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segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Roberto Mancini demitido: mal necessário, mas no pior momento para a Inter

Técnico decepcionou em sua segunda passagem por Milão e entrou em acordo para deixar a Inter (AP)
Texto publicado originalmente no La Beneamata, do ESPN FC, e adaptado para publicação no blog.

Sim, eu sei que há duas semanas escrevi que já era muito tarde para Roberto Mancini sair do comando técnico da Inter, mas acho que este período deixou bem clara a insustentabilidade da sequência do treinador na Pinetina. Realmente chegou a esse nível, algo escancarado por uma pré-temporada vergonhosa.

Mas não se engane que tudo isso foi apenas por causa das goleadas sofridas para Paris Saint-Germain, Bayern de Munique e Tottenham. Nos últimos meses, praticamente em todos os dias, lemos sobre as diferenças entre comissão técnica e diretoria: Mancini não teve exatamente as contratações queria – ou não todas, já que não podemos desconsiderar as chegadas de Éder, Candreva e outras necessidades cobertas –, assim como a diretoria não tinha convicção no treinador.

Apesar de tudo, o que realmente levou a essa decisão, porém, foi a preparação na pré-temporada. Antes do acordo de rescisão contratual, em que Mancini abriu mão do seu salário e recebeu uma indenização de 10% a 20% do que tinha direito, a diretoria conversou com alguns líderes do grupo e chegou à conclusão que a pré-temporada não estava sendo proveitosa. Além dos maus resultados, os treinos foram muito mal planejados e executados nos aspectos físico, técnico e tático.

Isso não apenas prejudica a imagem do clube, que verdadeiramente passou vergonha na turnê de verão, como toda a temporada 2016-17. Este ano tinha tudo para ser decisivo para a Inter, mais forte em relação ao último campeonato e com condições de brigar por todo o ciclo com Napoli e Roma em busca da Juventus. Agora, a Beneamata retorna à estaca zero, cheia de dúvidas e muita pressão para os objetivos: vaga na Liga dos Campeões via campeonato e bons desempenhos em Liga Europa e Coppa Italia – leia-se: brigar pelo título das competições.


Somente cinco técnicos duraram mais que duas temporadas completas na Inter nos últimos 40 anos. Um deles foi Roberto Mancini, em sua primeira passagem pelo clube, entre 2005 e 2008. Todos os outros, com exceção de Héctor Cúper, conquistaram títulos em Milão – o argentino foi vice da Serie A em 2002-03. Em seu segundo período no clube, Mancio apenas seguiu uma tendência na história nerazzurra, especialmente a recente.

Em seis anos, Mancini foi o sétimo treinador diferente na Pinetina: Rafa Benítez por seis meses (2010-11), Leonardo por outros seis meses (2010-11), Gian Piero Gasperini por três meses (2011-12), Claudio Ranieri por seis meses (2011-12), Andrea Stramaccioni por um ano e dois meses (2011-12 e 2012-13) e Walter Mazzarri por um ano e cinco meses (2013-14 e 2014-15). No entanto, a saída de Mancini deixou a imagem de uma direção confusa: a duas semanas da primeira partida oficial na atual temporada, o treinador foi demitido. Isso praticamente invalida os trabalhos (já ruins) de pré-temporada e atrasa a adaptação de seu substituto.

Por um ano e oito meses, Mancini também teve um trabalho confuso e abaixo da expectativa. Fez exigências além do alcance do clube, mesmo sabendo da situação, e ainda assim a diretoria fez sacrifícios para atendê-lo – mesmo que, Yaya Touré, seu desejo máximo, não tenha sido contratado, e isso tenha abalado as relações entre técnico e cartolas. Como na primeira passagem, sai manchado, mas, apesar de tudo, com uma contribuição importante.

De Boer é a nova aposta dos nerazzurri para brigar na parte alta da tabela (Getty)
Com sua ajuda e influência, as contratações medíocres diminuíram significativamente e enfim o grupo voltou a ser competitivo – ainda que incompleto. O substituto não terá vida fácil, pelo contrário, mas encontra o clube e o elenco em uma situação muito melhor do que Mancini em novembro de 2014.

O responsável pelo novo ciclo da Inter será o holandês Frank De Boer. O ex-técnico do Ajax já está em Milão e assinará um contrato de três anos, com salário de 2 milhões de euros na primeira temporada – com possibilidade de aumento para o período sucessivo. Em seis anos pelos Godenzonen, o ex-zagueiro do Barcelona conquistou quatro vezes a Eredivisie, mas também ficou marcado pela perda do título na última rodada do campeonato em 2015-16.

Sem experiência prévia na Serie A, conhecimento da língua italiana e pouco tempo para mostrar resultados, De Boer é uma aposta arriscada neste momento – se chegasse meses antes, a história seria outra. O técnico de 46 anos leva toda a sua comissão técnica formada por holandeses e Cristian Chivu, ex-jogador de Inter e Ajax, pode ser contratado para ajudar o novo técnico em questões idiomáticas e a se adaptar mais rapidamente. A torcida nerazzurra já cruza os dedos.

1 Comentário:

George Carlos disse...

Estou muito surpreso com essa noticia, pois as contratações da Inter demonstram que é um dos times que vao fazer frente à Juventus, para impedir seu hexa. Mas os resultados dessa pré temporada realmente mostraram que a inter nao estava no sentido certo. E se eu fosse torcedor ou presidente da Inter desejaria muito a contratação de Fabio Capello, nome, aliás, que apoiei para assumir a seleção.

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