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terça-feira, 8 de março de 2016

O adeus a Corioni

Homem do futebol, Corioni fez parte da diretoria de três clubes, mas marcou a história do Brescia (Il Post)
Neste dia 8 de março, o Brescia deu adeus à figura que ajudou a proporcionar alguns dos melhores momentos da história do clube. O presidente Gino Corioni tinha 78 anos e acabou falecendo após enfrentar doenças por mais de uma década, desde um câncer de pulmão e retirada do órgão a problemas cardíacos, que o levaram ao óbito.

Luigi "Gino" Corioni nasceu em uma cidade próxima a Brescia e era um empresário do ramo de mobiliário de banheiros. Sua primeira participação no futebol foi no minúsculo Ospitaletto, que ajudou a levar do amadorismo até a Serie C, em 1987. Depois, Gino se tornou conselheiro do Milan e lá ficou até o final da gestão de Giuseppe Farina, em 1985.

Foi neste ano que Corioni adquiriu o Bologna, clube tradicional, mas que estava na Serie B. À frente de dois clubes de futebol, o empresário se dedicava mais ao clube bolonhês, que em sua gestão de seis anos voltou à elite e até conquistou uma vaga na Copa Uefa. No entanto, levou algumas das melhores peças do Ospitaletto para o Bologna, como o técnico Luigi Maifredi, que chegaria à Juventus, e, depois, ao Brescia.

No período em que comandou o clube emiliano, Corioni trabalhou pela primeira vez com Carlo Mazzone, que o acompanharia em outros momentos da carreira. Entre os jogadores contratados pelos felsinei durante a passagem de Corioni pela Emília-Romanha destacam-se Massimo Bonini, Antonio Cabrini, Bruno Giordano, Roberto Tricella, Kubilay Türkyilmaz, Lajos Détari e o brasileiro Geovani. Por outro lado, uma bola fora foi reprovar Iván Zamorano em um período de testes.

O empresário lombardo tornou-se presidente do Brescia em 1992 e ficou no clube por 23 anos, até 2014. Foi com ele no comando que os biancoazzurri conseguiram os melhores resultados de sua história. Dos seis troféus oficiais conquistados por La Leonessa, três foram colocados na sede do clube por Corioni: dois da Serie B (1992 e 1997) e uma Copa Anglo-Italiana (1994), único título internacional da história dos rodinelle. O Brescia conseguiu cinco acessos para a Serie A em menos de duas décadas.

Na década de 1990, o Brescia foi um time ioiô, mas isso mudou por um período: foi quando Roberto Baggio chegou, recusando Arsenal e Real Madrid. O craque tinha uma cláusula de contrato interessante: se o técnico Carlo Mazzone fosse demitido, Baggio também estaria fora. O treinador durou três anos. O camisa 10, quatro. 

Corioni e sua contratação mais impactante: o ídolo Baggio (Brescia Oggi)
O início dos anos 2000 foi qualquer coisa fantástica para o Brescia. A primeira vitória do século veio só na oitava rodada da temporada 2000-01, mas naquele campeonato os rondinelle fizeram uma ótima campanha de recuperação e terminaram em sétimo, melhor resultado da história do clube. E o ano seguinte só não foi melhor porque um Baggio espetacular, com oito gols nas nove primeiras rodadas, perdeu alguns meses graças a uma lesão no joelho direito. Mas a Serie B voltou logo na primeira temporada depois da despedida do Codino, de onde o Brescia saiu somente uma vez, em 2010, caindo no ano seguinte.

Baggio foi, certamente, o maior ídolo da gestão de Corioni à frente do Brescia, mas outros ótimos jogadores foram formados pelo clube ou foram contratados durante os 23 anos de presidência. O cartola viu nascer nas categorias de base um talento como Andrea Pirlo, e acertou com os romenos Gheorghe Hagi e Florian Raducioiu – comandados pelo técnico Mircea Lucescu –, o espanhol Pep Guardiola, o checo Pavel Srnicek, o albanês Igli Tare, o lituano Marius Stankevicius, o ganês Stephen Appiah, o eslovaco Marek Hamsík e os italianos Luca Toni, Luigi Di Biagio, Dario Hübner, Stefano Mauri, Andrea Caracciolo, Alessandro Diamanti e Éder.

Nos últimos anos como dirigente do Brescia, Corioni viu sua doença se agravar na mesma velocidade que os problemas financeiros do clube. Durante seu último ano à frente da sociedade, viu a equipe cair para a terceira divisão, mas ser readmitida por irregularidades de adversários. Gino não conseguiu realizar o sonho de construir um novo estádio do seu Brescia. No entanto, enquanto teve condições, fez o seu melhor pelo time de sua província. Deixará uma lacuna irreparável.

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