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quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Da tormenta ao marasmo

Roma conseguia grande virada, mas pôs tudo a perder em minutos (Gazzetta dello Sport)
Mais uma rodada de Liga dos Campeões e Juventus e Roma seguem com seu antagonismo na competição. ‘Mas como assim, se ambos empataram?’. Dessa vez, amigo, o responsável por tamanho afastamento entre os italianos foi o quesito emoção. Aliás, antes de mais nada, se você não é torcedor da Roma, recomendo que assista a todos os jogos da Loba na competição europeia – se você é giallorosso consulte um cardiologista antes. Se na pequena cidade de Leverkusen tivemos um embate memorável recheado de reviravoltas, em Turim tudo tranquilo como água de poço. Infelizmente tranquilo pela falta de lances-chave e felizmente tranquilo pela segurança que a Velha Senhora ainda carrega na ponta do grupo D.

Na Alemanha...
Levando em conta o cenário da partida e analisando o grupo E, era esperado que o Leverkusen fosse fazer a famosa blitz nos minutos iniciais. E assim foi. Com 18 minutos, o mexicano Chicharito Hernández já marcava o segundo gol alemão e até então a Roma nada produzira muito por mérito do adversário. Enfrentando um ataque veloz com Gervinho, Salah e Florenzi, a recomposição de todo o time alemão foi feita de forma muito eficiente. Além disso, a incapacidade de sair com a bola do campo defensivo ainda é recorrente no time de Rudi García independentemente das peças escolhidas pelo francês.

Mas, como estamos falando de Roma... começou a pintar o imprevisível, que nesta rodada vestiu a camisa 16. Daniele De Rossi marcou duas vezes e surpreendeu os arautos que já anunciavam que a Roma, mais uma vez, iria ‘romar’. E se o duelo entre Çalhanoglu e Pjanic poderia definir o jogo nas bolas paradas, o bósnio saiu na frente com um golaço em infração mal marcada. Foi o quarto em cobranças de falta do meia nesta temporada (os outros foram contra Juventus, Carpi e Empoli).

Em vantagem no placar, o time teve o que gosta: espaço. E as oportunidades apareceram com Florenzi, Falqué, e na segunda vez que o espanhol teve a chance, ampliou. Em Roma, o cheiro da vitória que vinha da Alemanha já se misturava ao aroma das pizzas, mas Kampl implodiu os sonhos italianos com um belo gol e grande jogada para o tento de Mehmedi.

É difícil analisar o perfil emocional desta Roma levando-se em conta os jogos da Liga dos Campeões: um rochedo contra o Barcelona e um eletrocardiograma sem o menor compasso contra BATE Borisov e Leverkusen. É evidente que arrancar um empate em solo alemão não é um resultado ruim já que o confronto na Itália ainda está por vir, mas diante de tanta oscilação, principalmente relacionada a fragilidade do setor defensivo, quem tem coragem de apostar em uma vitória romana contra o time da Bayer na quarta rodada?

... e no Piemonte
A Juventus recebeu em Turim o Borussia Mönchengladbach, que vem em franca recuperação no campeonato alemão. Mas, para a sorte dos italianos, os tedescos se contentaram em ficar na defesa no jogo da terceira rodada. Até porque, caso precisasse utilizar o contra-ataque, o Gladbach tinha em Raffael uma arma perigosa.

Com um rival extremamente recuado, a Juve careceu demais de um jogador com poder de infiltração em velocidade já que o ataque foi formado por Mandzukic e Morata. Em tese, Cuadrado e Alex Sandro poderiam exercer esse papel praticando entradas na diagonal, mas não foram capazes. Sem espaço, o time da casa abusou de chutes de média e longa distância, porém sem muita pontaria. Na única jogada em que teve espaço, a Juve não soube aproveitá-lo: Morata recebeu na entrada da área e tinha dois marcadores a sua frente, enquanto na esquerda Pogba passava livre. Mas o espanhol preferiu chutar e deixou o francês bastante irritado. É possível que a chance que ele tinha de quebrar o recorde de Del Piero e marcar gols em seis jogos seguidos da Liga dos Campeões tenha pesado.

Sem capacidade de rasgar a retranca adversária, Cuadrado deu lugar a Pereyra, mas nada mudou. Dybala, que talvez fosse o nome mais adequado para o jogo, entrou apenas aos 36 do segundo tempo e pouco fez também. Mesmo assim, Allegri tem sido criticado pela imprensa italiana por utilizar o argentino apenas de vez em quando.

Contra o Sevilla, a equipe havia feito uma ótima partida, talvez a melhor dessa temporada, mas o empate contra o Gladbach deixou um gosto amargo. Estamos quase entrando em novembro e Allegri já tomou algumas boas decisões, mas ainda pena para enfrentar adversários que entram apenas para se defender, tanto na Liga quanto na Serie A. De qualquer forma, são 7 pontos e a invencibilidade no grupo da morte. Se classificar é uma tarefa bastante plausível.

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