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quinta-feira, 12 de março de 2015

Brasileiros no Calcio: Roque Júnior

Fundamental à Seleção por anos, ex-palmeirense teve dificuldades na Itália (Eurosport)
Líder e peça fundamental no time de Luiz Felipe Scolari, campeão da Copa Libertadores, em 1999, pelo Palmeiras, Roque Júnior nunca foi um zagueiro badalado. Pelo contrário, em algumas vezes, foi pouco valorizado, mesmo com sua técnica acima da média para um zagueiro, que lhe rendeu comparações à Luís Pereira, outro ídolo palmeirense e que também fez história na Europa, atuando pelo Atlético de Madrid. Ainda assim, chegou ao topo da América, da Europa e do mundo como futebolista.

Roque Júnior chegou ao Palmeiras em uma época na qual muitos jogadores consagrados dominavam os holofotes. Modesto, o jogador foi para o Parque Antarctica sem o mesmo impacto que outras contratações, proveniente do São José. Nas primeiras apresentações, foi utilizado como volante por Felipão, mas aos poucos ganhou seu espaço na zaga palmeirense. A confirmação veio durante a Libertadores de 1999. Com a suspensão de Cléber, Roque entrou no time para não mais sair.

Ao mesmo tempo, teve suas primeiras oportunidades na seleção, ainda sob o comando de Vanderlei Luxemburgo. A eficiência nas bolas aéreas e na marcação, chamaram a atenção de Parma e Milan. Do Palestra para a Itália, então: acabou no time rossonero, que o contratou para o início da temporada 2000-01, por US$ 10 milhões, preço exorbitante para um zagueiro, à época. A expectativa é que se encontraria o novo Aldair ou o novo Franco Baresi, para os italianos. Não à toa, o então técnico milanista, Alberto Zaccheroni, não poupou elogios à nova contratação.

O zagueiro confirmaria sua posição cativa na seleção campeã do mundo em 2002 após Felipão assumir o comando técnico do Brasil, no final de 2001, mas em seu clube, Roque Júnior não conseguiu se firmar. Alternando partidas boas e ruins, o mineiro participou de mais de 30 partidas em seus primeiros meses em Milanello, porém, seu desempenho muito abaixo do esperado na Liga dos Campeões de 2001 e em tantas outras partidas do Campeonato Italiano tiraram quase todo o crédito com o qual ele chegou na Itália. Sua melhor temporada no Diavolo foi justamente a primeira, o que quer dizer muito. Quase sempre longe do mesmo ritmo dos colegas de time, Roque Júnior colecionou erros, e em partidas importantes, como contra Inter, Roma e Paris Saint-Germain.

No segundo ano, ganhou a concorrência de Martin Laursen, que se juntou a Alessandro Costacurta e Kakha Kaladze como opções a ele no setor. Mesmo com as chances reduzidas, Roque Júnior foi à Ásia como titularíssimo na conquista do penta da Seleção e voltou coberto de glórias para a Itália. Nem assim ganhou espaço com Carlo Ancelotti – na verdade, perdeu, pois Alessandro Nesta chegou, fazendo o brasileiro entrar em campo apenas oito vezes.

Apesar de tudo, o zagueiro conquistou dois títulos naquela temporada. Roque tem em seu currículo os títulos da Coppa Italia – a última vencida pelos rossoneri – e da Liga dos Campeões. Inclusive, quis o destino que o brasileiro participasse da final contra a Juventus. Ele substituiu Costacurta aos 21 do segundo tempo e jogou parte da prorrogação machucado, porque os rossoneri já tinham feito todas as substituições. Em Old Trafford, vestiu pela última vez a camisa milanista.

Sem confirmar as expectativas, Roque Júnior, foi emprestado ao Leeds, por seis meses, antes de retornar à Serie A e jogar pelo Siena. Jogar muito pouco, é verdade. Foram apenas cinco partidas pelo time da Toscana, que encerraram de vez sua passagem pelo futebol italiano. Retornou ao Milan, e logo foi negociado junto ao Bayer Leverkusen, onde ficou por três anos, jogando relativamente pouco.

O saldo final de sua carreira na Itália é que, fora de campo, Roque Júnior foi respeitado pelos rossoneri, mas dentro, foi considerado uma das piores contratações da história recente do clube, mesmo com todo o histórico favorável a brasileiros no clube de Silvio Berlusconi. Curiosamente, durante parte de sua passagem pelo Milan, Roque Júnior esteve ao lado de Rivaldo, outro pentacampeão que não rendeu o esperado no clube da Lombardia. Dida e Cafu, ao contrário, brilharam demais.

Roque Júnior ainda atuou pelo Duisburg, da Alemanha, e Al Rayyan, do Qatar, antes de voltar para o Brasil e passar por Palmeiras e Ituano até encerrar a carreira – cedo, aos 34 anos. Sempre estudioso do futebol, o zagueiro tem sido bastante elogiado por sua visão moderna do esporte desde que se aposentou. Apesar de seu projeto, o time Primeira Camisa, não ter dado certo por uma série de problemas – mesmo chegando às quartas de final da Copa São Paulo de Juniores, em 2007 –, Roque Júnior já teve experiência como diretor de futebol do Paraná Clube e como técnico do XV de Piracicaba. Quem sabe, em um futuro próximo, ele entre no seleto rol de negros de carreira vitoriosa não só nos gramados, mas como treinador ou dirigente no futebol do Brasil ou do exterior.

José Vitor Roque Júnior

Nascimento: 31 de agosto de 1976, em Santa Rita do Sapucaí (MG)
Posição: zagueiro
Clubes como jogador: Santarritense (1993-94), São José (1994-95), Palmeiras (1995-2000 e 2008), Milan (2000-2007), Leeds United (2003-04), Siena (2004), Bayer Leverkusen (2007), Duisburg (2007-08), Al Rayyan (2008) e Ituano (2010).
Clubes como treinador: XV de Piracicaba (2015)
Títulos: Copa do Mundo (2002), Liga dos Campeões (2002-03), Coppa Italia (2002-03), Supercopa Europeia (2003), Copa das Confederações (2005), Copa Libertadores (1999), Copa Mercosul (1998), Copa do Brasil (1998), Torneio Rio-São Paulo (2000) e Campeonato Paulista (1996).
Seleção brasileira: 48 jogos e dois gols

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