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domingo, 26 de junho de 2016

10 anos do tetra italiano: Apito decisivo

Totti saiu do banco para marcar em pênalti polêmico nos acréscimos e classificar a Itália (Getty)
Após uma primeira fase sem sustos, a Itália tem pela frente nas oitavas de final da Copa de 2006 uma das surpresas da competição: a Austrália, treinada por Guus Hiddink, tinha superado o estereótipo e ser apenas um time físico e defensivo e havia passado por um grupo difícil, com Brasil (derrota por 2 a 0), Japão (vitória por 3 a 1) e Croácia (empate por 2 a 2). A primeira seleção da Oceania classificada ao mata-mata de um Mundial não era favorita, mas prometia complicar a vida da Squadra Azzurra com um jogo organizado e no campo da sorte. Foi no Fritz-Walter-Stadion, em Kaiserslautern, que os Socceroos venceram sua primeira partida em uma Copa do Mundo.

Por um lado, a Itália enfrentaria a geração de ouro australiana, com Schwarzer, Bresciano, Cahill e Viduka – além de Kewell, no banco, e Emerton, suspenso –, mas por outro a seleção de Lippi tinha uma penca de opções. O técnico de Viareggio fez três alterações em relação ao time que venceu a República Checa: Materazzi continuou ocupando o lugar do lesionado Nesta (que não deve mais atuar na competição), Toni voltou ao time, na vaga de Camoranesi, e, surpreendentemente, Totti perdeu espaço para Del Piero. O esquema foi o mesmo, o 4-3-1-2.

A Itália entrou em campo pela primeira vez com seu uniforme tradicional no torneio, com camisa e meiões azuis e calções brancos. Isso, no entanto, não deu forças adicionais à Nazionale, que teve dificuldades de vencer o 3-5-1-1 australiano. Del Piero tentava se movimentar e criar, mas Toni e Gilardino estavam sem pontaria.

Nas duas melhores chances da primeira etapa, antes mesmo dos 25 minutos, o bomber da Fiorentina cabeceou para fora em uma oportunidade, enquanto em outra fez Schwarzer defender com os pés; por sua vez, Gila obrigou o goleiro espalmar um chute central, mas difícil, para escanteio. Do lado oposto, a grande chance veio com um chute potente de Chipperfield, defendido em dois tempos por Buffon.

No intervalo, Lippi decidiu mudar o esquema para um 4-3-3, substituindo Gilardino por Iaquinta e abrindo o atacante da Udinese na direita e Del Piero na esquerda. Porém, o árbitro Medina Cantalejo acabou com os planos do técnico: aos cinco minutos, Materazzi deu carrinho forte sobre Bresciano e o espanhol decidiu expulsá-lo com um cartão vermelho direto. A atitude extremamente rigorosa do apitador fez com que Lippi tirasse Toni para colocar Barzagli em campo e reconstituir a defesa. No entanto, a Austrália não se lançou ao ataque com a superioridade numérica e Viduka mal foi visto em campo. Somente Chipperfield, em outro chute forte, testou Buffon.

A Itália ainda foi melhor em campo e chegou perto do gol, apesar do cansaço. Não muito bem em campo, Pirlo quase surpreendeu Schwarzer com uma cobrança de falta por cobertura, mas o goleiro do Middlesbrough colocou para escanteio. A oportunidade mais clara, porém, foi desperdiçada por Gattuso: em contra-ataque os azzurri tinham vantagem de três contra dois, mas o volante errou passe simples para Del Piero, que estava na cara do gol. Disperso, aliás, o juventino foi substituído por Totti aos 30 da segunda etapa. A substituição que ajudou a decidir o jogo.

Não, Totti não foi autor de nenhuma jogada fenomenal. Na verdade, os jogadores italianos estavam bem cansados e a partida se encaminhava para a prorrogação, até que, no último minuto dos acréscimos, apareceu Grosso. O lateral esquerdo do Palermo envolveu Neill com algumas fintas e, quando o australiano deu um carrinho, provocou o contato com ele, cavando a penalidade – inexistente. Implacável, Totti cobrou e converteu, no último lance do jogo, levando a Itália para as quartas sob as vaias dos australianos. No caminho para o tetra, a Squadra Azzurra terá Suíça ou Ucrânia na próxima fase e larga como favorita no confronto.



Itália 1-0 Austrália – Oitavas de final

Itália: Buffon; Zambrotta, Cannavaro, Materazzi, Grosso; Perrotta, Pirlo, Gattuso; Del Piero (Totti); Gilardino (Iaquinta), Toni (Barzagli). Técnico: Marcello Lippi.

Austrália: Schwarzer; Neill, Moore, Chipperfield; Sterjovski (Aloisi), Culina, Grella, Wilkshire, Bresciano; Cahill; Viduka. Técnico: Guus Hiddink. 

Gol: Totti (90 + 5)
Melhor em campo Fifa: Buffon
Cartões amarelos: Grosso, Gattuso e Zambrotta; Grella, Cahill e Wilshire.
Cartão vermelho: Materazzi.
Árbitro: Luis Medina Cantalejo (Espanha)
Local: Fritz-Walter-Stadion, em Kaiserslautern (Alemanha).

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