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segunda-feira, 27 de junho de 2016

A revanche de Conte

A César o que é de César: Conte juntou elenco em torno de si e formou time competitivo para a Euro (Reuters)
Sabe todas aquelas críticas que o blog e vários outros jornalistas fizeram à convocação de Antonio Conte para a Euro e às atuações da Itália nas eliminatórias para a competição e nos amistosos? Elas estão mantidas. Porém, o futuro técnico do Chelsea tem mostrado porque tem suas convicções firmes e como suas escolhas se adequam ao que ele propõe em campo.

Nem mesmo quando derrotou a Bélgica com sobras, na fase de grupos da Eurocopa, a Itália tinha feito um jogo tão bom como o que fez contra a atual campeã, Espanha, nesta segunda, no Stade de France. Os que acreditam em mística podem dizer que a Squadra Azzurra venceu a Fúria pelo peso de sua camisa ou porque os espanhois nunca ganharam um jogo em Euro ou em Mundiais utilizando uniforme branco. Balela. 

Conte armou uma arapuca para Vicente Del Bosque e fez a Nazionale dominar quase toda a partida, obrigando a seleção adversária a jogar fora de seu estilo habitual. Assim foi construída a revanche da final de 2012, na qual a Itália, treinada por Cesare Prandelli, foi goleada pela Espanha por 4 a 0. O triunfo também deixou o retrospecto do confronto, que era absolutamente igual, favorável à Azzurra: agora são 11 vitórias, 10 derrotas e 14 empates contra os espanhóis.

As maiores decepções da Espanha de 2013 para cá foram contra times que foram a campo com linhas de três na defesa e muita intensidade na marcação, pressing e rápida transição ofensiva – Holanda e Chile, na Copa de 2014, e até mesmo a Itália, no primeiro confronto entre as seleções na Euro 2012, surpreendeu dessa forma, conseguindo um empate.

Já nos primeiros minutos a pressão dos jogadores italianos na marcação impediu os espanhóis de trocarem muitos passes sem que cometessem erros ou tentassem a ligação direta para Morata. Por isso, a Azzurra equilibrou a posse de bola no primeiro tempo e chegou a ter índice superior ao da Espanha em três quesitos: na própria manutenção da pelota e também em número de passes realizados e no índice de acerto. Em raríssimas oportunidades a Espanha se viu tão acuada.

Em alta, Éder e Giaccherini participaram do gol de Chiellini (Reuters)
O meio-campo italiano fez um fabuloso trabalho de marcação sobre Iniesta e Fàbregas, quase anulados durante toda a partida, seja pelo fato de De Rossi costumeiramente chegar junto para dobrar a marcação – e até dar uma caneta no jogador do Barcelona – ou pelos 13 quilômetros percorridos por Giaccherini no confronto. Sempre espetado, Florenzi também segurou as subidas de Jordi Alba. Pellè, questionadíssimo, fez um importante trabalho tático ao marcar Busquets o jogo inteiro, impedindo que a Espanha realizasse saída de bola mais limpa a partir do vértice baixo do meio-campo. Outro que exerceu função tática importante foi Éder, também questionado anteriormente, que ajudava a defesa, puxava contra-ataques e fazia boas aberturas para De Sciglio.
Nessa toada, o primeiro tempo foi um verdadeiro massacre da Itália sobre a Espanha. Imitando a Copa de 1970, Pellè cabeceou bem para o chão, mas De Gea deu uma de Banks e fez ótima defesa. O arqueiro voltou a fazer duas outras defesas fundamentais antes do intervalo, em tentativas de Giaccherini: uma de puxeta, que tocou também na trave, foi anulada pelo árbitro Çakir, enquanto a outra foi um belo chute com curva espalmado para escanteio. O goleiro do Manchester United, no entanto, falhou ao tentar espalmar uma bomba de Éder e o meia do Bologna aproveitou o rebote para passar para Chiellini fazer o primeiro.

O recital tático de Conte e o show de aplicação tática dos jogadores pode ser analisado ainda em outra perspectiva: Verratti e Marchisio, jogadores que seriam importantes demais para pressionar o time adversário e aliar a potência física à qualidade com a bola nos pés, estão machucados e nem foram para a Euro, ao passo que De Rossi não estava 100% fisicamente. Os remanescentes no elenco conseguiram diminuir as consequências desse cenário com muito comprometimento às ideias do treinador e uma perfeita execução do que lhes foi pedido.

Na segunda etapa a Espanha teve período de crescimento, depois que Nolito deu lugar ao centroavante Aduriz, que entrou cheio de confiança. De Rossi, cansado, deu lugar a Thiago Motta, que entrou em um ritmo inferior ao do companheiro e ao exigido à função. Com mais espaço, Iniesta começou a criar mais e a Itália passou algum sufoco: foi aí que Buffon apareceu. O Superman fez defesaças em um sem pulo de Iniesta, em um chute de fora da área de Piqué e em uma tentativa à queima-roupa do defensor, espalmada com reflexos de um garoto.

O crescimento da Espanha deixou Conte irritado – e sua reação foi dar um bico em uma bola perdida por Giaccherini. O jogo mudou bastante e a Espanha conseguiu aumentar significativamente a posse de bola – finalizou a partida com 58% dela – e a quantidade de passes realizados e acertados, superando os azzurri nos quesitos. Conte precisou mudar e colocou Insigne e Darmian em campo para dar sangue novo ao time. Deu certo: em contra-ataque iniciado pelo atacante napolitano, o lateral do Manchester United ajeitou para Pellè, em bela movimentação, marcar. O gol foi uma cópia do anotado contra a Bélgica: de voleio, nos acréscimos e sacramentando o 2 a 0.
Agora, a Itália avança às quartas de final com a sensação de dever cumprido. O objetivo mínimo na competição foi cumprido e as duas atuações de gala contra Bélgica e Espanha dão moral a um time que entrou desacreditado e que, se for eliminado perante a fortíssima Alemanha, voltará para casa  celebrado. Só que o retrospecto contra os germânicos, eternos rivais no futebol, é favorável à Azzurra, que nunca perdeu ou sequer foi eliminada nos pênaltis pela Nationalmannschaft em Euros ou Mundiais. Na última Eurocopa, por exemplo, os italianos acabaram com os sonhos dos comandados de Joachim Löw com um show de Balotelli.

Contra os alemães a fórmula e a escalação de Conte devem ser as mesmas de hoje. Dos muitos pendurados (a Nazionale tinha 11 amarelados antes do jogo contra a Fúria), somente Thiago Motta estará indisponível, o que já é um mérito. O trio BBC, à frente de Buffon, será a base do aguerrido esquema, ao passo que a volta de Candreva (fora com um problema muscular) é quase impossível. O foco está no treino, na mentalidade, na confiança no trabalho e na aplicação das ideias de seu treinador.

Isso nos leva às críticas antes da Euro. Provavelmente, uma seleção com nomes que foram desconsiderados pelo treinador, como Saponara, Bonaventura, Berardi, Sansone e Belotti poderia entregar um futebol mais vistoso e técnico, mas talvez sem a mesma dedicação requisitada por Conte e a consequente confiança do treinador. Ideias que podem ser discutidas com argumentos em prol de cada estilo de jogo. O fato é que, dentro de sua proposta, o sucesso da fórmula do técnico apuliano nesta Euro é incontestável.

Itália 2-0 Espanha
Chiellini e Pellè (Darmian)

Itália (3-5-2): Buffon; Barzagli, Bonucci, Chiellini; Florenzi (Darmian 84'), Parolo, De Rossi (Thiago Motta (54'), Giaccherini, De Sciglio; Pellè, Éder (Insigne 82'). Técnico: Antonio Conte.

Espanha (4-3-3): De Gea; Juanfran, Sergio Ramos, Piqué, Jordi Alba; Fàbregas, Busquets, Iniesta; Silva, Morata (Lucas Vázquez 70'), Nolito (Aduriz 46', Pedro 81'). Técnico: Vicente Del Bosque.

Local: Stade de France, em Saint-Dénis, França
Árbitro: Cüneyt Çakir (Turquia)

2 Comentários:

George Carlos disse...

Infelizmente posso dizer que não me agradei da seleção italiana. Basta ver as inúmeras defesas indispensáveis que Buffon fez, em consequência das diversas falhas da defesa azzurra.se não fosse o arqueiro itálico teríamos sofrido cerca de 4 gols. Por isso essa Vitória deve-se em grande parte também a Buffon. Além disso, no segundo tempo a Italia recuou demais, exigindo de Buffon aquelas incríveis defesas. Mas gostei muito da atuação de Giaccherini, Eder e De Sciglio.também gostei muito da entrada de Insigne que, dando velocidade ao contra ataque, foi fundamental para o segundo gol. Não estou 100% contente com a azzurra, pois senão fosse Buffon teríamos sido goleados, como já falei. Conte deve trabalhar muito o setor defensivo contra os atuais campeões mundiais. Ainda prefiro Candreva no lugar de Florenzi, o qual contudo, não jogou mal. Enfim, a Italia, contra a Alemanha, deve melhorar muito aquilo que chamam de muralha e os meias Giaccherini e parolo e os laterais Darmian (ou de sciglio) e Candreva (ou florenzi) municiar melhor eder e pelle para furar a rede da Alemanha que ainda não foi vasada. De qualquer modo a squadra de conte ganha moral e credibilidade ainda maior para seguir em frente na Euro. Avante.

Unknown disse...

Fiquei impressionado com a atuação do Éder, creio que tenha sido a melhor atuação dele no ano

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