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quinta-feira, 10 de março de 2016

O modelo Zamparini de gestão

"Bom dia, treinador. Pode passar no RH para acertar suas contas" (Udine20)
No mundo ideal do empresário Maurizio Zamparini, alguém estaria sendo demitido no momento em que você lê este texto. Implacável com os treinadores que emprega, o vulcânico presidente do Palermo conseguiu um novo feito nesta temporada e voltou a virar notícia por causa de seu temperamento intempestivo: o time rosanero terá o oitavo técnico diferente em 2015-16. Nenhum dirigente é um carrasco maior de treinadores do que o empresário friulano.

A temporada do Palermo começou sob a batuta de Giuseppe Iachini, que foi demitido para dar lugar a Davide Ballardini, mandado embora após conflitos com o elenco. Dessa forma, Guillermo Barros Schelotto foi contratado, mas, como ele não tinha a licença Uefa, três interinos dirigiram oficialmente a equipe até o argentino pedir o boné. Iachini voltou, mas durou só três rodadas até o cartola criticar a equipe duramente, o que provocou a recusa do comandante em voltar aos treinamentos e apresentar a demissão – a tréplica do cartola teve o aceite do pedido e alguns insultos, como "doente mental". Zamparini, então, resolveu ressuscitar Walter Novellino, que estava afastado da Serie A há quase sete anos.

A ciranda no banco de reservas não é novidade nas equipes dirigidas por Zamparini. O friulano é empresário do ramo de lojas de departamento e, através da holding Emmezeta, ele costuma comprar corporações, valorizá-las e vendê-las depois. É mais ou menos o que ele faz com os clubes e seus jogadores: no futebol desde os anos 1980, o dirigente, que chegou a tentar a carreira no esporte, esteve à frente do pequeno Pordenone e, em 1987, comprou o Venezia.

Em 15 anos no comando dos arancioneroverdi, Zamparini conseguiu levar a equipe à primeira divisão após 30 anos de ausência. Nesse período, o dirigente contratou jogadores como Álvaro Recoba e Dejan Petkovic, mas também não deu sossego a seus treinadores. Foram 30 trocas ao longo de uma década e meia, e nem mesmo técnicos que se tornariam tarimbados, como Luciano Spalletti e Cesare Prandelli resistiram à sanha do cartola. Uma curiosidade: Walter Novellino conquistou o acesso com a equipe do Vêneto em 1997-98, e Beppe Iachini jogou no clube e começou a carreira como treinador nos tempos do polêmico presidente. Iachini foi, também, o último comandante da Era Zamparini na Laguna de Veneza.

Iachini começou a carreira como técnico em uma gestão de Zamparini e ficou muito tempo no
comando do Palermo, mas o presidente o demitiu sem meias palavras (Getty)
Em 2002, após recuperar as finanças do Venezia mas vê-lo cair para a segundona, Zamparini vendeu o clube e comprou o Palermo, que também estava na Serie B. O friulano trocou o clima geladinho do Vêneto pelas temperaturas quentes da Sicília e, próximo ao vulcão Etna, já chegou mostrando o seu estilo explosivo: seu primeiro ato como mandatário dos rosanero foi uma troca de técnico. O ex-jogador Roberto Pruzzo acabara de ser confirmado pela diretoria anterior, mas com a troca na gestão, o contrato foi cancelado: Zamparini contratou para seu lugar o desconhecido Ezio Glerean, que durou só uma rodada. 

Em seu histórico, o friulano teve outra demissão após a 1ª rodada da Serie A: a de Stefano Colantuono, que terminou a campanha anterior, mas, desgastado, caiu após o primeiro fim de semana de 2008-09. Três anos depois, o cartola foi ainda mais radical: demitiu Stefano Pioli, recém-contratado, na pré-temporada. Ao todo, Zamparini trocou o responsável pelo cargo de técnico do Palermo 35 vezes em menos de 14 anos. 

A média é superior à dos tempos de Venezia: os lagunari tinham uma média de 2 técnicos por ano, enquanto os palermitanos têm 2,5/ano. O presidente parecia estar reduzindo a sua média, uma vez que manteve o "pupilo" Iachini por um bom tempo no comando. O treinador de Ascoli Piceno conseguiu se manter no cargo por pouco mais de dois anos consecutivos, antes de cair pela primeira vez, no início de 2015-16. Ele é o recordista de dias à frente do Palermo na Era Zamparini, seguido por Francesco Guidolin e Delio Rossi, que não ficaram de forma contínua, no entanto. 

O fato é que o Palermo poderia pendurar uma placa na frente de sua sede com a seguinte frase e uma lacuna: "Estamos há ___ dias sem trocar de técnico". Quanto tempo demorará para Novellino cair?

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