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quinta-feira, 29 de outubro de 2015

10ª rodada: Tudo como antes no quartel de Abrantes

Calando os críticos: Maicon e Roma mostram solidez e se estabilizam na liderança (Eurosport)
Pouca coisa de diferente entre os cenários da 9ª e da 10ª rodadas da Serie A. Roma, líder, e Fiorentina, Inter e Napoli – que vêm logo em seguida – mantiveram suas posições na tabela. Os destaques da rodada ficaram por conta dos tropeços da Lazio, que estava no pelotão mais alto do campeonato, e da Juventus, que não consegue engrenar. Dessa vez a Velha Senhora caiu para o surpreendente e ambicioso Sassuolo, que hoje estaria classificado à Liga Europa. O Milan também voltou a vencer e já começa a encostar no grupo de cima. Acompanhe o resumo.

Roma 3-1 Udinese
Pjanic (Maicon), Maicon (Dzeko), Gervinho (Manolas) | Théréau (Aguirre)

Tops: Maicon (R) | Flops: Perica (U)

Cinco vitórias seguidas e liderança mantida frente ao grande grupo que, em dez rodadas, tem protagonizado o início de campeonato mais equilibrado dos últimos anos. Com a Juventus, grande força do país, em queda, a Roma é a equipe que, naturalmente, pelo elenco e os últimos anos, tem maior poder para brigar pela primeira posição e assim vem fazendo - vamos ver se até o final. O time de Rudi Garcia não tem grandes segredos: é simples, organizado, equilibrado, eficaz e conta com ótimos jogadores. Mesmo que a mentalidade prejudique em alguns momentos, em jogos como esses, a Roma, quase sempre, consegue os três pontos. 

Contra a Udinese, o início lento do adversário e a comum pressão nos primeiros 15' que os giallorossi aplicam deram resultado, dessa vez sob o comando de Maicon. Depois de longa jogada trabalhada, dos pés do lateral brasileiro saiu o passe para Pjanic abrir o placar, com menos de 4'. Aos 9', relembrando suas grandes descidas pela direita, o brasileiro tabelou com Dzeko e conduziu com toda sua força e potência até vencer Karnezis e deixar tudo tranquilo para os donos da casa. Com o controle do jogo, a Roma seguiu produzindo chances, mas só voltaria a marcar no segundo tempo, aos 63', quando Manolas avançou com muita facilidade e passou para Gervinho decretar a vitória. Totalmente passiva nos gols que sofrera, a Udinese só reagiria depois, aos 76', em jogada de Aguirre que terminou no gol de Théréau.

Napoli 2-0 Palermo
Higuaín (Hamsík), Mertens (Allan)

Tops: Higuaín (N) | Flops: Gilardino (P)

Se a líder Roma é eficiente, o Napoli encanta com seu futebol "sarriano", controlando os jogos à sua maneira, com muita posse de bola, marcação alta e chances criadas. E quem finaliza as tantas jogadas produzidas é o artilheiro Higuaín, que marcou pela quarta vez consecutiva, dessa vez em forte chute de fora da área. Já são oito no campeonato. O pouco criativo Palermo mostrou resistência, com seu bom lado esquerdo com Lazaar e Hiljemark apoiados pela única fonte criativa, Vázquez, mas foi Sorrentino quem manteve os sicilianos no jogo, suportando a pressão napolitana. Os azzurri só voltariam a marcar no final, aos 80', com Mertens, ao seu jeito, cortando pra direita e finalizando colocado.

Verona 0-2 Fiorentina
Márquez (contra), Kalinic (Rossi)

Tops: Kalinic e Vecino (F) | Flop: Márquez (V)

Depois de duas derrotas para adversários diretos, nada melhor que uma vitória fora de casa para a Fiorentina. Três pontos para complicar ainda mais o Verona, a única equipe que ainda não venceu no campeonato, com cinco empates e cinco derrotas. O técnico Mandorlini vive a sua pior situação desde que chegou ao clube. Contra o catenaccio dos donos da casa e um time cheio de veteranos, Sousa pensou bem e, além do domínio do jogo, saiu com a recuperação de que precisava para não perder o ritmo. Isso vale mesmo que sua equipe também não tenha produzido muito na cidade de Romeu e Julieta: o suficiente para os dois gols, marcados por Márquez, contra, e Kalinic, autor do segundo, completando cruzamento de Rossi.

Bologna 0-1 Inter
Icardi (Ljajic)

Top: Handanovic (I) | Flop: Mancosu (B)

Um grande "ufa!" para a Inter e Icardi. Sem vencer há quatro jogos, o time de Mancini precisava voltar a conquistar os três pontos para recuperar o ritmo, enquanto Icardi, em má fase e inadaptado ao novo jogo do time, precisava de gols para recuperar a confiança. A vitória em Bolonha facilita as coisas para a Beneamata, que segue sem convencer, mas está entre os primeiros colocados e tem a defesa menos vazada - Destro que o diga, vencido por Handanovic no fim do jogo com defesa salvadora. A partir de agora, a Inter terá sequência difícil e não contará com seu treinador e Felipe Melo, expulsos, no jogo contra a líder Roma, neste sábado. Para o decepcionante Bologna, derrota esperada, apesar de alguma resistência, e que culminou na demissão de Delio Rossi, abrindo lugar para Roberto Donadoni.

Sassuolo 1-0 Juventus
Sansone

Top: Magnanelli (S) | Flop: Chiellini (J)

Início de campeonato nada fácil para a Juventus. Sem um jogo claro, que produza futebol além das individualidades - que não têm sido o bastante -, e a mentalidade vencedora dos últimos anos, a Velha Senhora protagoniza seu pior início na história. Contra o bravo Sassuolo, que soube sofrer e resistir à pressão adversária e manter o placar intacto após golaço de falta de Sansone, o time de Allegri teve o domínio do jogo, mas jamais conseguiu superar totalmente a defesa adversária. Chiellini foi expulso no primeiro tempo, e ganhou seu primeiro cartão vermelho em oito anos – não que ele não tenha batido até merecer neste período. Para o Sassuolo, outra vitória impactante, que mantém o time na parte de cima da tabela: hoje a equipe tem 18 pontos, apenas cinco a menos que a líder.

Atalanta 2-1 Lazio
Basta (contra), Gómez (D'Alessandro) | Biglia

Tops: De Roon (A) | Flops: Basta (L)

É tudo ou nada com a Lazio 2015-16, e dessa vez foi nada para o time de Pioli, que segue abaixo do esperado. A equipe não faz necessariamente um mau campeonato, com seis vitórias em dez jogos, mas também sofreu quatro derrotas difíceis de esquecer. Em Bérgamo, a equipe romana saiu na frente em gol de falta de Biglia, o único realmente decente entre os laziale, mas sucumbiu no segundo tempo, não sabendo controlar o jogo. Basta foi o bode expiatório, falhando nos dois gols da Atalanta: um bizarro gol contra e outra falha de cobertura no golaço do Papu Gómez.

Milan 1-0 Chievo
Antonelli (Bacca)

Tops: Bonaventura (M) | Flops: Paloschi (C)

Antes vitorioso que derrotado. Mesmo jogando mal, o Milan venceu pela segunda vez consecutiva, o que, no momento, é o suficiente para o time de Mihajlovic, que chega a cinco vitórias em dez jogos. Apesar disso, os donos da casa controlaram o jogo frente a um Chievo que volta a sua realidade medíocre e o futebol pobre que sempre apresentou nos últimos anos de Serie A, oferecendo pouca resistência e até mesmo sofrendo defensivamente. O Diavolo pressionou bastante, mas teve dificuldades para finalizar bem - de 24 chutes, apenas quatro foram a gol, contra 15 para fora e cinco bloqueados. O gol acabou saindo com o bom lado esquerdo comandado por Bonaventura, protagonista da jogada que teve pivô e passe de Bacca para boa finalização de Antonelli. No final, o Chievo teve gol anulado.

Torino 3-3 Genoa
Maxi López, Zappacosta (Molinaro), Tachtsidis (contra) | Laxalt (Pavoletti), Pavoletti (Gakpé), Laxalt (Perotti)

Tops: López (T) e Laxalt (G) | Flops: Padelli (T) e Izzo (G)

Apesar do pragmatismo e a limitação técnica do seu elenco - ainda mais com Quagliarella e Baselli no banco -, de vez em quando o Torino proporciona essas partidas malucas de muitos gols. Dessa vez, foi contra o também maluco Genoa de Gasperini, com toda sua dinâmica e agressividade. A emoção do jogo de seis gols começou com três deles em oito minutos, entre os 26' e 34': primeiro com Laxalt, após confusão da defesa dos anfitriões, que empataram aos 28' com López aproveitando dessa vez o vacilo dos visitantes. A virada aconteceu aos 34', após jogada curiosa, quando Molinaro cobrou escanteio muito forte e com efeito para fora, contando com uma furada de Moretti e a esperteza de Zappacosta para aproveitar a sobra e chutar firme de fora da área. Com a virada, o Torino manteve o controle do jogo, mas sua elogiada defesa voltou a dar espaços e em ataque rápido de Gakpé, Pavoletti superou Glik e empatou aos 67'. Jogo empatado, mais emoção em busca da vitória. Aos 89', quando acabara de entrar, Tachtsidis fez gol contra bizarro, praticamente entregando os três pontos para sua ex-equipe. Mas não totalmente, afinal, "o jogo só acaba quando termina" não é mesmo? Aos 93', Perotti cruzou da direita e Laxalt entrou com tudo na área para se antecipar e acertar cabeçada mortal para os granata, empatando novamente e definindo o placar final.

Sampdoria 1-1 Empoli
Éder (Fernando) | Pucciarelli (Saponara)
Tops: Éder e Fernando (S), Saponara (E) | Flops: Soriano (S)

Em meio a irregularidade, um empate que a Sampdoria de Zenga deveria ter evitado, mas não conseguiu. O Empoli saiu na frente, se aproveitando do rodízio feito pela Samp. Pucciarelli, com um golaço – acertou o ângulo – anotou para os visitantes. Porém, após roubada de bola e assistência de Fernando, Éder marcou seu oitavo gol no campeonato, acendendo a disputa pela artilharia com Higuaín. Pela apatia doriana, o empate até que não ficou de mal tamanho.

Frosinone 2-1 Carpi
D. Ciofani (Dionisi), Sammarco (Dionisi) | Marrone

Top: Dionisi (F) | Flop: Borriello (C)

No duelo dos caçulas, o empate quase ia ficando de bom tamanho para os dois times. Já havia acontecido as tais cenas lamentáveis e uma expulsão para cada lado, mas Sammarco acabou aparecendo para anotar o gol que deixou o Frosinone quatro pontos acima da zona de rebaixamento.. O Carpi continua na lanterna, dividida com o Verona.

*Os nomes entre parênteses nos resultados indicam os responsáveis pelas assistências para os gols

Relembre a 9ª rodada aqui.
Confira estatísticas, escalações, artilharia, além da classificação do campeonato, aqui.

A Liga Serie A disponibiliza os melhores momentos da rodada em seu canal oficial. Veja os melhores momentos dos jogos abaixo.


Seleção da rodada
Handanovic (Inter); Maicon (Roma), Manolas (Roma), Acerbi (Sassuolo), Antonelli (Milan); Jorginho (Napoli), Vecino (Fiorentina), Laxalt (Genoa); Higuaín (Napoli), Kalinic (Fiorentina), Sansone (Sassuolo). Técnico: Eusebio Di Francesco (Sassuolo).

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

9ª rodada: A terceira líder

Salah foi o protagonista da vitória contra a Fiorentina e colocou a Roma na liderança da Serie A (Getty Images)
A liderança mudou de mãos na Serie A. Depois de três rodadas na primeira colocação, a Fiorentina voltou a tropeçar, novamente num confronto direto, e passou o bastão para a Roma. No Campeonato Italiano mais disputado dos últimos anos, em apenas nove rodadas, três equipes diferentes já ficaram isoladas na ponta da tabela – a última vez que um campeonato teve três líderes isolados diferentes foi em 2011-12; e a última vez que isso aconteceu tão cedo foi no ano anterior.

Em ascendência, o Napoli, que venceu a quarta consecutiva, assumiu a segunda colocação e parece ser o grande concorrente dos romanistas pelo scudetto. A briga vai ser boa, afinal, as duas equipes tem apresentado o melhor futebol na Bota, ao menos no momento, e Fiorentina, Inter e Lazio seguem à espreita. A rodada ainda contou com vitórias do Milan e Juventus, com destaque para Dybala, e o empate da Inter. Veja a análise da rodada.

Fiorentina 1-2 Roma
Babacar (Borja Valero) | Salah (Pjanic) e Gervinho (Florenzi)

Tops: Salah e Gervinho (R) | Flops: Kuba e Kalinic (F)

A Serie A tem novo líder. No confronto direto que valia a primeira colocação a Roma não deu chances à Fiorentina e assumiu a ponta da classificação. Destaque para Salah, que marcou contra sua ex-equipe, não comemorou, mas foi vaiado durante todo o jogo. No final, reclamou com a arbitragem e foi expulso, vendo o gol Viola do vestiário. Com 20 pontos, os giallorossi lideram de maneira isolada. A Fiorentina, com a derrota, caiu para terceiro. Surpreendente há duas semanas, o time de Paulo Sousa foi derrotado três vezes (Napoli, Roma e Lech Poznan, pela Liga Europa) nos últimos oito dias e há quem conteste até onde esse time pode chegar. Frente aos romanos, a Fiorentina não foi páreo.

O time de Rudi Garcia começou muito bem e abriu o placar logo aos 6 minutos, com Salah, num belo chute cruzado. A Fiorentina tentou reagir, mas deu espaço para os contra-ataques. Num rebote de cobrança de escanteio, Gervinho avançou com velocidade por mais de 50 metros, sozinho, antes de tocar no canto de Tatarusanu. No segundo tempo, Gervinho e Pjanic tiveram a chance de matar o jogo e não conseguiram. De tanto pressionar e perder gols, a equipe de Florença só conseguiu diminuir no último lance da partida, com Babacar. Sólida na Serie A, a Roma começa a despontar como o time a ser batido, principalmente pelas vitórias incontestáveis sobre Juve e Fiorentina.

Chievo 0-1 Napoli
Higuaín (Ghoulam)

Tops: Higuaín e Koulibaly (N) | Flops: Paloschi e Pinzi (C)

O Napoli reagiu na temporada e a equipe que parecia ser mais uma para brigar no máximo pela vaga na Champions League, segue acumulando vitórias (quatro em sequência na Serie A, incluindo o confronto direto contra a Fiorentina e o “clássico” contra a Juve, além de duas pela Liga Europa) e aparece no retrovisor da Roma como um postulante ao título. Desde que Sarri abandonou o 4-3-1-2 e deu lugar ao 4-3-3, fazendo Allan, Insigne e Higuaín renderem ao máximo, o panorama mudou de figura.

No Marc’Antonio Bentegoddi, o bem postado time de Sarri não deu chances ao Chievo, que teve uma única chance, num contra-ataque. Higuaín foi o nome da partida. Depois de acertar a trave em duas oportunidades, o atacante argentino não perdoou no segundo tempo e garantiu a vitória do time de Sarri. Mais uma vez, o artilheiro da Serie A, com sete gols, foi decisivo.

Palermo 1-1 Inter
Gilardino | Perisic (Biabiany)

Tops: Sorrentino (P) e Biabiany (I) | Flops: Lazaar (P) e Icardi (I)

Outra partida decepcionante da Inter. Mancini preteriu Felipe Melo e Juan Jesus para, em tese, ter um time mais leve e com mais apoio dos laterais Nagatomo e Alex Telles. Na prática, porém, eles mal passaram do meio-campo na primeira etapa. O mais participativo do lado interista foi Perisic, mas, sozinho, pouco fez. Se no ataque, Jovetic era ao menos tentava criar jogadas, Icardi novamente mostrou-se alheio ao jogo e não procurava desmarques. O Palermo, por sua vez, criava perigo ao gol de Handanovic. Vázquez obrigou o esloveno a duas boas defesas. No segundo tempo a Inter voltou melhor.

A entrada de Biabiany e a melhora de rendimento de Jovetic deu outra cara à Inter. Foi através da dupla, aliás, que saiu o gol nerazzurro. Lançamento do montenegrino para Biabiany que deixou Perisic livre para completar ao gol. Mal deu tempo para comemorar e seis minutos depois o Palermo empatou, com Gilardino completando cobrança de escanteio meio sem querer, após bate-rebate. Melhor no segundo tempo e mesmo com um a menos após a expulsão discutível de Murillo, a Inter até criou com Guarín e Biabiany, mas parou nas boas defesas de Sorrentino. Foi o quarto jogo sem vitória dos interistas, que ficam nos 18 pontos, dois atrás da Roma.

Lazio 3-0 Torino
Lulic (Klose), Felipe Anderson (Klose) e Felipe Anderson (Lulic)

Tops: Felipe Anderson e Lulic (L) | Flops: Vives e Belotti (T)

Com show do brasileiro Felipe Anderson, a Lazio voltou a vencer na Serie A e igualou Napoli, Fiorentina e Inter na segunda colocação. Contra o Torino, o brasileiro marcou dois gols e foi um dos destaques da partida. O jogo começou frenético, com chances dos dois lados. Se a Lazio atacava com Candreva, os granata respondiam nas boas ações ofensivas de Bruno Peres, de volta após mais de um mês afastado. O equilíbrio foi mantido até o final do primeiro tempo, quando Lulic marcou seu primeiro gol na temporada e jogou um balde de água fria no time de Ventura.

No segundo tempo, o Toro voltou mais ofensivo, mas, logo no início, Felipe Anderson aproveitou bola escorada por Klose e marcou o segundo, praticamente definindo a partida. No final, o camisa 10 ainda fez mais um e sacramentou sua melhor apresentação na atual temporada. Envolvido em polêmica ao longo da semana por um post em seu Twitter, Morrison entrou no fim do jogo e, ao menos por enquanto, afasta rumores de que possa sair da equipe romana.

Juventus 2-0 Atalanta
Dybala e Mandzukic (Dybala)

Tops: Dybala e Bonucci (J) | Flops: Grassi e Paletta (A)

Paulo Dybala enfim “estreou” na Juventus. Até então pouco utilizado por Allegri, o substituto de Tévez foi fundamental para a vitória da Vecchia Signora contra a surpreendente Atalanta. Com muita classe, velocidade e habilidade, o argentino marcou o seu, com colaboração de Sportiello e depois deu assistência para o gol de Mandzukic, no início da segunda etapa. O show de Dybala só não foi maior porque, embora tenha criado muito, desperdiçou algumas boas chances para ampliar. Quando poderia fazer seu segundo gol, Pogba se encarregou da penalidade sofrida pelo camisa 21 e desperdiçou, com certa displicência. A Atalanta empolgante das últimas rodadas pouco fez em Turim, mas esse é o tipo de jogo em que qualquer ponto obtido é lucro para uma equipe pequena.

Milan 2-1 Sassuolo
Bacca e Luiz Adriano | Berardi

Tops: Bonaventura e Cerci (M) | Flops: Consigli (S) e Poli (M)

Com o Milan, vale a velha máxima: “haja coração, amigo”. Jogando em casa o time suou para bater o carrasco Sassuolo, mesmo tendo jogado com um a mais 60 minutos. Pressionado, inclusive com faixas de torcedores o criticando, Mihajlovic surpreendeu na escalação com o garoto Donnarumma no gol e Cerci no lugar de Bertolacci. Ainda assim, o que se viu foi um Milan muito mais incisivo que nas últimas partidas. Bonaventura carregava a equipe e Cerci dava a movimentação que não havia em outros jogos. Foi do ex-Torino que começou a jogada que resultou no pênalti em Bacca, que converteu. No início do segundo tempo, Berardi anotou seu oitavo gol contra o Milan e transformou San Siro num palco de tensão e ansiedade. Miha lançou seu time de vez ao ataque, jogando praticamente com cinco homens ofensivos. A pressão foi imensa, até que, na reta final da partida, Luiz Adriano completou de cabeça para garantir os três pontos para o Milan. O Diavolo segue no meio da tabela.
  
Sampdoria 4-1 Verona
Muriel, Zukanovic (Soriano), Soriano (Éder) e Éder (Muriel) | Ionita (Sala)

Tops: Éder e Soriano (S) | Flops: Helander e Rafael (V)

Jogo de um time só no Luigi Ferraris. A Sampdoria se recuperou do tropeço da última rodada, dominou o fraco Verona e não teve dificuldades para definir a partida ainda no primeiro tempo. Quarta vitória (em cinco jogos) do time de Zenga atuando em seus domínios, garantindo assim a sétima posição na tabela. O treinador, aliás, tem conseguindo se segurar no cargo após o terrível início de temporada, fazendo o time ter algumas boas apresentações, com um meio-campo participativo e um ataque fulminante – terceiro melhor do campeonato, com 17 gols. Nesse contexto, Éder é quem mais se destaca, marcando gols (sete, artilheiro do campeonato) e também desequilibrando as defesas adversárias. O Verona segue em queda e agora é o vice-lanterna. Com cinco anos de casa, Mandorlini agora vê seu cargo em perigo.

Udinese 1-0 Frosinone
Lodi

Top: Karnezis (U) | Flops: Aguirre (U) e Diakité (F)

Primeira vitória da Udinese no novo Friuli. Num jogo bastante truncado e com poucas opções, Lodi castigou seu ex-time e anotou o único gol da partida, numa falta que passou no meio de um monte de jogadores e enganou Leali. O jogo esquentou na segunda etapa e exigiu bastante dos dois goleiros. Se por um lado Karnezis salvou a Udinese, do outro, Aguirre, Théréau e Badu desperdiçaram chances incríveis. Os bianconeri se afastaram da parte baixa da tabela, deixando o Frosinone apenas um ponto fora da zona de perigo.

Carpi 1-2 Bologna
Letizia | Gastaldello e Masina

Tops: Gabriel Silva (C) e Giaccherini (B) | Flops: Lollo (C) e Mounier (B)

Primeira vitória do Bologna na temporada. Os rossoblù foram até Módena e bateram os donos da casa no dérbi regional da Emílinha-Romanha, e de quebra ainda deixaram a lanterna na mão dos biancorossi. O time de Delio Rossi saiu atrás, mas reagiu, sobretudo após a expulsão de Lollo ainda no primeiro tempo. O gol que garantiu os três pontos e a sobrevida do treinador saiu já nos acréscimos, com Masina. Ufa.

Empoli 2-0 Genoa
Krunic e Zielinski

Tops: Pucciarelli (E) e Gakpé (G) | Flops: Tino Costa e Perotti (G)

O Empoli voltou a vencer na Serie A e se afastou da zona de rebaixamento. Frente a um inconstante Genoa, os azzurri foram dominantes, criaram as principais chances de gol e souberam aproveitar as oportunidades, mesmo com o desfalque de Saponara. Nos dois gols da equipe, os meias ofensivos foram rápidos e decisivos na conclusão das sobras de bola. O Genoa, por sua vez, segue sem vencer perto de casa. Em seis jogos, apenas um ponto conquistado.

*Os nomes entre parênteses nos resultados indicam os responsáveis pelas assistências para os gols

Relembre a 8ª rodada aqui.
Confira estatísticas, escalações, artilharia, além da classificação do campeonato, aqui.

A Liga Serie A disponibiliza os melhores momentos da rodada em seu canal oficial. Veja os melhores momentos dos jogos abaixo.



Seleção da rodada
Sorrentino (Palermo); Florenzi (Roma), Manolas (Roma), Koulibaly (Napoli), Zukanovic (Sampdoria); Milinkovic-Savic (Lazio); Felipe Anderson (Lazio), Éder (Sampdoria), Gervinho (Roma); Higuaín (Napoli), Dybala (Juventus). Técnico: Rudi Garcia (Roma).

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Da tormenta ao marasmo

Roma conseguia grande virada, mas pôs tudo a perder em minutos (Gazzetta dello Sport)
Mais uma rodada de Liga dos Campeões e Juventus e Roma seguem com seu antagonismo na competição. ‘Mas como assim, se ambos empataram?’. Dessa vez, amigo, o responsável por tamanho afastamento entre os italianos foi o quesito emoção. Aliás, antes de mais nada, se você não é torcedor da Roma, recomendo que assista a todos os jogos da Loba na competição europeia – se você é giallorosso consulte um cardiologista antes. Se na pequena cidade de Leverkusen tivemos um embate memorável recheado de reviravoltas, em Turim tudo tranquilo como água de poço. Infelizmente tranquilo pela falta de lances-chave e felizmente tranquilo pela segurança que a Velha Senhora ainda carrega na ponta do grupo D.

Na Alemanha...
Levando em conta o cenário da partida e analisando o grupo E, era esperado que o Leverkusen fosse fazer a famosa blitz nos minutos iniciais. E assim foi. Com 18 minutos, o mexicano Chicharito Hernández já marcava o segundo gol alemão e até então a Roma nada produzira muito por mérito do adversário. Enfrentando um ataque veloz com Gervinho, Salah e Florenzi, a recomposição de todo o time alemão foi feita de forma muito eficiente. Além disso, a incapacidade de sair com a bola do campo defensivo ainda é recorrente no time de Rudi García independentemente das peças escolhidas pelo francês.

Mas, como estamos falando de Roma... começou a pintar o imprevisível, que nesta rodada vestiu a camisa 16. Daniele De Rossi marcou duas vezes e surpreendeu os arautos que já anunciavam que a Roma, mais uma vez, iria ‘romar’. E se o duelo entre Çalhanoglu e Pjanic poderia definir o jogo nas bolas paradas, o bósnio saiu na frente com um golaço em infração mal marcada. Foi o quarto em cobranças de falta do meia nesta temporada (os outros foram contra Juventus, Carpi e Empoli).

Em vantagem no placar, o time teve o que gosta: espaço. E as oportunidades apareceram com Florenzi, Falqué, e na segunda vez que o espanhol teve a chance, ampliou. Em Roma, o cheiro da vitória que vinha da Alemanha já se misturava ao aroma das pizzas, mas Kampl implodiu os sonhos italianos com um belo gol e grande jogada para o tento de Mehmedi.

É difícil analisar o perfil emocional desta Roma levando-se em conta os jogos da Liga dos Campeões: um rochedo contra o Barcelona e um eletrocardiograma sem o menor compasso contra BATE Borisov e Leverkusen. É evidente que arrancar um empate em solo alemão não é um resultado ruim já que o confronto na Itália ainda está por vir, mas diante de tanta oscilação, principalmente relacionada a fragilidade do setor defensivo, quem tem coragem de apostar em uma vitória romana contra o time da Bayer na quarta rodada?

... e no Piemonte
A Juventus recebeu em Turim o Borussia Mönchengladbach, que vem em franca recuperação no campeonato alemão. Mas, para a sorte dos italianos, os tedescos se contentaram em ficar na defesa no jogo da terceira rodada. Até porque, caso precisasse utilizar o contra-ataque, o Gladbach tinha em Raffael uma arma perigosa.

Com um rival extremamente recuado, a Juve careceu demais de um jogador com poder de infiltração em velocidade já que o ataque foi formado por Mandzukic e Morata. Em tese, Cuadrado e Alex Sandro poderiam exercer esse papel praticando entradas na diagonal, mas não foram capazes. Sem espaço, o time da casa abusou de chutes de média e longa distância, porém sem muita pontaria. Na única jogada em que teve espaço, a Juve não soube aproveitá-lo: Morata recebeu na entrada da área e tinha dois marcadores a sua frente, enquanto na esquerda Pogba passava livre. Mas o espanhol preferiu chutar e deixou o francês bastante irritado. É possível que a chance que ele tinha de quebrar o recorde de Del Piero e marcar gols em seis jogos seguidos da Liga dos Campeões tenha pesado.

Sem capacidade de rasgar a retranca adversária, Cuadrado deu lugar a Pereyra, mas nada mudou. Dybala, que talvez fosse o nome mais adequado para o jogo, entrou apenas aos 36 do segundo tempo e pouco fez também. Mesmo assim, Allegri tem sido criticado pela imprensa italiana por utilizar o argentino apenas de vez em quando.

Contra o Sevilla, a equipe havia feito uma ótima partida, talvez a melhor dessa temporada, mas o empate contra o Gladbach deixou um gosto amargo. Estamos quase entrando em novembro e Allegri já tomou algumas boas decisões, mas ainda pena para enfrentar adversários que entram apenas para se defender, tanto na Liga quanto na Serie A. De qualquer forma, são 7 pontos e a invencibilidade no grupo da morte. Se classificar é uma tarefa bastante plausível.

terça-feira, 20 de outubro de 2015

8ª rodada: Um scudetto pintado de azul?

Novamente decisivo, Higuaín marcou e colocou o Napoli na briga pelos lugares mais altos da tabela (AFP)
Após a pausa para a data Fifa, a Serie A voltou com alguns grandes confrontos: Inter-Juventus encabeçava a lista, mas Napoli-Fiorentina, pelo momento das duas equipes no campeonato, chamava muita atenção. Torino e Milan fariam um duelo coadjuvante, mas igualmente importante. No final das contas, destes times todos, somente o Napoli venceu, e a subida vertiginosa na tabela nas últimas rodadas tem colocado a pulga atrás da orelha: os azzurri podem disputar o scudetto? Veja a análise da rodada.

Napoli 2-1 Fiorentina
Insigne (Hamsík), Higuaín (Mertens) | Kalinic (Ilicic)

Tops: Higuaín (N) e Kalinic (F) | Flops: Callejón (N) e Roncaglia (F)

Na partida entre as duas equipes que melhor futebol estão jogando até o momento na Serie A, melhor para os donos da casa. Contando com o apoio da torcida, o Napoli de Sarri contou com gols dos seus dois homens decisivos em 2015-16 para vencer e chegar à parte alta da tabela: com três vitórias consecutivas e 15 pontos, os azzurri ocupam a 4ª posição, três pontos atrás da líder, que é a Fiorentina. Torcida e jornalistas já falam que o time do sul da Itália é candidato ao scudetto, mas tanto treinador quanto jogadores preferem desconversar por enquanto.

O primeiro tempo, equilibrado, acabou sem gols e com poucas oportunidades para os dois times no San Paolo. O Napoli não conseguia jogar de forma fluida, como em jogos anteriores, e Higuaín era bem marcado por Rodríguez. Logo na volta para o segundo tempo, porém, os napolitanos abriram o placar: passe de Hamsík e bela conclusão de Insigne, no canto de Tatarusanu. Após sofrer o gol a Fiorentina saiu mais para o jogo, e quase aos 30 minutos, Ilicic deu lindo passe de primeira para Kalinic, que também concluiu com estilo e empatou. Só que o mesmo Ilicic errou, três minutos depois, e Higuaín não perdoou: 2 a 1, placar final. Com seis gols, Insigne e Higuaín dividem a artilharia da Serie A com Éder.

Inter 0-0 Juventus
Tops: Medel (I) e Barzagli (J) | Flops: Icardi (I) e Pogba (J)

Coube ao Derby d'Italia o único 0 a 0 da rodada – apenas o segundo de todo o campeonato. Sem vencer a Juventus desde 2011, a Inter entrou em campo com esta ambição, mas salvo em tentativas de Jovetic e Perisic, pouco agrediu – Icardi, por exemplo, não chutou uma bola no gol. A Juventus, por sua vez, também não fez uma senhora partida: Cuadrado foi o principal vetor de ataque da equipe, e aproveitou bastante a fragilidade de Juan Jesus, escalado na lateral esquerda, mas esbarrou em Handanovic e em erros no último passe.

Dá para dizer que, no duelo tático, o 3-5-2 de Allegri venceu o 4-4-2 de Mancini, mas no detalhe. As duas bolas na trave do jogo (Brozovic, para os nerazzurri, e Khedira, para os bianconeri) e as boas partidas dos valentes Barzagli e Medel mostram como a partida foi bastante igual e aguerrida. Com o resultado, a Inter segue na vice-liderança, com 17 pontos, e a Juve beira a zona de rebaiamento, com 9.

Roma 3-1 Empoli
Pjanic, De Rossi (Pjanic), Salah (Gervinho) | Büchel

Tops: Pjanic (R) e Büchel (E) | Flops: Falqué (R) e Skorupski (E)

Mesmo com seus problemas, a Roma mostra a força de seu elenco e sobe na tabela. Como quem não quer nada, o time da capital já chegou aos 17 pontos, dividindo a vice-liderança com a Inter e um ponto atrás da Fiorentina. Nos últimos jogos, quem tem feito a diferença é Pjanic, e foi assim outra vez no sábado: gol de falta para abrir o placar no segundo tempo e depois cruzamento perfeito para De Rossi cabecear – e comemorar seu jogo de número 500 pela Roma com um gol. Gervinho e Salah, opções de velocidade e desequilíbrio no ataque, também foram bem. Do lado do Empoli, o suspenso Saponara fez muita falta, embora o time não tenha feito uma partida ruim.

Torino 1-1 Milan
Baselli (Belotti) | Bacca (Bertolacci)

Tops: Baselli (T) e Bonaventura (M) | Flops: Moretti (T) e Diego López (M)

Ter a letra "b" na inicial do sobrenome foi bom no sábado. Só não dá para dizer que Torino e Milan fizeram um bom jogo. O truncado duelo no Olímpico de Turim acabou com um empate positivo para os donos da casa – que jogaram recuados, esperando o adversário – e não foi de todo mal para os visitantes, que pela primeira vez em 2015-16 terminaram um jogo em igualdade. Apesar da pressão sobre si, Mihajlovic segue vivo no cargo, até porque os rossoneri tiveram atitude digna e foram superiores ao bom time de Ventura. Não fosse a falha de Diego López no gol do iluminado Baselli o moral em Milanello estaria mais elevado.

Sassuolo 2-1 Lazio
Berardi (pênalti), Missiroli | Felipe Anderson (Keita)

Top: Vrsaljko (S) | Flop: Onazi (L)

15 pontos em 8 rodadas, média de quase dois por jogo. Em grande fase, o Sassuolo do técnico Di Francesco venceu um adversário duro e segue perto do topo da tabela, com 15 pontos: há um tríplice empate entre os neroverdi, a própria Lazio e o Napoli na quarta colocação. Com o objetivo inicial de fugir do rebaixamento outra vez, a equipe emiliana vai tendo início de campeonato parecido (mas superior) ao de 2014-15, no qual somou boa parte de seus pontos no primeiro turno. Curiosamente, o Sassuolo pode comemorar por ter conseguido uma vitória sem atuações brilhantes de seus melhores jogadores, afinal isso mostra que o elenco está amadurecendo e ficando mais cascudo. A Lazio, por sua vez, vai demonstrando ser um time de altos e baixos, e a péssima atuação coletiva em Reggio Emilia preocupa o técnico Pioli.

Frosinone 2-0 Sampdoria
Paganini (Soddimo), Dionisi (Chibsah)

Tops: Paganini e Chibsah (F) | Flops: Regini e Correa (S)

A grande surpresa da rodada saiu do pequeno estádio Matusa. Jogando em casa, o Frosinone conquistou sua segunda vitória no campeonato e deixou a zona de rebaixamento. Os dois gols foram marcados no segundo tempo, mas os canarini poderiam ter saído na frente já no início, pois Soddimo incomodou demais o goleiro Viviano. Além do trequartista gialloblù, autor de uma assistência, vale destacar o golaço por cobertura de Dionisi. Na Sampdoria, Cassano, em sua primeira partida como titular, foi o melhor em campo, mesmo fora de forma. Um de seus passes quase terminou em gol de Muriel: o colombiano teve chute desviado por Leali explodindo na trave.

Genoa 3-2 Chievo
Pavoletti, Gakpé, Tachtsidis (Ntcham) | Paloschi (Meggiorini), Pellissier (Mattiello)

Tops: Tachtsidis (G) e Pellissier (C) | Flops: Dzemaili (G) e Cesar (C)

O grande thriller da rodada aconteceu no Marassi, com direito a gol prematuro, virada, empate com golaço e gol decisivo no último minuto de acréscimo. Paloschi, um inconveniente ex, marcou outra vez sobre seu antigo clube (já anotou 8 vezes contra o Genoa), em bela finalização aos 48 segundos. Porém, o Genoa acabou virando ainda nos primeiros minutos do jogo, em duas jogadas realizadas com participação negativa do jovem Mattiello – ainda fora de forma, o lateral retorna de séria lesão. A revelação clivense se redimiu no segundo tempo, com assistência para o voleio de letra de Pellissier, que mostrou que a idade não importa para quem sabe marcar gols: são 36 anos de muitos. Mesmo com um a mais por quase todo o segundo tempo, graças à expulsão de Dzemaili, o Chievo não aproveitou as chances. O castigo veio aos 93, com o gol de fora da área de Tachtisidis.

Atalanta 3-0 Carpi
Pinilla (Moralez), Gómez, Cigarini (pênalti)

Tops: Gómez e Moralez (A) | Flops: Belec e Bubnjic (C)

Que bela Atalanta. Dada como um dos candidatos ao rebaixamento, o time treinado por Reja vai surpreendendo: com 14 pontos e bons jogos, está na 7ª posição, com nove pontos de vantagem sobre o Empoli, que abre a zona de perigo. Se continuar somando pontos nesse ritmo, o objetivo da temporada, que é a permanência na Serie A, será atingido com facilidade. Na goleada sobre o frágil Carpi, o grande destaque foi o gol olímpico de Gómez

Bologna 0-1 Palermo
Vázquez (Hiljemark)

Tops: Sorrentino e Vázquez (P) | Flops: Destro e Taïder (B)

Que fase a do Bologna. Não à toa, Rossi é o técnico com mais chances de cair: de longe, os rossoblù são o time que pior joga no campeonato, com destaque para o momento horroroso de Destro, seu maior destaque. Contra o Palermo, o goleiro Sorrentino até teve que aparecer para segurar o resultado, mas o gol de Vázquez carimbou a sétima derrota do lanterna do campeonato. Os rosanero, que também não tem feito bons jogos – sentindo, obviamente, a falta do negociado Dybala –, estão no meio da tabela, com 10 pontos.

Verona 1-1 Udinese
Pazzini (pênalti) | Théréau
Tops: Pazzini (V) e Bruno Fernandes (U) | Flops: Rafael (V) e Wagué (U)

Poucas emoções e pouco futebol. Verona e Udinese mostraram porque tem sido dois dos times mais insossos desta temporada do Campeonato Italiano. Pazzini fez o seu primeiro gol com a camisa gialloblù após pênalti mandraque sofrido por ele mesmo e Théréau aproveitou falha do goleiro Rafael para empatar. E foi só no Bentegodi.

*Os nomes entre parênteses nos resultados indicam os responsáveis pelas assistências para os gols

Relembre a 7ª rodada aqui.
Confira estatísticas, escalações, artilharia, além da classificação do campeonato, aqui.

A Liga Serie A disponibiliza os melhores momentos da rodada em seu canal oficial. A partir de agora, colocaremos os melhores momentos dos jogos aqui.


Seleção da rodada
Sorrentino (Palermo); Barzagli (Juventus), Manolas (Roma), Medel (Inter); Vrsaljko (Sassuolo), Gómez (Atalanta), Tachtsidis (Genoa), Allan (Napoli), Pjanic (Roma); Soddimo (Frosinone); Higuaín (Napoli). Técnico: Maurizio Sarri (Napoli).

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Jogadores: Ramón Díaz

Díaz atuou em quatro clubes na Itália e era sempre caçado pelos zagueiros (Getty)
Contemporâneo da geração que revelou Diego Maradona, Ramón Díaz foi um dos grandes atacantes do futebol argentino. Talentoso e goleador, El Pelado rapidamente ganhou destaque no River Plate e na seleção albiceleste, primeiro sub-20 (campeã do mundo em 1979) e depois na principal, pela qual acabou participando do elenco que disputou a Copa de 1982. Ao longo da carreira, o atacante se estabeleceu como um dos maiores ídolos do River, além de ter atuado por quase 10 anos na Itália e ter sido um dos primeiros gringos no futebol japonês.

Apesar da carreira vitoriosa, Díaz não teve vida longa na seleção da Argentina. Depois de jogar o Mundial de 1982 e até ter feito gol contra o Brasil (derrota por 3 a 1), quando todos esperavam um grande time argentino que iniciaria a preparação para o Mundial de 1986, Díaz ficou fora dos planos do técnico Carlos Bilardo.

O afastamento é atribuído a um entrevero com Maradona, mas o Pibe garantiu em sua biografia que além de não ter fechado as portas para Díaz, pedia que Bilardo o convocasse. De qualquer forma, em 1982 Díaz, de apenas 23 anos, encerrou sua rápida carreira com a camisa albiceleste.

A essa altura, Díaz já tinha uma carreira em vias de consolidação. Depois de estrear no River Plate, com apenas 18 anos e se destacar em meio a lendas dos Millionarios, como Reinaldo Merlo, Leopoldo Luque e Daniel Passarella, tornou-se uma das grandes promessas locais. Ao final da Copa do Mundo realizada na Espanha, Pelado foi negociado com o Napoli, clube no qual seria treinado pelo compatriota Bruno Pesaola.
Díaz (mercado por Vierchowod, da Roma) passou apenas um ano no Napoli (Almanacco Giallorosso)
O argentino chegara para ser o segundo estrangeiro da companhia, ao lado de outro mito do futebol: o líbero holandês Ruud Krol. Outros jogadores importantes para a história dos azzurri, como Luciano Caastellini, Giuseppe Bruscolotti e Moreno Ferrario completavam a espinha dorsal do time. 1982-83, porém, não foi uma grande temporada para Díaz e para o Napoli.

O Napoli começou a temporada com o então emergente Massimo Giacomini como técnico, mas os maus resultados fizeram o ídolo Pesaola voltar ao time em que já tinha sido jogador e treinador. O Petisso, que nos tempos de jogador era canhoto como Díaz, deu uma organizada no time, que acabou a Serie A apenas na 10ª posição, dois pontos acima da zona de rebaixamento. O time de Fuorigrotta teve o segundo pior ataque do campeonato, com apenas 22 gols marcados, mas mesmo assim Díaz conseguiu algum destaque, pois brigava muito em campo. Ao todo, o argentino atuou em 38 partidas e anotou 8 gols, considerando todas as competições, terminando a campanha como artilheiro da equipe.

Sem conseguir exprimir ao máximo toda sua velocidade, habilidade e a qualidade em sua canhota, Díaz foi cedido ao modesto Avellino que disputaria sua sexta temporada na elite. “El Puntero Triste” – como ficou conhecido no Velho Continente, devido seu modo de ser e sua aparência melancólica – , passaria os próximos três anos no clube da Campânia, em uma província vizinha a Nápoles. A cidade de Avellino, no entanto, explodiu em festa por causa da chegada do atacante: após o anúncio de sua chegada, em agosto, a venda de carnês de ingressos para a temporada (os famosos abbonamenti) aumentaram exponencialmente.

El Pelado, no Avellino, ao lado de Maradona. Teria sido por Diego que Díaz abandonou a seleção (Wikipedia)
Pelo clube alviverde do sul da Itália, o futebol de Díaz aos poucos reapareceu. O argentino correspondeu em campo a empolgação que tomou a torcida. El Pelado fez ótima dupla sul-americana com o peruano Gerónimo Barbadillo, ambos acionados por meias de qualidade, como Fernando De Napoli e Franco Colomba.

E o primeiro jogo de Díaz pelos irpini foi histórico, talvez o maior do clube em mais de um século de vida: recém-chegado, ele começou a partida contra o Milan no banco. Foi uma avalanche alviverde sobre o gigante italiano: 4 a 0, com uma assistência do craque no último tento. Na primeira temporada ele ainda fez duas partidaças contra seu ex-clube, o Napoli, e marcou o gol do ex. Ao todo, ele anotou sete vezes na campanha e acabou o ano como artilheiro da equipe. No fim da temporada, o Avellino logicamente o contratou em definitivo.

Após um segundo ano razoável, em que o Avellino novamente conseguiu se manter na elite, Díaz voltou a despontar em 1985-86. Ele foi grande líder da equipe que conseguiu escapar do rebaixamento sem muitas dificuldades outra vez. Naquele que foi seu último ano pelos Lobos, El Pelado realizou sua melhor temporada desde que saiu da Argentina, até aquele momento, sendo o artilheiro da equipe (10 gols marcados) e um dos goleadores da Serie A. Neste último ano, Díaz ainda teve como companheiro o brasileiro Batista.
Díaz, da Fiorentina, e Toninho Cerezo, da Sampdoria, disputam jogada (Wikipedia)
Em 1986, após ver de longe a Argentina sagrar-se campeã mundial, Díaz foi vendido à Fiorentina, clube pelo qual formaria uma das grandes duplas de ataque do final da década de 1980, ao lado de Roberto Baggio. A parceria só se concretizou de verdade em 1987-88, pois Baggio ficou quase dois anos parado por causa de sérias lesões no joelho, o que fez do argentino a estrela da companhia, visto que um dos maiores ídolos do clube, Giancarlo Antognoni, já estava perto de se aposentar e era reserva. O time viola era forte e tinha ainda jogadores como Gabriele Oriali, Nicola Berti, Celeste Pin, Claudio Gentile, Aldo Maldera e Alberto Di Chiara. Era um momento de transição, após as saídas de Daniele Massaro e Giovanni Galli para o Milan e de Daniel Passarella para a Inter.

Àquela altura, Díaz vivia o auge da carreira, com 27 anos. E, outra vez, foi o artilheiro do seu clube na temporada, com 10 gols – ficando entre os cinco maiores artilheiros da Serie A. O argentino ainda foi impiedoso contra seus ex-clubes, e guardou três de seus gols contra Avellino (2) e Napoli (1). A Fiorentina, porém, teve temporada apenas mediana, ficando na 9ª colocação e caindo na primeira fase da Copa Uefa e da Coppa Italia. Bem abaixo do ano anterior, concluído com o 4º posto no Italiano e com as semifinais da copa.

Na campanha seguinte, o sueco Sven-Göran Eriksson assumiu o time e o rendimento de Díaz melhorou: com a frequente companhia de Baggio, recuperado, o argentino fez 12 gols na época 1987-88, sete deles na Serie A. No entanto, a Fiorentina não decolou e ficou outra vez no meio da tabela, na oitava colocação.

O verão seria de nova mudança para Díaz, que trocaria de clube outra vez. Por conselho de Passarella, que havia sido seu colega no River Plate e na seleção argentina, ele acabou na Inter – curiosamente, assim como na Fiorentina, Díaz chegou à Inter no momento em que o zagueiro se transferia. 

Díaz ao lado de Matthäus, Brehme, Berti e Bianchi: quinteto
contratado foi fundamental na conquista do scudetto de 1988-89 (Interleaning)
El Pelado foi uma das cinco contratações de peso da Inter de Giovanni Trapattoni e chegou junto ao companheiro Berti, somando-se a Alessandro Bianchi, Andreas Brehme e Lothar Matthäus. No entanto, sua chegada, por empréstimo, foi um tanto inesperada: ele foi o substituto de Rabah Madjer, campeão europeu pelo Porto e Bola de Ouro Africano em 1987. O argelino chegou a ser apresentado com a camisa do clube e seria o primeiro africano da história nerazzurra, mas o contrato não foi firmado porque o departamento médico interista alegou que ele não se recuperaria de uma lesão nos ligamentos do joelho.

Melhor para a Inter, pois Díaz foi decisivo para a conquista do scudetto interista em sua única temporada na Lombardia. Anotou 12 gols na Serie A (15 ao todo; veja alguns aqui, incluindo um golaço com caneta contra a Roma) e foi um dos melhores parceiros de Aldo Serena, artilheiro daquela temporada com 22 gols. Temporada de glórias para a Inter, que atingiu os 58 pontos, recorde dos tempos em que vitórias valiam dois pontos – em números de hoje, seriam 84 pontos em 34 jogos.

Apesar de decisivo, Ramón Díaz foi preterido ao final da temporada. Para trazer Jürgen Klinsmann, o presidente da Beneamatta, Ernesto Pellegrini, precisava se desfazer de um de seus estrangeiros – à época, o limite era de três. Brehme e Matthäus eram quase intocáveis, então, restou ao argentino trocar a Velha Bota pela França. Nos dois anos seguintes, ele defendeu o Monaco, e pelo time do principado faturou uma copa nacional.

Antes de se aposentar, Díaz voltou à Argentina para defender o River, sempre mantendo a boa média de gols por campeonato. Já com 34 anos, Díaz desbravou o futebol japonês junto a Zico. Por lá, marcou 52 gols em apenas 75 jogos pelo Yokohama Marinos. Logo que pendurou as chuteiras, voltou ao River Plate como treinador para também fazer história, vencendo a primeira Copa Libertadores do clube portenho. Na primeira passagem pelos Millionarios como comandante, faturou ainda quatro títulos nacionais, uma Supercopa Sul-Americana e esbarrou na Juventus, que ficou com o título da Copa Intercontinental de 1996.

Fã do futebol inglês, Díaz também se aventurou pela quarta divisão local, em uma temporada à frente do Oxford. El Pelado ainda comandou outras equipes na Argentina, como San Lorenzo e Independiente e, outra vez, o próprio River Plate, logo após seu retorno à elite. Em 2014 foi o escolhido para reconstruir a seleção paraguaia, com a missão de classificá-la à Copa do Mundo de 2018. Embora não tenha vencido um título com a seleção, já recuperou parte do prestigio com os guaranis, derrotando a seleção brasileira na Copa América 2015.

Depois de atuar por oito anos na Itália, Díaz não descarta um retorno ao país onde ganhou destaque. Antes de se aventurar na Inglaterra, foi cogitado para treinar o Napoli e a Lazio, mas tudo acabou ficando na especulação. Um bom trabalho com os sul-americanos pode lhe abrir novas portas. O respaldo ele já tem.

Ramón Ángel Díaz
Nascimento: 29 de agosto de 1959, em La Rioja, Argentina
Posição: atacante
Clubes em que atuou: River Plate (1978-81 e 1991-93), Napoli (1982-83), Avellino (1983-86), Fiorentina (1986-88), Inter (1988-89), Monaco (1989-91) e Yokohama Marinos (1993-95)
Títulos como jogador: Campeonato Metropolitano (1979 e 80), Campeonato Nacional (1979 e 81), Campeonato Apertura (1991), Serie A (1988-89), Copa da França (1990-91)
Clubes como treinador: River Plate (1995-2002 e 2012-14), Oxford United (2004-05), San Lorenzo (2007-08 e 2010-11), América-MEX (2008-09), Independiente (2011-12) e Seleção do Paraguai (2014-atual)
Títulos como treinador: Campeonato Apertura (1996, 97 e 99), Campeonato Clausura (1997, 2002 e 2007), Torneo Final (2014), Copa Libertadores da América (1996) e Supercopa Sul-Americana (1997).
Seleção argentina: 22 jogos e 10 gols

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

O último ato antes da Euro

Itália venceu mais uma e atrapalhou vida da Noruega na última rodada das eliminatórias (FIGC)
Entre tantas surpresas nas eliminatórias para a Euro 2016, a Itália, mais uma vez, foi pragmática ao seu jeito. Em dez partidas, sete vitórias e três empates. Sem encantar e em algumas vezes sofrendo mais do que deveria, fez o simples e o bastante para participar pela nona vez da competição continental europeia, em que foi campeã apenas uma vez, em 1968.

Contudo, mesmo líder do seu grupo, à frente de Croácia, Noruega e Bulgária, e com o novo formato com 24 seleções, a Itália mais uma vez ficará no segundo pote do sorteio dos grupos da competição, como na última edição, em 2012, em que ficou no grupo da campeã europeia e mundial Espanha. Inclusive, o treinador Antonio Conte reclamou dos critérios do ranking da Fifa, que deixou a Itália no segundo pote, mesmo considerando a invencibilidade europeia e o fato de a seleção ter tido apenas uma derrota desde a Copa do Mundo.

E o que dá liberdade para o "comissário técnico" - seu cargo, na verdade, vai além de ser treinador da seleção principal - é que o time mostrou evolução nos últimos jogos. Contra o Azerbaijão, seu 4-2-4 repaginado como 4-4-2, mais equilibrado, teve boa resposta em campo, com boa execução do sistema e atuações individuais destacadas.

Em Roma, nesta terça-feira, porém, além de Pirlo e De Rossi, ausentes no outro jogo, Verratti também não estava disponível, e com o curto tempo para recuperação, Conte voltou ao 3-5-2 padrão, sem seu regista e os desequilibrantes pontas. O treinador defendeu que "versatilidade tem que ser nossa força". E os alas Darmian e De Sciglio e o meio-campista Florenzi são as melhores representações dessa versatilidade.

Com a defesa a três, além de garantir amplitude e criar linhas de passe, justamente dando largura para o time, os alas também devem dar profundidade, o que é muito facilitado com a presença de Pellè na frente. Assim foi, com outra partida consistente do centroavante do Southampton, apesar de o parceiro Éder não ter ido bem, contrastando com os dinâmicos Florenzi, melhor em campo, e Soriano. O regista da vez, Montolivo, também não agradou: resultado da falta de qualidade no setor.

Para Conte, porém, isso não foi um grande problema, já que "não merecemos levar o gol, mas essa é o caminho certo, e quero essa intensidade e determinação sempre. Nós podemos perder ou ganhar, mas o importante é essa atitude. Nós jogamos da maneira que tínhamos que fazer, tentando dar um sentido de coerência".

Superior em campo desde o início, criando ótima chance com Pellè com menos de um minuto, a Itália teve seguidas oportunidades para abrir o placar, mas falhou e acabou sofrendo gol aos 23 minutos, quando, após cobrança de falta, a bola resvalou e sobrou na entrada da área para Tettey acertar forte chute. O que não impediu os donos da casa de seguirem martelando, sem sofrer resistência de uma Noruega que veio em formação ofensiva, mas incapaz de chegar ao gol de Buffon outra vez.

Apesar disso, nada de o gol italiano sair. Somente depois das substituições e da mudança de esquema tático, voltando ao 4-4-2, é que as coisas fluíram para o time de Conte. Aos 73, jogada entre Candreva e Giovinco pela esquerda, cruzamento do atacante do Toronto e entregada do defensor norueguês, que acabou ajeitando a bola para Florenzi antecipar e empatar.

À vontade no estádio Olímpico, sua casa, Florenzi, foi, ao lado de Giovinco, o motor do time para a recuperação. E até marcou novamente, mas o assistente assinalou impedimento inexistente de Candreva na jogada - por sinal, o mesmo assistente que deixou de marcar impedimento de Soderland no gol norueguês. Nada que desmotivasse o camisa 16 a buscar a virada. Do seu pé direito, aos 82, saiu o cruzamento completado por Pellè, decretando a justa vitória italiana.

O resultado, aliado à magra vitória da Croácia por 1 a 0 em Malta, definiu os classificados do grupo. A Itália ficou com a ponta do grupo, enquanto os xadrezes croatas ficaram com a segunda vaga. A Noruega disputará a repescagem.

Itália 2-1 Noruega
23' Tettey, 73' Florenzi, 82' Pellè (Florenzi)

Itália (3-5-2): Buffon; Barzagli (Candreva 72'), Bonucci, Chiellini; Darmian, Florenzi, Montolivo (Bertolacci 68'), Soriano, De Sciglio; Pellè, Éder (Giovinco 62'). T: Antonio Conte

Noruega (4-2-3-1): Nyland; Elabdellaoui, Hovland, Forren, Aleesami; Tettey, Johansen; Skjelbred (Samuelsen 51'), Henriksen, Berget (Berisha 78'); Soderland (King 60'). T: Per-Mathias Hogmo

Local: Estádio Olímpico, Roma, Itália
Árbitro: Felix Brych (Alemanha)

Veja os melhores momentos da partida

domingo, 11 de outubro de 2015

Em busca do bi

Com boa participação de Éder, Darmian e Verratti a Itália garantiu vaga para a Euro 2016 (Reuters)
"Missão cumprida". Foi o que muitos disseram após a partida em Baku. Depois de seis jogos, a Itália finalmente está classificada para a Euro 2016, depois de superar o Azerbaijão fora de casa, em boa atuação do time de Conte. Com isso, a Squadra Azzurra vai em busca do bicampeonato da competição – curiosamente, a Itália só faturou a Euro uma vez, em 1968.

Na verdade, foi uma das poucas vezes que o selecionado italiano em campo pode ser chamado de time. Coerente, equilibrado e organizado, os azzurri entraram em campo com uma ideia clara de jogo, executando bem a ideia de Conte e, assim, colhendo os frutos com bom jogo, talvez o melhor desde que o ex-treinador da Juventus assumiu o comando da Nazionale.

A Itália fez uma experiência no 4-3-3, em que já tinha demonstrado alguma melhora, e havia abandonando o 3-5-2 consagrado nos tempos de Conte na Juventus. Dessa vez a Nazionale partiu de um 4-4-2 simples, mas muito bem orquestrado. Ora marcando alto, com pressing agressivo, ora marcando baixo, mostrando a boa defesa posicional italiana, o time sempre esteve muito compacto, com os três setores próximos, formando, de fato, uma unidade.

Líder em chutes totais e no gol, acerto nos passes, dribles, duelos aéreos, desarmes e interceptações, o time de Conte controlou o jogo à sua maneira. Isso incluiu também jogar sem a bola, mesmo que a Itália tenha terminado com menor posse de bola, resultado também de um Azerbaijão ordenado e surpreendemente técnico, treinado por Prosinecki, craque croata dos anos 90.

A partida também consagrou individualmente alguns jogadores, como Verratti, o maestro do time, melhor em campo, assim como os participativos Candreva e El Shaarawy pelas pontas. Mas fortaleceu principalmente Éder. O ítalo-brasileiro da Sampdoria segue sua evolução pela seleção, conquistando a confiança de Conte, e dessa vez fez o gol que abriu o placar, chegando perto de outro e participando de outro. O centroavante Pellè, apesar de não ter tido participação direta nos gols, também segue crescendo, tendo grande peso nos ataques italianos.

Os gols: o primeiro veio aos 11 minutos, quando Éder recebeu belo lançamento de Verratti e se antecipou para vencer o goleiro; aos 31 minutos aconteceu o empate dos donos da casa, quando, após bola longa, Bonucci errou no bote pelo alto e Nazarov finalizou o passe de Gurbanov. Só que a Itália fechou o primeiro tempo com a vantagem. Aos 43 minutos, em ataque rápido todo orquestrado pelos atacantes italianos, Pellè fez o pivô e assistiu a enfiada de bola de Éder para a descida de Candreva: na cara do gol, o camisa 6 rolou para El Shaarawy completar para as redes. Aos 65 minutos, a Squadra Azzurra fechou o placar, em uma jogada fruto do pressing. Darmian recuperou a bola e chutou firme de fora da área para decretar o placar final.

Classificada, a Itália voltará a jogar na terça-feira, contra a Noruega, em Roma, onde não joga desde agosto de 2013. Um empate classifica os nórdicos e complica a vida da Croácia, terceira colocada e punida por causa de atos neonazistas de torcedores.

Azerbaijão 1-3 Itália
11' Éder (Verratti), 31' Nazarov (Gurbanov), 43' El Shaarawy (Candreva), 65' Darmian

Azerbaijão (4-1-4-1): Agayev; Medvedev, Hüseynov, F. Sadygov, Dashdemirov; Garayev; Ismayilov (Mirzabekov 91'), Eddy (A. Sadygov 66'), Amirguliyev, Nazarov; Gurbanov (Erat 74'). T: Robert Prosinecki

Itália (4-4-2): Buffon; Darmian, Bonucci, Chiellini, De Sciglio; Candreva (Montolivo 88'), Verratti, Parolo, El Shaarawy (Florenzi 74'); Éder (Giovinco 79'), Pellè. T: Antonio Conte

Local: Estádio Nacional, Baku, Azerbaijão
Árbitro: William Collum (Escócia)
Cartão vermelho: 88' Badavi Hüseynov (Azerbaijão)

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Jogadores: Clarence Seedorf

Em cerca de 15 anos de Itália, Seedorf ficou extremamente identificado com o Milan,
time que também treinou (Giornalettismo)
Um jogador daqueles que deixam saudades, não apenas pelo que foi em campo, como também por sua liderança fora dele. Clarence Seedorf era habilidoso como Andrea Pirlo, raçudo como Gennaro Gattuso e talentoso como Kaká... Com um pouco de cada uma dessas habilidades, somados à sua inteligência, formou um dos melhores meios de campo da Europa em meados da última década. O holandês foi um dos jogadores mais esclarecidos de sua geração, capaz de ser o braço direito de qualquer treinador. E, unindo todas essas características, também se tornou um dos esportistas mais vencedores de sua geração. Seedorf é o único a ter vencido a Liga dos Campeões por três clubes diferentes, por exemplo.

Nascido no Suriname, Clarence Clyde Seedorf é neto de um escravo, que herdou o sobrenome de seu antigo dono, um senhor de terras alemão. Apesar de ter vivido seus primeiros anos na ex-olônia holandesa, Clarence e sua família se mudaram logo para a Holanda. Em Amsterdam, ele começou sua carreira no Ajax do início da década de 1990, e se tornou o mais novo jogador a vestir a camisa dos Godenzonen, aos 16 anos e e 242 dias.

Em um time que fez história com grandes jogadores e com a conquista da Liga dos Campeões da Europa em 1995, Seedorf também escreveu grandes páginas de sua própria carreira. Logo após estrear, ganhou um posto entre os titulares, e no terceiro ano pela equipe da capital da Holanda, já era uma peça-chave para Louis van Gaal – isso com apenas 18 anos. Não demorou para que ele fosse convocado para a seleção, saltando uma categoria: constantemente convocado para a seleção sub-18, só fez um jogo pela sub-21 e depois passou a ser figura constante da Oranje.

O sucesso rendeu à Seedorf a chance de jogar no futebol italiano, sendo uma das principais aquisições da Sampdoria, para a temporada 1995-96. Em Gênova, o meia holandês se juntaria a alguns grandes nomes do futebol mundial, como Walter Zenga, Sinisa Mihajlovic e Roberto Mancini, além de outras boas peças, como Moreno Mannini, Riccardo Ferri, Alberigo Evani, Christian Karembeu e Enrico Chiesa. O time era treinado por Sven-Göran Eriksson, mas não fez uma grande campanha, apesar dos nomes, e muito por causa do alto nível de competição da Serie A naquela época – obteve a oitava colocação. Pelos blucherchiati, Seedorf participou de 34 jogos e marcou quatro gols, o principal deles em uma vitória por 3 a 0 contra a Juventus, em pleno Delle Alpi.

Ainda jovem, Seedorf teve curta passagem pela Sampdoria: um entreposto entre
dois gigantes, Ajax e Real Madrid (Interleaning)
O bom futebol apresentado, de muita técnica e qualidade, chamou a atenção de Fabio Capello, então treinador do Milan e futuro treinador do Real Madrid – não que Seedorf precisasse de apresentações, devido ao que já tinha feito pelo Ajax. Capello aportou na capital espanhola e um de seus primeiros pedidos foi justamente o holandês, que por algum motivo estava em uma equipe de meio de tabela na Itália, após ser cobiçado por meia Europa.

Seedorf chegou respaldado – ganhando, inclusive a camisa 10 – e foi um dos pilares da equipe campeã espanhola em 1996-97 e europeia na temporada seguinte – já com Jupp Heynckes no comando, pois Capello havia voltado para o Milan. O título da principal competições de clubes do mundo encerrou um incômodo jejum do Real Madrid, que não levantava a taça mais desejada do continente havia 32 anos. No clube merengue, Seedorf marcou o que foi, para muitos, o mais belo gol de sua carreira, num petardo da intermediária, contra o Atlético de Madrid.

Em um ano e meio, o impaciente e controverso presidente Lorenzo Sanz trocou de técnico três vezes – Guus Hiddink, John Toshack e Vicente Del Bosque –, o que comprometeu o desempenho do Real Madrid e, consequentemente, de Seedorf. Em dezembro de 1999, o holandês foi negociado com a Internazionale, tornando-se a terceira contratação mais cara da história dos nerazzurri, atrás apenas de Christian Vieri e Ronaldo, naquele momento – depois, Hernán Crespo e Geoffrey Kondogbia o ultrapassaram.

Vestindo o azul e preto da Inter, Seedorf jogou fora de posição e fez forte amizade com Ronaldo (Sempre Inter)
Enquanto Marcelo Lippi foi o treinador da Beneamata, sua presença no time era frequente. Isso, no entanto, durou apenas de janeiro de 2000 até a primeira rodada da temporada 2000-01, quando o técnico – em constante atrito com a direção – foi demitido. A troca no comando, primeiro a cargo de Marco Tardelli e  depois de Héctor Cúper, reduziu a frequência do meia nos jogos dos nerazzurri.

Mesmo assim, em sua última temporada pela Inter, Seedorf marcou dois golaços – o último deles, similar ao marcado no clássico de Madrid. Contra a Juventus, anotou uma doppietta com chutaços de fora da área, e empatou o jogo em 2 a 2 já nos acréscimos. A conquista do ponto foi bastante comemorada, pois a Inter se mantinha como líder isolada e se aproximava do scudetto – no entanto, a equipe deixou a taça escapar na última rodada, no fatídico 5 de maio de 2002. Foi uma das perdas de títulos mais incríveis do futebol italiano e mais traumáticas para os torcedores interistas.

Ao final da temporada 2001-02, Seedorf foi envolvido em uma das tantas trocas ridículas feitas pela Inter naquele período: o negócio levou Francesco Coco (!) ao lado azul e preto de Milão e o holandês acabou se transferindo ao Milan. À época, a transação parecia boa para todos, pois Coco era um talento da base rossonera e o holandês, que jogou fora de posição (aberto pela esquerda) em toda a sua passagem pela Inter, poderia colocar sua carreira nos eixos pelo Diavolo.

Embora acumulasse sucessos em sua carreira, Seedorf chegou contestado em Milanello por causa do que explicamos acima. No entanto, sob o comando de Carlo Ancelotti, foi peça importantíssima no esquema ao lado de Pirlo e Gattuso e não demorou muito tempo para que torcida e diretoria tivessem certeza de quem havia ganhado com a troca com a rival. Atuando mais centralizado, como interno de meio-campo (na direita ou na esquerda de uma linha de três jogadores) ou como trequartista, encostando nos atacantes, o holandês destacava-se pela regularidade, pela qualidade no passe e pelo senso de posicionamento. Seedorf também era elogiado pela participação no sistema defensivo, já que sua contribuição na marcação foi fundamental para as conquistas dos rossoneri.

O meia que chegou contestado logo ganhou uma vaga de titular com Don Carletto e se sagrou campeão da Liga dos Campeões na primeira temporada – vencendo seu terceiro título da competição e alcançando uma marca ainda inigualada, a de único vencedor do torneio por três equipes diferentes. Foi apenas o começo de uma história que durou 10 temporadas, e que teve Seedorf como titular em nove delas – apenas na última, 2011-12, quando tinha 36 anos incompletos, ele não foi protagonista.

Com o Diavolo, o holandês venceu ainda outra Liga dos Campeões, sendo considerado o melhor meio-campista da temporada 2006-07 no futebol europeu. Não à toa, já que fez gols importantes nas quartas de final contra o Bayern Munique e na semifinal contra o Manchester United – Seedorf fez 10 gols naquela temporada, seu maior número em solo europeu. O meia venceu tudo o que disputou com a camisa rossonera: Serie A, Coppa Italia, Supercopa Italiana e Europeia e ainda um Mundial de Clubes da Fifa, totalizando 10 conquistas com a camisa vermelha e preta.

Os dez anos como titular do Milan fizeram Seedorf atingir uma honraria: ele se tornou o estrangeiro (não-italiano) com o maior número de jogos com a camisa do clube (432) e superou Nils Liedholm, um dos maiores ídolos da história rossonera, que jogou 394 vezes pelo Milan. Já em seus últimos anos de clube, o holandês ganhou o segundo scudetto, mas também conviveu com os períodos de vacas magras, desdobrando-se em campo, sendo a referência solitária em um time pobre e pouco vitorioso. Ao final da temporada 2011-12, sua passagem por Milão como jogador havia acabado.

Seedorf poderia ter encerrado carreira no Milan, mas preferiu realizar um sonho e veio atuar no Brasil (Getty)
Casado com Luviana, uma brasileira, e apaixonado pelo Rio de Janeiro, Seedorf escolheu o Botafogo para encerrar sua carreira. Em quase dois anos pelo Glorioso colocou seu nome na riquíssima história do clube, tornando-se um dos grandes ídolos dos tempos recentes para os torcedores da equipe da Estrela Solitária. Venceu um Campeonato Carioca, guiou o time em uma bela campanha no Brasileirão e ainda ajudou a classificar o Botafogo para a Copa Libertadores.

Foi aí que o telefone tocou. Era Adriano Galliani, a pedido de Silvio Berlusconi. Massimiliano Allegri estava mal no comando do Milan e para a diretoria rossonera, Seedorf seria a solução. Então, em janeiro de 2014, o camisa 10 botafoguense abandonou o futebol para ser técnico do rossonero, mesmo tendo futebol para entrar em campo – que o diga a torcida do Fogão, que viu o clube ser rebaixado para a Série B meses após sua saída.

O holandês diz não se arrepender de não ter disputado a Libertadores, mas queria ter feito um trabalho melhor com a camisa da seleção do seu país. Ele disputou uma Copa do Mundo, a de 1998, e três Euros (1996, 2000 e 2004), mas não conseguiu fazer a Holanda se classificar para a Copa de 2002 e acabou sendo relegado por Marco van Basten entre 2004 e 2006. Não jogou o Mundial de 2006 e renunciou à Euro 2008.

Após se aposentar, Seedorf teve pouco tempo de trabalho como técnico do Milan. Foi muito criticado publicamente por Berlusconi e foi taxado de arrogante por gente dos bastidores do futebol. Toda sua história no clube foi deixada de lado e após míseros seis meses no comando, o holandês, fritado pela diretoria, foi demitido, mesmo tendo feito um time medíocre fazer bons jogos. Apesar de alguns rumores, Seedorf ainda não recebeu uma nova função como treinador e ainda está sob contrato com o Milan – o clube não quis pagar a multa pela rescisão.

Além de ter conquistado a Liga dos Campeões por três clubes diferentes (Ajax, Real Madrid e Milan), também foi um dos poucos que conseguiu Supercopas nacionais em três países diferentes. Seedorf é o terceiro jogador que mais atuou em competições europeias (163 jogos), atrás apenas de Xavi (173) e Paolo Maldini (174) e está no seleto clube dos 22 profissionais com mais de 1000 partidas oficiais disputadas – tem 1016.

Fora dos campos, ganhou prêmios de estado, como o de Comendador da Ordem Honorária da Estrela Amarela, em Paramaribo, e o de Cavaleiro da Ordem de Orange-Nassau, dado pela Coroa holandesa. Nada mais apropriado para um jogador e um ser humano de tamanha classe.

Clarence Clyde Seedorf
Nascimento: 1 de abril de 1976, em Paramaribo, Suriname
Posição: meio-campista
Clubes como jogador: Ajax (1992-95), Sampdoria (1995-96), Real Madrid (1996-2000), Inter (2000-02), Milan (2002-12) e Botafogo (2012-14)
Clubes como treinador: Milan (2014)
Títulos conquistados: Campeonato Holandês (1993-94 e 1994-95), Campeonato Espanhol (1996-97), Serie A (2003-04 e 2010-11), Copa da Holanda (1992-93), Coppa Italia (2002-03), Supercopa da Holanda (1993 e 1994), Supercopa da Espanha (1997), Supercopa da Itália (2004 e 2011), Campeonato Carioca (2013), Uefa Champions League (1994-95, 1997-98, 2002-03 e 2006-07), Copa Intercontinental (1998), Supercopa da Uefa (2003 e 2007) e Mundial de Clubes (2007).
Seleção holandesa: 87 jogos e 11 gols

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

7ª rodada: Confirmando bom momento

Fiorentina mostra que solidez apresentada contra a Inter não foi ponto fora da curva, goleia de novo e abre vantagem na liderança (Reuters)
Após superar a Inter no confronto direto pela liderança, na última rodada, a Fiorentina voltou a golear na Serie A - a vítima dessa vez foi a também nerazzurra Atalanta - e já pode comemorar dois pontos de vantagem no topo da tabela. Isso porque a Inter não saiu do empate contra a Sampdoria, fora de casa, e permitiu escapada da rival viola. Enquanto isso, o Napoli também confirmou que está em momento ascendente no campeonato e, em seu segundo ótimo jogo seguido, aplicou um sonoro 4 a 0 no Milan, no San Siro. Lazio, Roma e Juventus também venceram. Veja o resumo da 7ª rodada.

Fiorentina 3-0 Atalanta
Ilicic, Valero (Bernadeschi) e Verdu (Kalinic)
Tops: Valero e Kalinic (F); Denis (A) | Flops: Paletta (A)

Sensação desse início de campeonato, a Fiorentina chegou a sua sexta vitória em sete rodadas e bateu marca histórica: nunca antes o time teve aproveitamento tão bom nos sete primeiros jogos da Serie A. A sequência deixa o time isolado na liderança, dois pontos à frente da vice Inter, e faz os torcedores sonharem alto. Não há torcedor da equipe que não lembre e faça comparações com o grande time do final de 1990, que tinha Batistuta no comando do ataque e que foi o último a pintar de roxo o topo da tabela da Serie A. Empolgação à parte, os comandados de Paulo Sousa vêm mostrando personalidade e, com jogo intenso, confirmam que a Fiorentina deve lutar no alto até o fim.

Assim como aconteceu contra a Inter, na rodada passada, a equipe entrou em campo a mil por hora e abriu o placar logo no início do jogo. Novamente de pênalti, Ilicic colocou a viola à frente da Atalanta aos seis minutos e abriu caminho para um jogo tranquilo, uma vez que Paletta foi expulso pela falta dentro da área em Blaszczykowski. Com a superioridade numérica e a inspiração de jogadores-chave do elenco (Valero, Bernadeschi, Alonso, Ilicic, Kalinic e Blaszczykowski fizeram ótimo jogo), os donos da casa não tiveram dificuldades para aplicar um 3 a 0 nos nerazzurri. O último gol resumiu a atuação viola: troca de passes envolvente e assistência maravilhosa de Kalinic para quebrar a defesa e deixar Verdu na cara para marcar, fechando com chave de ouro a boa apresentação. 

Milan 0-4 Napoli
Allan (Insigne), Insigne (Higuaín), Insigne e Ely (contra) 
Tops: Insigne e Allan (N) | Flops: Luiz Adriano e Bacca (M)

Outro que confirmou o grande momento no campeonato foi o Napoli. Depois de vencer a Juventus na última rodada, a equipe de Sarri fez outro grande jogo e bateu o Milan por 4 a 0, em pleno San Siro, saltando cinco posições na classificação - foi o time que mais subiu nessa rodada. Agora, a equipe ocupa a sexta colocação, três pontos abaixo da Lazio, terceira colocada. O Milan, por sua vez, cai para a 11ª posição, com apenas nove pontos conquistados em sete jogos. 

Insigne, com dois gols e uma assistência, foi o nome da partida e não escondeu a empolgação com a equipe após o apito final: “Esse time é de título”, afirmou. O brasileiro Allan e o argentino Higuaín também brilharam, com muito empenho para atacar e também para marcar. O ritmo dos napolitanos não deixou o Milan sequer respirar em sua própria casa e um chute de Montolivo por cima do gol foi a melhor oportunidade dos rossoneri. O abismo entre as equipes, que tinham a mesma pontuação até rodada passada, é nítido. Mihajlovic ainda terá muito trabalho para ajeitar uma equipe que não produz nada quando Luiz Adriano e Bacca estão mal, enquanto Sarri caminha para mais uma boa campanha na Serie A. E o jogo da próxima rodada, contra a Fiorentina, em casa, ganha em importância: a diferença do Napoli para a líder pode cair para três pontos.

Sampdoria 1-1 Inter
Muriel (Pereira) | Perisic (Icardi) 
Tops: Muriel e Soriano (S); Perisic (I) | Flops: Correa (S); Palacio (I)

Vice-líder, a Inter voltou para o 4-3-1-2 e entrou em campo para esquecer a goleada sofrida para a Fiorentina na última rodada. Na maior parte do jogo contra a Sampdoria, porém, a equipe de Roberto Mancini pareceu ainda baqueada pelo último resultado, que a tirou da ponta da tabela de classificação. Apático, o time não conseguiu produzir nada até a metade do segundo tempo e só não perdeu porque a Sampdoria, apesar de organizada, não criou muito. Muriel marcou no início do segundo tempo, mas Correa errou gol inacreditável após driblar Handanovic, decepcionando a torcida. Só depois disso a Inter acordou e passou a procurar o gol. Perisic, melhor nerazzurro em campo, foi premiado com seu primeiro gol no campeonato, mas já era tarde. Agora, a equipe se prepara para enfrentar a rival Juventus na próxima rodada.

Lazio 2-0 Frosinone
Keita (Djordjevic) e Djordjevic
Tops: Lulic e Keita (L); Blanchard (F)

Sem tanto alarde como algumas de suas rivais, a Lazio vai seguindo seu caminho tranquila e já é a terceira colocada, apenas três pontos atrás da líder Fiorentina e um atrás da vice Inter. Contra o Frosinone, o time de Pioli fez boa partida, em ritmo alto, mas sofreu até os 35 minutos do segundo tempo para garantir o resultado. Antes, os visitantes - que levaram 4 mil torcedores ao Olímpico de Roma - deram trabalho e poderiam até ter empatado a partida. A exibição dá esperanças à torcida, mas, por enquanto, o Frosinone ocupa a zona de rebaixamento.

Palermo 2-4 Roma
Gilardino e Gonzalez (Quaison) | Pjanic (Florenzi), Florenzi, Gervinho e Gervinho 
Tops: Gilardino (P); Pjanic e Gervinho | Flop: Iachini (P)

No jogo mais movimentado da rodada, a Roma bateu o Palermo fora de casa e subiu para a quarta posição, garantindo mais alguns dias de tranquilidade para o técnico Rudi Garcia, que já começava a ser questionado no cargo após a surpreendente derrota para o BATE, na Liga dos Campeões. Escalada no 4-2-3-1 que deu certo no segundo tempo em Borisov, a Roma atropelou os donos da casa no início: antes dos 30 minutos, já estava 3 a 0, com gols de Pjanic, Florenzi e Gervinho. O placar fez a equipe acomodar no início do segundo tempo e permitir aproximação de Palermo. Com a entrada de Gilardino, o time melhorou e marcou duas vezes. Gervinho, melhor jogador da Roma nas últimas partidas, tratou de fazer o 4 a 2 para não deixar os romanistas sofrerem. A derrota é a quarta seguida do Palermo e o técnico Iachini, mais uma vez mau na escalação, balança e muito no cargo. 

Juventus 3-1 Bologna
Morata, Dybala e Khedira (Morata) | Mounier (Masina)
Tops: Morata, Cuadrado e Khedira (J); Mounier (B) | Flop: Gastaldello (B)

A Juventus continua sendo a maior incógnita desse campeonato e alterna bons jogos - principalmente na Liga dos Campeões - com partidas (muito) ruins. Nesse fim de semana, para a alegria dos mais de 39 mil torcedores que foram ao Juventus Stadium, a atuação foi boa e a equipe venceu pela primeira vez em casa nesse campeonato. “Finalmente a Juve da Champions entrou na Serie A”, escreveu a Gazzetta dello Sport após o jogo. De fato, a Velha Senhora fez sua melhor apresentação da temporada no campeonato nacional e, coincidência ou não, foi com grande atuação de Álvaro Morata, o homem-LC. O espanhol abriu o placar, sofreu o pênalti para Dybala marcar e ainda deu assistência para Khedira fechar o caixão. Cuadrado, livre no 3-5-2 (que tem se mostrado a melhor opção para a Juve, pelo menos nesse momento de turbulência), e Khedira também foram importantes para virar o jogo, que começou com gol do Bologna aos cinco minutos de jogo. A Juve sobe para a 12ª posição, com oito pontos, e o Bologna cai para a lanterna, com apenas três. 

Carpi 2-1 Torino
Padelli (contra) e Matos (Borriello) | Maxi Lopez 
Tops: Matos e Borriello (C); Maxi Lopez (T) | Flop: Padelli (T)

Na estreia de Sannino, o Carpi alcançou sua primeira vitória na Serie A e saiu da zona de rebaixamento, após grande jogo contra o bom Torino. Os granata, por sua vez, perderam a chance de saborear a primeira colocação por pelo menos um dia e, para piorar, viram seus rivais vencerem. Assim, o Torino caiu da terceira para a quinta posição, muito por causa no mau início de partida, o que tem se tornado comum na equipe, que demora para acordar. 

Chievo 1-1 Verona
Castro (Gobbi) | Pisano (Moras)
Tops: Castro (C); Moras (V)

No clássico de Verona, faltou bom futebol. As equipes entraram no modo “na base da vontade” e assim ficaram até o fim. O empate foi justo, mas o Chievo tem seus motivos para reclamar, uma vez que o gol de Pisano, que abriu o placar, foi em impedimento. Com o resultado, o Chievo permanece na sétima posição, enquanto o Verona continua sendo o único time da competição que ainda não venceu. O empate atrapalha nos planos de sair da zona de rebaixamento, mas pelo menos dá um ponto que tira a equipe da última colocação, agora ocupada pelo Bologna. 

Udinese 1-1 Genoa
Di Natale (Felipe) | Perotti
Tops: Di Natale e Karnezis (U); Perotti (G) | Flop: Rincon (G)

Em jogo muito movimentado, o Genoa foi melhor, mas quase sai de campo derrotado. Di Natale voltou a marcar após cinco meses de seca e colocou os donos da casa em vantagem em momento que o Genoa dominava as ações e parecia mais perto do gol. No fim, o ótimo Perotti converteu pênalti e fez justiça. Com o empate, as duas equipes perderam uma posição na tabela: a Udinese cai para a 14ª colocação e o Genoa para a 15ª, ambos com sete pontos.

Empoli 1-0 Sassuolo
Maccarone (Zielinski)
Tops: Maccarone (E); Consigli (S) | Flop: Terranova (S)

Após 11 jogos, o Sassuolo de Di Francesco finalmente perdeu a invencibilidade. O algoz foi o Empoli, que fez boa partida em casa, e alcançou a segunda vitória no campeonato, principalmente por causa do bom jogo do atacante Maccarone, que importunou a defesa durante todo o tempo. A vitória merecida coloca a equipe na 16ª colocação, com sete pontos, e faz o Sassuolo cair da 5ª para a 8ª posição na tabela, com 12 pontos. 

*Os nomes entre parênteses nos resultados indicam os responsáveis pelas assistências para os gols

Relembre a 6ª rodada aqui.
Confira estatísticas, escalações, artilharia, além da classificação do campeonato, aqui.

Seleção da rodada
Rafael (Verona); Florenzi (Roma), Rodríguez (Fiorentina), Koulibaly (Napoli), Mário Rui (Empoli); Borja Valero (Fiorentina), Allan (Napoli), Pjanic (Roma); Insigne (Napoli); Morata (Juventus), Gervinho (Roma). Técnico: Maurizio Sarri (Napoli).