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sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

O que há com os brasileiros da Serie A?

Na berlinda: Hernanes não vem bem há mais de dois anos e ainda não se acertou na Juve (Gazzetta.it)
Quando se fala de jogadores brasileiros no exterior, talvez nenhum campeonato tenha os absorvido melhor e em maior quantidade do que o Italiano. O Brasil é o segundo maior exportador de talentos para a Serie A em toda a história, com 297 atletas. Um bom número deles teve momentos razoáveis e vários foram verdadeiros ídolos na Bota – saiba mais no nosso ranking. Porém, em 2015-16, está diferente: por que tantos jogadores canarinhos estão indo mal na Itália?

A pergunta foi feita pelo jornal Gazzetta dello Sport, em matéria publicada no dia 16. Hoje, 45 jogadores brasileiros atuam na Serie A (sem contar Éder e Amauri, que assumiram a cidadania italiana), e poucos tem sido bem avaliados pelos jornalistas do diário. Nas votações feitas após as partidas do campeonato, as notas atribuídas aos brasileiros ficam costumeiramente abaixo de 6 – ou seja, eles estariam reprovados pela média. As atuações não tem sido convincentes.
Entre os sete goleiros verde e amarelos da Serie A, somente Rafael, do Verona, é titular – e está muito mal, bem longe do nível que o consagrou como ídolo do clube. Entre os defensores, muitos nem chegam a ter grande quantidade de minutos em campo – Maicon, Leandro Castán, Cláudio Winck, Rafael Toloi, Juan Jesus, Alex, Dodô ou Rodrigo Ely, por exemplo – e um, em específico, é um verdadeiro desastre ambulante: Maurício, da Lazio, uma das cinco defesas mais vazadas da Itália.

No entanto, o que está fazendo falta é o que os italianos consideram a verdadeira essência do futebol brasileiro – e o que fez a maior parte dos primeiros jogadores daqui irem para lá. Os jogadores criativos e responsáveis por marcar gols estão decepcionando muito e dois casos são emblemáticos. 

Comecemos pela má fase que dura mais tempo: a de Hernanes. O pernambucano não consegue estabelecer uma boa sequência de jogos desde o início de 2013, quando ainda jogava na Lazio. Bem em alguns jogos ou partes de jogos, raramente tem sido brilhante e foi descartado com certa facilidade pela Inter – que recebeu uma boa proposta, mas nada incrível, por parte da Juventus. Em Turim, o Profeta atuou em 12 partidas, oito delas pela Serie A. No Italiano, atuou em apenas 417 minutos, média de 52 minutos por partida. Na Liga dos Campeões, fez três partidas e levou um cartão vermelho. Gol? Nenhum. Com a volta do 3-5-2, o camisa 11 perdeu espaço no time de Allegri e hoje é a sexta opção para o setor, atrás de Pogba, Marchisio, Khedira, Sturaro e Pereyra. Difícil imaginar uma recuperação a curto prazo.

O segundo caso é uma queda brutal. Felipe Anderson, da Lazio, foi um dos principais nomes da campanha que levou o clube romano para a Champions League e chegou até a ser convocado para a seleção brasileira. Porém, em 2015-16, caiu demais de rendimento, e foi relegado ao banco de reservas em diversas partidas – e devemos levar em consideração que a campanha laziale é bem ruim. Os números dizem que o brasileiro é o artilheiro da equipe, com quatro gols, mas ele passa longe do mesmo jogador que encantou a Itália, com grandes atuações, arrancadas, dribles, belos chutes e o total de 10 tentos e oito assistências no ano passado.

Os italianos ainda sentem falta de um autêntico goleador brasileiro. Se, por um lado, Éder é o vice-artilheiro do campeonato, com 10 gols, só há um centroavante brasileiro que jogou em todo o campeonato – Matheus Cassini, ex-Corinthians, não foi utilizado pelo Palermo. Algo inimaginável para um país que tem José Altafini como um dos goleadores históricos da Serie A e que também já levou ao país matadores como Ronaldo, Careca, Luís Vinício, Dino da Costa, Edmundo, Amoroso, Adriano e Evair. O único atacante de área canarinho é Luiz Adriano, do Milan, que não repete os bons anos anteriores, no qual foi artilheiro do Campeonato Ucraniano e da LC: são apenas três gols em quinze jogos (815 minutos).

Para completar, alguns times que tem colônias brasileiras em seus elencos não vão bem na competição. O vice-lanterna Carpi tem em seu elenco quatro brasileiros, e destes, só dois são mesmo utilizados com frequência. Se Wallace e Raphael Martinho são opções de banco, Ryder Matos começou bem a temporada, mas estagnou, enquanto Gabriel Silva não vem se destacando após ser emprestado pela Udinese. O time de Údine, aliás, tem seis brasileiros: Danilo, Felipe, Edenílson, Neuton, Guilherme e Lucas Evangelista. Os três últimos sequer foram utilizados, enquanto Danilo está longe de ser aquele que foi um dos melhores zagueiros do país, anos atrás. Edenílson faz temporada regular. E só.

Que queda, Felipe Anderson: destaque da Lazio não tem mesmo rendimento de 2014-15 (Gazzetta.it)
Desempenho satisfatório
Claro, não dá para esquecer daqueles que estão jogando bem – são poucos, mas existem. Dois deles disputam o posto de melhor brasileiro do campeonato até agora: Miranda e Allan. Seguidos de perto por Jorginho.

A Inter, líder do campeonato, tem em sua espinha dorsal dois brasileiros experientes. O primeiro é um dos grandes responsáveis pela campanha dos nerazzurri, que começa por uma defesa sólida. Miranda chegou para ser o xerife de uma defesa que sofreu apenas nove gols em 16 partidas e é um dos grandes nomes da posição no futebol italiano. À sua frente, Felipe Melo está mais calmo – ainda leva seus cartões, mas menos – e além de oferecer proteção, mostra qualidade na saída de bola. Também é peça-chave na campanha interista. Por sua vez, Alex Telles ainda não é titular absoluto, mas mostrou suas qualidades e também pode ser avaliado positivamente.

Vice-líder do campeonato, o Napoli tem um segredinho brasileiro no seu meio-campo. Allan e Jorginho formam boa dupla no habilidoso e trabalhador trivote de meio-campo azzurro, ao lado de Hamsík. O ex-vascaíno Allan já merece ser observado por Dunga na Seleção, já que vem em crescimento desde a Udinese. Muito brigador e veloz no meio-campo, ele melhorou ainda seu poder de chegada à área, e anotou três gols. Já Jorginho vai confirmando o que se esperava dele quando surgiu no Verona. Após momento de baixa, o regista de Imbituba ganhou a titularidade com Sarri e é o responsável por distribuir o jogo, com grande qualidade nos passes.

Para finalizar, parte do crescimento da Juventus no campeonato tem toque verde e amarelo. Esse toque atende pelo nome de Alex Sandro, que tem sido ótima peça para o segundo tempo e está pedindo passagem para deixar o experiente Evra no banco. Será que isso acontece no segundo turno? E será que os brasileiros melhoram? A ver.

2 Comentários:

Rodrigo Cavalcanti disse...

Não entendi não considerarem o Amauri e o Éder mas considerar o Jorginho, que também se naturalizou italiano.

Nelson Oliveira disse...

Jorginho tem as duas nacionalidades (não é naturalizado) e ainda não jogou pela seleção principal de nenhum dos países, ao contrário de Amauri e Éder, que jogaram pela Itália. Pode ser considerado brasileiro do ponto de vista futebolístico.

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