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domingo, 28 de dezembro de 2014

Balanço de inverno, parte 1

Palacio é a maior decepção de uma Inter que produz menos do que pode (ESPN FC)
Eu sei, também estamos com saudades. Mas a bola só volta a rolar na Serie A no dia 5 de janeiro, em virtude da pausa do campeonato por conta das festividades de fim de ano. Antes de o Campeonato Italiano voltar a agitar os nossos dias, porém, destacamos como as 20 equipes que disputam o torneio estão no atual estágio, na metade da temporada. A nossa análise traz ainda uma projeção do que pode acontecer com cada uma delas, com base no futebol desempenhado até agora e com potenciais reforços na janela de mercado, aberta durante todo o mês de janeiro. Nosso especial da parada de inverno está dividido em duas partes, publicadas semanalmente. Neste domingo, apresentamos, as análises das equipes classificadas da 20ª à 11ª posição, e no próximo, bem pertinho da volta do campeonato, falaremos sobre o restante. Feliz ano novo e boa leitura!

Publicado também na Trivela.

Parma
20ª posição. 16 jogos, 6 pontos. 2 vitórias, 1 empate, 13 derrotas. 16 gols marcados, 36 sofridos.
Time-base: Mirante; Felipe (Costa), Pedro Mendes, Lucarelli; Rispoli (Santacroce, Ristovski), Acquah, Lodi, José Mauri, Gobbi (De Ceglie); Cassano, Palladino (Coda, Belfodil).
Treinador: Roberto Donadoni
Destaque: Antonio Cassano, atacante
Artilheiro: Antonio Cassano, com 5 gols
Garçom: Massimo Coda, com 3 assistências
Decepção: Francesco Lodi, meia
Maior sequência de vitórias: nenhuma
Maior sequência de derrotas: 6, da 4ª à 9ª rodada
Maior sequência de invencibilidade: nenhuma
Maior sequência sem vencer: 6, da 4ª à 9ª rodada e da 11ª à 16ª
Expectativa: Não ser rebaixado

Sem dúvidas, o Parma é uma das maiores decepções desta temporada. A equipe manteve Cassano, trouxe Lodi mas, principalmente, apostou na volta de empréstimo de vários jogadores que estavam em clubes menores – como medida de economia. Não deu certo. Já se sabia que o clube, antes dirigido por Tommaso Ghirardi, tinha dificuldades financeiras e por isso não tinha investido no mercado, mas não se imaginava que a situação, que custou a vaga na Liga Europa aos crociati, era tão grave. Tão grave que faria o clube perder um ponto, como punição por atraso de salários, e que faria o empresário vender o clube a um grupo russo-cipriota, cujos investidores ainda são desconhecidos.

A falta de reforços enfraqueceu o time, que dentro de campo também acusou o golpe pelos salários atrasados e problemas societários. O time é inferior ao do ano passado, mas não o suficiente para, de longe, ocupar o fundo da tabela. Não é fácil a tarefa de Donadoni, que foi mantido no cargo – coerentemente, primeiro porque existem poucos técnicos com sua qualidade, e também pela má fase não ser culpa sua. No ano passado, o Catania, lanterna do campeonato a esta altura, tinha 10 pontos (quatro a mais) e foi rebaixado com algumas rodadas de antecedência, o que mostra que os novos investidores terão que investir pesadamente no mercado de inverno para garantirem reforços. A volta de jogadores importantes, como Cassani, Paletta e Biabiany, que estavam fora por motivos físicos e de saúde, pode ajudar também. Resta saber se Cassano permanece para a segunda parte da temporada.

Cesena
19ª posição. 16 jogos, 9 pontos. 1 vitória, 6 empates, 9 derrotas. 13 gols marcados, 30 sofridos.
Time-base: Leali; Capelli, Lucchini, Volta; Giorgi, Coppola (Carbonero), De Feudis, Cascione, Renzetti (Mazzotta); Defrel (Brienza); Marilungo (Hugo Almeida).
Treinadores: Pierpaolo Bisoli, até a 15ª rodada, e Domenico Di Carlo, a partir de então
Destaque: Nicola Leali, goleiro
Artilheiros: Grégoire Defrel, com 4 gols
Garçom: nenhum
Decepção: Hugo Almeida, atacante
Maior sequência de vitórias: nenhuma
Maior sequência de derrotas: 3, da 7ª à 10ª rodada, e da 13ª à 15ª
Maior sequência de invencibilidade: 2, na 5ª e 6ª rodadas
Maior sequência sem vencer: 15, da 2ª à 16ª rodada
Expectativa: Não ser rebaixado

Assim como o Parma, o Cesena tem menos pontos que o Catania, lanterna da última Serie A, tinha nesta fase do campeonato – quando também ocupava a última posição. Ao contrário do Parma, que tem condições de reagir, o time romanholo parece destinado à segundona. Sem muita reação, o Cesena é um dos favoritos para cair, desempenho já esperado pela própria torcida. Afinal, o acesso à elite foi surpreendente e o elenco é o mais fraco do campeonato.

O time tem como únicos destaques o ótimo goleiro Leali, que tem sido bombardeado e vai sendo testado para seu futuro na Juventus, e o atacante Defrel, formado pelo Parma. Alguns outros jogadores até tem qualidade, mas sofrem em meio a um elenco com pouca técnica. Somado a isso, o presidente Giorgio Lugaresi não faz a mínima questão de ver um time ousado. Apostou em dois técnicos defensivistas, como Bisoli e Di Carlo, e não tem colhido bons resultados. Ninguém venceu menos que os bianconeri, que estrearam com uma vitória diante do Parma e depois não conseguiram mais triunfos. Já são 15 jogos sem vencer. E contando.

Cagliari
18ª posição. 16 jogos, 12 pontos. 2 vitórias, 6 empates, 8 derrotas. 21 gols marcados, 29 sofridos.
Time-base: Cragno; Balzano (Pisano), Ceppitelli, Rossettini, Danilo Avelar (Balzano); Crisetig, Conti, Ekdal; Ibarbo, Sau (Diego Farias), Cossu (Danilo Avelar).
Treinadores: Zdenek Zeman, até a 16ª rodada, e Gianfranco Zola, estreante
Destaque: Víctor Ibarbo, meia-atacante
Artilheiros: Marco Sau e Albin Ekdal, com 4 gols
Garçons: Cinco jogadores, com 2 assistências
Decepção: Marco Capuano, zagueiro
Maior sequência de vitórias: nenhuma
Maior sequência de derrotas: 3, da 2ª à 4ª rodada
Maior sequência de invencibilidade: 3, da 7ª à 9ª rodada
Maior sequência sem vencer: 8, da 9ª à 16ª rodada
Expectativa: Não ser rebaixado

Poucos técnicos dividem mais opiniões na Itália do que Zeman. O novo proprietário do Cagliari, Tommaso Giulini, não quis saber disso e apostou no técnico checo para a reconstrução de uma equipe que ficou mais de duas décadas nas mãos de Massimo Cellino. Achou que ele seria o nome indicado para conduzir um grupo com jovens jogadores, muitos dos quais nos setores ofensivos. Também apostou que Sau, criado pelo técnico no Foggia, renderia mais, e que Ibarbo e Cossu seriam nomes que ganhariam ainda mais relevância com ele. Porém, Zeman decepcionou novamente, como na Roma, e não conseguiu repetir na elite os bons trabalhos feitos em divisões inferiores.

O treinador boêmio pareceu ultrapassado em sua passagem pela Sardenha. O time não conseguiu se acertar em nenhum momento sob o seu comando e, muito embora o Cagliari tenha o melhor ataque entre os nove últimos colocados, os números enganam: o time ficou sem marcar gols em cinco jogos (três em sequência), algo muito atípico para uma equipe com o DNA de Zeman. Além disso, 11 desses gols foram marcados em três jogos. O treinador não conseguiu motivar o elenco e muito menos extrair o que se esperava dos bons valores contratados. Embora jogadores como Sau, Ibarbo, Cossu, Ekdal, Avelar e Rossettini venham jogando em bom nível, a decisão de mudança da diretoria parece ter vindo na hora certa. Zola, que foi ídolo do clube no final de sua carreira, estreará em janeiro, poderá indicar reforços para o mercado de inverno e terá tempo de treinar até a 17ª rodada. Dentre os times na zona de rebaixamento, os casteddu são aqueles que têm a maior probabilidade de salvarem-se da queda.

Atalanta
17ª posição. 16 jogos, 15 pontos. 3 vitórias, 6 empates, 7 derrotas. 11 gols marcados, 21 sofridos.
Time-base: Sportiello; Zappacosta, Benalouane (Biava), Stendardo (Cherubin), Dramé; Baselli (Migliaccio, D'Alessandro), Cigarini, Carmona; Moralez; Boakye (Bianchi), Denis.
Treinador: Stefano Colantuono
Destaque: Marco Sportiello, goleiro
Artilheiro: Germán Denis, com 3 gols
Garçons: Luca Cigarini e Cristian Raimondi, com 2 assistências
Decepção: Alejandro Gómez, meia-atacante
Maior sequência de vitórias: nenhuma
Maior sequência de derrotas: 4, da 3ª à 6ª rodada
Maior sequência de invencibilidade: 3, da 9ª à 11ª rodada
Maior sequência sem vencer: 6, da 8ª à 13ª rodada
Expectativa: Não ser rebaixada

Após um ano muito bom, no qual correu poucos riscos e bateu recordes históricos, a Atalanta decepciona em 2014-15. O time, que tem o mesmo técnico, Colantuono, há mais de quatro anos no cargo, e que mantém um elenco bastante similar ao do ano passado, caiu de rendimento. É a pior campanha nerazzurra desde que o time voltou à elite, em 2011. Boa parte disso se deve ao momento muito negativo do setor ofensivo da equipe, que tem o pior ataque da Serie A, com apenas 11 gols marcados.

Um dos que estão destoando mais é o atacante e capitão Denis. Desde que assinou com La Dea, em 2011, o argentino marcou sempre mais de 13 gols na Serie A, e até agora está decepcionando, sendo pouco decisivo. Todos os outros jogadores do setor também tem atuado abaixo do que podem. Gómez, que foi destaque do Catania e chegou a estar na mira da Inter, não tem conseguido nem assumir uma vaga no time titular, mesmo que Moralez esteja fora de sintonia desde a temporada passada. Um alento para a Atalanta é que o goleiro Sportiello, de 21 anos, está se revelando como um dos melhores da Itália. A pausa de inverno será fundamental para que a equipe corrija os erros da primeira metade do campeonato e volte a jogar bem. O elenco está fechado com o técnico Colantuono, o que já é um grande ganho.

Chievo
16ª posição. 16 jogos, 16 pontos. 4 vitórias, 4 empates, 8 derrotas. 12 gols marcados, 19 sofridos.
Time-base: Bardi (Bizzarri); Frey, Danielli, Cesar (Gamberini), Zukanovic (Biraghi); Birsa, Radovanovic, Izco (Cofie), Hetemaj; Paloschi, Meggiorini (Maxi López).
Treinadores: Eugenio Corini, até a 7ª rodada, e Rolando Maran, a partir de então
Destaque: Alberto Paloschi, atacante
Artilheiro: Alberto Paloschi, com 4 gols
Garçom: Mariano Izco, com 2 assistências
Decepção: Francesco Bardi, goleiro
Maior sequência de vitórias: nenhuma
Maior sequência de derrotas: 4, da 6ª à 9ª rodada
Maior sequência de invencibilidade: 5, da 10ª à 14ª rodada
Maior sequência sem vencer: 8, da 3ª à 10ª rodada
Expectativa: Não ser rebaixado

A troca de treinadores fez bem ao Chievo. Com a saída de Corini, o presidente Luca Campedelli apostou em outro nome ligado ao clube. Maran, assim como o seu antecessor, jogou no clube por muitos anos. A chegada do competente ex-técnico do Catania mudou o panorama da equipe, que tinha dificuldades de somar pontos. Após o ambientamento do novo treinador, os clivensi conseguiram três de suas quatro vitórias, e ainda passaram cinco jogos seguidos somando pontos. Dessa forma, ultrapassaram o Cagliari e deixaram a zona de rebaixamento.

A grande novidade no Chievo este ano foi a troca de esquema, do 3-5-2 para o 4-4-2 – com trequartista ou com jogadores abertos pelas pontas. Apesar de ter adicionado qualidade à armação de jogadas, o meio-campo continuou combativo, e os dois treinadores deram mais espaço para jogadores aguerridos do que aqueles apenas talentosos. Birsa foi uma boa surpresa no setor, jogando pela direita, enquanto Botta e Schelotto receberam poucas oportunidades. Outro jogador emprestado pela Inter, o goleiro Bardi teve algumas ótimas atuações, permeadas por pequenas falhas, e acabou sendo preterido por Bizzarri após a chegada de Maran. No ataque, que é o segundo pior do Campeonato Italiano, Paloschi segue sendo o grande destaque do time. Qualquer chance de escapar do rebaixamento sairá dos pés dele.

Verona
15ª posição. 16 jogos, 17 pontos. 4 vitórias, 5 empates, 7 derrotas. 18 gols marcados, 27 sofridos.
Time-base: Rafael; Martic (Sorensen), Rafa Márquez, Moras, Agostini; Ionita (Campanharo, Obbadi), Tachtsidis, Hallfredsson; Christodoulopoulos (Nico López), Toni, Juanito.
Treinador: Andrea Mandorlini
Destaque: Luca Toni, atacante
Artilheiro: Luca Toni, com 5 gols
Garçom: Lazaros Christodoulopoulos, com 3 assistências
Decepção: Javier Saviola, atacante
Maior sequência de vitórias: 2, na 2ª e 3ª rodadas
Maior sequência de derrotas: 3, da 12ª à 14ª rodada
Maior sequência de invencibilidade: 4, da 1ª à 4ª rodada
Maior sequência sem vencer: 8, da 7ª à 14ª rodada
Expectativa: Não ser rebaixado

Na última temporada, o Verona surpreendeu ao voltar à elite após 10 anos de ausência e brigar por uma vaga na Liga Europa. Dificilmente repetiria o feito. Já se imaginava que a temporada scaligera teria muito mais dificuldades, por causa da saída de dois de seus principais jogadores, Iturbe e Rômulo, e de várias outras peças que compunham o elenco – sem contar no envelhecimento de Toni, que já tem 37 anos. Até agora, o roteiro tem sido seguido à risca pela equipe de Mandorlini.

O treinador, que está no comando dos butei desde 2010, chegou a correr riscos de ser demitido, pelos dois meses sem vitória, entre outubro e dezembro, mas tem crédito pelo que tem feito – por mais que a equipe tenha voltado a vencer e, logo depois, perdido o dérbi contra o Chievo. A troca de muitas peças no elenco fez com que Mandorlini começasse a alternar entre o 4-3-3 e o 3-5-2 a depender dos adversários. Isso porque os jogadores que foram contratados para substituir Rômulo e Iturbe, como Tachtsidis, Ionita, Christodoulopoulos e Nico López tem características diferentes. Os reforços citados não estão jogando mal, assim como Toni, que segue deixando os seus golzinhos, mas a defesa tem passado longe de estar acertada – Rafa Márquez não se mostrou uma boa contratação e os outros jogadores do setor estão longe de passar confiança para o goleiro Rafael. O Hellas tem boas chances de evitar o rebaixamento, mas não terá vida fácil em 2015.

Torino
14ª posição. 16 jogos, 17 pontos. 4 vitórias, 5 empates, 7 derrotas. 12 gols marcados, 18 sofridos.
Time-base: Gillet; Maksimovic, Glik, Moretti; Bruno Peres (Molinaro), Vives, Gazzi, El Kaddouri, Darmian; Quagliarella, Amauri (Sánchez Miño, Martínez).
Treinador: Giampiero Ventura
Destaque: Kamil Glik, zagueiro
Artilheiros: Fabio Quagliarella e Kamil Glik, com 4 gols
Garçons: Omar El Kaddouri e Bruno Peres, com 2 assistências
Decepção: Amauri, atacante
Maior sequência de vitórias: nenhuma
Maior sequência de derrotas: 3, da 11ª à 13ª rodada
Maior sequência de invencibilidade: 3, da 14ª à 16ª rodada
Maior sequência sem vencer: 6, da 10ª à 15ª rodada
Expectativa: Meio da tabela

Assim como o Verona, o Torino surpreendeu pela campanha tão boa em 2013-14. E também entrou nesta temporada com expectativas menores, o que vem e cumprindo. A equipe treinada por Ventura está dividindo as atenções entre Serie A e Liga Europa, e até agora está fazendo uma temporada digna: se classificou para o mata-mata na competição europeia e está no meio da tabela no certame nacional, cinco pontos acima da zona de descenso. Um resultado bastante aceitável para um time que perdeu dois jogadores do quilate de Immobile e Cerci, responsáveis diretos pela bonança no ano anterior.

A grande diferença entre as duas temporadas está nos números comparativos entre defesa e ataque. Os granata sofrem, em média, menos gols do que em 2013-14, e isto se deve à volta de Gillet ao gol – Padelli, seu antecessor, fez boa temporada, mas o belga é tecnicamente superior – e à afirmação de Maksimovic e Glik, que seguram a barra para os constantes avanços de Darmian e da grata surpresa que é Bruno Peres. O ataque, por sua vez, balança muito menos redes: é o terceiro pior da temporada, enquanto no campeonato anterior estava entre os melhores. Quagliarella tem se desdobrado para fazer uma boa temporada e marcou quatro gols, mas outros jogadores não tem conseguido chegar perto disso. Martínez, por exemplo, fez apenas um, e El Kaddouri e Amauri passam em branco até o momento – o capitão Glik, na zaga, fez quatro. Qualidade o time tem, e com a pausa de inverno, o elenco pode se preparar melhor para encarar a volta da Serie A. Os granata precisam voltar em 2015 com a sede de mostrar à Itália que o time que deu trabalho à rival Juventus pode incomodar mais na parte de cima da tabela.

Empoli
13ª posição. 16 jogos, 17 pontos. 3 vitórias, 8 empates, 5 derrotas. 17 gols marcados, 22 sofridos.
Time-base: Sepe; Hysaj, Tonelli, Rugani, Mário Rui; Vecino, Valdifiori, Croce; Verdi; Maccarone, Tavano (Pucciarelli).
Treinador: Maurizio Sarri
Destaque: Massimo Maccarone, atacante
Artilheiro: Lorenzo Tonelli, com 4 gols
Garçom: Massimo Maccarone, com 5 assistências
Decepção: Diego Laxalt, meia
Maior sequência de vitórias: 2, na 11ª e 12ª rodadas
Maior sequência de derrotas: 3, da 8ª à 10ª rodada
Maior sequência de invencibilidade: 6, da 11ª à 16ª rodada
Maior sequência sem vencer: 5, da 1ª à 5ª rodada
Expectativa: Não ser rebaixado

No nosso guia de início de temporada, falamos que o Empoli poderia ser uma das gratas surpresas desta Serie A. Até agora, a modesta equipe da Toscana, que tem a menor folha salarial do país – 11 milhões de euros anuais –, está confirmando os nossos prognósticos, com um futebol bastante objetivo. Na terceira temporada de Sarri no comando do time, e na estreia do técnico na elite, a fórmula é a mesma utilizada na segundona. Mescla de promessas e jogadores tarimbados, futebol simples e pragmático, com defesa bem montada, meio-campo sólido e três atacantes livres para desequilibrarem. O time começou a Serie A com dificuldades, e sem conseguir vencer, mas se ajustou na parte final de 2014 e subiu bastante na tabela. Com a pausa de inverno, terá mais tempo para descansar e manter a crescente.

Quase todas as peças do time titular vem fazendo temporada acima da média. Maccarone tem se destacado, mesmo aos 35 anos, e contribui com gols e assistências. Tavano tem sido menos utilizado do que o previsto, mas Pucciarelli também tem rendido bem. Na criação, Vecino, Valdifiori e Verdi são fundamentais e tiram o espaço de jovens promessas, como Zielinski e Laxalt, ou mesmo do rodado Guarente. A defesa conta com uma penca de ótimos jogadores jovens e que estão atraindo a atenção de times maiores: casos de Sepe, ex-Napoli, Rugani, de propriedade da Juventus, e do zagueiro-artilheiro Tonelli. Continuando desta forma, os azzurri poderão salvar-se da queda com alguma tranquilidade.

Sassuolo
12ª posição. 16 jogos, 20 pontos. 4 vitórias, 8 empates, 4 derrotas. 17 gols marcados, 21 sofridos.
Time-base: Consigli; Vrsaljko (Gazzolla), Cannavaro (Terranova, Antei), Acerbi, Peluso; Taïder, Magnanelli, Missiroli; Berardi (Floro Flores), Zaza (Floccari), Sansone.
Treinador: Eusebio Di Francesco
Destaque: Simone Zaza, atacante
Artilheiro: Simone Zaza, com 5 gols
Garçom: Domenico Berardi, com 4 assistências
Decepção: Raman Chibsah, volante
Maior sequência de vitórias: 2, na 8ª e 9ª e 12ª e 13ª rodadas
Maior sequência de derrotas: 2, na 5ª e 6ª rodadas
Maior sequência de invencibilidade: 8, da 7ª à 14ª rodada
Maior sequência sem vencer: 7, da 1ª à 7ª rodada
Expectativa: Meio da tabela

O Sassuolo é um pequeno abusado. Apesar de estar sediado em uma cidade de apenas 40 mil habitantes e não ter tradição, o time neroverde tem uma folha salarial de respeito: 28 milhões de euros, superior a Udinese, Genoa, Torino e Parma. O investimento do presidente Giorgio Squinzi tem  colhido frutos, porém. Com um time que aposta muito na formação de atletas e que valoriza o talento italiano – apenas dois titulares são estrangeiros –, o Sassuolo vai se fixando como um dos times mais interessantes da Itália. O time é bem treinado por Di Francesco e, seguindo a mesma toada, vai permanecer mais um ano na elite sem maiores problemas. Mais: se corrigir alguns erros, o time pode ensaiar uma inédita briga por vaga em competições europeias.

Mais uma vez, assim como na temporada passada, o time pecou pelo mau início de temporada, quando demorou sete jogos para ganhar. Depois, porém, engatou a maior sequência de invencibilidade de sua história, e só não está com cinco pontos a mais porque entregou resultados nos acréscimos em três jogos seguidos – poderia estar na 7ª posição, empatado com o Milan. O setor mais eficiente e atraente da equipe é o ataque, um dos melhores do país. Zaza é titular da seleção italiana de Antonio Conte e, em breve, Berardi e Sansone devem aparecer em convocações do treinador azzurro. O desempenho do trio é suficiente para tal, e se os três conseguirem o duplo milagre – salvar a equipe do rebaixamento e, de quebra, classificá-la para uma competição europeia –, não apenas o treinador ficará de olho neles, mas outros clubes também.

Inter
11ª posição. 16 jogos, 21 pontos. 5 vitórias, 6 empates, 5 derrotas. 25 gols marcados, 23 sofridos.
Time-base: Handanovic; Nagatomo (D'Ambrosio), Ranocchia, Juan Jesus, Dodô; Guarín (Vidic), Medel (Kuzmanovic), Hernanes; Kovacic; Palacio, Icardi.
Treinadores: Walter Mazzarri, até a 11ª rodada, e Roberto Mancini, a partir de então
Destaque: Mateo Kovacic, meia
Artilheiro: Mauro Icardi, com 8 gols
Garçom: Fredy Guarín, com 3 assistências
Decepção: Rodrigo Palacio, atacante
Maior sequência de vitórias: 2, na 8ª e 9ª rodadas
Maior sequência de derrotas: 2, na 5ª e 6ª e 13ª e 14ª rodadas
Maior sequência de invencibilidade: 4, da 1ª à 4ª rodada
Maior sequência sem vencer: 5, da 10ª à 14ª rodada
Expectativa: Vaga em competição europeia

Os anos passam e os momentos de confusão pós-Mourinho continuam na Inter. Desde que o técnico português deixou o clube, salvo um breve período em 2010-11, a equipe de Milão vive momentos delicados – o que tem a ver, também, com o redimensionamento financeiro do clube. Em 2014-15, a equipe continua sendo bastante irregular, e precisou trocar de técnico no meio da temporada para tentar reagir. Os números dizem que com Mazzarri o time rendia mais, mas não é verdade. Afinal, com ele, o time tomou 4 a 1 do Cagliari (18º colocado) em casa, e perdeu do lanterna Parma, que só venceu dois jogos. Com pouco tempo em seu retorno à velha casa, Mancini ainda não conseguiu resultados expressivos, mas tem feito o time jogar melhor, pouco a pouco. Agora, a Inter é um time que ao menos parece ter objetivos, plano de jogo e alternativas. E, ao contrário do seu antecessor, Mancio tem muito crédito com a torcida.

Os problemas a serem corrigidos são muitos. A defesa não tem passado segurança, muito porque os laterais são bastante ofensivos e vivem má fase – com isso, Ranocchia e Juan ficam bastante expostos. Vidic, uma das piores contratações da temporada europeia, nem se ambientou e parece destinado a fazer as malas, assim como M'Vila. Medel também não entrou bem no time, e o meio-campo também tem em Guarín e Hernanes dois jogadores que rendem menos que o que podem produzir. Palacio, então, nem se fala. Totalmente desacreditado, vive fase muito negativa, que espera ter encerrado quando, na 16ª rodada, espantou um jejum de 225 dias sem marcar gols. Entre os destaques, a Inter pode agradecer por ter em Handanovic um paredão, especialista em pegar pênaltis, e também por estar vendo Kovacic, um dos melhores meias em circulação pela Europa, começar a desabrochar. Icardi continua marcando seus gols, mas está menos decisivo que no ano anterior. Os três, de qualquer forma, formam a espinha dorsal à qual Mancini confiará o seu trabalho. Trabalho que só poderá evoluir caso reforços cheguem em janeiro para que o treinador possa moldar a equipe ao seu gosto, com um jogo forte pelos flancos.

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Os 10 maiores jogadores da história do Genoa

Em 1990-91, o Genoa conseguiu seu melhor resultado após a II Guerra (Wikipedia)
O Genoa é um time grande ou não é? Muita gente levanta esta questão, uma vez que os rossoblù são os donos do maior número de scudetti se desconsiderarmos os gigantes Inter, Juventus e Milan. Com nove títulos, os genoanos tem mais conquistas do que Roma, Lazio, Fiorentina, Napoli, Bologna e sua maior rival, a Sampdoria. Falta apenas um para que o clube tenha o direito de estampar uma estrela em seu peito. No entanto, a última conquista dos grifoni aconteceu em 1923. Bom, faz tempo.

O Genoa é o time mais velho da Itália, fundado em 1893, e também o primeiro campeão. Gênova é um dos portos mais importantes da Europa e foi porta de entrada de muitos industriais britânicos nos séculos XIX e XX, no auge da Segunda Revolução Industrial. Com eles, chegaram o futebol e, claro, o críquete. O Genoa, como tantos times mundo afora (inclusive no Brasil) foi fundado como Genoa Cricket and Athletic Club, mudando sua denominação para Genoa Cricket and Football Club em 1899. Permanece até hoje.

Todos os nove títulos nacionais do Genoa foram conquistados antes de a Serie A se transformar no que a conhecemos: um torneio com grupo único, em pontos corridos. Sete destes nove foram conquistados ainda mais nos primórdios, em uma época em que havia poucos clubes do esporte na Itália e em tempos de amadorismo. Houve títulos italianos que foram decididos em apenas dois jogos – como o primeiro deles, em 1898.

Por isso, já avisamos: não consideramos os multicampeões James Spensley (seis scudetti), Enrico Pasteur e Henri Dapples (ambos com cinco) em nossa lista com os maiores jogadores da história do clube. Para começar, nenhum deles jogou em mais de 20 partidas para conseguirem os feitos, adquiridos entre 1898 e 1904. Não há, também, registros muito fieis sobre a qualidade técnica dos atletas. Os tempos eram outros, mesmo. Basta pensar que Spensley era técnico, médico, goleiro e defensor da equipe. E, ah, também foi árbitro por um tempo. E patrono do escotismo italiano. Outros parâmetros.

Portanto, estamos considerando apenas os jogadores que atuaram no clube após o fim da I Guerra Mundial, a partir de 1919 – com exceção de Luigi Ferraris, que passou por lá antes disso e morreu, como soldado, no conflito, sendo homenageado com o nome do estádio da cidade. Dentre todos, apenas um que está no Top 10 conquistou um título com a camisa vermelha e azul – outros dois estão na lista de 25. Depois dos últimos títulos, conquistados nos anos 1920, o Genoa decaiu bastante, e só teve grandes momentos no início da década de 1990 e no final dos 2000. A esmagadora maioria dos jogadores citados estão compreendidos neste período. Sobretudo atacantes matadores, capitães e outros extremamente identificados com a torcida – e um tetracampeão mundial pelo Brasil também. Falando em brasileiros, veja antes todos os canarinhos que envergaram a camisa azul e vermelha.

Brasileiros da história do Genoa
Adaílton, Aldair, Almir Pernambuquinho, Anselmo, Branco, Danilo Sacramento, Davide Curti, Edenílson, Édson, Elisio Gabardo, Eloi, Fabiano, Gabriel Silva, Germano, Gleison Santos, Marinho (Mario Di Pietro), Matuzalém, Paulo Pereira, Rafinha, Robert Anderson, Roger Carvalho, Rubinho, Thiago Gosling, Thiago Motta, Wilson, Zé Eduardo e Zé Elias.

Critérios
Para montar as listas, o Quattro Tratti levou em consideração a importância de determinado jogador na história do clube, qualidade técnica do atleta versus expectativa, identificação com a torcida e o dia a dia do clube (mesmo após o fim da carreira), grau de participação nas conquistas, respaldo atingido através da equipe e prêmios individuais. Listas são sempre discutíveis, é claro, e você pode deixar a sua nos comentários!

Além do "top 10", com detalhes sobre os jogadores, suas conquistas e motivos que os credenciam a figurar em nossa listagem, damos espaço para mais alguns grandes. Quem não atingiu o índice necessário para entrar no top 10 é mostrado no ranking a seguir.

Observações: Para saber mais sobre os jogadores, os links levam a seus perfis no site. Os títulos e prêmios individuais citados são apenas aqueles conquistados pelos jogadores em seu período no clube. Também foram computadas premiações pelas seleções nacionais, desde que ocorressem durante a passagem dos jogadores nos clubes em questão.

Top 25 Genoa
11. Juan Carlos Verdeal; 12. Fulvio Collovati; 13. Ottavio Barbieri; 14. Aristodemo Santamaria; 15. Fosco Becattini; 16. Omar Milanetto; 17. Simone Braglia; 18. Claudio Onofri; 19. Sebastiano Nela; 20. Luigi Simoni; 21. Luigi Ferraris; 22. Cosimo Francioso; 23. Stefano Eranio; 24. Mario Bortolazzi; 25. Luigi Meroni.

10º - Branco


Posição: lateral esquerdo
Período em que atuou no clube: 1990-93
Títulos conquistados: nenhum
Prêmios individuais: nenhum

25 de novembro de 1990. Naquele dia o Genoa acabava com um jejum de 11 anos sem vencer a Sampdoria no dérbi local com um gostinho a mais: o time estava bem colocado para conseguir uma vaga em competição europeia, algo inédito na história do clube. No final das contas, a vitória por 2 a 1 foi fundamental para o melhor resultado do time desde 1942, a classificação à Copa Uefa e ainda valeu uma carimbada na faixa de campeã da eterna rival. O gol – na verdade um golaço – teve a marca registrada do nono colocado nesta lista. Em uma cobrança de falta, Branco mandou um petardo de perna esquerda no ângulo de Gianluca Pagliuca, fazendo com que a foto fosse utilizada como cartão de Natal provocativo de torcedores rossoblù aos dorianos.

Branco já havia sido campeão brasileiro pelo Fluminense, português pelo Porto e também já tinha conquistado uma Copa América com a Seleção – também tinha até jogado uma Serie B pelo Brescia. Contratado pelo Genoa no auge de sua carreira, Branco não decepcionou, e no período em que esteve na Itália manteve sua vaga no grupo de Carlos Alberto Parreira. No Genoa da fase áurea, ele era um dos jogadores mais técnicos e importantes, ao lado de Tomáš Skuhravý, Carlos Alberto Aguilera e do capitão Gianluca Signorini. Suas constantes subidas pelo lado esquerdo davam opções de ataque a um time que atuava com velocidade. Pelo Genoa, suas cobranças de falta sempre foram temidas pelos adversários – como em qualquer outro período de sua carreira. Além do marcante gol contra a Samp, Branco anotou um dos mais lindos gols de sua carreira nas quartas de final da Copa Uefa 1991-92, contra o Liverpool, que ajudaram o time a seguir na competição.

9º - Vincenzo Torrente

Posição: zagueiro
Período em que atuou no clube: 1985-2000
Títulos conquistados: Serie B (1988-89) e Copa Anglo-Italiana (1995-96)
Prêmios individuais: nenhum

Um jogador com o sobrenome Torrente – enxurrada, em italiano – em uma das cidades mais chuvosas da Itália poderia não dar certo. As muitas enchentes que já traumatizaram os genoveses, no entanto, não impediram que o presidente Aldo Spinelli e o diretor esportivo Spartaco Landini contratassem o jovem zagueiro Torrente junto ao Nocerina, quando ele tinha 19 anos. Após agradar no Torneio de Viareggio, o time rossoblù exerceu a opção de compra após o empréstimo e não se arrependeu. O zagueiro não era alto (media 1,80m), mas tinha boa impulsão e compensava com excelente posicionamento.

Torrente, como tantos outros jogadores da nossa lista, subiu com o Genoa à elite, em seu terceiro ano de clube, e jogou a histórica Copa Uefa de 1991-92, ajudando a equipe a alcançar as semifinais. Em 15 anos de clube, ainda viveu o inferno da Serie B com o Genoa por mais cinco anos, entre 1995 e 2000. Quando Gianluca Signorini deixou o clube, com a queda para a segundona, Torrente assumiu a braçadeira definitivamente – ele era o vice-capitão, em caso de ausência do ídolo genoano. Na temporada de queda para a série cadetta, coube a Torrente fazer um anúncio importante. Em 29 de janeiro de 1995, antes de jogo contra o Milan, brigas entre as torcidas deixaram um jovem torcedor genovês morto. Foi Torrente que anunciou ao estádio que a partida não seria jogada em sinal de luto. O zagueiro deixou Gênova em 2000, para encerrar a carreira no Alessandria, mas em 2002 retornou à cidade que o acolheu. Durante sete anos, até 2009, treinou jovens nas categorias de base do clube e teve curta experiência treinando o time principal, interinamente. Até hoje, não esconde que o seu maior sonho é treinar a equipe que adotou como sua.

8º - Carlos Alberto Aguilera


Posição: atacante
Período em que atuou no clube: 1989-92
Títulos conquistados: nenhum
Prêmios individuais: nenhum

Com apenas 1,62m, Pato Aguilera era um diabinho para as defesas adversárias. O jogador uruguaio chegou ao Genoa já coroado com a Copa América (1983) e por passagens por Nacional-URU, Racing e Peñarol. Aguilera desembarcou na cidade juntamente com os compatriotas Rubén Paz e José Perdomo, e foi o único a se firmar na equipe, com muita velocidade, habilidade e gols importantes, de falta, pênalti ou mesmo com a bola rolando. Enquanto Paz e Perdomo foram negociados, o Pato passou três anos brilhando em Gênova, e foi um dos grandes responsáveis por levar os grifoni para a Copa Uefa, e o grande destaque rossoblù na forte campanha, que acabou nas semifinais.

No primeiro ano no Luigi Ferraris, Aguilera teve atuação regular e fez oito gols em 31 partidas, escalado quase sempre como titular por Franco Scoglio. Na segunda temporada, explodiu de vez e deixou 15 gols – sete deles de pênalti –, sendo, juntamente a Tomáš Skuhravý, o artilheiro da equipe na histórica classificação para a Copa Uefa. A dupla marcou 60% dos gols rossoblù naquela temporada. Com o Vecchio Balordo na Copa Uefa, Aguilera se valorizou ainda mais, e foi vice-artilheiro da competição europeia, com 8 gols – um a menos que Dean Saunders, do Liverpool – e também fez 10 na Serie A. O uruguaio se destacou por ter marcado os dois gols que garantiram a classificação italiana nas quartas, sobre os Reds, em Anfield Road, e por ter anotado outros dois diante do Ajax, em semifinal na qual o Genoa lutou demais para não ser eliminado. Além dos gols no mata-mata europeu, Aguilera também fez gols contra adversários de quilate na Itália, como Inter, Roma, Milan, Napoli, Torino e Fiorentina, e acabou se transferindo como uma das contratações de peso do Torino vice-campeão da Copa Uefa para 1992-93, deixando saudades no Marassi.

7º - Giovanni De Prà


Posição: goleiro
Período em que atuou no clube: 1921-33
Títulos conquistados: Campeonato Italiano (1922-23 e 1923-24), Bronze olímpico (1928) e Copa Internacional (1927-30)
Prêmios individuais: nenhum

De Prà (com camisa azul e pulôver branco na foto) é o maior goleiro da história do Genoa. Defendendo a meta dos grifoni por mais de uma década, o arqueiro foi um dos grandes nomes na conquista dos dois últimos scudetti do clube, em 1922 e 1923, quando a equipe teve uma das melhores defesas do campeonato – à época, o Campeonato Italiano ainda não se chamava Serie A e era disputado por grupos e tinha final entre os melhores. Na equipe treinada pelo inglês William Garbutt, o goleiro era um dos principais nomes, ao lado do defensor Ottavio Barbieri e dos atacantes Edoardo Catto e Aristodemo Santamaria.

Nos dois únicos títulos genoanos após a I Guerra Mundial, o goleiro contribuiu bastante, especialmente no primeiro, no qual o Genoa ficou 33 jogos sem perder, recorde que só foi quebrado pelo Milan de Fabio Capello, nos anos 1990. De Prà também atuou em dois Jogos Olímpicos pela Itália e é relembrado por, em um jogo da Squadra Azzurra contra a Espanha, ter atuado por 70 minutos com um braço fraturado – e, mesmo assim, não ter sofrido gols. O goleiro recusou diversas transferências por ser torcedor rossoblù e, depois que pendurou as luvas, também foi dirigente da equipe por muitos anos. Até hoje, sua família é ligada ao clube – seu neto, Luca, é preparador de goleiros dos juvenis, e se envolveu em um curioso caso, quando foi pego espionando um treino da Sampdoria antes de um dérbi. Uma rua próxima ao estádio Luigi Ferraris foi batizada em sua homenagem e a sua medalha de bronze conquistada na Olimpíada de 1928 foi enterrada no gramado do Marassi.

6º - Gennaro Ruotolo


Posição: volante
Período em que atuou no clube: 1988-2002
Títulos conquistados: Serie B (1988-89) e Copa Anglo-Italiana (1995-96)
Prêmios individuais: nenhum

Contratado junto à Arezzo, em 1988, o volante Gennaro Ruotolo era tido como a principal revelação da Serie B e chegou ao Genoa com este cartaz. A equipe mirava o retorno à primeira divisão, da qual estava longe desde 1984, e com Ruotolo no time titular, conseguiu em 1989. O meia, apesar de ter características defensivas, tinha liberdade de atacar no time comandado por Osvaldo Bagnoli, que substituíra Franco Scoglio em 1990. Foi assim que marcou alguns gols importantes – ao todo, foram 36 em sua passagem de quase 500 partidas –, como o gol mas rápido da história dos dérbis contra a Sampdoria: em 1994, com apenas 1 minuto de jogo, aproveitou uma bobeira da defesa doriana e concluiu com categoria. No total, disputou 14 temporadas vestindo azul e vermelho – seis pela Serie A, oito pela B.

Ruotolo atingiu o ápice de sua carreira do meia naqueles anos, com um quarto lugar na Serie A, melhor campanha lígure desde 1942, e a semifinal na Copa da Uefa, batendo o Liverpool pelo caminho – num dos jogos da eliminatória, foi o autor do passe para o gol de Aguilera, que liquidou a fatura. Sua liderança e a personalidade ajudaram a fazer vingar um jovem meio-campo, com Stefano Eranio, Mario Bortolazzi e Roberto Onorati, que, com a ajuda de Branco, municiava bem o ataque formado por Aguilera e Skuhravý. Nessa temporada, o volante  também foi convocado para três jogos com a seleção italiana, num dos quais fez seu único jogo em azzurro, contra a Dinamarca.  Mesmo num Genoa oscilante, Ruotolo foi a grande bandeira da gestão Spinelli à frente do clube e sempre recusou propostas melhores para poder permanecer na cidade na qual tinha conseguido tanta identificação. Em 1996, ajudou o time a vencer seu último troféu internacional, marcando três vezes contra o Port Vale em Wembley pela final do Torneio Anglo-Italiano. Só deixou o Genoa em 2002, para seguir para o Livorno, então na Serie C1, que era dirigido pelo ex-presidente Spinelli.

5º - Roberto Pruzzo


Posição: atacante
Período em que atuou no clube: 1973-78
Títulos conquistados: Serie B (1975-76)
Prêmios individuais: Artilheiro da Serie B (1975-76)

O Rei de Crocefieschi brilhou antes no Genoa antes de ser um dos grandes destaques da Roma "scudettata" de Paulo Roberto Falcão e Bruno Conti. Formado pela equipe genoana, onde chegou a atuar com o colega italiano, foi lá mesmo nos juvenis do Grifone que o atacante ganhou o apelido que lhe acompanhou por toda a carreira. Apesar de ter feito sucesso como um dos melhores atacantes da década de 1980, por pouco ele não virou jogador. Ele não queria seguir carreira e acabou convencido pelo presidente Renzo Fossati. No elenco principal genovês a partir de 1973, Pruzzo assumiu a titularidade em seu segundo ano no time, quando fez uma excelente Serie B, com 12 gols marcados. Depois disso, marcou 18 gols em 32 jogos na campanha do título da segundona, e foi o artilheiro da competição que devolveu a equipe à elite.

Pruzzo marcou seu primeiro gol na Serie A contra aquele que viria a ser o seu próximo time, a Roma, naquele mesmo ano, e voltou a anotar 18 gols, desta vez na elite. Apesar de não ser muito alto (tinha 1,75m), Pruzzo marcava muitos gols de cabeça, graças a sua boa impulsão e incrível senso de posicionamento. Um deles (foto), decidiu um dérbi contra a Sampdoria, em 1977 – Pruzzo se redimia, já que havia desperdiçado um penal pouco antes. Em seu último ano vestindo rossoblù, o atacante, que tem a boa média de 0,4 gol por jogo, viu o time cair para a segundona, mas mesmo assim foi negociado a peso de ouro com a Roma, que venceu concorrência da Juventus. Em 2009, o atacante voltou à Ligúria, e treinou os juvenis do Genoa por pouco tempo.

4º - Tomáš Skuhravý


Posição: atacante
Período em que atuou no clube: 1990-96
Títulos conquistados: nenhum
Prêmios individuais: Jogador checoslovaco do ano (1991)

Depois de ter sido vice-artilheiro da Copa de 1990, Skuhravý continuou sua vida em solo italiano. O jogador checoslovaco – que, a partir de 1992, assumiu a nacionalidade checa, com a divisão do país – foi contratado pelo Genoa logo após o Mundial e foi um dos grandes destaques da equipe na primeira metade da década de 90. Atacante de muita força, presença de área e forte no jogo aéreo, foi utilizado como uma das principais armas do time genovês e, em 163 partidas pela Serie A, com 57 gols, é o maior artilheiro da equipe na história da competição.

Skuhravý marcava gols de todas as formas, e não obstante parecesse gordinho, era bastante ágil – inclusive, ficou conhecido pelas cabriolas que dava nas comemorações dos gols. Na temporada 1990-91, que deu ao Grifone a classificação à Copa Uefa, foi o artilheiro do time, com 15 gols, ao lado de Aguilera – porém, o uruguaio marcou sete de pênalti. Na disputa da Copa Uefa, o forte atacante do Leste Europeu apenas dois gols, mas ambos fundamentais: o primeiro deles foi contra o Oviedo, aos 89 minutos de jogo, definiu a classificação dos rossoblù na primeira fase da competição. Com pouca história nos dérbis contra a Sampdoria, o checo se livrou de um incômodo em seu último clássico, quando marcou um gol de pênalti na vitória por 3 a 1 contra os rivais. Após a aposentadoria, o atacante chegou a viver na região de Gênova, mostrando sua ligação com o clube e a Ligúria.

3º - Diego Milito


Posição: atacante
Período em que atuou no clube: 2004-05 e 2008-09
Títulos conquistados: nenhum
Prêmios individuais: Guerin d'Oro (2008-09), Melhor atacante da Serie A (2009), Jogador mais amado pela torcida (2009)

Um dos últimos grandes ídolos da torcida rossoblù, Milito marcou época em um dos melhores times do Genoa na história – abaixo somente dos times que garantiram os nove scudetti da história rossoblù. Além do elenco que colocou o Grifone na Europa pela primeira vez, apenas o time comandado pelo Príncipe também deu à torcida a alegria de vivenciar um torneio continental. Porém, Milito e companhia, treinados por Gian Piero Gasperini, por pouco não fizeram o Vecchio Balordo jogar uma Liga dos Campeões. Em 2008-09, a equipe fez os mesmos 68 pontos que a Fiorentina, mas acabou relegada à Liga Europa por causa do confronto direto, favorável aos viola.

Antes disso, em 2004, Milito aportava em Gênova proveniente do Racing para jogar a Serie B. Em um ano e meio, o argentino marcou 34 gols pelo clube e, com a vice-artilharia da segundona em 2004-05, ajudou o time a vencer a competição – porém, por não ter denunciado a tentativa de compra de um jogo que o envolvia, o Genoa acabou rebaixado por ilícito esportivo. Milito retornou apenas em 2008, como grande contratação para a temporada, e demonstrou seus melhores atributos: dribles secos, chutes fulminantes de pé direito, muita movimentação e presença de área. Ao longo do ano, marcou 24 gols, foi vice-artilheiro da Serie A e acabou atraindo a Inter, que o levou juntamente com Thiago Motta, por 25 milhões. Milito é recordado ainda por ter a maior média de gols/jogo da história genoana (0,62) e por ser o único autor de uma tripletta em um Derby della Lanterna. O argentino ainda é um dos vice-artilheiros do confronto com a Sampdoria, com quatro gols anotados.

2º - Marco Rossi


Posição: meio-campista
Período em que atuou no clube: 2003-04 e 2005-13
Títulos conquistados: nenhum
Prêmios individuais: nenhum

Um dos históricos capitães da sociedade genovesa, Marco Rossi foi importante em um momento de reconstrução do clube. O meia é, até hoje, um dos poucos jogadores a ter atuado pelo clube em três divisões diferentes, conquistando o acesso desde a Serie C1 até a A. Após uma boa primeira passagem pelo Grifone entre 2003 e 2004, Rossi retornou em 2005 e ajudou o time a conquistar o acesso no campo – graças a oito gols seus, um deles contra a Fiorentina, time do qual saiu brigado – mas viu a fraude esportiva acabar com os esforços do elenco. Permaneceu no Marassi para jogar a terceirona e ajudou o time a conseguir dois acessos consecutivos. Ainda foi peça-chave na campanha rossoblù que quase acabou na felicidade plena da Liga dos Campeões, mas que acabou com uma já valorosa classificação à Liga Europa.

A partir de 2007, ainda na Serie B, o meia se tornou capitão do time, com o treinador Gasperini no comando. Foi com ele que o jogador aprendeu a se multiplicar em campo. O treinador improvisou o jogador, originalmente um meia que cai pelo lado direito do meio-campo, na lateral-direita, no centro ou no lado esquerdo do meio-campo e até como esterno no tridente de atacantes, e sempre com sucesso. O sacrifício em campo e seu perfil de liderança fizeram de Marco Rossi um histórico capitão, amado pela torcida e homem de confiança de todos os técnicos que passaram pelo clube até 2013. Aos 35 anos, decidiu se aposentar, finalizando sua experiência em Gênova com exatas 300 partidas e 44 gols. Sua camisa 7 foi aposentada pelos serviços prestados ao clube. Ele não poderia querer mais.

1º - Gianluca Signorini


Posição: zagueiro
Período em que atuou no clube: 1988-95
Títulos conquistados: Serie B (1988-89)
Prêmios individuais: nenhum

Histórico capitão genoano, Signorini foi alvo de muita discussão... no Milan. Antes de passar por uma Roma terceira colocada na Serie A e viver seus sete anos em Gênova, o zagueiro atuou pelo Parma de Arrigo Sacchi, pelo qual conquistou a Serie C em 1986. Quando Sacchi estava no Milan, utilizava vídeos com a movimentação do líbero Signorini como referência para o mito Franco Baresi. A história é contada como folclore e dizem que Baresi, já campeão mundial, não gostava de assistir a um zagueiro de divisões inferiores. Mas fato é que Signorini foi um dos mais sólidos zagueiros do fim dos anos 1980 e 1990 e, pelo Genoa, demonstrou isso em campo. Além de ter bom posicionamento e ser forte nas jogadas pelo alto, Signorini também era um líder nato e chegava com força ao ataque. Os poucos gols marcados pelo Vecchio Balordo foram sempre importantes, como um realizado em um dérbi contra a Sampdoria – 2 a 2, em 1992.

Contratado em 1988, Signorini subiu à elite com o clube genovês em sua primeira temporada já como peça fundamental do time de Franco Scoglio. A partir do ano seguinte, voltou a ter a companhia do campeão mundial Fulvio Collovati na zaga – jogaram juntos na Roma –, foi vice-campeão da Copa Mitropa, em 1990, e, em 1990-91, na melhor temporada da história do futebol da cidade de Gênova, ajudou a sua equipe a conseguir a melhor classificação no pós-II Guerra: o time, guiado por Osvaldo Bagnoli, se classificou à Copa Uefa. Na competição, o Genoa parou apenas nas semifinais, frente ao Ajax que se sagraria campeão contra o Torino de Casagrande. Signorini também esteve presente – e como – nas horas mais dramáticas. Em 1995, o Genoa venceu o Torino pela última rodada da Serie A, mas ia sendo rebaixado mesmo assim. Quando a Inter virou sobre o Padova, provocando o spareggio (partida-desempate entre as equipes, disputada em campo neutro), Signorini correu dos vestiários para a Gradinata Nord comemorando e chorando muito com a torcida – mesmo assim, o time caiu, após perder nos pênaltis. Com o rebaixamento, ele voltou para o Pisa, onde encerraria a carreira, mas nunca foi esquecido pela torcida rossoblù. O ex-jogador foi vítima de esclerose lateral amiotrófica, como Stefano Borgonovo, e faleceu precocemente, aos 42 anos. Uma partida beneficente com sua presença, pouco antes de sua morte, lotou o Marassi. Sua camisa 6 foi aposentada pelo clube, que também renomeou o centro de treinamentos em sua homenagem. Nada mais justo para o jogador que mais se identificou com o vermelho e azul genoano.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Um título para reaquecer a temporada

Olha só a festa que o Napoli fez com o troféu no calor do Catar (sscnapoli.it)
Com os argentinos Tévez e Higuaín como destaques, Juventus e Napoli faziam a Supercopa Italiana em data diferente do habitual e local também nada usual. Pela primeira vez, a competição foi disputada em dezembro, e por um motivo bem claro: Doha, capital do Catar, cuja oferta endinheirada pela realização do jogo seduziu a Federação Italiana, é quente demais durante o verão do hemisfério norte. Portanto, a partida foi colocada neste dia 22. E, no Oriente Médio, deu Napoli: 1 a 1 no tempo normal, 2 a 2 na prorrogação e 6 a 5 nos pênaltis. Uma vitória que oxigena o restante da temporada e dá sentido ao trabalho de Rafa Benítez, que parece desgastado com o clube.

Nos últimos meses, a falta de bons resultados e um futebol abaixo do esperado evidenciaram que o espanhol pode estar no fim da linha no San Paolo. Quase sempre mostrando impaciência em entrevistas, não tem feito o time render o máximo pelo elenco que tem, e suas últimas modificações no meio-campo, que relegaram Inler ao banco e Hamsík a um papel menos central tem sido questionadas. Aurelio De Laurentiis não tem dado mostras de que renovará o contrato com o técnico, que se encerra em junho de 2015 – nem Benítez declarou que quer ficar. 

Fato é que, para os dois lados, o título da Supercopa veio a calhar. Óbvio que um título nunca chega em hora ruim, mas o impacto deve ser muito positivo. Benítez, um especialista em copas, ganha troféus há quatro temporadas seguidas, e com este feito fica mais tranquilo para tentar colocar o Napoli novamente na Liga dos Campeões – seja via Liga Europa ou Serie A. Motivados com a conquista sobre a Juventus, os jogadores também tiram um peso das costas. E o presidente De Laurentiis já declarou que vai reforçar o time na janela de inverno – Gabbiadini, da Sampdoria, deve ser o primeiro nome a ser anunciado.

O jogo
O Napoli sagrou-se campeão, mas no início da partida a história parecia que seria outra. Na verdade, ao longo de todo o jogo, os azzurri precisaram buscar o empate por duas vezes, e até nos pênaltis precisaram executar uma virada. Logo nos primeiros minutos, a Juventus saiu na frente, com Tévez. David López, Koulibaly e Albiol erraram, em sequência, e o argentino, que não é nada bobo, aproveitou-se para abrir o placar.

A desvantagem no placar obrigou o Napoli a ir para cima. Na melhor chance dos sulistas, Hamsík acertou a trave. Porém, a Juve continuou assustando, e com Tévez bastante livre, quase chegou ao gol duas vezes com o atacante – nas duas oportunidades, Rafael fez boas defesas, já mostrando o que estava por vir.

No segundo tempo, com o resultado ainda favorável, Max Allegri teve uma decisão que influiu no resultado. Sacou Pirlo do time e colocou Pereyra – após o jogo, declarou que precisava de mais proteção à defesa, mas o argentino, emprestado pela Udinese, não é bem este tipo de jogador. Foi a deixa para Higuaín começar a aparecer. O atacante chegou a acertar a trave, depois de tentar encobrir Buffon, e anotou o gol de empate aos 22 do segundo tempo, contando com a má marcação de Chiellini.

A partida acabou ficando truncada, já que Hamsík também fora substituído – sem o eslovaco e Pirlo, os times perderam em ideias. Na prorrogação, um primeiro tempo fraco, mas depois as emoções. Pogba iluminou o seu time com uma bela jogada: driblou dois com um elástico e passou para Tévez, que executou lindo drible de corpo sobre Koulibaly antes de bater no contrapé de Rafael e fazer 2 a 1. Mas a resposta viria com Higuaín. O atacante obrigou Buffon a fazer uma defesaça, e depois reclamou de pênalti não marcado. Mas, mesmo quase caído, no lance seguinte, fez o gol que levou a decisão aos pênaltis.

Na marca da cal, após as primeiras penalidades, desperdiçadas por Jorginho e Tévez, só cobranças com maestria. Até que Mertens perdeu o seu e iniciou uma sequência de desperdícios. No final das contas, nem mesmo as três defesas de Buffon foram suficientes. Rafael, que viu duas bolas irem para fora, fez uma excelente segunda defesa na cobrança de Padoin e se consagrou com a torcida, depois de ser taxado de inexperiente. Sai fortalecido da viagem ao Catar e com a titularidade solidificada.

Juventus 2-2 Napoli (5-6 nos pênaltis)
Local: Estádio Sheik Jassim Bin Hamad, em Doha (Catar)
Árbitro: Paolo Valeri (Itália)

Juventus: Buffon; Lichtsteiner (Padoin), Bonucci, Chiellini, Evra; Marchisio, Pogba, Pirlo (Pereyra); Vidal, Tévez; Llorentte (Morata). Técnico: Massimiliano Allegri.

Napoli: Rafael Cabral; Maggio, Albiol, Koulibaly, Ghoulam; David López (Inler), Gargano; Callejón, Hamsík (Mertens), De Guzmán (Jorginho); Higuaín. Técnico: Rafa Benítez

Gols: Tévez (J; 5' e 106') e Higuaín (N; 22' e 118')
Pênaltis – Juventus: 
Converteram: Arturo Vidal, Pogba, Marchisio, Morata e Bonucci. Perderam: Tévez, Chiellini, Pereyra e Padoin.
Pênaltis - Napoli:
Converteram: Ghoulam, Albiol, Inler, Híguain, Gargano e Koulibaly. Perderam: Jorginho, Mertens e Callejón.

16ª rodada: Tudo como estava

Tévez abriu o placar na vitória juventina e ajudou o time a ampliar liderança (Eurosport)
Na última rodada, a Roma havia conseguido reduzir a vantagem da Juventus para apenas um ponto. No entanto, os romanos teriam confronto complicado no sábado, diante do Milan. Acabaram tropeçando, enquanto a Juventus treinava em Doha, no Catar, para a decisão da Supercopa Italiana. A derrota na Ásia acaba sendo menos dura para a Velha Senhora, devido a vantagem recuperada na Serie A e, com a pausa para as festas de fim de ano, pode nem ser sentida pelos lados de Turim. Enquanto isso, a briga por uma vaga europeia continua quente. Basta ver que a diferença entre Lazio, 3ª colocada, e Sassuolo, 12º, é de somente sete pontos. Haja coração! E panetone.

Cagliari 1-3 Juventus
Após tropeçar diante da Sampdoria, na última rodada, e deixar a Roma encostar na tabela, a Juventus voltou a dar prova de força na Serie A. Jogando longe de casa, enquanto a rival direta pelo scudetto mandava partida em seu estádio, a Velha Senhora venceu o Cagliari por 3 a 1 e voltou a abrir três pontos de distância na liderança do campeonato. O time de Massimiliano Allegri não teve dificuldades e abriu 2 a 0 ainda antes dos 15 minutos do primeiro tempo, com Tévez e Vidal. Depois, administrou o jogo e ainda fez o terceiro com Llorente, no início da etapa complementar. Rossettini descontou para o Cagliari, aos 20, mas foi só.

A derrota cagliaritana faz com que a equipe chegue ao oitavo jogo consecutivo sem vitória no campeonato e permaneça na zona de rebaixamento. O mau aproveitamento na primeira parte do campeonato deve custar o emprego do técnico Zdenek Zeman. Ele comandou as atividades do time na manhã desta segunda-feira, mas a Gazzetta Dello Sport banca que o treinador será demitido nas próximas horas. Gianfranco Zola seria o preferido para ocupar o posto e Delio Rossi e Walter Zenga correriam por fora. Fato é que com Zeman não dá para continuar. O treinador não consegue acertar nem o ataque, seu ponto forte. O time tem, ainda, a terceira pior defesa da competição, com 29 gols sofridos em 16 jogos. (Rodrigo Antonelli)
 
Roma 0-0 Milan
As equipes bem que tentaram, mas não saíram de um empate sem gols no Olímpico. O técnico da Roma, Rudi Garcia, e o lateral Jose Holebas conseguiram revogar, na sexta-feira, a suspensão para a partida. Eles viram bem de perto o início quase fulminante do rossonero, quando De Sanctis precisou defender uma falta de longa distância de Honda e o rebote de Poli. Os giallorossi chegaram ao gol adversário também em bola parada - Diego López fez boa defesa em chute de Totti.

Mexès quase balançou a rede do seu antigo clube com um golaço estupendo. Ele arriscou do meio de campo e obrigou De Sanctis a jogar a bola para escanteio. Armero foi expulso durante a segunda etapa, mas nem assim a Roma conseguiu chegar ao gol – antes e depois da expulsão, Diego López fez duas ótimas defesas em chutes de Gervinho. Houve lance polêmico, também: o time da casa teve um pênalti negado quando De Jong colocou a mão na bola. Nem o árbitro nem o assistente atrás do gol assinalaram a marca da cal. (Murillo Moret)

Napoli 2-0 Parma
Após quatro jogos sem vencer, o Napoli finalmente voltou a sentir o gostinho de somar três pontos e, com os tropeços conjuntos de Sampdoria, Genoa, Lazio e Milan, subiu para a zona de classificação para a Liga dos Campeões. Contra um Parma cada vez mais entregue no campeonato, a missão napolitana não foi difícil. Zapata e Mertens fizeram 2 a 0 para os donos da casa ainda antes dos 30 minutos de jogo e, no resto do tempo, administraram a vantagem para não se cansar muito para o jogo desta segunda, contra a Juve, pela Supercopa Italiana – estratégia que se mostrou acertada, já que para bater a campeã italiana, o time azzurro precisou de 120 minutos e cobranças de pênaltis.

O Parma de Roberto Donadoni, por sua vez, afunda cada vez mais na lanterna da competição. São apenas seis pontos conquistados em 16 jogos e nove de diferença para o primeiro time fora da zona da degola, a Atalanta. A sequência interminável de resultados negativos, porém, ainda não espirrou no treinador e, sob novo comando presidencial, é possível que novos nomes, principalmente para o ataque, cheguem no mês de janeiro. Se quiser permanecer na Serie A, a reabilitação deve começar o quanto antes. (RA)

Inter 2-2 Lazio
Thriller em San Siro, com direito a golaços. No outro jogo envolvendo equipes milanesas e romanas da rodada, a Lazio fez um ótimo primeiro tempo, aproveitando-se de uma Inter baqueada, mas viu a reação dos donos da casa na segunda etapa. Como cada equipe jogou melhor em uma das partes do jogo, o empate acabou sendo justo para o que foi a partida. O resultado levou a Lazio à terceira posição, ao lado de Napoli e Sampdoria, que também têm 27 pontos – uma vitória deixaria os laziali isolados na tabela. Já a Inter desperdiçou mais uma chance de encostar de vez no pelotão que briga por uma vaga na Liga dos Campeões, mas devido ao fato de as outras equipes à sua frente terem tropeçado, segue apenas seis pontos longe do grupo.

A partida acontecia em Milão, mas no início parecia que era em Roma. Logo aos dois minutos, a defesa da Inter deu espaço e Felipe Anderson, que teve seus méritos, limpou e chutou forte para abrir o placar. Mancini havia surpreendido ao escalar a Inter no 4-4-2, com Dodô na lateral esquerda e Nagatomo mais à frente. Porém, deu tudo errado e a dupla jogou muito mal – o brasileiro foi substituído antes de o primeiro tempo acabar, quando a Lazio já vencia por 2 a 0, com outro gol do ex-meia do Santos. Felipe Anderson, que saiu muito badalado do Brasil, é um capítulo à parte. Demorou para se adaptar, mas a diretoria apostou em sua recuperação e vai colhendo os frutos: ele ganhou vaga no time titular depois que Candreva se machucou e vai ser difícil tirá-lo. Após balançar o time no intervalo e mudar o esquema tático para o 4-3-1-2, Mancini viu a Inter realizar alguns de seus melhores minutos desde sua chegada. A equipe deixou o baque do 2 a 0 de lado, sofreu apenas mais um chute a gol e empatou a partida, com um golaço de Kovacic e o gol-redenção de Palacio, que voltou a marcar após um jejum de 225 dias. Os nerazzurri ainda tiveram ótimas chances de virar, mas Icardi estava mal no jogo. Quando Kuzmanovic e Kovacic tentaram, Marchetti estava atento e segurou o empate. (Nelson Oliveira)

Sampdoria 2-2 Udinese
Outra partida movimentada neste fim de semana aconteceu em Gênova, onde a Sampdoria levou a virada, mas contou com um super Gabbiadini para chegar ao empate, que manteve o time na terceira posição, ao lado de Napoli e Lazio. Para a Udinese, um bom resultado, que deixa a equipe friulana na parte de cima da tabela ao menos até janeiro, e mostra que o trabalho de transição após a saída de Francesco Guidolin tem sido bem realizado por Andrea Stramaccioni.

Stramaccioni escalou um time com surpresas para a visita aos dorianos – por exemplo, fez o jovem zagueiro Wague estrear, e deu uma oportunidade ao também suíço Geijo no ataque, deixando Di Natale no banco. Depois que Obiang abriu o placar para a Sampdoria, aproveitando rebote, a Udinese foi para cima e contou com boa atuação do grego Kone para virar a partida ainda no primeiro tempo. Ele começou cruzando rasteiro para Geijo, com classe, completar na saída de Romero, e depois bateu um escanteio na cabeça de Danilo, que se desmarcou e estufou as redes. No segundo tempo, Gabbiadini deixou o estágio de torpor na primeira etapa, quando estava bem marcado, e produziu bastante perigo para a defesa bianconera. Em uma das chances, ele cabeceou bonito e empatou a partida. Como a Samp irá ficar sem um jogador tão decisivo e que se sacrifica pelo time, como é Gabbiadini? Sua transferência para o Napoli está encaminhada e Joaquín Correa, meia do Estudiantes, será seu substituto. (NO)

Torino 2-1 Genoa
Sem vencer desde a 9ª rodada, o Torino presenteou seus torcedores com o reencontro com os triunfos antes de o ano acabar. Na última partida de 2014, a equipe de Ventura fez um jogo de igual para igual contra o Genoa, que briga na parte de cima da tabela, e respirou na luta contra o rebaixamento. Após o apito final, o técnico granata dedicou a vitória aos jogadores, e disse que eles mereciam uma felicidade do gênero pelo empenho mostrado na temporada, mas que infelizmente, para eles, não vinha sendo recompensado em campo – apenas na Liga Europa. Já Gasperini, do Genoa, reclamou muito da arbitragem, que não deu um pênalti sobre Matri. Poderia reclamar mais da sua defesa, que falhou nos dois gols genoveses.

Poderia reclamar também do fato de que seu time ia conquistando uma boa vitória fora de casa e assumindo a terceira posição, mas desperdiçou a vantagem. Após Iago abrir o placar com um chute da entrada da área, o Torino acertou a trave com Farnerud e cresceu de produção. Matri reclamou de pênalti, que houve, mas a arbitragem deixou passar. Em um apagão defensivo que durou menos de 10 minutos, pouco após a volta à segunda etapa, o capitão Glik nem parecia ser o principal nome das jogadas aéreas do time da casa. Afinal, a zaga genovesa deixou o polonês sozinho duas vezes e, em ambas, ele testou para as redes, decretando a virada. Com o resultado, o Torino fica na 13ª posição, com 17 pontos, e o Genoa na 6ª, com 26. (NO)

Fiorentina 1-1 Empoli
A Fiorentina desperdiçou a chance de encostar nos primeiros colocados. Jogando em casa, a viola não saiu de um empate no clássico da Toscana, frente ao Empoli, e encerrou o ano apenas na oitava colocação, ainda reflexo do péssimo início de temporada. Com a bola rolando, o time de Florença teve as primeiras chances com Borja Valero, que perdeu gol quase debaixo da trave, e com Cuadrado. Num vacilo da defesa, o Empoli abriu o placar com Tonelli. O zagueiro, nascido na cidade e torcedor da Fiorentina, marcou seu quarto gol na temporada e o oitavo do Empoli em jogada de bola parada.

Por outro lado, Sepe segurou a cabeçada de Gómez, nas não o petardo de Vargas. O peruano voltou a marcar após um ano na Serie A, já no final da primeira etapa. No segundo tempo, Gómez e Cuadrado desperdiçaram duas oportunidades preciosas, que custaram caro à viola, uma vez que na sequência, veio o empate azzurro. A Fiorentina buscou o gol, mas quem quase conseguiu a vantagem foi o Empoli. Savic salvou em cima da linha e Neto, no lance seguinte, evitou a derrota. No final do jogo, o presidente da Fiorentina, Andrea Della Valle, lamentou-se pela enorme possibilidade de o goleiro deixar o clube de graça, em junho. O brasileiro está próximo da Juventus. (Caio Dellagiustina)

Verona 0-1 Chievo
O clássico de Verona foi decidido com um gol irregular no fim da partida. O time da casa teve muitas oportunidades de balançar a rede no primeiro, mas nada fez. Toni foi travado pela zaga no início da partida, assim como a finalização de bicicleta de Nenê. O primeiro chute do Chievo foi realizado somente aos 39 minutos, por Radovanovic. Pelo lado do Verona, o lateral direito Martic deixou o campo ainda no primeiro tempo com suspeita de fratura do braço.

Meggiorini colocou a defesa do Hellas para trabalhar no início da etapa final - uma delas foi interceptada pelo goleiro Benussi; a finalização, com passe de Hetemaj, saiu pela linha de fundo. Paloschi fez o único gol do jogo aos 81 ao, impedido, escorar o cruzamento de Zukanovic por entre os zagueiros do Verona. A arbtitragem foi questionada outras vezes, por dois supostos pênaltis, um para cada lado. (MM)

Atalanta 3-3 Palermo
Em Bérgamo, no jogo mais movimentado da rodada, Atalanta e Palermo ficaram num empate em 3 a 3, resultado que não muda muito a situação das duas equipes. Em melhor condição, o time rosanero logo abriu boa vantagem, comandado pelo argentino Vázquez – seu compatriota, Dybala, esteve em tarde mais apagada desta vez. Aos 6, Rigoni completou passe do meia-atacante de primeira para abrir o placar e, aos 16, o próprio Vázquez anotou um golaço, encobrindo Sportiello com um pallonetto do meio da rua. Vestidos de árvore de Natal, com um uniforme verde, os jogadores da Atalanta entraram no jogo após o gol de Denis, que converteu pênalti duvidoso.

Porém, nos instantes finais da primeira etapa, Dybala fez o que quis contra Stendardo e Benalouane antes de deixar Vázquez sozinho para ampliar e concluir o recital palermitano. Colantuono mostrou que tem o elenco em mãos depois do intervalo. O técnico voltou para o segundo tempo com Bianchi ao lado de Denis no ataque e com Gómez e Moralez nas pontas. A pressão ofensiva e a vontade dos jogadores, que tiveram uma melhora de rendimento na segunda etapa, deram resultado aos dez minutos. Moralez aproveitou sobra de Sorrentino e diminuiu. Se lançando de vez ao ataque, contra um Palermo retraído, a Atalanta igualou o placar, mais uma vez com Denis, aproveitando falha de Andelkovic. O resultado mantém a Atalanta fora da zona de rebaixamento e deixa o Palermo com uma invencibilidade de oito jogos – a maior do clube na história da Serie A. (CD)

Sassuolo 1-1 Cesena
Com muita névoa, foi muito difícil enxergar o que aconteceu no estádio Città del Tricolore neste sábado. No clássico regional entre Sassuolo e Cesena, bastante equilíbrio e pouco futebol, embora tenha sido o time da casa a criar as melhores chances. Quando solicitado, o goleiro Leali, do Cesena, teve bom papel e fez boas defesas.

No segundo tempo, com Sansone no lugar de Floro Flores, o Sassuolo melhorou e chegu ao gol. A arbitragem assinalou pênalti inexistente de Magnússon sobre Vrsaljko – o contato entre os dois não foi suficiente para que a penalidade fosse marcada. Zaza cobrou e fez, com tranquilidade. Porém, nos últimos segundos da partida, o volante brasileiro Zé Eduardo aproveitou cruzamento na área e deixou tudo igual. Foi a terceira partida seguida que o Sassuolo perdeu pontos nos acréscimos – houvesse mantido os resultados, teriam cinco pontos a mais e ocuparia a sétima posição. Já o Cesena segue na zona de rebaixamento, mas conseguiu importante ponto. (NO)

Relembre a 15ª rodada aqui.
Confira estatísticas, escalações, artilharia, além da classificação do campeonato, aqui.

Seleção da rodada
Diego López (Milan); Glik (Torino), Tonelli (Empoli), Danilo (Udinese); Vidal (Juventus), Kone (Udinese), Farnerud (Torino), Kovacic (Inter), Vázquez (Palermo); Denis (Atalanta), Felipe Anderson (Lazio). Técnico: Stefano Colantuono (Atalanta).

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Os 10 maiores jogadores da história da Sampdoria

Festa no Marassi: em 19/05/91, onze jogadores entravam para a história do clube com a conquista do scudetto
Gênova é uma das cidades mais peculiares da Itália quando o assunto é futebol. Importante porto europeu desde os tempos de Cristóvão Colombo, a cidade recebeu muitos britânicos, que levaram o futebol e o críquete com eles. Não à toa, o Genoa foi o primeiro clube de futebol italiano, fundado em 1893. Mas não é sobre o maior rival da Sampdoria de que falaremos aqui, claro.

Dois anos depois, Gênova ganhava a Andrea Doria, outra equipe de futebol da cidade. Em 1899, era a associação Sampierdarenese que fundava a sua divisão futebolística. Em 1946, as duas, militantes na Serie A, se uniram, formando a Sampdoria. Dessa forma, a Samp já nasceu jogando a primeira divisão, um luxo para poucos times. No entanto, à parte um quarto lugar em 1960-61 e algumas outras boas campanhas, a Samp sempre foi um time do meio da tabela para baixo. Até que um presidente mudou o patamar dos blucerchiati.

Em 1979, um ex-negociador de petróleo e ex-assessor de imprensa do clube foi o responsável por elevar a Sampdoria em cenário nacional. Paolo Mantovani adquiriu o clube na Serie B e traçou um plano ambicioso, que se cumpriu. Primeiro com o técnico Eugenio Bersellini – já campeão italiano com a Inter –, depois com o sérvio Vujadin Boskov e o sueco Sven-Göran Eriksson, que já haviam conquistado títulos nacionais por onde passaram.

Com esses três treinadores, e com jogadores de altíssimo calibre, como Graeme Souness, Trevor Francis, Srečko Katanec, Liam Brady, Oleksiy Mykhaylychenko, Hans-Peter Briegel, Vladimir Jugović, Ruud Gullit, David Platt, Roberto Mancini, Gianluca Vialli, Moreno Mannini, Attilio Lombardo, Gianluca Pagliuca e Pietro Vierchowod, a Samp conseguiu todos os títulos de sua história. Após a morte de Mantovani, em 1993, o time seguiu sendo gerido pela família, até 2000.

Somente em 2002, Riccardo Garrone, dono da ERG – petroleira que patrocinou a Samp em grande parte de seus bons momentos –, comprou o time, salvando-o da falência e levando a equipe ao seu segundo melhor momento na história. Não à toa, todos os jogadores do nosso Top 10 (e grande parte do Top 25) atuaram na equipe nestes anos. Nos anos de ouro, entre 1986-92, e a partir de 2002.

Hoje a Sampdoria trocou de mãos – seu presidente é o cineasta Massimo Ferrero – e é dirigida por Sinisa Mihajlovic, contratado pelos Garrone. Sérvio e ex-jogador blucerchiato, como Boskov, está fazendo a Sampdoria sonhar novamente com títulos. Alguns outros técnicos ou auxiliares técnicos de sucesso também passaram anos em Gênova e são identificados com a torcida. Casos de Marcello Lippi, Attilio Lombardo, Giovanni Invernizzi e Fausto Salsano.

Outra curiosidade sobre a Sampdoria é que muitos craques passaram por lá, mas boa parte deles em momento inicial ou descendente da carreira e por pouco tempo. Além daqueles que estão no nosso Top 10, podemos citar Clarence Seedorf, Juan Sebastián Verón, Vincenzo Montella, Christian Karembeu e o próprio Mihajlovic entre os que atuaram lá na parte inicial de suas carreiras, e Luis Suárez, Lennart Skoglund, Graeme Souness, Trevor Francis, Hans-Peter Briegel, Jürgen Klinsmann, Ruud Gullit, David Platt e Walter Zenga entre os que chegaram próximos ao ocaso.

Ao longo dos anos, poucos brasileiros passaram pelos blucerchiati. Dos 12 que jogaram pelo clube do Marassi, Toninho Cerezo marcou época e o atacante China teve boa passagem, assim como Éder, que lá está atualmente.

Brasileiros da história da Sampdoria
Angelo Sormani, Catê, Demósthenes, Doriva, Éder, Elisio Gabardo, José Ricardo da Silva (China), Júnior Costa,  Paco Soares, Renan Garcia, Silas e Toninho Cerezo.

Critérios
Para montar as listas, o Quattro Tratti levou em consideração a importância de determinado jogador na história do clube, qualidade técnica do atleta versus expectativa, identificação com a torcida e o dia a dia do clube (mesmo após o fim da carreira), grau de participação nas conquistas, respaldo atingido através da equipe e prêmios individuais. Listas são sempre discutíveis, é claro, e você pode deixar a sua nos comentários!

Além do "top 10", com detalhes sobre os jogadores, suas conquistas e motivos que os credenciam a figurar em nossa listagem, damos espaço para mais alguns grandes. Quem não atingiu o índice necessário para entrar no top 10 é mostrado no ranking a seguir.

Observações: Para saber mais sobre os jogadores, os links levam a seus perfis no site. Os títulos e prêmios individuais citados são apenas aqueles conquistados pelos jogadores em seu período no clube. Também foram computadas premiações pelas seleções nacionais, desde que ocorressem durante a passagem dos jogadores nos clubes em questão.

Top 25 Sampdoria
11. Graeme Souness; 12. Sinisa Mihajlovic; 13. Vincenzo Montella; 14. Attilio Lombardo; 15. Srecko Katanec; 16. Luis Suárez; 17. Enrico Chiesa; 18. Giampaolo Pazzini; 19. Ernst Ocwirk; 20. Trevor Francis; 21. Juan Sebastián Verón; 22. Gaudenzio Bernasconi; 23. Ernesto Cucchiaroni; 24. Lennart Skoglund; 25. Adriano Bassetto.

10º - Ruud Gullit


Posição: atacante
Período em que atuou no clube: 1993-94 e 1994-95
Títulos conquistados: Coppa Italia (1993-94)
Prêmios Individuais: nenhum

Um dos maiores mitos do futebol mundial, Gullit jogou pouco tempo na Sampdoria, mas ao contrário de outros medalhões que passaram pelo lado blucerchiato de Gênova, ainda viveu parte vitoriosa de sua carreira no Marassi. Assim como Graeme Souness, 11º colocado em nosso ranking – saiba mais sobre a passagem do escocês pelo clube aqui –, Gullit brilhou como principal referência do time e ajudou o time a conquistar ótimas colocações na Serie A e também a conquistar uma Coppa Italia. No caso de Souness, foi a primeira da história do clube, e no de Gullit, a última. Com o holandês em campo, em 1994, o Doria conquistou sua segunda melhor posição na história do campeonato: um terceiro lugar – antes, com Ernst Ocwirk, Ernesto Cucchiaroni, Sergio Brighenti e Lennart Skoglund, em 1961, Souness, em 1985, e depois, com Antonio Cassano, Giampaolo Pazzini e Angelo Palombo, em 2010, o time ficou em quarto.

Simba, como era chamado pelo mítico jornalista Gianni Brera, chegou em Gênova com uma simples missão – ao menos para jogadores de seu calibre, atacantes completos e já consagrados. Após um ano em que Enrico Chiesa não conseguiu substituir Vialli, negociado com a Juventus, Gullit chegava emprestado pelo Milan para dar ao ataque a mesma força que tinha anos antes, e faria dupla com Mancini – ambos auxiliados por David Platt, à esquerda na foto. O sucesso foi imediato: a Samp teve o ataque mais positivo da competição, com 64 gols, 15 do bomber holandês – que usava a camisa 4 – e outros 12 do fantasista italiano. Na Coppa Italia, Gullit também jogou bem, e marcou um gol fundamental na partida de volta das quartas de final contra a Inter, já nos últimos minutos. Após retornar ao clube de Milão e vencer a Supercopa Italiana contra sua antiga equipe, Gullit se desentendeu com a direção e, gratuitamente, voltou a defender a Sampdoria. Na segunda passagem, menos prolífica, fez apenas nove gols, mas seguiu sendo importante para um equipe que tentava se classificar para competições europeias.

9º - Francesco Flachi


Posição: atacante
Período em que atuou no clube: 1999-2007
Títulos conquistados: nenhum
Prêmios Individuais: Artilheiro da Coppa Italia (1999-2000 e 2006-07)

Pode ser que Flachi não seja uma grande estrela do futebol italiano e que esteja longe de ser conhecido pelo grande público. Mas o atacante é lembrado por qualquer torcedor verdadeiro da Sampdoria. Depois de perambular sem muito sucesso por Fiorentina, Bari e Ancona, o atacante chegou a Gênova em um momento muito complicado e passou oito temporadas sendo leal às cores dorianas. Após 18 anos, a Samp teria de jogar novamente a Serie B. O jogador nascido em Florença chegou para compor elenco e só ganhou a titularidade no ano seguinte, quando ficou entre os três primeiros colocados na artilharia da segundona. Em 2001-02, Flachi ganhou de vez o respeito da torcida após marcar 16 gols e ter sido o principal responsável por evitar a queda do time à Serie C. Após a temporada vexatória, Riccardo Garrone comprou o clube, que retornou à elite sob o comando de Walter Novellino – Flachi teve participação mais discreta, servindo como garçom ao centroavante Fabio Bazzani.

Com a chance de atuar na Serie A de novo, 10 anos depois de ter estreado pela Fiorentina, Flachi acabou relegado ao banco por desentendimentos com o treinador. Porém, era claro que um jogador tão habilidoso e importante não poderia ficar no banco. Destro, mas muito bom com a canhota, Flachi era técnico e ficou famoso por marcar gols acrobáticos. Ao longo de 2003-04 ganhou a posição e, juntamente com Bazzani – e depois com Emiliano Bonazzoli – se tornou o terminal das jogadas do time. O ataque não era dos mais prolíficos, mas Flachi sempre acabava ultrapassando os dois dígitos na artilharia, e ajudou o time a garantir uma histórica classificação à Copa Uefa, o que não acontecia há quase uma década. Até hoje, Flachi é o terceiro maior artilheiro da história doriana, com 112 gols – perde apenas para os mitos Gianluca Vialli e Roberto Mancini. Uma pena que, no final de sua passagem em blucerchiato, ele tenha se envolvido em problemas. Primeiro, foi suspenso por dois meses por tentar ajudar apostadores no escândalo do Calciopoli e, depois, suspenso por dois anos por uso de cocaína. Sua carreira se encerraria em 2009, já no Brescia, quando foi novamente pego no exame antidoping e recebeu gancho de 12 anos.

8º - Gianluca Pagliuca


Posição: goleiro
Período em que atuou no clube: 1987-1994
Títulos conquistados: Serie A (1990-91), Recopa Europeia (1989-90), Supercopa italiana (1990-91) e Coppa Italia (1987-88, 1988-1989 e 1993-94)
Prêmios Individuais: nenhum

Pagliuca é o terceiro colocado em número de jogos pela Serie A. 592, contra 615 de Javier Zanetti e 647 de Paolo Maldini, 198 deles pela Sampdoria. O goleiro chegou a Gênova com 21 anos, depois de ser formado no Bologna. Após uma primeira temporada como reserva, na qual conquistou a Coppa Italia, em 1987-88, Pagliuca assumiria aos 22 anos a titularidade que nunca mais perderia. Em sete anos, ele foi uma das caras de um time com destaques em todas as posições e que mudou muito pouco no período vitorioso, que durou uma década, entre 1984 e 1994.

Ágil, sortudo, seguro e capaz de fazer defesas espetaculares (além de pegador de pênaltis), Pagliuca se destacou tanto nos primeiros anos vestindo blucerchiato que foi convocado para a Copa de 1990, como reserva de Walter Zenga e Stefano Tacconi. Após o Mundial disputado em solo italiano, ganhou a titularidade na Squadra Azzurra, sobretudo por suas grandes exibições no clube. Na campanha do único scudetto doriano, foi fundamental. Faltando quatro rodadas para o final do campeonato, em confronto direto contra a Inter, defendeu cobrança de pênalti de Lothar Matthäus, em pleno estádio Giuseppe Meazza – depois disso, a Sampdoria venceu por 2 a 0 e abriu pontos de vantagem. Pagliuca ficou mais três anos no Luigi Ferraris, conquistou mais um título e alguns vices. Em 1994 foi o goleiro titular da Squadra Azurra, que chegou ao vice-campeonato mundial depois de perder para o Brasil, e acabou rumando à Inter, em uma troca que levou Zenga a Gênova.

7º - Toninho Cerezo


Posição: meia
Período em que atuou no clube: 1986-92
Títulos: Serie A (1990-91), Recopa Europeia (1989-90), Supercopa italiana (1990-91) e Coppa Italia (1987-88 e 1988-1989)
Prêmios individuais: nenhum

Nós, brasileiros, já conhecíamos Cerezo muito bem quando ele foi para a Itália defender a Roma. Craque de estilo clássico, passadas largas, lançamentos precisos e muita elegância, o brasileiro, apelidado na Itália como Pluto, teve passagem destacada de três anos pelo Olímpico, encerrada de forma inusitada. Cortado da Copa do Mundo de 1986 e já de saída acertada da Roma, ele deixou o México e disputou a final da Coppa Italia. Com um gol de cabeça, no segundo tempo, evitou o bicampeonato do seu futuro time, a Sampdoria, e deixou a equipe giallorossa de alma lavada. Foi a única vez que ele deu tristezas ao torcedor blucerchiato. Se sua passagem por Trigoria foi boa, por Bogliasco foi melhor ainda.

Em seis anos pelo clube genovês, Cerezo foi um dos pilares do mágico meio de campo em seus anos de ouro, todos sob o comando de Boskov. Além de marcar, apoiar o ataque e dar assistências primorosas, o brasileiro anotou vários gols e foi um dos maiores craques do Campeonato Italiano no final da década de 80 e início dos anos 90. Conquistou o bicampeonato da Coppa Italia em 1988 e 1989 e foi essencial na conquista do único scudetto da história do clube, em 1990-91. Marcou seu nome na memória de todos os blucerchiati fazendo gol no 3 a 0 sobre o Lecce que decidiu a competição. No ano seguinte, ao lado dos atacantes Mancini e Vialli, Pluto comandou a equipe até a final da Copa dos Campeões, perdida para o Barcelona. Deixou Gênova em 1992 para continuar a brilhar no São Paulo.

6º - Moreno Mannini


Posição: lateral direito
Período em que atuou no clube: 1984-99
Títulos: Serie A (1990-91), Recopa Europeia (1989-90), Supercopa italiana (1990-91) e Coppa Italia (1984-85, 1987-88, 1988-1989 e 1993-94)
Prêmios individuais: nenhum

Moreno Mannini é um dos maiores exemplos recentes de fidelidade a um clube no futebol. Depois de passar por Forlì, Imola e Como, equipes de pouca expressão nacional no começo dos anos 80, o lateral direito escreveu sua história de sucesso na Sampdoria, para onde migrou em 1984. O bom relacionamento entre o presidente Mantovani com o presidente comasco, por causa do precedente negócio que levou Vierchowod para a Ligúria, facilitou as tratativas. E propiciaram que a Samp tivesse mais uma futura bandeira em seu elenco.

Regular no apoio, mas muito sólido na marcação e sempre com atuações consistentes, Mannini foi titular em todas as grandes conquistas da equipe naquele final de anos 1980 e inicio dos anos 1990. Inicialmente, o jogador teve dificuldades de se firmar por causa de lesões musculares, mas garantiu de vez seu nome no onze inicial ideal do time de Boskov na conquista da Recopa Europeia. No ano do histórico scudetto, Mannini, com tão poucos gols pela Serie A com a Samp anotou um importantíssimo: no 3 a 0 que garantiu o título, ele foi o autor do segundo tento. Leal às cores dorianas, Mannini só não ficou no clube mesmo após o rebaixamento em 1999 por causa de divergências com o técnico Luciano Spalletti. Em 15 anos de clube, o lateral conquistou, ao lado de Vierchowod e Mancini, todos os títulos da história doriana, e se tornou o segundo na hierarquia de jogadores com mais participações com a camisa da Samp, com 510 jogos disputados, abaixo apenas de Mancini.

5º - Antonio Cassano


Posição: atacante
Período em que atuou no clube: 2007-11
Títulos conquistados: nenhum
Prêmios Individuais: nenhum

Simplesmente Fantantonio. Jogador de talento indiscutível e de gênio indomável – ao menos até então – Cassano demorou para decolar no futebol. Após aparecer como joia rara no Bari, se transferiu para a Roma, onde dividiu grandes momentos em campo com as famosas "cassanatas", atos de indisciplina e problemas de relacionamento com Fabio Capello, Francesco Totti e Luciano Spalletti. No Real Madrid, problemas de sobrepeso e novamente atritos com Capello o fizeram se transferir, ainda com 25 anos, para a Sampdoria. Em um clube menos badalado, ele poderia ter a chance de provar que não era um desperdício de talento. Ou, ao contrário, mostrar que poderia ser ainda maior, caso tivesse a cabeça no lugar. O talento de Bari Vecchia chegou inicialmente por empréstimo a uma equipe redimensionada, que ainda engatinhava para tentar chegar a vivenciar algo similar ao que houve no fim dos anos 1980 e início dos 1990. Cassano conseguiu um pouco disso tudo e ainda fez a Sampdoria voltar a viver dias de ouro.

Após cair para a segundona, o time lutava na zona intermediária da tabela e às vezes beliscava vaga na Copa Uefa. Sob o comando de Walter Mazzarri o jogador de excelente visão de jogo e classe finíssima foi o destaque em duas temporadas seguidas, na qual a Samp voltou a decidir um título: a Coppa Italia, em 2008-09. Na semifinal, contra a Inter, seu time do coração, ele marcou um gol, mas perdeu um pênalti na final contra a Lazio. Na temporada seguinte, treinado por Luigi Delneri, iniciou a temporada com atritos com a torcida, que cobrava melhores atuações – em resposta, Cassano deu declaração polêmica e disse que poderia sair de Gênova. Depois, as boas atuações voltaram a acontecer e ele fez com Giampaolo Pazzini uma das duplas de ataque mais mortíferas da Itália em tempos recentes. Graças a 9 gols e inúmeras assistências – gols contra Juventus, Genoa e Bari como destaques –, Cassano ajudou a Sampdoria a jogar a Liga dos Campeões pela primeira vez em sua fase moderna – antes, os dorianos haviam disputado a Copa dos Campeões, e perdido na final para o Barcelona. No ano seguinte, Fantantonio se desentendeu com o presidente Riccardo Garrone e acabou afastado, multado e negociado com o Milan. Mesmo assim, por causa de suas prestações em três anos e meio, até hoje tem seu nome ligado a um possível retorno à Ligúria.

4º - Angelo Palombo


Posição: volante
Período em que atuou no clube: 2002-12 e 2012-hoje
Títulos conquistados: Europeu sub-21 (2004) e Bronze olímpico (2004)
Prêmios Individuais: nenhum

A história de 12 anos de Palombo com a Sampdoria começa em um bar no aeroporto de Malpensa, em Milão. Com apenas 21 anos, estava sem clube após a falência da Fiorentina, e assinou apressadamente um contrato de quatro anos com a equipe genovesa, que estava na Serie B. Decisão acertada. Tornou-se titular imediatamente no time de Novellino e contribuiu para o acesso à elite. Nos anos seguintes, solidificou-se como um leão à frente da defesa blucerchiata, fez história com seleções de base italianas e chegou a ganhar um bronze olímpico. Também participou de uma histórica campanha, que quase levou a Sampdoria de volta à Liga dos Campeões: o time ficou em 5º, classificou-se à Copa Uefa, um ponto atrás da Udinese, que foi à LC. Além da garra e do senso de posicionamento acima da média, Palombo também se destacava – e se destaca – pela boa saída de bola, pela habilidade em lançamentos longos e pelos potentes e colocados chutes de fora da área. Foi assim ao lado de Sergio Volpi, companheiro de meia-cancha de quem herdou a braçadeira de capitão, em 2007.

Entre os principais meias centrais do campeonato, ganhou oportunidades com a camisa da seleção, pela qual chegou a ser convocado ao Mundial de 2010. Palombo também é lembrado pela lealdade: permaneceu no clube genovês depois da campanha do fatídico rebaixamento, em 2011. Com um bom elenco, mas sem Cassano e Pazzini, que se transferiram para Milan e Inter, o time protagonizou um dos rebaixamentos mais estranhos dos últimos anos. Por isso, em lágrimas, Palombo se desculpou imediatamente após a queda com a torcida, no estádio, em cena emocionante. Ele ficou para a disputa da Serie B, embora tivesse propostas de times da elite e disputasse vaga na seleção, e foi fundamental nos primeiros seis meses da campanha de resgate doriano. Passou seis meses emprestado à Inter, onde jogou pouco, e , de volta a Gênova, com o time já na Serie A, foi dado como descartado pela diretoria. Porém, decidiu ficar. Reintegrado ao grupo, chegou a atuar como zagueiro, e como foi excepcional nas partidas iniciais, não saiu mais do time, auxiliando a equipe em duas campanhas em que o objetivo era permanecer na elite. Hoje, novamente como capitão e volante, Palombo se destaca na equipe sensação de 2014-15 como o maior ídolo da tifoseria doriana ainda em atividade pelo clube.

3º - Pietro Vierchowod


Posição: zagueiro
Período em que atuou no clube: 1983-95
Títulos conquistados: Serie A (1990-91), Recopa Europeia (1989-90), Supercopa italiana (1990-91) e Coppa Italia (1984-85, 1987-88, 1988-1989 e 1993-94)
Prêmios Individuais: nenhum

Vierchowod já era visto como um zagueiro de bom futuro quando foi contratado pela Sampdoria em 1981, após cinco anos jogando pelo Como. Porém, como a Doria estava na segundona, a diretoria decidiu emprestá-lo. Sabendo do seu potencial, o presidente Mantovani o repassou à Fiorentina, em 1981. O zagueirão foi titular na campanha do surpreendente vice-campeonato viola – o time ficou um ponto atrás da Juventus – e acabou fazendo parte do tricampeonato mundial da Itália, em 1982 – ele ainda jogaria as duas Copas seguintes. No entanto, a Samp seguiu na segunda divisão e ele acabou sendo emprestado à Roma, onde foi novamente titular e fazia , desta vez, garantiu o scudetto. Mesmo com uma carreira que tendia a decolar, Vierchowod aceitou de bom grado jogar na Sampdoria a partir de 1983. Afinal, a equipe estava de volta à elite e tinha um projeto ambicioso. Apesar dos primeiros anos de ouro na carreira, foi na Sampdoria que Vierchowod se sagrou de vez como um dos maiores zagueiros da história da Itália e um dos mais temidos pelos atacantes também – Diego Maradona chegou a dizer, após aposentar-se, que ele foi o adversário mais duro que teve na carreira.
 
Filho de um combatente do Exército Vermelho soviético, o "czar" Vierchowod levava a campo um estilo militar. Forte, rápido, marcador implacável, excelente nos desarmes e antecipações e, principalmente, extremamente competitivo, o zagueiro marcou época em seus 12 anos de Samp, conquistando, ao lado de Mannini e Mancini, todos os títulos que o clube tem até hoje. Vierchowod foi muito cortejado por outras equipes, mas havia feito um pacto com Vialli e Mancini de que só sairia de Gênova depois de conquistar um scudetto. Ficou outros quatro anos depois de ter alcançado o objetivo e só saiu com a morte do presidente Mantovani. Ao todo, jogou mais de 490 partidas pela Sampdoria: é o terceiro na lista dos que mais vezes vestiram a camisa da equipe, e, até hoje, o sexto com mais partidas entre todos aqueles que atuaram na Serie A. Poderiam ser ainda mais partidas em blucerchiato. A carreira do zagueirão ainda durou mais cinco anos e se encerrou em 2000, depois de passagens por Juventus e Milan e um título da Liga dos Campeões. E, ah, com o privilégio de ter anulado um Ronaldo 17 anos mais novo e no auge, na época em que jogava no Piacenza.

2º - Gianluca Vialli


Posição: atacante
Período em que atuou no clube: 1984-92
Títulos conquistados: Serie A (1990-91), Recopa Europeia (1989-90), Supercopa italiana (1990-91) e Coppa Italia (1984-85, 1987-88 e 1988-1989)
Prêmios Individuais: Artilheiro do Europeu sub-21 (1986), artilheiro da Coppa Italia (1988-89), artilheiro da Recopa Europeia (1989-90), artilheiro da Serie A (1990-91) e seleção da Euro (1988)

Vialli formou juntamente com Mancini uma das mais letais duplas já vistas pelo futebol italiano. Conhecidos como "Gêmeos do Gol", os dois se tornaram os principais jogadores e símbolos da maior Sampdoria de todos os tempos. O atacante desembarcou em Gênova em 1984, depois de despontar no Cremonese e nos oito anos em que viveu na Ligúria mostrou o que dele se esperava: um atacante completo, ambidestro e bom em jogadas aéreas, com técnica suficiente para entortar adversários e marcar gols acrobáticos. Rápido, inteligente, preciso e letal, Vialli e consgarou como um dos maiores ídolos do clube em todos os tempos ao marcar 141 gols em 321 atuações.

Versátil, Vialli podia atuar pelos flancos ou mais centralizado no ataque. Atuando das duas formas, conquistou seis títulos pela Samp, e no mais importante deles, o Campeonato Italiano, sagrou-se artilheiro máximo com 19 gols – deixando os seus contra os principais rivais; Milan, Inter, Juventus, Napoli e Roma. Foi também com a camisa da Samp que Vialli alcançou o recorde de 13 gols marcados numa só edição de Coppa Italia, em 1989, quando também levantou a taça. O matador acumulava gols importantes e também foi o artilheiro e herói da primeira e única conquista continental do clube italiano, a Recopa, quando marcou os dois gols da final contra o Anderlecht.  O atacante integrou a seleção italiana na Eurocopa 1988, quando teve boa atuação e integrou a seleção do torneio., e também nas Copas de 1986 e 1990 – só não jogou em 1994 por desentendimentos com Arrigo Sacchi. Deixou a Samp em 1992, para defender a Juventus, em uma das transações mais caras do futebol italiano à época.

1º - Roberto Mancini


Posição: atacante
Período em que atuou no clube: 1982-97
Títulos conquistados: Serie A (1990-91), Recopa Europeia (1989-90), Supercopa italiana (1990-91) e Coppa Italia (1984-85, 1987-88, 1988-1989 e 1993-94)
Prêmios Individuais: Guerin d'Oro (1988 e 1991), Melhor Jogador da Serie A (1997) e Melhor Jogador Italiano da Serie A (1997)

Acima de Vialli, somente mesmo Roby Mancini, um jogador que, como ele, poderia ter tido mais sorte na seleção italiana – por causa de suas diferenças com os treinadores, o atacante só atuou em uma competição oficial pela Itália, a Euro 1988. Porém, o azul da história de Mancini era outro: o da Sampdoria. Mancio é, de longe, o maior ídolo da história do clube, por combinar todas as características que os nove jogadores citados anteriormente carregam em si – mas em maior intensidade. O fantasista é, simplesmente, o jogador que mais vezes entrou em campo pela Sampdoria e o maior artilheiro da história do clube: 566 partidas e 171 gols marcados em 15 anos, período no qual ajudou a sociedade blucerchiata a faturar todos os títulos de sua história. Técnico, goleador, decisivo, líder, com personalidade forte e identificado com o clube, o qual capitaneou. Este é Mancini. E sua história se confunde completamente com a da Sampdoria – apesar de ele ainda ter defendido outros três clubes na carreira; Bologna, Lazio e Leicester. A história do clube pode tranquilamente  ser dividida em a.M. e d.M. – antes e depois de Mantovani e, claro, Mancini.

O presidente contratava, mas nada poderia fazer se as apostas não dessem certo. A principal delas se converteu no maior ídolo do clube. Mantovani fez de Mancio, então com apenas 17 anos, uma de suas primeiras grandes e ambiciosas contratações: 4 bilhões de liras mais o passe de três atletas. O sucesso em campo fez com que o atacante se tornasse o seu pupilo. Antes de Mancini, que liderava uma trupe de ótimos companheiros, a Sampdoria era um time de alguma tradição, mas amplamente inferior ao seu rival, o Genoa. A equipe não tinha um título sequer e não era mais do que uma equipe da parte baixa da tabela. Depois de Mancini, a Samp se tornou uma força na Itália, levantou taças e fez história. Ao lado de Vialli, Mancini marcava gols, mas era mais responsável por organizar as jogadas. Sem o bomber, assumiu a artilharia da equipe e se tornou ainda mais completo e importante para a equipe. A forte ligação com a torcida doriana fez com que ele ficasse no time até quando não dava mais: sem Paolo Mantovani (seu filho Enrico, o substituto, era pouco ligado ao clube), e com uma Lazio endinheirada – e com Sven-Göran Eriksson, ex-Samp, no comando –, Mancini deixou o Marassi. Mas o Marassi nunca deixou Mancini.