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quarta-feira, 8 de junho de 2016

Em busca da felicidade

Poucos títulos, mas experiência e filosofia de renovação: este é Ventura, novo técnico da Azzurra (Eurosport)
Sem perder tempo e em meio à preparação para a Euro, a Federação Italiana de Futebol (FIGC) confirmou Giampiero Ventura como novo comissário técnico da Itália. Entre tantos especulados, o ex-treinador do Torino ganhou força nas últimas semanas e já estava apalavrado com Carlo Tavecchio, presidente da entidade máxima do futebol nacional. A escolha do novo técnico foi oficializada nesta terça, durante o conselho federal. Pelo nome, a Itália sai com bons presságios: ventura significa boa sorte, felicidade, em português.

Surpresa para alguns, Ventura, na verdade, combina com o que Tavecchio tem proposto: a busca por um futebol italiano mais nacional. Como o próprio presidente da FIGC destacou em coletiva: “eu mantive minha primeira ideia, amadurecida alguns meses atrás. Escolhi Ventura porque é um mestre do futebol e ensinou a vários treinadores seus métodos inovadores. Lançou muitos jogadores para a seleção, tem experiência na formação de jovens e creio que sempre fomos próximos”.

Para Tavecchio, a nomeação do novo CT é o primeiro passo de um projeto de fortalecimento, especialização e profissionalização das estruturas das seleções – de base até o profissional. Ainda falta escolher o novo diretor técnico, que trabalhará ao lado do treinador, o que, segundo o cartola, acontecerá após a Euro. Marcello Lippi era o favorito para ser o cargo, mas há um conflito de interesses, já que seu filho, Davide, é procurador esportivo. Segundo Tavecchio, o caso está com o Tribunal Federal, mas a Gazzetta dello Sport especula que Arrigo Sacchi e Francesco Guidolin são alternativas ao treinador do tetra.

Aos 68 anos, Ventura já está no final da carreira e combina com o futebol de seleções, que pede por mais experiência, paciência e observação, sem a intensidade e pressão do futebol de clubes. Apesar de sempre ter trabalhado em clubes, Ventura tem um perfil oposto ao de Conte, que, no início e no auge da sua trajetória como técnico, foi contratado com muita moral após os feitos pela Juventus, mas que não se adaptou à realidade e teve rixas com a federação e alguns treinadores da Serie A.

O título da Serie C1, conquistado com o Lecce há vinte anos, foi a única conquista da carreira de Ventura., que teve resultados modestos em três décadas como treinador – seu melhor trabalho foi o último, no Torino, no qual alcançou a sétima posição na Serie A. Para muitos, sua contratação é uma escolha sem ambição, e talvez seja realmente essa a intenção de Tavecchio, que busca a simplicidade e o caráter do treinador genovês, sem levar muito em consideração suas vitórias, mas seu modo de enxergar o esporte. Roberto Mancini, Vincenzo Montella, Fabio Capello e outros nomes que foram especulados atrairiam muita repercussão, além, é claro, de um salário maior. Ventura, que assinou até 2018, receberá apenas 1,3 milhão anuais e nenhum tipo de bônus por classificação da Itália para a Copa da Rússia.

Taticamente, Ventura não trará nada espetacular, que revolucionará o futebol italiano. Pelo contrário, suas ideias são simples e se adaptam ao contexto. Nos seus trabalhos mais expressivos, se notabilizou pelo futebol ofensivo em Pisa, Bari e Torino (nos primeiros dois anos), focado nos ataques laterais e na intensidade.

Em Turim, sofreu no primeiro ano de Serie A e teve que se adaptar ao campeonato, mudando o elenco para isso. Com o 3-5-2 difundido no campeonato, o genovês primou pelo trabalho defensivo, formando uma equipe forte e estável, que cedia pouco atrás e ganhava partidas em contra-ataques ou bola parada. Teve um pouco de turbulência no último ano, com a reformulação do elenco, e até por isso se distanciou da diretoria, que antes mesmo de Ventura ser anunciado como novo CT italiano, adiantou a rescisão contratual para contratar Sinisa Mihajlovic.

O grande trunfo de Ventura é o aproveitamento e o lançamento de jovens jogadores. Foi ele quem deu as primeiras oportunidades concretas a gente como Alessio Cerci, Daniele Padelli, Ivan Radovanovic, Andrea Ranocchia, Leonardo Bonucci, Kamil Glik, Angelo Ogbonna, Matteo Darmian e aproveitou ainda mais de Stefano Okaka, Ciro Immobile, Davide Zappacosta, Nikola Maksimovic, Andrea Belotti e Bruno Peres.

Por isso mesmo, o treinador não deverá ter medo de apostar em jogadores de clubes menores e sem muita experiência com a seleção na Nazionale, além de ampliar o espaço para jovens, aproximando o time principal com o sub-21 e outras categorias. Será a oportunidade de ver nomes que faltaram nas convocações de Conte, como Domenico Berardi, Alessio Romagnoli, Nicola Sansone, Riccardo Saponara, Andrea Belotti e tantos outros.

O que deve surgir é um time simples e sem pouca rodagem internacional, mas competitivo. O novo técnico deve seguir confiando na liderança da base da Juventus, com boas adições e a tão sonhada renovação das peças, deixada de lado por seu antecessor. A partir daí se construirá a base da equipe para ir à Copa do Mundo e não fazer feio na competição, como em 2010 e 2014.

2 Comentários:

Marcos Paulo disse...

Já faz tempo, mas vocês poderiam fazer uma matéria sobre o time da copa de 90? Aquela Itália era um timaço: Baggio, Bergomi, Zenga, Giannini, Ferrara, Baresi, Schillaci, Vialli, entre outros. Além do Pibe, dizem que foram os bastidores que derrubaram a squadra.

George Carlos disse...

Não entendi a escolha de Ventura para dirigir a azzurra rumo a Rússia 2018. Além da inexperiência Internacional, o genovês não tem histórico nenhum de títulos. Respeito as opiniões contrárias, mas acho que Capello, Ranieri e Lippi seriam melhores nomes. Pelo menos na teoria. Em vez de apostar somente na juventude, creio que o mesmo deveria mesclar juventude com experiência. Foi assim, desacreditado, que Lippi foi tetra em 2006. Mas desejamos um bom trabalho a Ventura, rumo ao penta mundial na Russia, estreando no comando azzurro no dia 01-09-2016 em amistoso contra a França. Boa sorte Giampieo Ventura.

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