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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Os 10 maiores jogadores da história da Atalanta

Atalanta é uma figura da mitologia grega, conhecida por sua agilidade e destreza na caça. Uma heroína, assim como a equipe de Bérgamo, batizada com o seu nome. Conhecida como "A Rainha das provincianas", a Atalanta tem 55 participações na Serie A, mais do que qualquer outra equipe de uma cidade que não é capital de sua região na Itália. O time, com 108 anos de história, também é o mais tradicional a nunca ter conquistado o scudetto uma vez sequer – sua maior glória foi a 5ª colocação, em 1947-48. Além disso, os nerazzurri têm uma Coppa Italia e cinco Serie B em sua sala de troféus.

Conquistar títulos nunca foi o forte da Atalanta, é fato. Porém, tem uma coisa que os bergamascos fazem com louvor, mesmo com poucos recursos financeiros: revelar jogadores. Uma da melhores categorias de base da Europa está sediada no centro de treinamentos de Zingonia e não é algo recente.

Ao longo de mais de 50 anos, saíram de lá jogadores aproveitados na primeira divisão italiana, alguns figurões e outros craques de bola, que sempre acabaram aproveitados no time principal antes de serem negociados. Nomes como Angelo Domenghini, Gaetano Scirea, Pietro Fanna, Roberto Donadoni, Alessio Tacchinardi, Domenico Morfeo, Riccardo Montolivo, Giampaolo Pazzini, Giacomo Bonaventura, Manolo Gabbiadini e Simone Zaza foram formados lá – além de diversos outros atletas que acabaram lapidados após chegarem à Lombardia.

Alguns desses jogadores marcaram época em Bérgamo. Outros passaram pela equipe orobica antes de irem para grandes centros e também se destacaram. Enquanto outros, por diferentes motivos, se tornaram bandeiras do clube e ídolos máximos de uma torcida apaixonada. Escolhemos, então, aqueles que mais brilharam com o azul e preto atalantino.

Para montar as listas, o Quattro Tratti levou em consideração a importância de determinado jogador na história do clube, qualidade técnica do atleta versus expectativa, identificação com a torcida e o dia a dia do clube (mesmo após o fim da carreira), grau de participação nas conquistas, respaldo atingido através da equipe e prêmios individuais. Também foram computadas premiações pelas seleções nacionais. A partir disso, escolhemos 25 jogadores que marcaram a história da equipe e escrevemos breves biografias dos 10 primeiros. Antes, veja também a lista de brasileiros que já vestiram a camisa do clube bergamasco.

Brasileiros da Atalanta
Adriano (zagueiro), Adriano Ferreira Pinto, Alemão, Careca Bianchesi, Dino da Costa, Evair, Gleison Santos, Inácio Piá, Rafael Tolói, Roberto Battaglia e Sergio Clerici.

Top 25 Atalanta
11. Marino Magrin; 12. Stefano Angeleri; 13. Adriano Bassetto; 14. Filippo Inzaghi; 15. Jørgen Leschly Sørensen; 16. Bengt Gustavsson; 17. Livio Roncoli; 18. Severo Cominelli; 19. Christian Vieri; 21. Umberto Colombo; 22. Massimo Carrera; 23. Fabrizio Ferron; 24. Domenico Morfeo; 25. Poul Rasmussen.

10º - Germán Denis


Posição: atacante
Período no clube: 2011 a 2016
Títulos conquistados: nenhum

O centroavante argentino deixou o clube em janeiro de 2016 para se aposentar no Independiente, mas antes fez história na Atalanta. Em cinco anos de clube, El Tanque marcou 56 gols, se tornando o quarto maior artilheiro da história atalantina e o estrangeiro com mais gols pelo clube.

Nesse período, Denis ajudou La Dea a escapar do rebaixamento sempre com tranquilidade e também ficou entre os 10 principais goleadores do campeonato em duas temporadas: 2011-12 e 2012-13, quando anotou 16 e 15 gols, respectivamente. Com o argentino no comando do ataque, a Atalanta alcançou seu recorde de pontos e de vitórias consecutivas em uma temporada na elite, em 2013-14. Amado pela torcida, o portenho, que chegou a ser capitão, se despediu com homenagem no início do ano.



Posição: meia
Período no clube: 1981 a 1986
Títulos conquistados: Serie C1 (1982) e Serie B (1984)

Donadoni ficou conhecido por fazer parte do Milan estelar de Arrigo Sacchi e de Fabio Capello, pelo qual ganhou tudo o que podia. Antes disso, porém, ele começou a carreira na Atalanta, tendo sido uma das principais revelações do clube orobico em sua história. O meia, que atuava aberto pelo lado direito e flutuava bem entre o meio-campo e o ataque, teve suas primeiras chances na Coppa Italia da Serie C, em 1981-82, e foi integrado definitivamente ao plantel principal na temporada seguinte. Em Bérgamo, atuou ao lado de bandeiras do clube, como o defensor Giovanni Vavassori, o meia Marino Magrin e os atacantes Bortolo Mutti e Ezio Bertuzzo. Logo se destacou, virou titular e ajudou a equipe a subir à elite, em 1984.

Com sua habilidade e inteligência na armação de jogadas, Donadoni foi o grande destaque na campanha que levou a Atalanta de volta à Serie A na temporada 1983-84, após cinco anos de ausência.  Atuando na primeira divisão, o meio-campo se destacou nas duas temporadas que fez, ajudando La Dea a ficar em posições razoáveis na tabela. Assim, despertou o interesse do Milan, que desde 1979 não ganhava nenhum scudetto, e se transferiu para a vizinha Milão e fez história vestindo vermelho e preto.



Posição: líbero
Período no clube: 1972 a 1974
Títulos conquistados: nenhum

Scirea ficou pouco tempo na Atalanta, mas o seu tamanho no futebol o coloca como um dos principais jogadores a terem passado pelo clube e é um símbolo de como as categorias de base dos orobici podem formar lendas. Scirea talvez seja o principal prata da casa nerazzurro em toda a história.

Antes de ir para a Juventus e se tornar um dos maiores líberos do mundo, ao lado de Franco Baresi e Franz Beckenbauer, Scirea passou dois anos como profissional na Atalanta, um deles na elite e outro na Serie B – sem contar os outros cinco nas divisões de base. Em Bérgamo, Scirea começou atuando como lateral e depois como meio-campista, mas foram os treinadores Ilario Castagner e Heriberto Herrera que descobriram seus dotes como líbero – embora, no início, ele declarasse que preferia jogar como meia. Em qualquer posição, porém, ele exibia sua classe habitual, aliada a ótima visão de jogo e conhecimento tático.



Posição: atacante
Período no clube: 1989 a 1992 e 1999 a 2000
Títulos conquistados: Copa América (1991) e Copa das Confederações (1992)*

*conquistados durante sua passagem pelo clube

Caniggia jogou em três equipes italianas, mas foi só na Atalanta que teve boa atuação e virou ídolo. Após fracassar no Verona, El Pájaro fez um trio implacável com Evair e Glenn Peter Strömberg, se destacando principalmente na Serie A, competição em que marcou 26 gols em três temporadas – nas duas Copas Uefa que disputou, não foi tão bem, sendo coadjuvante. O argentino começou a cair nas graças do povo quando marcou o gol que garantiu uma vitória sobre a Juventus. Depois de sair para a Roma, em 1992, e rodar o mundo, Cani voltou ao clube em 1999, para disputar a Serie B, mesmo que ainda estivesse sendo convocado para a seleção argentina. O atacante não jogou tantas vezes, mas conseguiu ajudar o clube a retornar para a elite, o que só reforçou a idolatria da torcida por ele.

O destaque na primeira passagem pela Atalanta fez com que Caniggia continuasse a ser convocado pela Argentina e atuasse como titular pela seleção. Pela albiceleste ele foi campeão da Copa América e da Copa das Confederações, além de vice-campeão mundial em 1990, fazendo-o um dos poucos jogadores atalantinos a terem sido campeões com suas seleções nacionais.

6º - Evair


Posição: atacante
Período no clube: 1988 a 1991
Títulos conquistados: nenhum

Um dos maiores ídolos do Palmeiras, Evair foi o brasileiro que mais brilhou pela Atalanta e é um dos jogadores mais amados pela torcida nerazzurra. Nos três anos em Bérgamo, ajudou a alçar La Dea de patamar, e fez a equipe, então desconhecida internacionalmente, disputar a Copa Uefa pela primeira vez em sua história – foram duas oportunidades na competição europeia.

O atacante chegou a levar a equipe nerazzurra à 6ª colocação, segunda melhor posição da história da equipe na Serie A, e depois ajudou os orobici a ficarem na 7ª posição, garantindo o acesso ao torneio continental de novo. Ao todo, Evair fez 30 gols em 89 jogos, muitos deles em uma de suas especialidades, a cobrança de pênaltis, e alguns contra times grandes, como Inter, Juventus e Roma. Apelidado pela torcida de "o artilheiro triste", por sentir saudades do Brasil, Evair acabou voltando à América do Sul em 1991, mas nunca deixou o imaginário dos bergamascos.

5º - Valter Bonacina


Posição: meia
Período no clube: 1986 a 1991 e 1994 a 1999
Títulos conquistados: nenhum

Quase uma vida inteira dedicada à Atalanta. Bergamasco de nascimento, Bonacina começou na pequena Virescit Boccaleone, de um bairro de Bérgamo, e chegou à Atalanta em 1986, quando a equipe estava na elite. Desde então, passou 10 anos na equipe, divididos em duas passagens de cinco anos – entre elas, atuou pela Roma –, e foi capitão da equipe em seu segundo estágio vestindo nerazzurro. Até hoje é lembrado como um dos mais marcantes atletas a terem utilizado a braçadeira orobica.

Meia central, de boa marcação e boa chegada ao ataque, além de boa capacidade na bola aérea, embora não fosse alto, Bonacina foi um símbolo da equipe em momentos importantes da história bergamasca. Jogou duas finais de Coppa Italia, as semifinais de uma copa local e da Recopa Europeia e as duas edições da Copa Uefa que o clube lombardo disputou – na segunda, parou frente à Inter, nas quartas. Com 331 jogos, é o segundo jogador que mais vestiu a camisa atalantina, e depois que se aposentou continuou a se dedicar ao clube. Entre 2003 e hoje (com pequeno intervalo nos anos de 2011 e 2012) ele ocupou cargos na comissão técnica nerazzurra e também nas categorias de base, onde treina o time Primavera e caça novos talentos para La Dea.



Posição: atacante
Período no clube: 1960 a 1964
Títulos conquistados: Coppa Italia (1963)

Nascido na província de Bérgamo, Domenghini deu seus primeiros passos na Atalanta, como tantos craques do futebol italiano. O ala esquerdo, que sempre se destacou pela velocidade e pela técnica, estreou na Serie A, mas só teve suas primeiras chances reais em 1962. Foi nesse ano em que ele ficou marcado na história do clube.

O atacante era titular da equipe e formava um trio infernal com o dinamarquês Flemming Nielsen e com o ítalo-brasileiro Dino da Costa. Naquela temporada, Domenghini e companhia levaram os orobici à final da Coppa Italia. Na decisão, contra o Torino, ele marcou os três gols da vitória nerazzurra por 3 a 1, dando o título à Dea e se tornando o primeiro jogador a anotar uma tripletta na final da competição – só o romanista Giuseppe Giannini conseguiu o feito depois –, sem falar que terminou a copa como artilheiro, com cinco tentos. Em 1964, Domenghini foi vendido para a Grande Inter, encerrando sua passagem por Bérgamo com 69 jogos e 17 gols.



Posição: meia-atacante
Período no clube: 1998 a 2003 e 2006 a 2012
Títulos conquistados: Serie B (2011)

Cristiano Doni foi o primeiro futebolista a receber o prêmio de cidadão honorário de Bérgamo – além dele, só Emiliano Mondonico, ícone do clube como treinador, recebeu a honraria. Só isso já diz muito sobre como o meia-atacante marcou a história da Atalanta, mas houve mais. Maradoni, como ficou conhecido por sua habilidade, é o maior artilheiro atalantino, com 112 gols marcados, e o quarto na lista de jogadores que mais vezes vestiram o azul e preto bergamasco, com 323 partidas.

Trequartista de origem, Doni se multiplicava em campo pela Atalanta, a ponto de dizer que antes de vestir a camisa do clube era Clark Kent, e com ela se tornava Superman. Criador de jogadas, dono de passes refinados e finalizações certeiras, Doni ainda sabia se inserir como um digno centroavante, marcando diversos gols de cabeça. Seu auge pelos orobici aconteceu entre 2001 e 2002, quando anotou 16 gols na Serie A e chegou a ser convocado por Giovanni Trappatoni para a Copa do Mundo. Em sua segunda passagem pelo clube, fez grandes temporadas em 2006-07 e 2007-08, mas já no final da carreira, aos 38 anos, teve sua trajetória abreviada: foi condenado por envolvimento em um esquema de apostas ilegais e manipulação de resultados, o que manchou o final de sua carreira. Doni deixou o futebol em 2012.
 


Posição: meia/líbero
Período no clube: 1984 a 1992
Títulos conquistados: nenhum

Um dos maiores meias da história do futebol sueco, Strömberg chegou à Atalanta com apenas 24 anos, mas já cheio de títulos: campeonato e copa suecas, além de uma Copa Uefa com o IFK Gotemburgo, e duas ligas e uma copa portuguesas com o Benfica. Principal contratação para a volta dos orobici para a Serie A após cinco anos de ausência, Strömberg logo se tornou peça-chave da equipe. Em três anos sob o comando do técnico Nedo Sonetti ele atuou mais no meio-campo, sempre aliando o vigor e o porte físico (1,90m) à qualidade técnica, mas acabou sendo utilizado em várias outras funções. Mesmo assim, ganhou o Guldbollen, prêmio dado ao melhor jogador sueco, em 1985. Dois anos depois, a Atalanta amargou o vice na Coppa Italia e caiu para a segundona, mas o sueco, que já era capitão da sua seleção, permaneceu: o novo treinador, Mondonico, lhe deu a faixa para a disputa da Serie B, que também era um campeonato forte.

Com a braçadeira, Strömberg conduziu La Dea para a elite e às semifinais da Recopa. Nos anos seguintes, ganhou a companhia de Evair e depois de Caniggia, e ajudou a Atalanta a conseguir duas de suas melhores colocações na história da Serie A, classificando o time por duas vezes à Copa Uefa. Ao longo de oito anos vestindo nerazzurro, cinco deles como capitão, o nórdico conquistou o amor da torcida, que o elegeu como um dos maiores capitães de toda a história atalantina. Com 273 partidas, Strömberg é o estrangeiro com mais jogos pelo clube e o sétimo no ranking geral.

1º - Gianpaolo Bellini


Posição: lateral esquerdo
Período no clube: 1998 até hoje
Títulos conquistados: Serie B (2006 e 2011)

Um herói do futebol provinciano, um daqueles que mostram que o futebol é mais do que estádios chiques e grandes centros. Uma prova, também, que não só os melhores fazem história, mas os dedicados também tem o seu lugar ao sol. Bellini é tudo isso e muito mais. O lateral esquerdo, que por ser destro também atuou bastante pelo lado direito, devotou uma vida inteira pelo azul e preto da Atalanta, mesmo sendo torcedor do Milan. No clube desde os seis anos de idade, o canterano de quase 36 anos já anunciou que vai se aposentar ao fim desta temporada e que será dirigente, depois de 18 campeonatos como profissional – cinco deles como capitão; desde 2011, quando Doni foi suspenso. Vai deixar o futebol tendo vestido apenas uma camisa – além da azul da seleção sub-21 italiana.

Exemplo de correção dentro de campo, Bellini sempre recusou vínculos com setores radicais da torcida organizada da Atalanta e preferiu manter seu estilo reservado e elegante. Em 1998 ele ganhou o Campeonato Primavera (sub-21) pelos orobici e o técnico Giovanni Vavassori, que o havia treinado na base, o subiu para o time principal pouco depois. De lá para cá foram quatro promoções para a Serie A, com dois títulos, quase sempre como pilar da equipe, para qualquer treinador que passou por Zingonia – só não jogou mais vezes por causa das frequentes lesões, que o acompanharam ao longo dos anos. Mesmo assim, em 2010 ele se tornou o jogador com mais partidas pelo clube. Hoje ele tem 431 partidas, 100 a mais que Bonacina, segundo colocado. Bellini significa Atalanta.

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