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terça-feira, 15 de setembro de 2015

O fantasma de Allegri

Necessidade de reformulação assombra Allegri em sua segunda temporada na Juve, assim como aconteceu no Milan após saídas de T. Silva e Ibra: treinador tem problemas para reorganizar
A Juventus que estreia logo mais na Liga dos Campeões, contra o Manchester City, em nada lembra a equipe vice-campeã europeia do último mês de junho. Nas três primeiras partidas da Serie A 2015-16, o time somou apenas um ponto e não passou nem perto de apresentar bom futebol. A confusão tática é grande, os jogadores parecem inseguros de suas funções em campo e nem a técnica acima da média de alguns de seus atletas tem ajudado. O culpado? Massimiliano Allegri.

Para muitos, ele ainda não conseguiu se provar um bom “treinador de reformulação” - aquele que cria novas ideias quando perde jogadores importantes e administra bem mudanças técnicas e táticas - e tem travado a Juve na busca por uma nova era, sem os pilares Pirlo, Vidal e Tévez. Pesa contra Allegri o fato de ele ter sofrido do mesmo mal durante sua passagem pelo Milan. A memória não deixa esquecer: com os rossoneri, ele também foi campeão no primeiro ano, quando pegou equipe montada por Ancelotti e Leonardo, mas depois caiu de rendimento, quando perdeu suas referências Thiago Silva e Ibrahimovic e precisou achar novos padrões. 

Na Juve, o roteiro parece ser o mesmo. Allegri não consegue superar as perdas de Pirlo, Vidal e Tévez e vem insistindo em esquemas fadados ao fracasso. Seu 4-3-1-2 dificilmente funcionará sem um regista como Pirlo e um trequartista polivalente como Vidal, ao passo que o 3-5-2 utilizado contra o Chievo, em casa, na última rodada, não pode passar de um plano B para momentos de maior necessidade defensiva, como foi no ano passado. 

O melhor seria aproveitar as características de seu elenco e definir um sistema que deixe o time mais seguro - ainda mais levando em conta que seu trato com os jogadores não é dos melhores e colocá-los fora de posição pode fazê-lo perder o elenco, como aconteceu no Milan -, mas ele persiste nos erros. Hernanes, por exemplo, viveu seus melhores momentos atuando como trequartista na Lazio, mas foi confirmado por Allegri como regista do 4-3-1-2 no jogo de hoje, contra o City.  

Em busca de certezas
Nesse início de temporada, são as dúvidas que têm incomodado. O treinador não definiu um esquema tático ainda e os jogadores não têm 100% de noção de suas funções nas posições que são escalados. Dessa forma, o que Allegri precisa é achar um sistema que dê segurança ao time como conjunto e aos jogadores individualmente. 

Para isso, a melhor opção no momento aparenta ser o 4-2-3-1, aproveitando bem as características de todos os jogadores. Marchisio e Pogba gostam de jogar na linha baixa do meio de campo quando têm um companheiro ao lado, podendo infiltrar nas investidas ofensivas e tentar o chute de longa distância; Hernanes se sente à vontade centralizado no meio, organizando o jogo e com possibilidade de chegar em velocidade; Cuadrado gosta de usar sua velocidade para ir ao fundo e cruzar; Dybala rende melhor do lado esquerdo, cortando para o meio (para passe ou chute de direita), ao mesmo tempo que abre a ala para Alex Sandro ir ao fundo cruzar; e Mandzukic prefere ficar centralizado no ataque para definir. Veja abaixo: 


Outra opção para usar as mesmas peças em posições que ainda se sentem à vontade seria o 4-3-3, que, no entanto, deixaria a equipe mais vulnerável (veja abaixo). Estabelecendo um dos dois sistemas como padrão, Allegri provavelmente conseguiria extrair o melhor de seus jogadores e ainda poderia usar o 3-5-2 como opção para mudar dentro de um jogo, a depender do adversário. Cuadrado e Alex Sandro (ou Asamoah) nas pontas deixariam o time mais à frente, enquanto as opções Lichtsteiner e Evra protegeriam mais a equipe.



De uma forma ou de outra, o importante é que Allegri acabe com as incertezas - que o fazem perder moral com dirigentes, jogadores e torcida - e passe segurança para que seus atletas atuem no seu melhor. O desafio será encaixar o jogo antes que seja dispensado do cargo. O diretor esportivo do clube, Giuseppe Marotta, já avisou que “chega de álibis” e mostrou que talvez a paciência da diretoria não seja grande. Entre os torcedores a popularidade também não ajuda: em enquete do Libero Quotidiano sobre o treinador, 40% dos internautas disseram acreditar que ele não dura até o fim da temporada e outros 28% apostam na sua demissão antes do Natal. Apenas 32% confiam em sua permanência até junho do próximo ano. 

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