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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Brasileiros no Calcio: Dirceu

Cigano do futebol, Dirceu (à direita, ao lado de Schachner) recebeu homenagem única na Itália (Repubblica)
Muitas vezes, dizemos que certo jogador conseguiu feitos únicos como força de expressão. No caso de Dirceu, não. Um dos maiores craques brasileiros dos anos 1970 e 1980, o meia canhoto, habilidoso e polivalente disputou três Copas do Mundo com a camisa do Brasil e conseguiu pelo menos uma homenagem até hoje inigualada no futebol. Ele é o único jogador do nosso país cujo nome batiza um estádio na Itália. O estádio da pequena Ebolitana, inaugurado em 2001, recebeu o seu nome: Dirceu José Guimarães. Tudo porque o meia de grande coração defendeu a equipe semiamadora por dois anos, e estabeleceu residência em Eboli, na província de Salerno, nos últimos anos de vida.

Paranaense, Dirceu começou a carreira no Coritiba, e marcou seu primeiro gol profissional justamente num clássico contra o Atlético-PR. Depois de brilhar no Atletiba e por mais dois anos no Coxa, foi convocado para os Jogos Olímpicos de 1972 e salvou-se na pífia campanha brasileira. A partir de então, começou sua trajetória de cigano no futebol: foram 15 clubes em 25 anos de carreira, sete deles na Itália, onde conseguiu a proeza de trocar de equipe ano após ano, na Serie A. Depois, nas divisões inferiores, passou mais tempo.

O que importa é que, por onde passou, o meia, que também atuava pela ponta esquerda, destacou-se pelo incansável trabalho de equipe. Algo que o fez ficar conhecido como Formiguinha: corria bastante, marcava e criava. Leal, nunca recebeu um cartão vermelho sequer. Sentava a porrada apenas nas bolas, com um potentíssimo chute de canhota, sua arma letal.

Dirceu também usou alviverde na Itália
Após deixar Curitiba com dois Campeonatos Paranaenses conquistados, foi para o Rio de Janeiro, onde apareceria de vez para o futebol brasileiro. Sua passagem de três anos pelo Botafogo não lhe rendeu títulos, mas o fez disputar a Copa de 1974. Na campanha do 4º lugar canarinho, foi titular em quatro jogos, entrando no time a partir da segunda fase da competição – a Seleção decepcionara na primeira fase de grupos.

Voltou ao time da estrela solitária, jogou mais dois anos por lá e, em 1976, fechou com o Fluminense, onde fez parte de um dos maiores esquadrões tricolores, ao lado de Roberto Rivellino, Carlos Alberto Torres e Paulo Cezar Caju. Após conquistar o título carioca com a Máquina Tricolor, transferiu-se novamente, passando a mais um rival: o Vasco. Em São Januário, arrumou o meio-campo da equipe e se destacou ao lado de Zé Mário, Zanata e Roberto Dinamite. Resultado: mais um título estadual e outra convocação para Copa do Mundo.

Em 1978, o mundo conheceu Dirceuzinho. Depois de começar a competição como reserva de Rivellino, entrou no segundo tempo na estreia contra a Suécia e nunca mais deixou o onze inicial. O craque foi fundamental na classificação do Brasil na primeira fase e foi o autor de grande jogada para o gol de Roberto Dinamite contra a Áustria. Ainda marcou dois gols contra o Peru e outro contra a Itália, e foi o nome da seleção que acabou a competição invicta e com o terceiro lugar. Dirceu ainda faturou a Bola de Bronze como terceiro melhor jogador do torneio e fez parte da seleção do Mundial.

Porta de entrada do brasileiro na Itália foi o Verona
Endinheirado, o América, do México, levou a sensação para o Azteca. Após apenas um ano por lá, Dirceu foi para o Atlético de Madrid, onde viveu três anos gloriosos. Foi convocado para seu terceiro Mundial, que acontecia justamente na Espanha, e sofreu vendo do banco a Tragédia do Sarrià. Já experiente, logo depois da Copa do Mundo conseguiu a chance de atuar na Serie A, o melhor campeonato do mundo à época. Recebeu uma proposta do Verona, que retornava para a elite do futebol na Bota.

O brasileiro chegou como a grande contratação da temporada, e não decepcionou. Vestindo a camisa 10 – número que utilizou em todos os times pelos quais passou na Itália –, foi o líder de presenças na temporada, um dos jogadores mais importantes do time treinado por Osvaldo Bagnoli, comandava o meio-campo ao lado de Pietro Fanna e Antonio Di Gennaro, que serviam o artilheiro Domenico Penzo.

No time scaligero, que ainda tinha Roberto Tricella e o histórico (embora quase nada utilizado) Wladyslaw Zmuda na defesa, e que era o embrião daquele que se sagraria campeão italiano duas temporadas depois, Dirceu atingiu ótimas marcas. Realizou 47 jogos e 6 gols, que ajudaram a equipe a conquistar um inédito 4º lugar na Serie A, melhor classificação na história do Hellas até então. Os butei ainda chegaram a ser finalistas da Coppa Italia. Venceram a partida de ida, por 2 a 0, em casa, e perderam a volta, por 3 a 0, apenas no último minuto da prorrogação, quando Michel Platini anotou o gol do título da Juventus.

A trajetória cigana de Dirceu na Itália começava ali, logo após o vice na Coppa. Na temporada seguinte, 1983-84, o meia passou a uma equipe rival do Verona: o ambicioso Napoli de Corrado Ferlaino. No San Paolo, seguiu sendo importante, mesmo em uma temporada difícil para os azzurri. Mesmo com os cinco gols de Dirceu e com uma defesa que tinha o histórico zagueiro holandês Ruud Krol, o experiente goleiro Luciano Castellini e as bandeiras Moreno Ferrario e Giuseppe Bruscolotti, pouca coisa deu certo. A salvação do rebaixamento aconteceu somente na penúltima rodada.

Maior camisa que Dirceu vestiu na Itália foi a do Napoli
Após a temporada mediana no Napoli, Dirceu acabou precisando deixar o Napoli. O motivo é que o clube, que já havia liberado Krol e contratado o argentino Daniel Bertoni, precisava abrir uma nova vaga de estrangeiro para a chegada de ninguém menos que Diego Armando Maradona, que assumiria a 10 do brasileiro. Assim, Dirceu passou ao Ascoli do histórico presidente Costantino Rozzi, o maior da história do Picchio. No entanto, problemas durante a temporada fizeram que nem mesmo dois técnicos de respeito, como Carlo Mazzone e Vujadin Boskov evitassem a queda dos ascolesi para a segundona. Dirceuzinho, novamente grande craque do time, anotou cinco gols, mas não conseguiu evitar o pior: a 14ª colocação e a queda.

Irriquieto, Dirceu mudou de ares de novo e assinou com o Como, indo morar novamente no norte da Itália. Na temporada anterior, que marcava a volta dos lariani à elite, o Como salvara-se do rebaixamento apenas no final do campeonato – mesmo tendo sofrido apenas dois gols no seu estádio, o Giuseppe Sinigaglia. Com a 10 nas costas, o Formiguinha ajudou o time que tinha como destaques os atacantes Stefano Borgonovo e Dan Corneliusson a alcançar a 9ª posição na Serie A e as semifinais da Coppa Italia.

Na melhor campanha dos lariani na copa, o time passou pela Juventus e pelo Verona, que defendia o título italiano, mas caiu nas semifinais contra a Sampdoria. O time vencia o jogo da volta por 2 a 1 na prorrogação, quando um objeto lançado ao campo feriu o árbitro do jogo. No tapetão, o juizado esportivo deu a vaga à Samp e, mais uma vez, tirou de Dirceu a chance de conquistar um título na Itália. Da mesma forma que uma lesão nos preparativos para a Copa de 1986 tirou do meia a possibilidade de ser convocado para o quarto Mundial seguido. Descartado por Telê Santana, nunca perdoou o treinador, pois achava que tinha condições de disputar a competição no México.

Dirceu teve de deixar o Napoli para dar espaço a Maradona, que herdou sua camisa 10
Dessa forma, Dirceu acabou voltando à Campânia, onde viveria grande parte de sua vida dali para frente. O meia fechou com o Avellino, único time alviverde de expressão do futebol italiano. A equipe ficou conhecida por, mesmo tendo pequeno porte, ter conseguido passar 10 temporadas consecutivas na Serie A, entre o final das décadas de 1970 e 1980. Dirceu fechou com o clube para a nona dessas campanhas, e fez parte do time que conseguiu a melhor classificação da história dos Lobos: uma 8ª posição, assim como em 1981-82.

Logo em sua estreia pelo Avellino, Dirceu anotou dois golaços de falta sobre a Fiorentina, na 1ª rodada. Foram os primeiros dos seis gols que ele fez em 23 jogos pelos irpini. Com quase 35 anos, o Formiguinha atuou em 23 jogos e era o líder técnico da equipe, ao lado do atacante austríaco Walter Schachner. Curiosamente, aquele time teve vários jogadores com ótimo senso tático e que se tornaram treinadores depois. Além de Schachner, também Stefano Colantuono, Angelo Alessio e o capitão Franco Colomba. Nenhum deles, porém, teve o mesmo destaque que Dirceu dentro dos gramados.

Após a odisseia vivida em cinco anos de Serie A por cinco clubes diferentes, Dirceuzinho voltou ao Brasil, onde defenderia o Vasco por um curto período de tempo. Entrou em atrito com o técnico Sebastião Lazaroni e atuou apenas sete vezes pelos cruzmaltinos em sua segunda passagem pela Colina. Dirceu ainda atuou nos Estados Unidos, pelo Miami Sharks, treinado pelo amigo Carlos Alberto Torres, mas decidiu retornar à Itália. Não para jogar futebol, mas sim futebol de salão, no Harvey Bologna.

Agachado, ao centro, Dirceu deu o ar da graça na amadora Ebolitana no fim da carreira
O meia chegou a atuar novamente nos gramados de futebol por alguns anos, disputando o campeonato Interregionale, equivalente à quinta divisão do Campeonato Italiano. Primeiro, na pequeníssima Ebolitana, onde foi treinado pelo ex-jogador do Fluminense Rubens Galaxe, e depois no Benevento. Foi em Eboli que o jogador fixou residência e ganhou o respeito da população local.

Como um craque do seu calibre e com três Mundiais disputados desejaria ter uma vida tão simples em uma cidade pequena do sul da Itália? Ao mesmo tempo que disputava os campeonatos amadores, Dirceu tinha uma vida de empresário na cidadezinha, e tinha uma concessionária de automóveis para aluguel. De vida pacata, virou um personagem local. Tanto é que, em 2001, o clube inaugurou um novo estádio e o batizou com o nome do jogador mais brilhante que passou pelo clube até hoje – e que, provavelmente, será o maior craque biancazzurro. Hoje, o estádio é utilizado pela própria Ebolitana e também como centro de treinamentos da Salernitana, equipe que disputa a Lega Pro.

Dirceu ainda viveu algum tempo em Ancona, onde jogou pelo time de futsal da cidade e teve um restaurante. O brasileiro também jogou no México outra vez, onde encerrou sua carreira aos 43 anos, pelo Atlético Yucatán. Seu jogo de despedida, no estádio Jalisco, em Guadalajara, teve a presença de 50 mil torcedores.

Tão amado, Dirceu se despediu da vida tão logo se despediu do futebol profissional. Em uma noite de setembro, uma semana depois de ter voltado ao Brasil, o ex-jogador retornava de uma partida de futebol com seu amigo Pasquale Sazio, que atuara com ele na Ebolitana. Seu de Dirceu foi atingido em cheio por outro, que estava em alta velocidade, fazendo um "racha". Os dois morreram na hora. Dirceu deixou três filhos e uma esposa grávida do quarto, já com sete meses de gestação. Um triste fim para um craque idolatrado por onde passou e que tinha no futebol o seu grande amor.

Veja todos os 20 gols – muitos golaços – de Dirceu pela Serie A clicando aqui.

Dirceu José Guimarães
Nascimento: 15 de junho de 1952, em Curitiba
Morte: 15 de setembro de 1995, no Rio de Janeiro 
Posição: meia
Clubes: Coritiba (1970-72), Botafogo (1973-76), Fluminense (1976), Vasco (1977-78 e 1988), América-MEX (1978-79), Atlético de Madrid (1979-82), Verona (1982-83), Napoli (1983-84), Ascoli (1984-85), Como (1985-86), Avellino (1986-87), Miami Sharks (1988), Ebolitana (1989-91), Benevento (1991-92) e Atlético Yucatán (1994-95)
Títulos: 2 Campeonatos Paranaenses (1970 e 1971) e 3 Campeonatos Cariocas (1976, 1977 e 1988)
Seleção brasileira: 44 jogos e 7 gols

Ah, Itália!

Após sofrer racismo, Gervinho deu vaga à Roma e calou idiotas no De Kuip (Goal.com)
Habemus manita. Pela primeira vez na história, a Itália consegue classificar cinco equipes às oitavas da Liga Europa – mesmo nos tempos de Copa Uefa não conseguira –, em uma semana de 100% de aproveitamento dos times do país em competições europeias. A única vez que uma nação colocou tantos times em fases eliminatórias desta competição foi em 1979-80, quando a Alemanha teve cinco times nas quartas da Copa Uefa – não existiam oitavas naquela edição do torneio. 

Em dia de recorde, outra ótima notícia: o coeficiente italiano no ranking Uefa cresce, e nesta temporada está atrás apenas do espanhol. Nessa toada, a tendência é que a distância para alemães e ingleses diminua e aumente para franceses e portugueses. Levando a competição a sério, Fiorentina, Inter, Napoli, Roma e Torino merecem um grande parabéns por estarem ajudando a Itália a ensaiar uma reação no continente.

Agora, italianos terão de mostrar força em oitavas complicadas. O sorteio não foi positivo para os times do país, e reservou além de um encontro local, partidas contra adversários muito duros. Veja a lista dos confrontos das equipes do Belpaese abaixo, e depois acompanhe a análise das partidas dos 16 avos de final.

Confronto das oitavas
Fiorentina-Roma
Wolfsburg-Inter
Napoli-Dinamo Moscou
Zenit-Torino

Feyenoord 1-2 Roma
Não há sentimento melhor do que poder calar a boca de quem tenta te humilhar por sua condição. Após sofrer um insulto racista – atiraram-lhe uma banana inflável –, Gervinho foi o autor do gol que deu à Roma a classificação sobre o Feyenoord. O duelo que valia vaga para as oitavas de final já era tenso, por causa da arruaça causada por hooligans holandeses no jogo de ida – um quebra-quebra que danificou monumentos históricos no centro da capital italiana –, e piorou em Roterdã. A partida foi interrompida por algumas vezes, sempre por causa de objetos arremessados ao campo. Além da banana inflável que tentou intimidar o atacante marfinense – que, aliás, também marcou no jogo de ida –, muitos torcedores do Feyenoord jogaram isqueiros, sinalizadores e outros objetos sobre jogadores romanos e sobre o árbitro Turpin. O time holandês deve receber, merecidamente, grave punição da Uefa.

Falando sobre futebol, a Roma de Garcia foi superior ao Feyenoord de Rutten. No primeiro tempo, Totti acertou a trave e outras chances foram criadas. Porém, somente após o episódio da banana é que a Roma chegou ao gol. Quase na hora do intervalo, Torosidis cruzou e Ljajic completou – na comemoração, saudou Gervinho. Cerca de 10 minutos depois que o segundo tempo iniciara, Te Vrede – que substituiu o lesionado Kazim-Richards –, foi expulso por entrada sobre Manolas. O rigor excessivo do árbitro não justificava tamanha ira dos torcedores no De Kuip. Depois de quase 20 minutos de paralisação, o jogo foi retomado e, no primeiro lance, o atacante Manu, recém-entrado, empatou a partida, graças a bobeira da zaga romanista. Só que, após outra jogada criada por Torosidis, Gervinho deu o gol da vitória italiana. Vitória que poderia até ter sido mais elástica, caso chances tivessem sido aproveitadas depois do 2 a 1. (Nelson Oliveira)

Fiorentina 2-0 Tottenham
A Fiorentina garantiu sua passagem as oitavas de final da Liga Europa. A Viola venceu o Tottenham, por 2 a 0, jogando no Artemio Franchi e é um dos 16 times que ainda sonham com o título. A vitória veio com méritos e sofrimentos, afinal a primeira etapa foi dominada pelos ingleses. Depois do empate na Inglaterra, apenas a vitória classificava os Spurs que, mesmo com um time misto deu trabalho à equipe italiana. Mesmo renegado após não renovar o contrato, Neto teve nova chance no gol, por causa da lesão de Tatarusanu. Seu retorno foi um sucesso. Sem ser vazado, ele foi ligeiro para interceptar um passe de Soldado para Chadli, dentro da área, e fez boas defesas nos chutes de Eriksen e Lamela.

O alívio para Fiorentina veio no início da segunda etapa, quando Mario Gómez afastou a má fase e abriu o placar. Na falha de Fazio, Badelj colocou o atacante alemão livre para avançar e tocar na saída de Lloris. Salah teve a chance de ampliar o marcador aos 61, mas chutou em cima do goleiro francês. A redenção veio dez minutos depois, quando o egípcio, ex-Chelsea, mostrou que continua vivendo uma ótima fase e definiu o duelo, em outra falha defensiva do Tottenham. Apesar da vitória, Montella tem duas dores de cabeça pela frente. Fernández e Basanta deixaram o campo lesionados e se juntam a Borja Valero no departamento médico. (Caio Dellagiustina e Murillo Moret)

Inter 1-0 Celtic
Como não poderia deixar de ser, com muito sofrimento, a Inter passou para a próxima fase da Liga Europa ao bater o Celtic com o placar mínimo. Irregular e impreciso como sempre, o time de Mancini sofreu com os problemas defensivos no primeiro tempo, e apesar da ampla vantagem na posse de bola e finalizações, não foi capaz de dominar o adversário, com um a menos desde o final do primeiro tempo, pela expulsão de van Dijk. A equipe não conseguiu ter mais tranquilidade na condução do jogo, e poupar esforços para um março desgastante por vir, com seis partidas – duas delas eliminatórias e outras três complicadas, contra Fiorentina, Napoli e Sampdoria.

Ainda assim, Guarín, o retrato fiel desta Inter, às vezes trabalhadora e talentosa, em outras desleixada e imprecisa, decidiu com um golaço aos 88 minutos, acertando chute potente de fora da área. Antes, do fim do primeiro tempo até a metade do segundo, a Inter criou várias chances aproveitando a desvantagem adversária, mas parando em Gordon e na falta de pontaria de Shaqiri, em dia ruim, e companhia. De qualquer forma, num San Siro com menos de 40 mil pessoas, os nerazzurri fizeram o resultado e chegaram a quatro vitórias consecutivas. (Arthur Barcelos)

Athletic Bilbao 2-3 Torino
A classificação do Torino às oitavas de final da Liga Europa foi uma das maiores surpresas dessa fase da competição. A equipe italiana recebeu os bascos na semana passada e cedeu empate por 2 a 2 que complicava sua vida para o jogo decisivo - empates por 0 a 0 e 1 a 1 classificavam os espanhóis. Mas, debaixo de um dilúvio, o time de Turim fez a festa dos 2.500 torcedores que viajaram para apoiar o clube. Quagliarella abriu o placar em cobrança de pênalti, ainda aos 16 minutos do primeiro tempo e deixou a missão mais fácil.

No fim da etapa inicial, parecia que as coisas se complicariam de novo: Iraola fez aos 44 minutos, depois de falha de Molinaro. O time da casa levaria um empate que o classificava para os vestiários e poderia, debaixo de muita água, administrar o jogo na etapa final. No entanto, um gol salvador de Maxi López, porém, acabou com esse sonho do Athletic. O argentino fez 2 a 1 para o Torino nos acréscimos do primeiro tempo e deixou mais tranquila a vida dos granata. No segundo tempo, De Marcos empatou de novo, mas não demorou para que Darmian fizesse 3 a 2, com um belo sem pulo. O time de Ventura suportou a pressão final e garantiu uma classificação muito comemorada para as oitavas de final da competição europeia. Aliás, o trabalho do treinador merece ser louvado, já que ele perdeu suas principais peças, Immobile e Cerci, e soube reconstruir o time técnica e mentalmente. Nunca nos últimos anos se viu um Toro tão seguro e capaz de reverter duas igualdades em pouco tempo. (Rodrigo Antonelli)
Napoli 1-0 Trabzonspor
No jogo mais xoxo de toda a tarde europeia, o Napoli poderia perder em casa por três gols de diferença que mesmo assim estaria classificado às oitavas da Liga Europa. Benítez ainda escalou alguns titulares, como Higuaín, e deu minutos a quem vinha jogando pouco. No início do jogo, De Guzmán acabou com a brincadeira e fez o gol que definiu a partida e só fez as pessoas pensarem que o apito final poderia ser soado aos 19 da primeira etapa. (NO)

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Brasileiros no Calcio: Evair

Evair chegou à Atalanta em 1988, formou parceria com Prytz e Strömberg (foto), mas sobretudo com Caniggia
Grande ídolo do Palmeiras, Evair completou na última semana 50 anos de idade. O ex-atacante de tanta história pelos alviverdes paulistano e de Campinas, teve também uma passagem marcante pela Itália e ajudou a alçar de patamar a Atalanta, então desconhecida internacionalmente. Nos três anos em Bérgamo, foram 76 jogos e 25 gols, o suficiente para cair nas graças da torcida e levar a equipe nerazzurra à 6ª colocação, segunda melhor posição da história da equipe na Serie A, e à disputa da Copa Uefa por duas temporadas.

O herói do fim da fila palmeirense começou sua carreira no Guarani e teve ascensão meteórica. Alçado aos profissionais por Lori Sandri, em 1984, Evair deixou o ataque para jogar no meio campo, como típico regista, seguindo os passos de seu ídolo, o holandês Marco van Basten. Sua qualidade e técnica apurada facilitaram a adaptação e também a consolidação no time de cima. Em dois anos e mesmo no meio, brigou pela artilharia do Brasileirão de 1986 com Careca, então no São Paulo. Ficou com a vice-artilharia, com 24 gols – um a menos que o são-paulino.

No ano seguinte, teve sua primeira oportunidade na Seleção Brasileira que venceu os jogos Pan-Americanos e sua consolidação no time bugrino, já chamando a atenção de equipes da Europa e da Ásia. A artilharia do Paulistão em 1988, com 19 gols e o vice-campeonato à equipe campineira decretaram o fim de sua passagem pelo Guarani. O destino, a Atalanta, equipe que acabara de conquistar o acesso à Serie A com a 4ª colocação na segundona.

Com a ambição de se fixar novamente na primeira divisão da Bota, a Atalanta tinha como destaques os meias Glenn Strömberg, Cesare Prandelli e Valter Bonacina. Para se reforçar na elite, o time comandado pelo agora folclórico treinador Emiliano Mondonico trouxe como principais reforços o meia Robert Prytz, que faria dupla sueca com Strömberg, e também Evair, que teria a incumbência de comandar o ataque.  

Se Strömberg, peça fundamental do acesso em 1987-88, continuava tendo importância, Evair logo tratou de se tornar o nome do time e começar a se tornar o Matador. Com 11 gols – 10 deles na Serie A – na temporada de estreia em solo estrangeiro, o brasileiro foi o artilheiro do time na campanha que acabou com a 6ª colocação, à frente de Fiorentina, Roma, Lazio e Torino, e a vaga para a Copa Uefa – algo inédito na história atalantina. Os destaques de Evair foram os gols sobre a campeã Inter, a Roma e, sobretudo, o gol no final do jogo que valeu uma preciosa vitória sobre a Juventus, em Turim. Na mesma temporada, a Atalanta foi até as semifinais na Coppa Italia, quando acabou eliminada pela futura campeã, a Sampdoria de Roberto Mancini, Gianluca Vialli e Toninho Cerezo.

Na segunda temporada na Lombardia, Evair ganhou um companheiro de peso para ajudá-lo a guiar o time na Copa Uefa. Foi contratado, junto ao Verona, o atacante argentino Claudio Cannigia, que formou com o brasileiro a principal dupla de ataque da história da equipe de Bérgamo. Na primeira temporada da dupla, o sonho continental parou ainda na primeira fase, contra o Spartak Moscou. Na Serie A, Caniggia foi mais importante, mas Evair seguiu tendo peso e anotou cinco gols na campanha que levou novamente a Dea à Copa Uefa, com a conquista do 7º lugar.

Após a Copa de 1990, com o sucesso de Caniggia em campos italianos e o vice-campeonato mundial, a dupla cresceu ainda mais e chegou a seu auge. Era uma temporada de mudanças, já que Cesare Bortolotti vendera o clube para Antonio Percassi, ex-jogador orobico, que foi presidente até 1994 e que voltou ao comando dos nerazzurri em 2010. O comando técnico também mudara: Emiliano Mondonico deu lugar a Pierluigi Frosio, que comandou o time por metade da temporada – Bruno Giorgi foi contratado para seu lugar.

Naquele ano, Evair marcou o seu maior número de gols pela Atalanta. Foram 14 ao todo, 10 na Serie A, dois na Coppa Italia e mais dois na Copa Uefa. Na competição continental, o time caiu nas quartas de final no duelo local contra a Inter, que se sagraria campeã, mas Evair caiu ainda mais nas graças da torcida, ao marcar contra Dinamo Zagreb e Fenerbahçe, nas duas primeiras fases. No entanto, após 89 jogos e 30 gols (veja todos os gols do atacante pela Atalanta) vestindo nerazzurro, aquela seria a última temporada do brasileiro em Bérgamo.

Apesar da vontade de permanecer mais um ano, até o final de seu contrato, Evair sentia saudade do Brasil – por isso, foi apelidado pela torcida de "o artilheiro triste". Mesmo sendo um dos principais brasileiros em atividade na Itália, em 1991, o atacante optou por ganhar menos na América do Sul e deixou a Lombardia para realizar o desejo de voltar a seu país e fazer parte de um “novo Palmeiras”, numa troca pelo atacante Careca Bianchesi mais uma contrapartida de US$ 700 mil, mostrando que a época de ouro bergamasca estava chegando ao fim. Não é preciso dizer quem se deu melhor nessa história...

Enquanto Bianchesi passaria apenas um ano no clube e a Atalanta chegaria a amargar o rebaixamento na temporada 1993-94, Evair já havia superado problemas físicos e com treinadores, se tornado ídolo e símbolo do Palmeiras, vencido dois Campeonatos Paulistas e estava prestes e vencer seu segundo Campeonato Brasileiro. Virou ídolo de um time histórico no Palmeiras, ao lado de Edmundo, e por pouco não participou da campanha do tetracampeonato mundial do Brasil, em 1994.

Evair ainda rodaria por Japão e pelo Brasil, defendendo diversos times, com destaque pela passagem pelo Vasco, onde reeditou a dupla mortal com Edmundo e se sagraria novamente campeão brasileiro. Nesse tempo, nunca deixou de ser idolatrado pelos italianos – como mostra este vídeo da chegada triunfal do brasileiro e de Caniggia em uma festa promovida pela Atalanta – e pelos oriundi alviverdes.

Evair Aparecido Paulino
Nascimento: 21 de fevereiro de 1965, em Campinas 
Posição: atacante 
Clubes: Guarani (1985-87), Atalanta (1988-91), Palmeiras (1991-94 e 1999), Yokohama Flugels (1995-96), Vasco (1997), Atlético-MG (1997), Portuguesa (1998), São Paulo (2000), Coritiba (2001), Goiás (2002) e Figueirense (2003).
Títulos: Campeonato Paulista (1993, 1994 e 2000); Campeonato Brasileiro (1993, 1994 e 1997); Campeonato Japonês (1995), Copa Libertadores (1999); Jogos Pan-Americanos (1987).
Seleção brasileira: 10 jogos e 2 gols 

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Inteligência para findar a série ruim

Morata participou dos dois gols da Juve contra o Dortmund (La Presse)
Texto de Murillo Moret
 
Chiellini viu a bola chegar, levantou uma das pernas e não conseguiu se manter em pé. Em cinco segundos o zagueiro da Juventus estava caído no gramado, de cabeça baixa, e lamentando a perda da posse. Em dez, o alemão Reus saiu para comemorar o gol de empate em Turim. O trecho, acontecido no primeiro tempo, representa o único momento de lapso do bianconero em casa. A Juventus soube jogar de forma bastante inteligente para vencer o Borussia Dortmund por 2 a 1, na primeira perna das oitavas de final da Liga dos Campeões.

Antes de Reus balançar a rede, Tévez deixou sua quarta marca na competição depois de um vacilo de Weidenfeller. Morata puxou o contra-ataque pela esquerda, parou, avançou novamente para dentro da área e chutou cruzado. O goleiro do Borussia soltou a bola no meio da pequena área e Schmelzer não conseguiu bloquear a finalização do argentino. Ainda no primeiro tempo, a mesma dupla juventina, com Pogba como intruso, combinou para o segundo gol. Tévez passou, o francês cruzou e Morata, no meio da área, bateu bonito na bola para tirar Weidenfeller do lance.

A estratégia pensada por Max Allegri para a partida desta terça-feira foi ceder a posse de bola ao adversário e puni-lo no contra-golpe - o primeiro gol foi iniciado dessa forma. “Para quebrar o Borussia, você precisa de técnica, precisão e intensidade”, declarou no pós-jogo. A Juve trancou o meio de campo e criou oportunidades nos espaços deixados pelo rival.

Decerto, o time de Dortmund armou jogadas de ataque que levou certo perigo ao gol de Buffon - uma finalização prematura de Immobile, no primeiro tempo, e Mkhitaryan, na etapa final. Principalmente porque o combate a Gündogan não foi bem realizado. Entretanto, mesmo com toda a posse de bola no tempo complementar, o Borussia foi punido pela velocidade dos meio-campistas juventinos. Essa é a chave para a partida de volta.

O retrospecto recente da Velha Senhora fora de casa na Liga não é bom. São apenas quatro vitórias nos últimos 16 jogos. A Juventus descobriu os métodos para acabar com a série ruim, na Alemanha. Sem Pirlo (machucado na etapa inicial), Marchisio, Pogba e Pereyra deram trabalho para o setor defensivo. Com o auxílio de Tévez e Morata - nenhum atacante se fixou em qualquer posição -, Gündogan, Sahin, Ginter, Hummels, Sokratis, Kirch e Schmelzer tiveram de correr demais (muitas vezes, “de menos”) para interromper a fluidez ofensiva italiana. 

Além de fazer a bola correr entre as linhas do Borussia, a Juve viu que é possível vazar os alemães pelo alto. Algo outrora complicado com Hummels e Subotic, não foi raro o bianconero vencer a disputa depois da cobrança de escanteio. Chiellini, por muito pouco, não balançou a rede para melhorar a situação após uma excelente partida em Turim.

Juventus 2-1 Borussia Dortmund
Gols: Tévez 13’, Reus 18’, Morata 42’.

Juventus: Buffon; Lichtsteiner, Bonucci, Chiellini e Evra; Marchisio, Pirlo (37’ Pereyra) e Pogba; Vidal (86’ Padoin); Morata e Tévez (89’ Coman). T: Max Allegri

Dortmund: Weidenfeller; Piszczek (32’ Kirch), Hummels, Sokratis (46’ Ginter) e Schmelzer; Gündogan e Sahin; Aubameyang, Reus e Mhkitaryan; Immobile (76’ Kuba). T: Jurgen Klopp

24ª rodada: O retorno da Inter?

Icardi marcou o gol que decidiu o confronto a favor da Internazionale (Corriere dello Sport)
Em uma rodada bastante picotada, com jogos de sexta a terça, a Serie A teve mais uma vez o distanciamento da Juventus sobre a Roma, algo que já vinha se desenhando nos últimos meses. No entanto, a notícia que mais pode ser considerada surpreendente nesta semana, que também teve adiamento do dérbi de Gênova e o da partida entre Parma e Udinese, é o crescimento da Inter, que começa a encostar no pelotão de cima da tabela. Acompanhe o resumo da rodada.

Cagliari 1-2 Inter
Pela primeira vez na temporada, a Inter conseguiu atingir a marca de três vitórias consecutivas – na verdade, pela primeira vez desde 2012. Após tanto tempo de irregularidade, triunfos em sequência são novidade para a equipe treinada por Mancini. O que não é novidade é que o time sofre demais na defesa, e por isso quase jogou no lixo os três pontos conquistados na Sardenha. De qualquer forma, o time evolui, e vai se mostrando cada vez mais apto para brigar por uma vaga em competição europeia. Hoje, a Inter ocupa a 8ª posição, quatro pontos atrás da Fiorentina, 5ª colocada. A vantagem pode diminuir na semana que vem, caso os milaneses vençam o confronto direto, no Giuseppe Meazza.

O primeiro tempo contra o Cagliari foi um dos melhores dos nerazzurri em toda a temporada. O time foi propositivo, dominou as ações e, mesmo que o Cagliari tenha importunado, foi a Beneamata que poderia ter aberto o placar, com Guarín, um impreciso Podolski e com Brozovic e Icardi, bloqueados por Brkic e Avelar. O gol chegou logo após o intervalo, quando Kovacic – de volta ao time titular após quatro jogos no banco – aproveitou sobra de bola e chapou para a rede. Se no primeiro tempo era Santon que dava trabalho a Dessena, na segunda etapa foi M'Poku, o melhor dos rossoblù, quem atordoou a defesa interista no segundo, sempre com jogadas de muita habilidade e perigo. Aos trancos e barrancos, a Inter se salvava, e Carrizo trabalhava bastante. Até que Icardi fez sua parte e marcou um golaço. Depois, os visitantes viram Longo chutar na trave e contar com as costas de Carrizo para descontar. O sofrimento foi grande, com uma enorme blitz do Cagliari, mas desta vez a Inter segurou o resultado até o fim – e ainda viu Hernanes carimbar a trave no último lance. (Nelson Oliveira)

Juventus 2-1 Atalanta
A expressão de Llorente durante os 35 minutos iniciais do jogo contra a Atalanta dizia tudo: o atacante, que teve mais uma oportunidade de começar a partida, perdia posses de bola em demasia e, quando concluía a gol, era freado pelo goleiro (no caso, Sportiello). O tento chorado aos 39 minutos do espanhol empatou o jogo. Pirlo, com uma finalização maravilhosa de fora da área, deixou a Juventus na liderança da partida antes do intervalo.

O segundo tempo teve uma intensidade menor em comparação aos outros 45 minutos. Mesmo assim, Sportiello negou os gols de Pogba e Coman, Masiello teve participação decisiva ao desarmar Morata dentro da área, em contra-ataque, e Boakye quase empatou o jogo na reta final do confronto. A Juve precisa se preocupar exatamente na bola parada. O gol sofrido no primeiro tempo, de Migliaccio, foi oriundo de uma cobrança de escanteio. Cuidado com o Borussia Dortmund, na Champions. (Murillo Moret)

Verona 1-1 Roma
A Roma não se cansa de empatar na Serie A. Nas últimas cinco rodadas, foram quatro igualdades no placar. Assim, a equipe da capital caminha em direção a mais uma temporada decepcionante para os torcedores. No início do campeonato, a briga pelo scudetto com a Juve parecia que seria acirrada, mas a Velha Senhora já soma nove pontos de frente e, cada vez mais, a briga da Roma parece ser para se garantir na zona de classificação para a Liga dos Campeões, uma vez que o Napoli está apenas três pontos atrás. Contra o mediano Verona, que vinha de quatro derrotas consecutivas, os giallorossi perderam a chance de retomar o bom momento e vislumbrar coisas melhores exatamente na rodada anterior ao confronto direto contra a Juve, que ocorre segunda-feira que vem.

O time de Rudi Garcia até jogou bem durante a maior parte do tempo, mas pecou na finalização. Foram 12 chutes contra o gol de Benussi e apenas um balançou as redes - um de Totti, em ótima finalização de fora da área. Enquanto isso, o Verona precisou de apenas duas tentativas para completar uma - com Jankovic - e ficar com o empate que lhe vale tanto. O ponto conquistado foi importante para deixar a equipe de Mandorlini a uma distância segura da zona de rebaixamento. São cinco pontos agora. Já a Roma se concentra para enfrentar a Juve, na próxima rodada, buscando uma vitória que pode não valer tanto quanto antes. (Rodrigo Antonelli)

Napoli 2-0 Sassuolo
A cada rodada o Napoli dá mais um passo para assumir a segunda colocação da Serie A. Aproveitando-se do tropeço da Roma, a equipe napolitana venceu, nesta segunda, o Sassuolo, por 2 a 0, no San Paolo e chegou aos 45 pontos, três a menos que a equipe da capital. Mesmo com as atenções divididas com a Liga Europa, Rafa Benítez entrou em campo com força quase máxima, o que não impediu que o primeiro tempo fosse fraquíssimo. Poucas oportunidades ofensivas e duas lesões nos defensores do Sassuolo representaram tudo o que foi a etapa inicial.

No segundo tempo, o Napoli voltou mudado e conquistou a vitória. Ocupando a vaga de Higuaín, suspenso, o sempre tão criticado Zapata abriu o placar. Aos 10, o colombiano recebeu na entrada da área, disputou com três defensores e na segunda oportunidade, chutou forte no canto de Consigli. Minutos depois, o próprio Zapata recebeu na área e deu belo passe para Hamsík, que ampliou o marcador. Depois de ter entrado bem na partida, Mertens cometeu falta tola e foi expulso, deixando o Napoli com um a menos nos minutos finais. Nada que fizesse o Sassuolo sequer ameaçar o gol de Andújar. (Caio Dellagiustina)

Lazio 2-1 Palermo
Após duas vitórias consecutivas, a Lazio já volta a sonhar com a Liga dos Campeões. Com a vitória sobre o Palermo, no Olímpico - e o empate da Fiorentina com o Torino, em casa -, a equipe de Pioli vai aos 40 pontos e pula para a quarta posição na tabela, cinco pontos atrás do Napoli, terceiro classificado à principal competição europeia, por enquanto. O Palermo, por sua vez, permanece na oitava colocação, com 33 pontos, e continua com esperanças de lutar pela Liga Europa, seu sonho máximo na temporada.

E os rosanero até saíram na frente no placar. Aos 26 minutos, Dybala contou com erro grotesto do brasileiro Maurício, superou Marchetti e fez 1 a 0 para os visitantes. A Lazio, porém, era melhor em campo e não demorou para empatar. Mauri, que voltava ao time, fez aos 33 minutos da etapa inicial. No segundo tempo, o Palermo tentou surpreender a Lazio, com início intenso, mas esbarrou em boas defesas de Marchetti. Depois, os donos da casa voltaram a dominar e conseguiram a vitória em grande lance de Candreva, aos 33 do segundo tempo. Melhor em campo, ele comemorou com a torcida e despejou esperanças de um fim de temporada mais emocionante para os laziale – apesar de ter se machucado na celebração. (RA)

Milan 2-0 Cesena
Sem show, mas também sem sustos. O time de Inzaghi, experimentando mais um sistema, dessa vez o 4-3-1-2, velho conhecido dos rossoneri, foi consistente na defesa, estreando a dupla Rami e Bocchetti, e criou oportunidades de gols a partir do talento e combinações de Poli, Montolivo, Bonaventura e Ménez. Aproveitando tropeços de Palermo e Torino, a vitória deixa o Milan com 33 pontos, mas ainda na indigesta 9ª colocação, a seis pontos da Fiorentina. E o Cesena, apesar das duas vitórias recentes e o empate com a Juventus, está cada vez mais próximo da Serie B, quatro pontos atrás do Cagliari, primeiro na zona de rebaixamento, e sete longe da Atalanta, primeira fora da zona.

Apesar do gol anulado de Poli logo no início, o jogo se arrastou e demorou para ter maiores emoções. E nem mesmo o gol de Bonaventura aos 22, após roubada de Antonelli e jogada de Ménez, serviu de ânimo, com o Milan se acomodando e o Cesena incapaz de levar grande perigo. Apenas no fim do primeiro tempo e início do segundo as oportunidades mais claras de gol apareceram, mas sem que as redes fossem balançadas. Isto só voltou a acontecer aos 90, após pênalti inexistente marcado a favor do Milan, convertido por Pazzini, que fez seu primeiro gol nesta Serie A. (Arthur Barcelos)

Fiorentina 1-1 Torino
O confronto de duas boas sequências na temporada não teve um vencedor: 1 a 1 entre Fiorentina, de 10 jogos sem derrota, e Torino, com 12. Os gols saíram apenas no segundo tempo, apesar da boa intensidade em todo o jogo, que teve chances para as duas equipes marcarem – na principal delas, Babacar perdeu pênalti aos 9 minutos de jogo. Próximo do final da partida, Salah combinou com Gilardino para sair na frente de Padelli e tocar na saída do goleiro. Dois minutos mais tarde, aos 87, Vives, no rebote de Tatarusanu em finalização de Maxi López, deixou tudo igual.

O goleiro da Fiorentina iniciou a partida longe de ter condições físicas ideais - ele sofre de uma lombalgia. O departamento médico do clube, após a partida, vetou a participação de Tatarusanu nos treinamentos durante os próximos 10 dias. Dessa forma, Neto foi reintegrado ao grupo. Em janeiro, o brasileiro não assinou a renovação de contrato - que termina em junho - e foi chamado de “traidor” pelo presidente Andrea Della Valle e o técnico Vincenzo Montella. (MM)

Sampdoria 1-1 Genoa
Primeiro, a frustração: por causa da chuva, o dérbi de Gênova, que deveria ter acontecido sábado, foi adiado para esta terça-feira. Depois, uma partida emocionante, como costumam ser as disputadas por Sampdoria e Genoa, mas sem o mesmo (grande) nervosismo de outros tempos. Uma partida que tem apenas dois gols marcados nos minutos iniciais e que não tem cartão vermelho não é bem a cara do confronto. Mesmo assim, não faltou emoção na partida que marcou o encontro da 6ª e 7ª colocadas, agora empatadas com 36 pontos.

Ainda no primeiro tempo, com menos de 20 minutos já haviam sido marcados dois gols. O Genoa, que começou melhor, saiu na frente com Iago, depois de boa jogada construída e cruzamento rasteiro de Niang. No lance seguinte, porém, Roncaglia deu um presente para Éder, que não desperdiçou. A partida foi parelha, mas logo depois de empatar, a Samp cresceu no jogo, e Okaka e Obiang perderam as mais claras oportunidades, na cara do gol – o atacante, pior, estava dentro da pequena área. No lance final do jogo, Regini cometeu falta desnecessária e quase viu seu time tomar gol, não fossem o travessão e Viviano. O técnico Mihajlovic, revoltado, quase agrediu o jogador após o apito final. (NO)

Empoli 3-0 Chievo
Depois de tantos tropeços, falta de gols e vacilos em casa, enfim o Empoli faz uma sequência de respeito, contra adversários grandes e exibições que geram bons resultados. Dessa vez, como contra o Cesena, vitória importante contra um adversário na briga contra o rebaixamento, que agora está a sete pontos distante. E o Chievo, que vinha de duas vitórias seguidas, sofre um baque, mas pode se tranquilizar porque quem está atrás perde tanto quanto, e todos tropeçaram nesta rodada.

Mais criativo, dominante e objetivo, o Empoli fez o jogo de sempre na Toscana, tendo o domínio da posse de bola, e sendo sempre superior e perigoso nas bolas paradas. Dessa vez, foi a jovem promessa Rugani, quase realidade após 24 jogos na Serie A, quem abriu o placar, em jogada que partiu dos pés de Valdifiori, que tem superado até Pirlo na temporada no número de assistências. Apesar de um Saponara muito agressivo, foi Maccarone quem ampliou e definiu a vitória. Primeiro logo após o intervalo, em grande jogada de Vecino, e depois novamente com assistência de Vecino. Com isso, o atacante chegou a sete gols, além de cinco assistências, em 21 partidas. (AB)

Parma-Udinese
Jogo adiado pela grave crise financeira do Parma.

Relembre a 23ª rodada aqui.
Confira estatísticas, escalações, artilharia, além da classificação do campeonato, aqui.
Seleção da rodada
Padelli (Torino); Rugani (Empoli), Rodríguez (Fiorentina), De Maio (Genoa); Candreva (Lazio), Acquah (Sampdoria), Pirlo (Juventus), Bonaventura (Milan); Maccarone (Empoli), Zapata (Napoli), Icardi (Inter). Técnico: Rafa Benítez (Napoli).

O caos outra vez

"Fechado por roubo": torcida do Parma protesta com cartazes no estádio Tardini,
que deveria receber jogo contra Udinese (La Repubblica)
Atualizado em 19 de março: O Parma faliu. Time continuará jogando a Serie A até o final da temporada e aguarda novo comprador, que será definido em leilão. O clube já está sendo administrador por dois interventores, que ficam no comando até novo comprador aparecer. Se o novo dono assumir as dívidas antes da inscrição do time na próxima temporada, a equipe continuará na divisão em que estiver: na primeira, caso se salve, ou na segunda, caso seja rebaixado em campo. Em caso contrário, o Parma recomeçará em divisões amadoras. A dívida oficial do Parma supera 218 milhões de euros, sendo 74 milhões da parte esportiva. Entenda mais sobre a situação lendo o texto.

Maio de 2014. O Parma fechava a Serie A em 6º lugar e garantia a vaga para a Liga Europa. Uma alegria que durou pouco, pois dias depois o Parma teve sua licença Uefa negada por atraso no recolhimento do imposto de renda dos seus empregados, e teve de ceder sua vaga ao Torino. Um fato que na época foi tida como estranho pelo então presidente do clube, Tommaso Ghirardi, e que anteciparia a profunda crise pela qual o clube atravessa atualmente, que fez com que o clube fosse vendido duas vezes, jogadores – sem receber salários a oito meses – debandassem e que até mesmo uma partida fosse adiada. A falência do Parma, pela segunda vez em onze anos, é questão de tempo. Um rumor correu as redes sociais neste sábado, mas o clube ainda não selou o seu provável destino.

A situação atual do clube parmense beira o surreal. Em dois meses, o clube foi vendido duas vezes ao preço simbólico de 1 euro, e teve três diferentes donos – além de Ghirardi, Rezart Taçi, por alguns dias, e o atual, Giampietro Manenti (atualizado em 19 de março: Manenti foi preso no dia 18 por utilizar o clube em um esquema de lavagem de dinheiro; saiba mais aqui). As vendas por esse valor faziam com que os compradores se comprometessem a sanar as dívidas do clube, que giram em torno de 197 milhões de euros, algo que não foi cumprido. Na última semana, prazo máximo para o pagamento de parte dos débitos, nada aconteceu, e por falta de dinheiro em caixa – especula-se que o Parma tenha apenas cerca de 40 mil euros em sua conta – e por questões de segurança, a partida entre a equipe crociata e a Udinese seria disputada com portões fechados – os jogadores, que, assim como todos os empregados do clube, não recebem salários há oito meses, decidiram não entrar em campo. 

A situação é tão crítica que Hernán Crespo, ídolo do clube em seu momento mais glorioso e atual treinador das categorias de base, denuncia que não há nem mesmo água quente nos chuveiros do clube – veja depoimento aqui. Pietro Leonardi, diretor-geral do clube, também já foi levado ao hospital duas vezes em duas semanas, por acúmulo de stress.

Neste domingo, Carlo Tavecchio, presidente da Federação Italiana de Futebol – FIGC, confirmou que busca acordo com a Liga da Serie A para que a instituição empreste ao clube dinheiro para quitar débitos até junho. Isso, no entanto, não anula a provável falência do clube. É apenas um instrumento para evitar que, por regulamento, as próximas 15 partidas do time sejam decididas no tapetão – caso o clube venha a falir e abandone o campeonato no segundo turno, todas as partidas anteriores serão mantidas e, as seguintes, terão como resultado um 3 a 0 por W.O. 

O pedido de bancarrota do Parma deve ser formalizado até março, para a tentativa de garantir o clube na próxima Serie B. Há uma audiência marcada para o dia 19 deste mês, mas a pressão para acelerar o processo é grande. A não ser, claro, que as promessas de Manenti, novo presidente do clube, sejam cumpridas.

Ele, que é sócio-majoritário do Mapi Group, empresa de serviços com sede na Eslovênia, garante ter 100 milhões de euros e "um projeto de dar medo" para salvar o time. Porém, até agora não apresentou documentos importantes, declarou que ainda não se inteirou completamente sobre as dívidas do clube e diz que está tendo dificuldades burocráticas para transferir o montante de dinheiro do exterior para o país – diretores do clube já deram declarações confusas sobre a origem das verbas e sobre quando (e se) elas poderiam chegar. 

De qualquer forma, o torcedor do Parma não tem como ficar tranquilo. Além de todos os atrasos, desencontro de informações e resultados negativos em campo, o histórico do presidente Manenti não é nada bom. Ele já tentou comprar uma empresa de serviços postais e o Brescia, mas na hora de depositar os valores acertados, desapareceu – ele garante que fez a transferência, mas que as transações não foram concretizadas. No Tardini, com as muitas promessas e os poucos fatos, jogadores e membros da comissão técnica já declararam não ter confiança alguma no mandatário (?) do clube. De acordo com a segunda lei de funcionamento do universo, a da entropia, o caos atrai mais caos. Parece verdadeiro.

O último momento de alegria do Parma, em maio de 2014 (Getty Images)
As perguntas que não querem calar

1 - O que deve acontecer ao Parma nos próximos meses e qual a solução mais provável?
Considerando que até hoje os fundos prometidos por Manenti não chegaram e o histórico do empresário, o mais provável é que o Parma declare falência em breve. Federico Pizzarotti, prefeito de Parma, pressiona junto à FIGC e Liga da Serie A pela "falência controlada" do clube. Prefeitura, liga e federação estão entre os credores do clube, e sabem que uma falência desta forma seria útil para todos os envolvidos. Os jogadores ducali e a Associação de Futebolistas da Itália – AIC também apoiam esta solução, o que evitaria boicotes às partidas, como salientou o capitão da equipe, Alessandro Lucarelli, 37 anos e desde 2008 no clube, em entrevista à Gazzetta dello Sport.

“Eles precisam saber que não garantimos nada a ninguém. Se não nos sentirmos protegidos, estamos preparados para boicotar os jogos. Ficaremos em campo por 10 minutos e sairemos. Eles estão brincando com a vida das pessoas, é preciso mais respeito. Eles nos deixarão morrendo aqui? Bem, então morreremos juntos. Mostramos o quão profissionais nós somos, incluindo no último domingo, quanto tiramos pontos da Roma. Defendemos a nossa dignidade e a dos nossos torcedores. Desde novembro, ninguém tem discutido futebol nos vestiários. Você tenta se preparar a um jogo nessas condições. Queremos provar que somos moralmente irrepreensíveis”, disse o jogador – tradução livre feita por Leandro Stein, da Trivela, que transcreveu entrevista que vale ler por inteiro, também para conhecer mais de Lucarelli, desde cedo envolvido com questões políticas.

A falência controlada presume que o pedido de bancarrota do clube seja feito com a temporada ainda em andamento – o que deve acontecer até meados de março –, e concluído apenas no final do campeonato em exercício. Pode ser pedido pelos credores, requerido pela procuradoria local ou pelo proprietário do clube. Esta estratégia garante o principal: que o Parma, uma instituição centenária, não deixe de existir. 

Com o pedido de bancarrota do clube acontecendo em março, o clube manteria seu registro de funcionamento, conquistas esportivas, patrimônio e dívidas, e seria tutelado temporariamente por um interventor nomeado pelo judiciário local. Este interventor investigaria as contas do clube em busca de fraudes ou indícios de má gestão, para que se possa identificar os culpados pela tragédia. Ao mesmo passo que o interventor cuidaria de fazer uma devassa nos documentos do clube, um empresário ou um grupo de pessoas precisaria assumir as tarefas administrativas do Parma, sendo responsável por tocar o clube, pagando as despesas.

Após este período provisório, a equipe vai à venda em leilão, com o prazo máximo de compra até meados de junho deste ano, para que haja tempo de inscrever o clube em qualquer divisão do futebol local. Obviamente, o comprador se compromete a pagar todas as dívidas contraídas pelas gestões anteriores. Caso a falência não ocorra desta forma, o Parma precisará começar do zero, do amadorismo – algo entre a sexta e a sétima divisões da Bota.

Se a falência dirigida realmente acontecer, é o melhor dos cenários para a comunidade parmiggiana e mesmo para a Serie A. Levando em conta o empréstimo feito pela liga, o Parma jogaria as partidas que restam, preservando a idoneidade do campeonato, que não teria uma série de cotejos decididos no tapetão. Isto deixaria a tabela marcada por asteriscos, e falseada, de certa forma, afinal seriam dados automaticamente três pontos a todos os seguintes adversários do Parma, influenciando na tabela – vale lembrar que os ducali conquistaram 11 pontos no campeonato, e ainda poderiam tirar pontos de outros times.

A decisão por uma falência deste gênero ajudaria a desvalorizar menos o produto Serie A, já tão combalido por tantos problemas dentro e fora dos gramados. Contratos futuros poderão ser negociados a preços melhores e, para o atual contrato de TV, federação, liga e clube não precisariam arcar com eventuais processos por descumprimento de acordos de transmissão de jogos – afinal, 15 partidas envolvendo os crociati e outros clubes deixariam de ser exibidas, provocando prejuízos. Torcedores que compraram carnês anuais, os abbonamenti, também poderiam vir a processar as nstituições, se o time deixar de jogar as partidas restantes em casa. Da mesma forma que o acordo evitaria prejuízos, o Parma continuaria gerando receita nas 15 partidas seguintes, algo impossível de acontecer se o clube não jogasse. 

Por fim, ao lado do presunto e dos laticínios, o clube é um patrimônio da cidade e interessa à prefeitura salvá-lo. O prefeito Pizzarotti tenta reunir empresários locais para salvar uma empresa que mostrou mais da pequena cidade emiliana para o mundo a partir dos anos 1990. Caso obtenha êxito, o esforço será uma grande mostra de que o orgulho local foi ferido mais uma vez por irresponsáveis aventureiros.

2 - Como um clube faliu de uma hora para outra e como mudou de dono tantas vezes em tão pouco tempo? Quem deve ser responsabilizado pela tragédia?
Talvez seja o nó mais difícil de ser entendido em todo o caos parmiggiano. Liga e Federação negaram ao Parma a licença Uefa em 2013-14 por uma questão de não recolhimento de impostos, mas a equipe foi inscrita regularmente nesta edição da Serie A. Segundo comunicado da liga – no qual a instituição tira o corpo fora e diz ter todos os mecanismos necessários para aferir se as equipes estão aptas ou não a jogarem o campeonato – o time foi inscrito porque não apresentava débitos até o momento. Como, então, de uma hora para outra, o Parma chegou nesta situação?

Segundo Lucarelli, os primeiros sintomas de que algo andava mal no Parma apareceram há dois anos. “Nos últimos dois anos, o clube começou a ter como hábito pagar os nossos salários no último dia possível, e isso nos deixou em alerta. Percebemos que havia problema de liquidez no clube, algo comum nestes tempos de crise na Itália. Em novembro (quando os salários não eram pagos há quase quatro meses e a equipe já havia sido penalizada em um ponto), Ghirardi foi aos vestiários e contou que não estava pagando os salários porque negociava a venda do clube a Taçi, mas isso não vingou. Eu o disse que era o presidente ainda e que deveria pagar os nossos salários, mas ele respondeu que não colocaria mais um euro no Parma. Neste momento, o encontro ficou tenso. Sentimos que fomos traídos por Ghirardi. A culpa disso tudo é dele. Ele disse que nós o agradeceríamos por ter vendido o clube a Taçi, pessoa que nunca vi no clube. Agora lhe mando um muito obrigado em nome de todo o time”, explicou.

Ghirardi, que dirigiu o Parma por sete anos, havia decidido vender o clube após a negação da licença Uefa. Demorou quase seis meses para que a promessa fosse cumprida, mas, retroativamente, podemos pensar em algumas questões. Primeiro, Ghirardi decidiu se livrar do "brinquedinho" quando viu que ele não estava mais dando lucro ou depois de se beneficiar do clube? Há uma investigação em curso na Itália que visa descobrir se uma antecipação de crédito de 1 milhão de euro, feita a um banco na gestão Ghirardi, foi selada com assinaturas falsas – o ex-dirigente garante ser estranho aos fatos.

É importante, também, investigar como o Parma consegue manter sob contrato mais de 200 jogadores, emprestados por todo o mundo. Como é possível, sem dinheiro em caixa? As operações foram consideradas legais pelas federações dos países a que cada clube é registrado, mas guardam fortes indícios de que houve lavagem de dinheiro. Afinal, onde deveria haver lucro para a equipe cedente – isto é, o Parma –, não houve retorno. Neste caso, é necessário fazermos o nosso mea culpa, pois a gestão de Ghirardi foi elogiada por nós há quase um ano, quando tudo parecia ir bem e o Parma parecia um modelo a ser seguido por outros clubes pequenos e médios. O mea culpa da Liga e da Federação – que não aconteceu – deveria ser ainda maior, uma vez que eles tem (ou deveriam ter) acesso a documentos e planilhas que este pobre blogueiro não tem como conseguir, afinal não estão disponíveis para consulta.

Esquecendo o que foi feito nos anos Ghirardi, é inacreditável que órgãos que administrem o futebol de algum país permitam que um clube que dispute o principal campeonato local possa ser vendido duas vezes em um período de tempo tão curto, e de forma tão atribulada – com vendas simbólicas a custo de 1 euro e sem a devida homologação de documentos que finalizem o processo e salvaguardem o funcionamento do clube sem problemas.

O livre mercado no futebol, sem responsabilidade, já mostrou que a bolha cresce e estoura, e quando isso acontece, pouca coisa sobra. O futebol italiano é o melhor exemplo disso: depois dos anos de ouro, viu centenas de clubes se endividarem, boa parte deles até falirem – casos de times grandes, como Fiorentina, Napoli e o próprio Parma, 11 anos atrás. A busca pelo marcador "falência" aqui no blog mostra que o assunto é recorrente, principalmente nas divisões inferiores. Os mecanismos frouxos adotados pela FIGC ajudam, e muito, a explicar o alto índice de falências de clubes em todas as categorias do futebol local, em um número incomparável ao de qualquer grande liga do continente europeu. Federação e Liga tem, sim, sua parcela de culpa.

FIGC e Liga se defendem, afirmando que sanções como multas, perda de pontos e, no caso mais grave, a não inscrição em um campeonato e o rebaixamento a divisões são suficientes, mas o capitão Lucarelli tocou em um ponto crucial: como instituições novas e com baixíssimo capital são autorizadas a adquirir um clube da primeira divisão local? “Como uma empresa com capital de mil euros e outra com 7,5 mil podem comprar um time da Serie A? Qual a credibilidade que o futebol italiano que passar ao resto do mundo? Temos sido fantoches no Parma, mas agora queremos assegurar que essa situação nunca mais aconteça. As regras precisam mudar", criticou.

Uma auditoria mais constante e rigorosa não seria útil? Cobrar mais transparência nos gastos e ter mais rigidez no Fair Play Financeiro local também não? Afinal, uma liga tem como finalidade gerir e controlar o funcionamento do campeonato, incluindo auditorias sobre os clubes, para que más gestões não prejudiquem o todo  – o que inclui, além do campeonato e dos outros times, jogadores e funcionários das entidades envolvidas.

A má gestão dos dirigentes e os olhos fechados das autoridades para o caso não tem outro produto final: além de deixar os torcedores e sua paixão em situação vulnerável, afastam os mesmos do esporte. Dia após dia, FIGC e Liga perdem a chance de valorizar seus campeonatos, que não são vistos como produtos de grande valor. Com o atraso na mentalidade dos cartolas do Belpaese, é difícil imaginar que a Itália volte a ser uma potência europeia no esporte.

Atualização: Uma matéria de Lorenzo Vendemiale, publicada no site Il Fatto Quotidiano, revela que a FIGC já sabia que a situação do Parma era falimentar. Segundo ele, a Covisoc – Comissão de Vigilância dos Clubes Profissionais de Futebol, instrumento da federação para avaliar eventuais problemas fiscais e econômicos das sociedades, havia feito um relatório no qual indicava para "um atento monitoramento" à situação do Parma, que tinha dívidas de 70 milhões de euros – 33 deles somente com fornecedores e serviços terceirizados, que não recebiam há quase um ano, o que agora tem gerado a paralisação de atividades do clube, por corte de fornecimento, por exemplo, de água quente e não contratação de stewards.

Segundo o jornalista, a Covisoc havia descoberto o prejuízo nos balanços do clube, mas a FIGC só tirou a licença Uefa do Parma, permitindo a inscrição na Serie A devido às menores exigências da própria federação para inscrição de clubes nas séries A e B. A FIGC normalmente não tem sanções para estas questões porque este tipo de prejuízo quase sempre é sanado por investimentos dos presidentes do clube, mas principalmente devido ao fato de a federação não interferir em questões que não sejam esportivas.

3 - O que os jogadores estão fazendo?
O posicionamento dos jogadores crociati, até agora, é impecável. Primeiramente, todos seguem treinando e buscam entrar em campo semanalmente – inclusive, a equipe arrancou um empate da vice-líder Roma e, bem antes do agravamento da crise, chegou a vencer a Inter. A AIC, diferentemente da FIGC e da Liga Serie A, que apareceram apenas nas últimas semanas, vem tentado acompanhar a situação dos jogadores de perto, com receio de que haja alguma manipulação de resultados. Até agora, não houve indício de que qualquer membro do elenco ou da comissão técnica do Parma tenham tentado arranjar alguma partida.

Pelo contrário. Além de tentarem dar seu máximo em campo, os parmenses estão dando verdadeiras provas de que estão solidários a torcedores e demais empregados do clube. Foi feito um acordo interno entre os jogadores e o técnico Roberto Donadoni para que ninguém colocasse o clube na Justiça. Isso porque, caso o clube falisse e tivesse os bens bloqueados para pagar aos jogadores, mais de 200 famílias seriam prejudicadas: a dos funcionários do clube, muitos dos quais ganham cerca de 1 mil euros por mês. A atitude é louvável. Tão louvável quanto a disponibilidade dada pelo elenco de utilizar seus próprios carros para poderem ir às partidas fora de casa, como a deste fim de semana, contra a Sampdoria, em Gênova. Ao mesmo tempo, os jogadores pressionam para que a hipótese da falência dirigida, que salva a existência do clube seja concretizada.

No final das contas, as palavras do capitão Lucarelli definem o sentimento do elenco ducale. A dedicação do mais articulado dos jogadores, neste gravíssimo momento de crise, é um alento para a combalida torcida parmense.

"Mostramos o quão profissionais nós somos, incluindo no último domingo, quanto tiramos pontos da Roma. Defendemos a nossa dignidade e a dos nossos torcedores. Desde novembro, ninguém tem discutido futebol nos vestiários. Você tenta se preparar a um jogo nessas condições. Queremos provar que somos moralmente irrepreensíveis. Estou preparado para permanecer no Parma mesmo no amadorismo e continuar usando a braçadeira. O Parma está dentro de mim agora”. Dentro de todos os apaixonados pelo futebol italiano e pela responsabilidade no esporte.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Liga Europa: resumo da primeira perna dos 16 avos de final

Napoli colocou os dois pés nas oitavas da Liga Europa (Giornalettismo)
O mata-mata da Liga Europa começou com resultados majoritariamente positivos para os times italianos. Confira a análise das partidas de Napoli, Inter, Roma, Fiorentina e Torino.

Trabzonspor 0-4 Napoli
O Napoli parece que está levando a Liga Europa a sério. Na visita à Turquia, em jogo válido pela fase de 16 avos de final, os napolitanos venceram o Trabzonspor com autoridade: 4 a 0. Sem as presenças de Zúñiga, Michu e Insigne, o técnico Rafa Benítez promoveu a estreia internacional de Gabbiadini. Além dos jogadores impossibilitados de atuar, o goleiro Rafael foi preterido por Andújar após a falha grotesca na última rodada da Serie A, e também por causa de um rodízio comum na competição.

A equipe italiana foi dominante durante toda a partida. Se Higuaín teve um gol negado por Arikan no minuto inicial de jogo. O goleiro, porém, nada pode fazer na finalização de Henrique, aos 6, após rebote. O Napoli triplicou a vantagem em 20 minutos, com Pipita e Gabbiadini. O ex-jogador da Sampdoria vai mostrando porque foi a melhor contratação da janela de inverno. Nos últimos cinco confrontos do Napoli, Gabbiadini balançou a rede em quatro oportunidades. Mertens teve a chance de definir o resultado no segundo tempo, porém, chutou o pênalti (duvidoso) para fora. Zapata, no rebote de uma finalização de Callejón, marcou o quarto gol.

Os italianos encaminharam muito bem, a vaga para a próxima fase da competição. A ampla vitória ante o Trabzonspor mostrou que os napolitanos estão completamente focados no torneio. Ofensivamente, com Higuaín, De Guzmán, Martens e, sobretudo, Gabbiadini, o time mostrou uma coesão incrível. Defensivamente, a equipe também jogou bem, apesar de que, é verdade, pouco sofreu nos pés de Óscar Cardozo e Yilmaz. (Murillo Moret)

Celtic 3-3 Inter
Finalmente mostrando crescimento com Mancini, a Inter não poderia desejar melhor momento para jogar na fase final da Liga Europa, para acompanhar as vitórias no campeonato e superar a eliminação da Coppa Italia. Contudo, a atual Inter de Mancio ainda é muito inconsistente e não mantém a mesma performance durante todo o jogo. Na frente do placar por duas vezes e em 70 minutos, novamente sofreu um gol nos acréscimos e não manteve a vantagem para o jogo em Milão, ainda que tenha saído com um bom resultado e com três gols fora de casa. A "revanche" da final da Copa dos Campeões de 1967 acabou não acontecendo.

Dominante nos primeiros 20 minutos, os nerazzurri já tinham 2 a 0 com menos de um quarto do jogo, graças aos gols de Shaqiri (4’) e Palacio (13’), aproveitando vacilos defensivos dos donos da casa, o talento do suíço e o oportunismo do argentino. Mas não é fácil jogar no Celtic Park e os escoceses souberam aproveitar bem isso, mantendo o pressing e usando da força da torcida para gerar erros dos italianos. Em menos de dois minutos, aos 24’ e 25’, o jogo já estava empatado com gols de Armstrong e Campagnaro, contra. Os dois gols surgiram pela direita, com Matthews e Mackay-Steven jogando em cima de um Santon sem apoio de Kuzmanovic. Ainda contribuíram para os gols a desatenta dupla Ranocchia e Juan Jesus. Nem mesmo a cobertura de Medel e a boa partida de Carrizo foram capazes de evitar o tropeço.

A partir de então, a Inter perdeu o controle do jogo e quase levou a virada. Só que novamente um erro levou a Beneamata para frente do placar, quando após lançamento de Medel, o goleiro Gordon saiu mal e orquestrou tudo para Palacio fazer o terceiro, com gol livre, minutos antes do intervalo. Mancini, que já tinha percebido a perda do controle e deficiências defensivas, saiu do 4-3-1-2 para um 4-5-1, povoando o meio-campo e buscando mais apoio aos laterais. Manteve isso no segundo tempo, mas não foi capaz de solucionar o que tem sido o maior problema interista: a dupla de zaga Ranocchia e Juan. Com Vidic no banco e Andreolli lesionado, não pode fazer muito e teve que esperar que as falhas não comprometessem o resultado. O que acabou não acontecendo, no final das contas, mesmo com o time criando algumas jogadas no segundo tempo - totalmente dependente de Shaqiri -, mas ainda sofrendo muito na defesa a cada ataque escocês. E nem mesmo a mudança para o 5-3-1-1 nos minutos finais foi capaz de dar maior cobertura e segurança, e Guidetti, completamente livre na área após passe de Henderson, empatou aos 93’, decretando o empate e mantendo a invencibilidade dos escoceses em confrontos contra a Inter. (Arthur Barcelos)

Roma 1-1 Feyenoord
Mais vaias. Vencer em casa parece um obstáculo cada vez mais intransponível para a Roma, que não consegue um triunfo no Olímpico desde 30 de novembro – com exceção de partida na Coppa Italia contra o Empoli, vencida na prorrogação. Dessa vez, na estreia do time na Liga Europa, a vitória até ficou próxima, mas depois do gol de empate do Feyenoord, a equipe da casa quase levou a virada. Algo que poderia inflamar ainda mais os ânimos de todos e provocar confusão. Principalmente porque os hooligans holandeses aprontaram enorme arruaça na Cidade Eterna antes e depois do jogo, com a destruição de ônibus, monumentos históricos e muita sujeira e urina na rua, provocando incidente diplomático entre Itália e Holanda. 28 foram presos.

Dentro de campo, a Roma perdeu várias chances com Gervinho, que também foi o autor do gol que abriu o placar, completando de letra um cruzamento rasteiro de Torosidis. O jogo era tranquilo para a Roma, mas as chances perdidas e as falhas de Manolas na defesa impediam que o time de fato conseguisse controlar a partida. E foi assim que o Feyenoord chegou ao empate, aos 10 da segunda etapa. Immers cabeceou com força no ângulo, Skorupski foi buscar, a bola tocou na trave e, no rebote, Kazim-Richards, impedido, empatou. Com o gol, o time holandês, comandado pelo meia Clasie, foi para cima, e ganhou campo, embora com poucos chutes a gol. Na Roma, Totti e De Rossi, mal no jogo, foram substituídos, mas Keita, Florenzi e principalmente Doumbia não acrescentaram em nada. Agora, a vice-líder da Serie A precisará vencer em Roterdam – ou empatar por dois ou mais gols – para seguir em frente. (Nelson Oliveira)

Tottenham 1-1 Fiorentina
Depois da fase de grupos sem um adversário à altura, a Fiorentina enfim encarou um time que a colocasse a prova na Liga Europa. E no primeiro teste, um bom resultado. Ante o Tottenham, jogando em Londres, a Viola empatou em 1 a 1 na primeira partida da fase 16 avos de final e agora leva vantagem para o jogo de volta, em Florença, na próxima quinta-feira. O resultado se torna ainda melhor dado o fraco jogo que a equipe de Montella apresentou. E o gol logo no início, marcado por Soldado, numa temporada tão ruim quanto a de Mario Gómez, refletiu isso.

Após o gol, a Fiorentina soube se organizar e pouco a pouco foi ganhando espaço em campo. O gol, porém, saiu após um bate-rebate na área, em que Basanta aproveitou para igualar o marcador. Na segunda etapa, as equipes arriscaram com os chutes de média distância. Pizarro assustou Lloris e Tatarusanu apenas observou o chute de Bentaleb. Nas avançadas de Alonso pela esquerda e nos esporádicos momentos de criatividade de Salah, a Viola conseguia chegar no ataque, mas bastava a bola cair nos pés de Gómez que o ataque ficava comprometido. Um 0 a 0 no Artemio Franchi classifica os italianos. (Caio Dellagiustina)

Torino 2-2 Athletic Bilbao
O Bilbao que desembarcou em Turim na quarta-feira carregava na bagagem uma crise que parecia que podia ajudar o Torino nessa primeira perna da fase de mata-mata da Liga Europa: com só duas vitórias nos últimos 10 jogos e uma escalação mista. Dentro de campo, porém, os espanhóis mostraram que não precisavam de força máxima para vencer o Torino e quase ficaram com a vitória. Williams abriu o placar para os visitantes logo aos nove minutos de jogo. Maxi López empatou dez minutos depois e virou aos 42 da etapa inicial, dando esperança aos torcedores granata.

No segundo tempo, porém, o Athletic voltou a dominar as ações e criou mais chances de perigo. O empate saiu com Gurpegi, aos 28 minutos. Aos 37, ele quase virou, acertando a trave de Padelli. O empate por 2-2 mantém a invencibilidade do Torino desde novembro, mas se desenha como um resultado muito complicado para o jogo de volta, em Bilbao. Na quinta-feira que vem, dia 26, os espanhós podem empatar por 0-0 e 1-1 que ainda ficam com a classificação para as oitavas de final. O Toro, por sua vez, terá que perseguir uma vitória fora e contra um adversário que deve ter mais titulares do que teve na partida de ida. (Rodrigo Antonelli)

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

23ª rodada: As cinzas de Roma

Frustração de Cole resume bem a negativa fase da Roma (Reuters)
O grande incêndio de Roma, no início do século I, quando o império era governado por Nero, está na história. Em tempos de carnaval e quarta-feira de cinzas, não foi a cidade, mas o time da Roma que parece arder em chamas, sem conseguir apagar o fogo que o consome. Sob o comando do técnico Rudi Garcia, que tem sido criticado por, assim como Nero, destruir o que havia feito, a Loba giallorossa vai caindo pelas tabelas. Forma figurada, é claro, pois o time segue na vice-liderança da Serie A, mas apresenta um futebol cada vez mais distante daquele que impressionou pela objetividade e coesão no último ano e meio. Com isso, a Juventus se dá ao luxo de também empatar com um time da zona de rebaixamento – os romanos tropeçaram no praticamente falido Parma; a Velha Senhora no Cesena – e nem assim sentir-se ameaçada. Enquanto o título vai caminhando para sua decisão, a briga pelas restantes vagas europeias continua emocionante. Acompanhe o resumo da rodada.

Roma 0-0 Parma
Contra o lanterna do campeonato, a Roma ficou no quinto empate seguido em casa. Os dois jogadores marfinenses que retornaram da Copa Africana de Nações, Gervinho e Doumbia, campeões pela Costa do Marfim, iniciaram a partida entre os titulares. O atacante recém-contratado sequer apareceu para a partida e foi, de longe, o pior em campo. Na única oportunidade criada para ele, por Verde, no segundo tempo, ele chegou atrasado no lance. 

Nem o conterrâneo criou tantas chances de gol, porém, com o auxílio de Ljajic e Florenzi, fez mais que Doumbia. A entrada de Verde no lugar de De Rossi deu mobilidade à Roma no Olímpico. O jovem de 18 anos, que fez boa partida contra o Cagliari, na rodada anterior, ainda deixou Cole com chance de finalização. O lateral acertou a trave. Cole voltou a ter outra chance sozinho, mas chutou por cima do gol de Mirante. No final do jogo, muitas vaias para a Roma, que não conquista uma vitória em casa desde 30 de novembro, quando bateu a Inter. Pior do que isso, a equipe tem jogado mal e só não vê a Juventus se distanciar mais na tabela por puro relaxamento da Velha Senhora. Pela primeira vez desde que chegou à Itália, o técnico Garcia passa a ser contestado. (Murillo Moret)

Cesena 2-2 Juventus
Os donos da casa conseguiram o segundo bom resultado depois de alterar as dimensões do gramado do Dino Manuzzi. Após vencer a Lazio, o Cesena arrancou um empate em 2 a 2 com a líder Juventus. Buffon fez três defesas nos primeiros 11 minutos, em finalizações de Defrel e Zé Eduardo. Um dos chutes de Defrel só saiu por conta de um erro defensivo - este, de Bonucci. O gol inicial também: Pirlo vacilou na saída de bola e Djuric foi contemplado com assistência de Defrel. O Cesena também errou - Djuric não dominou o passe de Brienza - e Pogba cruzou para Morata empatar.

Marchisio comemorou o 200º jogo na Serie A com gol, aproveitando a jogada de Llorente. Brienza não conseguiu acertar um voleio, mas, na sequência, deixou tudo igual novamente depois de um cruzamento de Djuric. A líder do campeonato teve a oportunidade de retornar a Turim com três pontos, porém, Vidal errou o pênalti nos minutos finais. Mesmo assim, o conforto na liderança continua grande. (MM)

Palermo 3-1 Napoli
O Palermo acabou com a série de seis vitórias seguidas do Napoli ao derrotar o adversário no Renzo Barbera. Aos 14 minutos, Rafael aceitou o chute de longa distância de Lazaar e, com o peru, deu a vantagem no marcador ao rosanero. Vázquez aumentou após um bom contra-ataque puxado por Quaison e que teve participação de Dybala, mais uma vez infernal. Rigoni ainda deixou a marca dele após Dybala interceptar um passe de Albiol, cortar Strinic com um drible da vaca e acionar o companheiro nas proximidades da área.

O Napoli, que estava completo para a partida na Sicília, criou apenas duas chances claras de gol durante os 90 minutos. Higuaín parou em Sorrentino, na primeira – o atacante ainda levou cartão amarelo e cumpre suspensão na próxima rodada contra o Sassuolo. Na outra oportunidade, Gabbiadini, substituto de Hamsík, concluiu meio sem querer um cruzamento de um cruzamento de De Guzmán, diminuindo o placar. (MM)
 
Sassuolo 1-3 Fiorentina
Depois de uma fase negativa no campeonato, a Fiorentina finalmente se acertou e começa a despontar como principal rival do Napoli à terceira vaga na Liga dos Campeões. Jogando no duro campo de Reggio Emilia, a equipe viola teve excelente atuação, e comandada pelo estreante Salah e pelo redivivo Babacar, conquistou uma vitória com propriedade, construída no primeiro tempo. Com a vitória no sábado e o tropeço do Napoli pouco depois, o time de Montella está apenas quatro pontos atrás dos azzurri – 38 contra 42 pontos.

Sem Rossi e Gómez, Montella optou por um ataque que nunca havia jogado junto e colheu frutos. No primeiro tempo, Babacar, que vinha sendo criticado pela torcida, deixou Salah na cara do gol com inteligente toque de calcanhar. O egípcio não desperdiçou e, minutos depois, achou o companheiro na área, retribuindo o presente. O forte atacante senegalês deslocou o goleiro Consigli, que no início da partida já havia feito defesaça em chute à queima-roupa. No segundo tempo, um erro de linha de impedimento do Sassuolo permitiu que Pizarro achasse Babacar na área com um lançamento de primeira. Novamente, o atacante teve tempo de pensar antes de vencer o arqueiro adversário. Berardi, uma das poucas notas positivas dos neroverdi na partida, chegou a acertar a trave com belo chute no primeiro tempo, e descontou, com toque de cabeça, na segunda etapa. (Nelson Oliveira)
 
Atalanta 1-4 Inter
Pela primeira vez sob o comando de Roberto Mancini, a Inter conquistou duas vitórias consecutivas na Serie A. O nome da partida foi Guarín, que fez a Beneamata quebrar um tabu de três anos sem vitórias em Bérgamo e subir na tabela, encostando mais na briga por Liga Europa. O colombiano, que já havia se destacado contra o Palermo, participou dos quatro gols da equipe no jogo, e vive seu melhor momento desde que chegou a Milão. Mais recuado, prende menos a bola e aparece perto da área apenas para concluir. Todo o meio-campo da Inter jogou bem e, mesmo sem Icardi e Kovacic, que ficaram no banco, a equipe venceu com tranquilidade.

O primeiro gol dos visitantes surgiu logo nos primeiros minutos. Guarín sofreu pênalti e Shaqiri converteu, mesmo com todo o esforço de Sportiello. Após Pinilla perder chance sem goleiro, Moralez empatou, aproveitando erro de Ranocchia e passe do chileno. Só que Guarín logo tratou de fazer um gol de fora da área, em jogada individual. Com a expulsão de Benalouane, a Inter teve a vida facilitada, e nem o carrasco Denis ameaçou a meta defendida por Handanovic. Com a direita, Guarín acertou um lindo chute de fora da área, fazendo o terceiro. O meia encerrou a noite de gala servindo Palacio, que aproveitou um bate-rebate e, com sorte, anotou o gol da vitória milanesa. (NO)
 
Milan 1-1 Empoli
Mais um fiasco do Milan jogando no San Siro. Ante o Empoli, o rossonero até saiu na frente, mas cedeu o empate no segundo tempo e quase viu a equipe azzurra virar o jogo num lance que culminou na expulsão de Diego López. O resultado aumenta a pressão sobre Inzaghi, mas ao menos trouxe um alento com a boa partida de Destro. E foi o novo atacante da equipe que abriu o placar, aos 39 minutos. Posicionado no meio da área, só teve o trabalho de completar o cruzamento de Bonaventura.

Antes disso, porém, o Milan mostrou mais do mesmo. Uma defesa pra lá de inconsistente, um ataque sofrível e o meio campo sem criatividade. Não bastassem os 11 desfalques, Inzaghi ainda perdeu Alex logo aos cinco minutos. Organizado, o Empoli deu trabalho ao Milan. Com toques rápidos e precisou, controlou o jogo na primeira etapa, pecando apenas no lance do gol do Diavolo. Na segunda etapa, porém, o gol saiu. Hysaj cruzou na cabeça de Maccarone que, sozinho, foi preciso no arremate. Nervoso, o Milan não teve reação e quase viu a situação piorar com a expulsão de Diego López e a lesão de Paletta, o que obrigou a equipe a terminar a partida com dois jogadores a menos. (Caio Dellagiustina)

Udinese 0-1 Lazio
Vitória importantíssima da Lazio. Jogando no Friuli, a equipe da capital derrotou a Udinese, quebrou a sequência negativa de duas derrotas consecutivas, chegando à quinta colocação, já dentro da zona de classificação das copas europeias. Após homenagear Di Natale por suas 407 partidas (jogador que mais vestiu a camisa bianconera), a equipe da casa iniciou melhor o jogo e Totò quase abriu o placar nos primeiros minutos, em cobrança de falta.

A Lazio foi melhorando aos poucos até, aos 23, encontrar o gol. Klose foi derrubado na área por Wague, num lance contestado pelos jogadores e pela torcida friulana. Na cobrança, Candreva usou toda sua qualidade para cobrar com uma cavadinha, anotando seu primeiro gol em quatro meses. A Lazio ainda criou oportunidades para ampliar, mas parou no goleiro Karnezis. Berisha, por sua vez, também teve trabalho, defendendo as oportunidades de Badu e Guilherme, segurando assim a vitória da equipe biancoceleste. (CD)
 
Chievo 2-1 Sampdoria
Após grande momento no campeonato, em que chegou até a integrar o grupo dos que se classificam para a Liga dos Campeões, a Sampdoria parece ter esquecido como vencer. Nesse fim de semana, contra o Chievo, a equipe chegou à quarta partida consecutiva com tropeço e despencou para a sexta posição, fora até da zona de classificação para a Liga Europa. Méritos para o time de Maran, que soube agredir o adversário, mas também demérito de Mihajlovic, que escalou time muito diferente das últimas partidas, talvez preocupado com o dérbi contra o Genoa na próxima rodada. 

Desfigurada, a equipe blucerchiata não deu muito trabalho aos donos da casa. Izco e Meggiorini fizeram 2 a 0 para o Chievo ainda no primeiro tempo. Muriel só empatou para a Samp no fim da segunda etapa. Um dos poucos pontos a se comemorar pelos torcedores do time genovês foi a boa apresentação de Eto'o, que começou o jogo e criou pelo menos duas chances de perigo. Com o resultado, o Chievo fica a quatro pontos da zona de rebaixamento e respira aliviado no campeonato. (Rodrigo Antonelli)
 
Genoa 5-2 Verona
Escalado como titular, Bergdich, recém-emprestado pelo Valladolid, subiu ao campo de ataque, cruzou e Agostini jogou contra o próprio patrimônio. Em 10 minutos, o Genoa já tinha a vantagem no Marassi contra o Verona. Dois minutos mais tarde, Niang escorou o cruzamento de Iago Falqué e marcou pela primeira vez na Serie A. Christodoulopoulos parou em Perin, enquanto Toni recolocou o Verona na partida com um gol de cabeça. O Genoa aumentou novamente, com Niang, mas a equipe visitante voltou a encostar com outro gol do experiente centroavante. Primeiro tempo movimentadíssimo em Gênova.

Após a volta do intervalo, o jogo mudou e continuou favorável ao time da casa, que após alguns resultados negativos influenciados pela arbitragem, voltou a engrenar. O Verona ameaçou, porém, e Juanito acertou a trave, no que seria o empate do Verona. Só que Bertolacci marcou o quarto gol genovês no Marassi. A assistência foi do uruguaio Laxalt, apenas 60 segundos após sua entrada em campo. Perotti deu números finais a partida aos 41 do segundo tempo e fez o Genoa subir para 35 pontos, empatado na 6ª posição com a rival Sampdoria. O dérbi entre as equipes na semana que vem promete ser mais quente do que o normal. (MM)

Torino 1-1 Cagliari 
Em casa, o Torino perseguia a quinta vitória consecutiva no campeonato para se manter em grande fase e continuar forte na briga por vaga na Liga Europa. Contra um Cagliari muito mais organizado do que nos últimos jogos e um goleiro Brkic em grande forma, porém, a tarefa se tornou difícil. Os visitantes, inclusive, saíram na frente, com Donsah - grande nome do jogo pelo lado dos rossoblù. O empate granata saiu 50 segundos depois, com El Kaddouri, e esses foram todos os gols que os cerca de 16 mil torcedores ao Olímpico de Turim viram. 

A falta de gols não significou um jogo ruim, contudo. No segundo tempo, o Torino pressionou para tentar o empate, mas não foi bem dentro da grande área. Darmian e Quagliarella perderam chances claras de virar o jogo para os donos da casa. Do outro lado, o Cagliari se defendia com propriedade, mas tinha dificuldades para chegar à frente. Mas após duas derrotas seguidas, um empate fora de casa acabou comemorado pelo time de Zola, que continua na zona de rebaixamento, com 20 pontos, três atrás da Atalanta, primeiro time fora. O Torino é nono colocado e agora se prepara para o jogo contra o Athletic Bilbao, sexta-feira, pela Liga Europa. (RA)
 
Relembre a 22ª rodada aqui.
Confira estatísticas, escalações, artilharia, além da classificação do campeonato, aqui.
 
Seleção da rodada
Brkic (Cagliari); Basta (Lazio), Savic (Fiorentina), Medel (Inter), Lazaar (Palermo); Guarín (Inter), Izco (Chievo), Vázquez (Palermo); Niang (Genoa), Babacar (Fiorentina), Dybala (Palermo). Técnico: Roberto Mancini (Inter).