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quinta-feira, 3 de março de 2016

Entre a emoção e a obviedade

Juventus passa pela Inter nos pênaltis e pega o Milan na final (Getty)
Após as partidas de ida das semifinais da Coppa Italia, falávamos da definição quase certa de que a final no Olímpico de Roma, no dia 21 de maio, seria entre Juventus e Milan. Surpreendentemente, a goleada da rodada veio no Derby d'Italia, enquanto a vitória magra aconteceu contra a pequena Alessandria. Mais de um mês depois, os times voltaram a campo para os confrontos de volta, em Milão, e ficamos entre o esperado e inimaginável, a emoção e a obviedade.

O jogaço
Na quarta, em um San Siro com público mediano, vimos um dos grandes jogos da temporada. Isso porque a Inter conseguiu recuperar o resultado sofrido em Turim, o que nem o mais otimista interista imaginava: a equipe, que sofreu 3 a 0 na ida, conseguiu devolver o placar. Sem a dupla de zagueiros titular, Miranda e Murillo, e o momento do time, em frangalhos técnica, tática e mentalmente em 2016, era realmente difícil apostar nos nerazzurri. Ainda mais porque a Beneamata foi a campo Carrizo no gol, Santon de volta ao time titular após muito tempo e D'Ambrosio no centro da defesa.

Mas o time de Mancini esteve muito bem, organizado e com outra atitude em relação aos últimos jogos. Em campo, deu para ver a recuperação da confiança de jogadores-chave na partida, como Brozovic, Kondogbia, Perisic, Ljajic e Éder. Marcando muito forte e agressivamente, a equipe imprimiu um pressing eficiente contra uma Juventus cheia de reservas, mas ainda assim estranhamente apática, sem reação à superioridade física e tática dos rivais. Com a marcação alta saiu o primeiro gol, quando Medel desarmou Hernanes, com falta, e passou para Brozovic abrir o placar ainda aos 16 minutos. Em seguida, bola na trave de Ljajic.

Apesar disso, o segundo gol não veio no primeiro tempo, o que deu a crer que tudo voltaria ao normal após o intervalo. Porém, isso não aconteceu e o ritmo interista seguiu alto contra os juventinos, entregues após Perisic completar cruzamento de Éder na pequena área, logo aos quatro minutos. A superioridade milanesa rendeu o terceiro gol, que veio depois de várias tentativas e somente no final, com Brozovic convertendo penalidade sofrida pelo compatriota Perisic. Antes disso, Zaza quase acabou com a festa, acertando a trave nerazzurra.

3 a 3, tudo igualado e prorrogação. Ali, a Inter pagou pelo alto ritmo dos 90 minutos, enquanto a Juventus reagiu tardiamente, martelando em busca de um gol que praticamente definiria a classificação, por causa do gol fora de casa. A falta de pontaria bianconera e duas defesas providenciais de Carrizo, contudo, garantiram as penalidades, no campo bastante prejudicado pelos 120 minutos de confronto (além de 90 no dia anterior) e também sob a chuva que parece não ter fim no norte italiano.

Nas cobranças, Barzagli, Brozovic e Zaza abriram a contagem. Palacio parou na trave, Morata, Manaj, Pogba e Nagatomo também converteram, e Bonucci definiu a vitória da Velha Senhora nos pênaltis. A Inter sentiu falta de Handanovic, um dos grandes pegadores de pênaltis da história do futebol – Carrizo caiu antes em todas as cobranças e facilitou a vida dos bianconeri. De qualquer jeito, a Inter sai fortalecida do confronto, pois fez a Juve levar três gols pela primeira vez na temporada e perder por três de diferença pela primeira vez desde 2011. Allegri saiu bastante irritado com seu time, mas a derrota não compromete em nada a temporada, até porque a Juve jogará a final.

O esperado
No dia anterior, deu Milan, que voltou à final da copa após 13 anos e tem a chance de levantar uma taça após cinco anos de jejum. Sem dificuldades contra um time que defendeu muito mal, mesmo que tenha chutado bastante - sem qualidade, contudo -, o Diavolo goleou a Alessandria por 5 a 0, com três no primeiro tempo. O time de Mihajlovic encontrou a tranquilidade para se se poupar fisicamente e não imprimir um ritmo alto, mas foi o bastante para fazer muitos gols nos poucos chutes que efetuou, dando a chance de Ménez e Balotelli se redimirem após muito tempo parados por lesão e pela má fase.

O primeiro gol veio aos 20 minutos, quando, após boa triangulação entre De Sciglio, Balotelli e Honda, o japonês lançou Ménez nas costas da defesa para abrir o placar. Pouco depois, o segundo, em escanteio de Bonaventura desviado por Kucka e completado por Romagnoli no segundo pau. Ainda na primeira etapa, aos 39, novamente Ménez, em jogada bem trabalhada que rodou todo o campo até Poli cruzar para o francês.

Em um segundo tempo fraco, os outros dois gols milanistas saíram somente no final. Aos 80, novamente em escanteio, Sabato se antecipou a Romagnoli e fez contra, enquanto Balotelli, aos 89, alcançou seu tento, após enfiada de bola de Mauri. Mesmo assim, Super Mario não ficou em paz com a torcida: apático, chegou a ser vaiado pela torcida antes do gol. Com a lesão de Niang, quem sai na frente para substitui-lo é Ménez.

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