Subscribe Twitter Facebook

quinta-feira, 28 de abril de 2016

Jogadores: David Trezeguet

Em 10 anos de Juventus, Trezeguet se tornou um dos maiores artilheiros do clube (Fanpop)
Francês de nascimento, argentino de coração, mas com um carinho impressionante pela Itália. Assim pode ser descrito, em um breve resumo, David Trezeguet. O atacante marcou época na Juventus e na seleção francesa, além de ter realizado o sonho de jogar no seu time de coração na Argentina. Um homem amado por três povos.

Filho de Jorge Trezeguet, também jogador de futebol, David nasceu na França, na época em que seu pai atuou no Rouen. Porém, ainda criança, sua família se mudou para a Argentina, país no qual o jovem deu seus primeiros passos na carreira, nas categorias de base do Platense, modesto time da grande Buenos Aires. Sua primeira partida aconteceu quando Treze tinha apenas 16 anos, contra o Gimnasia y Esgrima de La Plata. Por dois anos atuou na principal divisão da Argentina, embora não tenha jogado com frequência.

Alguns problemas particulares com seu empresário, encerraram, precocemente, a passagem do atacante pelo clube portenho. Com cidadania francesa, os trâmites para uma negociação com algum clube de seu país natal eram mais fáceis: assim, em 1995, Trezeguet desembarcava na França, e quase assinou com Paris Saint-Germain, mas fechou mesmo com o Monaco. Ainda desconhecido, Trezeguet passou por um teste, no qual anotou cinco gols, e chamou a atenção do treinador da equipe principal, Jean Tigana.

O atacante atuou em cinco temporadas pelo clube do principado, com 124 jogos e 62 gols, que lhe renderam o apelido de Rei David. Pelos monegascos, o jogador conseguiu alguns feitos, como o de gol em finalização mais potente da história da Champions League (157 km/h), nas quartas de final contra o Manchester United, e o de jogador jovem do ano da Ligue 1 – na primeira temporada em que teve mais chances, 1997-98, ele fez 18 gols. Foi nesse ano que Trezeguet solucionou suas dúvidas e optou por defender os Bleus.

"Com os anos, passei a me perguntar se teria tido lugar na seleção argentina, vendo os atacantes que tinham, como Gabriel Batistuta e Hernán Crespo. Eles também jogavam na Itália, em grandes clubes, como eu. Tivemos o mesmo percurso e eu ficava me perguntando se teria me adaptado ao jogo argentino", afirmou à revista France Football.

Campeão do mundo em 1998 e com o título europeu de 2000 em mãos, Trezeguet já era um jogador consagrado quando trocou o Monaco pela Juventus. No auge de sua carreira, o francês teve a seu lado Zinédine Zidane, Alessandro Del Piero, Edwin van der Sar, Antonio Conte, Edgar Davids e tantos outros craques, e não chegou como titular absoluto – Carlo Ancelotti preferia Filippo Inzaghi. Mesmo assim, Rei David soube aproveitar suas oportunidades: não à toa terminou como artilheiro da equipe na Serie A 2000-01, com 14 gols.

Ser artilheiro na Vecchia Signora virou rotina, o que aconteceu temporada atrás de temporada para o franco-argentino. Após o vice italiano em 2001, Ancelotti deixou a Juve e levou Inzaghi com ele para o Milan, o que permitiu a Trezeguet assumir a titularidade do time de Marcello Lippi e mostrar seu futebol, cujo estilo se adaptava demais ao do Campeonato Italiano. Oportunista, finalizador nato e com posicionamento invejável, o francês foi um craque da grande área. Com estes atributos, viveu uma década de ouro vestindo o branco e preto da Juve, tendo seu melhor momento nos primeiros anos.

Em sua segunda temporada em Turim, Rei David anotou 24 gols e foi o artilheiro do campeonato ao lado de Dario Hübner, ajudando a equipe bianconera a faturar o scudetto. Treze, que também anotou outros oito gols na Champions, foi eleito como melhor jogador estrangeiro e melhor no geral daquela Serie A por causa das exibições. A temporada 2002-03 foi mais complicada para o atacante: depois de participar do fiasco francês na Copa de 2002, competição em que os Bleus não marcaram gols e caíram na primeira fase, Trezeguet conviveu com lesões e participou pouco da campanha do título italiano. O atacante também desperdiçou o pênalti decisivo na final da Liga dos Campeões, justamente contra o rival Milan.

Alternando bons e maus momentos, Trezeguet mal podia imaginar que sua carreira entraria num período complicado ainda mais longo. Foram praticamente dois anos convivendo com seguidas lesões, que quase o tiraram da Euro 2004 – a ótima marca de 16 gols em 25 jogos, porém, o garantiram no grupo francês que disputou a competição continental.

Depois da Euro, a Juventus decidiu investir em um jovem Zlatan Ibrahimovic como opção a Trezeguet e Del Piero, já mais experientes. O sueco acabou sendo bem utilizado por Fabio Capello em 2004-05, porque Treze se machucou muito – ainda assim, teve média de um gol a cada duas partidas, com nove tentos anotados. Já na temporada seguinte, Rei David ficou de bem com a forma física e arrebentou: fez 23 gols e foi o vice-artilheiro da Serie A, além de superar os 100 gols com a camisa bianconera e ficar com o posto de maior goleador estrangeiro da história do clube, à frente de Michel Platini e John Charles.

Um dos grandes momentos de Trezeguet na Itália foi ao lado de Ibra (Getty)
Os gols de Trezeguet ajudaram uma Juventus muito forte a ser bicampeã italiana, em 2005 e 2006, mas a participação de diretores do clube na compra de árbitros, no escândalo Calciopoli, fez com que os títulos fossem revogados. A punição também incluiu o rebaixamento da equipe para a Serie B, o que provocou uma verdadeira debandada: jogadores como Ibra, Fabio Cannavaro, Patrick Vieira e Lilian Thuram foram negociados, mas os mais identificados com a equipe ficaram. Casos de Treze, Del Piero, Gianluigi Buffon e Pavel Nedved, que só tiveram sua idolatria aumentada por causa de tal gesto de fidelidade.

Mesmo envolvido em algumas polêmicas, Trezeguet fez uma ótima segundona (marcou 15 gols), renovou seu contrato e tornou-se um dos capitães da equipe que retornou à elite. O francês ajudou a Juve como podia, em um momento complicado, de reconstrução: já na primeiro jogo da volta à Serie A, marcou três gols contra o Livorno – acabaria o ano com 20 anotados e um terceiro lugar com a Velha Senhora na competição.

Após perder quase toda a temporada 2008-09, Trezeguet fez alguns jogos em uma das campanhas mais melancólicas da Juventus, a de 2009-10, em que o clube ficou com a sétima posição. A passagem do atacante por Turim acabaria bem no início da temporada seguinte, na qual Trezeguet atuou em um jogo das preliminares da Liga Europa – clube e jogador decidiram, em comum acordo, pela não renovação do contrato. O maior artilheiro estrangeiro da Juve – e o quarto no ranking geral – deixou a Velha Senhora com 171 gols em 318 jogos, além de quatro títulos da Serie A.

Com 33 anos, mas com físico muito debilitado em relação a anos anteriores, o Rei David assinou com o modesto Hércules, da Espanha, clube pequeno que havia acabado de subir à primeira divisão. Trezeguet era a grande estrela e capitão da equipe de Alicante (cidade de sua ex-esposa, Beatriz), que chegou a vencer Barcelona, Sevilla e Atlético de Madrid. Mesmo com algumas lesões, fez 31 jogos e 12 gols, mas não evitou o rebaixamento da equipe. Após a passagem pela Espanha, o francês aventurou-se no Baniyas, dos Emirados Árabes, numa passagem relâmpago e discreta, antes de retornar à Argentina para jogar no River Plate, seu time de coração.

Treze ajudou o time na campanha que marcou o retorno à elite e, tal qual aconteceu em Turim, tem até hoje a idolatria da torcida. Após dois anos, o franco-argentino transferiu-se para o Newell’s Old Boys para substituir Ignacio Scocco. Apesar de propostas para voltar à Bota, para atuar no Modena, David encerrou a carreira no Pune City, da Índia, aos 37 anos.

Longe dos holofotes, Trezeguet parou com o futebol, após uma brilhante carreira, com a participação em três Copas do Mundo e duas Eurocopas – e dois títulos no currículo. Sem pretensão de ser treinador, o craque se tornou embaixador da Juventus no mundo. Ídolo bianconero, o Rei David também foi um dos 50 jogadores homenageados com uma estrela no estádio da Velha Senhora.

David Sergio Trezeguet
Nascimento: 15 de outubro de 1977, em Rouen, França
Posição: atacante
Clubes como jogador: Platense (1994-95), Monaco (1995-2000), Juventus (2000-10), Hércules (2010-11), Baniyas (2011), River Plate (2012-13), Newell’s Old Boys (2013-14) e Pune City (2014)
Títulos conquistados: Campeonato Francês (1996-97 e 1999-00), Serie A (2001-02 e 2002-03), Serie B (2006-07), Campeonato Argentino da Série B (2011-12), Supercopa da França (1997), Supercoppa da Itália (2002 e 2003), Copa do Mundo (1998) e Eurocopa (2000)
Seleção francesa: 71 jogos e 34 gols

Seja o primeiro a comentar

Postar um comentário