda, poder ser improvisado como zagueiro.

No meio-campo, Pirlo, De Rossi e Montolivo são os pilares do setor e serão titulares. Marchisio e Thiago Motta, hoje, são opções de confiança de Prandelli, mesmo que um não esteja em boa fase e o outro não convença quando atua pela Nazionale. Aquilani é nome apreciado pelo treinador, faz temporada regular na Fiorentina, mas também não encanta quando veste a camisa azzurra. Deve estar na lista final, mas não será surpresa se for cortado, isso porque Verratti é considerado o futuro do meio-campo italiano e seria interessante que estivesse no Brasil para amadurecer. Prandelli gosta do meia do PSG, mas também é providencial nos comentários e busca aconselhá-lo a ser mais que um “vice Pirlo”. Parolo, de boa temporada no Parma, já foi convocado antes e foi chamado novamente como última opção – seria uma surpresa vê-lo na Copa.

Os meias mais versáteis, Candreva e Rômulo, disputam posição. O meia da Lazio, e artilheiro na temporada, é nome certo e um coringa para Prandelli, por atuar em qualquer função pelo lado direito, ter técnica, dinâmica e bom comportamento. Rômulo é uma surpresa, já que o treinador tinha dúvidas até pouco tempo atrás, mas gostou do ítalo-brasileiro durante os testes em Coverciano. É versátil como Candreva, e inclusive uma reposição ao laziale. Suas chances de presença no Brasil, contudo, são pequenas.

Por fim, vamos à parte que gera mais questionamentos, o ataque. Como era esperado, Balotelli e Cerci foram chamados, mas são as únicas certezas no setor - isso na questão de estarem entre os 23, mas ambos, pela irregularidade e desempenho recente, geram dúvidas. Melhor atacante da Itália, Rossi voltou de lesão fazendo gols pela Fiorentina, mas ainda é dúvida pela condição física. Se Prandelli estiver confiante em ‘Pepito’, estará no Brasil, mas tem que estar 100%, visto que o clima brasileiro não é bem quisto pelo treinador. O artilheiro desta Serie A, Immobile, foi justamente chamado e muito provavelmente estará na Copa, mesmo que tenha apenas 22 minutos pela Nazionale. Dependendo do período de treinos e amistosos, não será surpreendente se compuser o time titular.

Por outro lado, difícil crer que Destro entre na lista final. Mesmo que tenha a melhor média de gols/minuto do campeonato e uma das melhores da Europa, e que faltem nomes para o ataque italiano, já teve sua orelha puxada por Prandelli, que ainda o vê como muito ingênuo. É um nome mais plausível para a Euro, mas tentará convencer o treinador durante os treinamentos.

Insigne, depois de muitas incertezas, foi bastante elogiado pelo treinador e teve vaga na Copa quase confirmada. Por ser o único ‘fantasista’ que compôs o elenco recentemente, e ter variabilidade tática, provavelmente estará no Brasil. Cassano é uma surpresa por ter ficado fora dos últimos dois anos, mas foi muito bem na Inter e carrega o Parma, como falso nove, centroavante ou ponta-esquerda. Essa versatilidade, somada com a experiência e inegável qualidade técnica, pode pesar na decisão final do treinador.

Confira os 31 convocados e suas chances de estarem no Brasil

Goleiros (serão três): Buffon (100%), Sirigu (100%), Perin (100%), *Mirante (0%)

Defensores (serão sete): Chiellini (100%), Barzagli (100%), Bonucci (100%), Paletta (100%), De Sciglio (100%), Abate (75%), Maggio (75%), Ranocchia (50%), Pasqual (50%), Darmian (25%)

Meio-campistas (serão oito): Pirlo (100%), De Rossi (100%), Montolivo (100%), Candreva (100%), Thiago Motta (100%), Marchisio (75%), Aquilani (75%), Verratti (50%), Rômulo (25%), Parolo (10%)

Atacantes (serão cinco): Balotelli (100%), Cerci (100%), Insigne (75%), Immobile (75%), Rossi (50%), Cassano (50%), Destro (25%)

*Mirante não foi relacionado na lista enviada para a Fifa

Quem ficou de fora
Entre os jogadores que perderam espaço com Prandelli, boa parte deles realmente não tinha mais muitas esperanças de convocação. Outros, como Gilardino, sempre contaram com o aval do treinador e ficaram de fora da lista final em um processo de rejuvenescimento da seleção.

No gol, Marchetti (Lazio), titular em dois dos três jogos da Itália na Copa de 2010, por ausência de Buffon, não foi considerado por motivos justos. Vale destacar que ele teve seis problemas de ordem física, inclusive um neste mês, e também com a diretoria, virando reserva de Berisha desde que Edy Reja voltou pro comando técnico laziale. Tecnicamente, também caiu, e por isso ficou de fora da lista. Scuffet, de apenas 17 anos, foi guardado para o futuro.

Entre os defensores, não surpreende a ausência de Astori, que teve ano abaixo da média pelo Cagliari. Já Ogbonna é uma das grandes decepções da temporada e foi mal na troca de clubes de Turim, gerando muitas críticas em Vinovo, onde não se encaixou na Juventus.

Chamou a atenção a ausência de Criscito. O lateral esquerdo do Zenit, cortado da Euro por suposto envolvimento no Calcioscommesse (acabou absolvido, depois), perdeu muito espaço, principalmente com grave lesão no ligamento cruzado, retornando a campo só neste ano. Foi testado contra a Espanha e foi mal. Reagiu mal após a frustração de ter novamente ficado de fora e a tendência é perder ainda mais espaço com Prandelli.

De Silvestri fora, após bom ano na Sampdoria, também não é escandaloso, visto que não aproveitou bem as oportunidades que teve. Balzaretti, da Roma, ficou fora por um motivo simples: basta dizer que não entra em campo desde novembro por uma tendinite. Além disso, atuou mal quando foi convocado. Antonelli, do Genoa, também perdeu espaço, apesar de ter sido presença frequente nas convocações da Nazionale.

Sobre os não chamados para o meio-campo, não surpreendem as ausências de Giaccherini e Diamanti. Eram nomes de confiança, mas um fez temporada fraquíssima na Inglaterra – foi titular em menos da metade dos jogos da Premier League e foi autor de apenas quatro gols e quatro assistências. O outro decidiu ir pra China, ao invés de buscar ajudar o Bologna a permanecer na Serie A, se destacando como estrela do time. Florenzi, pela versatilidade, era um palpite confiável, mas caiu de rendimento em 2014 e voltou para a reserva da Roma. Outros nomes, como Cigarini, Poli e Bonaventura, deverão ser utilizados no pós-Copa, mas pouco se esperava que, de fato, estivessem na lista.

No ataque, muito se falou sobre eventuais convocações de Totti, Toni ou Di Natale, mas era pouco provável que um dos jogadores estivesse na lista, porque Prandelli tem procurado dar chances aos mais jovens. Mesmo assim, foi uma surpresa a ausência de Gilardino, de bom ano no Genoa e nome sempre presente nas convocações do técnico. É o único centroavante com experiência que vinha sendo convocado, e por ser homem de confiança do treinador, gerou espantos por não estar nem entre os 30. Immobile, único atacante do grupo que marcou mais gols que o campeão mundial em 2006, agradece.

Já Osvaldo surpreende por ter sido titular nos últimos jogos e convocado constantemente desde a Euro. Mas nunca foi unanimidade, não brilhou quando esteve em campo e teve ano ruim em 2013-14, indo mal no Southampton e não conseguindo se firmar na Juventus. Por outro lado, a ausência do jovem Berardi, com 16 gols na Serie A, não surpreende, porque o jogador nunca chegou a ser considerado suficientemente maduro por Prandelli. É outro que, assim como Scuffet, deve aparecer nas convocações pós-Copa.

E El Shaarawy? Bem, basta colocar seus números nesta temporada: oito partidas, quatro como titular, substituído em três, um gol e nenhuma assistência. O talentoso atacante do Milan já não fazia bom primeiro semestre em 2013, e sofreu muito com problemas físicos no segundo e neste ano. Foram cinco lesões nesse período, entre problemas no joelho, na coxa e no pé (onde até operou, em dezembro). Foi muito bem nos 45 minutos contra a Atalanta, na última rodada, mas sua ausência é justa. Também fica para a Euro 2016. Já Giovinco, apesar de alguns bons jogos pela Juventus em 2014, foi reserva em toda a temporada e não é convocado desde a Copa das Confederações. Não faria sentido chamá-lo, nem para a lista dos 30.