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terça-feira, 31 de maio de 2016

Terra arrasada

8 + 2 = 10: Conte dá a 10 a Thiago Motta, símbolo de uma Itália física e pouco talentosa (Getty)
Saiu a lista da Itália para a Euro 2016. Antonio Conte provou que nada é tão ruim que não possa piorar e fez escolhas bastante questionáveis para o grupo que defenderá a Squadra Azzurra na França. Como bem ressaltou Leonardo Bertozzi, jornalista da ESPN Brasil, pior que esta convocação só mesmo a de Marcello Lippi para a Copa do Mundo de 2010. Veja a lista abaixo e nossa análise.

Lista oficial de convocados da Itália para a Euro 2016

Goleiros: Gianluigi Buffon (Juventus), Federico Marchetti (Lazio), Salvatore Sirigu (Paris Saint-Germain); 
Defensores: Andrea Barzagli (Juventus), Leonardo Bonucci (Juventus), Giorgio Chiellini (Juventus), Matteo Darmian (Manchester United), Mattia De Sciglio (Milan), Angelo Ogbonna (West Ham);
Meio-campistas: Federico Bernardeschi (Fiorentina), Antonio Candreva (Lazio), Daniele De Rossi (Roma), Stephan El Shaarawy (Roma), Alessandro Florenzi (Roma), Emanuele Giaccherini (Bologna), Stefano Sturaro (Juventus), Thiago Motta (Paris Saint-Germain), Marco Parolo (Lazio);
Atacantes: Éder (Inter), Ciro Immobile (Torino), Lorenzo Insigne (Napoli), Graziano Pellè (Southampton) e Simone Zaza (Juventus).
Lista de espera: Davide Zappacosta (Torino), Daniele Rugani (Juventus) e Marco Benassi (Torino).

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A Itália já ia para a Eurocopa com poucas expectativas, por causa das lesões de Marco Verratti e Claudio Marchisio, peças fundamentais ao esquema da Nazionale – outro lesionado, mas reserva, é o goleiro Mattia Perin. Conte, com contrato assinado com o Chelsea, nunca pareceu motivado a realizar seu trabalho na seleção e seu acerto com o clube inglês, anunciado às vésperas da competição, deixou isso bem claro. A sensação era de que a Itália poderia ir à Euro praticamente para cumprir tabela e que alcançar a segunda fase do torneio já seria lucro. O planejamento, agora, seria montar um time competitivo para a Copa de 2018. Pois bem, nem isso Conte vai deixar de legado: para usar um termo que está na moda, fica uma "herança maldita".

Somos críticos do trabalho do treinador apuliano há algum tempo, mas ele se superou desta vez. Já afirmamos aqui que o problema da Itália não é a safra, mas o fazendeiro e Conte reavivou os motivos das nossas indagações. De incoerência ele não poderia ser acusado, mas contrariou as suas convicções ao optar por jogadores que lhe agradam pessoalmente, mesmo que não venham jogando bem – ele declarou inúmeras vezes que estar em boa fase é algo prioritário para ser convocado.

O que explica, então, que Verratti não tenha sido substituído por Jorginho? O ítalo-brasileiro foi um jogador fundamental no Napoli vice-campeão italiano e um dos melhores registas do campeonato, com o maior índice de passes certos nas cinco maiores ligas europeias. Mesmo assim, o comandante técnico azzurro só o convocou na reta final da temporada e concluiu que ele não se encaixava no seu esquema.

No lugar de outro pilar da equipe, Marchisio, Conte poderia ter dado espaço a uma série de jogadores, como Daniele Baselli, Marco Benassi, Giacomo Bonaventura e, quisesse uma opção mais ofensiva, até mesmo Riccardo Saponara. Mas não: foi convocado Stefano Sturaro, seu bruxinho de tempos de Juve e pouco utilizado por Massimiliano Allegri em 2015-16. Isso sem falar em Angelo Ogbonna, Mattia De Sciglio, Marco Parolo, Éder e Federico Marchetti. O que eles agregam para a Itália neste momento?

Não fica nisso. Numerações de camisas são irrelevantes na prática, mas ver Thiago Motta utilizar a 10 – que já foi de Gianni Rivera, Roberto Baggio, Alessandro Del Piero e Francesco Totti – é "por demais forte simbolicamente para eu não me abalar", diria Caetano Veloso. É a metáfora de uma seleção mal convocada e na qual se valoriza muito mais conceitos como garra, comprometimento, experiência e utilidade tática do que talento, renovação e ousadia. Imediatista, Conte tem sido uma versão italiana de Dunga e não deixa legado para seu sucessor, seja ele quem for – Giampiero Ventura, ex-Torino, é o favorito.

Bernardeschi e Insigne são as poucas esperanças de talento para a Itália; Bonucci será líder (AP)
O cenário pós-Conte é quase de terra arrasada, dado o número de jogadores que podem não serem mais chamados quando ele se retirar do comando da Azzurra. Fica difícil pensar que Barzagli, Marchetti, Parolo, Giaccherini, Pellè e até mesmo Motta e De Rossi tenham grande futuro na seleção, em vistas do Mundial de 2018, por causa de suas idades. Conte não fez muita questão de elaborar uma transição entre o elenco de 2014 e o que será utilizado em 2018, dando pouco espaço a jovens jogadores. Rugani, Romagnoli, Baselli, Cataldi, Saponara, Jorginho, Berardi, Sansone, Belotti: nenhum deles, embora estejam em alto nível, mereceram reais chances na seleção. Dá para dizer que é um absurdo.

Para mostrar que seria possível montar um grupo bem mais competitivo com peças diferentes, fizemos um favor a Conte e fizemos a nossa convocação para a Euro – um pouco baseados em preceitos adotados pelo técnico, como boa fase em clubes e entrosamento entre os jogadores em suas equipes. Ao todo, escolhemos 10 jogadores que não foram selecionados pelo CT azzurro.

As grandes mudanças trazidas por nós incluem a opção por defensores e meias mais técnicos, além de jogadores mais jovens em todas as posições – nem que fossem considerados apenas como peças para o segundo tempo. A defesa continuaria tendo a Juventus como base, ao passo que no ataque daríamos espaço para um trio que fez sucesso no Sassuolo e teria sintonia suficiente para agregar algo positivo ao time: Berardi e Sansone, ainda no clube emiliano, e Zaza, cedido à Velha Senhora. Também escolhemos jogadores que podem atuar em muitas posições, prezando a versatilidade de Chiellini, Darmian, Florenzi, De Rossi, Bernardeschi, Bonaventura, Saponara e El Shaarawy.

Mesmo assim, por uma questão de exercício e considerando que seria impossível mudar o elenco inteiro em cima da hora, optamos por um time titular bem parecido com o de Antonio Conte, mas com uma série de opções mais interessantes para o banco de reservas e com expectativa de ganhar vagas durante a competição. Confira.

Lista Quattro Tratti para a Euro

Goleiros: Gianluigi Buffon (Juventus); Marco Sportiello (Atalanta) e Gianluigi Donnarumma (Milan);
Defensores: Andrea Barzagli (Juventus), Leonardo Bonucci (Juventus), Giorgio Chiellini (Juventus), Matteo Darmian (Manchester United), Daniele Rugani (Juventus) e Alessio Romagnoli (Milan);
Meio-campistas: Federico Bernardeschi (Fiorentina), Antonio Candreva (Lazio), Daniele De Rossi (Roma), Stephan El Shaarawy (Roma), Alessandro Florenzi (Roma), Thiago Motta (Paris Saint-Germain), Jorginho (Napoli), Giacomo Bonaventura (Milan) e Riccardo Saponara (Empoli);
Atacantes: Lorenzo Insigne (Napoli), Andrea Belotti (Torino), Domenico Berardi (Sassuolo), Nicola Sansone (Sassuolo) e Simone Zaza (Juventus).

Esquema-base do time baseado no trabalho de Conte (3-5-2/4-3-3): Buffon; Barzagli, Bonucci, Chiellini; Candreva (Florenzi, Bernardeschi), Thiago Motta, Jorginho, De Rossi, Darmian; Insigne, Belotti.

Nossa escalação livre (4-2-3-1): Buffon; Florenzi (Darmian), Barzagli, Bonucci, Darmian (Chiellini); Jorginho, De Rossi; Bernardeschi (Candreva, Berardi), El Shaarawy (Saponara, Bonaventura), Insigne; Belotti.

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De lambuja, a gente reuniu os jogadores que atuam na Itália e foram convocados para a Eurocopa e a Copa América Centenário. Confira.

Jogadores que atuam na Itália convocados para a Euro 2016

França: Lucas Digne (Roma), Patrice Evra (Juventus) e Paul Pogba (Juventus)
Romênia: Ciprian Tatarusanu (Fiorentina) e Vlad Chiriches (Napoli)
Albânia: Etrit Berisha (Lazio), Arlind Ajeti (Frosinone), Elseid Hysaj (Napoli), Migjen Basha (Como) e Ledian Memushaj (Pescara)
* Berat Djimsiti (Atalanta) foi excluído da lista final.
Suíça: Stephan Lichtsteiner (Juventus) e Blerim Dzemaili (Genoa)
* Silvan Widmer (Udinese) foi excluído da lista final.
Eslováquia: Norbert Gyömbér (Roma), Milan Skriniar (Sampdoria), Marek Hamsík (Napoli) e Juraj Kucka (Milan)
Alemanha: Antonio Rüdiger (Roma) e Sami Khedira (Juventus)
Polônia: Wojciech Szczęsny (Roma), Kamil Glik (Torino), Thiago Cionek (Palermo), Bartosz Salamon (Cagliari), Jakub Błaszczykowski (Fiorentina) e Piotr Zieliński (Empoli)
* Paweł Wszołek (Verona) foi excluído da lista final.
Espanha: Álvaro Morata (Juventus)
Croácia: Sime Vrsaljko (Sassuolo), Ivan Strinic (Napoli), Milan Badelj (Fiorentina), Marcelo Brozovic (Inter), Ivan Perisic (Inter), Mario Mandzukic (Juventus) e Nikola Kalinic (Fiorentina)
Bélgica: Radja Nainggolan (Roma) e Dries Mertens (Napoli)
Suécia: Pontus Jansson (Torino) e Oscar Hiljemark (Palermo)
Islândia: Hördur Magnússon (Cesena) e Emil Hallfredsson (Udinese)

Jogadores que atuam na Itália convocados para a Copa América Centenário

Colômbia: Cristián Zapata (Milan), Jeison Murillo (Inter), Juan Guillermo Cuadrado (Juventus) e Carlos Bacca (Milan)
* Luis Muriel (Sampdoria) foi excluído da lista final.
Brasil: Miranda (Inter)
Uruguai: Gastón Silva (Torino), Matías Vecino (Fiorentina) e Diego Laxalt (Genoa)
Venezuela: Tomás Rincón (Genoa) e Josef Martínez (Torino)
* Andrés Ponce (Sampdoria) foi excluído da lista final.
Argentina: Facundo Roncaglia (Fiorentina) e Gonzalo Higuaín (Napoli)
* Gonzalo Rodríguez (Fiorentina), Roberto Pereyra (Juventus) e Paulo Dybala (Juventus) foram excluídos da lista final; Lucas Biglia (Lazio) foi cortado por lesão.
Bolívia: Sebastián Gamarra (Milan) foi excluído da lista final.
Chile: Gary Medel (Inter), Erick Pulgar (Bologna), Mati Fernández (Fiorentina) e Mauricio Pinilla (Atalanta)

2 Comentários:

Unknown disse...

Eu escalaria a Itália num 3-4-3: Buffon; Bonucci, Barzagli e Chiellini; Florenzi, Motta, Jorginho e Darmian; El Shaarawy, Zaza e Insigne. E levaria jogadores como Berardi, Sansone e Bonaventura para eventualmente mudar o esquema pra um 4-4-2. Realmente dá pra fazer um time melhor que o Conte vem fazendo, basta boa vontade

Miguel Angel disse...

Uma lista com 23 jogadores que Conte deixou de fora seria melhor que os que ele levou..
Goleiros: Sportiello, Donnarumma e Viviano.
Zagueiros: Acerbi, Astori, Romagnoli, Rugani, Tonelli, Izzo, Zappacosta e De Silvestri.
Meias: Jorginho, Montolivo, Pirlo, Cataldi, Soriano, Benassi, Bonaventura e Saponara.
Atacantes: Berardi, Belotti, Pavoletti e Giovinco.

PS: Não cometeria a loucura de deixar Buffon,Bonucci, Chiellini, De Rossi, Bernardeschi e Insigne mas só para mostrar como o trabalho de Conte na azzurra é burocrático e sem boa vontade nenhuma.

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