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segunda-feira, 30 de junho de 2014

As piores campanhas da Itália em Copas

Pirlo e Balotelli eram destaques, mas não conseguiram classificar a Itália (Getty Images)
Nesta semana, pela segunda vez consecutiva, a Itália foi eliminada na fase de grupos de uma Copa do Mundo. Não dá para dizer que é novidade. A Squadra Azzurra é tetracampeã mundial e, ao lado da Alemanha, só não jogou mais Copas do que o Brasil, que atuou nos 20 Mundiais. Porém, das 18 vezes que jogou o torneio, em sete ocasiões a Itália caiu logo na primeira fase. Isso aconteceu de forma consecutiva entre os anos 50 e 60, pior momento da história da seleção, e as duas quedas precoces nas últimas Copas são um sinal de alerta. Aproveitando o fiasco italiano, elencamos as piores campanhas da Nazionale em sua história. Vamos a elas.

1º lugar: Copa de 2010
Sem dúvidas, a aventura da Itália na África do Sul resultou na pior campanha azzurra em sua história. Naquele momento, a seleção encerrava uma trajetória de 36 anos em que se classificava, no mínimo, às oitavas do mundial. O último fiasco havia acontecido em 1974, quando Valcareggi havia feito o mesmo que Lippi: apostou em um time demasiadamente envelhecido. Em um dos grupos mais fracos daquela Copa, a Itália não venceu nenhum jogo, algo inédito na história da Nazionale em Copas. Os azzurri conseguiram a proeza de empatar com a Nova Zelândia, e também pararam nos mais fortes (mas nem tanto), Paraguai (empate) e Eslováquia (a fatídica derrota que valeu a eliminação). Resultado: a última colocação do Grupo F e a 25ª colocação geral.

Apesar do vexame, a sensação à época era mesmo a de que a Itália não iria longe na Copa do Mundo. O técnico Marcello Lippi era muito criticado por sua teimosia. Responsável pelo tetra, quatro anos antes, retornava à seleção substituindo Roberto Donadoni e levava consigo alguns dos campeões em 2006, já bastante envelhecidos, como Cannavaro, Camoranesi, Zambrotta e Gattuso, e outros que pouco acrescentavam, como Iaquinta, Pepe e Bocchetti

Lippi foi criticado por não ter sido coerente com suas escolhas: se queria levar jogadores campeões em 2006, poderia ter dado espaço a Totti e Del Piero, que viviam boas fases. A falta de qualidade técnica do elenco era clara, e Lippi também foi criticado por, simplesmente por motivos pessoais, não ter convocado Balotelli, Cassano e Miccoli, e por ter dado poucas chances a Pazzini e Di Natale. É verdade que as lesões de Buffon e Pirlo, que jogaram poucos minutos no Mundial, também atrapalharam.

lugar: Copa de 1966
A segunda pior campanha da história da Squadra Azzurra aconteceu na Inglaterra. Na década de 1960, Inter e Milan dominavam o futebol italiano e, juntamente com Real Madrid e Benfica, eram os reis do cenário europeu. No planeta, apenas o Santos de Pelé e o Peñarol batiam de frente com as equipes. Porém, a seleção italiana vivia o pior momento de sua história, que chegou ao auge naquele Mundial. Entre 1950 e 1966, a Itália não conseguiu classificação à segunda fase da Copa do Mundo, e em 1958 não chegou nem mesmo a se qualificar ao Mundial – pela única vez na história, já que em 1930, a Itália não jogou o Mundial porque não aceitou o convite para participação. Na Copa da Inglaterra, o vexame foi pior que nos anos anteriores e se constituiu em um verdadeiro choque.

Em 1966, o elenco italiano era forte o suficiente para competir com os principais favoritos ao título – Inglaterra, dona da casa, a sempre forte Alemanha e um envelhecido Brasil. União Soviética, Portugal e Uruguai, assim como os italianos, corriam por fora. A Itália estreou bem, vingando derrota para o Chile na edição anterior, e fez 2 a 0, gols de Sandro Mazzola e Barison. Porém, a URSS freou a Itália no jogo seguinte. 

Um simples empate contra a estreante Coreia do Norte classificaria a Itália, mas Pak Doo-ik, no final do primeiro tempo, decretou a vitória da desconhecida seleção asiática, que se sagrou a primeira do continente a passar da fase de grupos em um Mundial. A Itália, que tinha jogadores como Mazzola, Rivera, Albertosi, Bulgarelli, Facchetti, Burgnich e Pascutti, fracassava. Dois anos depois, a Itália seria campeã europeia e, quatro anos depois, ficaria com o vice-campeonato mundial.

3º lugar: Copa de 2014
Cesare Prandelli parecia ser o homem certo para levar a Itália a uma boa campanha em uma Copa do Mundo, após o fracasso em 2010. Em quase quatro anos no cargo, experimentou jovens e deu à Itália um futebol propositivo, de posse de bola efetiva, no campo de ataque, e com boa média de gols marcados. Foi vice-campeão da Euro 2012 e terceiro colocado na Copa das Confederações. Porém, na Copa do Mundo, abriu mão de suas convicções e conduziu a Itália a um dos maiores fracassos de sua história futebolística.

Prandelli viu a sua Itália ser sorteada em um dos grupos mais complicados da competição, com três campeãs mundiais. No Grupo D, que também tinha Uruguai e Inglaterra, a Costa Rica era a azarona. E foi a pedra no sapato da Itália. Depois de estrear muito bem contra a Inglaterra, no calor e umidade de Manaus, a Itália jogou muito mal em Recife e foi derrotada pelos Ticos, comandados por Campbell e Ruiz. Na decisão contra o Uruguai, a Itália também jogou mal, contou com problemas disciplinares por parte de Balotelli e uma rigorosa expulsão de Marchisio (justamente os autores dos dois únicos gols da Azzurra no Brasil) e sucumbiu frente a problemas físicos e à Celeste, em Natal. 

Se arrastando em campo e com um futebol que em nada dizia respeito ao proposto, apesar da boa convocação, a Itália de Prandelli chegou a sua quarta derrota em jogos oficiais (as duas anteriores haviam sido na final da Euro 2012, para a Espanha, e na Copa das Confederações, para o Brasil). Perdeu quando não podia e colocou a evolução do futebol italiano em xeque.

4º lugar: Copa de 1974
Vice-campeã mundial em 1970, a Itália foi para o torneio disputado na Alemanha Ocidental como uma das favoritas a ficar com o caneco, que para os azzurri não chegava há 36 anos, desde que o bicampeonato foi conquistado, em 1938. Valcareggi, técnico da equipe, fez como Lippi em 2010: apostou na envelhecida base que tinha feito um ótimo Mundial anterior. E quebrou a cara.

A equipe era ótima, no papel. Tinha Zoff, Albertosi, Facchetti, Mazzola, Rivera, Burgnich, Riva, Causio, Boninsegna, Capello, Anastasi e Chinaglia, Re Cecconi e Wilson, trio que foi destaque no scudetto conquistado pela Lazio. Porém, os anos a mais nas pernas pesaram, e o time não rendeu o esperado em um grupo que tinha Haiti, a Argentina de Kempes, Perfumo, Wolff, Ayala, Heredia e Houseman e a Polônia de Lato, surpresa da Copa.

Os italianos estrearam no Grupo 4 fazendo 3 a 1 nos haitianos, de virada. No segundo jogo, a Itália também saiu atrás, mas ficou no empate contra a Argentina: 1 a 1. No último jogo do grupo, a equipe conseguiu evitar que o artilheiro Lato fizesse gols, mas o 2 a 1 sofrido ante a Polônia desclassificou os italianos. No mesmo horário, a Argentina enfrentava o Haiti e venceu por 4 a 1. Dessa forma, os azzurri não passaram à fase seguinte por causa de um gol a menos de saldo.

Norte-coreano Pak colocou a Itália no fundo do abismo em Middlesbrough (1966)
5º lugar: Copa de 1962
Após não garantir a classificação ao Mundial da Suécia, em 1958, depois de ser eliminada pela Irlanda do Norte, a Itália viajou para o Chile, em 1962, com um bom elenco. Treinada por Paolo Mazza e Giovanni Ferrari, a equipe tinha jogadores do calibre de Trapattoni, Cesare Maldini, Sivori, Radice, Salvadore, Lorenzo Buffon, Albertosi, Pascutti, Bulgarelli e os ítalo-brasileiros Sormani e Altafini. Porém, o grupo em que os italianos caíram não era nada fácil: tinha os chilenos, donos da casa, a Alemanha Ocidental de Seeler, Schnellinger e Haller, e a Suíça defensiva do técnico austríaco Karl Rappan, precursor do catenaccio.

Depois de estrear com um 0 a 0 frente aos germânicos, a Itália enfrentaria o Chile. Os jogadores chilenos estavam mordidos com as ferozes críticas dos jornalistas europeus ao fato de que um país subdesenvolvido e que havia sido vitimado por um terremoto dois anos antes pudesse sediar um Mundial. Antes da Copa, jornalistas italianos chegaram a ser expulsos do país. O fato de os azzurri Sivori e Maschio serem argentinos de nascimento também aumentava a rivalidade com La Roja. A partida, que ficou conhecida como A Batalha de Santiago, foi extremamente sangrenta e cheia de intervenções da polícia. Nem adiantou a Itália ter entrado em campo com buquês de cravos brancos para a torcida, em tentativa de selar a paz com os chilenos – foram vaiados.

Logo aos 7 minutos, o italiano Ferrini foi expulso após revidar falta dura de Landa. Na sequência, enquanto os jogadores discutiam com o árbitro Aston, Sánchez deu um murro e quebrou o nariz de Maschio. Como as substituições não eram permitidas à época, ele teve de ser macho (com o perdão do trocadilho) e jogar até o final. Aos 41 minutos, após nova confusão, Sánchez escapou de ser expulso novamente, pois o árbitro não viu um murro dele em David, após falta. O italiano revidou em jogada seguinte, com um chute nas costas, e aí sim o juizão inglês viu – e o expulsou. Com dois a menos e um jogador lesionado em campo, a Itália sofreu 2 a 0, com gols no segundo tempo, e não reagiu. Após a derrota, a equipe italiana viu a Alemanha Ocidental passar pelo Chile e apenas pode se despedir da Copa com um 3 a 0 sobre a Suíça, em jogo para cumprir tabela. Os italianos foram a maior decepção daquela Copa, juntamente com a Espanha de Gento, Suárez, Puskás e de um machucado Di Stéfano, que também caiu na fase de grupos.

6º lugar: Copa de 1950
Durante toda a década de 1940, a Serie A foi dominada pelo Torino. A equipe granata venceu cinco dos sete campeonatos disputados naquela década e, naturalmente, era a base da seleção italiana. Por causa da II Guerra Mundial, não houve Copa em 1942 e 1946, anos em que a Itália seria uma das favoritas pelo título, e edições do Mundial em que craques como Valentino Mazzola, Loik, Rigamonti e Gabetto poderiam brilhar. Em 1950, eles também poderiam jogar, mas o desastre aéreo de Superga matou todo o Grande Torino e desfalcou a seleção italiana para o Mundial, do qual participava por convite, por ter sido campeã na edição anterior, em 1938.

Dessa forma, a Itália embarcou para o Brasil de navio, e não de avião. A delegação teve todas as despesas pagas pela Fifa, uma vez que o país havia sido arrasado pela guerra. No grupo de jogadores que vieram ao Brasil, sem os craques do Torino, destacavam-se o interista Amadei e os juventinos Parola e Boniperti (ainda jovem, com 22 anos). 

Jogando no Grupo 3, ao lado de Suécia e Paraguai (a Índia desistiu de participar do Mundial), a Itália estreou no Pacaembu frente a Suécia, e sofreu uma virada: 3 a 2. Andersson e Jeppson, autores dos gols escandinavos, até foram jogar na Bota depois (o segundo fez carreira, atuando por Atalanta, Napoli e Torino). Aquele placar fazia a Itália torcer para o Paraguai vencer os suecos no segundo jogo do grupo, mas um empate desclassificou os azzurri. Na despedida, novamente no Pacaembu, o 2 a 0 frente aos sul-americanos foi apenas uma consolação por uma campanha que poderia ter sido gloriosa.

7º lugar: Copa de 1954
A segunda vez em que a Itália caiu na fase de grupos da Copa do Mundo tem semelhanças com a eliminação mais recente, exatos 60 anos depois. A Azzurra caiu no grupo da morte, com Inglaterra, Bélgica e a Suíça, dona da casa. A base da seleção (seis jogadores) era a Inter, bicampeã italiana, mas cujos maiores destaques eram o sueco Skoglund e o húngaro Nyers. Entre os italianos, o melhor interista era Lorenzi, atacante. Além dos nerazzurri, a seleção tinha também Boniperti e mais quatro jogadores da Juventus, vice-campeã por duas vezes seguidas, e quatro da Fiorentina, terceira colocada.

Segundo o regulamento daquele Mundial, as duas seleções consideradas mais fortes dos grupos não se enfrentariam, e cada equipe faria apenas dois jogos. Assim, a Itália estreou contra a Suíça, treinada por Karl Rappan, e perdeu por 2 a 1. Na partida, Lorenzi teve um gol anulado e o árbitro brasileiro Mário Viana foi duramente criticado pelos azzurri, que chegaram até mesmo a agredi-lo fisicamente no caminho para os vestiários. Na segunda partida, a Itália goleou a Bélgica por 4 a 1, e graças à vitória inglesa sobre os helvéticos, por 2 a 0, a decisão ficou para uma partida-desempate. 

Na Basileia, a Itália perdeu por 4 a 1 (dois gols nos minutos finais) e amargou a desclassificação. Porém, dificilmente aquela equipe seria páreo para a Hungria de Puskás, Kocsis e Hidegkuti ou para a Alemanha Ocidental de Fritz Walter e Rahn.

terça-feira, 24 de junho de 2014

Tragédia de Natal: o futebol italiano em xeque

Acabou para Prandelli? O técnico pediu demissão e o futuro da seleção está em dúvida (Getty Images)
"Se a Itália não se classificar, será um fracasso", disse Buffon em entrevista coletiva antes da partida contra o Uruguai, em Natal. Na Arena das Dunas, a Itália fracassou: perdeu por 1 a 0 para a Celeste e caiu na primeira fase de uma Copa do Mundo pela segunda vez seguida. E fracassou porque não jogou diante dos uruguaios, mas principalmente diante dos costarriquenhos, como vinha atuando em partidas oficiais. A queda precoce atingiu até mesmo a cúpula da delegação, uma vez que Cesare Prandelli e o presidente da Federação Italiana de Futebol – FIGC, Giancarlo Abete, entregaram seus cargos.

Os números dizem. Antes do Mundial, a Itália havia perdido apenas dois jogos oficiais sob o comando de Prandelli: contra a Espanha, na final da Euro 2012, e contra o Brasil, na Copa das Confederações. Em terras brasileiras, a Itália só atuou conforme o programado pelo treinador contra a Inglaterra, em Manaus, quando teve uma excelente atuação, e somou o mesmo número de derrotas que em quatro anos de trabalho. Logo no Amazonas, para o qual houve até preparação especial, com sauna climatizada no centro de treinamentos de Coverciano. Parece, no entanto, que a Itália não se preparou o suficiente para as partidas das 13 horas, em Recife e Natal.

Tanto contra a Costa Rica quanto contra o Uruguai, a Itália teve a bola, mas não agrediu o suficiente. Foi preguiçosa, atuou em ritmo lento e sentiu o desgaste físico. No final do segundo tempo contra o Uruguai, a equipe mal conseguia correr. 

Os últimos minutos foram dignos de pelada de fim de ano da firma. Parolo, que entrou no intervalo, substituindo Balotelli, estava exausto. Por mais que o clima italiano seja muito diferente do brasileiro, a preparação física no Belpaese é deficitária. Em nível de clubes, as equipes da Itália estão atrás das outras europeias de campeonatos de ponta e chegam ao final de temporada muito mais desgastadas.

Apesar dos problemas físicos, o que mais pesou foi o abandono da proposta de futebol por parte de Prandelli. Contra o Uruguai, voltou ao 3-5-2 "à Juventus", por causa do desfalque de De Rossi. Bonucci entrou na defesa e De Sciglio estreou na lateral, com Pirlo, Marchisio e Verratti fazendo boa trinca de meio-campo. No ataque, Balotelli e Immobile buscavam o gol. 

No primeiro tempo, tudo correu relativamente bem. Pirlo e Verratti trocavam de posições para confundir a marcação uruguaia e ditavam o ritmo de jogo. Porém, Balotelli estava apagado e ocupava os mesmos espaços de Immobile. Quando os dois se desgrudaram, o atacante do Milan preferiu tentar um chute do meio da rua e não lançou o novo contratado do Borussia Dortmund, que partia nas costas de Giménez e Godín.

A derrocada italiana começou quando o sol começou a sair através das nuvens e quando Balotelli subiu desgovernado e deu uma joelhada na cabeça de Alvaro Pereira. Imprudente, o atacante do Milan levou cartão amarelo, ganhou uma suspensão automática e estaria fora das oitavas de final, caso a Itália avançasse. Pior, estava sendo provocado e, explosivo como é e com seu estilo de jogo físico, poderia ser expulso – e Prandelli já havia declarado que jogar com 10 no Brasil seria suicídio. 

Balo saiu no intervalo, mas o destino quis que a Itália tivesse Marchisio expulso aos 15 do segundo tempo, por falta em Arévalo Ríos. O árbitro mexicano Marco Rodríguez considerou falta para vermelho direto e, de forma rigorosa, mandou o juventino para a rua, algo que lhe aconteceu pela primeira vez na carreira. A partir daí, a queda (ou a "debâcle", como gostam de dizer os italianos), começou.

Até aquele momento, a partida era muito igual, e favorável à Itália, que jogava pelo empate. Buffon havia feito duas grandes defesas, contra Suárez e Rodríguez. Após a expulsão, salvou a Itália novamente contra o atacante do Liverpool. Em seguida, Immobile teve a primeira boa chance, mas o passe de Pirlo correu demais e ele foi bloqueado por Giménez. Substituído por Cassano, viu pouco a bola nesta Copa do Mundo. A sua saída, aliada à de Verratti, logo depois, deixou a Squadra Azzurra sem velocidade, e com menos presença de área. O que a Nazionale ganhava em técnica com Cassano na frente, perdia com a entrada de Thiago Motta no lugar do companheiro de PSG mais atrás.

As duas características teriam sido fundamentais em partes diferentes do segundo tempo. Primeiro, a Itália atuava sob pressão uruguaia, buscando contra-ataques – Cerci teria sido mais útil que Parolo, por exemplo, e Prandelli foi conservador, como não vinha sendo no comando da seleção, e pagou por isso. Cerci também daria mais amplitude para a Itália pelo lado direito, o que faltou quando a equipe buscava o gol, uma vez que Darmian não subia mais, guardando posição pela inferioridade numérica.

Inferioridade que poderia não existir, se o trio de arbitragem tivesse melhor visão. Ironicamente, num jogo apitado por um árbitro com apelido "Drácula", Suárez mordeu Chiellini e não foi expulso. O zagueiro da Juventus até mostrou a marca da mordida do uruguaio, que chegou à seu hat-trick de mordidas na carreira, mas Rodríguez foi irredutível e nada fez. Chiellini reclamou após a partida e disse que o árbitro não expulsou o jogador do Liverpool porque "a Fifa quer ver as estrelas na Copa". No lance seguinte, Godín subiu mais alto do que quatro jogadores azzurri e, na sua especialidade, decidiu o jogo com subida fulminante – a bola tocou nas suas costas e entrou.

No final da partida, Buffon chegou a jogar de atacante, abandonando completamente o gol. E, após a partida, foi lúcido ao dizer que os erros de arbitragem existiram, mas que não anulam as culpas da Itália, sobretudo na partida contra Costa Rica. A Itália fugiu de suas características, não fez gols nas duas últimas partidas e, conforme o capitão ressaltou, foram os jogadores veteranos que mais deram sangue.

"Criticaram muito os veteranos, disseram que éramos velhos demais, mas fomos nós que nos doamos até o final. Precisam respeitar não o que fomos, mas o que ainda representamos. Em campo, se precisa fazer, e não vale o 'pode fazer' ou o 'talvez fará no futuro'", disse Buffon. Em entrevista ao jornal La Repubblica, De Rossi também foi duro. “Precisamos de homens de verdades, não figurinhas da Panini ou personagens”. Críticas que parecem direcionadas a Balotelli, que se escondeu em diversos momentos da Copa do Mundo, como se escondeu na maior parte da temporada do Milan. Mas, diferentemente da Serie A, o Mundial não tem 38 rodadas, e a Itália volta à Europa com a sétima eliminação em uma fase de grupos da Copa do Mundo em sua história – e de forma consecutiva após 48 anos.

Pós-Prandelli?
Após a eliminação, Cesare Prandelli e o presidente da Federação Italiana de Futebol – FIGC, Giancarlo Abete, entregaram seus cargos. De maneira irrevogável, dizem, mas Abete fez um apelo para que Prandelli reconsidere sua decisão. O que, na opinião deste colunista, seria o mais sensato para o atual momento do futebol italiano.

A Nazionale azzurra tende a retroceder com saída de Prandelli e desperdiçar uma geração talentosa, que só veio a ganhar espaço porque o treinador teve a missão de renovar o grupo, em profundo antagonismo à envelhecida seleção de 2010, comandada por Marcello Lippi, e mesmo à história do futebol italiano, que pouco dá chances aos jovens e que prefere se fechar ao invés de buscar comandar o jogo. Brigar por título da Euro 2016 seria sonho.

Prandelli foi aplaudido pelo ótimo desempenho nos dois primeiros anos de trabalho, quando se manteve invicto, experimentou jovens e deu à Itália um futebol propositivo, de posse de bola, mas uma posse de bola efetiva, no campo de ataque e com boa média de gols marcados e, sobretudo, domínio territorial e muitas jogadas de gol criadas. A partir da Euro 2012, começou a espelhar o esquema da Juventus campeã e acertou mais a defesa, além de ter levado a equipe ao vice-campeonato.

Após o campeonato europeu, passou a experimentar mais e começou a ser mais criticado em solo nacional. Muitos diziam que ele não sabia mais para que rumo estava levando a seleção. Mesmo assim, a Azzurra fez boa Copa das Confederações (foi terceira colocada). Neste ano, teve seu contrato renovado até depois da Euro 2016. Mesmo assim, as críticas continuaram e muitas vagas estavam em aberto até momentos antes da convocação para a Copa, o que expunha, de fato, as dúvidas do selecionador.

O fracasso pode encerrar uma era de quatro anos, e também eras maiores, como a de Pirlo, que deve deixar a seleção aos mais jovens após 12 anos de frequentes convocações – com 112 jogos, é o quarto com mais jogos pela Itália. Outros jogadores mais experientes, como Buffon, Barzagli e De Rossi também podem não continuar. O que tornaria o trabalho de um eventual novo treinador ainda mais complicado, sem tantas referências no grupo. Até porque Balotelli, apesar do bom futebol, não tem o perfil de liderança necessário.

A provável saída de Prandelli volta a criar especulações e traz os mesmos nomes que surgiram quando ainda havia a possibilidade de que o treinador não renovasse seu contrato, no início de 2014. Antonio Conte (Juventus), Vincenzo Montella (Fiorentina), Massimiliano Allegri, Luciano Spalletti e Roberto Mancini (os três últimos sem clube) são os cotados para assumir a Azzurra. 

Dificilmente um treinador que esteja atualmente empregado aceitaria a tarefa de guiar a Itália rumo a Euro 2016 e à Copa 2018 – mesmo que Conte, um eventual favorito, tenha manifestado desejo de respirar novos ares. Entre os desempregados, só Spalletti poderia manter alguns elementos da Era Prandelli, como futebol ofensivo e posse de bola. Mesmo assim, o melhor trabalho de Spalletti foi na Roma, que treinou até 2009. No Zenit, foi bem e conquistou duas Premier Leagues russas e uma Copa da Rússia.

Qualquer que seja o treinador (até mesmo o próprio Prandelli, caso volte atrás), a Itália tem de aproveitar o legado dos últimos quatro anos, como o espaço aos jovens e um futebol ofensivo. Caso não faça isso, não há dúvidas: a Itália começa a preparação para o futuro dando um ou dois passos para trás.

Notas: Buffon 7; Barzagli 5,5, Bonucci 4, Chiellini 5; Darmian 4, Marchisio 4,5, Pirlo 6, Verratti 7, De Sciglio 4; Balotelli 3,5, Immobile 4,5. Substitutos: Parolo 4,5, Thiago Motta 5, Cassano 4,5.

Itália 0-1 Uruguai
Gol: Godín 81'
Cartão vermelho: Marchisio (ITA)
Itália: Buffon; Barzagli, Bonucci, Chiellini; Darmian, Marchisio, Pirlo, Verratti (Thiago Motta), De Sciglio; Balotelli (Parolo), Immobile (Cassano). Técnico: Cesare Prandelli.

Uruguai: Muslera, Cáceres, Godín, Giménez, Alvaro Pereira (Stuani); González, Arévalo Ríos, Lodeiro (Maxi Pereira), Rodríguez (Ramírez); Cavani, Suárez.

Local: Estádio das Dunas, Natal
Árbitro: Marco Rodríguez (México)

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Afinal, é a Itália

Ruiz marcou o gol costarriquenho (Reuters)

Falávamos após a primeira partida da Itália nesta Copa do Mundo que era raro ver uma seleção italiana que passasse com tranquilidade por uma fase de grupos do mundial. Pois contra a Costa Rica, os azzurri trataram de voltar à sua tradição e foram derrotados por 1 a 0, naquela que talvez foi sua pior apresentação em anos recentes, seguramente a pior sob o comando de Prandelli. Costa Rica classificada e duas seleções ainda vivas na briga pela última vaga: a italiana e a uruguaia.

Na última rodada, quando enfrenta o Uruguai em Natal na próxima terça-feira, a Itália se classifica com um simples empate, como segunda colocada do grupo. É matematicamente possível, também, que a Nazionale termine em primeiro lugar do grupo, com uma combinação de resultados que elimine a diferença de três gols de saldo para a Costa Rica, que enfrenta a Inglaterra também no dia 24. Em caso de derrota para os uruguaios, a Itália estará eliminada na fase de grupos pela segunda Copa consecutiva, fato que não acontece desde as copas de 1958 e 1966.

Prandelli efetuou três alterações no time, em relação àquele que iniciou a partida contra a Inglaterra. O capitão Buffon, em sua quinta Copa do Mundo (recorde histórico) retornou ao gol, no lugar de Sirigu, após ser liberado pelo departamento médico. Um inseguro Paletta deu lugar a Abate, tomando a lateral direita de Darmian, que passou à lateral esquerda e devolveu Chiellini à zaga, ao lado do companheiro de Juventus, Barzagli. No meio, Thiago Motta entrou no lugar de Verratti, mas conseguiu produzir ainda menos do que o atleta do PSG.

O primeiro tempo teve dois jogos distintos em seu decorrer. E em nenhum deles a Itália jogou melhor. Aliás, até os 30 minutos, foi uma partida sofrível de ambos os times, que praticamente não chutaram a gol. A implacável defesa costarriquenha acuou a movimentação ofensiva da Itália, sem dar espaços para Pirlo arquitetar o jogo.

Os dois únicos recursos utilizados pelos comandados de Prandelli na primeira porção do jogo eram lançamentos longos do camisa 21, buscando o isolado Balotelli, e algumas raras movimentações individuais de Marchisio, pela esquerda. A Costa Rica assustava com bolas paradas, aproveitando-se da insegurança da modificada defesa italiana.

Foi a partir dos 30 que o jogo mudou por completo, com um lance específico. Pirlo faz lançamento do campo de defesa e encontrou Balotelli correndo em profundidade atrás da zaga, cara a cara com Navas. O centroavante dominou perfeitamente e tentou encobrir o goleiro, mas chutou mal, de canela, e a bola saiu à direita. O mesmo Balotelli teve nova chance logo aos 32, aproveitando novo lançamento de Pirlo, chutando livre da meia-lua da área, mas parando em boa defesa de Navas.

A Costa Rica assustou os italianos na sequência, quando o bom Bolaños chutou forte da entrada da área, obrigando Buffon a fazer difícil defesa no canto esquerdo baixo, aos 35. A partida melhorou bastante, até que chegou ao ápice aos 42, quando Campbell foi lançado em contra-ataque e sofreu pênalti claro com um empurrão de assuntoso de Chiellini, pelas costas. Debaixo de muitos protestos das arquibancadas, pela penalidade não marcada, veio o gol costarriquenho no lance seguinte: Ruiz aproveitou cruzamento perfeito da esquerda e cabeceou forte. A bola bateu no travessão, cruzou a linha da meta claramente e saiu do gol após quicar.

Depois de instantes de "bate-boca" entre os atletas dos dois times na saída para os vestiários, o clima esquentou ainda mais na Arena Pernambuco. Prandelli optou por lançar a Itália ao ataque no segundo tempo, substituindo, ainda no intervalo, Thiago Motta - bastante apagado - por Cassano - igualmente apagado durante o segundo tempo. Pouco após o início do segundo tempo, aos 12, outro atacante entrou em campo, quando Insigne substituiu Candreva. Neste ponto, os dois neo inseridos compuseram um trio de ataque com um centralizado Balotelli, em um 4-3-3.

Começou, então, um massacre de ataque contra defesa. Nos últimos 15 minutos de jogo, a Itália chegou a ter 70% de posse de bola. A troca de passes dos homens de azul era eficiente, beirando os 90% de acerto. Mas nada disso adiantou, já que os passes não entravam na área adversária. Ainda aos 24, outro atacante entrou em campo para os azzurri, quando Cerci substituiu Marchisio. Era o tudo ou nada de Prandelli. Mas que passou longe de dar certo.

Bagunçada, a Itália não conseguiu superar a forte linha de defesa da Costa Rica, praticamente intransponível e que permitiu apenas quatro finalizações italianas no segundo tempo. Sem conseguir criar nada, a Itália insistia nos lançamentos longos para o ataque, mas que não foram problemas para a bem postada zaga adversária, que colocou os italianos em condição de impedimento incríveis 11 vezes em toda a partida. Além disso, a própria Costa Rica esteve mais perto de marcar, em alguns contra-ataques rápidos, mas a defesa italiana se safou. Hora de reavaliação para Prandelli.

Notas: Buffon 7.0, Abate 5.0, Chiellini 5.0, Barzagli 6.0, Darmian 5.5, De Rossi 5.0, Candreva 4.0, Thiago Motta 3.0, Pirlo 6.5, Marchisio 7.0; Balotelli 4.0; Cassano 2.0, Insigne 3.0, Cerci 3.0

Itália 0-1 Costa Rica
Local: Arena Pernambuco, Recife
Gol: Ruiz 43'

Itália (4-1-4-1): Buffon; Abate, Chiellini, Barzagli, Darmian; De Rossi; Candreva (Insigne 57'), Thiago Motta (Cassano, no intervalo), Pirlo, Marchisio (Cerci 69'); Balotelli. T: Cesare Prandelli

Costa Rica (3-6-1): Navas; González, Umaña, Duarte; Gamboa, Borges, Tejeda (Cubero 68'), Bolaños, Ruíz (Brenes 81'), Díaz; Campbell (Ureña 74'). T: Jorge Luis Pinto

Árbitro: Enrique Osses (CHI)

domingo, 15 de junho de 2014

O primeiro passo para a tranquilidade

Gol de Balotelli definiu a partida no segundo tempo (Getty Images)
Se a primeira impressão é a que fica, a Itália começou com o pé direito e deu o primeiro e maior passo para passar de fase. Contra o time em tese mais forte, os comandados de Prandelli conquistaram fundamentais três pontos. Juntamente com o tropeço do Uruguai diante da Costa Rica, agora o clima é de maior tranquilidade para os jogos nos dias 20 e 24 em Recife e Natal. O que é raro, visto que a Itália tem histórico de ter uma fase de grupos conturbada em Mundiais.

Até mais do que a vitória, os azzurri saíram de Manaus com o dever cumprido: superaram a intensidade dos velozes ingleses e executaram bem o plano do treinador. A equipe teve vantagem na posse de bola, passes trocados e porcentagem de passes certos (93%, a maior em quase cinco décadas em Copas), além de maior volume de jogo em relação aos amistosos.

Na correria da primeira etapa, uma Itália guerreira e com sorte no primeiro quarto de jogo. O time suportou a intensidade da Inglaterra, que imprimia ritmo muito veloz pelos lados e com Sterling nas costas do meio-campo italiano. Se Paletta errava no posicionamento, Barzagli e Chiellini se precipitavam nos botes (devem ter esquecido que Bonucci não estava para cobrir) e De Rossi não garantia segurança na intermediária, ao menos Sirigu segurou as pontas e a imperfeição dos ingleses na conclusão das jogadas mantiveram as redes italianas invioladas.

No segundo quarto do jogo, os azzurri já tinham o controle e cerca de 70% de posse, com Pirlo e Verratti controlando o círculo central, De Rossi executando a saída a três e Darmian e Candreva imprimindo ótimo ritmo na direita. Como Chiellini não dava amplitude na esquerda, Marchisio ficou isolado e sem a possibilidade de encostar em Balotelli e explorar a deficiência inglesa entre linhas. Isso também acabou em participação tímida de Balotelli, que fazia péssimos movimentos, sempre se posicionando entre Cahill e Jagielka, ou seja, perdendo todas as bolas e cruzamentos. Além disso, era pouco efetivo nas conclusões. 

Se as jogadas pela direita não resultaram em ocasiões claras, a jogada ensaiada por Prandelli entrou aos 35. Verratti cobrou escanteio curto para Pirlo, que, sem espaço para dominar, fez belo corta-luz para Marchisio receber da entrada da área e marcar o primeiro gol da partida com bom chute. Contudo, um desleixo italiano em contra-ataque resultou no empate dos ingleses. Em rápida descida pela esquerda, Rooney recebeu na ponta e cruzou certeiro para Sturridge igualar o marcador, em nova falha posicional de Paletta e Chiellini.

O gol de empate saiu em momento que a Itália dominava, porém o time de Prandelli não perdeu o controle. Seguiu com a bola e ainda criou duas ocasiões claras antes do final do primeiro tempo, com Balotelli encobrindo Hart e Jagielka cortando em cima da linha; e depois com chute de Candreva na trave. No segundo tempo, a mesma tônica. Italianos com a bola e já mostrando o que aconteceria no decorrer da segunda etapa: buscar o desmarque do atacante azzurro. Foram sete impedimentos, todos da Itália, sendo três de Balotelli, três de Immobile e um de Candreva – seis nos últimos 45 minutos.

E a jogada que não entrou no primeiro tempo vingou no segundo: Darmian e Candreva se impondo pela direita, com cruzamento do laziale e movimentação perfeita de Balotelli, saindo do encaixe de Jagielka e Cahill e aparecendo nas costas do zagueiro do Chelsea para marcar o gol da vitória com cabeceio perfeito. A estrela de Balo brilhou e mostrou o porquê da insistência de Prandelli, que no segundo tempo corrigiu a movimentação do atacante, autor de 11 gols em 17 jogos em jogos oficiais (sem contar amistosos).

O treinador também corrigiu o sistema defensivo, que passou a ter maior segurança com melhor segundo tempo de Chiellini e De Rossi, a entrada providencial de Thiago Motta (contrariando suas péssimas partidas em amistosos) e, principalmente, a participação de Candreva (depois Parolo) e Marchisio.

Os meias se multiplicaram e foram fundamentais para bloquear os lados (veja aqui), evitando espaços no setor mais explorado pelos ingleses, que, exaustos depois de correrem atrás dos italianos por quase 60 minutos, não tinham mais físico para criar chances reais de perigo (o último chute no alvo, aos 77, foi numa cobrança de falta de Baines).

Notas: Sirigu 7.0, Darmian 7.0, Barzagli 6.0, Paletta 4.5, Chiellini 5.0, Candreva 7.0, De Rossi 6.0, Pirlo 7.0, Verratti 5.0, Marchisio 7.0, Balotelli 6.5; Thiago Motta 6.0, Parolo 6.0, Immobile (sem nota)

Inglaterra 1-2 Itália
Marchisio 35', Sturridge 37', Balotelli 50'

Inglaterra (4-2-3-1): Hart; Johnson, Cahill, Jagielka, Baines; Henderson (Wilshere 73'), Gerrard; Welbeck (Barkley 61'), Sterling, Rooney; Sturridge (Lallana 80'). T: Roy Hodgson

Itália (4-1-4-1): Sirigu; Darmian, Barzagli, Paletta, Chiellini; De Rossi; Candreva (Parolo 79'), Verratti (Thiago Motta 57'), Pirlo, Marchisio; Balotelli (Immobile 73'). T: Cesare Prandelli

Árbitro: Björn Kuipers (Holanda)

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Como está a Itália às vésperas da Copa

Pirlo e Balotelli são as grandes esperanças da Itália no Brasil (Fifa)
Em parceria com Arthur Barcelos

O que será da Itália no Brasil? Ao contrários do histórico azzurro, a seleção italiana, comandada por Cesare Prandelli, não se sobressai pelos aspectos defensivos, mas do meio para frente. Ofensivamente, é um time que sabe o que fazer com a bola e que costuma marcar gols. Porém, a vida italiana não será fácil nesta Copa do Mundo: o Grupo D é composto por três campeões mundiais – além da Itália, Uruguai e Inglaterra –, mais a Costa Rica. O teste começa cedo. Vamos à análise.

Os objetivos
Diferentemente de outros Mundiais, a Itália vem para o Brasil pensando no presente, mas sobretudo no futuro. Apesar da média de idade de 27,3 anos, o grupo de Prandelli é focado especialmente para Euro 2016 e Copa 2018, quando vários dos jogadores mais jovens atualmente estarão em seus auges.

O pensamento é relativamente tímido em relação à 2014, mas não “pequeno”: o objetivo é fazer um campeonato consistente e superar as limitações físicas. O grupo é complicado, mas passando da primeira fase, os azzurri esperam chegar, no mínimo, nas quartas de final. 

O discurso de Prandelli é fazer boa fase de grupos, onde não terá vida fácil contra Inglaterra, Uruguai e Costa Rica, e então ter outra dura tarefa nas oitavas: passar por Colômbia, Japão, Costa Rica ou Grécia. Nas quartas, o objetivo principal, um entre Brasil, Croácia, México, Camarões, Espanha, Holanda, Chile ou Austrália - grandes chances de ser Brasil ou Espanha, justamente os únicos que derrotaram a Itália em jogos oficiais na era Prandelli. 

Chegar às semifinais é uma possibilidade concreta. Título? Nunca duvide da Itália.

Os craques
Entre os destaques, a Itália tem dois veteraníssimos, Buffon e Pirlo, que podem estar em sua última competição internacional pela Squadra Azzurra. Além deles, há De Rossi e Barzagli, que também participaram da campanha do tetracampeonato, em 2006. Há, ainda, os menos veteranos, como Chiellini (e, se não houvesse quebrado a perna, Montolivo), já figuras importantes no selecionado e “vice-líderes” dos veteraníssimos.

O grupo também possui jogadores já maduros e na altura do auge, prontos para assumirem cargos maiores na seleção. Casos de Sirigu, Bonucci, Candreva, Marchisio e Cerci, além de Ranocchia e Rossi, que não estão no grupo de 23 jogadores, mas deverão ser os líderes da seleção juntamente aos outros citados em 2018.

Em todos os setores há jovens que já são protagonistas ou têm alguma relevância - Perin no gol, De Sciglio e Darmian na defesa, Verratti no meio-campo, Balotelli, Immobile e Insigne no ataque. Embora Balotelli já seja uma das principais referências no grupo, a expectativa é de que ele cresça ainda mais e amadureça após esta, que será sua primeira Copa do Mundo. Balotelli chega em baixa para a Copa do Mundo, após temporada irregular no Milan, onde decidiu jogos, mas foi muito apagado em outras partidas.

Com o momento pouco inspirado de Balotelli, Pirlo se torna a maior esperança da Itália nesta Copa do Mundo, pelo toque de classe no meio-campo e pelo grande aproveitamento nas bolas paradas e lançamentos. A má fase de Balotelli abre caminho para Immobile, atacante em melhor fase no grupo da Squadra Azzurra. O artilheiro da última Serie A, com 22 gols, tem um grande repertório e faz gols de todos os jeitos. Contra o Fluminense, marcou três, todos de uma maneira diferente. Está pedindo passagem no time titular. 

A Itália também tem outros jogadores em ótima fase do meio para frente. São os casos de Verratti, Cerci, Cassano e Candreva, que tiveram temporadas destacadas em seus clubes. Marchisio e Insigne tiveram ano irregular, mas fecharam a temporada em alta e tem rendido bem pela seleção. Parolo, mais discreto em boa fase, chega ao Mundial substituindo Montolivo e pode ser uma surpresa no grupo.

Se Buffon e Chiellini são sinônimo de segurança, o mesmo não pode ser dito do restante da defesa azzurra. Quatro dos defensores chamados por Prandelli tem problemas físicos – Barzagli e Paletta em especial – e Bonucci, apesar da boa fase, comete apagões às vezes. Nas laterais, De Sciglio caiu de produção e é uma incógnita, enquanto Abate é um jogador apenas regular. Darmian, que assim como De Sciglio, joga nas duas laterais, é o jogador que está em melhor fase, mas a inexperiência em jogos internacionais pode atrapalhar.

Se superstição ajudar, a Itália costuma fazer bom papel em Copas do Mundo quando tem jogadores de times médios em ótima fase. Cerci, Immobile, Darmian, Paletta e Parolo podem ser o que a turma de jogadores do Cagliari, em 1970. O mesmo se repetiu em 1982, 1990 e 1994 com elencos com muitos jogadores de Torino, Fiorentina, Sampdoria e Parma.

Retrospecto recente
A indefinição tática reflete também nas expectativas em relação à resultados. Se o retrospecto recente é desanimador (dez partidas, duas vitórias, duas derrotas e seis empates), o desempenho em jogos oficiais é inverso: são apenas duas derrotas em 31 partidas, contra a Espanha na final da Euro 2012 e diante do Brasil na Copa das Confederações em 2013. E, por mais clichê que seja, falamos de Itália, historicamente conhecida por superar prognósticos e dificuldades. 

Em relação aos últimos amistosos, contra Irlanda (0 a 0) e Luxemburgo (1 a 1), além do jogo-treino contra o Fluminense (5 a 3), mais do que a questão física ou técnica, e independentemente do resultado, Prandelli fez observações individuais. Os jogos serviram para Darmian e Verratti mostrarem serviço e que podem assumir os lugares de Maggio e Montolivo. Bom também para Parolo e Cassano, surpresas na convocação, além de Marchisio recuperar confiança depois de temporada ruim e irregular. Immobile e Insigne, por sua vez, tiveram ótimo proveito na partida contra o Fluminense, e marcaram três e dois gols, respectivamente, além de terem se movimentado muito.

De ruim, o atestado da má forma de Barzagli (que sequer entrou em campo nos dois primeiros jogos e, diante do Fluminense, sofreu) e Paletta, e o problema posicional de Bonucci na defesa a quatro. O sistema defensivo em si é bom, consistente, porém erros individuais podem comprometer. 

Itália de Prandelli promete variações táticas (AP)
Aspectos táticos
A equipe é camaleônica. Prandelli tem muitas possibilidades táticas e técnicas, que selecionará especificamente de acordo com o adversário e as condições físicas de cada jogador. Ele faz questão de afirmar que todos os 23 são “titulares” e citar exemplos de jogadores como Schilacci (90) e Grosso (2006), que não eram nem de longe os destaques do time, mas foram importantíssimos para a seleção no decorrer das competições.  

O time já atuou nos esquemas 4-3-1-2, 4-3-2-1, 3-5-2, e mais recentemente no 4-1-3-2 e 4-1-4-1. Tudo isso gera várias dúvidas sobre como jogará a Nazionale, e, embora a equipe venha treinando no 4-1-4-1 desde que chegou ao país, Prandelli faz mistério sobre com que módulo a Itália jogará contra a Inglaterra, em Manaus, no dia 14.

A forma física dos jogadores e o desempenho nos últimos amistosos preocuparam Prandelli. O técnico busca alternativas e quer um time mais controlador da posse de bola do que normalmente é desde a sua chegada. Foi justamente o que o técnico buscou no 4-1-3-2 e no 4-1-4-1, esquemas que podem ser utilizados contra Uruguai e Inglaterra.  

No caso do 4-1-4-1 (variação pro 3-4-3), os pontos fortes seriam a saída de jogo a três com De Rossi, às vezes até fazendo a sobra na fase defensiva, o jogo entrelinhas de Pirlo e Verratti, com Marchisio ou Candreva eventualmente explorando o terceiro quarto do campo, justamente as deficiências (históricas) da Inglaterra, e as ultrapassagens dos laterais. Com Balotelli, a equipe teria maior capacidade técnica e inventiva e presença de área, com Immobile, maior movimentação e precisão.

No 4-1-3-2 (variação pro 3-5-2), a Itália teria novamente a fluidez tática de De Rossi, meio ‘mediano’, meio ‘líbero’, novamente as ultrapassagens dos laterais, o jogo entrelinhas do “falso 10”, que pode ser interpretado por Pirlo ou Verrattti. A Squadra Azzurra teria, ainda, a presença de dois meias com mobilidade e força - ou apenas um, Marchisio, e a presença do coringa Verratti. No ataque, a qualidade de Cassano no último quarto, podendo criar jogadas mais próximas ao gol para que Balotelli possa ter mais chances de finalizar em boas condições.

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Os melhores da Serie A 2013-14

Ao longo da última semanas, analisamos a temporada dos 20 clubes que disputaram a Serie A em um especial dividido em duas partes (parte 1 aqui e parte 2 aqui), destacando os principais pontos de cada equipe, além dos destaques e fracassos individuais dos elencos. Falamos também sobre os melhores jovens jogadores desta edição do torneio. Encerrando a nossa retrospectiva, só nos resta montar a seleção dos melhores do campeonato e também atribuir prêmios por desempenhos individuais.

As equipes do Quattro Tratti e da Trivela votaram, juntamente com alguns dos mais prestigiados jornalistas especialistas brasileiros e estrangeiros para escolher a seleção da temporada recém-finalizada da Serie A, e foram escolhidos também os melhores da temporada em seis categorias. Agradecemos a cada um dos participantes desta votação e também a você, leitor, que nos acompanha diariamente. Continuaremos atentos a tudo o que acontece antes, durante e depois da Copa do Mundo, aqui e nas nossas mídias sociais. Vamos, agora, ao que interessa!

Publicado também na Trivela.

Chegou quem faltava: Tévez alçou o patamar da Juventus (Getty Images)
Carlos Tévez
Prêmios: Melhor jogador e Melhor atacante

Tévez chegou à Juventus neste verão para ser o diferencial que a Velha Senhora queria ter para o seu ataque, que não tinha jogadores do mesmo calibre que nos outros setores. Tévez foi contratado sobretudo por causa da Liga dos Campeões, competição em que não fez gol, mas se salvou na má campanha juventina. Porém, na Serie A, foi decisivo: marcou 19 gols e foi o autor de sete assistências, além de ter feito um campeonato brilhante, com a vontade e a garra que lhe são características.

Não à toa, o Apache teve a melhor média de votos entre os jogadores da Serie A, segundo a Gazzetta dello Sport, e garantiu o quarto título nacional de sua carreira. Não é pouca coisa ter sido o melhor jogador da temporada vestindo a 10 de Del Piero na melhor campanha da história da Juventus e da história do campeonato italiano com 20 equipes e vitória valendo três pontos. Tévez bateu a concorrência de nomes como Immobile, Toni, Higuaín, Palacio, Di Natale, Rossi, Destro, e Llorente, além dos ponteiros Gervinho, Cuadrado e Cerci, como melhor atacante e os de Pogba, Vidal, Pirlo, Pjanic, Strootman e Benatia como melhor atleta do campeonato.

Tão jovem, mas tão importante: Pogba foi um dos craques da temporada (AFP)
Paul Pogba
Prêmio: Melhor meio-campista

Pogba tem apenas 21 anos, mas não parece. Um dos jogadores mais completos e classudos do futebol atual,  o francês foi o dono do meio-campo juventino nesta temporada e tomou a vaga de Marchisio no time titular bianconero. Além do mais, foi mais importante que Vidal, que não estava no auge da forma física, e do que Pirlo, que foi poupado em alguns jogos da temporada. O jogador, que ganhou o nosso prêmio de melhor jovem da última temporada, evoluiu bastante, e acabou como o melhor jogador da primeira parte da temporada juventina e só perdeu o posto para Tévez não por demérito seu, mas porque o argentino cresceu muito de produção.

Ao todo, Pogba marcou sete gols (alguns deles, pinturas) e deu sete assistências, mostrando boa presença ofensiva e ótima visão de jogo. Vidal também teve bons números (11 gols e cinco assistências), mas o francês foi superior em termos de movimentação, posicionamento e, mesmo com a pouca idade, foi o jogador da Juve que mais entrou em campo no ano, e esteve entre o top 10 dos jogadores de linha com mais minutos nas pernas. No meio-campo, além de ter superado Vidal e Pirlo, com quem fez grande trio, Pogba também foi melhor que Strootman, Pjanic, Borja Valero, Iturbe e Candreva, outros jogadores que receberam votos na nossa eleição.

Matando jogadas e sendo artilheiro, Benatia se destacou na Roma (Reuters)
Mehdi Benatia
Prêmio: Melhor zagueiro

Aqui, não há dúvidas. O marroquino Benatia, da Roma, foi o melhor zagueiro do campeonato com sobras e, não à toa, não constou em poucas das seleções dos nossos votantes. Uma das melhores contratações de toda a temporada europeia (como algumas outras feitas pela equipe giallorossa), Benatia deixou a Udinese rumo ao Olímpico rejeitando outras propostas, porque seria titular. E protagonista. Liderou a segunda melhor defesa do campeonato em números – mas a que foi melhor e mais sólida durante a maior parte da Serie A –, foi perfeito nas jogadas aéreas e nas rasteiras, no posicionamento para afastar as jogadas adversárias. Como se fosse pouco, repetiu por cinco vezes a comemoração de "matador" (vide foto) e terminou o certame como o defensor com mais gols marcados.

A temporada magnífica do marroquino fez com que nem mesmo o seu colega de posição, Leandro Castán, sonhasse com o prêmio de melhor beque do campeonato, apesar da bela temporada. O melhor do ano passado, Barzagli, conviveu com muitos problemas físicos e não conseguiu defender a primazia com a mesma força – o mesmo vale para Paletta, outro bom defensor de 2012-13. Chiellini e Bonucci, que fizeram boa Serie A, chegaram perto; Ranocchia foi muito bem na reta final, mas teve campanha turbulenta até então, enquanto na Inter, Samuel foi fantástico, mas atuou em apenas 14 partidas, pouco para ser levado em consideração. Merecem menção honrosa, também, o argentino Rodríguez, o parmense Lucarelli e Darmian, do Torino, que é lateral, mas também atuou como zagueiro na campanha granata.

Não fosse por Handanovic, a Inter poderia ter terminado o campeonato de forma mais melancólica (AP)
Samir Handanovic
Prêmio: Melhor goleiro

Se a Inter teve a terceira melhor defesa do campeonato, deve muito a Handanovic. O esloveno acabou exposto na primeira parte da temporada, porque a defesa interista errava muito e dava muitos espaços. Parecia, também, sem confiança, e cometia alguns erros infantis. Porém, o Batman crescia nos grandes jogos (foi muito bem contra Roma, Milan e Fiorentina) e, mesmo que a Inter não vencesse, mantinha a equipe viva nas partidas.

Também garantia resultados, como as últimas vitórias do campeonato nerazzurro, em que fez defesas sensacionais contra Parma, Lazio e, especialmente, Sampdoria, ajudando a equipe a se classificar para a Liga Europa. Com a defesa mais organizada à sua frente, recuperou a confiança e atingiu o mesmo nível de 2012-13, quando ganhou o prêmio de melhor goleiro, e dos anos anteriores, quando brilhou na Udinese. Para garantir o bi na categoria, Handanovic ficou à frente dos experientes Buffon e De Sanctis, que também fizeram boa temporada. Os brasileiros Neto e Rafael, destaques de Fiorentina e Verona, também merecem menção honrosa. Assim como os jovens e ótimos Perin e Scuffet.

Na boa defesa da Roma, Castán viveu momentos melhores que no Corinthians (Getty Images)
Leandro Castán
Prêmio: Melhor jogador brasileiro

Alguns anos atrás, se disséssemos que um jogador que nem é lembrado pelo técnico da seleção brasileira acabou sendo o melhor canarinho da Serie A italiana, duvidariam de nós. Claro, a Itália deixou de ser o destino de grande parte dos melhores jogadores brasileiros, mas Castán merece crédito. Na própria Roma, teve temporada melhor do que a de Maicon, que recuperou seu futebol e voltou a ser chamado para integrar o grupo da Seleção. Castán também foi superior a Hernanes, Kaká, Neto, Jonathan, Rômulo, Rafael, Jorginho, Danilo, Allan, Taddei, Éder e Paulinho, que tiveram bons momentos na temporada.

Após uma primeira temporada razoável em Trigoria, o jogador cresceu com a chegada de Rudi Garcia e com Benatia, zagueiro mais físico que o antigo companheiro Marquinhos, a seu lado, conseguiu demonstrar um futebol seguro e muito técnico. Aos 27 anos, atingiu o auge da carreira e teve seu contrato renovado até 2018.

Já adquirido pela Juve, Berardi brilhou na Serie A (Sky)
Domenico Berardi
Prêmio: Melhor jovem

Se o pequeno Sassuolo garantiu a permanência na Serie A em seu debute na primeira divisão, deve muito a Berardi. Na categoria para revelações (considerando apenas jogadores sub-23 e excluindo Pogba, vencedor do ano passado), o atacante calabrês ganhou com alguma distância dos seus rivais. Na temporada, teve números de grande jogador: 16 gols e nove assistências em 29 jogos, participação em quase 60% dos gol da equipe. Destes tentos, quatro foram feitos em uma mesma partida contra o Milan, outros três sobre a Fiorentina e outros sobre a Sampdoria.

Infernal, o atacante não é um goleador, mas um jogador que cai pelos lados do campo e, com bom poder de finalização, chuta apenas quando é possível. Além de ter chamado a atenção pela qualidade na movimentação, na técnica para criar jogadas e finalizá-las, a personalidade também é algo a se louvar em Berardi – apesar de, pelo temperamento explosivo, ter perdido chances na seleção sub-21 e também na principal. Já adquirido pela Juventus, o jovem, que deve seguir no Sassuolo em 2014-15, bateu a concorrência de alguns dos seus colegas de equipe, como Zaza e Sansone, e também de jogadores de outras equipes, como Scuffet, Perin, Iturbe, Keita e Kovacic.

Seleção da Serie A 2013-14
Handanovic (Inter); Barzagli (Juventus), Benatia (Roma), Chiellini (Juventus); Cuadrado (Fiorentina), Vidal (Juventus), Pogba (Juventus), Strootman (Roma), Pjanic (Roma); Immobile (Torino), Tévez (Juventus). Técnico: Rudi Garcia (Roma).

Também foram votados
Goleiros: Buffon (Juventus), Perin (Genoa), Scuffet (Udinese), De Sanctis (Roma), Rafael (Verona), Neto (Fiorentina) e Consigli (Atalanta);
Defensores: Lichtsteiner (Juventus), Bonucci (Juventus), Paletta (Parma), Leandro Castán (Roma), Nagatomo (Inter), Ranocchia (Inter), Lucarelli (Parma), Maicon (Roma), Darmian (Torino) e Mustafi (Sampdoria);
Meias: Pirlo (Juventus), Callejón (Napoli), Iturbe (Verona), Asamoah (Juventus), Candreva (Lazio), Borja Valero (Fiorentina), De Rossi (Roma), Inler (Napoli) e Bonaventura (Atalanta);
Atacantes: Rossi (Fiorentina), Cerci (Torino), Toni (Verona), Higuaín (Napoli), Gervinho (Roma), Mertens (Napoli), Totti (Roma), Palacio (Inter), Berardi (Sassuolo) e Cassano (Parma).
Técnicos: Conte (Juventus) e Ventura (Torino)

Votantes da seleção da temporada
André Rocha (ESPN
Andrea Chiavacci (Fox Sports/Di Marzio)
Arthur Barcelos (Quattro Tratti)
Braitner Moreira (Correio Braziliense)
Caio Dellagiustina (Quattro Tratti
Caíque Toledo (VAVEL)
Cleber Gordiano (Quattro Tratti)
Cristiano Acconci (Who Scored?)
Daniel Leite (God Save The Ball/iG)
Daniele Mari (Tutto Mercato)
Fabrizio Romano (Di Marzio)
Felipe Lobo (Trivela)
Felipe Portes (Portal Vox)
Felipe Rolim (Esporte Interativo)
Felipe Schmidt (Globo Esporte)
Gian Oddi (ESPN)
Giancarlo Rinaldi (Football Italia)
Guglielmo Cannevale (Di Marzio)
João Guilherme (Fox Sports)
Leandro Stein (Trivela)
Marco De Vargas (Fox Sports)
Marco Mazzocchi (RAI)
Mateus Ribeirete (Quattro Tratti)
Michael Cox (Zonal Marking)
Michel Costa (Além das 4 Linhas)
Murillo Moret (Quattro Tratti)
Nelson Oliveira (Quattro Tratti/Terra)
Paolo Bandini (Guardian)
Pedro Spiacci (Quattro Tratti)
Rafael Oliveira (ESPN)
Rodrigo Antonelli (Quattro Tratti/Correio Braziliense
Serafino Ingardia (Football Italia)
Tiago Lima Domingos (Doentes por Futebol)
Victor Canedo (Globo Esporte)
Victor Quintas (Doentes por Futebol) e
Vitor Sergio Rodrigues (Esporte Interativo).

As 15 revelações da Serie A 2013-14

Destaque do Sassuolo, Berardi foi um dos melhores jovens de 2013-14 na Itália (Four Four Two)
Confirmando as expectativas, os jovens novamente foram destaque na Serie A. Como Pogba, Icardi, De Sciglio, Insigne, Florenzi, Perin, Mustafi, Kovacic, Sansone e Benassi na temporada passada, vários novos nomes surgiram. E mesmo que Belfodil, Obiang, Cofie, Livaja, Murru, Onazi, Stoian e Krsticic não tenham confirmado as boas impressões que deixaram em 2012-13, investir na juventude segue sendo a melhor fórmula para desenvolver o futebol italiano e colocá-lo de volta entre os melhores.

Nessa temporada também tivemos jovens que não corresponderam em relação à lista que fizemos no início do ano, como os desafortunados Saponara, Alibec, Lazarevic e Bellomo, que não tiveram o espaço que deveriam. Como Laxalt e Chibsah, que se destacaram enquanto tiveram bons minutos. Já Berardi, Fernandes, Regini e Vrsaljko tiveram espaço e corresponderam. Bardi e Zaza, por outro lado, não tiveram regularidade, mas também mostraram suas qualidades.

Em 2013-14 ainda tivemos os casos de Immobile, Iturbe, Acquah e Ryder, que surgiram das "cinzas" e responderam críticas do passado com grande futebol. No caso de Immobile, autor de 22 gols na Serie A, infelizmente mais um artilheiro da primeira divisão a sair da Bota, pelo terceiro ano consecutivo – antes, saíram Ibrahimovic e Cavani. Jorginho teve grande semestre pelo Verona e partiu para o Napoli, mantendo o nível, apesar da irregularidade. O ítalo-brasileiro foi um dos craques da temporada e poderá ser nome para a seleção de Prandelli pós-Copa.

Fora da lista abaixo, Sturaro, Nico López, Konaté, Cristante, Pedro Mendes, Fornasier, Bubnjic, Duncan, Sala, Sportiello e Koné, além de Laxalt, Ryder e Chibsah, merecem menção honrosa.

Domenico Berardi
Idade: 19 anos (01/08/1994)
Posição: atacante
Clube: Sassuolo

Quatro gols no Milan e três na Fiorentina. Quem seria capaz disso? Tévez, Immobile, Di Natale, Higuaín, Rossi? Não. Domenico Berardi. O garoto calabrês de história curiosa foi o grande fenômeno do campeonato, com dezesseis gols e nove assistências em 29 jogos. Tudo isso pelo modesto e carismático Sassuolo, que teve quase 60% dos gols marcados com participação direta dele. E se por um lado o atacante chamou atenção pelo mau comportamento e três violações ao código ético da seleção italiana, e, por isso perdeu grandes oportunidades na sub-21 e em testes com Prandelli, Berardi corresponde em campo e mostra personalidade. Em co-propriedade com a Juventus, já afirmou que seguirá em Reggio Emilia em 2014-15.

Herdeiro de Buffon? Scuffet deve ganhar espaço na seleção italiana (Swide)
Simone Scuffet
Idade: 18 anos (31/05/1996)
Posição: goleiro
Clube: Udinese

Perin, Bardi e Leali, inegáveis talentos para o futuro do gol italiano. Mas um garoto de 18 anos começa a ameaçar a vaga do trio sub-21. Com apenas 16 anos, Scuffet assumiu a titularidade da Udinese Primavera, o sub-19, e foi o grande destaque da Itália sub-17 no Europeu da categoria, perdendo na final para a Rússia. Já no banco em 2012-13, o goleiro seguiu à espera de uma oportunidade no time principal, o que viria acontecer em fevereiro, com a lesão de Brkic. Scuffet superou Kelava e não largou mais a titularidade, terminando o campeonato com 16 partidas, 22 gols sofridos e seis sem levar gols. Tecnicamente, é um goleiro muito ágil, com grandes reflexos. Além disso, é frio e precisa corrigir apenas as saídas em cruzamentos. Tem tudo para ser herdeiro de Buffon e já foi até mesmo chamado para treinamentos com o time principal da Itália.

Ibrahima Mbaye
Idade: 19 anos (19/11/1994)
Posição: lateral
Clube: Livorno

Depois de poucos minutos em 2012-13, a Inter emprestou Mbaye para ganhar maturação na Serie A. Como outros companheiros interistas, foi para o Livorno. E no time toscano mostrou bom futebol, justificando a expectativa que deixara no time Primavera da Inter. O senegalês é versátil, pode jogar como zagueiro e volante, mas é como lateral/ala que se comporta melhor, e assim foi um dos poucos destaques dos amaranto. Primeiro pela esquerda, depois pela direita, lado em que se destacou mais, com dois gols e duas assistências. Foram 25 jogos, e só não terminou com mais por um problema na virilha, perdendo os últimos oito jogos.

Bruno Fernandes
Idade: 19 anos (08/09/1994)
Posição: meia-atacante
Clube: Udinese

Reserva nas onze primeiras rodadas, Fernandes demorou para conquistar a confiança de Guidolin, mas desde então não saiu mais do time por motivos técnicos. O pequeno português encantou em poucos meses em solo italiano, jogando a segunda metade de 2012-13 pelo Novara, e a Udinese o comprou em co-propriedade. Agora termina 2013-14 com 24 jogos, quatro gols, seis assistências e boa expectativa para o próximo ano. Talentoso, dinâmico, preciso na bola parada e em chutes de longa distância, o meia-atacante é mais um talento a surgir na Serie A pela Udinese. Foi destaque em uma temporada amarga no Friuli.

Luca Antei
Idade: 22 anos (19/04/1992)
Posição: zagueiro
Clube: Sassuolo

Mesmo na segunda defesa mais vazada do campeonato, Antei foi bom o bastante para ser um dos melhores zagueiros da temporada. Com média de 7.33 no WhoScored (a quinta melhor entre zagueiros), o italiano também teve bons números em desarmes, interceptações, recuperações e duelos aéreos, os aspectos mais valorizados entre zagueiros. Inicialmente a segunda opção no banco, contou com lesão do capitão Terranova e superou o flop Rossini, se tornando o titular na defesa neroverde na oitava rodada e também ganhando vaga na seleção sub-21 italiana, treinada por Di Biagio. Antei, da base da Roma e em co-propriedade com o clube da capital, demorou para surgir, mas deu grande passo para entrar na mira de clubes maiores e, quem sabe, de Prandelli.

Formado no Barcelona, o laziale Keita é muito habilidoso (AP)
Keita Baldé Diao
Idade: 19 anos (08/09/1995)
Posição: atacante
Clube: Lazio

Keita Baldé Diao, ou simplesmente Keita, um dos mais jovens da lista. Poucos acreditavam que o classe '95 teria algum destaque na Lazio. Mas ele teve, e terminou o ano como protagonista, justamente sob o comando do pragmático Reja. O espanhol de origem senegalesa foi criado no Barcelona e contratado em 2011 pela Lazio, onde começou a aparecer na temporada 2012-13, pelo sub-19. Foi promovido para o time principal nesta temporada, e começou ganhando espaço pela Liga Europa. E, "comendo pelas beiradas", chegou ao time titular e fez 33 jogos entre Serie A e a competição continental, com seis gols e nove assistências. Bela marca, potencializada pela grande personalidade demonstrada com muitos dribles, arrancadas, categoria e técnica nos passes.

Francesco Bardi
Idade: 22 anos (18/01/1992)
Posição: goleiro
Clube: Livorno

Mais um dos tantos jovens do Livorno, Bardi entra na lista mais pelo que promete ser, não exatamente pelo que foi em 2013-14. Mas não deixa de ser uma das maiores promessas italianas e candidato a futuro camisa 1 da Inter - à qual é vinculado desde 2011. Em 35 partidas no campeonato, o garoto nascido e crescido em Livorno sofreu 69 gols, o mais vazado, e em apenas três ocasiões não sofreu gols. Números que podem ser explicados pelo péssimo sistema defensivo do time, visto que o goleiro, apesar de algumas falhas e irregularidade, teve seus bons momentos, sobretudo nos primeiros jogos da temporada, e especialmente em defesas em que lhe era exigido ou puro reflexo ou muita coragem para crescer contra os adversários. Apesar de ter sido chamado por Prandelli para um período de treinos, deixou o indicativo que ainda não está pronto para uma grande equipes. Terá mais uma temporada como goleiro de um time menor para amadurecer.

Nikola Maksimovic
Idade: 22 anos (25/11/1991)
Posição: zagueiro
Clube: Torino

Chamado de "o novo Vidic", Maksimovic chegou badalado em Turim. E, em 20 partidas como titular, confirmou o potencial. O sérvio entrou definitivamente para o time de Ventura apenas na 16ª rodada, mas mostrou suas qualidades (desarmes e recuperações precisos e boa técnica) e terminou a temporada jogando de forma peculiar: na ausência de Pasquale e Masiello, Darmian foi improvisado na esquerda e o zagueiro foi para a ala direita, onde, surpreendentemente, se saiu muito bem. Ao todo fez 23 partidas, sendo dez como zagueiro e dez como ala. Então emprestado pelo Estrela Vermelha, o Torino exerceu o direito de compra por 2,5 milhões de euros do jogador, que já chegou a ser convocado para a seleção sérvia.

Vasco Regini
Idade: 23 anos (09/09/1990)
Posição: lateral
Clube: Sampdoria

De candidato a flop a titular, Regini superou as más impressões que deixou e a falta de espaço com Rossi. Após a saída do treinador, foi titular absoluto na lateral esquerda no time de Mihajlovic, e mostrou o futebol dos tempos de Empoli. Voltado mais para a defesa, até sendo improvisado algumas vezes como zagueiro, o que já lhe rendeu comparações com Chiellini, o defensor doriano mostrou também um lado ofensivo na Samp de Miha e terminou a temporada com cinco assistências em 29 partidas.

Demorou, mas explodiu: El Kaddouri foi destaque do Torino, abaixo de Cerci e Immobile (Getty Images)
Omar El Kaddouri
Idade: 23 anos (21/08/1990)
Posição: meio-campista
Clube: Torino

El Kaddouri surgiu muito bem no Brescia na Serie B, teve seu passe valorizado e foi levado ao Napoli por Mino Raiola. Pois com Mazzarri não encontrou espaço e foi uma das decepções da temporada passada. O Torino, porém, sabia do seu potencial e contratou por empréstimo. No time de Cerci e Immobile, o marroquino foi o coadjuvante que Ventura precisava. Com cinco gols e oito assistências em 29 partidas, foi a referência técnica no meio-campo e que garantiu o suporte necessário para a dupla de ataque brilhar. Volta para Nápoles, se que é voltará, com moral.

Simone Zaza
Idade: 22 anos (25/06/1991)
Posição: atacante
Clube: Sassuolo

Outro garoto do Sassuolo, Zaza não teve grande ano, mostrou a irregularidade típica de seus anos na Primavera e Serie B, mas seus nove gols e duas assistências em 33 partidas (24 como titular) não devem ser desprezados. Com cinco gols em 14 jogos, teve início de temporada interessante, mas em seguida perdeu espaço para os veteranos Floro Flores e Floccari, além de ter colecionado cartões amarelos e más atuações nesse período. Mas restando dez rodadas para o fim, o atacante deu às caras e participou ativamente na salvação do Sassuolo, com quatro gols e duas assistências.

Sime Vrsaljko
Idade: 22 anos (10/01/1992)
Posição: lateral
Clube: Genoa

Se as grandes equipes esperavam um ano de adaptação/teste de Vrsaljko na Serie A, os observadores devem ter ficado satisfeitos. A revelação croata, que está na Copa do Mundo integrando o grupo dos xadrezes, teve bom ano no Genoa e justificou a badalação, mostrando ser um lateral/ala ofensivo, de bom cruzamento, posicionamento e também disposição defensiva. A despeito de uma lesão que o fez perder 15 rodadas, foi titular absoluto sempre que esteve apto e colecionou 22 partidas, com duas assistências. 

Alessio Romagnoli
Idade: 19 anos (12/01/1995)
Posição: zagueiro
Clube: Roma

Até 2012-13, Romagnoli fizera apenas uma partida na Serie A, na qual inclusive marcou um gol, e sua posição no elenco principal da Roma era de terceira opção para a zaga. E foi assim em grande parte da temporada, até a 24ª rodada. Rudi Garcia perdeu seus dois laterais-esquerdo e chegou a improvisar Torosidis, mas então decidiu dar uma oportunidade para o garoto sentado no banco o ano inteiro. Para a surpresa, Romagnoli rapidamente se adaptou na função e mostrou boa disposição, com passe refinado e segurança defensiva no lado que era o maior defeito de uma Roma quase intransponível. Apesar de apenas uma partida como zagueiro (foram sete na lateral), o defensor deixa boa impressão e espera ganhar espaço.

Daniele Baselli
Idade: 22 anos (12/03/1992)
Posição: meio-campistas
Clube: Atalanta

Apesar de ter uma das melhores categorias de base da Europa, a Atalanta não revelou muitos jogadores nesta temporada. Entre os formados recentemente pela base, apenas Koné, Sportiello e Baselli tiveram chance como titulares, e o último foi quem mais aproveitou as lesões e suspensões de outros, terminando o ano com 28 partidas, 14 como titular (10 nas últimas 14 rodadas). Média 6.94 e destaque em passes, desarmes e interceptações no WhoScored, além de duas assistências, o que rendeu especulação em Inter, Juventus, Fiorentina e Paris Saint-Germain. O garoto tem futuro e pode ser o meia central que muitos times grandes procuram.

Silvan Widmer
Idade: 21 anos (05/03/1993)
Posição: lateral
Clube: Udinese

Widmer chegou calado, para no máximo ser um reserva de Basta. Mas o suíço mostrou potencial para ser mais do que isso e que a equipe de observadores da Udinese, ou dos clubes dos Pozzo, é realmente excelente. Habilidoso, tem boa ultrapassagem e é forte nos cruzamentos. Mas também tem bons números nos aspectos defensivos, e teve média de 7.23 na Serie A – maior que a de Basta. Foram 16 partidas na competição nacional, onze como titular, e mais quatro na Coppa Italia, com duas assistências. De presente, a presença na lista reserva da convocação suíça pra Copa do Mundo. Será o herdeiro de Lichtsteiner?

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Rossi seguirá os passos Cassano? Itália é convocada com surpresas para a Copa do Mundo

Rossi fora, Cassano dentro. Atacantes tem histórico de exclusão, mas dessa vez Fantantonio jogará uma Copa (AP)
Depois de um amistoso decepcionante contra a Irlanda e grave lesão de Montolivo, enfim Cesare Prandelli definiu os 23 convocados da Itália para a Copa do Mundo. O principal destaque da lista não foi um jogador que estava dentro, mas fora dela: Pepito Rossi, o melhor atacante italiano em atividade, ficou fora do grupo que virá ao Brasil.

A ausência do atacante viola, contudo, não é nenhuma surpresa por causa da má condição física após retornar de mais uma lesão nos ligamentos do joelho. Insigne ocupa sua vaga, mesmo que ocupem diferentes funções.

A ausência de Rossi pesa muito, mas sua forma física não garantia segurança para a Copa, ainda mais no desgastante clima úmido do Brasil. No amistoso contra a Irlanda, ficou nítido que o atacante não estava 100% e, por Prandelli ter citado diversas vezes a parte física como questão preponderante, ficou de fora. Foi a terceira vez seguida que o jogador da Fiorentina acaba ficando de fora de um torneio de alto nível com a Itália. Por motivos diferentes, quem viveu sensação parecida em anos anteriores foi Cassano, que acabou convocado para seu primeiro Mundial, aos 31 anos.

Rossi estreou pela seleção em 2008, e em 2009 fez parte do grupo que deu vexame na Copa das Confederações. Em 2010, foi pré-convocado por Marcello Lippi para a Copa do Mundo, mas acabou cortado, uma vez que o técnico preferia um grupo experiente – nesta semana, ele confessou ter se arrependido; irá Prandelli arrepender-se, também?

Em 2012, Pepito não jogou a Euro porque rompeu os ligamentos cruzados do joelho (e lesionou o local outra vez, em um treinamento) e, agora, por mais que tenha se empenhado e tenha conseguido voltar aos gramados após grave lesão sofrida em janeiro, não recuperou a forma física por completo, embora tenha realizado todos os testes na seleção sem restrições, até a hora de entrar em campo em uma situação de jogo. Dificilmente seria o atacante que marcou 14 gols em 18 partidas entre setembro e janeiro, mas uma aposta não seria exagero e poderia ter sido levada em conta, uma vez que Rossi vinha sendo o mais técnico e melhor atacante italiano quando estava em forma. Até porque, em outra ocasião, Prandelli apostou em Cassano, que passou por situação similar.

Cassano sabe o que é ser deixado de fora de última hora. O atacante jogou as Euros 2004 e 2008, mas ficou de fora das Copas subsequentes, 2006 e 2010, excluído em ambas as ocasiões por Lippi. Com Prandelli, ganhou espaço, mas depois quase ficou fora da Euro 2012. Não por lesão, mas pela descoberta de um problema cardíaco, em janeiro de 2012, que o afastou dos gramados até o início de abril. O treinador da Nazionale, porém, garantiu a sua participação no Europeu.

Dois anos depois, Fantantonio perdeu espaço na seleção, mas como Roberto Baggio, que em 1997-98 decidiu jogar por uma equipe de meio de tabela (no caso de Baggio, o Bologna, e no de Cassano, o vizinho Parma) para ter minutos de jogo e tentar jogar a Copa. Conseguiu. Aos 31 anos, ganhou sua primeira chance para brilhar em uma Copa do Mundo. Rossi, de 27 anos, terá a mesma sorte no próximo ciclo? Por enquanto, assim como acontecia a Cassano, segue como um dos grandes jogadores a nunca ter jogado um Mundial.

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Em outros setores, outras novidades: Darmian substitui Maggio, também sem condições físicas para um bom Mundial, e Parolo entra no lugar de Montolivo, com a tíbia fraturada e expectativa de recuperação de três meses.

No gol, Prandelli já tinha definido Buffon, Sirigu e Perin. Sobre o goleiro do Paris Saint-Germain, ontem veio a confirmação de que é, sim, o melhor substituto de Buffon. Em relação aos zagueiros, o treinador italiano não surpreendeu e chamou os esperados: Chiellini, Barzagli, Bonucci e Paletta. Por precaução com a forma de Barzagli e Paletta, Ranocchia também estará em terras brasileiras, caso até o dia 14, estreia da Nazionale na Copa, um dos dois beques não esteja 100%.

Nas laterais, foram convocados os milanistas De Sciglio e Abate, e a novidade Darmian. Justificando o ótimo campeonato pelo Torino, o lateral teve boa noite contra a Irlanda, principalmente ofensivamente. Pasqual era o único canhoto na lista dos 30, mas a versatilidade de De Sciglio e Darmian cativaram Prandelli. E esses têm grandes chances de serem os titulares, como laterais ou alas, a não ser que Chiellini assuma a lateral esquerda. Maggio, fora dos gramados entre março e maio por um pneumotórax, era ausência esperada.

No setor de maior discussão, houve, claro, espaço para os incontestáveis Pirlo e De Rossi, líderes do grupo e do meio-campo italiano - com um adendo sobre o romanista, que pode vir a ser zagueiro pelas dúvidas sobre Bonucci. Também foram convocados Marchisio, Thiago Motta, Aquilani e Candreva, nomes de confiança de Prandelli. Como últimas escolhas, Verratti e Parolo, de boas exibições contra a Irlanda. Ainda no meio-campo, o brasileiro Rômulo, outro sem condições físicas, sequer teve a oportunidade de estrear com a camisa azzurra. Fica para a próxima.

Sobre Verratti, além da partida acima da média no sábado, o veredito é que ele não é apenas o "vice-Pirlo". O meia do Paris Saint-Germain tem dinâmica, agressividade e controle de bola que combinam com o regista da Juventus, também "controlador", porém mais inclinado a passes longos e enfiadas de bola. Verratti, depois de alguma desconfiança, chega no Brasil sob muita expectativa e com boas chances de assumir o lugar de Montolivo, o "falso trequartista" de Prandelli e que fará grande falta pela liderança, versatilidade e técnica. Já Parolo acabou sendo convocado pela ausência do rossonero. Pode nem jogar e ser o bode expiatório pela não convocação de Rossi, que tinha espaço em seu lugar, como sexto atacante.

Balotelli, Cassano, Cerci, Immobile e Insigne formam a linha de ataque azzurra. Convenhamos, um ataque mais talentoso, promissor e empolgante que os chamados por Lippi em 2010 – Iaquinta, Di Natale, Gilardino, Quagliarella e Pazzini. Assim como o atual Rossi, Destro também não garante confiança para Prandelli, por mais que tenha uma ótima média de gols em 2013-14, e será um dos nomes para o ataque italiano apenas depois do mundial.

A convocação Cassano pode ser considerada uma surpresa? Para quem ficou fora da seleção por dois anos, sim, mas Fantantonio é a principal força criativa italiana no último quarto do campo, e isso é muito valorizado quando se tem atacantes do porte de Balotelli, Immobile e Cerci, de arranque, posicionamento e chute precisos. Insigne foi comparado a Candreva, mas é o único ponta que joga pelo lado esquerdo e, apesar da temporada irregular, tem características que podem agregar ao time italiano num segundo tempo, por exemplo.

O que se pode concluir da convocação é que Prandelli apostará na versatilidade de seus jogadores e nos vários sistemas que tem em mente e estão bem assimilados pelo grupo: 4-3-1-2, 4-3-3, 4-3-2-1, 3-5-2, 3-4-2-1 e, a novidade, 4-1-3-2. Contra a Irlanda, apesar de partidas fracas individualmente de Paletta, Bonucci, Motta e Rossi, o time apresentou boa solução para aproveitar a qualidade multifuncional do meio-campo e os avanços dos laterais, algo muito apreciado pelo treinador. Faltou maior precisão, seja no posicionamento defensivo, seja na construção e conclusão das jogadas, mas era um 11 que nunca atuará junto e sem peças fundamentais do selecionado. Algo compreensível. Mas, também, algo que não poderá acontecer durante a Copa do Mundo.

No dia 4, a Squadra Azzurra enfrenta Luxemburgo, em Perúgia, e no dia 6, desembarca no Rio de Janeiro e prossegue a preparação em Mangaratiba (RJ).

Possíveis variações táticas da Itália

Confira a convocação completa
Goleiros: Buffon (Juventus), Perin (Genoa) e Sirigu (Paris Saint-Germain).

Defensores: Abate (Milan), Barzagli (Juventus), Bonucci (Juventus), Chiellini (Juventus), Darmian (Torino), De Sciglio (Milan) e Paletta (Parma).

Meio-campistas: Aquilani (Fiorentina), Candreva (Lazio), De Rossi (Roma), Marchisio (Juventus), Thiago Motta (Paris Saint-Germain), Parolo (Parma), Pirlo (Juventus) e Verratti (Paris Saint-Germain).

Atacantes: Balotelli (Milan), Cassano (Parma), Cerci (Torino), Immobile (Torino) e Insigne (Napoli).