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segunda-feira, 28 de setembro de 2015

6ª rodada: Ligando o modo turbo

Esquadrão da Fiorentina passou o carro em cima da Inter em jogo que valia a liderança da Serie A
Em uma rodada com dois grandes jogos – Inter contra a Fiorentina, em duelo da ponta da tabela, e um Napoli-Juventus com muita rivalidade envolvida –, a Serie A não decepcionou. Os dois confrontos acabaram sendo os melhores do fim de semana, e tiveram uma improvável goleada da viola sobre a líder do campeonato e a mudança de tendência confirmada: a Juventus não domina mais jogos, e na verdade tem sido dominada em campo. Veja como foi a 6ª rodada.

Inter 1-4 Fiorentina
Icardi | Ilicic (pênalti), Kalinic, Kalinic (Alonso), Kalinic (Ilicic)

Tops: Kalinic e Ilicic (F) | Flops: Handanovic e Perisic (I)

Noite desastrosa para a então líder Inter e mágica para a Fiorentina, que alcançou o time nerazzurro no topo da tabela – ambos tem 15 pontos. Desde 1999, tempos de Trapattoni, Batistuta, Rui Costa e Edmundo, a Viola não liderava a Serie A. Um conjunto de fatores determinou a goleada: por alguma razão, Mancini achou boa ideia espelhar o sistema adversário, com alas, e usar o 3-5-2, buscando encaixar o centroavante adversário e os duelos entre os alas. Não deu certo, já que com menos de dois minutos Handanovic cometeu erro bobo e fez pênalti sobre Kalinic, o homem da noite. Na cobrança, Ilicic, também inspirado, converteu sobre o compatriota. Em 30 minutos, a Fiorentina fez 3 a 0, com dois de Kalinic – aproveitou falhas de Handanovic e Santon, mal escalado como zagueiro.

Após a tunda, a Inter retornou ao 4-3-1-2 dos jogos anteriores, e esboçava reação quando Miranda foi expulso após parar ataque puxado por Ilicic e Kalinic - sempre eles. A se notar o mal posicionamento do zagueiro brasileiro, desorientado após a subida de Medel, que demorou para retornar à defesa, e a lentidão de Handanovic, que não saiu do gol e deixou o companheiro vendido. Nessa altura do campeonato, difícil imaginar nova reação interista, que caiu em erros individuais após mudança inesperada de sistema. Nem mesmo a resistência de Medel, Telles e Icardi, autor do gol de "honra" aos 60', bastou contra uma sólida Fiorentina, que tinha ideia clara do que fazer, explorando os defeitos adversários. A Viola controlou muitíssimo bem o jogo no segundo tempo, ainda encontrando tempo para fazer o quarto, aos 78', novamente com Ilicic e Kalinic brincando com a frágil defesa interista.

Napoli 2-1 Juventus
Insigne (Higuaín), Higuaín | Lemina (Dybala)

Tops: Higuaín e Insigne (N); Lemina (J) | Flops: Hernanes e Padoin (J)

Grande Higuaín. Aparentemente de volta à boa forma, o atacante argentino tem recuperado seu futebol com Sarri e é um dos destaques na mudança tática que o treinador fez, saindo do 4-3-1-2 para o 4-3-3. Isso sem comprometer o desempenho de Insigne, então grande estrela no início da temporada – após marcar seu gol, o italiano acabou saindo lesionado ainda no primeiro tempo. O jogo teve o domínio dos napolitanos sobre os turinenses, com o melhor do futebol dos times de Sarri (e com o Napoli superior até o 2 a 0), e o pior do futebol do técnico Allegri, confuso como seu time na escalação e leitura de jogo.

Uma das virtudes dos azzurri têm sido marcar os gols cedo, e foi aos 26' que abriram placar em bonita tabela entre Insigne e Higuaín, terminada no gol do meia-atacante italiano. Na segunda etapa, erro na saída de bola protagonizado por Hernanes, roubada e contra-ataque todo de Higuaín, que marcou seu quinto gol no campeonato. No ataque seguinte, porém, em rara desatenção dos donos da casa, Lemina completou cruzamento de Dybala para descontar e impulsionar a Vecchia Signora a buscar o empate, mas sem sucesso. A Juventus continua 10 pontos atrás dos líderes e o Napoli ganha fôlego para seguir em frente. Resta saber se a equipe jogará da mesma forma contra os times menores, algo que não aconteceu ainda em 2015-16.

Roma 5-1 Carpi
Manolas (Digne), Pjanic, Gervinho, Salah e Digne (Maicon) | Borriello (Gabriel Silva)

Tops: Digne e Gervinho (R); Borriello (C) | Flops: De Rossi (R) e Brkic (C)

Pobre Carpi. 15 gols sofridos em seis jogos para o fraco time de Castori, que não demonstra nem mesmo alguma organização, com uma tentativa de catenaccio pouco ordenado e que sofre com os erros individuais da defesa, mesmo que o ataque eventualmente dê algum trabalho para o adversário. Foi mais ou menos assim na capital, contra uma Roma em busca de "vingança" após dois tropeços. Em sete minutos, o time de Garcia matou o jogo com Manolas, Pjanic, de falta, e Gervinho, relembrando aquele de 2013-14. Mas os visitantes ainda resistiram com Borriello e Ryder, que deram algum trabalho para a defesa romanista, não muito segura com De Rossi improvisado, mas com De Sanctis em grande noite – pegou pênalti e rebote da cobrança de Ryder. Na segunda etapa, a rápida e poderosa Roma decretou a goleada, com Salah e Digne, participativo em dois gols. A nota negativa para os romanos foram as lesões de Totti, Keita e Dzeko.

Genoa 1-0 Milan
Dzemaili

Tops: Perotti (G) e Balotelli (M) | Flop: Romagnoli (M)

Três vitórias e três derrotas. É tudo ou nada o início do ano do Milan, que mais uma vez saiu de campo sem conquistar pontos. O gol de Dzemaili, em cobrança de falta desviada, saiu cedo e condicionou bastante a apresentação do time de Mihajlovic, que teve em Balotelli sua maior, senão única ameaça. O Diavolo teve reação bastante afetada após a expulsão de Romagnoli, que levou o segundo amarelo ainda no primeiro tempo – o zagueiro, aliás, começa mal em Milão. À sua forma, o Genoa de Gasperini, que também tem seguido a filosofia do tudo ou nada e precisava de uma vitória após as derrotas para Fiorentina, Juventus e Lazio (sequência bastante pesada), tentou controlar o jogo com sua marcação agressiva, muitas faltas e cartões, mas com ataque inquieto e dinâmico, conseguindo, no final das contas, manter a vitória pelo placar mínimo.

Novamente destaque, Higuaín foi o grande responsável pela derrota da Juventus contra o Napoli (AP)
Verona 1-2 Lazio
Helander | Biglia (pênalti), Parolo (Biglia)

Tops: Helander (V) e Biglia (L) | Flops: Sala (V) e Maurício (L)

Guerreira Lazio. Contra um chato Verona, que soube defender bem sua área, mas não teve ataque com as ausências de Toni e Pazzini, o time de Pioli fez primeiro tempo terrível, ainda levando o gol inaugural de Helander, em bola parada. Porém teve caráter para buscar a vitória sob o comando de seu capitão, que voltava aos campos após um mês de estaleiro. Biglia converteu a penalidade sofrida por Keita, que levou ao empate, e, na virada, executou jogada ensaiada em cobrança de falta com Parolo, pouco depois de Maurício ter sido expulso. Resultado importante para a Lazio por ter sido a primeira vitória fora de casa no campeonato – antes os laziale foram goleados por Chievo e Napoli. Vitória, aliás, é uma palavra desconhecida para o time de Mandorlini, que ainda não conquistou três pontos em nenhuma partida.

Torino 2-1 Palermo
González (contra), Benassi (Maxi López) | González (Vázquez)

Tops: Benassi e Maxi López (T); Vázquez (P) | Flops: Obi (T) e Rispoli (P)

O Torino dos golaços e o Torino dos jovens talentos italianos. E um jogo maluco em Turim. Benassi, que estava sumido nesse início de temporada, fez o gol da vitória granata em grande estilo, com belo chute após passe longo de Maxi López, que ainda participou do primeiro gol – na ocasião foi antecipado por González, que fez gol contra. O costarriquenho, porém, se redimiu ao descontar após cruzamento de Vázquez, mas não foi o bastante para o empate. Molinaro, que fez o cruzamento desviado do primeiro gol, foi expulso aos 61', 10' antes do gol dos visitantes, enquanto Obi, seu substituto, também foi expulso, nos acréscimos. Não pode não ser sofrido se for Torino, não é? Mesmo assim o time é terceiro colocado da Serie A.

Sassuolo 1-1 Chievo
Defrel | Pepe (Castro)

Tops: Missiroli (S) e Castro (C) | Flops: Berardi (S) e Paloschi (C)

Em Reggio Emilia era bastante aguardado o confronto entre as surpresas do início do campeonato. No entanto, o duelo não passou de um jogo fraco tecnicamente, com muitos passes errados, faltas e disputas aéreas. Pelo chão, pouco foi feito. Defrel abriu o placar contando com falha de Bizzarri logo aos 2', enquanto o Chievo empatou em gol assinalado para Pepe, na sua primeira partida como titular.

Bologna 1-2 Udinese
Mounier (Rizzo) | Badu (Edenílson) e D. Zapata

Tops: Ferrari (B) e Badu (U) | Flops: Destro (B) e Théréau (U)

Início nada empolgante para o Bologna, penúltimo colocado. O bom mercado felsineo não tem se refletido em um bom time para o técnico Delio Rossi. Mesmo assim, o Bologna começou melhor em casa, chegando ao gol aos 30', em jogada de Rizzo completada por Mounier, que chegou a seu segundo gol no campeonato. Por falar em gol, é o que Destro não tem feito, e que, Zapata, ao contrário, tem. O colombiano vai mostrando poder de decisão, ou pelo menos oportunismo e força, numa Udinese que não empolga. Os friulanos chegaram à segunda vitória após quatro derrotas seguidas com gol do atacante aos 85', virando o jogo – antes, o valente Badu havia empatado a peleja.

Atalanta 2-1 Sampdoria
Moisander (contra), Denis (Morález) | Soriano (Barreto)

Tops: De Roon (S) e Soriano (S) | Flops: Pinilla (A) e Correa (S)

Em boa fase no campeonato, a Sampdoria fez partida estranha e foi dominada pela Atalanta de Reja, ainda que a equipe da casa tenha passado pelo costumeiro sufoco no fim do jogo. A Dea venceu pela terceira vez e chegou ao quinto jogo sem perder, após cair na estreia, acumulando uma gordura importante na briga contra o rebaixamento. A vitória dos donos da casa foi construída com gol contra infeliz de Moisander aos 6', e do interminável Denis aos 90', marcando seu primeiro gol na temporada após tabela com Moralez. Os visitantes, que pressionavam pelo empate e viram Sportiello fazer grande defesa, descontaram aos 93' com Soriano, completando cruzamento de Barreto.

Frosinone 2-0 Empoli
Dionisi (2)

Top: Dionisi (F) | Flop: Saponara (E)

Enfim uma vitória para o caçula Frosinone. No jogo menos esperado da rodada – que não à toa foi péssimo – o time de Stellone foi eficiente na defesa e contou com doppietta de Dionisi, aos 58' e 70', aproveitando falhas clamorosas da defesa do Empoli. O time azzurro nem mesmo conseguiu se impor com a posse de bola e ainda teve Saponara, seu destaque, expulso aos 77'.

*Os nomes entre parênteses nos resultados indicam os responsáveis pelas assistências para os gols

Relembre a 5ª rodada aqui.
Confira estatísticas, escalações, artilharia, além da classificação do campeonato, aqui.

Seleção da rodada
De Sanctis (Roma); Allan (Napoli), Manolas (Roma), Alonso (Fiorentina), Digne (Roma); Badelj (Fiorentina), Biglia (Lazio), Ilicic (Fiorentina); Higuaín (Napoli), Kalinic (Fiorentina), Gervinho (Roma). Técnico: Paulo Sousa (Fiorentina).

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

5ª rodada: De vento em popa




Felipe Melo tomou conta do meio campo interista e em pouco tempo já é referência na equipe de Mancini (Getty)
Cinco vitórias em cinco jogos. Campanha perfeita da Inter num início de campeonato em que os principais favoritos tropeçam a cada rodada. Juventus e Roma voltaram a decepcionar. Os bianconeri cederam o empate para o novato Frosinone, em casa, enquanto a Roma caiu para a Sampdoria, em Gênova. O Napoli segue inconstante e o Milan, mesmo vencendo, ainda não conseguiu apresentar um futebol envolvente. Os comandados de Mancini seguem na liderança, agora seguidos pela empolgante Fiorentina e pelo surpreendente Sassuolo. Veja o resumo da rodada.

Inter 1-0 Verona
Felipe Melo (Alex Telles)

Tops: Felipe Melo (I) e Sala (V) | Flops: Ljajic (I) e Juanito (V)

Regularidade. Essa é a definição da Inter para o início de temporada. Mesmo sem fazer grandes apresentações e vencendo com placares magros, a equipe de Mancini tem se mostrado eficiente a ponto de se isolar na liderança, com cinco vitórias em cinco jogos (igualando a melhor campanha num início de temporada, de 1966/67) e já com certa vantagem para seus principais concorrentes: 6 sobre o Milan, 7 sobre a Roma, 9 sobre o Napoli e 10 à frente da Juventus.

O gol de Felipe Melo, o “novo ídolo de San Siro” foi um alívio para a equipe que pouco fez no primeiro tempo e viu o Verona assustar na segunda etapa, acertando a trave interista, com Sala. Com a vantagem no placar, a Inter melhorou, mas a mentalidade defensiva de Mancio, mais uma vez fez a Inter sofrer. Enquanto as vitórias vierem, não há reclamações.

Juventus 1-1 Frosinone
Zaza (Cuadrado) | Blanchard

Tops: Cuardrado (J) e Leali (F) | Flops: Lichtsteiner (J) e Castillo (F)

Quem imaginava uma arrancada da Juve após a primeira vitória na Serie A, ficou decepcionado com o jogo contra o lanterna Frosinone. A Velha Senhora se impôs e dominou o jogo. Pogba, Cuadrado e Zaza (que fez sua primeira partida como titular) quase marcaram. A disparidade era tanta que a Juve, mesmo no zero, abusou da soberba e quase se complicou. O Frosinone chegou e acertou a trave de Neto; na sequência, os jogadores reclamaram pênalti após toque na mão de Barzagli após chute de Frara. A Juve respondeu com duas bolas na trave, com Pogba e Zaza.

O gol de Zaza, após tantas chances, parecia ser o início de uma noite de alegria para a torcida bianconera. Allegri aproveitou o jogo fácil para fazer alterações e testar a pedida dupla Zaza e Dybala. A Juve seguia perdendo oportunidade e quando os três pontos já pareciam certos, numa jogada de escanteio, Blanchard – declarado torcedor juventino – subiu mais que toda a zaga juventina e garantiu o empate histórico. Os canarini somam seu primeiro ponto em sua história na Serie A, enquanto a Juve segue inconstante.

Udinese 2-3 Milan
Badu e Duván Zapata (Théréau) | Balotelli, Bonaventura (Montolivo) e Zapata (Bonaventura)

Tops: Zapata (U) e Bonaventura (M) | Flops: Di Natale (U) e Bacca (M)

No primeiro jogo como titular desde sua volta ao Milan, Balotelli foi a estrela do jogo, não apenas pelo futebol, mas também por não ter reagido às provocações que sofreu. Com a bola no pé, Balo mostrou que os ares italianos lhe farão novamente bem. Super Mario abriu o placar, em bela cobrança de falta, e viu a equipe abrir 3 a 0 ainda na primeira etapa. A Udinese melhorou após a entrada de Zapata, chegou a descontar no início do segundo tempo e pressionou o Milan no final, mas Diego López garantiu mais uma vitória rossonera, a primeira no Friuli desde 2012. Por outro lado, a Udinese já acumula quatro derrotas consecutivas e Colantuono já começa a ser pressionado.

Sampdoria 2-1 Roma
Éder e Manolas (contra) | Salah (Pjanic)

Tops: Éder (S) e Salah (R) | Flops: Correa (S) e Manolas (R)

Em queda desde a vitória contra a Juventus, a Roma voltou a tropeçar e segue caindo na tabela. Apesar de dominar a partida, com folga, a Roma perdeu muitos gols, viu Éder abrir o placar e precisou reagir após o gol sofrido no início da segunda etapa. Se o empate já não era bom resultado, a derrota após o gol contra de Manolas piorou ainda mais a situação da equipe, que não vai ando pinta de que terá regularidade para brigar pelo título. Por outro lado, a Samp parece estar se acertando após os problemas com Zenga e a humilhante desclassificação da Liga Europa. Hoje, a equipe ocupa a quinta colocação.

Carpi 0-0 Napoli

Tops: Ryder Matos (C) e Higuaín (N) | Flops: Mbakogu (C) e Valdifiori (N)

Num jogo fraco e de poucas emoções, o Napoli mostrou toda sua inconstância e não saiu de um empate em 0 a 0 contra o Carpi. Foi o primeiro jogo sem gols em todo o campeonato – uma ótima média, considerando as 50 partidas realizadas. Os napolitanos foram melhores e criaram inúmeras chances, mas pecaram na hora da finalização – ao contrário de suas duas últimas partidas, nas quais anotou 10 gols. O Carpi se defendeu como pode e arrancou um empate que não altera a situação da equipe, que ainda não venceu na Serie A.


Fiorentina 2-0 Bologna
Kuba e Kalinic

Tops: Kuba (F) e Oikonomou (B) | Flops: Babacar (F) e Destro (B)

“Sem medo da Inter”, a Fiorentina vai aproveitando o tropeço dos favoritos e segue subindo na tabela. Contra o Bologna, no Dérbi do Appennino, o time de Paulo Sousa foi dominante, mas conseguiu marcar apenas na segunda etapa, a terceira consecutiva. Segunda colocada, a Viola agora encara a Inter na próxima rodada, valendo a primeira posição. Esperança do Bologna, Destro desperdiçou a melhor chance dos emilianos e ainda segue sem marcar na atual temporada.

Lazio 2-0 Genoa
Djordjevic (Lulic) e Felipe Anderson

Tops:  Marchetti (L) e Rincón (G) | Flops: Pandev e Cissokho (G)

Depois da acachapante goleada sofrida na última rodada, a Lazio reagiu rápido e, jogando no Olímpico, bateu o Genoa, aliviando a pressão em cima de Pioli. Os genoveses criaram bastantes oportunidades, mas esbarraram na falta de pontaria e nas boas defesas de Marchetti. Felipe Anderson desencantou, após 5 meses, em grande estilo. Saiu do banco, cavou a expulsão de Cissokho e, depois, decidiu o jogo cm um golaço de fora da área. Se a Lazio subiu, o Genoa beira a zona de rebaixamento, em seu pior início de campeonato desde que retornou à elite, em 2007.

Chievo 1-0 Torino
Castro

Tops: Meggiorini (C) e Molinaro (T) | Flops: Pellissier (C) e Quagliarella (T)

Mais uma vitória que coroa o bom início de temporada do Chievo. Contra o bem montado Torino, a equipe de Verona soube se postar e controlar as ações ofensivas do adversário, ao mesmo tempo que encontrava espaços para assustar no contra-ataque. Já no final, Castro chutou de longe e não deu chances à Padelli. Os veroneses assumiram a terceira colocação, enquanto o Toro caiu para a quinta, mas ainda continua sendo o “melhor time de Turim”. 
 
Palermo 0-1 Sassuolo
Floccari

Tops: Colombi (P) e Floccari (S) | Flops: Gilardino e Jajalo (P)

Vitória fora de casa e a terceira colocação na classificação. Mais uma vez sensação da temporada, o Sassuolo tem surpreendido a muitos. Num jogo franco e aberto, com chances de gols para os dois lados, os neroverdi foram mais eficientes e superaram os donos da casa num belo chute de fora da área de Floccari. Os emilianos tentarão, outra vez, chegar a seu recorde de pontos na elite.

Empoli 0-1 Atalanta
Rafael Toloi (Moralez)

Tops: Saponara (E) e Rafael Toloi (A) | Flops: Piu (E) e Pinilla (A)

Em jogo isolado que fechou a 5ª rodada, a Atalanta conseguiu sua primeira vitória fora de casa na temporada, e justo contra um concorrente direto contra o rebaixamento. A partida, que foi bem parelha e brigada, teve como destaques Saponara, pelo time da casa, e o brasileiro Rafael Toloi, que marcou seu primeiro gol em solo italiano. O resultado colocou os nerazzurri no meio da tabela, de forma surpreendente.

* Os nomes entre parênteses nos resultados indicam os responsáveis pelas assistências para os gols

Relembre a 4ª rodada aqui.
Confira estatísticas, escalações, artilharia, além da classificação do campeonato, aqui.

Seleção da rodada
Marchetti (Lazio); Vrsaljko (Sassuolo), Rafael Toloi (Atalanta), Cesar (Chievo), Alonso (Fiorentina); Fernando (Sampdori), Felipe Melo (Inter), Bonaventura (Milan); Felipe Anderson (Lazio); Balotelli (Milan), Floccari (Sassuolo). Técnico: Eusebio Di Francesco (Sassuolo).

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Jogadores: Dino Baggio

O "outro Baggio: Dino atuou em duas Copas do Mundo e foi mais do que homônimo do craque Roberto (Getty)
Durante toda sua carreira, Dino Baggio jogou com o fardo de carregar o sobrenome de um dos melhores jogadores de sua geração, Roberto Baggio. Um sobrenome que apenas 1500 pessoas na Itália possuem, segundo estimativas. Qualquer semelhança, porém, parava por aí. Os dois não tinham parentesco algum, atuavam em posições diferentes e tinham futebol incomparável, até por isso. Mesmo assim, Dino passou toda sua carreira marcada pelas insólitas alcunhas de “O outro Baggio” ou “Baggio 2”. Um pecado para quem era muito bom na função de meio-campista defensivo. Ao longo de sua carreira, Dino tentou não ficar à sombra de seu homônimo e também construiu uma carreira de enorme sucesso, que teve como auge as participações nos Mundiais de 1994 e 1998.

Enquanto Roberto Baggio era nome certo na Copa de 1990 acabara de negociar seu passe com a Juventus, após um brilhante início de carreira, Dino era promovido à equipe adulta do arquirrival, o Torino, após 6 anos de categorias de base. Dotado de uma raça incontestável e forte fisicamente, Dino logo se tornou peça fundamental no meio campo granata que acabara de retornar à primeira divisão italiana. Ele chegou a atuar na campanha campeã da Serie B, em 1989-90, mas foi ter sua chance como titular aos 19 anos, graças a Emiliano Mondonico, já na temporada 1990-91.

Dino Baggio era um jogador perfeito para o futebol proposto por Mondo. Ele se doava pelo time, caçava tornozelos sem cerimônia e fazia isso com tamanho sucesso a ponto de ser o responsável por proteger toda a defesa do time, mesmo tão jovem. Dino também contribuía com o ataque, principalmente porque era também dono de uma habilidade sem igual no jogo aéreo (com seu 1,88m) e responsável por chutes precisos de longa distância.

Os Baggios na seleção (Getty)
Em pouco tempo, o Torino tornou-se pequeno demais para um futebol de tanto destaque. Após sua primeira temporada como profissional, Dino Baggio foi contratado pela Juventus, mas acabou indo para a Inter, por empréstimo de uma temporada. Com apenas 20 anos, não se intimidou com a concorrência e companhias de peso, como Zenga, Brehme, Beppe Baresi, Matthäus e Klinsmann, assumindo o posto de cão de guarda da equipe interista.

Foram 27 jogos, mas a Inter não fez uma grande campanha. No entanto, foi o suficiente para que a Juventus quisesse integrar Dino Baggio em seu elenco para a temporada 1992-93. Ao lado de seu xará, Dino mais uma vez se firmou, enfrentando alguma resistência da torcida por causa de seu passado em Torino e Inter. Em campo, não enfrentou dificuldades, jogando ao lado de Conte. Nos bianconeri, foi um dos protagonistas do título da Copa Uefa, anotando gols nos dois jogos da final contra o Borussia Dortmund: um na ida, um 3 a 1 em Dortmund, e dois na volta, no 3 a 0 de Turim. Foram duas temporadas atuando pela Juve antes de ser comprado pelo endinheirado Parma, por 14 bilhões de liras e um dos maiores salários da época.

Antes de chegar à Parma, porém, Dino Baggio se tornou mundialmente conhecido. O volante, que já fazia parte da seleção italiana desde 1991, superou as lesões que sofreu em 1993-94 e participou da Copa do Mundo de 1994. Seu estilo de jogo coletivo e de trabalho duro sempre agradou Arrigo Sacchi, que confiou nele mesmo assim. Por isso, Dino atuou em todas as sete partidas da Itália no Mundial e foi fundamental na campanha da Squadra Azzurra: fez o gol da vitória contra a Noruega, na segunda partida da primeira fase, e contra a Espanha, nas quartas de final.

Um episódio no Mundial talvez tenha sido uma das poucas vezes em que Dino ficou à frente de Roberto. Contra a Noruega, a Itália precisava vencer para seguir viva na Copa, já que havia perdido para a Irlanda na estreia. Aos 21 minutos de jogo, Pagliuca foi expulso e Sacchi substituiu Roberto Baggio, que deixou o campo esbravejando. No segundo tempo, com uma de suas inserções perfeitas no ataque, marcou o gol da vitória por 1 a 0. Contra a Espanha, ele abriu o placar, de fora da área, Caminero empatou e foi Roberto Baggio quem decidiu o confronto, no final.

De volta ao Campeonato Italiano, ao lado de outras estrelas como Cannavaro, Crespo e Buffon, fez história nos crociati. Logo no primeiro ano, Baggio mostrou sua estrela e fez valer a lei do ex na final da Copa Uefa. Diante da Juventus, com 5 minutos de jogo, anotou o gol da vitória por 1 a 0. Na partida de volta, foi ele quem deu o gol de empate que definiu o título gialloblù.

Dino Baggio jogou no Parma por seis anos, em mais de 170 partidas, e foi titular com os três técnicos do período – Nevio Scala, Carlo Ancelotti e Alberto Malesani. No entanto, ele sempre viu fracassadas as chances da equipe conquistar o inédito scudetto – o máximo que conseguiu foi um vice-campeonato. Porém, Dino Baggio foi parte integrante do mais virtuoso ciclo da história parmense, e fez parte do vitorioso time campeão de duas Copas Uefa, uma Coppa Italia e uma Supercoppa Italiana. Titular também na seleção, pela qual também jogou a Euro 1996 e a Copa de 1998, Dino foi, durante boa parte da década, um dos melhores volantes da época.

Por clubes, Baggio teve seu auge com a camisa do Parma (Getty)
Recentemente, em uma entrevista, o volante afirmou que um time como o Parma jamais conquistaria o scudetto naquela época, porque haviam outras coisas envolvidas. Dino Baggio também é lembrado por outra polêmica: um gesto após uma expulsão num confronto contra a Juve que quase comprometeu sua carreira. Naquela oportunidade, uma falta simples em Zambrotta rendeu-lhe o cartão vermelho. Nervoso, Baggio esfregou os dedos, como se o árbitro Stefano Farina estivesse “comprado”. Mal sabia ele que, anos depois, o escândalo do Calciopoli viria à tona, com Farina entre os envolvidos.

Em 2000, depois de ser esquecido por Dino Zoff na convocação para a Eurocopa, foi vendido à Lazio, que aproveitou o início da decadência financeira do Parma para acrescentar qualidade ao meio-campo campeão italiano. Na capital, porém, Baggio não era unanimidade e ficou três anos apenas como uma opção à Simeone, Stankovic e Verón. Já com mais de 30 anos, pediu para ser emprestado ao Blackburn e depois ao Ancona, em passagens rápidas e sem destaque. Em seu último ano de carreira, disputou a segunda divisão pela Triestina, mas encerrou a temporada com apenas três jogos. Ao todo, em cinco anos, Baggio disputou somente 67 partidas.

Parado por dois anos, Dino Baggio retornou ao futebol em 2008 para jogar pelo time de sua terra natal, o Tombolo, em uma única partida. Curiosamente, o time, que integrava a nona divisão italiana, ainda era treinado por Cesare Crivellaro, seu técnico na infância. Desde então, Dino praticamente abandonou o futebol. Amante do teatro, dedicou seu tempo aos palcos, e na companhia de sua esposa, a apresentadora Maria Teresa Mattei, participou da encenação da Paixão de Cristo, em 2008. Em 2011 até tentou retornar para perto do futebol, como assistente técnico do time juvenil do Padova, mas a aventura durou apenas uma temporada.

Dino Baggio
Nascimento: 24 de julho de 1971, em Camposampiero, Itália
Posição: Meio-campista
Times em que atuou: Torino (1990-91), Inter (1991-92), Juventus (1992-94), Parma (1994-2000), Lazio (2000-03), Blackburn (2003-04), Ancona (2004-05), Triestina (2005-06) e Tombolo (2008-09)
Títulos conquistados: Campeão Europeu Sub-21 (1992), Serie B (1989-90), Coppa Italia (1998-99), Supercoppa Italiana (1999), Copa Mitropa (1991) e Copa Uefa (1992-93, 1994-95 e 1998-99)
Seleção italiana: 60 jogos e 7 gols

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Jogadores: Marcelo Salas

Maior artilheiro da seleção chilena, Salas viveu grande momento com a camisa da Lazio (Calcioweb)
Nos anos 1980 e 1990, a Serie A era o principal palco do futebol mundial. Nada mais comum, então, que uma das duplas de ataque mais temidas do futebol sul-americano jogasse por lá. Os dois maiores jogadores da história do Chile, Iván Zamorano e Marcelo Salas, não decepcionaram no Campeonato Italiano. Sobre o "Za", da dupla Za-Sa, já escrevemos. Agora é a hora do seu complemento.

Parceiro de Zamorano, Salas é, até hoje, o maior artilheiro de La Roja. O atacante é um ídolo dos chilenos e levou alegrias aos torcedores de quase todas as equipes pelas quais passou. Sempre vivendo de muitos gols, conseguiu a incrível marca de 50 gols em 75 jogos pela Universidad de Chile e, com apenas 22 anos, transferiu-se para o River Plate, futuro campeão da Libertadores da América.

Os gols pelos millionarios e o desempenho pelo Chile nas Eliminatórias da Copa do Mundo – Salas foi o vice-artilheiro, com 11 gols, e Zamorano venceu a disputa, com 12 – chamaram a atenção da Lazio que, com o aporte financeiro do presidente Sergio Cragnotti, buscava o segundo scudetto após mais de 20 anos. Salas foi contratado com a temporada em andamento, mas só se juntaria aos aquilotti em julho de 1998. Ao final da temporada, Salas viveu um de seus maiores momentos, na disputa do Mundial da França, em 1998 (o único de sua história). O Matador logo mostrou sua marca, e na estreia, diante da Itália, fez os dois gols no empate por 2 a 2. A seleção chilena despontava como uma possível surpresa, mas acabou derrotada pelo Brasil, nas oitavas de final. Salas anotou quatro gols no torneio.

Motivado pelo bom momento, Salas chegou à Cidade Eterna com importantes companhias. Apesar de uma série de boas campanhas nos anos anteriores, alternando entre a 2ª e a 7ª colocações, faltava o principal título. E para isso, Sven-Göran Eriksson recebeu, além de Salas, nomes como Mihajlovic, Sérgio Conceição, Nedved, Stankovic, De la Peña, Fernando Couto e Vieri, que se juntaram ao time que já tinha Marchegiani, Negro, Favalli, Nesta, Mancini e Almeyda.

As perspectivas para a temporada eram grandes e o título já era dado como certo. Mas, ao final, veio a frustração com a segunda colocação, um ponto atrás do Milan, que reagiu no campeonato e ultrapassou os biancocelesti. As taças da Supercoppa e da Copa Uefa serviram como consolação para o time. Fundamental na equipe, Salas terminou a temporada como artilheiro laziale, com 23 gols – 15 na Serie A. O principal certamente foi o contra a Juventus, em Turim, que garantiu a vitória nos últimos minutos. Salas ainda fez um no 3 a 3 contra a Roma, cobrando pênalti.

A temporada 1999-2000 seria espetacular não apenas para a Lazio, como também para El Matador. Logo no primeiro jogo oficial, ele garantiu o título da Supercopa Europeia contra o Manchester United. Com a saída de Vieri, a Lazio passou a atuar com um ataque de mais mobilidade, com Boksic, Ravanelli e Mancini, tendo Salas com mais importância como primeiro atacante. Com 12 gols no campeonato, ajudou a tirar a Lazio da fila e a levantar o scudetto após 26 anos.

Os gols mais decisivos do chileno foram em um emocionante 4 a 4 contra o Milan e na penúltima rodada, quando ele anotou o último tento laziale no 3 a 2 contra o Bologna. Aquela vitória manteve a Lazio viva na briga do título, que chegou só na última rodada, com o tropeço da Juventus. No ano do centenário, a equipe também faturou a Coppa Italia, ao bater a Inter na final. Dobradinha, portanto, e 17 gols do chileno em toda a temporada.

Foi o principal momento de Salas na Europa. O jogador desenvolveu um sentimento especial em relação à torcida, conforme relembrou em entrevistas, anos depois. “Sei que esses loucos se recordam de mim até hoje e esse sentimento é recíproco. É por isso que depois, durante minha carreira, sempre disse que meu sonho era voltar a vestir a camisa da Lazio”, disse.

A temporada pós-título começou e junto delas as mudanças. Eriksson trocou a equipe pela seleção inglesa e o espírito copeiro não foi o mesmo sob o comando de Dino Zoff – Salas acabou convivendo com algumas lesões e marcou apenas oito gols na temporada. Ao mesmo tempo, a Lazio viu a rival Roma levar o scudetto, em um campeonato em que ficou apenas na terceira colocação. O clube caiu numa crise financeira terrível por conta da gastança dos anos anteriores, e vendeu seus principais jogadores. Entre eles, Salas.

O Matador comemora um de seus poucos gols pela Juventus: lesão atrapalhou o atacante (Goal)
Depois de 117 jogos, 48 gols e uma história belíssima com a torcida laziale, Salas foi comprado pela Juventus, que pagou 25 milhões de liras e ainda cedeu aos romanos o sérvio Darko Kovacevic. Mas em Turim, a carreira do Matador não deslanchou. Desde o início, sua relação com Marcello Lippi não foi das melhores. No início do trabalho, o treinador insistia em certos posicionamentos, que iam contra os propósitos e os números do atacante.

Não bastassem os enfrentamentos com a direção técnica, dois meses após ser contratado, Salas sofreu uma séria lesão no ligamento cruzado do joelho direito, que o tirou do restante da temporada. Apesar da promessa em voltar a ser como antes, não conseguiu. Salas conquistou dois scudetti apenas como parte do elenco. A temporada seguinte foi tão ruim quanto a anterior e, sem a forma física ideal, ele perdeu espaço na equipe para Del Piero e Trézéguet. Ao todo, Salas fez apenas 32 jogos e marcou quatro golzinhos pela Velha Senhora. Neste período, ficou longe da seleção, e só voltou a ser convocado em 2004.

Sem espaço na Juve, o chileno retornou ao River Plate, emprestado por dois anos pelo clube binaconero. No entanto, El Matador já não era mais o mesmo: aquele velho Marcelo Salas não voltou aos campos, e sua segunda passagem pelo clube de Buenos Aires foi bem abaixo do esperado.

Em 2005 voltou à seu clube de origem, o Universidad de Chile, onde jogou por mais três temporadas antes de encerrar a carreira por La U. Salas foi bem, conseguiu recuperar parte de sua forma física e, em 2007, até foi convocado por Marcelo Bielsa para a seleção chilena – da qual havia se aposentado dois anos antes. Sua despedida oficial aconteceu em 2009, com o Estádio Nacional lotado, com mais de 60 mil pessoas, para ver a última aparição daquele que foi um dos melhores jogadores chilenos da história.

Após deixar a carreira de jogador, Salas se tornou presidente do Deportes Temuco, de sua cidade natal. Ele também atua como dirigente esportivo da equipe, que milita na segundona chilena.

José Marcelo Salas Melinao
Nascimento: 24 de dezembro de 1974, em Temuco (Chile)
Clubes em que atuou: Universidad de Chile (1993-96 e 2005-08); River Plate (1996-98 e 2003-05); Lazio (1998-2001); e Juventus (2001-03).
Títulos conquistados: Campeonato Chileno (1994 e 1995); Campeonato Argentino (1996, 1997 e 2004), Copa Libertadores da América (1996), Supercopa Libertadores (1997), Campeonato Italiano (1999-2000, 2001-02 e 2002-03), Coppa Italia (2000), Supercoppa da Italia (1998, 2000, 2002 e 2003), Supercopa Europeia (1999), Recopa Europeia (1999).
Seleção chilena: 71 jogos e 37 gols

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

4ª rodada: As primeiras reações

Temos dancinhas: ambiente na Juventus ficou mais leve com vitória (Getty)
Uma Serie A mais próxima do habitual? Na quarta rodada, a poeira abaixou e times tradicionais, como Juventus, Napoli e Milan voltaram a vencer e subiram na tabela. Pela primeira vez na temporada, juventinos e napolitanos conseguiram os três pontos pelo torneio, enquanto os milanistas sorriem pela primeira vez após a derrota no dérbi contra a Inter. A Beneamata, aliás, segue liderando o campeonato de forma isolada, mas seguida de perto por um Torino agradável de se ver. O fim de semana foi de tropeços para a dupla romana: a Lazio, na verdade, afundou, e a Roma, ao menos pode comemorar por causa de seu maior ídolo. Veja o resumo da rodada.

Genoa 0-2 Juventus
Lammana (contra) e Pogba (pênalti)

Tops: Laxalt (G) e Cuadrado (J) | Flops: Izzo (G) e Lichtsteiner (J)

A exibição não foi das melhores – longe disso. Mas a Juventus venceu a primeira partida nesta Serie A, dando continuidade a uma reação que começou após a vitória sobre o Manchester City, na Liga dos Campeões, e chegou aos 4 pontos no campeonato. A Velha Senhora dominou uma partida sem grandes emoções e contou com episódios fortuitos para alcançar os três pontos. O primeiro gol surgiu em lance de sorte: Pereyra cruzou na área, Pogba perdeu gol feito, mas a bola bateu no travessão, no goleiro Lamanna e entrou. Ainda no primeiro tempo, Izzo foi expulso, o que facilitou a vida da Juve.

Buffon foi um grande espectador do jogo. Nos 90 minutos, não fez uma defesa sequer. No segundo tempo, uma Juventus burocrática marcou seu segundo gol com Pogba, cobrando pênalti sofrido por Chiellini. A nota negativa para a Juve foram as lesões de Morata e Mandzukic – o croata fica fora de três partidas e não enfrentará o Sevilla, pela LC. Para o Genoa, a queda significou a terceira derrota em quatro jogos, e a equipe rossoblù tem Lazio e Milan pela frente nas duas próximas rodadas.

Napoli 5-0 Lazio
Higuaín, Allan (Insigne), Insigne, Higuaín, Gabbiadini (Allan)

Tops: Higuaín e Insigne (N) | Flops: Maurício e Hoedt (L)

Maradona reclamou de Sarri na semana: disse que ele não era técnico para o Napoli. Em 10 dias, porém, o técnico napolitano deu uma bela resposta em campo: seu time aplicou duas goleadas por 5 a 0, e jogando bem. Se recusando a fazer polêmicas, disse no domingo que o Pibe ainda era seu maior ídolo. Teve classe, algo que Maradona só demonstrou em campo.

Napoli e Lazio era uma revanche. Na última temporada, os romanos venceram no San Paolo e ficaram com uma vaga na Champions, relegando os azzurri à Liga Europa. Higuaín, que marcou dois gols, mas perdeu pênalti decisivo naquela ocasião, poderia se redimir. E se redimiu "alla grande", como dizem os italianos. Dois gols, muita movimentação e parceria afiada com Insigne, que cresceu no 4-3-3 – Sarri aboliu o 4-3-1-2 e teve resultado efetivo. Allan, desde sua chegada peça-chave no time, também brilhou na primeira vitória dos campanos na temporada, encerrando o pior início de campeonato nos últimos 15 anos e fazendo o time subir na tabela. Já a Lazio precisa se reinventar, porque não joga nada bem. Pioli já está sendo questionado pelos maus resultados e pela segunda goleada sofrida em quatro rodadas – com 10 gols sofridos, o time tem a pior defesa do torneio.

High-five, manita: cinco vezes Napoli contra a Lazio (Goal)
Milan 3-2 Palermo
Bacca (Bonaventura), Bonaventura, Bacca (Kucka) | Hiljemark (Quaison), Hiljemark (Gilardino)

Tops: Bacca e Bonaventura (M); Hiljemark (P) | Flops: Diego López (M) e González (P)

Sem apresentar tanta consistência, o Milan também voltou a vencer nesta rodada, chegando aos 6 pontos na Serie A. A vitória foi construída principalmente graças a Bacca e Bonaventura, que mostraram grande interação, e por Kucka, que além de correr todo o campo ainda deu uma assistência decisiva. Os rossoneri atuaram com uma defesa rejuvenescida (três do quatro defensores tinham menos de 22 anos), mostrando que a prtendida renovação da equipe está sendo levada a sério. Curiosamente, o experiente zagueiro Zapata e o veterano goleiro Diego López falharam e permitiram os dois gols do sueco Hiljemark, principal jogador do Palermo neste início de temporada.

Chievo 0-1 Inter
Icardi (Kondogbia)

Top: Kondogbia (I) | Flops: Gobbi (C) e Guarín (I)

A Inter fez uma partida sofrível, mas venceu pela quarta vez em sequência. Os nerazzurri continuam isolados na ponta da tabela, agora com 12 pontos, e com tranquilidade para desenvolver o trabalho. Uma característica notável do time de Mancini é que ele tem conseguido fazer os times adversários renderem menos do que o esperado – e é isso que tem ajudado a Inter a conquistar pontos. O Chievo era o time que praticava o melhor futebol na Itália até o momento e mal conseguiu jogar.

Um mito é um mito: Totti alcançou marca histórica no último domingo (Goal)
Roma 2-2 Sassuolo
Totti (Pjanic), Salah | Defrel (Politano), Politano (Floro Flores)

Tops: Salah (R) e Politano (S) | Flops: Iturbe (R) e Consigli (S)

300 vezes Totti. A Roma tropeçou, perdeu um pouco de contato com a Inter e mais uma vez esbarrou no Sassuolo – que vai se convertendo em sua pedra no sapato preferencial –, mas o dia foi de festa para os giallorossi e principalmente seu capitão. Nunca um jogador italiano havia marcado 300 gols por um único time. O dia também foi de festa para Politano, jovem atacante do Sassuolo revelado pela Roma, melhor em campo e autor de um gol e de uma assistência.

Torino 2-0 Sampdoria
Quagliarella (Bruno Peres), Quagliarella (Belotti)

Tops: Quagliarella e Bruno Peres (T) | Flops: Regini e Soriano (S)

Vice-líder da Serie A, com 10 pontos, o invicto Torino faz diferente da última (boa) temporada. Ao invés de começar tropeçando, inicia com resultados expressivos, mas contando outra vez com ótimas atuações de Bruno Peres e de Quagliarella. O implacável Toro não tomou conhecimento de uma ofensiva Sampdoria, passou o carro por cima e não se surpreenda caso os granata briguem até o fim por vaga em competições europeias outra vez.

Carpi 0-1 Fiorentina
Babacar

Tops: Letizia (C) e Tatarusanu (F) | Flops: Mbakogu (C) e Rossi (F)

Após o tropeço na Liga Europa, a Fiorentina entrou em campo pela Serie A e não conseguiu mais do que o placar mínimo contra o caçula Carpi. O gol de Babacar no primeiro tempo fez com que o time da casa saísse para buscar o empate. Com isso, o romeno Tatarusanu foi o nome da partida, por causa de defesas importantes. A Fiorentina, que impressionou na pré-temporada, continua acumulando bons resultados – com 9 pontos, é a terceira colocada no Italiano –, mas não tem mostrado futebol fulgurante. 

Udinese 1-2 Empoli
D Zapata (Di Natale) | Paredes, Maccarone (Saponara)

Tops: Karnezis (U) e Saponara (E) | Flops: Kone (U) e Dioussé (E)

Será um longo ano para a Udinese. Ciente da briga contra o rebaixamento, o time bianconero precisa vencer jogos contra rivais diretos, como o Empoli. E até vencia, mas levou a virada nos 20 minutos finais. Méritos do visitante, que já jogava melhor e obrigava o goleiro Karnezis a segurar as pontas. O gol da vitória azzurra veio nos acréscimos, com o capitão Maccarone. Iluminado, claro, por Saponara, o melhor meia deste início de temporada na Itália. Olho nele, Antonio Conte.

Bologna 1-0 Frosinone
Mounier (Oikonomou)

Tops: Oikonomou (B) e Soddimo (F) | Flops: Destro (B) e Dionisi (F)

Nem Bologna nem Frosinone haviam vencido no campeonato até agora. No jogo dos times que vieram da segundona e tinham mãos abanando, melhor para o Bologna, com elenco francamente superior ao do adversário. A vitória magra veio depois que o francês Mounir aproveitou lançamento do técnico zagueiro Oikonomou. Destro, principal contratação dos felsinei, decepcionou outra vez.

Atalanta 1-1 Verona
Moralez (Gómez) | Pisano (Viviani)

Tops: Moralez (A) e Pisano (V) | Flops: Denis (A) e Jankovic (V)

Este jogo quase reservou o primeiro 0 a 0 desta Serie A. Quase mesmo, pois dois gols nos seis últimos minutos de bola rolando mantiveram a frequência dos gols no campeonato. Os tentos foram anotados após duas bolas levantadas nas áreas e em dois erros das defesas. O mais patético foi o da defesa do Verona, que deixou Moralez, 1,59m de altura, marcar de cabeça.

* Os nomes entre parênteses nos resultados indicam os responsáveis pelas assistências para os gols

Relembre a 3ª rodada aqui.
Confira estatísticas, escalações, artilharia, além da classificação do campeonato, aqui.

Seleção da rodada
Tatarusanu (Fiorentina); Bruno Peres (Torino), Oikonomou (Bologna), Chiellini (Juventus), Santon (Inter); Saponara (Empoli), Bonaventura (Milan), Insigne (Napoli); Quagliarella (Torino), Higuaín (Napoli), Bacca (Milan). Técnico: Maurizio Sarri (Napoli).

sábado, 19 de setembro de 2015

Infográfico: raio-x da Serie A

Você sabia que o elenco do Sassuolo é mais valorizado do que o do Torino? E que os atletas de 28 anos são os mais caros da Serie A? Essas curiosidades estão no infográfico preparado pelo Quattro Tratti. Dica: é possível navegar nos gráficos, principalmente naquele que aponta o valor médio dos atletas de cada idade.


sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Técnicos: Sven-Göran Eriksson

Eriksson é lembrado pela seleção inglesa, mas foi na Itália que desenvolveu maior parte da carreira: na Bota, treinou Roma, Fiorentina, Sampdoria e ganhou quase tudo pela Lazio (Goal)
Como atleta, sua carreira não teve muito destaque. Nos dez anos em que Sven-Göran Eriksson atuou como lateral direito, foram modestos 200 jogos e – incríveis – 33 gols, mas sempre em times de pouca expressão no futebol sueco. Depois que pendurou as chuteiras, aos 27 anos, por causa de uma grave lesão no joelho iniciou sua carreira como treinador. Foi aí que Svennis, como é carinhosamente chamado, passou a chamar a atenção do esporte mais adorado do planeta.

Eriksson começou como a treinar equipes de futebol um ano depois de sua lesão. Começou como auxiliar e logo ganhou um papel de mais destaque. Tinha apenas 29 anos quando treinou o Degerfors e fez a equipe subir para a segundona sueca. O técnico rapidamente ganhou projeção no cenário nacional: assinou de surpresa com o IFK Göterborg, um dos maiores times do país e, posteriormente, também brilhou em nível europeu, com o mesmo clube, vencendo a Copa Uefa. Nunca um time sueco tinha conquistado este título.

Depois disso, Eriksson foi para Portugal, e teve dois ótimos anos à frente do Benfica, com a conquista do bicampeonato local, o sucesso na Copa de Portugal e ainda um vice na Copa Uefa – ao todo, 76% de aproveitamento. Assim, o treinador teve como rumo o futebol italiano, chegando à Roma para assumir o posto deixado por seu compatriota Nils Liedholm, que havia retornado ao Milan após uma temporada quase perfeita. Quase, porque uma série de empates na reta final do Campeonato Italiano e um tropeço o qual os romanistas lamentam até hoje, na final da Copa dos Campeões contra o Liverpool – em pleno estádio Olímpico – deixaram os giallorossi com o vice-campeonato nas duas principais competições que disputou.

Após a desilusão do time giallorosso, Eriksson chegou para tentar melhorar o trabalho do seu antecessor. E sob muita euforia e com grandes perspectivas, afinal tinha em mãos uma geração magistral, comandada por Paulo Roberto Falcão, Bruno Conti, Carlo Ancelotti, Toninho Cerezo, Giuseppe Giannini, Franco Tancredi, Sebastiano Nela e Roberto Pruzzo, e sabia que a torcida precisava de um novo impulso após a tristeza que tomou conta da capital após a temporada anterior.

Liedholm, então no Milan, conversa com Eriksson, na Roma: o Barone abriu as
portas do futebol italiano para o compatriota (Örjan gran)
O início, porém, foi difícil. Controlar o ânimo de time e torcida foi uma tarefa complicada. Eriksson demorou a conseguir fazer com que os jogadores entendessem o seu estilo e os resultados demoraram a aparecer (a primeira vitória veio apenas na 9ª rodada). O mau começo foi refletido ao final da competição, na qual a Loba terminou apenas na sétima colocação.

A temporada seguinte foi muito mais animadora para a Roma e para Eriksson. Falcão deixou a equipe e voltou ao Brasil para se aposentar e foi substituído por Zbigniew Boniek. Os romanos terminaram o primeiro turno 6 pontos atrás da Juventus – em uma época em que as vitórias valiam 2 pontos –, mas conseguiram grande arrancada graças a Zibi e aos gols de Pruzzo, artilheiro do campeonato com 19 gols. Faltando duas rodadas para o fim, os giallorossi empataram em pontos com os bianconeri, mas perderam os dois compromissos restantes, não concretizaram a virada e ficaram com o vice. A decepção foi minimizada no mês seguinte, quando a Roma arrancou, superou Inter, Fiorentina e Sampdoria para ficar com a Coppa Italia.

O ano seguinte não foi bom, e a Roma decepcionou em todas as competições que disputou – Serie A, Coppa Italia e Recopa Europeia. Com isso, o sueco se demitiu ao fim da temporada. Logo arranjou emprego, pois seguiu prestigiado na Velha Bota: prontamente foi o escolhido para comandar a Fiorentina. A Viola vinha alternando boas e medianas campanhas na Serie A, e escolheu um nome de tarimba internacional para comandar uma renovação no time, que via a despedida do mito Giancarlo Antognoni.

Apesar de contar com Dunga, Ramón Diaz, Roberto Baggio e o compatriota Glenn Hysén, o treinador teve o que, para muitos, foi o seu grande fracasso na carreira. Campanhas medianas no Campeonato Italiano e na Coppa Italia fizeram com que a Fiorentina fosse a única equipe pela qual Eriksson não conquistasse um título. Foi também o time pelo qual o comandante tivesse seu pior desempenho na carreira, com apenas 32,8% de aproveitamento.

Depois de cinco anos na Itália, Eriksson voltou ao Benfica para tentar retomar o sucesso que o fez despontar no cenário europeu. No Estádio da Luz, conduziu novamente o Benfica ao título português e à final da Copa dos Campeões, onde perdeu para o Milan de Arrigo Sacchi. Os ares lusos deram um novo rumo à carreira de Eriksson que, mais experiente voltou à Itália para comandar a Sampdoria.

Tendo Gianluca Pagliuca, Moreno Mannini, Pietro Vierchowod, Attilio Lombardo e Roberto Mancini como principais jogadores, a Samp não passou de uma modesta campanha na primeira temporada do sueco no comando da equipe. Na segunda temporada, já com Ruud Gullit e David Platt no time, Eriksson teve sua melhor fase à frente da equipe blucerchiata. Os dorianos superaram a morte do presidente Paolo Mantovani e chegaram a brigar pelo título, mas acabaram ficando atrás do Milan de Fabio Capello e da Juventus de Giovanni Trapattoni. A campanha 1993-94 terminou em título, também. A Samp estraçalhou o Ancona, fez 6 a 1 na final da Coppa Italia e levantou seu quarto e último troféu do torneio.

Eriksson ficou na Sampdoria até 1997, mas a morte de Mantovani acabou fazendo com que seu filho Enrico cortasse uma boa parte dos investimentos no time. Dessa forma, a Samp teve temporadas mais modestas até o final do seu trabalho, e o melhor momento neste período foi a chegada da equipe à semifinal da Recopa, onde caiu para o Arsenal.

Apesar de ter conquistado apenas duas Copas da Itália em nove anos de trabalho na Itália, Eriksson continuou valorizado por causa de seus conceitos táticos, trato com os jogadores e grande habilidade como diretor técnico. Por isso, foi a aposta de Sergio Cragnotti para assumir uma Lazio endinheirada, em julho de 1997. O retorno a Roma foi celebrado pelo treinador.

Com muito dinheiro à disposição, Eriksson chegou para fazer da Lazio novamente campeã italiana e celebrar o centenário da equipe, na virada do milênio. Além disso, sagrou-se o técnico mais vitorioso da história do clube, com sete troféus levantados. Quando Eriksson chegou, a Lazio tinha em seu palmarés apenas uma Serie A (1974) e uma Coppa Italia (1958). Atualmente, a equipe tem 15 títulos em sua história, para se ter uma ideia do sucesso do treinador em Formello.

Eriksson é o técnico com mais títulos na história da Lazio (Imortais do Futebol)
O sueco começou seu trabalho utilizando a base formada por Zdenek Zeman, com Alessandro Nesta, Paolo Negro, Giuseppe Favalli e Pavel Nedved, e adicionou Alen Boskic, Matías Almeyda, além de Vladimir Jugovic e Roberto Mancini, treinados por ele na Sampdoria – Mancio, a partir dos anos de Samp, viraria um pupilo do treinador.

Em seu primeiro ano no lado biancoceleste da capital, Eriksson se desentendeu com Giuseppe Signori, um dos maiores ídolos do clube, que acabou cedido à Sampdoria em dezembro. No entanto, o sueco não ficou de mal com a torcida, uma vez que a Lazio bateu a Roma nos quatro dérbis da temporada (dois pela Serie A e dois pela Coppa Italia), recorde absoluto e comemorado com uma placa instalada no CT de Formello. Apesar de concluir a Serie A apenas na sétima colocação, a Lazio faturou a copa nacional (a terceira de Eriksson) e chegou à final da Copa Uefa – acabou derrotada pela Inter comandada por Ronaldo.

Na temporada seguinte, já com novos e importantes jogadores, como Sinisa Mihajlovic – outro velho conhecido dos tempos de Samp – Dejan Stankovic, Fernando Couto, Christian Vieri e Marcelo Salas, conquistou a Recopa e a Supercoppa da Itália, e quase levantou pela primeira vez o caneco na Serie A. O time não ficou com o scudetto por apenas um ponto: foram 69 pontos ganhos contra 70 do campeão Milan, que estava na vice-liderança e conseguiu a virada na penúltima rodada – assim como quando comandou a rival Roma, no final dos anos 1980, Eriksson ficava com o gosto amargo de perder o scudetto duas rodadas antes do fim da temporada. Porém, cheio de bons jogadores para comandar, o sueco poderia contar que as grandes conquistas não demorariam a vir.

Em meio aos preparativos para a celebração de seu centenário, a Lazio iniciou a temporada 1999-2000 de maneira promissora. Eriksson tinha o time em mãos e ganhou a Supercopa da Europa logo na abertura da temporada. Na Serie A, os bons resultados também apareceram e os reforços de Juan Sebastián Verón e Diego Simeone engrenaram rapidamente no time que viria a ser campeão italiano daquela temporada e entraria para a história.

Para completar de vez a felicidade do torcedor laziale, Eriksson ainda levou seus comandados a mais um título da Coppa Italia, fazendo a dobradinha – até hoje, ele é o único treinador a conquistar campeonato e copa em três países europeus diferentes; Suécia, Portugal e Itália. Na Champions League a Lazio também foi longe, mas parou nas quartas de final. A festa em Roma coroou de vez a carreira do sueco que entraria para o hall dos principais treinadores do período.

A ressaca pós-festa só começaria na temporada seguinte, com resultados menos expressivos. A temporada começou com Mancini aposentado e fazendo as vezes de auxiliar técnico do treinador à beira do campo – para seu lugar, foram contratados Hernán Crespo e Fabrizio Ravanelli. 2000-01 teve o título dos aquilotti na Supercopa da Itália, mas nada mais que isso. Terminaria no meio daquela campanha, também, a passagem de Eriksson no comando da Lazio. O sueco recebera uma proposta quase irrecusável para treinar a seleção inglesa, que disputaria a Copa do Mundo de 2002, e deixou a Lazio em 9 de janeiro.

Na Itália, Eriksson desenvolveu amizade e ligação profissional com Mancini, de quem foi mentor (Guardian)
Svennie seria o primeiro estrangeiro a guiar o English Team, e ficaria no comando da Inglaterra até o final da Copa seguinte, quando foi demitido pela falta de títulos – caiu nas quartas de dois Mundiais e de uma Euro. O fim de sua passagem pelo English Team era o início de sua decadência no mundo da bola.

Após ser demitido pela FA, Eriksson treinou o Manchester City e a seleção mexicana sem nenhum sucesso. Depois mudou de cargo e assumiu como diretor de futebol do modesto Notts County, então na terceira divisão da Terra da Rainha. Em 2010 voltou a disputar um Mundial, comandando a Costa do Marfim, numa passagem rápida e sem sucesso, novamente – ter caído no mesmo grupo que Brasil e Portugal não ajudou, também. Eriksson ainda treinou o Leicester por uma temporada, antes de rumar para centros alternativos, como Índia, Emirados Árabes e China, onde atualmente comanda o Shanghai SIPG.

Apesar da decadência na carreira, até hoje o sueco é lembrado por sua contribuição ao futebol da Bota, que tanta ligação tem com técnicos e jogadores escandinavos. Eriksson é, claro, ligado sobretudo à torcida da Lazio, que o tem como o treinador de sua fase áurea.

Sven-Göran Eriksson
Nascimento: 5 de fevereiro de 1948, em Sunne, Suécia
Clubes como jogador: Torsby (1966-71), Sifhalla (1971-72), Karlskoga (1972-73) e Vastra Frolunda (1973-75)
Clubes como treinador: Degerfors (1977-78), IFK Göteborg (1979-82), Benfica (1982-84 e 1989-92), Roma (1984-87), Fiorentina (1987-89), Sampdoria (1992-97), Lazio (1997-2001), Inglaterra (2001-06), Manchester City (2007-08), México (2008-09), Costa do Marfim (2010), Leicester City (2010-11), Guangzhou R&F (2013-14) e Shanghai SIPG (2014-atual)
Títulos como treinador: Copa da Suécia (1979 e 1982), Campeonato Sueco (1982), Copa Uefa (1982), Campeonato Português (1982-83, 1983-84 e 1990-91), Copa de Portugal (1982-83), Campeonato Italiano (1999-2000), Coppa Italia (1985-86, 1993-94, 1997-98 e 1999-2000), Supercopa de Portugal (1989-90), Supercoppa da Itália (1997-98 e 1999-2000), Recopa da Europa (1998-99) e Supercopa da Europa (1998-99).

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

A noite de Florenzi

Ele fez golaço e parou Neymar: Florenzi foi o cara da Roma na estreia ds Champions (Uefa)
Não teve para ninguém. A estreia da Roma na Liga dos Campeões teve dono, nome e sobrenome: Alessandro Florenzi. Romano de nascimento, cria da base do clube giallorosso, é patrimônio de uma torcida que ama e valoriza ídolos locais, como Francesco Totti e Daniele De Rossi. No jogo mais complicado da temporada até então, foi ele quem decidiu a partida, na frente e atrás, e conseguiu ajudar seu time a somar um valioso ponto contra o Barcelona.

Foi o Barça que dominou a partida, como era de se esperar. Mais de 70% de posse de bola no confronto – e olha que a equipe de Rudi Garcia gosta de ter a bola nos pés, mas dessa vez soube se comportar diferente. Luis Enrique, que teve sua primeira grande oportunidade como treinador na Roma, sem deixar qualquer saudade na torcida, não teve sucesso em seu retorno ao Olímpico. Viu seu forte trio de ataque decepcionar, encaixotado pela forte e aguerrida marcação giallorossa. Defendendo no 4-1-4-1, a Loba atrapalhou as jogadas de Lionel Messi, Andrés Iniesta e Ivan Rakitic. Em seu setor, Florenzi não deixou Neymar se criar.

O primeiro gol da partida foi blaugrana. Em uma jogada polêmica, em que Lucas Digne recebeu pisão involuntário de Messi e caiu no chão, a bola sobrou para Rakitic. O croata cruzou, a bola desviou e Luis Suárez, bem colocado, cabeceou para as redes: gol legal. O empate da Roma saiu 10 minutos depois. Florenzi percebeu o goleiro Marc-André Ter Stegen adiantado – como tem jogado ultimamente; e Luis Enrique assumiu a culpa pelo posicionamento. Inesperadamente, ele passou um pouco a linha divisória do meio-campo e, quase saindo pela lateral, mandou de muito longe e marcou um gol antológico, desde já favorito ao Prêmio Puskás de gol mais bonito do ano. Veja abaixo.




Na sua estreia na Liga dos Campeões no ano anterior, a Roma, neste mesmo estágio da partida, levava um vareio do Bayern Munique: 5 a 0, em pleno Olímpico. Clara evolução da equipe, que amadureceu de um ano para outro e, reacostumada com competições europeias – especialmente a Champions –, soube jogar contra o Barcelona de Luis Enrique. Claro, algumas contratações deram mais estofo ao time, mas as duas principais peças na partida, Florenzi e Radja Nainggolan, já são caras conhecidas.

Na próxima rodada a Roma viaja para Belarus, onde enfrenta o BATE Borisov. Os jogos-chave vêm a seguir: recebe o Bayer Leverkusen e depois visita os alemães. A disputa pela segunda vaga do grupo deve acontecer entre as duas equipes, considerando o favoritismo do Barcelona no grupo. Então, pode comemorar, torcedor giallorosso. O empate foi excepcional.

Roma 1-1 Barcelona
Local: Estádio Olímpico, Roma
Árbitro Björn Kuipers (Holanda)

Roma: Szczesny (De Sanctis); Florenzi (Torosidis), Rüdiger, Manolas, Digne; Nainggolan, De Rossi, Keita; Salah, Dzeko, Falqué (Iturbe). Técnico: Rudi García.

Barcelona: Ter Stegen; Sergi Roberto, Piqué, Mathieu, Alba; Rakitic (Rafinha, Mascherano), Busquets, Iniesta; Messi, Suárez, Neymar. Técnico: Luis Enrique.

Gols: Suárez, 21', e Florenzi, 31'.

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Para virar o fio

Morata e Mandzukic deram à Juventus uma estreia dourada na Liga dos Campeões (Reuters)
Mais cedo, aqui no blog, falamos sobre como Massimiliano Allegri tinha dificuldades em sua segunda temporada por grandes clubes. Na Juventus, enfrentando uma reformulação após as saídas de Pirlo, Vidal e Tévez, ele começou a temporada insistindo em improvisar algumas peças no 4-3-1-2 e no 3-5-2. Colecionou três tropeços em quatro jogos oficiais. Pressionado já no início da temporada, Allegri mudou: na estreia na Liga dos Campeões, contra o Manchester City, o adversário mais forte no difícil Grupo D, ele escalou a equipe no 4-1-4-1 – uma variação do 4-3-3 – e colheu os frutos. A Juve venceu bem e pode ter achado o jeito certo para reagir logo em 2015-16.

Nos primeiros minutos, as mudanças fizeram efeito. A Juventus abriu o placar com Pogba, após cruzamento de Cuadrado, mas o gol foi mal anulado por impedimento. A Velha Senhora fez seu melhor primeiro tempo em toda a temporada, mas logo na volta do intervalo sofreu novamente com a arbitragem. Kompany se apoiou nitidamente sobre as costas de Chiellini, que se atrapalhou e acabou cabeceando contra as próprias redes para abrir o placar para os Citizens – a arbitragem deixou passar. 1 a 0 para os donos da casa, que não mereciam a vitória.

Com a vantagem, o Manchester City se empolgou e aí exigiu que Buffon mostrasse porque é um dos maiores de toda a história. Primeiro, uma dupla defesa, em que defendeu chute no contrapé e também mostrou reflexo. Mais tarde, quando a Juve já estava vencendo, voando pra defender chute perigoso de Yaya Touré.

Após o primeiro conjunto de defesas do capitão, a Juventus reagiu e voltou a entrar no jogo. Pogba cruzou na medida para Mandzukic se jogar nas costas da defesa e empatar. Minutos depois, a defesa dos ingleses errou e Morata, que continua mostrando sua estrela nos jogos da competição, virou a partida, de forma merecida, para a Juventus. O espanhol, aliás, vai dando uma de Boniek – estrela da Juventus nos anos 1980, e que, por brilhar nos jogos de competições continentais, era chamado de "Bello di Notte", já que estes jogos aconteciam apenas à noite.

A chave para reagir na temporada deve ser esta: 4-1-4-1 ou 4-3-3 (ou mesmo um 4-2-3-1) como esquema-base, utilização de jogadores em suas posições preferenciais e a mesma vontade de vencer dos anos anteriores. Allegri teve uma demonstração disso de cara, na primeira apresentação do time. Há muito tempo pela frente, e a Juventus tem tudo para virar o fio.

Manchester City 1-2 Juventus
Local: Estádio City of Manchester
Árbitro: Damir Skomina (Eslovênia)

Manchester City (4-2-3-1): Hart; Sagna, Kompany (Otamendi), Mangala, Kolarov; Touré, Fernandinho; Nasri (Agüero), Silva, Sterling (De Bruyne); Bony. Técnico: Manuel Pellegrini.

Juventus (4-1-4-1): Buffon; Lichtsteiner, Bonucci, Chiellini, Evra; Hernanes; Cuadrado, Sturaro, Pogba, Morata (Barzagli); Mandzukic (Dybala).

Gols: Chiellini (contra; 57), Mandzukic (70) e Morata (81).

O fantasma de Allegri

Necessidade de reformulação assombra Allegri em sua segunda temporada na Juve, assim como aconteceu no Milan após saídas de T. Silva e Ibra: treinador tem problemas para reorganizar
A Juventus que estreia logo mais na Liga dos Campeões, contra o Manchester City, em nada lembra a equipe vice-campeã europeia do último mês de junho. Nas três primeiras partidas da Serie A 2015-16, o time somou apenas um ponto e não passou nem perto de apresentar bom futebol. A confusão tática é grande, os jogadores parecem inseguros de suas funções em campo e nem a técnica acima da média de alguns de seus atletas tem ajudado. O culpado? Massimiliano Allegri.

Para muitos, ele ainda não conseguiu se provar um bom “treinador de reformulação” - aquele que cria novas ideias quando perde jogadores importantes e administra bem mudanças técnicas e táticas - e tem travado a Juve na busca por uma nova era, sem os pilares Pirlo, Vidal e Tévez. Pesa contra Allegri o fato de ele ter sofrido do mesmo mal durante sua passagem pelo Milan. A memória não deixa esquecer: com os rossoneri, ele também foi campeão no primeiro ano, quando pegou equipe montada por Ancelotti e Leonardo, mas depois caiu de rendimento, quando perdeu suas referências Thiago Silva e Ibrahimovic e precisou achar novos padrões. 

Na Juve, o roteiro parece ser o mesmo. Allegri não consegue superar as perdas de Pirlo, Vidal e Tévez e vem insistindo em esquemas fadados ao fracasso. Seu 4-3-1-2 dificilmente funcionará sem um regista como Pirlo e um trequartista polivalente como Vidal, ao passo que o 3-5-2 utilizado contra o Chievo, em casa, na última rodada, não pode passar de um plano B para momentos de maior necessidade defensiva, como foi no ano passado. 

O melhor seria aproveitar as características de seu elenco e definir um sistema que deixe o time mais seguro - ainda mais levando em conta que seu trato com os jogadores não é dos melhores e colocá-los fora de posição pode fazê-lo perder o elenco, como aconteceu no Milan -, mas ele persiste nos erros. Hernanes, por exemplo, viveu seus melhores momentos atuando como trequartista na Lazio, mas foi confirmado por Allegri como regista do 4-3-1-2 no jogo de hoje, contra o City.  

Em busca de certezas
Nesse início de temporada, são as dúvidas que têm incomodado. O treinador não definiu um esquema tático ainda e os jogadores não têm 100% de noção de suas funções nas posições que são escalados. Dessa forma, o que Allegri precisa é achar um sistema que dê segurança ao time como conjunto e aos jogadores individualmente. 

Para isso, a melhor opção no momento aparenta ser o 4-2-3-1, aproveitando bem as características de todos os jogadores. Marchisio e Pogba gostam de jogar na linha baixa do meio de campo quando têm um companheiro ao lado, podendo infiltrar nas investidas ofensivas e tentar o chute de longa distância; Hernanes se sente à vontade centralizado no meio, organizando o jogo e com possibilidade de chegar em velocidade; Cuadrado gosta de usar sua velocidade para ir ao fundo e cruzar; Dybala rende melhor do lado esquerdo, cortando para o meio (para passe ou chute de direita), ao mesmo tempo que abre a ala para Alex Sandro ir ao fundo cruzar; e Mandzukic prefere ficar centralizado no ataque para definir. Veja abaixo: 


Outra opção para usar as mesmas peças em posições que ainda se sentem à vontade seria o 4-3-3, que, no entanto, deixaria a equipe mais vulnerável (veja abaixo). Estabelecendo um dos dois sistemas como padrão, Allegri provavelmente conseguiria extrair o melhor de seus jogadores e ainda poderia usar o 3-5-2 como opção para mudar dentro de um jogo, a depender do adversário. Cuadrado e Alex Sandro (ou Asamoah) nas pontas deixariam o time mais à frente, enquanto as opções Lichtsteiner e Evra protegeriam mais a equipe.



De uma forma ou de outra, o importante é que Allegri acabe com as incertezas - que o fazem perder moral com dirigentes, jogadores e torcida - e passe segurança para que seus atletas atuem no seu melhor. O desafio será encaixar o jogo antes que seja dispensado do cargo. O diretor esportivo do clube, Giuseppe Marotta, já avisou que “chega de álibis” e mostrou que talvez a paciência da diretoria não seja grande. Entre os torcedores a popularidade também não ajuda: em enquete do Libero Quotidiano sobre o treinador, 40% dos internautas disseram acreditar que ele não dura até o fim da temporada e outros 28% apostam na sua demissão antes do Natal. Apenas 32% confiam em sua permanência até junho do próximo ano.