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quarta-feira, 29 de abril de 2015

Brasileiros no Calcio: Batista

Batista capitaneou a Lazio em momento ruim na história do clube (Maglie in Rete)
Clássico volante de marcação, Batista foi peça fundamental no histórico time tricampeão brasileiro do Internacional (1975, 1976 e 1979). Ao lado de Paulo Roberto Falcão e Jair, formou uma das melhores trincas de meio-campo do futebol brasileiro daquela década. Intocável, Batista ganhou destaque por sua raça e determinação, "carregando o piano”, enquanto os companheiros à frente eram um terror para os adversários.

Depois de quebrar a perna em uma partida contra o Sport, Batista ficou afastado dos gramados por alguns meses, tempo suficiente para que seu contrato com o Colorado acabasse. Um desentendimento com a diretoria colorada quanto ao acerto de valores para a renovação do vínculo pôs fim à sua passagem de quase oito anos no Beira-Rio. Batista, com o passe vinculado junto à Federação Gaúcha, acabou tendo destino controvertido: o Grêmio não pensou duas vezes em acertar com o jogador, a custo zero, e o levou para a Azenha, naquela que seria a primeira transação da gestão Fábio Koff no Grêmio.

Tratado como ingrato pela parte vermelha de Porto Alegre, Batista tornou-se um inimigo no Beira-Rio. Saudado pela torcida tricolor, prometeu o mesmo empenho e vontade do apresentado no Inter. De acordo com o jogador, a escolha pelo Grêmio foi simplesmente para não ficar sem jogar e correr risco de perder seu lugar na seleção brasileira para a disputa de sua segunda Copa do Mundo: após jogar a de 1978, o volante queria estar presente em 1982.

Depois de um ano no Grêmio e com o objetivo de jogar o Mundial realizado, Batista assinou com o Palmeiras. Mas, a passagem no Palestra Itália foi curta  – e, para alguns, apenas um alavanca para que ele fosse para a Europa. Em meados de 1983, o volante aceitou a proposta da Lazio. Recém-promovida à Serie A, após três anos de ausência, a equipe laziale investiu quase US$ 1 milhão, cerca de cinco vezes o que o Palmeiras pagou ao Grêmio, meses antes. Um investimento bancado pelo presidente e ídolo Giorgio Chinaglia, que queria ter Batista no seu time.

Naquela janela, a equipe capitolina também contratou, por empréstimo, o dinamarquês Michael Laudrup, sem espaço na Juventus, atingindo o limite de estrangeiros. Na chegada, uma recepção calorosa dos torcedores, que entoaram os versos “João, João, é melhor do que Falcão...”, em referência ao craque que jogava na rival Roma. Primeiro estrangeiro na equipe após a reabertura do mercado internacional, em 1980, Batista seria uma espécie de resposta da Lazio à contratação do ex-companheiro pelos romanistas, que haviam sido campeões no ano anterior, com o brasileiro como destaque.

Gladiador do Coliseu? Batista chegou para dominar volância biancoceleste (Lazio Wiki)
Em 1983-84, Batista teve uma primeira temporada marcada pelos 25 jogos realizados, com um gol marcado, pela Serie A. Sua participação foi importante, principalmente porque uma Lazio com muitos problemas extracampo fez um campeonato bastante ruim, garantindo a permanência na elite apenas na última rodada: empatada em pontos com o Genoa, a equipe romana se salvou graças aos critérios de desempate, que lhes eram favoráveis. Batista também ganhou destaque em sua primeira temporada por motivos pouco esportivos: pelos vícios no fumo e nas bebidas, além das noitadas, o que lhe rendeu a fama de irresponsável e não profissional.

Eram tempos difíceis para a Lazio. Nem parecia que a equipe havia sido campeã italiana pela primeira vez 10 anos antes. Dali para frente, o período mais complicado da história do clube: os biancocelesti foram rebaixados para a Serie B, em 1980, em virtude do escândalo Totonero, que envolveu a manipulação de partidas para favorecer apostadores, e teve grande crise técnica e financeira. Nos três anos seguintes, o time jogou a segundona, e voltaria para lá em 1985. Batista não conseguiu evitar.

Em seu segundo ano com a biancocelesti, Batista sabia que a aventura na Europa seria uma experiência diferente da vivida no Brasil. Longe dos títulos e sob a desconfiança dos companheiros, mesmo com a braçadeira de capitão, o volante sentia-se mais adaptado e não jogou mal, porém, não conseguiu apresentar o futebol que o consagrou no Brasil, muito devido aos muitos problemas da Lazio.

Tendo a responsabilidade de ser protagonista, novamente não desempenhou o papel que os italianos esperavam dele, naufragando junto com toda a equipe que voltou à segunda divisão. A campanha laziale foi horrível: apenas duas vitórias, 15 míseros pontos e a lanterna da competição, dividida com a Cremonese de Emiliano Mondonico. Diga-se de passagem, uma campanha que nada honrou o belo uniforme laziale (foto acima), um uniforme histórico, cujo desenho o clube decidiu utilizar novamente, 30 anos depois, em 2014-15.

Já sem os principais jogadores, Batista até chegou a se apresentar com o elenco para a disputa da Serie B, mas acabou cedido ao Avellino, encerrando um ciclo de 53 jogos e três gols na Cidade eterna. No clube biancoverde, o volante também não teve vida longa: foram apenas seis meses e 14 partidas em que Batista jogou abaixo de seu nível habitual, pouco contribuindo para que os irpini permanecessem mais um ano na elite. Assim, encerrou sua passagem na Itália.

Batista ainda jogou por duas temporadas no Belenenses, de Portugal, sem muito destaque, e voltou ao Brasil para encerrar a carreira como profissional atuando no Avaí. Um fim pouco condizente para um jogador com futuro tão promissor enquanto atleta do Inter, e que viu seu futebol entrar em baixa quando deixou o Colorado. Principalmente quando não foi o profissional que dele se esperava, ainda mais quando Falcão era o ponto de comparação. No "dérbi colorado-romano", deu Roma.

João Batista da Silva
Nascimento: 8 de março de 1955, em Porto Alegre
Posição: Volante
Clubes em que atuou: Internacional (1973-81), Grêmio (1981-82), Palmeiras (1983), Lazio (1983-85), Avellino (1985-87), Belenenses (1985-87) e Avaí (1988-89)
Títulos conquistados: Campeonato Brasileiro (1975, 1976 e 1979), Campeonato Gaúcho (1975, 1976 e 1978), Campeonato Catarinense (1988), Jogos Pan-Americanos (1975) e Torneio Pré Olímpico (1976)
Pela seleção brasileira: 37 jogos

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