Subscribe Twitter Facebook

quarta-feira, 2 de março de 2016

Os 10 maiores jogadores da história da Udinese

A Udinese está presente em quase todas as edições da Serie A desde o início dos anos 1980 e, desde então, se tornou uma das mais tradicionais participantes do campeonato. Fundado em 1896, o clube inaugurou seu departamento de futebol em 1911, estreando no Italiano de pontos corridos em 1950 – havia participado duas vezes do modelo anterior, pré-1929, disputado em grupos. Desde então, jogou o torneio 43 vezes e está atrás apenas da Atalanta no ranking de agremiações provinciana com mais partidas na elite. Se a equipe de Bérgamo foi apelidada como a Rainha das Provincianas, a Udinese bem que poderia ser uma das princesas.

Se foi há 30 anos que a Udinese começou a se inserir entre os times mais fortes da Itália, nada mais óbvio que os principais jogadores que vestiram o branco e preto zebrado friulano tenham atuado pelo clube neste período. Ao longo de 120 anos de história, o clube nunca ganhou um título de grande expressão: faturou a Serie B três vezes, além de uma Coppa Italia da terceira divisão, uma Copa Intertoto, uma Mitropa e uma Anglo-Italiana. Na Serie A, sua melhor classificação foi um vice-campeonato, nos anos 1950, mas a equipe acabou rebaixada por fraude esportiva. Dessa forma, a terceira posição, conseguida em 1997 e 2012, foi o ápice dos friulanos.

Sem levantar troféus e às vezes apenas de passagem, alguns craques passaram pela equipe, enquanto outros jogadores começaram a entrar em evidência no nordeste italiano entre a década de 1980 e o período atual. Elegemos, então, os principais atletas que atuaram pela Udinese.

Para montar a lista, o Quattro Tratti levou em consideração a importância dos jogadores na história do clube; a qualidade técnica do atleta versus expectativa; sua identificação com a torcida e o dia a dia do time (mesmo após o fim da carreira); grau de participação nas conquistas; respaldo atingido através da equipe e prêmios individuais conquistados. Também foram computadas premiações pelas seleções nacionais. A partir disso, escolhemos 25 jogadores que marcaram a história da equipe e escrevemos breves biografias dos 10 primeiros. Antes, veja também a lista completa de brasileiros que já vestiram a camisa do clube friulano.

Brasileiros da Udinese
Alberto, Allan, Amoroso, Barreto, Cribari, Danilo, Douglas Santos, Edenílson, Edinho, Felipe, Gabriel Silva, Guilherme, Guilherme Siqueira, Gustavo, Jadson, Jorginho Paulista, Juárez, Lucas Evangelista, Maicosuel, Marcos Paulo, Marquinho, Naldo, Neuton, Orlando, Rodrigo Defendi, Ryder Matos, Saulo, Schumacher, Warley, Willians e Zico.

Top 25 Udinese
11. Abel Balbo; 12. Edinho; 13. Giampiero Pinzi; 14. Lorenzo Bettini; 15. Dino Galparoli; 16. Paolo Poggi; 17. Andrea Carnevale; 18. Alessandro Calori; 19. Arne Selmosson; 20. Luigi Zorzi; 21. Pietro Paolo Virdis; 22. David Pizarro; 23. Martin Jorgensen; 24. Mehdi Benatia; 25. David Di Michele.

10º - Alexis Sánchez


Posição: atacante
Período no clube: 2008-11
Títulos conquistados: nenhum

Terceiro maior artilheiro da seleção chilena e segundo no ranking de jogadores com mais partidas por La Roja, Alexis despontou no futebol europeu com a camisa da Udinese. O Niño Maravilla foi descoberto pela extensa rede de olheiros do clube em 2006, e dois anos depois de obter sucesso emprestado a Colo-Colo e River Plate, embarcou para a Itália. Foram três anos no Friuli e, desde o início, Sánchez mostrou seu estilo de jogo com arrancadas e força física, além de muita habilidade, dribles curtos e bom poder de finalização com a afiada perna direita. Virou peça fundamental para os técnicos Pasquale Marino e Francesco Guidolin.

Nas duas primeiras temporadas a Udinese não foi tão bem – em 2008-09, conseguiu os melhores resultados, alcançando as quartas de final da Copa Uefa e o 7º lugar na Serie A. Foi em 2010-11 que o sul-americano estourou de vez, fazendo com Antonio Di Natale uma dupla implacável, que anotou 40 gols. Alexis fez 12 – quatro em um 7 a 0 contra o Palermo, em sua melhor atuação na Itália – e ainda foi responsável por seis assistências. Gols e passes que levaram a Udinese para a Liga dos Campeões e fizeram do chileno o melhor negócio da história bianconera: foi comprado por 500 mil euros e vendido por 39 milhões ao Barcelona.

9º - Samir Handanovic


Posição: goleiro
Período no clube: 2004-05 e 2007-12
Títulos conquistados: nenhum

Handanovic foi contratado pela Udinese quando tinha 20 anos, em 2004, e estreou no final da temporada 2004-05. O goleiro passou os três anos seguintes emprestado para ganhar experiência e só teve chances reais depois de ser destaque na Serie B com o Rimini. Ao voltar para Údine, o esloveno ganhou a vaga de titular do time friulano, a qual ocupou por cinco temporadas. Nesse período, fez 212 partidas e sofreu 260 gols, sem em momento algum ter seu posto questionado. Em um clube sem títulos de expressão, Handanovic se tornou um dos melhores goleiros da Itália e do mundo.

O arqueiro teve duas boas primeiras temporadas, ajudando a Udinese a ficar com a 7ª posição e uma vaga na Copa Uefa. Depois de uma temporada em que os bianconeri sofreram para se acertar na defesa, em 2009-10, o esloveno começou a se destacar de uma vez, chegando a seu auge no clube entre 2010 e 2012. Por dois anos seguidos, nos quais a equipe de Údine se classificou para a Champions (sendo terceira colocada, em 2012), Handanovic foi o melhor em sua posição no campeonato: fez muitas defesas difíceis, se valendo se sua envergadura, agilidade e frieza. Além de estabelecer uma das maiores sequências de minutos sem sofrer gols da história da Serie A (703 minutos), o esloveno se consagrou por ser um grande pegador de pênaltis do Campeonato Italiano: ele tem 22 defesas a partir da marca da cal, 14 pelos zebrette.

8º - Valerio Bertotto


Posição: zagueiro
Período no clube: 1993-2006
Títulos conquistados: Copa Intertoto (2000)

O xerife Bertotto viveu alguns dos melhores momentos da história da Udinese e também períodos complicados no estádio Friuli. Nos 13 anos em que militou pela camisa branca e preta, o defensor chegou a passar pela Serie B e ajudou o time a chegar à Liga dos Campeões pela primeira vez em sua história, em 2005. Bertotto fez parte do crescimento da Udinese, que a partir dos anos 1990 começou a terminar as temporadas na metade de cima da tabela e a ser respeitada.

Capitão da equipe por quase 10 anos, Bertotto conseguiu enorme identificação com a torcida. Pudera: ele alcançou a marca de 404 jogos pelo clube, e só foi ultrapassado recentemente por Di Natale, ficando com o segundo lugar como o jogador a ter entrado em campo pelos zebrette. Vivendo boa fase, chegou a ser convocado para a seleção italiana entre 2001 e 2002, e só não foi para a Copa do Mundo por causa de uma lesão no joelho. Após a aposentadoria, ele mostrou o tamanho dos laços que criou com a Udinese ao lançar uma biografia, que teve fundos revertidos a uma entidade beneficente financiada pela agremiação.



Posição: meia
Período no clube: 1981-84
Títulos conquistados: Copa do Mundo (1982)

Franco Causio chegou em Údine já bastante calejado: em mais de uma década de Juventus, conquistou seis vezes a Serie A e tinha se tornado referência na função de ala. O Barone, que atuava pelo lado esquerdo, foi contratado por uma Udinese que buscava se firmar na elite depois de anos nas divisões inferiores e foi o principal jogador do clube por duas temporadas quando, em 1983, o clube contratou Zico para ser a sua referência. O experiente Causio seria um coadjuvante de luxo, e assim mesmo se firmou como um dos grandes jogadores que passaram pelo Friuli.

Como vivia grande fase pelos bianconeri, Causio voltou a ser convocado para a seleção italiana após quase dois anos de esquecimento e acabou sendo convocado por Enzo Bearzot para a Copa de 1982. O Barone, já aos 33 anos, foi convocado para dar experiência ao elenco e foi reserva – jogou duas vezes, uma delas nos minutos finais da final contra a Alemanha. A conquista da taça fez de Causio o primeiro jogador da Udinese campeão do mundo – feito só igualado por Vincenzo Iaquinta, em 2006.



Posição: atacante
Período no clube: 1996-99
Títulos conquistados: Copa América (1999)

Um ano após subir para a Serie A, a Udinese fez uma contratação de peso para tentar ficar entre os melhores times do campeonato. Amoroso, que havia sido artilheiro e melhor jogador do Brasileirão, em 1995, chegou para fazer um forte trio de ataque com Bierhoff e Poggi – o tridente que embalou o trabalho de Alberto Zaccheroni no clube. Logo em seu ano de estreia, o brasileiro fez 12 gols, um a menos que seus colegas de ataque.

A temporada seguinte, 1997-98, foi de muito sucesso, para os bianconeri, que ficaram com a terceira posição na Serie A, o melhor resultado na história friulana. Naquela temporada, Amoroso foi coadjuvante (marcou apenas cinco gols), mas foi o parceiro ideal para Bierhoff, artilheiro do campeonato, com 27 gols. A saída do alemão não enfraqueceu a Udinese, já que o brasileiro o substituiu à altura: balançou as redes 22 vezes, foi o máximo goleador da Serie A e classificou os zebrette outra vez para a Copa Uefa – a Liga dos Campeões ficou a apenas um ponto. Ao todo, Amoroso fez 39 gols com a camisa do time de Údine, o que o coloca como um dos dez maiores artilheiros da história friulana – o que é um grande feito, considerando que os atletas ficam pouco tempo no Friuli, já que a Udinese é um clube vendedor.



Posição: zagueiro e volante
Período no clube: 1989-93 e 2002-06
Títulos conquistados: nenhum

O argentino Sensini se transferiu para a Itália quando tinha 23 anos, e logo começou a se destacar em uma irregular Udinese, que ainda buscava se firmar na Serie A e, às vezes, frequentava a segundona. Na primeira das duas passagens pelo Friuli, o Boquita teve como principais atributos a força física, a raça e a dedicação à equipe, além da versatilidade, que o permitiu jogar em todas as posições na linha de defesa e também como volante. Era um líder em campo.

Sensini passou quatro anos dando conta dos problemas defensivos da Udinese e jogou dois Mundiais com a Argentina, em 1990 e 1994. Depois disso, foi negociado com o rico Parma e também passou pela Lazio, equipes pela qual evoluiu. Aos 36 nos, o xerife voltou ao Friuli para encerrar a carreira vestindo branco e preto e jogou mais quatro anos em alto nível pela equipe, inclusive pela Liga dos Campeões. Até hoje, Sensini é o segundo estrangeiro mais velho a ter jogado pela Serie A, com 39 anos e dois meses, e o estrangeiro com mais partidas pela Udinese (240; 8º no ranking geral). Depois de pendurar as chuteiras, Boquita ainda iniciou a carreira de treinador na Udinese, durante a temporada 2005-06.



Posição: atacante
Período no clube: 2000-07
Títulos conquistados: Copa do Mundo (2006)

Iaquinta tinha o estilo clássico dos atacantes italianos: meio desajeitado, um pouco grosso, mas mestre nos quesitos posicionamento, cabeceio e finalização com qualquer outra parte do corpo. O objetivo dele era fazer gols e não importava como. Foi assim que o grandalhão se destacou: deixou o Castel di Sangro, da terceira divisão, como aposta do presidente Giampaolo Pozzo. Uma aposta que começou a render frutos anos depois, em um tridente com Di Natale e Di Michele.

Em sete anos de Udinese, o atacante mostrou muita constância, especialmente a partir de 2003. Iaquinta ajudou bastante no ano em que os zebrette chegaram à Champions e foi bem na própria competição – nesta época ele ofuscava até o futuro ídolo Di Natale. Ao todo, o centroavante marcou 69 gols com a camisa bianconera, sagrando-se o segundo maior artilheiro da história do clube. Além disso, ele também é um dos dois únicos atletas que levantaram uma Copa do Mundo enquanto atuavam na Udinese. Depois de tanto sucesso, foi repassado por 12 milhões de euros para a Juventus, equipe com a qual acabou arranhando um pouco sua imagem junto à comunidade friulana. Ele marcou um gol contra seu antigo e comemorou de forma agressiva, o que estremeceu seu relacionamento com os torcedores de Údine. Não o bastante para tirá-lo o status de ídolo.



Posição: atacante
Período no clube: 1995-98
Títulos conquistados: Eurocopa (1996)

O goleador alemão chegou à Itália em 1991, e após se destacar pelo Ascoli, a Udinese decidiu apostar nele. Bierhoff começou a aparecer para o mundo em 1995-96, quando acabou a temporada com 17 gols na Serie A e como herói na final da Eurocopa, competição em que foi fundamental para o título continental da Alemanha – o germânico é o único futebolista a ter sido campeão europeu enquanto jogava no clube. De volta a Údine, Bierhoff se apresentou muito bem com a ajuda da dupla Amoroso e Poggi e fez 13 gols na temporada de 1996-97, uma média de mais de um gol a cada duas partidas, ajudando os friulanos a ficarem com a quinta posição.

No campeonato seguinte, Bierhoff fez sua melhor temporada com a camisa dos zebrette e em toda a carreira. Foi o jogador mais importante da incrível campanha da equipe, que ficou com a terceira posição na Serie A – feito igualado apenas em 2011-12. Nesse ano, o bomber alemão marcou 27 gols em 32 jogos disputados e conseguiu, também, o prêmio de artilheiro do Campeonato Italiano. Até hoje, Bierhoff é o quinto mais goleador da equipe de Údine, com 62 tentos anotados.

2º - Zico


Posição: meia
Período no clube: 1983-85
Títulos conquistados: nenhum

Maior ídolo do Flamengo, Zico também é deus em Údine. O Galinho de Quintino ficou apenas dois anos no Friuli, em sua única passagem por um clube europeu, mas a idolatria começou antes mesmo de ele fazer a estreia oficial pela Udinese. Depois de o craque assinar contrato, a Federação Italiana bloqueou a transação, por causa do valor, o que gerou um movimento separatista na região friulana – caso Zico não fosse liberado, os torcedores ameaçavam se juntar a vizinha Áustria, que dominara a província no século XIX. Após intervenção do presidente, o meia finalmente foi contratado e foi recebido como um rei na principal praça da cidade.

Pudera: um dos maiores jogadores da história chegava a um time com poucas participações na Serie A, e que nos últimos 20 anos jogou várias vezes a Serie C. Em seu primeiro ano com os zebrette, Zico ajudou a Udinese a ficar com o 9º lugar, marcando 19 gols e ficando atrás apenas de Michel Platini (que jogou seis partidas a mais) no ranking de artilharia do Italiano. Em 1984-85, uma lesão afastou o brasileiro de boa parte da temporada, que foi mais difícil para a sua equipe, e, aos 32 anos, ele se despediu da Itália. Ao todo, Zico fez 27 gols pelo club, 17 deles em sua especialidade, a bola parada.



Posição: atacante
Período no clube: 2004-hoje
Títulos conquistados: nenhum

Totò Di Natale não é apenas um ídolo da Udinese, é de qualquer um que goste do futebol italiano. O craque nascido em Nápoles nunca jogou em um grande time da Bota, mas mesmo assim conseguiu marcar seu nome na história do futebol italiano. O baixinho é o sexto maior artilheiro da Serie A, com 208 gols, 190 deles pela Udinese. Gols marcados de quase todas as formas, mas todos com a costumeira habilidade e absurdo poder de finalização. Quando Totò balança as redes, quase sempre é golaço, de dentro ou de fora da área. Não é à toa que ele é o maior artilheiro da história da Udinese, com 225 tentos.

O atacante está no clube desde 2004 e, desde então, rejeitou propostas de equipes maiores e as chances de ganhar campeonatos para permanecer em Údine. Em 12 anos, somente em três temporadas não ultrapassou os dois dígitos em número de gols – ele chegou a marcar 112 gols entre 2009 e 2013 –, desempenho que o levou a duas Eurocopas e um Mundial. Capitão da equipe há 10 anos e artilheiro da Serie A por duas vezes, Totò também superou o recorde de Bierhoff: com 29 gols, o jogador é o maior goleador da Udinese em uma única temporada. Para completar, Di Natale também é o líder em número de partidas pelo time friulano (419). Uma lenda viva.

Seja o primeiro a comentar

Postar um comentário