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terça-feira, 28 de abril de 2015

32ª rodada: Vinte anos de espera

Após 20 anos, Torino voltou a comemorar uma vitória sobre a Juventus (Ansa)
Se o final de semana teve violência dentro e fora dos estádios pela Itália, o futebol foi bem jogado. Bomba contra torcida e apedrejamento no Dérbi de Turim e ameaça e agressão entre companheiros de esporte em Bérgamo. Tudo o que o futebol não precisa para viver. Ao contrário, precisa de grandes histórias, como a do tabu quebrado pelo Torino contra a Juventus: havia 20 anos que os grenás não batiam a Velha Senhora. Algo muito maior do que o ódio irracional entre cores e torcidas. Ou mesmo no caso bergamasco: Denis fez um importantíssimo gol no último lance do jogo, mas se envolveu em briga com o zagueiro Tonelli nos vestiários. O futebol é maior do que isso, e é o que nos contam, também, as boas histórias construídas por Inter, Napoli, Cagliari e Parma nesta rodada. Acompanhe o resumo.

Torino 2-1 Juventus
Mesmo que o Torino não conquiste a sonhada vaga na Liga Europa da próxima tempodada - o que ainda é possível, diga-se de passagem -, seus torcedores terão motivos para comemorar. Ou pelo menos um motivo: a vitória de virada contra a Juve, que tirou da mão do rival o título antecipado do tetracampeonato. Os gols de Darmian e Quagliarella (cada um com uma assistência do outro, vale notar), depois que Pirlo já havia aberto o placar, não vão sair da memória dos granata tão cedo. Afinal, havia 20 anos que o Toro não vencia sua maior rival. O último resultado positivo tinha sido em 9 de abril de 1995, quando Rizzitelli marcou duas vezes – naquela temporada, inclusive, o Toro venceu os dois confrontos. Neste domingo, outra marca foi alcançada: Pirlo marcou um golaço de falta e ainda acertou a trave, em outra cobrança. Caso tivesse marcado, teria superado Mihajlovic como o maior goleador da Serie A através de bola parada – ambos têm 28 gols.

Cansada e muito pouco criativa, a Velha Senhora perdeu seu primeiro "matchpoint", mas ainda terá boas chances pela frente. São 14 pontos de vantagem para a Lazio, segunda colocada, e apenas 18 pontos em disputa. Sendo assim, o título antecipado pode vir já na próxima rodada, nesta quarta-feira, contra a Fiorentina: para isso, basta à Juve somar os três pontos e a Lazio não vencer; ou empatar, caso a Lazio perca e a Roma não vença. O Torino, por sua vez, está a três pontos da zona de classificação para a Liga Europa e ainda pode sonhar com a vaga. O destaque negativo do clássico foi a bomba atirada por torcedores da Juve, que feriu 10 torcedores do Torino na arquibancada Primavera, onde ficam concentrados os organizados do Toro. Antes, na entrada do estádio, o ônibus da Velha Senhora havia sido apedrejado. (Rodrigo Antonelli)
Napoli 4-2 Sampdoria
Fechando e seguindo o ritmo da movimentada 32ª rodada, Napoli e Sampdoria tinham muito o que disputar, e uma amostra disso é que seis dos 35 gols do fim de semana saíram no San Paolo. Muito agressivo e dominante em casa, o time de Benítez se recuperou ao sair atrás do placar e garantiu três pontos fundamentais para ficar a três e dois pontos de, respectivamente, Lazio e Roma, que tropeçaram. O time de Mihaljovic, por sua vez, nem mesmo conseguiu se defender bem (quanto menos atacar) e chegou ao quarto jogo sem vencer. A crise pode aumentar, já que Éder, um dos destaques dorianos na temporada, se lesionou e não joga mais em 2014-15.

Sempre presente no campo de ataque, o Napoli ameaçou ainda antes de Albiol fazer gol contra em tentativa de cortar cruzamento de Éder, aos 12 minutos. O empate não foi imediato, mas a pressão sim, e a virada veio em três minutos, aos 31 e 34. Primeiro com Gabbiadini, chutando fraco e de direita, de fora da área, contando com a falha clamorosa de Viviano. Depois, novamente a conexão Gabbiadini-Higuaín funcionou, dessa vez com gol do bomber argentino. Logo após a volta do intervalo, para não dar chance a outro tropeço, os partenopei ampliaram com Insigne, em jogada pessoal, que marcou um golaço e se emocionou, após ter sido homenageado pela torcida de sua cidade e de ter marcado seu primeiro gol após grave lesão. Já na reta final, aos 80, Hamsík foi derrubado na área e Higuaín converteu a penalidade. Ainda deu tempo para Muriel acertar chutaço de longe e descontar. (Arthur Barcelos)

Inter 2-1 Roma
Ainda existe uma luz no fim do túnel para a Inter. Com a importante vitória contra uma Roma em eterna crise e tropeços de Sampdoria e Fiorentina, a equipe de Mancini sonha com uma vaga na Liga Europa – hoje, cinco pontos separam a Beneamata da Samp. A possibilidade existe, mas além de somar muitos pontos nas próximas rodadas, os nerazzurri terão de secar os adversários. Para a Roma, a rodada foi ruim, porque o Napoli venceu e encostou, mas poderia ter sido pior, caso a Lazio tivesse vencido. Chegar à fase de grupos da Liga dos Campeões ainda é um objetivo possível, embora o time não jogue bem desde o fim de novembro, quando bateu a própria Inter. Nos últimos 19 jogos, a média de gols caiu vertiginosamente: são só 18, média de menos de um por jogo, contra 25 marcados nas primeiras 13 rodadas. Muito disso deve-se às más fases de Totti e Gervinho e, claro, à falta de um goleador no time.

Durante os 90 minutos, Inter e Roma duelaram em partida equilibrada, mas com leve domínio interista na primeira etapa e romano em boa parte do segundo tempo. Foi a Inter que abriu o placar: Hernanes recebeu na entrada da área, cortou um marcador e bateu bem com a canhota, sem chances para De Sanctis. Depois, Ibarbo carimbou a trave, e o primeiro tempo não teve mais grandes ocasiões de gol. A Inter dominava o meio-campo, e o jovem Gnoukouri, outra vez titular por causa de uma suspensão (Medel, desta vez), ia muito bem. No segundo tempo, Garcia tirou Totti e colocou Keita: no 4-3-1-2 e com mais movimentação, a Roma melhorou até empatar: Ranocchia saiu jogando errado, e Nainggolan recebeu passe de Pjanic para marcar. Depois de quase chegar ao gol, evitado por Vidic, a Roma caiu novamente, após alterações de Mancini. Kovacic, Shaqiri e Podolski deixaram a Inter extremamente ofensiva, e após Icardi perder duas boas chances, o gol chegou. Podolski, no primeiro toque na bola, achou o argentino na área: bola na rede e o 18º gol na temporada. (Nelson Oliveira)

Lazio 1-1 Chievo
Jogando no Olímpico, a Lazio não aproveitou a derrota da rival Roma no dia anterior e não conseguiu ampliar de forma consistente a sua vantagem pela vice-liderança da Serie A. O empate serviu para recuperar a segunda posição de forma isolada, mas foi pouco, pensando que o time poderia entrar em campo no meio de semana mais confortável. Felizmente para a torcida laziale, a próxima partida também é em casa, mas é diante do Parma, que juntamente com a Lazio e o Napoli, tem o segundo melhor retrospecto nos últimos cinco jogos – 10 pontos, um a menos que o Torino.

O grande nome da partida no Olímpico foi o goleiro Bizzarri. O argentino defendeu tudo e mais um pouco, no primeiro e no segundo tempo. Algumas das defesas foram cinematográficas, e permitiram que os clivensi se mantivessem vivos no jogo. Na única vez em que foi vazado, Bizzarri viu Klose partir em grande velocidade, no final do primeiro tempo. O alemão deixou dois marcadores para trás e bateu bem, sem chances para o goleiro. Após o intervalo, a Lazio fez o goleiro adversário trabalhar novamente, mas foi o Chievo quem chegou ao gol, em seu primeiro chute contra a meta defendida por Marchetti. Paloschi, com uma pancada indefensável, igualou o marcador. (NO)

Fiorentina 1-3 Cagliari
A vaga na Liga dos Campeões ainda é objetivo da Fiorentina na temporada. Mas agora ela se resume à conquista da Liga Europa pois, pela Serie A, a missão tornou-se quase impossível após as duas derrotas em casa – já são três seguidas no campeonato. Os tropeços deixaram a equipe na sexta colocação, nove pontos atrás da Roma. Neste domingo, o carrasco da vez foi o Cagliari, praticamente condenado ao rebaixamento. Mesmo com alguns desfalques, como Gómez, Rodríguez, Aquilani e Joaquín, o time de Montella esteve irreconhecível e foi facilmente dominado pelo rossoblù, agora sob o comando do ex-zagueiro Gianluca Festa, que substituiu o demissionário Zeman. A equipe se apresentou de maneira surpreendente, vencendo sem muita dificuldade e ainda alimentando as esperanças da salvezza. O trocadilho com o sobrenome do treinador é inevitável: haverá festa no final da temporada na Sardenha?

A vitória sarda começou a ser construída logo no início com Cop, que aproveitou o cruzamento de Diego Farias. O brasileiro, aliás, foi um dos destaques da partida, infernizando a vida de Tomovic e Savic, criando as principais jogadas de perigo do Cagliari. Quando conseguia chegar ao ataque, nas jogadas de Diamanti que encontravam Gilardino e Salah, a Fiorentina pouco incomodou o goleiro Brkic, muito pela ótima atuação do zagueiro Diakité. Já na segunda etapa, o Cagliari chegou ao segundo gol. Após outra jogada de Farias, Cop entrou na área, deixou Savic no chão e chutou no canto de Neto. A Viola diminuiu com Gilardino, mas a pressão final não levou perigo algum. Já nos acréscimos, Diego Farias arrancou do campo de defesa, deixou dois adversários para trás (Tomovic caiu de bunda no chão após drible desconcertante), e invadiu a área para fazer o terceiro, em chute que passou entre as pernas de um marcador. O golaço do final de semana, para dar nova alma ao tradicional time da ilha. (Caio Dellagiustina)

Em bom momento, Hernanes abriu o placar e ajudou a Inter a voltar a sonhar com a Europa (Eurosport)
Udinese 2-1 Milan
A crise no Milan não tem fim. Em Údine, a equipe praticamente assistiu a Udinese jogar, e saiu derrotada com méritos totais. Após o jogo, Inzaghi não poupou o elenco: no ônibus a caminho do aeroporto, criticou a apatia da equipe, e teria sido rebatido por alguns jogadores. O clima é péssimo, e a equipe foi punida com concentração por tempo indeterminado. Para a Udinese, fim da a série de apenas uma vitória em 11 partidas. 

O primeiro tempo foi completamente dominado pelos friulanos. Geijo, Badu, Widmer, Danilo, Guilherme… Muitos jogadores do time da casa tentaram vazar Diego López, que fez ótima defesa em finalização de Di Natale - a mais perigosa da etapa. Os mandantes chutaram 13 vezes ao gol somente nos primeiros 45 minutos. O Milan, por sua vez, teve uma oportunidade com van Ginkel, que isolou. 20 minutos após o intervalo, a Udinese já tinha marcado dois gols para conseguir uma boa vantagem ante um Milan extremamente combalido. Pinzi completou o cruzamento de Di Natale e Badu chutou após um passe de Guilherme. No único escanteio rossonero, aos 87, Pazzini descontou após a bola alçada na área por Cerci. Os dois times seguem na parte central da tabela, separados por cinco pontos e sem mais perspectivas para este campeonato. (Murillo Moret)

Genoa 3-1 Cesena
A partida no Luigi Ferraris selou o compromisso do Genoa em buscar uma vaga na Liga Europa e empurrou ainda mais o Cesena à Serie B. A zaga dos Cavalos Marinhos apenas observou Bertolacci subir sozinho, no meio da área, para desviar o cruzamento de Perotti. A partida, até aquele momento, era aberta. De um lado, Agliardi defendeu as finalizações de Falqué e Bertolacci, enquanto Perin salvou o chute de Defrel. Carbonero, de voleio, mandou por cima da meta genovesa.

Perotti, de pênalti, e Pavoletti decretaram mais uma vitória do Genoa na temporada – outra vez com grande sintonia entre a dupla Perotti-Bertolacci. O time rossoblù ainda foi vazado por Carbonero na metade da segunda etapa. Nos últimos 12 jogos, o Grifone perdeu apenas três vezes. A rodada foi ótima para a equipe - apesar da vitória do Torino -, pois Sampdoria e Fiorentina foram derrotadas. O sonho de chegar à Liga Europa ainda existe, mas a equipe terá de ir atrás dela sem Perotti, que sofreu lesão muscular e está fora da temporada. (MM)

Verona 3-2 Sassuolo
"Me sinto com 15 anos", disse Luca Toni, 37, após a vitória do Verona sobre o Sassuolo, nesse fim de semana. Foi ele um dos grandes responsáveis por tornar uma partida que não valia nada - as duas equipes já não almejam nada no campeonato - em grande jogo. Teve de tudo: expulsão duvidosa, lances de perigo, emoção e cinco gols. Dois deles foram de Toni: o segundo um golaço, driblando dois zagueiros pela esquerda e chutando cruzado.  

Antes dos gols de Toni, Juanito já havia aberto o placar, Moras tinha feito contra e empatado para o Sassuolo e o goleiro Rafael já estava fora de jogo, expulso. A vontade demonstrada pelo time mesmo com um jogador a menos e sem grandes expectativas nessa reta final de competição foram louváveis. Floro Flores ainda fez o 3 a 2 aos 44 minutos do segundo tempo e deixou o placar ainda mais inchado. Com a vitória, o Verona foi a 39 pontos e subiu para a 12ª colocação. Já o Sassuolo estacionou nos 36 e caiu três posições, indo para a 15ª. A distância para a zona de rebaixamento está em 12 pontos e não deve preocupar muito a equipe. Até porque, já na próxima rodada, os dois times podem conseguir a permanência matemática na elite. (RA)
Parma 1-0 Palermo
Não fosse a punição de seis pontos, acumulada devido aos débitos com jogadores, o Parma teria deixado a lanterna da Serie A. Não que isso fizesse alguma diferença, afinal os crociati já tem consumado o rebaixamento, mas a admiração e o orgulho pelo que esses jogadores vem fazendo só aumenta perante seus torcedores e todos os que apreciam o futebol. Contra o Palermo, apenas um golzinho, mas o suficiente para garantir a terceira vitória em cinco jogos.

Em campo, o time de Donadoni foi dominante e chegou ao gol aos 25 minutos. Gobbi foi derrubado na área e Nocerino converteu a penalidade. Mesmo com a vantagem, o Parma não deixou de atacar e poderia ter ampliado a vantagem. O Palermo teve duas grandes chances, com Lazaar e Vazquez, mas Mirante defendeu a primeira e Feddal salvou a oportunidade do italiano quase em cima da linha. O segundo tempo seguiu agitado, com boas chances para as duas equipes, mas nada da rede balançar. (CD)

Atalanta 2-2 Empoli
Abrindo a rodada de domingo, e ditando o que veríamos mais tarde, Atalanta e Empoli fizeram boa partida em Bérgamo, com domínio dos visitante, mas várias chances de gols para ambos os lados, acertando o gol 15 vezes e balançando a rede em quatro ocasiões. No fim, resultado ruim para a Dea, que tropeçou em casa e viu o Cagliari bater a Fiorentina na Toscana. Poderia ter sido pior, já que o empate veio apenas no último lance do jogo. Os nerazzurri ainda tem sete pontos de frente para a zona de rebaixamento, enquanto o Empoli tem 11. O time de Sarri, aliás, está perto de um recorde: com mais um empate, chega a 18, e fica ao lado da Inter de Mancini, em 2004-05, como equipes que mais ficaram na igualdade em uma edição da Serie A.

O jogo aflorou a partir dos 30 minutos, com os visitantes se soltando, porém os gols só saíram nos minutos finais da primeira etapa. Primeiro com Saponara, que tabelou com Pucciarelli e bateu no ângulo, aos 41. Depois, aos 43, ataque rápido protagonizado por Gómez, camisa 10 atalantino: passe de Moralez e gol do ex-Catania. Entre indas e vindas, aos 60, nova jogada interessante do Empoli, sempre com Saponara, puxando o time e abrindo para Croce cruzar, Zielinski desviar e Maccarone recolocar os toscanos na frente do placar. Porém, depois de muita pressão, a Atalanta empatou aos 93 com o bomber Denis, mostrando que voltou mesmo às redes: fez quatro gols nos últimos três jogos. O capitão nerazzurro, contudo, ficará de fora das próximas partidas, porque acabou protagonizado lance infeliz já após o jogo: Denis entrou no vestiário do Empoli e agrediu Tonelli com um soco. O zagueiro ameaçou matar o atacante e sua família (seus filhos são gandulas da Atalanta), e recebeu o revide do argentino. Com isso, gancho para os dois: Tonelli foi suspenso por uma partida, e Denis por cinco. Perde demais a Atalanta, que só tera o atacante de volta na última rodada. (AB)

Relembre a 31ª rodada aqui.
Confira estatísticas, escalações, artilharia, além da classificação do campeonato, aqui.

Seleção da rodada
Bizzarri (Chievo); Darmian (Torino), Diakité (Cagliari), Vidic (Inter), Gobbi (Parma); Allan (Udinese), Bertolacci (Genoa); Quagliarella (Torino), Higuaín (Napoli), Diego Farias (Cagliari); Toni (Verona). Técnico: Gian Piero Ventura (Torino).

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