A história do time que pratica um futebol dos mais insossos no mundo continua a ser escrita na Serie A. O quase incaível Chievo – desde que alcançou a elite pela primeira vez, em 2001, só foi rebaixado uma única vez – encampou o discurso dos times pequenos como ninguém: é melhor não ganhar do que perder. Se ganhar, também não precisa se arriscar muito: das 10 vitórias dos clivensi no campeonato, só duas foram por mais de um gol de diferença, e seis delas foram por 1 a 0. Não à toa, o time teve o pior ataque da competição, com média de 0,74 gol/jogo. Em compensação, o ferrolho funcionou bem, e foi o quarto melhor do torneio.
Para executar a proposta de futebol defensivo com perfeição, a equipe apostou em dois treinadores com história no clube. O primeiro deles, Corini, privilegiava o combate no meio-campo, e não vinha conseguindo resultados. Foi trocado por Maran, zagueirão do clube por 10 anos. O treinador deu um jeito na equipe, e armou um 4-4-2 quase intransponível. As duas linhas de quatro eram compactas, o meio-campo era brigador e a defesa era muito boa nas jogadas aéreas. Para completar, Meggiorini e Paloschi aproveitavam os poucos contra-ataques quando podiam. Outro mérito de Maran foi ter a coragem de mudar o goleiro: Bardi é promissor, mas o técnico achou Bizzarri mais pronto. O resultado? O argentino foi eleito um dos melhores da posição na Serie A por excelentes defesas que mantiveram o time vêneto na elite.
13ª
colocação, 46 pontos. 11 vitórias, 13 empates e 14 derrotas.
Artilheiros: Luca Toni (22 gols), Juanito (6) e Nico López (5)
Onipresentes: Luca Toni (38 partidas) e Vangelis Moras (35)
Técnico: Andrea Mandorlini
Craque: Luca Toni
Decepção: Javier Saviola
Revelação: Mattia Valoti
Sumido: Fernandinho
Melhor contratação: Mounir Obbadi
Pior contratação: Fernandinho
Nota da temporada: 5,5
Depois de surpreender na temporada do retorno à elite do Italiano, o Verona perdeu muitos jogadores importantes, como Iturbe e Rômulo. Se esperava que o time fosse enfrentar dificuldades, porque a reposição das peças não foi à altura – a diretoria investiu mais em quantidade do que qualidade, visando reforçar outros setores – e também porque Toni, com quase 38 anos, poderia não marcar tantos gols quanto antes. De fato, o time não foi brilhante, como em momentos de 2013-14, mas teve temporada tranquila e salvou-se com folga.
Na quinta temporada de Mandorlini à frente dos butei, o Verona teve em Toni o seu grande nome. O centroavante marcou de todas as formas – até, de forma surpreendente, enfileirando defesas – e fez ainda mais gols do que no ano anterior. Foram 22 contra 20 da última temporada. Tentos que o fizeram artilheiro do campeonato, ao lado de Icardi, da Inter, e o mais velho goleador de uma temporada da Serie A. De resto, quase todos os jogadores do time tiveram uma temporada regular, à exceção de Juanito, vice-artilheiro do time, e de Hallfredsson e Christodoulopoulos, que participaram com bom número de assistências: 9 e 5, respectivamente.
Sassuolo
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| Trio de ouro do Sassuolo voltou a comandar o time a uma permanência tranquila (La Presse) |
A campanha: 12ª
colocação, 49 pontos. 12 vitórias, 13 empates e 13 derrotas.
Ao final de 2014: 12ª colocação
Fora da Serie A: Eliminado nas oitavas de final da Coppa Italia pelo Milan
Ataque: 49
gols
Defesa: 57
gols
Time-base: Consigli; Vrsaljko (Gazzola), Acerbi, Cannavaro, Peluso (Longhi); Biondini (Taïder), Magnanelli, Missiroli; Sansone, Zaza, Berardi.
Artilheiros: Domenico Berardi (15 gols), Simone Zaza (11) e Nicola Sansone (5)
Onipresentes: Andrea Consigli, Nicola Sansone (ambos com 35 partidas) e Simone Missiroli (33)
Técnico: Eusebio Di Francesco
Craque: Domenico Berardi
Decepção: Luca Antei
Revelação: nenhuma
Sumido: Cesare Natali
Melhor contratação: Andrea Consigli
Pior contratação: Cesare Natali
Nota da temporada: 6,5
Bem treinado, com bons valores, e principalmente com seu ótimo ataque, o Sassuolo mais uma vez garantiu a permanência na elite do futebol italiano. A temporada dos neroverdi foi ainda melhor que a de estreia na Serie A: foram 49 pontos, 15 a mais do que em 2013-14 – algo impulsionado por quatro vitórias seguidas na reta final. Curiosamente, o time teve uma ótima primeira metade de temporada, chegou a frequentar a parte de cima da tabela, mas passou por momento duro a partir da 17ª rodada: dali até a 26ª foram apenas duas vitórias. Com isso, o time despencou na tabela, mas sem correr risco real de rebaixamento. A boa sequência no final devolveu o time a uma posição mais honrosa, mas ficou a sensação de que o Sassuolo poderia ter incomodado mais.
Como não poderia deixar de ser, o destaque do time de Di Francesco foi o trio de ataque formado por Berardi, Zaza e Sansone. O primeiro foi um dos quatro jogadores do campeonato a terem dois dígitos em gols e assistências (15 e 10, respectivamente); o segundo anotou 11 gols e superou a marca do ano passado; enquanto o terceiro foi mais discreto, mas seguiu dando dinamismo à equipe. Vale citar ainda que os meias Missiroli, Magnanelli e Taïder tiveram boa temporada, assim como o zagueiro Acerbi e o goleiro Consigli. Se Di Francesco tiver o trio de ataque à disposição pelo terceiro ano consecutivo, o Sassuolo pode, outra vez, sonhar em dar um passo maior na Serie A.
Palermo
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| Dybala e Vázquez: dupla nascida na Argentina conseguiu dois dígitos em gols e assistências (LiveSicilia) |
A campanha: 11ª
colocação, 49 pontos. 12 vitórias, 13 empates e 13 derrotas.
Ao final de 2014: 10ª colocação
Fora da Serie A:
Eliminado na terceira fase da Coppa Italia pelo Modena
Ataque: 53
gols
Defesa: 55
gols
Time-base: Sorrentino; Andelkovic, González, Terzi (Vitiello, Múñoz); Rispoli (Morganella), Rigoni, Barreto (Belotti), Maresca (Chochev, Jajalo, Bolzoni), Lazaar; Vázquez; Dybala.
Artilheiros: Paulo Dybala (13 gols), Franco Vázquez (10) e Luca Rigoni (9)
Onipresentes: Andrea Belotti (38 partidas), Franco Vázquez (37) e Stefano Sorrentino (35)
Técnico: Giuseppe Iachini
Craque: Paulo Dybala
Decepção: Souleymane Bamba
Revelação: Ivaylo Chochev
Sumido: Emerson Palmieri
Melhor contratação: Luca Rigoni
Pior contratação: Simon Makienok
Nota da temporada: 6,5
Ano atípico na Sicília. Afinal, um ano que termina sem a troca de treinadores em um clube comandado por Zamparini não é mesmo normal. Pela primeira vez em sua carreira, o técnico Iachini conseguiu concluir um trabalho na elite do futebol italiano, e indo contra o seu estilo tradicional, de futebol mais defensivo – Zamparini também se segurou e não demitiu o técnico após o início ruim, sem vitórias nos seis primeiros jogos do campeonato. Com Vázquez e Dybala em ótimo estado de forma, o Palermo voou a partir de então e nem se sentiu ameaçado por uma volta à Serie B.
Desde o início do campeonato a equipe rosanero contava com sua dupla nascida na argentina – o sucesso de Vázquez foi tanto que ele acabou convocado pela Itália, algo que Dybala rejeitou. Os dois conseguiram atingir o dígito duplo em assistências e gols, algo raro em um time de médio porte. Com 13 gols e 10 assistências, além de tanta habilidade com a canhota e personalidade, Dybala chamou a atenção da Juventus, que pagou 40 milhões de euro ao Palermo. Os 10 gols e 10 assistências de Vázquez também podem render um acréscimo de verba às contas palermitanas. Falamos apenas dos dois, mas a temporada de Rigoni, González, Rispoli, Lazaar, Chochev e Belotti também foi ótima. Com tanta gente jogando bem, os sicilianos até almejaram chegar na Liga Europa, mas depois de verem suas chances se complicarem, se deram ao luxo de jogarem boa parte do campeonato apenas para cumprir tabela.