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terça-feira, 12 de julho de 2016

Jogadores: Joaquín Peiró

Peiró brinca com as miniaturas de suas maiores conquistas: a Copa
dos Campeões e o Mundial Interclubes (Twitter)
O caminho habitual para jogadores espanhóis que passaram pela Itália foi o da decepção. Alguns deles, como Joaquín Peiró, foram as exceções que confirmam a regra: o meia-atacante vestiu três camisas na Serie A, mas foi na Inter que teve mais sucesso.

Nascido na capital espanhola, Peiró começou nas categorias de base do Atlético de Madrid e foi emprestado para times menores antes de ter chances nos colchoneros. Sua primeira experiência como profissional foi no Murcia, na segunda divisão. Titular da equipe, Peiró fez 15 gols e ajudou os pimentoneros a subirem para a elite.

De volta ao Atlético de Madrid, o meia-atacante despontou com rapidez. Em sete anos pela equipe da capital, Peiró atuou em 166 jogos e marcou 92 gols, participando de um bicampeonato da Copa do Rei e sendo fundamental para o título da Recopa Europeia de 1962, contra a Fiorentina – inclusive, marcou um gol em cada partida das finais. O madrilenho até começou a temporada 1962-63 em Madrid, mas após marcar seis gols em três jogos, o ponta-esquerda fechou com o Torino. Seria o quarto espanhol a atuar na Serie A depois de Luis Suárez (Inter), Juan Santisteban (Venezia) e Luis del Sol (Juventus).

Com a equipe granata, Peiró fez uma primeira temporada fraca, com apenas cinco gols marcados em 19 jogos. No ano seguinte, o espanhol recuperou o bom futebol e se tornou titular absoluto da equipe de Nereo Rocco, sétima colocada naquela Serie A e vice-campeã da Coppa Italia. Depois dos 13 gols, que o fizeram artilheiro do time de Turim em 1963-64, Peiró trocou de equipe.

O atacante, quase imparável devido à sua grande velocidade, foi cedido à Inter de Helenio Herrera e encontrou seu compatriota Luis Suárez em Milão. A dupla fez parte da Grande Inter que venceu a Copa dos Campeões, duas Copas Intercontinentais e duas Serie A até a saída de Peiró, em 1966. O meia-atacante, inclusive, foi importante para o título europeu.

Apesar de ter vencido mais títulos na Inter, Peiró jogou mais tempo na Roma (Storia della Roma)
Na semifinal da Copa dos Campeões, o espanhol foi personagem de um lance curioso: enquanto o goleiro do Liverpool quicava a bola no chão para ganhar tempo, o camisa 9, espertamente, roubou-a com o pé esquerdo e só teve o trabalho de empurrá-la para as redes vazias. Apesar de muita reclamação, o gol foi validado. O lance foi decisivo para a classificação da Beneamata à final, já que os ingleses haviam vencido o jogo de ida e, com o gol de Peiró, a Inter conseguiu a virada. 

Apesar das boas atuações e da sintonia com a diretoria e o técnico, a concorrência no elenco interista era forte. Na época, ainda não se realizavam substituições durante as partidas e havia uma regra em que as equipes italianas só podiam utilizar dois estrangeiros por jogo – na Inter, o espanhol Suárez e o brasileiro Jair da Costa eram titulares, o que fazia com que Peiró precisasse esperar lesões dos colegas para poder jogar. O mesmo problema acometia o jogador na seleção da Espanha: apesar de ter participado das Copas de 1962 e 1966, o meia-atacante entrou poucas vezes em campo pela Roja.

Para poder jogar mais vezes, o hispânico decidiu rumar para a Roma em 1966, logo depois do Mundial da Inglaterra. Peiró ficou quatro anos na Cidade Eterna e, vestindo a camisa giallorossa, voltou a ter grandes momentos. Atuou em mais de 100 partidas pela equipe, chegou a utilizar a braçadeira de capitão em algumas ocasiões e levantou um título, o da Coppa Italia de 1969, que venceu praticamente sozinho. 

Peiró voltou para a Espanha aos 34 anos, em 1970. A ideia seria encerrar a carreira pelo Atlético de Madrid, mas uma séria lesão impediu que ele pudesse voltar a campo antes de declarar que estava parando. Mesmo assim, decidiu manter a palavra.

Depois de se aposentar, o madrilenho voltou ao clube que o revelou algumas vezes, seja pra treinar o time B, entre as décadas de 1970 e 1980, e para ser interino dos profissionais, em 1990. Peiró não teve regularidade em sua trajetória como treinador e viveu seu maior sucesso com o Málaga, equipe com a qual obteve um acesso para a primeira divisão, um título na Copa Intertoto e uma boa campanha na Copa Uefa 2002-03, concluída com a eliminação nas quartas de final.

Joaquín Peiró Lucas
Nascimento: 29 de janeiro de 1936, em Madrid, Espanha
Posição: meia-atacante
Clubes como jogador: Murcia (1954-55), Atlético de Madrid (1955-62 e 1970-71), Torino (1962-64), Inter (1964-66) e Roma (1966-70)
Títulos como jogador: Copa do Rei (1960 e 1961), Recopa Uefa (1962), Copa dos Campeões (1965), Mundial Interclubes (1964 e 1965), Serie A (1965 e 1966) e Coppa Italia (1969)
Carreira como técnico: Atlético de Madrid B (1978-85), Granada (1985-88), Figueres (1988-89), Atlético de Madrid (1990), Murcia (1992-93 e 2003-04), Badajoz (1997-98) e Málaga (1998-2003) 
Título como técnico: Copa Intertoto (2002)
Seleção espanhola: 12 jogos e 5 gols

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