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quarta-feira, 29 de abril de 2015

Brasileiros no Calcio: Batista

Batista capitaneou a Lazio em momento ruim na história do clube (Maglie in Rete)
Clássico volante de marcação, Batista foi peça fundamental no histórico time tricampeão brasileiro do Internacional (1975, 1976 e 1979). Ao lado de Paulo Roberto Falcão e Jair, formou uma das melhores trincas de meio-campo do futebol brasileiro daquela década. Intocável, Batista ganhou destaque por sua raça e determinação, "carregando o piano”, enquanto os companheiros à frente eram um terror para os adversários.

Depois de quebrar a perna em uma partida contra o Sport, Batista ficou afastado dos gramados por alguns meses, tempo suficiente para que seu contrato com o Colorado acabasse. Um desentendimento com a diretoria colorada quanto ao acerto de valores para a renovação do vínculo pôs fim à sua passagem de quase oito anos no Beira-Rio. Batista, com o passe vinculado junto à Federação Gaúcha, acabou tendo destino controvertido: o Grêmio não pensou duas vezes em acertar com o jogador, a custo zero, e o levou para a Azenha, naquela que seria a primeira transação da gestão Fábio Koff no Grêmio.

Tratado como ingrato pela parte vermelha de Porto Alegre, Batista tornou-se um inimigo no Beira-Rio. Saudado pela torcida tricolor, prometeu o mesmo empenho e vontade do apresentado no Inter. De acordo com o jogador, a escolha pelo Grêmio foi simplesmente para não ficar sem jogar e correr risco de perder seu lugar na seleção brasileira para a disputa de sua segunda Copa do Mundo: após jogar a de 1978, o volante queria estar presente em 1982.

Depois de um ano no Grêmio e com o objetivo de jogar o Mundial realizado, Batista assinou com o Palmeiras. Mas, a passagem no Palestra Itália foi curta  – e, para alguns, apenas um alavanca para que ele fosse para a Europa. Em meados de 1983, o volante aceitou a proposta da Lazio. Recém-promovida à Serie A, após três anos de ausência, a equipe laziale investiu quase US$ 1 milhão, cerca de cinco vezes o que o Palmeiras pagou ao Grêmio, meses antes. Um investimento bancado pelo presidente e ídolo Giorgio Chinaglia, que queria ter Batista no seu time.

Naquela janela, a equipe capitolina também contratou, por empréstimo, o dinamarquês Michael Laudrup, sem espaço na Juventus, atingindo o limite de estrangeiros. Na chegada, uma recepção calorosa dos torcedores, que entoaram os versos “João, João, é melhor do que Falcão...”, em referência ao craque que jogava na rival Roma. Primeiro estrangeiro na equipe após a reabertura do mercado internacional, em 1980, Batista seria uma espécie de resposta da Lazio à contratação do ex-companheiro pelos romanistas, que haviam sido campeões no ano anterior, com o brasileiro como destaque.

Gladiador do Coliseu? Batista chegou para dominar volância biancoceleste (Lazio Wiki)
Em 1983-84, Batista teve uma primeira temporada marcada pelos 25 jogos realizados, com um gol marcado, pela Serie A. Sua participação foi importante, principalmente porque uma Lazio com muitos problemas extracampo fez um campeonato bastante ruim, garantindo a permanência na elite apenas na última rodada: empatada em pontos com o Genoa, a equipe romana se salvou graças aos critérios de desempate, que lhes eram favoráveis. Batista também ganhou destaque em sua primeira temporada por motivos pouco esportivos: pelos vícios no fumo e nas bebidas, além das noitadas, o que lhe rendeu a fama de irresponsável e não profissional.

Eram tempos difíceis para a Lazio. Nem parecia que a equipe havia sido campeã italiana pela primeira vez 10 anos antes. Dali para frente, o período mais complicado da história do clube: os biancocelesti foram rebaixados para a Serie B, em 1980, em virtude do escândalo Totonero, que envolveu a manipulação de partidas para favorecer apostadores, e teve grande crise técnica e financeira. Nos três anos seguintes, o time jogou a segundona, e voltaria para lá em 1985. Batista não conseguiu evitar.

Em seu segundo ano com a biancocelesti, Batista sabia que a aventura na Europa seria uma experiência diferente da vivida no Brasil. Longe dos títulos e sob a desconfiança dos companheiros, mesmo com a braçadeira de capitão, o volante sentia-se mais adaptado e não jogou mal, porém, não conseguiu apresentar o futebol que o consagrou no Brasil, muito devido aos muitos problemas da Lazio.

Tendo a responsabilidade de ser protagonista, novamente não desempenhou o papel que os italianos esperavam dele, naufragando junto com toda a equipe que voltou à segunda divisão. A campanha laziale foi horrível: apenas duas vitórias, 15 míseros pontos e a lanterna da competição, dividida com a Cremonese de Emiliano Mondonico. Diga-se de passagem, uma campanha que nada honrou o belo uniforme laziale (foto acima), um uniforme histórico, cujo desenho o clube decidiu utilizar novamente, 30 anos depois, em 2014-15.

Já sem os principais jogadores, Batista até chegou a se apresentar com o elenco para a disputa da Serie B, mas acabou cedido ao Avellino, encerrando um ciclo de 53 jogos e três gols na Cidade eterna. No clube biancoverde, o volante também não teve vida longa: foram apenas seis meses e 14 partidas em que Batista jogou abaixo de seu nível habitual, pouco contribuindo para que os irpini permanecessem mais um ano na elite. Assim, encerrou sua passagem na Itália.

Batista ainda jogou por duas temporadas no Belenenses, de Portugal, sem muito destaque, e voltou ao Brasil para encerrar a carreira como profissional atuando no Avaí. Um fim pouco condizente para um jogador com futuro tão promissor enquanto atleta do Inter, e que viu seu futebol entrar em baixa quando deixou o Colorado. Principalmente quando não foi o profissional que dele se esperava, ainda mais quando Falcão era o ponto de comparação. No "dérbi colorado-romano", deu Roma.

João Batista da Silva
Nascimento: 8 de março de 1955, em Porto Alegre
Posição: Volante
Clubes em que atuou: Internacional (1973-81), Grêmio (1981-82), Palmeiras (1983), Lazio (1983-85), Avellino (1985-87), Belenenses (1985-87) e Avaí (1988-89)
Títulos conquistados: Campeonato Brasileiro (1975, 1976 e 1979), Campeonato Gaúcho (1975, 1976 e 1978), Campeonato Catarinense (1988), Jogos Pan-Americanos (1975) e Torneio Pré Olímpico (1976)
Pela seleção brasileira: 37 jogos

terça-feira, 28 de abril de 2015

32ª rodada: Vinte anos de espera

Após 20 anos, Torino voltou a comemorar uma vitória sobre a Juventus (Ansa)
Se o final de semana teve violência dentro e fora dos estádios pela Itália, o futebol foi bem jogado. Bomba contra torcida e apedrejamento no Dérbi de Turim e ameaça e agressão entre companheiros de esporte em Bérgamo. Tudo o que o futebol não precisa para viver. Ao contrário, precisa de grandes histórias, como a do tabu quebrado pelo Torino contra a Juventus: havia 20 anos que os grenás não batiam a Velha Senhora. Algo muito maior do que o ódio irracional entre cores e torcidas. Ou mesmo no caso bergamasco: Denis fez um importantíssimo gol no último lance do jogo, mas se envolveu em briga com o zagueiro Tonelli nos vestiários. O futebol é maior do que isso, e é o que nos contam, também, as boas histórias construídas por Inter, Napoli, Cagliari e Parma nesta rodada. Acompanhe o resumo.

Torino 2-1 Juventus
Mesmo que o Torino não conquiste a sonhada vaga na Liga Europa da próxima tempodada - o que ainda é possível, diga-se de passagem -, seus torcedores terão motivos para comemorar. Ou pelo menos um motivo: a vitória de virada contra a Juve, que tirou da mão do rival o título antecipado do tetracampeonato. Os gols de Darmian e Quagliarella (cada um com uma assistência do outro, vale notar), depois que Pirlo já havia aberto o placar, não vão sair da memória dos granata tão cedo. Afinal, havia 20 anos que o Toro não vencia sua maior rival. O último resultado positivo tinha sido em 9 de abril de 1995, quando Rizzitelli marcou duas vezes – naquela temporada, inclusive, o Toro venceu os dois confrontos. Neste domingo, outra marca foi alcançada: Pirlo marcou um golaço de falta e ainda acertou a trave, em outra cobrança. Caso tivesse marcado, teria superado Mihajlovic como o maior goleador da Serie A através de bola parada – ambos têm 28 gols.

Cansada e muito pouco criativa, a Velha Senhora perdeu seu primeiro "matchpoint", mas ainda terá boas chances pela frente. São 14 pontos de vantagem para a Lazio, segunda colocada, e apenas 18 pontos em disputa. Sendo assim, o título antecipado pode vir já na próxima rodada, nesta quarta-feira, contra a Fiorentina: para isso, basta à Juve somar os três pontos e a Lazio não vencer; ou empatar, caso a Lazio perca e a Roma não vença. O Torino, por sua vez, está a três pontos da zona de classificação para a Liga Europa e ainda pode sonhar com a vaga. O destaque negativo do clássico foi a bomba atirada por torcedores da Juve, que feriu 10 torcedores do Torino na arquibancada Primavera, onde ficam concentrados os organizados do Toro. Antes, na entrada do estádio, o ônibus da Velha Senhora havia sido apedrejado. (Rodrigo Antonelli)
 
Napoli 4-2 Sampdoria
Fechando e seguindo o ritmo da movimentada 32ª rodada, Napoli e Sampdoria tinham muito o que disputar, e uma amostra disso é que seis dos 35 gols do fim de semana saíram no San Paolo. Muito agressivo e dominante em casa, o time de Benítez se recuperou ao sair atrás do placar e garantiu três pontos fundamentais para ficar a três e dois pontos de, respectivamente, Lazio e Roma, que tropeçaram. O time de Mihaljovic, por sua vez, nem mesmo conseguiu se defender bem (quanto menos atacar) e chegou ao quarto jogo sem vencer. A crise pode aumentar, já que Éder, um dos destaques dorianos na temporada, se lesionou e não joga mais em 2014-15.

Sempre presente no campo de ataque, o Napoli ameaçou ainda antes de Albiol fazer gol contra em tentativa de cortar cruzamento de Éder, aos 12 minutos. O empate não foi imediato, mas a pressão sim, e a virada veio em três minutos, aos 31 e 34. Primeiro com Gabbiadini, chutando fraco e de direita, de fora da área, contando com a falha clamorosa de Viviano. Depois, novamente a conexão Gabbiadini-Higuaín funcionou, dessa vez com gol do bomber argentino. Logo após a volta do intervalo, para não dar chance a outro tropeço, os partenopei ampliaram com Insigne, em jogada pessoal, que marcou um golaço e se emocionou, após ter sido homenageado pela torcida de sua cidade e de ter marcado seu primeiro gol após grave lesão. Já na reta final, aos 80, Hamsík foi derrubado na área e Higuaín converteu a penalidade. Ainda deu tempo para Muriel acertar chutaço de longe e descontar. (Arthur Barcelos)

Inter 2-1 Roma
Ainda existe uma luz no fim do túnel para a Inter. Com a importante vitória contra uma Roma em eterna crise e tropeços de Sampdoria e Fiorentina, a equipe de Mancini sonha com uma vaga na Liga Europa – hoje, cinco pontos separam a Beneamata da Samp. A possibilidade existe, mas além de somar muitos pontos nas próximas rodadas, os nerazzurri terão de secar os adversários. Para a Roma, a rodada foi ruim, porque o Napoli venceu e encostou, mas poderia ter sido pior, caso a Lazio tivesse vencido. Chegar à fase de grupos da Liga dos Campeões ainda é um objetivo possível, embora o time não jogue bem desde o fim de novembro, quando bateu a própria Inter. Nos últimos 19 jogos, a média de gols caiu vertiginosamente: são só 18, média de menos de um por jogo, contra 25 marcados nas primeiras 13 rodadas. Muito disso deve-se às más fases de Totti e Gervinho e, claro, à falta de um goleador no time.

Durante os 90 minutos, Inter e Roma duelaram em partida equilibrada, mas com leve domínio interista na primeira etapa e romano em boa parte do segundo tempo. Foi a Inter que abriu o placar: Hernanes recebeu na entrada da área, cortou um marcador e bateu bem com a canhota, sem chances para De Sanctis. Depois, Ibarbo carimbou a trave, e o primeiro tempo não teve mais grandes ocasiões de gol. A Inter dominava o meio-campo, e o jovem Gnoukouri, outra vez titular por causa de uma suspensão (Medel, desta vez), ia muito bem. No segundo tempo, Garcia tirou Totti e colocou Keita: no 4-3-1-2 e com mais movimentação, a Roma melhorou até empatar: Ranocchia saiu jogando errado, e Nainggolan recebeu passe de Pjanic para marcar. Depois de quase chegar ao gol, evitado por Vidic, a Roma caiu novamente, após alterações de Mancini. Kovacic, Shaqiri e Podolski deixaram a Inter extremamente ofensiva, e após Icardi perder duas boas chances, o gol chegou. Podolski, no primeiro toque na bola, achou o argentino na área: bola na rede e o 18º gol na temporada. (Nelson Oliveira)

Lazio 1-1 Chievo
Jogando no Olímpico, a Lazio não aproveitou a derrota da rival Roma no dia anterior e não conseguiu ampliar de forma consistente a sua vantagem pela vice-liderança da Serie A. O empate serviu para recuperar a segunda posição de forma isolada, mas foi pouco, pensando que o time poderia entrar em campo no meio de semana mais confortável. Felizmente para a torcida laziale, a próxima partida também é em casa, mas é diante do Parma, que juntamente com a Lazio e o Napoli, tem o segundo melhor retrospecto nos últimos cinco jogos – 10 pontos, um a menos que o Torino.

O grande nome da partida no Olímpico foi o goleiro Bizzarri. O argentino defendeu tudo e mais um pouco, no primeiro e no segundo tempo. Algumas das defesas foram cinematográficas, e permitiram que os clivensi se mantivessem vivos no jogo. Na única vez em que foi vazado, Bizzarri viu Klose partir em grande velocidade, no final do primeiro tempo. O alemão deixou dois marcadores para trás e bateu bem, sem chances para o goleiro. Após o intervalo, a Lazio fez o goleiro adversário trabalhar novamente, mas foi o Chievo quem chegou ao gol, em seu primeiro chute contra a meta defendida por Marchetti. Paloschi, com uma pancada indefensável, igualou o marcador. (NO)

Fiorentina 1-3 Cagliari
A vaga na Liga dos Campeões ainda é objetivo da Fiorentina na temporada. Mas agora ela se resume à conquista da Liga Europa pois, pela Serie A, a missão tornou-se quase impossível após as duas derrotas em casa – já são três seguidas no campeonato. Os tropeços deixaram a equipe na sexta colocação, nove pontos atrás da Roma. Neste domingo, o carrasco da vez foi o Cagliari, praticamente condenado ao rebaixamento. Mesmo com alguns desfalques, como Gómez, Rodríguez, Aquilani e Joaquín, o time de Montella esteve irreconhecível e foi facilmente dominado pelo rossoblù, agora sob o comando do ex-zagueiro Gianluca Festa, que substituiu o demissionário Zeman. A equipe se apresentou de maneira surpreendente, vencendo sem muita dificuldade e ainda alimentando as esperanças da salvezza. O trocadilho com o sobrenome do treinador é inevitável: haverá festa no final da temporada na Sardenha?

A vitória sarda começou a ser construída logo no início com Cop, que aproveitou o cruzamento de Diego Farias. O brasileiro, aliás, foi um dos destaques da partida, infernizando a vida de Tomovic e Savic, criando as principais jogadas de perigo do Cagliari. Quando conseguia chegar ao ataque, nas jogadas de Diamanti que encontravam Gilardino e Salah, a Fiorentina pouco incomodou o goleiro Brkic, muito pela ótima atuação do zagueiro Diakité. Já na segunda etapa, o Cagliari chegou ao segundo gol. Após outra jogada de Farias, Cop entrou na área, deixou Savic no chão e chutou no canto de Neto. A Viola diminuiu com Gilardino, mas a pressão final não levou perigo algum. Já nos acréscimos, Diego Farias arrancou do campo de defesa, deixou dois adversários para trás (Tomovic caiu de bunda no chão após drible desconcertante), e invadiu a área para fazer o terceiro, em chute que passou entre as pernas de um marcador. O golaço do final de semana, para dar nova alma ao tradicional time da ilha. (Caio Dellagiustina)

Em bom momento, Hernanes abriu o placar e ajudou a Inter a voltar a sonhar com a Europa (Eurosport)
Udinese 2-1 Milan
A crise no Milan não tem fim. Em Údine, a equipe praticamente assistiu a Udinese jogar, e saiu derrotada com méritos totais. Após o jogo, Inzaghi não poupou o elenco: no ônibus a caminho do aeroporto, criticou a apatia da equipe, e teria sido rebatido por alguns jogadores. O clima é péssimo, e a equipe foi punida com concentração por tempo indeterminado. Para a Udinese, fim da a série de apenas uma vitória em 11 partidas. 

O primeiro tempo foi completamente dominado pelos friulanos. Geijo, Badu, Widmer, Danilo, Guilherme… Muitos jogadores do time da casa tentaram vazar Diego López, que fez ótima defesa em finalização de Di Natale - a mais perigosa da etapa. Os mandantes chutaram 13 vezes ao gol somente nos primeiros 45 minutos. O Milan, por sua vez, teve uma oportunidade com van Ginkel, que isolou. 20 minutos após o intervalo, a Udinese já tinha marcado dois gols para conseguir uma boa vantagem ante um Milan extremamente combalido. Pinzi completou o cruzamento de Di Natale e Badu chutou após um passe de Guilherme. No único escanteio rossonero, aos 87, Pazzini descontou após a bola alçada na área por Cerci. Os dois times seguem na parte central da tabela, separados por cinco pontos e sem mais perspectivas para este campeonato. (Murillo Moret)

Genoa 3-1 Cesena
A partida no Luigi Ferraris selou o compromisso do Genoa em buscar uma vaga na Liga Europa e empurrou ainda mais o Cesena à Serie B. A zaga dos Cavalos Marinhos apenas observou Bertolacci subir sozinho, no meio da área, para desviar o cruzamento de Perotti. A partida, até aquele momento, era aberta. De um lado, Agliardi defendeu as finalizações de Falqué e Bertolacci, enquanto Perin salvou o chute de Defrel. Carbonero, de voleio, mandou por cima da meta genovesa.

Perotti, de pênalti, e Pavoletti decretaram mais uma vitória do Genoa na temporada – outra vez com grande sintonia entre a dupla Perotti-Bertolacci. O time rossoblù ainda foi vazado por Carbonero na metade da segunda etapa. Nos últimos 12 jogos, o Grifone perdeu apenas três vezes. A rodada foi ótima para a equipe - apesar da vitória do Torino -, pois Sampdoria e Fiorentina foram derrotadas. O sonho de chegar à Liga Europa ainda existe, mas a equipe terá de ir atrás dela sem Perotti, que sofreu lesão muscular e está fora da temporada. (MM)

Verona 3-2 Sassuolo
"Me sinto com 15 anos", disse Luca Toni, 37, após a vitória do Verona sobre o Sassuolo, nesse fim de semana. Foi ele um dos grandes responsáveis por tornar uma partida que não valia nada - as duas equipes já não almejam nada no campeonato - em grande jogo. Teve de tudo: expulsão duvidosa, lances de perigo, emoção e cinco gols. Dois deles foram de Toni: o segundo um golaço, driblando dois zagueiros pela esquerda e chutando cruzado.  

Antes dos gols de Toni, Juanito já havia aberto o placar, Moras tinha feito contra e empatado para o Sassuolo e o goleiro Rafael já estava fora de jogo, expulso. A vontade demonstrada pelo time mesmo com um jogador a menos e sem grandes expectativas nessa reta final de competição foram louváveis. Floro Flores ainda fez o 3 a 2 aos 44 minutos do segundo tempo e deixou o placar ainda mais inchado. Com a vitória, o Verona foi a 39 pontos e subiu para a 12ª colocação. Já o Sassuolo estacionou nos 36 e caiu três posições, indo para a 15ª. A distância para a zona de rebaixamento está em 12 pontos e não deve preocupar muito a equipe. Até porque, já na próxima rodada, os dois times podem conseguir a permanência matemática na elite. (RA)
 
Parma 1-0 Palermo
Não fosse a punição de seis pontos, acumulada devido aos débitos com jogadores, o Parma teria deixado a lanterna da Serie A. Não que isso fizesse alguma diferença, afinal os crociati já tem consumado o rebaixamento, mas a admiração e o orgulho pelo que esses jogadores vem fazendo só aumenta perante seus torcedores e todos os que apreciam o futebol. Contra o Palermo, apenas um golzinho, mas o suficiente para garantir a terceira vitória em cinco jogos.

Em campo, o time de Donadoni foi dominante e chegou ao gol aos 25 minutos. Gobbi foi derrubado na área e Nocerino converteu a penalidade. Mesmo com a vantagem, o Parma não deixou de atacar e poderia ter ampliado a vantagem. O Palermo teve duas grandes chances, com Lazaar e Vazquez, mas Mirante defendeu a primeira e Feddal salvou a oportunidade do italiano quase em cima da linha. O segundo tempo seguiu agitado, com boas chances para as duas equipes, mas nada da rede balançar. (CD)

Atalanta 2-2 Empoli
Abrindo a rodada de domingo, e ditando o que veríamos mais tarde, Atalanta e Empoli fizeram boa partida em Bérgamo, com domínio dos visitante, mas várias chances de gols para ambos os lados, acertando o gol 15 vezes e balançando a rede em quatro ocasiões. No fim, resultado ruim para a Dea, que tropeçou em casa e viu o Cagliari bater a Fiorentina na Toscana. Poderia ter sido pior, já que o empate veio apenas no último lance do jogo. Os nerazzurri ainda tem sete pontos de frente para a zona de rebaixamento, enquanto o Empoli tem 11. O time de Sarri, aliás, está perto de um recorde: com mais um empate, chega a 18, e fica ao lado da Inter de Mancini, em 2004-05, como equipes que mais ficaram na igualdade em uma edição da Serie A.

O jogo aflorou a partir dos 30 minutos, com os visitantes se soltando, porém os gols só saíram nos minutos finais da primeira etapa. Primeiro com Saponara, que tabelou com Pucciarelli e bateu no ângulo, aos 41. Depois, aos 43, ataque rápido protagonizado por Gómez, camisa 10 atalantino: passe de Moralez e gol do ex-Catania. Entre indas e vindas, aos 60, nova jogada interessante do Empoli, sempre com Saponara, puxando o time e abrindo para Croce cruzar, Zielinski desviar e Maccarone recolocar os toscanos na frente do placar. Porém, depois de muita pressão, a Atalanta empatou aos 93 com o bomber Denis, mostrando que voltou mesmo às redes: fez quatro gols nos últimos três jogos. O capitão nerazzurro, contudo, ficará de fora das próximas partidas, porque acabou protagonizado lance infeliz já após o jogo: Denis entrou no vestiário do Empoli e agrediu Tonelli com um soco. O zagueiro ameaçou matar o atacante e sua família (seus filhos são gandulas da Atalanta), e recebeu o revide do argentino. Com isso, gancho para os dois: Tonelli foi suspenso por uma partida, e Denis por cinco. Perde demais a Atalanta, que só tera o atacante de volta na última rodada. (AB)

Relembre a 31ª rodada aqui.
Confira estatísticas, escalações, artilharia, além da classificação do campeonato, aqui.

Seleção da rodada
Bizzarri (Chievo); Darmian (Torino), Diakité (Cagliari), Vidic (Inter), Gobbi (Parma); Allan (Udinese), Bertolacci (Genoa); Quagliarella (Torino), Higuaín (Napoli), Diego Farias (Cagliari); Toni (Verona). Técnico: Giampiero Ventura (Torino).

sexta-feira, 24 de abril de 2015

A melhor Itália

De vilão a herói: Gómez ajudou bastante na classificação da Fiorentina contra o Dynamo Kyiv
Em 12 anos, o futebol da Itália nunca esteve tão bem em termos continentais. O desempenho dos clubes nas competições europeias está em viés de crescimento: o país coloca três representantes em semifinais de Liga dos Campeões e Liga Europa pela primeira vez após 12 anos. Isso não acontecia desde 2003, quando Inter, Juve e Milan chegaram a esta etapa na LC. 

O avanço de Juventus, Fiorentina e Napoli tem efeitos diretos sobre o coeficiente Uefa do país – é o coeficiente que define quantas vagas cada liga tem em competições organizadas pela entidade máxima do futebol europeu, e quantos times de cada federação disputarão LC ou LE. A média é pontuação somada dos times de cada federação nas cinco últimas temporadas – vitórias, empates e derrotas tem um peso específico.

Considerando apenas as duas últimas temporadas, coeficiente Uefa da Itália é o segundo melhor – perde só para o espanhol. O futebol do país vinha brigando com a Alemanha pelo terceiro posto no ranking para ter de volta as quatro vagas na Champions. Em 2015-16, com o descarte da temporada 2010-11, confronto terá também a Inglaterra. A distância para os ingleses diminuirá, porque Itália ainda fará pontos neste ano, ao contrário dos clubes da Terra da Rainha, já eliminados das competições europeias. Veja aqui a situação atual para 15-16, que prevê briga aberta entre os três países na próxima campanha e, principalmente, em 2016-17.

Nesta manhã, os sorteios da Champions e da Europa League foram bons para as equipes da Bota. Na Liga dos Campeões, a Juventus – time "azarão" entre os quatro restantes –, terá o Real Madrid como adversário nas semifinais, enquanto Barcelona e Bayern Munique fazem o outro confronto. Pelo momento na temporada, o time da capital espanhola é o adversário mais acessível para a Juve. A recíproca também é verdadeira.

Velha Senhora e Merengues têm histórico equilibrado em Ligas dos Campeões: são oito vitórias juventinas, sete madrilenhas e um empate – apenas dois destes jogos foram disputados na fase de grupos. Nas quatro últimas vezes que os times se enfrentaram, nos mata-matas da fase moderna da LC (pós-1992), a Juve levou a melhor três vezes – perdeu apenas em 1998, na final. Bons auspícios.

Na Liga Europa, o Napoli sorriu mais do que a Fiorentina, embora as duas equipes tenham muitos motivos para comemorar. Há 26 anos os azzurri não chegavam às semifinais de uma competição continental, e a chegada comprova que esta é a segunda fase mais brilhante da história do clube napolitano, que acumula vice-campeonato italiano, título da Coppa Italia, da Supercopa Italiana e seguidas participações na LC. Da última vez, com Maradona em campo, os campanos despacharam o Bayern e foram campeões diante do Stuttgart. Para a Fiorentina, a ausência em semis durava sete anos – na ocasião, a viola caiu frente ao Glasgow Rangers, nos pênaltis.

Em sua chave de semifinal, o time comandado por Rafa Benítez terá um duelo de times azuis contra o ucraniano Dnipro, time mais fraco dentre os remanescentes. O Dnipro, nesta temporada, perdeu um jogo e empatou o outro contra a Inter, e no ano passado sofreu duas derrotas contra a Fiorentina, também na Liga Europa. O favoritismo é todo italiano.

Na outra chave, leve vantagem para o adversário da Fiorentina. O Sevilla, atual campeão, vem em ótima fase no campeonato espanhol, no qual ocupa a quinta colocação, seis pontos atrás do Atlético de Madrid, terceiro, e dois atrás do quarto, o Valencia. Na Liga Europa, eliminou Villarreal e o rico Zenit. Mas a Fiorentina de Montella é muito forte, principalmente em jogos mais pesados. O duelo será muito parelho. E terá motivação extra para Joaquín, ex-jogador e ídolo do Bétis, que enfrentará o arquirrival.

Antes, na Liga Europa...

Fiorentina 2-0 Dynamo Kyiv
Sete anos atrás, Florença chorava. Na partida de volta das semifinais da Copa Uefa 2007-08, a Fiorentina era eliminada nos pênaltis pelo Rangers. Desta vez, a cidade violeta ficou com sorriso aberto pela classificação do time sobre o Dynamo Kyiv. O jogo foi totalmente dominado pelos donos da casa, mas a enorme quantidade de chances desperdiçadas deixou um jogo que poderia ter sido fácil com um tempero bastante tenso. Quem viu apenas o placar final com um clássico 2 a 0 dificilmente imaginaria que o jogo foi um verdadeiro bombardeiro.

Somente no primeiro tempo a Fiorentina poderia ter aberto quatro gols de vantagem. Um dos responsáveis pelo zero até então foi Gómez, que cansou de perder chances e atrasar jogadas florentinas. Ele também teve um gol bem anulado pela arbitragem, e viu de perto um chutaço de Alonso carimbar o travessão de Shovkovskyi. O alemão se redimiu ainda no primeiro tempo: Joaquín chutou cruzado e o centroavante não se deixou surpreender pelo arremate torto, rebatendo a bola para as redes. Com isso, tornou-se o quarto no ranking de alemães com mais gols em torneios continentais: são 40, agora.

A Fiorentina terminou o primeiro tempo com um jogador a mais, por conta da expulsão do holandês Lens – já com amarelo, ele tentou cavar um pênalti e foi expulso por simulação. A segunda etapa teve a mesma toada: Fiorentina no ataque, muito volume de jogo e finalizações erradas. Na melhor delas, Salah ia marcando bonito gol, mas Danilo Silva se colocou na trajetória da bola, impedindo que o egípcio ampliasse o placar – a bola ainda explodiu na trave, após o desvio. Nos 10 minutos finais, sem nada a perder, o time treinado por Serhiy Rebrov partiu para o ataque, e pela primeira vez na partida assustou (e muito) o goleiro Neto. Em contra-ataque mortal, porém, a viola definiu o jogo: Vargas recebeu lançamento, deixou adversários para trás e encheu o pé para fazer o segundo, já nos acréscimos.

Napoli 2-2 Wolfsburg
O Napoli foi bastante perspicaz na vitória na Alemanha por 4 a 1. A desvantagem no agregado empurrou o Wolfsburg durante todo o primeiro tempo da partida de volta, no San Paolo. Certo é que os partenopei contaram com um pouco de sorte. Os alemães atacaram bem e criaram, ao menos, cinco oportunidades claras de gol. O goleiro Andújar defendeu dois chutes - de Arnold, de fora da área, e um cruzado, de Bendtner.

O atacante dinamarquês perdeu outra chance, após cruzamento de Träsch. A bola cabeceada quicou no chão e subiu demais. Perisic – também pelo alto e em jogada do lateral-direito – e Caligiuri tentaram, mas sem eficácia. Até mesmo Träsch, que fez grande primeiro tempo ofensivo (uma vez que pouco precisou defender Mertens), quase marcou com um voleio.

Só que o Napoli chegou ao gol logo após o intervalo. Higuaín deu ótimo lançamento para Callejón, que chutou prensado. A bola desviou em Klose e enganou Benaglio. O atacante argentino ainda participou do segundo tento ao escorar o cruzamento para Mertens. O belga precisou de duas finalizações para vencer o goleiro dos Lobos. Em dois minutos, o Wolfsburg empatou com Klose e Perisic, após jogada rápida de Guilavogui.

Se o time alemão manteve o recorde de alcançar, no máximo, as quartas de final europeia, o Napoli avança pela primeira vez há semi após 26 anos. Em 1988-89, Careca e Maradona deram show no que terminaria com título napolitano na Uefa. (Murillo Moret)

quinta-feira, 23 de abril de 2015

12 anos de disciplina

Mais experiente do elenco juventino, Buffon jogou na última vez que a
Velha Senhora alcançou as semifinais (Bleacher Report)
Gianluigi ​Buffon estava com 25 anos quando atingiu a semifinal da Liga dos Campeões pela última vez. Ao seu lado, em campo, estavam Alessandro ​Del Piero, ​Pavel ​Nedved e Antonio ​Conte. Os dois últimos também presenciaram a classificação ante o Monaco, porém, como espectadores nas tribunas do Louis II, como diretor do clube e técnico da seleção italiana, respectivamente. Aos 37 anos, o goleiro passa longe de ser um menino. Ele achava que não esperaria 12 temporadas para estar entre os quatro melhores times continentais. Se esperar tanto é questionável, a conquista é louvável.

Depois de três temporadas falhadas sob comando de Conte, a meta atribuída a Massimiliano Allegri foi alcançar as quartas de final. Só que enfrentar o Monaco foi muito mais complicado que eliminar o Dortmund, segundo os bianconeri. Na casa adversária, a Juve cumpriu o estereótipo italiano defensivo e segurou os franceses.

A defesa da Juventus, mais uma vez, se mostrou extremamente eficiente. Não à toa, não sofre gols em cinco dos últimos seis jogos da Liga - e em oito de nove partidas oficiais. O goleiro foi exigido não tantas vezes, se comparado com o confronto em Turim. Buffon defendeu uma finalização de longa distância de Kondogbia e foi ágil para dividir com Berbatov após erro de Vidal. Barzagli, que começou como titular, não marcou gol contra depois de cruzamento de Bernardo simplesmente porque a bola não quis entrar. Na sequência, desviou um chute potente de João Moutinho.

Isso sem falar em outras duas oportunidades criadas pelo Monaco, mas que não chegaram a Buffon. Na primeira, Chiellini parou um ataque francês ao colocar a mão na bola - ficou barato; ele levou apenas o cartão amarelo. Na segunda, o cruzamento da esquerda passou por todo mundo e Evra, na pequena área, chutou para longe. Abdennour ficou desesperado, pois estava armando a finalização quando o lateral bianconero rebateu.

Allegri revelou ao término da partida que a dupla de ataque tinha passado mal às vésperas do jogo. Tévez foi liberado para o confronto horas antes do embate; Morata vomitou assim que foi substituído por Llorente. O mal-estar certamente afetou fisicamente os atacantes da Juve, que criaram apenas uma chance - Tévez, com assistência de Morata. A mais clara oportunidade de gol italiano aconteceu no último minuto, em falta de Pirlo que acertou o travessão.

Os jogadores importantes da Velha Senhora mostraram que são decisivos nos momentos críticos. A dificuldade da partida colocou à prova a disciplina do time, uma vez que a vantagem era toda da Juventus. Seja contra Barcelona, Bayern de Munique ou Real Madrid, os italianos são as zebras da semifinal. Mesmo que Leonardo Bonucci afirme que a fase não é a linha de chegada.

Dos três adversários, as performances na década passada contra os madrilenhos indicam um confronto mais parelho, historicamente. Na última semifinal alcançada, em 2002-03, a Juventus venceu o Real no agregado por 4 a 3. Em 2005, eliminou os espanhois nas oitavas com gol de Zalayeta na prorrogação. Em 2008-09, Del Piero foi aplaudido de pé no Santiago Bernabéu após mais uma vitória, enquanto na temporada passada, mesmo sem ganhar, a Juve fez boas apresentações na fase de grupos. Agora é esperar o sorteio, que acontece nesta sexta.

Monaco 0-0 Juventus

Stade Louis II, quartas de final, Liga dos Campeões

MONACO: Subasic; Fabinho, Raggi, Abdennour e Kurzawa; Toulalan (Berbatov), Kondogbia, Bernardo Silva, João Moutinho e Ferreira Carrasco (Matheus Carvalho); Martial (Germain) T: Leonardo Jardim

JUVENTUS: Buffon; Barzagli, Bonucci e Chiellini; Lichtsteiner, Marchisio, Pirlo, Vidal (Pereyra) e Evra (Padoin); Tévez e Morata (Llorente) T: Massimiliano Allegri

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Brasileiros no Calcio: Müller

Com gols importantes, Müller se tornou peça-chave no Torino durante três anos (CalcioWorld)
Com passagem de destaque pelos quatro grandes paulistas e ainda em atividade, aos 49 anos (jogando a quarta divisão paulista pelo Fernandópolis), Müller tem história de sobra para contar, seja como jogador, treinador, pastor ou mesmo como comentarista. Porém, sua história de sucesso não se resume apenas ao futebol brasileiro. O atacante bicampeão do mundo com o São Paulo e integrante da seleção tetracampeã mundial em 1994 teve duas passagens pelo futebol italiano.

O início da carreira do atacante foi no São Paulo, em 1984, quando ganhou espaço no time conhecido como Menudos do Morumbi, ao lado de dois outros jogadores que também atuariam na Itália: Careca e Silas. Rapidamente assumiu a titularidade com a camisa 7, e se destacou como um atacante que jogava pelo direito, mas também com grande presença na área. Foi nos primeiros anos da carreira que Müller começou a ser utilizado mais vezes como atacante de área, função que exerceu na maior parte do tempo.

Nos primeiros anos de São Paulo, Müller logo alcançou a glória. Foi campeão paulista em 1985, e não demorou de chegar à Seleção. Aos 20 anos, o atacante teve uma grande honra: foi chamado por Telê Santana, juntamente a Careca e Silas, por Telê Santana para integrar o elenco que disputaria a Copa de 1986, no México. Passou em branco no Mundial, mas atuou nas cinco partidas do Brasil na competição, em três delas como titular, e foi um bom parceiro de ataque de Careca, que anotou cinco gols.

Após a Copa, Müller voltou a se destacar no São Paulo, e continuou a ótima parceria com Careca na conquista do Brasileirão de 1986. Careca foi o artilheiro, com 25 gols, e Müller, com 11 gols, teve um bom número de gols para um segundo atacante. As ótimas atuações e o título do Paulista de 1987 fizeram despertar o interesse de equipes italianas. A Roma tentou acertar com o jogador, mas acabou fechando com Renato Gaúcho – uma decisão da qual o presidente Dino Viola se arrependeu publicamente. Müller acabou fechando, então, com o Torino, que havia sido vice-campeão da Coppa Italia e tinha feito boa campanha na Serie A. À época, o Toro tinha jogadores como Luca Marchegiani, Haris Skoro, os ainda jovens Dino Baggio e Diego Fuser, e o também brasileiro Edu Marangon.

Buscando repetir os passos de Júnior, Müller também chegou para ser uma referência. E foi: na primeira temporada, marcou 11 gols na Serie A, foi o artilheiro do time na competição e um dos principais marcadores no campeonato, apesar da queda do Torino para a segunda divisão. Müller começou a temporada no banco, por escolha do técnico Luidi Radice, mas ganhou a titularidade após marcar um gol contra a Fiorentina, na 4ª rodada.

Hábil, veloz, talentoso e bom finalizador, de direita, esquerda ou de cabeça, o brasileiro se destacou, marcando gols contra algumas das camisas mais pesadas da Itália. Ele gostava de jogos grandes, e foi o grande destaque do time em vitórias contra Roma (dois golaços), Lazio (um gol e duas assistências) e, na penúltima rodada, sobre a Inter – marcou um gol no time que era campeão da Itália, com direito a recorde, e que perdeu apenas duas vezes na temporada, uma delas para o Toro. O gol sobre a equipe nerazzurra, aliás, manteve vivo o sonho de o Torino permanecer na elite, mas a derrota para o Lecce na rodada final acabou com o sonho. Naquele ano, Müller ainda faria dois gols no empate por 2 a 2 com o histórico Milan de Arrigo Sacchi, e se destacaria por ter vencido o duelo contra um duro marcador como Frank Rijkaard.

Apesar do destaque individual, a sensação era a de que Müller poderia ter feito muito mais, não fossem os problemas do Torino – a equipe teve três técnicos durante a temporada – e questões pessoais. O brasileiro teve sua primeira temporada marcada também pelos problemas extra-campo. Brigas com a esposa, a ex-chacrete Jussara Mendes, presenças em boates, atrasos nos treinos e um suposto pedido de 2,5 milhões de cruzados novos para “evitar” o rebaixamento.

Müller, entre os companheiros Lorieri e Comi (La Stampa)
A queda atraiu olhares do Flamengo, que queria repatriar o jogador, e também da Juventus, disposta a pagar qualquer valor para ter o talento brasileiro. Irredutível, o presidente Gian Mauro Borsano, recém-empossado no lugar de Mario Gerbi, não queria abrir mão de Müller para voltar o quanto antes à Serie A. Então, investiu em nomes como Roberto Mussi, Roberto Policano e na volta do talentoso Gianluigi Lentini para facilmente retornar à primeira divisão. O início de temporada do Torino na Serie B foi arrasador, com algumas goleadas, nas quais Müller brilhou. No final da temporada, o brasileiro novamente foi artilheiro da equipe, com 11 gols.

De volta à Serie A e reforçado, o Torino se reergueu do vexame de duas temporadas, mas tinha em seu grande jogador um astro desgastado. Depois da patética campanha brasileira no Mundial de 1990, justamente na Itália, e do desejo de voltar ao Brasil, Müller teve participação discreta na temporada. O jogador deixou o time com a temporada ainda em andamento, com sete jogos realizados e apenas dois gols marcados. No final das contas, contribuiu um pouco para a campanha do time treinado por Emiliano Mondonico, que levou o Torino à quinta colocação, garantindo presença na Copa Uefa da temporada seguinte.

Müller preferiu voltar ao São Paulo. Do Brasil, viu Walter Casagrande chegar no ano seguinte para ocupar seu lugar e ser destaque, chegando à final da competição europeia e ao terceiro posto na Serie A.

A volta de Müller ao São Paulo também não foi um tiro n’água, já que rendeu-lhe diversos títulos, sempre como protagonista. Os mais importantes deles, sem dúvidas, as duas Libertadores e os dois Mundiais Interclubes conquistados pelo tricolor paulista treinado por Telê Santana, em 1992 e 1993. Na final da edição 1993 do mundial, jogou ao lado de outros jogadores que também atuaram ou atuariam na Itália, como Cafu, Toninho Cerezo, Leonardo e Doriva. Na ocasião, voltou a enfrentar o Milan, desta vez treinado por Fabio Capello, e novamente voltou a aterrorizar a equipe rossonera. Ele fez, sem querer, o gol que deu o título ao São Paulo, após uma saída errada do goleiro Sebastiano Rossi. Aos 41 minutos do segundo tempo fez o gol do 3 a 2, placar final.

O atacante ainda atuou pelo São Paulo até 1994, e acabou fazendo parte da seleção brasileira tetracampeã do mundo em 1994 – jogou apenas 10 minutos na campanha, na partida ante Camarões. Müller ainda teve destaque no Palmeiras, pelo qual conquistou o Campeonato Paulista de 1996 e formou o badalado ataque dos 100 gols com Rivaldo, Djalminha e Luizão.

Müller marca contra o Milan: futebol italiano voltou a cruzar caminho do atacante em 1993,
com a camisa do São Paulo, e em 1997, quando jogou pelo Perugia (Yahoo)
Mais experiente e com rodagem, o atacante teve uma nova oportunidade de disputar a Serie A pelo Perugia, recém-promovido à elite. Müller chegou na metade da temporada, num contrato de três anos, em uma transferência polêmica: uma brecha na Lei Pelé fazia com que jogadores com mais de 30 anos pudessem se transferir sem que o clube que detivesse seus direitos recebesse uma indenização, em casos especiais; o jogador afirmava que o São Paulo, não lhe pagava salários, e por isso trocou de clube. Na iminência de um novo rebaixamento pelo clube da Umbria, fez apenas seis jogos e logo cavou sua volta ao futebol brasileiro, num acordo que acusou o Santos (seu futuro clube), de não pagamento ao clube italiano.

Com tantas confusões, as portas do futebol italiano se fecharam de vez para Müller, que ainda teve certo destaque no futebol brasileiro, sobretudo por Cruzeiro, Santos e São Caetano. O jogador, no entanto, jamais apresentou o futebol dos tempos de São Paulo. Até hoje, o atacante é o sétimo maior artilheiro da história tricolor, com 160 gols em 387 jogos, segundo dados do próprio clube. Müller ainda tem uma peculiaridade em sua biografia: é um dos poucos jogadores que atuaram pelos quatro times grandes de São Paulo, em um seleto clube, que também tem Neto, Luizão e Antônio Carlos Zago.

Depois de se aposentar, a vida de Müller continuou atribulada: se dedicou à religião e virou pastor; praticamente faliu após intermináveis imbróglios familiares e teve de viver um tempo de favor na casa de Pavão, ex-companheiro de São Paulo; e também se arriscou como treinador e comentarista, sem sucesso. Hoje, Müller vive nova aventura: despendurou as chuteiras para atuar na quarta divisão paulista, assim como Viola.

Luís Antônio Corrêa da Costa, o Müller
Nascimento: 31 de janeiro de 1966, em Campo Grande (MS)
Clubes em que atuou: São Paulo (1984-87, 1991-94 e 1996), Torino (1988-1991), Kashiwa Reysol (1995), Palmeiras (1995-96), Perugia (1997), Santos (1997-98), Cruzeiro (1998-2001), Corinthians (2001), São Caetano (2001), Tupi (2003), Portuguesa (2003), Ipatinga (2004) e Fernandópolis (2015)
Títulos conquistados: Campeonato Paulista (1985, 1987, 1991, 1992, 1996), Campeonato Mineiro (1998), Campeonato Brasileiro (1986 e 1991), Copa do Brasil (2000), Copa Sul-Minas (2001), Taça Libertadores da América (1992 e 1993), Mundial Interclubes (1992 e 1993), Supercopa Libertadores (1993), Recopa Sulamericana (1993), Copa dos Campeões Mundiais (1996) e Copa do Mundo (1994)
Clubes como treinador: Grêmio Maringá (2009 e 2014), Sinop (2010) e Imbituba (2011)
Seleção brasileira: 59 jogos e 12 gols

Serie B: Surpresas tradicionais... e nem tanto

Tradicional Vicenza subiu nesta temporada e pode conseguir segundo acesso seguido, desta vez à elite (Divulgação)
Juventus a uma vitória do tetra, Lazio, Roma e Napoli disputando o segundo lugar, Sampdoria e Fiorentina segurando as pontas para as últimas vagas europeias e rebaixamentos praticamente definidos. A sete rodadas do fim, a não ser que ocorra alguma arrancada inesperada, não deveremos ter mais nenhuma novidade na Serie A. A segundona italiana, contudo, segue pegando fogo. Ou melhor, pegando ainda mais fogo.

Na Serie B, restam seis rodadas na fase de pontos corridos, que prometem grandes duelos em maio. Seja na briga por vaga direta para a elite do futebol italiano junto ao virtual campeão Carpi, seja por um lugarzinho no grupo dos seis que disputarão a última vaga para a promoção via play-off. E, claro, o batalhão dos desesperados na parte inferior da tabela, com três rebaixados e dois no play-out (mais um cai). Dos 22 times, basicamente todos ainda têm algo a disputar ou defender.

Quem não não está nem aí com toda essa briga é o quase novato Carpi, sobre o qual já falamos aqui em duas ocasiões. Surpreendentemente, o time emiliano não só manteve a liderança, onde está desde a 14ª rodada, como aumentou a diferença e sua média. Em 36 partidas, tem 21 vitórias e 74 pontos, números bem próximos dos campeões da segunda divisão nesta década: Palermo de 2013-14 (25 vitórias e 86 pontos), Sassuolo de 2012-13 (25 vitórias e 85 pontos), Pescara de 2011-12 (26 vitórias e 83 pontos) e Atalanta de 2010-11 (22 vitórias e 79 pontos).

Levando em conta que temos mais seis jogos, ou seja, 18 pontos em questão, há uma boa margem para o clube biancorosso, da pequena cidade de Carpi, vizinha de Módena, deixar mais alguns boquiabertos. Por que tanta força, considerando o baixo investimento e elenco modesto? Bem, é na simplicidade que os falconi se guiam, com um time organizado, de futebol pragmático, sem brilhantismo ou mesmo individualidades. Não à toa, são 24 gols sofridos, número menor do que todos os últimos campeões.

Seu treinador é o melhor exemplo. Fabrizio Castori, em dez anos de Serie B, no máximo conseguiu um sexto lugar com o Cesena em 2005-06, mas sempre esteve na parte de baixo da tabela, colecionando demissões e rebaixamentos. No grupo de 28 jogadores do Carpi, avaliados em 17,13 milhões de euros pelo Transfermarkt, destaque para o time que Castori montou, com 13 jogadores com mais de 1500 minutos e 20 partidas como titulares. No camaleônico jeito de montar o time, Castori já utilizou os esquemas 3-5-2, 4-3-3, 4-4-2, 4-1-4-1 e 4-4-1-1, com espaço para improvisações e também para a velha mescla entre jovens, muitos por empréstimo, e experientes.

15 pontos atrás do líder Carpi, aparecem Vicenza e Bologna, equipes bastante tradicionais da Serie A. Ameaçando Carpi e Frosinone, o Bologna manteve uma média que sempre lhe deixou no segundo lugar, mas nunca acima disso. Agora, com apenas duas vitórias desde março, a equipe treinada por Diego López, e com o maior orçamento d segundona, pode ter que suar no play-off por ter sido ultrapassado pelo velho Vicenza, que tem vantagem nos critérios de desempate. 

Com muita história, os lanerossi revelaram ao mundo jogadores como Roberto Baggio e Paolo Rossi, e também tiveram no brasileiro Luís Vinício um grande destaque. Após anos amargos, a equipe vem ressurgindo das cinzas. Está presente na Serie B somente por causa da falência do Siena e da inadequação financeira de Novara, Lecce e Reggina. Com isso, acabou sendo repescado, por mérito esportivo, da Lega Pro, competição na qual foi eliminado nos play-offs de acesso. O time é comandado por nada mais nada menos que Pasquale Marino, e é uma das maiores surpresas de uma Serie B já em clima de suspense. Afinal, nada está garantido: os vicentinos, que hoje subiriam diretamente à elite, estão oito pontos acima do último time que jogaria os play-offs. Não é uma distância tão grande em um certame tão equilibrado.

No contexto do último texto postado, outra surpresa também era o pouco experiente Frosinone, que passou por momento de bastante irregularidade e caiu na tabela, mas tem conseguindo, aos trancos e barrancos, se manter bem próximo do segundo lugar, hoje a apenas um ponto – ocupa a quarta posição, abaixo de Vicenza e Bologna. Assim é a traiçoeira Serie B, sempre traindo os prognósticos. Não há melhor exemplo que os quase gigantes (para os padrões do torneio) Bologna e Livorno, perto de tantos novatos. Velhos conhecidos da Serie A, um deles heptacampeão, deveriam estar em condições bem mais confortável do que vivem.

Na Toscana, o Livorno já viveu melhores momentos no campeonato, e agora busca correr atrás do prejuízo. Carmine Gautieri foi demitido e seu substituto, Ezio Gelain, durou menos de dez rodadas. Hoje, o time labronico é comandado por outro velho conhecido do futebol italiano: Christian Panucci, que tem como assistente seu amigo Stefano Eranio, ex-jogador de Genoa e Milan. Por enquanto a mudança não significou muita coisa, mas os amaranto seguem disputando uma vaga no play-off. Isto se não vacilarem novamente e derem espaço para um grupo de cinco times que estão nos seus calcanhares. O Livorno, sétimo colocado, tem 52 pontos, e logo atrás, com 51, aparecem Spezia e Pescara. Lanciano, Bari e Catania ainda sonham com uma vaga.

Nesta zona da tabela, em um meio do caminho um tanto obscuro é que se encontram os decepcionantes Bari e Catania, Pelo investimento e expectativa, deveriam estar na ponta da tabela, mas amargam a zona média do certame, com 46 e 44 pontos, respectivamente. Para o Bari, a situação é difícil: o presidente Gianluca Paparesta já afirmou que o próximo ano pode ser complicado financeiramente em caso de não obtenção do acesso à elite.

No caso do time siciliano, a situação melhorou agora, com quatro vitórias consecutivas, depois da quarta mudança de treinador – Maurizio Pellegrino, duas vezes, Giuseppe Sannino e agora Dario Marcolin. O Catania ainda sonha com uma vaguinha no play-off, mas já se acomodaria com a permanência na Serie B. Afinal, durante uma boa parte do campeonato, os etnei ficaram na zona de rebaixamento, e chegaram a ocupar a lanterna.

Não muito acima, Perugia e Avellino, velhos conhecidos da Serie A, estão em posições confortáveis para o play-offs, com 54 e 53 pontos, respectivamente. Os biancoverdi da Campânia, no entanto, precisam ficar ligados após um março horrível. Por sua vez, os biancorossi da Úmbria ainda podem pensar em algo mais: o acesso direto. O time de Rodrigo Taddei está em ótima sequência desde fevereiro: sete vitórias, três empates, duas derrotas e sete jogos de invencibilidade, a maior desde os 13 jogos sem perder do Carpi, entre outubro e dezembro.

No fundo da tabela estão times que surpreenderam em temporadas anteriores. São os casos daqueles que encantaram no último campeonato: Trapani e Latina decepcionam com campanhas dignas do sofrimento e perigo que vivem agora, bem próximos da zona de rebaixamento, que não deve acontecer, porque há quem está pior.

Não são exatamente os casos de Modena e Crotone, que, assim como o Latina também disputaram os play-offs de acesso à primeira divisão em 2013-14. Essas equipes devem ficar em estado de alerta para a briga contra o rebaixamento, mas os recém-promovidos Pro Vercelli e Virtus Entella parecem fadados ao play-out, mesmo com a situação de proximidade entre as equipe desta parte da classificação. Em situação pior, Varese e Brescia vivem crise financeira, já perderam pontos no tapetão e estão bastante próximos da Lega Pro. Quem deve cair também é o Cittadella, time da província de Pádua, que muito provavelmente realizará o clássico local contra o Padova na terceira divisão.

Classificação da Serie B aqui; principais estatísticas aqui.

terça-feira, 21 de abril de 2015

31ª rodada: O primeiro match point

Vitória incontestável da Juventus sobre a Lazio dá à Velha Senhora chance de ser campeã já na próxima rodada (AP)
Em outros tempos, um Juventus-Lazio nunca ofuscaria um Dérbi de Milão. Pois é, outros tempos. No jogo do sábado, a Velha Senhora mostrou novamente porque é o melhor time da Itália, bateu a vice-líder com bastante facilidade e tirou dos editores do blog qualquer possibilidade de colocar o chocho 0 a 0 entre Inter e Milan como destaque da rodada. A Juventus, aliás, já tem 15 pontos de vantagem sobre Lazio e Roma, e com uma combinação de resultados já pode comemorar o tetracampeonato na próxima rodada, em pleno Dérbi de Turim. Para levantar o 31º scudetto, a Juve precisa vencer o rival Torino e torcer por derrotas da Lazio, que joga em casa contra o Chievo, e da Roma, que visita a Inter. Caso aconteça, a equipe comemoraria o título com incríveis seis rodadas de antecedência.

Juventus 2-0 Lazio
Em Turim, a Velha Senhora precisou de pouco tempo para matar o jogo contra a Lazio. Mesmo pensando na partida de volta das quartas de final da Liga dos Campeões contra o Monaco e escalando alguns reservas, a Juve foi implacável contra uma Lazio que também tinha desfalques – De Vrij e Parolo. A nota negativa para os laziali foi a partida apagada de Felipe Anderson, que não chamou a responsabilidade em um jogo tão importante. Para a Juventus, o óbvio: Tévez foi novamente decisivo, mesmo tocando poucas vezes na bola.

Em 29 minutos, a dona da casa já fazia 2 a 0: primeiro, com Tévez, que aproveitou passe de cabeça de Vidal e desatenção da defesa romana para anotar – na comemoração, imitou uma galinha e provocou o River Plate, que será adversário do seu Boca Juniors na Copa Libertadores. Depois, veio o segundo, com Bonucci, que partiu sozinho do meio de campo, sem ser importunado, até chutar e vencer Marchetti. O resultado mantém a Lazio na vice-liderança, com os mesmos 58 pontos da Roma. A Juve já gela a champagne. (Nelson Oliveira)

Inter 0-0 Milan
Em um dos dérbis menos prestigiosos da história, Inter e Milan ficaram no 0 a 0 e praticamente deram adeus às chances de classificação para a Liga Europa. Desde 1958-59 a dupla não fica fora de competições europeias – de lá para cá, ao menos um dos times milaneses joga em uma das competições continentais. Parece que o tabu caiu por terra. Justamente no dia da queda de outra marca: há 11 anos o Derby della Madonnina não acabava sem gols.

Com mando de campo nerazzurro, o dérbi foi dominado pela Inter. Como esperado, os dois times entraram em campo agarrados a suas propostas: a Beneamata dominava a posse de bola e fazia o jogo, enquanto o Milan esperava para buscar contra-ataques, que raramente aconteceram. As novidades nas escalações iniciais – Suso, do lado milanista, e o jovem Gnoukouri, do interista – eram os melhores em campo. Com poucas chances muito claras de gols, as que balançaram as redes foram bem anuladas pela arbitragem – duas por impedimento, cada uma delas para um dos times, e a outra, para a Inter, por falta de Palacio em Antonelli. No final das contas, quem mais teve a lamentar foi a Inter, que pressionou mais e teve as melhores chances, esbarrando em Diego López. Com o resultado, as duas equipes continuam num pouco generoso meio da tabela. (NO)

Roma 1-1 Atalanta
Roma, Roma… A equipe joga em casa, precisando da vitória e sabendo que a rival Lazio, logo à sua frente, tropeçou. Mesmo assim, o time romano não conseguiu os três pontos. O time de Rudi Garcia, especialmente em 2015, é uma decepção só. Nenhum time das principais ligas europeias empatou tanto quanto os giallorossi neste ano solar. Muito disso deve-se à baixa produção ofensiva – a Roma tem apenas o nono melhor ataque da temporada – e aos erros no mercado romano. Por exemplo: o artilheiro da equipe é Ljajic, com apenas oito gols, e Iturbe, Doumbia e Ibarbo, que juntos custaram aos cofres da Roma 50 milhões de euros, produziram apenas um gol.

Frente a um Olímpico vazio, Roma e Atalanta não fizeram um jogo dos mais bonitos. Muitas faltas, cartões amarelos, pancadas, discussões e futebol deixado de lado. Muito mais por conta da individualidade do que do jogo coletivo, o time da casa ainda foi capaz de produzir chances de gol, enquanto Sportiello aguentou firme segurando o empate. Gols? Bem, os veteranos Totti e Denis fizeram os seus de pênalti, ainda nos minutos iniciais. Até nisso o jogo pecou. (Arthur Barcelos)

Cagliari 0-3 Napoli
Vida fácil para o Napoli no domingo: jogo resolvido já na primeira etapa. As figuras centrais do primeiro tempo no Sant’Elia foram Callejón e Hamsík. O esloveno acionou o espanhol atrás da defesa do Cagliari, aos 24 minutos, para vencer Brkic com uma finalização. Não contou como assistência, mas Hamsík participou do segundo gol do Napoli com um cruzamento que Balzano cortou para a própria meta na tentativa de se antecipar a Insigne. Callejón ainda foi decisivo ao bloquear uma chance claríssima de M’Poku na frente de Andújar. Na etapa final, Gabbiadini deixou o banco e em três minutos balançou a rede.

O resultado na Sardenha consolidou ainda mais os objetivos neste fim de campeonato para cada uma das equipes. O Napoli permanece na luta por uma das vagas na próxima edição da Liga dos Campeões ao diminuir as vantagens de Roma e Lazio – são cinco pontos, agora, e ainda haverá duelo entre os romanos na penúltima rodada da Serie A. O Cagliari foi praticamente empurrado para a Serie B depois de perder em casa. Na preparação para o jogo, 30 ultras não ajudaram em nada: invadiram uma propriedade do clube na última sexta-feira e ameaçaram os jogadores, que demonstraram nervosismo em toda a partida. (Murillo Moret)

Arbitragem foi bastante exigida e correspondeu à altura no Dérbi de Milão (Ansa)
Fiorentina 0-1 Verona
De olho na partida de volta contra o Dynamo Kyiv, pela Liga Europa, a Fiorentina foi a campo nesta segunda-feira, contra o Verona, no encerramento da 30ª rodada da Serie A. Com um time alternativo, sem jogadores como Borja Valero, Pizarro, Gómez, Rodríguez e Salah, a Fiorentina demorou a engrenar. Apesar de algumas tentativas nos chutes de longa distância, a primeira chance clara de gol aconteceu apenas aos 28 minutos, quando Gilardino cabeceou para bela defesa de Rafael.

A Fiorentina voltou melhor e nos primeiros minutos já teve a chance de abrir o placar, porém quando não parava nas defesas do goleiro gialloblù, pecava nas finalizações. A chance de abrir o placar veio aos 21, na penalidade sofrida por Gilardino. Na cobrança, Diamanti desperdiçou – a defesa de Rafael, que pulou no canto esquerdo para buscar, foi fenomenal. Nos minutos finais, o Verona encontrou espaços para contra-atacar. Já aos 44, Obbadi aproveitou rebote de Neto e fez o gol que deu a vitória ao Verona. Com treze pontos de distância para o Cesena, os veroneses tem uma situação bem cômoda quanto ao rebaixamento. No lado toscano, além de perder a quinta colocação, o time ainda viu Babacar sair lesionado, tornando-se dúvida para o jogo de quinta-feira. (Caio Dellagiustina)

Sampdoria 0-0 Cesena
No sábado, a Sampdoria falhou em sua missão para entrar na zona de classificação para a Liga Europa. Em casa, o time de Mihajlovic não conseguiu superar o Cesena, time que luta contra o rebaixamento, e saiu de campo lamentando e já pensando na possível escapada de Napoli e Fiorentina, seus rivais diretos pela vaga na Liga Europa da próxima temporada. Para a sorte do time de Gênova, a Fiorentina também não fez sua lição de casa, na segunda-feira, e - pior - perdeu para o Verona, no Artemio Franchi.

Assim, os blucerchiati subiram à quinta posição, mesmo sem vencerem no sábado. A equipe tem 50 pontos, um a mais que a Fiorentina e três a menos que o Napoli. Contra o Cesena, a Samp conseguiu dominar o jogo e teve maior posse o tempo todo. Porém, errou muito no ataque. Eto'o foi bem e criou boas oportunidades, mas Éder, Okaka e Muriel estavam em tarde de pé torto. A chance mais clara foi do zagueiro Romagnoli, que cabeceou cruzamento de Correa, mas viu Lucchini tirar em cima da linha. Bom para o Cesena, que pode comemorar um ponto ganho fora de casa, na difícil missão de se salvar do rebaixamento. Agora, o time soma 23 pontos, sete a menos que a Atalanta, primeira equipe fora do Z-3. (Rodrigo Antonelli)

Sassuolo 1-1 Torino
Sonhando em entrar de vez na briga por uma vaga na Liga Europa, o Torino perdeu grande chance de se aproximar dos rivais nesse fim de semana, após empatar com o Sassuolo, fora de casa. Com a derrota da Fiorentina e o empate da Sampdoria, o Toro poderia ficar a apenas três pontos da quinta colocação, caso tivesse vencido. Com o 1 a 1, a distância ficou em seis pontos. E a equipe visitante teve chances de marcar os três pontos: o time foi melhor na maior parte do jogo e poderia ter virado o placar em algumas oportunidades, mas esbarrou em Consigli em todas elas.

Quem abriu o placar foi o Sassuolo, após pênalti polêmico de Glik em Floro Flores. Berardi cobrou e fez seu 11º gol no campeonato, no fim do primeiro tempo. Na segunda etapa, o Torino voltou ainda pressionando e também foi beneficiado pela arbitragem, em outra marcação de pênalti duvidosa, de novo em jogada entre Glik e Floro Flores. Quagliarella converteu para os visitantes e deu início a uma pressão granata, que, porém, não resultou em gol. Se o Torino lamenta o resultado, o Sassuolo pode comemorar mais um ponto rumo à salvezza matemática, uma vez que o time não deve cair, tampouco lutar por algo na parte de cima da tabela. (RA)

Palermo 2-1 Genoa
Com a vitória diante do Parma no meio da semana, o Genoa reacendeu as chances de brigar por uma vaga na Liga Europa. Vencer o Palermo fora de casa seria fundamental para estas pretensões, mas os comandados de Gasperini amargaram uma derrota. Caso tivesse vencido, contando com o tropeço da Fiorentina no dia seguinte, o time de Gênova ficaria a apenas dois pontos da sexta posição, que pode dar vaga à segunda mais importante competição continental. 

No Renzo Barbera, s rosanero trabalharam diante de sua torcida e foram bastantes agressivos sob o comando da dupla Vázquez-Dybala. Os visitantes, por sua vez, não demonstraram a típica atitude ofensiva dos times de Gasperini, e tiveram uma posse de bola estéril. Em meio às especulações envolvendo a Juventus, Dybala novamente foi protagonista ao participar diretamente dos dois gols do búlgaro Chochev, enquanto Iago descontou em assistência de Edenílson. (AB)

Chievo 1-1 Udinese
A partida no Marc’Antonio Bentegodi foi bastante aberta apesar da distância dos times do rebaixamento e das crises internas. O Chievo teve uma semana mais tranquila porque venceu o Cesena no confronto direto; na Udinese, o técnico Andrea Stramaccioni vive péssimo momento devido aos resultados obtidos. A situação da Udinese quase mudou (momentaneamente) com uma falta cobrada por Kone nos minutos iniciais. O vento ajudou na curva da bola, mas a pelota explodiu no travessão. Se Allan não conseguiu vencer Bizzarri, Pellissier desviou o cruzamento de Meggiorini e mexeu no marcador.

A Udinese contou com a sorte em dois momentos na etapa complementar. Théréau avançou ao fundo e cruzou para Geijo, mas Cesar se antecipou a jogou contra o próprio patrimônio. Nos minutos finais, pressão dos donos da casa: Radovanovic parou em Karnezis, Paloschi chutou perto da meta e Zukanovic acertou a trave, já nos acréscimos. (MM)

Empoli 2-2 Parma
Se o Parma já tem a certeza de que não disputará a Serie A na próxima temporada, o Empoli já tem a salvezza quase garantida. Embora as chances de permanência sejam grandes, o time toscano, que tem 11 pontos de vantagem sobre o Cesena, ainda precisa de alguns pontos e, contra o lanterna, em casa, não se esperava algo além da vitória. Apesar de o adversário vir numa ascendente, já aparentava sinais de cansaço, como por exemplo na derrota contra o Genoa, na última quarta-feira. Porém, os crociati mais uma vez mostraram brio e arrancaram um ponto em Empoli.

O time azzurro começou melhor, dominando as ações ofensivas, mas quem abriu o placar foi o Parma. Mário Rui alcançou a bola quase perdida e cruzou para Coda chutar; na sobra, Lodi acertou um chute rasteiro e abriu o placar. A reação não demorou e aos 27, Saponara aproveitou falha de Feddal e encontrou Maccarone, na entrada da área para igualar. A virada veio ainda na primeira etapa, com Tonelli, que subiu mais que todos e completou a cobrança de escanteio. Na segunda etapa, Mirante foi o protagonista, fazendo verdadeiros milagres, evitando o terceiro gol azzuro. O Empoli pagou pela falta de efetividade e sofreu o empate. Coda arriscou e acertou a trave, mas no rebote, Belfodil empatou o confronto, voltando a marcar na Serie A após quase dois anos – seu último gol oficial havia sido marcado em dezembro de 2013, pela Inter, na Coppa Italia. (CD)

Relembre a 30ª rodada aqui.
Confira estatísticas, escalações, artilharia, além da classificação do campeonato, aqui.

Seleção da rodada
Rafael (Verona); Rispoli (Palermo), Ranocchia (Inter), Bonucci (Juventus),  Emanuelson (Atalanta); Vidal (Juventus), Obiang (Sampdoria), Chochev (Palermo), Hamsík (Napoli); Tévez (Juventus), Callejón (Napoli). Técnico: Massimiliano Allegri (Juventus).

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Um pé e quatro dedos

Hamsík foi o heroi do Napoli na partida na Alemanha, que praticamente garante azzurri nas semifinais
A melhor temporada do futebol italiano em nível continental nesta década continua a todo vapor. Depois da vitória da Juventus sobre o Monaco na Liga dos Campeões, mais duas equipes da Bota vão para a partida de volta das quartas de final de uma competição europeia com boa vantagem: o Napoli massacrou o Wolfsburg na Alemanha e está praticamente garantido na próxima etapa da Liga Europa, enquanto a Fiorentina se acontentou de um empate fora de casa contra o Dynamo Kyiv. Acompanhe o resumo das partidas da Europa League.

Wolfsburg 1-4 Napoli
No 55º aniversário do técnico Rafa Benítez, o Napoli quase alcançou um resultado que não é visto exatamente desde o mesmo ano: uma equipe italiana não vence na Alemanha com quatro ou mais gols de diferença desde a Inter em 1960 (derrotou o Hannover por 6 a 1). Por causa de uma pequena desatenção defensiva, os azzurri não chegaram lá. Mas, tabus à parte,  resultado deixa o Napoli com um pé e quatro dedos nas semifinais.

Os Leões não tiveram chance. Em 25 minutos, o time alemão já havia colocado 2 a 0 no placar. Higuaín abriu a contagem aos 15, após ótimo lançamento longo de Mertens e grande domínio com o braço - que o árbitro não viu. Depois, o argentino passou em profundidade para Hamsík chutar fora do alcance de Benaglio. Mesmo com a qualidade nas finalizações, é necessário enaltecer a precisão das assistências atrás da defesa em ambos os lances.

Os outros três tentos da partida nasceram de erros individuais. Guilavogui errou o passe na saída de jogo e permitiu que Callejón invadisse a área e tocasse para Hamsík marcar o terceiro. Knoche não acompanhou a movimentação de Gabbiadini e deixou o meia-atacante livre para, em seu primeiro toque na bola, escorar o cruzamento perfeito de Insigne, já nos minutos finais da partida – o jogadorainda acertou belo chute de fora da área, no travessão. Pelo Napoli, Britos também vacilou e Bendtner não teve trabalho para fazer o único gol do Wolfsburg.

A vantagem napolitana conseguida na Alemanha deixa a equipe em ótima situação, pois só perde a vaga na semifinal da Liga Europa se perder por um 4 a 0 no San Paolo. Até porque nenhum time conseguiu reverter um 4 a 1 desde que a regra dos gols fora de casa foi implantada. (Murillo Moret)

Dynamo Kyiv 1-1 Fiorentina
Na outra partida envolvendo um time italiano desta quinta, a Fiorentina jogou bem, mas esbarrou em erros próprios na definição das jogadas. Não fosse isso, a viola poderia ter vencido o Dynamo Kyiv, na Ucrânia. O empate, porém, ficou de bom tamanho, e o time do Belpaese entra em campo na partida de volta como favorito a chegar às semifinais da competição.

A Fiorentina vinha em fase negativa: jogou muito mal contra Juventus e Napoli, sofreu seis gols e não marcou nenhum gol nesses jogos. Mas, no Olímpico de Kyiv, a equipe de Vincenzo Montella procurou impor seu jogo desde o início, e foi amplamente melhor no primeiro tempo, com Salah criando boas oportunidades. Na melhor delas, Joaquín – jogando em ritmo abaixo ao da equipe –, chutou em cima do zagueiro Khacheridi. Ainda no primeiro tempo, porém, foram os ucranianos que abriram o placar. Na falta de Yarmolenko, apagado, Lens chutou de fora da área, e o desvio em Tomovic encobriu Neto.

Após o intervalo, a partida ficou um pouco mais igual, embora a Fiorentina ficasse mais tempo com a bola e no campo adversário. Novamente as melhores chances saíram dos pés de Salah, mas um chute seu colocado saiu fraco, para a defesa de Shovkovskiy, e algumas vezes o egípcio errou o último passe. Embora o Dynamo estivesse mais bem fechado, Borja Valero chegou a acertar uma cabeçada na trave. O gol de empate viola saiu apenas no último minuto do jogo. Babacar, que substituíra Gómez, usou sua força física para ganhar no alto da defesa e, na sobra de bola, deu um toque acrobático no contrapé do goleiro ucraniano, que nada pode fazer. No Artemio Franchi, apenas uma derrota ou um empate por dois ou mais gols tira a vaga da Fiorentina.

quarta-feira, 15 de abril de 2015

O favorito número 4

Vidal marcou o único gol no primeiro jogo contra o Monaco (Foto: LaPresse)

A estratégia da partida em Turim foi modificada em relação ao último jogo europeu na Arena. Ao invés de procurar o contra-ataque, como contra o Dortmund, a Juventus manteve a posse de bola e ditou o ritmo do primeiro confronto das quartas de final da Liga dos Campeões. 

Nos 10 minutos iniciais, os dois times criaram boas oportunidades. Morata chegou perto de marcar depois de lançamento de Pirlo, enquanto Tévez, de longa distância, parou em Subasic. Kurzawa, também de longe, acertou o travessão. Ainda no primeiro tempo, o Monaco teve a chance da etapa. Martial venceu Bonucci e Lichtsteiner na corrida e cruzou para Ferreira-Carrasco. Buffon fez uma das três defesas maravilhosas do jogo. 

Coletivamente, o ataque não foi tão bem em comparação à partida na Alemanha. A defesa, entretanto, se portou extremamente bem contra três adversários muito rápidos e que tentaram induzir o quarteto de zaga ao erro. Lichtsteiner, Bonucci, Chiellini e Evra - e Barzagli na etapa final - contornaram a falta de velocidade ante Martial, Carrasco e Dirar e foram disciplinados o suficiente para bloquear os avanços dos atacantes adversários.

Outro lançamento em profundidade, novamente de Pirlo para Morata, decretou o resultado final da partida. Carvalho derrubou o espanhol e cometeu pênalti – imagens mostram, porém, que a falta aconteceu fora da grande área. Vidal, com uma cobrança perfeita, tirou qualquer chance de defesa de Subasic. A Juve recuou nos 30 minutos finais e apenas aguardou o Monaco. A única vez que os franceses atacaram a defesa foi com uma cabeçada de Berbatov - que saiu por cima da meta.

O técnico Massimiliano Allegri declarou ao fim da partida que a equipe dele não jogou mal. Além disso, que se alguém quisesse ter bons momentos, "que vá ao circo". Se a estratégia é jogar para vencer, tem dado certo, pois, sob comando dele, o time venceu quase 70% das partidas. 

No momento, a Juventus é o quarto favorito ao título europeu, atrás de Bayern, Barcelona e Real Madrid, de acordo com as casas de apostas. Ficar entre os quatro melhores da Europa era o intuito da temporada. E, de certa forma, seria uma bênção para o futebol italiano, que não coloca um time nas semifinais da Champions desde a Inter, em 2009-10.

Juventus 1-0 Monaco
Liga dos Campeões, Juventus Arena

Juventus: Buffon; Lichtsteiner, Bonucci, Chiellini, Evra; Vidal, Pirlo (Barzagli 74'), Marchisio; Pereyra (Sturaro 87'); Tévez, Morata (Matri 83').

Monaco: Subasic; Raggi (Berbatov 71'), Ricardo Carvalho, Abdennour, Kurzawa; Fabinho, Kondogbia, Moutinho; Ferreira-Carrasco, Martial (Matheus 87'), Dirar (Bernardo Silva 51').

Gol: Vidal 57' (assista)

segunda-feira, 13 de abril de 2015

30ª rodada: Ultrapassagem em grande estilo

Jogo de equipe: Lazio de Pioli atua com grande fluidez e é a sensação do campeonato (Getty)
O bom futebol paga. Uma prova disso é a Lazio, que vem jogando de uma forma primorosa e, graças a isso, tem conseguido resultados que a fazem subir na tabela. O time já tem oito vitórias consecutivas e, graças a uma goleada sobre o Empoli, passou a rival Roma e assumiu a vice-liderança – em um dia definido pelo presidente Claudio Lotito como histórico. O campeonato ainda não acabou, e o time biancoceleste terá um grande desafio na próxima rodada: enfrenta, em Turim, a líder Juventus, em um teste de fogo. Confira o resumo da rodada, com todos os destaques do que ocorreu em campos italianos.

Lazio 4-0 Empoli
E a Lazio segue sua caminhada rumo à Liga dos Campeões, agora com direito a ultrapassagem sobre a rival Roma. E na Cidade Eterna, os laziali fizeram festa bonita, lotando o Olímpico – mais de 50 mil pessoas compareceram ao estádio. O time de Pioli, por sua vez, retribuiu com goleada sobre o Empoli, sempre com o quarteto Candreva, Mauri, Felipe Anderson e Klose. Neste momento, é a Lazio quem tem o melhor futebol da Itália, com 4-3-3 seu muito insidioso. Hoje, os romanos têm o melhor ataque da temporada – 58 gols, um a mais que a Juventus –, e uma pontuação idêntica à Juve em 2015 (31 pontos para cada). As equipes se enfrentam na próxima semana, em um duelo que promete tirar o fôlego, já que os aquilotti estão embalados e buscam recordes da história do clube.

Com atuação correta, focando nas transições e consistência defensiva, os biancocelesti foram precisos sempre que atacaram, o que não aconteceu muitas vezes, apesar de jogarem em casa. Na verdade, os visitantes tiveram mais chutes e posse de bola, porém foram incapazes de fazer algum gol e controlar o jogo. A cada ataque, o time da casa marcava um gol, até alcançar os 4 a 0. O primeiro chegou com Mauri, aos 4, e o segundo com Klose, aos 31 – ambos em cruzamentos de Cavanda. Candreva fez aos 44, com uma pancada de fora da área, e Felipe Anderson fechou a conta aos 53. A nota negativa na partida foram duas lesões importantes: De Vrij (entorse no joelho) e Parolo (fratura na costela). A ausência dos dois titulares nas próximas semanas, decisivas para o final da temporada, pode pesar. (Arthur Barcelos)

Torino 1-1 Roma
Não deu para a Roma segurar a vice-liderança por muito tempo. Apesar da vitória na última rodada, os giallorossi empataram em 1 a 1 com o Torino e foram ultrapassados pela Lazio. Mais uma vez, um time da parte mais alta da tabela parou na ótima marcação do Torino, uma equipe muito bem armada por Ventura, e que não à toa tem a terceira melhor campanha no ano solar – são 26 pontos, atrás apenas de Juventus e Lazio. Mesmo longe do Olímpico, a Roma começou melhor e chegou a parar no travessão - em finalização de Iturbe. Glik até tentou uma bicicleta depois de uma cobrança de escanteio, mas o primeiro tempo terminou sem gols.

A Roma saiu na frente com o pênalti polêmico, cometido de Moretti em De Rossi – o volante romano foi esperto e cavou a penalidade, que Florenzi converteu. Pouco depois, Maxi López mostrou que, nas mãos de Ventura – um dos melhores treinadores de times pequenos e médios do país –, voltou a ter confiança para ser protagonista. O argentino entrou na partida e balançou a rede no primeiro toque na bola. Com polêmica, claro: os jogadores do time visitante reclamaram que o cruzamento de Bruno Peres – outra vez muito bem em campo – saiu pela linha de fundo. Gazzi ainda teve a chance de virar, mas foi a Roma quem criou mais chances no decorrer do jogo. Pjanic, Doumbia e Florenzi perderam boas oportunidades. (Murillo Moret)

Parma 1-0 Juventus
"Juve paga um micaço!", escreveu a Gazzetta dello Sport após a derrota da Velha Senhora para o (último colocado, quase rebaixado e praticamente falido) Parma. Ao mesmo tempo, todos devemos prezar a bravura dos parmiggianos, que viram sua torcida lotar o estádio contra o maior rival e, mesmo sem receber salários, jogam bem – são sete pontos nos últimos nove jogos. Com time misto - mais para reserva do que para titular - em campo, a equipe de Allegri passou longe de apresentar futebol sequer razoável. A única boa chance veio com um dos poucos titulares em campo, Vidal, ainda no primeiro tempo. O chileno, porém, não aproveitou. Na frente, Coman e Llorente nada fizeram e deixaram o goleiro Mirante como mero espectador de luxo.

O Parma nem precisou ser muito brilhante para vencer a líder: na primeira boa chance que teve, marcou, com Mauri. O meia iniciou a jogada com roubada de bola e apareceu na entrada da área, onde recebeu passe de Belfodil para superar o goleiro Storari e fazer 1 a 0. Sem se conformar à beira do campo, Allegri colocou Morata para resolver, mas o espanhol sozinho nada pode fazer. E se, como o treinador costuma dizer, "vitória atrai vitória", o Monaco sorri com esse péssimo resultado dos bianconeri antes do jogo decisivo dessa semana, pelas quartas de final da Liga dos Campeões. Pela Serie A, a adversária da próxima rodada será a nova vice-líder, Lazio, que tem 12 pontos a menos. (Rodrigo Antonelli)

Napoli 3-0 Fiorentina
Das duas equipes eliminadas na Coppa Italia no meio da semana, somente o Napoli entrou em campo no San Paolo. Mertens marcou um golaço da esquina da área com uma ajuda de Richards - que preferiu dar espaço ao invés de bloquear qualquer decisão do belga. Higuaín e Callejón também balançaram a rede, na etapa final, para decretar a vitória maiúscula em casa. Gabbiadini, mais uma vez, fez um excelente jogo e por pouco não deixou a sua marca.

O Napoli ainda pode reclamar de um gol tomado pela arbitragem. Ainda no primeiro tempo, aos 36, Higuaín venceu Neto com uma finalização, a bola bateu no travessão e tocou a linha antes da sequência da jogada. O árbitro de linha observou a jogada de perto e invalidou o gol. O replay sugeriu o tento do argentino. Com a vitória, o Napoli ultrapassou a Fiorentina e reassumiu a quarta posição: tem 50 pontos, contra 49 do time florentino, que vem logo atrás. (MM)

Milan 1-1 Sampdoria
O último trem para a Europa partiu e o Milan não pegou. No confronto direto contra a Sampdoria, o time milanês até apresentou alguma melhora, mas não passou do empate e viu os dorianos continuarem com sete pontos de vantagem na briga por uma vaga na Liga Europa. Dessa forma, o dérbi da semana que vem, contra a Inter, deverá ser apenas um jogo que valerá para cumprir tabela. A que ponto chegamos.

A Sampdoria, que não tem nada a ver com isso, fez mais do seu jogo em San Siro. Após um primeiro tempo em ritmo lento, a equipe visitante aumentou a intensidade do jogo e abriu o placar. Eto'o roubou uma bola no campo de defesa e iniciou a jogada do primeiro gol do confronto. O camaronês, com belo passe, achou Soriano na grande área, e o meia não perdoou. Os rossoneri chegavam bastante ao ataque com Cerci, mas pecava nas finalizações. Quando o italiano foi substituído por Suso, o time melhorou. Primeiro, o espanhol acertou a trave, e, na sequência, De Jong contou com a sorte para empatar. Seu chute saiu fraco e mascado, mas Duncan enganou Viviano e, com desvio fundamental, igualou o placar. (Nelson Oliveira)

Verona 0-3 Inter
Depois de muitas incógnitas, a Inter voltou a jogar bem e arrancou três pontos do Verona no estádio Marc'Antonio Bentegodi. A partida – e o modo como foi vencida – dá moral aos nerazzurri antes do dérbi contra o Milan. Apesar de o jogo valer pouca coisa – é muito difícil que um dos representantes de Milão consiga uma vaga europeia –, vencer um clássico é sempre bom. E a Inter, neste momento, parece em melhor forma, apesar dos desfalques de Brozovic e Guarín, que estarão suspensos.

A partida teve alguns momentos de puro monólogo interista. No início, após uma troca de passes, Palacio cruzou na área e Icardi completou – em lance discutível, os butei reclamaram pela falta de fair play da Inter, que não colocou a bola para fora enquanto Tachtsidis estava caído. Com muita posse de bola e domínio territorial, a Inter, comandada por Hernanes e Palacio, ampliou no início do segundo tempo. Icardi retribuiu presente de Palacio e cruzou para o compatriota aumentar. Depois disso, Handanovic protagonizou um verdadeiro show: o Verona decidiu atacar e o esloveno fez defesas excepcionais – parou, inclusive, um pênalti cobrado por Toni. Ele, que defendeu seis das últimas sete penalidades contra a Inter, está apenas três cobranças atrás de Pagliuca e pode se tornar o maior pegador de pênaltis da história da Serie A – são 21 contra 24. No final do jogo, a Beneamata ainda chegou ao terceiro gol, com a ajuda do zagueiro Moras. (NO)

Genoa 2-0 Cagliari
Cada vez mais, parece não ter volta o caminho do Cagliari rumo à Serie B. Mesmo quando consegue ir bem, o time de Zeman perde e se afunda ainda mais na tabela. Agora, já são oito derrotas em dez jogos. A última vez que o time somou três pontos foi em 24 de janeiro, contra o Sassuolo. Assim, não tem santo que aguente: são apenas 21 pontos em 30 rodadas, aproveitamento que só não é pior do que o do falido Parma. São oito pontos a menos do que a Atalanta, primeira fora da zona de rebaixamento. 

No sábado, contra o Genoa, fora de casa, os sardos até foram bem no primeiro tempo e tiveram três boas chances de abrir - e até ampliar - o placar. Primeiro, Rossettini acertou a trave. Depois, foi a vez de Ceppitelli fazer o mesmo. Por último, M'Poku carimbou o travessão, reafirmando a má sorte de perdedor do Cagliari. Do outro lado, o Genoa pouco fez. No segundo tempo, depois de todos esses sustos, resolveu reagir e não demorou para decidir a partida: Niang, aos sete minutos do 2º tempo, e Iago, aos 13, abriram 2 a 0 e terminaram de nocautear um adversário que já estava baqueado pela má sorte. Com 41 pontos, na 10ª posição, o Genoa vai encaminhando um fim de temporada sem problemas. (RA)

Udinese 1-3 Palermo
Depois de perder para o Parma em jogo atrasado, a Udinese voltou a tropeçar e foi derrotada, em casa, pelo Palermo. A derrota irritou a torcida, que vaiou a equipe e pediu a saída do técnico Stramaccioni. Das últimas dez partidas, a equipe friulana venceu apenas uma, o que deixa os bianconeri na parte baixa da tabela, em uma temporada de entressafra – a Udinese direcionou quase todos os investimentos deste ano para a construção de seu novo estádio, que já está quase pronto. Já o Palermo voltou a vencer, depois de seis rodadas, e praticamente se garantiu na Serie A.

A Udinese começou melhor, mas seis minutos foram suficientes para mudar o rumo da partida e acabar com a paciência do torcedor. Aos 15, Lazaar acertou um belo chute da intermediária, no ângulo de Karnezis, e abriu o placar. Aos 21, foi a vez de Rigoni, que aproveitou cruzamento de Dybala, após bobeira de Domizzi – o beque perdeu a bola no início da jogada. Já no segundo tempo, Chochev ampliou o marcador, só completando cruzamento de Rispoli. O placar só não foi maior porque Dybala e Rispoli acertaram a trave do goleiro grego. Mesmo sem criar nada, a Udinese diminuiu, com Di Natale, já no final da partida. Falta apenas um para ele igualar Roberto Baggio na classificação geral de goleadores da Serie A. (Caio Dellagiustina)

Atalanta 2-1 Sassuolo
Depois de quase três meses sem marcar, Denis voltou às redes em grande estilo e, como sempre, foi decisivo para a Atalanta. Os orobici finalmente venceram sob o comando de Reja e abriram sete pontos sobre o Cesena, time que abre a zona de rebaixamento. Salvo algum momento ruim, a Atalanta entrou no momento de definir sua permanência na elite por mais um ano.

Em Bérgamo, num jogo sem maiores destaques, foi mesmo o capitão o grande protagonista, ao abrir o placar com belíssimo gol de bicicleta aos 42. O Sassuolo chegou a ameaçar os três pontos dos donos da casa com gol de Berardi, em assistência de Sansone, mas rapidamente a Dea desempatou em cobrança de pênalti, causado por Brighi, convertido por Denis. Nas duas comemorações, uma cena bacana: o atacante argentino comemorou os gols abrançando e beijando seus filhos, que são gandulas do estádio. (AB)

Cesena 0-1 Chievo
Se a salvezza chegou a ser um sonho há algumas rodadas, agora, ao final da 30ª rodada, ela começa a ficar cada vez mais difícil para o Cesena. A derrota para o Chievo foi o quinto jogo sem vitória dos bianconeri, que agora estão a sete pontos da Atalanta, primeira equipe fora da zona de rebaixamento. Por outro lado, o Chievo somou nove pontos dos últimos 12 disputados e chegou a 35, pontuação suficiente para a permanência nas duas últimas temporadas. Se considerássemos apenas o ano de 2015, o time de Verona teria pontuação suficiente para brigar por uma vaga em competições europeias.

O jogo abriu a rodada dominical e teve pouca movimentação na primeira etapa. O Chievo criou mais chances, mas em nenhuma delas levou perigo a Leali. Do lado bianonero, o momento de maior destaque foi o voleio de Brienza, já no final da primeira etapa, bem defendido por Bizzarri. As duas equipes voltaram melhores na segunda etapa, mas as finalizações não eram precisas. Quando o jogo já se encaminhava para o final, o Chievo chegou ao gol. No dia de seu aniversário de 36 anos, o veterano Pellissier que aproveitou cruzamento de Frey e sacramentou a vitória gialloblù. (CD)

Relembre a 29ª rodada aqui.
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Seleção da rodada
Handanovic (Inter); Cavanda (Lazio), Roncaglia (Genoa), Dainelli (Chievo), Lazaar (Palermo);  Perotti (Genoa), Mauri (Parma), Hamsík (Napoli); Palacio (Inter), Denis (Atalanta), Klose (Lazio). Técnico: Roberto Donadoni (Parma).