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segunda-feira, 23 de maio de 2016

Jogadores: Diego Milito

O Príncipe, no momento mais marcante da carreira: em apenas um ano, entrou para a história da Inter (Getty)
Neste fim de semana, um dos jogadores mais importantes para a história recente do futebol italiano pendurou as chuteiras. Diego Milito foi saudado com muita festa por 50 mil torcedores do Racing no estádio El Cilindro, palco dos seus primeiros e últimos jogos pela equipe que torcia e amava e fez seu último jogo como profissional. O Príncipe não foi apenas ídolo de La Academia, mas também das torcidas de Genoa e Inter.

Nascido em Bernal, na província de Buenos Aires, Milito já era fervoroso torcedor do Racing quando começou sua carreira como profissional, em 1999. Enquanto isso, seu irmão mais novo, o zagueiro Gabriel, atuava no outro Independiente, rival de Avellaneda. Diego atravessou um período nefasto da história racinguista, pois o time chegou a ser extinto por causa de dívidas (decisão revista pela justiça), mas também conquistou um Apertura em seus primeiros anos pelos celestes. Àquela época, Diego Milito já era chamado de Príncipe, por causa de sua inegável semelhança com o uruguaio Enzo Francescoli, ídolo de River Plate e Cagliari – há quem diga que ele pareça também com o ator Sylvester Stallone.

Em janeiro de 2004, ele embarcou para a Itália. Milito, no entanto, não foi para a Calábria, a terra de seus avôs, mas para a Ligúria: acertou com o Genoa, que disputava a Serie B. O centroavante ambidestro, de ótima finalização e boa mobilidade chegou ao Belpaese no meio da temporada 2003-04 e, mesmo jogando apenas 20 partidas, conseguiu marcar 12 gols.

No ano seguinte, o Príncipe foi o vice-artilheiro da Serie B, com 21 gols. Ele teria sido o responsável por recolocar os grifoni na Serie A, com a conquista da segundona, mas o time foi punido por ilícito esportivo: não denunciou a tentativa de compra de um jogo que o envolvia e foi rebaixado para a Serie C1. Milito, que balançou as redes 34 vezes em um ano e meio vestindo rossoblù, acabou negociado com o Zaragoza.

Na Espanha, Milito continuou sendo uma máquina de fazer gols – em três anos pela equipe aragonesa foram 61. O Príncipe encontrou o irmão Gabriel, que já atuava pelo time, e se tornou o grande nome dos blanquillos, formando dupla de ataque com o brasileiro Ewerthon. Em 2005-06, o Zaragoza foi vice-campeão da Copa do Rei e Diego foi um dos jogadores mais importantes nesta trajetória: chegou a marcar quatro gols em uma partida contra o Real Madrid pelas semifinais da Copa do Rei e já tinha vitimado o Barcelona nas quartas.

No ano seguinte, Milito foi vice-artilheiro de La Liga, com 23 gols, e ajudou o Zaragoza a se classificar para a Copa Uefa. No entanto, a temporada seguinte, 2007-08, culminou no rebaixamento dos blanquillos, embora o argentino tenha anotado 15 tentos. Após o triênio de sucesso na Espanha, o Príncipe voltou a Gênova, como contratação do final do mercado, literalmente no último segundo da janela – para não perderem o prazo, executivos do clube rossoblù precisaram atirar a pilha de documentos que confirmavam a transferência para dentro do prédio em que os negócios eram homologados.

Milito se tornou ídolo do Genoa em poucos jogos pelo time (Esporte Interativo)
Milito retornava como grande contratação para a temporada 2008-09 e demonstrou seus melhores atributos: dribles secos, chutes fulminantes de pé direito, muita movimentação e presença de área. O Príncipe foi um dos últimos grandes ídolos da torcida rossoblù e marcou época em um dos melhores times do Genoa – abaixo somente dos times que garantiram os nove scudetti da história rossoblù. Além do elenco que colocou o Grifone na Europa pela primeira vez no início dos anos 1990, apenas o time comandado pelo Príncipe também deu à torcida a alegria de vivenciar um torneio continental.

Ao longo daquela campanha, o argentino marcou 24 gols e foi vice-artilheiro da Serie A, balançando as redes contra adversários como Roma, Milan, Napoli, Fiorentina e a rival Sampdoria. Milito e companhia, treinados por Gian Piero Gasperini, por pouco não fizeram o Vecchio Balordo jogar uma Liga dos Campeões: a equipe fez os mesmos 68 pontos que a Fiorentina, mas acabou relegada à Liga Europa por causa do confronto direto, favorável aos viola.

Milito é recordado ainda por ter a maior média de gols por jogo da história genoana (0,62) e por ser o único autor de uma tripletta em um dérbi da cidade de Gênova – o argentino ainda é um dos vice-artilheiros do confronto com a Sampdoria, com quatro gols anotados. Por tudo isso, o argentino foi eleito o melhor atacante da Serie A e acabou atraindo a Inter, que o levou para Milão juntamente com Thiago Motta, pagando 25 milhões de euros.

O Príncipe chegou à Inter já com 30 anos e, na primeira temporada vestindo nerazzurro, garantiu a sua entrada no rol dos maiores craques da história da Beneamata. Milito disputou 52 jogos e marcou 30 gols em 2009-10, sendo mais importante do que jogadores de peso, como Samuel Eto'o e Wesley Sneijder.

A marca já seria boa por si só, mas o argentino fez gols muito importantes na conquista da Tríplice Coroa, um feito inédito na história do futebol italiano e que só a Inter tem, até o momento. Na Serie A marcou contra 15 dos 19 adversários dos nerazzurri, fez gols nos dois dérbis de Milão e deu o scudetto à Inter frente ao Siena – ao todo, foram 22. Ele ainda decidiu a Coppa Italia com um golaço contra a Roma e também marcou gols contra todos os adversários da Inter no mata-mata da Liga dos Campeões, incluindo Chelsea, Barcelona e a doppietta na final, contra o Bayern de Munique. Poucos jogadores foram tão decisivos em uma única temporada do futebol italiano.

Logo em 2009-10 Milito viveu seu auge pela Inter e conquistou quase todas as taças de sua carreira, bem como os troféus individuais. Em nível europeu, o argentino foi eleito atacante do ano e jogador do ano da Uefa e também ganhou o prêmio de melhor jogador da final da Champions; enquanto no Belpaese faturou quatro Oscars del Calcio, os de jogador mais amado pelos torcedores, melhor atacante, melhor jogador estrangeiro e de melhor jogador.

Mesmo assim, Milito nunca teve muitas chances na seleção da Argentina. O atacante foi convocado para a Copa de 2010, como reserva, e também ficou no banco na campanha das Copas América de 2007 (ficou com o vice) e de 2011. Foram 25 jogos e somente quatro gols pela albiceleste.

O argentino costumava ser decisivo em clássicos e foi carrasco de Sampdoria e Milan (Ansa)
O camisa 22 ficou mais quatro temporadas em Milão, mas só esteve à altura do jogador de 2009-10 na sua terceira temporada vestindo nerazzurro – nas outras, conviveu com lesões, mau condicionamento físico e pouca sorte. Somente em 2011-12 aquele atacante de corte seco, chutes fulminantes de pé direito e muita movimentação voltou a aparecer: fez uma tripletta contra o Genoa, outra contra o Milan (apenas István Nyers e Amedeo Amadei haviam feito o mesmo pela Inter) e chegou aos 24 gols na Serie A, superando o número de gols de Ronaldo pela equipe.

Apesar de ter deixado a Inter sem contribuir muito para o time, Milito nunca perdeu o respeito e o amor dos torcedores, que adoravam gritar o seu nome em San Siro. Pudera, foram 171 jogos e 75 gols com a camisa 22 nerazzurra. Em 2014, no final de seu contrato, o Príncipe decidiu voltar para um lugar em que ele também era majestade: Avellaneda.

Nos últimos dois anos de sua carreira, Milito viveu momentos de alta do Racing e de muita festa no El Cilindro. O Príncipe voltou a usar a camisa 22 de La Academia e também a braçadeira de capitão. Ganhou um Campeonato Argentino, disputou uma Copa Libertadores e chorou muito em uma despedida com a devida homenagem a um jogador que tantas alegrias deu aos racinguistas. E também a grifoni e nerazzurri.

Diego Alberto Milito
Nascimento: 12 de junho de 1979, em Bernal, Argentina
Posição: atacante
Clubes em que atuou: Racing (1999-2004 e 2014-16), Genoa (2004-05 e 2008-09), Zaragoza (2005-08) e Inter (2009-14)
Títulos: Mundial Interclubes (2011), Serie A (2010), Liga dos Campeões (2010), Supercopa Italiana (2010), Coppa Italia (2010 e 2011), Torneio Apertura (2001) e Campeonato Argentino (2014)
Seleção argentina: 25 jogos e 4 gols

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