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domingo, 17 de abril de 2016

Não vai ter Claudio

Juventino Marchisio será importante baixa para a seleção italiana para a Euro (Getty)
"Claudio Marchisio, substituído durante o primeiro tempo no jogo contra o Palermo depois de uma dividida, foi avaliado imediatamente após a partida. A ressonância magnética efetuada confirmou a suspeita da ruptura do ligamento cruzado anterior do joelho esquerdo. Nos próximos dias o jogador passará por intervenção cirúrgica."

Esse foi o comunicado da Juventus pouco depois de mais uma vitória na Serie A, por 4 a 0 sobre o Palermo. Apesar dos três pontos, que aumentaram a diferença sobre o Napoli para nove, e também de outra boa exibição de Pogba e da volta de Dybala, a saída de Marchisio com apenas 15 minutos de jogo foi preocupante. E se confirmou duas horas depois do apito final: ligamento cruzado anterior do joelho esquerdo rompido e necessidade de cirurgia, ou seja, quatro a seis meses de recuperação. Deve voltar em outubro e fica fora da Euro 2016.

Com o campeonato bem encomendado, nove pontos à frente na liderança e restando cinco rodadas, talvez Marchisio não faça tanta falta para a Juve agora, já que poderá ser substituído por Hernanes ou Lemina – no máximo, terá dificuldades de entrar no time em 2016-17, já que terá a pré-temporada comprometida. O meio-campista não só perderá a preparação com o grupo, como também os primeiros dois meses de 2016-17.

Pior ainda para a Itália de Conte, que já sofreu com sua ausência nos últimos amistosos, em novembro e março. O vice-capitão da Juventus não só lidera pela atitude, mas também pelo que joga. Regular, sempre mantém alto nível, e é fundamental na circulação da bola no meio de campo azzurro, ligando defesa e ataque com ritmo e técnica. Meio-campista completo, ainda participa muito do jogo sem a bola, com movimentos inteligentes e agressividade na marcação.

Um jogador difícil de substituir, independentemente do contexto. Allegri conta com mais opções criativas, apesar de não ter alguém que possa manter a criatividade, liderança e competência defensiva. Já Conte tem problemas maiores, porque faltam opções no setor para a seleção italiana. Os bons jovens da sub-21 ainda não estão prontos para uma Euro e os veteranos não têm a mesma qualidade ou mentalidade de Claudio Marchisio.

Somado a isso, Conte tem incerteza sobre a condição física de Verratti. O regista baixinho não joga desde 20 de fevereiro, perdeu partidas decisivas do Paris Saint-Germain e talvez demore para recuperar o ritmo para a competição continental em junho. Verratti e Marchisio formavam a dupla perfeita para o meio-campo de Conte, independentemente do sistema e do posicionamento, e tornavam o time competitivo contra equipes maiores. Um dos motivos para a Itália ainda ter um pouco de otimismo na França – pelo menos para não fazer feio.

Além de não ter alguém com características próximas às de Marchisio, o CT italiano ainda tem De Rossi em péssima fase, Jorginho e Soriano com pouca rodagem na seleção e Parolo, que também não faz boa temporada e está longe tecnicamente do meio-campista da Juventus. Montolivo e Thiago Motta, por mais técnicos, inteligentes e líderes que sejam, são lentos e sofrem sem um parceiro de bom ritmo.

A solução, para Conte, poderia estar mesmo em Jorginho: dos convocados nos últimos jogos, é o que vive melhor fase. Motta, titular do PSG e entrosado com Verratti, também pode ser bem visto pelo CT – repetir na seleção o que os jogadores fazem, juntos, nos clubes, é prática de Conte, a exemplo do quarteto da Juventus utilizado na defesa. Bonaventura, do Milan, poderia ser deslocado para a posição e ganhar uma vaga no titular, fazendo valer seu bom momento pelos rossoneri. Porém, entre as opções, Soriano é quem sai na frente, uma vez que fez mais jogos sob o comando do futuro treinador do Chelsea.

Não se descarta, no entanto, que Andrea Pirlo, do New York City, seja convocado para a Euro. Mesmo jogando na MLS, menos competitiva que os campeonatos europeus, e já tendo 36 anos, o regista pode ser a bala de prata de Conte para que a Itália faça uma campanha digna. Não que se espere muito da Azzurra, mas para ao menos honrar a história da camisa azul.

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