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terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Alessandria encenará Davi contra Golias

Rivera, um dos maiores craques italianos, começou a carreira vestindo o cinza do Alessandria (Il Giornale)
Uma das grandes histórias do futebol italiano não só nesta temporada, mas nos últimos anos. Assim pode ser descrita a façanha da Alessandria, clube tradicional do Piemonte e que chegou às semifinais da Coppa Italia, passando por Palermo, Genoa e Spezia. Foi a primeira vez que uma equipe que milita na terceira divisão nacional atingiu esta etapa do torneio em 31 anos – o último havia sido o Bari, em 1985. 

Agora, os grigi enfrentam o Milan pelas semis da copa, voltando a jogar no San Siro pela primeira vez desde 1960. Infelizmente, os rossoneri não visitarão o acanhado estádio Giuseppe Moccagatta, com capacidade para menos de 6 mil pessoas. Isso porque a diretoria da Alessandria confirmou que mandará seu jogo no Olímpico de Turim. De qualquer forma, é uma boa hora para conhecer a história da equipe cinzenta.

A Alessandria foi fundada em 1912, quando uma agremiação esportiva, a Forza e Coraggio, decidiu iniciar um setor dedicado ao futebol, esporte proeminente no norte da Itália no momento. Os primeiros uniformes da equipe foram azuis e brancos, e só em 1913 a equipe voltou a usar o padrão cinza escuro, criado pela Forza e Coraggio – uma cor nada habitual para equipes de futebol, algo que certamente diferencia a Alessandria no esporte. É, inclusive, a única equipe europeia a usar apenas o cinza como cor social.

Logo no início de sua trajetória a Alessandria entrou para a história do futebol da época. O técnico e jogador inglês George Smith – discípulo de William Garbutt, vencedor de três scudetti pelo Genoa – montou um esquema que ficou conhecido como "quadrilátero" que consistia no recuo de dois jogadores do ataque para o meio-campo, com o intuito de melhorar a circulação de passes rasteiros e acionar os atacantes. Naquela época, também se formou a "escola alessandrina", com uso de jogadores formados na base do clube, o que manteve a equipe na elite por anos. Os jogadores mais destacados foram o zagueiro Carlo Carcano e o atacante Adolfo Baloncieri, destaques do campeonato em suas posições – tanto é que foram chamados para a seleção; e Baloncieri logo assinou com o Torino, potência da época.

Com Carcano como treinador, a Alessandria ficou duas vezes com a terceira posição no mata-mata que definia o ganhador do scudetto – em 1928 e 1929 – e também conquistou a Copa CONI, seu primeiro título oficial, em 1927. Foi a época de ouro dos grigi, que revelaram vários jogadores – que depois acabaram em times maiores e vestiram a camisa da seleção – e permaneceram na elite até o final dos anos 1930, retornando a ela para uma breve passagem no pós-guerra. Em 1935-36, a equipe chegou a ser vice-campeã da Coppa Italia, perdendo a final para o Torino.

A última vez em que a Alessandria jogou a Serie A foi em 1959-60, época em que surgia um mito do futebol: aos 15 anos, estreava Gianni Rivera, tido por muitos como o maior jogador italiano da história. O Golden Boy logo seguiria para o Milan, onde virou ídolo máximo. Quis o destino que no confronto mais importante dos últimos anos da Alessandria a equipe caísse de frente com o Milan, onde Rivera se consagrou.

Porém, os anos de glória ficaram para trás. Desde então, a equipe rodou pelas divisões inferiores da Itália. Com o status de "nobre decadente", que não conseguiu se manter na elite com a crescente profissionalização do esporte, a Alessandria chegou a falir, em 2003, e disputou campeonatos amadores. O renascimento e a recuperação do moral da torcida começou em 2011, quando Maurizio Sarri, atual técnico do Napoli, quase colocou a equipe na Serie B. Hoje, sob o comando de Angelo Gregucci (ex-zagueiro do clube e com boa passagem pela Lazio, nos anos 1990), o Grigio sonha mais alto. 

Será que Davi pode derrotar Golias? O Milan cairá frente à Alessandria nos dois jogos das semifinais da Copa? Mais realista é buscar a vaga na Serie B, muito possível, já que a equipe piemontesa é vice-líder do seu grupo na terceirona.

Gregucci já colocou seu nome na história do clube cinza (Museo Grigio)
As temporadas
24 participações na Serie A*, 21 na Serie B, 29 na Serie C/Lega Pro, 17 na Serie C2, 3 na Serie D e 4 em campeonatos regionais

* 13 participações na Serie A em grupo único, após mudança do formato antigo para o atual. Última participação em 1959-60.

Os títulos
A Alessandria tem sete títulos, quase todos em competições relativas às divisões inferiores. Com exceção do primeiro deles, a Copa CONI, conquistada em 1927 – o torneio era disputado entre os times não classificados ao mata-mata pelo scudetto italiano. Os outros troféus dos grigi são a Serie B (1946), Coppa Italia Serie C (1973), Serie C (1974), Serie C2 (1991), Eccellenza piemontesa (2005) e Serie D (2008).

Os apelidos
Grigio, grigi e L'Orso (O Cinza, cinzas e O urso)

O rival
O grande rival da Alessandria é o Casale, time sediado na mesma província, localizada a cerca de 100 quilômetros de Turim. O Dérbi de Alessandria teve seu auge no início do século XX, quando as duas equipes disputavam a primeira divisão e eram fortes – o Casale chegou a ser campeão, em 1914. O duelo é acirrado, mas o Grigio tem leve vantagem sobre os nerostellati: em 64 jogos, são 20 vitórias, 26 empates e 18 derrotas. Os jogos mais importantes entre as equipes aconteceram na final da Copa CONI, em 1927: empate em Casale Monferrato e vitória grigia em Alessandria.

Os brasileiros
Somente cinco brasileiros vestiram a camisa acinzentada da Alessandria: Adriano Mezavilla, Guilherme Appelt, Sergio Ceregatti, Anderson de Carvalho Santos e Bruno Cabrerizo. Somente Mezavilla, que está no elenco atualmente, e é um dos principais jogadores da equipe que alcançou as semifinais da Coppa Italia e que briga pela promoção à Serie B. Uma curiosidade: Bruno Cabrerizo era zagueiro e, depois de passar por várias equipes pequenas, se aposentou e virou modelo, uma subcelebridade na Itália.

Os selecionáveis
Dez jogadores vestiram a camisa da seleção italiana enquanto serviam à Alessandria. O primeiro foi o zagueiro Carlo Carcano (5 partidas), em 1915, e o último foi o lateral esquerdo Pietro Rava, em 1946 (1 partida). Os outros são Adolfo Baloncieri (7), Luigi Bertolini (6), Giuseppe Gandini (6), Guglielmo Brezzi (2), Renato Cattaneo (2), Elvio Banchero (2), Giovanni Ferrari (1) e Giuseppe Ticozzelli (1). Entre estes, o que mais gols marcou foi Baloncieri, um dos mais importantes jogadores das primeiras décadas do século XX no futebol italiano.

Os jogadores ilustres 
Sem dúvidas, o jogador mais importante que passou pela Alessandria foi Gianni Rivera, um mito do futebol, e que atuou em apenas 26 jogos (com seis gols marcados), antes de se transferir ao Milan, ainda com 16 anos. Outro jogador muito importante a ter vestido o cinza alessandrino foi o meia Giovanni Ferrari, que teve duas passagens pela equipe antes de ser bicampeão mundial com a Itália e oito vezes campeão italiano (um recorde), por Juventus, Inter e Bologna. 

Além deles destacam-se Adolfo Baloncieri e Carlo Carcano, craques do início do século; os campeões mundiais Luigi Bertolini e Pietro Rava (destaques também da Juventus); Benito Lorenzi e Carlo Tagnin, que brilharam em momentos diferentes pela Inter, nos anos 1950 e 1960. Vale recordar que outros jogadores com história na Serie A passaram pela Alessandria, como Valerio Bertotto (Udinese), Massimo Carrera (Juve), Sergio Porrini (Juve) e Vincenzo Torrente (Genoa), além do atual treinador, Angelo Gregucci (ex-Lazio). O famoso humorista italiano Gene Gnocchi, que chegou a ser jogador de futebol, se formou nas categorias de base dos grigi e também atuou pelos piemonteses.

Quem mais jogou
Antonio Colombo, 466 jogos

Quem mais marcou
Renato Cattaneo, 148 gols

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