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segunda-feira, 6 de junho de 2016

Inter: um negócio da China

Javier Zanetti e Gong Lei, administrador da parte esportiva da Suning,
na cerimônia que definiu a negociação (Getty)
Em colaboração com Arhur Barcelos, do La Beneamata (ESPN FC)

Confirmando as expectativas, o conglomerado Suning se tornou acionista majoritário da Inter. Sem especificar valores e porcentagens, o negócio foi confirmado em coletiva nesta segunda-feira, à tarde na China, de manhã na Itália e madrugada no Brasil. Na cerimônia, foi comunicado que Erick Thohir continua na presidência e também a saída definitiva de Massimo Moratti, após 21 anos no clube.

O grupo Suning já investe no futebol – é dono do Jiangsu Suning, que contratou Alex Teixeira e Ramires por um caminhão de dinheiro, além de ter negociado com Luiz Adriano e Fredy Guarín na última janela de mercado. Como amplamente reportado, na verdade, a Suning (como Suning Holdings Group) fica com 68,55% das ações, enquanto Thohir (enquanto International Sports Capital) assume os 29,5% da família Moratti (Internazionale Holding S.r.l.) e permanece com 31%. O 0,45% restante é de acionistas menores, a exemplo da Pirelli e outros investidores.

Na operação, a Suning, na figura do fundador e presidente Zhang Jindong, pagou 270 milhões de euros, uma parte direcionada a Moratti e o restante para Thohir. Isso representa um lucro de quase 100% para o indonésio em relação ao que pagou em 2013 a Moratti pelos 70% das ações. Mais do que tudo, um ótimo negócio para o magnata, que permanece no clube como principal administrador – não sabemos até quando. Especula-se que em dois anos os chineses terão 100% das ações dos nerazzurri, enquanto o CEO da Inter, Michael Bollingbroke, confirmou que os investimentos da Suning são grandes, com planos de 5 a 10 anos de injeção de capital.

Até pela falta de transparência da Inter e da Suning – que nem mesmo faz questão de se comunicar em outro idioma além do mandarim –, não sabemos ao certo como fica a situação do clube, a curto ou longo prazo, o que dá margem para muita especulação, coisa que os jornais italianos adoram. De qualquer forma, um novo conselho administrativo deverá ser formado em breve para reorganizar o organograma do clube, traçar as metas para 2016-17 e avaliar o Fair Play Financeiro, em futura reunião com a Uefa.

A princípio, os €270 milhões por 68,55% das ações do clube parecem pouco – já que, pelas contas, a Inter ficaria avaliada em € 380 mi –, mas eles servem como restituição a Thohir e Moratti. Ou seja, não envolve as finanças do clube diretamente: não entram no balanço, vamos colocar assim. Ao todo, a Suning deverá investir cerca de €700 milhões, honrando os débitos (superiores a € 300 mi, especialmente com a Goldman Sachs e o empréstimo de Thohir), a futura aquisição do resto das ações e entre outros investimentos. Cerca de 5% do que o conglomerado faturou no ano passado, num total de 15 bilhões de dólares.

Ótimo para Thohir, finalmente um descanso para a família Moratti e, esperamos, excelente para a Inter. Não é nem a questão de gastar centenas de milhões de euros no mercado, porque não será exatamente isso que colocará o clube de volta entre os 10 maiores, e sim um time competitivo, que faça frente à Juventus e retorne à Liga dos Campeões – entre os nomes especulados, fala-se em Yaya Touré e Antonio Candreva, além dos já confirmados Caner Erkin e Éver Banega. O que virá com uma administração responsável, que supere os débitos e finalmente se livre do FPF.

Para a Suning, a Inter é o primeiro de uma série de investimentos estrangeiros – e representa a maior participação de uma empresa chinesa na história do futebol europeu. Um projeto que se inspira no City Football Group, que administra, entre outros, o Manchester City. A escolha da Beneamata não é aleatória, já que firma parceria com Thohir, homem forte do esporte indonésio e investidor nos Estados Unidos, além da grande base de interistas na China – cerca de 130 milhões, segundo o clube. Que o retorno futebolístico em Milão seja tão grande quanto o ambicioso projeto.

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