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quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Jogadores: Ramón Díaz

Díaz atuou em quatro clubes na Itália e era sempre caçado pelos zagueiros (Getty)
Contemporâneo da geração que revelou Diego Maradona, Ramón Díaz foi um dos grandes atacantes do futebol argentino. Talentoso e goleador, El Pelado rapidamente ganhou destaque no River Plate e na seleção albiceleste, primeiro sub-20 (campeã do mundo em 1979) e depois na principal, pela qual acabou participando do elenco que disputou a Copa de 1982. Ao longo da carreira, o atacante se estabeleceu como um dos maiores ídolos do River, além de ter atuado por quase 10 anos na Itália e ter sido um dos primeiros gringos no futebol japonês.

Apesar da carreira vitoriosa, Díaz não teve vida longa na seleção da Argentina. Depois de jogar o Mundial de 1982 e até ter feito gol contra o Brasil (derrota por 3 a 1), quando todos esperavam um grande time argentino que iniciaria a preparação para o Mundial de 1986, Díaz ficou fora dos planos do técnico Carlos Bilardo.

O afastamento é atribuído a um entrevero com Maradona, mas o Pibe garantiu em sua biografia que além de não ter fechado as portas para Díaz, pedia que Bilardo o convocasse. De qualquer forma, em 1982 Díaz, de apenas 23 anos, encerrou sua rápida carreira com a camisa albiceleste.

A essa altura, Díaz já tinha uma carreira em vias de consolidação. Depois de estrear no River Plate, com apenas 18 anos e se destacar em meio a lendas dos Millionarios, como Reinaldo Merlo, Leopoldo Luque e Daniel Passarella, tornou-se uma das grandes promessas locais. Ao final da Copa do Mundo realizada na Espanha, Pelado foi negociado com o Napoli, clube no qual seria treinado pelo compatriota Bruno Pesaola.
Díaz (mercado por Vierchowod, da Roma) passou apenas um ano no Napoli (Almanacco Giallorosso)
O argentino chegara para ser o segundo estrangeiro da companhia, ao lado de outro mito do futebol: o líbero holandês Ruud Krol. Outros jogadores importantes para a história dos azzurri, como Luciano Caastellini, Giuseppe Bruscolotti e Moreno Ferrario completavam a espinha dorsal do time. 1982-83, porém, não foi uma grande temporada para Díaz e para o Napoli.

O Napoli começou a temporada com o então emergente Massimo Giacomini como técnico, mas os maus resultados fizeram o ídolo Pesaola voltar ao time em que já tinha sido jogador e treinador. O Petisso, que nos tempos de jogador era canhoto como Díaz, deu uma organizada no time, que acabou a Serie A apenas na 10ª posição, dois pontos acima da zona de rebaixamento. O time de Fuorigrotta teve o segundo pior ataque do campeonato, com apenas 22 gols marcados, mas mesmo assim Díaz conseguiu algum destaque, pois brigava muito em campo. Ao todo, o argentino atuou em 38 partidas e anotou 8 gols, considerando todas as competições, terminando a campanha como artilheiro da equipe.

Sem conseguir exprimir ao máximo toda sua velocidade, habilidade e a qualidade em sua canhota, Díaz foi cedido ao modesto Avellino que disputaria sua sexta temporada na elite. “El Puntero Triste” – como ficou conhecido no Velho Continente, devido seu modo de ser e sua aparência melancólica – , passaria os próximos três anos no clube da Campânia, em uma província vizinha a Nápoles. A cidade de Avellino, no entanto, explodiu em festa por causa da chegada do atacante: após o anúncio de sua chegada, em agosto, a venda de carnês de ingressos para a temporada (os famosos abbonamenti) aumentaram exponencialmente.

El Pelado, no Avellino, ao lado de Maradona. Teria sido por Diego que Díaz abandonou a seleção (Wikipedia)
Pelo clube alviverde do sul da Itália, o futebol de Díaz aos poucos reapareceu. O argentino correspondeu em campo a empolgação que tomou a torcida. El Pelado fez ótima dupla sul-americana com o peruano Gerónimo Barbadillo, ambos acionados por meias de qualidade, como Fernando De Napoli e Franco Colomba.

E o primeiro jogo de Díaz pelos irpini foi histórico, talvez o maior do clube em mais de um século de vida: recém-chegado, ele começou a partida contra o Milan no banco. Foi uma avalanche alviverde sobre o gigante italiano: 4 a 0, com uma assistência do craque no último tento. Na primeira temporada ele ainda fez duas partidaças contra seu ex-clube, o Napoli, e marcou o gol do ex. Ao todo, ele anotou sete vezes na campanha e acabou o ano como artilheiro da equipe. No fim da temporada, o Avellino logicamente o contratou em definitivo.

Após um segundo ano razoável, em que o Avellino novamente conseguiu se manter na elite, Díaz voltou a despontar em 1985-86. Ele foi grande líder da equipe que conseguiu escapar do rebaixamento sem muitas dificuldades outra vez. Naquele que foi seu último ano pelos Lobos, El Pelado realizou sua melhor temporada desde que saiu da Argentina, até aquele momento, sendo o artilheiro da equipe (10 gols marcados) e um dos goleadores da Serie A. Neste último ano, Díaz ainda teve como companheiro o brasileiro Batista.
Díaz, da Fiorentina, e Toninho Cerezo, da Sampdoria, disputam jogada (Wikipedia)
Em 1986, após ver de longe a Argentina sagrar-se campeã mundial, Díaz foi vendido à Fiorentina, clube pelo qual formaria uma das grandes duplas de ataque do final da década de 1980, ao lado de Roberto Baggio. A parceria só se concretizou de verdade em 1987-88, pois Baggio ficou quase dois anos parado por causa de sérias lesões no joelho, o que fez do argentino a estrela da companhia, visto que um dos maiores ídolos do clube, Giancarlo Antognoni, já estava perto de se aposentar e era reserva. O time viola era forte e tinha ainda jogadores como Gabriele Oriali, Nicola Berti, Celeste Pin, Claudio Gentile, Aldo Maldera e Alberto Di Chiara. Era um momento de transição, após as saídas de Daniele Massaro e Giovanni Galli para o Milan e de Daniel Passarella para a Inter.

Àquela altura, Díaz vivia o auge da carreira, com 27 anos. E, outra vez, foi o artilheiro do seu clube na temporada, com 10 gols – ficando entre os cinco maiores artilheiros da Serie A. O argentino ainda foi impiedoso contra seus ex-clubes, e guardou três de seus gols contra Avellino (2) e Napoli (1). A Fiorentina, porém, teve temporada apenas mediana, ficando na 9ª colocação e caindo na primeira fase da Copa Uefa e da Coppa Italia. Bem abaixo do ano anterior, concluído com o 4º posto no Italiano e com as semifinais da copa.

Na campanha seguinte, o sueco Sven-Göran Eriksson assumiu o time e o rendimento de Díaz melhorou: com a frequente companhia de Baggio, recuperado, o argentino fez 12 gols na época 1987-88, sete deles na Serie A. No entanto, a Fiorentina não decolou e ficou outra vez no meio da tabela, na oitava colocação.

O verão seria de nova mudança para Díaz, que trocaria de clube outra vez. Por conselho de Passarella, que havia sido seu colega no River Plate e na seleção argentina, ele acabou na Inter – curiosamente, assim como na Fiorentina, Díaz chegou à Inter no momento em que o zagueiro se transferia. 

Díaz ao lado de Matthäus, Brehme, Berti e Bianchi: quinteto
contratado foi fundamental na conquista do scudetto de 1988-89 (Interleaning)
El Pelado foi uma das cinco contratações de peso da Inter de Giovanni Trapattoni e chegou junto ao companheiro Berti, somando-se a Alessandro Bianchi, Andreas Brehme e Lothar Matthäus. No entanto, sua chegada, por empréstimo, foi um tanto inesperada: ele foi o substituto de Rabah Madjer, campeão europeu pelo Porto e Bola de Ouro Africano em 1987. O argelino chegou a ser apresentado com a camisa do clube e seria o primeiro africano da história nerazzurra, mas o contrato não foi firmado porque o departamento médico interista alegou que ele não se recuperaria de uma lesão nos ligamentos do joelho.

Melhor para a Inter, pois Díaz foi decisivo para a conquista do scudetto interista em sua única temporada na Lombardia. Anotou 12 gols na Serie A (15 ao todo; veja alguns aqui, incluindo um golaço com caneta contra a Roma) e foi um dos melhores parceiros de Aldo Serena, artilheiro daquela temporada com 22 gols. Temporada de glórias para a Inter, que atingiu os 58 pontos, recorde dos tempos em que vitórias valiam dois pontos – em números de hoje, seriam 84 pontos em 34 jogos.

Apesar de decisivo, Ramón Díaz foi preterido ao final da temporada. Para trazer Jürgen Klinsmann, o presidente da Beneamatta, Ernesto Pellegrini, precisava se desfazer de um de seus estrangeiros – à época, o limite era de três. Brehme e Matthäus eram quase intocáveis, então, restou ao argentino trocar a Velha Bota pela França. Nos dois anos seguintes, ele defendeu o Monaco, e pelo time do principado faturou uma copa nacional.

Antes de se aposentar, Díaz voltou à Argentina para defender o River, sempre mantendo a boa média de gols por campeonato. Já com 34 anos, Díaz desbravou o futebol japonês junto a Zico. Por lá, marcou 52 gols em apenas 75 jogos pelo Yokohama Marinos. Logo que pendurou as chuteiras, voltou ao River Plate como treinador para também fazer história, vencendo a primeira Copa Libertadores do clube portenho. Na primeira passagem pelos Millionarios como comandante, faturou ainda quatro títulos nacionais, uma Supercopa Sul-Americana e esbarrou na Juventus, que ficou com o título da Copa Intercontinental de 1996.

Fã do futebol inglês, Díaz também se aventurou pela quarta divisão local, em uma temporada à frente do Oxford. El Pelado ainda comandou outras equipes na Argentina, como San Lorenzo e Independiente e, outra vez, o próprio River Plate, logo após seu retorno à elite. Em 2014 foi o escolhido para reconstruir a seleção paraguaia, com a missão de classificá-la à Copa do Mundo de 2018. Embora não tenha vencido um título com a seleção, já recuperou parte do prestigio com os guaranis, derrotando a seleção brasileira na Copa América 2015.

Depois de atuar por oito anos na Itália, Díaz não descarta um retorno ao país onde ganhou destaque. Antes de se aventurar na Inglaterra, foi cogitado para treinar o Napoli e a Lazio, mas tudo acabou ficando na especulação. Um bom trabalho com os sul-americanos pode lhe abrir novas portas. O respaldo ele já tem.

Ramón Ángel Díaz
Nascimento: 29 de agosto de 1959, em La Rioja, Argentina
Posição: atacante
Clubes em que atuou: River Plate (1978-81 e 1991-93), Napoli (1982-83), Avellino (1983-86), Fiorentina (1986-88), Inter (1988-89), Monaco (1989-91) e Yokohama Marinos (1993-95)
Títulos como jogador: Campeonato Metropolitano (1979 e 80), Campeonato Nacional (1979 e 81), Campeonato Apertura (1991), Serie A (1988-89), Copa da França (1990-91)
Clubes como treinador: River Plate (1995-2002 e 2012-14), Oxford United (2004-05), San Lorenzo (2007-08 e 2010-11), América-MEX (2008-09), Independiente (2011-12) e Seleção do Paraguai (2014-atual)
Títulos como treinador: Campeonato Apertura (1996, 97 e 99), Campeonato Clausura (1997, 2002 e 2007), Torneo Final (2014), Copa Libertadores da América (1996) e Supercopa Sul-Americana (1997).
Seleção argentina: 22 jogos e 10 gols

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