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terça-feira, 22 de dezembro de 2015

17ª rodada: Melou para a Inter

Felipe Melo mostrou descontrole e Inter vai para recesso natalino com ambiente bagunçado (EPA)
Fim de ano na Serie A. Após 17 rodadas, o campeonato faz uma pausa para os festejos de Natal e ano novo, retornando na primeira semana de janeiro. O último fim de semana com bola rolando na Itália foi quente e deixou a briga pelo título e pelas vagas europeias ainda mais acirrada. Pela primeira vez na era dos três pontos, cinco equipes disputarão o título simbólico de campeã de inverno – que será definido nas duas próximas rodadas, quando o primeiro turno acaba. Na 17ª rodada teve brasileiro perdendo a cabeça e até cervejinha. Acompanhe o resumo e boas festas!

Inter 1-2 Lazio
Icardi (Perisic) | Candreva (Biglia), Candreva

Tops: Alex Telles (I) e Candreva (L) | Flops: Felipe Melo e Montoya (I)

No último jogo de 2015, Felipe Melo custou pontos à líder do campeonato. Jogando em casa, a Inter ia tropeçando, por conta da má partida que fazia, mas conquistava um pontinho – diante de uma Lazio que não vencia há sete jogos, desde o final de outubro. O volante brasileiro, porém, coroou sua péssima exibição: ele já vinha errando passes e fazendo faltas desnecessárias. Aos 82 minutos, saltou em Milinkovic-Savic, cometeu pênalti e jogou fora um empate que a Inter custou a conseguir. Handanovic tentou evitar a tragédia e defendeu o pênalti, mas Candreva aproveitou o empate. Descontrolado, Melo ainda deu um golpe de taekwondo em Biglia, recebendo vermelho e pegando gancho de três jogos. Após o jogo, a Gazzetta dello Sport relata que houve acaloradas discussões no vestiário interista. Se há um alento, ao menos o recesso natalino pode servir para aparar arestas no ambiente.

Antes disso, a Inter havia saído atrás logo nos primeiros minutos: em cobrança de escanteio ensaiada, Biglia rolou para Candreva marcar o primeiro laziale, de fora da área. Depois, os nerazzurri tentaram o empate, mas com jogadas muito previsíveis – sobretudo porque Jovetic estava pouco inspirado e a Lazio se posicionava muito bem, defensivamente. Na segunda etapa, Icardi aproveitou enfiada de Perisic para igualar o marcador, mas depois a Beneamata voltou a esbarrar no muro da Lazio. Quando o empate parecia se encaminhar, veio Felipe Melo. Com o resultado, a Inter mantém a liderança, mas com apenas um ponto de vantagem sobre Fiorentina e Napoli, três sobre a Juventus e quatro sobre a Roma – a tabela reserva jogos duros para os nerazzurri no início de janeiro. Após reencontrar as vitórias, a Lazio subiu para a 10ª posição.

Atalanta 1-3 Napoli
Gómez (Denis) | Hamsík (pênalti), Higuaín (Jorginho), Higuaín (Hamsík)

Tops: Gómez (A) e Higuaín (N) | Flops: De Roon (A) e Jorginho (N)

Em Bérgamo, falhas de um jogador nerazzurro também foram determinantes para a vitória de um adversário azul celeste. O meia De Roon começou sua jornada inglória colocando a mão na bola de forma proposital após escanteio: pênalti convertido por Hamsík. A Atalanta empatou em seguida, depois de boa triangulação e chute no alvo de Gómez. Só que De Roon apareceu de novo: em novo escanteio, tentou dar um abraço de urso para marcar Higuaín, mas o argentino só deslocou o pescoço para direcionar a bola e cabecear para as redes. Mesmo com um a menos, após expulsão de Jorginho, os azzurri chegaram ao terceiro, outra vez com o Pipita (que chegou à absurda marca de 16 gols em 17 jogos), e ainda perderam pênalti, com o capitão Hamsík. Depois de voltar a vencer a Atalanta em Bérgamo após cinco anos, o Napoli manteve a vice-liderança; já a Dea fica na nona posição.

Carpi 2-3 Juventus
Borriello, Bonucci (contra) | Mandzukic, Mandzukic (Evra) e Pogba (Marchisio)

Tops: Borriello (C) e Mandzukic (J) | Flops: Belec (C) e Bonucci (J)

No horário do almoço italiano, a Juve precisou virar contra o Carpi para chegar à sétima vitória consecutiva e encostar de vez na briga pelo título. A partida começou com um gol do ex no Alberto Braglia: Borriello fintou Bonucci e guardou. Porém, Mandzukic, depois de duas bolas cruzadas na área, mostrou presença de espírito e poder de decisão para virar. Já no segundo tempo, Pogba fez o terceiro, depois de receber belo lançamento de Marchisio. Nos acréscimos, a Juventus passou algum sufoco e Bonucci fez gol contra. Allegri ficou bastante nervoso com os erros da defesa e chegou a arrancar seu paletó. Não é para tanto: a Velha Senhora está em excelente fase.

Fiorentina 2-0 Chievo
Kalinic (Bernardeschi), Ilicic

Tops: Bernardeschi e Borja Valero (F) | Flops: Bizzarri e Dainelli (C)

Após ser derrotada pela Juve, a Fiorentina se reencontrou com a vitória jogando em casa. Contra um Chievo que tinha uma defesa ex-viola (Dainelli, Gamberini e Gobbi), a equipe de Florença teve pouquíssimo trabalho e decidiu a partida na primeira etapa. Logo nos minutos iniciais, Kalinic recebeu lançamento e contou com uma ajuda do goleiro Bizzarri para abrir o placar. Pouco depois, Ilicic chutou de fora da área e, com desvio na zaga, encobriu o arqueiro argentino. Depois, a equipe treinada por Paulo Sousa apenas administrou o resultado.

Roma 2-0 Genoa
Florenzi, Sadiq (Vainquer)

Tops: Rüdiger e Szczesny (R) | Flops: Dzeko (R) e Múñoz (G)

No Olímpico estava em jogo o futuro de Garcia. Muito questionado pela torcida, o técnico francês passou a semana tendo a sombra de Lippi, Spalletti e Mourinho, comentados como possíveis substitutos. No entanto, a mudança no comando não deve acontecer (ao menos agora), em virtude da vitória contra o Genoa. Após o primeiro tento do jogo, Florenzi saiu correndo para abraçar o treinador e foi seguido pelos colegas – na imprensa italiana houve discussão se isso mostraria que o grupo está fechado com o treinador ou se os jogadores apenas seguiram em direção a onde Florenzi estaria. A Roma não jogou bem, demorou para resolver o jogo, com Sadiq, mas somou três ponto. E, pela primeira vez na temporada, ficou dois jogos seguidos sem sofrer gols. Já o Genoa contou com tropeços dos adversários para não entrar na zona de rebaixamento.

Frosinone 2-4 Milan
Ciofani (Dionisi), Dionisi (Pavlovic) | Abate (Honda), Bacca (Bonaventura), Alex (Niang), Bonaventura (Poli)

Tops: Dionisi (F) e Bonaventura (M) | Flops: Diakité (F) e Romagnoli (M)

No jogo com mais gols de toda a rodada, o Milan mostrou poder de reação para vencer o fraco Frosinone. Um buraco na retaguarda rossonera possibilitou o primeiro gol dos canários, com Ciofani. Se, no primeiro tempo, o Diavolo fez Leali trabalhar (com louvor) duas vezes, no segundo o goleiro do Frosinone pouco fez. As chances criadas pelo Milan, principalmente com Bonaventura, acabaram resultando na virada e na ampliação do placar, que chegou a 3 a 1. Após um susto no final, o próprio Bonaventura decidiu o jogo, fazendo o time de Mihajlovic terminar o ano na sexta colocação. O Frosinone continua na zona da degola.

Bologna 2-3 Empoli
Brienza, Destro | Pucciarelli (Saponara), Maccarone (Zielinski), Maccarone (Pucciarelli)

Tops: Destro (B) e Maccarone (E) | Flops: Crisetig (B) e Costa (E)

Teve danone em Bolonha. Na comemoração mais divertida do futebol italiano em 2015 – é, Totti, sua selfie foi superada –, Maccarone roubou a cena e tomou um golinho de cerveja – pior, o amigo que cedeu o copo a ele é torcedor do Bologna. A partida que abriu a rodada foi bastante divertida e bem jogada pelos dois times, que chegaram ao placar de 2 a 2 no primeiro tempo. Pelo lado do bom Empoli de Giampaolo, sétimo colocado após alcançar a inédita marca de quatro vitórias consecutivas na Serie A, brilharam Big Mac, Saponara e Zielinski. O Bologna de Donadoni jogou bem, e teve em Destro o seu principal jogador, mas acabou encerrando 2015 com uma derrota.

Sampdoria 2-0 Palermo
Soriano (Cassano), Ivan (Muriel)

Tops: Cassano e Ivan (S) | Flops: Goldaniga e Chochev (P)

Iluminada por Cassano, que fez sua melhor partida no campeonato, a Sampdoria venceu o Palermo com muita tranquilidade no Marassi. A primeira vitória de Montella no comando do time doriano poderia ter sido construída já no primeiro tempo, mas Sorrentino impediu um golaço de Fernando. Após o intervalo, Cassano fez boa jogada e só rolou para Soriano chapar para o gol. 23 minutos depois, Muriel lançou o jovem Ivan, que se antecipou ao goleiro Sorrentino para encobri-lo e marcar um belo gol. Com o resultado, as duas equipes continuam na parte baixa da tabela.

Torino 0-1 Udinese
Perica

Tops: Padelli (T) e Perica (U) | Flops: Baselli (T) e Wagué (U)
Equilíbrio foi a máxima no Olímpico de Turim. Ligeiramente melhor em campo, a equipe da casa não conseguiu concretizar as chances que teve, com Belotti e Quagliarella, sobretudo. A torcida criticou o time de Ventura, mas o treinador considera as críticas exageradas. Para a Udinese, a vitória pode ser bem comemorada, já que foi conquistada com 10 jogadores, após expulsão de Wagué. Vale lembrar que, no último fim de semana, os friulanos tomaram uma sapatada da Inter em casa. Com sete pontos acima da zona de rebaixamento, a equipe treinada por Colantuono pode se dar por satisfeita pelos objetivos alcançados na primeira parte do campeonato.

Verona 1-1 Sassuolo
Toni (Wszolek) | Floccari (Vrsaljko)

Tops: Toni (V) e Floccari (S) | Flops: Bianchetti (V) e Laribi (S)

Presença de área. Com Toni e Floccari o seu time certamente terá esta característica. Não à toa, os centroavantes marcaram os gols do empate no Bentegodi. Primeiro aconteceu o gol do visitante Sassuolo: Vrsaljko cruzou na medida e Floccari fez belo movimento com a cabeça para abrir o placar. Pouco depois, de carrinho, Toni empatou e chegou a seu terceiro gol na temporada. O resultado mantém os neroverdi na sétima posição, dividida com o Empoli. O Hellas continua na lanterna, com apenas oito pontos – dois a menos que o Carpi e oito a menos que o Genoa, primeiro time fora do Z-3.

*Os nomes entre parênteses nos resultados indicam os responsáveis pelas assistências para os gols

Relembre a 16ª rodada aqui.
Confira estatísticas, escalações, artilharia, além da classificação do campeonato, aqui.

A Liga Serie A disponibiliza os melhores momentos da rodada em seu canal oficial. Veja os melhores momentos dos jogos abaixo.



Seleção da rodada
Reina (Napoli); Abate (Milan), Rüdiger (Roma), Rodríguez (Fiorentina); Candreva (Lazio), Saponara (Empoli), Borja Valero (Fiorentina), Bonaventura (Milan); Maccarone (Empoli), Mandzukic (Juventus), Higuaín (Napoli). Técnico: Marco Giampaolo (Empoli).

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

O que há com os brasileiros da Serie A?

Na berlinda: Hernanes não vem bem há mais de dois anos e ainda não se acertou na Juve (Gazzetta.it)
Quando se fala de jogadores brasileiros no exterior, talvez nenhum campeonato tenha os absorvido melhor e em maior quantidade do que o Italiano. O Brasil é o segundo maior exportador de talentos para a Serie A em toda a história, com 297 atletas. Um bom número deles teve momentos razoáveis e vários foram verdadeiros ídolos na Bota – saiba mais no nosso ranking. Porém, em 2015-16, está diferente: por que tantos jogadores canarinhos estão indo mal na Itália?

A pergunta foi feita pelo jornal Gazzetta dello Sport, em matéria publicada no dia 16. Hoje, 45 jogadores brasileiros atuam na Serie A (sem contar Éder e Amauri, que assumiram a cidadania italiana), e poucos tem sido bem avaliados pelos jornalistas do diário. Nas votações feitas após as partidas do campeonato, as notas atribuídas aos brasileiros ficam costumeiramente abaixo de 6 – ou seja, eles estariam reprovados pela média. As atuações não tem sido convincentes.
Entre os sete goleiros verde e amarelos da Serie A, somente Rafael, do Verona, é titular – e está muito mal, bem longe do nível que o consagrou como ídolo do clube. Entre os defensores, muitos nem chegam a ter grande quantidade de minutos em campo – Maicon, Leandro Castán, Cláudio Winck, Rafael Toloi, Juan Jesus, Alex, Dodô ou Rodrigo Ely, por exemplo – e um, em específico, é um verdadeiro desastre ambulante: Maurício, da Lazio, uma das cinco defesas mais vazadas da Itália.

No entanto, o que está fazendo falta é o que os italianos consideram a verdadeira essência do futebol brasileiro – e o que fez a maior parte dos primeiros jogadores daqui irem para lá. Os jogadores criativos e responsáveis por marcar gols estão decepcionando muito e dois casos são emblemáticos. 

Comecemos pela má fase que dura mais tempo: a de Hernanes. O pernambucano não consegue estabelecer uma boa sequência de jogos desde o início de 2013, quando ainda jogava na Lazio. Bem em alguns jogos ou partes de jogos, raramente tem sido brilhante e foi descartado com certa facilidade pela Inter – que recebeu uma boa proposta, mas nada incrível, por parte da Juventus. Em Turim, o Profeta atuou em 12 partidas, oito delas pela Serie A. No Italiano, atuou em apenas 417 minutos, média de 52 minutos por partida. Na Liga dos Campeões, fez três partidas e levou um cartão vermelho. Gol? Nenhum. Com a volta do 3-5-2, o camisa 11 perdeu espaço no time de Allegri e hoje é a sexta opção para o setor, atrás de Pogba, Marchisio, Khedira, Sturaro e Pereyra. Difícil imaginar uma recuperação a curto prazo.

O segundo caso é uma queda brutal. Felipe Anderson, da Lazio, foi um dos principais nomes da campanha que levou o clube romano para a Champions League e chegou até a ser convocado para a seleção brasileira. Porém, em 2015-16, caiu demais de rendimento, e foi relegado ao banco de reservas em diversas partidas – e devemos levar em consideração que a campanha laziale é bem ruim. Os números dizem que o brasileiro é o artilheiro da equipe, com quatro gols, mas ele passa longe do mesmo jogador que encantou a Itália, com grandes atuações, arrancadas, dribles, belos chutes e o total de 10 tentos e oito assistências no ano passado.

Os italianos ainda sentem falta de um autêntico goleador brasileiro. Se, por um lado, Éder é o vice-artilheiro do campeonato, com 10 gols, só há um centroavante brasileiro que jogou em todo o campeonato – Matheus Cassini, ex-Corinthians, não foi utilizado pelo Palermo. Algo inimaginável para um país que tem José Altafini como um dos goleadores históricos da Serie A e que também já levou ao país matadores como Ronaldo, Careca, Luís Vinício, Dino da Costa, Edmundo, Amoroso, Adriano e Evair. O único atacante de área canarinho é Luiz Adriano, do Milan, que não repete os bons anos anteriores, no qual foi artilheiro do Campeonato Ucraniano e da LC: são apenas três gols em quinze jogos (815 minutos).

Para completar, alguns times que tem colônias brasileiras em seus elencos não vão bem na competição. O vice-lanterna Carpi tem em seu elenco quatro brasileiros, e destes, só dois são mesmo utilizados com frequência. Se Wallace e Raphael Martinho são opções de banco, Ryder Matos começou bem a temporada, mas estagnou, enquanto Gabriel Silva não vem se destacando após ser emprestado pela Udinese. O time de Údine, aliás, tem seis brasileiros: Danilo, Felipe, Edenílson, Neuton, Guilherme e Lucas Evangelista. Os três últimos sequer foram utilizados, enquanto Danilo está longe de ser aquele que foi um dos melhores zagueiros do país, anos atrás. Edenílson faz temporada regular. E só.

Que queda, Felipe Anderson: destaque da Lazio não tem mesmo rendimento de 2014-15 (Gazzetta.it)
Desempenho satisfatório
Claro, não dá para esquecer daqueles que estão jogando bem – são poucos, mas existem. Dois deles disputam o posto de melhor brasileiro do campeonato até agora: Miranda e Allan. Seguidos de perto por Jorginho.

A Inter, líder do campeonato, tem em sua espinha dorsal dois brasileiros experientes. O primeiro é um dos grandes responsáveis pela campanha dos nerazzurri, que começa por uma defesa sólida. Miranda chegou para ser o xerife de uma defesa que sofreu apenas nove gols em 16 partidas e é um dos grandes nomes da posição no futebol italiano. À sua frente, Felipe Melo está mais calmo – ainda leva seus cartões, mas menos – e além de oferecer proteção, mostra qualidade na saída de bola. Também é peça-chave na campanha interista. Por sua vez, Alex Telles ainda não é titular absoluto, mas mostrou suas qualidades e também pode ser avaliado positivamente.

Vice-líder do campeonato, o Napoli tem um segredinho brasileiro no seu meio-campo. Allan e Jorginho formam boa dupla no habilidoso e trabalhador trivote de meio-campo azzurro, ao lado de Hamsík. O ex-vascaíno Allan já merece ser observado por Dunga na Seleção, já que vem em crescimento desde a Udinese. Muito brigador e veloz no meio-campo, ele melhorou ainda seu poder de chegada à área, e anotou três gols. Já Jorginho vai confirmando o que se esperava dele quando surgiu no Verona. Após momento de baixa, o regista de Imbituba ganhou a titularidade com Sarri e é o responsável por distribuir o jogo, com grande qualidade nos passes.

Para finalizar, parte do crescimento da Juventus no campeonato tem toque verde e amarelo. Esse toque atende pelo nome de Alex Sandro, que tem sido ótima peça para o segundo tempo e está pedindo passagem para deixar o experiente Evra no banco. Será que isso acontece no segundo turno? E será que os brasileiros melhoram? A ver.

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Liga dos Campeões: balanço e primeiras impressões das oitavas de final

Allegri e Garcia terão enorme desafio no mata-mata da Champions (Calcio e Finanza)
As duas equipes italianas trilharam caminhos bem diferentes na fase de grupos da Liga dos Campeões. Em um grupo difícil, a Juventus conseguiu chegar na última rodada já classificada. Já a Roma, por pouco não viu sua classificação ser arrancada do Estádio Olímpico pelo BATE Borisov. Mas as diferenças se foram e a partir de agora o caminho dos rivais nacionais é bem parecido, já que enfrentam dois dos maiores postulantes ao título. Os bianconeri encaram o Bayern de Munique e os giallorossi pegam o Real Madrid. E é pensando nesses duelos que fazemos um balanço da fase de grupos e projetamos as primeiras impressões dos jogos das oitavas.

Juventus
Boas impressões: diante de um começo de temporada bem nebuloso, na Liga dos Campeões a equipe de Allegri evoluiu e mostrou um ótimo poder de reação e a antiga capacidade de suportar pressão sem esmorecer. Houve também o despertar de Pogba e o encaixe gradativo de algumas peças, como Alex Sandro e Dybala.

Pontos negativos: A queda de rendimento de Morata ligada à individualidade e à falta de pontaria, e a incerteza quanto a escalação do meio-campo

Como bater o Bayern: Para começar, torcendo para que os problemas de lesões do time alemão continuem a pleno vapor. O duelo começa apenas em fevereiro, mas para se ter uma ideia da fase do rival, no momento a lista de baixas inclui Götze, Ribéry, Benatia, Alaba, Thiago e Bernat.

Uma arma interessante seria o uso da velocidade diante de uma defesa exposta e avançada, como fez o Borussia Mönchengladbach na vitória sobre o Bayern na Bundesliga, mas isso a Juventus não tem. Seria injusto montar um esquema voltado para isso colocando 90% da responsabilidade em Dybala e Cuadrado.

Embora faça muitos gols, o Bayern de Munique ainda conta com uma deficiência nos remates de média e longa distância, o que tem que ser explorado pela Juventus. E todo cuidado é pouco para deslocamentos e trocas de posições no time de Guardiola. Todos são capazes nestes quesitos no setor ofensivo, mas as personificações disso são Douglas Costa e Müller. Uma preocupação nesse ponto é a falta de concentração de Pogba para acompanhar a marcação em alguns momentos do jogo. Se o francês não ficar de olho nas subidas de alguns adversários que busquem tabelar com os pontas bávaros, um abraço.

Roma
Boas impressões: um dos meios-de-campo mais técnicos da Europa quando atua com De Rossi, Nainggolan e Pjanic - o bósnio, inclusive, vive a melhor fase da carreira; Florenzi também mostrou grande amadurecimento.

Pontos negativos: Não há evolução no trabalho de Garcia e pode ser que em fevereiro ele nem seja o treinador contra o Real Madrid. O setor defensivo é um caos, com a falta de cobertura aos laterais e zagueiros que além de errarem na marcação não tem a menor condição de ajudar na saída de bola, deixando De Rossi sobrecarregado. Em alguns jogos a ausência de talento no banco de reservas também pesou. Além disso, o time venceu apenas um dos seis jogos e foi a segunda pior defesa - melhor apenas que o Malmö.

Como bater o Real Madrid: Embora sobre técnica aos meio-campistas da Roma, vai ser preciso uma combatividade maior no duelo contra o Real Madrid para impedir que Kroos, Modric ou Casemiro tomem conta do jogo. E para isso, contar com a solidariedade de Salah e Gervinho no primeiro combate é crucial.

Depois da surra levada diante do Barcelona, ficou nítido que adiantar a marcação não é uma boa opção. Com isso se gera muito espaço para as disparadas de Bale e Cristiano Ronaldo.

Há uma dificuldade de encontrar novas armas no time italiano que deve ser um dos foco do trabalho até fevereiro. Depender apenas da velocidade pelas pontas é complicado e contar com o pivô de Dzeko mais ainda.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

16ª rodada: Um Derby d'Italia pelo scudetto?

Embalada por Mandzukic e Dybala, Juventus engata sequência de vitórias e chega para brigar pelo título (Getty)
A 16ª deixou claro: a Juventus chegou para brigar pelo scudetto – que, caso conquistado, será o sexto em sequência, um recorde histórico. Ao mesmo tempo, a Inter confirmou que passará o ano novo na liderança da Serie A, já que só teremos mais uma rodada em 2015 e a equipe nerazzurra tem quatro pontos de vantagem sobre Fiorentina e Napoli, vice-líderes. Será que as rivais do Derby d'Italia farão o principal duelo pelo scudetto? Florentinos e napolitanos continuam lutando, é claro, mas talvez corram de fora, diante das protagonistas – a Roma também está ali, à espreita, mas parece sem forças para disputar o título, no momento. Acompanhe o resumo da penúltima rodada antes da pausa para os festejos de fim de ano.

Juventus 3-1 Fiorentina
Cuadrado (Evra), Mandzukic, Dybala | Ilicic (pênalti)

Tops: Dybala e Mandzukic (J) | Flops: Tatarusanu e Astori (F)

No jogo mais aguardado da rodada, a Juventus mostrou mais uma vez que o caminho tortuoso do início da temporada foi apenas um percalço em meio a uma boa campanha. A Velha Senhora chegou a sua sexta vitória consecutiva diante da Fiorentina, vice-líder do campeonato, mas uma verdadeira freguesa em jogos disputados em Turim – a equipe viola só venceu nos domínios da Juve uma vez nos últimos 30 anos, em jogos válidos pela Serie A, e tem a Velha Senhora como sua principal carrasca na história. O resultado alçou os bianconeri para a 4ª posição, dois pontos abaixo da rival do domingo e a seis da Inter, que terminará o ano na liderança do campeonato.

O jogo começou em ritmo altíssimo. Logo aos 2 minutos, Chiellini calçou Bernardeschi na área, e Ilicic converteu seu sexto pênalti em 2015-16. Só que a Juventus empatou poucos minutos depois, com Cuadrado, ex-jogador do time florentino que contou com erro do goleiro Tatarusanu. Durante um bom tempo, a Fiorentina teve superioridade no meio-campo, mas o melhor ataque do campeonato não funcionou: Borja Valero e Ilicic não estavam em dia iluminado e Kalinic recebeu poucas bolas. Quando Pogba apareceu, Dybala brilhou. Após quase marcar no primeiro tempo, o argentino teve outra chance no final do jogo: passe de Pogba, chance para Dybala e Manduzkic, esperto, aproveitou rebote para virar. Pouco depois, Dybala marcou um bonito gol. Seus números são comparáveis aos da primeira temporada de Tévez: oito gols marcados, contra dez do xeneize em 16 rodadas.

Napoli 0-0 Roma

Tops: Koulibaly (N) e Manolas (R) | Flops: Callejón (N) e Salah (R)

O único empate por 0 a 0 da rodada foi uma vitória das defesas. Mais exatamente dos zagueiros centrais sobre os centroavantes. Koulibaly, que evoluiu muito desde a chegada de Sarri ao Napoli, concedeu muito pouco a Dzeko, enquanto Higuaín, artilheiro do campeonato, ficou guardadinho no bolso de Manolas. Jogando em casa, o Napoli tentou impor o seu ritmo, mas com o Pipita bem marcado, faltou poder de finalização. Nas melhores chances criadas, Hamsík desperdiçou e Szczesny fez duas ótimas defesas, já no final. Os giallorossi até marcaram, com De Rossi, mas a arbitragem assinalou (aparentemente, de forma correta, em lance complicado) que o cruzamento de Rüdiger, que chegou até o capitão romano, saiu pela linha de fundo. Pelas circunstâncias, o empate ficou melhor para a Roma de Garcia, agora quinta colocada, com 29 pontos. O Napoli está empatado com a Fiorentina, na vice-liderança, com 32.

Udinese 0-4 Inter
Icardi, Jovetic, Icardi, Brozovic

Tops: Icardi e Handanovic (I) | Flops: Domizzi e Lodi (U)

Diante de uma Udinese imbuída pelo espírito natalino, a Inter confirmou a boa fase e venceu pela segunda vez na temporada por um placar superior a um gol de vantagem. A goleada foi construída graças a três presentes de jogadores do time de Údine e um golaço de Brozovic, mas vale salientar o domínio nerazzurro na partida. Quando Di Natale e companhia jogavam melhor, Handanovic apareceu para fazer boas defesas e o posicionamento da zaga era bom. Porém, a líder do campeonato teve 60 minutos de superioridade e alto aproveitamento das chances que teve. Icardi, por exemplo, chutou só duas bolas no gol e marcou duas vezes, enquanto Jovetic forçou Karnezis a fazer defesaça e, em outra oportunidade, marcou o seu – quebrando jejum de 13 rodadas.

Milan 1-1 Verona
Bacca (Luiz Adriano) | Toni (pênalti)

Tops: Bonaventura (M) e Ton (V) | Flops: Montolivo e De Jong (M)

Acabou a paciência. Depois de mostrar sinais de melhora, com as boas vitórias sobre Lazio e Sampdoria, o Milan caiu de produção de novo e já decepciona. A equipe de Mihajlovic jogou mal, tropeçou contra o lanterna do campeonato e deixou o gramado de San Siro sob uníssona vaia da torcida – o principal alvo, já anteriormente, foi o capitão Montolivo, que errou passes em demasia. O Milan também perdeu algumas grandes chances, especialmente com Bonaventura, que chutou em cima de Gollini. No princípio do segundo tempo, Bacca marcou o tento rossonero, mas quatro minutos depois, De Jong cometeu pênalti (foi expulso) e deu a chance para Toni empatar. Vale salientar que, apesar de ter jogado mal, o Diavolo foi prejudicado pela arbitragem, que anulou gol legítimo e deixou de marcar uma penalidade.

Lazio 1-1 Sampdoria
Matri (Radu) | Zukanovic

Tops: Matri (L) e De Silvestri (S) | Flops: Klose e Berisha (L)

Mais um mau resultado para a Lazio – e um pouco interessante para a Sampdoria, mas aceitável. O primeiro ponto conquistado por Montella à frente do time blucerchiato foi conquistado já nos acréscimos, com um pouco de sorte. Primeiro, o goleiro Berisha (que havia entrado pouco antes, no lugar de Marchetti), cometeu falta após sair mal do gol. Zukanovic cobrou e contou com desvio na barreira para jogar um balde de água fria sobre os laziali, que haviam aberto o placar já no final da partida, com Matri – o substituto de um decepcionante Klose. Já são sete jogos sem vitórias para a equipe romana, enquanto para a Samp o ponto conquistado pode ser útil para levantar o moral da equipe, que continua ameaçada pela proximidade da zona de descenso.

Após goleada e tropeços dos adversários, Inter termina 2015 na liderança da Serie A (Eurosport)
Genoa 0-1 Bologna
Rossettini (Mounier)

Tops: Mirante e Rossettini (B) | Flops: Perotti e Pandev (G)

É um outro Bologna desde a chegada de Donadoni. Uma equipe que nem sempre é a melhor em campo, mas que briga demais para conquistar seus pontos. O primeiro tempo foi todo do Genoa, mas o goleiro Mirante fez uma série de defesas difíceis para manter o zero no placar – a fase é tão boa que já se fala que ele pode voltar a ser convocado para a seleção italiana. No entanto, o domínio dos grifoni foi por terra em meados da segunda etapa, muito por causa da má partida de Perotti, que havia entrado no intervalo. Totalmente disperso, o argentino chegou a ser expulso por agressão (foi seu segundo vermelho em três jogos) e, com a superioridade numérica, o Bologna partiu para cima. Após perder chance claríssima, sem goleiro, Mounier cruzou com perfeição para, nos acréscimos, Rossettini acertar bela cabeçada. Os felsinei já tem quatro vitórias nos últimos oito jogos – três delas nos últimos cinco.

Palermo 4-1 Frosinone
Goldaniga (Hiljemark), Vázquez (Chochev), Trajkovski, Gilardino | Sammarco

Tops: Chochev e Hiljemark (P) | Flops: Leali e Rosi (F)

Um 4 a 1 meio enganador. Apesar do placar elástico, o Palermo não jogou tão bem o suficiente para golear o Frosinone, em uma partida entre duas equipes que se encontram na parte de baixo da tabela. O jogo começou a todo vapor no Renzo Barbera, com três gols em 25 minutos e uma bola na trave – 2 a 1 para os rosanero e chute na trave de Hiljemark. As boas partidas do sueco e do búlgaro Chochev não eram, no entanto, suficientes para coroar a vitória, já que toda a equipe siciliana mostrava imprecisão – especialmente Vázquez, que errou demais, apesar de ter feito um gol. Preciso foi Trajkovski, que marcou um lindíssimo tento de fora da área, encobrindo Leali. O Frosinone continua na zona de rebaixamento, enquanto o Palermo respira.

Empoli 3-0 Carpi
Maccarone (Zielinski), Saponara (Maccarone), Maccarone (Büchel)

Tops: Maccarone e Zielinski (E) | Flops: Romagnoli e Pasciuti (C)

Maccarone de um lado e Lasagna do outro. No clássico alimentício, melhor para o Empoli e seu Big Mac, autor de uma doppietta e de uma assistência. O veterano continua importantíssimo para os azzurri, grande surpresa da temporada. Quem diria que Giampaolo, treinador fora do radar da Serie A há meia década voltaria em grande estilo? Seu Empoli tem sete pontos a mais que o de Sarri, comparando o desempenho após 16 rodadas. Verdade seja dita, muito do futebol jogado pelo time é herança do técnico anterior e se deve também a Saponara – jogador que chegou à Toscana apenas em janeiro do ano passado, não participando, portanto, da primeira fase da campanha azzurra.

Chievo 1-0 Atalanta
Birsa (Meggiorini)

Tops: Birsa (C) e Sportiello (A) | Flops: Cherubin e Kurtic (A)

No jogo menos atraente da rodada, o Chievo emplacou sua segunda vitória consecutiva e freou a Atalanta. O gol da vitória saiu no segundo tempo, depois que Meggiorini (surpreendentemente, o líder de assistências do campeonato, com seis passes para gol) só rolou para Birsa anotar. Antes, Paloschi havia perdido pênalti – Sportiello defendeu três dos quatro cobrados nesta temporada. A Atalanta terá desfalques para o próximo jogo, diante do Napoli, já que Cherubin e Kurtic foram expulsos.

Sassuolo-Torino
Adiado por falta de visibilidade causada pela forte neblina em Reggio Emilia.

*Os nomes entre parênteses nos resultados indicam os responsáveis pelas assistências para os gols

Relembre a 15ª rodada aqui.
Confira estatísticas, escalações, artilharia, além da classificação do campeonato, aqui.

A Liga Serie A disponibiliza os melhores momentos da rodada em seu canal oficial. Veja os melhores momentos dos jogos abaixo.


Seleção da rodada
Mirante (Bologna); Manolas (Roma), Miranda (Inter), Koulibaly (Napoli); Zielinski (Empoli), Pogba (Juventus), Chochev (Palermo), Birsa (Chievo); Dybala (Juventus), Icardi (Inter), Maccarone (Empoli). Técnico: Roberto Mancini (Inter).

domingo, 13 de dezembro de 2015

Jogadores: Paulo Sousa

Pilar da Juventus que levantou a Europa, Paulo Sousa foi um dos bons volantes dos anos 90 (Juventus.com)
Coadjuvante da seleção que reergueu o futebol português, Paulo Sousa nunca fez os gols de Pauleta, deu os passes de Rui Costa ou teve o mesmo brilho que Luís Figo. No entanto, o volante era fundamental para o controle do meio-campo, demonstrando inteligência e versatilidade, além de ser efetivo, de área a área, com passes precisos e habilidade na saída de jogo, com um estilo cadenciado. Com futebol de qualidade, rodou por grandes clubes, não apenas em sua terra natal, mas também por Alemanha e, sobretudo, Itália, onde viveu seu período épico na Juventus, vencedora da Liga dos Campeões em meados dos anos 1990.

Mas, antes de chegar à Turim, Paulo Sousa trilhou seu caminho no Benfica. E foi o destaque, primeiro na base, depois na equipe principal dos Encarnados, que levou o promissor meio-campista à disputa de sua primeira competição vestindo a camisa lusa. Ao lado de alguns jogadores de uma das melhores gerações portuguesas, como João Pinto e Fernando Couto, ajudou na conquista do Mundial Sub-20 de 1989.

Desde então, sua carreira decolou. Com apenas 20 anos assumiu a titularidade do clube benfiquista, por onde atuou em mais três temporadas, ao lado de João Pinto, Paulo Futre e Rui Costa, antes de se envolver numa polêmica transferência ao rival lisboeta, o Sporting. No clube alviverde fez uma temporada fantástica, jogando com Figo, e despertou o interesse da Juventus.

O português chegou à Itália em uma época de transformações da Juve. Luciano Moggi, ex-Napoli, chegou para assumir o departamento de futebol do clube, que não vencia a Serie A havia nove anos – no período, conquistou duas Copas Uefa e uma Coppa Italia. Marcello Lippi chegou para o lugar de Giovanni Trappatoni e a equipe fez algumas contratações para o meio-campo, como Didier Deschamps, Robert Jarni, Alessio Tacchinardi e o próprio Paulo Sousa, que foi a contratação mais cara daquela campanha – à frente até de Ciro Ferrara, futuro ídolo bianconero. Eles se uniriam a Antonio Conte, Angelo Di Livio e Giancarlo Marocchi para formar um meio-campo de muita força, com o intuito de quebrar o incômodo jejum de quase dez anos sem título da equipe biaconera.

E assim foi. Em seu primeiro ano, Paulo Sousa foi incontestável, a ponto de considerar seu primeiro ano na Itália como o grande salto de qualidade na carreira, ajudando nas conquistas do scudetto e da Coppa Italia – a Velha Senhora ainda foi finalista da Copa Uefa, mas foi derrotada pelo Parma, e com gols de Dino Baggio, antecessor de Sousa em Turim. O português foi titular na campanha e foi o pilar de um meio-campo que segurava o jogo para que Alessandro Del Piero, Roberto Baggio, Fabrizio Ravanelli e Gianluca Vialli brilhassem no ataque. A capacidade tática e a qualidade na criação de jogadas (com destaque para os lançamentos) fizeram o português chegar a ser comparado pelos italianos até mesmo a Paulo Roberto Falcão.

No ano seguinte, Paulo Sousa teve rendimento abaixo do esperado, devido uma série de pequenas lesões nos joelhos, a maior parte delas desenvolvida em Portugal, quando ainda era juvenil, e que se tornaram crônicas porque não foram tratadas corretamente. Mesmo correndo o risco de perder a vaga no time de Lippi e sem ser mais "intocável", o camisa 6 foi o regista do meio campo juventino na conquista da Liga dos Campeões e jogou a final, disputada no Olímpico de Roma e vencida sobre o forte Ajax de Louis van Gaal nos pênaltis. Ao final da temporada, Paulo Sousa se juntou à seleção portuguesa, da qual era titular, e integrou o time que fez boa Eurocopa em 1996, caindo nas quartas para a vice-campeã, a República Checa.

Para a temporada 1996-97, o elenco da Juventus passaria por uma reformulação e Paulo Sousa, com 25 anos, foi vendido ao Borussia Dortmund. Pelos aurinegros, viria a sagrar-se bicampeão europeu (justamente em cima da Juventus) e entraria para a história como um dos três jogadores (junto a Marcel Desailly e Samuel Eto’o) a vencer a principal competição europeia por dois anos consecutivos e por duas equipes diferentes. Mas a aventura em terras germânicas rendeu mais frustrações que alegrias, mesmo com a conquista da Europa e do Mundial Interclubes. Em dois anos, Paulo Sousa disputou apenas 27 partidas, em função das diversas lesões que começavam a persegui-lo.

O português dividiu vestiários com os jovens Ventola e Pirlo, em passagem pela Inter (Interleaning)
Em 1998, o meia retornou à Itália, desta vez para jogar na Internazionale. Apesar da qualidade, o rendimento físico já não era mais o mesmo. Acometido pelas lesões nos joelhos, Paulo Sousa jamais se firmou nos nerazzurri, jogando míseros 31 jogos em um temporada e meia – para piorar, época conturbadíssima da história interista. Antes de encerrar a temporada 1999-2000, o português se juntou ao Parma, numa troca que levou o defensor Michele Serena ao clube de Milão. Novamente, não conseguiu se manter saudável por muito tempo e atuou em apenas oito partidas com a camisa crociata.

Antes mesmo de completar 30 anos, Paulo Sousa já não se via mais como um atleta de alto nível e optou por jogar, primeiro no Panathinaikos e depois no Espanyol, a fim de se manter ativo para representar sua seleção em torneios de tiro curto – afinal, dessa forma as lesões não pesavam tanto. Dessa forma, Paulo Sousa disputou duas partidas da Euro 2000, em que Portugal caiu na semifinal, diante da França, e integrou o elenco patrício que disputou uma Copa do Mundo depois de quase 40 anos. Ao final do Mundial e da decepcionante participação portuguesa, Paulo Sousa (que não entrou em campo) deixou os gramados, com apenas 31 anos.

Antes de encerrar a carreira prematuramente, Paulo Sousa vestiu a camisa do Parma (Goal)
Três anos após abandonar os campos de forma precoce, Paulo Sousa iniciou a carreira como treinador, na seleção portuguesa sub-16. Com os conhecimentos de Lippi, da época em que foi comandado pelo italiano na Juventus, o ex-meia rapidamente ganhou destaque e se aventurou pela Inglaterra, acumulando passagens por Queens Park Rangers, Swansea e Leicester, que disputavam as divisões inferiores da Terra da Rainha.

Sem conquistas, o luso perdeu espaço e precisou esperar um ano até receber uma nova chance no modesto Videoton, da Hungria. No Leste Europeu ele foi vitorioso, venceu títulos e após dois anos aceitou o posto de técnico do Maccabi Tel Aviv. Em apenas uma temporada, ganhou a liga israelense e voltou a um lugar de destaque, dessa vez como treinador do Basel, chegando às oitavas de final da Liga dos Campeões e vencendo o título suíço.

Mesmo com uma história de sucesso na Juventus, o treinador não hesitou ao trocar a Basileia por Florença, assumindo o lugar que foi de Vincenzo Montella, no comando da Fiorentina. A chegada de um treinador que fora tão identificado com a Juventus, maior rival da Viola, foi vista com desconfiança da torcida no primeiro momento. Em pouco tempo de clube, porém, isso ficou de lado, já que seu time joga um futebol atraente e está na parte alta da tabela, brigando pela liderança. O final será feliz?

Paulo Manuel Carvalho Sousa
Nascimento: 30 de agosto de 1970, em Viseu, Portugal
Posição: meio-campista
Clubes como jogador: Benfica (1989-93), Sporting (1993-94), Juventus (1994-96), Borussia Dortmund (1996-98), Internazionale (1998-99), Parma (2000), Panathinaikos (2000-01) e Espanyol (2002)
Títulos como jogador: Mundial Sub-20 (1989), Campeonato Português (1990-91), Taça de Portugal (1992-93), Serie A (1994-95), Coppa Italia (1994-95), Supercoppa Italiana (1995), Liga dos Campeões (1995-96 e 1996-97), Supercopa da Alemanha (1996) e Mundial Interclubes (1997)
Carreira como treinador: Seleção Portuguesa sub-16 (2005-08), Queens Park Rangers (2008-09), Swansea City (2009-10), Leicester City (2010), Videoton (2011-13), Maccabi Tel Aviv (2013-14), Basel (2014-15) e Fiorentina (2015-atual)
Títulos como treinador: Taça da Hungria (2011-12), Supertaça da Hungria (2011 e 2012), Campeonato Israelense (2013-14) e Campeonato Suíço (2014-15)
Seleção portuguesa: 51 jogos

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Jogadores: Filippo Inzaghi

Comemorava cada gol como se fosse o último: matador, Inzaghi ficou conhecido por ser efusivo (Getty)
Filippo Inzaghi nunca foi um excelente jogador, embora tenha sido infinitamente melhor que seu irmão, o também atacante Simone. Pippo também esteve longe de ser um perna de pau. Ele simplesmente sabia fazer gols. Estava sempre na hora certa e no lugar certo. Algumas vezes impedido, é verdade, mas ninguém faz mais de 300 gols na carreira, a maior parte deles por Juventus e Milan, à toa. Muito menos é o maior artilheiro italiano da história da Liga dos Campeões e de todas as competições Uefa, e o único jogador a ter marcado em todas as competições internacionais de clubes. Tem de, no mínimo, estar no lugar certo e na hora certa. E Inzaghi sabia fazer isso como ninguém.

Efusivo nas comemorações, Inzaghi é aquele jogador que qualquer torcedor quer em seu time, mesmo que em alguns momentos seja preciso criticá-lo. Disputando cada jogo como se fosse o último de sua carreira, Pippo, como ficou conhecido, ganhou os corações dos torcedores milanistas e de toda Itália, anotando gols decisivos até mesmo em Copa do Mundo.

Crescido na base do Piacenza, clube homônimo de sua cidade natal, Inzaghi debutou no profissional ainda jovem, com apenas 18 anos. Jogando a Serie B, mostrou-se um jogador rápido e de muita técnica, mas a falta de oportunidades impediu o desenvolvimento de seu futebol. Emprestado ao Leffe, para a disputa da Serie C1, começou a temporada na reserva, mas quando marcou seu primeiro gol como profissional, deslanchou: foram 13 em 21 jogos.

O acesso do Piacenza à Serie A impediu seu retorno ao clube formador, já que o atacante não teria a chance de manter a regularidade. Inzaghi conseguiu um novo empréstimo, dessa vez ao Verona, onde rapidamente ganhou o carinho da torcida e o apelido de Superpippo. Os 13 gols em 36 partidas não ajudaram os gialloblù a conseguirem o acesso, mas foram o que faltava para que ele retornasse ao Piacenza e assim, se firmasse de vez nos biancorossi.

No clube emiliano, Inzaghi se tornou peça fundamental e, ao lado de Gianpietro Piovani, foi o artilheiro da equipe na conquista da segundona da temporada 1994-95, com 15 gols anotados. Antes mesmo de retornar ao clube em que foi revelado, Inzaghi conquistou, em 1994, o Europeu Sub-21 com a seleção italiana, para a qual já vinha sendo convocado desde 1993.
Pippo destacou-se na Atalanta antes de assinar com a Juventus (Vavel)
Só que Superpippo não jogou a primeira divisão pelo Piacenza. Ele se mudou por apenas 66 quilômetros, para Parma. O clube crociato, então vivendo uma época de fartura financeira, apostou no atacante com faro de gol, arranque e senso de posicionamento. Com Nevio Scala no comando técnico, Inzaghi chegou a ter espaço entre os titulares, mas viveu a primeira temporada no mais alto escalão do futebol italiano de forma decepcionante. O então jovem atacante se tornou negociável em pouco mais de três meses, e já estava pronto para ser emprestado ao Napoli. Porém, uma reviravolta aconteceu.

Às vésperas da transferência, ele marcou o gol que abriu o caminho para uma virada histórica do Parma contra o sueco Halmstad, de Fredrik Ljungberg, pela Recopa – a partida acabou em 4 a 0, e os ducali avançaram com 4 a 3 no placar agregado. A atuação transformou Inzaghi em ídolo da torcida, e Calisto Tanzi, proprietário da Parmalat, vetou a transferência aos partenopei. O técnico do Napoli, Vujadin Boskov, também não aprovava a negociação, o que facilitou a desistência de ambas as partes. Só que, mesmo permanecendo em Parma, Inzaghi acabou se machucando e fez pouco na temporada: 13 jogos e somente dois gols.

No ano seguinte foi vendido à Atalanta, do presidente Ivan Ruggeri. Em Bérgamo, sob o comando do histórico Emiliano Mondonico, finalmente estourou como profissional. Inzaghi atuou em 33 dos 34 jogos da boa campanha dos nerazzurri, que ficaram com a 10ª posição (à frente de Milan e Roma), e marcou nada menos que 24 gols (seis em cobranças de pênaltis), consagrando-se como artilheiro da Serie A. O centroavante ainda acabou igualando um recorde pertencente exclusivamente a Michel Platini: o de carrasco do maior número de times adversários em um campeonato de 18 equipes. Pippo fez gols em 15 das 18 equipes da competição – excluindo a Atalanta, claro, só não anotou gols contra Parma e Udinese. Seu técnico à época, Mondonico cunhou frase célebre sobre o artilheiro: "não é Inzaghi que é apaixonado pelo gol, é o gol que é apaixonado por ele".

Com tamanho sucesso, era iminente à ascensão aos grandes clubes e a chegada à seleção. Antes mesmo de deixar a Atalanta, em junho de 1997, recebeu sua primeira convocação para a Squadra Azzurra, e estreou no Torneio da França em um eletrizante 3 a 3 contra o Brasil. Pouco depois, a Juventus, atual campeã, apostou no ainda jovem Inzaghi (que tinha 24 anos), para fazer uma fantástica dupla de ataque ao lado de Alessandro Del Piero, em um time que tinha um tal de Zinédine Zidane como cérebro. Com as características e qualidades de Inzaghi (posicionamento, velocidade, bom cabeceio, excelente finalização e desmarques perfeitos à margem do impedimento), tinha tudo para dar certo. E deu.

No primeiro ano, a parceria da dupla de atacantes rendeu à Vecchia Signora 59 gols – 27 de Superpippo; 18 na Serie A, e todos com bola rolando. E também conquistas. Pippo foi fundamental aos dois títulos juventinos na temporada: iniciou sua trajetória com uma doppietta em sua estreia, na Supercopa Italiana, vencida por 3 a 0 contra o Vicenza, e ainda marcou uma tripletta no jogo que deu o título da Serie A, um 3 a 2 sobre o Bologna na penúltima rodada.

Os gols de Inzaghi continuaram a sair aos montes. Nas três temporadas seguintes foi o artilheiro da equipe mesmo quando teve uma temporada abaixo da média, com apenas 16 gols, mas sempre balançando as redes em momentos decisivos, como na semifinal da Liga dos Campeões de 1998-99, quando marcou dois gols em 10 minutos contra o Manchester United – a Juventus acabou levando uma virada e foi eliminada, porém – ou na final da Coppa Italia, contra a Udinese. Foram anos de vacas magras para a Juventus, entre 1997 e 2000, mas o atacante mostrou faro de gol, especialmente na Champions.
Graças a Zidane e Del Piero, Inzaghi continuou uma máquina de fazer gols em Turim (Twitter)
Em quatro anos de clube, foram 89 gols marcados, que lhe valeram um prestígio imenso junto à torcida e um posto fixo na seleção italiana. Reserva na Copa de 1998, participou de dois jogos e deu assistência para Roberto Baggio marcar um gol na vitória contra a Áustria. Depois, Pippo foi titular no ciclo da Euro 2000, e na própria competição, e também disputava vaga no time que se classificou para a Copa do Mundo de 2002. Inzaghi vivia ali o melhor momento de sua carreira, e não à toa o Milan não economizou investimentos para contratar o atacante, ainda em 2001, para fazer dupla com Andriy Shevchenko. Foram 70 bilhões de velhas liras pagas à Juventus – 40 bilhões em dinheiro mais o passe do flop Cristian Zenoni.

Ao vestir a camisa rossonera, iniciava ali uma epopeia que duraria 11 anos. Logo em seu primeiro jogo pelo Diavolo, Inzaghi deixou sua marca, contra o Brescia, mas uma lesão nos ligamentos do joelho comprometeu praticamente metade da temporada, justamente quando da chegada de Carlo Ancelotti no comando técnico da equipe, substituindo Fatih Terim.

Pippo se recuperou e voltou com tudo na temporada seguinte, quando fez sua melhor temporada, anotando 30 gols e levando o Milan ao título europeu, em cima da Juventus, na histórica noite de Old Trafford, na qual Dida brilhou. O atacante se refestelou em 2002-03: foi o artilheiro rossonero na Liga dos Campeões, com 12 gols – 10 na fase de grupos, sagrando-se segundo maior goleador do torneio –, e terceiro colocado na artilharia da Serie A, com 17 gols. Também marcou o gol decisivo na final da Coppa Italia, vencida contra a Roma.

Os dois anos e meio seguintes, porém, não foram bons. Uma série de lesões comprometeu praticamente duas temporadas, nas quais anotou apenas 8 gols em 43 partidas, quase todas vindo do banco de reservas. A falta de ritmo de jogo fez com que Inzaghi fosse preterido por Marco Di Vaio na fase final da Euro 2004. A recuperação veio na temporada 2005-06, quando 17 gols marcados do meio para o final da temporada levantaram a moral do camisa 9. Na ocasião, ele marcou uma doppietta sobre o Lyon, levando o Milan para as semifinais da Champions, mas a equipe caiu para o Barcelona.

As suas atuações, no entanto, convenceram o técnico Marcello Lippi a convocá-lo para a Copa de 2006. No Mundial da Alemanha, Inzaghi só atuou durante 33 minutos, mas deixou seu gol contra a República Checa. E, o mais importante: entrou para a história como parte do elenco tetracampeão com a Nazionale. Pippo ainda foi convocado algumas vezes por Roberto Donadoni para amistosos e Eliminatórias da Euro 2008, mas se aposentou da seleção em 2007.

Alternando bons e maus momentos, Inzaghi teve boa parte de sua passagem marcada como uma opção à Sheva, embora tivessem jogados juntos em muitas oportunidades. Desde a saída do ucraniano, Pippo alternou no comando de ataque com Ronaldo, Alberto Gilardino e Alexandre Pato, mas sempre sendo decisivo.

Foi assim na final da Liga dos Campeões de 2006-07, na qual foi eleito o melhor em campo. Ele marcou duas vezes contra o Liverpool, vingando o Diavolo pela derrota na decisão da competição dois anos antes – Inzaghi já havia sido decisivo na fase preliminar, quando marcou gol que permitiu ao Milan, penalizado pelo Calciopoli e relegado aos play-offs do torneio, de avançar no sufoco contra o Estrela Vermelha. Superpippo ainda foi fundamental na final do Mundial de Clubes de 2007 contra o Boca Juniors (dois gols), ou no dérbi contra a Inter, em 2008, que garantiu a vitória por 2 a 1.
O topo: Inzaghi comemora um de seus dois gols na final da Liga dos Campeões de 2007 (AP)
O clube ia se modificando – para pior – mas a camisa 9 tinha um único dono. Ora titular, ora opção (por problemas físicos ou pela idade), Inzaghi foi um perfeito jogador de elenco. Jamais reclamou e quando entrava, fazia sua parte. As temporadas 2007-08 e 2008-09 foram as últimas temporadas realmente boas do artilheiro, que marcou mais de 15 gols em ambas as campanhas.

Superpippo conquistou títulos, prêmios e marcas individuais, até mesmo ocupando o posto de maior artilheiro das competições europeias por um tempo, com 70 gols – depois foi superado por Raúl, com quem manteve ferrenha disputa, e por Lionel Messi e Cristiano Ronaldo. Entre os italianos, porém, não tem para ninguém: a primazia é dele. Porém, aos poucos a idade chegou e a velocidade característica foi se perdendo. Em seu lugar, aumentaram os impedimentos, algo que se tornou uma marca em seus últimos anos como jogador. Em seus três últimos anos como profissional, Inzaghi jogou pouco (principalmente nas duas últimas temporadas, na qual conviveu com séria lesão no joelho e outras questões físicas) e marcou ainda menos – só 10 vezes neste período, algo inimaginável para um artilheiro do seu calibre. No entanto, ainda levantou mais um scudetto, em 2011.

Em 13 de maio de 2012, Inzaghi vestiu pela última vez a camisa rossonera, como profissional. No San Siro não tão cheio, dado as fracas campanhas do time, Pippo precisou esperar quase setenta minutos para entrar em campo. Mas quando entrou fez o gol que garantiu a vitória contra o Novara, o último de sua carreira. Claro, comemorou como um louco. Como se fosse o primeiro e como se fosse – como acabou sendo – o último.

A gratidão pelo que fez na carreira se justifica não só pelas emoções que deu aos torcedores – principalmente do Milan, em seus 11 anos de clube – mas também pelos números. Inzaghi é um jogador histórico para o rossonero. É o sexto maior artilheiro da história do clube, com 126 gols, superando um mito como Marco van Basten (124). Pippo é o segundo maior marcador da Era Berlusconi, período mais glorioso do clube, ficando atrás apenas de Shevchenko. Ele também é o quarto jogador mais velho a ter vestido a camisa do clube (com quase 39 anos, quando se aposentou), e também chegou a ser o mais velho a ter marcado um gol na Liga dos Campeões – foi superado por Ryan Giggs. Superpippo ainda é um dos 20 maiores goleadores da Serie A, com 156 tentos anotados, e o sexto maior artilheiro da seleção italiana, com 25 gols. Em 20 anos de carreira, marcou 316 gols.

Longe da grande área, Inzaghi não tardou a iniciar sua carreira na área técnica. No ano seguinte começou o trabalho nas categorias de base do Milan. Foram dois anos de bons trabalhos até que, após a demissão de seu ex-companheiro, Clarence Seedorf, Pippo assumiu o comando do time principal, com o intuito de guiar o Milan na temporada 2014-15. Teve apenas uma temporada à frente de um time fraquíssimo e se desentendeu com alguns jogadores do elenco. O resultado: a 10ª colocação na Serie A e a demissão do cargo, sem que lhe fosse dado tempo e nem mesmo consideração à sua história.

Hoje ambos seguem suas trajetórias. O Milan busca se recuperar e Inzaghi aguarda ofertas para voltar ao comando de alguma equipe. Ficam, na memória, imagens de um passado em que foram muito felizes juntos.

Veja todos os gols de Inzaghi com a camisa rossonera:



Filippo Inzaghi
Nascimento: 9 de agosto de 1973, em Piacenza
Posição: atacante
Clubes como jogador: Piacenza (1991-95), Leffe (1992-93), Verona (1993-94), Parma (1995-96), Atalanta (1996-97), Juventus (1997-2001) e Milan (2001-12)
Títulos como jogador: Serie B (1994-95), Serie A (1997-98, 2003-04 e 2010-11), Coppa Italia (2002-03), Supercoppa (1997 e 2011), Copa Intertoto (1999), Uefa Champions League (2002-03 e 2006-07), Supercopa da Uefa (2003 e 2007), Mundial de Clubes da Fifa (2007), Euro sub-21 (1994) e Copa do Mundo (2006)
Clubes como treinador: Milan (2014-15)
Seleção italiana: 57 jogos e 25 gols

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

15ª rodada: Um 1 a 0 diferente

Após mais uma boa partida de Ljajic, Inter contou com tropeço do Napoli e reassumiu liderança (Getty)
Após assumir a liderança, se esperava que o Napoli, dono do melhor futebol da Itália, se mantivesse no topo da Serie A. Erro crasso. A equipe azzurra deixou a zebra galopante do Bologna passear, sob o comando do bom jóquei Donadoni. Com isso, a Inter virou líder pela terceira vez no campeonato. Outra vez, a equipe de Mancini venceu por 1 a 0, mas desta vez criou muitas oportunidades para marcar gols, e mostrou muita evolução no seu jogo. Fiorentina e Juventus continuam próximas do topo, enquanto Roma e Milan mostram irregularidade. Por sua vez, Sassuolo e Atalanta são gratas surpresas na temporada, e mostram que nem sempre dinheiro é tudo. 

Vale destacar, ainda, o alto número de cartões vermelhos do campeonato: aconteceram expulsões em todas as rodadas e já são 51 vermelhos nesta Serie A: Genoa e Atalanta lideram o quesito, com sete, e em seguida vem a Inter, com cinco. Só o Napoli não viu jogadores irem para o chuveiro mais cedo.

Inter 1-0 Genoa
Ljajic

Tops: Miranda, Ljajic e Biabiany (I), Perotti e Ansaldi (G) | Flops: D'Ambrosio (I) e Perin (G)

Pelo terceiro período no campeonato, a Inter ocupa a liderança. Foi o oitavo 1 a 0 do time em 2015-16, mas esta partida teve um roteiro muito diferente. Ao contrário de outras atuações, o time de Mancini foi mais produtivo, criando um bom número de chances com Ljajic, Jovetic e Biabiany, realmente colocando na roda um Genoa mais recuado e pouco agressivo. A equipe visitante, aliás, teve em Perotti e Ansaldi seus melhores destaques, mas pelo trabalho defensivo.

De qualquer forma, os interistas acabaram indo ao gol apenas uma vez, contando com rara falha de Perin, que viu o cruzamento de Ljajic passar na sua frente e entrar. Talvez ter Icardi em campo (ele foi barrado) tivesse feito a diferença, do ponto de vista do número de gols, mas tem sido nítido como a equipe joga melhor sem o argentino – o que vai colocando um grande dilema para Mancini. Nas poucas tentativas de reação dos genoveses, mais uma vez a defesa nerazzurra provou porque é a menos vazada e o grande fator para o primeiro lugar na tabela. Miranda, a propósito, deu mais um show, e vai se consolidando como melhor zagueiro da temporada.

Bologna 3-2 Napoli
Destro (Diawara), Rossettini (Brienza), Destro | Higuaín (Insigne), Higuaín (Hamsík)

Tops: Mirante e Destro (B), Higuaín (N) | Flops: Reina (N)

O sonho napolitano acabou durando pouco. Pelo menos o de seguir líder por mais tempo consecutivo. Depois de ter assumido a liderança pela primeira vez desde a era Maradona, os partenopei perderam pela segunda vez no campeonato, deixando para trás uma invencibilidade de 18 partidas na temporada, e caíram duas posições. Isso porque o time de Sarri estranhamente entrou sem gás, completamente superado física e futebolisticamente pelo time de Donadoni no primeiro tempo. Aliás, já são três vitórias em cinco partidas desde que o ex-técnico do Napoli assumiu a equipe bolonhesa. Crescimento nítido em relação ao ultrapassado Delio Rossi.

Tudo começou com o primeiro gol, quando Destro, em posição irregular, foi lançado por Diawara e contou com falhas de Albiol e Reina. Pouco depois, Rossettini subiu mais alto do que todos para completar escanteio de Brienza, ampliando – ainda aos 21. Os visitantes ensaiaram reação antes do intervalo, mas pararam em Mirante. No segundo tempo, mesma história, e Destro marcou sua primeira doppietta no ano com nova falha de Reina. Já no final, em três minutos, o artilheiro Higuaín (já são 14 gols em 15 jogos), que desperdiçara duas chances antes, marcou duas vezes. Não o bastante para evitar a inesperada derrota.

Fiorentina 3-0 Udinese
Badelj, Ilicic (pênalti), Rodríguez (Pasqual)

Tops: Ilicic e Tomovic (F) | Flop: Badu (U)

De volta à vice-liderança e à vitória, a Fiorentina não fez exatamente um grande jogo, apesar do placar. Na verdade, foi um sólido desempenho do time de Paulo Sousa, que não sofreu contra uma Udinese muito pobre e sem argumentos, mas que também não produziu, como de costume. E olha que a Viola ainda contou com dia não tão bom de Valero, Kalinic e Bernardeschi, até então seus maiores destaques e pontos de desequilíbrio no campeonato – com exceção de Ilicic, que jogou bem. O primeiro gol, de Badelj, veio com chute de fora da área do croata desviado no meio do caminho. Os outros surgiram de bola parada, com Ilicic, após pênalti de Badu em Kalinic, e Rodríguez, que marcou seu enésimo gol de cabeça após cruzamento de Pasqual.

Torino 1-1 Roma
Maxi López (pênalti) | Pjanic

Tops: Bruno Peres (T) | Flops: Padelli (T)

Aos 83', após falha clamorosa de Padelli, tudo parecia que mais um gol de falta de Pjanic garantiria a vitória da Roma, em uma partida sofrível. Mas o time de Garcia, mal em toda a partida e, inclusive, menos perigoso que o Torino de Ventura, acabou entregando os três pontos. De forma bastante contestável, Belotti sofreu pênalti de Manolas e Maxi López converteu a cobrança, empatando aos 93' e dando um pouco de "justiça" pros donos da casa, que foram mais produtivos nos ataques, quase sempre com Bruno Peres pela direita. A partida não encheu os olhos de ninguém, e só colocou mais pressão em Garcia, que terá de vencer o BATE Borisov para classificar a Roma para as oitavas da Liga dos Campeões e manter o seu emprego.

Lazio 0-2 Juventus
Gentiletti (contra), Dybala (Mandzukic)

Tops: Dybala e Alex Sandro (J) | Flops: Marchetti e Gentiletti (L)

Abrindo a rodada, na sexta-feira, a Juventus deu mais um passo importante na sua recuperação no campeonato, chegando à quinta vitória consecutiva, outra vez no embalo de um grande Dybala, que chegou aos sete gols no campeonato. A Juve de Allegri, pragmática e inteligente, também voou no ritmo de Mandzukic, Alex Sandro e dos três jogadores de zaga, certamente os mais beneficiados pela volta do 3-5-2. A Velha Senhora se manteve tranquila contra uma Lazio para lá de esquisita, que chegou a seis jogos sem vencer, com cinco derrotas nesse período – isso na Serie A, uma vez que está tranquila na Liga Europa. Deixaram a Juventus chegar? Agora são seis pontos de diferença para a líder, a Inter.

Sampdoria 1-3 Sassuolo
Zukanovic | Acerbi (Politano), Floccari (Vrsaljko), Pellegrini

Tops: Pellegrini e Vrsaljko (SAS) | Flop: Lazaros (SAM)

Seis jogos sem vencer, quarta derrota seguida. Momento esquisito de uma boa Sampdoria, que já viveu boa fase, mas parece ter perdido a determinação e organização dos tempos de Mihajlovic. E nesse ritmo, início nada bom para Montella, que perdeu pela terceira vez em três jogos pelo clube em que brilhou como jogador, e utilizando a terceira formação diferente, com novo esquema tático. O treinador foi totalmente superado pelo Sassuolo de Di Francesco, especialmente no primeiro tempo, no qual a equipe visitante marcou os três gols, no ritmo dos romanos Politano e Pellegrini. Joia da base da Roma, Pellegrini é, inclusive, o mais jovem a marcar na temporada, e justo em seu primeiro jogo como titular do Sassuolo, sexto colocado. Já a Sampdoria está na parte de baixo da tabela, apenas dois pontos acima da zona de degola.

Atalanta 3-0 Palermo
Denis, Cherubin (Gómez), De Roon (D'Alessandro)

Tops: De Roon e Denis (A) | Flops: Migliaccio (A) e González (P)

É estranho ver a Atalanta de Reja na sétima posição, a três pontos da zona europeia, mas é a realidade. E contra o Palermo de Ballardini, a Dea foi pragmática, com bom desempenho defensivo e eficiência nos poucos ataques, com destaque para os "tanques" Cherubin, na defesa, De Roon, no meio-campo, e Denis, no ataque. O volante holandês, aliás, é a grande notícia dos nerazzurri, e certamente uma das melhores contratações a baixo custo do campeonato, se mostrando essencial na boa campanha bergamasca. O Palermo segue o mau momento e está próximo da zona de rebaixamento, a um ponto e posição do Frosinone. Nota negativa para Migliaccio, expulso 32 segundos depois de ter entrado em campo contra seu ex-clube. A expulsão, por um chute desajeitado em um adversário, foi a mais rápida da história da Serie A.

Carpi 0-0 Milan

Tops: Belec (C) e Kucka (M) | Flops: Bacca (M)

Mais uma oportunidade desperdiçada pelo Milan, que quebra o bom ritmo que o time vinha tendo. Mas não exatamente por uma exibição ruim, porque o time de Mihajlovic dominou a partida e teve várias oportunidades para sair com a vitória – apesar de tudo, a equipe mostrou que caiu um pouco de produção, e mostrou isso tanto contra o Carpi quanto no sufoco para se classificar diante do Crotone, pela Coppa Italia. O destaque do jogo foi Belec, goleiro ex-Inter e que vem fazendo boa temporada com o Carpi. O esloveno foi autor de sete defesas.

Verona 0-1 Empoli
Costa

Tops: Skorupski e Costa (E) | Flops: Toni (V) e Saponara (E)

Novo treinador, mesmo resultado. Agora com Delneri, o Verona segue sem vencer no campeonato e chegou à nona derrota, a quinta em casa. Um contrassenso, já que antigamente o Hellas era uma das equipes mais difíceis de se enfrentar em seus domínios. Os donos da casa até tentaram, chegando a acertar a trave e parando em boa partida da defesa visitante. O goleiro Skorupski, emprestado pela Roma, fez grande partida e fez o Verona continuar amargando a lanterna.

Frosinone 0-2 Chievo
Paloschi (pênalti), Meggiorini (Paloschi)

Tops: Meggiorini e Paloschi (C) | Flops: Leali e Diakité (F), Pepe (C)

Parece não ter jogo calmo e sem expulsão por antidesportividade no Matusa. Dessa vez, Pepe foi o destaque negativo. Por outro lado, seu time venceu novamente fora de casa, o que desperta curiosidade pelo desempenho ruim dos times de Verona em casa, mas ao menos o time de Maran tem competido, ao contrário do rival. Os Burros Alados acabaram conquistando sua vitória já no final, aos 89' e 92', com Paloschi e Meggiorini. Outra curiosidade é que essa foi a primeira derrota do Frosinone em casa. A equipe do Lácio tem uma das melhores campanhas do campeonato em suas dependências.

*Os nomes entre parênteses nos resultados indicam os responsáveis pelas assistências para os gols

Relembre a 14ª rodada aqui.
Confira estatísticas, escalações, artilharia, além da classificação do campeonato, aqui.

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Seleção da rodada
Skorupski (Empoli); Vrsaljko (Sassuolo), Miranda (Inter), Cherubin (Atalanta), Alex Sandro (Juventus); Diawara (Bologna), De Roon (Atalanta); Ljajic (Inter), Ilicic (Fiorentina), Dybala (Juventus); Destro (Bologna). Técnico: Roberto Donadoni (Bologna).

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

14ª rodada: O novo sonho napolitano

Artilheiro do campeonato, com 12 gols, Higuaín faz Napoli sonhar de novo com o scudetto após 25 anos. Média de gols já é a melhor da carreira do argentino, em lua de mel com a torcida (Repubblica)
A espera foi longa, mas agora a torcida do Napoli tem motivos de sobra para comemorar e sonhar. Após 25 anos, o time voltou a ser líder isolado da Serie A, depois de vitória contra a Inter, e não dá sinais de que vai deixar a ponta escapar facilmente. Repetir os feitos históricos de Maradona e Careca não é tarefa fácil, claro, mas a equipe de Maurizio Sarri, comandada por um Higuaín implacável, mostra que pode, sim, voltar a dar o scudetto para a apaixonada torcida azzurra. O futebol apresentado é o melhor da Itália até agora e, com a falta de regularidade de potenciais rivais pelo título, como Fiorentina, Roma e Milan, o sonho é possível. 

Inter, muito consistente sob o comando de Roberto Mancini e brava até o fim na partida mais importante do campeonato até aqui, e Juventus, em uma crescente que assusta os adversários, devem aparecer como principais candidatos a atrapalhar o sonho napolitano. Também foi destaque na rodada o Milan, com um Niang inspiradíssimo, enquanto Fiorentina e Roma voltaram a decepcionar. Na parte de baixo da tabela, o cenário dá uma agitada, com as derrotas de Verona, Bologna e Palermo. Teve até treinador demitido após mais um resultado negativo. Leia o resumo da 14ª rodada:

Napoli 2-1 Inter
Higuaín, Higuaín (Albiol) | Ljajic

Tops: Higuaín, Reina (N) e Ljajic (I) | Flops: Nagatomo e Icardi (I)

O campeonato ainda nem chegou à metade, mas Higuaín, Reina, Hamsík, Insigne e companhia já escreveram seus nomes na história do Napoli e da Serie A. Isso porque, com a vitória sobre a Inter, os azzurri voltam a liderar isoladamente a elite italiana após 25 anos – é o quarto líder isolado diferente na temporada, disputadíssima. A última equipe capaz disso foi aquela campeã de Maradona e Careca, na temporada 1989-90. E a façanha é merecida: sob o comando de Maurizio Sarri, os napolitanos apresentam o melhor futebol da Bota no momento, com sobras, até. O Napoli é o mais equilibrado dos postulantes ao título - já são 13 rodadas de invencibilidade e apenas um gol sofrido nos últimos seis jogos - e também o que mais encanta.

Diante da Inter, no San Paolo, a intensidade típica da equipe apareceu logo no início e Higuaín precisou de apenas 64 segundos para dar seu primeiro chute e abrir o placar, em chute matador, sem chances para Handanovic. O 1 a 0 não fez o time recuar e o Napoli permaneceu melhor durante todo o primeiro tempo, causando, inclusive, a expulsão de Nagatomo, que levou dois amarelos polêmicos e questionados pelo staff interista. O time aproveitou a superioridade numérica e fez 2 a 0, de novo com o artilheiro Higuaín – em uma segunda falha crucial de Murillo, o pior em campo –, mas sofreu gol de Ljajic e deixou o jogo em aberto. Nos 40 segundos finais, Pepe Reina e a trave salvaram o Napoli de sofrer o empate, contra Jovetic e Miranda, mas o resultado acabou coroando a melhor equipe. Agora, o trabalho de Sarri é manter o foco da equipe e continuar em curva ascendente, num campeonato que promete muito para a torcida azzurra, mas ainda tem muitas rodadas pela frente. 

Sassuolo 1-1 Fiorentina
Floccari (Vrsaljko) | Borja Valero

Tops: Floccari (S) e Borja Valero (F) | Flops: Acerbi (S) e Rodríguez (F)

Quem perdeu a chance de encostar na liderança de novo foi a Fiorentina. Após empate por 2 a 2 com o Empoli na última rodada, a viola voltou a ceder para um time pequeno e não conseguiu sair do 1 a 1 com o Sassuolo. O time até começou bem jogando fora de casa e dominou a primeira meia hora, mas não foi capaz de fazer mais do que 1 a 0 - Borja Valero fez o gol e Ilicic perdeu pelo menos dois na cara - e sofreu o empate ainda no fim da primeira etapa. O time da casa sofreu com o gol e teve o domínio do jogo na maior parte do segundo tempo, exigindo boas defesas de Tatarusanu. Assim, a viola perdeu a chance de reassumir a liderança e estacionou nos 29 pontos, na terceira colocação. O Sassuolo cai para a sexta posição, mas mantém a boa campanha, com apenas três derrotas até aqui. Inclusive, outros times grandes caíram no Città del Tricolore: Napoli, Juventus e Lazio.

Palermo 0-3 Juventus
Mandzukic (Dybala), Sturaro (Pogba) e Zaza (Morata)

Tops: Dybala e Mandzukic (J) | Flops: Struna e Brugman (P)

A Juventus espantou a turbulência do início da temporada e agora começa a mostrar a regularidade que a fez campeã nos últimos anos. Pela primeira vez nesse campeonato, o time de Allegri conseguiu engrenar sequência de quatro vitórias seguidas e, mais do que isso, começa a mostrar bom futebol. Escalada no 3-5-2 que deu certo contra o Manchester City no meio da semana, pela Liga dos Campeões, a equipe foi melhor que o Palermo, fora de casa, e mereceu a vitória. Mandzukic vem se mostrando peça importante para essa volta por cima e Allegri deve ganhar os créditos por insistir na formação mesmo sob várias críticas. A defesa está consistente e o ataque começa a produzir mais. Agora, a Velha Senhora está a apenas três pontos da Roma e a quatro da zona de classificação para a Liga dos Campeões. O Palermo, por sua vez, chega à terceira derrota em cinco jogos e agora está apenas dois pontos distante da zona da degola.   

Roma 0-2 Atalanta
Gómez e Denis

Tops: De Sanctis (R), Gómez e Moralez (A) | Flops: Iago Falqué e Maicon (R)

Irregularidade é o que define a Roma nesse campeonato. A equipe de Rudi Garcia não consegue mostrar a consistência que exibem seus adversários que brigam pela ponta da tabela e, pior, não dá sinais de que pode deixar esse estilo montanha-russa para trás. Contra a Atalanta, em casa, o time foi dominado durante todo o jogo e mostrou uma falta de raça capaz de irritar até o mais paciente dos torcedores. Confusa em campo, cedeu muitos espaços para a organizada Atalanta e mereceu a derrota – Reja deu um banho tático em Garcia. A escolha de Garcia por Iago Falqué no ataque não deu certo e a equipe pouco criou. Do lado da Atalanta, Ciagirini e Kurtic foram muito bem e ditaram o ritmo do jogo, enquanto Moralez, Denis e Gómez foram muito eficientes na frente. O resultado mantém os nerazzurri entre os 10 primeiros na classificação, com 21 pontos, e deixa a Roma ainda na quarta colocação, mas com Juve e Milan mais próximos. E nesse momento é mais fácil ver a Juve - e até o Milan - brigando lá em cima. Mau sinal para a Roma.

Milan 4-1 Sampdoria
Bonaventura (Niang), Niang, Niang, Luiz Adriano (Cerci) | Éder

Tops: Niang e Bonaventura (M) | Flops: De Silvestri e Muriel (S)

Méritos para Sinisa Mihajlovic na melhor apresentação do Milan na temporada. O treinador manteve o 4-4-2 que deu errado contra a Juve, mas mudou a disposição das peças e foi feliz contra seu antigo time. Com o jovem Niang no lugar de Luiz Adriano, o time ganhou em qualidade e dominou as ações do jogo, também porque Bonaventura e Cerci fizeram ótima partida nas pontas da linha de quatro. Aplicados na marcação, também foram bem no ataque e deram opções para Niang mostrar seu talento. O francês de 20 anos desequilibrou e decidiu o jogo, com assistência para Bonaventura fazer 1 a 0 e mais dois gols para impor a vitória do 4-4-2 de Mihajlovic sobre o 4-2-3-1 de Montella, que nada conseguiu produzir em dia de nenhuma inspiração de Muriel. Com 23 pontos, o Milan assume a sexta colocação, junto ao Sassuolo, e define uma vaga na Liga dos Campeões como o objetivo da temporada. A Samp, estacionada nos 16 pontos já há três rodadas, fica cada vez mais próxima da zona de rebaixamento. Montella ainda não venceu.

Empoli 1-0 Lazio
Tonelli (Paredes)

Tops: Skorupski, Tonelli (E) e Klose (L) | Flops: Savic (L)

Um ponto conquistado nos últimos 15 em disputa. Seis derrotas nas sete partidas jogadas fora. A crise da Lazio parece mesmo não ter fim. Já são sete resultados negativos no campeonato e um aproveitamento de 45% - e descendo - que já preocupa a torcida. A última vez que o clube perdeu sete dos 14 primeiros jogos do campeonato foi em 1984-85, ano em que foi rebaixado. Os seis pontos de distância para a zona de rebaixamento dão impressão de conforto, mas, com esse pouco futebol, não é inimaginável ver o time da capital lutando lá embaixo. Contra o surpreendente Empoli, o time de Pioli sofreu o gol logo aos cinco minutos e não soube furar o bloqueio do Empoli no restante do tempo. Pouco criativo, o time só melhorou na primeira metade do segundo tempo, quando Felipe Anderson e Klose saíram do banco. O alemão deu novo ânimo ao time e até teve dois gols corretamente anulados. Em outras oportunidades, viu o goleiro Skorupski, em grande noite, evitar o empate. O Empoli já vai a 18 pontos, na 11ª posição. 

Torino 2-0 Bologna
Belotti e Vives

Tops: Belotti (T) | Flops: Maietta (B)

O Bologna tentava manter o bom momento e abrir alguns pontos de distância da zona de rebaixamento, mas não conseguiu segurar a pressão do Torino e viu sua primeira derrota sob o comando de Donadoni, voltando para a zona da degola. Jogando pelo 0 a 0, os visitantes impuseram muita dificuldade aos granata e até os 30 minutos do segundo tempo o placar permanecia empatado. Com mais qualidade, porém, os comandados de Ventura não desistiram e, de tanto tentarem, conseguiram superar o bloqueio rossoblù. Belotti marcou primeiro e Vives, já nos acréscimos, fez belo gol para cravar o 2 a 0. Com 21 pontos, o time sobe à oitava colocação, apenas três pontos atrás da rival Juve, primeira na zona Liga Europa. 

Frosinone 3-2 Verona
Ciofani (pênalti), Ciofani (Crivello) e Dionisi (Sammarco) | Viviani e Moras (Viviani)

Tops: Ciofani e Paganini (F) | Flops: Rafael e Juanito (V)

Mandorlini não resistiu a mais uma derrota do Verona - a décima no campeonato e quarta nos últimos cinco jogos - e acabou demitido pela diretoria nesta segunda-feira, dando lugar a Delneri. Mesmo idolatrado pela torcida e com cinco anos de casa, Mandorlini viu a diretoria optar por trocar o comando, dando trabalho a Delneri, que estava desempregado desde 2013. A equipe agora é lanterna do torneio, por causa da vitória do Carpi, mas já acumulava alguns dos piores números mesmo sem a última posição oficial. O time é o único que ainda não venceu sequer uma vez, por exemplo, e soma somente seis pontos – uma campanha análoga à do Parma em 2014-15. Também é o time que menos gols marcou: apenas 10 em 14 rodadas. A derrota do Verona tirou o Frosinone da zona de rebaixamento. Por quanto tempo?

Chievo 2-3 Udinese
Paloschi e Inglese | Frey (contra), Théréau e Théréau (Di Natale)

Tops: Birsa (C) e Théréau (U) | Flops: Frey (C) 

Poucos apostariam, mas Chievo e Udinese fizeram uma das melhores partidas da rodada e capricharam na emoção: além dos cinco gols, tiveram outros dois anulados, três bolas na trave, jogadas bonitas e gol de ex-ídolo. Théréau, que vestia amarelo e azul até o ano passado, marcou duas vezes contra o ex-time, para virar o jogo – sem contar que participou do primeiro gol friulano. Antes, Paloschi já tinha aberto o placar para os mandantes, Frey tinha marcado contra e empatado em 1 a 1, e Inglese marcado o gol do 2 a 2 para o Chievo. Théréau decidiu aos 36 do segundo tempo, e ainda viu o gol do 3 a 3 do Chievo ser anulado – corretamente. O resultado ruim deixa o técnico Maran ainda mais pressionado, apenas três pontos à frente da zona de rebaixamento. A Udinese sobe para a 12ª posição, com 18 pontos.   

Genoa 1-2 Carpi
Figueiras | Borriello (Di Gaudio) e Zaccardo (Borriello)

Tops: Borriello e Zaccardo (C) | Flops: Pavoletti (G) 

Quem também viu um dia de protagonismo de um ex foram os torcedores do Genoa, no Marassi. Borriello, dispensado pelo clube, saiu do banco de reservas para decidir a partida: entrou aos seis minutos do segundo tempo, marcou o gol de empate do Carpi - que perdia por causa de gol de Figueiras, ainda no início da etapa inicial - e ainda deu passe para Zaccardo fazer o gol da virada. A atuação de gala garantiu ao Carpi a segunda vitória no campeonato e a saída lanterna da competição. A situação ainda é muito ruim - com apenas nove pontos, o time está cinco atrás do primeiro time fora do Z-3 -, mas, com apresentações assim, os torcedores podem sonhar com a salvezza. O Genoa, por sua vez, lamenta a perda de uma invencibilidade que já durava quatro jogos. Seu artilheiro, Pavoletti, foi expulso nos primeiros minutos de jogo, por cotovelada em Gagliolo, e não enfrenta a Inter na próxima rodada.

*Os nomes entre parênteses nos resultados indicam os responsáveis pelas assistências para os gols

Relembre a 13ª rodada aqui.
Confira estatísticas, escalações, artilharia, além da classificação do campeonato, aqui.

A Liga Serie A disponibiliza os melhores momentos da rodada em seu canal oficial. Veja os melhores momentos dos jogos abaixo.



Seleção da rodada
Reina (Napoli); Barzagli (Juventus), Tonelli (Empoli), Paletta (Atalanta); Bruno Peres (Torino), Bonaventura (Milan), Missiroli (Sassuolo), Gómez (Atalanta); Niang (Milan), Higuaín (Napoli), Théréau (Udinese). Técnico: Edoardo Reja (Atalanta).